segunda-feira, 16 de março de 2015

Líder do governo admite que PT "está sofrendo"


Depois de o governo da presidente Dilma Rousseff ser alvo de protesto que levou uma multidão às ruas neste domingo, a liderança do PT na Câmara dos Deputados anunciou uma mudança de postura entre os congressistas e agora quer se aproximar da oposição. Como pano de fundo para a busca do diálogo com os oposicionistas há um pacote de medidas que o Palácio do Planalto tenta aprovar, mas que esbarra na resistência de aliados no Congresso. Nesta segunda-feira, o líder do governo na Câmara, deputado federal José Guimarães (PT-CE), notável chefe do cuequeiro petista preso no Aeroporto de Congonhas, admitiu que o PT "está sofrendo". "Temos de recompor isso tudo fazendo mudanças internas no partido, como mudanças na área econômica, política e o estabelecimento do diálogo com as ruas, como das centrais sindicais, que nós nos afastamos", afirmou José Guimarães, que é irmão do bandido petista mensaleiro José Genoíno. Deputados de oposição receberam com estranheza a notícia de uma tentativa de um pacto no Congresso Nacional e disseram que ainda não foram procurados pelos governistas. O líder do DEM, Mendonça Filho (PE), lembrou que os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) reagiram com "arrogância" aos protestos na noite de domingo. "Precisamos saber qual é o porta -voz que está falando pelo governo: se é o Rossetto, que atribuiu a manifestação aos opositores, ou se é realmente um gesto de humildade", disse: "A gente precisa compreender o que tem de sinceridade na postura do governo. Se for uma agenda que vá passar a conta do ajuste, da forma mais fácil, para o setor produtivo e para a classe média e o trabalhador, nós estamos fora. Não quero ser pessimista, mas não é muito animador esse surto de aproximação em menos de 24 horas depois que fomos alvo de ataques". Já o deputado Antônio Imbassahy (PSDB-BA) disse que "a população brasileira está indignada com tanta corrupção dentro do governo e com a desfaçatez de não querer reconhecer essa situação": "Diálogo será sempre bom, mas tem que ter um pressuposto para o diálogo. Se o governo quer dar uma resposta às manifestações, que reduza o numero de ministérios. Como a população vai aceitar passar por sacrifícios com tantos desperdícios?"

Mais um desastre, Petrobras anuncia sua exclusão do Índice Dow Jones de Sustentabilidade


Mais um desastre, a Petrobras informa que foi comunicada pelo Comitê do Índice Dow Jones de Sustentabilidade que a partir de 23 de março de 2015 não será mais integrante do Dow Jones Sustainability Index World (DJSI World), do qual fazia parte desde 2006. A saída do índice não implica, contudo, que a empresa deixará de ter ações negociadas na Bolsa de Nova York. A decisão do comitê foi baseada nas denúncias de corrupção investigadas no âmbito da Operação Lava Jato. O comitê informou que vai monitorar a evolução das investigações e o posicionamento da Petrobras ao longo deste ano, podendo reconsiderar a participação da companhia a partir de 2016. Há dois anos, a empresa teve nota máxima no DJSI nos quesitos Transparência e Redução de liberações ao meio ambiente. "Em relação à Operação Lava Jato, a Petrobras reitera que vem colaborando com os trabalhos das autoridades públicas, assim como atendendo a demandas de seus públicos de interesse, incluindo o Comitê do Índice Dow Jones de Sustentabilidade", afirma a estatal. O índice de sustentabilidade mensura quão aptas estão as empresas a manterem suas atividades com base na geração de caixa e rendimentos de seus próprios ativos - ou seja, ele mede se suas operações são economicamente sustentáveis. O índice também leva em conta questões ambientais e sociais, como o impacto da operação da empresa nas comunidades onde atua. Pela metodologia do índice, questões potencialmente problemáticas relativas às sociedades de qualquer dos componentes DJSI acionam automaticamente um media & stakeholder analysis (MSA), que examina a extensão do envolvimento da respectiva companhia e como ela administra a questão. Na sequência da MSA, o comitê do índice analisará a questão e decide se a empresa permanecerá no índice. A estatal teve sua nota rebaixada, no início do mês, pela agência de classificação de risco Moody's, que passou a classificar os títulos da empresa como 'grau especulativo', ou seja, que representam risco elevado para investidores.

Jorge Zelada, ex-diretor da Petrobras, escondeu dinheiro em Mônaco


O Ministério Público Federal achou 10 milhões de euros escondidos em Mônaco pertencentes ao ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Jorge Zelada. A fortuna foi comunicada na semana passada pelas autoridades do país, em resposta a pedido dos procuradores federais que investigam o esquema de corrupção da Petrobras. Ele ocupou o cargo de 2008 a 2012, como sucessor de Nestor Cerveró, que está preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba e é réu em duas ações penais por lavagem de dinheiro e corrupção. Se depender dos procuradores, Zelada deve seguir o mesmo caminho do antecessor. Ele ainda é investigado, mas delatores da Operação Lava Jato relataram pagamentos de propina para ele. Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, disse que se existisse o crime de enriquecimento ilícito, Zelada estaria denunciado. O procurador é um defensor da criação desse crime no Código Penal. "Devemos perseguir na investigação até obter provas consistentes. Se tivéssemos crime de enriquecimento ilícito, forneceríamos acusação criminal contra Zelada", afirmou Dallagnol.

Executivo da Camargo Corrêa delatou como o tesoureiro petista João Vaccari cobrava propina


O vice-presidente comercial da construtora Camargo Corrêa, Eduardo Leite, foi fundamental para o Ministério Público constatar que o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, cobrava propina em pagamentos disfarçados de doações partidárias. Segundo o procurador federal Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná, Leite confirmou o que inúmeros outros delatores já diziam: em depoimento de delação premiada, relatou que se encontrou pessoalmente com Vaccari e que o petista cobrou sua fatia do suborno distribuído pela empreiteira em troca de facilidades em obras da Petrobras. O tesoureiro ainda apresentava a solução mágica para não levantar pistas, segundo Leite. Era simples: parte da propina, originada de verba desviada da estatal, poderia ser paga na forma de contribuições oficiais, devidamente registradas na Justiça Eleitoral. "O colaborador Eduardo Leite afirmou textualmente que se encontrou com Vaccari e que ele lhe pediu doações eleitorais a título de propina", afirmou Dallagnol. Vaccari usava o mesmo disfarce - contribuições eleitorais declaradas - para receber propina de diversas empreiteiras. De acordo com as investigações, ele chegava a se encontrar com executivos das empresas, acompanhado do ex-diretor de Serviços da estatal, o petista Renato Duque, e do ex-gerente de Serviços, Pedro Barusco. Nesta segunda-feira Vaccari foi denunciado com outras 26 pessoas por desviar verbas em quatro obras da Petrobras, todas tocadas por OAS, Mendes Júnior e Setal. O Ministério Público mapeou a data das doações eleitorais e comparou com o dia de cada pagamento da Petrobras feito para as empresas envolvidas no esquema. Uma doação de 500.000 reais liberada por uma empresa de Augusto Mendonça Neto (sócio da Setal Óleo e Gás) para o Diretório Nacional do PT, por exemplo, saiu no dia 7 de abril de 2010, menos de uma semana depois de o consórcio Interpar - formado por Mendes Júnior, Setal Óleo e Gás e MPE - receber um desembolso de 38 milhões de reais da Petrobras. Vaccari intermediou, pelo menos, doações de 4,2 milhões de reais de empresas investigadas que, na verdade, eram oriundos do propinoduto da Petrobras. Foram 24 repasses de empreiteiras, em dezoito meses, no período de 2008 a 2010. "Há doações para o Diretório Nacional do PT e três ou quatro para diretórios locais", afirmou o procurador Deltan Dallagnol. As contribuições foram feitas a pedido do petista Renato Duque. Não faltaram menções à atuação criminosa de Vaccari ao longo da investigação. Os principais delatores relataram a participação do petista no petrolão. O doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, o empresário Augusto Mendonça Neto e o lobista Júlio Camargo já tinham envolvido Vaccari no esquema. O ex-gerente Pedro Barusco foi o mais detalhista, ao ponto de especificar a fatia repassada ao PT em cada contrato. Barusco chegou a estimar que Vaccari desviou até 200 milhões de dólares para o PT pelo propinoduto. Mas o depoimento de Leite, da Camargo Corrêa, foi decisivo para não deixar dúvidas da conduta criminosa do tesoureiro. 

Alucinação geral na esfera petralha - No mundo da lua, líder do PT sugere que a CIA está por trás dos protestos


A bancada do PT no Congresso Nacional vive um processo de degradação de seus quadros a cada nova Legislatura. Atualmente, o melhor exemplo do time de quinta categoria é o líder da bancada na Câmara dos Deputados, o folclórico Sibá Machado (AC). Desde que chegou ao Congresso, como senador sem votos - assumiu a cadeira da ex-petista Marina Silva quando ela foi ministra de Lula -, Sibá sempre se mostrou disposto a desempenhar qualquer papel absurdo para defender o PT. Mas, no último final de semana, o acreano superou até os próprios recordes ao sugerir que o serviço secreto americano está por trás dos protestos contra o governo. Sibá escreveu em sua conta no Twitter: "SUSPEITA: Que a CIA esteja coordenando a Campanha pelo enfraquecimento dos governos da América do Sul 'não alinhados', tal como fizeram para instalar as Ditaduras Militar nos anos 60. A 'Orquestra é completa!" Esse sujeito está prá lá de Marrakesh. 

Espiões do Irã lamentaram a saída da ministra peronista do Ministério da Defesa argentino


A ex-terrorista motoneira Nilda Garré é a peça-chave para investigar as relações delituosas estabelecidas entre Argentina e Irã, com o intermédio da Venezuela, conforme revelou VEJA em reportagem exclusiva publicada na edição desta semana. Segundo os ex-chavistas entrevistados pela reportagem de VEJA, Nilda Garré era um dos elos das negociações entre os três países. Em 2007, quando o então ditador do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pediu ao seu colega ditador Hugo Chávez que intermediasse uma aproximação de seu país com o governo argentino, Nilda Garré era ministra da Defesa. Além da retirada da denúncia contra os iranianos acusados de envolvimento no atentado contra a Associação Mutal Israelita Argentina (Amia), o ditador terrorista Ahmadinejad estava disposto a pagar pelos segredos nucleares argentinos. Uma questão que ele definia como de "vida ou morte" para o regime iraniano. Como titular da pasta, a ex-terrorista montonera Nilda Garré, que havia sido embaixadora da Argentina em Caracas, era a interlocutora com seus pares na Venezuela e em Teerã sobre este tema. Na denúncia apresentada pelo procurador Alberto Nisman, em janeiro passado, Nilda Garré é citada em uma das conversa grampeadas entre dois agentes do Irã. O libanês Jorge Alejandro Khalil queixava-se da saída de Nilda Garré, que, em 2013, era titular da pasta da Segurança. O diálogo gravado com autorização da Justiça argentina revela que Khalil temia que a saída de Nilda atrapalhasse os interesses do Irã. Ele conversa com o agente da inteligência argentina Ramón Allan Bogado, investigado por Nisman por passar informações ao governo iraniano. Os demais personagens citados no grampo são: Sergio Berni, Secretário de Segurança da Argentina; Cesar Milani, Comandante do Exército; e Fernando Pocino, espião argentino que foi genro da embaixadora Nilda Garré. 
Khalil - Duas coisinhas... Como você vê a mudança que ocorreu no governo? A saída da mulher (em referência a Nilda Garré)
Allan - Não houve mudança.
Khalil - Como não? Não tiraram os ministros?
Allan - Mas houve mudança de nomes, não de situação.
Khalil - Não, não, mas a mudança de nome, especialmente o da garota (Nilda Garré), como você vê?
Allan - Para nós, de dentro, onde eu trabalho é complicado. Para eles, onde estão, dá no mesmo, o que estava trabalhando era o Louco (em alusão a Sergio Berni).
Khalil - Ah, ok... amanhã , quero uma conversa com você por algum momento.
Allan - Sim, sim. Eu te digo claro, o Diretor de Interior nosso estava porque é namorado da filha da senhora que se foi… (Referência a Fernando Pocino)
Khalil - Sim. Mas você acredita que a tiraram ou ela se foi? Pergunto isso concretamente...
Allan - Ah, porque agora vem um assunto interno. Ela estava com seu amigo Milani, que tem uma inteligência paralela... Por causa do assunto da Polícia Aeroportuária.

A petista Dilma admite o gigantesco erro no Fies e o monumental prejuízo aos estudantes


Durante entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira, a presidente petista Dilma Rousseff reconheceu que seu governo errou brutalmente com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). "Deixamos as matrículas nas mãos do setor privado. Não foi culpa do setor privado, foi nossa. Voltamos atrás e estamos corrigindo o problema", afirmou a presidente. Dilma admite que o programa não deveria ter aprovado financiamento para alunos indiscriminadamente. O reconhecimento de um erro que se repetiu nos últimos anos veio justamente em meio a um ajuste fiscal que afeta, entre outros, o Ministério da Educação. A falta de critério para a participação no Fies fez o gasto com o programa saltar de 1 bilhão para 14 bilhões de reais em quatro anos. Agora, as mudanças anunciadas nas regras do programa prejudicam alunos e instituições. Dezenas de milhares de alunos serão prejudicados, precisarão parar de estudar, terão seus nomes inscritos no Serasa pelas faculdades onde estudavam, e ainda ficarão com uma enorme dívida que precisarão pagar ao governo. É um desastre absoluto. 

Senador do PSB nega caixa dois na campanha de Eduardo Campos


Ex-ministro da Integração Nacional, o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) negou, nesta segunda-feira, ter recolhido caixa dois nas eleições de 2010 e defendeu o ex-governador de Pernambuco. Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo durante a campanha presidencial do ano passado. O senador foi indicado pelo ex-diretor da Petrobras. Paulo Roberto Costa, um dos principais delatores do petrolão, como a pessoa responsável por arrecadar dinheiro ilícito para a campanha de reeleição de Campos ao governo estadual. "As acusações fruto das delações premiadas não me abaterão. Irei enfrentar de cabeça erguida e consciência tranquila os que me caluniam", disse ele da tribuna do Senado Federal. Segundo o delator, Eduardo Campos recebeu 20 milhões de reais do esquema para a campanha à reeleição em 2010. Paulo Roberto Costa afirmou que os valores foram intermediados pelo doleiro Alberto Youssef, depois de pedido explícito de Fernando Bezerra Coelho, ex-secretário do Desenvolvimento de Pernambuco. O senador disse que Eduardo Campos é "vítima de ataques sem nenhum fundamento". Bezerra Coelho também criticou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por ter pedido abertura de inquérito contra ele dias depois de ter encaminhado ao Supremo Tribunal Federal a lista de parlamentares suspeitos de terem embolsado propina no petrolão. "Sem nenhuma justificativa ou argumento minimamente plausível, tive meu nome incluído entre os agentes públicos que estão sendo investigados na Operação Lava Jato", disse ele. O senador também afirmou que seus encontros com Paulo Roberto Costa trataram de "temas institucionais" - e negou que tenha discutido contratos da Petrobras enquanto ocupou a presidência do Porto de Suape. "Nenhum dos contratos para qualquer tipo de serviço na refinaria passou pelas minhas mãos. Todos, absolutamente todos, foram realizados exclusivamente pela Petrobras, sem qualquer gerência estadual", declarou. De acordo com o senador, Paulo Roberto Costa mentiu às autoridades ao declarar que recebeu pedido para liberar dinheiro, via caixa dois, para a campanha de Eduardo Campos. Bezerra Coelho disse que não conhece o doleiro Alberto Youssef, que teria intermediado o repasse do dinheiro: "Nada há de concreto que pudesse ensejar um pedido de abertura de inquérito. Afirmo e reafirmo que não são verídicas as declarações do Paulo Roberto Costa contra a minha pessoa". Com a abertura de inquérito contra Fernando Bezerra Coelho, subiu para cinquenta o número de políticos investigados no Supremo Tribunal Federal por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.

Lava Jato chega ao PT: Vaccari e Duque são denunciados por lavagem e corrupção


A Procuradoria da República no Paraná apresentou denúncia nesta segunda-feira contra o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e contra o ex-diretor de Serviços da Petrobras, o petista Renato Duque, pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e formação de quadrilha. A acusação corresponde às investigações da nona fase da Operação Lava Jato da Polícia Federal, batizada de "My Way". No total, foram denunciadas 27 pessoas envolvidas no desvio de recursos de quatro projetos da Petrobras - os gasodutos Urucu-Coari e Pilar-Ipojuca e as refinarias Araucária (PR) e Paulínia (SP). A lista de acusados também inclui o ex-gerente de Serviços da companhia, Pedro Barusco, um dos delatores do esquema, e executivos das empreiteiras OAS, Setal e Mendes Júnior. Segundo as investigações da Lava Jato, Vaccari intermediou doações de 4,2 milhões de reais de empresas investigadas que, na verdade, eram oriundos do propinoduto da Petrobras. Foram 24 repasses de empreiteiras, em dezoito meses, no período de 2008 a 2010. "Há doações para o Diretório Nacional do PT e três ou quatro para diretórios locais", afirmou o procurador Deltan Dallagnol. As contribuições foram feitas a pedido do petista Renato Duque. Indicado ao cargo na Petrobras pelo ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu, o petista Renato Duque foi preso pela segunda vez nesta segunda-feira, na décima fase da operação, batizada de "Que país é esse?" - o título faz referência à frase que Duque disse a seu advogado em novembro passado, quando foi preso pela primeira vez. A prisão foi decretada depois que a força-tarefa da Lava Jato encontrou em Mônaco a fortuna que Duque limpou de contas na Suíça - documentos recebidos pelas autoridades brasileiras comprovam a movimentação do dinheiro no país europeu. Foram bloqueados 20 milhões de euros (67,8 milhões de reais) nas contas de Duque no principado. O Ministério Público verificou que, mesmo depois de deflagrada a operação, Duque seguiu desviando dinheiro de suas contas no exterior. Duque é apontado pelos investigadores como um dos principais arrecadadores de propina do PT. Vaccari foi citado nos depoimentos do doleiro Alberto Youssef, do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e do ex-gerente de Serviços da companhia, Pedro Barusco. Os três mencionaram o tesoureiro petista como responsável por receber propina em nome do partido. Barusco disse que o petista recebeu aproximadamente 50 milhões de dólares desviados entre 2003 e 2013, e que o valor desviado para o PT, também com a participação do tesoureiro, chegou a 200 milhões de dólares. Também foi Barusco quem decifrou para os investigadores o significado da palavra "Moch", que aparecia nas planilhas detalhando a divisão do dinheiro. Era uma menção ao apelido de Vaccari - "mochila", um acessório que ele sempre carrega. Paulo Roberto Costa disse que da propina recolhida em sua diretoria - 3% sobre os contratos -, dois terços ficavam com o PT, arrecadados justamente pelo tesoureiro do partido. 

Ministério Público Federal diz que grupo de Assad lavou 40 milhões de reais do Petrolão do PT


O grupo do empresário Adir Assad atuou na lavagem de pelo menos 40 milhões de reais em dinheiro desviado da Petrobras nas obras da refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR), segundo as investigações do Ministério Públicio Federal no Paraná. De março de 2009 a março de 2012, o grupo de Assad utilizou empresas de fachada para lavar dinheiro das obras na Repar contratadas do Consórcio Interpar, formado pelas empresas MPE, Mendes Júnior e SOG. Na triangulação do esquema, a propina arrecadada na obra acabava nas mãos do ex-diretor de Serviços da Petrobras, o petista Renato Duque, e do ex-gerente Pedro Barusco. Essas conclusões foram apresentadas pelo Ministério Público ao juiz Sergio Moro, que conduz os processos da Operação Lava Jato na primeira instância. Para o magistrado, porém, as provas recolhidas indicam que os tentáculos do grupo criminoso dirigido por Assad não se restringiam à Repar. O executivo Augusto Ribeiro, que firmou acordo de delação premiada, confirmou, em depoimento, o pagamento de propina na Repar para o petista Renato Duque por meio de contratos fantasmas com as empresas Legend, Soterra, Power, SM Terraplanagem e Rockstar. Adir Assad fazia parte do quadro social das empresas Legend, Power To Ten e Rock Star, utilizadas, segundo o Ministério Público Federal, para lavar dinheiro do propinoduto do Petrolão do PT. Em 2013, VEJA revelou como ele financiava candidatos e como havia recebido mais de 200 milhões de reais da construtora Delta e de outras empreiteiras. "As circunstâncias em torno dos fatos, com a abertura e utilização de pelo menos cinco empresas de fachada, com simulação de contratos de prestação de serviços e emissão de dezenas de notas fiscais fraudulentas, indicam habitualidade e profissionalismo na prática de crimes graves, de lavagem e corrupção", disse o juiz Sergio Moro ao decretar a prisão preventiva de Assad. O juiz declarou haver indícios de que o grupo praticou crimes de lavagem de dinheiro e corrupção e afirmou ter a "conclusão segura" de que as companhias do empresário "seriam utilizadas por um mesmo grupo criminoso dedicado à lavagem de dinheiro e à intermediação de propinas". Para Moro, as sucessivas informações de empresários atuando para sangrar a Petrobras mostram um "quadro de corrupção e lavagem de dinheiro sistêmicas". "Grandes empreiteiras do País se reuniam, acertavam entre elas os resultados das licitações da Petrobras, fraudavam as licitações para que a empresa previamente definida ganhasse o certame e para impor o seu preço nas obras, pagavam, em cada grande contrato da Petrobrás, propinas dirigidas a diretores e empregados da Petrobras e a agentes públicos e entregavam os valores a profissionais da lavagem", relatou Moro. O magistrado ainda justificou as prisões preventivas como a forma de estancar o esquema criminoso e pagamentos milionários de propinas. Ele lembra que os repasses feitos pelas empreiteiras citadas nas investigações continuaram normalmente mesmo com a deflagração da Operação Lava Jato, em março do ano passado. "O mais assustador é que o delator Shinko Nakandakari (que operava para a Galvão Engenharia) confessou o pagamento de propinas ainda no segundo semestre de 2014, quando a assim denominada Operação Lava Jato já havia ganhado notoriedade na imprensa. Indagado, admitiu que, mesmo com a notoriedade da investigação, nem ele ou a empreiteira sentiram-se tolhidos em persistir no pagamento de propinas", destacou o juiz. "O grupo criminoso dirigido por Adir Assad insere-se neste contexto", completou ele. O ex-diretor de Serviços da Petrobras, o petista Renato Duque, apontado pelos investigadores da Lava Jato como um dos principais arrecadadores de propina do PT, também foi preso nesta segunda-feira, na décima fase da operação, batizada de "Que país é esse?" - o título faz referência à frase que Duque disse a seu advogado em novembro passado, quando foi preso pela primeira vez. A prisão foi decretada depois que a força-tarefa da Lava Jato encontrou em Mônaco a fortuna que o petista Duque limpou de contas na Suíça - documentos recebidos pelas autoridades brasileiras comprovam a movimentação do dinheiro no país europeu. Foram bloqueados 20 milhões de euros (67,8 milhões de reais) nas contas do petista Renato Duque no principado. O Ministério Público verificou que, mesmo depois de deflagrada a operação, Duque seguiu desviando dinheiro de suas contas no Exterior.

CCR, JSL, Triunfo e mais grupos entregam propostas para leilão da Rio-Niterói


Pelo menos seis grupos entregaram propostas para o leilão da ponte Rio-Niterói marcado para a quarta-feira, no primeiro grande teste do apetite dos investidores por projetos de longo prazo no Brasil e um dia após grandes protestos no país contra o governo federal. A Triunfo Participações também entregou proposta nesta segunda-feira, disse uma fonte do governo federal à Reuters. Na última quinta-feira, o Conselho de Administração da Triunfo havia autorizado a participação da empresa no leilão. Outras cinco empresas também entregaram propostas para o certame, incluindo CCR, Ecorodovias, JSL e AB Concessões, integrada pelo grupo italiano Atlantia e pelo grupo brasileiro Bertin. CCR, atual concessionária da ponte, enviou representantes logo cedo para a sede da BM&FBovespa nesta segunda-feira, mas foi o último grupo a entregar seus documentos para a disputa. Além da CCR, a rival Ecorodovias também entregou proposta. O leilão ainda deve envolver a companhia de transportes e logística JSL, que atualmente não possui negócios de infraestrutura, e a AB Concessões, integrada pelo grupo italiano Atlantia e pelo grupo brasileiro Bertin. Foram apresentadas a proposta econômica escrita, a garantia da proposta e documentos de qualificação nesta manhã. Os outros dois grupos que entregaram propostas preferiram não se identificar. Na quinta-feira, o Conselho de Administração da Triunfo Participações autorizou a participação da empresa no leilão. O certame de quarta-feira, que vai conceder a gestão da ponte por 30 anos e exigir investimentos de 1,3 bilhão de reais, também será o primeiro grande leilão depois que a Operação Lava Jato apertou o cerco nas investigações de corrupção, envolvendo algumas das principais empreiteiras do Brasil e a Petrobras. O valor do contrato da ponte é de 5,14 bilhões de reais, com base em valores de janeiro de 2014, segundo o edital divulgado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O leilão vem ainda após a sanção sem vetos da Lei dos Caminhoneiros, que, na avaliação das concessionárias de rodovias, aumentou o risco regulatório do setor, por ferir contratos atualmente em vigor. O grupo a ser declarado vencedor será o que oferecer a menor tarifa de pedágio, cujo teto definido em edital é de 5,18620 reais. A ANTT deve divulgar nesta terça-feira as garantias das propostas que não foram aceitas.

Eduardo Cunha diz: "Não vi ninguém nas ruas pedir reforma política"


O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), indicou novamente nesta segunda-feira que vai arquivar os pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff que chegarem à Casa. Ele disse que não leu o pedido do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), mas acredita que o impeachment "não é a solução". Ele ainda disse que o impedimento da presidente é uma situação que "beira o ilegal e o inconstitucional". "Efetivamente, da nossa parte, não tem guarida para poder dar seguimento até porque entendemos que esta não é a solução. Entendemos que temos um governo que foi legitimamente eleito e que, se aqueles que votaram neste governo se arrependeram de terem votado, isso faz parte do processo político. E não é dessa forma que vai resolver", argumentou o peemedebista, após participar de um encontro na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. "Temos que debater, sim, o que aconteceu nas ruas ontem, temos que buscar formas que ajudem o governo a se encontrar com aquilo que a sociedade deseja ver. Mas não a partir de situações que cheiram e beiram o ilegal e o inconstitucional", completou. Em seguida, o presidente da Câmara passou a fazer críticas ao governo e aos ministros José Eduardo Cardozo, da Justiça, e Miguel Rossetto, da Secretaria-Geral da Presidência, escalados para defender o governo no início da noite deste domingo. Cunha disse que a fala dos ministros não refletiu o clima das ruas e chamou a participação dos dois de "desastre". "Não vi ninguém nas ruas pedir reforma política, vi pedir reforma de governo", disse Cunha. "Não vi ninguém nas ruas dizendo que o financiamento empresarial é o problema". Sobre a proposta apresentada pelos ministros de um pacote anticorrupção, Cunha ironizou dizendo que há dois anos escuta o governo dizer que vai mandar as medidas para o Congresso. "Qualquer proposta que mandarem eu coloco em votação imediatamente", disse.

O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou o ex-candidato do PRTB à Presidência da República, Levy Fidelix, ao pagamento de 1 milhão de reais, por danos morais, em decorrência de declarações controversas sobre o casamento gay durante debate eleitoral no ano passado. Na ocasião, Levy afirmou que "aparelho excretor não reproduz" e chegou a associar homossexualidade a pedofilia. A ação contra o político foi aberta pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo e o dinheiro deve ser estinado a ações de promoção de igualdade da população LGBT. O candidato recorrerá e é muito difícil que esta sentença se mantenha. Parece muito ser uma sentença política. 

Israel tem eleições neste domingo, Netanyahu e Herzog estão empatados


Políticos israelenses participavam nesta segunda-feira de seus últimos compromissos de campanha, um dia antes de o país decidir se dará ou não ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu outro mandato. Pesquisas indicam uma corrida eleitoral indefinida. Netanyahu fez uma parada de última hora em Jerusalém Oriental para conseguir apoio em sua base antes das eleições parlamentares de terça-feira. Seu principal rival, Isaac Herzog, da centrista União Sionista, previu uma iminente "reviravolta" no processo eleitoral. Uma pesquisa divulgada pelo jornal Haaretz (visivelmente contra Netanyahu) aponta um empate técnico, com 24 cadeiras para a União Sionista e 21 para Likud, das 120 no Parlamento. A eleição foi convocada por Netanyahu em dezembro, dois anos antes do fim de seu mandato, é vista como um referendo ao líder israelense, que governou o país nos últimos seis anos. Embora Netanyahu ainda possa terminar na melhor posição para formar uma coalizão de governo, a perda de apoio abalou o partido Likud, que começou a campanha com a certeza de que permaneceria na liderança do país. Nos últimos dias, a luta pelo voto se tornou mais forte. Netanyahu intensificou sua retórica nacionalista, dizendo que um governo mais pacífico seria um desastre para o país, além de reclamar de uma conspiração internacional para derrubá-lo. O premiê, que raramente fala com meios de comunicação, tem concedido uma série de entrevistas à mídia israelense nos últimos dias. Na noite de domingo, ele falou durante um comício realizado a céu aberto do qual participaram dezenas de milhares de partidários em Tel-Aviv. Em seu último dia de campanha, nesta segunda-feira, Netanyahu visitou Har Homa, um assentamento judaico em Jerusalém Oriental que é considerado ilegal pelos palestinos e pela comunidade internacional. Os palestinos querem Jerusalém Oriental, tomada por Israel em 1967, como a capital de seu futuro Estado. "Vamos preservar a unidade de Jerusalém em todas as suas partes. Vamos continuar a construir e a fortificar Jerusalém de forma que esta divisão não será possível e permaneceremos unidos para sempre", disse ele: "A vitória do Likud é a única coisa que pode garantir a continuação da liderança nacional e evitar o estabelecimento de um governo de esquerda". Já Herzog tem subido nas pesquisas eleitorais com uma campanha que promete reparar as ligações com os palestinos e a comunidade internacional, além de levar alívio à classe média. Em visita à sede de seu partido, Herzog falou sobre o voto "crucial" para o país e advertiu sobre a divisão dos votos contra Netanyahu entre vários partidos de centro, incluindo o Yesh Atid, do carismático líder Yair Lapid. "Quem quer que queira Lapid e o Yesh Atid no governo tem de votar em nós. Não há outra escolha", disse ele. "Quem quer mudança tem de votar em nós", reiterou. Lapid foi calorosamente recebido na cidade costeira de Netanya, onde pessoas o pararam nas ruas para fazer selfies com o candidato. Ele acusou tanto Netanyahu quanto Herzog de terem acordos com grupos de interesse específicos. Ele afirmou ser o único a abordar as verdadeiras questões que interessam à classe média israelense. Até agora, Lapit não se comprometeu nem com Herzog nem com Netanyahu, embora seja amplamente visto como um aliado de Herzog numa futura coalizão. Pelo sistema eleitoral de Israel, nenhum partido jamais conquistou a maioria de 120 cadeiras no Parlamento. Por isso, sempre é necessário formar uma coalizão. Tendo em vista que nem o Likud nem a União Sionista devem conquistar mais do que um quarto dos votos, a eleição deve ser seguida por um longo período de negociações para a formação do próximo governo. Uma pessoa influente que consiga articular a criação de um novo governo é o centrista Moshe Kahlon, que apresentou uma plataforma econômica que trata de questões do dia a dia ao mesmo tempo em que coloca os desafios diplomáticos do país em banho-maria. Kahlon quer se tornar o ministro de Finanças do próximo governo e pode inclinar a balança em favor de Netanyahu ou de Herzog. Filho de imigrantes líbios, Kahlon é popular entre a classe trabalhadora israelense graças a seu passado ligado ao Oriente Médio, seu jeito modesto e pela reforma do mercado local de telefonia celular.

Black blocs ameaçam aterrorizar o próximo protesto no Rio de Janeiro; prendam já a Sininho, que está com prisão decretada pela Justiça

No dia seguinte à manifestação que levou à orla de Copacabana 15.000 pessoas pedindo a saída do PT do poder, um grupo de black blocs do Rio de Janeiro ameaça usar seus métodos para instaurar o caos no próximo protesto - para, consequentemente, diminuir o movimento das ruas. Em um texto postado na página do "Black Bloc RJ Zona Sul', no Facebook, eles falam em guerra contra a burguesia: "Está na hora de darmos uma resposta ao golpismo de ontem nas ruas, principalmente nos bairros burguês. Eles querem guerra terão (sic)". O que fazem os aparelhos policiais que não prendem a lider dos Black Blocs, a Sininho, que está com ordem de prisão decretada pela Justiça e se encontra foragida? Vai ficar foragida até quando? Isso é proteção oficial à black bloc? Os black blocs ganharam notoriedade durante os protestos de 2013, com atos de vandalismo e agressões que acabaram esvaziando as manifestações. A onda de violência culminou com o assassinato do cinegrafista da Bandeirantes Santiago Andrade, atingido por um rojão lançado por membros dos Black Bloc. Na rede social, o grupo prega o ódio entre classes sociais e diz que o alvo é a Zona Sul. "Está na hora de a maior classe do Brasil dar a resposta aos reaças. Desce Rocinha, desce Complexo do Alemão, vem Maré, vem Manguinhos e Jacaré, vem Baixada, vem Parada de Lucas, vem Vila Kennedy, vem povão. Zona Sul é o alvo", escreveram, conclamando a população de outros bairros, favelas e cidades vizinhas a se unirem contra as manifestações. No domingo, cariocas saíram às ruas de verde e amarelo e aos gritos de "Fora Dilma!" e "Fora PT!". Também cantavam uma adaptação de Pra Não Dizer que Não Falei das Flores, de Geraldo Vandré: "Dilma vai embora/que o Brasil não quer você/E leva o Lula junto/com os bandidos do PT".

Aécio Neves diz que "Dilma zombou da inteligência dos brasileiros"


Um dia após a maior mobilização popular desde a redemocratização, o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, disse nesta segunda-feira que a dimensão dos protestos, fator que surpreendeu governo e oposição neste domingo, foi influenciada pelo pronunciamento da presidente na TV no domingo anterior. "Dilma zombou da inteligência dos brasileiros ao atribuir a gravidade da crise no País a uma crise internacional que já não existe mais e à seca. É um acinte", disse o tucano. Instado pelos jornalistas a dar um conselho à presidente, Aécio Neves clamou pela admissão de erros de Dilma, que segundo ele ainda não reconheceu sua responsabilidade pela crise econômica brasileira. "Olhar nos olhos dos brasileiros, o que ela não fez ontem. E fazer uma mea culpa. É o primeiro ponto para a mudança de rumo. Todos nós estamos sujeitos a erros", sugeriu: "Não é possível que ela imagine que não tenha nenhuma responsabilidade pelo descalabro que tomou conta da administração pública federal". "O próprio governo não acredita muito nas medidas anunciadas pelo Ministério da Fazenda. É um governo de duas cabeças. A presidente quer fazer crer que pode existir um governo do ministro Joaquim Levy e um da presidente", acrescentou. Ele sinalizou que a oposição ao governo Dilma não deve aceitar a tentativa de aproximação, citada na noite de domingo pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, como uma das medidas que a presidente deve tomar para contornar a insatisfação. "Ela nunca demonstrou qualquer intenção nessa direção. No discurso de vitória nas eleições, ela falou em diálogo e essa palavra sumiu no vento. Nem sequer citou meu telefonema de reconhecimento da vitória, quando eu disse a ela que ela tinha a tarefa de unir o País. Dei a ela um sinal, mas não fui compreendido", disse Aécio Neves. O senador tucano analisou os pedidos de parte dos brasileiros que foram às ruas pelo impeachment da presidente, um das palavras de ordem da onda de protestos que tomou o País neste domingo. Para Aécio Neves, o processo ainda não tem base jurídica para ser promovido e não deve ser encampado pelos partidos da oposição. "Impeachment precisa de dois componentes, um de ordem política que não está longe de ocorrer, está expresso na insatisfação, e outro jurídico que ainda não está colocado", disse: "Torço para que isso não ocorra. Essa não é uma agenda dos partidos de oposição". Aécio Neves disse que líderes da oposição vão se reunir nesta terça-feira em Brasília para analisar o saldo dos protestos contra Dilma e o PT. Eles pretendem atrair partidos da base governista para propor uma agenda de reformas tributária e política.

Ministro da Fazenda do petismo, Joaquim Levy, diz que ajuste fiscal não é "derrama de impostos"


Um dia após as manifestações que levaram, em estimativas modestas, 1,8 milhão de pessoas às ruas de todo o Brasil no domingo, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, saiu em defesa do ajuste fiscal promovido pelo governo. Em reunião na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), nesta segunda-feira, o ministro disse que as reformas em curso não se tratam de uma "derrama de impostos", mas de uma adaptação de medidas implementadas no passado a uma nova conjuntura. "As medidas adotadas nada mais são do que ajustes a uma nova situação. Eliminar algumas ajudas, acomodações feitas em um período em que se estava falando em política anticíclica. Não havia uma presunção de existência desta política para sempre, porque são claramente insustentáveis do ponto de vista fiscal", justificou Levy. O encontro na ACSP, promovido pelo conselho de economia da entidade, teve como tema principal o ajuste fiscal e o crescimento econômico. Sem fazer referências às manifestações, o ministro iniciou sua fala ressaltando a importância do diálogo. Segundo ele, neste momento, "falar olho no olho é ainda mais fundamental". O ministro ainda voltou a endossar a tese governista, de que, com a retirada de estímulos às economias da China e dos Estados Unidos, a mudança do preço do petróleo e do câmbio, a conjuntura internacional mudou, forçando o Brasil a atualizar sua estratégia na área econômica. Segundo o ministro, isto é um fato e não uma desculpa da presidente Dilma Rousseff. Por diversas vezes, o ministro ressaltou a importância de se promover um ajuste fiscal rápido, claro, completo e corajoso. "Quanto mais rápido, é mais fácil e seguro de trabalhar e menos incerteza haverá. Quanto menor a incerteza, mais dá pra cada um tomar risco. Se sabemos qual é a regra do jogo, tomamos risco", disse. Levy ainda fez uma analogia à condução de uma embarcação, em que se é preciso limpar o convés, para depois levantar as velas e navegar, rumo a uma economia de mercado orientada em um cenário de estabilidade e confiança para a iniciativa privada. Sobre as mudanças em leis trabalhistas, Levy ressaltou que as medidas em análise pretendem reduzir a rotatividade, e não "tirar o direito de ninguém". "São medidas que objetivam a estimular a melhor oferta de trabalho. Mudanças estruturais, que são parte de uma agenda de crescimento. Melhorar a rotatividade ajuda o país a crescer", reforçou. O ministro também ressaltou que o governo tem cortado gastos não obrigatórios - que devem retornar aos níveis de 2003 - e que, até o momento, não foi criado nenhum imposto novo. "Mesmo a Cide está mais baixa do que já foi em outras épocas", exemplificou sobre o imposto que incide sobre a gasolina. Outros gastos, no entanto, escapam ao esforço do Executivo, reforçou Levy. Na conturbada relação com o Congresso, a quem Levy chamou de "sócio", o ministro disse que a estratégia deve ser de convencimento para dar cabo a medidas modulares, que, se não implantadas, trará consequências negativas ao ambiente de negócios no país. "O mercado mudou. Temos que olhar a longo prazo, temos que responder a uma situação de como a conjuntura está andando. O que estamos dialogando com o Congresso é tão simples quanto isso", disse. "Tudo precisa ser discutido com o Congresso, com os sócios. Cada um tem uma ideia. A gente vai ter que fazer um trabalho de convencimento para o nosso sócio, que essas medidas são modulares", afirmou. 

No dia seguinte a protesto, Dilma reúne Temer e nove ministros


No dia seguinte ao maior protesto popular da história democrática do País, a presidente Dilma Rousseff reuniu nesta segunda-feira os ministros responsáveis pela articulação política do Planalto: além do vice-presidente Michel Temer (PMDB), participaram do encontro os ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante (PT), da Defesa, Jaques Wagner (PT), das Cidades, Gilberto Kassab (PSD), da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB), de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB), de Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo (PCdoB), da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT), da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto (PT), e de Relações Institucionais, Pepe Vargas (PT). Giles Azevedo, um dos assessores mais próximos da presidente, também esteve presente. Ou seja, ela reuniu o que chama de seu atual comando político. Ao menos 1,8 milhão de pessoas tomaram praças e percorreram avenidas para protestar contra o governo Dilma e o PT, segundo estimativas das Polícias Militares nos Estados. O número, contudo, não leva em conta manifestações realizadas no Interior, que podem elevar significativamente o total.




No domingo, Dilma passou o dia trancada no Palácio da Alvorada. Convocou um gabinete de crise para monitorar as passeatas e escalou os ministros Miguel Rossetto, da Secretaria-Geral da Presidência, e José Eduardo Cardozo, da Justiça, para se pronunciar em nome do governo. A fala teve início por volta das 18h45. Na contramão de uma postagem feita durante a tarde nas contas de redes sociais de seu ministério, que afirmava que o "discurso de ódio fere a democracia e não gera mudanças", Cardozo disse que as passeatas foram "legítimas, democráticas e com respeito às autoridades". Questionado sobre a postagem na entrevista coletiva, o ministro disse que deu ordem para que ela fosse retirada do ar. Como remédio contra a indignação, contudo, ele apresentou tão somente velhas promessas e ambições petistas: o envio de um pacote anticorrupção ao Congresso e a realização de uma reforma política que, ele explicitou, deve proibir as doações de empresas. O trotskista Rossetto, integrante de uma ala mais radical do PT, adotou um tom agressivo, para afirmar que a discussão de um processo de impeachment "não deve ser tolerada".

Mercado aumenta projeção para inflação e dólar e diminui para PIB em 2014


Ainda sem incorporar a dimensão dos protestos contra o governo Dilma Rousseff de domingo, os economistas já elevaram as expectativas para inflação e dólar ao fim do ano, além de terem piorado a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB). O relatório semanal Focus, que ouviu dezenas de economistas até sexta-feira passada, mostrou uma expectativa média de recuo de 0,78% na atividade econômica brasileira neste ano. Na semana passada, ela estava em queda de 0,66%. Para 2016, a projeção ainda é positiva, de 1,40%, ainda que menor do que na semana anterior (1,30%). Já para a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a mediana das estimativas passou de 7,77% para 7,93% para este ano e de 5,51% para 5,60% em 2016. Os economistas também elevaram sua perspectiva para o dólar no fim do ano, que passa de 2,95% para 3,06%. Para o ano que vem, eles também subiram de 3% para 3,11%.

Economia brasileira começou 2015 em desaceleração, indica prévia do PIB


Considerado um sinalizador da atividade econômica no País, o IBC-Br, medido pelo Banco Central, caiu 1,34% em janeiro ante o mesmo mês de 2014. Mesmo em relação a dezembro, o Índice de Atividade Econômica recuou 0,11%, deixando claro que o ano começa em desaceleração, mostram dados dessazonalizados. No acumulado de 12 meses até janeiro, a variação da prévia do Produto Interno Bruto (PIB) também é negativa, de 0,39%. Em dezembro, o indicador havia caído 0,57% sobre o mês anterior, em número revisado pelo Banco Central após divulgar anteriormente queda de 0,55%. Analistas consultados esperavam avanço de 0,01% na comparação mensal em janeiro, de acordo com a mediana das projeções. O IBC-Br incorpora estimativas para a produção nos três setores básicos da economia: serviços, indústria e agropecuária, assim como os impostos sobre os produtos.

Imprensa internacional destaca o "maior protesto da democracia" brasileira



As manifestações que reuniram quase 2 milhões de pessoas contra o governo em diversas cidades do Brasil neste domingo ganharam destaque na imprensa internacional. Sites dos principais jornais do mundo repercutiram os protestos com imagens das multidões nas ruas do País e análises da insatisfação dos brasileiros com Dilma Rousseff. Com a manchete "Out, Dilma" ("Fora, Dilma"), a versão internacional do site da rede americana CNN colocou os protestos no Brasil em seu destaque principal. A reportagem cita o "clima festivo" nos atos e diz que os manifestantes protestam contra a corrupção e pedem o impeachment de Dilma. O governo, contextualiza a CNN, "está lutando em meio a uma economia fraca e a um enorme escândalo de corrupção envolvendo a estatal de petróleo do País". A publicação lembra ainda que Dilma foi reeleita em uma disputa apertada em outubro, mas que "desde então sua taxa de aprovação despencou junto com a economia". Um dos principais jornais do mundo, o The New York Times ilustrou sua reportagem sobre os protestos com uma foto da massa de manifestantes no Rio de Janeiro, com a praia de Copacabana ao fundo. A matéria destaca que as "centenas de milhares" de pessoas que foram às ruas pedindo a saída de Dilma aumentam ainda mais a pressão sobre a presidente, enquanto ela enfrenta crises em várias frentes: "A economia atolada em estagnação, um escândalo de propinas arrebatador e a revolta de algumas das figuras mais poderosas de sua coalizão governista", enumera o jornal. O The New York Times lembra também que os protestos coincidem com os trinta anos da redemocratização do Brasil. O espanhol El País sintetizou o 15 de março no Brasil em seu título: "O país pede mudanças no maior protesto de sua democracia. Manifestantes marcham contra a corrupção e a crise". Além da reportagem principal, o jornal também trouxe uma análise do correspondente Juan Arias. No texto, ele diz que, ao contrário do que alguns afirmavam, os protestos não atraíram apenas os brasileiros das classes mais altas. "O Brasil os desmentiu categoricamente. Diziam que era o país do 'caviar', o dos ricos, o que sairia à rua para exigir a cabeça de Dilma. Não foi. Foi o Brasil plural, foi o Brasil mestiço, o que saiu às ruas sem ideologias nem classes". Com o título "Grandes protestos no Brasil exigem o impeachment da presidente Rousseff", a matéria da britânica BBC relata que os manifestantes acreditam que Dilma sabia do escândalo de corrupção na Petrobras. A publicação deu bastante destaque às imagens das multidões pelo País, exibindo fotos dos protestos em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. "Muitos manifestantes balançavam bandeiras do Brasil e vestiam a camisa da seleção de futebol. Eles gritavam slogans contra a corrupção e o Partido dos Trabalhadores", descreve a reportagem. A BBC diz ainda que a oposição apoiou os protestos, mas não pediu abertamente pelo impeachment de Dilma. No Le Monde, principal jornal francês, a reportagem sobre as manifestações traz um vídeo com imagens da Avenida Paulista, em São Paulo, da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e da Esplanada, em Brasília. O texto menciona a Operação Lava Jato e os 49 políticos, "em sua maioria membros dos partidos da coligação no poder", que foram indiciados pela Justiça. A insatisfação com a presidente Dilma é apontada com dados ilustrando sua baixa popularidade, pressionada por escândalos de corrupção e uma "economia à beira da recessão". Os jornais argentinos também acompanharam com atenção os protestos no país vizinho. O Claríndestacou o assunto na chamada principal de seu site. "Massivas marchas de protesto no Brasil contra o governo Dilma", diz a manchete. O periódico registrou que as manifestações aconteceram nas principais cidades do país, mas que em São Paulo a mobilização foi "enorme". Para o La Nación, mais de 2 milhões de brasileiros gritaram "Fora Dilma!" nas ruas do país. O jornal colheu declarações de manifestantes em São Paulo e descreveu o ambiente amistoso dos atos. "Famílias com crianças pequenas, grupos de jovens e casais aposentados, vestidos com a camisa da seleção nacional, cobertos com bandeiras do país e com o rosto pintado com as cores do Brasil, foram em massa para a Avenida Paulista".

China vira o terceiro maior exportador mundial de armas


Superando de uma só tacada Alemanha e França, a China passou de quinta para a terceira posição no ranking de maiores exportadores de armas no mundo, de acordo com os números publicados nesta segunda-feira pelo International Peace Research Institute. Com base no período 2010-2014, os números apontam que, no mercado de armas, "os Estados Unidos estão claramente na liderança" (31% das exportações), à frente da Rússia (27%). Os três países seguintes aparecem bem atrás, com cerca de 5% das exportações cada um. De acordo com o instituto, "a França teria ficado em terceiro", se tivesse entregue, no final de 2014, um navio do tipo Mistral à Rússia. A entrega foi cancelada, devido ao conflito no leste da Ucrânia. Três países asiáticos recebem mais de dois terços das exportações de armamento chinês: Paquistão (41% do total), Bangladesh e Mianmar. No intervalo descrito no relatório do instituto, Pequim também negociou com dezoito países africanos. No caso da Rússia, o principal comprador é a Índia, que compra 70% dos seus armamentos dos russos. Os Estados Unidos têm a clientela mais diversificada. O primeiro importador de armas americanas, a Coréia do Sul, representa apenas 9% do total. Já a França vende, principalmente, para Marrocos (18%) e China (14%). O instituto considera ainda que os "esforços franceses para aumentar suas exportações de armas" foram coroados com o contrato firmado com o Egito em fevereiro passado. Entre os dez primeiros exportadores mundiais, China (que aumentou suas vendas no Exterior em 143%, em comparação com os cinco anos precedentes), Ucrânia e Rússia foram os que registraram o maior crescimento, enquanto as vendas de França e Alemanha diminuíram. Em relação às importações, a Índia, com 15% do mercado, está muito à frente do segundo e terceiro país, Arábia Saudita e China (5% cada um). O relatório quinquenal apontou ainda que o volume do comércio mundial de armas aumentou 16% nesses últimos cinco anos, comparativamente ao período 2005-2009. Embora esteja em alta há cerca de dez anos, o volume de armamento comercializado no mundo continua sendo um terço inferior ao topo atingido depois da II Guerra Mundial, alcançado no início dos anos 1980, no ápice da corrida armamentista nuclear desencadeada pela Guerra Fria.

Renato Duque, o homem do PT na diretoria da Petrobras, volta a ser preso na Operação Lava Jato


O ex-diretor de Serviços da Petrobras, o petista Renato Duque, apontado pelos investigadores da Operação Lava Jato como um dos principais arrecadadores de propina do PT, voltou a ser preso nesta segunda-feira, na décima fase da operação, batizada de "Que país é esse?" - o título faz referência à frase que Duque disse a seu advogado em novembro passado, quando foi preso pela primeira vez. A prisão foi decretada depois que a força-tarefa da Operação Lava Jato encontrou em Mônaco a fortuna que o petista Renato Duque limpou de contas na Suíça - documentos recebidos pelas autoridades brasileiras comprovam a movimentação do dinheiro no país europeu. Foram bloqueados 20 milhões de euros (67,8 milhões de reais) nas contas do petista Renato Duque no principado monegasco. O Ministério Público verificou que, mesmo depois de deflagrada a operação, o petista Duque seguiu desviando dinheiro de suas contas no Exterior. Relator dos processos da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o ministro Teori Zavascki havia concedido liberdade ao petista Duque em dezembro por considerar que não era legítimo manter o investigado preso preventivamente com base em argumentos de que, em liberdade, ele poderia fugir para o Exterior. E agora, Zavascki vai libertar novamente o petista Renato Duque? A investigação apontou, ainda, registro de transferências para outras contas nos Estados Unidos e em Hong Kong, mas ainda fora do alcance das autoridades brasileiras. A nova prisão preventiva foi decretada, portanto, para evitar novos crimes de lavagem em relação ao dinheiro secreto ainda não bloqueado. Afilhado dileto do bandido petista mensaleiro José Dirceu, por indicação de quem ocupou a Diretoria de Serviços, o petista Renato Duque foi preso em sua casa, no Rio de Janeiro, nesta manhã de segunda-feira. O mandado expedido contra ele é de prisão preventiva, ou seja, não há prazo estipulado para soltura. Ele é um dos principais alvos desta fase da Lava Jato, ao lado do empresário Adir Assad, apontado como verdadeiro dono de empresas utilizadas pelas empreiteiras para lavar dinheiro no esquema do Petrolão do PT. Assad é velho conhecido da Justiça: foi um dos investigados pela CPI do Cachoeira e também um dos alvos de inquérito da Polícia Federal nas investigações sobre a empreiteira Delta. Assad foi preso em sua casa em São Paulo. Em dezembro de 2013, reportagem de VEJA mostrou que Adir Assad montou uma rede de empresas que não existem para prestar serviços de corrupção e financiamento clandestino de campanhas eleitorais. A contabilidade de suas empresas revela que elas receberam 1 bilhão de reais, entre 2006 e 2013, de 134 clientes, como empreiteiras, bancos, usinas de energia, empresas de logística, incorporadoras e concessionárias de rodovias. Quase metade dos clientes (cinquenta) são empreiteiras e empresas da construção civil, que juntas desembolsaram 750 milhões de reais. A evolução do faturamento de Assad acompanha a escalada da Delta no ranking de fornecedores da União. Em 2006, as firmas do empresário faturaram 660.800 reais. Em 2010, ano de eleições gerais, 379 milhões de reais. Além dos dois mandados de prisão preventiva e quatro de temporária, os agentes cumpriram doze mandados de busca e apreensão expedidos pela 13ª Vara Federal do Paraná. Os presos são investigados pela prática dos seguintes crimes: associação criminosa, uso de documento falso, corrupção passiva e corrupção ativa, além de fraude em processo licitatório e lavagem de dinheiro. Três alvos são laranjas de Assad e um é filho do operador Mário Goes, que está preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba desde fevereiro e deve ser denunciado à Justiça nesta semana. Lucélio, filho de Goes, era sócio do ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, em uma lavanderia industrial. O próprio operador foi sócio de Barusco na JPA lavanderia industrial. Em acordo de delação premiada, o ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, braço direito do petista Renato Duque na Petrobras, disse que o pagamento de propina na petroleira envolveu 90 contratos de obras de grande porte entre a estatal, empresas coligadas e consórcios de empreiteiras. Os contratos estavam vinculados às diretorias de Abastecimento, Gás e Energia e Exploração e Produção. No rateio da propina, era cobrado 2% do valor do contrato, sendo que 1% era administrado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, e o outro 1% era repartido entre o PT e diretores da Petrobras, incluindo Renato Duque e Jorge Zelada, da Área Internacional da petroleira. Segundo Barusco, na partilha do dinheiro sujo, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, recebeu até 200 milhões de dólares, sendo que parte desta propina foi repassada ao caixa da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República em 2010. Quando o petista Renato Duque deixou a Diretoria de Serviços, em 2012, ele fez uma espécie de acerto de contas com o então braço direito para receber parte da propina que havia sido direcionada inicialmente ao auxiliar. No acordo, Barusco destinou valores de futuras propinas para o ex-chefe, já que, no acordo do chamado Clube do Bilhão, diversas empresas ainda precisavam confirmar o pagamento de dinheiro na trama criminosa. Apenas a Camargo Corrêa, por exemplo, devia 58 milhões de reais em propina na época. A participação de Renato Duque no esquema de cobrança de propina na Petrobras foi amplamente detalhada às autoridades da Operação Lava Jato, em especial em acordos de delação premiada. Além das informações de Barusco, o diretor da Divisão de Engenharia Industrial da empresa Galvão Engenharia, Erton Medeiros Fonseca, por exemplo, afirmou à Justiça que a empreiteira pagou 8,8 milhões de reais, de 2010 a 2014, em propina para um emissário da diretoria de Serviços da petroleira. O último repasse, segundo os comprovantes anexados pela empreiteira ao inquérito, são de junho de 2014, quando a Operação Lava Jato já havia sido deflagrada. Mais: o executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, da empresa Toyo Setal, também informou à Justiça a participação do petista Renato Duque no escândalo do Petrolão do PT e disse que, no Clube do Bilhão, normalmente a propina a ser paga a Paulo Roberto Costa seria de 1% por contrato, e de Duque outros 2%, embora cada empresa pudesse negociar diretamente com os diretores, em uma espécie de barganha de propina. No caso da Toyo Setal, por exemplo, Duque recebeu 1,3% de propina por contrato celebrado com a Petrobras, enquanto Costa recebeu 0,6%.​

Eles queriam ser os novos senhores dos negros. Quebraram a cara!

Aparelhos de TV se tornaram coisas muito complexas. Deu um problema no que tem aqui em casa. Como é mesmo? A peça que se conecta com o sistema Wi-Fi pifou, provavelmente em razão de variação de corrente elétrica — esta já remete à crise mais geral, de infraestrutura. Também é complexa, mas deriva do atraso tecnológico, não do avanço.

Dois técnicos da empresa saíram daqui agora há pouco. Negros, por volta dos 25 anos. Conversaram sobre a manifestação. Um se mostrou entusiasta do protesto contra Dilma e já prometeu que estará presente no dia 12 de abril. O outro não estava nem aí. Nem para os que aderem nem para os que rejeitam. Também não fez a defesa do governo. Essas coisas simplesmente não parecem lhe dizer respeito. O outro o censurou por isso: “Você quer só reclamar, não quer lutar pra melhorar”. O que foi provocado respondeu: “Quem disse que eu tou reclamando? Já me ouvi reclamar? Eu tou é cuidando da minha vida. Se eu não garantir o meu, ninguém garante!”. E assim segue a vida. Agora ao ponto que vai além da crônica ligeira.
Para o PT, “negro de verdade”, nenhum dos dois é. Um pertence, segundo os critérios da fina sociologia desenvolvida nos botecos do Complexo Pucusp pela companheirada, à “elite branca”, embora seja negro. O outro é um alienado. Um alienado negro. O segundo tem salvação ideológica; o primeiro está condenado a ser um trânsfuga, um “preto de alma branca”. Não foi esse o ataque que dirigiram ao jornalista Heraldo Pereira, da Globo?
Os esquerdistas, de maneira geral, acham que os negros ainda não se libertaram da escravidão. Hoje, eles teriam de servir a outros senhores: os que pretendem fazer do racismo, no Brasil, um botão quente a ser acionado, já que esse papo de luta de classes anda meio pelo avesso. É o que chamo há muito tempo de “racismo de segundo grau”. A elite supostamente pensante — só lê os livros, quando os lê, que endossam seus preconceitos —, pouco importa a cor de sua pele, acha que negros só têm uma “consciência verdadeira” quando adotam a pauta estabelecida por seus mestres mal lidos. Assim, um negro só será livre se gritar “viva o socialismo!”, “abaixo o racismo!”, “fica Dilma!”, “impeachment é golpe!”.
Logo, os milhares de negros e mestiços que estavam nos protestos contra Dilma neste domingo não merecem usar o que passa a ser um traço distintivo: “É negro!”. Ou eles se subordinam a uma das centenas de ONGs que confundem política pública com rancor ou serão execrados como traidores.
Alguém poderia indagar: “Mas eles não fazem o mesmo com os brancos? Ser progressista é aderir à pauta racialista; ser reacionário é opor-se às suas teses”. É fato, mas existe uma diferença importante: a adesão dos brancos seria só um primado político e moral; a dos negros, uma obrigação biológica.
A tese é um lixo, mas prosperou. Há brancos e negros racialistas que têm a ambição de ensinar a um negro como deve se comportar um “verdadeiro negro”. Há héteros e gays do sindicalismo gay que fazem a mesma coisa com os homossexuais. Há homens e mulheres de certo feminismo rombudo que fazem o mesmo com as mulheres. E isso vale para qualquer das minorias sociológicas do catálogo politicamente correto.
No fim das contas, para essa gente, a situação real das pessoas — ou de sua “categoria” — é o que menos importa. A única coisa que interessa é que  carreguem bandeira e sirvam a um projeto de poder que satisfaça as ambições e os rancores daqueles que se apresentam como donos da causa, sejam héteros ou gays, homens ou mulheres, brancos ou negros.
Neste domingo, na rua, vimos os brasileiros sem canga. A militância partidária, de oposição a Dilma, foi convidada a não ser muito saliente. Tratou-se, em suma, de uma manifestação entre iguais de pessoas diferentes. Assim é a República. Os petistas tentam destruí-la. Mas não conseguirão. Por Reinaldo Azevedo

Ô Thomas Traumann, segure os extremistas!

Vocês podem não acreditar, e sei que não acreditam, mas é fato: habitualmente, não leio mesmo o que escrevem os blogs do lulo-petismo-oficialismo. Há esquerdistas informados, cultos, com referências bibliográficas e formação intelectual? A resposta, infelizmente, é “sim”. E escrevo esse “infelizmente” lamentando eventuais talentos que se perdem. “Ah, Reinaldo, se eles fossem tudo isso, não seriam de esquerda…” Não é por aí, mas não me perderei nesse particular.

Mas alguma coisa sempre chega, em links enviados por amigos e leitores. Os blogs alinhados com o governo, boa parte recebendo, direta ou indiretamente, dinheiro oficial, o que passa pela Secretaria de Comunicação — cujo titular é Thomas Traumann —, deram agora para incentivar até o assédio, em espaços públicos, daqueles que consideram adversários.
O caminho é esse, senhor secretário? Isso colabora com a sua causa?
Pior: atacam abertamente dois milhões — ou milhão, como quer outra conta — de pessoas que comparecem espontaneamente a uma manifestação.
Nas redes sociais, os militantes estão completamente fora do controle — e, nesse caso, quem dá as cartas é o senhor Alberto Cantalice, vice-presidente do PT. Traumann não tem nada com isso. Dilma é que deveria dar um murro na mesa. Mas o PT dá bola para o que ela fala?
O mais impressionante é que tudo isso poderia, embora desagradável e absurdo, servir, de algum modo, à presidente. Mas só piora tudo.
O risco não está nas ruas, onde há pessoas pacíficas. O risco está numa máquina poderosa e destrambelhada, que perdeu o senso de ridículo e a leitura da realidade. Por Reinaldo Azevedo

UM CASO EXEMPLAR: PETISMO AGORA INCENTIVA PERSEGUIÇÃO E ASSÉDIO NAS RUAS. E AÍ, THOMAS TRAUMANN? A ONDA VAI SER MESMO O ESTÍMULO AO COMPORTAMENTO FASCISTOIDE?

O que vou relatar aqui tem testemunhas:

- dezenas de pessoas que iam para o protesto;
- seguranças da Linha Amarela do metrô;
- Policiais militares.
Estava indo à manifestação, em companhia da minha mulher, num vagão da Linha Vermelha do Metrô, quando percebi alguém com um celular quase colado à minha orelha. Em companhia de outra jovem, a moça então dizia:
“Olhe, Reinaldo Azevedo indo para a manifestação. Deve ser a primeira vez que pega metrô na vida.” E com o celular ali, colado à minha orelha. Tanto é assim que esta  imagem, de autoria da moça — e dá para perceber que eu não sabia que estava sendo fotografado —, corre por aí. O deputado  Jean Wyllys (PSOL-RJ), me dizem, a publicou em seu Facebook como se fosse um absurdo eu estar num vagão de metrô.
Reinaldo Metrô
Fiquei incomodado. E seguiu-se um diálogo:
— Algum problema, moça?
— Estou cobrindo a manifestação.
— Não! Você está me incomodando.
— O metrô é público.
— Mas eu não sou. Já fez a foto? Então chega!
— Estou trabalhando.
— Para quem?
— Para a Folha de S.Paulo.
— É? Qual é o seu nome? Cadê a identificação?
— Você acha que eu vou dizer?
— Chega, conseguiu o que queria!
— Você está bravo só porque eu estou de vermelho?
— Você tá maluca!
— Você está bravo porque eu sou negra?
— Tenha dó!
— Você não gosta de dividir o espaço com um negro?
Sim, a moça estava pronta para arrumar um barraco e me acusar de racismo.
Assim mesmo, meus caros! Tenho as testemunhas todas, que se prontificaram a comparecer em juízo se eu tomar esse caminho. Chegamos à Linha Amarela do Metrô. Confesso que a reação à minha presença na plataforma até me constrangeu um pouco. Fui saudado por centenas de pessoas. Acenei, discretamente, posei para alguns selfies e pronto. E assim é não porque eu lidere alguma coisa, mas porque a realidade está se encarregando de demonstrar qual visão sobre o Brasil estava certa e qual estava errada. Não me refiro, claro!, à “minha” visão, mas àquela que remete a um país democrático e plural. Volto. Eu, de fato, estava indo trabalhar.  Escreveria a respeito.
Ela continuou colada a mim dentro do vagão da Linha Amarela, com o mesmo comportamento. Chegou a hora de dizer o seu nome e mostrar o seu rosto: segundo consta, Ana Krepp. Teria feito jornalismo no Mackenzie e, consta, saiu publicado em algum lugar, já trabalhou na Folha, de onde teria sido demitida. Nem vou me incomodar de perguntar ao jornal se isso é verdade porque não tem importância. Fato: ela não é jornalista da Folha. Tinha sido escalada para me importunar.
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Não desistiu. Colou em mim ao descer do trem.
Fiz o que as pessoas decentes fazem: sentindo-me assediado, incomodado, sem saber com que propósito e por quem, acionei a segurança da linha amarela. Tenho aqui o nome do profissional que me atendeu. Expliquei a situação. Eles recomendaram que eu e minha mulher esperássemos, déssemos um tempo. Pois a Ana Krepp não teve dúvida. Quando parece, esperando passar o fluxo, ela também parou. A pauta era eu. A pauta era me provocar. A pauta era arrumar confusão comigo num ambiente que poderia desencadear um tumulto. E esse era meu maior temor.
A segurança do metrô pode atuar, de maneira limitada e sem poderes de polícia, só na área da estação. Muito bem. Desci na estação Trianon, ela sempre grudada a mim, de celular em punho e fazendo comentários agressivos com a sua amiga. Encontrei, então, um grupo de policiais e fiz, mais uma vez, o que fazem as pessoas normais quando estão sendo assediadas: “Aquela moça está me importunando desde a Linha Vermelha do Metrô”.
O policial foi falar com ela. À diferença do que se diz por aí, não “fichou” ninguém. Fez com ela o que fez comigo: pediu nome e número de RG, nada mais. Mas não pensem que ela se intimidou, não! Ela queria confusão. Ela perseguia uma manchete: “Em tumulto liderado por Reinado Azevedo, militante petista é agredida porque estava de camiseta vermelha e é negra”, como ela fazia questão de anunciar.
Blogs sujos
A fantasia dela — contra todas as testemunhas — de que tentei obstar o seu trabalho (qual trabalho?) foi parar nos blogs sujos. E, agora, para a minha surpresa, recebo da revista Imprensa o seguinte e-mail:
Boa tarde, Reinaldo. Tudo bem?Estamos publicando no portal IMPRENSA uma nota sobre a denúncia da jornalista Ana Krepp de que você a teria ameaçado ontem à caminho da manifestação na Av. Paulista. Gostaria de saber se quer comentar o caso e dar sua versão.Aguardo seu retorno.
Vale dizer: um indivíduo — tenho o direito de ir e vir, ou não? — é absurdamente assediado num espaço público, faz a coisa correta, que é acionar os seguranças do metrô e a Polícia Militar, e vira “notícia”.
Também fotografei e filmei
Quando percebi que ela não parava mesmo de me fotografar, que não saía do meu pé, eu também a fotografei. E filmei. E disse, sim: “Vou colocá-la no blog para ficar claro que você está me assediando. E tenho testemunhas”. Como se pode notar, agi corretamente. De resto, não sabia quem era ela, o que queria, qual o propósito.
Histeria coletiva
Esse troço nasce da histeria que tomou conta das páginas que servem ao lulo-petismo — no momento, defendem Dilma por falta de opção, mas sem muita convicção. 
Tenho as testemunhas, tenho tudo documentado, e vou continuar a fazer a coisa certa no estado de direito, a exemplo do que fiz ontem. A revista Imprensaconsidera que tudo é uma questão de “lado” e “outro lado”? A minha foto no vagão do metrô, que circula por aí, feita pela moça, evidencia que eu nem sei que estou na mira do seu celular. O registro que fiz dela evidencia que ela sabe estar sendo fotografada. Eu avisei.
Não sei que apito toca essa moça ou para quem trabalha. Se é só uma agente provocadora, fez direito o seu trabalho. Se não tem emprego, espero que os blogs que servem ao PT a contratem logo. Ela merece. E por um bom salário. Se posso colaborar para melhorar a sua vida, tanto melhor.
O governismo acha que é fazendo coisas como essa que vai conseguir reverter a maré negativa? “Olhe o Reinaldo afirmando que essa moça é uma agente…” Eu estou afirmando que a tentativa de me atacar é organizada e tem a marca registrada dos blogs oficialistas. Com a palavra, Thomas Traumann. Enviam-me trecho de um delirante que anda por aí em busca de notoriedade, segundo quem eu — sim, eu!!! — sou um dos responsáveis pela megamanifestação de ontem, que pode ter reunido mais de dois milhões de pessoas no Brasil inteiro.
Não! Eu não! Eu não me dou tanta importância. Não sou megalômano.
Ana Krepp é o nome dela? Olhe aí, Ana! Aproveite bem o seu grande momento. Faça com que o episódio lhe renda uma promoção na hierarquia da militância, com os óbvios benefícios que isso acarreta. 
Se a revista Imprensa acha que isso é pauta, a resposta está dada.
PS: Estou fechando a área de comentários. Como essa história não para aqui, não quero usar o episódio para eventual proselitismo. Peço a vocês que não comentem o caso em outros posts. 
PS2 – Agradeço a acolhida calorosa na manifestação de ontem. É bom apertar a mão de quem trabalha. É bom apertar a mão de quem estuda. É bom apertar a mão de quem trabalha e estuda. É bom apertar a mão de quem diz com clareza e orgulho: “Eu vim de graça!”. Nunca fui tão fotografado. Com o meu consentimento. De resto, meus caros, eis aí a imprensa com a qual eles sonham. O governo Dlima está só no começo das suas dificuldades. Se esse for o padrão, acaba caindo antes do que imagina. Por Reinaldo Azevedo

O 15 DE MARÇO 2 – A entrevista de um descontrolado e de um deprimido. E tome novo panelaço Brasil afora! PT nunca esteve tão perdido

Vejam esta foto, que me foi enviada por um amigo. Desconheço o autor. Se quiser se identificar, é só mandar uma mensagem para o blog.

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Não poderia haver retrato maior da perdição em que se meteu o petismo. Desde que o partido foi criado, nunca o vi cometer tantos erros em série. Com essa tropa de trapalhões, Dilma está lascada. Mas como ignorar que é ela a chefe? Como vocês veem acima, um grupo de negros — tudo indica se tratar de uma família — faz troça da máxima veiculada nas redes sociais pelo PT e por seus asseclas no subjornalismo: só a elite branca teria disposição para ir às ruas. Bem, como eles são obviamente negros e como estão protestando contra Dilma, então passam a ser, segundo critérios petistas, elite branca.
O PT e o governo demonstraram, mais uma vez, na noite de ontem, que não estão entendendo nada. Isso, sim, é perigoso, não a população pacífica nas ruas. Mal os protestos haviam terminado, os ministros José Eduardo Cardozo, da Justiça, e Miguel Rossetto, da Secretaria-Geral da Presidência, concederam uma entrevista coletiva. Não foi veiculada em rede nacional. Mesmo assim, ouviu-se um várias cidades do país uma panelaço semelhante àquele do dia 8 de março, quando Dilma foi a TV sob o pretexto de homenagear as mulheres.
Apresento a Miguel Rossetto três perigosas golpistas da elite branca, de olho azul... Governo está perdido!
Apresento a Miguel Rossetto três perigosas golpistas da elite branca, de olho azul… Governo está perdido! (Foto: Beto Ribeiro)
Com ar deprimido, visivelmente perdido, Cardozo anunciou que o governo pensa num pacote de medidas contra a corrupção. Dilma prometeu o mesmo em 2013. Mas não ficou por aí: apontou a reforma política como a cura dos males. Segundo os ministros, é preciso acabar com a doação de empresas privadas a campanhas políticas — talvez a ideia mais estúpida e malandra do petismo.
O tom de Cardozo em relação às manifestações mudou. Segundo disse, não viu golpismo, não. Aí foi a vez de Miguel Rossetto barbarizar. Para o ministro, “os protestos ocorridos hoje são de setores críticos ao governo, e seguramente essa participação parece ser de eleitores que não votaram na presidente Dilma”. É a tese cretina do terceiro turno. Rossetto, que certamente não estava nas ruas, chamou de golpista, sim, a defesa do impeachment de Dilma. Membro de uma corrente de esquerda do PT chamada “Democracia Socialista”, o ministro certamente nunca viu o povo de verdade, sem o pedigree ideológico da sua turma.
Dia desses, Renan Calheiros disse que o governo tinha envelhecido precocemente. Pode ser. Mas velho mesmo, de verdade, é o PT. Nas ruas, havia pobres, ricos, gente de classe média. Lá estavam negros, brancos, mestiços. Protestavam mulheres e homens, homo e heterossexuais, adultos, jovens e muitas crianças acompanhando os país. O repúdio ao governo petista os unia a todos.
A entrevista, que deveria servir como uma bandeira branca, uma tentativa de aproximação, teve efeito contrário: panelaço, buzinaço, gritos de “Foraaa!”. Ou por outra: Dilma ajudou a convocar a manifestação deste domingo com o seu desastrado pronunciamento do dia 8. Os dois ministros praticamente marcaram um novo protesto.
Pior: a tese da reforma que os dois abraçaram na entrevista não conta com o apoio do PMDB, seu maior aliado. Eu me pergunto que espírito soprou aos ouvidos de Dilma e de seus homens fortes que a entrevista coletiva era uma boa ideia. O bom senso estaria a indicar que o governo deveria, no máximo, ter lido uma nota curta, parabenizando os brasileiros pela manifestação ordeira e pacífica, reiterando que está empenhado em combater a corrupção e reconhecendo que existem motivos para descontentamento. E pronto.
Rossetto, com cara e discurso de descontrolado, e Cardozo, o deprimido:  a entrevista serviu para piorar um pouco as relações com a população e também com o PMDB
Rossetto, com cara e discurso de descontrolado, e Cardozo, o deprimido: a entrevista serviu para piorar um pouco as relações com a população e também com o PMDB. Obra de gênios. Não é fácil fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Seria um sinal de humildade no dia em que dois milhões tomaram as ruas, segundo dados das Polícias Militares. Mas não! O que se viu foi um atestado de prepotência e de hostilidade com os manifestantes — refiro-me a Rossetto nesse particular. Pior: o governo, que também é do PMDB, oferece como resposta uma saída que não conta — e ainda bem que não! — com o apoio do… PMDB!
A Folha informa que Dilma desabafou com um assessor: “Eu não contribuí para isso tudo e levo a culpa”. Pois é… Digamos que assim fosse. Quem, então, contribuiu, presidente? De quem é a culpa?
Está tudo errado! Mas é evidente que a presidente não tem motivos para seguir os meus conselhos, não é mesmo? Para piorar, a rede petralha, incluindo os blogs sujos, faz uma pregação abjeta e odienta na Internet, como se isso fosse resolver alguma coisa. Piora tudo.
O PT não entendeu nada. Perdeu o discurso. Perdeu as ruas. Perdeu a hegemonia nas redes sociais. Perdeu o rumo. Isso, sim, é um tanto perigoso. Nessas condições, tende a fazer ainda mais bobagens. A entrevista da dupla serviu para piorar um pouco mais a relação do governo com a população e com o PMDB. É obra de gênios. Não é fácil fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Por Reinaldo Azevedo