sexta-feira, 20 de março de 2015

Denunciados black bloc pela morte de cinegrafista da Bandeirantes deixam prisão


Denunciados pela morte do cinegrafista Santiago de Andrade, Caio de Souza e Fábio Raposo, ambos de 23 anos, deixaram nesta sexta-feira o Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Eles estavam presos desde fevereiro do ano passado. Agora, a dupla responderá pelo crime em liberdade. Na quarta-feira, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro considerou inadequada a acusação de homicídio triplamente qualificado contra os réus - e determinou que fossem libertados. Souza e Raposo deveriam ter sido soltos na quinta-feira, mas não havia tornozeleiras eletrônicas para que pudessem ser monitorados - o governo do Estado não pagou a empresa que fornece os equipamentos. A crise por causa das tornozeleiras acabou por derrubar o secretário de Administração Penitenciária do Estado, num reflexo das dificuldades financeiras da pasta. O novo secretário, coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, disse que "vai tentar negociar com esse fornecedor para ver se ele nos adianta as tornozeleiras, e tentar diminuir as dívidas da secretaria". A decisão de acatar ao recurso da defesa da dupla foi tomada por dois votos a um pelos desembargadores da 8ª Câmara Criminal do tribunal. Os dois jovens black blocs respondiam ao processo por terem acendido e lançado o rojão que atingiu a nuca do cinegrafista, enquanto ela gravava imagens do protesto de fevereiro do ano passado - quatro dias depois, ele teve morte cerebral causada por fratura craniana. Com a decisão, o Ministério Público, que denunciou Barbosa e Souza por homicídio triplamente qualificado - motivo torpe, com uso de explosivo e mediante recurso que tornou impossível a defesa da vítima -, terá que oferecer uma nova denúncia. Os desembargadores também determinaram que a dupla está proibida de participar de manifestações e deverá comparecer em juízo nas datas fixadas pela Justiça.

Como pensa Macri, o favorito para a Casa Rosada


O empresário e engenheiro Mauricio Macri ficou conhecido por sua bem-sucedida administração do clube Boca Juniors e da cidade de Buenos Aires, da qual é prefeito desde 2007. Aliado à União Cívica Radical (UCR) e Coalizão Cívica (CC, da deputada Elisa Carrió), ele despontou como favorito para vencer as eleições presidenciais na Argentina, que acontecem no dia 25 de outubro. Tem cerca de 30% das intenções de voto. Conheça quatro mudanças que ele pretende realizar na Argentina:
Câmbio
Macri não gosta de definir-se como um político de esquerda ou de direita, mas sua preferência pelo liberalismo econômico é clara. Ele já avisou que pretende deixar o câmbio flutuar de acordo com a oferta e demanda, mesmo que haja inflação por conta disso. "Vão sobrar dólares na Argentina a partir de dezembro. Vamos buscar um ponto de equilíbrio que não prejudique o assalariado", disse
Liberdade de Expressão
Ao contrário do kirchnerismo, o pré-candidato não pretende regular a imprensa. "Na Argentina e, sobretudo, na cidade de Buenos Aires, há um dos melhores sistemas de imprensa do mundo. Muito diverso, plural, variado", diz Macri.
Mercosul
Macri pretende estreitar as relações com o Brasil e buscará reforçar o Mercosul, mas também as relações do país com outros Estados voltados para o Pacífico, cujas economias estão crescendo.
Credibilidade
O governo voltará a publicar índices oficiais de delitos, inflação e cotação da moeda. Para Macri, um dos principais motores para recuperar a economia é a recuperação da confiança nas instituições, dentro e fora da Argentina.

Chefe do clube do bilhão, UTC financiou campanha de aliada do tesoureiro de Dilma


Recém-empossada para seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo, a deputada estadual Márcia Lia, do PT, recebeu 632.985 reais como contribuição de campanha, no ano passado, da UTC Engenharia, empreiteira-chefe do cartel desbaratado na Operação Lava Jato. Márcia Lia é afilhada política do tesoureiro da campanha à reeleição de Dilma Rousseff, Edinho Silva. A contribuição foi declarada à Justiça Eleitoral, conforme exigência da legislação, mas uma das conclusões da força-tarefa da Lava Jato é que doações das empreiteiras investigadas, na verdade, eram recursos do propinoduto desviado de contratos da Petrobras - disfarçados em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. No ano passado, a Direção Nacional do PT arrecadou 10,8 milhões de reais. Uma das parcelas, no valor de 1 milhão de reais, pingou no caixa da sigla no dia 5 de agosto. Horas depois, 632.985 reais foi transferido para Márcia Lia. Ela recebeu 70.945 votos e só garantiu a vaga na Assembleia Legislativa por coeficiente partidário. A deputada paulista foi apenas um dos candidatos do PT para os quais a Direção Nacional intermediou doações da UTC. Mas a quantia doada chama a atenção. Quando considerados apenas os 10,8 milhões de reais distribuídos ao PT pela construtora de Ricardo Pessôa, empreiteiro preso pela Polícia Federal e apontado como chefe do clube do bilhão, Márcia Lia foi a parlamentar que mais recebeu recursos da UTC - ainda que seja uma estreante no Legislativo paulista. À frente dela, só os candidatos a governador Delcídio Amaral (MS), Gleisi Hoffmann (PR) e Lindbergh Farias (RJ) - todos derrotados -, além das direções estaduais da Bahia e de São Paulo. O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu investigação contra Gleisi e Lindbergh no escândalo do petrolão. Contra Delcídio, as citações ao seu nome no esquema foram arquivadas pela Justiça. A parlamentar declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que arrecadou 3,3 milhões de reais em sua campanha - 19% dos recursos foram da UTC Engenharia. Mais de 80% do que Márcia Lia arrecadou em geral saiu do comando do partido: um total de 2,66 milhões de reais. Ela recebeu da cúpula petista mais verba do que a campanha à reeleição do ex-governador gaúcho Tarso Genro, do que as dos governadores eleitos Camilo Santana (CE) e Wellington Dias (PI), e a do deputado federal Arlindo Chinaglia, escolhido pelo Palácio do Planalto para concorrer à presidência da Câmara neste ano. A campanha da presidente Dilma Rousseff recebeu 7,5 milhões de reais da UTC. O tesoureiro da campanha era Edinho Silva. Edinho afirmou que sua atribuição como tesoureiro era "responder apenas pela campanha majoritária nacional" e que "as campanhas proporcionais eram responsabilidade das instâncias do Partido dos Trabalhadores" - embora ele também tenha sido presidente da seção estadual do PT até 2013. Conforme VEJA revelou, Ricardo Pessôa chegou a escrever, na carceragem da PF em Curitiba, bilhetes nos quais sugeria que Edinho Silva "estava preocupadíssimo" por tê-lo procurado para pedir doações eleitorais à campanha de Dilma. Edinho repudiou as informações e disse que a arrecadação da campanha de Dilma "foi realizada de forma ética e transparente, conforme previsto na legislação eleitoral". No domingo, Edinho concluiu seu mandato como deputado estadual. Também ex-presidente do Diretório Estadual do PT, ele publicou uma foto nas redes sociais ao lado de Márcia Lia, a quem trata como "amiga e companheira de jornadas no PT". Em seu site, ela explica a relação entre eles: Márcia Lia é herdeira política do mandato de Edinho Silva e usou a mesma base eleitoral para se eleger. Ambos são de Araraquara (SP), cidade que Edinho administrou duas vezes. Em 2001, Márcia Lia filiou-se ao PT e ganhou um cargo na prefeitura, quando Edinho era prefeito. Ela ainda tornou-se secretária de Governo no segundo mandato dele. Atualmente, a deputada também preside o diretório petista na cidade. Procurada, ela não comentou a doação da UTC. Diversos outros candidatos foram beneficiados com doações da UTC, diretas ou intermediadas pelos partidos. Um deles, o deputado federal licenciado Arnaldo Jardim (PPS), atual secretário de Agricultura e Abastecimento do governo de São Paulo, prestou depoimento nesta terça-feira como testemunha de defesa de Ricardo Pessoa na Justiça Federal.

JUIZ SÉRGIO MORO REVOGA TRÊS PRISÕES TEMPORÁRIAS NA OPERAÇÃO LAVA JATO


O juiz Sérgio Moro, responsável por todas as ações da Operação Lava Jato, revogou a prisão temporária de três investigados por participar no esquema de desvio de dinheiro da Petrobras. Foram beneficiados Lucélio Góes, filho do doleiro Mário Góes, e Dario Teixeira Alves Junior e Sonia Mariza Branco, suspeitos de serem subordinados do lobista Adir Assad. Em ambos os casos, o juiz afirma que a prisão temporária, que tem prazo máximo de cinco dias, cumpriu seu objetivo de "preservar a colheita da prova". Ele também considera que as provas poderiam impor aos investigados um pedido de prisão preventiva, mas pondera que, "como medida extrema e a bem da presunção de inocência, não deve ela ser prodigalizada, devendo ser reservada àqueles com participação mais relevante na prática dos crimes". O juiz determina, após a revogação da prisão, obrigação de comparecer aos atos do processo e não deixar a residência por mais de 30 dias, mudar de endereço ou deixar o País sem prévia autorização da Justiça. O descumprimento das medidas cautelares pode levar à decretação de prisão preventiva. Lucélio e o pai, Mário Góes, foram presos na segunda-feira, 16, na décima fase da Operação Lava Jato, batizada de "Que País é Esse?" Mário é acusado de ser carregador de dinheiro para o ex-diretor de Serviços da Petrobras, o petista Renato Duque, que voltou a ser preso nesta semana. Dario Teixeira Alves Junior e Sonia Mariza Branco são suspeitos de trabalhar para o lobista Adir Assad, que já foi investigado pela Polícia Federal no caso Delta, em 2012. Tanto Mário Góes como Assad negam participação em irregularidades.

Procurador federal diz que está muito difícil a situação do bandido petista mensaleiro José Dirceu na Operação Lava Jato


As versões e os dados apresentados pela JD Assessoria e Consultoria Ltda, do ex-ministro José Dirceu, para justificar os R$ 2,5 milhões que recebeu da Engevix Engenharia e da Jamp Engenheiro Associados – empresa que intermediava propinas da empreiteira na Diretoria de Serviços da Petrobrás – são insustentáveis. A opinião é do procurador regional federal Carlos Fernando Lima, um dos coordenadores da força-tarefa da Operação Lava Jato: “Hoje está muito difícil a situação do José Dirceu em relação ao que ela recebia da Jamp". Segundo ele, “as histórias estão sendo contadas sem o mínimo de cuidado de razoabilidade”: “Eles estão se confundindo". As divergências surgiram com o cruzamento de dados da quebra de sigilo fiscal da JD com os documentos de contrato e notas fornecidas pela defesa do ex-ministro no inquérito da Lava Jato em que é investigado. Segundo a Receita Federal, a Engevix pagou R$ 1,1 milhão à JD entre 2008 e 2011. Documento contratual mostra valor de R$ 300 mil para seis meses de consultoria internacional. O período de vigência é anterior à assinatura, de novembro de 2010: inicia em novembro de 2009 e termina em maio de 2011. “Há uma contradição evidente de informações. O período não bate nem em relação ao contrato ao que ele disse”, afirmou o procurador da Lava Jato. Novo nome nas investigações que abalaram os governos petistas, a Jamp pertence a Milton Pascowitch, acusado de ser um dos 11 operadores de propina na Diretoria de Serviços – cota do PT dentro do esquema de corrupção na Petrobrás. Um dos canais seria o ex-diretor petitsa Renato Duque, nome indicado por José Dirceu ao cargo. O operador é considerado peça-chave nas investigações envolvendo as consultorias de José Dirceu. As suspeitas são de que elas foram usadas para falsos serviços que podem ter ocultado dinheiro de propina. Pelo menos sete empresas investigadas pela Lava Jato na Petrobrás aparecem depositando para a JD. Além da Engevix, quebra de sigilo da JD revelou que a Jamp também está entre as fontes pagadoras da empresa de consultoria de José Dirceu. Ela depositou R$ 1,4 milhão em 2001 e 2012. Os serviços seriam referentes à consultoria internacional prestada por ele à empreiteira Engevix, em especial, em Cuba e no Peru. “A JD Assessoria e Consultoria assinou o contrato com a Jamp em março de 2011 também com o objetivo de prospectar negócios no exterior para a Engevix". Para os procuradores da Lava Jato, as versões apresentadas pela JD conflitam com o que afirmou um dos sócios da Engevix, Gérson de Mello Almada – preso desde o dia 14 de novembro de 2014 -, nesta quarta-feira. Ele depôs espontaneamente na Justiça Federal, no processo em que é réu por corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobrás, para admitir que pagava o lobista da Jamp para abrir portas na estatal, via seus contatos políticos do PT, citando o atual tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. Almada disse que no caso da JD, os serviços eram de “lobby internacional” em Cuba e no Peru e negou conhecer relação comercial entre a Jamp e a JD – complicando ainda mais a vida de José Dirceu.  “Ele (Almada) pagava a Jamp para fazer lobby com o Partido dos Trabalhadores. E a Jamp, sabemos, paga o José Dirceu. Eu pergunto então na audiência se ele sabe quais são as relações comerciais entre a Jamp e a JD, e ele diz que não”, argumentou Carlos Lima. “Depois a JD vem e emite uma nota dizendo que era para serviços da Engevix (que ela recebeu da Jamp). Contradição. A situação parece insustentável em termos de versões”, ataca o procurador, que já atuou nas investigações do caso Banestado e em outros rumorosos escândalos de corrupção. Almada, ao admitir que usava dos serviços de Pascowitch e José Dirceu como “lobistas”, negou corrupção. Disse não saber, no caso do operador da Diretoria de Serviços, que o dinheiro pago para a Jamp servia para corromper agentes públicos como o petista Renato Duque e seu braço-direito Pedro Barusco. “O que ele diz que é lobby, ele não quer admitir, mas é repasse de dinheiro que tem por origem o esquema da Petrobrás”, afirma o procurador. “O que temos aqui é uma série de justificativas, para um relacionamento, que não batem. Cada vez que eles justificam, depois os fatos mostram o contrário. Um fala uma coisa, depois vem outro e fala outra coisa". A relação comercial direta com a Jamp foi o elemento de maior suspeita contra o ex-ministro – já condenado no processo do Mensalão do PT, ele cumpre prisão domiciliar. “Se ele recebesse só das empreiteiras, era uma coisa. Mas receber de um operador que sabidamente paga propina é um problema sério. Nós já temos essa confusão de datas na contratação da Engevix”, afirmou Carlos Lima. 

Para disputar a prefeitura, Marta avisa ao PSB que deixará o PT até maio

Com a intenção de disputar a sucessão à prefeitura de São Paulo, a senadora socialite Marta Suplicy (PT-SP) avisou ao PSB que se desfiliará do PT até maio. A informação foi repassada à cúpula estadual do partido pelo empresário Márcio Toledo, namorado da petista e principal articulador de sua candidatura no ano que vem. Além do PSB, o empresário informou a intenção de Marta ao governo de São Paulo, de Geraldo Alckmin (PSDB), que deu aval ao movimento político. Tucanos e pessebistas são aliados no Estado e os planos de Alckmin são os de disputar a Presidência da República em 2018. Para ser candidata em 2016, a socialite Marta Suplicy precisa estar filiada ao PSB em outubro, um ano antes da eleição municipal. Antecipar a decisão, portanto, tem como objetivo dar mais tempo à senadora para articular uma candidatura competitiva, com o apoio de siglas como PPS, PV e Solidariedade. A filiação de Marta Suplicy ao PSB conta com o apoio da cúpula nacional do partido, mas ainda encontra resistências entre lideranças da legenda em São Paulo. O receio é de que, ao ser filiada, a petista transfira ao PSB parte da rejeição ao PT no Estado. Entre os petistas, a avaliação majoritária é de que é pouco provável que a socialite Marta Suplicy recue da decisão e continue na sigla. As investidas do comando do partido para “reconquistar” Marta Suplicy não tiveram até o momento resposta da senadora, que tem intensificado as críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT). O PT em São Paulo tem monitorado o ânimo da militância nos diretórios zonais diante dos ataques que a senadora tem feito ao governo federal. Os resultados apontam um descontentamento dos eleitores da petista, que gostam da senadora, mas a têm achado “agressiva”. 

Dilma envia ao Congresso projeto que reduz desoneração da folha de pagamento

A presidente Dilma Rousseff enviou ao Congresso nesta sexta-feira projeto de lei que reduz a desoneração da folha de pagamento de setores empresariais – o texto, inicialmente apresentado como medida provisória, foi devolvido há 17 dias pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Num dos ápices da crise entre Dilma e o maior partido de sua base aliada, Renan alegou na ocasião que editar a medida via MP era um “abuso” do Executivo. Para ele, a proposta deveria tramitar como as outras, e não vigorar por meio de uma canetada presidencial. Dilma atendeu a Renan e, nesta sexta-feira, publicou a medida no Diário Oficial da União, na seção de mensagens da presidente ao Congresso. O conteúdo completo do projeto não consta no documento, mas a ementa é a mesma da MP 669/15, rejeitada por Renan Calheiros. Em nota emitida logo após a devolução da medida provisória, a Secretaria de Comunicação da presidente afirmou que Dilma havia assinado o projeto com pedido de urgência constitucional e acrescentou que a mudança no formato do encaminhamento da lei não traria “prejuízo para o ajuste fiscal pretendido pelo governo federal”. O projeto que reduz a desoneração na folha de pagamento tem impacto direto sobre os custos para os empregadores. Para as indústrias, o valor recolhido sobre a receita bruta passa de 1% para 2,5%. No setor de serviços, a cobrança salta de 2% para 4,5%. A proposta ainda traz medidas acerca da tributação sobre bebidas frias e dispõe sobre a tributação referente aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016. ?

Antes de defender Dilma em Goiás, o governador criticou a presidente em São Paulo

Ao fazer uma defesa enfática da presidente Dilma Rousseff (PT) na quinta-feira (19), o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, disse o seguinte: “Nunca ninguém ouviu aqui em Goiás uma palavra minha que não fosse de respeito e de reconhecimento ao trabalho de Vossa Excelência”. Em Goiás não, mas em São Paulo… Há cerca de dez dias, Perillo participou de um evento promovido pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso, onde economistas e tucanos discutiram a crise do atual governo. O goiano estava na plateia e, durante o evento, fez uma intervenção. Segundo ele, “governadores e prefeitos não aguentam mais”. “72% de tudo o que arrecada no país fica com o governo federal para formar superavit, pagar dívidas e outros compromissos, para a corrupção”, asseverou.

Perillo avaliou que o resultado da gestão de Dilma será “educativo” pois vai levar ao “fim da hegemonia do PT”. “É muito doloroso para nós, tucanos, termos perdido essa eleição. Mas eu acho que essa vitória do PT, com todos os desdobramentos que a gente vê hoje, vai significar o fim da hegemonia do PT. Não tenho dúvida sobre isso. Vai acabar sendo educativo”, afirmou. Na ocasião, o governador disse ainda que Dilma estava sofrendo o que chamou de “efeito bumerangue”. “Mentiram e agora vão ter que tomar as medidas.” O tucano afirmou esperar que as manifestações do último dia 15 dessem uma “resposta” à gestão Dilma. “E a resposta virá no dia 15 e, certamente, virá dois meses depois. A situação vai se agravar cada vez mais porque as pessoas perderam a paciência”, afirmou.
Diante da petista, no entanto, em evento em Goiânia nesta quinta, Perillo fez um discurso diferente. “É dispensável dizer que recebi muitos conselhos, presidenta, para não estar aqui”, declarou, ao assumir o microfone. “Venho como governador legitimamente reeleito do Estado de Goiás para receber uma presidente da República que foi legitimamente reeleita e que tem o meu apoio à sua governabilidade.”
“O Brasil não pode ser vítima da intolerância, do desrespeito. Não pode ser vítima de minorias que não querem uma democracia onde o republicanismo possa prevalecer”, continuou o governador. Por fim, Perillo disse que, em muitos momentos, precisou de “coragem” para defender Dilma diante dos tucanos. “Sou de um outro partido, que às vezes faz oposição à senhora, mas eu não. Nunca ninguém ouviu aqui em Goiás uma palavra minha que não fosse de respeito e de reconhecimento ao trabalho de Vossa Excelência”, garantiu.

Desculpas a Lupi

leonel brizola neto
Só falta Leonel Brizola Neto
Falta apenas um Brizola fazer as pazes com Carlos Lupi. Depois de Brizola Neto, o Carlito, e Juliana Brizola pedirem desculpa para Lupi na semana passada, resta o vereador Leonel Brizola Neto levantar a bandeira branca. Em agosto de 2013, o parlamentar carioca acusou o presidente do PDT de “vender” o partido no Rio de Janeiro para o PMDB por 2,5 milhões de reais. Juliana e Carlito estão tentando convencer Leonel a se retratar e Lupi está disposto a aceitar as desculpas. Com isso, está abortado o retorno dos brizolistas para o PTB – articulação que vinha sendo feita desde o início do ano. Por Lauro Jardim

Manifestações em números

Manifestação em São Paulo
Manifestação em São Paulo
As manifestações da semana passada foram tema de 2,6 milhões de menções no Twitter entre os dias 12 e 15 de março. O número é de um levantamento inédito da In Press Porter Novelli, que também mostra que o protesto convocado pela CUT, na sexta-feira, foi mencionado 403 603 vezes, 76% menos que as 1 731 761 das manifestações contra a corrupção, no domingo. Reproduzida 51 113 vezes, a hashtag #Dia13DiadeLuta também foi menos disseminada que a #VemPraRua15deMarço, com 66 229 menções. As outras três hashtags que mais ecoaram no Twitter foram #foradilma, em cerca de 57 000 postagens, #vemprarua, presente em aproximadamente 52 000, e #forapt, usada 30 000 vezes. A In Press também mostra que 56% dos tuiteiros sobre as manifestações eram homens, 43% tinham entre 25 e 34 anos de idade e 33% eram de São Paulo. Por Lauro Jardim

Disputa pela Anvisa

Agenor Álvares: indicado pelo PMDB da Câmara
Agenor Álvares: indicado pelo PMDB da Câmara
Cresceram as chances de José Agenor Álvares para a vaga em aberto na Avisa. O indicado do PMDB tem tido sorte. Primeiro, é apadrinhado pelo ex-ministro da Saúde e hoje deputado Saraiva Felipe, muito próximo de Eduardo Cunha. Mas não só. A turma da bancada do fumo, que lhe fazia oposição no tempo em que ele já havia passado pela Anvisa e tomou medidas contra o tabagismo, não anda no melhor momento para vetar algum nome. O principal expoente da bancada é o ilustre Luiz Carlos Heinze, encrencadíssimo com a Lava-Jato. Por Lauro Jardim

Enquanto PT alopra, PMDB testa caminhos da governabilidade. Ou: Temer e um certo ar presidencial…

Na quarta-feira, Michel Temer (PMDB), vice-presidente da República, concedeu uma entrevista a Roberto d’Avila, na GloboNews. Lembrava, assim, autoridade de antigamente. De quando? De antigamente! Não me refiro a um tempo histórico. Falava com cuidado, evitava inimigos, condescendia com os adversários, entendia as ruas, mantinha o tom sempre sereno. Temer, em suma, não parecia pertencer àquele suposto “país do caos”,  retratado num documento da Secom que recomenda à presidente que caia na ilegalidade.

O vice-presidente tem procurado líderes da oposição para conversar… Já falou com Aécio Neves, com José Serra, com Fernando Henrique Cardoso, com ACM Neto… Enquanto isso, Rui Falcão, presidente do PT, prefere lançar um grito de guerra contra a mídia e denuncia golpismo. Os autoproclamados “movimentos sociais” — meras franjas do próprio petismo — saem por aí a bloquear estradas e avenidas, a incitar Dilma a dar uma guinada à esquerda e a pedir a cabeça de Joaquim Levy. Em sua mente perturbada, querem aproveitar a crise para radicalizar.
Vale dizer: embora a presidente legal seja Dilma; embora o PT domine a quase totalidade da máquina pública; embora os companheiros estejam maciçamente aboletados no Estado, é o PMDB que está se ocupando da governabilidade — dessa precária, que está aí, ou de outra que possa sucedê-la.
Temer tem conversado ainda com empresários. Nesta sexta-feira, almoçou no Secovi, o Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo.  E, obviamente, ninguém deve supor — porque seria mesmo falso — que ele conjecture sobre qualquer outra possibilidade que não seja Dilma concluir o seu mandato. Ao contrário: o vice-presidente expressa a convicção de que a crise vai arrefecer. E conversa.
Dilma, com suas escolhas incompreensíveis, presta um favor imenso a seu vice: resolveu deixar claro que ele não é governo e pronto! A esta altura, convenham, só restaria a Temer um embevecido agradecimento, não é mesmo? Embora a “Lista de Janot” inclua Eduardo Cunha (RJ) e Renan Calheiros (AL) — presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente —, o PMDB não está no olho do furacão.
É bem verdade que Cunha ocupou, na legenda, parte do espaço que antes cabia ao vice. Há, e isto é inescapável, certa tensão no ar, mas nada que não se resolva com uma boa conversa. Erra quem apostar num curto-circuito nessa relação. De resto, o presidente da Câmara também tem buscado ampliar a sua interlocução.
Assisti à entrevista de Temer em companhia da minha mulher. Depois de alguns minutos de respostas monocórdias, pautada por um rigoroso decoro institucional, ela comentou, com alguma ironia: “Não é a isso que chamavam antigamente de ‘ar presidencial?”. Respondo: é, sim!
Não custa destacar que ninguém se lembrou do PMDB nas ruas. O nome do vice não foi pronunciado. Se Temer tivesse vestido uma camiseta amarela e gritado “Fora Dilma”, poucos o reconheceriam. A crise política tem sigla. A crise política tem cara.
Não estou sendo oblíquo, não. Não estou “batendo na cangalha para o burro entender”, como se diz na minha terra. Estou sendo até bem claro: no campo governista, alguém precisa fazer alguma política que não seja só a do desespero e da porra-louquice. Não sei se Dilma vai ou fica. Com ela ou sem ela, o tão malhado PMDB, vejam que coisa!, começa a surgir como uma garantia contra o “caos”, aquele que, segundo a Secom, já estaria por aí. Por Reinaldo Azevedo

PSDB processa Traumann por improbidade


O PSDB decidiu entrar na Justiça Federal com uma ação de improbidade administrativa, na esfera criminal, contra o ministro Thomas Traumann por causa do documento da Secom em que se discutia o que o governo deveria fazer na área de comunicação para vencer o “caos político”.Na ação, o argumento principal é que o governo “confessou que utiliza verbas publicitárias para abastecer seu exército de blogueiros”.

Aos 69, Liza Minnelli é internada em clínica de reabilitação

Liza Minnelli foi internada em uma clínica de reabilitação para receber tratamento por abuso de substâncias químicas, segundo o site da revista americana Entertainment Weekly. Outro site americano especializado em celebridades, o TMZ, reportou que a cantora e atriz de 69 anos está internada há alguns dias e que o álcool é o seu maior problema. O assessor da atriz, Scott Gorenstein, afirmou à Entertainment Weekly que ela está tendo "um excelente progresso". "Liza Minnelli valentemente batalha contra o abuso de substâncias e sempre que ela precisou procurar ajuda, assim o fez", disse. Vencedora do Oscar de melhor atriz em 1972 pelo papel de Sally Bowles no filme Cabaret, Liza esteve na reabilitação por diversas vezes, a mais recente delas em 2004. Em 2010, Liza recebeu uma oferta de 500 000 de dólares para participar do reality show Celebrity Rehab, mas recusou. Sua mãe, Judy Garland, também batalhou contra o vício boa parte de sua vida, mas morreu de overdose em 1969.

Filho do petista Renato Duque trabalhou para firma que ganhou contratos sem licitação

Uma empresa na qual trabalhou o filho do ex-diretor de Serviços da Petrobras, o petista Renato Duque, firmou contratos sem licitação com a estatal, de acordo com o portal da transparência da própria Petrobras. A Technip, petrolífera francesa, foi contratada sem licitação para atuar na área de "serviços" da Petrobras, ao menos em duas ocasiões, em 2011. O maior dos contratos, para a instalação e recolhimento de dutos, foi assinado por R$ 194 milhões. O outro, no valor de R$ 8 milhões, referia-se a afretamento de embarcações. Os dados são da própria estatal. O vínculo do filho de Duque com a prestadora de serviço da Petrobras foi revelado nesta quinta-feira (19) pela deputada Eliziane Gama (PPS-MA), durante a sessão da CPI que investiga a estatal. A comissão se reuniu para colher o depoimento do próprio Duque, que é acusado nas investigações da Operação Lava Jato de receber propina de empresas e repassá-las ao PT. Atualmente Duque está preso preventivamente. Essa, inclusive, foi uma das poucas perguntas respondidas por Duque, que passou a maior parte do tempo avocando o direito de permanecer em silêncio diante dos questionamentos. Ao lançar o tema, a deputada, porém, não informou o período em que o filho do ex-diretor trabalhou na empresa francesa.
Além das contratações diretas, a Technip venceu ao menos duas licitações para serviços da Petrobras, ambas na modalidade convite, em que as empresas são convidadas pela estatal a participarem do certame. O petita Renato Duque comandou justamente a diretoria de Serviços entre 2003 e 2012. Não está claro, no entanto, se os contratos da Technip foram assinados com a diretoria comandada por Duque, embora levem a rubrica "serviços". Questionado na CPI, o ex-diretor negou irregularidades na contratação do filho pela empresa e citou que é uma das maiores empresas da área de petróleo do mundo. Também não citou o período em que seu filho atuou na Technip. "O meu filho trabalhou nessa empresa, em Houston, e em um tempo no Brasil. Meu filho é economista formado, foi recrutado por um headhunter. Quando foi recrutado pra trabalhar nessa empresa, nos Estados Unidos, eu fiz uma consulta formal ao jurídico da Petrobras para saber se haveria algum empecilho. Falaram que não tinha problema. Ele retornou ao Brasil um ano e meio mais tarde com a família dele e, algum tempo depois, se retirou para montar seu próprio negócio", explicou.

Crise leva Temer a aproximação com líderes da oposição

Em meio à crise aguda que o governo Dilma Rousseff (PT) enfrenta, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) manteve nas últimas semanas vários contatos com membros dos dois principais partidos de oposição à presidente, o PSDB e o DEM. Temer esteve com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) há cerca de um mês, em São Paulo. O vice afirmou que queria uma conversa sobre mudanças na legislação eleitoral, segundo aliados do peemedebista. O mesmo assunto foi usado depois para justificar um encontro com o senador José Serra (PSDB-SP) em Brasília, na residência oficial do vice. O senador Aécio Neves (PSDB-MG), que perdeu para Dilma a eleição de 2014, foi procurado no dia 10, seu aniversário. Temer ligou para Aécio, deu os parabéns e falou sobre o cenário político, segundo um aliado do tucano. Nesta semana, o vice-presidente esteve com o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). Na segunda (16), promoveu um jantar para deputados do DEM em Brasília. O pretexto era discutir um projeto de fusão com o PMDB – idéia improvável hoje, já que o DEM negocia com o PTB. Durante o jantar, Temer mencionou a necessidade de aprovar as medidas de ajuste fiscal propostas pelo governo ao Congresso e se comprometeu a arranjar um encontro com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para esclarecer dúvidas dos deputados. Aliados dizem que o objetivo do vice-presidente com essas conversas é reduzir a tensão nas relações entre o governo e a oposição, sem melindrar os líderes do PSDB e do DEM com versões conspiratórias ou especulações que sugiram a negociação de um pacto para salvar Dilma. Os tucanos descartam qualquer possibilidade de trégua com o governo, mas Temer tenta vender a idéia de que é possível ainda assim promover uma agenda comum ao PMDB e ao PSDB. Um primeiro resultado dessas conversas surgiu nesta semana, quando o PMDB apresentou no Congresso uma proposta de reforma política com vários pontos coincidentes com os que os tucanos defendem, como o fim das coligações partidárias nas eleições legislativas. Em entrevista à Globo News na noite de quarta-feira (18), Temer fez acenos à oposição. "Se o país tem uma situação dramática, nada impede um diálogo com a oposição, e eu tenho feito isso com muita frequência", afirmou o vice. Afastado pelos petistas do centro das decisões do governo, ele também enfrenta dificuldades para lidar com a sombra do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o desafeto de Dilma que manda na bancada do partido. Nesta quinta (19), após almoço na casa de Temer, os líderes do PMDB no Senado decidiram apresentar um projeto para reduzir de 39 para 20 o número de ministérios. Horas depois, Cunha desengavetou projeto semelhante que tramita há anos na Câmara. 

Justiça de São Paulo exclui Suzane von Richthofen da herança dos pais

A Justiça de São Paulo determinou que a herança da família Von Richthofen seja entregue a Andreas Albert von Richthofen, irmão de Suzane. A decisão ocorreu no dia 12, mas só foi divulgada nesta quinta-feira (19). O juiz considerou a sentença final, que excluiu Suzane da partilha dos bens por considerá-la "indigna". Ela foi condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais em 2002.

Credor executa garantias da Sete Brasil

A Sete Brasil, principal parceira da Petrobras na exploração do pré-sal, sofreu um duro golpe. Um de seus credores estrangeiros, o Standard Chartered Bank, entrou com pedido de execução de garantias do empréstimo concedido à empresa. O banco já acionou o FGCN (Fundo Garantidor da Construção Naval), fundo administrado pela Caixa Econômica Federal para assegurar o pagamento aos credores em caso de calote. Em carta ao fundo, o Standard Chartered pede para sacar sua cota no fundo – o que pode ser negado pelo fundo. O valor do empréstimo é maior do que a cota do banco no fundo –um sinal de desespero diante da situação da Sete Brasil, já que prefere garantir um valor menor. Envolvida na Operação Lava Jato, a companhia não consegue um financiamento de US$ 9 bilhões prometido pelo BNDES quando a empresa foi criada, em 2010. Como não obteve os recursos do BNDES, a Sete tomou R$ 12 bilhões com bancos – alguns deles são também sócios no negócio. Esses empréstimos venceram, e a Sete não consegue pagá-los. O Standard Chartered fez parte de um grupo de bancos estrangeiros que, juntos, concederam R$ 2,6 bilhões à Sete. Esses financiamentos, chamados empréstimos-ponte, venceram novamente na terça-feira (17). Eles já tinham sido renegociados anteriormente. O Standard foi o primeiro a "jogar a toalha" porque não acredita que haverá uma saída para a Sete. A solução que está na mesa é do BNDES. O banco estatal propôs liberar os US$ 9 bilhões que tinha prometido à Sete diretamente para os bancos credores. Assim, ele repassará o risco do negócio para as instituições financeiras. Os credores não querem aceitar a proposta. Dizem que só financiaram a Sete porque o governo, via BNDES, tinha se engajado no projeto com a promessa do financiamento de longo prazo. O prazo final para decidirem o salvamento da empresa é 31 de março. Se os bancos não aderirem, a empresa pode quebrar. Caso eles cheguem a um acordo, o banco britânico pode suspender a execução das garantias. O impasse se agravou após Pedro Barusco, ex-diretor de operações da Sete, confessar ter cobrado propina dos estaleiros contratados para fazer as sondas – reproduzindo na Sete os desvios praticados na Petrobras quando foi gerente da estatal. Desde então, o BNDES exige mais garantias para liberar o recurso. Até a presidente Dilma pressionou para ajudar a empresa. Com a demora do BNDES, a Sete atrasa pagamentos, comprometendo a construção das sondas.

Protegida contra protesto por forte esquema de segurança, Dilma pede tolerância em Goiânia


Em um momento de baixa popularidade do governo e de protestos pelo país, a presidente Dilma Rousseff pediu, nesta quinta-feira, tolerância, mas defendeu a democracia e o direito de manifestação da sociedade. Cercada de um forte esquema de segurança, montado pelo Palácio do Planalto e pela prefeitura petista de Goiânia, Dilma assinou a ordem de serviço para construção do BRT Norte-Sul, um investimento de R$ 340 milhões, sendo R$ 210 milhões do governo federal e R$ 130 milhões de contrapartida da prefeitura. "Nós temos obrigação de respeitar a democracia. E como é que é a democracia? Direito de todos falarem, todos se manifestarem, porém também direito a todos serem ouvidos. Por isso, eu peço tolerância e peço uma outra questão: diálogo. Porque o diálogo implica que a gente olhe o próximo, aquele com quem nós dialogamos, como uma pessoa igual a nós, que a gente tenha a humildade de nos colocar a nível de todos e não nos acharmos nem melhor, nem pior que ninguém", afirmou a presidente. Em um raio de dois quilômetros do Paço Municipal, onde ocorreu o evento, foram montados postos de triagem do público. No entorno do local, foi montada uma barreira com grades, depois um tapume de placas de ferro e novamente uma cerca de grades. Efetivos da Guarda Civil Metropolitana, da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal fizeram a segurança da cerimônia. O esquema foi organizado para impedir que manifestantes ligados aos movimentos Vem Pra Rua, Caras Pintadas e Brasil Livre chegassem ao Paço Municipal. Por volta das 14h30, um grupo de 24 manifestantes, com faixas de "Fora Dilma", "Fora PT", "Impeachmentent Já", chegaram à entrada, mas foram barrados. Batendo panelas, os manifestantes gritaram e cantaram "Dilma vá embora que o Brasil não quer você, leva com você o Lula e a quadrilha do PT". Os líderes da manifestação disseram que o tempo chuvoso e o horário do evento, durante o expediente, impediram a presença de mais pessoas. "Eu estou insatisfeita com o governo e não com a Dilma. Estou insatisfeita com essa política que só privilegia a panelinha. Não sou tucana, não sou petista, não sou PSOL. Sou brasileira", disse a dona de casa Ana Maria Gomes, enquanto batia panela e ia para o evento. O prefeito de Goiânia, o petista Paulo Garcia decretou ponto facultativo para os órgãos que funcionam no Paço Municipal. A prefeitura também colocou ônibus de graça para levar os convidados entre os postos de triagem e o evento. Segundo o Planalto, 3.500 pessoas participaram da cerimônia. No twitter, Garcia respondeu às críticas sobre a organização do evento: "Aviso aos navegantes. Gostemos ou não existe um protocolo presidencial. Ponto final". Dilma chegou com uma hora de atraso, acompanhada do governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, que foi vaiado pelos petistas. Embora o PSDB tenha apoiado as manifestações do último domingo, Perillo condenou a intolerância e a injustiça contra Dilma. O governador afirmou manter uma "relação republicana" com a presidente e o prefeito, ambos petistas. Disse ainda ser grato à Dilma pelo que o governo federal fez por Goiás. "Eu recebi conselhos para não estar aqui, mas disse que eu, enquanto governador, jamais concordei com a intolerância e as injustiças em relação à presidente. Eu, que sempre a recebi aqui respeitosamente, não vou temer comparecer a um evento, porque uma parte pode me hostilizar. Eu venho aqui como governador legitimamente eleito pelo Estado de Goiás. Venho aqui receber a presidente da República que foi legitimamente reeleita e que tem meu apoio para a governabilidade. O Brasil não pode ser vítima da intolerância ou desrespeito. O Brasil não pode ser vítima de minorias", disse o governador que, nesse momento, foi aplaudido. No evento, Dilma fez um afago político ao governador, anunciando mais uma etapa das obras do Aeroporto Santa Genoveva - a construção do pátio e da pista - e prometeu entregar em novembro. As obras ficaram paralisadas por quase dez anos, por indícios de superfaturamento. A presidente fez questão de destacar a parceria entre os governos estadual e federal. "O governador Marconi Perillo tem sido um parceiro do governo federal nos desafios que nós enfrentamos, ao longo dos anos em que fomos eleitos, eu para governar o Brasil, ele para governar Goiás. Essa parceria se dá acima das nossas diferentes filiações partidárias. Somos um país democrático, em que a gente disputa durante a eleição. Acabou a eleição, eleitos aqueles que o povo escolheu, a gente passa a governar. Ele para toda população de Goiás e eu para toda a população do Brasil",  afirmou Dilma. Segundo o Planalto, O BRT (Bus Rapid Transit) beneficiará cerca de 120 mil usuários por dia. O investimento na obra será de R$ 340 milhões, sendo R$ 210 do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e R$ 120 milhões da prefeitura. A previsão para a conclusão é de 20 meses.

Ricardo Ferraço é indicado para relatoria da CPI do HSBC no Senado

Um dia depois de os partidos indicarem os nomes para para integrar a chamada CPI do HSBC, no âmbito do Senado, o líder do PMDB na Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse nesta quinta-feira que escolheu o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) para assumir a relatoria da Comissão. Isso porque caberá ao PMDB o cargo da relatoria. A CPI deverá ser instalada de fato na próxima terça-feira. O líder do PMDB disse que todas as denúncias devem ser investigadas. "O PMDB vai pedir a relatoria da CPI do HSBC e estou indicando o senador Ricardo Ferraço. Não importa quem recebeu. Se existe algo ilegal, é papel do Congresso investigar", disse Eunício Oliveira. A CPI foi proposta pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e a lista foi lida no Plenário do Senado na noite da quarta-feira. A lista de senadores inclui parlamentares do PSDB. Segundo Randolfe Rodrigues, a primeira reunião da CPI para eleger seu presidente e o relator deverá ocorrer na próxima terça-feira. Ele disse que vai discutir a data com o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), indicado pelo PSDB como suplente e que deve presidir a primeira sessão da comissão. O senador do PSOL havia pedido a criação de uma CPI no Senado a fim de investigar a atuação do HSBC e possível prática de evasão fiscal. "Vou conversar com o senador Aloysio e propor que façamos a primeira reunião na próxima terça-feira", disse Randolfe. O bloco PT-PDT-PP indicou os senadores Paulo Rocha (PT-PA) , Fátima Bezerra (PT-RN), Regina Souza (PT-PI) e o senador Acir Gurgacz (PDT-RO) como titulares. E, como suplentes, os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), investigado na Operação Lava-Jato, e Paulo Paim (PT-RS). O bloco PMDB-PSD indicou como titulares os senadores Ricardo Ferraço (PMDB-ES), Waldemir Moka (PMDB-MS) e Sérgio Petecão (PSD-AC). A oposição indicou como titular os senadores Aloysio Nunes Ferreira e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), na condição de líder do PSDB no Senado. A CPI será integrada ainda pelo próprio Randolfe, autor do requerimento, e pelo senadores José Medeiros (PPS-MT), Blairo Maggi (PR-MT) e Wellington Fagunes (PR-MT). No pedido de criação da CPI, Randolfe argumentou que é preciso investigar irregularidades praticadas pelo HSBC na abertura de contas, em que mais de U$ 100 bilhões foram potencialmente ocultados ao Fisco de mais de 100 países, dentre os quais há cerca de 8 mil brasileiros, com uma estimativa preliminar de mais de US$ 7 bilhões, que se furtaram a cumprir suas obrigações tributárias, evidenciando a potencial prática de crimes que vão de evasão de divisas a inúmeras fraudes fiscais”. O escândalo veio a público com o vazamento de informações sobre supostas contas na Suíça do banco HSBC e foi batizado de SwissLeaks. No pedido de abertura da chamada CPI do HSBC, o senador Randolfe chama o caso de “Suiçalão”, numa alusão ao mensalão. “Trata-se de um arrojado esquema de acobertamento da instituição financeira, operacionalizado na Suíça, que beneficiou mais de 106 mil correntistas, de mais de 102 nacionalidades, e cuja monta total de recursos manejados perfaz um cifra superior a U$ 100 bilhões, entre o período de 1998 a 2007, em que 8.667 deste total são de brasileiros”, diz Randolfe no requerimento.

Diretor-adjunto do Senado aparece entre correntistas do HSBC suíço

Em 2002, o advogado mineiro Humberto Lucena Pereira da Fonseca passou em um concurso e conquistou o cargo de consultor legislativo na área de Direito Econômico e Comercial. Desde abril do ano passado, trabalha no Senado Federal, como diretor-adjunto de Contratações. No cargo comissionado ele tem um salário de cerca de R$ 26 mil. Humberto, de 38 anos, está na lista dos 8.667 brasileiros correntistas do HSBC na Suíça em 2006 e 2007. Nas planilhas que foram vazadas por um ex-técnico de informática da instituição financeira, seu nome aparece ligado a duas contas existentes em Genebra, ambas conjuntas com seu pai, Florisnaldo Hermínio, e mais três parentes. O endereço de correspondência de todos é o bairro de São Bento, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Segundo os registros do banco, a primeira conta foi aberta em 17 de janeiro de 2000 e, em 2006, guardava US$ 2,5 milhões. A segunda foi aberta em 1º de maio de 2006 e tinha US$ 2,6 milhões, em nome de uma empresa com sede no Panamá: a Nordant Industries Inc. Em 2004, Humberto atuou como advogado em uma ação em que o pai e a mãe foram acusados de terem cometido crime contra o sistema financeiro nacional. De acordo com as investigações, eles realizaram empréstimos sem autorização do Banco Central. Segundo o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que analisou recursos dos réus, a família era dona da Fonseca Factoring de Fomento Comercial e, de acordo com levantamentos do Procon-MG e da Promotoria de Justiça de Defesa do Cidadão do Estado, “emprestava dinheiro com imposição de vultosas taxas de juros”, o que popularmente é conhecido como agiotagem. No histórico de Humberto, consta também a coautoria de um livro. Ele escreveu “A nova lei de falências e o instituto da recuperação extrajudicial”. O advogado mineiro ainda prestou concursos para o Banco Central, a Advocacia Geral da União e a Polícia Federal. Mas ficou, por fim, no Senado. Sua nomeação foi feita pelo ex-diretor Agaciel Maia, flagrado no escândalos dos atos secretos — liberação de contratos superfaturados e nomeação de parentes de parlamentares e de funcionários-fantasma de forma oculta. De acordo com o Regulamento Interno do Senado, são competências do diretor-adjunto de Contratações, cargo que Humberto ocupa, deliberar sobre “matérias relacionadas a licitações e contratos”, como alterações contratuais, reajuste de valores e autorizações de pagamentos. Também é sua função “nomear e dar posse a servidores aprovados em concurso”. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), autor do pedido de abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre o caso SwissLeaks, se surpreendeu com o surgimento de um diretor da Casa na lista de correntistas do HSBC. "O que chama a atenção é o fato de ele ser um servidor público e de ter um investimento desta monta. Por mais conceituado que seja, o teto do servidor impediria isso". Randolfe mostrou ainda interesse em saber a origem desses valores: "O que justifica fazer um depósito no Exterior? Como ele acumulou essa riqueza? A Receita e o Coaf terão de nos explicar. Esse caso será tema de um requerimento meu. Deveríamos começar a CPI ouvindo as duas instituições e convocando esse funcionário para depor".

O rompante de autocrítica de Mercadante: "Desoneramos demais"


O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, vem sistematicamente emitindo opiniões contrárias às que defendia até as eleições. Nesta quinta-feira, teve um rompante de autocrítica sobre as desonerações de impostos de dezenas de setores da indústria promovidas no primeiro governo Dilma. "Desoneramos demais os impostos, além do que podíamos", disse ele: "Por isso vamos ter de fazer uma reorganização das contas públicas". Em novembro, logo após a reeleição de Dilma Rousseff, Mercadante foi ao Congresso batalhar pela 'flexibilização' (entenda-se redução) da meta fiscal, alegando que se isso não ocorresse, o governo teria de reduzir as desonerações. Naquele momento, o ministro parecia não achar que a política havia ido longe demais. "Significa menos impostos para pessoas poderem comprar, empresas poderem vender, gerar empregos e manter salários", explicou o ministro. O ministro disse ainda que se a meta não fosse "flexibilizada", a alternativa seria "suspender todas as desonerações de impostos, aumentar imposto para o setor produtivo e para a indústria", o que ele considerava uma decisão até então impensável. Quando o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciou o recuo da política de desonerações, com o objetivo elevar a arrecadação de impostos para conseguir cumprir a meta fiscal, proferiu uma frase que desagradou à presidente Dilma - e levou represália. Levy havia dito que as desonerações haviam sido feitas de maneira "grosseira". Dilma afirmou que a declaração foi "infeliz" e o ministro se retratou. Até então, a presidente se negava a reconhecer os erros de condução da economia, atribuindo a situação econômica delicada à conjuntura internacional. Após os protestos de 15 de março, Dilma considerou que algumas políticas tiveram "problemas de dosagem". "Nenhum governo é perfeito", afirmou, em coletiva à imprensa na segunda-feira. Mercadante tem mostrado o comportamento mais contraditório entre todo o quadro ministerial de Dilma. Há algumas semanas, defendeu com veemência o ajuste fiscal e reafirmou a importância de sua aprovação pelo Congresso para que o Brasil mantenha o grau de investimento. "Ajuste fiscal é mais ou menos que nem ir no dentista. Ninguém quer, mas tem que ir. De vez em quando, a gente tem que ir no dentista e tem que fazer o ajuste fiscal e nós precisamos fazer. Quanto mais rápido, melhor para o País", disse. Num passado não muito distante, deu uma entrevista afirmando justamente o contrário. "Cortar gasto público é como cortar cabelo, tem que fazer sempre. Mas quando faz um ajuste fiscal de uma visão ortodoxa, sem olhar o conjunto da economia e da sociedade, é o mesmo que estar com um avião pesado, com muita carga, e resolver jogar a turbina fora para reduzir o peso. Você cai, o país cai". E concluiu: "Nós não faremos uma política ortodoxa e recessiva. Essa é a diferença de fundo", afirmara na ocasião.

Supremo volta a adiar decisão sobre pagamento de precatórios


O Supremo Tribunal Federal tentou mais uma vez nesta quinta-feira concluir o julgamento que vai fixar as regras e os índices de correção para que União, Estados e municípios paguem os precatórios. Em 2013, o Plenário do Supremo derrubou a norma que autorizava o poder público a parcelar, em até 15 anos, o pagamento dos precatórios, mas desde então a Corte tenta colocar balizas para definir quando União, Estados e municípios terão de quitar os passivos acumulados e como vão pagar as futuras dívidas já sob o efeito de regras anda a serem definidas pela Corte. Na tarde desta quinta-feira, os ministros José Antonio Dias Toffoli e Gilmar Mendes votaram por manter temporariamente por mais cinco anos o regime especial de pagamento de precatórios, que permite parcelamentos das dívidas e leilões dos créditos (caso em que credores que aceitam um deságio maior recebem a dívida primeiro) e acordo direto com credores. Eles afirmaram que o índice de correção das dívidas da União e do INSS a serem pagas em 2014 e 2015 deveria ser feito com base no IPCA para não contrariar as leis de diretrizes orçamentárias desses dois anos e ampliar ainda mais o caos sobre a discussão do tema. Em casos específicos em que Estados ou municípios não conseguirem zerar o estoque de precatórios no prazo ainda a ser definido pelo Supremo, Toffoli sugeriu que haja negociações individuais e até a tomada de créditos junto a instituições financeiras. O pagamento dos precatórios tem reflexo direto nos caixas estaduais e municipais. Conforme dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), as dívidas de Estados e municípios com precatórios vencidos até julho de 2012, chegam a 94 bilhões de reais. Em dados atualizados até novembro de 2014, apenas o município de São Paulo tem passivo de 14.474.817.230,81 reais em precatórios, o que representava, no período, 42% da receita corrente líquida da cidade. Em março do ano passado, um pedido de vista do ministro Dias Toffoli havia paralisado o julgamento que deve definir o novo método de correção monetária para pagamento dos precatórios. Naquela ocasião, os ministros Luiz Fux, relator do caso, Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki consideraram que as dívidas a seres pagas deveriam ser atualizadas conforme a inflação, e não mais de acordo com a correção da caderneta de poupança. Eles também avaliaram como válidos os pagamentos feitos de 2009 até 14 de março de 2013 corrigidos pela Taxa Referencial (TR) e concordaram em estabelecer prazo até o final de 2018 para que todo o atual estoque de precatórios seja quitado. Embora o voto de Dias Toffoli proferido nesta quinta-feira também estabeleça um marco temporal para a vigência das novas regras, ele diverge na fixação do ano de 2018, já que, segundo o magistrado, o prazo de cinco anos deveria passar a ser contado quando o julgamento de hoje, que ainda não foi concluído, chegar ao fim. Até o momento, existem três linhas de votos que convergem para a necessidade de definição de uma data para que o poder público pague os precatórios, mas divergem sobre se haverá e quais seriam as regras de transição para que os precatórios vencidos sejam quitados. As sugestões do ministro Luís Roberto Barroso, por exemplo, incluem a utilização obrigatória de recursos da conta de depósitos judiciais tributários para o pagamento de precatórios; a possibilidade de acordos, desde que observada a regra de negociar primeiro com os credores mais antigos e com a fixação de deságio de 25% para aqueles que concordarem com o acordo; a autorização para a compensação de precatórios vencidos com o estoque de crédito que o contribuinte tiver inscrito na dívida ativa; e a vinculação de receitas da União, estados e municípios até 2018. O tema, segundo o presidente do STF Ricardo Lewandowski, deve voltar à discussão na próxima semana.

Minoritários entram com ação civil pública contra Eike Batista


Acionistas da Óleo e Gás Participações (OGPar, a antiga OGX) protocolaram nesta quinta-feira uma ação civil pública contra o empresário Eike Batista. A ação, de mais de 800 páginas, busca reparação de investidores minoritários que perderam seus investimentos com a queda das ações da OGX, durante a derrocada do império de Eike Batista, o bilionário de papel. A autora da ação é a Associação dos Investidores Minoritários. Os acionistas defendem que Eike Batista disseminou propositalmente informações falsas e exageradas sobre a capacidade dos campos de petróleo da OGX, ludibriando a boa-fé de investidores minoritários e de fundos de pensão. Também argumentam que, por sua conduta imprópria, está sendo processado por crimes de manipulação de mercado e insider trading. Os investidores pedem pagamento de indenização dos prejuízos patrimoniais causados pela conduta de Eike Batista, além de serem ressarcidos também por danos morais. Segundo a ação, os valores serão definidos em relação ao valor perdido por cada investidor da associação de minoritários, na fase de liquidação da sentença. Na quarta-feira, Eike Batista foi condenado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a pagar 1,4 milhão de reais por divulgação de informações falsas sobre suas empresas. Outros executivos também foram condenados e total da multa foi de 3,2 milhões de reais. O empresário também é alvo de processo na Justiça Federal.

Advogado de Duque banca o Kakay. Isso não é bom para o cliente

O advogado Alexandre Lopes disse que o seu cliente, Renato Duque, não fará delação premiada. Afirmou Alexandre Lopes: "Não há quem delatar nem o que delatar. Sou contra a delação premiada. Acho isso uma indecência. É você dar um prêmio à alcaguetagem. Jamais prestaria, como advogado, a dar base jurídica a uma delação. Para mim, isso não é advocacia". O Antagonista lembra a Renato Duque e à sua família que o advogado Kakay tinha o mesmo discurso em relação ao doleiro Alberto Youssef. Na verdade, Kakay não estava trabalhando em prol do seu cliente, e sim de quem tinha medo de ser delatado por ele. Não será Alexandre Lopes que pegará cana dura, família Duque, mas Renato. Conversem com a família do ex-colega de Petrobras Paulo Roberto Costa ou com o próprio. Ele está em casa. A delação premiada é o único caminho a seguir.

10 milhões de reais para o tucano Sérgio Guerra

O ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, afirmou, em delação gravada em vídeo, que o ex-senador e ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, morto em 2014, levou uma bolada de 10 milhões de reais para não levar adiante uma CPI da Petrobras no Congresso. O valor foi pago, segundo Paulo Roberto Costa, por intermédio de Ildefonso Colares, da empreiteira Queiroz Galvão. Paulo Roberto Costa disse que, para efetivar a negociata, contou com o sinal verde de Armando Tripodi, chefe de gabinete de Sérgio Gabrielli, então presidente da estatal. Uma CPI da Petrobras foi aberta em 2009 e logo extinta.

A socialite Marta Suplicy quer ser prefeita de São Paulo outra vez... com o aval do PSDB

A socialite Marta Suplicy preferia o PMDB, mas vai mesmo para o PSB, sigla pela qual quer disputar a prefeitura de São Paulo, no ano que vem. Como o partido é aliado do PSDB no Estado, o governador Geraldo Alckmin foi consultado sobre a filiação - e deu o seu aval. O tucano foi convidado para a festa de 70 anos de Marta Suplicy. Marta Suplicy não será mais petista de carteirinha, mas continuará a ser lulista. Ilusão achar que ela deixará de sê-lo. Geraldo Alckmin dá, assim, sobrevida ao lulismo em São Paulo.

Grupo lixeiro Solvi, dono da Revita e da Relima, contratou os serviços do bandido petista mensaleiro José Dirceu

Velho companheiro
Além das grandes empreiteiras, a Solvi Participações é mais uma empresa envolvida na Operação Lava-Jato a contar com os requisitados serviços de consultoria de José Dirceu. A empresa pagou 448 000 reais ao ex-ministro entre 2007 e 2009. Controlada pelo empresário Carlos Villa, a Solvi é uma holding composta, entre outras, pela Revita Engenharia. A Revita está entre as empresas para as quais Meire Poza, a contadora do doleiro Alberto Youssef, emitiu notas frias. No caso da Revita, a fraude foi de 600 000 reais. Meire Pozza indicou à CPMI da Petrobras, em outubro de 2014, que sete milhões de reais oriundos das notas frias que emitiu renderam repasses de Youssef a Luiz Argôlo, André Vargas e Pedro Leoni Ramos. Questionada pelo deputado Izalci Lucas (PSDB-DF) sobre os 600 000 reais da Revita pagos ao doleiro, a contadora disse não lembrar a quem Youssef os destinou. O empresário Carlos Villa é um conhecido "criador de cavalos". Ele também é réu em um interminável processo que tramita na cidade gaúcha de São Gabriel.

Boicote evangélico contra novela da Rede Globo

A Frente Parlamentar Evangélica, presidida pelo tucano João Campos, soltou uma nota oficial de repúdio contra a cena do beijo entre Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg em Babilônia. Segundo o texto, a novela tem a intenção de “afrontar os cristãos” e, sabe-se lá porque, ressalta que as atrizes tem 85 anos de idade. Diz ainda que trata-se de um “estupro moral imposto pela mídia liberal” e convoca os evangélicos a não assistirem Babilônia. Nesta semana, Silas Malafaia e Marco Feliciano já haviam disparado críticas contra a novela pelas redes sociais. (Por Lauro Jardim)

José Serra ataca o governo paraguaio

serra
Serra: borduna em Cartes
Crítico da relação entre Brasil e Paraguai desde a eleição de 2010, quando chamou de “filantropia brasileira” o acordo binacional em Itaipu, José Serra subiu o tom contra o presidente paraguaio Horácio Cartes. Em um seminário sobre contrabando, hoje, em São Paulo, o senador tucano chamou Cartes de contrabandista em sua fala sobre os desdobramentos do contrabando na criminalidade e na arrecadação de impostos no Brasil. Serra lembrou que o presidente do Paraguai é dono da Tabesa, maior empresa de tabaco paraguaia e dona de 50% do mercado de contrabando no Brasil. Também participaram do seminário José Eduardo Cardozo, José Mariano Beltrame e o ex-ministro Rubens Ricupero. (Por Lauro Jardim)

GOVERNO ACUADO

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, deve pôr o governo contra a parede na votação do projeto que fixa novas regras de reajuste do salário mínimo. Emendas ampliam os gastos em R$ 5 bilhões. Caso vá à votação o projeto que muda as regras de reajuste do salário mínimo, o governo dá a derrota como certa. O líder do governo, José Guimarães (PT-CE), pediu apoio ao PMDB. Não conseguiu.

DILMA USA ‘ELETROLÃO’ PARA NÃO NOMEAR HENRIQUE

Parlamentares com livre trânsito no Planalto garantem que Dilma ainda não nomeou Henrique Alves (PMDB) para seu ministério porque teme que seu nome apareça no próximo escândalo, o do “eletrolão” do setor elétrico. A mesma desculpa ela usava antes da Lista de Janot, na qual Alves não foi citado. Sua campanha para o governo potiguar recebeu doações de R$8,5 milhões de empreiteiras com obras no setor elétrico. A quem o indaga a esse respeito, Henrique Alves informa que doações para sua campanha obedecem rigorosamente a lei eleitoral. Entre doadores de campanha de Henrique Alves estão Queiroz Galvão, Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez, também citadas no petrolão. Foi adotado no setor elétrico o modelo desbaratado na Petrobras, no qual um diretor “de confiança do PT” manda mais que o presidente.

CPI DA PETROBRAS COMEÇA A FECHAR CERCO A DILMA

A CPI da Petrobras deve investigar as responsabilidades do conselho de administração da estatal, presidido por Dilma Rousseff entre 2003 e 2010, auge da roubalheira do “petrolão”. Requerimento do deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), já na pauta da CPI, obriga a Petrobras a entregar aos deputados da CPI cópia de todas as gravações em áudio e vídeo das reuniões do conselho entre os anos de 2005 e 2015. As gravações das reuniões mostrarão a atitude de conselheiros, como Dilma, na aprovação de negócios ruinosos para a Petrobras. Altineu Côrtes, sub-relator de Gestão Temerária da CPI, suspeita que conselheiros sabiam da roubalheira. Ele não acredita em dolo de Dilma. No período em que Dilma presidiu o conselho, a Petrobras comprou refinarias superfaturadas e vendeu seus ativos a preço de banana. A Petrobras vendeu por uma pechincha metade da subsidiária na África ao banco BTG Pactual, de André Esteves, um amigão de Lula.

Dilma se irrita com documento do Planalto sobre "caos político"


A divulgação de um documento analítico do governo que fala em “caos político” no país e ataca o ministro Joaquim Levy, de autoria do ministro Thomas Traumann, da Secretaria de Comunicação Social (Secom), deixou a presidente Dilma Rousseff “perplexa” ontem, segundo fontes do Palácio do Planalto. Dilma disse a auxiliares que foi criado um problema desnecessário, mais um complicador num momento de vulnerabilidade do governo. No texto, divulgado anteontem, Traumann avalia que a comunicação do governo é “errada e errática”, e diz que “não será fácil virar o jogo”, numa referência à crise política. O ministro recomenda respostas mais objetivas a Dilma, sugere que ela converse e se exponha mais, e desnuda de forma profunda tudo que tem dado errado no governo. Ao fazer um diagnóstico da crise, Traumann diz que o Planalto e o PT estão perdendo por WO para a oposição em conteúdo nas redes sociais. “Se fosse uma partida de futebol, estamos entrando em campo perdendo de 8 a 2. De um lado, Dilma e Lula são acusados pela corrupção na Petrobras e por todos os males que afetam o País. Do outro, a militância se sente acuada pelas acusações e desmotivada por não compreender o ajuste na economia. Não é uma goleada. É uma derrota por WO”, diz trecho do documento, de oito páginas.  Ontem, houve especulações entre os governistas sobre quem teria sido o responsável pelo vazamento do material. Traumann viajou para os Estados Unidos na noite de terça-feira, horas depois de o documento ter se tornado público, e não foi encontrado. Ele havia acertado com Dilma na semana passada que viajaria para visitar um parente que está em tratamento médico. A Secretaria de Comunicação Social ganhou status de ministério no governo Lula. A pasta é estratégica por ser responsável pela relação do Palácio do Planalto com os meios de comunicação e cuidar de toda a publicidade institucional do governo. Só no ano passado, a Secom empenhou R$ 231,2 milhões para pagamento de campanhas. Nestes valores estão incluídas ações de publicidade, comunicação digital, relações públicas, pesquisas e eventos de toda a administração direta do governo. Com a reeleição de Dilma em outubro passado, a pasta foi alvo de ataque especulativo de aliados. Setores do PT interessados em comandar a verba publicitária e em reformular a linha de comunicação do governo tentaram indicar o ministro. A nomeação de Traumann, no entanto, é considerada da cota pessoal de Dilma. Ele foi porta-voz da Presidência e sucedeu Helena Chagas, que deixou a Secom no começo do ano passado, por desgaste na relação com a presidente.