domingo, 25 de janeiro de 2015

Jornalista que divulgou assassinato de promotor foge da Argentina e refugia-se em Israel

O jornalista argentino Damián Pachter, o primeiro a divulgar o assassinato do promotor Alberto Nisman, no último dia 18, chegou neste domingo (25) a Tel Aviv após deixar Buenos Aires se dizendo ameaçado. Em texto publicado no site do jornal israelense Haaretz, Pachter, que trabalha para o Buenos Aires Herald, disse ter sido perseguido por um agente de inteligência antes de fugir do país, no sábado (24). Alberto Nisman foi encontrado morto com um tiro na cabeça em 18 de janeiro, quatro dias depois de ter acusado a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e outros membros do governo de acobertar suspeitos de envolvimento no atentado à sede de uma organização judaica em Buenos Aires em 1994. Na noite de sábado, após a fuga do jornalista ser noticiada pela imprensa argentina, a agência estatal Télam publicou uma nota, com informações passadas pela empresa Aerolíneas Argentinas, também estatal, revelando que Pachter fora para o Uruguai. A conta oficial da Casa Rosada no Twitter republicou a nota da Télam, que também divulgava a data marcada para a volta, dia 2 de fevereiro. A divulgação, pelo governo, das informações pessoais do jornalista, que se dizia sob ameaça, foi alvo de questionamento em jornais como o Clarín e o La Nación. No artigo publicado no Haaretz, Pachter desmente a informação e diz que seu bilhete de volta está comprado para dezembro. "Eu não tenho idéia de quando voltarei à Argentina; eu nem sei se quero", afirma. O jornalista não cita nenhuma ameaça direta, mas diz que uma matéria também publicada pela Telám, que falava sobre um suposto tuíte seu – o qual alega não ter escrito –, deixou-o deixou intrigado. "Percebi que o tuíte era uma espécie de mensagem codificada", diz. Ele então falou com um amigo que o orientou a sair imediatamente da cidade. No caminho, que envolveu trechos de ônibus a lugares não identificados pelo jornalista, ele disse ter fotografado um suposto agente de inteligência que o estaria seguindo. Pachter, que tem ascendência judaica, retornou a Buenos Aires na madrugada de sábado para embarcar para Montevidéu. De lá, seguiu para Madri e, em seguida, para Tel Aviv. No domingo, o La Nación divulgou que Nisman havia pedido uma arma emprestada a Rubén Benítez, um dos policiais responsáveis por sua equipe de segurança. Em depoimento, o agente teria revelado que Nisman pediu para que ele fosse no seu apartamento no sábado de manhã e lhe pediu informações para comprar uma arma, como nomes de lojas e preços. Segundo o policial, Nisman queria manter uma pistola no carro para as ocasiões em que saísse com suas filhas. Benítez teria respondido que a segurança do promotor e de sua família eram responsabilidade dos policiais. Na mesma manhã, o promotor teria então procurado Diego Lagomarsino, técnico de informática que trabalhava para ele, que lhe emprestou um revólver. A arma foi a que disparou o tiro fatal no domingo. A promotora responsável pelas investigações, Viviana Fein, tem defendido a tese de suicídio e disse que o tiro foi disparado "a menos de 1 cm" da têmpora de Nisman. As afirmações desta promotora são muito suspeitas e inconsistentes. 

Justiça suspende ação contra familiares do delator Paulo Roberto Costa

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, determinou a suspensão por 60 dias de uma ação penal contra os familiares do ex-diretor da Petrobras, o delator Paulo Roberto Costa, por causa da negociação de acordos de delação premiada. A decisão da Justiça Federal no Paraná atende a pedido do Ministério Público Federal, que em dezembro havia informado que os acordos de delação premiada com os parentes de Costa ainda não tinham sido homologados pela Justiça, por isso requereu a suspensão da ação. São réus na ação as filhas de Costa, Ariana Azevedo Costa Bachmann e Shanni Azevedo Costa Bachmann, e seus genros, Marcio Lewkowicz e Humberto Sampaio de Mesquita. Eles são acusados de lavagem de dinheiro e da tentativa de destruir provas no dia em que o ex-diretor foi preso pela primeira vez, em março do ano passado. Os familiares ajudaram Paulo Roberto Costa a abrir contas para esconder recursos desviados da estatal, segundo um dos depoimentos do executivo no acordo de delação premiada e documentos enviados pelas autoridades da Suíça, onde ele tinha US$ 23 milhões. A conta na Suíça foi aberta em nome do executivo, de sua mulher e de uma das filhas. Os dois genros assinaram a documentação para criar uma conta no Royal Canadian Bank em Cayman, um paraíso fiscal no Caribe. Essa conta tinha um saldo de US$ 2,8 milhões. O despacho de Sérgio Moro não deixa claro se os acordos de delação já foram homologados e se os depoimentos já estão em curso. "Intimado a se manifestar, o Ministério Público Federal enfatizou que os acordos de colaboração entre esse órgão e as filhas e genros de Paulo Roberto Costa possivelmente refletirão no presente feito, requerendo a suspensão da presente ação penal por sessenta dias", escreveu o juiz. A colaboração de seus parentes faz parte do acordo de delação de Paulo Roberto Costa, já homologado pelo Supremo Tribunal Federal.

MEDIDAS IMPOPULARES DE DILMA CAUSAM CONFUSÃO NO PT


Às vésperas de completar 35 anos, o PT está em ebulição em razão das medidas impopulares na economia, como aumento de impostos e mudanças no seguro-desemprego. As críticas se espalham e o governo tenta evitar que a insatisfação seja formalizada no próximo dia 6, quando haverá reunião do Diretório Nacional petista, em Belo Horizonte, e um ato para comemorar o aniversário do partido. Dilma e o ex-presidente e alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") são os convidados de honra da festa, que ocorrerá em momento difícil para o PT e sua principal corrente, a Construindo um Novo Brasil (CNB), afastada do “núcleo duro” do Planalto. Tudo está sendo preparado para abafar o tiroteio, que aparece na esteira de queixas sobre a condução do governo, o isolamento de Dilma e a perda de espaço do grupo de Lula no primeiro escalão. Nos bastidores, porém, deputados, senadores e até dirigentes do PT manifestam incômodo com o fato de Dilma, em seu segundo mandato, só apresentar um “saco de maldades” para a população, sem qualquer agenda positiva, e reclamam do custo político das medidas. “Quando o ministro da Fazenda diz que o atual modelo do seguro-desemprego é completamente ultrapassado, precisamos saber o que ele propõe para pôr no lugar, porque estamos falando de proteção ao trabalhador”, afirmou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), numa referência à entrevista do ministro Joaquim Levy ao jornal inglês Financial Times: “Nós somos a favor de combater as fraudes, mas vamos retirar da proposta do governo tudo o que vier para prejudicar os trabalhadores e revogar direitos". A polêmica que atormenta o segundo mandato de Dilma, com cortes de gastos e juros na estratosfera, lembra a queda de braço do início do governo Lula, em 2003, entre monetaristas e desenvolvimentistas. Na época, Antônio Palocci era ministro da Fazenda, Levy comandava a Secretaria do Tesouro e o PT gritava, como hoje, contra a ortodoxia da política econômica. “Mesmo que pessoas do PT encarem o que estamos fazendo como ajuste antissocial, nós precisamos ter responsabilidade”, disse o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini: “Temos um patrimônio de seguridade social que muitos países não têm e, para que tudo isso resista às mudanças na economia, é necessário, de tempos em tempos, fazer ajustes, porque o orçamento é finito. Nós não estamos no vácuo. Estamos no mundo". Berzoini destacou que a previdência pelo INSS, somada ao seguro-desemprego, consumiu, nos últimos doze meses, R$ 460 bilhões. “Para que as conquistas obtidas com a Constituição de 1988 sejam preservadas, governo e Congresso não podem ficar omissos diante de distorções”, emendou Berzoini, que foi ministro da Previdência no governo Lula. Na tentativa de amenizar o bombardeio na direção do Planalto, o senador Humberto Costa (PE) disse que o PT está aberto a discussões. “Criticar é normal. Não se pode confundir o partido com o governo”, argumentou Humberto Costa, que é líder do PT no Senado. Na sua avaliação, medidas duras são necessárias para retomar o “núcleo” do projeto de crescimento com distribuição de renda. “Mas a nossa preocupação é com a proteção social”, insistiu.

De olho no bandido petista mensaleiro Henrique Pizzolato, foragido, o Ministério Públcio italiano vai defender extradição de narcotraficante

O Brasil ganha o apoio do Ministério Público da Itália em casos de extradição, numa decisão que pode ter um impacto no caso do ex-diretor do Banco do Brasil, o bandido petista mensaleiro foragido Henrique Pizzolato, condenado no caso do Mensalão do PT e que fugiu para a Itália. A Corte de Cassação de Roma se reúne nesta segunda-feira, 26, para julgar um pedido de extradição de um contrabandista de drogas ao Brasil. O que estará em debate é o caso do holandês Ronald van Coolwijk, condenado pela Justiça Federal do Espírito Santo a 20 anos de prisão por tráfico de drogas. Ele foi pego com 625 quilos de drogas e condenado em 1995. Mas conseguiu fugir para a Itália. Mas, para a Justiça brasileira, o que estará em jogo é a capacidade de o País convencer juízes no Exterior de que o sistema prisional nacional é adequado para receber criminosos, entre eles o bandido petista mensaleiro Henrique Pizzolato. 


O Ministério Público italiano vai defender a extradição do holandês, uma atitude considerada pelas autoridades brasileiras como "fundamental" no processo. O Ministério Público italiano se reuniu com representantes do Ministério Público brasileiro na sexta-feira e confirmou que vai apoiar a extradição. Tanto o holandês como Pizzolato argumentaram que as prisões brasileiras não "oferecerem condições humanas" e que, portanto, não poderiam ser extraditados pela Itália. Ambos conseguiram que a Justiça italiana, em primeira instância, atendesse seus argumentos. A defesa do bandido petista mensaleiro foragido Henrique Pizzolato chegou a mostrar um vídeo ao Tribunal de Bolonha sobre presos decapitados no Brasil, além de vários informes da ONU sobre a situação das prisões. O narcotraficante fez o mesmo e conseguiu evitar a extradição. Mas seu caso sequer era acompanhado pelo Brasil e apenas chamou a atenção da Justiça diante do risco de que ele crie um precedente para outros casos. Agora, ao ser julgado na instância suprema do Judiciário italiano, o caso do holandês pode influenciar uma decisão também sobre o bandido petista mensaleiro foragido Henrique Pizzolato. O Ministério Público italiano vai defender a tese de que não se pode generalizar a situação das prisões e tentará dar provas de que o destino que será dado ao holandês não ofereceria um risco. Não por acaso, o governo brasileiro enviou para Roma o chefe de gabinete da Procuradoria-Geral de Justiça, Eduardo Pelella, além de representantes da Justiça do Espírito Santo e da Advocacia Geral da União (AGU), Marconi Melo. Segundo Melo, o Brasil indicou aos italianos que o holandês ficará preso na penitenciária de Cachoeiro de Itapemirim (ES), onde sua proteção seria preservada. "Não podemos generalizar a situação das prisões", indicou Melo. Ele admite que uma decisão rejeitando a extradição pode mandar "uma mensagem errada" aos criminosos. "É como se dissessem a todos que podem cometer crimes no Brasil e depois fugir para a Itália que nada vai ocorrer", alegou. Pizzolato e seus advogados também acompanharão a decisão de perto. A audiência da Corte de Roma sobre o ex-diretor do Banco do Brasil está marcada para o dia 11 de fevereiro e o Brasil vai argumentar que Pizzolato será enviado a uma prisão que não oferece riscos à vida do condenado, como o Complexo da Papuda.

Governador do Rio de Janeiro discutirá o racionamento de água com a petista Dilma na quarta-feira

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), terá uma reunião com a presidente petista Dilma Rousseff na próxima quarta-feira, 28, em Brasília, para discutir a crise hídrica que atinge a região Sudeste e o racionamento de água. Pezão quer discutir com o governo federal ações para o reflorestamento das margens do rio Paraíba do Sul, que abastece a região metropolitana do Rio de Janeiro, e obras de saneamento em municípios da Baixada Fluminense. Na sexta-feira passada, o governo federal incluiu na lista de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) a transposição de água da bacia do Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo. A obra será feita para aumentar a capacidade hídrica do Cantareira e custará R$ 830,5 milhões. Na quarta-feira, 21, o nível do reservatório de Paraibuna, o maior dos quatro que abastecem o Estado do Rio de Janeiro, chegou a zero, o que tornou necessário o uso do volume morto (não operacional). "Temos uma série de questões a tratar", disse o governador sobre o encontro com a petista Dilma. Pezão vai intensificar a campanha para economia e uso racional da água (o nome disso é racionamento), mas diz que não há necessidade de racionamento ou de sobretaxar o consumo excessivo. "O que os técnicos me dizem é que ainda não chegamos nesse ponto de racionamento", afirmou Pezão.

Seca já atinge 5 das 10 maiores regiões metropolitanas do País

Racionamento, problemas de abastecimento ou reservatórios em níveis de alerta já são realidade em cinco das dez maiores regiões metropolitanas do país: as de Belo Horizonte, Campinas, Recife, Rio e São Paulo. Juntas, elas abrigam 48 milhões de pessoas, quase um quarto da população do País. Na Grande São Paulo, os principais reservatórios se esgotarão em cerca de cinco meses caso seja mantido o ritmo de chuvas e consumo das primeiras três semanas do ano. Diante da situação, o Estado instituiu uma sobretaxa sobre o aumento de consumo, e o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, admitiu a possibilidade de racionamento "se continuar a não chover nos lugares certos e nas quantidades necessárias". Na região de Campinas (interior de SP), cinco municípios já fazem racionamento e outros enfrentam cortes de água frequentes desde 2014. A situação deve se agravar. Nesta semana, a vazão dos reservatórios do sistema Cantareira para a região foi ainda mais reduzida. Empresas de saneamento, indústrias e agricultores terão de reduzir a captação de 20% a 30% quando a vazão dos rios cair. Em Pernambuco, segundo o governo do Estado, 40% da região metropolitana do Recife enfrenta rodízio no abastecimento de água, incluindo cidades como Olinda, a menos de um mês do Carnaval. No Rio de Janeiro, o principal reservatório atingiu pela primeira vez o volume morto. Cidades do interior, por enquanto, são as mais afetadas pela seca, mas já há relatos de problemas na capital fluminense e em municípios na região metropolitana. Em bairros como Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste carioca, tem havido falta de água pontual, e alguns hotéis e condomínios já contratam caminhões-pipa. A Cedae, a companhia de águas e esgoto do Rio de Janeiro, afirma que nenhum dos bairros da capital tem registrado problemas de abastecimento. Na Baixada Fluminense, moradores relatam que a frequência com que falta água na região aumentou nos últimos meses do ano passado. Minas Gerais também enfrenta problemas, com reservatórios em nível crítico. Nesta semana, a companhia de saneamento do Estado pediu economia à população e anunciou que será preciso reduzir o consumo em 30% na região metropolitana para que as torneiras não sequem em quatro meses. Não está descartada sobretaxa sobre aumento de consumo.

Nível do Cantareira cai pelo 14º dia consecutivo

Vista represa do rio Atibainha, na cidade de Nazaré Paulista

O nível de água do sistema Cantareira voltou a cair neste domingo, pelo 14º dia consecutivo. Responsável por abastecer 6,2 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo, o Cantareira chegou a 5,1% de sua capacidade de armazenamento, o que representa uma queda de 0,1 ponto porcentual em relação aos 5,2% de sábado. Os dados são publicados diariamente pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O sistema Cantareira foi o único a apresentar queda de sábado para domingo. Os sistemas Alto Tietê e Alto Cotia registraram estabilidade, e os sistemas Guarapiranga, Rio Grande e Rio Claro terminaram o dia com elevação no nível de água acumulada. O volume de chuvas no sistema Cantareira, entre a medição de sábado e o dado publicada na manhã deste domingo, atingiu 5,3 milímetros (mm). Desde o início do ano, a chuva acumulada no Cantareira está em 96,1 mm, o que representa apenas 35,4% da média histórica para o mês de janeiro. Desde o início deste ano, o nível de água do sistema Cantareira já caiu mais de dois pontos porcentuais - estava em 7,2% da capacidade no último dia de 2014. O cálculo feito pela Sabesp para aferir a capacidade do manancial já considera duas cotas do volume morto, a primeira de 182,5 bilhões de litros e a segunda de 105 bilhões de livros, que passaram a ser bombeadas em maio e outubro, respectivamente. O volume de água armazenada nos sistemas Alto Tietê e Alto Cotia ficou estável na passagem de sábado para domingo. No Tietê, o indicador permaneceu em 10,4% da capacidade, após o acumulo de 2,6 mm de chuvas. No mês, as chuvas atingiram 64,6 mm, ou 25,7% da média histórica para janeiro. O atual cálculo da Sabesp para o reservatório, responsável por atender 4,5 milhões de pessoas, considera os 39,4 bilhões de litros de água de volume morto, acrescentados no final do ano passado. No Alto Cotia, o menor dos mananciais com abastecimento para 410 mil habitantes, o indicador permaneceu em 28,6% da capacidade, apesar de chuvas de apenas 0,2 mm. Desde o início do mês, as chuvas na região já acumularam 71 mm, ou 30,6% da média histórica. As boas notícias do dia vieram do sistema Guarapiranga, que atende 4,9 milhões de pessoas e tem sido utilizado como um auxiliar ao Cantareira no atendimento de diversas regiões de São Paulo, e do Rio Grande. Os reservatórios do Guarapiranga iniciaram o domingo com 41,1% da capacidade de armazenamento, o que representa uma elevação de 1,7 ponto porcentual em relação à marca do sábado. A elevação é explicada pela chuva de 2 mm na região no último dia. Desde o início de janeiro as chuvas no Guarapiranga alcançaram 154,8 mm, o equivalente a 67,5% da média histórica para meses de janeiro. No sistema Rio Grande, o indicador cresceu de 71,7% para 73% da capacidade entre o sábado e o domingo. A variação de 1,3 ponto porcentual reflete as chuvas de 5,6 mm que atingiram a região no último dia. Desde o início do ano a região já recebeu 191,4 mm, ou 76,% da média história para o período. O terceiro reservatório a apresentar elevação ontem foi o Rio Claro, cuja capacidade subiu 0,2 pontos porcentuais no dia e chegou a 27,3% neste domingo. A região recebeu 0,2 mm no último dia e 154,9 mm desde o início do mês. O volume representa 51,8% da média histórica para o mês de janeiro.

Ex-ministro José Goldemberg diz que Brasil está vulnerável, importando energia


O apagão de energia que deixou onze Estados e o Distrito Federal no escuro na última segunda-feira escancarou a vulnerabilidade do sistema energético brasileiro. Anos atrás, o Brasil já foi citado como exemplo de País com a matriz energética limpa e um sistema estável. Contudo, hoje o que se vê é um País bem mais vulnerável às intempéries climáticas, sendo obrigado a buscar, lá fora, alternativas para garantir seu abastecimento. Na última semana, o País recorreu à Argentina para comprar energia, pela primeira vez em quatro anos. No total, foram importados 2.000 Megawatt-hora (MWh) na modalidade "emergencial", ou seja, para suprir a demanda que não conseguiu ser atendida pela geração nacional. Para o ex-ministro José Goldemberg, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP (IEE/USP), trata-se de uma "medida extrema", que revela a gravidade da crise energética no País. "Apelar para o fornecimento da Argentina, que também tem seus próprios problemas, só aumenta a vulnerabilidade do nosso sistema", afirmou ele. Segundo ele, esta foi uma opção "fácil", mas está longe de ser uma medida sustentável. "A solução passa pelo aumento da produção de energia elétrica no nosso próprio País, e também pela adoção de medidas que racionalizem consumo de energia", sugeriu. Ou seja, medidas de racionamento. Goldemberg reitera que o sistema energético brasileiro está no limite, já com todas as hidrelétricas e térmicas disponíveis ligadas. "Ou seja, não temos reserva e não podemos nos dar ao luxo de ter um aumento de demanda", alertou. Na segunda-feira, o ONS determinou que distribuidoras cortassem em 5% a sua disponibilidade de energia no horário de pico de consumo (entre 15 e 16 horas) para evitar que a rede elétrica nacional entrasse em colapso. O especialista acrescenta que situações como essa podem voltar a se repetir. "E, provavelmente, quando acontecer de novo, não será mais preventivo, mas um racionamento regular", diz. Como alternativas para amenizar o problema, no curto prazo, Goldemberg é enfático: a única saída é a redução do consumo, o racionamento. Para isso, em vez de apelar para São Pedro, como fez recentemente o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, o especialista sugere uma maior conscientização sobre o uso racional de energia. Segundo ele, o governo quer desviar o foco da questão, por ser um gargalo muito associado à gestão Fernando Henrique Cardoso, que enfrentou o racionamento de 2001. "O problema é que Dilma caiu exatamente na mesma situação, por não ter tomado as medidas suficientes para evitá-la", ponderou. A médio e longo prazos, o ideal seria o investimento em fontes de energia renováveis, especialmente em hidrelétricas com reservatórios, e também em energia eólica e produzida a partir de biomassa. Leia a entrevista de Godemberg: 
- O apagão que o País sofreu na segunda-feira é um sinal de que o Brasil já vive um regime de racionamento forçado? 
- O que houve foi um racionamento preventivo. Não é um apagão propriamente dito, mas ainda é um racionamento. Um apagão ocorre quando existe uma sobrecarga nas linhas e o sistema energético desliga automaticamente, deixando todos no escuro. Desta vez, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) adotou um método de racionamento preventivo em regiões específicas. O objetivo foi o de proteger o sistema, já que houve um problema sério de suprimento de energia. Com isso, a entidade evitou um mal maior, como um blecaute nacional. 
- Corremos o risco de enfrentar situações como essa ao longo deste ano? 
- Sim, nada garante que isso não voltará a se repetir. E, provavelmente, quando acontecer de novo, não será mais preventivo, mas um racionamento regular. O motivo principal é muito simples: a quantidade atual de energia elétrica gerada pelo conjunto de usinas – hidrelétricas e térmicas – é muito próxima ao valor do consumo. Não há folga nenhuma entre oferta e demanda. Prova disso foi o que houve na segunda-feira: bastou uma sobrecarga, motivada pelo aumento do uso de refrigeradores devido ao calor, para colocar todo o sistema em risco.
- Importar energia, como o Brasil fez ao comprar energia da Argentina esta semana, é uma alternativa viável? 
- É uma medida extrema. O País não pode ficar dependente da compra de energia de vizinhos, nos quais os próprios sistemas elétricos também têm problemas. O fato de o governo ter recorrido a esta alternativa revela a gravidade da situação. Apelar para o fornecimento da Argentina, que também tem seus próprios problemas, só aumenta a vulnerabilidade do nosso sistema. É uma medida que foi fácil de utilizar, mas a solução não é por aí. Ela passa pelo aumento da produção de energia elétrica no nosso próprio País, e também pela adoção de medidas que racionalizem o consumo de energia.
- Falta uma comunicação mais clara – e responsável – por parte do governo em relação à gravidade do problema? 
- Seguramente. Basta ver que disse o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, quando foi questionado sobre o assunto. Ele afirmou que “Deus é brasileiro” e que, por isso, deve chover no País. Culpar São Pedro é inútil. A razão pela qual eu acredito que o governo toma essa atitude “olímpica”, de minimizar a gravidade da situação, é porque há um problema psicológico. O governo atual quer mostrar que sua posição é diferente da do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC). Esse (energia) foi um tema muito explorado em campanhas eleitorais e o "quase-racionamento" do FHC é mostrado sempre como algo extremamente negativo, que revelou a falha de planejamento da gestão tucana. O problema é que Dilma caiu exatamente na mesma situação, por não ter tomado as medidas suficientes para evitá-la. Ao apelar para a população, o governo FHC conseguiu evitar um mal menor. O “quase-racionamento” de 2001 foi passageiro e o alerta do governo funcionou. Na contramão, o ministro Eduardo Braga garantiu que não haverá racionamento em 2015. Não só não é verdade, como já houve, ainda que preventivo. É preciso uma posição corajosa do governo em explicar à população, e também para o movimento ambientalista, que há escolhas a fazer. Argumenta-se sempre que a construção de Belo Monte afetou até 50 mil pessoas que moram na região do Rio Xingu, o que é verdade. Por outro lado, deve-se considerar que há 5 milhões de pessoas que serão beneficiadas pela energia gerada por essa usina. 
- A situação que temos hoje é muito diferente do apagão de 2001? Por quê? 
- Não, são momentos parecidos. Atualmente, os reservatórios das hidrelétricas estão com menos água do que em 2001. Sob esse aspecto, o quadro é mais grave do que há 14 anos. Desde aquele ano, o governo acionou uma grande quantidade de usinas térmicas, que queimam gás, diesel ou carvão, para produzir energia – a um custo maior. E graças a isso que o sistema energético conseguiu resistir até hoje. O perigo que enfrentamos é que esta opção também está esgotada. Ou seja, no momento todas as hidrelétricas e térmicas do País estão funcionando. Não temos mais reserva e não podemos nos dar ao luxo de ter um aumento de demanda. Não há um sistema que funcione bem que não tenha uma folga de 5% a 10%, o que já não temos no País. 
- O que poderia ser feito para amenizar a situação no curto prazo? 
- A única alternativa é reduzir a demanda. Isso pode ser feito por meio de um apelo da Presidência, como em 2001, ou utilizando o método que o governo de São Paulo usou para a água – dar desconto para quem reduz o consumo e multar quem aumenta. Na realidade, há uma certa ‘gordura’ no sistema, ou seja, muitas pessoas tem duas ou três geladeiras, três ou quatros TVs. Então, é preciso engajar a população, mostrando a seriedade do problema. Por meio de um programa conscientização deve ser implementando um programa de contenção do consumo.
- E a médio e longo prazo, o que poderia ser feito?
- Produzir mais energia sem criar novos problemas. A opção para isso é investir em energias renováveis, e diminuir a dependência da produção de energia a partir de petróleo e de gás natural, cujos preços flutuam de uma maneira absolutamente imprevisível e fora do controle do Brasil. O primeiro investimento deveria ser feito em hidrelétricas com caixas d’água, que é a melhor opção, menos poluente e mais barata. O governo até tentou ampliar o sistema hidrelétrico nacional e acabou entrando no problema de Belo Monte, em que teve todo o desgaste possível para terminar fazendo uma usina sem caixa d’água. Pelo desgaste sofrido, ele deveria ter pelo menos feito uma usina que tivesse reservatório. Vale lembrar que no Brasil, o tamanho dos reservatórios deixou de acompanhar o crescimento da produção de energia elétrica há cerca de 20 anos, ou seja, não é um problema recente. Mas isso precisa ser revisitado. Quando for fazer hidrelétricas, então que sejam feitas com reservatórios. Esta é a primeira das ações, pois com hidrelétricas é possível produzir grandes quantidades de energia. Outras fontes que destaco são a energia eólica e produzida a partir da biomassa. No caso da eólica, o governo até tem um programa razoável na Bahia e em outros Estados do Nordeste e do Norte. Mas há sempre problemas de administração, que são uma praga aqui no Brasil. Houve casos, por exemplo, em que o parque eólico foi construído e as linhas de transmissão não foram. E aí não tem como a energia ser transportadas para os grandes centros de consumo. Já em relação à biomassa, ela é viável pois há uma quantidade muito grande de bagaço resultante da produção de açúcar e álcool. As usinas modernas, instaladas em 2009 e 2010, já fazem isso muito bem, com tecnologias modernas. Mas as velhas usinas ainda queimam o bagaço com equipamentos muito ineficientes. Então, uma modernização no equipamento que gera energia usando bagaço seria algo que poderia contribuir efetivamente para atenuar o problema a médio prazo.
- O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse que a Petrobras irá adicionar mais térmicas ao sistema. Quais as implicações disso? 
Poderia aumentar o consumo de gás natural, quando usada essa fonte, o que implicaria em um aumento de custos. Sem falar dos problemas de aquecimento global, que, naturalmente, ninguém quer falar. Já houve uma "carbonização" da matriz energética brasileira nos últimos anos. Se há algo que caracteriza o sistema elétrico brasileiro desde 2002 é que ele foi fortemente carbonizado, no sentido de aumentar a emissão de gás carbônico (CO²). O governo não parece muito sensível a problemas resultantes do aquecimento global, mas tem muita gente que não tem a mesma posição. Logo, essa não é a melhor alternativa.
- Há algum país no mundo que passou por situação semelhante à nossa e superou-a? Como?
- Há vários que atravessam problemas bastante parecidos com os nossos, mas que não conseguiram superar. É o caso do Chile e da Colômbia. Ambos são países que poderiam ter parques hidrelétricos muito grandes, que acabaram não se desenvolvendo por falta de investimento e que, portanto, enfrentam faltas constantes de energia. Uma enorme quantidade de indústrias, comerciantes, prédios e apartamentos, instalaram um sistema a diesel de emergência. Então há cidades nesses países em que você anda pelas ruas principais e, de repente, se depara com equipamentos a diesel que são colocados, inclusive, na calçada. No caso do Chile há uma peculiaridade: os sistemas norte e sul do país não são interligados – às vezes chove em um, mas não no outro, o que acaba causando faltas de energia permanente. O Brasil é um dos poucos países que poderia superar essa crise, expandindo suas hidrelétricas.

Morreu a grande diva do teatro brasileiro, Maria Della Costa

Maria Della Costa no hotel que tinha em Paraty (RJ)

A atriz Maria Della Costa, um dos nomes mais importantes do teatro brasileiro, morreu neste sábado no Rio de Janeiro, aos 89 anos. Ela sofria de um edema pulmonar e passou mal em casa. Levada ao Hospital Samaritano, em Botafogo, não resistiu. Era considerada uma modernizadora do teatro no Brasil, sobretudo por ter encenado grandes dramaturgos pela primeira vez no País. Desde a juventude, a beleza foi uma de sua marcas. Modelo fotográfica, trabalhou para casas de moda e o Cassino Copacabana, no Rio de Janeiro, antes de migrar para o teatro a convite de Bibi Ferreira, que a contratou para uma montagem de "A Moreninha". Chamada Gentile Maria Marchioro em sua certidão de nascimento (no Rio Grande do Sul), Maria Della Costa iniciou em 1944 sua carreira de atriz, que incluiu montagens de textos de Jean-Paul Sartre, Maximo Gorki, William Shakespeare, Arthur Miller, Tennessee Williams, Nelson Rodrigues e Bertold Brecht – muitos, como o americano Miller, até então eram inéditos no País. 


Com Sandro Polloni, seu segundo marido, ela fundou em 1948, no Rio de Janeiro, o Teatro Popular de Arte. Mais tarde, ele daria origem à Companhia Maria Della Costa em São Paulo, que se tornou uma referência de artes cênicas no Brasil. Foi no teatro que também carregava seu nome que o País conheceu um dos maiores encenadores do teatro nacional, o italiano Gianni Ratto. Seu papel como grande realizadora teatral incluiu a descoberta de grandes talentos, tanto intérpretes – como Fernanda Montenegro, Ney Latorraca e Sérgio Britto – quanto diretores – caso de Flavio Rangel. Apesar de uma vida indissociável ao teatro, Maria Della Costa também teve papéis marcantes na TV, nas novelas "Beto Rockfeller" e "Estúpido Cupido". Nos seus últimos anos, ela se mudou para Paraty (RJ), cidade da qual se tornou divulgadora e onde foi proprietária, até 2011, do Hotel Coxixo. Viúva, Maria Della Costa não teve filhos.