sábado, 14 de março de 2015

O TERRORISMO DO IRÃ NA VENEZUELA E NA ARGENTINA - Chavistas confirmam conspiração denunciada por Nisman, Irã corrompeu a campanha da peronista populista Cristina Kirchner, em troca de segredos nucleares e impunidade no atentado à AMIA


Há dois meses os argentinos se perguntam o que se passou em 18 de janeiro, dia em que o procurador federal Alberto Nisman foi encontrado morto no banheiro de seu apartamento em Buenos Aires. Apenas quatro dias antes, ele havia apresentado à Justiça uma denúncia contra a presidente Cristina Kirchner e outras quatro pessoas acusadas por ele de acobertar a participação do Irã no atentado terrorista que resultou em 85 mortos e 300 feridos na sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em 1994. No documento, Nisman explica que, além da assinatura de um Memorando de Entendimento que permitiria ao Irã interferir na investigação do caso, a república islâmica queria que a Argentina tirasse cinco iranianos e um libanês da lista de procurados da Interpol. O governo argentino tentou de todas as maneiras desqualificar o seu trabalho. Há três semanas, um juiz recusou formalmente a denúncia feita por Nisman, que havia sido reapresentada por um novo procurador. Sem se preocupar em esconder seu alinhamento político com o governo, o juiz aproveitou o despacho em que recusa a denúncia de Nisman para elogiar a presidente e sua administração. Tudo indicava que o crime do qual Cristina Kirchner e outros membros de seu governo foram acusados por Nisman se tornaria mais um dos tantos episódios misteriosos da história recente da Argentina. Um acordo entre países, porém, ainda que feito nas sombras, deixa rastros. Desde 2012, doze altos funcionários do governo chavista buscaram asilo nos Estados Unidos, onde estão colaborando com as autoridades em investigações sobre a participação do governo de Caracas no tráfico internacional de drogas e no apoio ao terrorismo. VEJA conversou, em separado, com três dos doze chavistas exilados nos Estados Unidos. Para evitar retaliações a seus parentes na Venezuela, eles pediram que sua identidade não fosse revelada nesta reportagem. Todos fizeram parte do gabinete de Chávez. Depois da morte do coronel, em 2013, compartilharam o poder com Maduro, com quem romperam depois de alguns meses. Os ex-integrantes da cúpula do governo bolivariano contam que estavam presentes quando os governantes do Irã e da Venezuela discutiram, em Caracas, o acordo que o procurador Nisman denunciou em Buenos Aires. Segundo eles, os representantes do governo argentino receberam grandes quantidades de dólares em espécie. Em troca do dinheiro, dizem os chavistas dissidentes, o Irã pediu que a autoria do atentado fosse acobertada. Os argentinos deviam também compartilhar com os iranianos sua longa experiência em reatores nucleares de água pesada, um sistema antiquado, caro e complexo, mas que permite a obtenção de plutônio a partir do urânio natural. Esse atalho é de grande proveito para um país interessado em construir bombas atômicas sem a necessidade de enriquecer o urânio e, assim, chamar a atenção das autoridades internacionais de vigilância. Na manhã de 13 de janeiro de 2007, um sábado, contam os chavistas, o então presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, desembarcou na capital da Venezuela para sua segunda visita ao país. Cumpridos os ritos protocolares, Chávez recebeu Ahmadinejad para uma reunião no Palácio de Miraflores, acompanhada apenas pelos guarda-costas de ambos, pelo intérprete e por membros do primeiro escalão do governo venezuelano. O encontro aconteceu por volta do meio-dia, pouco antes do almoço. A conversa durou cerca de quinze minutos. Falaram sobre os acordos bilaterais, os investimentos no setor de petróleo e o intercâmbio de estudantes. Foi então que Ahmadinejad disse a Chávez que precisava de um favor. Um militar que testemunhou a reunião relatou a VEJA o diálogo que se seguiu: 
Ahmadinejad - É um assunto de vida ou morte. Preciso que intermedeie junto à Argentina uma ajuda para o programa nuclear de meu país. Precisamos que a Argentina compartilhe conosco a tecnologia nuclear. Sem a colaboração do país, será impossível avançar em nosso programa.
Chávez - Muito rapidamente. Farei isso, companheiro.
Ahmadinejad - Não se preocupe com os custos envolvidos nessa operação. O Irã respaldará com todo o dinheiro necessário para convencer os argentinos. Tem outra questão. Preciso que você desmotive a Argentina a continuar insistindo com a Interpol para que prenda autoridades de meu país.
Chávez - Eu me encarregarei pessoalmente disso.
Os presidentes se levantaram e foram almoçar. Depois disso, voltaram para uma nova reunião. Desta vez, apenas com a presença do intérprete iraniano. Os chavistas asilados em Washington disseram a VEJA ter tido participação direta nas providências tomadas por Chávez para atender ao pedido de Ahmadinejad. Os dois governantes viram na compra de títulos da dívida argentina pela Venezuela, que já vinha ocorrendo desde 2005, uma oportunidade para atrair a Argentina para um acordo. Em 2007, o Tesouro venezuelano comprou 1,8 bilhão de dólares em títulos da dívida argentina. No fim de 2008, a Venezuela estava de posse de 6 bilhões de dólares em papéis da dívida soberana argentina. Para a Argentina o negócio foi formidável, dado que a permanente ameaça de moratória espantava os investidores. Os Kirchner, Néstor e Cristina, fizeram diversos agradecimentos públicos a Chávez pela operação financeira. Menos refinada e mais problemática foi a transferência direta de dinheiro de Caracas para Buenos Aires. Em agosto de 2007, Guido Antonini Wilson, um empresário venezuelano radicado nos Estados Unidos, foi flagrado pela aduana argentina tentando entrar no país com uma maleta com 800 000 dólares. Ele afirmou, depois, que o dinheiro se destinava à campanha de Cristina Kirchner, que dois meses depois viria a ser eleita presidente da Argentina, sucedendo a seu marido, Néstor. Coincidentemente, Chávez tinha uma visita oficial à capital argentina agendada para dois dias depois da prisão de Antonini. Um dos ex-integrantes do governo chavista ouvidos por VEJA estava com Chávez quando ele foi avisado da prisão por Rafael Ramírez, então presidente da PDVSA, a estatal de petróleo, e hoje embaixador da Venezuela na ONU. Chávez reagiu com um palavrão e perguntou quem tinha sido o "idiota" que coordenou a operação. "A verba era originária do Irã para a campanha de Cristina Kirchner", diz a testemunha da cena. Ele completa: "Não posso afirmar que ela sabia que o dinheiro era iraniano, mas é certo que tinha consciência de que vinha de uma fonte clandestina". Antonini foi solto em seguida e, de volta aos Estados Unidos, procurou o FBI, a polícia federal americana, para explicar-se sobre o episódio da mala. O serviço de inteligência chavista tentou dissuadir Antonini de sua intenção. A operação está descrita no livro "Chavistas en el Imperio", do jornalista cubano­-americano Casto Ocando, com base nos autos do FBI sobre Antonini. Segundo Ocando, os agentes de Henry Rangel Silva, chefe do serviço de inteligência, ofereceram advogados a Antonini e, após a recusa, ameaçaram o empresário e seu filho de morte. As conversas com os advogados pagos pelos venezuelanos foram gravadas pelo FBI. Em uma delas, do dia 7 de setembro de 2007, eles dizem que Caracas estava disposta a pagar 2 milhões de dólares pelo silêncio de Antonini. Os espiões foram presos e acusados de conspiração. Em seu livro, Ocando acerta ao concluir que Chávez estava disposto a tudo para encobrir a origem do dinheiro, inclusive assumir a culpa pela remessa, atribuindo-a à PDVSA. O que Ocando não sabia, e agora se sabe, é que os recursos vinham do Irã. O dinheiro fazia escala na Venezuela da mesma forma que era enviado à Argentina: em malas. Na reunião em que Ahmadinejad pediu a Chávez que atraísse a Argentina para um acordo, os dois presidentes também decidiram criar um vôo na rota Caracas, Damasco e Teerã, que depois veio a ser apelidado pela cúpula chavista de "aeroterror". Entre março de 2007 e setembro de 2010, um Airbus A340 fazia esse percurso duas vezes por mês. Segundo os chavistas ouvidos por VEJA, quando partia de Caracas, a aeronave ia carregada de cocaína. Também eram transportados documentos e equipamentos, sobre os quais os ex-funcionários chavistas não conhecem detalhes. A droga era descarregada na capital da Síria, de onde era redistribuída pelo Hezbollah, um grupo terrorista do Líbano. Desde 2012, quando os primeiros chavistas começaram a se exilar nos Estados Unidos, as autoridades americanas sabem que o narcotráfico suplantou o Irã como principal fonte de financiamento do Hezbollah. Na volta, o Airbus trazia dinheiro vivo e terroristas procurados internacionalmente. Um dos principais operadores dos vôos Caracas-Teerã era o ministro do Interior da Venezuela, Tareck El Aissami, hoje governador do Estado de Aragua. A Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) colheu diversos depoimentos que apontam o político como o elo entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Hezbollah. El Aissami tinha como preposto o libanês Ghazi Nasr al-Din, então adido comercial da Embaixada da Venezuela em Damasco. Al-Din, que no fim de janeiro entrou na lista dos mais procurados do FBI, tinha como missão produzir e distribuir passaportes venezuelanos para ocultar a verdadeira identidade dos terroristas que viajavam pelo mundo. Entre os acobertados por ele está o clérigo Mohsen Rabbani, citado por Nisman como executor do atentado à Amia. Foi usando um passaporte concedido por Al-Din que Rabbani visitou secretamente o Brasil pelo menos três vezes. Mesmo com o fim do "aeroterror", em 2010, a Venezuela continuou fornecendo documentos para acobertar terroristas. Segundo um dos chavistas exilados, em maio de 2013, o governo de Caracas dava guarida a pelo menos 35 integrantes do grupo Hezbollah. Os chavistas entrevistados para esta reportagem não sabem se os iranianos foram bem-sucedidos em obter as informações sobre o programa nuclear argentino que Ahmadinejad tanto queria. Apesar de eles terem pertencido ao círculo mais próximo do presidente, as discussões sobre esse tema estavam reservadas aos ministros da Defesa da Venezuela e do Irã. Do lado argentino, a interlocutora era a ministra da Defesa, Nilda Garré, atualmente embaixadora de seu país na Organização dos Estados Americanos (OEA). Garré é uma e­­x-guerrilheira montonera que se encontrou diversas vezes com Hugo Chávez, mantendo com ele uma relação estreita, que se oficializou em 2005, quando foi nomeada embaixadora da Argentina em Caracas. Segundo um dos desertores chavistas, foi Chávez quem pediu a Néstor Kirchner que indicasse Garré ao posto. Chávez e Garré tinham também uma relação pessoal íntima, que só tem interesse público por ser um dos componentes da aliança política entre os dois países. "Era algo na linha 50 Tons de Cinza", diz o ex-funcionário chavista. De acordo com ele, quando Chávez e Garré se encontravam no gabinete do líder venezuelano no Palácio de Miraflores, os sons da festa podiam ser ouvidos de longe. Depois de seis meses, Garré voltou a Buenos Aires para assumir a pasta da Defesa. Ficou no cargo até o fim de 2010. "Não posso afirmar que o governo da Argentina entregou segredos nucleares, mas sei que recebeu muito por meios legais (títulos da dívida) e ilegais (malas de dinheiro) em troca de algo bem valioso para os iranianos". Diz outro chavista exilado: "Na Argentina, a detentora desses segredos é a ex-embaixadora Garré". Existem semelhanças entre os reatores nucleares de Arak, no Irã, e de Atucha, na Argentina. Ambos foram planejados para produzir plutônio, elemento essencial para a fabricação de armas atômicas, usando apenas urânio natural. A diferença é que Arak deveria ter entrado em operação no ano passado, mas não há indícios de que isso tenha efetivamente ocorrido. O de Atucha funciona desde 1974 e gera 2,5% da energia elétrica da Argentina. A tecnologia nuclear dos argentinos também era útil para pôr em funcionamento a usina de Bushir, inconclusa desde 1979. Bushir foi inaugurada em 2011. Quem sabe a ministra Garré possa dar um quadro mais nítido do acordo Teerã-Buenos Aires costurado em Caracas.

Com a petista Dilma, a super gerentona, o poste inventado por Lula, a economia brasileira retrocede dez anos em apenas dois.... e olhem que ela é economista.... mas é daquele gênrero que faliu duas lojinhas de 1.99


"O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito. O que ele nos pode dar é sempre menos do que nos pode tirar". A frase proferida pelo economista e ex-ministro Roberto Campos, morto em 2001, remonta à década de 1970, mas não causaria estranhamento se fosse dita em 2015. O atual desenho macroeconômico do Brasil - com juros a 12,75%, inflação acima de 7% e dólar a 3,24 reais - mostra os efeitos danosos de uma política de governo intervencionista executada pela presidente petista Dilma Rousseff desde 2011 e que, agora, cobra seu preço. E olhem que ela é economista, do gênero que leva à falência duas lojinhas de 1,99 e é a supergerentona de Lula, o poste que ele escolheu para sucedê-lo. Diante dos ajustes necessários para que o País não sucumba a uma crise mais aguda, as medidas de subsídios, desonerações e estímulos têm sido desarmadas. Os impostos, elevados. E os brasileiros se deparam com problemas que há mais de uma década pareciam vencidos. Terão de pagar um preço altíssimo para financiar o conserto dos fundamentos econômicos que balizavam o Brasil de outros tempos, mas que foram sistematicamente rompidos. Há cerca de dois anos, o País passa por uma deterioração econômica apenas comparável à era Collor - e esse tombo fez com que uma década de avanços virasse pó. Para essa situação contribuiu decisivamente a atuação amplamente desastrosa do Mandrake da economia no primeiro governo da petista Dilma, o trotskista gaúcho Arno Augustin. Na tentativa de manter, a todo custo, o crescimento vigoroso registrado em 2010, quando o Produto Interno Bruto (PIB) do País avançou 7,5%, o governo Dilma empreendeu uma mudança drástica de filosofia. Se o lulismo pregava uma política econômica ainda com viés desenvolvimentista, porém, com algum pragmatismo, a sucessora, no intuito de "deixar sua marca", resolveu trocar a orquestra e a música. Numa espécie de anexação do Banco Central e do Ministério da Fazenda como secretarias do Palácio do Planalto, a presidente interferiu no câmbio, na taxa de juros e ofereceu subsídios à indústria nacional com o intuito de reduzir a dependência das importações. "Houve um afastamento paulatino dos instrumentos que compõem o tripé de política econômica, o qual garantiu a consolidação da estabilidade da economia conseguida com o Plano Real, além de intervenções na formação de preços em alguns mercados (energia elétrica e combustíveis), com efeitos importantes sobre a economia", afirma Gesner Oliveira, da GO Associados.


A sinalização da presidente frustrou observadores econômicos e os donos do dinheiro. Contudo, como o Brasil ainda era a bola da vez em 2011, a frustração demorou pelo menos dois anos para se transformar num sentimento generalizado. Com isso, a partir de 2013, o país assistiu a uma piora progressiva de seus indicadores econômicos - tanto aqueles que reproduzem a economia real quanto os que capturam expectativas futuras. De lá pra cá, as consequências se tornaram visíveis na indústria, no investimento, no mercado de trabalho, e, em última instância, na renda dos brasileiros, que é corroída pela inflação e juros mais altos. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, está atualmente em 7,70% em 12 meses até fevereiro, o maior nível desde maio de 2005, quando atingiu 8,05%. Já a Selic está em 12,75%, o maior patamar desde janeiro de 2008. Um número exemplar do retrocesso é o consumo das famílias brasileiras, mensurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e que responde por 60% do Produto Interno Bruto (PIB). Tal indicador tem sido o catalisador do crescimento há pelo menos dez anos, mas deve começar a ruir em 2015. A previsão da Tendências Consultoria é de um recuo de 0,1% - o primeiro desempenho negativo desde 2003, quando caiu 0,8%. Do lado produtivo, a indústria também não tem nada a comemorar - e não é de hoje. O setor acumula queda de 3,15% em 12 meses até janeiro, o resultado negativo mais intenso desde janeiro de 2010 (- 4,8%). E mesmo o dólar a 3,24 reais não deve resolver os problemas do setor. Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos da Fiesp, lembra que "a mesma mão que afaga, estapeia". Traduzindo: a moeda mais cara beneficia quem exporta, mas penaliza quem depende de insumos importados. Empresas que têm dívidas cotadas em moeda americana também podem ser pegas desprevenidas. De qualquer forma, a atual cotação confere algum alívio. "Se não fosse isso, a indústria doméstica não teria chance. De qualquer forma, o ano de 2015 já está desenhado como ruim", diz. O retrocesso não ocorre apenas do ponto de vista macroeconômico. O economista Alexandre Schwartsman pondera que o que mais preocupa é a piora significativa observada no ambiente de negócios. "Temos um intervencionismo crescente, a paralisação de uma agenda importante que tínhamos avançado. De forma geral, temos um retrocesso claríssimo em diversas dimensões." Ele critica a errática agenda microeconômica adotada desde 2011, que privilegia determinados setores e empresas, e diz que, em relação à macroeconomia, ainda falta uma liderança por parte da presidente. "Dilma terceiriza o que é que mais importante. Colocou Levy na linha de frente e se escondeu atrás dele", diz, referindo-se à condução do ajuste fiscal que foi colocado em prática este ano no intuito de reverter os problemas. Uma das consequências mais preocupantes é o rebaixamento da nota de crédito do Brasil. A situação do País está sendo olhada com lupa por agências de classificação de risco, como Standard & Poor's e Fitch.

Neste cenário nebuloso, aumentou o "risco-Brasil", indicador que aponta, em linhas gerais, a percepção dos investidores em relação à capacidade do País de honrar suas dívidas. Segundo o Embi+Br, calculado pelo banco JP Morgan, o "risco-Brasil" estava em 338 pontos na última sexta-feira, o maior patamar desde maio de 2009, auge da crise financeira internacional. "Vale lembrar que a tendência é de alta, considerando o agravamento das crises político e econômica, incluindo os escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras. Tudo isso deixa o mercado muito mais temeroso", afirma Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria. Para o economista Otto Nogami, do Insper, a principal diferença entre a conjuntura atual e a dos anos 2000 é o sentimento dos agentes do mercado. Se, naquela década, a sensação era de que as coisas poderiam melhorar, o que se apresenta agora é um cenário de constante deterioração. "No início da década passada, ainda vivíamos um processo de recuperação, após a implementação do Plano Real. Tivemos uma melhoria do ambiente externo, uma busca por equilíbrio macroeconômico interno, que marcaram os dois governos do presidente Lula", lembrou Nogami. A conjuntura atual, no entanto, espelha visão oposta. Em diversos setores, índices de confiança atingem mínimas históricas, de acordo com sondagens elaboradas pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). Na indústria, por exemplo, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) atingiu em fevereiro o menor patamar desde abril de 2009. Há uma tentativa incisiva do governo, capitaneada pelo ministro Levy, de reverter a situação. Não porque a presidente acredite que tenha feito algo errado. Prova disso é que dias atrás, diante de uma crítica feita por Levy a políticas passadas, o governo rebateu como represália, classificando a crítica como "infeliz". As medidas que o ministro briga para implementar atingem em cheio o bolso do trabalhador, em especial aquelas que reduzem benefícios trabalhistas. São duras, mas necessárias. O povo brada reparação, pois se sente enganado pelas promessas de manutenção das políticas feitas durante as eleições. O petrolão acrescenta pólvora à indignação. E a presidente, até o momento, parece fechar os olhos ao problema. (com Veja)

Marta Suplicy chega de surpresa em evento em São Paulo e constrange petistas




Em processo de separação do PT e aproximação com o PSB, partido que deve lançá-la como candidata à prefeitura em 2016, a senadora Marta Suplicy (PT) apareceu de surpresa neste sábado em um evento com vereadores e moradores de São Miguel Paulista, na zona leste da capital paulista. A presença dela no programa "Câmara no seu bairro" constrangeu os petistas presentes, entre eles Antônio Donato, presidente da Câmara Municipal e ex-secretário das subprefeituras de Marta, e Alexandre Padilha, secretário de Relações Institucionais da Prefeitura de São Paulo. A senadora, que foi a sensação do evento, aproveitou a ocasião para distribuir críticas ao prefeito Fernando Haddad (PT) e à gestão da presidente Dilma Rousseff (PT), diante de moradores e lideranças locais que disputavam a chance de tirar uma foto ao lado da visitante ilustre. "O tipo de gestão do Haddad aumenta a responsabilidade do vereador. Se o prefeito não sai (para percorrer os bairros), o vereador tem que sair", afirmou. Coube ao secretário Alexandre Padilha, candidato derrotado do PT ao governo paulista no ano passado, a tarefa de rebatê-la. "Na semana que vem começa o programa 'Prefeitura na Rua''", afirmou. A socialite Marta Suplicy também reiterou as críticas que vem fazendo de forma sistemática ao governo federal. "Esse governo é muito ineficiente e pouco coordenado", disparou. Quando questionada por moradores se voltaria a disputar uma vaga na Prefeitura, Marta apenas sorriu e assentiu com a cabeça. Ao ver a senadora chegar ao evento cercada de pessoas, o vereador petista Alfredo Alves Cavalcante, o Alfredinho, desabafou. "Espero que ela fique no PT. Não queremos disputar com ela". Ela está em escancarada campanha à prefeitura de São Paulo, no próximo ano, pelo PSB, e todos os petistas sabem disso. Mas, a socialite Marta Suplicy, em seu caminho, terá muito a explicar de suas ligações com o lixo. 

Bairros do Rio de Janeiro têm lixo acumulado no segundo dia da greve ilegal de garis


No segundo dia de greve dos garis do Rio de Janeiro, todos funcionários públicos (são 22 mil servidores municipais) a cidade amanheceu com lixo espalhado pelas ruas. Os profissionais de limpeza mantêm a paralisação, iniciada à 0h de sexta-feira. A Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio (Comlurb) informa que houve acúmulo de sujeira neste sábado em alguns bairros da Zona Norte e do centro da cidade. Um plano de contingenciamento foi colocado em prática para tentar minimizar os transtornos causados à população. A determinação legal de que ao menos 75% dos garis voltem ao trabalho não está sendo respeitada, segundo a Comlurb. O sindicato da categoria reconhece que a adesão à greve no primeiro dia do movimento foi praticamente total, mas que a orientação aos trabalhadores já no fim do dia foi que retornassem a seus postos para respeitar à ordem judicial. A pena prevista ao sindicato em caso de descumprimento é de pagamento de multa diária de 100 mil reais. "Hoje (sábado) está havendo limpeza em vários bairros da cidade. Estamos orientando rigorosamente os trabalhadores que não impeçam quem queira voltar ao trabalho e que temos que cumprir a determinação da justiça. Estamos agora é reforçando a conscientização sobre o movimento", declarou Antonio Carlos da Silva, vice-presidente do Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Município do Rio de Janeiro. Os grevistas fizeram um ato na manhã deste sábado em frente à prefeitura do Rio, que teve a adesão de cerca de 350 pessoas, segundo estimativas dos organizadores. A categoria reivindica um reajuste salarial de 40% e aumento no auxílio refeição de 20 reais para 27 reais. A Comlurb ofereceu como contraproposta um aumento de 7,7% tanto no salário quanto no tíquete refeição, mas não houve acordo entre as partes. O Tribunal Regional do Trabalho marcou uma reunião de conciliação entre a Comlurb e os garis para a próxima quarta-feira. No entanto, de acordo com a companhia, ainda não há previsão de nova rodada de negociações com os grevistas. Essa é uma greve selvagem. A prefeitura do Rio de Janeiro tem 22 mil funcionários para os serviços de limpeza da cidade. É muita gente, é gente em total demasia. Chegou a hora de a prefeitura do Rio de Janeiro passar a pensar em privatização dos serviços de limpeza da cidade. Só o que economizará em custos previdenciários já recomenda largamente essa providência. Os serviços de coleta de lixo são essenciais para a manutenção da saúde pública, não podem ser ameaçados por um corporativismo público dessa forma.  

Com chuvas, nível do Cantareira sobe para 14,5%


O volume de chuvas registrado na sexta-feira em São Paulo contribuiu para elevar neste sábado o nível das reservas de água no Sistema Cantareira, informou um boletim da Sabesp. O Sistema Cantareira abastece 5,6 milhões de pessoas na Grande São Paulo. De acordo com o boletim, o nível de água nas represas que compõem o Sistema Cantareira ultrapassou em 0,2 porcentual os 14,3% de sua capacidade registrada na sexta-feira. A Sabesp reforça, no entanto, que a situação continua crítica porque mesmo com as chuvas dos últimos dias as represas recuperaram apenas uma das cotas do volume morto. Pelos cálculos da Sabesp, na sexta-feira choveu 6,4 milímetros, elevando para 138,6 milímetros de chuvas no acumulado do mês de março. Os demais sistemas de abastecimento de água para a Grande São Paulo também tiveram seu nível de reservas elevados de sexta para sábado. O Alto Tietê subiu de 20,6% para 21%. No Guarapiranga, o volume subiu de 72,8% para 73,8%. O Alto Cotia, passou de 53,6% para 54,2%; o Rio Grande, de 95,1% para 96,1%; e o RioClaro, de 40% para 40,2%.

PPS recorre ao Supremo para que decisão de Janot e Zavascki seja revista e Dilma possa ser investigada. Jurisprudência do tribunal garante essa possibilidade, ao contrário do que se diz por aí. Ou: Coragem, Janot! Coragem, Zavascki! Coragem, Supremo!


Atenção, leitor, o tema pede que se preste atenção a algumas minudências jurídicas. Mas é importante o bastante para que nos dediquemos a ele. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidiu, como vocês sabem, NÃO PEDIR abertura de inquérito sobre a atuação da presidente Dilma Rousseff, com o que concordou o ministro do Supremo Teori Zavascki, relator do caso do Petrolão no tribunal. O ministro, aliás, foi até um pouco mais entusiasmado do que o procurador-geral. Escreveu ele (em vermelho): “Dessa narrativa fática, constata-se que o procedimento foi instaurado exclusivamente em relação a Antonio Palocci Filho, porquanto, em relação a “referência a envolvimento indireto” (fl. 68) da campanha da Presidente da República, o próprio Procurador-Geral da República já adiantava excluir, dos elementos à vista, conclusão que conduzisse a procedimento voltado à Chefe do Poder Executivo. Portanto, a rigor, nada há a arquivar em relação à Presidente da República. Aliás, ainda que assim não fosse, é certo que, nos termos da Constituição Federal, “o Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções” (CF, art. 86, § 4º). [...]”

Notei, desde o princípio, que há algo de estranho nessa decisão de Janot e Zavscki. Parte-se do princípio de que as questões que dizem respeito a Dilma nesse imbróglio se esgotam em 2010, quando ela ainda não era presidente. Mas não é disso que vou tratar agora. O PPS, por intermédio do deputado Raul Jungmann (PE), deu entrada no STF com um Agravo Regimental, ANCORADO EM SÓLIDA JURISPRUDÊNCIA, sustentando que A PRESIDENTE PODE, SIM, SER INVESTIGADA, na vigência de seu mandato, mesmo por atos anteriores à sua chegada à Presidência. ELA NÃO PODE É SER PROCESSADA POR ISSO (Íntegra do agravo aqui).

O que é um “Agravo Regimental”? É um pedido para que a corte reveja a sua própria decisão. Se for aceito como instrumento válido, o plenário do Supremo terá de se manifestar a respeito. Ocorre que Zavascki, ou a segunda turma, pode alegar, que o partido não é parte legítima para fazer essa solicitação. No Artigo 317 do Regimento Interno do Supremo está escrito:

“Ressalvadas as exceções previstas neste Regimento, caberá agravo regimental, no prazo de cinco dias de decisão do Presidente do Tribunal, de Presidente de Turma ou do Relator, que causar prejuízo ao direito da parte”

O PPS sustenta que é, sim, parte legítima, mas faz um segundo pedido caso o agravo não seja acolhido: que a questão seja examinada pelo pleno do Supremo como “questão de ordem”. Especifica o Artigo 21 do Regimento Interno da Corte:

Art. 21. São atribuições do Relator:
III – submeter ao Plenário, à Turma, ou aos Presidentes, conforme a competência, questões de ordem para o bom andamento dos processos;

E, aí, todos os ministros têm de se manifestar. A questão é pertinente, sim. Afirma Jungmann: “Investigar pode. O que não pode é processar. E é dever do Ministério Público investigar a presidente da República nesse caso de repercussão nacional. Dilma é citada 11 vezes na investigação da Operação Lava Jato, e é preciso que se apure isso, Até porque as denúncias remetem para o abastecimento de sua campanha com dinheiro desviado da Petrobras”.

Mas pode ou não pode?

Vamos ver o que disse o ministro Celso de Mello no Inquérito nº 672/6:

[...] De outro lado, impõe-se advertir que, mesmo na esfera penal, a imunidade constitucional em questão (aquela do Presidente da República) somente incide sobre os atos inerentes à persecutio criminis in judicio. Não impede, portanto, que, por iniciativa do Ministério Público, sejam ordenadas e praticadas, na fase pré-processual do procedimento investigatório,diligências de caráter instrutório destinadas a ensejar a informatio delicti e a viabilizar, no momento constitucionalmente oportuno, o ajuizamento da ação penal”

Não há, pois, nenhuma invenção. Cuida-se aqui da jurisprudência da Corte. Ora, até para que se saiba se Dilma será ou não processada depois que terminar o seu mandato, é preciso que se investigue, não é mesmo? A abertura de inquérito é, por isso, uma fase pré-processual.

Ora, se a ação de Dilma não for investigada, dada a acusação de que Antonio Palocci pediu R$ 2 milhões ao esquema corrupto da Petrobras para financiar a sua campanha, como saber se ela esteve pessoalmente envolvida na operação ou não? Como saber se práticas como aquela não se repetiram? Ricardo Pessoa, o dono da UTC, não custa lembrar, está disposto a contar em delação premiada que doou R$ 30 milhões, pelo caixa dois, ao PT em 2014 — R$ 10 milhões teriam ido para a campanha de… Dilma! Em um de seus depoimentos, Alberto Youssef expressa a convicção de que Lula e a agora presidente sempre souberam de tudo.

No agravo, o PPS nota algo importante: o procurador-geral da República não alegou que faltam provas para abrir uma investigação sobre a ação de Dilma, tanto que “agasalha sua omissão na imunidade”. O agravo é longo. Se e quando tiverem um tempinho, vale a pena ler. A questão resta mais do que demonstrada.

Assim, meus caros, com base na jurisprudência do Supremo, ainda que os eventuais delitos de Dilma tivessem sido cometidos até 2010, quando ainda não era presidente, Janot poderia, sim, ter pedido que ela fosse investigada. A Constituição só a torna imune, enquanto for presidente, ao processo. MAS ABERTURA DE INQUÉRITO É UMA FASE PRÉ-PROCESSUAL, LEMBRAM-SE?

Vamos lá! Coragem, Janot! Coragem, Zavascki! Coragem, Supremo! Por Reinaldo Azevedo

PPS CONTESTA DECISÃO QUE DESCARTOU INVESTIGAÇÃO DE DILMA


O PPS entrou na sexta-feira (13) com recurso na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal para que a presidente Dilma Rousseff seja investigada na Operação Lava Jato. Ao contrário do entendimento do ministro Teori Zavaski, relator dos inquéritos da investigação no STF, o partido alega que há indícios contra a presidente e que Dilma pode ser investigada durante seu mandato. Na semana passada, Zavascki atendeu ao pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que Dilma não seja investigada. No documento, Janot afirmou que não há indícios contra Dilma e explicou ainda que a presidentr não pode ser investigada por fatos ocorridos anteriormente ao exercício da Presidência. Em depoimento de delação premiada, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse que recebeu pedido para o repasse de R$ 2 milhões do caixa do PP para financiar a campanha de Dilma à Presidência da República, em 2010. O pedido, segundo Costa, foi feito pelo ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, coordenador da campanha presidencial de Dilma à época. Com base nos depoimentos, Palocci será investigado pela Justiça Federal em Curitiba. Na petição, o PPS alega que o impedimento constitucional para que o presidente da República seja investigado durante a vigência do mandato não pode ser aplicado na fase pré-processual. "A norma contida no Artigo 86 da Constituição Federal não se presta a impedir que seja instaurado inquérito que objetive a apurar eventual crime cometido por presidente da República em ato alheio ao exercício de sua função, pois não se trata de ação penal, quanto menos responsabilização penal, mas sim de formação de convencimento do responsável pela acusação, fato que, por si, já autoriza a reforma da decisão", alega o partido. 

TEORI ZAVASCKI JÁ SE DECLAROU IMPEDIDO DE JULGAR DEPUTADO FEDERAL GAÚCHO JOSÉ OTÁVIO GERMANO


O ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, já se declarou impedido, em razão de relações pessoais, de julgar casos envolvendo o deputado José Otávio Germano (PP-RS). A declaração de impedimento ocorreu em junho do ano passado, na análise de um recurso envolvendo o parlamentar gaúcho num inquérito no qual era suspeito de peculato. Talvez esse impedimento derive do fato de o deputado federal gaúcho José Otávio Germano ter uma irmã que é juíza federal, atualmente lotada no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. Ou ainda por ambos serem gremistas, e terem participado juntos do Conselho do Grêmio. Agora, Germano é alvo de dois inquéritos que estão nas mãos de Zavascki. Além de ser alvo da investigação que apura a existência de organização criminosa na Petrobrás, Germano também é parte em um inquérito ao lado de Luiz Fernando Ramos Faria (PP-MG), que averigua crimes de lavagem de dinheiro e de corrupção passiva, também no âmbito da Lava Jato. Indagado se pretende se declarar suspeito novamente em relação ao deputado, o ministro disse por meio de sua assessoria de imprensa que não irá se manifestar. Também não quis responder qual é exatamente a relação entre os dois. José Otávio Germano foi procurado diversas vezes desde quinta-feira em seu gabinete, por telefone e diretamente via celular, mas não retornou as ligações nem mensagens enviadas pela reportagem. Os dois têm relações de amizade do tempo em que moraram em Porto Alegre. No dia 3 de junho do ano passado, Zavascki se declarou suspeito e não participou do julgamento de um recurso movido pelo deputado. Em 25 de abril de 2013, se absteve de deliberar sobre a abertura de ação penal para julgar suposta participação de Germano em crime de peculato, em investigação iniciada em 2009, pelo Ministério Público. Caso o ministro se declare impedido também na Lava Jato, a relatoria dos inquéritos e processos que envolverem Germano será distribuída para outro ministro. Assim, Zavascki não participará das deliberações referentes ao parlamentar. Pela lei, é uma decisão subjetiva que cabe ao ministro proferir. Mas se Zavascki não se abstiver de apreciar questões relacionadas ao deputado, qualquer uma das partes do processo pode questionar sua isenção. Se alguma das partes contestar a imparcialidade do ministro, por meio de medida chamada arguição de suspeição, o ministro arguido pode reconhecer sua suspeição. Nesse caso, o processo se encerra e ele é afastado. Se não, o processo é julgado pelo plenário. Caso o ministro relator seja declarado suspeito, seus atos são anulados e há novo sorteio para distribuição a outro relator, de acordo com o Glossário Jurídico do STF.

CAIXA ECONOMICA FEDERAL PREVÊ FORTE DESACELERAÇÃO DO CRÉDITO


A desaceleração do crédito na Caixa Econômica Federal deve ser ainda maior neste ano, como consequência da retração na economia. A área técnica do banco trabalha na revisão da projeção de crescimento dos empréstimos e financiamentos em 2015 para menos do que o intervalo de 14% a 18% previstos até agora. Apesar de ainda ter o maior ritmo de crescimento do setor, o crédito na Caixa Econômica Federal passa por brusca desaceleração: em 2014, a expansão foi de 22,4%, ritmo bem menor do que os 36,8% em 2013. Nos dois anos anteriores, o crescimento chegou a 42%. Neste ano, a expectativa é de retração da economia de 0,66%, de acordo com previsões de analistas consultados pelo Banco Central. O crédito também sofre os impactos da Operação Lava Jato, que investiga corrupção na Petrobrás. A crise paralisa os negócios em toda a cadeia do setor e emperra investimentos até em outras áreas. No banco estatal, já é certo que a retração será maior do que a prevista atualmente pelos analistas, com grande impacto nos desembolsos. Sem novos aportes do Tesouro para 2015 e 2016, a Caixa Econômica Federal não deve repetir a estratégia de 2008, quando aproveitou o vácuo deixado pelos bancos privados - que restringiram a oferta de empréstimos após a quebra do americano Lehman Brothers - para ampliar participação no mercado. A idéia do governo foi irrigar a economia usando o papel "estratégico" dos bancos oficiais em fomentar o desenvolvimento do País. Internamente, a retração da atividade econômica está sendo encarada até como "alívio" por favorecer a necessária desaceleração no ritmo de empréstimos e financiamentos enquanto não há sinal de novas capitalizações. O freio na locomotiva do crédito da Caixa Econômica Federal pode trazer como consequência perda de espaço em algumas linhas, como o consignado e o crédito imobiliário, este último carro-chefe da instituição. O ex-presidente Jorge Hereda disse na apresentação do resultado de 2014 que para alcançar 22% da fatia de mercado até 2022, objetivo do banco, é preciso manter um crescimento da carteira em torno de 17%. Sem novos aportes do Tesouro, a direção da Caixa Econômica Federal também espera que o governo cumpra a lei que libera a instituição de entregar todo o lucro ao Tesouro. O banco estatal repassou R$ 3,9 bilhões de dividendos ao governo em 2014, pouco mais da metade do lucro líquido do ano passado (R$ 7,1 bilhões). O banco conseguiu vencer a queda de braço com o Tesouro para ficar com parte dos dividendos por ter bancado o programa Minha Casa Melhor, que financia móveis e eletrodomésticos para beneficiários do Minha Casa, Minha Vida. A retenção de até 75% do lucro pela Caixa Econômica Federal foi a forma como o Tesouro cobriu o risco de crédito e operacional do programa, que tem inadimplência de 30%, bastante elevada. O Minha Casa Melhor foi suspenso não só por causa do alto número de calotes mas porque os recursos ao programa acabaram. A decisão sobre quanto em dividendos a Caixa Econômica federal pode reter, no entanto, cabe ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Como a União é dona da Caixa Econômica Federal, os lucros do banco são devolvidos ao Tesouro na forma de dividendos ou juros sobre capital próprio. Essas receitas ajudam o governo a compor o superávit primário. Na gestão do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, os dividendos das estatais foram muito importantes para aumentar o esforço fiscal do governo. Apesar disso, o governo está há três anos seguidos sem cumprir a meta.

PESQUISA APONTA QUE DILMA É REJEITADA ATÉ EM REDUTO ELEITORAL DO PT, NO NORDESTE


Levantamento da empresa francesa de pesquisa Ipsos, realizado em São Paulo, Recife e Porto Alegre, entre 9 e 11 deste mês, revela dados alarmantes para o governo: 50% da população consideram a gestão de Dilma ruim ou péssima. A avaliação negativa de Dilma supera a positiva inclusive no Nordeste, onde ela teve grande votação. A pesquisa também aferiu o engajamento aos protestos de domingo (15). O percentual de pessoas que souberam dos protestos do dia 15 disparou nos dois últimos dias da pesquisa, subiu de 70% para 82%. A ladainha de que a crise atual se deve à crise econômica internacional não cola mais para 73% dos entrevistados. Nas motivações para o protesto aparecem: Corrupção (67%), Inflação (52%) e Impeachment (32%).

Em 2015, o Real é a moeda que mais perdeu valor diante do dólar no mundo


Nem os conflitos armados na Nigéria, com os terroristas do Boko Haram dominando parte do país, fizeram a Naira perder tanto valor. Nem a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, com o acréscimo da derrocada dos preços do petróleo neste ano, fizeram o Rublo russo perder tanto valor. o real é a moeda que mais perdeu valor ante o dólar em 2015 até agora. O processo de ajuste da economia, iniciado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a crise entre Planalto e Congresso e a perspectiva de alta de juros nos Estados Unidos abriram espaço para um avanço de 22,39% do dólar ante o real no mercado à vista de câmbio internacional (Forex). É o movimento mais intenso entre 47 moedas. Na sexta-feira, o dólar disparou e fechou em R$ 3,26, a cotação mais alta desde 2 de abril de 2003, no início do governo Lula. A valorização da moeda americana foi de 3,36%, a maior alta porcentual em um dia desde 22 de setembro de 2011. Durante o dia, a moeda chegou a alcançar o pico de R$ 3,28.

Novas regras do FIES impostas por Dilma excluem os mais pobres da universidade


A exigência de nota mínima no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para quem quiser obter o Financiamento Estudantil (Fies), que valerá a partir do dia 30, vai afetar justamente o principal público do programa: os mais pobres. Os dados mais recentes da prova disponíveis, de 2012, revelam que 93% dos alunos que não atingem o novo limite de 450 pontos na média são de famílias com renda de até 5 salários mínimos. Esse é o perfil de renda que responde, por exemplo, por 86% dos contratos ativos do Fies. Estudos já mostraram que a renda familiar é um dos fatores que mais influenciam no desempenho escolar. A pedido da reportagem, os dados foram tabulados com base nos microdados do Enem pela Meritt Informação Educacional. Metade dos 5,7 milhões de pessoas que fizeram o Enem não alcançou em em 2012 o mínimo estipulado. Os gastos do governo federal com o programa passaram de R$ 1,1 bilhão, em 2010, para R$ 13,7 bilhões em 2014. Mas o ritmo de crescimento do número de alunos nas universidades privadas acabou caindo para 2,5% ao ano - metade do que foi registrado no início do governo Lula. O Ministério da Educação (MEC) tem restringido novos contratos e, nas renovações, colocou limite de reajuste de 6,4%. Mas a principal decisão anunciada oficialmente até agora foi a criação da pontuação mínima no Enem para quem quiser aderir ao Fies. Passará a valer a partir do dia 30, embora o sistema de concessão fique aberto até 30 de abril. Agora, as chances de alguém de família com renda de até 1 salário mínimo mensal não conseguir o financiamento chegam a ser 20 vezes maiores do que alguém no outro extremo das faixas de renda, cuja família ganha mais de 20 salários por mês. “O MEC conseguiu travar a demanda pelo Fies, mas o impacto não tem a mesma força sobre todos. Atinge os mais pobres”, afirma Alexandre Oliveira, da Meritt. Quanto menor a renda, maior a proporção de participantes que não atingiram a nota mínima. Entre os 2,7 milhões de candidatos com renda familiar de até 1,5 salário mínimo que fizeram o Enem em 2012, por exemplo, 63% não atingiram o critério. Na outra ponta, o porcentual é de 17% entre os candidatos com mais de 10 salários. O MEC defende a exigência como maneira de estimular os alunos a buscar melhor pontuação no Enem e aumentar a qualidade do ensino superior. A pasta ressalta que mais de 550 mil candidatos com renda familiar de até 1 salário mínimo - ou 2,6 milhões, se o limite de renda analisado for de 5 salários - atenderiam à nova regra de pontos.  Segundo a pasta, há outros programas de acesso, como o Programa Universidade para Todos (ProUni), que já concedeu mais de 1,5 milhão de bolsas nos últimos anos, além do sistema de cotas nas universidades federais. Já a Educafro, que luta pela inclusão educacional de pobres e negros, fez manifestação em Brasília por causa das mudanças. “Estamos convictos de que o governo provocou um retrocesso nas políticas de ação afirmativa alterando a regra”, disse o frei David Santos.

Cachoeira do Sul vai fazer uma super passeata contra a petista Dilma Rousseff, com quatro alas

Capa do jornal O Povo, de Cachoeira do Sul
O "15 do Impeachment" incendeia o Brasil. Ao lado, capa do jornal O Povo, de Cachoeira do Sul. Olhe a manchete do jornal. Cachoeira do Sul tem 80 mil habitantes, fica localizada a 200 quilômetros de Porto Alegre e abriga campus de três universidades: uma federal (Universidade Federal de Santa Maria), uma estadual (Universidade Estadual do Rio Grande do Sul) e uma privada (Universidade Luterana do Brasil). Neste domingo, vai todo mundo pra rua, embora o atual prefeito seja do PT. A organização" dividiu a manifestação em quatro "alas: na frente, o povo a pé; em seguida, gaúchos a cavalo; atrás deles, os motoqueiros; e fechando a passeata, caminhões, tratores e máquinas agrícolas. Cachoeira do Sul é uma cidade com economia agrária, onde se planta muito arroz. O fato de ter uma prefeitura comandada pelo PT já dá um portentoso sinal do desgaste desse partido, já que não conseguirá desfazer o clima de grande hostilidade contra o regime petralha. Isso também é um poderoso sinal do que será o resultado da eleição municipal no próximo ano. Cidades gaúchas como Cachoeira do Sul e Bagé caminham para se livrar da praga do petismo.

Centrais estudam ir à Justiça pelo reajuste do mínimo com o novo PIB

As centrais sindicais já estudam medidas jurídicas para pedir ao governo a correção do salário mínimo a partir da revisão do PIB (Produto Interno Bruto), feita pelo IBGE e divulgado nesta semana. A política de elevação do salário mínimo, prevista em lei desde 2011 e aplicada por meio de medidas provisórias editadas desde 2007, prevê que o reajuste seja feito combinando a inflação medida pelo INPC do ano anterior e o PIB de dois anos antes. Como o IBGE revisou os resultados do PIB de 2001 a 2011, as centrais querem que a diferença entre o percentual concedido pelo governo e o percentual revisado pelo IBGE seja aplicada no salário mínimo de trabalhadores da ativa e aposentados. Força Sindical e UGT vão tentar, a partir da semana que vem, abrir negociação com o governo. Mas seus departamentos jurídicos já avaliam a possibilidade de entrar com ações coletivas. "Como sabemos que será muito difícil negociar com o governo neste momento de crise na economia e arrecadação em queda, um grupo de juristas está sendo consultado para saber o que pode ser feito para beneficiar trabalhadores do setor privado e aposentados", diz Miguel Torres, presidente da Força Sindical. A UGT reúne sua direção-executiva na segunda para avaliar os caminhos que pretende adotar. O índice total de correção só poderá ser calculado após o IBGE revisar os cálculos do PIB de 2012 a 2014, diz o diretor do Dieese, Clemente Ganz Lúcio: "Não é correto divulgar um índice de correção agora porque é preciso esperar as demais revisões". O PIB foi revisado de 7,5% para 7,6% em 2010 e de 2,7% para 3,9% em 2011. O advogado Decio Scaravaglione, especializado em direito previdenciário, entende que a revisão do PIB abre espaço para pedido de correção para os últimos cinco anos. "O problema será o tamanho do impacto que isso trará ao caixa da Previdência. A revisão pode não ser significativa em valores para o beneficiário individualmente. Mas, no coletivo, a conta será alta", diz o especialista. Hoje, 70% dos benefícios pagos pela Previdência têm valor até um salário mínimo. Em janeiro, por exemplo, a folha total de pagamentos foi de R$ 32,2 bilhões, para 32 milhões de beneficiários. Só com o reajuste concedido para o salário mínimo neste ano, o impacto anual foi calculado em R$ 14,6 bilhões, segundo dados do ministério. 

Barusco para presidente da Petrobras? Acho que não iria dar certo…

 Piada excelente que está na rede e que me foi enviada pela querida jornalista Maria Helena Amaral:

“Pedro Barusco foi o melhor investimento da Petrobras nos últimos cinco anos. Roubou US$ 97 milhões a R$ 1,70 e devolveu a R$ 3,10”.
É isso aí! Se esses caras fossem tão eficientes para governar quanto eles são para roubar, o Brasil já seria uma superpotência!
Ocorre que, para que possam governar com a mesma eficiência com que roubam, a ética do partido teria de ser outra. E outra haveria de ser a moral de seus integrantes.
Daí se deduz, então, que a eficiência não é um bem em si, não é? Ela só faz sentido e se define quando aplicada. Por Reinaldo Azevedo

A boa vida de João Pedro Stedile, o burguesão do capital alheio

João Pedro Stedile no "protesto a favor" do Rio: libre da maldição bíblica de suar para ganhar o pão, ele ri à-toa
João Pedro Stedile no “protesto a favor” do Rio: livre da maldição bíblica de suar  o rosto para ganhar o pão, o burguês do capital alheio ri à-toa
Eita! Sob certo ponto de vista, deve ser bom ser João Pedro Stedile — eu, com meus três empregos, não suportaria… Mas ele, visivelmente, adora. Stedile pertence àquele seleto grupo de homens que se livraram da maldição bíblica, que está no Gênesis: “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar".
Pois é… Um monte de gente não sua o rosto para comer o pão: os bandidos, os corruptos (que são bandidos), os preguiçosos (que ainda se tornarão bandidos) e os… militantes políticos de esquerda. Digam-me: qual é o trabalho de Stedile? Quando ele acorda, qual é a sua agenda? Quando ele vai dormir e faz o balanço do dia, o que produziu para o País? Que contabilidade ele faz? Quantas propriedades ele invadiu? A quantas pessoas ele causou prejuízo? Que atraso teve a ciência naquele dia em razão da ação de seus seguidores?
Por que falo dele? O rapaz discursou no ato de “protesto a favor” no Rio de Janeiro, que reuniu, no máximo e com boa vontade, 1.500 pessoas. Ainda assim, uma boa parcela tinha vindo de outros Estados, trazidos em ônibus do MST. Em sua fala, esse gênio da raça afirmou o seguinte, segundo a Folha:
“Já chega de infiltração de capitalista no governo. Não aceitamos a infiltração de um tal de (Joaquim) Levy. Não podemos fazer ajuste às custas do trabalhador. A crise que o Brasil vive é culpa dos capitalistas. Não aceitamos a redução do direito da classe trabalhadora. Dilma, saia do palácio e venha para rua ouvir os trabalhadores”.
Alguém que fala em nome dos trabalhadores num protesto numa sexta-feira à tarde é certamente um cínico. Alguém que é considerado um líder nacional sem que se conheça exatamente a sua atividade é um folgazão. Alguém que é tido como uma voz influente, cujos sequazes invadiram há dias um laboratório, destruindo anos de pesquisa científica, tem absoluta confiança na impunidade.
Como? Stedile é contra o capitalismo? O que capitalismo que gera o dinheiro que irriga o MST? O capitalismo que gera as cestas básicas distribuídas ao MST? O capitalismo que permite que a este senhor transitar por aí, como líder do maior latifúndio improdutivo do mundo, que são as terras sob o controle direto ou indireto do MST?
Stedile é aquele que foi instado por Lula a botar seu “exército” na rua. Junto com a CUT, a UNE, uma penca de organizações de esquerda e movimentos sociais — todos vivendo, de algum modo, de dinheiro público, gerado por quem trabalha —, a gente viu do que são capazes. E são capazes de muito pouco. De resto, se Stedile acha mesmo que Levy é um infiltrado, e dada a centralidade do ministro no governo, qual seria a sua única atitude decente: romper com Dilma! Mas ele não vai fazer isso, é claro! Sem o capilé oficial, o MST não existe — já que, por óbvio, os sem-terra não existem. E não existem mais há muito tempo.
Para encerrar, noto: as esquerdas fizeram um belo trabalho de propaganda das manifestações de domingo. Por Reinaldo Azevedo

Fiasco em escala nacional: esquerdas reúnem, no máximo, 33 mil em todo o país. Ainda assim, com lanchinho, camiseta, bonés, ônibus, bolsa-protesto…

Um fiasco em escala nacional. O protesto organizado por entidades e partidos de esquerda “em defesa da Petrobras” e contra um golpismo que nunca existiu mobilizou, na ponta do lápis, 33 mil pessoas. Os organizadores, claro!, falam em 156 mil. Se for assim, nessa escala, a gente poderá falar em 10 milhões no domingo… Tenham paciência! E olhem que essa conta, feita pelo Globo, já está superestimada porque considera que 12 mil compareceram ao ato em São Paulo. Duvido.

Quase havia mais entidades promovendo a patuscada do que pessoas. Em Florianópolis, havia… 300. Em Salvador, entre 600 e 800. Como cara de pau é cara de pau e pronto, José Sérgio Gabrielli, que presidiu a Petrobras no período da lambança, compareceu à manifestação. E no Distrito Federal? Eram só 500!
O objetivo da turma era mesmo promover uma megamanifestação em São Paulo. Não deu certo. E olhem que houve farta distribuição de camisetas, de marmitas, de bonés e, como ninguém é de ferro, uma bolsa-protesto que variou de R$ 35,00 a R$ 50,00. Já vou avisando: quem comparecer ao protesto de domingo também vai ganhar um kit: o “Kit Vergonha na Cara”.
Leio na VEJA.com: 
Há apenas três meses no Brasil, o africano Muhamed Dukurek, de 44 anos, aceitou vestir a camiseta da CUT e carregar um dos balões da central sindical pelo dinheiro. “Disseram que eu ia receber um pagamento de 40 reais a 50 reais”, afirmou ao site de VEJA. Falando poucas palavras em português, ele disse que um ônibus foi buscá-lo em sua casa no bairro do Brás, pela manhã. Foi liberado às 17 horas do trabalho na Paulista, quando a CUT recolheu os balões.
Também havia muitos haitianos engrossando, ora vejam, o coro de defesa da Petrobras e o “fica Dilma”. Nas redes sociais, os companheiros asseguram que o sucesso foi retumbante. Sabem que não enganam os outros. E, hoje em dia, já não enganam nem mais a si mesmos. Por Reinaldo Azevedo

Acusadas de chefiarem os black blocs entram na lista de procurados do Disque-Denúncia


Acusadas de chefiarem os black blocs e de incitarem manifestantes a praticarem atos violentos em protestos ocorridos desde junho de 2013, as foragidas Elisa Quadros, a Sininho, e Karlayne Moraes Pinheiro, a Moa, entraram, nesta sexta-feira, na lista do Portal dos Procurados, do Disque-Denúncia (2253-1177). Elas tiveram a prisão decretada em outubro, após terem supostamente desrespeitado medida cautelar que as proibia de participar de protestos. De acordo com a Polícia Civil, Sininho e Moa estiveram numa manifestação em 15 de outubro em frente à Câmara Municipal, na Cinelândia. Elisa já foi presa duas vezes. A última foi em 11 de julho. No entanto, ela foi liberada duas semanas depois, após receber um habeas corpus da 7ª Câmara Criminal. Para o juiz responsável pelo processo, Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal, o descumprimento das medidas cautelares por Sininho e Moa demonstra que elas continuam integrando o grupo acusado de violência em manifestações. “A aplicação das referidas medidas se mostra insuficiente e inadequada para garantia da ordem pública, tendo em vista que os acusados insistem em encontrar os mesmos estímulos para a prática de atos da mesma natureza daqueles que estão proibidos”, escreveu o magistrado em dezembro, ao decretar a prisão das duas. Nesta sexta-feira, em mais uma audiência do processo contra 23 manifestantes acusados de atos violentos, realizada na 27ª Vara Criminal, o juiz ouviu o depoimentos de oito réus. Na sessão, os ativistas Felipe Proença e Shirlene Feitosa da Fonseca, entre outros, negaram as acusações. Eles disseram, por exemplo, que não participaram de reuniões fechadas para planejar a destruição de prédios públicos e quebra-quebra de agências bancárias. Proença foi primeiro a prestar depoimento. Ele disse que participou de manifestações e admitiu integrar a Frente Independente Popular (FIP), que seria a entidade responsável pela organização dos atos. No entanto, garantiu que não agiu com violência: "Só fui a três reuniões da FIP. Mas tenho orgulho de participar de movimentos populares. Só presenciei violência da parte dos policiais, não dos manifestantes". Shirlene também negou participação em confrontos e depredações. "A gente viu uma reação muito violenta da polícia, e as pessoas reagiram como consequência. Os black blocs se tornaram um fenômeno das manifestações, mas eu nunca participei disso", afirmou. Parentes dos réus foram impedidos pelo juiz de assistir à audiência desta sexta-feira. Somente advogados, promotores e a imprensa puderam acompanhar os depoimentos, que se estenderam até a noite. Do lado de fora, um grupo de 20 manifestantes gritava palavras de ordem em frente ao Fórum, em protesto contra o julgamento. Na quinta-feira, em outra audiência do processo, o magistrado expulsou os réus e a plateia da sessão, após acusados fazerem um protesto dentro da 27ª Vara Criminal. Os ativistas respondem a processo por depredação de patrimônio público e privado, uso de violência contra cidadãos, lesões corporais e corrupção de menores. Dos 23 acusados, três estão presos: Igor Mendes da Silva, Fábio Raposo e Caio Silva de Souza (os dois últimos estão detidos por causa de outro processo, em que são acusados também da morte do cinegrafista Santiago Andrade, atingido por um rojão num protesto na Central).