quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Polícia Federal encerra tomada de depoimentos de vítimas no Rio Grande do Sul do assalto petralha às verbas do Pronaf.

A Polícia Federal terminou de ouvir em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, os depoimentos dos envolvidos em um esquema que desviou mais de R$ 80 milhões do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar do governo federal (Pronaf) no Rio Grande do Sul. Mais de seis mil produtores da região foram prejudicados. A fraude começou a ser investigada pela Polícia Federal em 2012. Os trabalhadores faziam o financiamento através do Pronaf, utilizando a Associação Santa-Cruzense dos Agricultores e Camponeses (Aspac) para intermediar a ação em duas agências do Banco do Brasil na região. Parte dos financiamentos liberados era desviada para contas pessoais de membros da Aspac e do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), indicam as apurações. A situação fazia os produtores assumirem as dívidas. Em 60 dias, a polícia deve concluir o inquérito. Em seguida, o Ministério Público Federal decidirá se os envolvidos serão denunciados à Justiça. Na quarta-feira (4), dois gerentes de agências do Banco do Brasil confirmaram que os empréstimos eram liberados sem o conhecimento dos agricultores. Apontado como um dos principais articuladores da fraude, o vereador do PT, Wilson Rabuske, que também é coordenador da Associação de Pequenos Agricultores Camponeses de Santa Cruz (Aspac), negou as acusações e disse que o dinheiro do empréstimo de um agricultor era usado para ajudar outro produtor endividado. O processo corre em segredo de justiça e tramita no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. O Tribunal de Contas da União e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) também investigam a fraude. Mas, sabem como é, o Ministério do Desenvolvimento Agrário é só uma sucursal da organização terrorista clandestina MST, e era comandado pelo petista trotskista gaúcho Miguel Rossetto, hoje na Secretaria Geral da República. O esquema começou a ser investigado depois das queixas dos pequenos agricultores. Mais de seis mil foram prejudicados. Documentos do inquérito policial mostram que a fraude era comandada pelo coordenador do MPA, Wilson Rabuske, que também é vereador de Santa Cruz do Sul pelo PT. No total, o desvio para as contas dele e da mulher chegariam a mais de R$ 1 milhão. "Foram feitos pagamentos pela minha conta pessoal, quando a associação não tinha disponibilidade, inclusive do uso de talões de cheques para nós honrarmos compromissos, nós usávamos a conta pessoal. E esses valores foram para isso", disse o inocente e muito probo petista. A transcrição das escutas telefônicas autorizadas pela Justiça também indica a participação do vereador Maikel Ismael Raenke, do PT de Sinimbu, e do deputado federal Elvino Bohn Gass, do PT. Como o deputado tem foro privilegiado, o inquérito foi enviado para o Supremo Tribunal Federal, que determinou o arquivamento da investigação contra Bohn Gass. A decisão é do ministro Teori Zavascki, relator do caso, e atende a um pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O ministro determinou também que o inquérito retorne para a 7ª Vara da Justiça Federal de Porto Alegre. No documento em que requer o arquivamento, o procurador afirma que o vazamento de informações na imprensa da investigação que corria em segredo de Justiça tornou impossível a busca de provas contra o deputado, com a interceptação telefônica e busca e apreensão. Em depoimentos, agricultores disseram que assinaram documentos em branco, ou muitas vezes não liam o que estava escrito. O inquérito da polícia ainda aponta para 134 casos de suicídios ocorridos na região nos últimos anos. Ao cruzar esses dados com as informações de vítimas da fraude, foi constatado que 10 agricultores que morreram foram enganados e estavam endividados.

Ciclone extratropical atinge a Região Sul do País neste final de semana


As informações a seguir são de hoje da MetSul: A MetSul Meteorologia destaca que enorme ciclone vai se formar no Atlântico Sul junto à costa do Sul do Brasil no final desta semana, conforme as projeções dos principais modelos internacionais de previsão do tempo. Um centro de baixa pressão em médios e altos níveis da atmosfera na costa do Sul do Brasil entrará em fase com outro centro de baixa, este em superfície e no litoral do Sudeste, no final desta quinta e na sexta, dando origem a um ciclone. Conforme todas as projeções numéricas, o ciclone avançará para Sul a uma grande distância da costa e se intensificará bastante à medida que a sua pressão central declina. De acordo com estas projeções este ciclone até oscilaria (wobble) um pouco para Oeste em direção ao continente na altura do Rio Grande do Sul. São esperadas alta incidência de raios em torno do centro do ciclone, o que não é a regra em sistemas extratropicais. Há de considerar o oceano muito quente na região com temperatura da superfície do mar em valores muito acima do normal na costa do Sul do Brasil com a atuação da Corrente do Brasil em áreas onde normalmente as águas estariam mais frias em razão da tradicional influência da Corrente dos Malvinas, o que pode levar a uma intensificação maior que a prevista pela parametragem dos modelos globais. O campo de vento muito intenso (rosca do ciclone) deverá permanecer pelos dados o tempo todo em alto mar, onde a navegação será muito perigosa entre sexta-feira e o domingo, mas se espera aumento da velocidade do vento na costa gaúcha entre amanhã e sábado. O mar ficará mais agitado e com ondas mais altas, não se descartando ressaca, no litoral do Rio Grande do Sul com ondas de até dois metros. No sábado, circulação de nuvens e umidade do sistema em alto mar pode induzir instabilidade no Leste gaúcho com a possibilidade de banda de nebulosidade ciclônica atingir a região continental. "Enfatiza-se que quaisquer comparações com eventos extremos do passado hoje são descabidas diante dos dados que neste momento se dispõe". Na noite desta quinta-feira na praia de Torres o vento já é muito forte e os moradores já estão preocupados com que potência este ciclone atingirá a costa gaúcha. No final de março de 2014 o Furacão Catarina (um ciclone tropical do Atlântico Sul) atingiu a costa da região Sul do Brasil. A tempestade alcançou ventos com velocidades de até 180 quilômetros por hora, definida como de categoria 2 na escala de furacões de Saffir-Simpson. O centro da tempestade atingiu a costa brasileira na altura entre as cidades de Passo de Torres e Balneário Gaivota. O Catarina destruiu cerca de 1 500 residências e danificou outras 40 mil casas. Os prejuízos econômicos atingiram mais de 400 milhões de dólares. 

Enfim, a natureza do jogo: o país assaltado por um partido político. Ou: Onde está Lula, o falastrão?

Aos poucos, as coisas começam a assumir a sua real natureza. O conteúdo do depoimento de Pedro Barusco, que veio a público, põe as coisas nos seus devidos termos. Até havia pouco, parecia que um grupo de empreiteiras malvadas havia se organizado para corromper agentes públicos antes probos, que caíram em tentação. Segundo Barusco afirmou à Justiça em novembro, João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, arrecadou em propina, entre 2003 e 2013, algo entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões. Não, senhores! Vaccari não é um homem de grandes ambições pessoais. Ele trabalha para uma máquina chamada PT. Desde sempre, afirmo neste blog que tratar o escândalo do Petrolão como mera formação de cartel de empreiteiras corresponde a ignorar a natureza do jogo. Um ente de razão, um partido, tomou de assalto o estado brasileiro. É possível que ladrões sem ideologia tenham se imiscuído no sistema, mas que não se perca de vista o principal: a safadeza alimentava e alimenta um projeto de poder. Segundo Barusco, 21 contratos para a construção de navios equipados com sondas, por exemplo,  orçados em US$ 22 bilhões, pagaram propina de 1%, assim distribuídos: dois terços para Vaccari (isto é, para o PT) e um terço dividido entre Paulo Roberto Costa e agentes da Sete Brasil. A Sete Brasil é a empresa criada para desenvolver os tais navios-sonda e garantir o chamado “conteúdo nacional” no setor. A empresa está à beira da insolvência. Dilma quer R$ 9 bilhões de dinheiro público para socorrê-la. Ontem, o presidente do PT, Rui Falcão, veio a público para defender essa política de “conteúdo nacional”, afirmando que as diretrizes da Petrobras não podem mudar. Ah, sim: Barusco foi diretor de operações da Sete entre 2011 e 2013. Por que eu tendo a resistir, senhores leitores, à tese do cartel de empreiteiras atuando na Petrobras? Porque isso embute a idéia de que a roubalheira se concentrava na estatal; porque sobra a sugestão de que meliantes morais incrustrados na empresa partiram para a delinquência. Que o tenham feito, não duvido. Mas será só ali? As mesmas empreiteiras que trabalham para a Petrobras atuam em outras áreas do governo. São elas, afinal de contas, que prestam os serviços na área de infraestrutura. Então será diferente nos outros setores da administração pública? A moralidade vigente na Petrobras não será a regra? E noto que a empresa dispõe de mecanismos de controle mais severos do que os das demais estatais e os dos ministérios. O Brasil está na pindaíba. Incompetência e ladroagem se juntaram contra os cofres públicos. E então cabe a pergunta: onde está Luiz Inácio Lula da Silva, aquele que recomendou que os petistas andassem, orgulhosos, de cabeça erguida? De cabeça erguida? Os agentes federais tiveram de pular o muro da casa de Vaccari para levá-lo para depor. Ele não abria a porta. Imagino a sua indignação. Talvez se perguntasse: “Mas, afinal, o Brasil é ou não é nosso?”. O “nosso”, claro!, quer dizer “deles”. Não é. Vamos ver se isso fica claro desta vez.  Por Reinaldo Azevedo

Sergio Machado deixa a Transpetro

O presidente da Transpetro, Sergio Machado, apresentou na tarde desta quinta-feira à direção da Petrobras seu pedido de renúncia do cargo. Por meio de um comunicado, ele se afastou do controle da subsidiária, posto que ocupava desde 2003, quando foi indicado pelo atual presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). A saída ocorre um dia depois da renúncia da presidente da estatal, Graça Foster, e mais cinco diretores. Machado foi citado no depoimento do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, como beneficiário do propinoduto montado para desviar recursos da estatal. Delator do Petrolão, Paulo Roberto Costa diz ter recebido das mãos do próprio Sergio Machado 500.000 reais em propina pela contratação de navios – Costa diz que recebeu porque se tratava de um negócio que precisava também do aval de sua diretoria. “A Transpetro tem alguns casos de repasse para políticos (…) Recebi uma parcela da Transpetro. Recebi, se eu não me engano, 500.000 reais. (Quem pagou) foi o presidente da Transpetro, Sergio Machado (…) Foi devido à contratação de alguns navios e essa contratação depois tinha que passar pela Diretoria de Abastecimento (…) Esse valor me foi entregue diretamente por ele (Sérgio Machado) no apartamento dele, no Rio de Janeiro”, disse Costa conforme revelou reportagem de VEJA em outubro. Ex-senador, Sérgio Machado é afilhado político do presidente do Senado, Renan Calheiros. Por causa do seu envolvimento, a presidente Dilma Rousseff já havia cogitado demiti-lo do cargo. Os peemedebistas, no entanto, impediram a exoneração, alegando que o mesmo tratamento fosse dado aos petistas também citados na Lava JatoQuando a declaração de Costa foi dada à Polícia Federal em depoimentos sobre o escândalo do Petrolão, a empresa de auditoria da estatal Pricewaterhouse Coopers (PwC) demonstrou constrangimento em validar o balanço financeiro da petroleira, já que, entre os principais executivos no comando da companhia, estava o presidente da Transpetro, denunciado na Lava Jato. A solução, então, foi afastar MachadoDe acordo com interlocutores, Machado havia decidido se manter afastado do cargo quando se deu conta de que as investigações sobre o escândalo de corrupção na Petrobras e possíveis desdobramentos em suas subsidiárias poderiam se arrastar “por anos”. Ele estava licenciado do cargo desde novembro do ano passado e havia renovado o afastamento por outras vezes, estando fora do controle da subsidiária por cerca de três meses. De Fortaleza, Sergio Machado encaminhou a carta de renúncia após a diretoria da Petrobras ter renunciado em massa. Ele nega ter participado de irregularidades. Então tá....

A nota de humor do PT

Caso o PT tenha de ser extinto por força da lei, o partido já tem um caminho: criar uma agência de humor. A legenda divulgou uma nota oficial sobre a acusação feita por Pedro Barusco. Leiam. Volto em seguida.

“A assessoria de imprensa do PT reitera que o partido recebe apenas doações legais e que são declaradas à Justiça Eleitoral. As novas declarações de um ex-gerente da Petrobras, divulgadas hoje, seguem a mesma linha de outras feitas em processos de “delação premiada” e que têm como principal característica a tentativa de envolver o partido em acusações, mas não apresentam provas ou sequer indícios de irregularidades e, portanto, não merecem crédito. Os acusadores serão obrigados a responder na Justiça pelas mentiras proferidas contra o PT.
Assessoria de imprensa do PT”
Retomo
Os companheiros poderiam ter ao menos a delicadeza de dizer que o PT só passou a receber doações legais a partir de 2005, não é mesmo? Ou será que os patriotas se esqueceram de que Delúbio Soares tentou se livrar da Justiça criminal alegando que a dinheirama do mensalão era “só” caixa dois de campanha? Quanto à questão das provas, convenham, é preciso dizer: cada coisa tem a sua hora, não é mesmo? Até agora, ninguém teve acesso às provas. Que a roubalheira aconteceu, aconteceu. Que Renato My Way Duque era homem do PT, isso era. Que João Vaccari Neto transitava nos corredores da Petrobras, idem. Que a ladroagem atingiu proporções inéditas, quem duvida? De resto, é isto mesmo: se o PT se sente agravado, tem mais de recorrer à Justiça. Por Reinaldo Azevedo

O presidente petista Rui Falcão dá uma de hilário e diz: "Não vamos deixar o estigma da corrupção pegar no PT". Ora, a corrupção é a segunda pele da organização criminosa

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, criticou a maneira como o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, foi conduzido nesta quinta-feira (5) pela Polícia Federal para prestar depoimento sobre eventuais doações feitas à legenda por empresas investigadas pela Operação Lava Jato. O petista afirmou que o episódio faz parte de uma campanha para desestabilizar a sigla e disse estranhar a coincidência do tesoureiro ter sido conduzido à sede da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo às vésperas do aniversário de 35 anos do PT. Segundo o dirigente da sigla, há uma tentativa de "criminalizar o partido" com denúncias falsas. "Não vamos deixar o estigma da corrupção pegar no PT", disse. O petista participou nesta quinta-feira (5) de encontro fechado com o comando estadual do PT de Minas Gerais. Na reunião, ele afirmou que o tesoureiro "é o único exposto" na Operação Lava Jato". Rui Falcão afirmou no encontro que a mídia, o judiciário e a oposição compõem um triângulo para prejudicar o partido. Ele conclamou o partido a se defender da oposição, afirmando que as empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato fizeram as grandes obras de Minas Gerais, estado que foi governado até o ano passado por um aliado do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Ele admitiu que o momento é delicado. "O cenário não é bom", reconheceu, segundo participantes da reunião. Antes de entrar na reunião, Falcão minimizou o impacto da operação da Polícia Federal no humor dos petistas. "Não há intranquilidade", afirmou, alegando que as acusações serão desmentidas pelos fatos. Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul, disse que existe uma "conspiração" em favor do impeachment. As pessoas não esqueceram que o peremptório petista "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso Genro escreveu artigo na Folha de S. Paulo logo no segundo mês do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, pedindo o impeachment do presidente. Agora ele experimenta um pouco do veneno ao qual está acostumado. 

Oposição cobra investigação de propina que teria sido recebida pelo PT

A oposição classificou nesta quinta-feira (5) de "estarrecedoras" as informações reveladas por Pedro José Barusco Filho, ex-gerente da Petrobras, que estima em até US$ 200 milhões o valor supostamente recebido pelo PT em propina retirada de contratos da estatal. Ao afirmarem que o "petrolão" é um dos maiores escândalos de corrupção já encontrados no mundo, líderes oposicionistas cobraram a investigação das denúncias. Presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) disse que os responsáveis pelos desvios na Petrobras têm que ser punidos. "É preciso que saibamos, de forma muito clara, quem foram os responsáveis por estes desvios, quem foram aqueles responsáveis por suas indicações e, em especial, quem foram os beneficiários desse esquema", afirmou. Em depoimento concedido em acordo de delação premiada, Barusco Filho estimou que o PT tenha recebido entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões entre 2003 e 2013 de propina retirada dos 90 maiores contratos da Petrobras, como o da refinaria Abreu e Lima, em construção em Pernambuco. Barusco afirmou que o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, teve "participação" no recebimento desse suborno. O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), ironizou a revelação feita por Barusco. "O PT, de tanto lavar dinheiro, está faltando água no Brasil. A crise é grave. Depois da eleição, foi revelado um dos maiores escândalos de corrupção do mundo", disse o tucano. Para o presidente do DEM, José Agripino Maia (RN), as denúncias são "gravíssimas", uma vez que envolvem o partido da presidente da República: "Um ex-gerente da Petrobras dizendo que foram desviados milhões de dólares e que o endereço era o PT, o partido que elegeu a presidente da República? Por isso que se diz que esse caso do petrolão é o maior caso de corrupção já investigado no mundo todo". Apesar das críticas ao PT, os oposicionistas foram cautelosos ao falarem sobre um eventual pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Agripino disse que ainda não há "todas as condições" para que o pedido de afastamento da presidente seja apresentado ao Congresso. "Você evolui para um pedido de impeachment na hora em que existem condições jurídicas, legais e políticas para isso. Essas condições estão se avolumando, mas ainda não se completaram", disse. Cunha Lima afirmou ser necessário aguardar o "desdobramentos das investigações" antes da oposição defender publicamente o impeachment da presidente.

Oposição protocola pedido de CPI do setor elétrico

Em meio a uma guerra de pedidos de criação de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), a oposição protocolou, nesta quinta-feira (5), requerimento na Câmara dos Deputados para a investigação das causas, consequências e responsáveis pela "desestruturação do setor elétrico a partir de 2004". Ao todo, governo e oposição já apresentaram oito pedidos de instalação de CPIs nos quatro primeiros dias de trabalho na Câmara. O presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), só autorizou até agora a criação da CPI para investigar irregularidades na Petrobras. A apuração começa depois do feriado de Carnaval. A oposição reuniu apoio de 176 dos 513 deputados para a CPI do setor elétrico. As assinaturas ainda serão conferidas – são exigidas pelo menos 171. Para a CPI ser viabilizada, será preciso ainda ter o chamado "fato determinado" que justifique a investigação. A justificativa para a CPI do setor elétrico são os apagões e a política para a definição das tarifas de energia. A ideia é constranger a presidente Dilma Rousseff, que foi ministra de Minas e Energia no governo Lula, considerada pelos oposicionistas "a principal gestora do setor nos últimos anos". A palavra final sobre a criação será de Cunha. O PMDB tem controlado o Ministério de Minas e Energia e tem forte influência nas estatais do setor nos últimos anos. A previsão é de que, se autorizada, a CPI terá um gasto de R$ 300 mil. Além das CPIs da Petrobras e do setor elétrico, foram protocolados pedidos para apurar: violência no País, violência contra jovens negros e pobres, pesquisas eleitorais e os resultados nas urnas, sistema carcerário, planos de saúde e cartel de próteses.

Banco Central terá pela primeira vez diretor vindo do mercado financeiro no governo Dilma

O Banco Central passará pela primeira dança de cadeiras desde o início do governo Dilma Rousseff, quando foi montada uma diretoria composta apenas por funcionários públicos de carreira. Sai Carlos Hamilton, que está na diretoria de Política Econômica desde março de 2010. Em seu lugar, ficará Luiz Awazu Pereira da Silva, que atualmente comanda duas diretorias, Assuntos Internacionais e Regulação. Para os dois postos que eram ocupados por Awazu foram indicados o economista Tony Volpon, atualmente diretor executivo da gestora de recursos japonesa Nomura Securities International, e Otávio Ribeiro Damaso, que hoje ocupa a chefia de gabinete e coordena a assessoria econômica do presidente do BC, Alexandre Tombini. Volpon é o primeiro economista vindo do mercado financeiro a ocupar uma cadeira na diretoria do Banco Central. Os diretores da instituição, junto com o presidente, formam o Copom (Comitê de Política Monetária), órgão responsável por definir, por exemplo, a taxa básica de juros. Desde o ano passado já se falava na saída de Hamilton que, segundo o Banco Central, deixa o cargo a pedido. Ele era visto pelo mercado como o diretor mais "hawkish", termo derivado da palavra "falcão" em inglês e que é usado para definir uma postura de maior preocupação com a inflação. Awazu, por outro lado, é considerado um dos diretores mais resistentes às decisões de aumento de juros.

Segundo o BC, os nomes dos dois novos diretores ainda terão de ser submetidos ao Senado Federal.

Operadores do Petrolão usavam contas no Exterior e dinheiro vivo, diz o corrupto delator petista Pedro Barusco

O dinheiro de propina recebida no Exterior pelo ex-gerente de engenharia da Petrobras, o corrupto petista delator Pedro José Barusco Filho, foi depositado por uma série de "operadores" de empreiteiras que mantinham contratos com a petroleira. Foi o que o próprio Barusco revelou em depoimentos, que vieram à tona nesta quinta-feira (5), prestados em acordo de delação premiada na Operação Lava Jato. Em seus depoimentos, Barusco mencionou diversas pessoas que, segundo ele, atuavam nos bastidores em nome das empreiteiras, acertavam pagamentos, ordenavam transferências ao Exterior e entregavam dinheiro em espécie em hotéis e casas no Rio de Janeiro. Cada "operador" agia em nome de uma empreiteira ou de um grupo de empreiteiras. Barusco disse ter recebido em propinas, entre 2003 e 2013, um total estimado entre US$ 40 e US$ 50 milhões. Segundo ele, 90% do total foi enviado ao Exterior e o restante foi entregue em espécie no Brasil. Segundo Barusco, um dos "operadores" –conforme nome divulgado em novembro passado –, era o consultor Shinko Nakandakari, de São Paulo. Em depoimento naquela ocasião, o empreiteiro Erton Fonseca, da Galvão Engenharia, afirmou ter pago R$ 5 milhões a Nakandakari, que dizia agir em nome da diretoria de Serviços da Petrobras, então comandada pelo petista Renato Duque, indicado pelo PT. Barusco diz que era amigo de Nakandakari: "Jantávamos juntos e já viajamos". O delator contou que "Shinko operacionalizava o pagamento de propinas por conta de contratos firmados entre a Galvão Engenharia, representada por Erton Fonseca, e a EIT Engenharia". O ex-gerente disse que os contratos de interesse de Shinko custaram à Petrobras cerca de R$ 2,6 bilhões, entre 2008 e 2013. "Shinko entregava pessoalmente o dinheiro em euros, reais ou dólares, sempre na quantia correspondente a aproximadamente R$ 100 mil, normalmente nos hotéis Everest, Sofitel e Ceasar Park, onde 'tomavam um drink ou jantavam'", descreveu Barusco. Relação de amizade semelhante Barusco mantinha com outro "operador", Atan Barbosa, descrito pelo ex-gerente como "empregado de carreira da Petrobras, já aposentado há mais de 15 anos". "De outubro de 2008 até abril de 2013, o declarante (Barusco) recebeu a título de propina a quantia de US$ 29 mil por mês em razão de contratos, de uma forma global, fora do modus operandi que envolvia o PT, Renato Duque e outros. (...) Waldir Carreiro é o presidente da Iesa Óleo e Gás e era o contato da empresa com Atan, mas o declarante só falava a respeito de propinas com Atan". O valor era depositado em uma das contas de Barusco, a Rhea Comercial Inc., no Banco Safra, na Suíça, "proveniente da conta da offshore Heatherley Business Ltd., mantida no banco Clariden Leu AG, em Zurique, controlada por Atan". Ainda conforme Barusco, Atan "atuou efetivamente como operador de propinas", em especial em torno de um contrato firmado "entre a Companhia Brasileira de Dragagem e a Petrobras, para locação do Estaleiro Inhaúma, no ano de 2009". A Iesa Óleo e Gás "é a dona da CBD; o contrato de locação do estaleiro era de R$ 4 milhões por mês, sendo que foi ajustada a divisão de pagamento de propinas em favor do declarante (Barusco) e Renato Duque". Nesse contrato o PT "não entrou na divisão". "Apesar disso, como Atan Barbosa já pagava mensalmente a quantia de US$ 29 mil acima referida, continuou pagando, não tendo havido um depósito específico relacionado ao contrato do Estaleiro Inhaúma", disse Barusco. César Oliveira, disse o delator, é "o dono da GDK e também agia como operador no pagamento de propinas". Segundo Barusco, "foram ajustados pagamentos de propinas sobre cinco contratos, (...) com algumas exceções, todos da área de Gás e Energia, no valor aproximado total de R$ 700 milhões". Luiz Eduardo Barbosa era funcionário da ABB (Asea Brown Boveri) e depois foi trabalhar com Julio Faerman na Faercon e na Oil Drive". Eram amigos. "Ele atuava como operador basicamente da Alusa (Engenharia), da Rolls Royce e da SBM; a SBM manteve três contratos com a Petrobras, no valor de US$ 1,4 bilhão, sendo que "Duque recebeu US$ 700 mil, o PT, US$ 300 mil e o declarante todo o resto, em torno de US$ 12 milhões". Outro "operador" citado por Barusco foi Milton Pascovitch, que "atuava como operador da empresa Engevix, cujo representante era Gerson Almada, presidente da empresa". Barusco "saía para jantar e almoçar com ele e também mantinha relacionamento familiar, frequentando sua casa e vice-versa", no Rio e em São Paulo. Segundo o ex-gerente, "a Engevix firmou sete contratos com a Petrobras sobre os quais houve pagamento de propinas". De um total de US$ 4 bilhões em contratos, Barusco afirma que recebeu "muito pouco": R$ 100 mil em dinheiro no Brasil, US$ 260 mil em uma conta em Genebra, na Suíça, na sua conta Aquarius Partners Inc., e outros US$ 250 mil em 17 de julho de 2013, provenientes da offshore Farallon Investing Ltd. Outro homem que, segundo Barusco, atuava em nome de empreiteiras era Mario Goes, que entregava "umas mochilas com alguns valores", que oscilavam de R$ 300 mil a R$ 400 mil, normalmente na sua própria casa na Estrada das Canoas, em São Conrado. Segundo Barusco, Goes atuava "como operador das empresas UTC, MPE, OAS, Mendes Júnior, Andrade Gutierrez, Schahin, Carioca e Bueno Engenharia para viabilizar o pagamento das propinas relativos aos contratos específicos junto à Petrobras; pagou parte pequena da propina em dinheiro no Brasil em favor do declarante". Barusco costumava guardar muito dinheiro na sua casa, em Joatinga, no Rio de Janeiro. Quando a Operação Lava Jato estourou, em março de 2014, Barusco disse que tinha em casa nada menos que R$ 3 milhões, que ele mandou retirar do esconderijo e depositar na Suíça. Barusco disse também à Polícia Federal ter elaborado planilhas relacionando os valores depositados em propina e os operadores de cada remessa. Os colaboradores eram identificados por siglas. O consultor Julio Faerman, outro "operador", segundo o ex-gerente, que atuava em nome da holandesa SBM, ganhou uma alcunha curiosa: "Batman", "porque ele andava sempre com Luiz Eduardo, e colocaram nos dois o apelido de Batman e Robin". Nakandakari e Milton Pascovitch foram ouvidos pela Polícia Federal nesta quinta-feira (5), em decorrência da nona fase da Lava Jato, deflagrada nesta manhã. 

O corrupto delator petista Pedro Barusco diz que seu diretor, o também petista Renato Duque, recebia propina na sede da Petrobras

O ex-diretor de Serviços da Petrobras, o petista Renato Duque, recebia propina dentro da sede da estatal, segundo declarações do corrupto delator petista Pedro Barusco, que era gerente dessa mesma área. Barusco disse no acordo de delação premiada que fez com procuradores da Operação Lava Jato que ele próprio entregou recursos de suborno a Duque dentro da estatal. O ex-gerente afirma que ele recebeu por Duque cerca de US$ 40 milhões entre 2003 e o fim de 2011 em contas no Exterior. Barusco relata que também recebia propinas em reais, pagas mensalmente entre 2005 e 2011, em valores que somam entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões. Ainda de acordo com Barusco, os montantes em reais eram entregues ao petista Renato Duque dentro da diretoria de Serviços. O ex-diretor de Serviços foi indicado ao cargo pelo ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu e ocupou o posto entre 2003 e 2011, nos governos de Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista, durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") e de Dilma Rousseff. O delator conta que havia vários caminhos para que o suborno chegasse aos diretores da Petrobras. Segundo ele, um dos operadores do suborno, Shinko Nakandakari, "entregava pessoalmente o dinheiro em euros, reais ou dólares, sempre na quantia correspondente a aproximadamente R$ 100 mil, normalmente nos hotéis Everest, Softel e Caesar Park, onde tomavam um drink ou jantavam". Ainda segundo ele, Shinko entregava a propina em nome de Galvão Engenharia, EIT e Contreiras. O delator afirmou que ia na casa de outro repassador de suborno, Mario Goes, para pegar "umas mochilas com valores", que variavam de R$ 300 mil a R$ 400 mil. Goes, afirmou, pagava propina em nome as seguintes empresas: UTC, MPE, OAS, Mendes Junior, Andrade Gutierrez, Schain, Carioca e Bueno Engenharia. Barusco disse que guardava o dinheiro em uma caixa em sua casa, "que era usado para pagamento de despesas pessoais e para fazer repasses a Renato Duque". De acordo com o ex-gerente, até presidentes de empreiteiras faziam pagamento de suborno sem usar intermediários. Ele cita o ex-presidente da Queiroz Galvão, Ildefonso Collares (que deixou o cargo há dois anos), como um dos que "agia diretamente como operador no pagamento de propinas". O dono da GDK, César Oliveira, também agia dessa forma, ainda de acordo com Barusco. Em 2005, a apuração sobre o Mensalão do PT descobriu que a GDK dera um jipe Land Rover, avaliado à época em cerca de R$ 70 mil, a Silvio Pereira, secretário-geral do PT naquela época. A empresa passa por dificuldades econômicas e está em recuperação judicial desde 2013. Duque foi preso por ordem do juiz federal Sergio Moro e solto por decisão do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, em 3 de dezembro do ano passado. Ele havia sido preso 19 dias antes, em 14 de novembro. Segundo o ministro, não havia nenhum fato concreto que justificasse a prisão de Duque. O fato de o ex-diretor da Petrobras ter contas ilegais no exterior não eram motivo suficiente para ficar detido, de acordo com o ministro. Na última semana sexta-feira (30), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deu um parecer favorável para que Duque seja preso novamente. O parecer com o novo pedido de prisão foi enviado ao ministro Teori Zavascki, responsável por julgar no Supremo as questões da Lava jato. O advogado do petista Duque, Renato Moraes, diz que seu cliente nega que tenha recebido qualquer recurso ilegal de Barusco ou de empresas contratadas pela Petrobras. "O Renato está indignado. Ele achou absurdas as referências feitas a ele na delação de Barusco. Percebo que há um direcionamento político nas delações para atingir o PT", afirma o advogado. Outro advogado que representa Duque, Alexandre Lopes, afirmou: "O senhor Pedro Barusco mentiu, no que tange a Renato Duque, em suas declarações. Pedro Barusco trouxe Renato Duque para o processo, realizando delação falaciosa, com a intenção de ser agraciado pela Justiça com um prêmio, que é o de permanecer em liberdade, apesar de ter confessado inúmeros crimes. Malgrado todas as suas assertivas, não apresentou ao Ministério Público Federal nenhuma prova contra Renato Duque, o que demonstra a fantasia das acusações". 

Aneel decide nesta sexta sobre alta de preço da energia para o consumidor

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) marcou para esta sexta-feira (6) uma reunião extraordinária para analisar as duas propostas que trarão aumento no preço da energia para o consumidor até março. A primeira trata dos critérios para a revisão extraordinária das tarifas, que tornará possível repassar ao consumidor todo o custo do setor elétrico deste ano, além da tarifa mais alta de Itaipu e da energia mais cara comprada em leilão de ajuste. A agência também vai discutir as mudanças no modelo das bandeiras tarifárias, que tornará esse repasse mensal mais alto para o consumidor nos meses em que ocorrerem muitos gastos extraordinários. Os dois casos demandam a realização de audiências públicas antes de sua aprovação. O ministro Eduardo Braga (Minas e Energia) disse nesta quinta-feira (5) que acredita em um reajuste inferior a 50% para as bandeiras tarifárias. O sistema, vigente desde janeiro, faz com que o consumidor pague mensalmente acréscimos em sua conta de luz caso o uso das usinas térmicas esteja sendo feito em larga escala no País, já que elas custam mais caro. Os preços adicionais estabelecidos são de R$ 3 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos, para a bandeira vermelha, e de R$ 1,50 a cada 100 kWh, para a bandeira amarela. Com todos os novos custos, o preço fixado para as bandeiras deve subir até março, segundo previsões da agência reguladora.

Conta de luz do comércio e indústria pode encarecer na parte da tarde

Por causa da mudança do horário de pico do consumo de energia elétrica no país, o governo estuda mudar a regra atual que encarece a conta de luz para comércio e indústria no fim da tarde. A idéia é que essa tarifa diferenciada seja aplicada durante a tarde. De acordo com o ministro Eduardo Braga (Minas e Energia) o tema está sendo estudado há três semanas pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e pela Secretaria de Energia do ministério. Até hoje, a indústria e o comércio, que são grandes consumidores de energia, tinham de lidar com preço diferenciado (mais caro) quando faziam uso de energia durante o horário de pico, que, em geral, ia das 18 horas às 21 horas. Com mudança no perfil de consumo e deslocamento do horário de pico para mais cedo, das 14 horas às 19 horas, o governo quer que essa tarifa mais cara também seja aplicada nesse intervalo. "O horário de pico até 2010 acontecia a partir das 18 horas. Você tinha no horário sazonal algumas usinas que eram despachadas pelos proprietários dessas usinas, mas esse horário veio para mais cedo", disse Eduardo Braga. "Então agora estamos ajustando a regulação para que a gente possa ampliar a nossa oferta de energia nesse período", afirmou. "Na realidade estamos pagando no horário errado. Isso vai mudar", acrescentou. O governo estima que a medida libere cerca de 8 mil megawatts de energia durante a tarde, o que desafogaria o setor, que enfrenta gargalos principalmente devido ao baixo nível de chuvas, que impede as usinas hidrelétricas de operarem conforme suas capacidades. A mudança ainda depende de uma regulamentação específica. Caso seja aprovada, a medida deve acabar forçando o grande consumidor de energia a usar geração própria (de seus geradores ou pequenas de usinas) durante o período da tarde.

O tremendo corrupto petista Pedro Barusco afirma que começou a receber propina da SBM Offshore em 1997

O ex-gerente da Petrobras, o tremendamente corrupto e delator petista Pedro Barusco afirmou à Polícia Federal que começou a receber propina da SBM Offshore em 1997, ainda durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Até agora, investigava-se o pagamento de suborno da empresa holandesa a funcionários da estatal no período de 2007 a 2011. Barusco contou ter aberto uma conta na Suíça no final da década de 90 para receber as remessas ilegais de dinheiro da SBM, que, segundo ele, totalizaram US$ 22 milhões até 2010. "Barusco afirma que começou a receber propina em 1997 ou 1998 da empresa holandesa SBM, enquanto ocupava cargo de gerente de tecnologia de instalações, no âmbito da diretoria de Exploração e Produção", diz o termo de delação premiada do ex-gerente. De acordo com o corrupto delator petista Pedro Barusco, a propina era paga por intermédio do representante da companhia holandesa no Brasil, Julio Faerman: "Sendo uma iniciativa que surgiu de ambos os lados e se tornou sistemática no segundo contrato (...) firmado entre a SBM e a Petrobras no ano 2000". Ele contou que recebia mensalmente de US$ 25 mil a US$ 50 mil, variando de acordo com o tamanho de cada contrato. O corrupto delator petista Barusco admitiu ainda que, na mesma época, recebeu suborno de outra empresa representada por Julio Faerman, a Progress, segundo o ex-gerente, contratada pela Transpetro, subsidiária da Petrobras. Ele não informou, porém, quanto foi pago.

Caderneta de poupança tem maior fuga de recursos já registrada pelo Banco Central

A caderneta de poupança teve em janeiro a maior perda de aplicações já registrada pelo Banco Central. Os saques superaram os depósitos em R$ 5,5 bilhões, maior saldo negativo da série histórica oficial, que começa em janeiro de 1995. O número é a diferença entre depósitos no valor de R$ 147,5 bilhões e retiradas de R$ 153,0 bilhões. Esses dois números são recordes para este mês do ano. O recorde anterior era um saldo negativo de R$ 3,8 bilhões em fevereiro de 2006. Janeiro é um mês que não tem uma tendência definida em relação à captação da poupança. Até 2006, prevaleceram resultados negativos neste período. Naquela época, no entanto, essa aplicação apresentava frequentemente saída de recursos, em qualquer mês do ano. A partir de 2007, os saldos positivos é que se tornaram comuns em praticamente todos os meses. Desde então, foram três resultados negativos e seis positivos para o primeiro mês do ano.

Seca em São Paulo pode prejudicar o abastecimento agrícola do País

O Ministério da Agricultura está finalizando um estudo para avaliar os impactos da seca no Sudeste na produção agrícola do país e tentar criar alternativas para evitar o desabastecimento. Segundo a ministra Kátia Abreu, não deve haver impactos na produção de grãos, mas há preocupação com a produção de verduras e legumes em São Paulo, que pode prejudicar o abastecimento desses alimentos no País. A informação foi anunciada pela ministra nesta quinta-feira (5). "Estamos levantando todo o estoque de alimentos da Conab, a previsão de chuva dos próximos três meses e vamos entregar para a presidente, até o final dessa semana, um mapa geral antecipado do que poderá faltar nos próximos meses, inclusive pensando no abastecimento e na inflação", afirmou. Segundo ela, uma das alternativas seria suprir as perdas em São Paulo por outras regiões que poderiam ser estimuladas, como os perímetros de irrigação no Nordeste. Além disso, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, as pastas vão investir na ampliação de um programa de incentivo à recuperação e preservação das matas ciliares, que contribuem para a absorção de água no solo e podem diminuir o problema da seca. 

Enfim, o peemedebista Sérgio Machado, homem de Renan Calheiros, pede demissão da Transpetro


O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, entregou sua carta de demissão ao conselho da subsidiária de transportes da Petrobras na tarde desta quinta-feira (5). A demissão definitiva ocorre um dia após a presidente da Petrobras, Graça Foster, e cinco diretores da Petrobras renunciarem aos cargos. Ele encaminhou a carta de demissão para Graça Foster, que é presidente do conselho da Transpetro. Apadrinhado de Renan Calheiros, Machado pediu licença do cargo em 3 de novembro por pressão da PwC, empresa que audita os balanços da Petrobras. Ele pediu prorrogação da licença em janeiro e esperou passar a eleição de Renan Calheiros no domingo para se demitir. Peemedebistas foram avisados da renúncia nesta segunda-feira (2). Machado manifestou a vontade de pedir demissão antes da eleição de Calheiros, mas foi convencido a permanecer até o final da disputa para não criar novos desgastes ao presidente do Senado. A carta de demissão estava prevista para esta terça-feira, mas, diante da situação de Graça Foster, ele resolveu adiar para esta quinta-feira. Segundo peemedebistas, a legenda não indicará o substituto. Cinco dos sete diretores da estatal não aceitaram o cronograma de troca definido pela presidente da República. Restou a Graça informar Dilma de que já não tinha condições de controlar os demais colegas de diretoria e que a mudança teria que ser antecipada para esta sexta-feira (6). Em comunicado ao mercado emitido na manhã desta quarta-feira (4), a empresa afirmou que o Conselho de Administração se reunirá na sexta para eleger a nova diretoria. Na terça-feira (3), Dilma e Graça se reuniram no Palácio do Planalto para discutir a situação da executiva. Graça apresentou as cartas de renúncia dos diretores, mas a presidente argumentou que precisava de tempo para achar substitutos. Ficou definida, então, a saída do grupo até o fim do mês, após a publicação do prejuízo decorrente de corrupção na estatal. Há quase um ano, a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, descobriu um esquema de desvios de recursos da estatal para beneficiar empresas e políticos. Desde então, a situação financeira da empresa só se agravou. A presidente, que até aqui jamais concordara com a renúncia de Graça, passou a considerar na semana passada a demissão da auxiliar. Acreditava que a amiga havia perdido as condições de conduzir a empresa durante sua maior crise. Dilma é defensora incondicional do caráter da auxiliar, e lamenta vê-la saindo mesmo sem ser acusada de irregularidades. Nos últimos dias, Graça começou apresentar sinais do desgaste emocional provocado por toda a situação vivida. À presidente lamentou muito o fato de seu prédio ter sido cercado por manifestantes, levando sua família a constrangimentos. Ela, entretanto, estava disposta a atender o último pedido da chefe de ficar por um pouco mais de tempo. Acabou surpreendida pela recusa dos demais diretores, que não quiseram prolongar ainda mais o que chamaram de processo de "fritura" nos cargos. Graça telefonou para Dilma na noite da terça-feira para informar da decisão colegiada. Dois diretores não assinaram a renúncia coletiva. José Eduardo Dutra, afastado por motivos de saúde, e o diretor de Governança, Risco e Conformidade da Petrobras, João Elek, recém-empossado no cargo. Dutra já havia manifestado seu desejo de deixar a diretoria após o recrudescimento das denúncias. A intenção da Petrobras era só informar sobre a renúncia coletiva na sexta-feira, mas o pedido de explicações feito pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários, a xerife do mercado financeiro) sobre reportagem da Folha informando que o Planalto já havia decidido pela substituição de Graça obrigou a diretoria a se pronunciar e a informar a decisão nesta quarta-feira. 

O petista Tarso Genro defende peremptóriamente que o PT investigue seu tesoureiro, João Vaccari Neto

O ex-ministro do governo Lula e ex-governador do Rio Grande do Sul, o peremptório petista e "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso Genro, defendeu nesta quinta-feira (5) que o PT avalie a permanência do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, na diretoria da sigla. Ele afirmou que o partido deve designar delegados para investigar se há indícios da participação do tesoureiro no esquema de corrupção na Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato. Nesse caso, Vaccari deveria ser afastado, disse. "Não há nada excepcional nisso. É uma obrigação", afirmou o peremptório Genro. O ex-ministro também afirmou, no entanto, que já há uma "tentativa de criminalizar" o PT. Cita como exemplo "uma ação coercitiva combinada com o aniversário do partido". "Há uma forte conspiração política para tentar a aventura do impeachment ou o bloqueio do governo da presidenta Dilma Rousseff", afirmou. Esse é o peremptório petista Tarso Genro. Segundo ele, o governo deve reagir. Integrantes da executiva do PT defendem um ato em defesa de Vaccari nesta sexta-feira (6), quando haverá um encontro em Belo Horizonte em homenagem aos 35 anos do PT. É, os corações valentes devem fazer isso mesmo. E também convidar os bandidos petistas mensaleiros José Dirceu, José Genoíno e João Paulo Cunha para o evento. Aí a quadrilha fica completa, ao lado do X9. Vaccari Neto foi levado a depor na Polícia Federal nesta quinta-feira em uma nova fase da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras. Com Vaccari, a polícia espera obter informações sobre doações ao partido por empresas que mantinham contrato com a Petrobras. "Nem sempre essas doações passam pelo caminho legal", afirmou o procurador Carlos Fernando Lima. Segundo o delegado Igor Romário de Paula, Vaccari foi conduzido para esclarecer o "pedido de doações legais e ilegais" ao PT, feito por ele tanto a pessoas que tinham contratos com a Petrobras quanto a quem não tinha. Vaccari chegou à sede da Superintendência da PF em São Paulo, na Lapa, por volta das 9h30 e deixou o local de táxi, às 12h30, acompanhado por um advogado. As informações sobre os pedidos partiram de colaboradores da investigação, como o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, que firmou acordo de colaboração premiada com a Justiça. Barusco disse, em depoimento, que o PT recebeu entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões entre 2003 e 2013 de propina retirada dos 90 maiores contratos da Petrobras, como o da refinaria Abreu e Lima, em construção em Pernambuco. Ele afirmou que o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, teve "participação" no recebimento desse suborno. Vaccari Neto, de acordo com ele, ficou, até março de 2013, com US$ 4,5 milhões. Ainda segundo ele, houve pagamentos até fevereiro do ano passado.

Procurador diz que o esquema de propina na BR Distribuidora funcionou até hoje

A nova frente de investigação da Operação Lava Jato, que apura o pagamento de propinas na BR Distribuidora pela empresa catarinense Arxo, funcionou "até a data de hoje", segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima. "Eu diria que vai até a data de hoje", afirmou o procurador, que integra a força-tarefa da operação responsável pela investigação de corrupção na Petrobras: "É muito recente". A BR Distribuidora é a subsidiária da Petrobras que atua na distribuição, comercialização e industrialização de produtos de petróleo e derivados, além de atividades de importação e exportação. Segundo a petroleira, a empresa tem mais de 7.000 postos de combustíveis – a maior rede do País. A Arxo, sediada em Piçarras (litoral norte de Santa Catarina), produz tanques para armazenamento de combustível, e era fornecedora da BR Distribuidora. Ela ainda tem contratos em andamento com a estatal. Segundo o procurador, a nona fase da Lava Jato, deflagrada nesta quinta-feira (5), começa a descobrir um amplo leque de empresas envolvidas em corrupção. "Saímos do núcleo empreiteiras. É muito mais variado do que isso", declarou Lima. Na sétima fase da Lava Jato, deflagrada em novembro, executivos de grandes empreiteiras do país foram presos. A investigação, que agora identificou 11 novos operadores do pagamento de propinas na Petrobras e na BR Distribuidora, mostrou um esquema de corrupção "muito vasto", de acordo com o procurador: "Não foram uma ou duas operações. São centenas de operações, das mais variadas". Dois dos executivos da Arxo foram presos temporariamente, sob suspeita de pagamento de propina à estatal. Os dois executivos já presos temporariamente são Gilson João Pereira, sócio e presidente da Arxo, e Sérgio Ambrósio Maçaneiro, um dos diretores da empresa. Eles deverão ser levados ainda hoje para Curitiba. Outro sócio da Arxo, João Gualberto Pereira Neto, que também tem mandado de prisão preventiva contra si, está nos Estados Unidos, e tem retorno aguardado ao Brasil ainda nesta quinta-feira. Um quarto mandado de prisão, contra um operador do esquema que vive no Rio de Janeiro, ainda não havia sido cumprido até a publicação desta reportagem. A expectativa, agora, é que outras empresas envolvidas no esquema procurem o Ministério Público Federal para prestar informações sobre o caso, comentou o procurador. 


Nesta nova fase da Lava Jato, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi levado à Polícia Federal para prestar depoimento. A polícia afirma que ele é um dos 11 novos operadores investigados por intermediar o pagamento de propina a agentes públicos das estatais. Com Vaccari, a polícia esperava obter informações sobre doações ao partido por empresas que mantinham contrato com a Petrobras. "Nem sempre essas doações passam pelo caminho legal", afirmou o procurador Carlos Fernando Lima. Segundo o delegado Igor Romário de Paula, Vaccari foi conduzido para esclarecer o "pedido de doações legais e ilegais" ao PT, feito por ele tanto a pessoas que tinham contratos com a Petrobras quanto a quem não tinha. Vaccari chegou à sede da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, na Lapa, por volta das 9h30 e deixou o local de táxi, às 12h30, acompanhado por um advogado. As informações sobre os pedidos partiram de colaboradores da investigação, como o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, que firmou acordo de colaboração premiada com a Justiça. Na delação, Barusco estima que o PT tenha recebido entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões entre 2003 e 2013 de propina retirada dos 90 maiores contratos da Petrobras. O delator disse que o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, teve "participação" no recebimento desse suborno e ficou, até março de 2013, com US$ 4,5 milhões. Ainda segundo ele, em outra fase, houve pagamentos até fevereiro do ano passado. O depoimento foi prestado no dia 20 de novembro último e veio à tona nesta quinta-feira. A grande dificuldade da Polícia Federal, agora, será identificar essas doações ilegais, feitas na maioria das vezes com dinheiro vivo, segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima. "Isso é muito difícil de rastrear. Essa verificação é que será feita a partir de hoje", afirmou. Além dos depoimentos dos colaboradores, a investigação ira atrás de extratos da movimentação bancária dos operadores e empresários envolvidos, além de registros de visitas para a entrega do dinheiro. "A prova, basicamente, será indiciária", afirma Santos Lima.

O trotskista petista Pepe Vargas diz que CPIs perderam protagonismo.... então, tá, só porque ele quer!!!!

Responsável pela articulação política entre o governo e o Congresso, o ministro trotskista petista Pepe Vargas (Relações Institucionais) afirmou nesta quinta-feira (5) que a recriação de novas CPIs para investigar corrupção na Petrobras não têm mais o mesmo protagonismo que tinham no passado e, por isso, podem ser irrelevantes na apuração das denúncias. Na avaliação do ministro, os órgãos públicos de investigação, como a Polícia Federal e o Ministério Público, tem conseguido "fazer um combate efetivo à corrupção e aos crimes contra a administração pública", o que não acontece com as CPIs. "O que eu sempre disse é que as CPIs, em função desse novo protagonismo dos órgãos que combatem a corrupção, as CPIs perderam o protagonismo que tinham no passado. Até porque as regras agora são diferentes. Uma pessoa pode chegar lá e pode ficar calada e não acontece nada", explicou Pepe Vargas. Na manhã desta quinta-feira, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)assinou o ato de criação de uma nova CPI na casa para investigar as irregularidades na Petrobras. O próximo passo será a indicação dos membros pelos partidos, seguida pelo agendamento da sessão de instalação da comissão. O governo é contrário a uma nova apuração sobre irregularidades na estatal porque acredita que isso poderia ampliar o desgaste da empresa e do Planalto, além de ainda servir de palco para a oposição. "Para nós, que queremos que seja investigada a corrupção, não temos problema algum com as investigações. O que acontece é que as CPIs tem servido mais como um instrumento de disputa política do que efetivamente fazer investigação", afirmou Pepe Vargas. Apesar dos esforços do governo para barrar a criação de comissões de investigações contra a Petrobras, 52 deputados da base governista viabilizaram o pedido para a criação da CPI. Ao todo, 182 deputados assinaram o requerimento. Para a comissão ser viabilizada, eram exigidas ao menos 171 assinaturas. Questionado sobre o apoio de deputados da base do governo, Pepe Vargas afirmou que "isso é uma prerrogativa e um direito de cada parlamentar". "Os partidos vão fazer suas indicações e as CPIs serão instaladas e o governo vai contribuir com o que for necessário para a CPI, sem problema nenhum", disse o ministro.

Presidente da Câmara assina criação de nova CPI para investigar Petrobras

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), assinou nesta quinta-feira (5) o ato de criação de uma nova CPI na casa para investigar as irregularidades na Petrobras. O próximo passo será a indicação dos membros pelos partidos, seguida pelo agendamento da sessão de instalação da comissão. A CPI terá 27 integrantes e será dominada pela base governista, que vive um momento delicado com o Palácio do Planalto, após ter imposto uma derrota histórica ao governo com a eleição de Eduardo Cunha. Os partidos que apoiaram a eleição de Cunha terão 11 vagas, sendo que neste grupo há partidos governistas e oposicionistas. O bloco do PT, que reúne PSD, PR e Pros, ficarão com oito vagas. PSDB, PSB, PPS e PV terão direito a seis indicações. O PDT, que não fez aliança para a disputa do comando da Casa, ficará com uma vaga. Há ainda uma vaga de rodízio reservada para partidos nanicos. O PMDB e o PT, as maiores bancadas, devem disputar o comando da CPI –sendo que cada um terá três vagas. O presidente da Câmara afirmou que o PMDB tem preferência para escolher entre a presidência e a relatoria da CPI. A relatoria é o cargo mais cobiçado porque dá o ritmo das investigações e tem a atribuição de apresentar o relatório final. Eduardo Cunha, no entanto, disse não acreditar em um novo embate entre PT e PMDB pela direção dos trabalhos. O peemedebista afirmou ainda que os partidos terão até a próxima semana para indicar os integrantes da comissão, que passará a funcionar depois do Carnaval. Questionado sobre a crítica do ministro Pepe Vargas (Relações Institucionais)de que as CPIs perderam protagonismo, Cunha evitou um embate, mas defendeu que há apoio partidário para a criação: "A crítica é dirigida aos 182 parlamentares que assinaram a CPI. Não é dirigida a mim". O governo é contrário a uma nova apuração sobre irregularidades na estatal, pois acredita que isso poderia ampliar o desgaste da empresa e do Planalto, além de ainda servir de palco para a oposição. Assistiu, porém, a 52 deputados governistas viabilizarem o pedido para a CPI, ao lado da oposição. Ao todo, 182 deputados assinaram o requerimento. Para a comissão ser viabilizada, são necessárias 171 assinaturas. 


A nova traição partiu de deputados de oito partidos com representantes no primeiro escalão da presidente Dilma Rousseff. Além dos oposicionistas, parlamentares do PDT (14), PSD (12), PMDB (10), PR (7), PP (5), PRB (2), PTB (1) e Pros (1) assinaram o requerimento. Nesta quarta-feira (4), Eduardo Cunha afirmou que a saída da diretoria da Petrobras, acertada para a sexta (6), era necessária para a empresa passar por "oxigenação", ganhar a credibilidade do mercado e sair das páginas policiais". O peemedebista disse ainda que a Petrobras é "um assunto hoje que precisa ser passado a limpo" e que a avaliação não se tratava especificamente da presidente da estatal, Graça Foster. "Não que se tenha nenhuma queixa ou culpa a ex-presidente Graça Foster, mas que ela (a estatal) precisava ter uma oxigenação para ganhar a credibilidade do mercado e sair das páginas policiais não há a menor dúvida", afirmou. A CPI tende a ser um dos assuntos discutidos na reunião que o deputado deve ter nesta quinta com Dilma, seu vice, Michel Temer (PMDB), e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Na eleição de Eduardo Cunha para o comando na Câmara, há consenso que dissidências no PR, PDT e PSD ajudaram a impor a derrota ao Planalto. Governistas dizem que o movimento em siglas da base foi motivado para pressionar o governo sobre demandas para indicação de aliados em cargos do segundo escalão. 

Papa Francisco pede que bispos denunciem casos de pedofilia na Igreja

O papa Francisco pediu aos sacerdotes, aos bispos e às dioceses que zelem pela segurança de crianças e adolescentes e que investiguem e denunciem todos os casos de pedofilia cometidos por sacerdotes. Em carta enviada aos presidentes das Conferências Episcopais na última segunda-feira (2) e divulgada pela Santa Sé nesta quinta-feira (5), o pontífice disse que cabe ao bispo e superiores a tarefa de garantir a segurança de jovens e adultos vulneráveis.
 

Ele pede ainda que sejam criados programas de assistência pastoral a vítimas de pedofilia e abuso sexual, que podem contar com atendimento psicológico e espiritual às potenciais vítimas. "As famílias devem saber que a Igreja Católica não mede esforços para proteger seus filhos e têm o direito de se dirigir a ela em plena confiança, porque é uma casa segura", disse: "Portanto, não se poderá dar prioridade a nenhum outro tipo de consideração, da natureza que seja como, por exemplo, pelo desejo de evitar um escândalo, porque não há lugar no ministério para os que abusam de menores". Por fim, Francisco pediu a colaboração dos sacerdotes para que todos os casos reportados de abuso sexual sejam enviados à comissão criada por ele em 2013 para avaliar os casos de pedofilia.

Tesoureiro do PT é levado à Polícia Federal para prestar informações sobre as "doações" feitas pelos propineiros ao PT


O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi levado a depor na Polícia Federal nesta quinta-feira (5) em uma nova fase da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras. Com Vaccari, a polícia espera obter informações sobre doações ao partido por empresas que mantinham contrato com a Petrobras. "Nem sempre essas doações passam pelo caminho legal", afirmou o procurador Carlos Fernando Lima. Segundo o delegado Igor Romário de Paula, Vaccari foi conduzido para esclarecer o "pedido de doações legais e ilegais" ao PT, feito por ele tanto a pessoas que tinham contratos com a Petrobras quanto a quem não tinha. Vaccari chegou à sede da Superintendência da PF em São Paulo, na Lapa, por volta das 9h30 e deixou o local de táxi, às 12h30, acompanhado por um advogado. As informações sobre os pedidos partiram de colaboradores da investigação, como o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, que firmou acordo de colaboração premiada com a Justiça. A grande dificuldade da Polícia Federal, agora, será identificar essas doações ilegais, feitas na maioria das vezes com dinheiro vivo, segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima. "Isso é muito difícil de rastrear. Essa verificação é que será feita a partir de hoje", afirmou. Além dos depoimentos dos colaboradores, a investigação ira atrás de extratos da movimentação bancária dos operadores e empresários envolvidos, além de registros de visitas para a entrega do dinheiro. "A prova, basicamente, será indiciária", afirma Lima. Essa nona fase da Jato tem como foco o pagamento de propinas na diretoria de Serviços da Petrobras e na BR Distribuidora. A PF afirma que 11 novos operadores, que intermediavam o pagamento de propina a agentes públicos das estatais, foram identificados. "São pessoas que têm muita ligação com agentes públicos", declarou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que participa das investigações. Ele não quis dizer quais são os outros agentes envolvidos. Ao todo, há 25 empresas envolvidas, sediadas em São Paulo, Bahia, Santa Catarina e Rio de Janeiro – a maioria de fachada, de acordo com as investigações. "Esta fase é fruto da análise de documentos e contratos apreendidos anteriormente pela PF. Também contribuíram para esta nova etapa da operação as informações oriundas da colaboração de um dos investigados, além da denúncia apresentada por uma ex-funcionária de uma das empresas investigadas", informou a Polícia Federal. As empresas de fachada mantinham contratos envolvendo a diretoria de Serviços, comandada pelo ex-diretor Renato Duque, que já foi preso durante a Lava Jato. Não houve mandados contra ele. O outro núcleo da operação envolve a empresa Arxo, sediada em Piçarras, no litoral norte de Santa Catarina, que prestava serviços à BR Distribuidora. Ela produz tanques de combustível. Dois de seus executivos foram presos temporariamente, sob suspeita de pagamento de propina à estatal. No final do ano passado, a Arxo fechou um contrato no valor de R$ 85 milhões para produzir 80 CTAs (Caminhões Tanques de Abastecimento de Aeronaves) com o objetivo de equipar e renovar a frota da Petrobras Distribuidora. Um dos operadores do esquema, que vive no Rio de Janeiro, teve a prisão preventiva decretada. Esse operador, cujo nome não foi revelado, é o elo entre os dois núcleos da nona fase: operava tanto na diretoria de Serviços quanto na BR Distribuidora. Até as 10h de hoje, ele ainda não havia sido detido. Foram emitidos nesta quinta-feira 62 mandados – um de prisão preventiva, no Rio de Janeiro, três de temporária, em Santa Catarina, 18 conduções coercitivas e 40 de busca e apreensão. A ação ocorreu ao mesmo tempo em São Paulo, Rio, Bahia e Santa Catarina. A Polícia Federal também fez busca e apreensão na sede da GDK, empresa de engenharia fornecedora da Petrobras – seu principal cliente – que entrou em recuperação judicial. A GDK constrói dutos e instalações industriais. Em 2005 a direção da empresa foi acusada de dar um Land Rover, avaliado em R$ 73,5 mil, para o então secretário-geral do PT, Silvio Pereira. O episódio foi investigado pela CPI dos Correios. Além de Vaccari, foram alvo de mandados de condução coercitiva em São Paulo o engenheiro Shinko Nakandakari –dono de uma empresa de consultoria que foi usada para pagamento de propina a Renato Duque, segundo comprovante da empreiteira Galvão Engenharia – e o empresário Milton Pascowitch, que foi ouvido sobre movimentações de dinheiro no Exterior.
CONFIRA OS MANDADOS POR ESTADO
SP 10 mandados de busca e 2 de condução coercitiva (todos na capital)
RJ 12 mandados de busca, 8 de condução coercitiva e 1 de prisão preventiva (todos na capital)
BA 2 mandados de busca e 1 de condução coercitiva (todos na capital)
SC 16 mandados de busca, 7 de condução coercitiva e 3 de prisão temporária nas seguintes cidades:
- Itajaí: 8 mandados de busca, 5 de condução coercitiva e 2 de prisão temporária
- Balneário Camboriú: 3 mandados de busca, 1 de prisão temporária e 1 de condução coercitiva
- Piçarras: 2 mandados de busca
- Navegantes: 1 mandado de busca e 1 mandado de condução coercitiva
- Penha: 1 mandado de busca
- Palmitos: 1 mandado de busca
Esta fase da operação foi batizada de "My Way". É com o título desta canção de Frank Sinatra que o ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, que colabora com as investigações, se refere a Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal. Fases anteriores da Lava Jato resultaram nas prisões dos ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Nestor Cerveró, e de altos executivos de importantes empreiteiras do País.

PT refuta depoimento de delator e diz que só recebeu doações legais

O PT refutou em nota as declarações de Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, de que o partidopode ter recebido entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões de propina de empresas contratadas pela Petrobras. Segundo o PT, todas as doações recebidas são legais. Leia a íntegra da nota: "A assessoria de imprensa do PT reitera que o partido recebe apenas doações legais e que são declaradas à Justiça Eleitoral. As novas declarações de um ex-gerente da Petrobras, divulgadas hoje, seguem a mesma linha de outras feitas em processos de "delação premiada" e que têm como principal característica a tentativa de envolver o partido em acusações, mas não apresentam provas ou sequer indícios de irregularidades e, portanto, não merecem crédito. Os acusadores serão obrigados a responder na Justiça pelas mentiras proferidas contra o PT. Em depoimento concedido em acordo de delação premiada, Barusco afirmou que o dinheiro teria saído de propina retirada dos 90 maiores contratos da Petrobras. Ele afirmou que o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, teve "participação" no recebimento desse suborno. Vaccari Neto, de acordo com ele, ficou, até março de 2013, com US$ 4,5 milhões. O depoimento foi prestado no dia 20 de novembro último e veio à tona nesta quinta-feira (5). Segundo Barusco, Vaccari participou pessoalmente de um acerto fechado entre funcionários da Petrobras e estaleiros nacionais e internacionais relativos a 21 contratos para construção de navios equipados com sondas, contratações que envolveram ao todo cerca de US$ 22 bilhões. "Essa combinação envolveu o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, João Vaccari Neto, o declarante [Barusco] e os agentes de cada um dos estaleiros, que deveria ser distribuído o percentual de 1%, posteriormente para 0,9%", declarou Barusco. O tesoureiro nacional do PT afirmou nesta quinta-feira que esclareceu com "transparência" e "tranquilidade" todas as perguntas feitas pela Polícia Federal. A declaração do petista, feita após prestar depoimento na sede da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, foi divulgada pelo site oficial do PT. "Todas as perguntas feitas pelo delegado foram esclarecidas. Respondi a tudo com transparência, lisura e total tranquilidade", afirmou. Vaccari chegou à sede da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, na Lapa, por volta das 9h30 e deixou o local de táxi, às 12h30, acompanhado por um advogado. As informações sobre os pedidos partiram de colaboradores da investigação, como o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, que firmou acordo de colaboração premiada com a Justiça.

Assassinato de piloto jordaniano pelos terroristas do Estado Islâmico une o mundo árabe em sentimento de raiva

Um sentimento uniu muitos dos clérigos, grupos étnicos e seitas conflitantes do Oriente Médio na quarta-feira (4): a repugnância gerada pela atrocidade mais recente da organização terrorista Estado Islâmico (EI), que queimou vivo um piloto jordaniano preso dentro de uma jaula. Na Síria, o governo denunciou o grupo que o vem combatendo há meses, mas os combatentes da Al-Qaeda, que se opõem tanto ao governo quanto ao Estado Islâmico, fizeram o mesmo. No Egito, a Irmandade Muçulmana e o governo finalmente concordaram em relação a uma coisa: a barbárie do grupo terrorista, pelo método usado para assassinar o piloto jordaniano, o tenente Muath al-Kaseasbeh. E no Cairo o grão-imã Ahmed al-Tayeb, líder do instituto Al-Azhar, fundado há mil anos, ficou tão enfurecido que pediu que os terroristas do Estado Islâmico sejam "mortos, ou crucificados, ou tenham suas mãos e suas pernas cortadas". A condenação feita pelo importante estudioso sunita foi ainda mais áspera que manifestações semelhantes dos líderes xiitas da região, em termos teológicos os adversários mais tradicionais do Estado Islâmico. 

De uma maneira que não tinha acontecido com as decapitações de reféns, a imolação de al-Kaseasbeh desencadeou em toda a região uma explosão de fúria e repúdio ao grupo terrorista Estado Islâmico ou, entre a maioria dos árabes, como "Daesh". Em uma região cronicamente em conflito e que deu ao mundo a expressão "o inimigo de meu inimigo é meu amigo", o Estado Islâmico de repente viu-se extremamente destituído de amigos. Com um assassinato espantosamente cruel, o Estado Islâmico uniu a maior parte da região contra ele. O sentimento de unidade contra o Daesh levou a cenas estranhas em toda a região. O rei Abdullah 2º da Jordânia, pego de surpresa em Washington quando o vídeo do assassinato foi divulgado, voltou para casa e, em vez de encontrar indignação por sua ausência, foi recebido como herói. Multidões lotaram as ruas em seu trajeto desde o aeroporto para aplaudir a decisão jordaniana de retaliar imediatamente com a execução de dois terroristas já condenados, ambos com vínculos com o Estado Islâmico.

Abdullah, que nunca foi conhecido como líder carismático, foi amplamente elogiado em casa por seu discurso intransigente em Washington, onde, em reunião com líderes do Congresso, disse que sua vingança faria as pessoas pensarem no filme "Os Imperdoáveis", de Clint Eastwood. O deputado republicano Duncan Hunter, da Califórnia, presente na ocasião, disse que o rei prometeu retaliar e "ir atrás dos vilões". O rei não perdeu tempo em concretizar sua ameaça, e antes mesmo de seu avião pousar ordenou a execução dos dois prisioneiros por enforcamento. O vídeo divulgado na terça-feira (3) da morte de al-Kaseasbeh, em que o Estados Islâmico prometeu matar outros pilotos de caças que bombardeassem posições do Estado Islâmico, teve como objetivo claro meter medo na Jordânia e levá-la a abandonar a coalizão liderada pelos Estados Unidos que combate os extremistas. Mas teve o efeito contrário entre muitos jordanianos, e o porta-voz do governo jordaniano disse que agora o reino vai aumentar sua participação no combate à organização terrorista. O pai do piloto, Safi Youssef al-Kaseasbeh, influente xeque tribal, tinha questionado antes a conveniência de a Jordânia estar combatendo o Estado Islâmico. Mas essas dúvidas desapareceram após a morte de seu filho. "Peço à comunidade internacional que dê o castigo justo aos grupos terroristas que não têm religião ou valores tradicionais", ele disse. "Acho que perdemos um piloto, mas ao mesmo tempo, de certo modo, o governo ganhou apoio coletivo, da Jordânia e de toda a região, para o combate aos extremistas", disse Adnan Abu-Odeh, ex-chefe do serviço de inteligência jordaniano. "O Daesh cometeu um grave erro. Quando você está enfraquecido, como eles estão, você tenta fazer seus apoiadores pensarem que você é forte, mostrando-se mais monstruoso. Mas desta vez eles foram longe demais". Na Síria, onde uma insurgência caótica travada há quatro anos favoreceu o surgimento do Estado Islâmico, tanto os partidários do presidente Bashar Assad quanto os que o combatem condenaram o ato, e seus defensores no exterior, também. O Irã, mais importante aliado do governo sírio e adversário da Jordânia, descreveu o assassinato do piloto como "inumano e anti-islâmico". A emissora de televisão Al Manar, pertencente a outro aliado do governo sírio, o grupo xiita libanês Hizbullah, o descreveu como "a mais sanguinária" das muitas atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico. O Qatar, que se opõe a Assad, condenou o assassinato, dizendo que "fere os princípios de tolerância" do islã. A Turquia, criticada por muitos na região por permitir que combatentes estrangeiros atravessem suas fronteiras para entrar na Síria, onde alguns deles ingressam no Estado Islâmico, uniu sua voz às críticas. O presidente Recep Tayyip Erdogan descreveu o assassinato como ato de "selvageria" que não tem lugar no islã, acrescentando: "Condeno e amaldiçoo a imolação do piloto jordaniano". Denunciando o Estado Islâmico como grupo terrorista "diabólico", o líder e grão-imã do Al Azhar, Tayeb, citou versos corânicos para mostrar que o islã proíbe a queima ou mutilação de inimigos de guerra. "Esse ato terrorista vil", ele disse em comunicado divulgado pelo Al Azhar, "exige castigo conforme o prescrito pelo Alcorão para os opressores ou destruidores na terra que combatem Deus e seu profeta: que sejam mortos, ou crucificados, ou que suas mãos e pernas sejam cortadas". Centro de estudos islâmicos, o Al Azhar se vê como paradigma de moderação e tolerância no mundo muçulmano sunita, e o comunicado não explicou a incongruência do fato de Tayeb prescrever alguns dos mesmos castigos medievais que os empregados pelos extremistas. Os principais líderes árabes reagiram à imolação de maneira categoricamente diferente de sua reação à longa sequência de decapitações de reféns que a precederam. Isso pode ter se devido em parte ao fato de que, segundo muitos comentaristas disseram na quarta-feira, queimar uma pessoa viva é proibido no islã, sendo visto como castigo que só pode ser aplicado por Deus, no inferno. Já as decapitações têm histórico longo no islamismo. Apesar de todo o ultraje, alguns na Síria e fora dela lamentaram a ausência de um nível semelhante de revolta diante das centenas de milhares de pessoas mortas na guerra civil síria. A Human Rights Watch e outras organizações que acompanham o conflito observaram que os ataques lançados pelo governo sírio contra cidades com bombas de barril matam muito mais civis que os extremistas, por mais que os métodos do grupo militante possam ser depravados e voltados a chamar a atenção.

O jornalista ultra petista Ricardo Kotscho, ex-secretário de imprensa do governo Lula, admite consternado que administração Dilma é muito ruim e está a um passo do impeachment


O jornalista ultra petista Ricardo Kotscho, ex-secretário de Imprensa do governo Lula X9, homem ligadíssimo ao PT, ao qual sempre esteve filiado, escreve hoje que "pelo ranger da carruagem desgovernada, a oposição nem precisa perder muito tempo com CPIs e pareceres para detonar o impeachment da presidente da República", pois "o governo Dilma-2 está se acabando sozinho num inimaginável processo de autodestruição". Ele lamenta no seu blog: "O que já está ruim sempre pode piorar. É duro e triste ter que escrever isso sobre um governo que ajudei a eleger com meu voto, mas é a realidade". 

Produção de veículos cai 13,7% em janeiro na comparação anual


A produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no mercado brasileiro aumentou 0,4% em janeiro ante dezembro, para 204.751 unidades, divulgou nesta quinta-feira a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Na comparação com igual período do ano anterior, houve queda de 13,7%. Somente a produção de automóveis e comerciais leves chegou a 193.821 unidades em janeiro, recuo de 3% ante dezembro e 12,3% ante janeiro de 2014. No mês passado, foram produzidos 165.393 automóveis e 28.428 comerciais leves. A produção de caminhões teve alta de 128,1% na comparação mensal e queda de 38,7% na comparação anual. A produção de caminhões atingiu 8.447 unidades em janeiro, contra 3.704 em dezembro e 13.776 em janeiro de 2014. Já a produção de ônibus totalizou 2.483 unidades em janeiro, alta de 311,1% sobre o mês anterior e 2,1% sobre um ano antes. Foram produzidas 604 unidades em dezembro e 2.431 unidades em janeiro de 2014. As vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus caíram 31,4% em janeiro ante dezembro, para 253.803 unidades. Na comparação com mesmo período do ano passado, o recuo foi de 18,8%. Levando em conta apenas automóveis e comerciais leves, as vendas totalizaram 244.253 unidades em janeiro, queda de 31% na comparação mensal e 18,6% na comparação anual. No mês passado, foram vendidos 206.112 automóveis e 38.141 comerciais leves. As vendas de caminhões atingiram 7.675 unidades em janeiro, recuo de 44% ante dezembro e 28,8% ante janeiro de 2014. Já as vendas de ônibus somaram 1.875 unidades, queda de 19% na comparação mensal e alta de 8,1% na comparação anual. O estoque total de veículos nas fábricas e nas concessionárias também caiu de 351 mil unidades em dezembro para 318,5 mil em janeiro. O volume é suficiente para 38 dias de vendas. Em dezembro, o total de veículos estocados era equivalente a 41 dias de vendas. A indústria automobilística eliminou 404 vagas em janeiro, divulgou nesta quinta-feira a Anfavea. Depois das recentes demissões, o setor encerrou o primeiro mês do ano com 144.104 trabalhadores, queda de 0,3% ante dezembro e 8,1% ante janeiro de 2014. Apenas o segmento de autoveículos totalizou 125.778 funcionários, retração de 0,2% na comparação mensal e 7,1% na comparação anual. Segundo a Anfavea, 12.774 vagas foram fechadas no mês.

Nona fase da Lava Jato acaba com chances de sobrevivência da Sete Brasil


A nona fase da Operação Lava Jato, chamada de My Way, deve colocar uma pá de cal sobre as chances de sobrevivência da Sete Brasil, empresa formada pela Petrobras e sócios privados para administrar o aluguel de sondas para o pré-sal. A empresa, em que a Petrobras tem uma participação minoritária, tem ainda como sócios bancos como BTG, Santander e HSBC, além de fundos de pensão e investidores estrangeiros. Outros bancões, como o Itaú, são credores da Sete. No total, a empresa já deve mais de 4 bilhões de dólares aos bancos, e desde o final de novembro não paga mais nem um centavo aos estaleiros que estão construindo as sondas. A empresa esperava fechar nesta semana um empréstimo com o BNDES, que injetaria mais 3,1 bilhões de dólares na companhia. A companhia já está sendo cobrada na Justiça pelos credores, e tem até o final de fevereiro para pagar ou renegociar suas dívidas. Mas a renúncia da diretoria da Petrobras, aliada às revelações de Pedro Barusco sobre o pagamento de propina na empresa, tornam essa injeção financeira praticamente impossível. Até julho do ano passado, Barusco era o diretor operacional da Sete – e, na função, negociou a contratação dos estaleiros para construir as sondas. Era parte da estratégia petista de impulsionar a indústria naval brasileira que pelo menos 55% dos equipamentos de perfuração fossem construídos no Brasil – determinação a que se deu o nome de política de conteúdo nacional. Dos cinco estaleiros escolhidos, três são de empreiteiras que hoje tem executivos presos na Lava Jato. Odebrecht, UTC e OAS estão no Enseada, na Bahia. Camargo Corrêa e Queiroz Galvão são as principais acionistas do Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco. O terceiro estaleiro nacional é o Rio Grande, em Porto Alegre, construído pela Engevix. Completam a lista os estaleiros da Jurong e o Brasfels, cujas donas são multinacionais sediadas em Singapura. De acordo com a delação de Barusco, todos pagaram propina de 1% sobre os contratos já fechados, que somam 22 bilhões de dólares. Além do próprio Barusco, o presidente da empresa, João Carlos Ferraz, o ex-diretor de serviços da Petrobras, Renato Duque, e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, receberam as propinas, em contas no Exterior. Desde o início da semana, advogados de todas as partes estão reunidos em um escritório no centro do Rio de Janeiro, finalizando os muitos documentos que baseiam o contrato de financiamento. Os papéis mais sensíveis do processo são as declarações em que os executivos de todos os estaleiros e da própria Sete asseguram não terem pago e não terem tido conhecimento do pagamento de propina para a obtenção dos contratos – as chamadas declarações anticorrupção. A previsão de todos era assinar o contrato amanhã, sexta-feira. Com a renúncia da diretoria da Petrobras, já não há sequer quem assine os documentos pela estatal. Além disso, com a nova leva de prisões e a divulgação dos trechos da delação de Pedro Barusco que dizem respeito à Sete, o que era para ser o ato final de uma longa negociação vai se transformar em uma sala de crise. A esta altura, ninguém mais é capaz de prever o que vai acontecer – mas todos sabem que o tempo da Sete está se esgotando e a cada momento a recuperação judicial se torna mais provável. Se isso realmente acontecer, provocará um importante golpe simbólico na política do conteúdo nacional – e um rombo bem real e bilionário nos balanços dos bancos privados, fundos de pensão e estaleiros.

O petista Vaccari se recusou a abrir o portão e a Polícia Federal pula o muro para levá-lo preso


Os agentes da Polícia Federal responsáveis por levar coercitivamente o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para depor na manhã desta quinta-feira tiveram que pular o muro da casa do petista, na Zona Sul de São Paulo, pois ele se se recusou a abrir o portão para os policiais. Na residência, foram apreendidos documentos e objetos. A ação faz parte da nona fase da Operação Lava Jato, batizada de My Way. Ao todo, foram expedidos 62 mandados em São Paulo, Bahia, Santa Catarina e Rio de Janeiro: um de prisão preventiva (RJ), três de prisão temporária (SC), dezoito de conduções coercitivas e quarenta de busca e apreensão.

Risco de falta de energia já ultrapassa limite tolerável no Sudeste


Duas semanas após o apagão que deixou três regiões do país sem energia, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aumentou, na terça-feira, o risco de desabastecimento de eletricidade na região Sudeste/Centro-Oeste neste ano. Antes em 4,9%, agora o indicador está em 7,3%. O limite tolerado pelo Conselho Nacional Política Energética (CNPE) é de 5%. Ou seja, na prática, o sistema já alertou que o risco de um desabastecimento está acima do permitido e já seria o caso de conter a demanda. Para a região Nordeste, o risco manteve-se estável em 1,2% neste ano. Esses números consideram a série histórica de chuvas dos últimos 82 anos. Pela primeira vez, o CMSE também divulgou uma estimativa para o risco de desabastecimento considerando um cenário de "despacho pleno" das usinas térmicas do país em 2015. Nesse caso, o risco para a região Sudeste/Centro-Oeste seria de 6,1%, também acima do limite tolerado. Já na região Nordeste, o risco de déficit de eletricidade seria zero nesse segundo cenário. Apesar dos números alarmantes, o Ministério de Minas e Energia (MME) reiterou que o sistema nacional tem "condições estruturais" para abastecer o país e relatou que existe uma sobra de eletricidade de cerca de 7.300 MW médios para atender à demanda prevista. A pasta alegou ainda que empreendimentos de geração que ainda entrarão em operação este ano adicionarão mais 6.410 MW médios a essa capacidade. De acordo com o comunicado, as chuvas continuaram abaixo do volume normal na maioria das regiões em janeiro. No Sudeste/Centro-Oeste, as chuvas atingiram apenas 38% da média história; no Nordeste menos ainda, 28%; e no Norte, 60%. Apenas no Sul as chuvas ficaram acima da média história e atingiram 215%. "As afluências nos próximos meses serão relevantes para a avaliação da adequação das condições de suprimento para 2015, o que reforça a necessidade de um monitoramento permanente", concluiu o documento.

Diplomata reconhece corpo de brasileiro desaparecido na Indonésia


Um diplomata da embaixada brasileira na Indonésia confirmou que o corpo encontrado na terça-feira é de Fernando Vieira Campello, desaparecido desde a madrugada de sexta-feira na ilha de Gili Trawangan, em Bali, onde passava férias com amigos. A mãe do brasileiro, Luciana Vieira, que vive na Austrália, havia negado que o corpo encontrado fosse do filho, mas confirmou a identidade ao analisar fotografias e um exame de raio-X, que mostrou a presença de um pino em uma das pernas do corpo. Campello foi visto pela última vez quando voltava para o hotel após passar mal em uma festa. Na ilha desde o último domingo para procurar o filho, Luciana Viera chegou a usar sua página no Facebook para demonstrar desconfiança quando as autoridades locais determinaram a realização de um exame de DNA no corpo localizado. De acordo com o Itamaraty, ela estava muito abalada e não viu o filho morto. A mãe pediu a realização de uma autópsia para detectar a razão da morte, que pode demorar de uma a duas semanas para ser concluída. A família ainda não decidiu se vai levar o corpo para Austrália ou para o Brasil. Nesta quinta-feira, a mãe chegou a dar entrevista para o jornal australiano Gold Coast Bulletin  para afirmar que o filho ainda estava vivo. "O corpo devia estar na água há algumas semanas porque está muito desfigurado e meu filho está desaparecido somente há alguns dias", disse. Ela pediu ao consultado da Austrália para acompanhá-la na realização do teste de DNA porque não confiava nas autoridades indonésias, mas como ela estava viajando com passaporte brasileiro, o pedido foi negado. Familiares e amigos organizaram nesta quarta-feira um protesto em frente ao consulado da Indonésia em São Paulo para pedir ajuda do governo local nas buscas. Pedidos de doações foram feitos nas redes sociais para custear a permanência de Luciana e mais seis amigos de Campello que continuavam na ilha procurando-o por conta própria. Campello morava com a mãe e o irmão na Gold Cost, na Austrália, há cerca de três anos e se preparava para voltar ao curso de odontologia na Bond University. De acordo com o jornal australiano Gold Coast Bulletin, Campello teria relatado ouvir vozes e passou mal após tomar uma bebida alcoólica na festa. Um amigo que bebeu também se sentiu mal, mas eles se separaram no trajeto entre a festa e o hotel. No dia seguinte, o grupo constatou que Campello não estava em seu quarto e acionou a polícia.

Decreto abre caminho para governo reajustar bandeiras tarifárias

Decreto publicado nesta quinta-feira pela presidente Dilma Rousseff abriu caminho para que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reajuste os preços do regime de bandeiras tarifárias já a partir do próximo mês. Desde o começo de janeiro, as contas de luz dos brasileiros têm sido acrescidas de 3 reais a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, já que o País se mantém desde o ano passado em uma situação hídrica desfavorável que exige grande despacho de usinas térmicas, mais caras, e coloca o sistema em bandeira vermelha. Contudo, o decreto publicado nesta quinta-feira determina que as bandeiras tarifárias não cubram apenas os altos gastos com o despacho das térmicas. A proposta é que entrem nessa conta também "os riscos hidrológicos associados à geração de Itaipu" e os "custos administrativos, financeiros e encargos tributários incorridos pela CCEE na gestão e na liquidação da Conta Centralizadora dos Recursos de Bandeiras Tarifárias". A Conta Centralizadora dos Recursos de Bandeiras Tarifárias (CCRBT) foi criada nesta quinta-feira pela presidente Dilma para administrar os recursos decorrentes da aplicação das bandeiras tarifárias. Os agentes de distribuição vão recolher recursos provenientes da aplicação das bandeiras tarifárias em nome da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), diretamente para a CCRBT, sendo que os valores disponíveis serão repassados aos agentes de distribuição considerando, entre outros fatores, a cobertura tarifária vigente. As bandeiras serão homologadas pela Aneel a cada ano civil, considerando a previsão das variações relativas aos custos de geração por fonte termelétrica e à exposição aos preços de liquidação no mercado de curto prazo que afetem os agentes de distribuição de energia elétrica conectados ao Sistema Interligado Nacional. Com os preços atuais, as estimativas do governo e do mercado apontam que cada mês de bandeira vermelha representa uma arrecadação adicional para as distribuidoras de 800 milhões de reais por mês. Ou seja, janeiro e fevereiro devem garantir receitas de 1,6 bilhão de reais para as empresas. O órgão já discutirá o tema em reunião extraordinária nesta sexta-feira. Mesmo após o adiamento por um ano da medida que cobra um adicional na conta de luz dos consumidores, bastou apenas um mês e meio de adoção do instrumento para o governo perceber que a metodologia adotada não é suficiente para cobrir o encarecimento do fornecimento de eletricidade no País. Por isso, a Aneel já incluiu na pauta da reunião extraordinária desta sexta-feira o "aperfeiçoamento" do sistema de bandeiras tarifárias. A expectativa é de que os novos valores da cobrança adicional nas contas de luz já possam valer a partir do próximo mês.

Delcídio irritado

Delcidio: magoado com o governo
Delcídio: irritado com o governo
O Planalto só lembrou de convidar Delcídio Amaral para a inauguração da Casa da Mulher Brasileira, na quarta-feira, em Campo Grande, em cima da hora. Tudo vinha sendo tratado com o governo estadual e a prefeitura da capital, ambos comandados por adversários do petista. Delcídio não quis ir. Nem adiantou Aloizio Mercadante telefonar e insistir. Finalmente, o senador esquecido pelo Planalto telefonou para Eleonora Menicucci, que entrou de sola: "Delcídio, vou inaugurar a Casa da Mulher porque tenho uma biografia a zelar". Delcídio ironizou: "Vou pensar na minha biografia na hora de votar medidas econômicas impopulares no Senado". Por Lauro Jardim

Serra quer convocar Levy

Levy: requerimento de convocação
Levy: requerimento de convocação
Será pelas mãos de José Serra o primeiro requerimento de convocação de Joaquim Levy ao Congresso. Serra quer que o ministro explique a política de concessão de empréstimos a taxas de juros baixas pelo BNDES diante do cenário de rigor fiscal. Cobrou Serra: "Não sou contra essa política, mas quero que o governo explique. Não existe um governo do Levy e outro da Dilma. O governo é um só". Por Lauro Jardim