domingo, 22 de fevereiro de 2015

Efeito Lava Jato: processo contra a OAS respinga no Santander

Em situação delicadíssima desde que foi tragada pela Operação Lava Jato, a empreiteira OAS é alvo de dezenas de ações na Justiça movidas por credores que desejam receber valores, mas têm levado sucessivos calotes. Uma delas respinga sobre o banco Santander, que pode ser obrigado a arcar com 106 milhões de reais em títulos da empreiteira detidos por investidores institucionais, como os bancos Credit Suisse e JP Morgan.

No processo, os investidores, representados pela Pentágono Distribuidora de Valores Mobiliários (DTVM), relatam que a empreiteira deixou de honrar os pagamentos de debêntures — títulos emitidos por empresas que querem se capitalizar sem precisar recorrer à Bolsa de Valores — que venciam em janeiro deste ano. Uma única instituição se salvou: o banco Santander.
O Santander também era detentor de debêntures da OAS. No total, contava com 940 milhões de reais em títulos — alguns deles com vencimento distante, em 2018. Com mais de um 1 bilhão de rais em caixa no começo do ano, a construtora optou por saldar integralmente sua dívida com o banco. Isso irritou o grupo de investidores cujos papeis, somados, alcançavam pouco mais de 100 milhões de reais. Em 30 de janeiro, por meio da Pentágono, e capitaneados pelo Credit Suisse, eles executaram a dívida e arrolaram o Santander como devedor solidário. 
Os investidores alegam que o banco foi beneficiado com o pagamento antecipado de títulos que só se tornariam maduros em março de 2018. Afirmam, ainda, que, dado o envolvimento da OAS na Operação Lava Jato (seus principais diretores estão presos desde novembro de 2014 na sede da Polícia Federal, em Curitiba), o pagamento foi feito com o intuito de inviabilizar o cumprimento das obrigações com os credores institucionais. A operação é caracterizada como “fraudulenta” no processo. 
Foi pedida uma liminar, obrigando os réus a depositar em juízo os 106 milhões de reais. A juíza Jacira Jacinto da Silva determinou, no entanto, que apenas o Santander deixe o dinheiro provisionado. Segundo a sentença, o fundo Santander Diamantina Multimercado, que era detentor dos títulos da empreiteira, ficará impossibilitado de fazer transações no valor da dívida da OAS com os demais credores. Cabe recurso da decisão.
Procurada pela reportagem, a OAS afirmou que a liquidação antecipada das debêntures do Santander foi decorrente do corte de rating da empreiteira, feito em janeiro pelas as agências de classificação de risco. À ocasião, foi atribuída a nota C aos papéis da empresa. Isso significa que suas ações são consideradas ‘junk’, jargão utilizado pelo mercado para classificar papéis que possuem um altíssimo risco de calote. A empreiteira não explicou, no entanto, porque o corte de rating também não a obrigou a liquidar as debêntures dos demais credores.
Invepar
Outra vitória da Pentágono contra a OAS se refere a outra classe de debêntures, também vencidas, da ordem de 180 milhões de reais. Investidores conseguiram na Justiça que 8,89% das ações da Invepar (empresa de infraestrutura da qual a OAS é acionista) fossem penhoradas para honrar a dívida da empreiteira com os debenturistas. A OAS detém 25% de participação na empresa, que tem entre seus principais ativos o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, privatizado em 2012. A Pentágono alegava que a OAS vinha tentando transferir suas ações para uma subsidiária. Com a tentativa, dizem os investidores, a empreiteira tinha o intuito de esvaziar o patrimônio da holding para evitar que seus ativos fossem executados por credores. A penhora das ações foi concedida pela Justiça no início deste mês.
A OAS tem mais de 20 obras de infraestrutura no país — a maior parte conseguida por meio de contratos com estatais, com o governo federal e com governos estaduais. Se, em decorrência da Lava Jato, a construtora for declarada inidônea, ela perderá seu maior cliente, a União.
O endividamento da empresa até setembro de 2014 era de 7,7 bilhões de reais, segundo a agência de classificação de risco Fitch. Atualmente, alguns fundos credores, como o Blackrock, estão vendendo os papéis da OAS no mercado secundário para fundos especializados em ativos podres, os chamados ‘fundos abutres’ — os mesmos que detém boa parte da dívida da Argentina e hoje cobram um prêmio altíssimo para renegociá-la. (Veja.com)

Polícia Federal diz que presidente da UTC recebeu alerta de prisão na Operação Lava Jato um dia antes

O empresário Ricardo Ribeiro Pessoa, da UTC Engenharia, é figura central de uma investigação da Polícia Federal, iniciada em novembro de 2014, sobre vazamento de informação sigilosa dentro da Operação Lava Jato. Um dia antes de ser deflagrada a sétima fase da Lava Jato, batizada de Operação Juízo Final – no dia 14 de novembro -, Pessoa e outros 10 investigados estavam com os telefones grampeados, com autorização da Justiça Federal. O empresário da UTC, um executivo e um advogado do grupo e um “amigo” de nome “Rui” – mencionado em conversa telefônica e não identificado pelos policiais – estão entre os alvos desta apuração. Diálogos por telefone e mensagens trocadas entre os investigados levaram o setor de Inteligência da Polícia Federal à conclusão que havia “indicativos concretos de vazamento”. O caso passou a ser apurado e um diálogo, em especial, chamou atenção dos investigadores da Lava Jato. Era 20h46, do dia 13 de novembro quando Pessoa fala com um dos diretores do grupo UTC Walmir Pinheiro Santana – também alvo da Lava Jato. Ambos estavam com os telefones monitorados pela Polícia Federal. “Olha, eu… é… saí daqui do encontro lá com o nosso amigo agora”, diz Santana, para o presidente da UTC, que quis saber quem era o amigo: “Qual? O Rui?”. Santana confirmou: “É”. Os interlocutores combinaram se encontrar, em seguida, na casa de Santana, onde estaria também o advogado Renato Tai, que trabalha na UTC. “É imprescindível lembrar que houve vazamento de informações a respeito da deflagração da 7ª fase da Operação Lava Jato que ocorrera na manhã do dia seguinte a esta ligação”, registra a PF em seu relatório de informação sobre as escutas.

Faltava pouco mais de oito horas para que os policiais federais começassem a cumprir os mandatos de prisão da Operação Juízo Final. A lista de prisões – primeira estocada da Lava Jato no coração do esquema de corrupção na Petrobrás – trazia entre seus nomes o de Pessoa. Minutos após ao diálogo (às 21h28), o advogado Tai liga para Pessoa e orienta o alvo a ler mensagens mandadas para ele no “vermelhinho” – trata-se de um telefone exclusivo para comunicação supostamente segura entre os envolvidos, registra a PF, em seu relatório. “O que estão marcando amanhã cedo aqui?”, questionou Pessoa, quando voltaram a falar por telefone. “Procedimentos”, avisa Tai. O presidente da UTC pergunta ao advogado, então, se eram os “nossos colegas” que estavam “marcando procedimentos ou os outros?” O advogado da UTC responde: “Os inimigos!”. E acrescenta que a informação vem de “vários lugares”. Segundo os policiais, “não se trata de interceptação de diálogos entre advogado e cliente, mas sim diálogos que podem indicar o vazamento de procedimentos sigilosos, com violação de sigilo e seus reflexos na esfera criminal".


Em seguida, às 21h51, o presidente da UTC manda mensagem de celular para seu sócio, João de Teive e Argollo – também alvo da Lava Jato. “João. Estão todos avisando (adv) que amanhã poderá ter café da manhã muito cedo". “Há evidências de que Renato buscava informar Ricardo, através de linguagem dissimulada, que a casa dele, Ricardo, seria objeto de busca e apreensão na manhã do dia seguinte”, informou relatório da Policia Federal. No dia seguinte, Pessoa – apontado pela Lava Jato como o coordenador do cartel de empreiteiras que pagava propinas na Petrobrás – foi preso pela Polícia Federal. As informações foram prestadas ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato, que em decisão do último dia 18, anexou os relatórios de os trechos das interceptações aos processos.

Delator do Petrolão diz que bancos na Suiça colaboraram com desvios de recursos da Petrobras

Por volta de outubro de 2011, dois altos funcionários da Petrobras jantaram em Milão (Itália) com o presidente e o agente de um banco sediado na Suíça, o Cramer. No dia seguinte eles abriram contas no mesmo banco em nome de empresas de fachada e começaram a receber milhões de dólares em propina associadas a contratos de estaleiros com a estatal. O encontro e a operação que o sucedeu –descritos pelo ex-gerente de engenharia da Petrobras Pedro José Barusco Filho no acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal– são um exemplo do envolvimento pessoal de gestores de contas de bancos sediados na Europa revelados pela Operação Lava Jato.
 

Depoimentos de Barusco e outros delatores revelam a tolerância e mesmo o incentivo dos bancos para permitir a guarda e o sigilo sobre dinheiro suspeito movimentado por funcionários da estatal. Barusco revelou que, após o jantar em Milão, as contas abertas no Cramer receberam, ao câmbio de sábado (21), cerca de R$ 21 milhões de 2011 a 2013, propina referente a um programa de construção de navios equipados com sondas de perfuração. Do jantar, segundo Barusco, participaram ele, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, o consultor Julio Camargo e o ex-diretor- presidente da Sete Brasil, João Carlos Medeiros Ferraz. No dia seguinte, Barusco abriu a conta "Natiras", Duque, a "Drenos", e Ferraz, a "Firasa". Camargo já era correntista no banco e apresentou o banqueiro ao grupo. Barusco também descreve o papel que dois funcionários do banco Safra na Suíça desempenhavam no controle de depósitos feitos em nome de empresas de fachada pertencentes a ele e Duque. Segundo ele, o "operador" Mario Goes usou duas contas no Safra suíço para fazer transferências para contas no banco Lombardo Odier, no mesmo país, em benefício de Barusco e Duque. As contas chegaram a registrar saldos de US$ 7 milhões cada uma. De tempos em tempos, um funcionário do banco vinha ao Brasil fazer uma conferência dos depósitos. Barusco citou os funcionários Denise Kos e Edmond Michaan. Barusco disse que escolhia as instituições financeiras que esconderiam seu dinheiro de acordo com o sigilo oferecido. Ele contou que "entre 1997 e 1998 até outubro de 2010" ele recebeu US$ 22 milhões em propinas pagas pela firma holandesa SBM. Nos primeiros pagamentos, na década de 90, os valores foram pagos no banco Republic, que depois foi comprado pelo HSBC. Barusco, porém, disse que não gostou "do serviço e do 'sigilo' desse banco" e por isso transferiu os valores de uma instituição a outra até que, em 2003, "transferiu todos os créditos de propina destas contas para a conta numerada" em seu nome no Safra de Genebra. Barusco relata um dissabor. Ele contou que, no banco Lombardo Odier, um brasileiro chamado "Roberto" orientou que ele e Duque abrissem duas "contas de passagem" para ocultar capital, que receberam ao menos US$ 6 milhões. Tempos depois, Duque disse a Barusco que "Roberto havia sumido": os dois perderam o dinheiro.

Brasil desperdiça o equivalente a uma usina de Furnas em energia


A inexistência de um planejamento adequado para geração de energia a partir de resíduos sólidos faz com que o Brasil desperdice potencial equivalente a uma usina de Furnas. O levantamento, elaborado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), mostra que os aterros do País poderiam reunir uma capacidade instalada de 1,3 GW de energia, o equivalente ao fornecimento adicional de aproximadamente 930 mil MWh/mês. O volume, ressalta a entidade, é suficiente para abastecer 6 milhões de residências. Furnas tem potência instalada de 1,22 GW. O levantamento prevê capacidade potencial de 536 MW a partir do biogás e 742 MW via recuperação energética de lixos sólidos. Esse número considera que apenas 17% da composição dos resíduos sólidos urbanos são rejeitos, o equivalente a 13 milhões de toneladas por ano. "É uma estimativa bastante conservadora. Falamos de resíduos sólidos urbanos com poder calorífico elevado e que não possuem destinação adequada", salienta o diretor-presidente da Abrelpe, Carlos Silva Filho. Não entram na conta os produtos recicláveis. Uma das iniciativas que estão em andamento para reverter esse desperdício é a construção da primeira unidade de tratamento térmico de resíduos do Brasil. O empreendimento, avaliado em 280 milhões de reais, será feito em Barueri, na Grande São Paulo. A unidade de recuperação energética (URE) a ser instalada no local terá capacidade de 17,3 MW, com potencial de geração de 15 MW médios, volume suficiente para abastecer 80 mil residências. O projeto também contribuirá para o tratamento de 825 toneladas de lixo por dia. A construção da unidade deve ter início no próximo mês de maio, de acordo com o diretor de Novos Negócios da Foxx Haztec, Alexandre Citvaras. A empresa é a administradora do empreendimento, fruto de uma parceria público privada (PPP) do município de Barueri. A idéia é que ele sirva de exemplo para outras iniciativas do tipo, uma nova opção de geração em relação ao atual aproveitamento de biogás. A geração de energia a partir da decomposição de lixo é considerada uma fonte atrativa em termos energéticos.

Sistema Cantareira tem nova alta e chega a 10,4%

O nível do Sistema Cantareira, principal manancial de São Paulo, voltou a registrar alta neste domingo, 22. Mesmo sem ter acumulado chuva no sábado, o reservatório teve o 17° dia consecutivo de crescimento no volume armazenado. O aumento no volume foi de 0,2 ponto porcentual, passando de 10,2% no sábado para 10,4% neste domingo, de acordo com boletim da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). No primeiro dia de fevereiro, quando sofreu queda pela última vez, o índice era de 5,0%. Não houve acúmulo de chuva nas últimas 24 horas. A pluviometria acumulada em fevereiro, de 266,5 milímetros, já é cerca de 34% superior à média histórica para o mês inteiro, de 199,1 mm. Responsável por abastecer 6,5 milhões de pessoas, o manancial subiu 5,4 pontos porcentuais só no mês de fevereiro. Além da presença das chuvas, a redução do volume de água retirado ajuda a explicar o aumento do Cantareira. Há um ano, a Sabesp captava 32,6 mil litros por segundo. Atualmente esse número é de 11 mil litros por segundo, cerca de 66% menor. O atual cálculo da Sabesp para a capacidade do manancial, que chegou a passar oito meses sem nenhuma alta em 2014, inclui duas cotas do volume morto - água represada abaixo dos túneis de captação. A primeira, de 182,5 bilhões de litros de água, foi adicionada em maio e a segunda-feira, de 105 bilhões de litros, em outubro. Apesar das chuvas, esses volumes de água ainda não foram recuperados. O nível de outros mananciais também cresceu. Assim como o Cantareira, o sistema Alto Tietê subiu pelo 17° dia seguido e alcançou 18,2% da capacidade - número que já considera um volume morto de 39,4 bilhões de litros. As chuvas na região que totalizaram uma pluviometria de 0,8 mm contribuíram para esse aumento. O sistema Rio Claro também subiu. Passou de 35,2% para 35,3% de armazenagem. Com índice de chuvas já superior à média histórica do mês, o volume armazenado no Guarapiranga manteve-se estável neste domingo. O reservatório está com 57,5% da capacidade. Também manteve-se estável o volume do sistema Alto Cotia, que registra 36,6% de armazenamento. O Sistema Rio Grande baixou de 83,9% registrados no sábado para 83,6% neste domingo.

Exército turco entra na Síria para resgatar soldados e realocar túmulo; Turquia quer remontar império otomano islâmico

Forças turcas entraram na Síria durante a noite para resgatar cerca de 40 soldados que estavam cercados há meses por militantes do Estado Islâmico enquanto protegiam o túmulo de uma personalidade turca reverenciada. O governo sírio descreveu a operação como um ato de "flagrante agressão" e disse que responsabilizaria Ancara por suas repercussões. A ação, que envolveu tanques, drones e aviões de reconhecimento, bem como centenas de soldados no solo, foi a primeira incursão de tropas turcas na Síria desde o início da guerra civil no país quatro anos atrás. Os militares disseram que nenhum tipo de combate aconteceu durante a operação, embora um soldado tenha sido morto em um acidente. Os 38 soldados que guardavam o túmulo de Suleyman Shah, avô do fundador do Império Otomano, foram levados em segurança para casa. O túmulo, que está em um local dentro da Síria que Ancara considera território soberano, conforme acordado em um tratado de 1921, foi transferido. Normalmente, o destacamento é trocado a cada seis meses, mas o último ficou preso no local por oito meses por terroristas do Estado Islâmico. O primeiro-ministro Ahmet Davutoglu declarou em uma coletiva de imprensa que a Turquia não pediu permissão ou assistência para a missão, mas informou seus aliados da coalisão contra o Estado Islâmico assim que a ação começou. "Esta foi uma operação extremamente bem-sucedida, com nenhuma perda de nossos direitos sob a lei internacional", disse, ladeado pelo chefe das Forças Armadas e pelo ministro da Defesa. O governo sírio disse em um comunicado que a Turquia poderia ser responsabilizada pela quebra do tratado depois de não conseguir esperar pelo acordo de Damasco antes de executar a operação. O governo turco informou o consulado sírio em Istambul sobre a operação, mas não esperou por um acordo com a Síria, dizia o comunicado, acrescentando que a operação era uma violação do acordo de 1921. Uma fonte da segurança turca afirmou que a operação foi conduzida através da cidade fronteiriça síria curda de Kobani com o apoio das autoridades curdas locais. Forças curdas, apoiadas por ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos, retiraram o Estado Islâmico de Kobani no mês passado. O ministério turco das Relações Exteriores declarou que o túmulo foi temporariamente transferido para um novo local dentro da Síria ao norte da aldeia de Esmesi, perto da fronteira com a Turquia. Davutoglu disse que cerca de 100 veículos militares, incluindo 39 tanques, estavam envolvidos na ação que contou com 572 militares, incluindo comandos das forças especiais. Caças turcos estavam em alerta durante a missão, mas não foi preciso acioná-los, afirmou ele. A Turquia tem relutado em assumir um papel ativo na campanha militar liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico, em parte porque o país quer ver a ação militar atingir tanto as forças governamentais sírias quanto os insurgentes. Mas o governo turco disse no final do ano passado que os terroristas do Estado Islâmico estavam avançando sobre o mausoléu, situado às margens do rio Eufrates, feito território turco com o tratado assinando com a França em 1921, quando a França governava a Síria. Davutoglu disse repetidas vezes que a Turquia iria retaliar qualquer ataque ao túmulo, que estava localizado a 37 quilômetros da fronteira da Síria antes de ser transferido durante a noite. "Países que não cuidam de seus símbolos históricos não podem construir seu futuro", afirmou neste domingo. O comunicado do governo sírio disse que o Estado Islâmico não atacou o túmulo "confirmando a profundidade dos laços entre o governo turco e esta organização terrorista". A Síria acusa a Turquia de apoiar os grupos rebeldes que tomaram o controle de amplas áreas do norte e leste da Síria, incluindo o Estado Islâmico. Duas operações foram realizadas simultaneamente como parte do que foi chamada operação "Shah Euphates", disse Davutoglu, uma para Suleyman Shah e a outra para proteger a área em torno de Esmesi. Ele afirmou que os edifícios que ainda restam no local original foram destruídos para impedir sua utilização depois que os restos mortais foram removidos. Soldados turcos hastearam a bandeira da Turquia no local para onde o túmulo foi transferido. Davutoglu declarou que ele seria devolvido ao seu local anterior assim que as condições permitissem. O Estado Islâmico e outros grupos islâmicos, cuja estrita interpretação salafista do Islã considera a veneração de túmulos como idolatria, destruíram vários túmulos e mesquitas na Síria. Suleyman Shah era o avô de Osman I, fundador do Império Otomano em 1299. Viajando pela Síria moderna, ele caiu do cavalo e se afogou no rio Eufrates, perto do local do mausoléu, de acordo com historiadores.

Israel anuncia compra de 14 jatos de guerra por US$ 3 bilhões

Israel disse neste domingo que vai comprar 14 aeronaves de guerra da próxima geração do F-35 por aproximadamente US$ 3 bilhões. As novas aquisições se somarão à tropa de 19 jatos fabricados nos Estados Unidos comprados em 2010, disse o Ministério da Defesa. O recente acordo com a fabricante Lockheed Martin inclui uma opção para a aquisição de mais 17 aviões no futuro. O primeiro desses aviões deve chegar a Israel em 2016. O F-35 é o programa de armamentos mais caro do Pentágono, com um custo estimado de cerca de US$ 400 bilhões. O programa tem por objetivo substituir um vasto números de aeronaves existentes para os Estados Unidos e muitos países parceiros. Israel planeja que o jato substitua seus aviões de guerra F-16 e deseja manter seu domínio aéreo sobre a região. 

Estados Unidos estão preocupados com ameaça a shoppings feitas pela organização terrorista Al Shabaab

O chefe de Segurança Interna dos Estados Unidos disse neste domingo que leva a sério as ameaças feitas pelos militantes de um grupo terrorista islamico baseado na Somália contra shoppings do país, incluindo o Mall of America, em Minnesota, e pediu para que as pessoas que forem até o local sejam cuidadosas. Jeh Johnson, secretário de Segurança Interna, reagiu a um vídeo divulgado pelo Al Shabaab aparentemente pedindo ataques a áreas comerciais do Ocidente, citando especificamente o Mall of America, o Mall West, em Edmonton, no Canadá, e a Oxford Street, em Londres. “Esta última declaração feita pelo Al Shabaab reflete a nova fase para a qual evoluímos em se tratando de ameaça terrorista global, em que você tem grupos terroristas como o Al Shabaab e o Estado Islâmico pedindo publicamente a pessoas independentes em seus países de origem que realizem ataques”, disse Johnson ao programa “State of the Union”, da CNN. “Nós já passamos da fase atualmente em que esses grupos enviavam seus agentes estrangeiros aos países depois de terem sido treinados em algum lugar”, afirmou Johnson. Questionado especificamente sobre a ameaça ao Mall of America, um dos maiores complexos de compras do mundo, ele declarou: “Sempre que uma organização terrorista apela por um ataque a um lugar específico, nós temos de levá-lo a sério”: “Eu diria que se alguém está planejando ir até o Mall of America hoje, tem de ser especialmente cuidadoso". Minnesota conta com uma população somali considerável. Autoridades policiais americanas têm se preocupado com a potencial radicalização entre alguns integrantes da comunidade. Um homem de Minnesota foi indiciado na semana passada acusado de conspiração, apoio ao Estado Islâmico e por mentir para agentes federais que investigavam o recrutamento feito por grupos militantes. Promotores disseram que dezenas de pessoas da área de St. Paul, Minneapolis, muito deles somalis-americanos, viajaram ou tentaram viajar para o Exterior para apoiar grupos como o Estado Islâmico ou o Al Shabaab desde 2007.  O Mall of America é o maior shopping particular em Bloomington, em Minnesota, e recebe cerca de 40 milhões de visitantes ao ano, e contribui com aproximadamente 2 bilhões de dólares anuais para a economia do estado de Minnesota, de acordo com o site do estabelecimento.

Lava Jato na publicidade

O diretor de Marketing da Petrobras, Wilson Santarosa, está no cargo desde 2003. Ele é homem da CUT - como Lula, Delúbio Soares e João Vaccari Neto. E é ligado a José Dirceu - como Renato Duque. A Lava Jato está esquadrinhando os roubos cometidos em pelo menos duas diretorias da Petrobras. O Antagonista sugere que os procuradores esquadrinhem igualmente as contas de publicidade da estatal. Porque o dinheiro que entrou por meio de contratos superfaturados das empreiteiras saiu para financiar, entre outras coisas, a propaganda eleitoral. Desde os tempos de Marcos Valério, sabemos que uma parte do dinheiro roubado pelo PT é remetida para contas de publicitários no exterior. Mais do que isso: sabemos que as empresas de propaganda tornaram-se instrumentos perfeitos para esquentar notas frias e lavar dinheiro. A Lava Jato está fazendo um trabalho extraordinário. Para completá-lo, porém, ela tem de seguir o rastro da propaganda da Petrobras. Será muito útil para o inquérito e, em determinados casos, permitirá até mesmo fazer uma faxina na imprensa. (O Antagonista)

A NATUREZA DO JOGO 2 – A FRASE PERTURBADORA DE JANOT E SUAS CONVERSAS FREQUENTES COM CARDOZO. OU: DENÚNCIA DO MP VAI OU NÃO REVELAR O VERDADEIRO CRIME, JÁ CONFESSADO POR PAULO OKAMOTO, O FAZ-TUDO DE LULA?

José Eduardo Cardozo com Rodrigo Janot. Tudo positivo? Para quem?


Muito bem! O Brasil está de olho em Rodrigo Janot, procurador-geral da República. E espera-se que Rodrigo Janot esteja de olho no Brasil, mais preocupado em dar a resposta necessária à impressionante sucessão de descalabros na Petrobras do que em, digamos, “administrar” a denúncia para amenizar a crise política. Esse é, afinal, um papel que cabe aos… políticos. Sim, é preciso que a gente acompanhe com lupa o trabalho do Ministério Público Federal.
Janot andou a pensar alto por aí. E este blog revela um desses pensamentos, prestem atenção: “Passei a régua e, felizmente, Lula e Dilma estão limpos”. É? Então é hora de voltar à prancheta. E isso implica, parece, encaminhar o acordo de delação premiada com o empresário Ricardo Pessoa, da UTC. Ele está disposto a contar como repassou R$ 30 milhões para as campanhas eleitorais do PT em 2014 — R$ 10 milhões desse total para os cofres da candidatura de Dilma Rousseff. Que diabo, então, de “limpeza” é essa?
Como já resta mais do que evidente, José Eduardo Cardozo, um dos “Três Porquinhos” de Dilma, andou transitando — e transita ainda — freneticamente nos corredores para impedir novas delações premiadas de empreiteiros, com atenção especial dedicada a Pessoa, ex-amigão de… Luiz Inácio Lula da Silva!
Um dos interlocutores frequentes de Cardozo, diga-se, tem sido justamente Janot. E isso não é bom. É evidente que um procurador-geral deve manter relações institucionais com o ministro da Justiça. E só! Em dias como os que vivemos, conversas cordiais entre quem investiga e porta-vozes informais de investigados não parecem constituir atitude muito prudente.
E tudo se torna institucionalmente mais arriscado quando um interlocutor de Janot — como tem sido Cardozo — anuncia ao advogado de um dos réus uma “reviravolta” no caso, com suposto potencial para tragar também a oposição. É preciso muito rigor para que não se alimente a desconfiança, não é?, de que Cardozo sabe mais do que deveria saber sobre o que anda apurando o Ministério Público Federal.
Ademais, não cabe a Jonot saudar o fato de que Lula e Dilma estão limpos. De saída, cabe a pergunta: estão mesmo, ou isso traduz apenas a leitura mais conveniente?
Para entender
O que muita gente não entendeu até agora é que a obsessão do Ministério Público — e, sim, do juiz Sérgio Moro — de provar a existência de um “cartel” e de um suposto “Clube das Empreiteiras”, ao qual se confere um perfil mafioso, muda aquela que é a natureza evidente do jogo.
Fosse assim, os descalabros que se viram poderiam ter se dado em qualquer governo, com qualquer esquema de poder, em parceira com qualquer partido político. E ISSO, LAMENTO DIZER, É ESCANDALOSAMENTE MENTIROSO. O PT e o Planalto gostariam muito que essa versão triunfasse. A verdade é que o esquema, como estava organizado, só poderia ter sido liderado, como foi, pelo PT. O modelo traduz uma forma de entender e de se apropriar do estado, que difere do mensalão apenas na escala e na ousadia. Reportagem de VEJA desta semana revela que Delúbio Soares está na raiz também desse escândalo. A UTC simulou um contrato com a consultoria de José Dirceu para repassar ao chefão petista R$ 2,3 milhões.
A banqueira Kátia Rabello foi condenada a 16 anos e oito meses de cadeia; o publicitário Marcos Valério, a 40 anos e um mês. Você pode achar muito justo, leitor. Ocorre que Dirceu e Delúbio, que agora voltam à ribalta, já estão gozando do conforto de seus lares. Assim, a julgar pelas penas, a gente fica com a impressão de que eles foram muito mais efetivos na arquitetura do mensalão do que a dupla dinâmica do petismo. E essa hipótese, convenham, é ridícula.
Sim, eu sei como as coisas funcionam. A Kátia e Valério, foram imputados mais crimes, as penas foram se somando, e o resultado é o que vemos. Mas é preciso que se analise, então, se algo não acabou sendo mal encaminhado desde a denúncia, erro que não se pode repetir desta feita. A hipótese de que o petrolão chegue à fase de julgamento como mero esquema de assalto aos cofres do país, protagonizado por empreiteiros que decidiram corromper agentes públicos, é coisa ainda mais grave do que uma mentira: É UMA CORRUPÇÃO DA VERDADE. Tal leitura busca absolver o PT de seu crime principal: O ASSALTO À INSTITUCIONALIDADE.
Não cabe a Janot dar-se por satisfeito e aliviado que, passada a régua, nada exista de concreto contra Lula e Dilma. Sugiro ao procurador-geral que encaminhe logo a delação premiada de Ricardo Pessoa. Aí, então, veremos. E sugiro também que suspenda as conversas com José Eduardo Cardozo. Afinal, doutor Janot, como esquecer as palavras de Paulo Okamotto, sócio e faz-tudo de Lula, em entrevista ao Estadão? Ao se referir às relações do PT com as empreiteiras, foi cristalino: “Funciona assim: ‘Você está ganhando dinheiro? Estou. Você pode dar uma pouquinho do seu lucro para o PT? Posso, não posso".
Tudo muito claro. Por Reinaldo Azevedo

Advogado da ex-banqueira mensaleira Katia Rabello pergunta por que ela ainda está presa


Em artigo publicado neste domingo, o advogado José Carlos Dias, que defendeu Kátia Abreu na Ação Penal 470, questiona por que sua cliente ainda está presa. Leia abaixo:
O desabafo de um advogado
Por que Kátia Rabello ainda está em regime fechado se os políticos condenados na ação penal 470 estão no semiaberto ou em prisão domiciliar? Qualifico-me, de imediato, como um advogado perplexo com a injusta condenação de minha cliente Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural, pelo Supremo Tribunal Federal, a 14 anos e cinco meses de reclusão, na ação penal 470, apelidada de "mensalão", em absoluta disparidade com outras penas impostas a corréus do mesmo processo. Igual punição recebeu o vice-presidente do mesmo banco, José Roberto Salgado, defendido pelo grande advogado Márcio Thomaz Bastos, que nos deixou tantas lições de vida e de ética. Tenho a convicção de que o Supremo Tribunal Federal cometeu um grave erro judiciário. Tecnicamente foi um julgamento marcado por incongruências e distorções, que redundou no encarceramento de pessoa responsabilizada por inadequada aplicação da teoria do domínio do fato, condenada por responsabilidade objetiva. O acórdão está permeado de contradições, os mesmos fatos são ora enquadrados como gestão fraudulenta, ora como lavagem de dinheiro, ora como evasão de divisas. Também a dosimetria da pena está em absoluta desconformidade com a jurisprudência nacional e do próprio Supremo, desconsiderando, entre outras questões, os bons antecedentes de Kátia. Não discuto a adequação da decisão em relação aos políticos, mas salta aos olhos a sua desproporcionalidade. A balança da Justiça não se mostrou equilibrada e há mais de um ano Kátia Rabello está trancafiada em regime fechado em um presídio em Belo Horizonte. Indignado, sinto ser imperioso tornar público este desabafo. Muitos dirão que o advogado nunca deve se indispor com a mais importante corte do país, perante a qual postula por outros clientes. Eu não penso dessa forma. Como ficar em silêncio se estou convencido de que os senhores ministros erraram em prejuízo de uma cidadã que foi equiparada a delinquente perigosa, do mesmo jaez de uma latrocida, de autora de homicídio hediondo? Como silenciar vendo nos jornais que todos os políticos condenados no referido processo já estão em regime semiaberto ou em prisão domiciliar, enquanto minha cliente permanece em regime fechado? Acaso Kátia Rabello oferece maior risco à sociedade do que políticos acoimados de corruptos? Ainda que admitida sua culpa, a punição mais adequada seria a restrição de direitos, a prestação de serviços à comunidade. A prisão deve ser sempre o último recurso do direito penal, por produzir sequelas irreparáveis e constituir ultraje aos direitos fundamentais da pessoa humana. Apesar disso, e da dramática situação prisional do país, continua a ser a punição reiteradamente aplicada por nossas cortes, o que nos leva hoje a ostentar a terceira maior população carcerária do mundo conforme dados do Centro Internacional de Estudos Prisionais do King's College, de Londres. Valendo-me do meu direito e do meu dever de utilizar a liberdade de expressão como instrumento de reparação a uma cidadã por quem tenho muito respeito, consigno este meu gesto de desagravo".
COMENTO - José Carlos Dias, de 75 anos, é advogado criminalista. Foi integrante da Comissão Nacional da Verdade, secretário da Justiça de São Paulo (governo Montoro) e ministro da Justiça (governo FHC). Como advogado criminalista, age como um determinado defensor patrimonialista. As noções subjacentes às exposições de suas idéias são de que bandidos socialites, da mas alta nobiliarquia nacional, não podem ser comparados com réles bandidos do povo, esses, sim, hediondos. E esse é o ponto de partida totalmente errado. Os crimes cometidos pela ex-banqueira Katia Rabello são tremendamente mais infamantes e desprezíveis do que aqueles cometidos por reles bandidos.  

Presidente da UTC, preso na Polícia Federal, está louco para falar

O presidente da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, que está preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, quer fazer delação premiada e contar tudo, segundo noticia a revista Veja que está nas bancas. "As manobras para convencê-lo do contrário seguem o padrão do ciclo petista no poder: o ministro da Justiça vira advogado de defesa do governo e tenta evitar que os escândalos atinjam o Planalto", afirma a revista, em reportagem de Daniel Pereira e Robson Bonin. Muito se discute sobre as motivações que um empreiteiro há três meses preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba teria para contar o que sabe — não por ter ouvido falar, mas por ter participado dos eventos que está pronto a levar ao conhecimento da Justiça. O engenheiro baiano Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, tem várias. A primeira, evidente, é não ser sentenciado pela acusação de montar um cartel de empreiteiras destinado a fraudar licitações na Petrobras, quando a festa pagã de que ele tomou parte na estatal foi organizada pelo PT, o partido do governo. A segunda, também óbvia, é atrair para o seu martírio o maior grupo de notáveis da política que ele sabe ter se beneficiado das propinas na Petrobras e, assim, juntos, ficarem maiores do que o abismo — salvando-se todos. A terceira, mais subjetiva, é, atormentado pela ideia de que tudo o que ele sabe venha a ficar escondido, deixar registrado para a posteridade o funcionamento do esquema de corrupção na Petrobras feito com fins eleitorais. Antes dono de um porte imponente e até ameaçador, Pessoa está magro e abatido. As acusações de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa que pesam sobre ele poderiam ser atenuadas caso pudesse contar, em delação premiada, quem na hierarquia política do país foi ora sócio, ora mentor dos avanços sobre os cofres da Petrobras. “Vou pegar de noventa a 180 anos de prisão”, vem dizendo Ricardo Pessoa a quem consegue visitá-lo na carceragem. Foi com esse espírito que fez chegar a VEJA um resumo do que está pronto a revelar à Justiça caso seu pedido de delação premiada seja aceito. A negociação com os procuradores federais sobre isso não caminha. Pessoa reclama que os procuradores querem que ele fale de corrupção em outras estatais cuja realidade ele diz desconhecer por não ter negócios com elas. Já os procuradores desconfiam que Pessoa está sonegando informações úteis para a investigação. O impasse só favorece o governo, pois o que Pessoa tem a dizer coloca o Palácio do Planalto de pé na areia do mar de escândalos.

A revolta dos empreiteiros - Sócio do chefe do cartel das empreiteiras diz que Dilma dá calote usando como desculpa a Lava Jato



Presidente da Constran, empresa da holding UTC, João Santana (foto), afirmou em entrevista ao Estado que o governo Dilma Rousseff tem usado a Operação Lava Jato como desculpa para atrasar pagamentos às empreiteiras. “Eu já tenho quase 60 anos, eu nunca vi um governo numa situação como esta. Ele não paga fornecedor. No nosso caso tem fatura desde outubro que não são pagas”, reclamou Santana. 
Por que o senhor procurou o Paulo Okamotto?
Eu estive com o Paulo Okamotto no ano passado, em novembro ou dezembro. Fui porque há três anos o presidente Lula estava na nossa empresa fazendo uma palestra de final de ano e nos incentivou muito que sempre procurássemos o instituto (que leva o nome do ex-presidente e é dirigido por Okamoto), o próprio Okamotto, para contar para ele o que estava acontecendo, se tivéssemos algum problema.
O senhor queria falar com o Okamotto ou com o próprio presidente Lula?
Eu queria falar com o presidente Lula, mas cheguei lá e o presidente Lula não estava.
O presidente Lula queria saber como estão as coisas? 
Eu quero dizer que as coisas estão muito difíceis, que o governo não está pagando faturas vencidas, de um trabalho realizado, isso faz com que as empresas fiquem sem dinheiro e demitam. Vai ter que parar as obras, o que aliás é o que está acontecendo no Brasil independentemente de Lava Jato. Nesse sentido que eu fui conversar com ele. 
Mas as empresas envolvidas na Lava Jato não estão recebendo justamente por esse motivo, por estarem sob suspeita?
O governo está usando essa coisa de Lava Jato para aproveitar e não pagar ninguém. O crédito para a educação não foi pago (uma referência a atrasos nos repasses do Pronatec). Da mesma maneira o governo sistematicamente não vem pagando seus fornecedores. Eu já tenho quase 60 anos, eu nunca vi um governo numa situação como esta. Ele não paga fornecedor. No nosso caso tem fatura desde outubro que não é paga. 
O senhor não tentou procurar a presidente Dilma?
Não. Eu não tenho essa proximidade com ela. 
Mas por que não procurar alguém do governo?
O problema é que o ministro da Fazenda que deveria fazer os pagamentos, que era o Guido Mantega na época, estava demissionário; a presidente já tinha dito que ele não seria mais o ministro, e nem ele nem a equipe dele faziam nada (Joaquim Levy foi confirmado no lugar de Mantega em 27 de novembro, mas só assumiu o cargo no início do segundo mandato de Dilma). No Ministério dos Transportes o ministro Paulo Passos simplesmente preenchia uma cadeira, mas não mandava.
O senhor disse que procurou o presidente Lula porque ele deu essa abertura. O que ele poderia fazer nessa situação?
É um político, um cara que pode... O que é que você faz? Tem um governo, o governo é político, você vai procurar as pessoas que estão no governo, não tem ninguém no governo, ninguém mais se dizia responsável. Você está tendo uma resultante social que é o fato de o governo não pagar suas obrigações. O Instituto Lula é ligado aos trabalhadores, defende (a manutenção do) emprego. A gente vai lá para o ex-presidente procurar a amiga dele e dizer: “Amiga, veja o que você faz. Obrigação tem que pagar”. 
Com a entrada da nova equipe econômica, o senhor acha que melhorou a interlocução? 
Continua sem ter interlocutor. O governo pagou um pedaço do que devia, mas ainda deve muito, ainda tem resto a pagar em 2014. O que está acontecendo com o atual governo?Se não está pagando, então é porque há uma crise administrativa no Estado. Não é que não está pagando a Constran. Não está pagando ‘n’ fornecedores. Eu imaginava que não pagava para a construção civil, mas vimos que não é só isso. 
A Lava Jato foi assunto de sua reunião com Paulo Okamotto?
Eu não procurei o senhor Paulo Okamotto para tratar com ele sobre Lava Jato. Ele até perguntou, mas eu mudei porque é um assunto que no nosso caso tem que ser tratado por nossos advogados. O nosso grupo, a UTC/Constran, não procurou qualquer autoridade política para discutir Lava Jato. As únicas autoridades públicas procuradas por nós são os juízes, promotores, através dos nossos advogados. 
Os relatos são de que sua reunião com o Okamotto foi tensa. Teve até murro na mesa.
Não tinha nem mesa para bater, porque a gente estava sentado numa sala de estar. 
Falou-se muito que o Ricardo Pessoa, ex-presidente da UTC que foi preso pela Polícia Federal em novembro, faria uma delação premiada e que isso teria sido colocado nessa conversa com o Okamotto. As dificuldades de caixa poderiam levar a uma delação....
Isso não foi colocado de maneira alguma. Até porque essa reunião com o Paulo Okamotto foi no final do ano. As prisões eram recentes, naquele momento todo mundo imaginava que mais alguns dias as pessoas estariam soltas. A conversa não foi boa porque ele começou a dizer: “Sabe, eu vou ver”. Eu falei para ele: “Paulo, desculpe, estou apenas colocando uma realidade conforme o seu chefe disse, que sempre que a gente precisasse, trouxesse aqui para o Instituto Lula. Isso não está acontecendo apenas com a empresa que eu dirijo, mas com todo o setor”. Não só empresas nominadas na famosa Operação Lava Jato, mas com outras. O governo federal não paga as empresas. 
O senhor pediu ajuda para liberar dinheiro do BNDES? Okamotto disse que orientou o senhor a procurar os bancos.
Para o Okamotto, não. Até porque eu sei que ele não tem capacidade nenhuma (para isso). As relações que a gente tem com o BNDES são formais, o contrato foi aprovado e está em curso. 
Vocês conseguiram o empréstimo antes ou depois da conversa com Okamotto?
Foi posteriormente a isso. Mas não tem nada a ver com a conversa. Até porque o Paulo Okamotto não sabe nem onde fica o BNDES. Era simplesmente um empréstimo complementar. 
Qual a impressão do senhor sobre o fato de a empreiteira Odebrecht não ter executivos presos pela Lava Jato?
O juiz do caso tem que responder por que parte das empresas denunciadas tem executivos presos e parte não tem. Ele deve ter suas razões para isso. Esse desbalanceamento das ações judiciais é um tanto estranho. 
Ricardo Pessoa fará delação premiada? 
A condução da defesa é tratada pelos advogados criminais e pela família. Por questão de governança, deixamos de tratar da defesa do dr Ricardo. Mas eu, pessoalmente, também como advogado, acho que é um instrumento que o réu, com o advogado, tem que lançar mão quando achar necessário. Depois que virou lei você não pode deixar de ser contra. 
A UTC, grupo do qual faz parte a Constran, é uma das seis empreiteiras que tiveram executivos e funcionários denunciados pelo Ministério Público Federal em dezembro do ano passado sob suspeita de envolvimento no esquema de corrupção e desvios na Petrobrás. Segundo a denúncia da Procuradoria, a empreiteira pagava comissões para dirigentes da Petrobrás em troca da obtenção de contratos da estatal, além de simular ambiente de competição, fraudar a concorrência e, em reuniões secretas, definir quem ganharia as licitações. Uma semana após a denúncia do Ministério Público, a Justiça Federal abriu ação penal e tornou réus por corrupção ativa, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro os três denunciados ligados à UTC: Ricardo Pessoa, presidente da companhia, João de Teive e Argollo, executivo, e Sandra Raphael Guimarães, funcionária da empresa. Pessoa está preso em Curitiba desde 14 de novembro do ano passado, quando foi deflagrada a 7ª fase da Operação Lava Jato, que mirou nas empreiteiras. Segundo um dos delatores da operação, Augusto Mendonça, o presidente da UTC era o “coordenador” do “clube” de construtoras que atuava em cartel na Petrobrás. Mendonça disse que Pessoa, como “chefe do clube”, atuou, por exemplo, na obra de modernização da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. Em depoimento à Polícia Federal prestado logo depois de ser preso, Ricardo Pessoa afirmou que “nunca existiu” formação de cartel para contratação de obras na Petrobrás.

A revolta dos empreiteiros contra Lula

Pela entrevista dada hoje pelo presidente da Constran, holding da UTC, João Santana, a raiva dos empreiteiros está dirigida não contra a Justiça, mas sim contra aqueles que lhes prometeram garantir a impunidade em relação ao esquema de corrupção da Petrobras. O alvo deles parece ser Lula, não Dilma. O aval presunçoso e arrogante era dele, que mandava nela, segundo ele. O presidente da Constran deixou bem claro na entrevista que, diante de qualquer problema, deveriam procurar Lula. Orientado pelo próprio Lula. Quando foram ao Instituto Lula quem os recebeu foi Paulo Okamotto. A turma gritou e está aí a edição da Veja e a matéria do Estadão para confirmar. São ameaças não mais veladas, são explícitas. A lama nunca esteve tão perto de Lula. E a chave se chama Ricardo Pessoa, o chefe do cartelão do petrolão, que está na capa da revista. Por isso o governo inteiro corre para blindar o maior dos corruptores, de forma abusiva, desonesta e como nunca visto na história deste país. Lula subiu no telhado. A casa toda está caindo. (CoroneLeaks)

Oposição quer convocar empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC


Partidos de oposição defenderam neste sábado que a futura CPI da Petrobras convoque o presidente da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, para que ele preste depoimento e esclareça como a empreiteira utilizou dinheiro de propina em contratos com a Petrobras para abastecer o caixa do PT, irrigar campanhas políticas na Bahia e ainda pagar despesas pessoais do ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu. Reportagem de VEJA informa que Ricardo Pessoa, preso na Operação Lava Jato, fez chegar um resumo à revista do que ele pode revelar às autoridades caso feche um acordo de delação premiada. Entre as informações do empreiteiro, que é amigo próximo do ex-presidente Lula, está a confirmação de que o PT recebeu 30 milhões de reais de propina por meio de doações eleitorais, que as campanhas dos petistas Jaques Wagner e Rui Costa ao governo da Bahia foram financiadas com recursos do escândalo do Petrolão, que colocou 10 milhões de reais na campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff e que mais de 2 milhões de reais em dinheiro sujo foram repassados ao ex-ministro José Dirceu para que ele pagasse despesas pessoais. E mais: as pressões para que o empresário não colabore com a Justiça — e consequentemente implique o alto escalão petista, incluindo o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff — partiram, segundo os advogados de Pessoa, do próprio ministro da Justiça, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo. Na última semana, VEJA havia informado que Cardozo recebeu defensores do empreiteiro para pressioná-lo a não aceitar um acordo de delação e informou a eles que a Operação Lava Jato, que jogou luz no maior escândalo político de que se tem notícia, sofreria uma reviravolta depois do Carnaval. José Eduardo Cardozo nega que tenha discutido os rumos da Lava Jato com os advogados e disse neste sábado, em nota, que vai processar civil e criminalmente as pessoas que têm atuado como interlocutoras do empreiteiro Ricardo Pessoa. “O Ministério Público sabe que tem que denunciar todas essas pessoas. E isso inclui o governador da Bahia, Rui Costa, o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, o ex-presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, o ex-presidente Lula e a presidente Dilma”, disse ao site de VEJA o deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA). “Não dá pra ficar com o sentimento de que quem vai para a cadeia são os achacados e nunca os achacadores. O ex-presidente Lula estabeleceu no governo dele um esquema de que só trabalhava na Petrobras quem pagava. Para ser empreiteiro no Brasil tinha que pagar propina para Lula”, acusa o parlamentar. Para Aleluia, o Ministério Público deveria pedir a prisão preventiva de autoridades que, segundo ele, estão interferindo nas investigações sobre a Operação Lava Jato. “Quem com porcos se mistura farelo come. E Lula criou um chiqueiro na Petrobras. Por isso, não tem cabimento estarem soltos o ex-diretor Renato Duque, o tesoureiro João Vaccari Neto e o próprio Lula. Eles estão atrapalhando a investigação”, disse. Nos últimos dias, os partidos de oposição começaram a traçar estratégias para que a nova CPI da Petrobras, a ser instalada no próximo dia 26, tenha uma lista de autoridades prontas para serem convocadas logo nos primeiros dias. O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (PSDB-SP), quer tomar depoimento de imediato dos ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci, apontados pelo doleiro Alberto Youssef como “pessoas próximas” ao delator Julio Camargo, de uma empresa que pagou propina em contratos com a Petrobras, e aprovar quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico de José Dirceu, Antonio Palocci, do tesoureiro João Vaccari Neto, do ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, e do ex-gerente Pedro Barusco. Diante das novas revelações de VEJA, a oposição pretende também ouvir o empreiteiro Ricardo Pessoa e vai negociar com o juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato, uma autorização para que o empresário possa ir à CPI. No ano passado, Moro autorizou que o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, fizesse uma acareação com o também ex-diretor Nestor Cerveró na comissão de inquérito. “O Ricardo Pessoa evidencia que há pressão do governo sobre aqueles que estão presos e mostra que eles podem denunciar o motivo de terem parado na cadeia. Por isso, na CPI da Petrobras temos que tratar o caso como ocorreu o Paulo Roberto Costa e garantir a ida do Ricardo pessoa, mesmo preso. Ele pode dar grande avanço na CPI e cumprir seu papel”, disse o líder do PPS Rubens Bueno (PPS-PR). Ele defende ainda que a comissão aprove as convocações dos ministros Jaques Wagner (Defesa) e José Eduardo Cardozo (Justiça), do governador da Bahia, Rui Costa, e do ex-presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, autoridade que tinha conhecimento de todo o esquema de cobrança de propina na estatal. “A convocação deles é possível, viável e necessária para esclarecimentos, já que Jaques Wagner está no olho do furacão com Gabrielli. Esse grande esquema do PT no poder precisa ser desmontado a bem do País”, completou.