sábado, 17 de janeiro de 2015

Rio 2016: sai o militar, entra o militante


Não há dúvida que nos próximos dois anos viveremos a mesma roubalheira da Copa do Mundo na preparação do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016. O orçamento vai passar de R$ 40 bilhões. Agora Dilma tira um militar do comando da Autoridade Olímpica para colocar o seu arrecadador de campanha. Aquele que arranjava dinheiro para ela pagar o João Santana e os dois mil MAVs, entre outros. Eles perderam o restinho de vergonha na cara! A presidente Dilma Rousseff quer indicar o petista Edinho Silva (foto) para comandar a Autoridade Pública Olímpica, estatal responsável por planejar a preparação dos Jogos Olímpicos no Rio, em 2016. Edinho foi tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff em 2014 e termina seu mandato como deputado estadual em São Paulo em fevereiro. Segundo a Folha apurou, Dilma deve encaminhar o nome do petista ao Senado na reabertura do ano legislativo, no começo de fevereiro A indicação para a Autoridade Olímpica precisa ser aprovada pelos parlamentares. Na APO, Edinho substituirá o general Fernando Azevedo e Silva. A ideia de nomeá-lo partiu da própria Dilma, que quer uma pessoa de seu círculo de confiança para tocar a Olimpíada de 2016. Dilma e Edinho se aproximaram pouco antes da campanha de 2014, quando a presidente pediu que ele cuidasse do cofre de sua campanha. Edinho também é ligado ao ex-presidente e alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") e ao ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil). Durante a reforma ministerial, a presidente chegou a cotá-lo para o Ministério do Esporte, mas precisou da vaga para acomodar o PRB. Dilma quer que o petista retome a interlocução com os setores esportivos que a apoiaram na campanha e ficaram insatisfeitos com a nomeação de George Hilton. Edinho tem bom trânsito no meio e intermediou a interlocução com o movimento Bom Senso Futebol Clube.

"Tamo junto e misturado": empreiteiros querem políticos e diretoria da Petrobras punidos

Parte das empreiteiras investigadas sob suspeita de integrar o cartel da Petrobrás começou a atuar nos bastidores a fim de que as punições do escândalo não se restrinjam a seus executivos, a operadores e a ex-diretores da estatal. O objetivo é tentar deixar claro que houve protagonismo de políticos ligados ao governo e que a direção da Petrobras teve participação ativa na formação do conluio entre as empresas. A preocupação dos empreiteiros - externada em conversas reservadas - está no fato de a Operação Lava Jato estar dividida em duas instâncias judiciais. A parte que trata de executivos, operadores e ex-diretores da Petrobrás está sob a guarda da primeira instância, mais precisamente sob condução de Sérgio Moro, magistrado considerado linha-dura que atua na Justiça Federal no Paraná. Já a outra parte da investigação - a que apura a participação de políticos -, está sob a guarda do Supremo Tribunal Federal. Isso porque parte dos citados é parlamentar e tem, portanto, foro privilegiado. A fórmula, mesmo legal, criou dois pesos e duas medidas, na visão das construtoras - elas já tentaram juntar as investigações a partir de um recurso no STF, mas os ministros entenderam que o caso deve mesmo ficar desmembrado: parte no Paraná e parte em Brasília. Um empreiteiro ouvido pela reportagem afirma que não é "santo", mas que não está certo ser "crucificado" sozinho. Ele cita a delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras. Costa afirmou que, a partir de 2004, iniciou-se uma cobrança de até 3% de propina para partidos políticos nos contratos das empresas com a estatal. Os depoimentos de delação premiada do ex-diretor, assim como os do doleiro Alberto Youssef - outro que cita pagamentos a políticos -, são sigilosos e estão sob a guarda do Supremo, que deve abrir os inquéritos envolvendo os políticos em fevereiro. Os processos envolvendo os empreiteiros tocados pela Justiça Federal do Paraná não estão sob sigilo. Essas duas questões - ritmo da investigação e sua publicidade - são a base das queixas reservadas dos empreiteiros. Eles questionam o fato de a maioria dos presos da Lava Jato, atualmente, ser formada por executivos das empresas que atuam em contratos da Petrobras. A permanência na cadeia virou um "suplício", não apenas para os presos e seus familiares, mas para todos que atuam no setor de construção, segundo classificou outro empreiteiro ouvido pela reportagem. Esse empresário chega a comparar as prisões às "torturas dos anos 70", ressaltando que as prisões são "tortura psicológica", mas não deixam de ser "tortura". Ele fala de um "temor generalizado" entre o empresariado, que segundo ele foi transformado numa "facção criminosa, à margem de tudo, uma espécie de PCC da construção". Dentro da tática de colocar os partidos em posição de protagonismo do escândalo, pelo menos uma das empresas investigadas já preparou uma lista de nomes de políticos que receberam propinas no esquema de corrupção na Petrobrás, conforme mostrou ontem o jornal Folha de S.Paulo.O Estado revelou uma lista com 28 nomes de políticos citados por Costa em depoimentos da delação premiada: 8 do PMDB, 10 do PP, 8 do PT, 1 do PSB e 1 do PSDB. Os ex-ministros Antonio Palocci e Gleisi Hoffmann, ambos do PT, e Edison Lobão, do PMDB, estavam no rol. Na semana passada, a revista Veja publicou anotações do empreiteiro Ricardo Pessoa, presidente da UTC, que está preso. Os manuscritos fazem ameaças veladas a políticos. Em documento enviado à Petrobrás e revelado pela Folha de S.Paulo, a UTC afirma que, se houve cartel, a responsabilidade é da estatal.

Computador do Bndes foi usado para alterar perfis dos jornalistas petistas Tereza Cruvinel, Alberto Dines e Franklin Marins



Os perfis dos jornalistas petista Tereza Cruvinel, Alberto Dines e Franklin Martins foram alterados no site Wikipedia. Todos eles foram denominados como "comunistas do Brasil". A mudança foi feita a partir de computadores do BNDES. Tereza Cruvinel criticou o que denominou de "macarthismo fora do tempo". Disse a jornalista petista: "O que ofende não é o rótulo de comunista, num perfil feito por terceiros, já cheio de incorreções. O que espanta é a existência de pessoas que se comprazem com o ato de marcar, espezinhar, estigmatizar". Curioso, não foi esta senhora petista que informou ao ministro da Fazenda de então, o petista Antonio Palloci, que o caseiro Francenildo dos Santos Costa tinha ganho uma bolada que estava depositada em sua conta bancária na Caixa Econômica Federal? Isto serviu para o presidente da Caixa Econômica Federal, o também petista Jorge Matozo, determinar o estupro da conta bancária do caseiro da Mansão de Ribeirão Preto, onde Palocci e seus amiguinhos lobista da cidade paulista faziam negócios e divertiam-se com as meninas providenciadas pela cafetina Mary Jeanne Corner. Sra. Tereza Cruvinel, isso não "marcou, espezinhou, estigmatizou" o caseiro Francenildo dos Santos Costa?

SINDICALISTA DESVIAVA RECURSOS NA PETROBRAS PARA PT DA BAHIA, AFIRMA ADVOGADO DE VENINA VELOSA DA FONSECA


Documento redigido pelo advogado da ex-gerente da Petrobras Venina Velosa da Fonseca, e obtido pela revista Veja, afirma que o sindicalista Geovane de Morais teria atuado no desvio de recursos da estatal para o PT da Bahia. Segundo a revista, Morais, que trabalhava na gerência de comunicação da Petrobras, é aliado de petistas. Ele teria simulado a contratação de serviços de empresas ligadas a petistas que eram acertados e pagos sem nenhum contrato formal. Duas dessas empresas teriam prestado serviços à campanha do atual ministro da Defesa, Jaques Wagner (PT), ao governo da Bahia. Para fazer os contratos sem formalização, Morais teria contado com a “proteção” do então presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, e do Palácio do Planalto, segundo a Veja. De acordo com o relato de Venina a seu advogado, todos os gastos de comunicação da Petrobras tinham que ser aprovados pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República antes de executados. A reportagem afirma ainda que Morais teria fechado em 2008 um negócio com a empresa Muranno Brasil, que teria recebido US$ 13 milhões da estatal para divulgar a marca em provas da Fórmula Indy. De acordo com a revista, o doleiro Alberto Youssef teria afirmado que a Muranno pagou a propina ao esquema, mas teve seus pagamentos suspensos. Por isso, o dono da empresa, Ricardo Marcelo Villani, teria ameaçado denunciar o esquema de corrupção. O caso chegou ao Planalto, e o então presidente e alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") teria dado a ordem para comprar o silêncio do empresário, informa a reportagem. A missão teria sido repassada ao ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, que acionou Youssef, que foi buscar dinheiro com as empresas envolvidas no escândalo. De acordo com a revista, Villani admitiu à Polícia Federal que tratou dos pagamentos cancelados com Paulo Roberto e que, depois desta conversa, teria recebido quase R$ 2 milhões. Villani, no entanto, negou a chantagem. “Não sei de esquema nenhum”, declarou o empresário à publicação semanal. Gabrielli disse que iniciou processo contra o funcionário e demitiu Morais. O ministro da Defesa, Jaques Wagner, informou que defende a “ampla apuração dos fatos”. Não consta da reportagem uma resposta do ex-presidente Lula X9.

Ministério Público Federal pede cassação e perda de mandato do senador Renan Calheiros


A Procuradoria da República em Brasília entrou com uma ação de improbidade administrativa contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Na ação os procuradores pedem a perda do cargo e a cassação dos direitos políticos do senador. Renan é acusado de usar indevidamente um jatinho da Força Aérea Brasileira (FAB). O presidente do Senado usou o expediente em pelo menos duas ocasiões: em 18 de dezembro de 2013, quando foi a Recife para um implante capilar; e em 15 de junho de 2013, quando foi com a mulher para Porto Seguro para o casamento da filha do atual ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB-AM). O uso de jatos da FAB só é liberado para autoridades em compromissos oficiais ou para o transporte entre Brasília e o Estado natal, no caso Alagoas. As irregularidades foram noticiadas pela imprensa e o senador devolveu aos cofres públicos R$ 32 mil pelo vôo ao Recife e R$ 27 mil pela viagem à Bahia. Mas, segundo o Ministério Público, o ressarcimento é uma confissão de “uso indevido de bem público”. “Apesar de ter ciência da ilegalidade do ato, Calheiros, supondo que não seria descoberto ou, mesmo se descoberto, que não sofreria as sanções legais devidas, não apresentou qualquer constrangimento em continuar se utilizando de bem público federal de altíssimo valor para fins pessoais”, diz o procurador Anselmo Lopes, autor da ação. Além das sanções políticas, o Ministério Público também quer que a FAB faça um controle mais rigoroso do uso dos jatos e seja estabelecida uma multa de R$ 100 mil para casos de vôo irregular. A ação está parada desde junho do ano passado e cabe ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, recorrer ou não da decisão da 17ª Vara Federal de Brasília, que havia decidido que o caso era de competência do Supremo Tribunal Federal.

EM DECORRÊNCIA DA OPERAÇÃO LAVA JATO, BANCOS LIMITAM CRÉDITO A EMPREITEIRAS QUE TÊM GARANTIAS


Enrolados na Lava Jato, da esq. para a dir.: Ricardo Pessoa (UTC) Josá Aldemario “Leo” Pinheiro Filho (OAS), Valdir Carreiro (IESA), Dalton Avancini (Camargo Correa) e Ildefonso Queiroz (Queiroz Galvão)

O mapeamento encomendado pelo governo da petista Dilma Rousseff sobre a situação financeira das empreiteiras envolvidas na operação Lava Jato, da Polícia Federal está medindo o tamanho exato do risco assumido pelos bancos com a concessão de empréstimos a essas empresas. O governo dividiu as companhias em dois grupos: as empresas que têm ativos para vender e quitar suas dívidas e aquelas que enfrentam mais dificuldade para gerar caixa a curto prazo. Há dez dias que os bancos já não realizam operações de crédito com empreiteiras enroladas no escândalo de corrupção da Petrobras. O financiamento com recursos do BNDES foram suspensos. Pelas informações preliminares, a situação seria mais tranquila para os bancos que financiaram apenas empresas ou projetos considerados independentes das holdings sob investigação. Nessa situação estão os bancos que financiaram, por exemplo, a Invepar (controlada pela OAS e por fundos de pensão de estatais) e a Odebrecht Transport (do grupo Odebrecht). Segundo uma fonte de um banco envolvido no mapeamento, essas empresas tocam projetos bem estruturados, com sócios financeiros fortes e capitalização a ponto de permitir uma “vida própria” em relação aos controladores. São empresas em outro “patamar”, com bons ativos que podem até ser vendidos para ajudar no caixa das holdings. A situação mais crítica está nos bancos que emprestaram diretamente a grupos como UTC e Engevix, por exemplo. Essas empresas, segundo o levantamento, devem ter mais dificuldade porque o endividamento é mais pesado e de curto prazo. No fim de 2014, a Petrobrás teve de honrar compromissos da Galvão Engenharia e da Mendes Júnior com seus fornecedores para evitar uma quebradeira do setor de óleo e gás. “De uma forma geral, a maioria delas tem ativos que podem ajudar numa solução”, disse a fonte. O problema, entretanto, é o tempo para isso. É caso da OAS, segundo o governo, que tem muitos vencimentos concentrados no curto prazo. A empreiteira teria condições econômicas de levantar recursos ao vender os próprios ativos. Mas precisaria de tempo – ela já deixou de honrar parcelas de dívidas. O foco principal, agora, é mapear essa exposição e reforçar as garantias dos créditos já oferecidos. “Cada nova operação tem de ser olhada com muito cuidado e ver se faz sentido”, disse uma fonte da área econômica. Se para ter uma “solução definitiva” for preciso um novo empréstimo, a orientação do governo é concedê-lo. Por isso, um socorro à Sete Brasil, uma das principais fornecedoras da Petrobrás, é considerado emblemático para destravar o nó com boa parte das demais empresas envolvidas na Lava Jato, disse outra fonte. A equipe de Dilma pediu “empenho” ao Banco do Brasil para “desatar esse nó” e evitar uma crise no sistema financeiro e na cadeia produtiva. Um empréstimo de US$ 3,5 bilhões, com recursos do BNDES, deve ser liberado nos próximos dias. O sucesso desse empréstimo criaria uma “atmosfera de segurança” e permitiria liberar R$ 800 milhões para aliviar o caixa da Sete. O Banco do Brasil estuda se libera o valor total ou se divide a operação com outros bancos. A UTC afirmou que a holding e todas as empresas do grupo vêm cumprindo “rigorosamente” seus compromissos: “A UTC repudia veementemente qualquer tentativa de lançar dúvidas sobre sua capacidade de honrar seus contratos”. A Engevix disse ter ativos diversos e concessões na área de infraestrutura: “Há diversas alternativas possíveis para passar por esta fase e depois seguir operando”. A Odebrecht Transport negou que a Lava Jato a levaria a vender ativos ou participação em empresas. A holding disse que não venderá a Odebrecht Transport. A OAS afirmou que está em discussão com alguns de seus principais credores para “uma reestruturação financeira organizada”, que inclui a venda de ativos para reforçar sua liquidez. A Invepar não se pronunciou.

Sete igrejas são atacadas na capital do Níger

Ao menos sete igrejas foram queimadas neste sábado (17) na capital do Níger, após protestos contra as caricaturas do profeta Maomé publicadas pelo semanário francês "Charlie Hebdo" resultarem em incidentes violentos em várias cidades. Após a publicação de uma caricatura de Maomé no semanário Charlie Hebdo, vítima de um atentado no início de janeiro, que deixou 17 mortos, protestos violentos têm sido realizados em vários países muçulmanos. Por volta de meio-dia, centenas de jovens se reuniram perto da Grande Mesquita de Niamey sob o slogan "Abaixo a França" e "Allah akbar" (Deus é grande), embora as autoridades tenham proibido manifestações. O templo foi cercado por dezenas de policiais do choque vestidos de capacetes e escudos, que tentaram dispersar o protesto com gás lacrimogêneo. "Vamos quebrar tudo. Vamos proteger o nosso profeta. Vamos defender embora coloquemos o nosso sangue em risco", disse um manifestante com uma pedra na mão. Depois, os incidentes se espalharam para vários bairros do centro da cidade e também nos arredores da catedral, que foi fortemente resguardada pela polícia de choque. "Não tiveram tempo de incendiá-la", disse um policial. No sul Niamey pelo menos sete igrejas foram queimadas em manifestações, em sua maioria igrejas protestantes e alguns deles sem símbolos religiosos visíveis do lado de fora. Depois os manifestantes se dirigiram para o centro e para o norte da cidade, onde há várias igrejas. Vários bares, hotéis e lojas pertencentes a não-muçulmanos ou que ostentavam algum cartaz de uma marca francesa também foram destruídos. De acordo com uma fonte de segurança, seis grupos aglomerando cerca de 200 e 300 pessoas trouxeram o caos para Niamey. Enquanto isso, dezenas de ulemás de Niamey pediam calma aos manifestantes. "Não se esqueçam de que o Islã é contra a violência", disse o pregador Yaou Sonna, que, como outros líderes muçulmanos falou diante das câmeras de televisão pública. Isso é uma mentira, o Islã sempre foi guerreiro, nasceu e se propagou sob o signo da guerra, da espada, de decretação da morte aos "infiéis" (todos que não são islâmicos). Os manifestantes também atacaram várias instalações da empresa francesa PMU e outras como operadora de telefonia francesa Orange. "Alguns permaneceram em suas casas. Eu nunca estive tão assustada em toda a minha vida", disse um mecânico cristão, de sua oficina, onde permaneceu com outros trabalhadores. Através de buracos de sua janela, viu quando manifestantes saquearam um quiosque localizado em frente à sua loja. "Aqui nós somos forçados a fechar a loja. Estamos com muito medo. O Estado tem que colocar um fim a isso", lamentou. Enquanto isso, Kiema Soumaila, gerente de bar Toulousain, um conhecido local de Niamey, disse que desde o início das manifestações, imaginou que estes incidentes iriam ocorrer. Soumaila disse que os manifestantes quebraram a porta do local e depois de quebrar todos os vasos atearam fogo às instalações. "Eu disse a todos os funcionários que saíssem da casa", disse ele. Enquanto isso, em Maradi, cidade localizada entre Niamey e Zinder, foram registrados vários protestos espontâneos em que os pneus foram queimados. Na sexta-feira (16), Zinder, a segunda cidade do país, registrou manifestações contra o "Charlie Hebdo" que resultaram em quatro mortes e 45 feridos.

Traficante brasileiro condenado à morte foi fuzilado na Indonésia

O carioca Marco Archer Cardoso Moreira, 53, foi executado por fuzilamento às 15h30 deste sábado (17), horário de Brasília, na Indonésia. A confirmação foi dada por Tony Spontana, porta-voz da Procuradoria-Geral do país asiático. A execução ocorreu à 0h30 de domingo (18) pelo horário da Indonésia, dentro do complexo de prisões de Nusakambangan, em Cilacap, a 400 quilômetros da capital Jacarta. Um médico atestou a morte, que foi confirmada oficialmente à 0h45 no horário local (às 15h45 em Brasília), Marco foi o primeiro cidadão brasileiro na história executado por pena de morte. Ele havia sido preso em 2003 e condenado em 2004 por tráfico de drogas. Além dele, outras cinco pessoas foram executadas. Na véspera da morte, o brasileiro recebeu a visita da tia, Maria de Lourdes Archer Pinto, de 61 anos, e de dois funcionários da embaixada brasileira em Jacarta. A tia havia levado doce de leite e mel para o sobrinho. Ela chorava muito desde o início da manhã, diante do fuzilamento iminente: "O Marco não merece isso". Marco também chorou na despedida da tia e a "beijou muito", disse Maria de Lourdes.
 
O brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, na quarta

Doze policiais de um destacamento especial se postaram diante de Marco e, ao sinal do líder do pelotão, dispararam. Nem todas as armas estavam carregadas – os atiradores não sabiam quais das armas estavam carregadas ou não, de modo que ninguém saiba que deu o tiro fatal. O corpo de Marco será cremado na Indonésia e levado para o Brasil. Os custos correrão por conta da tia do brasileiro; o Itamaraty não pode pagar por funeral de cidadãos no Exterior. Preso em um país que impõe pena capital a traficantes, sem direito a recurso na Justiça e depois que dois presidentes indonésios haviam lhe negado perdão, o carioca Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, fazia planos para o futuro. Em todo o período preso, Marco jamais achou que fosse ser fuzilado. É o espírito da malandragem brasileira, sempre acredita que existe um "jeitinho", um mode de escapar. O olhar para a frente também aparecia em conversas com amigos e a tia, única familiar com quem teve contato após a morte da mãe em 2010. O pai já havia morrido, e ele não tem mulher nem filhos. Voltar ao Rio de Janeiro, onde nasceu, era uma menção recorrente em suas conversas. Mas, embora sonhasse com liberdade, nunca esteve perto dela desde que foi preso, há 11 anos. Para os padrões da Indonésia, país com o maior contingente de muçulmanos no mundo, seu crime havia sido grave demais. Em 2003, o brasileiro tentou entrar com 13,4 kg de cocaína nos tubos de sua asa delta no aeroporto de Jacarta, capital do país, ciente da pena de morte para traficantes. A investida ajudaria a pagar uma dívida de hospital contraída após acidente de parapente em 1997, em Bali. Flagrado, aproveitou a distração dos guardas e escapou, até ser recapturado duas semanas depois, longe dali. Traficante de drogas por anos na rota Rio-Amsterdã-Bali, ele nunca havia sido pego. A fuga e a captura foram parar em jornais e na TV, tanto pela ousadia do brasileiro como pela quantidade de droga apreendida, entre as maiores até hoje para traficantes. Na Indonésia, condenados à morte já tiveram a pena reduzida a 20 anos de cadeia. Mas o simbolismo do traficante brasileiro que desafiou as autoridades indonésias enterrou as suas chances. Apesar disso, por um período, o governo brasileiro chegou a dar como certo que Marco não seria morto. Era um compromisso firmado informalmente com Susilo Bambang Yudhoyono, presidente da Indonésia de 2004 a 2014. Marco não seria solto, mas tampouco fuzilado. Quando Joko Widodo assumiu a Presidência, no ano passado, o pacto ruiu. O novo mandatário quis usar a morte de traficantes como símbolo da guerra às drogas e rejeitou os apelos para não executar o brasileiro. 

Governo do Maranhão demite servidores e museu Sarney decide fechar as portas

Após o governo do Maranhão demitir os funcionários comissionados da FMRB (Fundação da Memória Republicana Brasileira), entidade pública que administra o acervo do senador José Sarney (PMDB), a direção do museu do ex-presidente decidiu fechar as portas nesta sexta-feira (16). Em nota, a assessoria do governo Flávio Dino (PCdoB) diz que as demissões foram feitas após uma falha do comando da FMRB, que não entregou em tempo os documentos necessários para a readmissão dos 48 servidores. Já a direção do museu fala em "ato político" da gestão Dino contra a instituição. Rival histórico dos Sarney, o novo governador venceu as eleições do ano passado e pôs fim a cinco décadas de domínio do grupo político do ex-presidente no Maranhão. As demissões são um novo capítulo da histórica transição de poder no Estado. Apesar das demissões, o governo Dino nega que vá fechar definitivamente a FMRB, embora ainda não saiba o que vai fazer com a instituição.
 

A presidente da fundação, Anna Graziela Costa, disse neste sábado (17) que os 48 funcionários estavam trabalhando desde o começo deste ano como voluntários, já que a exoneração deles foi publicada em 2 de janeiro no "Diário Oficial do Estado". "Eu acreditava que era um ato meramente administrativo (as demissões), e não político. Então mantive a equipe", diz: "Mas quando soube por meio da imprensa que o atual governador pensava em privatizar a fundação, não tive como segurar". O governo Dino ainda estuda o que fazer da instituição. Uma das possibilidades, embora remota, é sua privatização. Em nota, a assessoria de Dino diz que a "não nomeação dos servidores indicados pela presidente da Fundação da Memória Republicana deveu-se ao fato de as nomeações não terem obedecido o disposto do decreto Nº 30.622, de 2 de Janeiro de 2015, que regulamenta as nomeações para cargos em comissão". Segundo o governo, Anna enviou apenas uma lista com os nomes dos funcionários, sem documentação. A presidente alega, porém, que não foi informada sobre a necessidade de outros documentos, e que, se o funcionamento do museu depender apenas disso, pode fazer o solicitado. O procedimento pedindo os documentos, no entanto, foi publicado no "Diário Oficial do Estado" do dia 2, disse o governo, e é comum a todas as secretarias, não só à FMRB. A presidente diz ter enviado um relatório com dados técnicos sobre a fundação para as secretarias da Casa Civil e da Cultura, que administra o museu desde o começo do ano, e que também solicitou uma reunião para ouvir do novo governo as diretrizes, mas nunca foi atendida. O chefe da Casa Civil do Maranhão, Marcelo Tavares, diz não ter nenhum registro de pedido de audiência feito pela presidente. A partir de segunda-feira a fundação estará fechada, mas a assessoria do governo do Maranhão afirma ter como objetivo avaliar o museu, "ver o que é de interesse público, descartar o que não for e reabri-lo". Sobre os funcionários, a assessoria alega que a Casa Civil só poderá nomear outras pessoas quando a presidência da fundação fizer a solicitação de acordo com o decreto, como todos os outros setores da administração. A FMRB foi criada em 2011 no governo Roseana Sarney (PMDB), filha do ex-presidente. Para sua criação, a fundação recebeu da Fundação José Sarney o acervo do atual senador. Mais de 40 mil itens, entre documentos e presentes recebidos pelo ex-presidente, foram transferidos para a guarda do Estado, que gastou mais de R$ 8 milhões com o órgão entre 2012 e 2014. Além de consumir recursos públicos e estar instalada em um prédio colonial de 1654 no centro histórico de São Luís – o Convento das Mercês –, a fundação é controlada por um conselho curador no qual Sarney, na condição de patrono, tem o direito vitalício e hereditário de indicar dois de seus nove integrantes. Logo no primeiro dia de governo, Dino assinou um decreto proibindo que bens públicos do Estado recebam o nome de pessoas vivas, o que inclui novas homenagens à família Sarney. O próprio ex-presidente dá nome a escolas, bibliotecas e obras viárias em todo o Maranhão. 

Bélgica coloca tropas nas ruas para reforçar segurança contra ataques

Bélgica está colocando centenas de soldados nas ruas para proteger possíveis alvos de terrorismo, incluindo locais judaicos e missões diplomáticas, após ataque mortal contra uma célula islâmica, disse o ministro da Defesa neste sábado. Até 300 militares vão proteger locais como as embaixadas dos Estados Unidos e Israel em Bruxelas e instituições da Otan e da União Européia. "É muito importante dizer que esta não foi uma decisão simples, mas era necessário, num momento em que a polícia está excessivamente engajada, o Exército entrar com um papel de apoio", o ministro da Defesa Steven Vandeput a repórteres. As tropas vão reforçar o policiamento pelo menos até quinta-feira, quando as autoridades irão rever o nível de ameaça nacional, fixado em 3 em uma escala de 4 esta semana.

Estado Islâmico é alvejado em 29 ataques aéreos na Síria e Iraque

Os Estados Unidos e seus aliados realizaram 29 ataques aéreos contra alvos do Estado Islâmico na Síria e no Iraque, em um período de 24 horas, disse a Força Tarefa Conjunta Combinada em um comunicado neste sábado. Dezesseis ataques ao redor de sete cidades iraquianas destruíram veículos, edifícios, equipamentos e posições de combate, bem como unidades de ataque pertencentes ao Estado islâmico, que está tentando estabelecer um califado no Oriente Médio, disse a força-tarefa. Na Síria, 11 ataques aéreos foram realizados perto da cidade de Kobani, destruindo um tanque e posições de combate, enquanto outros focaram alvos próximos a Abu Kamal e Dawr az Zawr. Os ataques ocorreram entre sexta-feira e sábado de manhã, disse o comunicado da força-tarefa.

Lula e José Dirceu se desentendem por causa do petrolão


Faz tempo que o escândalo de corrupção na Petrobras serve de combustível para o fogo amigo dentro do PT. No ano passado, petistas que comandavam o movimento “Volta, Lula” criticaram a presidente Dilma Rousseff por admitir que aprovara a compra da refinaria de Pasadena com base num relatório falho. Com o gesto de sinceridade, Dilma teria levado a crise para dentro do Palácio do Planalto, segundo seus adversários internos, e demonstrado uma ingenuidade e um amadorismo capazes de pôr em risco a permanência do partido no poder. No afã de tirá-la da corrida eleitoral, aliados de Lula também acusaram a presidente de traição ao responsabilizar a antiga diretoria da Petrobras, nomeada pelo antecessor, pelos desfalques bilionários nos cofres da companhia. Como o “Volta, Lula” não decolava e a sucessão presidencial se anunciava acirrada, os petistas selaram um armistício até a eleição. Mas, com Dilma reeleita, retomaram a disputa fratricida. O motivo é simples: estrelas do PT serão punidas novamente — agora no petrolão. Resta saber quem pagará a conta. Com as prisões do mensalão ainda frescas na memória, ninguém está disposto a ir para o sacrifício. A tensão decorrente das investigações e do julgamento do esquema de corrupção na Petrobras colocou em trincheiras opostas as duas mais importantes lideranças históricas do PT: Lula e seu ex-ministro José Dirceu. Tão logo os delatores do petrolão disseram que o ex­diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque recolhia propina para o partido, Dirceu, o padrinho político de Duque, ligou para o Instituto Lula e pediu uma conversa com o ex-presidente. O objetivo era se dizer à disposição para ajudar os companheiros a rebater as acusações e azeitar a estratégia de defesa. Conhecido por deixar soldados feridos pelo caminho, Lula não ligou de volta. Em vez disso, mandou Paulo Okamotto, seu fiel escudeiro, telefonar para Dirceu. Assim foi feito. “Do que você está precisando, Zé?”, questionou Okamotto. Dirceu interpretou a pergunta como uma tentativa do interlocutor de mercadejar o seu silêncio. À mágoa com Lula, que o teria abandonado durante o ano em que passou na cadeia, Dirceu acrescentou pitadas de ira: “Você acha que vou ligar para pedir alguma coisa? Vocês me abandonaram há tempos”, respondeu. E fim de papo. Diretor do Instituto Lula, Okamotto é frequentemente convocado pelo ex­-presidente para cumprir missões espinhosas. Ele atuou, por exemplo, para impedir que as investigações sobre o mensalão chegassem ao chefe. Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), o empresário Marcos Valério disse ter sido ameaçado de morte por Okamotto. O recado foi claro: ou Valério se mantinha em silêncio ou pagaria caro por enredar Lula na trama. O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Valério, o operador do mensalão, a 37 anos e cinco meses de prisão. Logo depois de as primeiras penas serem anunciadas, Valério declarou ao MPF que Lula se beneficiara pessoalmente do esquema. No mesmo processo, Dirceu foi condenado por corrupção a sete anos e onze meses de prisão. O petista já deixou a cadeia e, por decisão da Justiça, cumpre o resto da pena em regime domiciliar. Ao telefonar a Lula, ele quis deixar claro a necessidade de o governo e o PT organizarem uma sólida estratégia de defesa no petrolão. A preocupação tem razão de ser. Delatores do petrolão disseram às autoridades que Renato Duque recolhia 3% dos contratos da diretoria de Serviços da Petrobras para o PT. No âmbito de um acordo de delação premiada, Pedro Barusco, que era o adjunto de Duque, disse que o ex-diretor recolheu propina em pelo menos sessenta contratos. Barusco também implicou o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, na coleta de dinheiro roubado dos cofres da Petrobras. Outros delatores, como empreiteiros, afirmaram que a dinheirama surrupiada financiou campanhas petistas. Há provas fartas contra o partido. É certo que haverá punições. E é justamente isso que faz a briga interna arder em fogo alto. Dilma mantém o discurso de que nada tem a ver com a roubalheira. Executivos nomeados por Lula e demitidos por sua sucessora, como o ex­-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli e o ex-diretor Nestor Cerveró, não aceitam ser responsabilizados. O mesmo vale para Dirceu, que não quer correr o risco de voltar à Papuda.