terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Petrobrás apresentará balanço não auditado no dia 27

A Petrobrás decidiu apresentar no dia 27 o balanço não auditado do terceiro trimestre de 2014, suspenso desde novembro em decorrência das investigações da operação Lava Jato. Em reunião de conselheiros de administração, a companhia detalhou os cenários estimados para o cenário internacional desfavorável, com a forte queda da cotação de petróleo, além de alternativas para conter a perda de caixa. A estatal também definiu o novo diretor de governança, responsável por “mitigar os ricos de fraude e corrupção”.  A divulgação do balanço é uma condição para que os credores da estatal não cobrem antecipadamente uma série de títulos da empresa. O prazo final expira no dia 30 de janeiro, e por isso a determinação em apresentar no dia 27 os resultados não auditados. Antes, os números serão apreciados pelo Conselho, em reunião extraordinária no Rio. O balanço consolidado, após avaliação de auditoria independente, ainda não tem previsão de divulgação. A maior parte das oito horas de reunião foi dedicada à análise do cenário turbulento para o mercado de óleo e gás. Nesta terça-feira, a cotação de óleo Brent chegou ao menor valor em seis anos, aos US$ 46,59, e põe em risco investimentos da companhia. Por isso, foram discutidas medidas para garantir a viabilidade financeira da companhia. Segundo fontes do colegiado, a determinação é que a companhia não recorra a novos empréstimos e financiamentos neste ano. A opção da companhia, neste momento, é aproveitar o atraso no cronograma de projetos para economizar. A maioria dos projetos é da área de exploração e produção de petróleo, mas a situação abrange também novas unidades, como o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Também foram suspensas as análises de opções de desinvestimentos e vendas de ativos de exploração e produção, sobretudo em áreas do pré-sal. A empresa considera que, neste momento, vender esse tipo de ativos não é um bom negócio”, informou a fonte.

Doleiro Alberto Youssef diz à Justiça que não mandou dinheiro para Anastasia

O doleiro Alberto Youssef rechaçou, por meio de seus advogados, em petição à Justiça Federal no Paraná, “a alusão ao seu nome, como pretenso mandante de qualquer entrega” de dinheiro ao senador eleito Antonio Anastasia (PSDB). A petição foi protocolada nesta terça feira, 13. Youssef negou “terminantemente a inverídica notícia” de que teria mandado o agente federal Jayme Oliveira, o Jayme Careca, levar R$ 1 milhão para o tucano. O doleiro afirma, ainda, que “nunca teve qualquer relação” com o deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ). Para os advogados de defesa do doleiro, “vazamentos e divulgações mentirosas só pretendem prejudicar Alberto Youssef e sua família e têm o objetivo subalterno de tumultuar o processo ou mesmo criar fatos que possam beneficiar terceiros interessados com eventual nulidade da colaboração”.

LEIA A PETIÇÃO DE ALBERTO YOUSSEF E DE SEUS ADVOGADOS À JUSTIÇA FEDERAL NO PARANÁ




Caiado para Kassab: “Cafetão!” Kassab para Caiado: “Mal educado!”

O ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD), não é segredo para ninguém, articula, sim, a criação de um novo partido. Mais uma vez, uma das consequências será o enfraquecimento da oposição. Há uma adicional desta feita: diminuir o poder de fogo o PMDB. Então fiquemos assim:
a) sim, Kassab está empenhado em recriar o PL;
b) sim, se acontecer, deve atrair deputados e governadores para a nova sigla;
c) sob o pretexto de que funda uma nova legenda — hipótese em que políticos com mandato podem deixar seus respectivos partidos de origem —, deve conservar os quadros que tem hoje e arrebanhar outros.

A operação interessa duplamente ao Palácio do Planalto: enfraquece os adversários (oposicionistas) e o PMDB, que perderia poder de negociação. Também desta feita, Kassab recorre a uma posição de poder para redesenhar o quadro partidário. Por ocasião da criação do PSD, a sua condição de prefeito lhe dava o trânsito necessário para atrair “aliados”. Agora no poderoso Ministério das Cidades, a tarefa é facilitada. 

Kassab descobriu mesmo um jeito notável de fazer política — nada muito novo no Brasil, se pensarmos bem. Tendo como aparelho a Prefeitura de São Paulo, “fagocitou” o DEM; no Ministério das Cidades, vai tentar engolir um pedaço do PMDB.

Pois bem. Nesta terça-feira, o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), um dos mais duros opositores do governo Dilma, mandou brasa. Chamou Kassab de “cafetão do Palácio do Planalto”. Disse: “Em vez de se comportar como ministro, Kassab adota postura de cafetão e acha que deputados são garotas de programa para viabilizar o PL. Kassab se especializou em transformar política em pornografia.”

O ministro reagiu com uma nota oficial, que segue:
“Desde sua posse, o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, licenciou-se da presidência do PSD e está se dedicando, exclusivamente, a dar continuidade aos programas habitacional, de mobilidade, saneamento e acessibilidade desenvolvidos pelo governo federal. Como é de conhecimento público, Kassab já se reuniu com líderes de movimentos sociais e está visitando os Estados e as capitais para ampliar ainda mais as parcerias com governadores e prefeitos de todo o Brasil. Há exatos 7 dias no cargo, o ministro das Cidades já realizou 5 reuniões públicas de trabalho – em São Paulo e em Vitória – e já tem mais quatro agendas para esta semana, respectivamente no Rio de Janeiro e no Paraná. As críticas do deputado Ronaldo Caiado, portanto, não merecem comentário algum, porque, além de infundadas, seguramente são motivo de constrangimento para os seus pares, a sua própria legenda e seus eleitores pela falta de educação e compostura incompreensíveis.” 

Retomo
Sempre mantive um diálogo respeitoso com Kassab. Durante um bom tempo, estive entre os poucos na imprensa a reconhecer que a sua gestão era melhor do que faziam crer o PT e setores da imprensa. Fernando Haddad — com quem, parece, ele também pode se aliar, agora oficialmente — evidencia, ainda que fosse só por comparação, que eu estava certo.

Não me arrependo de ter defendido, sim, a sua (re)eleição em 2008 e de ter reconhecido os méritos de sua gestão. Melhor que eu o tenha elogiado quando era muit0 menos poderoso do que agora; quando ainda não era, como é próprio do cargo, um dos braços do governo federal.

Não endosso os termos de Caiado, um político honesto e transparente, mas a sua crítica tem fundamento. Kassab passou a exercer um papel deletério na política brasileira, que poderia ser definido como “ganha-ganha”. Não há como não retornar àquela fórmula, que acabou ganhando tom jocoso, do seu partido, que não era “nem se esquerda, nem de direita nem de centro”. Ele resolveu fundar o PMDB do B, no que essa legenda tem de mais deletério. Ele criou o seu próprio partido do poder.

No seio do oposicionista DEM, Kassab começou a criar o governista PSD; na eleição em São Paulo, de aliado de Geraldo Alckmin (PSDB), passou a ser esteio do oposicionista Paulo Skaf (PMDB); de adversário ferrenho dos petistas em 2008 e tido — embora isso nunca tenha sido verdade — como homem de José Serra, passou a ser considerado um dos braços operativos de Dilma.

Kassab conhece profundamente os bastidores dessa política que está aí, esta que, segundo consta, tem de ser reformada. Pelo visto, antes que o Planalto apresente a sua proposta, tentará dilapidar, por intermédio do ex-prefeito, o patrimônio da oposição e do PMDB. O atual ministro das Cidades é dono de uma conversa agradável. Conhece no detalhe as articulações de bastidores, quem é quem, quem quer o quê, quem articula com cada qual…

Tornou-se um profissional desse jogo. E isso, desta feita, definitivamente não é um elogio. Por Reinaldo Azevedo

SARTORI NOMEIA MISS SEM EXPERIÊNCIA COMO NÚMERO 2 NO TURISMO



O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB) fez uma escolha polêmica para ocupar a secretaria-adjunta de Turismo, Esporte e Lazer do Estado. O peemedebista nomeou a ex-miss Brasil Gabriela Markus, de 26 anos, para chefiar a pasta nos períodos de ausência do secretário. Como é mulher bonita, os críticos do governador logo destacaram o fato de ela não ter experiência profissional na área. “Gabriela Miss Brasil”, como se apresentava no horário eleitoral gratuito, foi candidata a deputada estadual nas últimas eleições e angariou 26 mil votos. Apesar de ser sobrinha do prefeito de Paverama (a 91 km de Porto Alegre) e filha de um ex-vereador, a miss confere ao vice-presidente da República, Michel Temer, o título de mentor do início da vida política. Enquanto acompanhava o tio em uma comitiva em Brasília Temer teria, de acordo com Gabriela, perguntado se ela “não pensa em se candidatar também, entrar para a política”. A miss não acredita que a falta de experiência seja um empecilho para desempenhar a função. Diz que participou da equipe de transição do novo governo e que tem contato com representantes do setor de turismo. Então tá...... o governador diz que não tem dinheiro para nada, mandou cancelar pagamentos e contratações, mas tem dinheiro para pagar mais de 10 mil reais para uma secretária substituta de Turismo sem funções. 

EXECUTIVA DO PMDB VAI DECLARAR APOIO À CANDIDATURA DE EDUARDO CUNHA


A Executiva Nacional do PMDB vai declarar nesta quarta-feira, 14, apoio à candidatura a presidente da Câmara do líder do partido, Eduardo Cunha. A decisão foi tomada na tarde desta terça-feira, 13, em encontro do qual participaram o próprio Cunha, o presidente da legenda e vice-presidente da República, Michel Temer; o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL); o ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP); o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB-AM). Na reunião, realizada na Vice-Presidência da República, ficou acertado que o partido vai demonstrar publicamente apoio à candidatura de Eduardo Cunha em um ato da Executiva do partido, marcado para a manhã desta quarta-feira. A intenção é demonstrar força e unidade da legenda contra as eventuais investidas do Palácio do Planalto de tentar ajudar o adversário do peemedebista, o atual primeiro vice-presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Na segunda-feira, 12, Michel Temer comunicou a decisão do partido aos ministros das Relações Institucionais, Pepe Vargas; da Casa Civil, Aloizio Mercadante; e das Comunicações, Ricardo Berzoini. Tido como desafeto pelo Palácio do Planalto, Eduardo Cunha tem se queixado que as denúncias veiculadas na semana passada, segundo as quais ele teria recebido propina do doleiro Alberto Youssef, têm o objetivo político de prejudicar sua candidatura. Ontem, a defesa do doleiro contestou a informação de que teria mandado o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, entregar dinheiro ao líder do PMDB. Apesar disso, na delação premiada da Lava Jato, Youssef citou o peemedebista como um dos beneficiários do esquema. O deputado nega qualquer envolvimento. Hoje mais cedo, Cunha classificou a denúncia de envolvimento dele com Youssef como “alopragem” e disse acreditar numa vitória ainda no primeiro turno na disputa pela presidência da Casa. Na avaliação de peemedebistas, a moção de apoio a Eduardo Cunha é vista como uma compensação de Temer pela condução da reforma ministerial. Integrantes do partido queixam-se de que o presidente do PMDB só defendeu seus interesses pessoais na mudança do primeiro escalão para o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Tal manifestação do partido não estava prevista para ocorrer. Meses atrás, Temer chegou a insinuar que Eduardo Cunha estaria contra ele, se fosse candidato de oposição ao governo. Eduardo Cunha nega que atuará contra o Planalto, mas defende uma ação mais independente do Poder Legislativo. A legenda também pode fazer uma moção de apoio à candidatura à reeleição de Renan Calheiros à presidência do Senado. Contudo, Renan resiste à manifestação pública de apoio agora, a 20 dias da eleição. Segundo aliados, ele teme ir para a “vitrine” cedo e prefere adiar ao máximo o lançamento da sua candidatura. O atual presidente do Senado foi um dos 28 citados, conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo, pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, em sua delação premiada. A tendência é que o Planalto apoie em fevereiro a reeleição de Calheiros para a presidência do Senado desde que ele, até lá, não seja inviabilizado politicamente por eventuais relações do escândalo.

Regime petralha apresenta queda no rendimento dos alunos em matemática e redação


O Ministério da Educação divulgou na tarde desta terça-feira (13) o balanço final da edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014. Segundo o ministério, do total de 8.721.946 inscritos, 6.193.565 fizeram as provas. Fazendo uma comparação entre 2014 e 2013, este ano a média global dos estudantes concluintes do ensino médio foi de 499 pontos, ante os 504,3 pontos no ano passado, o que mostra uma queda de 1% nas médias. Um dado preocupante: entre os candidatos, 529.374 obtiveram nota zero na redação, um percentual de 8,5% dos candidatos. Apenas 250 pessoas conseguiram obter a nota máxima de 1.000 pontos. As notas médias foram 9,7% mais baixas do que em 2013. O tema da redação neste ano foi à publicidade infantil, o que no entendimento do ministro da Educação, Cid Gomes, pode ter ajudado no péssimo resultado, “O tema de 2013 foi Lei Seca, essa questão foi muito debatida, muito discutida. O tema de agora não é um tema que se ouve. Não diria um tema mais difícil, isso é relativo, é, sem dúvida, um tema que não teve o grau de discussão nacional que aconteceu com o tema de 2013″. Também houve queda no desempenho dos alunos na prova de matemática. A média foi de 476,6 pontos, ante os 514,1 pontos em 2013, o que representa uma queda de 7,3% no rendimento. Entretanto, houve melhoras nas seguintes áreas: ciências humanas, ciências da natureza e linguagens e códigos, com variações positivas de 2,3%, 5,4% e 3,9% respectivamente. Para Cid Gomes, “na média, ficamos estáveis, não houve grande evolução": "Caímos em matemática, redação, melhoramos em ciências naturais”. O ministro disse que não ficou satisfeito com o resultado do Enem: "Ao meu juízo, quem deve se debruçar sobre esses números é a comunidade acadêmica. E o MEC disponibilizará todos os dados”.

O petista Arlindo Chinaglia compara Eduardo Cunha a Demóstenes Torres; ele parece ter esquecido as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com o PT


O deputado federal Arlindo Chinaglia (PT/SP) comparou nesta terça-feira, 13, o líder do PMDB na Casa, Eduardo Cunha, ao ex-senador Demóstenes Torres.”Defender uma CPI de forma genérica é uma tentativa de se credenciar. Não preciso disso. Porque alguém defende tanto uma CPI? Já teve senador muito eloquente pedindo CPI, que depois foi flagrado na Operação Cachoeira”, ironizou o petista no Piauí, onde faz campanha para a Presidência da Câmara.


Demóstenes ficou famoso por criticar a falta de ética de outros parlamentares, mas foi cassado em 2012 por seu envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira, pego da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Na semana passada, o líder do PMDB Eduardo Cunha, que também disputará a Presidência da Casa, passou pelo Estado. Em Teresina, Eduardo Cunha disse, na ocasião, que quem não queria a CPMI da Petrobrás é porque tinha medo da investigação. Na verdade, o petista Arlindo Chinaglia não tem um pingo de moral para comparar Eduardo Cunha, ou quem quer seja, com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Este personagem ficou famoso no surgimento da CPI dos Correios, origem do Mensalão do PT. Nas vésperas dessa CPI apareceu o vídeo com ele sendo achacado pelo petista Waldomiro Diniz, ex-subchefe para Assuntos Políticos da Presidência da República, na gestão do bandido petista mensaleiro José Dirceu. No video tornado público, em rede nacional de televisão, ele aparecia achando o bicheiro Carlinhos Cachoeira enquanto era presidente da Loteria do Rio de Janeiro, no governo da petista Benedita da Silva. Cachoeira também foi beneficiado pelo governo petista do Exterminador do Futuro Olívio Dutra, no Rio Grande do Sul. Segundo Chinaglia, “para defender que deveria ter uma nova CPI, alguém teria que ter conhecimento sobre até onde vão as informações do caso. Os depoimentos estão aguardados. Para defender uma nova CPI, teria que ter o chamado fato determinado”, advertiu, dizendo que sua história lhe credencia e ele não precisa disso para se afirmar como candidato. Quá, quá, quá, dizer que o Petrolão não tem "fato determinado" é a piada petralha do milênio. Seu adversário na disputa pela presidência da Câmara, Eduardo Cunha, foi citado nos depoimentos da delação premiada do doleiro Alberto Youssef como sendo um dos beneficiários do esquema revelado pela Operação Lava Jato. Além disso, em um depoimento à Polícia Federal no ano passado, o agente federal Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como “Careca”, afirmou que entregou dinheiro para o peemedebista a pedido de Youssef. Careca é apontado pelos investigadores como um dos “carregadores de malas” do doleiro. Isto já foi desmentido pela defesa do doleiro Youssef. Sobre a disputa na Câmara, Chinaglia comentou que existe muita divisão entre os parlamentares na eleição. “Eu diria que quase todas as bancadas se dividem na eleição da Câmara. Ser da base não anula divergências. Ali não é votação na pessoa jurídica, é na pessoa física. Os deputados escolhem aquele que entendem ser o que vai conduzir melhor a Câmara. Vai haver divisão na base e na oposição também. É normal. A eleição na Câmara não é uma continuidade da disputa das eleições gerais”, argumentou. No Piauí, Arlindo Chinaglia admitiu que deve ser votada uma reforma política negociada na Câmara ainda este ano. Ele frisou que não será tão ampla quanto muitos gostariam, mas tem que ter as mudanças. Chinaglia já foi presidente da Câmara de 2007 a 2008, quando a reforma entrou na pauta de votação. “Quando eu era presidente da Câmara, coloquei em votação o relatório do deputado Ronaldo Caiado (DEM). Aliás, os únicos dois partidos que foram do começo ao final defendendo o projeto inicial da reforma política foram o PT e o DEM. Na hora que caiu na pauta o financiamento público e lista pré-ordenada, não evoluiu. A reforma não é tão ampla como muitos gostariam”, comentou. Como dizia Leonel Brizola, se o diabo aparecesse na frente como único adversário dos petralhas, teria que se abraçar com ele. Parece ser de novo o caso. 

Eduardo Cunha atribui “alopragens” a Arlindo Chinaglia

Para se defender das acusações de estar envolvido com Alberto Youssef, Eduardo Cunha vinha dizendo genericamente que os vazamentos de depoimentos eram obra de “opositores”. Depois do desmentido oficial da defesa de Youssef, que negou relação entre o doleiro e o deputado, contudo, Cunha resolveu dar nome aos bois. Agora há pouco, em alguns tuites, o favorito à presidência da Câmara abriu fogo e atribuiu o que tem chamado de “alopragens” ao petista Arlindo Chinaglia, seu principal adversário na disputa: "Depois das alopragens, o Chinaglia resolveu baixar ainda mais o nível". E acrescentou: "Faltam-lhe condições para atacar quem quer que seja e fazer comparações absurdas. Já chegam às alopragens". Por Lauro Jardim

Ricardo Nunez é o diretor Geral do Daer. Sartori já nomeou toda a diretoria

Já está nomeada toda a nova diretoria do Daer, que terá como presidente o engenheiro Ricardo Nunes. Os atos foram publicados no Diário Oficial de ontem.
Da mesma forma que Nunes, todos os demais diretores também são do quadro.
São eles:
Lauro Haggeman, Operações de Transporte Rodoviário
Paulo Rosa, Operações Rodoviárias
Saul Sastre, Adminstrativo e Financeiro
Jaynme Tonon, Gestão e Projetos
Pedro Gomes, Infraestrutura Rodoviária

Nei Michelucci já dá expediente como presidente interino da EGR

Nei Michelucci, do PP do Rio Grande do Sul, ex-diretor do Banrisul e do Trensurb, responde pela presidência da EGR (Empresa Gaúcha de Rodovias). A nova diretoria ainda não foi definida por Sartori. Michelucci será um dos diretores, mas não necessariamente o presidente.

Joaquim Levy alimenta delírios confiscatórios e quer tungar a classe média que já paga a conta! Eis um dito “neoliberal” fazendo o que nem o esquerdista Mantega teve coragem! É a geleia geral brasileira onde prospera o atraso. À luta, oposições!

O Brasil é mesmo um país sui generis, com particularidades bem extravagantes. Uma delas deu certo: a jabuticaba. Só prospera por aqui e é uma delícia. O resto, como não se cansa de dizer por aí, é besteira e fabrica o nosso atraso. Em nenhum outro país do mundo, liberais empedernidos servem a governos de esquerda, nominalmente ao menos. Em tese, teríamos essa particularidade. Todos sabemos que Joaquim Levy, novo ministro da Fazenda, chegou para, digamos, refazer as pazes entre o governo Dilma e o mercado.

Levy participou nesta terça-feira de um café da manhã com a imprensa. Deixou claro que é mesmo diferente do esquerdista Guido Mantega, seu antecessor. Chamou o mandato em curso de Dilma de “segundo tempo”, afirmou que houve um “empate em zero a zero” no primeiro — não especificou quem era o adversário — e disse ser chegada a hora de marcar gol. Para quem está à caça de frases de efeito, declarou com pompa: é a iniciativa privada que toca o país. Beleza! Tudo no lugar!

Sob Levy, está claro, mudanças importantes serão operadas na economia, também no quesito despesas. As barbeiragens cometidas no setor elétrico no primeiro mandato de Dilma tendem a ser corrigidas agora. Cessará o subsídio ao setor, e o consumidor tenderá a pagar pela energia algo mais parecido com o que ela custa. É ruim? Para quem paga, é. Mas é necessário. Um país começa a se danar quando os preços entram em parafuso.

O governo decidiu também dar uma paulada na bagunça do seguro-desemprego. Ninguém ignora que o benefício se transformou numa forma de captação de recursos públicos, a um custo bilionário. E poderíamos dizer, então: “Eis aí o liberal Levy! Ele serve a um governo que se diz de esquerda, mas está fazendo a coisa certa”.

Pois é. Ocorre que o “liberal” — ou “neoliberal”, como querem alguns — Levy também está preocupado com a arrecadação, não é? Sim, eu acho isso justo. Aliás, se o Brasil voltar a crescer, se gastar menos na administração da própria máquina, se desperdiçar menos dinheiro, se puser fim à corrupção, é certo que arrecadará mais. Ocorre que o homem anda com outras idéias.

Ele está de olho no bolso dos prestadores de serviço e disse que vai analisar a situação das “pessoas que têm renda através de pequena empresa, que pagam 4%, 5% de imposto em vez de 27,5%”. Ou seja: o senhor Joaquim Levy está empenhado agora em tirar salário — porque é disto que se trata — de uma fatia da classe média. A classe média, leitores, é aquela gente que sempre paga a conta no Brasil.

Espera-se que o senhor Joaquim Levy se lembre de que os ditos “prestadores de serviço”, que atuam como pessoas jurídicas, não gozam de benefícios que oneram tanto o estado como as empresas com as quais mantêm contrato. Elevar o imposto pago por esses profissionais vai, sim, lhes roubar renda, sem que voltem a ter nenhum dos benefícios dos quais abriram mão. Mais: o governo pode estar dando um tiro no pé, estimulando a informalidade.

Em nenhum país do mundo, um liberal proporia tomar dinheiro da sociedade — especialmente da camada que impõe maior dinamismo na economia — em favor de um estado perdulário — todos são; o brasileiro é mais. Com que discurso Levy vai bater a carteira da classe média? Também ele vai brincar de luta de classes, a exemplo de seus neocompanheiros do PT?

Aliás, para onde vai um governo que decide ampliar o “Supersimples” e que, ao mesmo tempo, demonstra a disposição de tungar seus eventuais beneficiários — o que, convenham, nem o esquerdista Guido Mantega decidiu fazer?

Que país sui generis! O comunista do Brasil, Flávio Dino, novo governador do Maranhão, diz que seu Estado precisa de um choque de capitalismo. E o liberal Joaquim Levy alimenta delírios confiscatórios. Isso tudo poderia parecer engraçado. Mas isso tudo é só parte do nosso atraso e da nossa miséria, também intelectual e política. Espero que as oposições não se deixem encantar pelo dito conservadorismo do sr. Levy e se organizem para impedir um novo assalto a uma fatia da sociedade que já paga a conta. Por Reinaldo Azevedo

Governo anuncia medidas para facilitar escoamento de grãos


Com a estimativa de safra recorde de grãos em 2015, com produção superior a 202 milhões de toneladas, o governo anunciou hoje (13) uma série de medidas para facilitar o escoamento da produção, que incluem incentivo do uso de portos localizados nas regiões Norte e Nordeste, automatização do sistema de agendamento da chegada de caminhões ao Porto de Santos, colocação de cascalho e disponibilização de tratores para socorro de veículos atolados na BR-163. Sem citar os custos com ações consideradas estratégicas para viabilizar o escoamento da safra deste ano, os ministros da Agricultura, Kátia Abreu, dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, e da Secretaria de Portos, Edinho Araújo, disseram que o país não enfrentará problemas em transportes de produtos agrícolas da fazenda ao porto. “Tivemos aumento de 5% na produção geral, aumento de 11% na produção especificamente de soja e, claro, a maioria dessa soja vai para exportação. Mas com a experiência do ano passado, que foi exitosa, a Secretaria de Portos e o Ministério dos Transportes estão muito mais preparados para melhorar a performance do escoamento, independentemente do crescimento,” disse Kátia Abreu. Com a maior parte da produção agrícola do País concentrada nas regiões Centro-Oeste (42%), Nordeste (9%) e Norte (4%), ante 36% das regiões Sul e Sudeste (9%), as ações de escoamento também estarão voltadas para facilitar o transporte dos grãos para os portos de Belém, no Pará, e de Itaqui, no Maranhão. Atualmente, há uma concentração das remessas para os portos de Santos, em São Paulo, e Paranaguá, no Paraná, responsáveis por 50% das exportações na safra 2013/2014. Para isso, o Ministério dos Transportes prevê melhoria na infraestrutura de corredores multimodais na região conhecida como Arco Norte, que compreende os estados de Mato Grosso, de Rondônia, do Amazonas, do Pará, do Tocantins e do Maranhão. Na Rodovia BR-163, principal canal de escoamento de grãos da Região Norte, um trecho de 945 quilômetros entre as cidades de Sorriso, em Mato Grosso, e Miritituba, no Pará, haverá aumento das ações de manutenção e colocação de cascalho e disponibilização de tratores ao longo dos 136 quilômetros ainda não foram pavimentados. “Se saíssemos com a soja de Sorriso ou Lucas do Rio Verde, pelo eixo Arco Norte, reduziríamos o custo que fica entre R$ 260,00 e R$ 270,00 (do Porto de Paranaguá) a tonelada para algo entre R$ 204,00 e R$ 205,00 a tonelada. Isso vai direto na veia do produtor, diminuindo o custo de produção. Não podemos esquecer que a produção não é 100% exportada. E, quanto menos custo, mais barato ficarão os produtos nas prateleiras dos supermercados brasileiros”, disse Kátia Abreu. Entre as medidas também foi destacado o financiamento de 426 embarcações para transporte de grãos com uso do Fundo de Marinha Mercante em operações nas hidrovias dos rios Madeira e Tapajós. Em relação ao maior porto do País, o de Santos, o ministro Edinho Araújo prometeu automatizar o sistema de agendamento da chegada de caminhões e entregar novo pátio de estacionamento até o início da colheita. “Esse sistema entrará em operação tão logo se inicie a safra 2015, prevista para fevereiro. A central de agendamento, que no ano passado funcionou em Brasília, será instalada no Porto de Santos, com toda a tecnologia, de modo a evitar congestionamento”, disse Edinho Araújo. Também está prevista a melhoria da fiscalização dos caminhões, a ser feita pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com instalação de quatro pontos fixos e um móvel de checagem, além de suporte tecnológico em tempo real, melhoria e duplicação de rodovias, além do incentivo do modal ferroviário. De acordo com o Ministério da Agricultura, a expectativa é que haja crescimento de 6,2% (64,5 milhões de toneladas) nas remessas internacionais de grãos em 2015, na comparação com a safra passada, quando foram exportadas 61,5 milhões de toneladas do complexo soja e farelo.

Levy sinaliza mudança de IR para prestador de serviço

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou nesta terça-feira (13) que haverá ajustes de impostos, sem ser específico. Ele negou que esses ajustes estejam dentro de um “saco de maldades”, como questionou a imprensa, e que haverá um “pacote” dessas medidas. Dentro do esforço do governo de aumentar suas receitas para reequilibrar as contas, Levy sinalizou que poderá haver mudanças na cobrança de imposto de renda para prestadores de serviços que recebem como pessoa jurídica. O ministro afirmou que deve analisar a situação de “pessoas que têm renda através de pequena empresa, que pagam 4%, 5% de imposto em vez de 27,5%”, e que isso deve ser prioridade dentro de possíveis mudanças na cobrança do IR. “Primeiro teria que tratar desse egrégio.” Levy disse ainda que deve rever a isenção do IR sobre investimentos em Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), dentro da estratégia de “melhorar a composição de investimentos”. O ministro afirmou que a mudança não deve ser “imediata”, tendo que passar ainda por consulta. Ele sinalizou ainda que pode haver ajuste nos instrumentos de poupança, sem dar detalhes. Segundo o titular da Fazenda, o aumento de impostos será “compatível” com o objetivo de aumentar a poupança pública.

Iniciativa privada é “quem toca a banda” no Brasil, diz Levy

Na VEJA.com: Em café da manhã com jornalistas, em Brasília, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, manifestou sua intenção de reforçar para o mundo que o Brasil adotará uma nova política econômica no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT). O ministro afirmou que deve participar do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, com o objetivo de levar ao mundo a mensagem de que “o Brasil é uma economia que tem grandes recursos e com mudanças na sua política econômica”. Levy ainda reforçou que o País é uma economia de mercado, em que a iniciativa privada “é quem toca a banda”. Levy fez uma comparação do segundo mandato de Dilma a um segundo tempo de jogo de futebol. “A gente vai acertar o jogo no segundo tempo para fazer uma analogia com o futebol. Precisamos sair do zero a zero e arrumar no segundo tempo para começar a fazer gol”, disse. O ministro da Fazenda também voltou a admitir que o governo poderá fazer alguns ajustes na área tributária. No entanto, afirmou que um eventual aumento de impostos será compatível com o crescimento da poupança nacional e com o impacto nas decisões das famílias. Ao tratar do tema, Levy descartou que o governo prepara um “saco de maldades” ou pacote de medidas com o objetivo de promover a retração econômica.  Segundo ele, o governo tem limitação de gastos e está promovendo ajustes para preservar direitos e corrigir distorções e excessos. Ele citou as reformas em benefícios trabalhistas e previdenciários encaminhadas ao Congresso e que devem trazer uma economia de 18 bilhões de reais este ano. “Essas distorções geram dispêndios e acabam com a capacidade de incluir outros direitos”, justificou. Na ocasião, o ministro também confirmou que o Tesouro Nacional não fará mais um aporte de despesas orçamentárias de 9 bilhões de reais para Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e afirmou que não pretende “neste momento” mudar as alíquotas do Imposto de Renda (IR). Além disso, Levy também afirmou que o governo quer trazer a dívida pública bruta para a faixa de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) no longo prazo. A dívida bruta em novembro, dado mais recente disponível, representava 63% do PIB.

Novas regras deixam mais de 60% dos trabalhadores demitidos sem seguro-desemprego

Na VEJA.com: A nova regra do seguro-desemprego anunciada em 29 de dezembro de 2014, que altera o prazo de carência de seis para dezoito meses para os trabalhadores que requisitarem o benefício pela primeira vez, pode fazer com que mais da metade dos funcionários demitidos sem justa causa não receba o auxílio. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) analisados pelo professor da Universidade de Brasília (UnB) Carlos Alberto Ramos mostram que 63,4% dos 10,8 milhões de trabalhadores demitidos entre janeiro e novembro do ano passado tinham menos de um ano e meio de serviço.

A mudança ainda precisa passar pelo Congresso Nacional, que só volta do recesso dia 2 de fevereiro. O porcentual (63,4%) reflete, segundo o professor, a elevada rotatividade no mercado de trabalho brasileiro. “O tempo médio de permanência no trabalho no Brasil é de três anos”. 

Apesar de a mudança na legislação do benefício ter o objetivo de evitar fraudes, Ramos acredita que ela não será capaz de resolver o problema de alocação de mão de obra no país. De acordo com ele, a rotatividade é resultado da baixa qualidade de boa parte das vagas geradas pela economia brasileira. “Essa troca de emprego geralmente se dá entre quem não tem muita opção de escolha”. 

O professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP) diz que a mudança afetará principalmente os trabalhadores mais jovens, que mudam de emprego com maior frequência até se estabelecerem no mercado de trabalho. Dados do Caged apontam que 78% dos trabalhadores demitidos sem justa causa com até 17 anos entre janeiro e novembro tinham até 11,9 meses de serviço. Para profissionais entre 18 e 24 anos, o porcentual é de 58,1%. Enquanto que para profissionais entre 25 e 29 anos, o porcentual é de 27,1%.

O professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Rodrigo Leandro de Moura, também afirma que a nova regra do seguro-desemprego pode incentivar principalmente os mais novos a permanecerem mais tempo no emprego. “As empresas gastam muito para treinar novos funcionários. Uma mudança como essa poderia ajudar a aumentar a produtividade da economia”. Ele acrescenta que anteriormente o seguro-desemprego dava um “incentivo perverso” para que os trabalhadores mudassem de emprego com maior frequência: “Essa troca deve ser pelo menos protelada".

Dilma pensa conduzir presidente do Bando do Brasil para o Bndes; nada a estranhar, a instituição já teve o bandido petista mensaleiro foragido Henrique Pizolatto na sua diretoria


A amiguinha do presidente Aldemir Bendini, Val Marchiori, a socialite preferida do Bando do Brasil

Presidente do Banco do Brasil desde o governo Lula, o petista Aldemir Bendine teria sido convidado para substituir Luciano Coutinho na presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 


Em outubro, o petista Aldemir Bendine foi denunciado pelos jornais porque o Banco do Brasil concedeu empréstimo de R$ 2,7 milhões à socialite e apresentadora de TV Val Marchiori, amiga íntima do presidente, a partir de uma linha subsidiada pelo BNDES, contrariando normas internas das duas instituições. Val Marchiori tinha restrição de crédito por não ter pago empréstimo anterior ao BB e também não apresentava capacidade financeira para obter o financiamento, segundo documentos internos do BB obtidos pela Folha. Val Marchiori é amiga do presidente do BB, Aldemir Bendine. A apresentadora esteve com ele em duas missões oficiais do banco, uma na Argentina e outra no Rio de Janeiro. Em entrevista ao jornal Folha, o ex-motorista do BB, Sebastião Ferreira da Silva, disse que a buscava em diversos locais de São Paulo a pedido de Bendine. "Fui buscar muitas vezes a Val Marchiori", disse ele. 

Advogado gaúcho move ação por indenização para acionistas da Petrobrás


Um grupo de acionistas minoritários gaúchos da Petrobras entrará na Justiça com um processo pedindo indenização financeira para reparar perdas acumuladas com a queda do preço das ações da companhia após o escândalo da Operação Lava Jato. Nos Estados Unidos, um grupo de acionistas anunciou em dezembro passado a abertura de um processo semelhante contra a empresa estatal. A ação será movida pelo advogado de Porto Alegre, Francisco Antônio Stockinger, que vem a ser filho do escultor Chico Stockinger. Ele representa acionistas do Rio Grande do Sul. O processo sairá contra a União e a Petrobras. Conforme o advogado, seus clientes pagaram, em 2008, cerca de R$ 48,00 por ação. O mesmo papel foi cotado na segunda-feira (12) a R$ 8,91 –queda de 85%. Segundo ele, a perda do Ibovespa (principal índice da Bolsa brasileira) no mesmo período foi de 25%. Francisco Stockinger já pediu ao juiz Sérgio Moro o conjunto de depoimentos do doleiro Youssef e do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Costa, para provar que o governo loteou politicamente a estatal, promovendo gestão altamente temerária e corrupta.

Assembléia Legislativa dá mostra de sua desimportância ao distinguir presidente do Grupo RBS com medalha do Mérito Farroupilha

A Medalha do Mérito Farroupilha, honraria máxima do Parlamento gaúcho, será concedida nesta terça-feira, ao presidente do Grupo RBS, Eduardo Melzer. A homenagem foi proposta pelo deputado estadual Mano Changes (PP). O Mérito Farroupilha é conferido a cidadãos brasileiros/estrangeiros que sejam considerados pelos parlamentares merecedores do reconhecimento. Eduardo será homenageado pelos “investimentos” que o Grupo RBS tem feito no uso da tecnologia como instrumento de transformação e desenvolvimento social. Obviamente, a concessão dessa honraria demonstra a condição atual de desimportância da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, da alienação de seus membros e da sua incompetência para analisar a situação atual do Estado. A honraria é concedida quando o presidente da Casa é processado por formação de quadrilha, e o autor da homenagem é um deputado roqueiro que nem conseguiu se reeleger e cujas músicas fazem elegia da maconha. A RBS, maior grupo de mídia do sul do País, conta com oito jornais, oito emissoras de rádio e 18 de televisão espalhados pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina, está em franca decadência e parece seguir a trajetória de declínio palmilhada pela antiga Caldas Jr. Em agosto de 2014, o presidente executivo da RBS, Eduardo Melzer, anunciou em videoconferência aos empregados que o grupo demitiria 130 profissionais. Entre janeiro e novembro de 2014, foram consumadas 233 demissões de jornalistas em Porto Alegre — 91 delas executadas apenas no âmbito da RBS (quatro em cada 10 profissionais demitidos no Estado em 2014). Quase no estertor do antigo grupo Caldas Junior, seu proprietário e todo-poderoso, antes conhecido como "Vice Imperador" do Rio Grande do Sul, viu-se obrigado a ajoelhar ao lado do governador em plena catedral de Porto Alegre, para pedir os favores do Estado pela sobrevivência de seus veículos de comunicação. Foi a suprema humilhação, maior ainda diante da negativa de ajuda, que o levou a chamar o governador de "anão moral". Tratava-se do governador Amaral de Souza. O que pedia o velho Breno Caldas? Implorava por papel da Corag (Companhia de Artes Gráficas do Estado do Rio Grande do Sul). Até os postes de energia elétrica do Chuí, ou de Frederico Westphalen, sabem que Eduardo Melzer, o Duda, é pouco mais do que um "interventor" dos verdadeiros controladores atuais do grupo RBS, o Fundo Gávea, de Armínio Fraga, e o banco BTG, de André Esteves. A comprovação disso estava no expediente do Grupo RBS, publicado em Zero Hora, onde apareciam no Conselho de Administração os nomes do próprio Armínio Fraga e de sua representante, Betânia Tanure. Tão logo Videversus mostrou que Armínio Fraga estava no comando, ele pediu a retirada de seu nome do expediente, mas lá permaneceu o de Betânia Tanure. Agora, portanto, quando o roqueiro Mano Changes homenageia Duda Melzer, não só está mostrando o seu afastamento da realidade, a sua alienação, como também leva à demonstração cabal da desimportância da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Afinal de contas, a RBS já se ajoelhou diante da catedral do BTG.

Marta, o PT, Juca, machismo vigarista, Haddad, Kassab, Chalita, a “pedagorreia” do amor e a miséria política da cidade de São Paulo

Mas o que quer a senadora petista Marta Suplicy (SP)? Sabe Deus! Freud tentou uma pergunta mais simples: “O que querem as mulheres?” Estou entre aqueles que consideram que ele foi malsucedido no esforço de dar uma resposta. Sim, que ela queira ser candidata à Prefeitura, parece fora de dúvida. Que não o será pelo PT, isso também é certo. Eis aí um ponto de atrito. Que eventualmente possa trocar o descontentamento por uma candidatura ao governo do Estado pelo partido em 2018, quando termina seu mandato no Senado, essa me parece uma possibilidade. Ocorre que o caminho está congestionado. Há muita gente querendo a mesma vaga. Também é verdade que suas bases no partido foram minadas. Seus homens fortes debandaram. Ela tinha bastante força na periferia da cidade. Hoje, desconfio, isso também se perdeu.

Na entrevista concedida ao Estadão, soltou os cachorros contra o PT — “ou muda ou acaba”, segundo ela — e contra Juca Ferreira, que assumiu o Ministério da Cultura. No PT, consta, ninguém pensa num ato de força contra ela, como a expulsão, mas a queimação de sua reputação, em termos politicamente sórdidos, já começou. Marta, é verdade, fez duras críticas a Ferreira e apontou irregularidades em sua gestão. É crítica política, goste-se ou não dela. E como respondeu o petista?

Disse ter levado “uma bolsada na cabeça da Louis Vuitton”, numa referência à marca francesa que distingue, vamos dizer, as ricas e famosas. Marta passou a ser tratada por seu colega de partido como uma dondoca deslumbrada, uma riquinha meio inconsequente, que não aceita ser contrariada. Não faltaram à resposta do novo ministro da Cultura traços explícitos de machismo: “A madame que se cuide, que, uma hora dessas, eu vou responder plenamente a ela. Eu tinha admiração por ela, e tenho. Via ela defendendo o direito ao orgasmo da mulher na televisão. Depois foi uma boa prefeita de São Paulo. Agora, ela não foi uma boa ministra, pra falar a verdade. [...] Ela pegou algumas coisas que a gente fez e deu prosseguimento”.

O que o orgasmo na televisão tem a ver com isso? O propósito de tentar caracterizar Marta como uma doida, que se dedica a irrelevâncias fesceninas e malandrinhas, como o orgasmo feminino, fica evidente. E esse, sem dúvida, é um sintoma importante de decadência do PT. Afinal de contas, simboliza também a perda de um discurso. E tanto pior quando se trata do governo de uma mulher: Dilma Rousseff. Na resposta de Ferreira, não faltou nem a tolice mais infantilóide. Afirmou: “É que fui mais aplaudido que ela num evento cultural. Paciência, não posso ser punido pela popularidade que vocês viram aí”. Santo Deus!

Marta chegou a conversar sobre a possibilidade de se candidatar à Prefeitura pelo PMDB. As portas se fecharam. Fernando Haddad levou Gabriel Chalita para a Secretaria da Educação — agora, a “pedagorréia do amor” dará as cartas na Prefeitura. Haddad e Chalita juntos podem levar a uma intoxicação por excesso de coxinha.

Em que vai dar? Não dá para saber. A turma de Gilberto Kassab, agora ministro das Cidades, contra quem Haddad ganhou a eleição em 2012, também se prepara para desembarcar na Prefeitura. Nunca tive simpatia por Marta, e todo mundo sabe disso. De todo modo, bem ou mal, ela vem de um tempo em que os partidos ainda tinham alguma identidade. No momento, a cidade de São Paulo está sendo administrada pelo PPSC, Partido do Poder sem Caráter. E é o desastre que todos conhecemos.

Faltavam à receita apenas algumas pitadas de discurso incompreensível, mas dito com aquela mansidão de que só a falsa profundidade é capaz. Agora não falta mais nada. Chalita chegou!

E ele ameaça escrever mais 357 livros sobre a sua experiência — amorosa e fofa, é claro! — à frente da Secretaria Municipal de Educação. Tomara que Deus tenha piedade dos paulistanos. Os políticos, como a gente vê, não têm nenhuma. Por Reinaldo Azevedo

Obama já era sem nunca ter sido. Ou: O queixo de estátua de um pateta

Barack Obama já era sem nunca ter sido. Às vezes, a gente se orgulha de algumas coisas bestas, sem importância para ninguém a não ser para nós mesmos. E daí? Eu me orgulho de jamais ter caído na conversa deste senhor — e não porque eu seja contra todos os presidentes democratas e tenha predileção por republicanos. Não! Bill Clinton sempre me pareceu à altura do desafio. Procurem no arquivo do blog tudo o que escrevi sobre Obama desde quando pleiteou a vaga do Partido Democrata pela primeira vez. Sempre fiz troça do que chamava, então, de seu queixo de estátua. Mais de uma vez, ironizei a imprensa ocidental, especialmente a brasileira, que tinha a compulsão de chamar seus discursos de “históricos”. Eu gosto de palavras. Perguntava o óbvio: “Como se pode chamar de ‘histórico’ o que ainda não fez história?”. Ademais, inédito não é sinônimo de histórico.

Obama encarna a mais perfeita mistura da pompa com a incompetência. Não vou listar aqui o que considero os seus desastres. Atenho-me à questão da hora. É evidente que ele deveria ter estado na Marcha de Paris, até porque os EUA sofreram o maior ataque do terrorismo islâmico de que se tem notícia. Quarenta chefes de Estado perceberam o alcance do que estava em curso — não ele. Nesta segunda-feira, a Casa Branca teve de admitir que errou no episódio e que deveria ter enviado um representante do governo americano mais graduado. Não, Obama não estava lá. O vice, Joe Biden, não estava lá. John Kerry, secretário de Estado, não estava lá. Por incrível que pareça, Eric Holder, procurador-geral dos Estados Unidos, estava lá para discutir os ataques a Paris. Mas não compareceu à marcha — esta, sim, histórica.

O que leva o governo do país mais importante e poderoso da Terra a cometer um equívoco dessa magnitude? A resposta é simples: descolamento da realidade. Pode-se entrar num debate interminável sobre as causas da perda de influência dos Estados Unidos no mundo — ela seria fatal ou é fruto de escolhas erradas? Há respostas para todos os gostos. Uma coisa, no entanto, é certa: não é com líderes como Obama que o país vai, quando menos, estancar a derrocada.

Obama acumulou até agora só desastres na política externa. Come brasa até de um líder decadente como Vladimir Putin. O feito mais notável de que pode se orgulhar, santo Deus!, é o reatamento dos Estados Unidos com Cuba — o que não deixa de ser um bom retrato da sua gestão. Para ilustrar o vexame, ainda que sem conexão com ele, os criminosos do Estado Islâmico conseguem invadir páginas nas redes sociais do Comando Central das Forças Armadas americanas. Não se roubou nenhum segredo. Apenas se tripudiou um pouco mais do gigante inerme.

Obama é um amador. Como esquecer que esse pateta, em visita ao Egito, resolveu fazer um discurso dirigido a todo o mundo islâmico, no dia 4 de junho de 2009? Era, segundo ele, um novo começo das relações dos Estados Unidos com os muçulmanos. Um ano e oito meses depois, Hosni Mubaraki era deposto. A mal chamada Primavera Árabe agitou o mundo islâmico, a Irmandade Muçulmana venceu as eleições egípcias e já foi deposta por um golpe militar. Tanto aquele discurso ao lado de Mubaraki como o dar de ombros de agora para a marcha na França são emblemas da competência de Obama para lidar com os problemas do Oriente Médio.

E ele tem ainda dois longos anos pela frente. Dá tempo de fazer muita besteira. Mas sem perder aquele queixo de estátua e a capacidade de dizer o nada com muita pompa. Por Reinaldo Azevedo

É fácil defender o direito que tem o “Charlie Hebdo” de fazer o seu humor indefensável. Ou: Católicos e judeus publicam charges contra… católicos e judeus. Entenderam a diferença que civiliza o mundo?

É fácil defender o humor do “Charlie Hebdo”? A resposta é esta: seu humor é indefensável. Mas é fácil defender o direito que tem o jornal de fazer as suas charges. Não! Eu não sou fã da publicação. Acho que a turma, para usar uma expressão francesa, atua “pour épater le bourgeois”, com o propósito de escandalizar e chocar o homem médio, aquele que certa intelectualidade classifica, cheia de desprezo, de “pequeno-burguês”. Já há pessoas e grupos que fazem algo similar no Brasil. Não me agradam. Não é o que me faz rir. Mas, reconheço, a ofensa pura e simples tem admiradores — especialmente quando inteligente. E isso o jornal é, ainda que possa ser também detestável. E daí? Deve-se matar por isso?

Escrevo este post para louvar a postura de duas publicações: a revista católica francesa Étude e o site de cultura judaica Jewpop. Ambos publicaram charges extremamente críticas — algumas delas verdadeiramente horríveis — contra, respectivamente, o catolicismo e o judaísmo. Entenderam o ponto? Em vez de se sentirem ofendidos e sair matando, um e outro grupos resolveram expor os desenhos. E não que as peças sejam exatamente de bom gosto — algumas delas não passam de agressões gratuitas.
Vejam as imagens publicadas pela revista católica.
Charlie Bento 16 gay
Charlie Cristo conclave
Charlie papa Carnaval
Uma das capas reproduzidas no site católico trata da renúncia de Bento 16. O papa emérito, conhecido por sua rigidez em matéria de doutrina, aparece como um gay que sai do armário, “enfim, livre”, como está escrito lá, para se agarrar com um membro da Guarda Suíça. Uma segunda capa alude ao conclave que vai escolher o novo chefe da Igreja Católica. O título não deixa dúvida: “Outra eleição fraudada”. Na cruz, o próprio Cristo pede para votar. Um dos cardeais lhe faz sinal de silêncio; os outros olham o filho de Deus com enfado. Uma terceira, desenhada por Charb — um dos cartunistas mortos no ataque terrorista —, mostra o papa Francisco no Rio de Janeiro, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, pronto para um desfile de Carnaval: está seminu, com uma tanguinha, algumas lantejoulas e uma sandália estilo Globeleza. E diz: “Tudo para conseguir clientes”.
As charges publicadas no site judeu sobre judeus conseguem ser ainda mais desagradáveis.
Charlie antijudeu 1
Charlie antijudeu 2
charlie antijudeu 3
Numa delas, Hitler aparece saltitante: “Olá, judeus, e aí?”. Numa outra, um soldado israelense, pisoteando palestinos, enfia a baioneta na goela de um deles e grita: “Parem! Deus não existe!”. Uma terceira, de 1977, ultrapassa os limites mais elásticos. Anuar Sadat, presidente do Egito, fez a visita histórica a Israel na celebração da paz entre os dois países. Na capa do “Charlie”, lia-se o seguinte título, com o desenho correspondente: “Um cabrito lambe o traseiro de um judeu”. O primeiro pergunta: “Agora a gente faz a paz?”. Ao que responde o outro: “Continua. A gente vê depois”. A Liga Internacional Contra o Racismo e o Antissemitismo emitiu uma justa nota de protesto. Não matou ninguém.
Vocês entenderam o ponto? Ninguém precisa gostar do humor, do mau humor ou da grosseria. Mais: as pessoas e grupos atingidos têm, nas democracias, o direito de se zangar, de protestar, de expressar o seu ponto de vista, de recorrer à Justiça. A questão é saber se é aceitável que se mate por isso.
Reitero: eu não sou “Charlie Hebdo” caso isso queira dizer endosso a esse tipo de humor. Eu o considero fácil, oportunista, grosseiro e ofensivo. Mas eu sou “Charlie Hebdo” caso se entenda por isso a escolha de instrumentos civilizados para o confronto de idéias — que dispensam bombas, fuzis e degolas. Ademais, como resta demonstrado, é mentira que o jornal se dedicasse especialmente ao ataque aos muçulmanos. Só existe essa percepção distorcida da realidade porque judeus e católicos não prometeram matar ninguém — e, efetivamente, não mataram. Já os extremistas islâmicos… Por Reinaldo Azevedo

“Charlie Hebdo” trará Maomé na capa, com uma lágrima nos olhos

A próxima edição do “Charlie Hebdo”, que chega às bancas nesta quarta-feira, trará uma vez mais um desenho de Maomé, o profeta do islamismo. Ele aparece segurando um cartaz com a frase que acabou se transformando numa espécie de símbolo da resistência ao fascismo islâmico: “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie). Acima do desenho, a expressão: “Tout est pardonné” — “Tudo é perdoado”. Atenção! Essa edição especial, que circulará em vários países, está sendo multiplicada por 50! Isto mesmo: o jornal imprime habitualmente 60 mil exemplares; desta vez, serão 3 milhões. Vejam a charge.

Charelie Hebdo
Como se nota, uma lágrima verte dos olhos do Profeta. Neste ponto, é preciso indagar: “Mas, afinal, o que é que os islâmicos rejeitam? Um desenho que ofenda Maomé?”. A resposta é “não”. O que autoridades religiosas mundo afora têm proibido é qualquer representação do líder religioso porque isso constituiria uma forma de idolatria. O veto está no Alcorão, o livro sagrado da religião? Também não! O que lá se condena, insista-se, é a idolatria. Absurdo, isto sim, é considerar que uma charge é uma forma de adoração de imagem. Mas ainda que assim fosse, a interdição corânica vale para os muçulmanos.
O desenho de agora, obviamente, não é ofensivo e se pode dizer que, em certa medida, até alivia a carga negativa associada ao islamismo à medida que o Profeta diz também ser Charlie — e, pois, repudiar o atentado, numa admissão tácita de que a violência perpetrada é obra do terrorismo religioso, não da fé religiosa.
Alguém poderia objetar: “Ah, trata-se de uma provocação, de uma desnecessidade”. Será mesmo? Nas várias democracias ocidentais, e cada uma à sua maneira, religião e política podem até estar imbricadas, manter relações de parentesco, mas já não se misturam. Não só isso: também é permitido não ter religião nenhuma e declarar que Deus está morto.
Os vários ramos e subcorrentes do islamismo podem até achar isso um horror, um equívoco e mesmo uma agressão a Deus. Mas não têm licença para matar. Aceitar essa interdição corresponderia a aceitar uma próxima, e outra, e outra mais. Até quando? Em que momento se deve dizer: “Ah, a partir de agora, já não podemos mais ceder”? Ora, em matéria de liberdade de expressão, não se deve conceder é nunca. Os ofendidos sempre poderão encontrar a Justiça, e os ofensores, os braços da lei. É assim que as coisas funcionam nas democracias.
E as democracias ocidentais escolheram o caminho da liberdade, não da ditadura religiosa. Por Reinaldo Azevedo

Ditadura sanguinária comunista de Cuba confirma os nomes dos 53 presos políticos libertados

O secretário de Estado americano, John Kerry, enviou nesta segunda-feira, 12, ao senador democrata Patrick Leahy, a relação dos 53 presos políticos libertados por Cuba. 


A libertação dos prisioneiros restantes dará um tom positivo às negociações históricas entre Cuba e Estados Unidos. A lista é a seguinte: 1. Emilio Planas Robert; 2. Alexeis Vargas Martín; 3. Diango Vargas Martín; 4. Bianko Vargas Martín; 5. Iván Fernández Depestre; 6. Sonia Garro Alfonso; 7. Ramón Alejandro Muñoz; 8. Eugenio Hernández Hernández; 9. Juliet Muechelena Díaz; 10. Ángel Yunier Remón Arzuaga; 11. Vladimir Morera Bacallao; 12. Jorge Ramírez Calderón; 13. Marcelino Abrey Bonora; 14. Wilberto Parada Milán; 15. Alcibiades Guerra Marín; 16. Jose Leiva Díaz; 17. Eider Frometa Allen; 18. Alexander Roberto Fernández Rico; 19. Aracelio Ruviaux Noa; 20. David Piloto Barceló; 21. Enrique Figuerola Miranda; 22. José Manuel Rodríguez Navarro; 23. Lázaro Romero Hurtado; 24. Luis Enrique Labrador Díaz; 25. Madeline Lázara Caraballo Betancourt; 26. Miguel Alberto Ulloa Ginard; 27. Reiner Mulet Levis; 28. Roberto Hernández Barrio; 29. Alexander Otero Rodríguez; 30. Ángel Figueredo Castellón; 31. Anoy Almeida Pérez; 32. Carlos Manuel Figueroa Álvarez; 33. César Andrés Sánchez Pérez; 34. Daniel Enrique Qezada Chaveco; 35. David Bustamante Rodríguez; 36. Eliso Castillo González; 37. Ernesto Roberto Rivery Gascón; 38. Ernesto Tamayo Guerra; 39. Haydee Gallardo Salazar; 40. Jorge Cervantes García; 41. Jose Lino Ascensio López; 42. Juan Carlos Vásquez Osoria; 43. Julio César Vega Santiesteban; 44. Leonardo Paumier Ramírez; 45. Miguel Tamayo Frías; 46. Miguel Guerra Hastie; 47. Niorvis Rivera Guerra; 48. Rolando Reyes Rabanal; 49. Ruberlandis Mainet Villalón; 50. Sandalio Mejías Zulueta; 51. Vladimir Ortiz Suárez; 52. Yojarnes Arce Sarmiento; 53. Yordenis Mendoza Cobas.

A petista Dilma cancela ida para o Fórum Econômico Mundial

Preocupada com o cenário político nacional às vésperas da eleição das novas presidências da Câmara e do Senado, a presidente Dilma Rousseff decidiu nesta segunda-feira (12) cancelar a ida para o Fórum Econômico Mundial, em Davos, que será realizado de 21 a 24 de janeiro. Essa viagem demandaria muitos dias de deslocamento fora do País, em um momento crucial para o governo, que não quer turbulência no Legislativo, pois medidas importantes e impopulares precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional. A agenda de viagens internacionais de Dilma está congestionada neste mês, com a ida da presidente para a posse do presidente reeleito da Bolívia, o ditador índio cocaleiro Evo Morales, no dia 22 de janeiro, e a realização da 3ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que ocorrerá em São José, na Costa Rica, entre os dias 28 e 29 de janeiro, logo depois da realização da primeira reunião ministerial - prevista para o dia 27 de janeiro. Essas duas viagens seguem confirmadas. 


Segundo auxiliares da presidente, a sucessão de deslocamentos internacionais no final de janeiro tiraria o foco das articulações políticas para a eleição das presidências da Câmara e do Senado. Como estavam programadas três viagens internacionais consecutivas (Bolívia, Davos e San José), Dilma priorizou a agenda voltada para a América Latina. "Querem me colocar para viajar", queixou-se Dilma, ao mandar suspender a ida prevista para Davos, depois de ter mandado sinais de que estaria presente pelo segundo ano consecutivo ao Fórum Econômico Mundial. Nesse momento, pesou na decisão da presidente a avaliação de que a atual conjuntura carece de mais atenção política que econômica. Nos últimos dias, a presidente tem dedicado espaço na agenda não só para a montagem do segundo escalão do governo, como também para substituições de ministros já empossados. Nesta quarta-feira (14), Dilma deverá receber no Palácio do Planalto os presidentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, e do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, para tentar acertar a definição dos novos presidentes dos bancos públicos. A viagem de Davos marcaria uma ofensiva do Palácio do Planalto para atrair mais investimentos, reconquistar a credibilidade da economia e evitar uma perda do grau de investimento concedido pelas agências internacionais de classificação de risco. Mas, ela despreza estas questões. 

KASSAB TENTA ATRAIR QUINZE DEPUTADOS DO PMDB

Incumbido pela presidente petista Dilma Rousseff da missão de desidratar força política do PMDB, o ministro Gilberto Kassab (Cidades) tem negociado a filiação de parlamentares ao Partido Liberal (PL), que deverá ser criado até março. Um grupo de quinze deputados insatisfeitos com a cúpula peemedebista já avalia a possibilidade de mudar de partido. A trupe reclama que foi ignorada pelo PMDB na composição do novo governo. Os insatisfeitos alegam que, com Orçamento Impositivo, não fará muita diferença permanecer filiado ao PMDB para conseguir liberar emendas. Os dissidentes do PMDB só admitem ir para o PL se não houver fusão com PSD, para se tornarem dirigentes estaduais do novo partido. A governança do PMDB no Senado ameaça motim se o Planalto insistir em fazer de Kassab e Cid Gomes (PROS) seus novos interlocutores. O deputado federal Ronaldo Caiado, agora eleito senador, já declarou que Kassab é o "cafetão do PT", embora pareça mais ser um rufião a serviço do PT.

O arrogante petista Mercadante, a mando de Dilma, manda e-mail aos aliados para dizer que não sairão nomeações do segundo escalão


Bombardeado com chororô da base aliada, que reclama de perda de espaço no segundo governo de Dilma, o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) confirmou a reputação de arrogância e disparou e-mail desaforado a dirigentes partidários avisando que não haverá indicações para o segundo escalão da administração federal. O governo tenta segurar as nomeações até sair a lista dos bandoleiros da Lava Jato. Cargos de segundo escalão são ambicionados porque “furam poço”, possibilitam negócios como Petrobras, Eletrobras, Sudene etc. Dilma também quer condicionar a definição do segundo escalão aos votos que elegerão os presidentes da Câmara e do Senado. Em reunião na quinta-feira, o líder do PP no Senado, Benedito de Lira (AL), ouviu de Mercadante que o segundo escalão só será decidido depois.

Queda do petróleo derruba Petrobras e faz Bolsa perder pelo segundo dia

O novo tombo nos preços do petróleo no exterior derrubou as ações da Petrobras nesta segunda-feira (12) e empurrou para baixo o desempenho do principal índice da Bolsa brasileira no dia, acompanhando o mau humor internacional. O Ibovespa perdeu 1,43%, para 48.139 pontos. O volume financeiro foi de R$ 5,638 bilhões. Foi a segunda queda consecutiva do índice, que já havia recuado 2,21% na última sexta-feira (9). "O cenário externo pesou bastante na Bolsa brasileira nesta segunda, principalmente por causa das commodities. O petróleo voltou a cair bastante, prejudicando ainda mais o ambiente de preocupação com crescimento econômico global", diz João Pedro Brügger, analista da Leme Investimentos. A cotação do barril de petróleo tipo Brent, em Londres, recuou 5,35%, para US$ 47,43. Em Nova York, o contrato de petróleo mais negociado perdeu 4,74%, para US$ 46,07 o barril. Ambos estão em seu menor nível em mais de cinco anos. As ações preferenciais da Petrobras, sem direito a voto, tiveram desvalorização de 5,21% nesta segunda, para R$ 8,91 cada uma. Já os papéis ordinários da estatal, com direito a voto, cederam 5,60%, para R$ 8,77. Após a insatisfação de sindicatos e trabalhadores, a Petrobras resolveu antecipar uma parcela do 13º salário deste ano a seus empregados, que deve ser paga no dia 19 deste mês. Em geral, a estatal oferece a opção do pagamento parcial do benefício em fevereiro. O restante é quitado no fim do ano. A antecipação decorre do fato de a Petrobras não ter pago neste mês como é de costume, 40% da PLR (Participação nos Lucros e Resultados). "A companhia continua sendo afetada negativamente pelos desdobramentos da Operação Lava Jato. Há ainda uma expectativa para a divulgação do resultado da empresa no final deste mês", afirma Brügger. O analista Ricardo Kim, da XP Investimentos, lembra da alta das ações da estatal na sexta-feira, motivadas, segundo ele, por rumores de que o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles poderia assumir a presidência da companhia. "Informações no final de semana deram conta de que Meirelles só poderá assumir, se for mesmo confirmado, após a publicação do balanço. Se não for confirmado, ações tendem a sofrer no curto prazo. Seguimos não recomendando o ativo", afirma em relatório. A queda do setor bancário, segmento com maior peso dentro do Ibovespa, também pressionou a Bolsa brasileira nesta segunda. O Itaú Unibanco teve perda de 2,42%, para R$ 33,93, enquanto o papel preferencial do Bradesco sofreu desvalorização de 1,78%, para R$ 34,84. Já o Banco do Brasil registrou baixa de 1,73%, para R$ 22,15. "Voltaram rumores de que o governo estaria estudando taxar as aplicações em LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), o que, teoricamente, seria ruim para os bancos. Na minha avaliação, se isso acontecer, não deve influenciar muito os resultados dos bancos. Sempre criam-se novos produtos. É normal no ambiente financeiro mudarem as regras de taxação", diz Brügger. As ações da Oi recuaram com força nesta segunda, após ter sido adiada para 22 de janeiro a assembleia de acionistas da Portugal Telecom SGPS para analisar a venda dos ativos portugueses da operadora brasileira de telecomunicações ao grupo europeu Altice. As preferenciais cederam 13,64%, para R$ 5,70 cada uma. As ações do setor de educação também ganharam destaque na ponta negativa da Bolsa. O Santander Brasil rebaixou a recomendação de Kroton (-8,40%, para R$ 12,22) e Estácio (-10,29%, para R$ 17,08) de "compra" para "manter" e cortou os preços-alvos, citando as alterações e percepção de aumento do risco regulatório. 

Argentina proíbe banco de transferir dinheiro para o Exterior

O Banco Central da Argentina proibiu, por 30 dias, o banco HSBC de enviar dinheiro ou títulos a outros países. A medida foi tomada como represália a "irregularidades" que o governo encontrou em inspeções no banco, principalmente referentes a registro de operações de transferência. Se o banco entregar os registros, volta a ser autorizado a enviar dinheiro ao Exterior antes do prazo de 30 dias. A nota que o Banco Central divulgou afirma que "concretamente, a entidade apresenta sérias irregularidades em matéria de integridade em registro e processamento de dados referentes a operações de transferência ao exterior". No fim do ano passado, a receita federal argentina fez uma denúncia contra o HSBC por ter feito manobras para esconder contas de clientes do fisco. A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, já acusou bancos de atuar no mercado do dólar paralelo, usando uma triangulação financeira com empresas no estrangeiro. 

Secretário argentino diz que falta de absorvente foi provocada pela mídia

A Argentina tem desabastecimento de absorvente interno e, segundo o secretário de Comércio do país, Augusto Costa, afirmou que não foram as travas às importações que fizeram com que faltasse o produto nas prateleiras, mas, sim, o fato de a mídia ter noticiado o assunto. Em uma entrevista a uma rádio, ele disse que não faltam insumos e remédios no país. "O que aconteceu com os tampões é que em dezembro não se pôde abastecer esse produto nas gôndolas. Quando levamos esse problema às três empresas que produzem, me disseram que tinham problemas e faltava por questões de logística, que não têm nada a ver com as travas às importações", afirmou. Em seguida ele apresentou uma teoria segundo a qual a mídia teria uma parcela de culpa pela falta de absorvente interno na Argentina: "Foi uma espécie de corrida ao tampão, induzida por uma operação midiática". Ele apresentou um caso de uma funcionária da Secretaria de Comércio, que ele chefia: "Eu conversei com uma colaboradora que me disse que no começo de dezembro comprou três caixas de 800 tampões. Foi uma corrida induzida por uma operação midiática".

Governo Obama reconhece erro e admite que deveria ter mandado uma autoridade mais importante para manifestação em Paris


A Casa Branca admitiu nesta segunda-feira que alguém com um posto mais alto na hierarquia dos Estados Unidos deveria ter participado da marcha que reuniu 1,5 milhão de pessoas contra o terrorismo em Paris. “Eu acho que é justo dizer que deveríamos ter mandado alguém com um perfil mais alto” ao evento, disse o porta-voz Josh Earnest. Os Estados Unidos foram representados na marcha pela embaixadora para a França, Jane Hartley. O secretário de Justiça, Eric Holder, e o vice-secretário de Segurança Interna, Alejandro Mayorkas, foram a Paris durante o fim de semana para discutir questões de segurança, mas não participaram da caminhada. Mais de 40 líderes mundiais, incluindo o presidente socialista francês François Hollande, a chanceler alemã Angela Merkel, o primeiro-ministro britânico David Cameron, o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi e o premiê israelense Benjamin Netanyahu estavam entre os que participaram do evento no domingo. A ausência do presidente muçulmano Barack Obama foi alvo de críticas, principalmente dos republicanos. “A ausência é símbolo da falta de liderança americana no cenário mundial, e isso é perigoso. O ataque em Paris, assim como ataques anteriores contra Israel e outros aliados, é um ataque aos valores que compartilhamos”, disse o senador Ted Cruz. O senador Marco Rubio considerou um erro não mandar um representante mais graduado para a marcha. “Eu entendo que quando o presidente viaja, ele leva com ele um pacote considerável de segurança e comunicações. E eu entendo que quando você leva algo assim para o meio de uma situação como essa, pode ser algo prejudicial”, disse ele: “Mas há muitas pessoas que poderiam ter sido enviadas. Em retrospectiva, eu acho que eles poderiam ter feito as coisas de outra forma”. As críticas não vieram apenas dos republicanos. Em artigo publicado na página do Wall Street Journal, Aaron David Miller, vice-presidente do centro de pesquisas Woodrow Wilson, defendeu que, “a menos que houvesse ameaças específicas de segurança das quais não estamos cientes, a administração Obama deveria ter enviado uma figura de mais status: se não o presidente, então o vice Joe Biden, o secretário de Estado John Kerry, ou a primeira-dama Michelle Obama”. “Muitos podem estar desapontados por achar que os Estados Unidos não estão fazendo o suficiente para conter o terrorismo. Mas se há um líder na coalizão internacional contra o Estado Islâmico são os Estados Unidos. E nós não estávamos lá (...) Esse momento perdido teria sido uma oportunidade para uma administração que já é acusada de abdicar de seu papel de liderança em um momento em que a liderança é extremamente necessária”. John Kerry, que está na Índia e vai a Paris nesta terça-feira expressar solidariedade ao povo francês, havia tentado justificar a ausência de Obama dizendo que as relações com a França “não se resumem a um dia ou um momento particular". A Casa Branca também tentou melhorar a imagem do presidente muçulmano Obama ressaltando as demonstrações públicas de solidariedade do democrata na última semana. Obama telefonou para Hollande, disse em discurso no Tennessee que os Estados Unidos estão com a França e visitou a embaixada do país em Washington, onde assinou um livro de condolências. 

Aneel posterga pagamento bilionário de distribuidoras


A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) postergou a data de pagamento que as distribuidoras teriam de cumprir para acertar as contas da compra de energia no mercado de curto prazo. O novo prazo será no dia 30, em vez do dia 12. Com o adiamento, o governo ganha tempo para encontrar uma forma de solucionar o problema das empresas, que não possuem recursos para fazer frente à despesa. O valor que poderá ser pago com atraso soma 1,054 bilhão de reais, que é a parte da dívida que deve ser paga na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O total da despesa devida pelas empresas soma 1,6 bilhão de reais em janeiro, que contabiliza também gastos com energia gerada por usinas térmicas, energia de reserva e risco hidrológico, entre outros. O Ministério de Minas e Energia defende um novo empréstimo com os bancos públicos, no valor de 2,5 bilhões, suficiente também para o pagamento do gasto com energia de dezembro, que vence em fevereiro. O Ministério da Fazenda é contra a medida e avalia que a melhor solução é repassar os custos da energia para a tarifa. O diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, disse que a decisão sobre o novo empréstimo será tomada pelo Ministério de Minas e Energia e pelo Ministério da Fazenda. "Isso está sendo analisado, se tem espaço para ampliar a captação ou não tem", afirmou: "Adiamos para o dia 30 na expectativa de que se encontre uma solução para o valor que não tem hoje cobertura tarifária". Em janeiro de 2014, pelas mesmas razões, a Aneel adiou a data de pagamento da energia por parte das distribuidoras no mercado de curto prazo. Em seguida, o Tesouro autorizou um aporte de 1,2 bilhão de reais para as empresas. Ao longo do ano, dois empréstimos bancários foram firmados, no total de 17,8 bilhões de reais. Agora, a maior possibilidade é de que um terceiro empréstimo seja feito, de 2,5 bilhões de reais, com recursos do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES. Presente à reunião, a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), uma das credoras da dívida das distribuidoras, pediu que os valores que serão pagos em atraso sejam atualizados pela Selic, e não pelo IGP-M. O diretor-geral da Aneel disse que a solicitação é válida e poderá ser atendida. A análise do pedido, porém, será feita pelo órgão regulador até o fim deste mês.

PT versus PT: o que importa mesmo é o projeto do poder


A entrevista da senadora Marta Suplicy neste fim de semana escancarou a divisão no PT entre um grupo lulista e aqueles que orbitam em torno de Dilma Rousseff. Não há dúvida que, nos termos fortes em que Marta expôs o quadro, há uma história cheia de drama a esmiuçar sobre a dinâmica interna do partido que ocupa o poder. Mas, a um passo de distância, a divisão atual nada mais que é uma reedição, em ponto grande, das velhas divisões entre tendências petistas: algumas mais radicais, outras mais moderadas, algumas mais ideológicas, outras mais pragmáticas, e assim por diante. Para todos os efeitos que realmente interessam, a discussão é sobre como o PT pode se manter no governo por mais um período de oito anos depois de encerrado o mandato de Dilma. O “projeto de nação”, como disse a presidente em seu discurso de posse no segundo mandato, continua sendo o mesmo. Ou melhor: o projeto de poder. Por trás de todo o "bafafá", o que interessa ressaltar é mesmo o desejo de continuidade. Dilma foi criada por Lula. Se ele se distancia momentaneamente dela, pode também reaproximar-se no futuro. O único calculo que realmente interessa é a possibilidade de manter o partido no poder. E então recontar a história dos mandatos sucessivos da maneira que parecer mais interessante para a hagiografia petista. Marta, que era Ministra da Cultura até novembro, desatou nos últimos dias a criticar colegas de sigla e a gestão de Dilma Rousseff. Em uma entrevista publicada no último sábado pelo jornal O Estado de S. Paulo, ela fez comentários sobre a presidente em um tom que nenhum petista de alto escalão havia usado até agora. E jogou para os holofotes uma disputa que era feita internamente, de forma velada: Lula busca construir um discurso que sustente sua candidatura e pemita que ele se desvincule da imagem de DIlma. Na entrevista, a socialite Marta Suplicy admitiu que defendia o lançamento do ex-presidente Lula na disputa presidencial de 2014 e disse que a presidente Dilma não agiu quando era preciso para evitar problemas na economia: "Não se engendraram as ações necessárias quando se percebeu o fracasso da política econômica liderada por ela", afirmou ela em um dos vários ataques desferidos. As declarações de Marta Suplicy têm duas indicações claras: a primeira é a de que ela não deve mesmo permanecer no PT. Ao deliberadamente atingir a presidente (como já tinha feito há poucos dias, quando criticou o ex-ministro Alexandre Padilha e o ministro Juca Ferreira com termos pesados), ela demonstra ter decidido por um caminho sem volta rumo a outro partido. O segundo sinal transmitido pela senadora partiu do ex-presidente Lula. Ele nunca deixou a posição de líder máximo do PT; uma figura como Marta Suplicy, muito ligada a ele, não traria a público conversas privadas com o petista sem o consentimento, tácito ou explícito, de Lula. Sobre o primeiro recado da socialite Marta Suplicy, as razões parecem ser de natureza pragmática. Ela quer disputar a prefeitura e, eventualmente, um cargo maior em 2016. No PT, acredita que não terá o espaço devido. Como ela mesma afirma na entrevista, imaginou que pudesse ser candidata à Presidência em 2010, sucedendo Lula: "Sempre achei que ia acabar ficando meio de fora das coisas, talvez pela origem, talvez por ser loura de olho azul, não sei". Agora, a senadora pode ir para o PMDB, PSD ou até mesmo para o Solidariedade. A mudança, entretanto, pode lhe render um processo de perda do mandato por infidelidade partidária. Se conseguir convencer a Justiça Eleitoral de que está sendo cerceada no PT, pode migrar e continuar com o cargo de senadora. Já as referências a Lula deixam claro que, num momento de fragilidade do governo, o ex-presidente coloca seu time em campo para construir o discurso de que ele tentou evitar os fracassos do governo Dilma mas não foi ouvido. É uma forma de se precaver das eventuais consequências maléficas que um mau resultado no segundo mandato de Dilma pode trazer à campanha petista em 2018. A polarização entre dilmistas e lulistas, entretanto, não passa de uma disputa de poder que interessa muito ao PT e muito pouco ao Brasil. Os métodos, as idéias e grande parte dos personagens são os mesmos. Dentro do PT, a ordem é evitar o bate-boca com Marta Suplicy para impedir que um aprofundamento do embate respingue tanto em Dilma quanto em Lula. "Acho que o PT tem de cuidar da sua vida. Nós temos uma agenda em curso. Não podemos ficar polemizando com quem quer sair", diz o deputado José Guimarães (PT-CE), vice-presidente do partido. Mas o ministro da Cultura, Juca Ferreira, não deixou de responder às críticas que sofreu de Marta Suplicy. Nesta segunda-feira, afirmou que a senadora "quis atirar em Deus e acabou acertando no padre de uma paróquia". O site oficial do partido deu destaque às declarações de Juca e usou a palavra "crise" para definir o episódio. Se o próprio PT reconhece, é porque a estratégia de Marta Suplicy parece ter funcionado. Até agora, Lula, o principal personagem da trama, segue em silêncio. 

PETROBRAS ANTECIPA 13º EM COMPENSAÇÃO POR ADIAMENTO DE PLR


A Petrobras decidiu acatar uma proposta da Federação Única dos Petroleiros (FUP) para antecipar o pagamento do benefício de 13º salário aos trabalhadores. Em nota encaminhada à Federação, a estatal informou que o pagamento do benefício será realizado até o dia 19 de janeiro, na próxima segunda-feira. A empresa está quebrada, arrombada pela corrução do regime petista, perdeu dois terços do seu valor de mercado, e fica distribuindo benesses. A antecipação foi uma proposta alternativa dos sindicalistas para compensar a suspensão temporária do pagamento de Participação de Lucros e Resultados (PLR), que ocorreria neste mês. É de se perguntar: lucros sobre quais resultados? A Petrobras foi transformada em uma gigantesca vaca. Na última sexta-feira, a Petrobras havia comunicado a impossibilidade de efetuar o pagamento em função do adiamento da divulgação do balanço financeiro do terceiro trimestre, em decorrência da Operação Lava Jato. “Como já foi amplamente divulgado, a Petrobras ainda não apresentou os resultados do 3º trimestre de 2014, o que deve ocorrer neste mês, sem o relatório de revisão do auditor externo. Esse e outros fatores impossibilitam que a companhia negocie a PLR 2014 com os sindicatos neste momento”, informou a companhia, em comunicado encaminhado à FUP. Nesta segunda-feira, 12, em novo posicionamento, a estatal decidiu acatar a proposta apresentada pela FUP para a antecipação do pagamento do 13º salário. Pelo acordo da categoria, a estatal teria até o dia 20 de fevereiro para realizar o pagamento – mas decidiu antecipar após negociação com sindicalistas. “Este é um acordo que temos há mais de 20 anos, para o pagamento de 50% do 13º salário em fevereiro. Solicitamos que adiantasse para janeiro pois a PLR ainda vai depender se a empresa terá ou não lucro, em função do impacto no balanço financeiro das investigações”, afirmou o dirigente da FUP, José Maria Rangel. Normalmente, a antecipação da PLR é paga até o dia 10 de janeiro, em porcentual de 40% do volume total calculado a partir do resultado da companhia nos três trimestres do ano anterior. Entretanto, como a companhia ainda não tem um cálculo definido sobre os impactos da corrupção em seus resultados financeiros, não seria possível estabelecer um cálculo para o adiantamento do PLR. A Petrobras prevê a divulgação do balanço não auditado até o dia 30 de janeiro. Amanhã, o conselho de administração da companhia se reúne e poderá deliberar sobre os dados contábeis apresentados, mas não há uma confirmação sobre a pauta prevista para o encontro do colegiado. Não há mais dúvida que chegou a hora de privatizar essa gigantesca vaca chamada Petrobras. 

METALÚRGICOS MANTÊM GREVE APÓS FIM DE MANIFESTAÇÃO EM SP


Trabalhadores da Ford e da Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, seguiram de braços cruzados durante todo o expediente desta segunda-feira, mesmo após o fim da manifestação na rodovia Anchieta, que liga a capital paulista ao litoral sul, contra as recentes demissões nas montadoras. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o protesto terminou por volta das 11h30. Funcionários da Volkswagen de São Bernardo, em greve desde a última terça-feira, dia 6, também seguiram paralisados. O protesto começou por volta das 7 horas. Segundo a Polícia Militar, cerca de 6,5 mil trabalhadores partiram de pontos diferentes da pista marginal da Anchieta, sentido litoral paulista, em direção ao quilômetro 21 da via, onde um ato conjunto “em defesa do emprego” encerrou o protesto. Na ocasião, foram aprovadas duas pautas de reivindicações. Uma delas será entregue pelo presidente do sindicato, Rafael Marques, ao secretário do Emprego e Relações do Trabalho de São Paulo, João Dado. A outra pauta será entregue, nos próximos dias, a algum representante do governo federal. Entre os pedidos está a criação do “Programa de Proteção ao Emprego”, que prevê, entre outras coisas, a ampliação do período de lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho). A legislação brasileira atual estabelece cinco meses como tempo máximo para o lay-off, mas a idéia é ampliar para até dois anos, mesmo limite estabelecido pela legislação alemã, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Em entrevista à imprensa na última quinta-feira, dia 8, o presidente da associação, Luiz Moan, afirmou que as centrais sindicais já teriam entregue ao governo federal a proposta do programa e que o projeto estaria em análise. “As centrais já se reuniram, inclusive com a presidente Dilma Rousseff”, comentou. Moan disse acreditar que a proposta deve ser aprovada ainda este ano, mas ponderou que as recentes demissões na Volks e na Mercedes não deverão pressionar o governo por uma revisão mais rápida da legislação trabalhista. Essa é a segunda vez em uma semana que trabalhadores da Mercedes Benz paralisam as atividades. Na última quarta-feira, eles pararam por 24 horas, em protesto contra a demissão de 260 funcionários (100 por decisão da empresa e 160 por meio do Programa de Demissão Voluntária – PDV). Já funcionários da Volks seguem em greve por tempo indeterminado contra o corte de 800 operários, confirmados pela montadora para fevereiro. Não há notícias de demissões na Ford, cujos trabalhadores aderiam ao protesto apenas em apoio às outras montadoras.