quarta-feira, 18 de março de 2015

SOSSELA, EX-PRESIDENTE DA ASSEMBLÉIA GAÚCHA, AQUELE DO CHURRASCO DE 2.500 REAIS, PODERÁ SER CASSADO NESTA QUINTA-FEIRA PELO TRE

O deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Gilmar Sossella (PDT), irá a julgamento mais uma vez às 17 horas desta quinta-feira, no Tribunal Regional Eleitoral. Os magistrados vão examinar o recurso de embargos de declaração da defesa do pedetista em relação à decisão do dia 24 de fevereiro que determinou a sua cassação. Caso os embargos sejam negados pela Corte, Sossella perderá o mandato até que consiga um efeito suspensivo no Tribunal Superior Eleitoral. No seu lugar, assumiria o segundo suplente da bancada do PDT, Vinicius Ribeiro, hoje presidente da Corag. Sossella é aquele que pressionou funcionários da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul para que comprassem ingressos no valor de 2.500 reais para um churrasco de apoio à sua candidatura. 

Eduardo Cunha suspende ato, e depoimento do petista Renato Duque à CPI da Petrobras deverá acontecer na Câmara


O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), suspendeu nesta quarta-feira (18) os efeitos do ato da Mesa de 2006 que impedia que presos prestassem depoimento nas dependências da Casa.  Com isso, o ex-diretor da Petrobras, o petista Renato Duque, deve falar à CPI da estatal nesta quinta-feira (19) na própria Câmara, e não mais na Polícia Federal, como estava previsto. A transferência do local do depoimento de Renato Duque, indicado pelo PT à diretoria de Engenharia e Serviços da Petrobras, atende a interesses da oposição, que preferia que a oitiva acontecesse na Câmara para ampliar sua repercussão. O petista Renato Duque foi preso na segunda-feira (16) e está na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Ele é acusado pelo Ministério Público Federal de receber propinas de empreiteiras que formaram um cartel para obter contratos da Petrobras. Também é acusado de repassar parte da propina ao tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Ambos negam as acusações.

Lula convoca PT para discutir "atual situação política" em reunião em São Paulo

A pedido do ex-presidente e alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações"), o PT convocou, nesta quarta-feira (18), seus dirigentes para uma grande reunião em São Paulo. Além da cúpula do partido, os presidentes estaduais foram chamados para o encontro, que acontecerá no dia 30 em um hotel da capital paulista. O objetivo, diz o email de convocação, é "discutir as tarefas do PT na atual situação política". "A reunião também será para preparar o partido para atuar na agenda de mobilização dos movimentos populares em defesa da democracia e das conquistas sociais nos governos de Lula e Dilma", diz. Leia a convocação: 
"Aos Membros da Comissão Executiva Nacional
Presidentes de Diretórios Estaduais do PT
Companheiras e companheiros,
Dia 30 de março realizaremos uma reunião com a presença do ex-presidente Lula, cujo objetivo é fazer uma discussão das tarefas do PT na atual situação política. A reunião também será para preparar o partido para atuar na agenda de mobilização dos movimentos populares em defesa da democracia e das conquistas sociais nos governos de Lula e Dilma. É fundamental que os presidentes (as) estaduais reúnam-se antes com as direções estaduais".

Cid Gomes é demitido após agravar crise com Congresso

Depois de provocar a ira de deputados governistas e de oposição, a quem chamou de “achacadores”, e comprar briga com o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o ministro da Educação, Cid Gomes, foi demitido do cargo na tarde desta quarta-feira. A informação foi divulgada pelo próprio presidente da Câmara e recebida com aplausos pelo plenário. A cadeira do chefe da pasta responsável pela “Pátria Educadora”, bordão que a presidente Dilma Rousseff tentou lançar, é a primeira a ficar vaga em menos de cem dias de mandato. Oficialmente, Cid Gomes disse ter entregado o cargo imediatamente após abandonar uma sessão da Câmara na esteira de um bate boca com deputados – o Palácio do Planalto confirmará a versão. Porém, sua saída foi uma reação imediata à ameaça do feita pela bancada do PMDB de não votar mais projetos enviados pelo governo caso Gomes permanecesse no cargo. A passagem do ministro pelo plenário foi tensa do começo ao fim. Gomes foi convocado pelos parlamentares para explicar a frase de que “a Câmara tinha 300 a 400 achacadores”, dita durante palestra para estudantes na Universidade Federal do Pará há 20 dias. Porém, ao contrário do que os deputados esperavam – uma retratação -, ele repetiu a frase e ainda provocou diretamente Eduardo Cunha: “Eu fui acusado de ser mal educado. O ministro da Educação é mal educado”, afirmou, em referência à declaração de Cunha, feita logo após articular a convocação de Gomes. E continuou, apontando para o chefe da Câmara: “Eu prefiro ser acusado por ele do que ser como ele, acusado de achaque, que é o que diz a manchete da Folha de S.Paulo”, continuou o ministro da Educação, em alusão às denúncias de envolvimento de Cunha com o esquema do petrolão. A fala incendiou o plenário e provocou uma reação multipartidária, com parlamentares se revezando na tribuna para emparedá-lo. Gomes decidiu deixar a Câmara quando, da tribuna, o deputado Sérvio Zveiter (PSD-RJ) afirmou: “No fundo o senhor está fazendo papel de palhaço. Era melhor colocar uma melancia no pescoço”. Cid Gomes interrompeu o discurso do deputado para cobrar respeito. Foi quando Cunha interferiu: “Vossa excelência nem parlamentar é para interromper o deputado”. Enquanto Zveiter repetia a frase que acabara de dizer, Cid Gomes se dirigiu à saída do plenário. Do lado de fora, cercado pela claque de prefeitos do interior do Ceará que levou a Brasília, o ministro disse que não pediria demissão. “Eu sou ministro até o dia em que a presidente Dilma desejar”, disse. Mas o estrago já estava feito: simultaneamente, o PMDB anunciava que não votaria mais projetos de interesse do Palácio do Planalto. Enquanto Cid Gomes caminhava até o Palácio do Planalto, o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, telefonou para Cunha para dar a notícia – e fazer o afago. Cid Gomes não era mais o ministro da Educação. Ao deixar o Palácio do Planalto, Cid admitiu que deixava o posto por ter atiçado a já inflamada relação do governo com o Congresso. “A minha declaração e, mais do que ela, a forma como eu coloquei na Câmara, é óbvio que criam dificuldade na base do governo. Portanto, eu não quis criar qualquer constrangimento.” A exemplo do irmão, o ex-ministro lulista Ciro Gomes, Cid tem um extenso histórico de polêmicas em suas duas passagens pelo governo do Ceará. Além de excentricidades , como um contrato de mais de 3 milhões de reais por ano para abastecer a cozinha do Executivo com um cardápio de luxo, Cid enfrentou professores cearenses em 2011 ao afirmar que eles deveriam trabalhar por “amor” e sugerir que os docentes pedissem demissão e fossem para o ensino privado caso quisessem salários maiores. Em sua gestão no governo do Ceará, Cid utilizou um jatinho pago com dinheiro público para levar a família para passear na Europa e foi alvo do Ministério Público por ter contratado a cantora Ivete Sangalo e o tenor Plácido Domingo para shows de inauguração de obras locais – apenas o cachê do cantor espanhol chegou a 3,1 milhões de reais.

"Vou processar", diz Eduardo Cunha

Eduardo Cunha disse que a procuradoria processará o "agressor" Cid Gomes, em nome da Câmara, e que ele também processará o ministro, na pessoa física. "Não vou levar essa ofensa de achacador para casa", afirmou o deputado. E acrescentou: "Se o Poder Executivo mandou um representante seu vir aqui para agredir esta Casa, e não fizer nada a respeito, é preciso responder", disse Eduardo Cunha.

Dilma será investigada pelo TCU, e também Jorge Gerdau Johannpeter

Está sendo um longo dia para Dilma Rousseff. Por iniciativa do ministro substituto André Luís de Carvalho, o Tribunal de Contas da União irá investigar a atuação do Conselho de Administração da Petrobras, e também do seu Conselho Fiscal, nas lambanças que dilapidaram o patrimônio da estatal. Como Dilma Rousseff foi presidente do Conselho de Administração de 2003 ao início de 2010, isso significa que os auditores do tribunal poderão esmiuçar tudo o que ela fez enquanto tal -- e pedir o bloqueio dos seus bens, por exemplo, se ficar comprovada a sua culpa em negócios estranhos, como a compra de refinaria de Pasadena. Dilma, sabe aqueles 150 mil em espécie que você guarda debaixo do colchão? Se tudo der certo, já eram. Eles servirão para ressarcir a União da gestão ruinosa na Petrobras. (O Antagonista)

Gravação comprova que objetivo do Mais Médicos é enviar dinheiro a Cuba


Uma gravação divulgada ontem pelo Jornal da Band comprova que há uma trama entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) para acobertar a intenção de favorecer a ditadura cubana por meio do Programa Mais Médicos. O áudio consiste numa conversa entre a coordenadora do programa pela Opas, a pernambucana Maria Alice Barbosa Fortunato, e funcionários do ministério. Maria Alice alerta: "Eu acho que não pode ter o nome 'governo de Cuba' porque senão vai mostrar que nós estamos driblando uma relação bilateral". Ela sugere que, para tirar o foco de Cuba, o governo finja que o programa está aberto para médicos de outros países. "Eu posso colocar atividades do Mercosul e da Unasul, que vai dar dois milhões. Dois milhões (de reais) em relação a um bilhão e seiscentos milhões (de reais), será que na coisa da justiça tem problema?", diz a funcionária da Opas. A gravação também mostra que o Brasil lavou as mãos quanto ao confisco, pelo governo cubano, da maior parte do pagamento aos médicos. O assessor especial para assuntos internacionais do Ministério da Saúde, Alberto Kleiman, afirma na gravação que o valor dos salários e a forma de pagamento já haviam sido definidos pelo assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia. "Sessenta (por cento) para o governo e 40 (por cento) para o médico. O Marco Aurélio (Garcia) botou isso na reunião, só para socializar", afirma Kleiman. Maria Alice discorda: "A relação é do governo deles, eles que decidem. Não é a gente que vai interferir nisso". Em outubro de 2013, VEJA revelou como a intermediação da Opas serviu para o governo brasileiro ocultar o verdadeiro objetivo do Programa Mais Médicos - arrumar uma maneira de enviar dinheiro a Cuba. Os registros do Ministério da Saúde permitiram descobrir que o chefe da representação da Opas no Brasil, o cubano Joaquim Molina, apresentou a minuta do contrato no dia 17 de dezembro de 2012, seis meses antes de o programa ser anunciado publicamente, em meio aos protestos de 2013.

Transpetro é multada em R$ 50 milhões por omitir dimensão de vazamento


A subsidiária de logística da Petrobras, Transpetro, foi multada em 50 milhões de reais pelo Conselho Diretor do Instituto Estadual do Ambiental (Inea), órgão ambiental do estado do Rio de Janeiro. A multa foi aplicada devido ao vazamento ocorrido na segunda-feira da semana passada, no Terminal Baía da Ilha Grande, na Costa Verde do Estado. Segundo o Inea, a Transpetro omitiu a dimensão do vazamento. Em comunicado oficial, o órgão ambiental afirmou que, assim que foi comunicado pela empresa, "acionou suas equipes de emergência e sobrevoou a área indicada pela Transpetro". A observação inicial foi que a quantidade de óleo vazada era pouco significativa, estimada em cerca de 560 litros. Nesta quarta-feira, durante um novo sobrevôo, no entanto, verificou-se que a "extensão da mancha é muito maior, o que leva a crer que a empresa omitiu informações ao Inea". Segundo informações do Inea, o acidente aconteceu durante uma operação de transferência de óleo entre duas embarcações atracadas no píer, o Gothenburg, que trazia o óleo de uma plataforma de Macaé, e o Buena Suerte, que levaria o produto para o Exterior. Um dos tanques de lastro do Gothenburg estava contaminado com óleo, que vazou ao ser enchido de água para compensar a retirada do óleo, detalhou o instituto. Em nota, a Transpetro informou que a apuração do volume derramado ainda não foi concluída. "A Transpetro não omitiu qualquer informação das autoridades competentes, que acompanham desde o início os trabalhos de contenção e remoção. A companhia esclarece ainda que em nenhum momento transmitiu a esses órgãos informações sobre o volume derramado, pois a apuração ainda não foi concluída", diz o comunicado. A subsidiária da Petrobras informa também que instaurou uma comissão interna para apurar as causas do acidente e que está utilizando embarcações, barreiras de contenção e absorventes para recolher o óleo vazado. Inicialmente, a empresa havia estimado em 560 litros o vazamento do óleo, ocorrido durante o transporte entre duas embarcações lotadas no Terminal de Angra dos Reis (RJ).

Operação Lava Jato já impacta mercado de trabalho, diz ministro


O ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, disse que a Operação Lava Jato influenciou no resultado negativo do emprego em fevereiro, que registrou o fechamento de 2.415 vagas, o pior resultado para o mês desde 1999. "Certamente, nesse primeiro momento, a Lava Jato influenciou em redução de emprego", avaliou o ministro, em entrevista nesta quarta-feira. Manoel Dias acrescentou que o impacto é registrado no Brasil inteiro, não só no Estado do Rio de Janeiro, onde está localizado o problemático complexo petroquímico do Comperj. Ele lembrou que muitas empresas terceirizadas já tiveram problemas e fez referência à situação financeira da estatal. "A própria Petrobras, que tinha uma previsão de investimentos de 50 bilhões de reais, prevê uma redução de 20%", disse. Para ele, os problemas são claramente percebidos na construção civil. O setor fechou 25 mil vagas em fevereiro. "Tem influência, na medida em que serão repactuados esses contratos", disse. O ministro espera que o quadro melhore com o avançar das investigações e a assinatura de acordos de leniência com as empresas envolvidas. Dias também avaliou que o resultado do Caged de fevereiro não foi "excepcional", mas reverte uma expectativa negativa, quando comparado ao resultado de janeiro, que teve menos 81 mil vagas. "A perda de novos postos, em torno de 2 mil, demonstra estabilidade", avaliou o ministro. Segundo ele, um dos fatores que provocaram o resultado é o ajuste fiscal promovido pelo governo, mas os setores vão reagir positivamente às medidas. Ele reforçou que não haverá cortes de programas de distribuição de renda. O ministro informou ainda que espera uma melhoria nos dados da construção civil, na medida em que começarem novos contratos. Segundo ele, o Ministério do Trabalho, através do FGTS, tem um orçamento de 65 bilhões de reais em 2015, que serão aplicados na construção de casas para a população de baixa renda. "Nesses primeiros dois meses de 2015, já foram contratados 8,7 bilhões de reais para a construção de 99 mil unidades para essa população. Isso representa a geração de emprego, de 285 mil novos postos", afirmou.

Ministério Público pede paralisação das obras de ciclovias em São Paulo


O Ministério Público do Estado de São Paulo recomendou nesta terça-feira que a Justiça obrigue a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) a paralisar as obras de instalação das ciclovias na capital. A ação civil pública com pedido de liminar foi assinada pela promotora de Habitação e Urbanismo Camila Mansour Magalhães da Silveira. Com base em avaliações de técnicos do Ministério Público, a promotora enumerou uma série de irregularidades na construção das vias exclusivas para bicicletas, que vão desde a ausência de um projeto de engenharia, falta de diálogo com a população, a problemas como a pintura e a pavimentação das ciclovias. O Ministério Público solicita a elaboração de um projeto técnico, que avalie os impactos das faixas sobre o tráfego da capital, sob pena de multa diária de 100.000 reais. "Os fatos narrados evidenciam lesão à ordem urbanística, notadamente ao sistema de mobilidade urbana deste Município. É imperioso, nesta fase processual, que o Poder Judiciário conceda provimento cautelar paralisando as atividades, serviços e obras de implementação do sistema cicloviário neste Município, pois, do contrário, haverá a consolidação do referido sistema nos moldes em que ele foi planejado e está sendo executado, isto é, sem atender ao interesse público e com afronta às disposições constitucionais e legais de uso mencionadas", escreveu a promotora no despacho. A promotoria também pediu que a prefeitura reconstrua o canteiro central da Avenida Paulista "de forma a se restabelecer a funcionalidade do local, ou seja, a circulação, a trafegabilidade, garantindo-se a mobilidade urbana do lugar". As faixas exclusivas para bicicletas são um dos programas vitrines da administração do prefeito Haddad, que planeja entregar 400 quilômetros de ciclovias até o fim do mandato. Cada quilômetro instalado na capital custa, em média, 650.000 reais, três vezes mais do que o anunciado pelo município e superior a obras similares feitas em outros países. Citando diversas falhas na instalação, como a ocupação de calçadas, pontos de ônibus, sarjetas e vias muito movimentadas, a promotora destacou que, da maneira como estão sendo feitas, as ciclovias colocam em perigo os próprios ciclistas. "Conforme constatado pelos assistentes técnicos do Ministério Público, após vistorias em algumas da ciclovias e ciclofaixas já implantadas ou que estão sendo implantadas neste município, em muitas delas há uma série de irregularidades, que se repetem e põem em risco a segurança de todos os munícipes, principalmente dos próprios ciclistas", afirmou a promotora. No documento, foram anexadas diversas fotos que mostram poças d`água, buracos e rachaduras nas faixas. O Ministério Público ainda reclamou que a prefeitura não atendeu ao pedido da promotoria de encaminhar "informações detalhadas" sobre as obras. "Os relatórios apresentados, tanto pela CET como pela Prefeitura Municipal, são do tipo Releases de Imprensa das ciclovias implantadas, publicados no site da CET para consulta à população em geral, não fazendo parte dessa documentação encaminhada nenhum projeto de engenharia, ou seja, estudo de concepção ou viabilidade, projeto básico e projeto executivo", afirmou Camila. "Infere-se, pois, que a implementação do sistema cicloviário no Município de São Paulo decorre, exclusivamente, da vontade política do administrador que, no caso em exame, não se coaduna com o interesse público", acrescentou no texto.

O neocoronel Cid Gomes é demitido após agravar crise com Congresso, ao afrontar os deputados da tribuna da Casa, repetindo que ali tem entre 300 e 400 achacadores


Depois de provocar a ira de deputados governistas e de oposição, a quem chamou de "achacadores", e comprar briga com o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o ministro da Educação, Cid Gomes, foi demitido do cargo na tarde desta quarta-feira. A informação foi divulgada pelo próprio presidente da Câmara e recebida com aplausos pelo plenário. A cadeira do chefe da pasta responsável pela "Pátria Educadora", bordão que a presidente Dilma Rousseff tentou lançar, é a primeira a ficar vaga em menos de cem dias de mandato. Oficialmente, Cid Gomes disse ter entregado o cargo imediatamente após abandonar uma sessão da Câmara na esteira de um bate boca com deputados - o Palácio do Planalto confirmará a versão. Porém, sua saída foi uma reação imediata à ameaça do feita pela bancada do PMDB de não votar mais projetos enviados pelo governo caso o neocoronel Cid Gomes permanecesse no cargo. A passagem do ministro pelo plenário foi tensa do começo ao fim. Gomes foi convocado pelos parlamentares para explicar a frase de que "a Câmara tinha 300 a 400 achacadores", dita durante palestra para estudantes na Universidade Federal do Pará há 20 dias. Porém, ao contrário do que os deputados esperavam - uma retratação -, ele repetiu a frase e ainda provocou diretamente Eduardo Cunha: "Eu fui acusado de ser mal educado. O ministro da Educação é mal educado", afirmou, em referência à declaração de Eduardo Cunha, feita logo após articular a convocação de Cid Gomes. E continuou, apontando para o chefe da Câmara: "Eu prefiro ser acusado por ele do que ser como ele, acusado de achaque, que é o que diz a manchete da Folha de S.Paulo", continuou o ministro da Educação, em alusão às denúncias de envolvimento de Eduardo Cunha com o esquema do Petrolão. A fala incendiou o plenário e provocou uma reação multipartidária, com parlamentares se revezando na tribuna para emparedá-lo. Cid Gomes decidiu deixar a Câmara quando, da tribuna, o deputado Sérvio Zveiter (PSD-RJ) afirmou: "No fundo o senhor está fazendo papel de palhaço. Era melhor colocar uma melancia no pescoço". Cid Gomes interrompeu o discurso do deputado para cobrar respeito. Foi quando Eduardo Cunha interferiu: "Vossa excelência nem parlamentar é para interromper o deputado". Enquanto Zveiter repetia a frase que acabara de dizer, Cid Gomes se dirigiu à saída do plenário. Do lado de fora, cercado pela claque de prefeitos do interior do Ceará que levou a Brasília, o ministro disse que não pediria demissão. "Eu sou ministro até o dia em que a presidente Dilma desejar", disse. Mas o estrago já estava feito: simultaneamente, o PMDB anunciava que não votaria mais projetos de interesse do Executivo. Enquanto Cid Gomes seguia até o Palácio do Planalto, o chefe da Casa Civil, o petista aloprado Aloizio Mercadante, telefonou para Eduardo Cunha para dar a notícia: Cid Gomes não era mais o ministro da Educação. Eduardo Cunha, a maior pedra no sapato do governo, acabava de ganhar mais uma queda de braço, em mais uma demonstração de força aos seus comandados. Desta vez, com a anuência de Dilma. Nos bastidores, aliados do governo entenderam o gesto como uma tentativa de recomposição. Ao deixar o Palácio do Planalto, Cid Gomes admitiu que deixava o posto por ter atiçado a já inflamada relação do governo com o Congresso: "A minha declaração e, mais do que ela, a forma como eu coloquei na Câmara, é óbvio que criam dificuldade na base do governo. Portanto, eu não quis criar qualquer constrangimento". A exemplo do irmão, o ex-ministro lulista Ciro Gomes, Cid tem um extenso histórico de polêmicas em suas duas passagens pelo governo do Ceará. Além de excentricidades, como um contrato de mais de 3 milhões de reais por ano para abastecer a cozinha do Executivo com um cardápio de luxo, Cid enfrentou professores cearenses em 2011 ao afirmar que eles deveriam trabalhar por "amor" e sugerir que os docentes pedissem demissão e fossem para o ensino privado caso quisessem salários maiores. Em sua gestão no governo do Ceará, Cid utilizou um jatinho pago com dinheiro público para levar a família para passear na Europa e foi alvo do Ministério Público por ter contratado a cantora Ivete Sangalo e o tenor Plácido Domingo para shows de inauguração de obras locais - apenas o cachê do cantor espanhol chegou a 3,1 milhões de reais.

Novo empréstimo a distribuidoras de energia sai até dia 30, diz CCEE


Um novo empréstimo bancário para distribuidoras cobrirem custos com compra de energia no mercado de curto prazo deve ser fechado até 30 de março, informou nesta quarta-feira a Câmara de Comercialização de Energia (CCEE). O órgão privado, responsável por liquidar operações feitas no mercado de curto prazo de eletricidade, convocou para a próxima quarta-feira uma assembleia geral dos associados para deliberar sobre o novo empréstimo no valor de 3,4 bilhões de reais, disse o presidente do conselho da CCEE, Luiz Eduardo Barata. "O prazo está apertado, mas pretendemos fechar até dia 30", disse Barata em evento promovido pela CPFL. A reunião foi convocada após o acerto do governo federal com o grupo de bancos que participaram de dois outros empréstimos ao setor para prolongar o prazo de 24 para 54 meses, disse Barata. Esse é período que as distribuidoras terão para repassar a conta aos consumidores. Os bancos já emprestaram um total de 17,8 bilhões de reais às distribuidoras desde o ano passado. Nas duas primeiras tranches, a taxa de juros para os empréstimos tinha sido fixada entre em CDI mais uma faixa de 1,9 a 2,35% ao ano. De acordo com Barata, em princípio, as mesmas 13 instituições financeiras que participaram do primeiro pool de empréstimo devem integrar a nova transação, mas "um ou outro" banco pode sair. BTG Pactual, Santander Brasil, Banco Safra e Bradesco atuarão como garantidores, mas esse grupo não está fechado e pode ter mais integrantes, disse o executivo. O novo empréstimo servirá para a quitação das operações de novembro e dezembro do ano passado promovidas pelas distribuidoras no mercado de curto prazo. Originalmente, o prazo vencia entre janeiro e fevereiro deste ano, mas acabou sendo adiado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para dar tempo para que o governo federal consiga concluir negociação com bancos.

Venezuela deu abrigo à família de Bashar Assad


Em 2012, no auge da guerra civil que há quatro anos assola a Síria, a irmã do ditador Bashar Assad fugiu do país depois que seu marido foi morto em um atentado, em julho daquele ano. Antes de estabelecer-se em Dubai, onde está hoje, com seus cinco filhos, Bushra Assad refugiou-se na Venezuela. A passagem da irmã mais velha de Assad pelo país sul-americano foi revelada por um ex-alto funcionário chavista que hoje vive exilado nos Estados Unidos. Segundo o venezuelano, o então ministro do interior Tarek el Aissami foi quem ofereceu abrigo a Bushra, que chegou ao país em um jato particular. Bushra permaneceu na Venezuela por duas ou três semanas, disse o chavista, que também é um dos responsáveis pela revelação de que a Venezuela atuou como intermediária em um acordo entre Argentina e Irã para sabotar as investigações do atentado contra a Associação Mutual Israelita (Amia). Tarek el Aissami é acusado pelos ex-colegas de chefiar uma rede de proteção a terroristas do Hezbollah, além de intermediar as relações entre o grupo terrorista libanês e as Farc. O trafico de cocaína é a principal fonte de financiamento da organização terrorista Hezbollah.

Renan se reúne com Dilma e promete aprovar ajuste fiscal


Embora tenha deixado clara sua insatisfação com o governo da presidente Dilma Rousseff ao longo das últimas semanas, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), aceitou nesta quarta-feira o convite da petista para uma reunião no Palácio da Alvorada. Depois do encontro, sinalizou que vai dar aval às propostas impopulares de ajuste fiscal, alvo de resistência entre os parlamentares da base. "Apesar de, pessoalmente, ter divergências na condução política e no ajuste fiscal como um fim em si mesmo, o Congresso Nacional, institucionalmente, vai cumprir seu papel com o propósito de retomar o crescimento da economia, a confiança e segurança jurídica, criar alternativas e aperfeiçoar a legislação", disse ele, por meio de nota. O aceno se dá na sequência de uma série de demonstrações de irritação do peemedebista com o Planalto: nos últimos dias, Renan Calheiros já se recusou a comparecer a um jantar com Dilma, devolveu uma medida provisória encaminhada pelo Executivo, chamou a coalizão de Dilma de capenga e ainda afirmou que "faltou protagonismo" do PT e do governo para aprovar a reforma política.

TJLP, atualmente em 5,5%, deve subir ainda este mês


A Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que baliza empréstimos às empresas oferecidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), deve subir ainda este mês. A TJLP está atualmente em 5,5%. Seu último aumento ocorreu em dezembro, ainda sob a equipe econômica antiga, mas atendendo ao desejo do atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Levy tem como objetivo alterar o padrão de financiamento do BNDES e torná-lo menos dependente de injeções de recursos do Tesouro, que transferiu quase 420 bilhões de reais entre 2009 e 2014. A elevação da TJLP vai reduzir os gastos do governo com a "equalização de juros", isto é, o custo para cobrir a diferença entre a TJLP e a Selic, a taxa básica de juros. O governo gasta cerca de 30 bilhões de reais com essa equalização e uma elevação da TJLP a 6% pode reduzir algo como 4 bilhões de reais dos gastos neste ano. Mesmo assim, o BNDES continuará oferecendo juros reais negativos - pois são menores que a inflação, que está acima de 7%. A distância entre a taxa de juros do BNDES e a Selic também aumentou. Enquanto a TJLP está em 5,5% ao ano, a Selic está em 12,75% ao ano e, segundo aposta o mercado financeiro, continuará subindo.

Dilma lança pacto contra corrupção que o PT institucionalizou


Pressionada pelos protestos de 15 de março, a presidente Dilma Rousseff apresentou nesta quarta-feira o pacote anticorrupção prometido ainda durante a campanha eleitoral - um compilado de propostas antigas e jamais levadas a sério nos quatro anos de seu primeiro mandato. Imersa em uma crise política cada vez mais grave e com um índice de reprovação popular alarmante, a presidente discorreu sobre a necessidade de construir "pacto anticorrupção" - para combater justamente as práticas que o PT adotou desde que chegou ao poder, e que colocaram o partido no centro do maior esquema de corrupção da história do País. Durante a cerimônia, a presidente deixou claro que o discurso mais moderado, de quem reconhece erros e agora prega a humildade, durou pouco: ela usou o tom beligerante das eleições, atacou governos anteriores e retomou a ladainha de que a corrupção só parece ter aumentado porque seu governo aumentou a transparência. "As notícias sobre casos de corrupção aumentam, mas justamente elas aumentam porque eles não são mais varridos para baixo do tapete", disse. A presidente também ignorou o fato de que as investigações da Operação Lava Jato detectaram sinais contundentes de que o PT e partidos da base aliada, como PP e PMDB, receberam doações disfarçadas de empreiteiras como forma de lavagem de dinheiro - e que a corrupção na Petrobras foi institucionalizada durante o governo petista. "Nós estamos purgando hoje males que nós carregamos há séculos", prosseguiu. O documento apresentado nesta quarta-feira foi concluído às pressas para permitir que o governo apresentasse uma resposta às manifestações que reuniram milhões de pessoas. O pacote marqueteiro inclui medidas que tramitam no Congresso há anos e que, sem apoio do governo ou do PT, permaneceram estagnadas. O evento para apresentação do texto só foi, portanto, uma tentativa de amenizar a pressão provocada pelas investigações da Lava Jato, que envolvem diretamente o PT e a própria campanha que levou Dilma à Presidência. Entre as propostas apresentadas nesta quarta-feira, está a regulamentação da lei anticorrupção, em vigor há mais de um ano, incluindo uma regra sobre os acordos de leniência. A regulamentação estabelece que, no âmbito do Executivo federal, somente a Controladoria-Geral da União poderá firmar esses acordos. As empresas que colaborarem terão de fornecer todos os dados sobre os crimes cometidos em contratos com a administração pública e, ao fim, além de devolver o valor desviado, terão de pagar uma multa de até 20% do faturamento bruto. É evidente que uma estrovenga dessas não pode passar. Na lista das propostas apresentadas, estão também a criminalização do caixa dois de campanha, o endurecimento das punições em casos de enriquecimento ilícito e a exigência de ficha limpa para todos os ocupantes de cargos comissionados. Confira abaixo as medidas:
1 - Criminalização do caixa dois eleitoral e da lavagem de dinheiro para fins eleitorais.
2 - Apreensão de bens em caso evidentes de incompatibilidade com a renda, mesmo que não haja condenação. Isso exigirá uma mudança na Constituição (no trecho que trata do direito à propriedade) e um projeto de lei para detalhar as novas regras.
3 - Possibilidade de leilão de bens apreendidos mesmo antes de uma sentença definitiva da Justiça. Se o réu for absolvido, poderá recuperar os valores obtidos com a venda.
4 - Extensão dos critérios da Lei da Ficha Limpa para todos os ocupantes de cargos comissionados em todas as esferas.
5 - Punição de agentes públicos que não comprovarem a origem de seus bens e recursos.
6 - Regulamentação da lei anticorrupção, que foi aprovada na última legislatura e que pune os corruptores.
7 - Criação de um grupo de trabalho para debater formas de acelerar a tramitação de processos judiciais que tratem de corrupção.

CVM multa Eike Batista por irregularidades na divulgação de informações


O Colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu em julgamento nesta quarta-feira aplicar multas ao empresário Eike Batista por irregularidades na divulgação de informações em processos envolvendo empresas do grupo X. Por enquanto, as multas somam 800 mil reais. O empresário ainda pode recorrer. A primeira multa foi de 300 mil reais, por "não divulgação de fato relevante" no processo da venda do controle da empresa de energia MPX (atual Eneva) para o grupo alemão E.ON. No segundo processo do dia, Eike foi julgado com outros administradores da empresa LLX Logística SA, atual Primo Logística SA. Neste caso, a multa aplicada ao ex-bilionário foi de 500 mil reais. A autarquia também decidiu impor multa de 200 mil reais ao então diretor de relações com investidores da empresa, Otávio Lazcano, sobre o mesmo caso. No terceiro caso analisado nesta quarta-feira, a CVM impôs multa de 200 mil reais ao executivo José Gustavo de Souza Costa por não ter divulgado fato relevante em 2013 após informações divulgadas na imprensa sobre sua renúncia ao cargo de presidente e diretor de relações com investidores da companhia. Dias depois da publicação da informação na imprensa, a renúncia foi confirmada. O órgão regulador do mercado de capitais julga cinco processos que têm como acusados o empresário Eike Batista e outros 15 ex-conselheiros e executivos do grupo. Três sessões de julgamento foram marcadas para manhã e outras duas, à tarde. A CVM tem abertos 15 processos administrativos relativos às empresas X, que entraram em derrocada há pouco mais de um ano, com a declaração de inviabilidade econômica dos campos de Tubarão Tigre, Tubarão Gato e Tubarão Areia. Há ainda outras 11 apurações preliminares, que poderão também levar à acusações contra administradores.

Suíça bloqueia US$ 400 milhões desviados da Petrobras

Petrolão – O procurador federal Deltan Dallagnol, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato(Heuler Andrey/AFP)

O Ministério Público da Suíça informou nesta quarta-feira que bloqueou 400 milhões de dólares (cerca de 1,3 bilhão de reais) em recursos desviados da Petrobras. Desse montante, 120 milhões de dólares já foram devolvidos ao Brasil. Segundo a procuradoria suíça, nove investigações foram abertas para mapear todas as transações utilizadas por agentes que atuaram no escândalo do petrolão - ex-dirigentes da Petrobras, operadores do propinoduto e empresários que detinham contratos com a estatal.

Os processos de apuração foram instaurados na Suíça em 2014 depois que o Ofício de Comunicação em Matéria de Lavagem de Dinheiro - o equivalente ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) brasileiro - identificou cerca de sessenta informações sobre transações suspeitas relacionadas à petroleira do Brasil.

De acordo com o Ministério Público suíço, as suspeitas são que ex-dirigentes da Petrobras, empreiteiros, operadores do esquema criminoso, intermediários financeiros e empresas brasileiras e estrangeiras atuavam em um esquema de lavagem de dinheiro por meio de 300 contas bancárias em mais de trinta bancos do país europeu.

"Na Suíça temos nove procedimentos de investigação sobre o complexo da Petrobras e, neste caso, bloqueamos de 400 milhões de francos suíços [398 milhões de dólares ou 1,3 bilhão de reais]", informou o procurador Geral da Confederação, Michael Lauber, após reunião em Brasília com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. "Estamos apoiando no melhor da nossa possibilidade as investigações. O principal objetivo é obter decisões claras de tribunais condenando atividades de lavagem e devolvendo o dinheiro bloqueado na Suíça para o Brasil."

O montante de dinheiro congelado atualmente na Suíça é ainda maior se contabilizados os recursos de correntistas de outras nacionalidades: 5,5 bilhões de francos suíços (16,2 bilhões de reais).

Segundo os investigadores suíços, cerca de 1.000 transações bancárias ligadas ao escândalo do petrolão estão sendo analisadas - um terço ligadas a bancos suíços, um terço em bancos fora da Suíça e o restante ainda não identificado. "O caso da Petrobras é muito especial. Estou em visita de trabalho para intercambiar com meu contraparte [informações]. Estamos convencidos de que um caso tão complexo para ambos os países necessitam esforços comuns. Não toleramos uso indevido do sistema financeiro suíço para corrupção e lavagem", disse procurador Michael Lauber.

Ele se recusou a comentar casos específicos de autoridades investigadas no escândalo do petrolão, como o ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, preso após as autoridades detectarem que ele esvaziou contas bancárias na Suíça e transferiu recursos para o principado de Mônaco. "Não posso citar nomes específicos, mas quando temos nove investigações internas na Suíça, isso contempla mais do que nove indivíduos. Há empresas bancárias, investigações contra bancos suíços", disse. "Se eu citar algum nome vou fazer a pior coisa que um procurador pode fazer, vou dizer exatamente as pessoas investigadas."

Norueguesa Nordic Trustee pede a falência da OSX Leasing


A empresa norueguesa Nordic Trustee, administradora dos bonds da OSX, entrou nesta terça-feira com pedido de falência da OSX Leasing nas Cortes de Amsterdã e de Haia, de acordo com comunicado divulgado pela companhia. A OSX Leasing é subsidiária do grupo de construção naval do empresário Eike Batista no exterior e ficou fora do processo de recuperação judicial, aprovado no fim do ano passado pelos credores. O pedido foi feito após o acordo fechado entre a OSX e a OGX, também de Eike, para suspensão por seis meses dos pagamentos devidos pela petroleira que se encontrem em aberto a título de contraprestação pelo afretamento da plataforma FPSO OSX-3. Também foram anunciadas as suspensões, pelo mesmo prazo, de futuros pagamentos e outras obrigações colaterais previstas nos contratos relacionados ao afretamento, firmados em 12 de setembro de 2014. A norueguesa tem os direitos recorrentes do aluguel da plataforma, por contrato assinado em setembro do ano passado. Segundo a administradora, há quantias devidas e pagáveis relacionadas às garantias previstas em contrato. As cortes holandesas devem determinar uma data para as audiências do pedido de falência. A administradora de bonds diz no comunicado que não deu o seu consentimento para o acordo entre as duas empresas. De acordo com a norueguesa, complementações, suplementos, modificações, concessões ou renúncias relativos ao contrato de afretamento da plataforma FPSO OSX-3 só podem ser feitos com o consentimento prévio da administradora, o que não ocorreu. "A administradora dos bonds observa que qualquer acordo não é válido e não afeta os direitos das partes previstas no contrato de afretamento", diz o comunicado. A OSX Leasing é a dona das plataformas de petróleo do grupo. O acordo entre OGX e OSX faz parte de medidas tomadas pela administração em função da queda acentuada do preço do petróleo no mercado internacional.

EcoRodovias vence leilão da Ponte Rio-Niterói


A EcoRodovias venceu o leilão pela concessão da Ponte Rio-Niterói, ao oferecer uma tarifa de 3,28442 reais, o que corresponde a um deságio de 36,67% em relação à tarifa máxima fixada no edital, de 5,18620 reais. A segunda melhor proposta foi do Consórcio Nova Guanabara, com tarifa de 3,359 reais, deságio de 35,23% em relação à tarifa-teto estabelecida. A Triunfo ficou com a terceira melhor proposta, de 3,86999 reais, desconto de 25,37%. A novata em leilões de rodovias JSL, que disputou o leilão por meio da controlada CS Brasil, ofereceu tarifa de 4,07895 reais, deságio de 21,34%. Inicialmente, o leiloeiro havia lido o número erradamente, o que havia indicado um deságio de apenas 7,64%, mas posteriormente a BM&FBovespa corrigiu a informação do lance em seu site. A Infra Bertin, parceria do grupo Bertin com o italiano Atlantia, ofereceu tarifa de 4,14170 reais, deságio de 20,13%. Por fim, a CCR, que atualmente administra o trecho, ofereceu o menor deságio, de 18,20%, com uma tarifa sugerida de 4,24230 reais. O trecho a ser concedido, com 13,2 quilômetros de extensão, fica na BR-101 entre o acesso à ponte, em Niterói, e o entroncamento com a RJ-071, a Linha Vermelha. O contrato de concessão terá duração de 30 anos e exigirá investimentos da ordem de 1,3 bilhão de reais. A concessão envolve a gestão da ponte por 30 anos e exigirá investimentos de 1,3 bilhão de reais. Este foi o primeiro grande leilão depois que a Operação Lava Jato apertou o cerco nas investigações de corrupção, envolvendo algumas das principais empreiteiras do Brasil e a Petrobras. O valor do contrato da ponte é de 5,14 bilhões de reais, com base em valores de janeiro de 2014, segundo o edital divulgado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O leilão vem após a sanção sem vetos da Lei dos Caminhoneiros, que, na avaliação das concessionárias de rodovias, aumentou o risco regulatório do setor, por ferir contratos atualmente em vigor.

Presidente do Parma é preso na Itália por lavagem de dinheiro


A enorme crise financeira instalada no Parma, equipe tradicional do futebol italiano, ganhou mais um importante capítulo nesta terça-feira com a prisão do novo presidente e dono do clube, Giampietro Manenti. Ele é acusado de participação de um esquema de crimes financeiros, como lavagem de dinheiro, fraude fiscal e uso de cartões de crédito clonados. O promotor Michele Prestipino Giarritta explicou que Manenti foi acusado de participar de um crime no qual hackers utilizaram cartões clonados e invadiram contas de banco para tentar transferir 4,5 milhões de euros (cerca de 15,5 milhões de reais). O presidente do Parma seria parte importante no golpe, pois poderia lavar o dinheiro, justificando a entrada da verba como vinda de patrocínios destinados ao clube. De acordo com a Justiça italiana, a fraude foi descoberta antes que as transferências para o Parma fossem realizadas. No total, 22 pessoas ligadas ao esquema foram presas nesta quarta-feira. O caso afetou outras duas investigações separadas, mas que têm relação entre si, conforme indicou a promotoria. A equipe italiana - que teve muito destaque no fim da década de 1990 com jogadores como Buffon, Verón, Canavarro,Crespo, Asprilla, entre outros - atravessa uma crise sem precedentes. O presidente Manenti comprou o clube pelo valor simbólico de um euro há pouco mais de um mês, na segunda troca de donos do time nos últimos meses. Em dezembro do ano passado, Rezart Taci já o havia adquirido de Tommaso Ghirardi. Em grave situação financeira, o Parma não paga salários a atletas e funcionários há vários meses e, por isso, chegou a perder três pontos no Campeonato Italiano desta temporada e teve duas partidas da competição adiadas. O time é o último colocado da liga italiana com apenas nove pontos, doze a menos que o penúltimo colocado Cesena e a 55 pontos da líder Juventus. A crise é tamanha que o clube poderá ser extinto nesta quinta-feira, quando haverá um julgamento para decidir sobre sua falência. A prisão de Manenti deixou ainda mais estarrecidos os jogadores do elenco do Parma. O capitão Alessandro Lucarelli classificou o episódio como "repugnante": "Espero que cedo ou tarde acabe tudo isto, porque, sinceramente, já não conseguimos mais". Recentemente, o uruguaio Cristian Rodriguez, cansado de não receber salários, deixou o Parma para reforçar o Grêmio.

Cid Gomes tripudia a Câmara, fala no Plenário, diz que lá tem mesmo 300 ou 400 achacadores, e afirma que começa pelo presidente Eduardo Cunha; deputados pedem demissão do ministro e o confronto está aberto


Há 20 dias, o ministro da Educação, Cid Gomes, irritou deputados governistas e de oposição ao afirmar que a Câmara tinha "400, 300 deputados achadores" durante uma palestra na Universidade Federal do Pará. Acabou convocado a dar explicações sobre a fala na Câmara, o que conseguiu adiar alegando problemas de saúde. Nesta quarta-feira, Cid Gomes finalmente compareceu ao chamado dos deputados, que aguardavam por um recuo ou até que ele se desculpasse. Mas Gomes fez exatamente o contrário: repetiu o que disse, provocou diretamente o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e incendiou o plenário. Gomes iniciou seu discurso exaltando as políticas nacionais de educação e os programas federais que dão acesso às universidades. Depois de meia hora, tratou do motivo de sua presença: "Eu fui acusado de ser mal educado. O ministro da Educação é mal educado", afirmou, em referência à declaração de Eduardo Cunha, feita logo após articular a convocação de Gomes. E continuou, apontando para o chefe da Câmara: "Eu prefiro ser acusado por ele do que ser como ele, acusado de achaque, que é o que diz a manchete da Folha de S.Paulo", continuou o ministro da Educação, em alusão às denúncias de envolvimento de Eduardo Cunha com o esquema do Petrolão do PT. Antes, quando ensaiava um pedido de desculpas, Cid Gomes afirmou que sempre teve respeito pelo Parlamento. Mas cutucou: "Isso não quer dizer que eu concorde com a postura de alguns, de vários, de muitos que mesmo estando no governo, com seus partidos participando no governo, tenham uma postura de oportunismo", disse, acrescentando que os aliados que votam contra o Palácio do Planalto deveriam "largar o osso" e "sair do governo". Em seguida, seguiu com um discurso que culminou numa reação multipartidária pelo seu pedido de demissão: "Eu não tenho nenhum problema em pedir perdão para aqueles que não agem dessa forma. Desculpem-me, não foi minha intenção agredir ninguém individualmente, muito menos a instituição. O que penso é que nós conquistamos com a democracia a possibilidade de fazer uso livre da manifestação das opiniões. E me perdoe se isso fere alguém, se alguém traz para si essa carapuça ou se enxerga nessa posição". A fala de Cid Gomes incendiou o plenário. Em meio à gritaria do plenário, o líder do PMDB e braço-direito de Eduardo Cunha, Leonardo Picciani (RJ), assumiu o microfone para reclamar da fala de Gomes "Apesar de uma extensa vida política, o ministro esqueceu as regras de convivência democrática, desrespeitou o parlamento brasileiro, e de forma sem consistência, aponta o dedo, faz acusações, mas não diz o crime e não dá os nomes. É muito fácil fazer críticas levianas e não ter consequências", disse o peemedebista. "O ministro perdeu a condição de exercer o cargo. Nós cobraremos do governo que se posicione e diga aos ministros que respeitem o parlamento brasileiro. Não reconheço autoridade em vossa excelência para criticar o Parlamento", continuou Picciani. A reação ao discurso do ministro foi suprapartidária e gerou novos momentos de constrangimento. O deputado Cabo Sabino (PR-CE) chamou Cid de "empregadinho da mamãe". O líder do PSC, André Moura (SE), lembrou que Cid Gomes, quando era governador do Ceará, usou dinheiro público para alugar um jatinho e ir passear na Europa com a família - inclusive a sogra. O parlamentar também pediu a demissão do ministro e chamou-o de "mal educado", "desqualificado" e disse que Cid não tem decência e "envergonha este País". Oposicionistas também aproveitaram o episódio para explorar as cisões na coalizão governista. O deputado Nilson Leitão (PSDB-MT) foi um deles: "Ele está mais como um tradutor da presidente Dilma Rousseff. É o sentimento da presidente Dilma Rousseff com a sua base". O líder do DEM, Mendonça Filho (PE) citou o ataque de Cid Gomes ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e afirmou que, como a oposição foi excluída da conta dos "achacadores", a base governista precisava tomar uma atitude: "Ou o ministro se demite do cargo, ou a presidente demite o ministro, ou os 400 deputados da base do governo assumem que são achacadores. Não há outra opção", afirmou. Nem todos se incomodaram com o destempero de Cid Gomes. Ele foi aplaudido por seus aliados da Câmara, inclusive por petistas. A deputada Maria do Rosário (PT-RS), que assistia ao discurso em pé, na primeira fila, não se conteve. "Parabéns, ministro!", disse ela, três vezes, após Cid Gomes encerrar sua fala. O ministro da Educação sorriu de volta. Enquanto Cid Gomes falava, Eduardo Cunha olhava apenas para a frente, sem se voltar para o ministro da Educação. Eduardo Cunha nem mesmo convocou o ministro para sentar-se à mesa, como é comum nesses casos. Cid Gomes permaneceu em pé, na tribuna, até que o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) pediu que a presidência providenciasse um lugar para que o ministro se sentasse. Eduardo Cunha consentiu, mas Cid Gomes preferiu descer ao plenário e usar um dos assentos reservados aos deputados.

DEPUTADO FEDERAL DARCISIO PERONDI VOLTA A EXIGIR A RENÚNCIA DE DILMA ROUSSEFF



Em pronunciamento no plenário da Câmara, o vice-líder do PMDB, deputado federal Darcísio Perondi (RS), voltou a pedir que a presidente Dilma Rousseff, diante do quadro de falta de credibilidade, de impopularidade e de incompetência, renuncie à Presidência da República. “Tenho certeza que nosso vice-Presidente, Michel Temer, que nunca é ouvido ou consultado pela senhora, tem todas as condições de tirar o país da crise e do caos político admitido pelo próprio governo”, defendeu. Segundo Perondi, o País vive uma crise econômica, fiscal e moral sem precedentes. A popularidade da Presidente está cada vez mais baixa e só sua renúncia traria de volta a confiança, a paz e a esperança de todos os brasileiros. Michel Temer, assumindo a presidência, faria um governo de coalizão. Chamaria todos os partidos para conversar, pacificando as relações entre Executivo e Legislativo. “Só Michel Temer pode restabelecer a confiança dos brasileiros, especialmente daqueles que produzem”, disse. Na avaliação do parlamentar gaúcho, o brasileiro não confia mais na Presidente da República. Para a população, o governo petista está atolado num mar de lama, no maior escândalo de corrupção da história e que tende a crescer ainda mais nos próximos meses. Dilma não tem capacidade de corrigir os erros da economia, de estancar a roubalheira na Petrobrás e outras estatais e nem manter sua base de sustentação política no Congresso Nacional. Além disso, a população já consegue visualizar que a campanha eleitoral de reeleição de Dilma foi pautada na mentira. Dilma perdeu a credibilidade. Perondi citou análise interna feita pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, que admite a existência de um “caos político” e que “não será fácil virar o jogo”. O documento lista erros na estratégia do governo após a reeleição de Dilma Rousseff, principalmente na comunicação. O documento diz que “não adianta falar que a inflação está sob controle quando o eleitor vê o preço da gasolina subir 20% de novembro para cá ou sua conta de luz saltar em 33%”. Essa tendência fica clara na última pesquisa Datafolha. Do começo de fevereiro até agora, o percentual de brasileiros que considera o governo "ruim ou péssimo" subiu 18 pontos. Quem considera o governo "ótimo ou bom" caiu de 23% no mês passado para 13%. É a primeira pesquisa divulgada após as manifestações populares de domingo, 15 de março.

GUERRA SUJA – PT quer radicalizar? É? Junte-se, então, aos aloprados da Secom, e todos contribuirão para abreviar o mandato de Dilma

A cada ano, a cada dia do ano, a cada hora do dia em que passou na oposição, o PT se dedicou não a opor-se ao governo de turno, mas a sabotá-lo. Não importava a proposta que estivesse em votação, boa ou má, o partido era contra e mobilizava as suas bases para marcar posição. Afinal, a lógica da diferenciação ajudava a construir a legenda. Seria preciso citar o “não” às reformas? O “não” às privatizações? O “não” à abertura da economia ao capital externo? O “não” à Lei de Responsabilidade Fiscal? Como esquecer, Deus do céu!, o “não” dito à Constituição e ao Colégio Eleitoral quando aquela era a única saída? Se todos os partidos tivessem feito, então, como o PT, o resultado teria sido um golpe de estado.

No poder, a tática haveria de mudar. Desde 2003, o partido demoniza sistematicamente a oposição, transforma seus adversários em inimigos da pátria, evoca heranças malditas que nunca houve, acusa-os de acalentar projetos que não têm ou nunca tiveram (privatização da Petrobras, por exemplo), esmaga os que divergem nas redes sociais e apela à rede suja da subimprensa para atacar juízes, ministros do Supremo, jornalistas não alinhados com o poder e a imprensa independente.
Mas eis que, ao cabo de 12 anos de poder, já avançando no 13º, tem-se um balanço de tanta sapiência: inflação na casa dos 8%, recessão que já beira -1% (e que será maior do que isso), juros a 12,75%, baixo investimento, emprego em queda e, compondo o caldo de cultura da crise, evidências de corrupção como jamais se viram. E não adianta buscar paralelos na história. Entre a incúria e a safadeza, a Petrobras está quebrada.
Certo de que tinha o povo na mão, certo de que detinha o monopólio da representação, certo de que se pode enganar quase todo mundo o tempo todo, o partido demorou um pouco para reagir, enquanto a espuma de sua agressiva publicidade ia se desfazendo. A popularidade de Dilma está no chão, segundo o Datafolha e segundo os levantamentos do próprio governo. Milhões saem às ruas para protestar.
E o PT faz o quê? Acusa um golpismo que não existe nem nunca existiu, ataca moralmente os manifestantes, chama-os a todos de “elite branca”, provoca, tripudia, sataniza, discrimina, agride. O resultado de tal escolha se mede em panelaços. E a gente descobre que os feiticeiros ainda não esgotaram seu caldeirão de maldades.
Da Secom, a Secretaria de Comunicação da Presidência, vaza um plano de mídia para enfrentar a crise eivado de ilegalidades escancaradas: o governo admite que municia — quanto custa? — os tais blogs sujos com “balas” que são disparadas pelo que se chama lá de “soldados de fora”. Vale dizer: o dinheiro do estado está sendo usado para fazer política partidária e para a difamação daqueles que são vistos como adversários. Admite que vai casar a publicidade federal com a figura do prefeito Fernando Haddad para “levantar a sua popularidade”, o que  agride frontalmente a Constituição. Planeja centralizar, como está lá, a serviço do poder, o que chama de “comunicação estatal” e submeter a Voz do Brasil e a Agência Brasil aos interesses do governo de turno.
Só isso? Não! A cúpula do PT se reúne, decide que vai investir pesado na Internet — e a gente sabe como o petismo atua na rede — e avisa que vai “radicalizar”, seja lá o que isso signifique. Há dias, Lula convidou o MST a pôr o seu exército na rua. O país vive uma das mais graves crises políticas de sua história, e parece que a presidente Dilma não conta com um só bombeiro eficiente à sua volta. Ao contrário: os que vêm a público, os que se manifestam, os que falam, todos preferem investir no confronto, na intimidação, na violência retórica — por enquanto ao menos. Começam errando ao atribuir à oposição a organização do descontentamento, como faz o documento da Secom.
Aliás, o texto vazado da Secretaria é uma espécie de “Plano Cohen” às avessas. Denuncia a existência de um fantasioso complô para conseguir licenças especiais. Quem quer que o tenha redigido não está em busca de resolver a crise, mas de aumentar o seu próprio poder no governo. Pretende ter uma vista mais aguda do que os outros para que possa ocupar mais espaço.
Já escrevi aqui e já disse em toda parte: o risco da radicalização, da violência, do confronto, não parte das ruas que vestem verde e amarelo, mas de um governo acuado, pressionado por um partido de aloprados, instigado por mentalidades estreitas, que só entendem a linguagem do confronto, que era eficiente quando estavam por cima. Agora, acuados, podem se tornar também violentos.
A única chance de Dilma minorar a crise — e o que vou dizer nada tem a ver com a possibilidade de ela ir ou ficar; esse é outro departamento — é diminuir o protagonismo do PT, exigir que o partido sirva ao governo, em vez de se servir dele; buscar um entendimento com o PMDB e, dentro do governo, as lideranças desse partido para que dialoguem com a sociedade. Isso salva mandato? Pensar tal solução não é tarefa minha. Essa, sim, deveria ser a agenda “deles”, em vez de se entregar à alopragem.
Os petistas e alguns que se querem especialistas em opinião pública estão, reitero, empurrando Dilma para a beira do abismo. No fundo, isso tem nome: ódio à democracia. E a prova é evidente. As manifestações do dia 13, orquestradas pelo PT e pela CUT, regadas a R$ 35 por cabeça, foram saudadas, ainda que malsucedidas, como evidência do Brasil democrático. As do dia 15, que reuniram dois milhões, foram, segundo os gênios, expressão do golpismo.
Eis o PT: o povo que está com eles é o portador da verdade; o que está contra precisa ser enfrentado numa guerra suja. Acreditem: esse é o caminho mais curto para Dilma. Por Reinaldo Azevedo

O desprezo pela Petrobras

O Financial Times, da imprensa golpista britânica, publicou que os investidores internacionais desprezam a Petrobras. O jornal cita uma pesquisa do Credit Suisse com 160 administradores de fundos de ações. Os resultados são os seguintes:
a) 60% deles atribuem peso baixo às ações da estatal
b) Mais de 50% desaprova a atual gestão da empresa
c) 20% acredita que a Petrobras jamais gerará fluxo de caixa livre
Dilma Rousseff e Lula fizeram um excelente trabalho. (O Antagonista)

PDT CHAMA LUPI PARA BOTAR ÁGUA FRIA NA CRISE PROVOCADA PELA SAÍDA DE FORTUNATI

O anúncio público de “licença” do PDT transformou o prefeito José Fortunati no protagonista de uma crise política de grandes proporções no partido. O presidente nacional do Partido, Carlos Lupi, virá nesta quinta-feira a Porto Alegre para falar com o prefeito, que está irritadíssimo com boa parte da sua bancada na Câmara de Vereadores. Na segunda-feira, vereadores da oposição e do PDT comemoraram juntos a derrubada de vetos apostos pelo prefeito. Na sexta-feira, Lupi e as direções estadual e metropolitana discutirão o que fazer. Aparentemente o PDT não parece levar muito a sério a decisão de José Fortunati. O partido acha que ele e sua mulher, Regina Becker, deputada estadual, têm mais a perder do que a ganhar com o caso, alegando que José Fortunati tem dialogado pouco com sua base parlamentar e partidária. 

DILMA NÃO VAI A EXPODIRETO MAS IRÁ EM ASSENTAMENTO DO MST NA SEXTA-FEIRA

A presidente Dilma Rousseff virá ao Rio Grande do Sul nesta sexta-feira para atender a um pedido do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Segundo o presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), Ary Vanazzi, Dilma participará da colheita de arroz orgânico produzido por "um assentamento" de Eldorado do Sul. Para uma das mais importantes feiras do agronegócio, a Expodireto, que foi realizada na semana passada, a presidente não compareceu. Se o Brasil dependesse do que é produzido nos assentamentos controlados pela organização clandestina terrorista MST, os brasileiros estariam todos passando fome. 

O PEREMPTÓRIO PETISTA TARSO GENRO DESVIOU DINHEIRO DE FINANCIAMENTOS PARA INVESTIMENTOS PARA PAGAR CONTAS

A secretaria do Planejamento apurou que o ex-governador do Rio Grande do Sul, o peremptório petista "grilo falante" e tenente brigadeiro e poeta de mão cheia Tarso Genro usou para pagar salários boa parte do dinheiro (R$ 3,2 bilhões) de empréstimos tomados para investimentos. O saldo de R$ 1,2 bilhões só será liberado pelos bancos se o governo atual, de José Ivo Sartori (PMDB), comprovar que R$ 700 milhões que os petistas esterilizaram no caixa único, visando mascarar o uso em gastos de custeio, já retornaram a sua função original e foram aplicados nos projetos. Resumindo, os financiamentos estão trancados pelo desvio brutal de recursos promovido pelo petista Tarso Genro. O governador Sartori está pagando a conta pela aplicação do catecismo econômico trotskista da DS - Democracia Socialista, partido revolucionário comunista que parasita o corpo do PT e que dominou a Secretaria da Fazenda no governo do peremptório petista Tarso Genro. Nesse catecismo econômico trotskista a lição mais importante manda gastar irresponsavelmente todo o dinheiro possível, deixando a conta explodir no futuro. É a política "Mandrake". Foi o que fez o também trotskista Arno Augustin, igualmente da DS, na Secretaria Nacional do Tesouro.

MINISTÉRIO DA FAZENDA PEDE INFORMAÇÕES A ADVOGADO GAÚCHO SOBRE A DÍVIDA BILIONÁRIA DO SETOR RURAL

O advogado Marco Antônio Floriano Bittencourt, de Porto Alegre, recebeu hoje telefonema de um assessor do ministro da Fazenda Joaquim Levy, atrás de informações a respeito da dívida bilionária dos produtores rurais brasileiros. Floriano Bittencourt disse acreditar, com base nas perguntas feitas pelo assessor de Levy, que o governo está buscando subsídios para estabelecer novas regras com vistas a evitar que se amplie o passivo do setor, que chega a R$ 100 bilhões. Há quase uma década, o advogado vem colecionando vitórias em causas contra instituições financeiras, conseguindo reduzir a um terço o valor devido por seus clientes, a partir da aplicação correta das regras do Sistema Nacional de Crédito Rural, que os bancos fingem desconhecer. (Políbio Braga)

Governador Sartori avisa em almoço na Federasul, os salários de março do funcionalismo gaúcho já podem ser pagos com atraso neste mês de março

Ao falar no almoço no programa Tá na Mesa da Federasul, nesta quarta-feira, o governador José Ivo Sartori reafirmou que só saberá se o pagamento será efetuado integralmente no dia 20, “dependendo do caixa do dia”. A cada mês, faltam R$ 400 milhões nos cofres do governo do Estado. Ele disse que é um direito dos trabalhadores irem à Justiça para garantir o pagamento integral. Na semana passada, 17 sindicatos entraram na Justiça para receber os salários inteiros. Na quinta-feira, o governador apresentará à imprensa a real situação financeira do Estado, quais medidas serão tomadas e as diretrizes de ajuste. Ele garantiu que serão priorizadas áreas essenciais e os 12% do orçamento destinado à saúde, mas não explicitou quais serão as medidas de contenção de despesas.

Suíça bloqueia US$ 400 milhões desviados da Petrobras

O Ministério Público da Suíça informou nesta quarta-feira que bloqueou 400 milhões de dólares (cerca de 1,3 bilhão de reais) em recursos desviados da Petrobras. Desse montante, 120 milhões de dólares já foram devolvidos ao Brasil. Segundo a procuradoria suíça, nove investigações foram abertas para mapear todas as transações utilizadas por agentes que atuaram no escândalo do petrolão – ex-dirigentes da Petrobras, operadores do propinoduto e empresários que detinham contratos com a estatal. Os processos de apuração foram instaurados na Suíça em 2014 depois que o Ofício de Comunicação em Matéria de Lavagem de Dinheiro – o equivalente ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) brasileiro – identificou cerca de 60 transações suspeitas relacionadas à petroleira do Brasil. De acordo com o Ministério Público suíço, as suspeitas são que ex-dirigentes da Petrobras, empreiteiros, operadores do esquema criminoso, intermediários financeiros e empresas brasileiras e estrangeiras atuavam em um esquema de lavagem de dinheiro por meio de 300 contas bancárias em mais de 30 bancos do país europeu. “Na Suíça temos nove procedimentos de investigação sobre o complexo da Petrobras e, neste caso, bloqueamos de 400 milhões de francos suíços (398 milhões de dólares ou 1,3 bilhão de reais)“, informou o procurador Geral da Confederação, Michael Lauber, após reunião em Brasília com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. “Estamos apoiando no melhor da nossa possibilidade as investigações. O principal objetivo é obter decisões claras de tribunais condenando atividades de lavagem e devolvendo o dinheiro bloqueado na Suíça para o Brasil.” O montante de dinheiro congelado atualmente na Suíça é ainda maior se contabilizados os recursos de correntistas de outras nacionalidades: 5,5 bilhões de francos suíços (16,2 bilhões de reais). Segundo os investigadores suíços, cerca de mil transações bancárias ligadas ao escândalo do petrolão estão sendo analisadas – um terço ligadas a bancos suíços, um terço em bancos fora da Suíça e o restante ainda não identificado. “O caso da Petrobras é muito especial. Estou em visita de trabalho para intercambiar com meu contraparte (informações). Estamos convencidos de que um caso tão complexo para ambos os países necessitam esforços comuns. Não toleramos uso indevido do sistema financeiro suíço para corrupção e lavagem”, disse procurador Michael Lauber. Ele se recusou a comentar casos específicos de autoridades investigadas no escândalo do petrolão, como o ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, preso após as autoridades detectarem que ele esvaziou contas bancárias na Suíça e transferiu recursos para o principado de Mônaco. “Não posso citar nomes específicos, mas quando temos nove investigações internas na Suíça, isso contempla mais do que nove indivíduos. Há empresas bancárias, investigações contra bancos suíços”, disse. “Se eu citar algum nome vou fazer a pior coisa que um procurador pode fazer, vou dizer exatamente as pessoas investigadas".

Em nota, PSDB nega uso de robôs nas redes sociais

Em nota, o PSDB negou nesta terça-feira, 17, o uso de robôs durante e depois da campanha presidencial. Em documento interno revelado nesta terça com exclusividade pelo Estado, o governo federal assumiu o uso de robôs para replicar mensagens na internet durante a campanha à reeleição, e afirmou que o senador tucano Aécio Neves e o PSDB também usaram o expediente não só durante a campanha, mas também depois dela. O PSDB afirmou que o documento interno do governo federal, revelado com exclusividade pelo Estado, confirma as denúncias feitas pelo partido durante a campanha. "Depois de o PT negar durante toda a campanha, finalmente documento oficial da Secretaria de Comunicação da Presidência revelou mais uma mentira eleitoral, ao confirmar denúncias feitas à época sobre uso de robôs durante a campanha eleitoral. Tal prática não foi e não é usada pelo PSDB", diz a nota. O partido afirma ainda que o documento acusa "de forma superficial e indistinta" o PSDB e usuários das redes sociais críticos ao governo de terem feito gastos milionários na internet. "Na opinião do PSDB, tal afirmação reflete a permanente dificuldade do governo em reconhecer e respeitar o tamanho das ações espontâneas que ocorrem nas redes sociais em oposição a administração petista", diz o texto. Confira a íntegra da nota:  "Depois de o PT negar durante toda a campanha, finalmente documento oficial da Secretaria de Comunicação da Presidência revelou mais uma mentira eleitoral, ao confirmar denúncias feitas à época sobre uso de robôs durante a campanha eleitoral. Tal prática não foi e não é usada pelo PSDB. O texto em questão acusa de forma superficial e indistinta o PSDB e usuários das redes sociais críticos ao governo de terem feito gastos milionários na internet. Na opinião do PSDB, tal afirmação reflete a permanente dificuldade do governo em reconhecer e respeitar o tamanho das ações espontâneas que ocorrem nas redes sociais em oposição a administração petista".

O bandido petista mensaleiro José Dirceu vai à Justiça contra quebra de sigilo bancário de sua empresa



O ex-ministro da Casa Civil, o bandido petista mensaleiro José Dirceu, afirmou nesta terça-feira, 17, que a relação comercial de sua empresa, JD Assessoria e Consultoria, com as construtoras investigadas na Operação Lava Jato “não tem qualquer vínculo com os contratos das empreiteiras com a Petrobrás”. A defesa da consultoria entrou nesta terça-feira, 17, com pedido de liminar em mandado de segurança alegando que a decisão da juíza Gabriela Hardt de autorizar a quebra dos sigilos fiscal e bancário da JD e seus sócios “é ilegal por violar direitos à inviolabilidade da intimidade e dos sigilos de dados bancários e fiscais, conforme garante o artigo 5º da Constituição”. A defesa sustenta que a decisão judicial é ilegal porque os fundamentos para ruptura da garantia constitucional “não estão demonstrados claramente pela juíza ou ainda porque os argumentos apontados em sua decisão não são admitidos pelos tribunais”. Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, o ex-ministro informa que atendeu “cerca de 60 clientes de quase 20 setores diferentes da economia”. Segundo a assessoria, a JD – Assessoria e Consultoria atuou de 2006 a 2014 “prestando assessoria a empresas brasileiras e estrangeiras com foco, sobretudo, em prospecção de negócios no Exterior”. A empresa atendeu clientes dos setores de indústrias de bens de consumo, telecomunicações, comércio exterior, logística, tecnologia da informação, comunicações e construção civil. “Do total faturado pela consultoria, 85% foi gasto com o pagamento de despesas fixas e operacionais e recolhimento de impostos. A empresa registrou, em média, lucro mensal de R$ 65 mil. O setor industrial foi o mais atendido pela JD, representando 31,79% do total”, destaca a nota da assessoria de José Dirceu. Segundo o texto, o ex-ministro e sua empresa “sempre estiveram à disposição da Justiça e prestaram todos os esclarecimentos solicitados pela 13ª Vara Federal do Paraná no curso da Operação Lava Jato”. O ex-ministro rebela-se contra a quebra do sigilo de sua empresa, ordenada em janeiro pela Justiça Federal. “Independentemente de não ter nada a temer em relação à transparência da atuação da JD Assessoria e Consultoria, a empresa e seus sócios não podem aceitar a decisão da Justiça de quebra de seus sigilos fiscal e bancário sem respaldo legal. O levantamento do sigilo sobre os autos só torna a decisão de quebra ainda mais grave".

Assista trechos da delação premiada de Paulo Roberto Costa em vídeo

Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, fez dezenas de depoimentos à força-tarefa da Operação Lava Jato, entre setembro de outubro de 2014. Todos os relatos de Costa foram gravados em vídeo. Ele aponta suposto envolvimento de deputados e senadores no esquema de propinas que se instalou na estatal entre 2003 de 2014. Os vídeos estão sob a guarda do Supremo Tribunal Federal, instância que detém competência para investigar parlamentares com foro privilegiado perante a Corte. O STF tornou público todo o processo da Lava Jato. Há duas semanas, o ministro Teori Zavascki, do STF, relator da Lava Jato, mandou abrir inquéritos contra 50 políticos, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Abaixo, assista aos vídeos dos depoimentos de Paulo Roberto Costa prestados ao Ministério Público Federal em setembro e outro de 2014:


Netanyahu vence eleições legislativas em Israel


O atual primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, saiu vitorioso das urnas. Com 99,5% das urnas apuradas, o partido direitista Likud, do premier conquistou 30 das 120 cadeiras do Knesset, seis a mais que a coalizão de centro-esquerda União Sionista, do líder da oposição Yitzhak Herzog. Em terceiro lugar, a grande surpresa dessas eleições: a Lista Árabe Unida (união dos quatro partidos árabes do país), que se tornou a terceira maior força política do país, abocanhando 14 cadeiras. Nas eleições de 2013, esses quatro partidos conseguiram, separados, 11. Foram auxiliados pelo alto percentual de comparecimento às urnas: 71,8%, o maior desde a década de 90. A minoria árabe-israelense (15% dos eleitores) compareceu mais do que antes: 68% em comparação com 54%, em 2013. "Contra todas as probabilidades, conseguimos uma vitória enorme!" — assegurou Netanyahu, certo de que continuará no poder: "Agora temos que formar um governo grande e estável que cuide da segurança de todos os cidadãos de Israel".


Para o premier, trata-se de uma façanha quase inacreditável. As últimas pesquisas eleitorais, davam a ele entre 21 e 22 cadeiras, quatro a menos do que Herzog. Em quatro dias, no entanto, Netanyahu fez uma “blitz midiática”, com entrevistas e aparições em todos os canais de TV e rádio, além de jornais impressos e internet. Fora isso, apelou para a extrema-direita com afirmações polêmicas como a de que não iria, se reeleito, aceitar a criação de um Estado palestino. Acabou “canibalizando” o partido de extrema-direita Casa Judaica, do ministro da Economia, Naftali Bennet, que caiu de 12 para 8 cadeiras. Já Herzog tentou afastar a sensação de derrota depois que as pesquisas eleitorais da semana passada davam a ele vantagem: "Saibam que realizamos uma conquista impressionante! Desde 1992, não chegávamos a um resultado como esse". Assim que os resultados das bocas de urna foram divulgados, Netanyahu e Herzog começaram a telefonar para possíveis aliados na tentativa de fechar alianças. Na matemática do sistema político israelense, só sobe ao poder o partido que reunir uma coalizão de 61 cadeiras no Knesset. O próximo passo será dado, como na tradição, pelo presidente Reuven Rivlin. Ele entrará em contato com os líderes de todas as bancadas eleitas para escutar deles quem indicam para o cargo de premier. Só então decidirá qual candidato terá a chance, primeiro, de tentar montar o mosaico do próximo governo. "Vamos ter um mês de negociações cansativas para a formação da coalizão. Netanyahu e Herzog estão fazendo caras e bocas, engajados numa guerra psicológica. Mas todos sabem que, no final das contas, vão acabar concordando em governar juntos", acredita o cientista político Mordechai Kedar, da Universidade Bar Ilan. Para o analista, os resultados estão longe de ser a palavra final. Partidos que receberam projeção de cinco cadeiras (caso do Meretz, de extrema-esquerda, e do Israel Nossa Casa, de extrema-direita), podem nem formar bancadas por não superar a cláusula de barreira. Já o ultraortodoxo Yahad, dissidência do tradicional Shas, pode conseguir entrar no Parlamento. Outra surpresa foi o recém-criado partido Kulanu (Todos Nós), com 10 cadeiras. Liderado pelo ex-ministro das Comunicações, Moshe Kahlon, dissidente do Likud e reverenciado por ter baixado o preço dos celulares, pode servir de fiel da balança. Ou se unir a Netanyahu e Herzog em um governo de união nacional. Outra legenda socioeconômica que se saiu bem foi o Yesh Atid (Há Futuro), do ex-ministro das Finanças, Yair Lapid, que diminuiu de 19 para 12 cadeiras, mas evitou uma queda maior. Durante todo o dia, os principais candidatos lutaram voto a voto. Para atrair mais votos direitistas, Netanyahu causou mal-estar quando publicou um vídeo em sua página do Facebook afirmando que os árabes estariam votando “em massa” e que isso seria um “perigo”: “O governo da direita está em perigo. Eleitores árabes estão indo em massa para as urnas. ONGs esquerdistas os estão levando com ônibus fretados”, escreveu, em tom dramático. O apelo foi criticado pelo parlamentar Dov Chanin, o único judeu a concorrer pela Lista Árabe Unida. Ele reclamou junto ao Comitê Central Eleitoral e exigiu que o vídeo saísse do ar. Ayman Oudeh, líder da legenda, preferiu dar um recado de leve: "Como todo cidadão árabe hoje no país, me emociono em votar e ser parte da História e desse momento decisivo que vai mudar de modo profundo as vidas dos cidadãos árabes". 

Presidente do PT defende tesoureiro do partido denunciado pelo Ministério Público Federal


 

O presidente do PT, Rui Falcão, defendeu, nesta terça-feira, o tesoureiro do partido, João Vaccari, e negou que haja pressão interna e do governo para afastá-lo do cargo. O Ministério Público Federal ofereceu denúncia contra Vaccari e outras 26 pessoas pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha na investigação sobre esquema de corrupção na Petrobras. Só faltou chamá-lo também de "herói do povo brasileiro", assim como os mensaleiros José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares e João Paulo Cunha. "Eu não tomei conhecimento de nenhum pedido para que ele seja afastado. Qualquer denúncia pressupõe que as pessoas são inocentes até que se prove o contrário. E o Vaccari não apresentou para mim até o momento nenhuma intenção voluntária de se afastar da tesouraria", afirmou o presidente do PT. Falcão disse ainda que o caso do tesoureiro é diferente do ex-deputado André Vargas, que foi forçado a deixar o PT, no ano passado, depois que veio à tona seu envolvimento com o doleiro Alberto Yousseff. Vargas teve o mandato cassado pela Câmara: "O André Vargas tinha comprovadamente viajado com a família no avião de um particular (pago por Yousseff). É diferente da situação atual, em que há uma denúncia sem nenhuma comprovação". O presidente do PT disse corroborar a nota divulgada pelo advogado de Vaccari negando recebimento de propina ou participação em desvio de dinheiro. O presidente do PT também refutou a acusação de que o dinheiro teria sido lavado por meio de doações legais ao partido.

A guerra suja exposta em um documento da Secom. Governo admite que fornece munição para ser disparada por pistoleiros. Texto anuncia disposição de violar o Artigo 37 da Constituição. Pergunta direta: “Esse troço é de sua autoria, ministro Thomas Traumann?”

O conteúdo de um documento da Secom, a Secretaria de Comunicação do governo federal, cujo titular é Thomas Traumann, veio a público nesta terça, revelado pelo portal estadão.com.br. Não tem assinatura. Não dá para saber se o autor é ou não o ministro. O que dá para assegurar é que ali estão elencadas algumas propostas francamente ilegais e passos de uma guerra suja. Agora é para valer: o texto admite que os ditos “blogs progressistas”, popularmente conhecidos como “blogs sujos”, trabalham de maneira coordenada com o governo. Não é novidade, é claro! O que é novo é o governo admitir isso, ainda que em documento apócrifo. Assim, leitor, fique sabendo: sempre que, em uma das páginas dos puxa-sacos, aparecer um ataque a ministros do Supremo, juízes, jornalistas e imprensa independente, essa página está a serviço do governo.

É estupefaciente que um órgão oficial, que lida com dinheiro público, escreva isto. Leiam:
“As responsabilidades da comunicação oficial do governo federal e as do PT/Instituto Lula/bancada/blogueiros são distintas. As ações das páginas do governo e das forças políticas que apoiam Dilma precisam ser muito melhor (sic) coordenadas e com missões claras. É natural que o governo (este ou qualquer outro) tenha uma comunicação mais conservadora, centrada na divulgação de conteúdos e dados oficiais. A guerrilha política precisa ter munição vinda de dentro do governo, mas ser disparada por soldados fora dele.”
Notaram? Os “blogueiros”, financiados por estatais e por propaganda do próprio governo, são considerados parte da “comunicação oficial”, bem como o Instituto Lula e o PT. E o texto deixa muito claro que a esses blogs não cabe a divulgação de “conteúdos e dados oficiais”. Não! O governo fornece a “munição”, mas quem dispara são os “soldados de fora”. É asqueroso!
Há um trecho ainda mais revelador. Helena Chagas, ex-titular da Secom, foi derrubada do cargo por Franklin Martins. Quando caiu, os ditos “blogueiros progressistas” — os blogs sujos — estavam em guerra com ela porque ela havia diminuído o repasse de dinheiro para a turma. Sem falar em valores, o documento elaborado pelo órgão sob os cuidados de Traumann admite (leiam com atenção):
“O início do primeiro governo Dilma (…) foi de rompimento com a militância digital. A defesa ferrenha dos direitos autorais pelo Ministério da Cultura e o fim do diálogo com os blogues pela Secom geraram um isolamento do governo federal com as redes que só foi plenamente restabelecido durante a campanha eleitoral de 2014.”
Ô Thomas! Explique aqui para este blogueiro não progressista o que quer dizer “fim do diálogo com os blogues (sic) pela Secom”. Não peço que explique a gramática porque inexplicável. Só o conteúdo. O que quer dizer “diálogo”, Thomas? Os blogueiros sujos telefonavam em busca de uma informação, e a Secom não atendia? E o que significa o restabelecimento do “diálogo” em 2014, em pleno ano eleitoral? Quanto custa esse diálogo?
Sabem o que é impressionante? Quem quer que seja o autor dessa estrovenga pegou o problema pelo avesso. Os blogs sujos, que disparam com munição fornecida pelo governo, hoje mais prejudicam a presidente Dilma do que ajudam. E a Secom quer dobrar a dose de um remédio que está dando errado. Pergunto: é lícito um governo usar uma rede de difamadores? É lícito um governo financiar páginas destinadas a cantar seus feitos? É lícito um governo fornecer “munição” para pistoleiros?
Haddad
O texto da Secom segue adiante, propondo ilegalidades escancaradas. Uma delas é esta: 
“A publicidade oficial em 2015 deve ser focada em São Paulo, reforçando as parcerias com a Prefeitura. Não há como recuperar a imagem do governo Dilma em São Paulo sem ajudar a levantar a popularidade do Haddad. Há uma relação direta entre um e outro.”
O que se tem aí é a disposição anunciada de violar o Parágrafo 1º do Artigo 37 da Constituição, que estabelece:
“§ 1º – A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.”
O texto da Secom deixa claro que o objetivo da publicidade FEDERAL será “ajudar a levantar” a popularidade do prefeito.
A coisa não para por aí, não. Prestem atenção a isto aqui:
“É preciso consolidar o núcleo de comunicação estatal, juntando, numa mesma coordenação, a Voz do Brasil, as páginas de sites, twitter e Facebook de todos os ministérios, o Facebook da Dilma e a Agência Brasil.”
Como? O Facebook de Dilma, informa-se lá, é administrado pelo PT. A “Voz do Brasil” é uma imposição legal do Estado brasileiro — infelizmente! —, não do governo. Que se saiba, a Agência Brasil diz atuar com neutralidade. De novo: como órgão estatal, não pode estar a serviço do poder de turno nem se confundir com a militância partidária.
Congresso
Thomas Traumann tem de ser convidado a explicar a deputados e senadores o conteúdo desse documento. Algumas questões:
a: quanto custa o diálogo do governo com os tais “blogs progressistas”, também conhecidos como “sujos”, que veiculam anúncios oficiais e servem para atacar adversários do PT e do governo?;
b: o que quer dizer fornecer “munição” para “soldados de fora”?;
c: como o governo federal pretende usar a publicidade para “levantar a popularidade” de Haddad?;
d: como pretende submeter a uma mesma coordenação o Facebook de Dilma (que é do PT), a Voz do Brasil e a Agência Brasil?
Bobagem
A imprensa tem dado relevo ao fato de que o texto admite o “caos político” no País. Grande coisa! Quem precisa da Secom pra isso? Sem contar que acho a palavra “caos” um óbvio exagero. Não sei se o texto é de autoria do Traumann, mas me parece que o redator, ele ou outro, encarece o problema para tornar mais urgente as soluções erradas e ilegais que aponta. A esta altura, não tenho dúvida de que Dilma as acatará. Em matéria de tiro no pé, nunca antes na história destepaiz se viu algo parecido.
O texto da Secom, além das óbvias ilegalidades que propõe, flerta com a guerra suja. Acredite, presidente Dilma: é o caminho para o abismo. Além, suponho, de custar caro. Mas, nesse caso, sei, quem paga é a população, né? Por Reinaldo Azevedo