domingo, 1 de março de 2015

Estaleiro de sondas do pré-sal na Bahia fechará as portas


O escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras e seus fornecedores atingiu em cheio o setor naval. A Enseada Indústria Naval (EIN) afirmou que as obras do seu estaleiro Enseada Paraguaçu, na Bahia, foram encerradas a partir deste sábado. A EIN é uma empresa formada por Odebrecht, OAS e UTC — que estão envolvidas na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal (PF) —, além da japonesa Kawasaki Heavy Industries (KHI). O estaleiro, que estava com 82% das obras concluídas, foi criado para construir seis sondas para o pré-sal e foi contratado pela Sete Brasil, que tem entre seus sócios a Petrobras, em um contrato de US$ 4,8 bilhões. Segundo nota da EIN, em razão “da crise de liquidez vivida pela indústria naval brasileira, a empresa orientou o consórcio construtor (formado por Odebrecht, OAS e Constran) a antecipar o processo de desmobilização da mão de obra civil responsável pela construção do estaleiro e encerrar suas atividades”. A EIN disse que só vai retomar as obras assim que a crise no setor for “resolvida”. Desde novembro de 2014, a empresa já demitiu 1.431 trabalhadores e vai desligar outros 600 até esta segunda-feira. O presidente da EIN, Fernando Barbosa, diz que mudanças no quadro de pessoal dependerão da celeridade com que os problemas que afetam o estaleiro forem solucionados. "Estamos, (em) vários Estados, nessa situação. Há uma cadeia grande envolvida. É uma crise sistêmica", disse Barbosa. Os problemas financeiros do estaleiro — assim como os de outros quatro (EAS, Jurong, Brasfels e Rio Grande) contratados pela Sete Brasil para construir outras 23 sondas para o pré-sal — começaram a se agravar em novembro. Foi a partir desse mês que a Sete Brasil parou de pagar às empresas diante da não liberação de um empréstimo do BNDES. Só a primeira parcela dos recursos somava R$ 10 bilhões. Na quinta-feira, em visita a Salvador, o ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, disse que se discute uma ajuda financeira às empresas do setor naval. "Temos, junto ao BNDES, atuado para que se possa garantir a situação das encomendas. É operação complexa, mas está em curso. E algum tipo de assistência financeira a essas unidades vem sendo discutida com a participação do Banco do Brasil. A EIN vai receber R$ 125 milhões do Banco do Brasil. Apesar da paralisação das obras, a EIN diz que vai manter o cronograma de entrega das sondas do pré-sal, entre 2016 e 2020. 

Secretário de Energia renuncia a cargo de representante do governo no Conselho da Petrobras

Um dos sete representantes do governo petista no Conselho de Administração da Petrobras renunciou ao cargo na tarde de sexta-feira. Márcio Zimermann, secretário do Ministério de Minas e Energia, deixou o cargo durante a reunião da cúpula da empresa. Ele dará lugar ao advogado Luiz Navarro, eleito por maioria de votos do Conselho. Luiz Navarro é consultor sênior no escritório Veirano Advogados e suas principais áreas de atuação são: anticorrupção, integridade corporativa e compliance; e direito administrativo e regulatório. Navarro trabalhou por dez anos na Controladoria-Geral da União (CGU), onde exerceu os cargos de Secretário-Executivo, Secretário de Prevenção da Corrupção e Corregedor-Geral. A eleição, conforme dispõem a Lei das Sociedades Anônimas e o Estatuto Social da Petrobras, é válida até a próxima Assembléia Geral de Acionistas. O mandato dos atuais conselheiros está previsto para vencer em abril próximo.

Investigada pela Lava-Jato e endividada, OAS paralisa obras em berço petista


Com dívida de R$ 7,7 bilhões e na lista das principais empreiteiras investigadas pela Operação Lava-Jato, a OAS está transformando o município paulista de São Bernardo do Campo, administrado pelo PT, num canteiro de obras paradas. Responsável por 90% das obras da cidade, berço petista, a empreiteira parou de executar a construção do piscinão do projeto Drenar, em torno do Paço Municipal, a drenagem dos principais córregos de bairros da periferia, as obras do Corredor Leste-Oeste e de conjuntos habitacionais. O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, reconhece que algumas obras, que fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), estão paralisadas por falta de repasses de dinheiro do governo federal. Para ele, “a normalização desses repasses está diretamente ligada à aprovação do Orçamento pelo Congresso”. As ligações de Marinho com a OAS são estreitas. Ele recebeu doações da construtora para suas campanhas de 2008 (R$ 260 mil) e 2012 (R$ 50 mil). As obras no município paulista começaram a ser paralisadas no final do ano passado, após a prisão dos principais executivos da OAS pela Operação Lava-Jato, incluindo o presidente da empreiteira, Léo Pinheiro, em novembro de 2012. A OAS é a empresa que terminou a obra do prédio iniciado pela Bancoop, no Guarujá, onde o ex-presidente Lula comprou um apartamento. Depois de a cooperativa deixar o empreendimento, a empresa, inclusive, foi responsável pelos reparos finais no imóvel de Lula. Em São Bernardo, a obra mais importante que a OAS vinha tocando é a do projeto Drenar, para acabar com as enchentes na região. Segundo a prefeitura, o ritmo das obras é afetado pela falta de repasse das verbas do governo federal, mas ninguém admite que estejam totalmente paralisadas. O GLOBO esteve no local e não registrou operários trabalhando. Tapumes fecham o entorno do local.

Conjunto no Jardim Silvino: suspeitas de superfaturamento - Agência O Globo / Michel Filho
O vereador Julio Fuzari, presidente do PPS de São Bernardo, diz que a OAS chegou a demitir 400 funcionários em dezembro, por não estar recebendo da prefeitura, paralisando totalmente as obras do projeto Drenar em janeiro. A prefeitura diz que “a velocidade de cada obra está condicionada ao repasse de recursos” e que “não há relação direta entre ritmo de obra e a operação Lava-Jato”. Para a prefeitura, a obra do piscinão vai acabar com os problemas históricos das enchentes no Paço Municipal. O piscinão terá profundidade de cerca de 20 metros, o equivalente a um prédio de sete andares, e vai ocupar uma área aproximada de dois campos de futebol, com capacidade para reter 220 milhões de litros de água da chuva. O piscinão está orçado em R$ 296,9 milhões, com verbas do Ministério das Cidades. Mas todo o projeto Drenar — feito pela OAS e orçado em R$ 600 milhões —, para a drenagem da água do Paço e de córregos na periferia, como Sacarantan, Silvina, Ipiranga, Capuava, Ribeirão dos Meninos e Pindorama, estão com obras paradas. Os trabalhos começaram no final de 2013, mas pararam no final do ano passado também por causa da interrupção de repasses do governo federal, em função da falta de aprovação do Orçamento da União. Além do projeto Drenar e a canalização de córregos, a OAS faz outras importantes obras na cidade, como o corredor Leste-Oeste, orçado em R$ 419 milhões, dos quais R$ 247 milhões são do PAC e R$ 165 milhões da Caixa Econômica Federal. As obras também estão desaceleradas. A OAS ergue ainda vários condomínios habitacionais. "A OAS faz 90% das obras de São Bernardo do Campo. Acreditamos que as concorrências sejam dirigidas para a OAS ganhar tudo na cidade. De 2009 a 2012, a OAS faturou R$ 1,032 bilhão em obras em São Bernardo. Por isso, estamos pedindo a criação de uma CPI na Câmara Municipal para investigar essa relação da prefeitura petista com a OAS", disse o vereador Fuzari. A oposição, no entanto, ainda não conseguiu abrir CPIs contra o prefeito Luiz Marinho. Dos 28 vereadores da cidade, 20 fazem parte da base aliada e apenas oito estão na oposição. Para a abertura de qualquer CPI, é necessário ter assinaturas de no mínimo dez vereadores. "Se não conseguirmos abrir uma CPI que investigue a relação da OAS com Luiz Marinho, vamos encaminhar os documentos que temos para o Ministério Público Estadual, pedindo a abertura de uma Ação Civil Pública", garante o vereador Fuzari. Segundo a oposição, a OAS fez várias obras suspeitas de superfaturamento, como a construção de 564 de apartamentos nos bairros Jardim Silvino e no Jardim Esmeralda, em 2009. As obras, orçadas em R$ 85 milhões, sofreram aditamento de 185%, quando a lei só permite até 25%, segundo Fuzari. As obras terminaram custando R$ 327 milhões. (Globo)

Polícia Federal informa que acabaram os bloqueios de estradas no Rio Grande do Sul

Estado que concentrou a maior parte dos protestos no final de semana e onde um caminhoneiro morreu após ser atropelado por um caminhão, o Rio Grande do Sul não registra nenhuma manifestação da categoria na tarde deste domingo (1), segundo a Policia Rodoviária Federal. No País todo, o número de interdições nas rodovias diminuiu: são 12 em dois Estados, de acordo com dados das 18h30 da corporação. Na tarde de sábado (28), eram 56 interdições em seis Unidades da Federação –o RS somava metade desse número. Segundo a Polícia Federal Rodoviária, no começo da noite há dois trechos de estradas federais bloqueados em Mato Grosso e dez em Santa Catarina. 


Os protestos dos caminhoneiros contra o aumento do diesel e pela alta do valor do frete completou neste domingo 11 dias, mas perdeu a força que teve na semana passada. No auge das manifestações, a categoria bloqueou 129 trechos em 14 Estados – incluindo São Paulo. Desde quinta-feira (26), após o governo ter anunciado um acordo com os caminhoneiros, cresceu a repressão contra os atos. Neste domingo, nove pessoas foram presas no RS, segundo Alessandro Castro, diretor de comunicação da Polícia Federal Rodoviária gaúcha. A repressão cresceu após a morte do caminhoneiro e consequente aumento de bloqueios no Estado. Duas dessas prisões foram em Camaquã, na BR-116. Segundo Castro, os manifestantes desobedeceram a ordem judicial de desobstruir a pista e incentivaram a desordem pública por estarem coagindo os caminhoneiros a pararem nos postos. Em Pelotas outros sete manifestantes foram conduzidos à Polícia Federal por incentivo à desordem no km 66 da BR-392. Ações como a do Rio Grande do Sul se repetiram em outros Estados. Segundo a diretora geral da corporação, Maria Alice Nascimento, os policiais federais mantêm o monitoramento nas estradas com o apoio da Força Nacional de Segurança Pública e as polícias estaduais. "O trabalho continua até o restabelecimento completo do transporte de carga, para garantir o abastecimento da população e a normalidade da atividade econômica", disse Maria Alice, por meio da assessoria da polícia. Segundo Paulo Estausia, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística, o momento agora é de recuar e tentar avançar com as negociações. No próximo dia 10, está agendada uma reunião com o governo e desembargadores para discutir a revisão do valor do frete, uma das reivindicações da categoria: "Agora vamos esperar os próximos passos, mas os avanços são históricos na pauta da categoria". Apesar da fala de Estausia, o movimento está dividido e ainda há líderes que defendem a retomada dos protestos nesta segunda-feira (2). Esses líderes, a maioria do Sul, não reconhecem o acordo anunciado pelo governo na quarta-feira (25). Além da redução no preço do diesel e do aumento do frete, a categoria pede diminuição do pedágio e mudanças na legislação que flexibilizam a jornada de trabalho.

Farta clientela

Jobim, ex ministro da Justiça e ex-presidente do STF: as empreiteiras o procuram
Jobim, ex ministro da Justiça e ex-presidente do STF: as empreiteiras o procuram
Nelson Jobim, que já trabalha para a Odebrecht na Lava-Jato, ganhou mais um cliente no escândalo. A Camargo Corrêa o contratou. Por Lauro Jardim

Fundo do poço

petrobras
A maior estatal brasileira vale 41 bilhões de reais
Em 27 de setembro de 2010, quando a Petrobras protagonizou uma megacapitalização de 120 milhões de dólares, seu valor de mercado era de 270 bilhões de dólares. Hoje, vale 15% disso (41 bilhões de dólares). Pior: vale menos do que algumas petrolíferas de segundo escalão, das quais o leitor nunca deve ter ouvido falar, como Anadarko (43 bilhões de dólares), Occidental (61 bilhões) e ConocoPhilips (81 bilhões de dólares). Por Lauro Jardim

Um presente para Eike

eike
Eike: parcelamento em quarenta anos
A Caixa Econômica Federal deu um prêmio para Eike Batista: o banco federal entrou, sem necessidade, no processo de recuperação judicial do estaleiro OSX para reaver 1,1 bilhão de reais. A Caixa, segundo a Lei de Falências, deveria estar blindada porque o pagamento do financiamento estava garantido pela alienação fiduciária de bens da OSX, suficiente para cobrir quase duas vezes o valor da dívida. Agora, a Caixa vai receber o dinheiro de volta parcelado em quarenta anos – um belo negócio. Toda operação na Caixa foi tocada pelo diretor jurídico Jailton Zanon, indicado por Ricardo Berzoini. Por Lauro Jardim

Petrobras pagava até prejuízo por dia de chuva para as empreiteiras do Petrolão.


O pagamento de propina a agentes públicos não era o único mecanismo de atuação do cartel investigado pela Operação Lava-Jato. Documentos obtidos pelo GLOBO mostram que o grupo conseguiu interferir diretamente em procedimentos internos da Petrobras, causando prejuízos milionários à estatal por meio da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), entidade que teve como presidente o líder do “Clube das empreiteiras”, Ricardo Pessoa, entre 2004 e 2008. Em grupo de trabalho com participação da Petrobras, a associação produziu, desde 2002, pelo menos 157 procedimentos e comunicados com revisão de regras de contratação. Hoje, os próprios funcionários da Petrobras admitem que boa parte foi lesiva à estatal. Comunicado produzido por Abemi e Petrobras, em dezembro de 2007, instituiu, por exemplo, procedimento para pagamento de indenização por chuvas ou descarga elétrica, fazendo com que a estatal assumisse automaticamente o risco do empreendimento. Dentre os novos procedimentos, um deles chamou a atenção por fazer com que as chuvas fizessem aumentar o valor de uma obra em até 50%. No contrato de terraplanagem assinado no Comperj com o consórcio formado por Andrade Gutierrez, Odebrecht e Queiroz Galvão, a obra, planejada por R$ 819 milhões, terminou 16 meses depois ao custo de R$ 1,223 bilhão — a diferença de R$ 404 milhões se deu justamente por conta de quatro aditivos relacionados às chuvas. As cláusulas passaram a valer para todas as empreiteiras com contratos com a Petrobras e também foram usadas, pelo menos, nas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A nova regra foi defendida pelo então gerente da estatal, Pedro Barusco, e levada à Diretoria Executiva da Petrobras por Renato Duque. Em depoimento ao Ministério Público Federal, Barusco relatou pagamentos de propinas nessa obra do Comperj que podem ter chegado a R$ 34,3 milhões, se considerados o contrato principal e aditivos. Esse valor teria sido pago a Paulo Roberto Costa e ao PT, mas o ex-gerente não soube detalhar como isso teria sido efetivado. Para determinar o valor a ser desembolsado pela estatal em função de chuvas, a referência era uma tabela da Abemi com custos médios diários de paralisação. Os pagamentos ocorriam tanto em função de precipitações já ocorridas quanto em função de estimativas para os meses seguintes. Quando o contrato da obra foi assinado, em março de 2008, já estavam previstos R$ 130 milhões para indenização por paralisações. “Embora geralmente, conforme previsão nos contratos, cada uma das partes fique responsável pelos próprios prejuízos decorrentes de caso fortuito, é possível que umas das partes se responsabilize pela integralidade dos custos”, escreveu o departamento jurídico da estatal em parecer em defesa do uso da tabela Abemi de chuvas na obra do Comperj. Em depoimento à Justiça Federal no Paraná no início deste mês, o gerente de Segurança Empresarial da Petrobras, Pedro Aramis, criticou a regra instituída: "O volume de chuvas histórico de uma região já deveria fazer parte do contrato de uma obra, sem qualquer custo adicional", diz o dirigente, para quem a implantação da tabela Abemi representou maiores custos à estatal: "A Petrobras passou a indenizar por chuvas que ela não indenizava antes". Mestre em Direito civil, diretor executivo do Instituto de Direito Privado (IDP) e atualmente vinculado à Universidade Mackenzie, Diogo Leonardo Machado de Melo diz que cláusulas de chuva são admissíveis em contratos de grandes obras. Mas devem ser baseadas em estudos de pluviometria da área e nunca ultrapassar 20% do valor total da obra. "Apenas em casos como os de calamidade pública, que fogem da previsão de qualquer governo ou empresa, pagamentos acima de 20% são admissíveis. Mas a empresa contratada tem que provar que algo absurdo aconteceu, em um processo administrativo. Um bom gestor deve pedir a realização de perícia, o pagamento não é automático. A Petrobras não poderia abrir os cofres e aceitar a excepcionalidade como regra", afirma o especialista. Em dezembro do ano passado, o ex-gerente jurídico da área de Abastecimento da Petrobras, Fernando de Castro Sá, afirmou em depoimento à Polícia Federal que a interferência da Abemi nas premissas de contratação da estatal coincidiu com a atuação do cartel de empreiteiras denunciado pelo Ministério Público Federal. Segundo ele, a partir daí, as regras reunidas desde 1999 no manual de procedimentos contratuais foram “rasgadas”. "A minuta que tinha que ser elaborada pelo jurídico e aprovada pela diretoria passou a ter que contar com o crivo da Abemi", diz o dirigente, que atribui ao ex-diretor de Serviços, Renato Duque, a atuação mais relevante em nome dos interesses da Abemi dentro da estatal. Castro Sá afirma ter se “assustado” quando a estatal passou a revisar a minuta contratual padrão e exigir que seu setor submetesse os documentos para “análise da Abemi” antes das reuniões do grupo de trabalho. Ao alertar colegas sobre a irregularidade, ele afirma ter sido reprimido em reunião por Renato Duque: "Eu e a Venina (Fonseca, ex-gerente de Abastecimento) levamos uma escovada do diretor Duque. Ele dizia que a gente estava atrapalhando, não sabia como as empreiteiras trabalhavam, e que se não fosse do jeito que faziam, não ia se conseguir contratar". O GLOBO perguntou à Petrobras qual era a média histórica e qual foi a média de chuvas entre 2008 e 2010 na região do Comperj, mas a estatal não respondeu.

Cantareira tem nova alta e volume chega a 11,6%


As fortes chuvas que atingiram São Paulo neste sábado ajudaram o sistema Cantareira a registrar sua segunda alta consecutiva após a estabilidade verificada na última sexta-feira, de acordo com informações da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O nível de armazenamento do manancial passou de 11,4% no sábado para 11,6% neste domingo. Há um ano, conforme a Sabesp, o indicador estava em 16,6%. O cálculo atual considera duas cotas de volume morto, de 182,5 bilhões de litros e 105 bilhões, adicionadas no ano passado. Com as chuvas, o sistema Cantareira encerrou fevereiro com a maior entrada de água nas represas em quase dois anos. Desde março de 2013, o manancial que abastece mais de 8 milhões de pessoas na Grande São Paulo não registrava volume tão favorável, com 36,4 mil litros por segundo, vazão três vezes maior do que em janeiro passado e fevereiro de 2014, que foi de 8,5 mil litros por segundo. O governo, porém, deve esperar o fim do próximo mês para definir se decreta ou não o rodízio oficial. Os demais mananciais também apresentaram alta de ontem para hoje, segundo a Sabesp. O maior crescimento, conforme a Companhia de Saneamento, foi visto no sistema Rio Grande (Billings), que atende 1,6 milhão de pessoas em São Bernardo do Campo, Diadema e Santo André. O nível do manancial subiu 2,6 pontos porcentuais, passando de 82,8% ontem para 85,4% hoje. Há um ano, estava em 94,5%. Outro sistema que apresentou elevação mais forte no nível de armazenamento de sábado para domingo foi o Rio Claro, que passou de 35,9% para 38,2%, com incremento de 2,3 pontos. O Alto Tietê, que serve 3,1 milhões de pessoas, avançou de 18,3% para 18,6%. Ainda segundo a Sabesp, o nível de armazenamento do sistema Guarapiranga, que atende 3,8 milhões de pessoas nas zonas Sul e Sudoeste de São Paulo, teve aumento de 1,5 ponto porcentual, para 61,8%. Já o indicador do Alto Cotia subiu 0,9 ponto, atingindo 40,7% neste domingo.

Minha Casa "paralisa" projetos para baixa renda


Vitrine do governo do PT, o programa Minha Casa Minha Vida ficou praticamente sem contratar novas moradias destinadas à população de baixa renda, onde se concentra o déficit habitacional do País, nos dois primeiros meses de 2015. Apesar da promessa oficial de contratar 350 mil novas habitações até junho, nas três faixas de renda do programa, houve paralisação na contratação da faixa 1, para famílias com renda mensal de até 1,6 mil reais. Para esse público, o governo subsidia até 95% do valor do imóvel. Em janeiro, foram contratadas 1.561 unidades para a população enquadrada na faixa 1 do programa. Quando o programa rodava a pleno vapor, a média de contratação de moradias dessa faixa superava 30 mil unidades por mês. Nas faixas 2 e 3 foram contratadas, respectivamente, 31.866 e 4.868 moradias. Houve queda de 17% nos desembolsos do programa em janeiro na comparação com o primeiro mês de 2014, informou o Tesouro Nacional. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, afirmou que em fevereiro esse quadro não se alterou. Desde o ano passado, diante do cenário de restrição fiscal e com folga para bater a meta da segunda etapa, o governo colocou o pé no freio nas contratações. Em 2014, o total de contratações nas três faixas ficou em cerca de 500 mil unidades habitacionais, praticamente a metade do que foi contratado em 2013 (930 mil). "Estamos equacionando os fluxos financeiros para dar prosseguimento à transição do programa e fazermos lançamento da terceira fase. Por isso ainda não iniciamos as contratações dessa fase", afirmou a secretária nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães. Questionada sobre o impacto do ajuste fiscal do governo Dilma, a secretária respondeu que, embora "até os pires" do Palácio do Planalto saibam da necessidade de enxugamento dos gastos públicos, a austeridade fiscal não impactará o prosseguimento do programa. A presidente disse na semana passada que a terceira fase do programa sai em março.

EM MEIO À GREVE DOS CAMINHONEIROS, GOVERNO AUTORIZA REAJUSTE EM PEDÁGIOS DE RODOVIA QUE LIGA O RJ A MG

Parece que o governo gosta de brincar com o perigo. Em meio à greve dos caminhoneiros, cuja uma das bandeiras de luta é a redução do valor dos preços dos pedágios, a Agência Nacional de Transportes Terrestres autorizou a concessionária Rodovia do Aço S.A. a reajustar suas tarifas na BR-393, que liga o Rio de Janeiro a Minas Gerais. A tarifa para automóveis subirá para R$ 5,00. Os caminhões de dois eixos, ônibus e furgões passarão a pagar R$ 10,00. O reajuste foi de 11%.

Crise do fim do mundo - Jornalista Eliane Catanhede defende em seu artigo os protestos da oposição

O 15 de março vem aí, com péssimas condições de tempo e temperatura, o governo fazendo barbeiragens e a oposição instigando as manifestações, mas desautorizando o “Fora, Dilma”. E ironizando o “Foi o FHC”. Na economia, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, acerta ao entregar um superávit de R$ 21 bilhões em janeiro, mas erra feio ao criticar e chamar de “brincadeira” as desonerações feitas pela chefe Dilma Rousseff no primeiro mandato. Não se cutuca a onça com vara curta. E... o aumento de até 150% nos impostos da indústria vem numa hora de pânico do setor produtivo e não é nada promissor para crescimento, inflação e empregos, que já começam a tremelicar. Na política, as ameaças ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Entraram na casa dele e isso virou justificativa para seu encontro com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, um mês depois, justamente às vésperas do anúncio da lista de políticos do PT e do PMDB na Lava Jato. Pior: em 48 horas, o procurador desiste da denúncia de políticos e segue pelo desvio de abrir inquérito. Leia-se: jogar tudo para as calendas. Janot pode estar enveredando pelo pior dos caminhos: aquele que estanca um basta na corrupção sistêmica, dá na impunidade dos responsáveis pela maior roubalheira descoberta na República e, atenção, pode respingar na sua própria biografia. Já o ministro da Justiça se encontra com o advogado da UTC, por acaso, ali na porta ao lado do seu gabinete, diz “Oi!, como está você?” E vira as costas. Também recebe a turma da Odebrecht e registra em ata que vai ver direitinho como foi o pedido de dados na Suíça, o que pode resultar em anulação de provas contra as empreiteiras. Depois se reúne com o procurador à noite, numa semana decisiva, para discutir um arrombamento desses que ocorrem às centenas, ou milhares, por dia. Enquanto a política econômica dá um cavalo de pau, as versões do governo para sua ação na Lava Jato parecem sem pé nem cabeça e a sociedade se move, as investigações do esquemão na Petrobras avançam. Só não se sabe para onde. Já eram esperadas as delações premiadas de dois executivos da Camargo Corrêa, o presidente, Dalton Avancini, e o vice, Eduardo Leite (em choque com a própria companhia), que devem reforçar a tese de cartel contra a de esquema político para eternizar o PT no poder. É o que o governo quer, mas não o que interessa à Odebrecht, onde habitam os maiores amigos de Lula e Dilma no setor. A empresa é a única que não tem nenhum executivo na cadeia e ficou fora da lista que vai pagar multa de R$ 4,5 bilhões, porque seus meandros de financiamento de campanha são muito mais complexos, não se encaixam nas investigações. Mas, se prevalecer a confissão conjunta de “cartel”, ela entra na dança. É mais um choque de interesses, mas o foco continua sendo no grande personagem das investigações: Ricardo Pessoa, o homem bomba da UTC. Tudo depende agora do fator emocional. Digamos, portanto, que é uma questão de tempo. Tem-se, assim, que a economia está como está, os ajustes são amargos num momento já de tanta amargura, o PMDB acaba de ir à TV se descolando do governo, cresce a sensação de que o procurador-geral está nas mãos de Dilma e Cardozo e o desfecho da Lava Jato é incerto, depois de tantas revelações escabrosas. Pois é... e o 15 de março vem aí. Fernando Henrique Cardoso reuniu seus generais na sexta e o recado é: manifestações, sim; incitar o impeachment, não. Lula também reuniu sua tropa e avisou: se necessário, põe nas ruas a “tropa do Stédile” (ou seja, MST e movimentos sociais). O que talvez os dos dois lados não estejam entendendo é que, desta vez, não se trata de PT versus PSDB. O momento é grave, a situação é complexa e a dinâmica é a de junho de 2013. As manifestações não são de partidos, de governo ou de oposição. São contra eles.

SARTORI VOLTA A FALAR SOBRE ATRASOS NOS SALÁRIOS DO FUNCIONALISMO

O governador José Ivo Sartori voltou a advertir, ontem, que os salários do funcionalismo poderão atrasar. A declaração foi dada em Torres, ontem, sábado. Em janeiro e fevereiro os pagamentos ocorreram normalmente.

SUPERMERCADOS DE PORTO ALEGRE JÁ SOFREM COM DESABASTECIMENTO

A paralisação dos caminhoneiros, que completa uma semana neste domingo, tem gerado desabastecimento no comércio de Porto Alegre e outras cidades do Estado. Enquanto as rodovias permanecem bloqueadas, em protesto ao aumento no preço dos combustíveis, os estoques das lojas e supermercados diminuem e as prateleiras começam a se esvaziar com a falta de reposição.A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) confirma problemas pontuais no abastecimento de produtos como leites pasteurizados, carnes e hortifrúti. A preocupação maior é com produtos perecíveis, pois os supermercados têm um estoque de segurança de, em média, 20 dias. No comércio de vestuário e material de construção, os lojistas estão em alerta. O Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas) estima que, se a greve permanecer até o dia 10 de março, o prejuízo no período pode chegar a 20%. No segmento de vestuário a situação é mais preocupante por ocorrer, na primeira quinzena de março, a troca da coleção de verão para a de inverno. “As lojas trabalham com o sistema de pronta-entrega, sem o armazenamento de uma grande quantidade de produtos e, se baixar a diversidade do estoque, as vendas cairão”, explicou ao jornal Correio do Povo deste domingo, de quem é todo este texto, o presidente do Sindilojas, Paulo Kruse. A Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do RS estima que os estoques durem mais uma semana. Outra situação preocupante é o atraso na reposição de medicamentos nas farmácias. Em Porto Alegre, algumas lojas não receberam o novo estoque.. A situação se reflete nas 17 mil lojas de varejo da Capital.

CAMINHONEIROS SEGUEM NA LUTA MESMO APÓS MORTE DE COLEGA; COMBOIO SEGUE PARA BRASÍLIA


Neste domingo, os caminhoneiros seguem bloqueando rodovias do Rio Grande do Sul pelo sétimo dia consecutivo em protesto contra o aumento do óleo diesel, os custos dos transportes de cargas e as más condições das estradas, entre outros itens. Às 8h, porém, o Comando Rodoviário informou que não havia mais interrupções nas estradas estaduais. Nas federais, no entanto, ainda há trechos interditados. A caravana que saiu ontem de Santa Rosa para Brasília, poderá desembarcar na capital na tarde desta segunda-feira. A lista das rodovias ainda bloqueadas é a seguinte:
Rodovias federais
BR-116 - km 397,8 - Camaquã
BR-116 - km 389,9 Camaquã
BR-116 - km 401,2 Camaquã
BR-116 - km 454,7 - São Lourenço do Sul
BR-153 - km 372 - Cachoeira do Sul
BR-153 - km 386,2 - Cachoeira do Sul
BR-268 - km 268 - Fontoura Xavier
BR-392 - km 66 – Pelotas
BR-468 - km 99 - Três Passos
BR-472 - km 155 - Santa Rosa

SAIBA POR QUE O DONO DA UTC AINDA NÃO FEZ DELAÇÃO PREMIADA NO PARANÁ


Até o presidente e vice da Camargo Corrêa acertaram acordos de delação premiada no âmbito do Petrolão, mas o presidente da UTC, Ricardo Pessoa, ainda não abriu a boca, muito embora tenha mandado seus advogados passarem notícias para Veja de que faria isto. Veja já publicou duas reportagens - semana passada e retrasada - mas nada saiu. Aos procuradores do Ministério Público Federal, Pessoa prometeu entregar até mesmo o ministro da Defesa, Jaques Wagner, que na foto ao lado aparece numa inauguração da empreiteira na Bahia, quando ele era governador, mas continua poupando Lula e Dilma. Sem abrir tudo, o Ministério Público Federal não topa aceitar a delação premiada. A estratégia dos advogados de Ricardo Pessoa de vazar para a imprensa o conteúdo de sua eventual confissão deu certo. Uma semana atrás, Veja revelou que quem procurou os advogados do dono da UTC foi José Eduardo Cardozo, e não o contrário. Ontem a Veja explicou como se deu o aliciamento ministerial: “Segundo executivos da UTC, para estabelecer um canal direto e seguro com os defensores da empreiteira, o ministro Cardozo recorreu a Flávio Caetano, secretário nacional de Reforma do Judiciário, que foi coordenador jurídico da campanha de Dilma Rousseff no ano passado. Caetano é velho conhecido dos advogados da UTC, Sérgio Renault e Sebastião Tojal, com quem chegou a trabalhar. Nos dias que antecederam o misterioso encontro de Sérgio Renault com Cardozo em Brasília, Caetano telefonou para Tojal para avisar que o ministro desejava encontrá-los". A prisão preventiva tem sido fundamental para a Lava Jato, como se viu no caso dos executivos da Camargo Corrêa que, antes de ontem, aceitaram colaborar com os procuradores. Espera-se que o mesmo se dê com Ricardo Pessoa.

Indicadores do ano apontam todos para a recessão

Todos os principais indicadores de uma recessão econômica mostraram piora no país entre o final do ano passado e este mês. Ainda que seja cedo para um diagnóstico definitivo, os sintomas mostram uma convergência inédita no governo Dilma. O dado mais recente foi o aumento do desemprego nas regiões metropolitanas --até então, o mercado de trabalho vinha resistindo aos efeitos da deterioração da economia dos últimos meses. A população ocupada - excluindo os desempregados e os que não procuram emprego-- caiu a 52,8% das pessoas com mais de 10 anos de idade, o menor patamar em cinco anos. Formou-se um cenário de retração geral: a indústria, em crise desde 2011, fechou o ano passado com nova baixa do volume de produção; as vendas no comércio, que até então ainda mostravam números favoráveis, tiveram queda recorde em dezembro. De lá para cá, o pessimismo se acentuou, e a confiança apurada em pesquisas com consumidores, varejistas e empresários do setor de serviços caiu ao menor patamar dos últimos anos. Nesta sexta-feira, a Fundação Getulio Vargas divulgou mais um dado negativo: o índice de confiança da indústria recuou 3,4% de janeiro para fevereiro. Na comparação com o período correspondente do ano passado, a queda é de 15,7%. Recessão, diz a teoria, é uma queda intensa, prolongada e generalizada da atividade econômica. Na prática, sua identificação nem sempre é consensual. Em uma convenção adotada internacionalmente, uma recessão é sinalizada por duas quedas trimestrais consecutivas do PIB (Produto Interno Bruto, medida da produção nacional). Não se trata, porém, de uma lei. No ano passado, por exemplo, o PIB brasileiro encolheu no segundo e no terceiro trimestres, mas a recessão não ficou inteiramente caracterizada. Naquele período, a queda do produto não chegou a ser expressiva nem generalizada, e os números do emprego se mantiveram em alta. O panorama atual é outro. Com a reviravolta da política econômica após a reeleição de Dilma, torna-se cada vez mais consensual entre analistas a expectativa de uma recessão mais evidente - e ela pode já ter começado. Em elevação desde 2013, os juros do Banco Central terão de subir ainda mais para conter o consumo e a inflação, agravada pelo tarifaço nas contas de luz. Sob penúria orçamentária, o governo eleva tributos e atrasa gastos com custeio e obras públicas, o que reduzirá ainda mais os investimentos necessários para a ampliação da capacidade produtiva do País. Ainda há pela frente a crise da Petrobras, a greve dos caminhoneiros e a escassez de água e energia elétrica. Tudo somado, calcula-se no mercado que o PIB deste ano encolherá mais que o 0,3% de 2009, ano da última recessão brasileira. A projeção central hoje é um recuo de 0,5%, mas a conta tem piorado a cada semana.

SAIBA O QUE ACONTECERÁ DEPOIS DA QUEDA DE JOAQUIM LEVY

Não é necessário ser vidente para saber o que pode acontecer nas próximas semanas:
a) O ministro Levy vai ser cada vez mais pressionado dentro e fora do governo, inclusive por amplos setores do PT e do PMDB, os dois maiores Partidos da base. O PT reage por ideologismo e o PMDB por fisiologismo.
b) Como não é político -e não precisa do cargo para se promover, vai pedir o boné e cair fora...
c) A Bolsa desabará.
d) O US$ irá até a casa dos R$ 5,00 fácil, fácil...
e) Selic terá que subir para 14%, talvez 16%.
f) O Brasil perderá o "Investment grade"...
g) Inflação baterá 12% no anualizado, fácil.
h) O US$ vai a R$ 6,50 e o Banco Central terá que centralizar o câmbio...
(E o Lula vai chamar o Exército do Stédile....)
A seguir, comentário do jornalista Josias Souza, intitulado "Entrevista de Levy provoca irritação no Planalto"
Ao utilizar vocábulos como “grosseiro” e “brincadeira” para se referir à desoneração da folha de pagamento, o ministro Joaquim Levy causou irritação no Palácio do Planalto. Um auxiliar de Dilma Rousseff definiu a entrevista do titular da Fazenda com outras duas palavras tóxicas: “desnecessária” e “desastrosa”. Ao anunciar aos jornalistas que o governo decidira elevar a contribuição previdenciária das empresas, revendo parcialmente a política de desoneração adotada desde 2011 pelo antecessor Guido Mantega, Levy disse coisas assim: “Você aplicou um negócio que era muito grosseiro. O problema é que essa brincadeira nos custa 25 bilhões por ano e […] não tem protegido emprego. […] O momento que a gente vive, a gente tem que pegar as coisas que são pouco menos eficientes e reduzir”. As mudanças elevarão o custo do empregado em 59 setores da economia a partir de junho. Com isso, o governo espera voltar a arrecadar algo como R$ 13 bilhões por ano. Como a coleta será retomada somente a partir de junho, a cifra a ser amealhada em 2015 será de R$ 5,3 bilhões. O modo como Levy anunciou a má notícia não aborreceu apenas o staff de Dilma. Parlamentares que integram partidos governistas também saltaram da cadeira. “Nós aprovamos a desoneração no Congresso porque imaginávamos que era coisa séria”, disse, por exemplo, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). “Os empresários também se reprogramaram imaginando que a coisa era séria. De repente, descobrem que não há segurança jurídica no país". “Quando enviar novas propostas ao Legislativo, a presidente Dilma precisa informar se é brincadeira ou se devemos levar a sério”, acrescentou Vieira Lima. “A cúpula do PMDB será recebida pela presidente num jantar marcado para segunda-feira. A primeira coisa que o partido precisa perguntar para a Dilma é se a conversa será séria ou se é mais uma brincadeirinha".

TENSO NA VÉSPERA, EDUARDO CUNHA PROMETE RETALIAR O GOVERNO SE FOR INCLUÍDO NA LISTA DO PETROLÃO


As pressões políticas sobre o Procurador Geral da República são enormes neste final de semana e não se resumem a ameaças de morte. Rodrigo Janot mandou a família para os EUA. O Procurador prometeu divulgar a lista dos políticos envolvidos no Petrolão até esta terça-feira. A seguir, leia notas da colunista Vera Magalhães na principal coluna da Folha de S. Paulo deste domingo:
Alô, Janot A pressão sobre Rodrigo Janot por conta da lista dos implicados na Lava Jato não vem de hoje. Em novembro passado, José Eduardo Cardozo (Justiça) pediu que o procurador-geral da República recebesse diretores do Banco do Brasil para discutir as investigações.
Risco... Janot e outros procuradores se reuniram em 24 de novembro com representantes da área jurídica e analistas econômicos do banco, que foram expor graves consequências econômicas caso empresas envolvidas nos desvios da Petrobras fossem severamente punidas.
Sistêmico Munidos de relatórios expostos aos procuradores em PowerPoint, descreveram um cenário alarmista, em que, a depender do valor das sanções financeiras aplicadas às empreiteiras, o país teria o crescimento afetado e o efeito se alastraria para vários outros setores.
Instável Amigos do procurador-geral da República dizem que ele demonstra abatimento e ansiedade nos últimos dias com a pressão a que está submetido.
Acuado 1 Outro que passou o final da última semana tenso com o desfecho iminente da lista da Lava Jato foi o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).Acuado 2 Antes confiante de que ficaria fora do rol, o peemedebista disse a aliados ter recebido sinais de que seu nome poderá ser incluído. Diante da hipótese, Cunha se mostrou colérico e disposto a se vingar do governo

Novos documentos encontrados pela Polícia Federal complicam situação da Andrade Gutierrez e Odebrecht

Documentos encontrados pela Polícia Federal na casa e nos escritórios do empresário Mário Goes, apontado como um dos operadores do esquema de corrupção na Petrobras, jogam mais luzes sobre o papel das empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato. Contratos e notas fiscais emitidas por Goes, que está preso em Curitiba, mostram que ele recebeu R$ 39,6 milhões de seis empresas e consórcios dos quais elas participaram, incluindo as construtoras Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, OAS, Odebrecht e UTC. Os pagamentos foram feitos entre 2006 e 2014. O Ministério Público acredita que esses documentos evidenciam que a AG e a Odebrecht também participaram do esquema de corrupção, contradizendo o que vêm garantindo os advogados de ambas, que negam que as empresas tenham pago propina para obter contratos com a Petrobras. O nome de Goes apareceu nas investigações quando foi mencionado pelo ex-gerente da estatal, Pedro Barusco, que afirmou ter recebido US$ 97 milhões em propina, incluindo US$ 7,5 milhões repassados por Goes, dono das empresas Riomarine Oil e Gas e Mega Consultoria.

Dilma sai em defesa de Dilma em razão das medidas adotadas pelo governo Dilma contra medidas adotadas pelo governo Dilma. Dilma diz que Dilma está errada, mas Dilma jura que errada quem está é Dilma. Este blog decreta: as duas estão certas!

Dilma no espelho: uma diz que a outra está errada, e as duas estão certas
Dilma no espelho: uma diz que à outra está errada, e as duas estão certas
Ai, que preguiça.
Como sabem, o ministro Joaquim Levy, da Fazenda, classificou de “grosseira” a desoneração da folha de pagamentos promovida pelo governo Dilma, quando o ministro da Fazenda era Guido Mantega, e que foi revogada pelo governo Dilma, agora que o ministro da Fazenda é… Levy.
Escrevi a respeito ontem o que segue:“Mas cadê a admissão do erro? Não há. Parece que Dilma terceirizou o governo. Cabe a Levy desfazer as bobagens perpetradas no… governo Dilma. Às vezes, a gente tem a impressão de que o ministro é uma espécie de interventor. Não que isso seja necessariamente mau. É que a presidente é a petista, e isso é mau.”
Pois é… Dona Dilma pretende estar certa fazendo uma coisa e também o seu contrário. Alguém poderia objetar: “Ora, Reinaldo, isso é possível quando há mudança de circunstâncias…”. Claro que sim! Entendo que se deve desonerar a folha, por exemplo, para aliviar a carga das empresas, de modo que, entre os efeitos colaterais, esteja a manutenção de empregos. Ora, hoje, tal expediente é mais necessário do que antes… Afinal, o desemprego é crescente.
A governanta resolveu censurar a fala de seu ministro, que classificou de “infeliz”: é que Dilma se vê na contingência de defender o governo Dilma mesmo quando o governo Dilma desfaz coisas aprovadas pelo governo Dilma… Disse ela sobre Levy:
“Se não fosse importante, já teríamos eliminado e simplesmente abandonado. Acho que o ministro foi infeliz no uso do adjetivo. O ministro e todos os setores estão comprometidos com a melhoria das condições fiscais do país. A desoneração da folha de pagamento é uma realidade e nós garantimos que haja um reajuste nas condições.”
Então tá. Fico imaginando como deve ser difícil para ela manter como seu principal auxiliar alguém de quem discorda profundamente. Mas tem de engoli-lo. Dilma nomeou um ministro da Fazenda que ela não pode demitir nem que queira — não que eu defenda isso, deixo claro. Prefiro que fique lá enquanto durar essa pantomima.
Que coisa! Dilma sai em defesa de Dilma em razão das medidas adotadas pelo governo Dilma contra medidas adotadas pelo governo Dilma. Dilma diz que Dilma está errada, mas Dilma jura que errada quem está é Dilma.
Este blog decreta: as duas estão certas! Por Reinaldo Azevedo

CARDOZO E AS CONVERSAS IMPRÓPRIAS – Ou: Quanto mais mexe, mais fede

Lá em Dois Córregos e, suponho, em quase todo o País, é bastante conhecida a frase, cuja origem não requer grandes vôos interpretativos, que assegura: “Quanto mais mexe, mais fede”.

É o que me ocorre ao ler reportagem de Robson Bonin na VEJA desta semana. Apareceu um novo personagem nas, digamos, “conversas” que José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, andou mantendo com advogados de empreiteiras. Leiam texto publicado na VEJA.com:
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Flagrado em conversas impróprias com advogados das empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tornou-se alvo de um processo na Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Os integrantes do órgão deram dez dias para que explique seus encontros fora da agenda com advogados de empreiteiros presos no escândalo de corrupção na Petrobras. Na edição passada, VEJA revelou que Ricardo Pessoa, dono da UTC, preso em Curitiba, ouviu de seus advogados que partiu do ministro a iniciativa de chamar os defensores para uma conversa reservada, ocasião em que foram alertados de que havia uma reviravolta no processo.
O ministro também argumentou sobre a inadequação de levar em frente o acordo de delação que Ricardo Pessoa negocia com a Justiça. O empresário é guardião de segredos letais para muitos figurões do governo. Dirigentes da empreiteira confirmaram que, apenas no ano passado, Pessoa entregou 30 milhões de reais para as campanhas do PT e da presidente Dilma Rousseff, dinheiro obtido por meio de propinas de contratos superfaturados da Petrobras.
A conversa com os advogados em Brasília criou constrangimentos ao ministro porque, se admitida, caracterizaria uma interferência ilegal de uma autoridade no processo judicial. Cardozo, primeiro, negou. Depois, admitiu o encontro, que teria sido “casual”, mas não confirmou ter falado sobre delações ou investigações da Operação Lava-Jato. Há um novo personagem nessa história. Segundo executivos da UTC, para estabelecer um canal direto e seguro com os defensores da empreiteira, o ministro Cardozo recorreu a Flávio Caetano, secretário nacional de Reforma do Judiciário, que foi coordenador jurídico da campanha de Dilma Rousseff no ano passado.
Caetano é velho conhecido dos advogados da UTC, Sérgio Renault e Sebastião Tojal, com quem chegou a trabalhar. Nos dias que antecederam o misterioso encontro de Sérgio Renault com Cardozo em Brasília, Caetano telefonou para Tojal para avisar que o ministro desejava encontrá-los. Procurado por VEJA, o secretário confirmou a ligação, mas negou que tenha repassado recados do ministro. “Flávio Caetano é amigo há mais de quinze anos do doutor Sebastião Tojal, com quem tem mantido ao longo do tempo parceria acadêmica. O telefonema em questão se deveu a um trabalho acadêmico a ser publicado que ainda está em curso”, informou o secretário por meio de uma nota. Por Reinaldo Azevedo

Governo diz que 80% dos bloqueios de caminhoneiros estão na região Sul do País

A Secretaria-Geral da Presidência da República informou na noite deste sábado (28) que as manifestações de caminhoneiros seguem localizadas na região Sul do País, com 80% dos bloqueios concentrados em rodovias federais dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O governo lamentou o uso de violência nas manifestações, com depredações de veículos e coação de caminhoneiros. "A diminuição do movimento e a atuação da Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional e polícias estaduais no cumprimento da lei vem assegurando o livre trânsito a quem queira trabalhar, possibilitando a normalização do abastecimento de combustível e a retomada da atividade econômica", afirmou o órgão em nota. De acordo com a Secretaria-Geral da Presidência, o governo vai ampliar a presença das forças policiais nas rodovias para garantir o cumprimento das decisões judiciais que determinam a desobstrução das pistas. "Ao mesmo tempo, o governo reitera o compromisso com as propostas anunciadas esta semana e a disposição para o diálogo tendo como base o encerramento das interdições de rodovias no País", completa a nota.