quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Doleiro operou R$ 28 mi da OAS fora do esquema na Petrobrás

Alberto Youssef movimentou cerca de R$ 28 milhões do que chamou de “caixa 2″ da empreiteira OAS entre janeiro de 2013 e janeiro de 2014. Em sua delação premiada, Youssef afirmou que esses recursos foram movimentados à parte do esquema de desvios na Petrobrás. A quantia registrada consta de planilha apreendida na sétima etapa da operação, realizada em novembro do ano passado, quando foram presos executivos de construtoras acusadas de integrar um cartel que atuava na estatal. Na planilha apreendida estão indicados valores, datas e os locais para onde o doleiro enviava ou até mesmo buscava dinheiro em espécie. Youssef admitiu que operava o caixa paralelo da OAS e de outras empreiteiras, recebendo 3% de cada operação. Ao ser confrontado com a planilha de pagamentos, confirmou que algumas das siglas fazem referência a sedes da construtora e endereços residenciais em diferentes Estados para onde ele ou pessoas indicadas levaram dinheiro. O doleiro ressaltou, contudo, que “pelo que sabe” essas movimentações irregulares não têm relação com a estatal petrolífera.


Em seu depoimento, Youssef explica que os valores entre parênteses (conferir na planilha abaixo) indicam a “saída” de dinheiro da contabilidade paralela, isto é, a entrega de dinheiro em espécie, e os demais valores indicam a entrada de receita. Considerando apenas os valores de entrada, mostra que a contabilidade paralela da OAS operada pelo doleiro recebeu durante todo ano de 2013 e até 15 de janeiro de 2014, R$ 28 milhões, dos quais ao menos R$ 23 milhões “saíram”, ou seja foram entregues em diferentes regiões do País. 


“Vista da referida planilha,esclarece que pode identificar valores entregues na sede da OAS, o que é representado pela sigla ‘SP’; que a sigla RJ representa valores entregues pelo policial Jayme ‘Careca’(Jayme Alves de Oliveira, um dos ‘mulas ‘do doleiro e também réu na Lava Jato) junto a sede da empresa na capital fluminense”, detalha Youssef em sua delação. Ainda segundo o delator, “a sigla POA refere-se a entrega de valores junto ao estádio do Grêmio Futebol Porto Alegrense onde a OAS mantinha um escritório e onde entregou R$ 66.000,00 e R$ 500.000,00″. A sigla, que aparece várias vezes na planilha, também faz referência a um “endereço residencial”, segundo o doleiro. Youssef confirmou que seus carregadores de dinheiro também fizeram entregas em Minas Gerais, Salvador (BA), Maceió (AL), Natal (RN) e Recife (PE). O delator explicou que “dentre os locais de entrega também existiam endereços de destinatários desses recursos, e não de sedes da OAS”.


O doleiro explicou em sua delação que a planilha foi elaborada por “José Ricardo, diretor ou gerente da empresa OAS ligado a área financeira e a fim de estabelecer um controle sobre os recursos movimentados pelo declarante”. O executivo da OAS, José Ricardo Nogueira Breghirolli, foi preso na Lava Jato e é réu na ação penal contra ele e outros cinco dirigentes da empreiteira. 

Empresa que trabalhava para a Petrobras em Itajaí anuncia 450 demissões

No mesmo mês em que a Polícia Federal deflagrou a nona fase da operação e prendeu três executivos da Arxo em Itajaí, uma outra companhia que opera no município e oferece serviços para a estatal anunciou a demissão de 450 funcionários de um total de 540.  O grupo industrial português Amal Construções Metálicas, especializado na fabricação de módulos para plataformas de petróleo, fez o anúncio da demissão em massa na manhã de quarta-feira. Os empregados foram recebidos com a notícia no mesmo dia em que voltavam de férias coletivas. O presidente da empresa, Sandro Picchio, disse que "ainda precisa definir estratégias para as próximas semanas". Segundo ele, a Amal optou pelas demissões porque a empresa terceirizada para a qual trabalha irá assumir uma das obras contratadas pela Petrobras, ocasionando a dispensa de serviços. Informou ainda que existe a possibilidade de encerramento total das atividades no município. Essa não é a primeira onda de demissão numa empresa estabelecida em Itajaí desde o início das denúncias da Lava-Jato. Dispensas e paralisações começaram a ocorrer quando o Consórcio MGT demitiu 400 funcionários em dezembro de 2014, com possibilidade de demitir mais 300 este ano. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, Material Elétrico e da Construção Naval de Itajaí e Região, o setor do petróleo em Itajaí e Navegantes reúne de 8 a 10 mil trabalhadores. A maioria trabalha direta ou indiretamente para a Petrobras. O principal setor associado à petroleira no Estado é o naval, com forte concentração em Itajaí e Navegantes. Além da crise de confiança que o mercado agora tem pela Petrobras — o que forçou a estatal a rever seus investimentos —, a redução do preço do barril de petróleo de US$ 120,00 para US$ 50,00 influenciou na redução de ritmo de crescimento do setor.

STJ nega pedido de Eike Batista e mantém processo em vara federal do Rio de Janeiro

O ministro Rogerio Schietti Cruz, do Superior Tribunal de Justiça, negou pedido de liminar em um recurso em habeas corpus feito pela defesa de Eike Batista e decidiu manter o processo contra o ex-bilionário, por manipulação de mercado e informação privilegiada, em vara federal do Rio de Janeiro. No pedido, a defesa do empresário alegou incompetência da vara federal especializada em crimes contra o sistema financeiro para julgar o processo a que Eike Batista responde, além de falta de justa causa para a ação penal. O ministro do STJ, no entanto, teve outro entendimento. "Há jurisprudência do STJ no sentido de que o crime contra o mercado de capitais, que lesiona o sistema financeiro nacional, atrai o interesse da União, cabendo, portanto, o processamento e o julgamento de tais crimes às varas federais especializadas em crimes contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de dinheiro", informou o STJ, em nota. Schietti também observou que a decisão que recebeu a denúncia atende à exigência constitucional de fundamentação das decisões judiciais, reconhecendo a presença de condições mínimas de "procedibilidade" da ação penal. O mérito do recurso movido pela defesa de Eike Batista ainda será julgado pela Sexta Turma do STJ, da qual o ministro Schietti faz parte. 
 

Juiz Sérgio Moro diz que reunião de advogados dos petroleiros com o ministro "porquinho" petista José Eduardo Cardozo é "intolerável"


O juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, classificou nesta quarta-feira como “intolerável” e “reprovável” a reunião de advogados de empreiteiras com o ministro da Justiça, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo, para discutir o futuro dos seus clientes presos na carceragem da Polícia Federal em Curitiba (PR). Conforme VEJA desta semana revelou, Cardozo assumiu o papel de negociador com os empreiteiros envolvidos na Lava Jato. Em um desses esforços, o ministro recebeu em seu gabinete, em Brasília, o advogado Sérgio Renault, defensor da UTC. Em uma conversa absolutamente imprópria, disse que a operação da Polícia Federal – órgão ligado à pasta de Cardozo – mudaria de rumo radicalmente depois do Carnaval. Cardozo ainda orientou a empreiteira a não aceitar acordo de delação premiada – conselho seguido pelos executivos. A confirmação do encontro de Cardozo foi o principal argumento utilizado pelo juiz para decretar nova prisão preventiva do presidente da UTC, Ricardo Pessôa, do diretor vice-presidente da Camargo Correa, Eduardo Leite, do diretor presidente da empresa, Dalton Avancini, e do presidente do Conselho de Administração da companhia, João Ricardo Auler. “Existe o campo próprio da Justiça e o campo próprio da política. Devem ser como óleo e água e jamais se misturarem. A prisão cautelar dos dirigentes das empreiteiras deve ser discutida, nos autos, perante as Cortes de Justiça. Intolerável, porém, que emissários dos dirigentes presos e das empreiteiras pretendam discutir o processo judicial e as decisões judiciais com autoridades políticas, em total desvirtuamento do devido processo legal e com risco à integridade da Justiça e à aplicação da lei penal”, disse Sergio Moro. “Mais estranho ainda é que participem desses encontros políticos e advogados sem procuração nos autos das ações penais. O ministro da Justiça não é o responsável pelas ações de investigações. Trata-se de uma indevida, embora mal sucedida, tentativa dos acusados e das empreiteiras de obter uma interferência política em seu favor no processo judicial”, completou ele, que endossou as críticas feitas pelo ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, sobre a reunião entre o ministro da Justiça e os advogados. De acordo com o juiz, o episódio é mais uma evidência de que os empreiteiros presos na Lava Jato desde novembro tentam a todo custo interferir nas investigações. Eles já haviam tentado coagir testemunhas e apresentaram documentos falsos às autoridades. “A mera tentativa por parte dos acusados e das empreiteiras de obter interferência política em seu favor no processo judicial já é reprovável, assim como foram as aludidas tentativas de cooptação de testemunhas, indicando mais uma vez a necessidade da preventiva para garantir a instrução e a aplicação da lei penal e preservar a integridade da Justiça contra a interferência do poder econômico”, disse. “Certamente a Justiça não será permeável no presente caso a interferências políticas ou do poder econômico. Qualquer indício de tentativa de interferência espúria do poder econômico, quer diretamente, cooptando testemunhas, quer indiretamente, buscando indevida interferência política no processo judicial, deve ser severamente reprimida, justificando, por si só, pelo risco à integridade do processo e da justiça, a decretação da prisão preventiva”, afirmou. Em seu despacho, Sergio Moro disse que as empreiteiras têm várias obras em andamento e podem estar replicando o esquema do Petrolão em outras obras públicas. Para ele, “não é suficiente afastar formalmente os acusados do comando das empresas, pois não há como controlar ou prevenir a continuidade da interferência deles na gestão da empresa ou dos contratos”. Contra a ação do ministro da Justiça, o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), ingressou nesta quarta-feira com uma representação na Comissão de Ética da Presidência da República pedindo a investigação sobre o encontro de Cardozo e Sérgio Renault. No documento, o parlamentar alega que, ao utilizar-se do cargo de ministro e, ao mesmo tempo, aconselhar o advogado da empresa investigada a recuar no acordo delação premiada, Cardozo estaria infringindo o Código de Conduta. “Isso porque não fica claro a posição deste: como ministro da Justiça, deveria buscar sempre o cumprimento da lei e a punição dos acusados no maior esquema de corrupção do País; entretanto, como companheiro, opta por conselhos que dificultarão a apuração de crimes e a identificação de responsáveis na Operação Lava Jato”, disse Bueno. Nesta tarde, o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), defendeu que Cardozo preste esclarecimentos ao Congresso Nacional sobre o encontro com o advogado da UTC. Uma das possibilidades é que ele seja convocado para audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Pelo Twitter, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, também se manifestou sobre o episódio: ele defendeu que os “brasileiros honestos” cobrem a demissão imediata de Cardozo. O Palácio do Planalto não se manifestou sobre o caso.

A gestão “Triplo D” do PT, um baixo nível que as agências ainda não criaram

Mauro Leos, vice-presidente e analista sênior da Moody’s, afirmou nesta terça, durante evento promovido pela Câmara de Comércio Brasil-EUA, que a agência de classificação de risco deve rever o rating da Petrobras até o fim do mês. A fala não pareceu muito auspiciosa: “Os desdobramentos ligados à Petrobras estão se tornando crescentemente relevantes”. Pois é… A única coisa “crescentemente relevante” hoje, no que respeita à estatal, são os problemas. Leos deixou claro que o destino da Petrobras poderá interferir no rating do Brasil, em razão do que chamou de “interconectividade” entre a empresa e a economia.

Só para lembrar: a Petrobras está no último nível do grau de investimento na Mooddy’s: Baa3. Se baixar mais um — e parece que a possibilidade existe —, a empresa passa para o primeiro do grau especulativo: “Ba1”. Também a Standard & Poor’s´(BBB-) e a Fitch (BBB-) têm a estatal nesse patamar.
E como anda a nota do Brasil na Moody’s? Não é grande coisa. O País é “Baa2”. Ainda é “grau de investimento”, mas bem modesto. Para vocês terem uma idéia, até o “Aaa”, que é o máximo, há oito degraus. Se o País cair mais dois, vai para a categoria dos especulativos. O mesmo acontece na Fitch (BBB): um próximo rebaixamento (BBB-) poria o País a um passo da nota vermelha.
Na Standard & Poors, a posição do País é mais preocupante: rebaixado em março, caiu de “BBB” para “BBB-“, mesma nota da Petrobras. Nessa agência, uma próxima queda conduziria o País para “BB+”, primeiro nível do grau especulativo. Foi o que fez a agência britânica Economist Intelligence Unit na semana passada:  o rebaixamento, de BBB para BB, lançou o Brasil no grupo dos potenciais maus pagadores.
Já escrevi aqui e repito: agências de classificação de risco e suas letrinhas não são a bula papal. O problema é que elas servem de referência para investidores — especialmente os que investem dinheiro alheio. A situação do Brasil reflete a piora dramática em praticamente todos os indicadores.
Para arrematar: um cálculo do Deutsche Bank publicado nesta quarta-feira estima que a política de preço de combustíveis praticada pelo governo entre 2011 e 2014 retirou R$ 60 bilhões do fluxo de caixa da Petrobras. Pra quê? Para fazer política econômica e maquiar o descontrole que estava em curso. A decisão ajudou a levar a Petrobras à lona. E para quê? Para termos hoje recessão, juros nos cornos da lula e inflação acima da meta.
É a gestão “DDD” do PT, um baixo nível que as agências ainda não ousaram criar. Por Reinaldo Azevedo


Sob a chuva, milhares de argentinos marcham em homenagem a promotor morto
Um mês após a morte de Alberto Nisman, Cristina Kirchner afirma que Argentina é ‘líder no campo dos direitos humanos’, e pede que país não se torne ‘palco de conflitos’
POR O GLOBO / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
18/02/2015 19:05 / ATUALIZADO 18/02/2015 19:39

A "Marcha do Silêncio", realizada nesta quarta-feira para marcar um mês da morte do promotor Alberto Nisman — que buscava indiciar a presidente argentina Cristina Kirchner, acusada de acobertar a participação do Irã no atentado à sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) em 1994 — reuniu milhares de pessoas nas ruas de Buenos Aires. Mesmo debaixo de chuva, uma enorme quantidade de manifestantes está concentrada na Praça dos Dois Congressos, e deve marchar até a Praça de Maio, tradicional reduto de protestos políticos na capital argentina. O protesto — uma das maiores manifestações já enfrentadas pela peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner em sete anos à frente da presidência — foi convocado por um grupo de promotores e rapidamente recebeu a adesão da oposição, em meio à tormenta política que sacode o governo desde o assassinato de Alberto Nisman. Ao mesmo tempo em que manifestantes marcham por Buenos Aires, outras cidades argentinas e até mesmo países vizinhos, como o Chile também realizam eventos, convocados por diversas páginas na internet. Cristina Kirchner advertiu nesta quarta-feira que “não se pode permitir que a Argentina seja palco de conflitos”, enquanto alertou sobre “um mundo que está atravessado por interesses profundos geopolíticos e estratégicos”. "Não nos tragam conflitos que não são nossos. Nossas idiossincrasias, costumes e ideais são os de um país pacífico, um lugar onde as diferentes religiões e etnias convivem, são todos filhos de imigrantes", enfatizou a presidente peronista populista ao conduzir o ato de comissionamento da Usina Nuclear de Atucha II , localizada em Lima, no distrito de Zarate. Desta forma, a chefe de Estado referiu-se à carta dirigida ao secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, na qual pediu que os Estados Unidos “não interfiram nos assuntos internos” relacionados aos ataques à AMIA e à Embaixada de Israel. Em outra parte em seu discurso, a chefe de Estado disse que a Argentina é “líder no campo dos direitos humanos”, e lembrou que há países que “têm prisões secretas e pessoas detidas sem julgamento”, bem como outros que “lançam mísseis contra a população civil”. Ou seja, ela atacou, em seu vulgar esquerdismo, os Estados Unidos e Israel: "Posso ir a qualquer país do mundo, mesmo aqueles que têm prisões secretas e pessoas detidas sem julgamento, ou aqueles que disparam mísseis contra populações civis indefesas, e posso dizer que na Argentina a lei prevalece". A Argentina dela é aquele em que são assassinados promotores prontos a denunciar a presidente. "A Casa Branca está monitorando a situação na Argentina, onde a morte de um promotor que acusou a presidente Cristina Kirchner de encobrir o suposto papel do Irã em um atentado de 1994 tem provocado protestos", disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, nesta quarta-feira. Earnest afirmou que a Casa Branca está "preocupada" com as questões relativas ao Estado de direito e de Justiça que têm sido levantadas em torno do assassinato do promotor no mês passado. 

PSDB se mobiliza para levar o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo a dar explicações no Congresso Nacional

O PSDB vai agir em três frentes para tentar convocar o ministro e "porquinho" petista José Eduardo Cardozo (Justiça) a explicar, no Congresso, seus encontros com advogados de empreiteiras sob investigação na Operação Lava Jato. Os tucanos vão pedir a convocação do ministro na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, na CPI da Petrobras criada na Câmara, além da futura CPI mista da Petrobras (com deputados e senadores) – que ainda não foi criada. A idéia é que Cardozo seja obrigado a comparecer às comissões para falar sobre o encontro, como previsto nas convocações de ministros. Se os congressistas aliados do governo conseguirem transformar as convocações em convites, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo fica dispensado de prestar depoimento no Legislativo. A Câmara já criou CPI para investigar a Petrobras, mas a oposição ainda precisa reunir assinaturas no Senado para tirar a comissão mista de inquérito do papel. Até agora, o PSDB conseguiu 23 das 27 assinaturas necessárias para a CPI sair do papel. Os tucanos esperam a adesão do PSB, que tem seis senadores, mas flerta com o Planalto seu retorno à base de apoio da presidente Dilma Rousseff. Líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB) subiu à tribuna do Senado nesta quarta-feira (18) para cobrar explicações do ministro. O tucano disse que não questiona o seu encontro com advogados da Lava Jato, mas sim o fato de José Eduardo Cardozo ter omitido o encontro de sua agenda oficial de trabalho. "Por que esconder o encontro, o que ali foi tratado, o que ali foi discutido? Não se pode requerer o manto protetor do sigilo. Na República, não pode haver segredos", afirmou. Cassio Cunha Lima considerou "absurda" a versão divulgada pelo Ministério da Justiça de que o encontro não apareceu na agenda do "porquinho" petista José Eduardo Cardozo por uma falha no sistema eletrônico da pasta. "O que chama a atenção é a negativa da audiência. Se nada havia a esconder, por que o ministro negou a realização do encontro? Por que, na segunda versão, disse que foi um encontro fortuito e casual. E só na terceira versão reconheceu o encontro?", questionou o senador. Ex-ministra da Casa Civil, a "Barbie" petista Gleisi Hoffmann (PT-PR) discursou no Senado para defender o ministro. A petista disse que o "porquinho" Cardoso tem a obrigação de receber advogados para tratar de assuntos subordinados à sua pasta, sob pena de cometer crime de prevaricação. "Não há nenhum problema dele ter recebido advogados da Odebrecht que queriam fazer reclamações de irregularidades que acham existir na Operação Lava Jato", afirmou. A senadora petista disse que a oposição não tem razão em suas críticas. Segundo Gleisi, Cardozo não omitiu de propósito os encontros com os advogados de empreiteiras: "Não ficaram em branco apenas os encontros que tinha com seu advogado, todos os seus encontros ficaram em branco". Ao rebater o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, Gleisi disse que ele agiu de forma "equivocada" ao criticar Cardozo e pedir seu afastamento do cargo: "O ex-ministro Barbosa tem todo o direito de falar o que quiser. Mas é inusitado que, no meio da Sapucaí, pulando Carnaval, o ministro que nunca recebia advogados quando estava na presidência do Supremo, numa conduta absolutamente equivocada, critica o ministro e pede a sua demissão. Acho no mínimo inusitado um comportamento como esse". Senadores do grupo dos "independentes" também defenderam a convocação de Cardozo e suas explicações no Congresso. "Ministro vir ao Congresso se explicar deveria ser uma coisa normal da democracia. Ele tem que vir prestar esclarecimentos ao Congresso Nacional e à população brasileira", disse o senador Reguffe (PDT-DF). O ministro da Justiça teve ao menos três encontros só neste mês com advogados que defendem empresas acusadas por investigadores da Operação Lava Jato de pagar propina para conquistar obras da Petrobras, como a UTC e a Camargo Corrêa. Os defensores das empreiteiras buscavam algum tipo de ajuda do governo para soltar os 11 executivos que estão presos há meses. 

O comentário da filha de Paulo Brossard sobre a nota da OAB


O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse à Folha de S. Paulo que condenar o fato de ele ter-se reunido com advogados de empreiteiras do Petrolão é coisa da ditadura. A OAB, alinhada com o PT, ontem divulgou uma nota no mesmo sentido. Omitiram que as reuniões foram secretas e que José Eduardo Cardozo fez advocacia administrativa, crime previsto no Código Penal, em prol das empreiteiras corruptoras.
Diante dessas manifestações despudoradas, O Antagonista toma a liberdade de publicar com destaque o comentário enviado por Magda Brossard Iolovitch, filha do ex-ministro da Justiça e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Paulo Brossard -- um brasileiro exemplar que combateu a ditadura militar desde o primeiro momento. No comentário, ela dá vazão à indignação com a nota da OAB em defesa de José Eduardo Cardozo. Por favor, leia:
Sou advogada, inscrita na OAB/RS. Votei na chapa que elegeu Cláudio Lamacchia para o Conselho Federal da OAB, depois de uma ótima gestão na OAB/RS. Lamacchia, agora Vice-Presidente da OAB nacional, assina esta nota lamentável, triste, patética. Já me manifestei a ele pelo twitter. Esta nota parte de omissões, de fatos distorcidos, para não dizer falsos. Fala nas prerrogativas dos advogados, ok. Mas aqui não se trata disso. A OAB não pode defender que um Ministro da Justiça, também advogado, receba advogados às escondidas para dizer que uma operação da PF-MPF- Poder Judiciário vai ser amolecida! Uma operação que busca enfrentar a corrupção, um mal que corrói nossas instituições! A nota da OAB trata de uma meia-verdade, e por isto é mais vergonhosa! Acrescento: meu pai, advogado formado há quase setenta anos, foi Ministro da Justiça. Jamais fez coisa semelhante. Sempre teve a noção dos deveres do cargo. Deste, e de todos os que exerceu. Nunca fez nada escondido, e sempre defendeu a coisa pública. Entrou e saiu de cabeça erguida. Estou envergonhada e constrangida pela nota da OAB, que distorce os fatos. Raymundo Faoro, colega de meu pai na Faculdade de Direito, que presidiu a OAB, também estaria envergonhado pelos rumos que tomou a entidade.
Magda Brossard Iolovitch
O Antagonista repete: num país civilizado, em que vigora o estado de direito, José Eduardo Cardozo teria de ser demitido imediatamente.

Pesquisa Focus do Banco Central aponta recessão pesada em 2015


Economistas de instituições financeiras passaram a ver pela primeira vez a contração da economia neste ano, em meio a um aperto maior da política monetária diante da inflação mais elevada e do dólar mais alto. Segundo estimativa do mercado financeiro, divulgada pelo Banco Central, no Boletim Focus, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve encolher 0,42% neste ano. Trata-se da sétima piora consecutiva na projeção. Na semana retrasada, a expectativa era de crescimento zero para o PIB de 2015. Para 2016, o mercado continua prevendo alta de 1,50%. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, mostrou na semana passada que a economia brasileira encerrou o quarto trimestre de 2014 com queda de 0,15% em relação aos três meses anteriores e o ano passado com retração de 0,12%, segundo dados dessazonalizados. Sobre a inflação, o mercado financeiro vê ainda mais distante a possibilidade de cumprimento da meta de 4,50% este ano. De acordo com o documento, a mediana das previsões para o IPCA deste ano subiu de 7,15% para 7,27%. Há um mês, a mediana estava em 6,67%. Para o ano que vem, permanece em 5,60%. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, admitiu que o IPCA subiria nos primeiros meses deste ano, mas avaliou que entraria em um período de declínio mais para frente e encerraria 2016 no centro da meta de 4,5%. Apesar de a economia patinar, os economistas elevaram pela primeira vez após nove semanas a projeção para a Selic ao final deste ano, a 12,75%, contra 12,50% antes. A pesquisa do Banco Central mostrou ainda que a expectativa agora é de alta de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros, atualmente em 12,25%, na reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom). Para 2016, permanece a perspectiva de que a Selic encerrará a 11,50%. Além disso, a projeção para o dólar também subiu no final de 2015, a 2,90 reais contra 2,80 reais anteriormente. Para 2016, ela passou de 2,90 reais para 2,93 reais.

Duas mil moedas de ouro do século X são encontradas em Israel


Duas mil moedas de ouro de mil anos foram encontradas no antigo porto de Cesareia, em Israel. O tesouro está em ótimo estado de conservação e é o maior já encontrado no país, anunciou na terça-feira a autoridade nacional de antiguidades. A descoberta foi feita por acaso por membros de um clube de mergulho depois da passagem de uma tempestade na região. "No início, o grupo acreditou que se tratava de uma ficha de jogo", explicou a autoridade. Os mergulhadores do governo de Israel encontraram, ao todo, 2 000 moedas de dinares, meio dinar e um quarto de dinar. Dinar é a moeda mais antiga cunhada em Palermo, na Itália, na segunda metade do século IX. Grande parte das moedas remontam a dois califas fatímidas que reinaram do fim do século X ao começo do século XI em um território que abrange grande parte da região norte da África, Sicília e parte do Oriente Médio. Além disso, algumas têm marcas de mordidas, que mostram que seus donos comprovaram sua qualidade com os dentes. As autoridades explicaram que as peças podem ser provenientes do naufrágio de um barco que transportava a arrecadação de impostos rumo ao governo central, que se localizava no Egito. Acredita-se que o dinheiro estava destinado a pagar os salários da equipe de segurança do governo ou que pertencia a um rico mercador que negociava com portos do mediterrâneo.

Chegamos ao fundo do buraco, Beija-Flor vence o carnaval do Rio de Janeiro homenageando a Guiné Equatorial e a África, bancada por um ditador africano


Com um enredo que saudou a sangrenta ditadura africana da Guiné Equatorial, a Beija-Flor venceu o Carnaval deste ano no Rio de Janeiro. Foi o 13º título da agremiação de Nilópolis, uma das mais tradicionais do Estado, que amargava um jejum de quatro anos sem vitória. Numa disputa apertada, a escola terminou com 239,9 pontos, três décimos à frente do Salgueiro (239,6). A Viradouro foi rebaixada para a divisão de acesso. O título deste ano foi conquistado com o apoio do ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, que está há 35 anos no poder e é acusado pela ONG Anistia Internacional de brutais violações de direitos humanos, com tortura e morte de opositores. Mbasogo é apontado como financiador do samba-enredo da escola azul e branco, batizado Um griô conta a história: um olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos sobre a trilha de nossa felicidade. O ditador colocou 10 milhões de reais na Beija-Flor.


Uma comitiva de 40 autoridades do país africano esteve na Marquês de Sapucaí para a segunda noite de desfiles – e não economizou no luxo. Liderado pelo filho de Mbasogo, o vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodorín Obiang, o grupo reservou os dois últimos andares do Copacabana Palace, o mais caro do Rio de Janeiro. Mbasogo também acompanhou o desfile. A temática africana é recorrente na história de vitórias da Beija-Flor, que levou o título em 2007 com o samba-enredo Áfricas: do Berço Real à Corte Brasiliana. Em 1983 e em 1978, sob a batuta do carnavalesco Joãozinho Trinta, a escola venceu com os enredo A Grande Constelação das Estrelas Negras e A Criação do Mundo na Tradição Nagô, respectivamente. Mbasogo comanda o país desde 1979, quando tomou o poder por meio de um golpe de Estado. Desde então, ele pôs a principal riqueza do país, a indústria petrolífera, a serviço do próprio enriquecimento. Seguindo o padrão de regimes tirânicos, a Guiné Equatorial se apresenta como democracia constitucional, mas as eleições realizadas no país são marcadas pela fraude, como demonstram os resultados: no pleito de 2009, Mbasogo venceu com 95,8% dos votos. A riqueza oriunda do petróleo, que encheu os cofres do governo, obviamente não foi destinada a melhorar a vida da população. Vários programas de auxílio ao país que eram mantidos pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional foram cortados no início da década de 1990 devido à corrupção e má gestão. Para assumir o poder, Mgasogo passou por cima do tio Francisco Macias Nguema. Da independência, em 1968 até sua derrubada, em 1979, ele espalhou o terror no país, ordenou o assassinato de milhares de opositores e forçou um terço da população a fugir do país. Quando passou a comandar a Guiné Equatorial, Mgasogo promoveu um julgamento sumário do tio e mandou executá-lo. Em 2003, o ditador declarou oficialmente ter conexões permanentes com Deus, o que lhe permitia matar qualquer pessoa que quisesse, sem dar explicações para ninguém – e sem ir para o inferno. É um crápula deste tamanho que o carnaval do Rio de Janeiro incensa. O regime petralha, de fato, contamina tudo. 

STF deixa o bandido petista mensaleiro João Paulo Cunha cumprir pena em casa


O ministro Luís Roberto Barroso, relator do processo do Mensalão do PT no Supremo Tribunal Federal, concedeu nesta quarta-feira ao ex-deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) o direito de deixar a cadeia e cumprir o restante da pena em regime domiciliar. Atualmente, ele está em regime semiaberto, em que o condenado pode sair durante o dia para trabalhar e voltar para a prisão à noite, para dormir. A audiência na Vara de Execuções Penais para oficializar a troca de regime poderá ocorrer na próxima semana. Na semana passada, o petista enviou ao STF comprovante do pagamento de R$ 531,4 mil aos cofres públicos, a título de reparação pelos desvios ocorridos na Câmara dos Deputados quando ele presidia a casa, entre 2003 e 2005. Antes disso, ele já tinha comprovado o recolhimento de R$ 5 mil, totalizando o valor da multa devida. Esse era o último requisito que faltava para ocorrer a progressão de regime. João Paulo foi condenado a seis anos e quatro meses por peculato e corrupção passiva. Já cumpriu um sexto da pena, porque estudou e trabalhou desde que foi preso. Segundo a legislação penal, cada três dias de trabalho ou estudo diminui um dia da pena total. A lei também exige para condenados por peculato a devolução dos recursos desviados. Todos os brasileiros gostariam de saber como o bandido petista mensaleiro conseguiu essa dinheirama para pagar a multa. Na última sexta-feira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou parecer ao Supremo recomendando a transferência para a prisão domiciliar. Outros presos no Mensalão do PT já trocaram o regime semiaberto pelo domiciliar. É o caso do ex-ministro da Casa Civil, o bandido petista mensaleiro José Dirceu; do ex-tesoureiro do PT, o também bandido petista mensaleiro Delúbio Soares; do igualmente bandido petista mensaleiro e ex-presidente do partido, José Genoino, e do ex-deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP). João Paulo fez o pedido de progressão de regime em dezembro. A defesa apresentou um recibo comprovando o recolhimento de R$ 5 mil aos cofres públicos. O restante seria negociado com a União. Barroso negou o benefício. Explicou que a Advocacia Geral da União precisaria ter homologado um acordo desse tipo, o que não ocorreu. Embora não tenha conseguido a progressão de regime em dezembro, João Paulo obteve autorização do STF para passar as festas de fim de ano com a família, em São Paulo, por até sete dias. Na semana passada, o ex-deputado fez outro pedido ao STF: queria voltar a cursar Direito em uma faculdade de Brasília. Ele já trabalha durante o dia em um escritório de advocacia. No período da noite, das 19h às 23h, antes de voltar para a prisão domiciliar, ele estudaria. Essa decisão deverá ser tomada pela VEP. No regime domiciliar, o preso deve ficar em casa das 21h às 5h. Nos domingos e feriados, fica proibido de sair de casa. O preso nessa condição é proibido de andar em companhia de outras pessoas que também estejam cumprindo pena, não pode portar armas, fazer uso de bebidas alcoólicas ou frequentar bares.

Vereadora Lourdes Sprenger, de Porto Alegre, quer convocar secretário da Fazenda petista do governo Fortunati para explicar desvio de verbas do SUS

O petista secretário da Fazenda de Porto Alegre foi "convidado" para comparecer à Câmara de Vereadores para explicar as denúncias de uso do Fundo Municipal de Saúde para fazer superávit orçamentário, o que culminou com a demissão do vereador Carlos Henrique Casartelli da secretaria da Saúde. A denúncia foi feita pelo próprio Casartelli. O requerimento foi encaminhado à Mesa da Casa pela vereadora Lourdes Sprenger (PMDB), que também pretende questionar o petista Jorge Luís Tonetto sobre as rubricas utilizadas na contabilidade do superávit nas contas de 2014 anunciado pela Prefeitura de Porto Alegre. Conforme a vereadora, desde a última semana de janeiro, quando foi anunciado o saldo positivo de R$ 258 milhões, circulam informações de que o resultado foi alcançado por intermédio da chamada “contabilidade criativa” (uso de fundos municipais, venda da folha de pagamento e recursos carimbados). Isso é uma especialidade da "contabilidade petista". Foi usada pelo petista Arno Augustin na Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul e na Secretaria do Tesouro Nacional. Petistas adoram fazer mandrakarias nas contas públicas para esconder os roubos que produzem com seus gastos irresponsáveis. Lourdes Sprenger acrescentou que agora a questão é trazida a público pelas declarações de Casartelli. Ela considera graves as informações do ex-secretário de que “a Fazenda usa os recursos do Fundo Municipal da Saúde, formado por dinheiro do SUS, e não libera pagamentos de medicamentos, serviços e horas extras de servidores”.

Eis o óbvio: haverá recessão em 2015. Pessimismo ainda é modesto… Ou: Recessão de salvação

Pronto! Chegou! O Boletim Focus prevê o óbvio, que, como diria Chico Buarque, já está em todas as bocas e em todos os becos: haverá recessão neste ano. A previsão, por enquanto, é de um encolhimento de 0,42%. Trata-se de um pessimismo modesto. A embicada será maior. Querem um chute? Menos 1,5%.

Trata-se da sétima piora consecutiva nas expectativas dos economistas e agentes econômicos ouvidos para a elaboração do boletim Focus. Quem está surpreso? Não este blog, claro! No dia 20, escreveu-se aqui o seguinte:
recessão títulos
E o mais impressionante é que a previsão de inflação, apesar dos juros estratosféricos, cresceu em vez de cair: passou de 7,15% para 7,27% da semana passada para esta. Há um mês, estava em 6,67%. E, para arremate dos males, o mercado também elevou a sua previsão para a Selic: chegaria a 12,75% ao fim de 2015 — antes, 12,5% (hoje, está em 12,25%). Para 2016, a expectativa continua em 11,5%. Para o dólar, a previsão segue em alta: R$ 2,90 no fim deste ano (antes, R$ 2,80). Para 2016, saltou de R$ 2,90 para R$ 2,93.
Então ficamos assim: a expetativa é de um ano com juros estratosféricos, inflação acima da meta, recessão e dólar nas alturas. Eis aí o produto de 12 anos de poder petista. O país vive a pior situação entre os Brics e só é superado em ruindade na América Latina pela Venezuela e pela Argentina, que estão em fase de desconstituição.
Era óbvio, não é? Previa-se crescimento zero antes do pacote recessivo de Dilma. Depois dele, obviamente, a recessão era uma obviedade. Era só uma questão de tempo. Eis aí. “Ah, mas, em 2016, a gente se recupera!” Não! Será outro ano horrível.
Agora vamos ficar atentos ao discurso dos petistas: os companheiros inventaram a “recessão de salvação”. Por Reinaldo Azevedo

Novo protocolo HTTP/2, que deve tornar a web mais rápida, é finalizado

Ainda deve levar algum tempo para se tornar tão popular quanto seu antecessor, mas o HTTP/2, novo protocolo de rede que deve tornar a web mais rápida, foi concluído. O anúncio foi feito por Mark Nottingham, presidente do IETF HTTP Working Group. Nottingham lidera uma força-tarefa responsável por melhorias na engenharia da internet, incluindo àquelas relacionadas ao protocolo HTTP, que permite aos navegadores baixar de servidores os sites que acessamos.
 

Desenvolvido ao longo dos últimos anos, o HTTP/2 inclui uma variedade de recursos para acelerar a navegação na internet. Os mais importantes são a compressão de cabeçalhos e a multiplexação, que deixam os browsers (Chrome, Firefox, Internet Explorer, por exemplo) fazerem solicitações múltiplas a um servidor por meio de apenas uma conexão. O HTTP/2 é um variante de um protocolo apresentado pelo Google em 2009, chamado SPDY, pouco suportado pela web. O SPDY também traz benefícios de rapidez e é usado por alguns sites grandes, como Twitter, Facebook e, claro, o próprio Google. Essa é a primeira grande atualização do protocolo HTTP em 16 anos, quando a versão 1.1 foi introduzida. O HTTP/2 passará ainda por processos editoriais antes de ser publicado como padrão, segundo Nottingham. Na segunda-feira (9), o Google já havia anunciado que iria adotar o HTTP/2 em seu navegador Chrome "gradualmente nas próximas semanas".

Cantareira tem maior alta desde o início da crise

O nível no Sistema Cantareira, que abastece mais de 6 milhões de pessoas na Grande São Paulo, subiu 0,6 ponto porcentual nesta quarta-feira, de acordo com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Trata-se da maior alta do reservatório desde o início da crise, no ano passado. Além disso, esta é a 13ª alta consecutiva do sistema. Agora, o Cantareira contabiliza 8,9% de sua capacidade máxima, ante 8,3% na manhã de terça-feira. Esses valores levam em conta as duas cotas do volume morto que passaram a ser utilizadas no ano passado. Sobre as represas que compõem o Cantareira, houve acúmulo de 28,6 milímetros de chuva de um dia para o outro. Um fator que, além da chuva, ajuda a explicar as seguidas altas do manancial é que a quantidade de água retirada dos reservatórios da Sabesp tem sido gradativamente reduzida. Em dezembro, a vazão média no Cantareira era de 18,5 mil litros por segundo. Dois meses depois, o número está em 11,9 mil litros por segundo, uma redução de mais de 35%. Todos os demais sistemas de abastecimento de água da região tiveram alta. O que registrou maior variação foi o Rio Claro, onde o nível acumulado chegou a 34,6% da capacidade total, um patamar 1,4 ponto porcentual maior do que o do dia anterior, que era de 33,2%. Ali, segundo a Sabesp, houve a maior pluviometria do dia: 64,4 milímetros de chuva acumulada. No Alto Tietê, o crescimento foi de 1,1 ponto porcentual, alcançando o nível de 16,3% - na terça-feira de manhã, o nível era de 15,2%. A região registrou 51,1 mm de chuva acumulada, o segundo maior índice do dia. Por sua vez, no Sistema Rio Grande houve elevação de 82% para 82,9% no mesmo período. O Guarapiranga subiu de 55,6% para 56,3% de um dia para o outro. Já o Alto Cotia, de 34,7% para 35,3%.

Ministério Público da Suiça revista sede do banco HSBC em Genebra


O Ministério Público da Suíça abriu uma investigação penal contra o HSBC Private Bank por lavagem de capitais e deu início nesta quarta-feira a uma operação de revista na sede do banco em Genebra. "A promotoria anuncia, após as recentes revelações públicas relacionadas ao banco HSBC Private Bank (Suíça), que abriu um procedimento penal contra o banco por lavagem de capitais com agravante", disse o Ministério Público em comunicado. A revista é comandada pelo procurador-geral de Genebra, Olivier Jornot, com auxilio do promotor Yves Bertossa. Apesar de ter sido aberta contra o banco, a promotoria informou que a investigação também pode envolver pessoas físicas suspeitas de colaborar com ações de lavagem de dinheiro. A filial suíça do HSBC está imersa em um escândalo de fraude fiscal e lavagem de dinheiro, chamado de SwissLeaks, revelado pela imprensa em 9 de fevereiro, em investigação patrocinada pelo bilionário americano George Soros. Dados retirados do banco pelo ex-técnico de informática Hervé Falciani mostraram que quase 180 bilhões de dólares teriam transitado por contas do HSBC em Genebra por meio de empresas de fachada para sonegação de impostos ou lavagem de dinheiro.

Joaquim Levy diz que situação da Petrobras deve voltar ao normal após publicação do balanço auditado. O que é isso, Levy?


O impacto da crise da Petrobras sobre a economia brasileira e os desafios do ajuste das contas públicas dominaram as dúvidas do grupo de analistas, executivos e integrantes de organismos multilaterais que se reuniu nesta terça-feira, 17, em Washington com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Em suas respostas, ele disse que a presidente Dilma Rousseff está comprometida com a meta de 1,2% de superávit primário neste ano e que a situação da maior empresa brasileira deverá se normalizar depois da publicação de seu balanço auditado. “A Petrobras está indo em uma boa direção”, disse o ministro no Brazil Institute do Wilson Center. Segundo ele, o maior desafio da companhia é vencer o “impasse contábil” criado pela dificuldade de contabilizar os desvios investigados pela operação Lava Jato. Levy afirmou que esse obstáculo “está sendo superado”, mas não fez uma previsão de quando o balanço deverá ser divulgado. “A Petrobras está indo numa boa direção. A mudança recente da administração vai facilitar a aceleração de algumas das coisas que já vinham sendo encaminhadas pela administração anterior”, afirmou. Joaquim Levy deve estar brincando quando diz que esse é o maior impasse da Petrobras. Já terá sido contaminado pelo petismo? Em sua avaliação, a perspectiva favorável para a companhia é reforçada pelo aumento recente da produção de petróleo e um resultado operacional mais positivo. “Em última instância, isso que é importante, produzir mais para poder lucrar mais.” Em sua apresentação, fechada à imprensa, Levy elogiou o novo diretor financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, segundo relato de pessoas presentes. Em um esforço para resgatar a credibilidade da política econômica brasileira, o ministro disse que é possível atingir a meta de superávit primário de 1,2% do PIB neste ano, mesmo depois do déficit de 0,6% registrado em 2014. Mas ressaltou a necessidade de as decisões serem tomadas “com presteza”. “Há compromisso bastante forte da presidente e de todo mundo de fazer essa meta. Nós estamos tomando as ações requeridas para chegar lá. É o que chamaria esforço fiscal, mas acho que está dentro da capacidade do Brasil”, declarou ele.

O Supremo vai revelar tudo sobre os políticos que roubaram a Petrobras?


O sigilo no Supremo Tribunal Federal em relação ao suposto esquema de corrupção envolvendo contratos da Petrobras não cairá automaticamente assim que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar os pedidos de investigação ou denúncias contra políticos envolvidos. Cabe ao relator do caso, ministro Teori Zavascki, decidir sobre esse assunto. Ao investigar a participação de autoridades com foro privilegiado, como deputados, senadores e ministros, nos desvios de dinheiro público na estatal, o Ministério Público Federal deve, logo após o Carnaval, dar sequência ao caso com base em informações dos depoimentos dos delatores da Operação Lava-Jato. Dependendo do nível de indícios de irregularidades, poderá já denunciar supostos envolvidos no esquema, pedir abertura de inquérito para continuar investigando ou, então, arquivar as acusações se não houver material suficiente que comprometa determinado citado. Nos dias 11 e 12 de fevereiro, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, delatores do esquema, tiveram que depor mais uma vez para dar mais informações sobre o envolvimento de políticos. A regra é que uma investigação (inquérito) não seja sigilosa. "Mas há casos excepcionais, como na Justiça comum para preservar o político", como explicou o ex-presidente do Supremo, Sepúlveda Pertence. Por exemplo, parte do processo do Mensalão - até então o maior julgamento da Corte - esteve sob sigilo por um tempo. Em abril de 2013, após intensa discussão, os ministros aboliram a regra em que os inquéritos penais envolvendo políticos eram apresentados apenas pelas iniciais das pessoas em investigação. Já o processo em que o ex-presidente Fernando Collor e outros réus respondiam pelos crimes de corrupção passiva e outros previstos no Código Penal não teve fases sob sigilo, segundo informou o ex-presidente do Supremo, Carlos Velloso, que participou do julgamento do caso, em 1994. "Em geral, se já foi formalizado o inquérito ou denúncia junto ao Supremo não se justifica o sigilo. Mas há certos inquéritos que estão no início e então o sigilo se impõe em benefício da autoridade com foro privilegiado", disse. Apresentando os pedidos de investigação ou denúncias contra políticos supostamente envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pode pedir para que não haja sigilo nos processos ou em parte deles. Mesmo assim, o ministro Zavascki é quem dá a palavra final, ou seja, ele pode ou não aceitar a recomendação do Ministério Público. A fatia do conteúdo das delações premiadas em que autoridades com foro privilegiado foram citadas foi encaminhada à Procuradoria Geral da República. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito do Congresso Nacional que investigava o caso, Paulo Roberto Costa revelou que "algumas dezenas" de políticos participaram das irregularidades. Sem dar nomes, ele informou a quantidade aproximada de autoridades citadas por ele à Justiça no acordo de delação premiada. A lista referente apenas à parte de Paulo Roberto Costa conta com mais de 30 nomes de políticos. (Valor Econômico) 

Informante do caso HSBC diz que ainda há "um milhão de dados para serem conhecidos"


O ex-funcionário do HSBC em Genebra, Herve Falciani, é o homem por trás do maior vazamento de dados na história dos bancos. As informações obtidas por ele em 2007 mostravam que a filial suíça do segundo maior banco do mundo “ajudou” clientes ricos a driblar o pagamento de milhões de dólares em impostos. Oito anos depois, ele disse, em entrevista à BBC, que se sente “vingado” e “aliviado”, já que os dados revelados por ele finalmente vieram à tona e o escândalo vem sendo investigado em várias partes do mundo. Segundo Falciani, estamos longe do fim da história, já que ainda há muitas informações sobre o esquema do HSBC. Aliás, para ser bem preciso, há um milhão de bits em dados, afirma o ex-funcionário. Ele diz que o trabalho de análise desses dados deve começar em breve e que uma grande empresa de petróleo pode ser a próxima a sentir os efeitos de um vazamento em massa de informações. O esquema revelado por Falciani permitiu que, entre 2005 e 2007, centenas de bilhões de euros transitassem, em Genebra, por contas secretas de 106 mil clientes, entre eles, empresários, políticos, estrelas do showbizz e esportistas, mas também traficantes de drogas e armas e suspeitos de ligações com atividades terroristas. Os documentos vazados por ele também incluem dados sobre 5,5 mil contas secretas de brasileiros, entre pessoas físicas e jurídicas, com um saldo total de US$ 7 bilhões (cerca de R$ 19,5 bilhões). A BBC teve acesso a um e-mail, obtido pelo jornal francês Le Monde, que foi enviado por Falciani em 2008 ao órgão britânico que equivale à Receita Federal no Brasil (Her Majesty's Revenue and Customs ou HMRC), no qual ele dava detalhes do esquema: “Mas como não obtive resposta, eu também liguei para denunciar o caso para um telefone de denúncia de evasão fiscal. Também sem sucesso". Ainda não está claro por que o HMRC não respondeu aos contatos do ex-funcionário do HSBC e por que levou tanto tempo para que a informações se tornasse pública. O HSBC afirma que o banco passou por reformas e que agora há menos clientes e um controle mais rígido. Mas para Falciani, o banco tem de ser punido de qualquer jeito. “A punição tem que ocorrer, não importa o quão grande eles são”, diz ele, acrescentando que talvez haja centenas de outros bancos envolvidos em esquemas para ajudar os ricos a fugir do pagamento de impostos. Segundo ele, é crucial que agências européias, americanas e asiáticas trabalhem em conjunto para combater a corrupção em bancos. As pessoas que se dispõem a denunciar esses esquemas também deveriam, segundo Falciani, receber maior proteção para que possam revelar o que sabem. Mas seus críticos – e há muitos – dizem que é preciso ter cuidado com o informante e o acusam de ter tentado vender as informações. Ele nega a acusação. “Isso é mentira. É exatamente isso que eles tentam fazer, minar sua reputação, assim como a máfia faz”, disse: “Mas já está sendo provado que eu estava certo. Eu nunca pedi dinheiro em troca das informações e agora estou podendo provar isso". Falciani diz que enfrentou diversos problemas nos últimos sete anos, por ter vazado as informações. Ele afirma que não tem uma casa e que viaja com o apoio de uma rede de pessoas que também estão envolvidas na luta contra o sigilo bancário: “Foi imenso o impacto negativo que esse caso teve na minha vida, seja na pessoal ou na profissional, e também na minha reputação". Para ele, denunciantes tem de estar dispostos a enfrentar uma longa luta: “Isso prova o quanto é difícil e complicado fazer denúncias como essa. Certamente, tudo isso levou muito anos mais do que eu esperava que levaria. É uma grande jornada".

José Eduardo Cardozo 1 – A demissão moralmente obrigatória de quem nunca deveria ter sido nomeado

Quem me acompanha aqui sabe que já discordei de Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo, muitas vezes. E já concordei com ele também. E nem sempre o PT estava em pauta. Eu não critico ou aplaudo pessoas, mas sua atuação pública e suas opiniões. Barbosa voltou a ser alvo da fúria dos petralhas porque, há quatro dias, postou esses dois comentários em sua conta no Twitter.

1) “Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a Presidente Dilma demita imediatamente o Ministro da Justiça.”
2) “Ajuda à memória coletiva: pesquisem sobre 1 controvertida decisão do TCU de jun/jul 2012, pouco antes do início do julgamento da Ap 470.”
José Eduardo Cardoz0-Barbosa 1
José Eduardo Cadozo-Barbosa 2
Vamos entender o que ele escreveu. Barbosa se referia à reportagem da mais recente edição da revista VEJA, informando que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fez uma reunião, em seu gabinete, com o advogado Sérgio Renault, defensor da empreiteira UTC, que pertence ao empresário Ricardo Pessoa, preso desde novembro pela Operação Lava-Jato. O ex-deputado e advogado petista Sigmaringa Seixas também estava presente. Pessoa é visto pelo Planalto como homem-bomba. Amigo pessoal de Lula, considera que foi abandonado pelo petismo e já deixou registrado num manuscrito que a dinheirama financiou os companheiros, inclusive a candidatura de Dilma. É claro que há aí uma senda para o impeachment, daí o pânico.
Cardozo primeiro negou o encontro. Ao perceber que era inútil, admitiu o que seria uma conversa informal — parte de suas atribuições, segundo disse. O estranho é que a audiência não estava em sua agenda. Mais estranhas ainda foram as, digamos, garantias que ele passou a Renault em sua conversa. Anunciou uma reviravolta no caso da Lava-Jato logo depois do Carnaval, quando nomes graúdos da oposição também seriam tragados pela voragem. Como o ministro sabe? Eis um mistério.
Fato: depois da conversa de Cardozo com o advogado, a UTC, a OAS e a Camargo Corrêa recuaram de eventuais acordos com o Ministério Público. Segundo um advogado confidenciou à revista VEJA, também se tratou de outro assunto naquela reunião: a garantia de que Lula estava entrando pessoalmente na, digamos, “jogada”. Com que poder? Não se sabe.
É evidente que conversa dessa natureza é inaceitável. E, por isso, com justeza, Barbosa cobrou a cabeça de Cardozo — a quem, diga-se, ninguém minimamente razoável reconhece credenciais para ocupar aquele cargo. Vamos entender agora a segunda mensagem do ex-ministro do STF.  Escreveu ele: “pesquisem sobre uma controvertida decisão do TCU de jun/jul 2012, pouco antes do início do julgamento da Ap 470”. A Ação Penal 470 é a do mensalão.
Muita gente não entendeu. Refresco a memória de vocês. O caso é um pouco complicado e eu o expliquei em detalhes aqui em meu blog no dia 20 de julho de 2012. Para entender o caso, leitor, você tem de saber o que é “bonificação por volume”. Trata-se do desconto que veículos de comunicação concedem a agências de publicidade, que costumam ficar com o dinheiro como parte de sua remuneração, em vez de devolvê-lo aos anunciantes. Segundo a lei que havia no Brasil, no caso de estatais, as agências eram obrigadas a devolver esse desconto às empresas. Pois bem: o TCU constatou que agências de publicidade, muito especialmente as de Marcos Valério, haviam embolsado, até 2005, ano em que explodiu o mensalão, R$ 106,2 milhões.
Agora, é preciso a gente se lembrar que Ana Arraes, a mãe do então lulista Eduardo Campos, foi conduzida ao TCU em setembro de 2011. E foi ela a relatora justamente desse caso do dinheiro sequestrado pelas agências. Ana contrariou o parecer técnico do tribunal e disse não ver nada de errado na retenção. E o fez com base em uma lei proposta sabem por quem? Pelo então deputado federal petista José Eduardo Cardozo, o mesmo que faz reuniões impróprias.
A “lei” inventada por Cardozo, a 12.232,  mudava a regra: as agências poderiam ficar com o dinheiro do desconto e pronto! Só foi sancionada pelo então presidente Lula em 2010. Ocorre que o texto tornava legal a retenção daquele dinheiro também para contratos já encerrados. Entenderam? Cardozo assinou um projeto, sancionado de bom grado por Dom Lulone, que, na prática, tornava legal a ilegalidade praticada por Valério. Uma lei não pode retroagir para punir ninguém, mas, para beneficiar, pode. Ao tentar legalizar parte da dinheirama do Mensalão, é evidente que o deputado Cardozo procurava influenciar a decisão dos ministros do Supremo no julgamento do Mensalão.
Felizmente, a operação deu errado, e a cúpula do PT foi parar atrás das grades, ainda que já tenha saído de lá. Mas a operação vergonhosa deixou sua marca. Por Reinaldo Azevedo

José Eduardo Cardozo 2 – A face cordial da truculência

O ministro José Eduardo Cardozo engana com aquela aparência de urbanidade. É uma das faces cordiais da truculência do petismo. Quem o conhece de perto não se surpreende que tenha feito reunião com o advogado de uma das empreiteiras para, digamos, dar uma direção política para o caso.

A sua atuação na investigação da formação de cartel para a compra de trens em São Paulo e Brasília chegou a ser examinada pela Comissão de Ética da Presidência da República. Até ela! O caso é escabroso. Um documento apócrifo — descobriu-se depois que o autor é ex-diretor da divisão de transportes da Siemens, Everton Rheinheimer — com acusações contra secretários do governo Geraldo Alckmin surgiu nas mãos do então deputado estadual do PT, Simão Pedro, hoje secretário de Serviços de Fernando Haddad. O documento, em seguida, foi parar no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), presidido pelo petista Vinicius Carvalho — que já havia sido subordinado de… Simão Pedro!
Dali, o papelucho foi parar nas mãos de Cardozo, que o repassou à Polícia Federal, que decidiu abrir um inquérito. Ou por outra: o ministro funcionou como um repassador de denúncias apócrifas. Pior: não existe protocolo de entrada do documento na Polícia Federal. A coisa assumiu ares de estado policial mesmo. Nota: no dia 10, a Primeira Turma do STF arquivou o pedido feito pela Procuradoria-Geral da República para investigar o deputado federal Rodrigo Garcia (DEM-SP) e o ex-deputado federal José Aníbal (PSDB-SP), atualmente suplente de senador. Eram dois dos acusados no documento apócrifo que Cardozo passou adiante.
Já fiz um levantamento neste blog demonstrando como Cardozo colaborou, por atos e omissões, para que as jornadas de junho de 2013 degenerassem em violência. O post está aqui. Inicialmente, o governo federal apostava que a bomba dos protestos explodiria no colo de Geraldo Alckmin. Deu tudo errado. Não só isso: no Ministério da Justiça, Cardozo se comportou como um chefe de facção, hostilizando permanentemente a polícia de São Paulo.
Reportagem de setembro do ano passado da VEJA informa que, no dia 5 daquele mês, a mando de Cardozo, Paulo Abrão, secretário nacional de Justiça, encontrou-se com o delegado Leandro Daiello, superintendente da Polícia Federal, para colher informações sobre o Inquérito 1209/2012, que apurou suspeitas de corrupção no Ministério do Meio Ambiente quando Marina Silva era ministra, em benefícios que teriam sido concedidos à empresa Natural Source International. Entre os investigados, estava o empresário Guilherme Leal, que apoiava a candidata do PSB à Presidência. Atenção! O inquérito já tinha sido arquivado por falta de provas, a pedido do Ministério Público. Não custa lembrar: no começo de setembro, Marina aparecia à frente de Dilma em simulações de segundo turno.
Abrão disse que estava apenas querendo saber em que pé estava a coisa porque “uma revista” — ??? — estaria fazendo uma reportagem a respeito e o havia procurado. Revista??? Abrão trabalha para a publicação? É “foca” do veículo? Está na folha de pagamentos? Se apenas quisesse informações, por que foi pessoalmente à sede da Polícia Federal? Não bastava um ofício? Teve de manter um encontro que nem estava na agenda do superintendente da Polícia Federal?
Com a morte de Márcio Thomaz Bastos, foi-se, de fato, o grande mago das operações para inocentar o PT. Bastos servia ao regime exemplarmente, mas tinha uma qualidade que até os adversários reconhecem: fazia a defesa de suas causas e clientes sem procurar incriminar inocentes ou fazer vítimas “do outro lado”. Está morto. Sobrou José Eduardo Cardozo. Que, obviamente, jamais será Bastos na vida não porque lhe sobrem qualidades, mas porque lhe faltam. Por Reinaldo Azevedo

Em aceno à oposição, Eduardo Cunha oferece a tucanos a segunda comissão mais importante da Câmara

Depois de entregar o comando da reforma política para o DEM, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu oferecer a segunda comissão mais importante da Casa, a de Finanças e Tributação, ao PSDB. Com o aceno, o peemedebista contempla os dois partidos que lideram a oposição à presidente Dilma Rousseff e enfraquece ainda mais o PT, que ficou sem cadeira na Mesa Diretora da Casa e com menos influência nas comissões. A Comissão de Finanças é responsável por analisar as principais matérias orçamentárias, normas para licitações e contratos, propostas que afetem receitas ou despesas públicas, contribuições sociais, entre outros temas. Deputados do PT presidiram o colegiado entre 2007 e 2011. Nos últimos três anos, a chefia foi do PMDB. O aceno de Eduardo Cunha ao PSDB é uma retribuição pelo compromisso assumido pelos tucanos com ele na eleição para a presidência da Câmara.

O PSDB apoiou o deputado Júlio Delgado (PSB) no primeiro turno da disputa, mas combinou que apoiaria Eduardo Cunha se ele tivesse que disputar um segundo turno com Arlindo Chinaglia (PT-SP), o candidato do Planalto. Eduardo Cunha foi eleito no primeiro turno, graças à divisão do bloco governista, impondo uma derrota histórica aos petistas. Embora não tenha precisado dos votos tucanos, o peemedebista quer mostrar que cumpre suas promessas. O PSDB ainda discute internamente se ficará com a Comissão de Finanças ou se preferirá chefiar a Comissão de Minas e Energia, onde poderia influir na discussão sobre as atuais dificuldades enfrentadas pelo setor elétrico. “Os grandes e graves problemas do setor elétrico podem levar o partido a optar por Minas e Energia”, disse o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP).

“Taca-le pau, Dilma!” – Energia elétrica para indústria sobe até 53% em março!

Parabéns, presidente Dilma Rousseff! A conta de energia elétrica da indústria pode aumentar até 53% em março. Além da elevação do preço em si, as indústrias do Sudeste terão de pagar R$ 79 por megawatt-hora, informa o Estadão, para “subsidiar programas sociais, pagar despesas do setor e custear o funcionamento das termelétricas”, que estão operando ininterruptamente para poupar água dos reservatórios do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. No fim de 2012, como vocês se lembram, por decisão da Soberaníssima Sapientíssima, a tarifa teve uma redução de 20%. O preço já está acima do patamar anterior ao da queda.

No dia 6 de setembro de 2012, em pronunciamento (vídeo abaixo, com a íntegra), disse a governanta:
“Na próxima terça-feira (…) vou ter o prazer de anunciar a mais forte redução de que se tem notícia, neste país, nas tarifas de energia elétrica dasindústrias e dos consumidores domésticos. A medida vai entrar em vigor no início de 2013. A partir daí todos os consumidores terão sua tarifa de energia elétrica reduzida, ou seja, sua conta de luz vai ficar mais barata. Os consumidores residenciais terão uma redução média de 16,2%. A redução para o setor produtivo vai chegar a 28%, porque neste setor os custos de distribuição são menores, já que opera na alta tensão. Esta queda no custo da energia elétrica tornará o setor produtivo ainda mais competitivo. Os ganhos, sem dúvida, serão usados tanto para redução de preços para o consumidor brasileiro como para os produtos de exportação, o que vai abrir mais mercados, dentro e fora do país. A redução da tarifa de energia elétrica vai ajudar também, de forma especial, as indústrias que estejam em dificuldades, evitando as demissões de empregados.”
Então tá. Devemos entender que, agora, Dilma pretende provocar uma elevação dos preços, diminuir as exportações, fechar os mercados, prejudicar a indústria e causar desemprego. É isso aí. “Taca-le” pau, Dilma! Ensina os brasileiros a votar!
Por Reinaldo Azevedo

ESTATAL PAGA SALÁRIOS SUPERIORES AO TETO DO STF

A estatal EBC, criada no governo Lula, custa caro e entrega pouco. Ou entrega nada: a TV Brasil, “tevê do Lula”, é traço em audiência, mas, sem compromisso com custos ou resultados, a EBC avança no bolso do contribuinte para manter 2.446 pessoas com salários como os R$ 54.102,81 de um “chefe da assessoria” ou R$ 56.072,05 recebidos por superintendente, superiores ao teto de ministro do Supremo Tribunal. Se fosse uma empresa privada, a EBC teria quebrado há muito tempo. Na contabilidade da EBC, salários rondam R$ 30 mil e o chefe ganha 47.683,14. E há jornalista recebendo até R$ 51,5 mil mensais. Responsáveis pela programação que ninguém vê, segundo pesquisas de audiência, recebem salários que chegam a R$ 28.253,88. A EBC tem ótimos locutores, mas os R$ 43.116,97 pagos a alguns nem de longe se vêem em empresas líderes de audiência e faturamento.