segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Conhecida a lista dos maiores acionistas que aderiram à ação contra a Petrobrás nos Estados Unidos

A lista de investidores detentores de American Depositary Receipts (ADRs) da Petrobrás, nos Estados Unidos, que aderiram à ação judicial coletiva entregue na sexta-feira, 6, à Corte de Nova York foi divulgada nesta segunda-feira, 9. A petição entregue pelo escritório americano Wolf Popper em conjunto com o Almeida Advogados, do Brasil, foi assinada pela Union Asset Management Holding AG, Handelsbanken Fonder AB, Ohio Public Employees Retirement, Public Employee Retirement System of Idaho, Employees Retirement System of the State of Hawaii, Universities Superannuation Scheme Limited, SKAGEN AS, Danske Invest Management A/S, Danske Invest Management Company. Os nove maiores acionistas da lista afirmam que tiveram perdas superiores a U$ 50 milhões de dólares cada. A ação judicial coletiva, ou Class Action, teve início no ano passado. A primeira audiência será no dia 9 de março, em Nova York. Todo o processo deve levar de 2 a 3 anos, segundo o advogado André de Almeida, do escritório Almeida Advogados. “O esquema de lavagem de dinheiro e suborno foi estimado em R$ 10 bilhões ou aproximadamente US$ 4,4 bilhões. Além de altos executivos da Petrobrás, o esquema ilegal de suborno e de propina também envolveu políticos e um grupo de, pelo menos, 16 empreiteiras que formaram um cartel que assegurou que os seus membros iria ganhar grandes contratos da Petrobrás”, diz a petição.

Advogados tentam convencer o juiz Rakoff dos prejuízos causados pela Petrobrás
Os investidores que fazem parte da ação coletiva compraram ações na Bolsa de Nova York entre 7 de Janeiro de 2010 até 26 de novembro de 2014. A petição destaca que a prisão de executivos da estatal, por causa das denúncias de corrupção, e admissões de que a empresa pode ter de ajustar suas demonstrações financeiras provocaram a queda nas ADRs da Petrobrás. “As ações ordinárias caíram de US$ 19,38 dólares por ADS em 5 de setembro de 2014 para US$ 9,72 por ADS em 28 de novembro de 2014, representando uma queda total de US$ 9,66 dólares, por ADS, ou aproximadamente 50%. Da mesma forma, as ações preferenciais diminuíram de US$ 20,27 dólares, por ADS, em 5 de setembro de 2014 para US$ 10,21 dólares por ADS em 28 de novembro de 2014, representando uma queda total de US$ 10,06, por ADS, ou aproximadamente 50%”. A ClassAction é uma ação coletiva que visa proteger toda a classe de investidores que se enquadrem nos requisitos da ação. Para os investidores, as principais vantagens de ingressar na ação consistem na possibilidade de obter indenização punitiva, celeridade no processo, litigância conjunta, o que reduz os custos e une os interesses comuns, assim como a possibilidade de o investidor ter voz ativa nas negociações de uma eventual proposta de acordo pela Petrobrás. 

Dilma planeja pronunciamento em rede de rádio e TV; é um erro! Quem ficou muda até agora pode esperar um pouco mais

Ai, ai… Bateu o clima de barata-voa no Palácio do Planalto. Bateu o desespero. Por quê? Por causa da pesquisa Datafolha. Em dois meses, caíram de 42% para 23% os que avaliam seu governo como ótimo ou bom. E dispararam de 24% para 44% os que dizem ser ele “ruim ou péssimo”. É o pior da história. Nordestinos começam a abandonar o governo. O menor índice de “ótimo e bom” na região era 41%; agora 29%; o maior de “ruim e péssimo” era 21%; agora, 36%. Entre quem ganha até dois mínimos, o mais baixo “bom/ótimo” de Dilma era 38%; hoje, 27%; o mais alto “ruim/péssimo” era 23%; saltou para 36%. Na faixa de 2 a 5 mínimos, o descontentamento é explosivo: Dilma tem apenas 21% de “ótimo e bom” — o recorde negativo anterior era de 29%. A marca máxima do “ruim/péssimo” era 30%; pulou para 46%.

Pois bem. Diante disso, fazer o quê? Algum gênio palaciano sugeriu que a presidente faça um pronunciamento público em rede de rádio e TV depois do Carnaval. Aproveitaria para anunciar algumas medidas positivas. Também estaria organizando uma grande entrevista a um veículo de comunicação. Então tá. A emenda pode ficar pior do que o soneto. Dilma abusou da nossa paciência aparecendo duas vezes na TV para anunciar, por exemplo, o seu estupefaciente pacote energético, que quebrou o setor. Venceu as eleições com promessas que anunciavam o umbral do paraíso, e agora estamos vendo os juros e a inflação na estratosfera, o reajuste de tarifas, a recessão em curso. E fez tudo isso em silêncio, sem prestar contas.
Não parece uma boa idéia responder a uma pesquisa negativa com uma aparição tão rápida. Acho que se trata de uma reação um tanto primitiva. Ela precisa, isto sim, é pôr um pouco de ordem no governo e evitar operações desastradas como a que resultou na nomeação de Aldemir Bendine para a presidência da Petrobras. Nada contra a sua competência no setor financeiro. Até o lance quase jocoso relativo ao empréstimo a Val Marchiori serviria menos ao escarnecimento se não pairasse a suspeita de que ele foi escolhido para maquiar o balanço. É o que se comenta em todo canto. Nesse caso, a sua competência conta contra ele, não a favor.
Notem: isso até pode ser mentira. Talvez assine o balanço mais honesto da história da Petrobras. O problema é que se entrou naquela lógica severa da honestidade da mulher de César: não basta ser, tem também de parecer. Não é só isso. Ainda voltarei ao tema: Lula solapa o que resta de credibilidade a Dilma. Ao se lançar candidato para 2018, ele transforma a presidente numa pata manca.
Em suma: Dilma deveria esperar mais um pouco. Entre outras coisas, seria prudente que se conhecesse a lista de políticos enroscados na Operação Lava Jato. Só aí se terá uma dimensão mais clara da crise. Falar agora em uma rede de rádio e TV soará como um misto de desespero e cinismo. Quem ficou muda até agora pode esperar um pouco mais. Por Reinaldo Azevedo

PSDB pede ao TSE dados de 12,8 mil urnas eletrônicas para fazer auditoria

Uma equipe contratada pelo PSDB apresentou nesta segunda-feira (9) a técnicos do Tribunal Superior Eleitoral uma lista de 12,8 mil urnas eletrônicas para dar continuidade à auditoria que o partido realiza dos sistemas de votação e apuração das eleições do ano passado. Segundo o coordenador do trabalho, o advogado Flávio Henrique Pereira, foram selecionadas urnas de todas as capitais e de cidades do interior de todas as unidades da federação. Na última semana de fevereiro, representantes do PSDB farão nova reunião no TSE para passar a captar os dados das urnas diretamente nos Tribunais Regionais Eleitorais. A intenção, segundo Pereira, é comparar as informações passadas pelos municípios aos respectivos TREs e depois repassadas ao TSE. O PSDB já obteve as informações que foram pedidas ao TSE, que totalizam 300 gigabytes de dados. O resultado da análise, bem como a metodologia de verificação, serão mantidos em sigilo até o final da auditoria, conforme termo de compromisso assinado pelo PSDB. Segundo Pereira, ainda não há prazo para conclusão dos trabalhos. “A quantidade de informações é muito grande. As primeiras informações deram um total de 300 gigabytes. É um trabalho árduo e em razão dessa quantidade de dados é temerário fixar uma data”, afirmou. A auditoria, autorizada no final do ano passado pelo TSE, que ficou de fornecer os dados, está sendo realizada por 5 técnicos e 3 empresas contratadas, entre especialistas em sistemas eletrônicos e juristas especializados em direito eleitoral. Entre os dados liberados estão programas eletrônicos e arquivos gerados na votação eletrônica, incluindo dados das urnas e do sistema de transmissão das informações. Inicialmente, o partido havia pedido uma verificação oficial, com participação do tribunal e de todos os partidos políticos, o que foi negado pelo TSE. À época do pedido, o PSDB alegou que a auditoria não tinha por objetivo questionar o resultado das eleições - em que o candidato tucano, Aécio Neves, perdeu para a petista Dilma Rousseff por uma diferença de 3,5 milhões de votos -, mas a “lisura” do processo. O partido dizia que a confiabilidade da apuração e a infalibilidade da urna eletrônica estavam sendo colocadas em xeque nas redes sociais e que seria preciso dar uma resposta à população.

Bandido petista mensaleiro José Genoíno ajuíza no Supremo o pedido de extinção de pena por indulto


O ex-presidente do PT, o bandido petista mensaleiro José Genoino, condenado no processo do Mensalão e preso em regime aberto, pediu nesta segunda-feira (9) ao Supremo Tribunal Federal (STF) o benefício do indulto, pelo qual sua pena fica extinta. O pedido é baseado em um decreto, assinado no final de 2014 pela presidente Dilma Rousseff, que concede o benefício para presos em diversas situações. O decreto, no entanto, não gera efeito automático e depende de análise do juiz responsável pela execução penal, que verifica se as condições foram cumpridas. O bandido petista mensaleiro só poderia se enquadrar em um caso, por doença. Mas, não é o caso dele, já que uma junta de médicos da Câmara de Deputados disse que ele nada tem, ao negar a sua aposentadoria por motivos médicos. Caberá agora ao ministro Luís Roberto Barroso, relator das execuções penais do Mensalão do PT, decidir sobre o pedido. Antes disso, ele poderá pedir à Procuradoria-Geral da República um parecer sobre o caso, como é praxe no tribunal. O pedido apresentado pela defesa do bandido petista mensaleiro José Genoino ao Supremo Tribunal Federal afirma que o ex-presidente do PT se enquadra nos requisitos para obter o indulto. O texto que concede o indulto prevê perdão aos condenados que cumprem pena em regime aberto ou prisão domiciliar, desde que faltem até oito anos para o cumprimento da pena total. Outra condição é ter cumprido ao menos um quarto da pena, se não reincidente, e ter apresentado bom comportamento na prisão. “Não existe contra ele qualquer sanção pelo cometimento de falta grave. Não há sequer uma advertência quanto ao seu comportamento durante o período de cumprimento de sua pena”, dizem os advogados. Condenado a 4 anos e 8 meses de prisão por corrupção ativa, o bandido petista mensaleiro José Genoino foi preso em novembro de 2013 e passou a cumprir pena no regime fechado. Com problemas cardíacos, ele chegou a obter autorização para se tratar em casa em prisão domiciliar no início de 2014, mas em maio teve de voltar à prisão. Em agosto, progrediu para o regime aberto, para ficar preso em casa. No dia 25 de dezembro de 2014, dia em que foi publicado o decreto, José Genoino já havia cumprido 1 ano, 2 meses e 14 dias da pena, já levando em conta 34 dias que havia descontado por cursos de direito e informática que realizou na Penitenciária da Papuda, além de trabalho como auxiliar de biblioteca do presídio. O relatório carcerário apontou que ele revelou “bom comportamento”, sem registro de faltas disciplinares. No pedido, a defesa também sustentou que, durante os dois períodos em que cumpriu prisão domiciliar, o bandido petista mensaleiro José Genoino “apresentou comportamento condizente com as regras previstas”.

Polícia Federal deixa para terça-feira o depoimento de Mário Goes

A Polícia Federal transferiu para terça-feira o depoimento do empresário Mário Goes, preso na nona fase da Operação Lava-Jato. Ele é acusado de intermediar pagamento de propina entre a empresa Arxo Industrial e a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. A mudança da data foi confirmada pela advogada do investigado, Lívia Novak. Segundo o Ministério Público Federal, Goes operava um esquema de corrupção na Petrobras usando a mesma forma de atuação do doleiro Alberto Youssef e do empresário Fernando Baiano: recolhendo propina de empresas privadas para agentes da estatal e ocultando a origem dos recursos. A advogada afirmou que nunca existiu relação comercial ou social de Goes com os sócios da Arxo. "Tudo isso vai ser esclarecido. Ele não tem nada a ver com isso. Ele não é operador do esquema", disse. Goes apareceu nas investigações por meio de delação premiada do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco e de depoimento espontâneo de Cíntia Provesi Francisco, ex-funcionária da Arxo Industrial, cujos sócios foram presos, acusados de pagar propina à BR Distribuidora. Com o dinheiro oriundo de pagamentos indevidos, Goes é suspeito da compra de um avião particular, registrado em nome de sua empresa, a Riomarine Óleo e Gás, que presta consultoria na área. A ex-funcionária da Arxo afirmou que os pagamentos de propina eram intermediados por Mário Goes. Para dar aparência de licitude aos contratos, a Arxo usava notas fiscais frias compradas de terceiros, segundo a denúncia. Barusco disse que havia um "encontro de contas" entre ele e Goes, nos quais eram entregues "mochilas com grandes valores de propina, em espécie", que variavam entre R$ 300 mil e R$ 400 mil. No local, era feita a conferência de cada contrato, contabilizando-se as propinas pagas e as pendentes. De acordo com o Ministério Público Federal, Gilson João Pereira e João Gualberto Pereira, sócios da Arxo, e Sergio Ambrosio Marçaneiro, diretor financeiro, pagavam propina para obter contratos com a BR Distribuidora. Os pagamentos ocorreriam em contratos com a BR Aviation, empresa da Petrobras especializada no abastecimento de aeronaves. A Arxo vende tanques de combustíveis e caminhões-tanque.

Rio Grande do Sul tem a maior população de idosos do Brasil

Das 20 cidades com maior concentração de pessoas com mais de 60 anos, 18 são gaúchas, conforme dados do Censo 2010, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Porto Alegre é a capital que concentra não apenas o maior número de idosos, mas também a maior população de longevos (pessoas que já passaram dos 80 anos). Coqueiro Baixo, no Vale do Taquari, lidera o ranking nacional de municípios com mais pessoas acima dos 60. Dos 1528 habitantes do município, 29,38% são idosos. No Brasil, 10,8% da população pode ser considerada idosa.

Justiça concede liberdade a executivos da Arxo

O juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, determinou nesta segunda-feira a expedição de alvará de soltura para os três executivos da empresa Arxo, presos na nona fase da Operação Lava Jato. Os sócios-dirigentes da Arxo, Gilson João Pereira e João Gualberto Pereira Neto, e o diretor financeiro, Sérgio Ambrósio Marçaneiro, presos temporariamente, serão colocados em liberdade, mas não podem sair do País, mudar de endereço e são obrigados a comparecer à Justiça sempre que notificados. De acordo com Moro, a prisão temporária dos três não é mais necessária porque todos já prestaram depoimento e os policiais já cumpriram as diligências de busca e apreensão na empresa. Apesar de colocá-los em liberdade, o juiz afirmou que nenhum deles pode manter contato ou intimidar a ex-funcionária Cíntia Provesi Francisco, que afirmou ao Ministério Público Federal que constatou saques em espécie de até 7 milhões de reais para pagamentos suspeitos na BR Distribuidora mesmo depois da descoberta da existência de cartel de empreiteiras e pagamentos de propinas a políticos na estatal petrolífera. A BR Distribuidora é subsidiária da Petrobras, responsável pela rede de postos de vendas de derivados. Cíntia foi testemunha do caso e apontou que existe um esquema que movimentava até 10% de propina na BR Distribuidora. A Arxo, com sede em Santa Catarina, fornece tanques aéreos e subterrâneos e caminhões tanques para a BR Distribuidora. A ex-gerente financeira trabalhou na empresa de janeiro de 2012 e novembro de 2014. Nesse período, a testemunha afirma ter presenciado pagamentos de propina de 5% a 10% e registrou boa parte das movimentações suspeitas. "Para obter os contratos, a Arxo receberia informações privilegiadas da Petrobras e efetuaria o pagamento de vantagem indevida de 5 a 10% do total do contrato a empregados da referida empresa (BR Distribuidora)", informou a ex-funcionária, que procurou a força-tarefa do Ministério Público no dia 15 de janeiro para revelar o esquema criminoso.​

Líder do PSDB troca farpas com petista ao falar em impeachment de Dilma

Líder do PSDB, o senador Cássio Cunha Lima (PB) afirmou nesta segunda-feira (9) ser legítima a discussão sobre o impeachment de Dilma Rousseff e que não se pode falar em quando parte da população pede o afastamento da presidente. A fala gerou irritou o petista Lindbergh Farias (RJ). Lindbergh disse que os tucanos estimulam os movimentos pró-impeachment. "Não é acusar o povo de golpista, mas tem uma minoria golpista se organizando nesse País, como fizeram com Getúlio, João Goulart. Estimuladas, sim, pelo PSDB, que questionou o processo eleitoral ao seu final", disse o petista. Na tribuna do Senado, o tucano disse que a oposição não está apoiando os movimentos que pregam a saída de Dilma, mas que o PSDB considera legítimas as manifestações em defesa do impeachment. "Queda de popularidade não está prevista na Constituição como motivo para impeachment. A questão é muito mais grave. Estamos diante de um conjunto de fatos que levam, aí sim, a população a mencionar cada vez mais aquilo que é o impedimento da presidente da República previsto na Constituição", disse o tucano. Em defesa de Cunha Lima, o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) questionou o fato de Lindbergh ter liderado os movimentos em favor do impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, na época como cara-pintada, e agora condenar aqueles que pregam a saída de Dilma. Irritado, o petista disse que haviam denúncias de justificavam o impeachment de Collor no início da década de 90, que agora não se replicam no governo Dilma: "Agora não há nada. Vocês estão sendo maus perdedores. Isso é golpismo. Não me venha comparar momentos que não têm nada a ver na história. Aqui, é grito de quem perdeu a eleição e está querendo mudar o resultado".
 

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) também defendeu as discussões sobre o impeachment no país, mesmo com os protestos de Lindbergh: "A palavra impeachment não deve causar arrepio porque está na Constituição. O que causa arrepio é estar na boca do povo. Mas não adianta querer silenciar. Tentar silenciar é golpismo". Ex-ministra da Casa Civil de Dilma, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que a queda na popularidade da presidente não pode ser usada como motivação para o discurso pró-impeachment. A petista disse que em 1999 o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tinha índices de rejeição maiores que os registrados na pesquisa Datafolha divulgada neste final de semana sobre o governo Dilma, e que, nem por isso, o PT defendeu o seu afastamento. "Fazer desta pesquisa uma avaliação de que o governo não tem credibilidade e colocar discussão política de impeachment, é desconhecer a história política desse país. Em 1999, o presidente FHC tinha apenas 21% de ótimo e bom, e mais de ruim e péssimo que hoje tem a presidente Dilma. E não tínhamos a tempestade que temos agora".  

Governo prepara pacote trabalhista que deve somar R$ 10 bilhões, diz ministro

O governo federal prepara mais um pacote envolvendo programas trabalhistas que deve somar, entre aumento de arrecadação e corte de gastos, R$ 10 bilhões neste ano. Em visita à sede da Força Sindical, em São Paulo, o ministro do Trabalho, Manoel Dias, afirmou nesta segunda-feira (9) que, entre as medidas, estão o aumento de fiscalização nas empresas e a redução de despesas com programas relacionados à saúde do trabalho. Os detalhes das ações devem ser anunciados até março. Apesar de procurar reduzir despesas em mais programas trabalhistas, o ministro afirmou aos sindicalistas que "não vai haver redução de investimentos em benefícios sociais". Na sede da central sindical, Dias ouviu muitas críticas relacionadas a regras que já foram alteradas, como a de concessão do seguro-desemprego. Segundo Manoel Dias, cerca de R$ 2,7 bilhões seriam obtidos com o incremento da fiscalização eletrônica. Esse tipo de ação aumenta o universo de empresas fiscalizadas, coibindo inadimplência e fraude no pagamento de contribuições, como o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). A fiscalização eletrônica foi lançada em abril do ano passado. Na ocasião, o ministério informou que ela se restringiria ao pagamento do FGTS. Depois, seria expandida para o cumprimento de cota de aprendizes, dimensionamento de serviços especializados em segurança, prevenção de acidentes de trabalho etc. O governo estima que, só no FGTS, a sonegação seja de 7% a 8% dos valores pagos, que somaram R$ 94 bilhões em 2013, dado mais recente disponível. Segundo Manoel Dias, a fiscalização eletrônica também deve ajudar a elevar a cobrança de multas das empresas que desrespeitam as regras trabalhistas. O ministro ainda afirmou hoje que outros R$ 2,6 bilhões viriam da formalização de 500 mil trabalhadores. Segundo ele, existem hoje cerca de 14 milhões a 15 milhões de trabalhadores nessa situação.

Técnicos da Câmara recomendam rejeição de CPI do setor elétrico

A Câmara dos Deputados deve recusar o pedido da oposição para a criação de uma CPI para investigar as causas, consequências e responsáveis pela "desestruturação do setor elétrico a partir de 2004". A área técnica preparou parecer que será levado ao presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sugerindo o arquivamento do pedido por falta de "fato determinado". Para os consultores, o pedido é genérico, sem trazer as especificações necessárias que justifiquem a investigação. A justificativa para a CPI do setor elétrico são os apagões e a política para a definição das tarifas de energia. A idéia é constranger a presidente Dilma Rousseff, que foi ministra de Minas e Energia no governo Lula, considerada pelos oposicionistas "a principal gestora do setor nos últimos anos". A palavra final sobre a criação será de Eduardo Cunha. O PMDB tem controlado o Ministério de Minas e Energia e tem forte influência nas estatais do setor nos últimos anos. A CPI do setor elétrico teve o aval de 172 parlamentares – um a mais do que o número mínimo exigido pelas regras da Casa. Entre os deputados que apoiaram a apuração, estão 53 governistas do PMDB (11), PSD (10), PP (9), PR (8), PRB (6), PDT (7), Pros (1) e PTB (1). Na primeira semana de trabalho da Câmara, governo e oposição travaram uma batalha para emplacar CPIs. Ao todo, foram protocolados oito pedidos, mas apenas cinco comissões de inquérito podem funcionar simultaneamente. Até agora, Eduardo Cunha só autorizou o funcionamento de uma nova CPI da Petrobras, que vai começar a funcionar depois do Carnaval. Os líderes partidários têm até o fim da semana para indicar seus representantes. Na avaliação dos técnicos da Câmara, preenchem os requisitos as CPIs que pedem investigação das pesquisas eleitorais e resultados nas urnas e a dos planos do cartel de próteses. Os pedidos de CPIs sobre violência no país, violência contra jovens negros e pobres e sobre planos de saúde, para os consultores, devem ser rejeitados. A palavra final é do presidente da Câmara. Eduardo Cunha afirmou nesta segunda-feira (9) que deve tomar uma posição até o fim da semana.

Suzana Kakuta é a nova presidente do Badesul

CEO atual do Tecnosinos, o poderoso Pólo de TI da Unisinos, Suzana Kakuta voltará à presidência do Badesul, cargo que exerceu no início do governo Yeda Crusius. O nome dela foi confirmado pelo governador Sartori. Susana Kakuta já foi presidente da CaixaRS, diretora de Operações do Sebrae RS e coordenadora da Unidade de Competitividade Industrial da Confederação Nacional da Indústrias (CNI). É diretora da Unidade de Inovação e Tecnologia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e gestora executiva do Tecnosinos - o Parque Tecnológico São Leopoldo.Vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, o Badesul atua na promoção do desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Sul. Para isso, oferece soluções financeiras de longo prazo para projetos do setor público e de empresas privadas.

Mais um petista no Conselho de Administração da Petrobras, Deyvid Bacelar; não tem jeito, única solução é privatizar essa estrovenga para tirá-la dos petistas


O coordenador-geral do Sindipetro Bahia, Deyvid Bacelar, apoiado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), venceu a disputa para representar os funcionários da Petrobras em 2015 no Conselho de Administração, em um dos momentos mais delicados já enfrentados pela petroleira estatal. Bacelar, que tem o aval da maior federação de trabalhadores da Petrobras, historicamente ligada ao PT, venceu no segundo turno das eleições o atual conselheiro, Silvio Sinedino, com 6.864 votos dos votos, ou 57,83%. A apuração dos votos foi realizada nesta segunda-feira. Ou seja, ele é mais um petista tomando conta da Petrobras. Assim não dá, é preciso privatizar logo essa estrovenga, para ela sair da privatização petralha em que se encontra. A posse de Bacelar, eleito para um mandato de um ano, será na primeira reunião do conselho após a sua eleição formal, prevista para acontecer na Assembléia Geral dos Acionistas da Petrobras, quando também são definidos outros conselheiros da companhia. É a quarta vez que um empregado é eleito para o conselho com a função de representar funcionários. Mas um nome da FUP, em tese, pode aumentar a influência do governo petista no colegiado, justamente em meio às denúncias de corrupção investigadas pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Sinedino, que é filiado à Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), uma entidade com menos sindicatos filiados do que a FUP, demonstrou independência em vários episódios, como na última reunião de conselho, na qual votou contra os nomes propostos por representantes do governo para a diretoria. Ele ocupou a importante cadeira em 2012 e em 2014. O conselho da Petrobras é formado por dez membros, sendo sete indicados pelo governo, um pelos acionistas minoritários de ações ordinárias, um pelos acionistas de preferenciais e um pelos empregados. Nas eleições deste ano, segundo a Petrobras, 138 candidatos concorreram à vaga para representar os funcionários. Durante as eleições, Bacelar propôs aos funcionários a criação de um canal de comunicação direto com a categoria, pessoalmente e também por meio de redes sociais, e-mail e site, como forma de prestar contas da atuação no conselho. Além disso, Bacelar planeja levar para o conselho demandas colocadas pelos trabalhadores sobre as questões de saúde, meio ambiente e segurança e dar continuidade à atuação junto ao Congresso Nacional para a implementação do projeto de lei que permite a ampliação do mandato para dois anos. É só interesse corporativo, apropriação da empresa pela sua corporação. É preciso dar um fim a isso. 

Paraná tem greve de professores no primeiro dia de aula


Os professores da rede estadual de ensino do Paraná entraram em greve nesta segunda-feira. Hoje seria o primeiro dia de aula do ano letivo de 2015. Segundo a secretaria de Educação, a paralisação já afeta 77% das escolas. O Estado tem 950.000 matrículas no ensino básico. É uma greve petista, como todas na área da educação pública no Brasil, que vem sendo sistematicamente destruída pelo petismo durante os últimos 30 anos. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná, que comanda a paralisação, condicionou a volta ao trabalho ao pagamento de salários atrasados, a abertura de novas salas de aula para conter a superlotação das escolas e a contratação de funcionários aprovados em concursos e que não foram chamados para assumir o cargo. Cerca de 2.000 pessoas se reuniram nesta manhã em frente a Assembleia Legislativa do Paraná para protestar contra um pacote de medidas do governo que será votado hoje e que afeta as carreiras dos educadores. Segundo a secretaria de Educação, os grevistas ainda não fizeram nenhuma negociação com o governo do Estado e não existe previsão para o retorno das aulas. Os manifestantes planejam novo protesto em Curitiba na terça-feira.

BNDES anuncia nova linha de crédito a juros de mercado


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta segunda-feira novas opções de financiamento para compra de bens de capital, com taxa de juros fixa a valores de mercado para complementar os financiamentos no Programa de Sustentação do Investimento (PSI). A nova taxa de juros fixa será atualizada mensalmente e permitirá ampliar para até 90% a participação de financiamento do banco de fomento, no caso das operações de aquisição de ônibus e caminhões, incluindo a linha especial para o financiamento ao caminhoneiro autônomo, o BNDES Procaminhoneiro. O programa BNDES PSI financia com taxas fixas a compra de bens de capital de fabricação nacional. O limite para o financiamento com as taxas do programa é de 50% do valor do bem (para grandes empresas) e de 70% (para empresas de porte menor). O cliente, entretanto, pode financiar até 90% do valor, complementando a taxa do PSI com taxas de mercado. "A novidade é que o BNDES está oferecendo aos clientes a opção de cobrir a parcela que exceder os 50% ou 70% também com uma taxa fixa, a custo de mercado", disse o banco em nota. Os valores das taxas fixas para fevereiro são de 17,24% ao ano para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e de 15,74% ao ano para demais empresas. Segundo o BNDES, na composição do crédito (PSI + taxa de juros fixa), ficará mantida a vantagem de custo do financiamento para as MPMEs, já que a participação do BNDES na parcela de financiamento com juros subsidiados do PSI a essas empresas é maior. A medida foi comunicada aos agentes financeiros por meio de circulares do BNDES e o novo instrumento já está disponível. Inicialmente, valerá nas linhas para a aquisição de ônibus e caminhões. Numa segunda etapa, o benefício será ampliado para o financiamento dos demais bens de capital financiados pelo banco.

Firjan diz que custo da energia para indústria deve subir 44% em 2015


O custo de energia elétrica para a indústria brasileira em 2015 deve subir no mínimo 43,6%, em média, sem contar os impactos da revisão tarifária extraordinário e reajustes de tarifas deste ano, segundo projeção da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), divulgada nesta segunda-feira. Segundo a entidade, desde 2013 até o fim deste ano o custo da eletricidade para indústria vai subir 97%. As projeções da Firjan consideram gastos relacionados ao fim dos subsídios na tarifa de energia, bandeiras tarifárias e pagamento dos empréstimos feitos com bancos para socorrer as distribuidoras. "Estamos conservadores nesses 43,6%", disse o assessor de Planejamento e Desenvolvimento Econômico da Firjan, Cristiano Prado, durante o Fórum de Comercialização de Energia Outlook 2015, realizado pela Blue Ocean. Ele explicou que pode haver um aumento adicional de 15% a 20% no custo da energia para a indústria neste ano, em alguns casos específicos, considerando revisão tarifária extraordinária e reajustes das distribuidoras. Para 2016, "no melhor dos cenários", haverá um pequeno aumento no custo, segundo Prado. Ele considera ainda que as bandeiras tarifárias ficarão vermelhas ao longo de 2015, ou seja, o preço da energia gerada estará no patamar mais alto. "O que acontece é que a indústria está ficando desesperada com essa situação. Está vendo o preço de seu principal insumo numa trajetória crescente, não consegue enxergar uma mudança de curva, de quando é que a gente vai voltar a ver energia que seja competitiva pelo menos num valor próximo ao que a gente encontra internacionalmente", disse Prado a jornalistas, após palestra.

Eduardo Cunha: “Aborto e regulação da mídia, só por cima do meu cadáver”; “modelo de partilha no petróleo tem de acabar”; “o PT quis esfacelar o PMDB”

Como? Você não gosta de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara? É um direito seu. Acha que ele recorre a esse ou àquele métodos que não são muito bacanas? Que sejam expostos, então. Agora, rejeitá-lo porque ele sabe fazer política, aí não dá! Há muito eu não via alguém no seu posto falar com tanta clareza e demonstrar altivez. Se for tudo firula e se isso ficar claro, a gente aponta. Eu, por exemplo, nunca pensei num presidente da Câmara para ser meu amigo pessoal, meu genro, meu confidente, meu “companheiro”… No cargo, é preciso ter alguém que se ocupe de questões institucionais, fale com clareza e mantenha a independência do Legislativo, que não pode ser nem doado nem vendido ao Executivo.

Eduardo Cunha concedeu duas excelentes entrevistas neste fim de semana. Uma às “Páginas Amarelas”, da VEJA, e outra ao Estadão. Daquelas de deixar jornalistas “progressistas”, que já perderam o costume de viver numa sociedade democrática, arrepiadinhos. Daquelas de indignar os barbudinhos suados que querem “controlar a mídia”. Daquelas de deixar com ódio os vagabundos que hoje são alimentados por estatais para pregar a censura à imprensa.
Cunha dá uma resposta menos assertiva quando lhe perguntam se a Operação Lava Jato vai ou não atingi-lo. Indagado se pode ser processado pelo STF, responde: “Não sei. Está tudo esclarecido, estou tranquilo em relação a isso”.
Leiam a sua opinião sobre alguns temas, expressos nas duas entrevistas.
Regulação da mídia
Na VEJA: “Sou absolutamente contrário à regulação da mídia, seja de conteúdo, seja de natureza econômica. O PMDB se originou de uma frente para combater a ditadura. A liberdade de expressão e a democracia são princípios fundamentais para o partido. Você pode me xingar e me atacar à vontade. Se eu me sinto ofendido, tenho o direito de recorrer à Justiça. Como diz aquele velho ditado: para má imprensa, mais imprensa.” E no Estadão: “Regulação econômica de mídia já existe. Você não pode ter mais de cinco geradoras de televisão”.
Ainda aborto e casamento gay
NO ESTADÃO: “Quem está pedindo para ser discutido? Qual é a parte do Congresso que está pedindo? Isso é uma minoria”. Na VEJA: “Não vejo na Casa uma maioria para aprovar uma eventual proposta que autorize a união civil de pessoas do mesmo sexo”.
Reforma política
NO ESTADÃO: “Eu quis mostrar que eles (os petistas) são o empecilho para a reforma política. Eles ficaram uma arara”.
O PMDB e o governo
Na VEJA: “O PMDB identificou claramente as digitais do governo numa tentativa de desestabilizar o partido. O governo patrocina a criação de outros partidos, e já há uma tentativa de cooptação de parlamentares peemedebistas. O PT decidiu trabalhar deliberadamente pelo esfacelamento do PMDB”.
O PMDB e a candidatura própria
NA VEJA: “Time que não joga não tem torcida, e o PMDB está há muito tempo sem jogar. Prevejo mais dificuldades (com o PT) nas eleições municipais. Nesse momento, a prioridade do PMDB é reagir à tentativa do PT de enfraquecer e reduzir o poder do partido”.
Modelo de partilha do petróleo
NO ESTADÃO: “O modelo (de partilha) não funciona. (…) Não é questão de comprar briga, mas de discutir o assunto. A obrigação de a Petrobrás participar de todos os investimentos não é boa. A Petrobrás não tem condição financeira de dar conta dos investimentos que começou a fazer, que dirá de investimentos futuros. Vai atrasar o País”.
Sobre Pepe Vargas, ministro das Relações Institucionais
NO ESTADÃO: “O Pepe, além de tudo, é inábil no trato. É errado na forma e no conteúdo. O quanto eu puder evitar, eu evito. Mas vamos ver, algum interlocutor com o governo haverá”.
Governo atrapalhado
NO ESTADÃO: “Se, em vez de (os governistas) ficarem correndo atrás de pressionar gente para votar no Chinaglia, tivessem colhido assinaturas, poderiam instalar outras CPIs antes da CPI da Petrobrás. Se tivessem o mínimo de articulação política, tinham feito isso. O governo está perdido politicamente. Se eles não mudarem a articulação, vão ter que mudar o método. Precisa rearranjar essa situação”.
Rui Falcão
NO ESTADÃO:  “O Rui Falcão me ligou umas dez vezes esta semana e eu não atendi. Só atendo depois que ele me pedir desculpas pela grosseria que me fez há um ano, disse que eu fazia chantagem”.
Pode ser processado pelo STF?
NO ESTADÃO: “Não sei. Está tudo esclarecido, estou tranquilo em relação a isso”. Por Reinaldo Azevedo

JOSÉ IVO SARTORI DOA SANGUE NO HEMOCENTRO, ATENDENDO PAUTA DA RBS.


Depois de ter participado da abertura da Festa do Arroz, sábado, e da tradicional churrascada na casa de praia do vereador Idenir Cecchin (PMDB), o governador José Ivo Sartori (PMDB) resolveu cuidar da saúde e fazer um ato de benemerência, porque nesta segunda-feira foi doar sangue no Hemocentro do Estado. O governador Sartori ouviu na Rádio Gaúcha, do grupo RBS, que o programa estava sendo feito do Hemocentro, e resolveu colaborar com a campanha da doação de sangue, mudando sua agenda.

Governo Sartori tem secretários fantasmas na Casa Civil e Secretaria da Fazenda


É inacreditável e completamente estranha na vida política do Rio Grande do Sul a situação dos deputados federais Giovani Feltes e Márcio Biolchi (ambos do PMDB) que, embora em pleno exercício dos seus mandatos e não tendo sido renomeados pelo governador José Ivo Sartori, passaram a dar expediente normal nas secretarias da Fazenda e da Casa Civil, para as quais foram nomeados. Eles estavam afastados há dez dias do Estado, já que foram a Brasília para assumirem como deputados Federais. Sem se licenciarem, voltaram hoje a Porto Alegre, despacham como se estivessem nos cargos e se preparam para voltar a Brasília nesta quarta-feira, porque foram chamados a votar no candidato do vice Michel Temer para a liderança do PMDB na Câmara. Temer não quer perder nenhum voto. O candidato do vice de Dilma é o irmão de Geddel Vieira Lima, eleito senador pela Bahia. Trata-se de Lúcio Vieira Lima. Os candidatos são os deputados Manoel Júnior (PB), Marcelo Castro, Danilo Forte (CE), Lúcio Vieira Lima (BA), Leonardo Picciani (RJ) e José Priante (PA).

Somente para a campanha de Dilma em 2010, PT recebeu R$ 120 milhões em propinas da roubalheira da Petrobras

Os 89 maiores contratos da Petrobras foram a fonte para um volume total de propina que chega a R$ 1,2 bilhão, segundo valores contidos em planilha entregue aos procuradores da Operação Lava Jato por Pedro Barusco, ex-gerente da petroleira, e corrigidos pela inflação do período. Os contratos listados por Barusco somam R$ 97 bilhões. O suborno equivale a 1,3% deste valor. Em depoimento que prestou após acordo de delação premiada, o ex-gerente citou que a propina variava de 1% a 2% do valor contratado. A tabela de cinco páginas detalha em que acertos houve propina, quem pagou, o nome do intermediário, em que data e como o dinheiro foi dividido entre o PT, o ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Serviços, o petista Renato Duque, e o próprio Barusco. No acordo que assinou, Barusco se comprometeu a devolver US$ 97 milhões que recebera de suborno. De acordo com a planilha, o PT ficou com a maior parte dos recursos: R$ 455,1 milhões, equivalente hoje a US$ 164 milhões. No depoimento aos procuradores, Barusco disse que a parte do suborno que ficara com o PT era de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões. A empreiteira que mais pagou propina, segundo a lista de Barusco, é a Engevix. A empresa ocupa essa posição porque conquistou o maior contrato citado pelo ex-gerente na planilha, de R$ 9 bilhões, para a construção de cascos de navio para a exploração do pré-sal. Nesse caso, detalha Barusco, a propina foi de 1% do valor do contrato (R$ 90 milhões), dividida em partes iguais entre o PT e a diretoria de Serviços da estatal. Os pagamentos listados ocorreram entre maio de 2004 e fevereiro de 2011, nos governos Lula e Dilma Rousseff. Os dados mostram que a maior parte da propina foi paga em 2010, ano da primeira eleição de Dilma. De acordo com a tabela, foram embolsados R$ 374 milhões. Desse total, o PT teria ficado com R$ 120 milhões. O material apresentado por Barusco é organizado ao ponto de apresentar os centavos de obras bilionárias da Petrobras. Onze agentes que intermediavam a propina são mencionados, entre os quais Julio Camargo - ligado à empresa Toyo Setal e também delator do esquema - e Idelfonso Colares, presidente da Queiroz Galvão até 2013. Já na coluna sobre a divisão do suborno, Barusco usa códigos: "part" para Partido dos Trabalhadores, "PR" para Paulo Roberto Costa e "casa" para identificar a diretoria de Serviços. Em alguns casos, a divisão da "casa" aparece detalhada. Em uma obra na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, por exemplo, há a indicação "(0,6MW 0,4Sab)" ao lado do registro de uma propina de 1% para a diretoria. "MW" é uma referência a Renato Duque, a quem Barusco se referia como "My Way", título de canção interpretada por Frank Sinatra. "Sab" identifica o próprio ex-gerente da Petrobras, numa alusão a Sabrina, nome de uma ex-namorada, segundo ele relatou à Polícia Federal. Assim, só nesse contrato Duque levou R$ 7,9 milhões e Barusco, R$ 5,3 milhões.

Petrobras fraudou licitações para simplificar esquema de corrupção

Além das denúncias de fraude nas licitações da Petrobras por carta-convite reveladas pela Operação Lava-Jato, organismos de controle como o Tribunal de Contas da União e a ONG Transparência Brasil apontam outras brechas para direcionar contratos de compras da estatal. O Procedimento Licitatório Simplificado da Petrobras, criado em 1998 para dar agilidade à companhia, prevê ainda o uso da tomada de preços, do leilão e da concorrência nos moldes do que é feito no setor público. No entanto, a estatal praticamente abandonou essa última opção. Além das cartas-convite, que passaram a dominar as contratações da empresa a partir de 2004, a Petrobras usa a inexigibilidade ou dispensa de licitação para fechar um volume expressivo de contratos. Um levantamento da Transparência Brasil nos contratos da estatal apenas entre 2009 e 2014 mostra que empresas e consórcios citados na Lava-Jato ganharam R$ 3,6 bilhões em acordos sem concorrência. Além de controlar a lista de participantes nas licitações por convite, executivos da estatal podem estabelecer especificações ou decretar urgência nos projetos para contratar por inexigibilidade ou dispensa de licitação. Foi o expediente usado, por exemplo, para contratar parte das obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, por R$ 1,4 bilhão. Esse tipo de contratação está na mira do Tribunal de Contas da União, que desde 2005 pede ao Supremo Tribunal Federal para obrigar a Petrobras a seguir o regime de licitações do setor público, regido pela Lei 8.666. As delações premiadas da Lava-Jato revelaram que a modalidade convite também deu aos diretores da Petrobras condições de direcionar as contratações. Mesmo que o regulamento não mude por causa do processo decisório, precisa ser melhor vigiado. Falta um controle eficiente das compras, do copinho de plástico às plataformas. Em 2004 (início do período investigado na Lava-Jato), 92% de tudo que a companhia comprou foi sem concorrência. Essa proporção caiu drasticamente nos anos seguintes, quando a Petrobras passou a privilegiar as licitações por convite, que chegaram a 76% em 2009. Desde 2012, os contratos por inexigibilidade e dispensa voltaram a crescer. No ano passado, quase foram 40% do total. Nessas duas modalidades, a Petrobras contrata diretamente de um fornecedor, mas precisa comprovar que só ele é capaz de entregar aquele serviço ou equipamento dentro de determinadas especificações ou que detém produto ou tecnologia sem similares no mercado. Há ainda a contratação direta por urgência. Em tese, as licitações por convite são melhores para a estatal do que as compras por dispensa ou inexigibilidade, porque existe concorrência. Mas investigados na Lava-Jato que se tornaram delatores revelaram que os certames por convite favoreceram o cartel que direcionava contratos de grandes obras. Com a ajuda dos ex-diretores Renato Duque (petista) e Paulo Roberto Costa, que também aderiu à delação premiada, muitas concorrências foram encenadas. O ex-gerente de engenharia da Petrobras, Pedro Barusco, e o executivo da Setal, Augusto Mendonça, disseram à Justiça que a lista de convidados para licitações era decidida pelos ex-diretores com integrantes de um cartel. Após limitar os convites às “sócias do clube”, decidia-se qual empresa venceria para que as outras fizessem propostas mais altas. Dessa forma, um contrato superfaturado, direcionado para determinada empreiteira, passava pelos órgãos de controle como fruto de uma seleção por menor preço, sem a necessidade de justificativas como as exigidas na dispensa ou inexigibilidade de licitação. A revelação dessa dinâmica já tem sido usada por defensores dos executivos das empreiteiras que estão presos para derrubar a tese da Petrobras de que foi vítima do cartel.

Mercado prevê PIB zero para 2015 e uma inflação de 7,15% em 2015

Pela primeira vez no Relatório de Mercado Focus, a projeção do mercado financeiro para a atividade brasileira deste ano ficou estável. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 passou de uma ligeira expansão de 0,03% para 0,00%. Esta foi a sexta revisão seguida para baixo desse indicador. Há quatro semanas, a aposta era de uma alta este ano de 0,40%.  Neste domingo, 8, em Istambul, o próprio presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reconheceu que o País não deve crescer em 2015 e que a inflação seguirá elevada no curto prazo. O relatório Focus, divulgado às segundas-feiras pelo Banco Central, reúne as estimativas de cerca de 100 casas do mercado financeiro para as principais variáveis macroeconômicas. A expectativa de que o Banco Central não entregará a inflação sem estourar o teto da meta de 6,50% deu mais um passo de afastamento em relação a essa tarefa no relatório Focus. De acordo com o documento, a mediana das previsões para o IPCA deste ano subiu de 7,01% para 7,15%, ficando portanto acima do teto da meta de inflação, de 6,5%. Há um mês, a mediana estava em 6,60%. No grupo dos economistas que mais acertam as previsões (Top 5), a mediana segue acima da banda superior da meta e aumentou, passando de 6,86% para 7,12%. Na sexta-feira, foi divulgada a inflação de janeiro, que apontou para uma alta de preços de 1,24% em janeiro. Em 12 meses, houve aumento de 7,14%. Os analistas prevêem que o IPCA suba 1,02% em fevereiro, segundo o relatório Focus. A expectativa de que os preços administrados (energia, gasolina, etc) serão o maior vilão da inflação este ano ganhou mais força. A mediana das previsões para esse conjunto de itens subiu de 9,00% na semana passada para 9,48% agora. Com essa mudança, a estimativa do mercado ultrapassou a projeção mais recente feita pelo Banco Central, de alta de 9,30% para esses preços. Já para 2016, a expectativa é a de que a pressão para a inflação desse conjunto de itens seja menor. A mediana das estimativas caiu de 5,80% pra 5,50% entre uma semana e outra. Sobre os preços administrados de 2015, o Banco Central explicou que a projeção em nível elevado considera hipótese de elevação de 8% no preço da gasolina, em grande parte, reflexo de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e da PIS/COFINS; de 3,0% no preço do gás de bujão; de 0,6% nas tarifas de telefonia fixa; e de 27,6% nos preços da energia elétrica, devido ao repasse às tarifas do custo de operações de financiamento, contratadas em 2014, da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Com a continuação da disparada dos preços da inflação corrente e logo depois das mudanças na diretoria do Banco Central anunciadas na semana passada, o mercado financeiro mexeu em suas projeções para o rumo da Selic. As alterações não foram grandes o suficiente para influenciar as taxas de fim de ano, que permaneceram as mesmas das semanas anteriores, mas já foi vista uma alteração nas taxas médias do ano. Essa movimentação embute a expectativa de uma alta maior em 2015 e de uma taxa menor ao longo de 2016. No Relatório de Mercado Focus, os analistas projetam que a taxa básica de juros terminará o ano em 12,50% pela nona semana consecutiva. A Selic média para este ano, no entanto, passou de 12,47% (onde estava estacionada há sete semanas seguidas) para 12,63% ao ano. Para o encerramento de 2016, a mediana das projeções foi mantida em 11,50% pela sexta semana seguida. A Selic média do ano que vem, no entanto, passou de 11,69% ao ano para 11,61%. Economistas não mexeram em seus cenários para o câmbio neste e no próximo ano, segundo o Relatório de Mercado Focus. A mediana das estimativas para o dólar em 2015 ficou congelada em R$ 2,80 - a estimativa foi apresentada pela sexta semana seguida. O dólar médio de 2015 também continuou em R$ 2,73 entre uma semana e outra - um mês antes estava em R$ 2,72. As projeções do mercado financeiro para a balança comercial do próximo ano apresentaram ligeira melhora. A mediana das estimativas para o saldo comercial em 2016 passou de um saldo positivo de US$ 10,51 bilhões para US$ 12 bilhões no período. Para esses analistas consultados semanalmente pelo Banco Central, o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) será insuficiente para cobrir esse resultado deficitário em 2015, já que a mediana das previsões para esse indicador está em US$ 60 bilhões ante US$ 59,20 bilhões da semana passada. Quatro edições da Focus atrás, a mediana estava em US$ 60 bilhões.

TEMPESTADE DE GRANIZO PROVOCA POUSO DE EMERGÊNCIA NO RIO DE JANEIRO



Passageiros do vôo 3307 da TAM, que seguia do Rio de Janeiro para Natal, com escala em Fortaleza, levaram um grande susto, quando a aeronave precisou fazer um pouso de emergência no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Galeão, no fim da tarde deste domingo, 8. O avião, que havia decolado às 17h18, teve de retornar 43 minutos mais tarde, depois de enfrentar área de forte turbulência e tempestade de granizo. A frente da aeronave ficou amassada. A TAM não informou se houve feridos. Os passageiros foram divididos em dois vôos, que seguiram para Fortaleza e Natal, às 21 horas. Em nota, a companhia informou que os “passageiros receberam a assistência necessária”. De acordo com a concessionária Rio Galeão, que administra o Tom Jobim, o incidente não afetou a operação no aeroporto e ambulâncias não chegaram a ser acionadas. 

PETROBRAS ABRE SEMANA COM NOVAS QUEDAS NA BOLSA


Ainda absorvendo a eleição de Aldemir Bendine para a sua presidência, a Petrobras inicia a semana em queda na Bolsa. As baixas não são tão fortes quanto às dos últimos pregões, mais ainda são intensas. Por volta das 10h30 desta segunda-feira, 9, seus papeis preferenciais (PN) recuavam 4,28%. Os ordinários (ON), 3,99%. O Ibovespa estava em queda de 0,75%, à altura dos 48,439 mil pontos. Ao longo do dia, os papéis da Petrobras tendem refletir também o anúncio feito pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). De acordo com o grupo, os preços baixos praticados neste ano devem reascender a demanda pelo petróleo no mundo. O mercado de câmbio, por sua vez, dá sequência a trajetória de alta do dólar sobre o real. Depois de alcançar o maior valor em 10 anos na última sexta (cotada a R$ 2,7720), a moeda americana subia mais 0,51%, sendo vendida no balcão por R$ 2,786. A insatisfação dos analistas e operadores de mercado com a escolha de Bendini para a presidência da Petrobras também deve apoiar mais uma rodada de busca de proteção no dólar. E o foco para quem trabalha com câmbio ainda continua nos riscos crescentes de crescimento negativo e inflação alta no País - conforme divulgado pela pesquisa Focus.

Políticos gaúchos José Otávio Germano e Nelson Marchezan Junior estão em planilhas encontradas pela Polícia Federal na empreiteira Camargo Correa

Planilhas apreendidas pela Polícia Federal na sede da empreiteira Camargo Correa, em São Paulo, contêm nomes de políticos como o vice-presidente Michel Temer (PMDB) ao lado de valores em dólares e de obras de infraestrutura estimadas também na moeda estrangeira. São feitas duas menções ao nome de Michel Temer no documento, cada uma seguida pelo valor de US$ 40 mil. Araçatuba e Praia Grande, municípios paulistas, são cidades que aparecem ao lado do nome do vice presidente nas planilhas apreendidas pela Polícia Federal na sede da empreiteira, ao lado também dos valores de US$ 40 mil. Na mesma tabela, constam nomes de outros deputados, senadores e prefeitos. A Polícia Federal não faz nenhuma análise sobre o documento porque os políticos mencionados detêm foro privilegiado perante os tribunais superiores – no caso dos parlamentares, o Supremo Tribunal Federal detém competência exclusiva para abrir investigação. Sem autorização da Corte, a PF não pode investigar deputado nem senador. A Polícia Federal apenas juntou aos autos da Operação Lava Jato o documento apreendido na empreiteira, que é alvo da investigação por suspeita de ter integrado o cartel que assumiu o controle dos maiores contratos da Petrobrás. Não há nenhuma menção nas planilhas encontradas na empreiteira a um suposto caixa 2 ou pagamento de propinas. São nomes lançados ao lado de valores. Na apreensão, a Polícia Federal também encontrou planilhas que apontam doações que teriam sido feitas pela empresa a políticos do PT, PSDB, PMDB, DEM e PDT nas eleições de 2012. Os nomes dos políticos aparecem em tabelas, organizadas por partidos. Os políticos citados nas planilhas vem acompanhados por números isolados. A primeira tabela é reservada aos políticos do PT. O material foi apreendido pela polícia durante o cumprimento de um dos mandados de busca da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobrás envolvendo políticos e empreiteiras. 



Barusco diz que o PT recebeu R$ 40 milhões de propina no estaleiro Rio Grande


A construção de três navios-sonda de perfuração no estaleiro da Petrobras em Rio Grande teria envolvido o pagamento de R$ 60 milhões em propina – R$ 40 milhões para o PT – e foi combinado entre Pedro Barusco (ex-gerente da estatal), João Vaccari Neto (tesoureiro do partido) e o empresário Milton Pascowich (operador da fraude). A rota do suborno foi detalhada por Barusco em acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. Conforme ele, a Sete Brasil – empresa que nasceu de um projeto da Petrobras para fabricar sondas nacionais – venceu uma licitação em 2011 para produzir 21 navios desse tipo nos estaleiros de Rio Grande (RS), Jurong (ES), Kepel Fels (RJ) e Enseada do Paraguaçú (BA). Barusco ressaltou que o "maior contrato de sondas do mundo inteiro" ocorreu dentro da legalidade, mas envolveu um acordo de distribuição de 1% do valor de cada embarcação para as três partes do esquema criminoso. Como cada navio teve um preço médio de US$ 720 milhões (R$ 2 bilhões), Barusco delatou ao Ministério Público Federal que R$ 60 milhões foram desviados do estaleiro de Rio Grande para serem distribuídos entre ele, o PT e a Sete Brasil. O partido da presidente Dilma Rousseff ficou com a maior parte do dinheiro, segundo ele. "A divisão se dava da seguinte forma: dois terços para João Vaccari e um terço para a 'Casa 1' e 'Casa 2'. A 'Casa 1' referia-se a pagamentos no âmbito da Petrobras, especificamente para o Diretor de Serviços, Renato Duque, e Roberto Gonçalves, e a 'Casa 2' referia-se ao pagamento de propinas no âmbito da Sete Brasil, especificamente para o declarante, João Carlos de Medeiros Ferraz, presidente da empresa, e, posteriormente, também houve a inclusão de Eduardo Musa, diretor de Participações", aponta a delação. As 21 unidades estão previstas para ser entregues a partir de 2016 e serão destinadas principalmente à perfuração de poços no pré-sal da Bacia de Santos, incluídas as áreas da cessão onerosa, de onde a estatal está autorizada a retirar 5 bilhões de barris de petróleo. Barusco revelou ao Ministério Público Federal que o operador da fraude em Rio Grande era o empresário Milton Pascowitch, que presta serviços à Ecovix, companhia do ramo de construção naval e off-shore. No depoimento, o ex-gerente da estatal falou que "demorou bastante para se consolidar essa forma de pagamento por conta do grande número de pessoas envolvidas". Para não haver erro na execução do crime, Barusco, Julio Camargo (lobista da Toyo-Setal), Renato Duque (diretor de Serviços da Petrobras) e João Carlos Ferraz (então presidente da Sete Brasil) selaram o acordo em um jantar em Milão, na Itália, em outubro de 2011. Eles acertaram os detalhes da propina com o presidente do banco suíço Cramer e um agente da instituição, chamado Pierino Lardi. No dia seguinte, eles abriram contas em nome de off-shores no banco suíço, exceto Camargo, que já mantinha relacionamento com os europeus. Pedro Barusco contou que foram abertas 19 contas em nove bancos e confirmou que o esquema de propinas teve início em 1997. Uma planilha montada por ele, além de seu depoimento, serviram para a Polícia Federal desencadear a nona fase da Operação Lava-Jato, na última quinta-feira, prendendo quatro pessoas. O quadro montado pelo ex-gerente e entregue aos procuradores da República tem cinco páginas e informa, entre outros dados, a obra, quem pagou, intermediário e destino do dinheiro. O documento de Barusco abrange, no total, 87 dos principais contratos firmados pela Petrobras na última década no País e no Exterior. Somam a quantia de R$ 97 bilhões. Desse total, R$ 1,2 bilhão teriam sido pagos em propina.

Risco de pedido de impeachment de Dilma prosperar dobra, diz consultoria



Em relatório a clientes enviado nesta segunda-feira, 9, a empresa de consultoria política Arko Advice calcula que a probabilidade de um pedido de impeachment prosperar dobrou desde a semana passada e agora chega a 30%. O risco era ao redor de 15% antes da pesquisa Datafolha mostrar no fim de semana que a popularidade da presidente Dilma Rousseff despencou. O porcentual de risco atual, “embora pequeno, é significativo”, dizem os analistas da Arko Advice, lembrando no relatório que já existe nas redes sociais a convocação de uma manifestação pró-impeachment para o dia 15 de março. Independentemente de se colocar um número para o risco de Dilma enfrentar um processo de impeachment, que hoje ainda não deveria ser o cenário base de investidores e empresários, os ruídos causados por notícias relacionadas a esse tema vão tornar o ambiente macroeconômico muito mais difícil. Qual o empresário que, em meio à uma forte desaceleração da atividade e projeções de retração do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, decidirá investir e contratar mão de obra vendo crescer à frente o risco de um impeachment da presidente? Caso o barulho político comece a contaminar os preços dos ativos brasileiros, como os investidores de longo prazo vão reagir? E o capital externo? Para além das notícias de isolamento de Dilma nas suas relações com o ex-presidente Lula e com o PT, é interessante observar que ataques e críticas veladas ao seu governo começam a vir não somente da oposição. Não passou em branco o artigo publicado na edição de domingo da Folha de S. Paulo pelo ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o qual teria sido indicado por Lula para vários cargos no governo Dilma, os mais recentes incluindo o comando do Ministério da Fazenda e também da Petrobrás, como a imprensa vem divulgando há tempos em notas de bastidor. Sempre comedido na escolha das suas palavras, Meirelles começa o seu texto, cujo foco seria eventos externos, desta maneira: “Com recessão, apagão, seca e petrolão …”. Ele arremata o artigo assim: “O caminho passa por uma administração profissional de governos e estatais, uma regulação pró-competição que dê condições aos empresários de empreenderem e gerar crescimento e emprego, um bom funcionamento do sistema de preços e a maior transparência possível". Isso sem falar no artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, publicado na edição de 1º de fevereiro de O Estado de S. Paulo, o qual pedia: “Resta, portanto, a Justiça. Que ela leve adiante a purga; que não se ponham obstáculos insuperáveis ao juiz, aos procuradores, delegados ou à mídia. Que tenham a ousadia de chegar até aos mais altos hierarcas, desde que efetivamente culpados". Ou ainda no parecer do advogado Ives Gandra Martins dando sustentação jurídica a um pedido de impeachment. O cerco à Dilma saiu da oposição, começa a migrar para políticos ligados a “aliados”, como o ex-presidente Lula, e agora passa a ter o termômetro da avaliação popular. Aliás, não se esperava que a deterioração do índice de popularidade, assim como a disparada na avaliação ruim/péssima, da presidente fosse tão rápida mal tendo começado seu segundo mandato. A avaliação ótimo/bom de Dilma despencou de 42% na pesquisa anterior para 23% no levantamento divulgado no fim de semana, enquanto a nota ruim/péssimo subiu de 24% para 44%. A piora das perspectivas para a economia brasileira – com o temor de inflação em alta, de recessão e do aumento do desemprego – explica em boa parte o sentimento negativo das pessoas ouvidas pelo Datafolha. Mas não só isso: tem também o desgaste com o crescente risco do racionamento de água e de energia elétrica e o sentimento de que, com as medidas amargas do ajuste fiscal, especialmente com o corte de benefícios trabalhistas e elevação da carga tributária, Dilma fez exatamente o contrário do que prometeu na campanha eleitoral. Para agravar a situação, as denúncias publicadas com a investigação da Operação Lava Jato sobre o esquema de corrupção na Petrobras azedaram o humor em relação ao PT e ao governo. É nesse contexto econômico e político que dá para entender o porquê de a Arko Advice ter dobrado a probabilidade de um pedido de impeachment da presidente Dilma prosperar. E o cenário à frente não é promissor. Isso porque, com a divulgação do depoimento do ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, haverá maior turbulência política a partir de futuras fases da Lava Jato, quando os investigadores passarem a detalhar quais políticos receberam doações ilegais para as suas campanhas eleitorais. Barusco disse, em delação premiada ao Ministério Público Federal, que o PT recebeu até US$ 200 milhões entre 2003 e 2013 em propinas provenientes de contratos da Petrobrás. O que preocupa a investidores e analistas no ambiente de fragilidade política de Dilma Rousseff é a sua implicação para a determinação da presidente em levar adiante uma correção nos rumos macroeconômicos. A economia, comandada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pode ser a tábua de salvação da presidente. Mas o próprio Levy já não goza da mesma lua de mel com o mercado de quando começou a anunciar as medidas para obter a meta de superávit primário de 1,2% do PIB em 2015. No auge do bom humor do mercado com Levy e com o Brasil, o dólar bateu, no dia 22 de janeiro, a cotação mínima de 2014, a R$ 2,5570. Por volta das 11 horas na manhã desta segunda-feira, a moeda americana era cotada a R$ 2,7900. No fechamento do dia 21 de janeiro, a taxa do contrato futuro de juros com vencimento em janeiro 2017 – um indicador da percepção de risco e também das expectativas em relação à inflação e aos juros – fechou a 12,33%. No nível máximo registrado na sessão de negócios até às 11 horas de hoje, essa taxa bateu 12,78%. Ou seja, o investidor já não está apostando tanto que Levy irá conseguir atingir o esforço fiscal prometido para 2015 nem que domará a inflação. E esse é o problema que o Brasil pode ter de enfrentar no curto prazo: a política contaminando a economia, que por sua vez agravará mais o ambiente político. (Fábio Alves)

Ataque da Otan mata comandante da facção Estado Islâmico no Afeganistão

Um dos comandantes da organização terrorista Estado Islâmico (EI) no Afeganistão, Abdul Rauf, morreu nesta segunda-feira (9) em um ataque de drones da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no sudoeste do país, segundo o vice-governador da província de Helmand. Abdul Rauf esteve preso por seis anos em Guantánamo e era o segundo líder da cadeia de comando do EI na região. Ele estava em um veículo com outros insurgentes no distrito de Kajaki, em Helmand. Outros três terroristas e o genro de Rauf também morreram no ataque, que ocorreu por volta de 13h20 locais (6h50 em Brasília). Segundo o governo afegão, Rauf estaria recrutando insurgentes para o EI nas últimas semanas em "zonas inseguras", como as autoridades se referem às regiões do país onde não há o controle do Estado. Em janeiro, Rauf foi nomeado como vice-líder do EI para Khorasan, que inclui o Afeganistão, partes do Paquistão e do Tadjiquistão. Segundo autoridades iraquianas, ao menos 13 membros do EI morreram nesta segunda-feira (9) em um ataque aéreo contra um quartel e uma fábrica de explosivos no oeste de Mossul, na província de Ninawa. Um dos locais seria uma fábrica para a elaboração de explosivos e a preparação de veículos-bomba. O Estado Islâmico assumiu em 2014 o controle de Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, e impôs seu domínio em vastas áreas do país e da vizinha Síria, onde proclamou um califado.

Petrobras altera manual que orienta contratações


Despacho publicado no Diário Oficial da União de hoje (9) pela gerência executiva da Petrobras informa a alteração em um item do documento que, desde o dia 2 de fevereiro, serve como meio de orientação nas contratações da estatal. Na revisão do Manual da Petrobras, foi acrescido trecho informando que a estatal e empresas fornecedoras de bens ou prestadoras de serviços devem respeitar as disposições contidas no Código de Ética do Sistema Petrobras, no Guia de Conduta da empresa e na Política de Responsabilidade Social. Dessa forma, a estatal tenta aperfeiçoar as regras para a celebração de contratos, a fim de evitar problemas como os investigados pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. O manual define competências, autorizações, regras e limites para licitações e contratações feitas pela estatal. Ele cita situações e requisitos necessários para a inclusão de aditivos nos contratos originais, além de definir as regras para a prestação de serviços, bem como para acordos – comerciais, sigilosos, de apoio logístico e de transferência de tecnologia, entre outros. Além disso, esclarece quais são as normas aplicáveis a contratos de locação, de arrendamento e de patrocínio. Em relação às avaliações e controles feitos pela empresa, o manual informa que as unidades devem, conforme suas necessidades, estabelecer procedimentos de controle interno sobre os processos de contratação de bens e serviços, além de fazer avaliações periódicas nesses controles. Outro ponto ao qual o manual lança luz é relativo à aplicação de sanções administrativas a empresas que, em meio às negociações com a Petrobras, pratiquem atos ilícitos lesivos ou atos que causem prejuízo à estatal.

Construtoras da Lava Jato enfrentam enxurrada de ações


A vida financeira das construtoras envolvidas na Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção nos contratos da Petrobras, anda tão difícil que nem as despesas mínimas estão sendo pagas. Com caixa debilitado e sem crédito na praça, as empresas vivem um bombardeio de ações judiciais movidas por fornecedores, que cobram por serviços prestados, venda de produtos e locação de equipamentos. Na outra ponta, o reflexo tem sido a redução do ritmo das obras e do quadro de funcionários de algumas construtoras. Os problemas surgiram com a sétima fase da operação Lava Jato, da Polícia Federal, desencadeada na primeira quinzena de novembro e que prendeu executivos de várias construtoras, como Camargo Corrêa, OAS, Mendes Júnior, UTC, Engevix, Iesa, Galvão Engenharia e Queiroz Galvão. No fim de dezembro, a situação se complicou ainda mais com a lista de 23 empresas proibidas de participar de novas licitações da Petrobras. Sem receber por contratos em andamento e impedidas de participar de novos negócios, as empresas também deixaram de pagar fornecedores e estão enxugando suas estruturas. A Galvão Engenharia, por exemplo, decidiu fechar a divisão de engenharia industrial, a mais ligada aos projetos da Petrobras. A empresa diz que, além das dívidas vencidas, tem cerca de 900 milhões de reais a receber da estatal, que paralisou todos os pagamentos desde 2014. Sem dinheiro, a companhia também parou de pagar seus fornecedores. Um deles é a Four Tech, empresa que faz locação de equipamentos para o ramo de petróleo. A empresa alugou máquinas para a Galvão usar nas obras da Refinaria de Paulínia. Depois da Lava Jato, porém, a empresa deixou de pagar o devido, até mesmo uma dívida de apenas 14.000 reais. "Entramos em contato com a empresa no fim de janeiro e ela disse que só no segundo semestre (teria dinheiro para pagar)", diz o advogado da companhia, Vinicius Feitoza Paes. Segundo ele, a alternativa escolhida pela Four Tech para receber o dinheiro foi cobrar na Justiça. Mesmo caminho foi seguido pela Engete Engenharia, de Belo Horizonte (MG). O diretor Vicente Paulo conta que havia feito um acordo com a Galvão para pagamento parcelado de uma dívida, mas o negócio não foi cumprido e a empresa também teve de ir à Justiça. A SH Formas, locadora de equipamentos para construção (andaimes, escoras metálicas, etc.), foi além de uma simples ação judicial para cobrar a dívida da Mendes Júnior: pediu a falência da empresa. O advogado da companhia, Renato Leal, conta que a construtora se comprometeu a pagar o débito, de 2,2 milhões de reais, em oito vezes, mas só quitou três parcelas. Segundo ele, além desse valor, há outros contratos em andamento que ainda não foram pagos. A Mendes Júnior afirmou que o processo ainda não foi julgado e que, portanto, não comentaria o assunto. Desde que a Operação Lava Jato foi deflagrada pela Polícia Federal, a empresa vive um problema atrás do outro. No começo do ano, ela teve dificuldade para pagar funcionários da obra de Transposição do São Francisco. A segunda parcela do 13º salário foi paga na segunda semana de janeiro, mas os trabalhos no canteiro de obras só tiveram início mais tarde porque a empresa não tinha dinheiro para despesas básicas, como combustível. A vida de OAS e Queiroz Galvão também não anda nada fácil. As duas são campeãs em ações judiciais. Só no Tribunal de Justiça de São Paulo, elas acumulam quase cinquenta pedidos de janeiro até agora, sendo a maioria referente a execução de títulos não pagos. Além da redução do quadro de funcionários, essas empresas também estão com dificuldade para tocar obras importantes Brasil afora. Além das empreiteiras, a petroquímica Braskem também está sendo prejudicada pelas denúncias de corrupção da Petrobras. Um contrato entre as duas empresas vencerá no dia 28 de fevereiro, mas a estatal ainda não se manifestou sobre uma renovação. O acordo, de 9 bilhões de reais anuais, envolve o fornecimento pela Petrobras de nafta, um derivado do petróleo usado na fabricação de resinas e principal insumo da Braskem. A petroquímica ainda não sabe se receberá a matéria-prima no mês que vem. Hoje, a Braskem é a única compradora de nafta no Brasil e maior fornecedora da indústria química. Segundo a empresa, que tem como sócios o grupo Odebrecht (38%) e a própria Petrobras (36%), se a situação chegar ao limite, três pólos petroquímicos brasileiros podem ter de interromper a produção, segundo o presidente da Braskem, Carlos Fadigas.

71% dos brasileiros não têm partido de preferência

A percepção de aumento da corrupção combinada à expectativa de piora nas condições de vida deflagrou uma crise de representação no País, evidenciada pelo aumento na rejeição aos partidos políticos. A fatia dos brasileiros que dizem não ter um partido de preferência saltou de 61% em dezembro de 2014 para 71% em janeiro deste ano. Trata-se do maior patamar desde o início da série histórica do Datafolha para essa pergunta, em agosto de 1989.

A rejeição à representação política já tinha dado um salto em junho de 2013 – época dos protestos que pararam o País –, quando passou de 55% para 64%. Desde então, oscilou próxima a esse patamar, mesmo durante a eleição presidencial de 2014. O aumento registrado agora foi silencioso, sem novas manifestações abrangentes de rua, mas confirma o desalento da população brasileira. Isso se refletiu nas respostas a outras perguntas do Datafolha, como as expectativas em relação ao futuro da economia e ao da própria situação financeira de cada um. Todas indicaram um crescimento do pessimismo. O novo sentimento contrasta com o verificado até o fim do ano passado.
Três meses e meio após a reeleição da presidente Dilma Rousseff, o apoio da população ao PT recuou para o patamar de dezembro de 1998, pouco antes de o partido ter conseguido tirar do PMDB a preferência do eleitorado. Isso acabou pavimentando o caminho para a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, em sua terceira tentativa. Entre dezembro de 2014 e janeiro deste ano, a parcela dos eleitores que dizem, em resposta espontânea, ter o PT como seu partido favorito caiu de 22% para 12%. Na época do mensalão, o nível mais baixo tinha sido de 15%.
Sem beneficiários
A queda de apoio ao partido não beneficiou as legendas rivais. Principal sigla de oposição, o PSDB viu sua base de apoio ir de 7% para 5%. Algumas siglas pequenas oscilaram de 0% para 1%, mas o movimento tem sido pendular. A dificuldade da oposição em capitalizar a desidratação do PT pode se explicar em parte porque, embora generalizado, o aumento do desalento em relação à sigla foi forte entre seu eleitorado mais fiel.
Na pesquisa de dezembro de 2014, entre os simpatizantes do PT, 71% consideravam o desempenho do governo ótimo ou bom. Agora, esse índice é de 52%. Na via oposta, a fatia dos petistas que avaliam a administração atual como ruim ou péssima quadruplicou, passando de 3% para 12%. A queda na avaliação de Dilma foi intensa entre a população de renda baixa e pouca escolaridade.
Embora permaneça em patamar mais elevado do que nos demais estratos, o recuo da aprovação entre os brasileiros que têm o ensino fundamental despencou de 54% para 31%. No recorte dos que têm renda familiar mensal de até dois salários mínimos, a queda foi de 50% para 27%. Regionalmente, o recuo foi mais marcante no Nordeste, com queda na aprovação de 53% para 29%. Com isso, o Norte, onde a queda foi de 51% para 34%, ultrapassou o Nordeste como região onde o PT conta com seu maior apoio.

“Chocado”, Planalto avalia reação à queda na popularidade de Dilma

O governo ficou chocado com a pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (8) e ainda não tem uma estratégia para reagir à queda de 19 pontos na aprovação da presidente Dilma Rousseff revelada pela sondagem. Por ora, o diagnóstico feito por integrantes do governo é o de que a população se sentiu traída pelo discurso feito pela candidata Dilma durante a campanha e a realidade mostrada no período pós-eleitoral: energia mais cara, racionamento de água em São Paulo e apagão em alguns Estados do País. Além disso, membros do Executivo fazem uma autocrítica sobre o processo de anúncio das medidas de ajuste fiscal, que envolveram aumento de tributos, bloqueio provisório de gastos, corte de subsídios para o setor elétrico e mudanças nas regras de benefícios sociais. A avaliação é que o governo alimentou a expectativa negativa sobre o futuro próximo, sem conseguir explicar que o cenário de aperto se destinava a preservar conquistas da última década. (…)

65% apoiam racionamento imediato de energia no Brasil, e 60%, rodízio de água na Grande SP

O brasileiro é um povo bom e colaborativo, não é? As elites políticas é que o corrompem. Como esquecer que continuou, na sua maioria, a apoiar o governo Collor, em 1990, mesmo depois de este ter lhe tungado a poupança? É que gostava menos ainda da inflação e viu naquela medida extrema e burra uma espécie de cota necessária de sacrifício.

Pois é… O Datafolha fez uma pesquisa nacional para saber se os brasileiros apoiam o racionamento imediato de energia elétrica: 65% afirmaram que sim, contra 27% que preferem que se espere um pouco mais para ver se os reservatórios se enchem com as chuvas; 8% disseram não saber. A pesquisa foi realizada entre os dias 3 e 5 de fevereiro, em 188 municípios, ouviu 4 mil pessoas e tem margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.
Na Grande São Paulo, o Datafolha indagou se os entrevistados são favoráveis à adoção imediata do rodízio de água: a adesão é um pouco menor, mas é significativa: 60% disseram que sim, contra 38% que se opõem. Nesse caso, foram ouvidas 1.231 pessoas, em nove municípios.
A disposição de colaborar não exclui a cobrança posterior, e, por isso, os políticos têm medo. Em 2001, houve racionamento de energia, e o PSDB perdeu a eleição, no ano seguinte, para o PT. Imaginem quanto um apagão poderia custar agora a Dilma Rousseff, cujo governo é considerado ruim ou péssimo por 44% dos entrevistados, segundo o próprio Datafolha. Por Reinaldo Azevedo

Os pobres e os nordestinos começam a se libertar em massa do governo do PT, aponta Datafolha; Dilma leva pau e hoje, certamente, não seria reeleita

Dilma Rousseff talvez se agarre a um fio de esperança. Caso alguns boatos que andam na praça se transformem em fatos, a Operação Lava Jato, que devasta o PT, causará sérios abalos em outras legendas, inclusive de oposição. Nessa hipótese, o peso sobre os ombros presidenciais diminuiria, e Dilma tentaria se apresentar como fiadora da investigação, “doa a quem doer”. Ou por outra: se o escândalo for jogado no ventilador, todos procurarão se salvar, e ninguém vai para a guilhotina. Mas notem: isso só impediria que Dilma tivesse a cabeça cortada. Recuperar o prestígio é coisa bem distinta. A razão é simples: os nordestinos e os pobres começaram a abandonar o governo.

Para lembrar: segundo pesquisa Datafolha publicada no domingo, o brasileiro atribui à presidente nota vermelha: 4,8. Não dá para passar de ano. Hoje, não seria reeleita. Se ela não tomar cuidado, será tragada pela crise. Em dois meses, caíram de 42% para 23% os que dizem que seu governo é ótimo ou bom, e dispararam de 24% para 44% os que afirmam ser ele “ruim ou péssimo”, uma movimentação negativa de 39 pontos. Para onde quer que se olhe, o quadro é desanimador para a presidente. Acabou a condescendência: 47% dizem que ela é desonesta, e 54% a veem como falsa. Sessenta por cento acham que ela mentiu na campanha: 46% sustentam que falou mais mentiras do que verdades; para 14%, só mentiras. O escândalo da Petrobras corrói a sua credibilidade.
Nada menos de 77% dizem que ela sabia do escândalo: para 52%, sabia e deixou rolar solto; para 25%, sabia e não tinha como evitá-lo. Tomaram conhecimento das lambanças da Petrobras 86% dos entrevistados. Pois é… Eis aí um caso que, como se diz, “pegou”. Para 82%, a corrupção prejudica a estatal.
O estelionato eleitoral praticado por Dilma — aquele negado por João Santana — pesa na sua reputação. Ora, quem a viu elevar juros e tarifas, num cenário de inflação acima da meta, e botar freio no seguro-desemprego tem motivos objetivos para considerá-la falsa, não é?
É o pior desempenho de Dilma, superando em muito o de junho do ano passado. Daquela vez, chegaram a 33% os que consideravam seu governo “ótimo ou bom”; agora, só 23%. Naquele mês, obteve seu recorde de “ruim e péssimo”: 28%; agora, 44%.
Vejam a avaliação da presidente por região.
Avaliação por região Dilma Datafolha
 Abaixo, publico um quadro com a série histórica do Datafolha (cliquem na imagem para ampliá-la).
Histórico Datafolha por região 1 - governo DilmaHistórico Datafolha por região 2 - governo Dilma
O Nordeste nunca havia lhe dado menos de 41% de “ótimo e bom”; agora, caiu para 29%; também nunca lhe havia atribuído mais de 21% de ruim e péssimo; agora, esse índice chegou a 36%.
Quando se analisa o corte de renda (gráfico abaixo), a coisa piora.
Avaliação por renda Dilma Datafolha
 Abaixo, a série história do Datafolha com esse quesito (cliquem na imagem para ampliá-la).
 Histórico Datafolha por renda - governo Dilma
Entre os que recebem até dois mínimos, o auge do “ruim e péssimo” da presidente havia se verificado em julho do ano passado: 23%; agora, são 36%. Nesse grupo, a categoria “ótimo e bom” nunca havia sido inferior a 38%; agora, está em apenas 27%. O mesmo se verifica com os que recebem entre dois e cinco mínimos: o máximo atingido de “ruim/péssimo” era 30%; agora, está em 46%. O menor índice de ótimo/bom era 29%; hoje, 21%.
Em suma, a adesão dos pobres e dos nordestinos ao governo Dilma despencou. Essas sempre foram as suas fortalezas.
E aí a coisa pega, não é? A economia brasileira certamente entrará em recessão neste ano. Em momentos assim, é evidente, os pobres sempre sofrem mais. E, para o ano que vem, projeta-se um crescimento medíocre. O pessimismo é grande: 81% acham que a inflação vai aumentar; 62% acham que crescerá o desemprego, e 55% consideram que a economia vai piorar. A atuação do governo na economia é vista como ruim ou péssima por 43%, e 46% anunciam a disposição de consumir menos.
Muito bem, dados esses números, fico cá pensando naquela foto que ganhou o país, em que Dilma, Lula e Rui Falcão aparecem soprando as velinhas dos 35 anos do PT. Na plateia, estava ninguém menos do que João Vaccari Neto. Na foto, também se destaca a figura do deputado José Nobre (PT-CE), irmão do mensaleiro José Genoino e atual líder do governo na Câmara. Em 2005, no auge do escândalo do mensalão, um assessor de Nobre, um pobre diabo, foi preso transportando R$ 200 mil em dinheiro vivo numa valise e US$ 100 mil na cueca.
Dilma, Lula e Rui Falcão sopram as velinhas dos 35 anos do PT; à esquerda, José Nobre, o líder do governo na Câmara. É aquele cujo assessor usava a cueca como casa de câmbio...
Dilma, Lula e Rui Falcão sopram as velinhas dos 35 anos do PT; à esquerda, José Nobre, o líder do governo na Câmara. É aquele cujo assessor usava a cueca como casa de câmbio…
Ora, se, na política, cueca vira casa de câmbio, é claro que a Petrobras acaba virando a sede do crime organizado.
Por Reinaldo Azevedo