segunda-feira, 2 de março de 2015

‘Não vim desrespeitar Obama’, diz Netanyahu em Washington


O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, iniciou seu discurso nesta segunda-feira no Comitê de Interesses Públicos de Estados Unidos e Israel (Aipac) ressaltando que, apesar das diferenças entre os Estados Unidos e seu país, a aliança entre os dois aliados está mais forte do que nunca. Netanyahu chega a Washington em visita carregada de tensão, em que, apesar de tentar aliviar o atrito com o governo americano, deixou pontos claros da mensagem que trouxe e seu objetivo: evitar um acordo que considera ruim sobre o programa nuclear iraniano. "Não vim mostrar desrespeito a Obama", disse Netanyahu em relação ao discurso que deverá fazer no Congresso na terça-feira. O primeiro-ministro israelense reforçou seu discurso mostrando o Irã como patrocinador do terrorismo, justificando assim o perigo que uma arma atômica produzida no país representaria. Segundo ele, um Irã nuclear ameaçaria a sobrevivência de Israel, algo que seu país não permitirá. Netanyahu deixou claro que EUA e Israel “discordam sobre como deter” o programa iraniano, mas que já tiveram outros pontos de discórdia antes. "Desavenças numa família são sempre desconfortáveis. Mas somos sempre uma família", disse. O premier lamentou ainda que sua viagem aos Estados Unidos tenha ganhado uma conotação política. A controvertida visita de 48 horas gerou polêmica nos Estados Unidos, levando a um dos momentos mais sensíveis nas relações entre os dois aliados. A viagem enfureceu a Casa Branca e ao Partido Democrata porque surgiu como um convite da bancada republicana, sem uma consulta prévia ao presidente.  Momentos antes, o secretário de Estado americano, John Kerry, em Genebra, e a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Samantha Power, no próprio Aipac, deixaram clara uma tentativa de aliviar a tensão antes do discurso de Netanyahu. Os dois chamaram a atenção para uma espécie de preconceito na ONU contra Israel. Kerry se mostrou ainda preocupado que Netanyahu revele detalhes confidenciais das negociações sobre o programa nuclear iraniano durante seu discurso no Congresso americano.

Maioria petista no Congresso é contra o ajuste fiscal proposto por Dilma

Levantamento feito pelo GLOBO mostra que os parlamentares do PT são, em grande maioria, contra o ajuste fiscal da forma como foi proposto pela presidente Dilma Rousseff. Dos 59 deputados e senadores do PT que foram ouvidos (do total de 79 da bancada petista no Congresso), 40 disseram que não concordam com as propostas enviadas ao Congresso pelo governo, enquanto apenas 18 concordam e um não quis se posicionar. Os parlamentares do PMDB, que foram procurados pelos ministros da área econômica na semana passada, admitiram dar apoio ao ajuste fiscal, mas cobraram envolvimento do PT para não carregarem sozinhos o ônus da medida impopular. Pelo levantamento do GLOBO, 29 dos 59 parlamentares petistas ouvidos disseram que acompanharão a orientação do governo na votação do ajuste, mas 20 afirmaram que não aceitarão, e dez responderam que só serão a favor do ajuste se forem feitas alterações nos textos das medidas provisórias. No Senado, a rejeição às MPs é quase unânime. Dos 12 senadores ouvidos, 11 são contra as medidas e um não quis responder. Na Câmara, dos 47 indagados, 29 querem mudanças e apenas 18 são a favor do texto como foi enviado. Preocupados com o efeito do ajuste fiscal sobre suas bases eleitorais, os parlamentares do PT têm demonstrado incômodo com as MPs 664 e 665, que endurecem as regras para concessão de benefícios como auxílio-doença, pensão por morte, abono salarial e seguro-desemprego. Eles acreditam que o ajuste recai, basicamente, sobre os ombros dos trabalhadores. No Senado, mesmo após a reunião com o ex-presidente Lula, que tenta reorganizar o apoio da base aliada ao governo, a resistência é generalizada. Apesar de muitos petistas defenderem a necessidade do ajuste fiscal diante do cenário econômico adverso, nenhum senador disse concordar com as medidas da forma como foram enviadas. Onze senadores do PT disseram que pretendem alterar itens das MPs com a apresentação de emendas, e um preferiu não se posicionar. Ainda assim, quatro senadores pretendem seguir a orientação do governo, seja qual for. Outros três dizem que seguirão o governo desde que haja alterações no texto, e um senador petista não respondeu. Outros cinco afirmam que não acompanharão a decisão do Planalto incondicionalmente, mas sim a de suas bancadas. Na Câmara, dos 47 deputados petistas ouvidos, 29 querem que as MPs sofram ajustes, contra 18 que dizem aceitá-las como são. O grau de fidelidade a Dilma também é maior na Câmara que no Senado: 25 deputados disseram que pretendem seguir a orientação do governo, contra 15 que dizem que não o farão, e outros sete que afirmam pretender seguir o Planalto, desde que haja acordo para alterações nas medidas. A principal queixa dos parlamentares dos demais partidos da base aliada — a falta de diálogo e articulação política do governo — também ficou constatada entre a maioria dos senadores e deputados do PT. O ponto crucial no caso das MPs 664 e 665, que já receberam, juntas, 750 emendas, foi o fato de terem sido enviadas pelo governo nos últimos dias de 2014, sem discussões prévias com os aliados e desconsiderando que o Congresso, a partir deste ano, passou por significativa renovação. Por esse motivo, 11 senadores disseram ver problemas na articulação política do governo Dilma e só um diz que não vê. Entre os deputados, 29 responderam que há problemas na articulação política, enquanto 17 disseram que não, e um não respondeu. O panorama no principal partido governista não é animador para as pretensões do Palácio de aprovar essas medidas. Os prazos de tramitação no Congresso já estão estourados, e o governo corre o risco de ver suas duas MPs caducarem diante do impasse, já que a validade delas termina em 2 de abril e, até o momento, a comissão mista para emitir um parecer sequer foi instalada. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou que as medidas terão de ser alteradas para que sejam aprovadas, mas destacou que provavelmente serão objeto apenas de ajustes, sem que percam sua essência. "Há uma crítica sobre a maneira como essas medidas foram feitas, porque não foram objeto de discussão com a base, nem de esclarecimentos junto à população. Algumas coisas têm que mudar; se o governo não negociar, o Congresso vai fazê-lo. Mas acreditamos que o governo vai discutir, sim, porque sabe que é muito difícil passar desta forma", disse Costa. O deputado Vicentinho (SP), ex-líder do PT, que também reivindica alterações na proposta do governo, não descarta que as medidas percam a validade e que, a partir daí, tenha início um processo mais amplo de discussão. Ele critica o fato de não ter havido negociação com a base. "Aposto em uma solução com mudanças, porque, da forma como foram enviadas, não houve discussão no Parlamento, que é onde a decisão final será tomada. Sinto que o governo está muito disposto a conversar, até porque a situação aqui não está boa; a correlação de forças é negativa e há profundas dificuldades a serem enfrentadas. Tem que haver um limite entre a economia que o governo pretende fazer, o combate às fraudes e assegurar os direitos dos trabalhadores", afirma Vicentinho. Com resistência de parte significativa dos parlamentares do PT às medidas de ajuste fiscal, as bancadas do partido têm se reunido para chegar a um acordo a respeito das mudanças que pretende fazer nas duas MPs sobre o tema. Mudanças que contam com a aprovação de parte significativa dos petistas são a diminuição de 18 para 12 meses do tempo de serviço para recebimento de seguro-desemprego e aumento da pensão por morte de 50% para 75% sobre o valor da aposentadoria. Há ainda iniciativas no sentido de incluir o fim do fator previdenciário nas medidas e adotar outras que onerem os mais ricos. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que apresentou cinco emendas às MPs do ajuste fiscal, afirma que as medidas terão de ser alteradas para serem aprovadas no Congresso. O senador criticou a ausência de contrapartida às medidas de ajuste que possam amenizar o clima de recessão e animar trabalhadores e investidores. "Estamos sentindo falta de alguém falar sobre crescimento econômico, há uma preocupação muito grande de o Brasil estar caminhando para uma recessão. O Levy parece secretário de Tesouro, só fala em cortes. É uma mistura explosiva. Ninguém vai faltar ao governo, mas temos que alterar essas medidas, colocar a conta também para os mais ricos pagarem. O governo vai ter que sinalizar algo nesse sentido. Desse jeito, está dando um tiro nas nossas bases e dificulta nosso discurso, porque é injusto", afirma ele.

Ministro da Defesa diz que "qualquer fato novo" da Lava-Jato provoca "turbulência"


Às vésperas de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentar os pedidos de inquéritos contra políticos envolvidos na Operação Lava-jato, o ministro da Defesa, Jaques Wagner, admitiu nesta segunda-feira, no Rio de Janeiro, que “qualquer fato novo com essa característica tira a tranquilidade de qualquer instituição”. O ministro também comentou sobre petistas que rejeitam o ajuste fiscal. Para Jaques Wagner, muitos são resistentes a mudanças porque querem “operar em zona de mais conforto". "É bom no sentido de que as coisas estão funcionando e é ruim no sentido de que tem turbulência e as instituições precisam de calma e tranquilidade para seguirem em frente. Porém, o importante é ter calma e separar as investigações da necessidade de funcionamento do País", disse o ministro depois de proferir aula magna no Curso Superior de Defesa da Escola de Guerra Naval. Jaques Wagner disse ainda que a CPI da Petrobras que foi instalada na semana no Congresso dificilmente avançará mais do que a Polícia Federal e o Ministério Publico Federal apuraram. Ao falar sobre o ajuste fiscal proposto pelo governo da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Defesa afirmou que as mudanças não vão acabar com direitos do trabalhador: "É preciso esclarecer bem o que é o ajuste e o que é direito do trabalhador. O ajuste não é mexer no direito do trabalhador", disse, ao comentar a rotatividade no mercado de trabalho: "Não se quer tirar direitos, mas consolidar direitos. A pergunta que cabe é: O seguro desemprego é causa ou efeito da rotatividade da mão de obra? Sempre que se fala de ser humano, todo mundo quer operar em zona de mais conforto. (...) As regras do seguro-desemprego são de quando o Brasil vivia outra realidade, não havia emprego. As novas regras refletem outro cenário". Jaques Wagner ainda defendeu o diálogo e a conversa para quebrar a resistência em relação ao ajuste fiscal: "É preciso esclarecer bem e espero que isso comece a ser feito agora com as comissões (na Câmara). O PT e todos os partidos da base têm que ser esclarecidos. Depois do debate feito, a posição tomada será acompanhada pelo PT e pela base. No debate, todos vão externar suas opções. Mas se a corda é elástica demais, arrebenta. Um vez a posição tomada, todos vão seguir".

Estado Islâmico divulga vídeo da execução a tiros de quatro sunitas no Iraque

A organização radical muçulmana Estado Islâmico divulgou hoje (2) vídeo em que mostra a execução de quatro membros de uma tribo sunita na região de Tikrit, onde o Exército iraquiano faz uma grande ofensiva. O grupo acusou os sunitas de colaboração com o governo do Iraque. Os radicais isIâmicos controlam, desde junho, a cidade de Tikrit, ao norte da capital iraquiana, Bagdá, que dezenas de milhares de soldados tentam hoje recuperar. No vídeo, divulgado por contas de Twitter favoráveis ao Estado Islâmico, os quatro homens são descritos como integrantes de uma tribo batizada com o mesmo nome de uma vila situada ao norte de Tikrit. “Execução de uma célula Sahwa (do grupo antijihadista) de Al Alam”, lia-se num cartaz pouco antes de um homem, com o rosto coberto, atirar na nuca dos quatro homens. Em dezembro, o Estado Islâmico divulgou fotos que mostram a execução de 13 membros da mesma tribo. Segundo fontes militares, vários grupos de combatentes de tribos sunitas opositoras aos radicais tomam parte da ofensiva do exército iraquiano para libertar Tikrit, ao lado de unidades da polícia, e milícias e de voluntários xiitas. No domingo (1º), o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, anunciou que estava em marcha uma operação e apelou aos habitantes de Tikrit que se revoltassem contra o Estado Islâmico. 

Plano de exportações poderá reverter déficit da balança comercial, diz ministro


Para reverter o déficit da balança comercial brasileira, que acumulou no primeiro bimestre deste ano US$ 6,01 bilhões, a estratégia que o governo pretende adotar é o Plano Nacional de Exportações, ao qual se soma uma ação mobilizadora do setor exportador, disse hoje (2), na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o ministro do Desenvolvimento. O ministro considerou que ainda é cedo para fazer algum prognóstico para o ano, porque a balança de fevereiro foi afetada pelos embarques da soja, cuja colheita atrasou. Por isso, o volume exportado no mês foi menor do que em anos anteriores. “E temos também o efeito da perda de preços de commodities [produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado internacional]”. Monteiro esclareceu que no caso do minério de ferro, por exemplo, os contratos são de prazo mais longo às vezes, e já se sente agora o efeito da queda de preços no mercado externo. Apesar disso, o ministro está otimista em relação ao resultado da balança em 2015. “O que posso dizer e reafirmo é que vamos ter uma balança positiva este ano”. Embora com certa antecipação, Monteiro disse que há elementos que permitem que se possa confiar que haverá um efeito positivo na balança: “Graças ao efeito câmbio, graças à nova política comercial, à retomada do mercado americano e à perspectiva de que mesmo com o atraso da entrada da exportação da soja, os volumes ao final do ano serão maiores”. Ele ressaltou que outro fator deverá pesar de forma positiva sobre a balança comercial brasileira em 2015. De acordo com o ministro, a conta petróleo vai gerar um déficit bem menor do que nos dois últimos anos, quando totalizou mais de US$ 36 bilhões, sendo US$ 20 bilhões em 2013 e US$ 16 bilhões, em 2014. Monteiro não quis, porém, fazer nenhuma estimativa em termos de números para a balança comercial brasileira em 2015. “Será positivo o resultado”, reafirmou. O Plano Nacional de Exportações será lançado pelo governo até o fim da primeira quinzena de março. “Dentro de duas semanas, nós esperamos anunciar todas as medidas que estão vinculadas ao plano”, disse. O plano engloba um conjunto de medidas que visam à facilitação, promoção e inteligência comercial, redefinição de instrumentos oferecidos ao setor exportador, financiamento, seguro, garantias, além de desburocratização, redução do tempo de despacho aduaneiro e do trânsito de mercadorias. “E evidentemente, uma maior disposição do Brasil de se integrar mais a uma rede de acordos internacionais de comércio”, disse o ministro. Armando Monteiro destacou que a única área em que o Brasil teve aumento das exportações de manufaturados, no ano passado, foi para o mercado norte-americano. No total, foram US$ 16 bilhões. “Para alguns itens, como máquinas e equipamentos, o Brasil experimentou incremento nas exportações acima de 20% e no conjunto das exportações de manufaturas, algo em torno de 7%. Portanto, nós achamos que ainda podemos crescer os embarques para os Estados Unidos”.

Com elevação dos reservatórios, usinas hidrelétricas no Rio Paraíba do Sul voltam a operar

Com o aumento do nível dos reservatórios do Rio Paraíba do Sul, as duas usinas hidrelétricas que haviam parado de gerar energia por falta de água voltaram a funcionar. De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Usina de Paraibuna, no Estado de São Paulo, que pertence à Companhia Energética de São Paulo (Cesp), ficou parada de 21 de janeiro a 8 de fevereiro, e a Usina de Santa Branca, também em São Paulo, pertencente à Light, fornecedora do Rio de Janeiro, ficou sem funcionar de 25 de janeiro até 19 de fevereiro. Segundo o boletim de hoje (2) da Agência Nacional de Águas (ANA), Paraibuna está com 2,05% do volume útil para geração de energia, com entrada de 63 metros cúbicos por segundo (m³/s) de água e saída de 40 m³/s. Em Santa Branca, o reservatório está com 1,22% do volume útil, com entrada de 41 m³/s e saída de 34 m³/s. O sistema de reservatórios da Bacia do Rio Paraíba do Sul está com 7,83%, somando Santa Branca, Paraibuna, Jaguari (9,65%) e Funil (34%). Além das chuvas, que contribuíram para o aumento do nível, a vazante foi reduzida na comparação com a época em que os reservatórios atingiram o nível mais baixo. No fim de janeiro, Paraibuna estava com -0,26 do volume útil, entrada de 27 m³/s de água e saída de 50 m³/s; e Santa Branca apresentava entrada de 59 m³/s e saída de 72 m³/s , com -0,81 do volume útil. Na ocasião, o sistema estava com 0,66% do volume útil total, somando Santa Branca, Paraibuna, Jaguari (1,72%) e Funil (3,75%).

TSE MANTÉM CASSAÇÃO DO PREFEITO E DO VICE DE SÃO JOSÉ DO NORTE

O Tribunal Superior Eleitoral manteve nesta segunda-feira a cassação do prefeito de São José do Norte, Zeny de Oliveira, e de seu vice, Francisco Xavier, ambos do PSDB. Os dois foram acusados de prática de captação e gastos ilícitos na campanha eleitoral de 2012, que culminou com sua vitória. No processo, movido pela coligação Frente Popular, formada pelo PT, PDT, PSB, PTB, PV e PPS, foi alegado que os então candidatos usaram ônibus do Município para levar eleitores e simpatizantes da coligação para comícios e atos políticos.

BW confirma nona vítima da explosão no navio-plataforma da Petrobras


A norueguesa BW Offshore informou nesta segunda-feira que encontrou o último corpo desaparecido na explosão da plataforma Cidade de São Mateus, que ocorreu em 11 de fevereiro, no litoral do Espírito Santo, deixando nove mortos e 26 feridos. O acidente no navio-plataforma é o maior em número de vítimas desde 2001, quando houve a explosão da P-36, da Petrobras, e onze pessoas morreram. A plataforma funcionava a serviço da Petrobras na extração de petróleo e gás natural dos campos de Camarupim e Camarupim Norte. No momento do acidente, a unidade operava com 74 trabalhadores a bordo. Logo após a explosão, a BW conseguiu encontrar apenas três corpos. Os outros foram encontrados posteriormente. A unidade operava a cerca de 40 km da costa, segundo o órgão regulador (ANP), e produzia cerca de 2,25 milhões de metros cúbicos por dia de gás, o principal produto da plataforma. O volume é equivalente a aproximadamente 3% da produção de gás da Petrobras em janeiro, que atingiu ao todo naquele mês 75,5 milhões de metros cúbicos/dia. Camarupim é operado pela Petrobras, com 100% da concessão. Já Camarupim Norte é operado pela Petrobras, com 75%, em parceria com a brasileira Ouro Preto, que detém os demais 25%. Trata-se do segundo acidente da petroleira este ano. Uma explosão no dia 18 de janeiro, na Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, deixou três trabalhadores feridos, um deles com queimaduras em 70% do corpo. O acidente aconteceu na Unidade Geradora de Hidrogênio, durante um serviço de manutenção na unidade.

Polícia Rodoviária Federal prende 18 caminhoneiros que bloqueavam estradas


A Polícia Rodoviária Federal do Rio Grande do Sul prendeu nesta segunda-feira 18 caminhoneiros que bloqueavam rodovias do Estado. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, os manifestantes foram detidos por "vandalismo" nas cidades gaúchas de Pelotas, Tio Hugo e Fontoura Xavier. Os protestos pela redução no preço do óleo diesel e do tabelamento dos fretes, iniciados há mais de uma semana, concentra-se principalmente nas estradas da Região Sul. Além do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, há pontos de bloqueios em rodovias de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, nesta segunda-feira. Por causa das interdições, diversas cidades do Rio Grande do Sul já sofrem com o desabastecimento de combustíveis. Em Pelotas e na cidade de Rio Grande, por exemplo, os postos estão limitando a venda de gasolina a no máximo 50 reais. Para tentar frear o movimento, a presidente Dilma Rousseff (PT) deve sancionar nesta segunda-feira, sem vetos, a Lei dos Caminhoneiros, aprovada pelo Congresso neste mês. A medida atualiza as regras sobre carga de trabalho, horas de descanso e pagamento de pedágios pelos caminhoneiros. A sanção do texto foi um dos compromissos assumidos pelo Palácio do Planalto na negociação com a categoria. Segundo informações do Ministério da Justiça, a diretora-geral da Polícia Rodoviária Federal, Maria Alice Nascimento, disse que os policiais rodoviários federais mantêm o monitoramento nas estradas federais, as BRs, com o apoio integrado da Força Nacional de Segurança Pública e as polícias estaduais. "O trabalho continua até o restabelecimento completo do transporte de carga, para garantir o abastecimento da população e a normalidade da atividade econômica", explicou Maria Alice, em nota.

Volume de chuvas no Cantareira bate recorde em 20 anos


Apesar da grave crise hídrica que afeta a grande São Paulo, um novo recorde foi batido: o mês de fevereiro foi o mais chuvoso em 20 anos no Sistema Cantareira, com 322,4 milímetros de água. Segundo a Sabesp, a última vez que um volume de chuvas maior foi registrado na região foi em fevereiro de 1995 – chegou a 388 milímetros. O secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga, reuniu-se com prefeitos da região do Alto Tietê na manhã desta segunda-feira, em Mogi das Cruzes (SP). Ele afirmou que, apesar da boa recuperação, a situação ainda é preocupante porque a partir de abril as chuvas tendem a diminuir. "Estamos em penúria hídrica e financeira", afirmou Braga. O secretário afirmou que, apesar da pouca chuva prevista no mês de março, o rodízio não está nos planos da secretaria. "A previsibilidade do sistema climático é pior que o da economia", afirmou. O Sistema Cantareira abastece 6,2 milhões de pessoas na Grande São Paulo e fechou o mês de fevereiro com nível de 11,4%, o melhor índice desde que o início da crise hídrica começou no estado. Em março, mês que marca o fim do período de precipitações, a previsão é de 178 milímetros de chuvas na região, número que já demonstra a tendência para o próximo trimestre.

Renan avisa que não vai a jantar de Dilma com PMDB


Que a relação do Palácio do Planalto com o Congresso Nacional e seus partidos aliados vai de mal a pior não é mais nenhuma novidade. Mas o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deu nesta segunda-feira uma demonstração de que a crise pode estar longe do fim. Nesta tarde, Renan divulgou uma nota na qual avisa que não vai ao jantar oferecido pela presidente Dilma Rouseff à cúpula do PMDB nesta noite. Em um texto curto, ele apresentou sua justificativa: "Decidi abster-me do jantar entre o PMDB, a presidente da República e ministros, em que se discutirá a coalizão. O presidente do Congresso Nacional deve colocar a instituição acima da condição partidária". Depois, Renan encerra: "Considero o encontro como aprimoramento da democracia". O presidente do Senado tem se demonstrado insatisfeito com o governo. Na semana passada, ele disse que a coalizão de Dilma é "capenga" e afirmou que seu partido não pode ser chamado para conversar apenas quando o Planalto está em dificuldades.

CPI DA PETROBRAS ABRE PROTOCOLO COM 180 PEDIDOS DE REQUERIMENTO


A oposição na Câmara dos Deputados dominou o período de abertura para protocolo de pedidos de requerimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. Até o fim da manhã de hoje (2), foram mais de 180 pedidos. Os partidos recordistas são o PSDB, que protocolou, logo no início da manhã, 57 requerimentos. Em seguida, o DEM apresentou 51 pedidos. Além do PSDB e DEM, o PPS e o Psol protocolaram, respectivamente, 23 e 16 requerimentos. No período, o PT protocolou 17 pedidos. O início da abertura dos pedidos foi anunciado pelo presidente da comissão, deputado Hugo Motta (PB), na última quinta-feira (26), quando a CPI foi instalada. Os tucanos e os parlamentares do PPS pedem a criação de sub-relatorias na Comissão. Caso sejam aprovadas, essas sub-relatorias podem reduzir a atuação do relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ). PSDB e PPS também pediram a convocação do ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco. Em depoimento à Polícia Federal, Barusco afirmou que começou a receber dinheiro do esquema de pagamento de propina entre 1997 e 1998, ainda durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O pedido se antecipa à intenção do PT de também pedir a convocação do ex-gerente e de aumentar o período investigado pela CPI para o mandato de FHC. Além de Barusco, o PPS quer a convocação dos ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci, do senador Fernando Collor (PTB-AL), de João Vaccari, tesoureiro do PT, e do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. O PT também quer convocar Barusco e Duque, além de José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras Entre os pedidos do Psol, destacam-se as convocações do também ex-diretor da empresa, Paulo Roberto Costa, e do doleiro Ablerto Youssef.

DÉFICIT COMERCIAL É O MAIOR PARA FEVEREIRO DESDE 1995 - EM 2015, BALANÇA COMERCIAL BRASILEIRA ACUMULA RESULTADO NEGATIVO DE US$ 6,016 BILHÕES


A balança comercial brasileira em fevereiro apresentou seu maior déficit para o mês em toda a série histórica - divulgou nesta segunda-feira, 2, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A atual metodologia de pesquisa começou a ser utilizada em 1995. No mês, foi exportado pelo Brasil o volume de US$ 12,092 bilhões. Importações equivalem a US$ 14,934. Dessa forma, o saldo negativo mensal foi de US$ 2,842 bilhões no último mês. Esse saldo negativo ficou levemente acima do teto das expectativas de mercado, que apontavam para um déficit comercial de US$ 1,500 bilhão a US$ 2,800 bilhões, com mediana negativa de US$ 2,400 bilhões. No ano, o déficit está em US$ 6,016 bilhões - o resultado negativo do bimestre é o segundo mais elevado em 20 anos. As exportações somaram US$ 25,796 bilhões em janeiro e fevereiro; as importações, US$ 31,812 bilhões.

Pesos pesados

No Brasil
No Brasil
O Brasil virou uma espécie de patinho feio da cena internacional, mas, pelo tamanho, sempre despertará interesse. E, apesar dos tempos sombrios na economia, o presidente do Bank of América Merrill Lynch no Brasil, Rodrigo Xavier, conseguiu trazer para cá o maior evento anual do banco americano. Pela primeira vez, o conselho consultivo do grupo se reunirá no Brasil. Começa amanhã (e termina na quarta-feira), em São Paulo, o evento que reunirá CEOs  mundiais de grandes corporações – a começar por Brian T. Moynihan, número um do BofA. Joaquim Levy discursará, tentando convencer a turma que o Brasil tem jeito. Por Lauro Jardim

Empresas suspensas

Petrobras: dias ruins
Petrobras: apelo à CGU
Petrobras pediu que a CGU assuma as investigações das fraudes cometidas pelas 23 empresas suspensas desde dezembro de fazer novos negócios com a estatal. As fornecedoras são Alusa, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Carioca Engenharia, Construcap, Egesa, Engevix, Fidens, Galvão Engenharia, GDK, Iesa, Jaraguá Equipamentos, Mendes Junior, MPE, OAS, Odebrecht, Promon, Queiroz Galvão, Setal, Skanska, Techint, Tomé Engenharia e UTC-Constran. A CGU vai analisar caso a caso para ver quais investigações já possuem provas identificadas que permitam a abertura de processo administrativo. Em dezembro, a CGU havia aberto processos administrativos para investigar a atuação das oito que tiveram executivos presos – Camargo Corrêa, Engevix, Galvão Engenharia, Iesa, Mendes Junior, OAS, Queiroz Galvão e UTC-Constran. Antes, a controladoria já havia aberto um processo contra a SBM Offshore. Por Lauro Jardim

FERNANDO RITTER É O NOVO SECRETÁRIO MUNICIPAL DA SAÚDE

O coordenador do programa de saúde básica do Município, Fernando Ritter, acaba de ser anunciado pelo prefeito José Fortunati como o novo titular da Secretaria da Saúde, em substituição a Carlos Casartelli, exonerado há uma semana. A secretária substituta será Fátima Ali, também técnica da pasta. O secretário adjunto segue sendo Jorge Cuty, que já exercia o cargo na gestão de Casartelli. Alcindo Pavan, igualmente funcionário de carreira da prefeitura, foi indicado como gestor do Fundo Municipal de Saúde.

PMDB rechaça manobra petista e quer manter o eixo da CPI da Petrobras. A propósito: chegou a hora de investigar o roubo de que a estatal foi vítima na Bolívia, durante a parceria Lula-Evo Morales

O requerimento que criou a nova CPI da Petrobras na Câmara estabelece que a finalidade da comissão é “investigar a prática de atos ilícitos e irregulares no âmbito da empresa de Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras) entre os anos de 2005 e 2015”. O petista Luiz Sérgio (RJ), no entanto, relator, já deixou claro que pretende estender a apuração ao governo FHC. Deixada por conta do PT, chegar-se-ia às capitanias hereditárias. Sabem como é… Um bom jeito de não investigar nada é propor investigar tudo.

Segundo informa a Folha na edição desta segunda, o PMDB decidiu dar um chega pra lá na estratégia petista e se organiza para concentrar a investigação no período estabelecido pelo requerimento. Afinal, foi ele que mereceu a assinatura dos deputados.
Sérgio usa como pretexto para desvirtuar a investigação o depoimento do ex-gerente Pedro Barusco, que declarou ter começado a receber propina da empresa holandesa SBM Offshore entre 1997 e 1998. A própria presidente Dilma Rousseff recorreu a esse depoimento para afirmar que a corrupção começou no governo FHC, fala que logo caiu no ridículo e gerou uma penca de memes na Internet.
Barusco, de fato, fez essa declaração. Mas já resta mais do que evidente que, no caso, um funcionário da estatal se deixava corromper; tratava-se, digamos, de um empreendimento individual. Já abordei esse assunto aqui. Mundo afora, empresas são flagradas corrompendo quadros técnicos do estado e de outras empresas. No Brasil — e em países marcados pelo estatismo —, as falcatruas costumam ser conduzidas por políticos, por homens públicos.
Caso o PMDB não ceda à patranha de Luiz Sérgio, a CPI começa o seu trabalho no rumo: é preciso investigar as safadezas entre 2005 e 2015 porque, nesse período, o que se viu foi a organização de uma máquina para assaltar o estado em benefício de um projeto de poder. É aí que está o centro da questão. Ninguém duvida de que tenham existido antes ladrões na Petrobras ou que outros possam existir depois. Têm de ser exemplarmente punidos. Mas não se pode usar uma CPI para tentar mudar a natureza do crime investigado.
Ainda segundo a Folha, os peemedebistas combinaram com Hugo Motta (PB), presidente da comissão, a criação de uma sub-relatoria para tentar recuperar ativos da Petrobras no exterior. Teria havido irregularidades sobretudo na África.
Bolívia
A propósito: a CPI tem de aproveitar a oportunidade para saber que fim levaram os ativos da Petrobras na Bolívia, expropriados por Evo Morales em maio de 2006. O índio de araque tomou duas refinarias da empresa de arma na mão. Ou melhor: eu sei que fim levaram os ativos; o que nunca ninguém descobriu é se a estatal brasileira foi ressarcida.
Depois do ato hostil, o BNDES andou financiando obras na Bolívia. Só para a construção da rodovia Santo Ignácio de Moxos-Villa Tunari, o banco estatal brasileiro assinou contrato de US$ 332 milhões, uma obra executada pela construtora OAS.
Em 2013, a Petrobras voltou a investir naquele país. As iniciativas fazem parte do pacote de generosidades do petismo com governantes com os quais mantém afinidade ideológica. Só que faz isso com o nosso dinheiro.
Encerro
Vamos ver. A CPI, como é sabido, foi instalada sob o signo da desconfiança em razão do fiasco das duas comissões criadas no ano passado, a do Senado e a mista. Os petistas são os primeiros a espalhar que o PMDB quer usar a investigação para pôr a faca no pescoço do governo e negociar cargos e vantagens.
Caberá basicamente ao PMDB provar que isso é mentira. Por Reinaldo Azevedo

Dilma tem de se livrar do PT, montar um gabinete de crise e impedir que o país mergulhe no caos. Não para preservar o seu mandato — isso se verá —, mas para impedir o pior

O Brasil já estava devagar, quase parando, antes da Operação Lava-Jato. Agora, empacou de vez. E, à diferença do que supõe Lula, a saída não é declarar a existência de uma grande conspiração, ignorar as investigações, pôr o exército de João Pedro Stédile nas ruas, liberar o financiamento público para as empreiteiras tocar as obras, xingar o FHC…

Nada disso! Com ou sem Dilma no comando, o país continua. Seja ela impichada ou não, existe amanhã. O transe em que vivemos já demitiu alguns milhares de trabalhadores. Muitos outros vão se seguir a esses… E aí?
O que proponho aqui não é um caminho para Dilma se livrar do impeachment — essa questão é, em primeiro lugar, jurídica e, em segundo, mas com igual peso, política —, mas para o país se livrar do caos. O Estadão informa que empresas investigadas pela Lava-Jato, ou suas subsidiárias, têm pedidos de empréstimo no BNDES que somam R$ 31 bilhões. O banco, lembre-se, pode ser alvo de uma CPI; seu presidente, Luciano Coutinho, em vez de tentar dar as explicações que lhe pedem, dedica-se a conversas ao pé do ouvido para impedir a comissão… Que coisa!
Não para segurar o seu mandato, mas para o país não despirocar de vez, o mais sensato que Dilma tem a fazer — e, por isso mesmo, ela não o fará — é deixar o PT, instalar um gabinete de crise, estabelecer algumas prioridades para a infraestrutura do país, submeter esses projetos a uma comissão de notáveis — com o endosso do Congresso, da CGU, do TCU e do Ministério Público — e tocar o que pode ser tocado.
Em vez disso, sabe-se lá sob qual inspiração e atendendo a que princípio de economia política, a governante mobiliza o advogado-geral da União para propor acordos de leniência que, dado o contexto, só intoxicam o ambiente e criam dificuldades novas. De fato, tais acordos, se fossem feitos, não isentariam o criminoso de nada nem impediriam a ação penal. Ocorre que a questão não é só técnica: ela é também política. Notem: ainda que o propósito fosse o mais legítimo, quem iria acreditar?
Tanto pior quando tal proposta é feita antes que o Ministério Público Federal conclua a primeira etapa do seu trabalho, cujo desfecho é a chamada “lista de Janot”. Ainda que Dilma e Luís Inácio Adams tivessem a melhor das intenções, parecia evidente que a inciativa não iria prosperar. E ainda acrescentaria, como aconteceu, a suspeita de que o governo está tentando livrar a cara das empreiteiras, em vez de puni-las.
Naquela desastrada entrevista quebra-queixo que concedeu, em que culpou o governo FHC, Dilma se estabacou ao falar sobre as empresas. Exercitando aquela sua estranha língua, afirmou: “Nós iremos tratar as empresas tentando principalmente considerar que é necessário criar emprego e gerar renda no Brasil. Isso não significa de maneira alguma ser conivente ou apoiar ou impedir qualquer investigação ou qualquer punição a quem quer que seja”.
O que isso quer dizer? Não dá pra entender. O país precisa de petróleo, de gás, de estradas, de aeroportos, de portos, de hidrelétricas, de sondas… Refaço a frase: não é o país, mero ente abstrato, que precisa disso; são as pessoas. E é evidente que não se poderá esperar a conclusão da Lava-Jato, com as devidas punições, para que financiamentos sejam concedidos, e obras, retomadas.
Mas como é que se dá operacionalidade a um país que existe independentemente da cambada que o assalta? Uma recessão já estava contratada, pelas razões conhecidas, antes dessa desordem. O que estou dizendo é que é preciso achar um caminho, e ele existe, que leve a investigação às últimas consequências, que honre o devido processo legal, que meta na cadeia os culpados, mas que, de fato, não nos conduza ao abismo.
As ruas já começaram a dar o seu recado a Dilma. E se farão ouvir com clareza no dia 15 de março. Em vez de passear num supermercado no Uruguai, a presidente tem de se dar conta do tamanho da crise, livrar-se da canga petista e evitar o pior. Não para preservar o seu mandato, mas para que os brasileiros sofram menos. Por Reinaldo Azevedo

A TPLJ – Tensão Pré-Lista de Janot e “as consequências econômicas e sociais da corrupção”

Meu pingo final vai para um mal-estar que acomete Brasília: a TPLJ, a Tensão Pré-Lista do Janot. Há especulações para todos os gostos. Chegou-se a falar que ela poderia incluir até 80 políticos. Agora, consta, o número ficará em torno de 40.

O mais provável é que o procurador-geral da República não ofereça denúncias, contentando-se com o pedido de abertura de inquérito — o que pode fazer com que esse processo se arraste por mais tempo do que o do mensalão. Também para isso, é preciso que o Supremo dê autorização.
O boato mais denso de Brasília, no momento, está em linha com a conversa que José Eduardo Martins Cardozo manteve com Sérgio Renault, advogado da empreiteira UTC: a lista de pessoas que, segundo o procurador, devem ser investigadas em inquérito incluiria nomes graúdos da oposição.
Caso venha, então, à luz uma lista suprapartidária, a presidente Dilma sairia das cordas, a oposição refrearia suas críticas — não que a sua indignação esteja alinhada com a do País, diga-se —, o PT viria com a cascata de sempre do “não somos só nós” e “por isso queremos reforma política, com fim da doação de empresas privadas a partidos”, e a política, nesse modelo, voltaria à modorra de sempre, que nos conduziu até esse estado melancólico.
É… De certo modo, a tensão se justifica, não é mesmo? A lista vai dizer se o petrolão se exporá na sua real natureza — um partido político privatizando o estado para atender a seu projeto de poder — ou servirá como pretexto para a demonização da política como um todo: “Todos são iguais, e o PT é apenas um dos culpados”.
Nota do Ministério Público
A propósito: o Ministério Público Federal divulgou uma nota neste domingo em que reconhece o óbvio: a Controladoria-Geral da União tem competência e legitimidade para celebrar acordos de leniência, mas ponderou, no entanto, que o governo deveria preocupar-se mais com as “consequências econômicas e sociais da corrupção” do que com a reabilitação de firmas flagradas na Operação Lava-Jato.
Com a devida vênia, é retórica exacerbada, da linha “muito calor e pouca luz”. Um acordo de leniência, reitere-se, não impede punições. O ponto, já abordei aqui, é outro: ao tratar do assunto, o advogado geral da União, Luís Inácio Adams, põe o carro adiante dos bois.
Quanto ao mais, é claro que as empresas têm de ser punidas. Mas sempre que se tentar transformar as empresas no eixo do petrolão — e a nota faz isso —, eu vou contestar. Alguns políticos querem que acreditemos nisso. O PT quer que acreditemos nisso. O subjornalismo petista quer que acreditemos nisso.
Eu aguardo a “Lista de Janot” para saber se o Ministério Público Federal dá o devido peso às “consequências econômicas e sociais da corrupção”. Vamos ver. Por Reinaldo Azevedo

PT é que está tentando usar o STF como bengala de seus delírios totalitários. Ou: Sobre a PEC 457

Já abordei a questão aqui algumas vezes nestes termos e o faço de novo porque o tema voltou a ganhar urgência. A menos que o PT esteja com intenções perversas (seria tão raro, não?) e a presidente Dilma esteja pensando em transformar o Supremo numa corte bolivariana, não há razão para que se oponham à PEC que, na prática, eleva para 75 anos a aposentadoria dos ministros do tribunal — isso que a imprensa passou a chamar, de forma malcriada, de “PEC da Bengala”, um apelido dado por petistas, diga-se.

Vamos ver. Em primeiro lugar, a PEC 457, de autoria do então senador Pedro Simon (PMDB-RS), é de 2005 — quando Dilma nem sonhava ser presidente da República. Logo, não é uma questão pessoal. Em segundo lugar, ela se refere a todo o funcionalismo público, não apenas aos ministros do Supremo, como se vê abaixo.
 PEC 75 anos
E agora vem a terceira questão relevante. Excetuando-se a indicação para a vaga que já foi de Joaquim Barbosa, Dilma teria cinco outras indicações para fazer até o fim de seu mandato, na hipótese de ela ficar até 31 de dezembro de 2018, o que hoje não me parece líquido e certo. Deixam, dada a legislação atual, o Supremo os seguintes ministros, pela ordem: Celso de Mello (11/2015), Marco Aurélio Mello (07/2016), Ricardo Lewandowski (05/2018), Teori Zavascki (08/2018) e Rosa Weber (10/2018).
Como se vê, apenas dois não foram indicados por presidentes petistas: Celso de Mello e Marco Aurélio. Dois outros, note-se, têm a chancela da própria Dilma: Teori e Rosa. Celso tinha manifestado em passado não muito distante que pretendia até antecipar a sua aposentadoria em razão de alguns problemas de saúde — e, pois, não é certo que permaneça na corte ainda que a PEC 457 seja aprovada.
Mas não é só: tanto Celso como Marco Aurélio são juízes independentes, goste-se ou não de suas escolhas. Como esquecer que o voto que definiu a sobrevivência dos embargos infringentes — que acabou contribuindo para tirar José Dirceu e Delúbio Soares da cadeia — foi dado pelo decano do Supremo? Sigamos: dado esse voto, a presença de Teori, mais tarde, seria definidora na diminuição da pena de Dirceu e Delúbio, uma vez que o tribunal os livrou da condenação por quadrilha — condenação a que Rosa não tinha aderido, diga-se, na primeira etapa do julgamento.
Assim, não há razão nenhuma — a não ser a confissão de má-fé — para o PT se opor ao que chama de “PEC da Bengala”. Os ministros que deixariam a corte nos próximos quatro anos não são militantes antipetistas. Ninguém por ali é, diga-se.
Agora, se a intenção do PT e de Dilma é transformar o Supremo numa sucursal da legenda, então é o caso de se zangar com a PEC 457, tentando impedir a sua aprovação. Nesse caso, os companheiros estão querendo usar o STF como bengala de seus delírios totalitários. Por Reinaldo Azevedo

Os números aloprados da economia: recessão, déficit, juros… Ou: 13 na cabeça!

Qual notícia ruim sobre a economia você prefere, leitor amigo? A expectativa do mercado de que o país terá o pior desempenho econômico em 25 anos? Segundo os agentes de mercado ouvidos pelo Boletim Focus, a retração em 2015, agora, está projetada em 0,58%, pior do que a de 2009, quando houve encolhimento de 0,3% em razão da crise global. É a nona piora consecutiva de expectativas. E continuará a piorar.

Mas você pode escolher uma outra. Que tal o pior desempenho da balança comercial no mês de fevereiro em 21 anos, com déficit de US$ 2,842 bilhões? As exportações somaram US$ 12,092 bilhões, e as importações, US$ 14,934 bilhões. No acumulado de 2015, a conta está no vermelho em US$ 6,016 bilhões. As vendas externas foram de US$ 25,796 bilhões, e os gastos no exterior atingiram US$ 31,812 bilhões.
Notem: não estamos apenas com um quadro de encolhimento da economia. Ele também é marcado pela crescente deterioração das contas externas. E a situação só não foi pior porque a retração econômica contribui para diminuir as importações. Houve queda de 20,3% no item “combustíveis e lubrificantes” e de 8% no de bens de capital — o que é particularmente preocupante porque indica o declínio da indústria.
Nas exportações, houve queda nas commodities, que têm segurado a peteca: 72,2% de grãos, 35,7% de ferro e 19,9% de açúcar refinado. A indústria foi a lástima costumeira.
13 na cabeça!Ah, bem… Então voltemos às projeções. Agora, os analistas acham que o ano termina com a Selic a 13%, não mais a 12,75%. A projeção para a inflação também cresceu: de 7,33% na semana passada para 7,47%.
Fora isso, vai tudo bem… Por Reinaldo Azevedo

A menos que Dilma esteja pensando em botar os tanques na rua, por que Jaques Wagner está fazendo a coordenação política? Justo ele?

Jaques Wagner, ministro da Defesa, foi escolhido pelo governo para o “senta que o leão é manso”. Considerado — por quem?  — um bom articulador, ele agora se encarrega de chamar atenção para as turbulências que vêm por aí. Sim, vêm mesmo!

A menos que Dilma esteja pensando em botar os tanques na rua — e eu acho que, se convocados, eles fariam ouvidos moucos —, o que Jaques Wagner tem a ver com a crise? O articulador político do governo não é Aloizio Mercadante?
Quer dizer: Wagner tem, sim, a ver com a crise. Ricardo Pessoa, o empresário com o qual o Ministério Público não fez acordo de delação premiada, diz ter contribuído de maneira, digamos, informal para suas duas campanhas, vitoriosas, para o governo da Bahia: 2006 e 2010. Afirma ainda que atuou também em 2014 para eleger o igualmente petista Rui Costa, sucessor de Wagner.
Não só isso. José Sérgio Gabrielli, o presidente da Petrobras no período em que a empresa foi destruída, é da turma de Wagner. Tanto é assim que, quando foi demitido por Dilma, o então governador da Bahia o abrigou com um cargo de relevo: secretário do Planejamento. O objetivo inicial era fazê-lo candidato.
Se Wagner é o bombeiro de que Dilma dispõe, melhor, então, chamar o incendiário. Por Reinaldo Azevedo

Eduardo Cunha decide recuar de mamata absurda para cônjuges de políticos

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi rápido e resolveu recuar da besteira que havia feito ao aprovar, no pacote de benefícios para os deputados, passagens gratuitas para os cônjuges. O peemedebista tem buscado alinhar a sua pauta com as expectativas da maioria dos brasileiros. Vinha se comportando bem até então. Aí enfiou o pé na jaca.

O PT e suas franjas — como o site de petições online Avaaz — sentiram cheiro de carne queimada e resolveram, vamos dizer, usar a questão para tentar retomar algum protagonismo político. Como o presidente da Câmara tem seguido uma agenda que não é do interesse do PT — reforma política e CPI da Petrobras, por exemplo —, há óbvio interesse em transformá-lo em vilão.
De resto, é evidente que o privilégio aprovado é um absurdo, uma mamata inaceitável. Que bom! Cunha vai perceber que estar na linha de frente da política — ele sempre foi mais de bastidores  — tem lá seus contratempos.
Melhor para o País. Por Reinaldo Azevedo

Dilma: no mato, sem rottweiler amoroso, tadinha! Ou: O PT contra a presidente

Pois é… Centrais sindicais botaram algumas centenas de militantes nas ruas em manifestações contra as Medidas Provisórias 664 e 665, que alteram regras de acesso a benefícios trabalhistas, especialmente o seguro-desemprego. As mudanças, nesse particular, diga-se, são corretas. Quem disse que aqui só se fala mal do governo? Se vez em quando, este rottweiler é amoroso, né?

O busílis é que os aliados de Dilma são contra. Aí o bicho pega. Os cutistas também mandaram seus manifestantes para a rua. As centrais planejam um Dia Nacional de Luta contra o pacote — talvez 23 de março.
Mas não é só. O jornal O Globo ouviu os petistas no Parlamento. Que coisa! Num grupo de 59 deputados e senadores, 40 disseram não concordar com as medidas fiscais adotadas pelo governo. Mas não é só: do grupo, 29 afirmaram que acompanharão a orientação do governo, mas 20 outros afirmaram que não vão aceitar as medidas. Dez deles dizem que só as aprovam com alterações.
A coisa é séria. O partido tem 14 senadores; 12 responderam à seguinte pergunta: “Concorda com o ajuste fiscal da forma como foi enviado?”. Um não quis responder, e 12 disseram “não”.
Vejam o resultado do levantamento.
Pacote Petistas

Por Reinaldo Azevedo

Ajuste fiscal pode chegar a R$ 111 bilhões e não perdoa área social


A primeira rodada do ajuste fiscal empreendido pelo governo para cumprir a meta de superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano somou 111 bilhões de reais em cortes de gastos, redução de subsídios e elevação de receitas. No caso dos cortes anunciados na semana passada no Decreto 8.412, todos os ministérios da área social foram afetados, incluindo Educação, Saúde, Desenvolvimento Social e Cidades. O ajuste foi obtido da seguinte forma: corte de gastos para o primeiro quadrimestre previsto em decreto, que resulta em uma economia de 57,5 bilhões de reais; redução de despesas obrigatórias (seguro-desemprego, abono salarial, pensão por morte), que representa uma poupança de 18 bilhões de reais; aumento da arrecadação com elevação da Cide, IOF, PIS/Cofins sobre importados e IPI de cosméticos (20,6 bilhões de reais); aumento das alíquotas da contribuição previdenciária sobre o faturamento (5,35 bilhões de reais); diminuição do subsídio do Reintegra (1,8 bilhão de reais); redução do repasse para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), de 7,75 bilhões de reais. Total: 111 bilhões de reais. No caso do decreto 8.442, publicado na última quinta-feira no Diário Oficial da União, o Ministério da Educação perderá 14,5 bilhões de reais ou 31,1% de suas dotações previstas na proposta orçamentária de 2015 se o corte, previsto para o quadrimestre, for estendido para o resto do ano. O Ministério da Saúde perderia 6,7% das dotações - corte relativamente pequeno, pois é menos da metade da média de todos os ministérios (20,3%). Para o Ministério do Desenvolvimento Social, responsável pelo Programa Bolsa Família, a perda potencial é de 9,4% da dotação orçamentária, ou 3,1 bilhões de reais se o corte for mantido para o resto do ano. Outro ministério da área social afetado é o das Cidades, responsável pelo programa Minha Casa Minha Vida. Ele perderia 7,3 bilhões de reais, 28% de suas dotações iniciais. O corte pode reduzir o ritmo de entrega das casas, pois é o Tesouro que banca os subsídios aos beneficiários do programa. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, acredita que as medidas anunciadas até agora serão suficientes para garantir o cumprimento da meta fiscal. No entanto, ele pondera que se o comportamento da receita ficar abaixo do esperado, poderão ser necessários novos ajustes. "Acredito que temos o suficiente para chegar lá. Mas fazemos uma avaliação quadrimestral das receitas e despesas. Se for necessário, vamos rever", avaliou Levy.

Fidel reaparece e se encontra com espiões libertados pelos EUA


O ex-ditador cubano Fidel Castro, de 88 anos, reapareceu em um evento público e se reuniu com os cinco espiões que voltaram para casa como heróis depois de cumprirem longas penas de prisão nos Estados Unidos, 73 dias depois de o último deles ser libertado em uma troca de prisioneiros. A reunião ocorreu no sábado, mas as fotos só foram divulgadas pela imprensa estatal cubana nesta segunda-feira. Muito aguardado, o evento foi retratado na imprensa oficial como um "reencontro dos heróis mais celebrados de Cuba". Fidel é tratado como "líder histórico" aposentado, e os cinco agentes de inteligência foram homenageados recentemente como heróis por espionar grupos contrários ao regime cubano nos Estados Unidos e por terem sido presos. "Os cinco heróis, que nunca causaram nenhum dano aos Estados Unidos, tentavam evitar e impedir atos terroristas contra nosso povo que, como se sabe bem, foram organizados pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos", escreveu Fidel em um artigo. Preso desde 1998, o último dos três agentes voltou para casa em 17 de dezembro, quando Cuba e Estados Unidos finalizaram uma troca de prisioneiros como parte de um acordo concordando em restaurar as relações diplomáticas depois de mais de cinco décadas. Os outros dois detentos já tinham cumprido suas sentenças e retornado para Cuba. Em troca, Havana libertou um cubano que espionou para Washington e passou quase 20 anos preso. Além disso, soltou o assistente social norte-americano Alan Gross e outras 53 pessoas que os Estados Unidos consideravam prisioneiros políticos. Fidel Castro renunciou em 2008 e entregou o cargo para seu irmão caçula, Raúl, de 83 anos. Ele escreve artigos ocasionais e é visto na imprensa oficial recebendo visitas em sua residência de Havana, mas não é visto em público desde o dia 8 de janeiro de 2014. Os agentes de inteligência Gerardo Hernández, de 49 anos, Antonio Guerrero, de 56, e Ramón Labañino, 51, retornaram a Cuba em 17 de dezembro depois de cumprirem penas de 16 anos em prisões americanas. Dois outros, René González, 58, e Fernández Gonzalez, 51, já haviam voltado por terem cumprido suas sentenças.

CERVERÓ TEM RANGE ROVER IGUAL A DADA POR DOLEIRO A PAULO ROBERTO COSTA


Dois ex-diretores de áreas estratégicas da Petrobrás, alvos da Operação Lava Jato, têm mais uma coisa em comum, além da acusação de corrupção que pesa contra ambos: o gosto por carros de luxo, no caso a Range Rover Evoque. Paulo Roberto Costa, ex de Abastecimento, ganhou um carrão desses do personagem central da trama de corrupção na estatal, o doleiro Alberto Youssef. A compra ocorreu no dia 15 de maio de 2013. O doleiro pagou R$ 250 mil. A nota fiscal foi faturada em nome de Costa. Agora se sabe que Nestor Cerveró, ex de Internacional, também tem a sua Range Rover. Na declaração de Imposto de Renda que entregou à Receita, exercício 2013, Cerveró informa que pagou R$ 203 mil pelo veículo. Tanto o importado de Paulo Roberto Costa quanto o de Cerveró foram adquiridos na mesma loja, AutoStar, em São Paulo. Os dois ex-diretores, contudo, moravam no Rio de Janeiro. A Range Rover do ex-diretor de Abastecimento foi confiscada pela Justiça Federal. Em janeiro de 2015, foi decretado o bloqueio de ativos de Cerveró no valor de R$ 106 milhões – correspondente à propina de US$ 40 milhões que ele teria recebido na contratação de navios sondas da Petrobrás. Os dois ex-diretores estão presos. Cerveró cumpre prisão preventiva na sede da Polícia Federal em Curitiba, base da Lava Jato. Ele é réu em duas ações penais por corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Costa fez delação e, como prêmio, ganhou prisão domiciliar. Mas ainda responde a acusações formais pelos mesmos delitos atribuídos a seu ex-colega de cúpula da Petrobrás.

Delação da Camargo Corrêa vai fechar as comportas da corrupção em Jirau e Belo Monte. Investigação avança sobre R$ 500 bilhões do PAC da Dilma


Os executivos da Camargo Corrêa que firmaram acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal vão detalhar irregularidades que afirmam ter ocorrido em obras estatais do setor energético, entre as quais empreendimentos licitados durante as duas gestões do ex-presidente e alcaguete Lula x9 e no primeiro mandato da presidente Dilma Roussef. Entre os projetos colocados sob suspeita pelos novos delatores estão alguns que integram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado por Lula em janeiro de 2007 e que previa investimentos da ordem de R$ 500 bilhões até 2010 para obras de infraestrutura, como saneamento básico, habitação, transportes, energia e recursos hídricos. No foco dos investigadores da Operação Lava-Jato estão financiamentos liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No entanto, o banco ainda não é alvo de investigação. O diretor-presidente da Camargo Corrêa Construções e Participações SA, Dalton dos Santos Avancini, e o vice-presidente, Eduardo Hermelino Leite, fecharam acordo de colaboração premiada com a força-tarefa do MPF na madrugada de sábado. Entre as obras listadas no rol de projetos que os delatores confirmaram ter sido alvo de cartel de empreiteiras estão as das usinas hidrelétricas de Belo Monte e Jirau, localizadas no Pará e em Rondônia. Somadas, as duas construções ultrapassam os R$ 40 bilhões, segundo dados do Tribunal de Contas da União. A corte de contas iniciou uma auditoria no ano passado para fiscalizar o repasse de R$ 22,5 bilhões do BNDES para o consórcio Norte Energia SA, responsável pela construção de Belo Monte. Todas as empresas convidadas a participar da obra de Belo Monte estão sob investigação por suspeita de envolvimento no escândalo de desvios de recursos da Petrobras, segundo o Ministério Público Federal. A partir desta semana o presidente e o vice-presidente da Camargo Corrêa iniciarão séries de longos depoimentos a um delegado da Polícia Federal e a um procurador da República. Dalton Avancini dará informações e apresentará documentação referentes a Belo Monte e obras hidrelétricas. Segundo o site da Construtora Camargo Corrêa, "só no Brasil, mais de 50% de todo o parque gerador a partir de fontes hídricas tem sua participação". Já Eduardo Leite está incumbido de apresentar provas de ilícitos em contratos firmados com a Petrobras. Os investigadores não esperam que o executivo aponte novas diretorias envolvidas em corrupção além das três já conhecidas: Abastecimento, Serviços e Internacional. Mas consideram a colaboração de Leite importante para fortalecer a prova sobre cartel. O oferecimento de denúncia por formação de cartel e fraude à Lei de Licitações contra os empreiteiros investigados pela Lava-Jato é um dos próximos passos da acusação. Em nota divulgada pela assessoria de imprensa no sábado, a Construtora Camargo Corrêa informou que não participou das negociações para o acordo de colaboração premiada de seus executivos e disse que " permanecerá à disposição das autoridades para o que for necessário e sanará eventuais irregularidades, aprimorando a governança administrativa para seguir contribuindo com o desenvolvimento do País".

Governo Dilma, cada dia com a sua agonia. Inflação sobe para 7,47%, juros para 13% e previsão do PIB para (-)0,58% em 2015



Diante de uma expectativa de inflação cada vez maior, os analistas de mercado passaram a contar com uma elevação maior na taxa básica de juros, a despeito do enfraquecimento da economia neste ano. É o que mostra o boletim Focus, do Banco Central, que apura semanalmente previsões junto a cerca de cem instituições. Na edição de hoje, a mediana dos analistas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu pela nona semana consecutiva, de 7,33% para 7,47%. Para o mês de fevereiro, a previsão foi de 1,04% para 1,07%. Essa alta da inflação responde a preços administrados mais salgados, cuja estimativa subiu de 10,4% para 11%, e a um câmbio mais depreciado. Os analistas veem o dólar terminando o ano em R$ 2,91, ante R$ 2,80 há quatro semanas.
Assim, a estimativa para a Selic, que ficou estacionada por algum tempo em 12,50%, há duas semanas subiu para 12,75% e, agora, para 13%. A taxa está, atualmente, em 12,25% ao ano. Enquanto isso, as expectativas para a atividade continuam a se deteriorar. A mediana das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano passou de queda de 0,50% para contração de 0,58%, enquanto a da produção industrial saiu de recuo de 0,35% para retração de 0,72%.

Oposição protocola 81 requerimentos na CPI da Petrobras.



A oposição protocolou na manhã desta segunda-feira 81 pedidos para convocação e quebra de sigilos na CPI da Petrobras da Câmara. Os requerimentos são analisados pela comissão pela ordem de entrega, por isso houve uma corrida dos partidos para garantir os primeiros lugares. O PSDB protocolou 57 requerimentos, o PPS 24. Os dois partidos entraram com pedido para criação de subrelatorias. Os tucanos pedem à 13ª Vara Federal do Paraná cópia integral do processo da operação Lava-Jato, solicitam também que o Supremo Tribunal Federal (STF), o Ministério da Justiça e o Ministério Público Federal compartilhem informações sobre as investigações do esquema de corrupção na Petrobras. Entre os requerimentos estão o de convocação para ouvir o ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, o ex-ministro Antonio Palocci, o senador Fernando Collor (PTB-AL), o ex-gerente de Engenharia da Petrobras, Pedro Barusco, e o ex-diretor de Serviços da estatal, o petista Renato Duque. A oposição também quer que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, explique porque se encontrou com advogados das empreiteiras investigadas na operação Lava-Jato. O depoimento de Pedro Barusco, segundo requerimento da deputada federal Eliziane Gama (PPS-MA), “é de extrema importância para a CPI”. Barusco foi braço direito do petista Renato Duque e chegou ao cargo por indicação de José Dirceu.

Empresas envolvidas no Petrolão querem R$ 31 bilhões do BNDES

Os projetos de infraestrutura e óleo e gás de empresas ligadas de alguma forma à Operação Lava Jato - principalmente como sócias de concessionárias - que estão sob análise de técnicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) envolvem financiamentos de até R$ 31,1 bilhões. Com a evolução das investigações, o BNDES começou a passar um pente-fino nos projetos e ampliou as exigências, após uma consulta à Controladoria Geral da União. Novembro marcou um ponto de virada no caso, com a prisão de executivos de alto escalão de diversas construtoras. O rigor máximo é dedicado ao caso da Sete Brasil, cujo crédito foi aprovado em janeiro do ano passado, mas teve a contratação congelada. Segundo um profissional que assessora concessionárias de infraestrutura, o BNDES não mudou exigências de garantia - já consideradas rígidas pelo mercado -, mas passou a exigir das empresas cartas com “declaração anticorrupção”. Nessas declarações de idoneidade, a empresa atesta ao banco que desconhece envolvimento de seus negócios com ilícitos. Do ponto de vista do financiador, esse atestado seria suficiente para comprovar que não possuía informações sobre eventuais casos de corrupção quando aprovou o crédito. O BNDES passou a demandar ainda certidões e auditorias nos contratos de concessão, mas não foi definida uma cláusula padrão para os contratos dos empréstimos. Segundo o profissional, as pendências para a aprovação da maioria dos projetos estariam resolvidas com os documentos adicionais exigidos. O fato de não haver uma cláusula padrão para os contratos, por outro lado, significa que o banco analisará caso a caso, em função do envolvimento das empresas com as investigações e o tamanho de sua participação nos projetos.


O caso da Sete Brasil é extremo. A empresa, criada em 2011 para mandar construir e afretar para a Petrobrás 28 sondas para exploração do pré-sal, já vinha enfrentando problemas pelo caixa da Petrobrás. O quadro piorou desde que o ex-diretor da companhia e ex-gerente executivo da Petrobrás, Pedro Barusco, aceitou uma delação premiada. A liberação do crédito é questão de sobrevivência. Outro caso emblemático é o da concessão da BR-153, entre Goiás e Tocantins, vencida em leilão pelo Grupo Galvão em maio passado. O pedido de financiamento, de R$ 2,66 bilhões, está no BNDES, mas ainda não saiu o empréstimo-ponte, crédito de curto prazo que, como é praxe nesse tipo de operação, é liberado na frente, enquanto o empréstimo total é analisado. A Galvão Engenharia, construtora do grupo, tem um diretor entre os presos na Lava Jato. Em carta enviada no início de fevereiro para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a concessionária Galvão BR-153, controlada do grupo, alerta que, caso o empréstimo-ponte não seja liberado até a próxima semana, será obrigada a interromper as obras e demitir operários. A carta alega que toda a documentação exigida foi entregue e que a concessionária não tem envolvimento com a Lava Jato - mas, ainda assim, o empréstimo não sai. O Grupo Galvão informou que “aguarda liberação de linhas de crédito previstas em edital para dar sequência aos serviços”.

Líderes do movimento dizem que caminhoneiros vão trocar os bloqueios por paralisação

Com o aumento da fiscalização por parte da Polícia Rodoviária Federal e a aplicação de multas, os líderes do movimento de caminhoneiros nas estradas brasileiras dizem que agora vão diminuir os bloqueios e optar pela paralisação, vão cruzar os braços e não realizar entregas. Quatro líderes que atuaram nas manifestações nas estradas disseram que a mobilização continua, apesar da queda de bloqueios no final de semana. Apesar da nova estratégia, eles dizem que as interdições vão continuar, mesmo com a aplicação de multas que chegam a R$ 10 mil por hora parada nas estradas. Os protestos dos caminhoneiros contra o aumento do diesel e pela alta do valor do frete completaram neste domingo 11 dias, mas perdeu a força que teve na semana passada. No auge das manifestações, na quarta-feira (25), a categoria bloqueou 129 trechos em 14 Estados - incluindo São Paulo. Na noite de domingo, eram 13 interdições em três Estados. "Nós vamos esperar a resposta do governo em casa", afirmou Tobias Brombilla, diretor da Associação dos Caminhoneiros de Rodeio Bonito (RS), sobre as reivindicações da categoria. Outro líder, Thales Schuller, de Seberi (RS), afirma que a diminuição dos protestos no fim de semana foi resultado do medo das multas. Os caminhoneiros criticam a falta de transparência do governo para a reunião que está marcada para o dia 10 de março. "Sem a discussão da tabela do frete não há conversa, e dia 10 está muito longe", disse o caminhoneiro Odi Antônio Zani, de Palmeira das Missões (RS), citando a próxima reunião entre a categoria e o governo. Zani que os sindicatos que participaram da reunião com o governo na última quarta-feira (25) não respondem pelos caminhoneiros: "Os líderes sindicais não sabem nem trocar um pneu de caminhão, não conhecem a realidade do nosso dia-a-dia para negociar com o governo". Outra liderança, Carlos Litti, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Ijuí (RS), disse que um comboio de caminhoneiros se dirige a Brasília para cobrar agilidade do governo. Já os líderes sindicais se colocaram contra a continuação dos bloqueios e deram um voto de confiança ao governo. É a pelegada petista. O pelêgo Paulo Estausia, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL), disse que "agora é hora de fazer um recuo" e que o próximo passo é continuar a negociar com o governo. Outro pelêgo, Afrânio Kieling, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Rio Grande do Sul, afirmou que as empresas fizeram horas extras no fim de semana para conseguir realizar as entregas. Para ele, ainda há, no entanto, "pequenas resistências".

Dilma prevarica, e governo articula anistia a empresas, diz advogado Modesto Carvalhosa



O governo articula uma "anistia ampla, geral e irrestrita" para as empreiteiras na Operação Lava Jato, que investiga desvios de recursos em contratos da Petrobras. O diagnóstico é de Modesto Carvalhosa, 82 anos, advogado especialista em direito econômico e mercado de capitais, que há mais de 20 anos estuda a corrupção sistêmica na administração pública brasileira. Ao se negar a aplicar a Lei Anticorrupção, a presidente Dilma Rousseff comete crime de responsabilidade, com o propósito de proteger as empreiteiras, afirma Modesto Carvalhosa. "Ela infringiu frontalmente o Estado de Direito ao se negar a aplicar a Lei Anticorrupção porque quer proteger as empreiteiras", afirma. Com a falta de punição, prevê que as empreiteiras continuarão perdendo ativos, sofrerão multas no Exterior e deverão ser declaradas inidôneas pelo Banco Mundial.
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Folha - Como inibir a corrupção das empreiteiras?
Modesto Carvalhosa - Com a implantação da "performance bond". É um seguro que garante a execução da obra no preço justo, no prazo e na qualidade contratados. Elimina a interlocução entre as empreiteiras e o governo.
Quem determinaria essa exigência na Petrobras?
O regulamento da Petrobras já prevê essa possibilidade, não há necessidade de mudar a legislação. Isso poderia ter sido feito há muito tempo, ela já faz essa exigência para algumas fornecedoras. Mas não faz com as empreiteiras que corrompem.
O seguro de performance impediria os aditivos que perpetuam os superfaturamentos?
Impediria. Os empreiteiros não entregam a obra nunca, vão "mamando". Os recursos públicos "saem pelo ladrão".
Por que a Lei Anticorrupção não foi aplicada na Lava Jato?
Porque a presidente da República, Dilma Rousseff, já declarou que não vai processar as empresas, só as pessoas. Cabe ao Executivo aplicar a Lei Anticorrupção.
Ela está prevaricando?
Está incidindo em crime de responsabilidade no viés de prevaricação. Ela infringiu frontalmente o Estado de Direito ao se negar a aplicar a Lei Anticorrupção porque quer proteger as empreiteiras.
Quais são as alternativas e as consequências?
A Lei Anticorrupção tem o lado punitivo, mas tem o lado que pode beneficiar as empresas. Se fossem processadas e condenadas a pagar uma multa, estariam livres de outras punições. Pagariam a multa e poderiam voltar a ter crédito. Como bancos que pagaram multas em vários países e continuam operando.
Mesmo com altos executivos presos, qual a capacidade de pressão das empreiteiras?
Pelo subsídio que deram formal e informalmente para os políticos na eleição presidencial –eleitos ou não – têm o poder ilegítimo de exigir, agora, a recíproca para se livrarem da punição.
E como as empreiteiras sobrevivem economicamente?
Na medida em que não são processadas pela Lei Anticorrupção, estão se suicidando, ficam sangrando. Algumas estão vendendo ativos, outras pedindo recuperação judicial, despedindo empregados. Os advogados precisariam instruir melhor, ficam forçando o ministro da Justiça (José Eduardo Cardozo) a impedir a aplicação da Lei Anticorrupção...
Como o senhor vê encontros de advogados com o ministro da Justiça fora da agenda?
O ministro da Justiça tem a obrigação e o dever de receber os advogados. O que ficou configurado nessas visitas secretas é a advocacia administrativa. Ou seja, aproveitar o poder dele para influenciar membros do governo em benefício de terceiros. Não é o exercício da advocacia. É o exercício da advocacia administrativa mesmo.
Qual é o poder do ministro da Justiça?
Ele é um veículo. Trata de assuntos da Polícia Federal, da parte jurídica com a Presidência República, com a Advocacia-Geral da União e com o Tribunal de Contas da União. Há uma tentativa de influenciar, para não se instaurar o processo. É para fazer um acordo de leniência fora da Lei Anticorrupção.
Que órgãos se alinham nessa articulação?
O TCU emitiu o parecer de número 87, em fevereiro, avocando-se o direito de promover acordo de leniência, junto com a AGU, fora da Lei Anticorrupção. O movimento da advocacia administrativa, envolvendo ministro da Justiça, AGU, Controladoria-Geral da União e TCU, é no sentido de criar uma anistia ampla, geral e irrestrita. Não querem aplicar a Lei Anticorrupção.
Qual é a solução que querem?
Fazer um acordo de leniência para todas as empresas do consórcio fora da Lei Anticorrupção. Se houver esse tipo de anistia, o Ministério Público vai pintar e bordar. Vai entrar no Superior Tribunal de Justiça, no Supremo Tribunal Federal, para anular. É fora da lei, porque abrange todo mundo. Segundo o artigo 16, o acordo de leniência é só para o primeiro delator.
Como a AGU está atuando?
A AGU está agindo no sentido de se alinhar para fazer o acordo de leniência com todas as empreiteiras e fornecedores. Esse movimento de anistia abrange a CPI da Petrobras, que é mais um ato patético do Congresso. O relator também está na linha de anistiar as empreiteiras. É um movimento geral no PT, no governo. Todos estão a serviço da vontade da presidente.
Como o sr. vê a atuação do Procurador-geral da República, Rodrigo Janot?
Muito boa. Ele tem visão profunda da questão. Foi aos Estados Unidos, para falar com o Banco Mundial, que é quem vai declarar a inidoneidade das empreiteiras, ao Departamento de Justiça, à SEC (Securities and Exchange Comission, corresponde à Comissão de Valores Mobiliários no Brasil), ao FBI. É absolutamente contrário ao movimento de anistia. Ele tem a dimensão internacional do problema. Como cidadão, dou nota dez.
Como o sr. avalia a informação de que ele pediria a abertura de inquéritos contra políticos, em vez de oferecer denúncia?
É uma prudência processual boa, para evitar nulidades e instaurar o devido processo legal, com a produção e a contestação das provas.
Na mesma linha do juiz federal Sergio Moro, que procura evitar nulidades...
O juiz, apesar de jovem, também é um homem extremamente prudente.
Quais são as medidas que poderão vir do Exterior?
As medidas que vêm de fora são arrasadoras, as empreiteiras vão receber pesadas multas. Após condenadas, terão os bens e os créditos sequestrados e impedidas de obter financiamento no Exterior. A resistência é suicida. Elas vão ser declaradas inidôneas pelo Banco Mundial. Elas não têm a visão da absoluta imprudência que estão cometendo, ao evitarem ser processadas no Brasil pela Lei Anticorrupção, que é uma de efeitos extraterritoriais.
Como uma punição interna pode evitar a sanção externa?
Não se pode condenar duas vezes pelo mesmo crime. Se a empresa é condenada aqui pela Lei Anticorrupção, ela não deve ter a mesma punição lá fora. Os tratados que o Brasil assinou são reproduzidos na Lei Anticorrupção.
O que a demora pode fazer?
Existe um mercado internacional de compra de ativos de empresas corruptas. Já estão comprando ativos de empreiteiras brasileiras. E, assim, elas vão sangrando, porque não querem ficar purgadas pela Lei Anticorrupção. Vão todas para o beleléu.