domingo, 29 de março de 2015

Direita vence eleições departamentais na França

A direita consagrou-se vencedora das eleições departamentais da França deste domingo (29), desferindo um duro golpe no Partido Socialista (PS), do presidente François Hollande, segundo estimativas dos institutos de pesquisa. Essa eleição é considerada o primeiro teste para o pleito presidencial marcado para 2017. De acordo com as primeiras sondagens, a coalizão formada por UDI (centro) e UMP (direita), sigla do ex-presidente Nicolas Sarkozy, teria conquistado de 64 a 70 dos 101 departamentos franceses, ao passo que a esquerda teria ganho de 27 a 37 departamentos. A ultradireitista Frente Nacional, de Marine Le Pen, apesar de ter obtido diversas cadeiras, provavelmente não teve votos suficientes para dirigir um dos departamentos. Até agora, a esquerda administrava 61 dos 101 departamentos. A abstenção registrada girou em torno de 50%, segundo projeções. O pleito elege os representantes de conselhos de 98 dos 101 departamentos da França, responsáveis pelas decisões sobre proteção à infância, aos idosos e aos deficientes físicos. Também é de responsabilidade do órgão a manutenção de bibliotecas, museus e escolas locais.

Jornal Clarín revela existência de contas que ligariam Argentina, Venezuela e Irã

Contas bancárias em três diferentes instituições internacionais ligam os governos de Argentina, Venezuela e Irã, informou a edição do jornal "Clarín" deste domingo (29). Essa relação reforçaria a tese do promotor morto Alberto Nisman de que o Irã teria negociado favores com o governo argentino, como a tentativa de retirar alertas vermelhos da Interpol sobre suspeitos de participar de um atentado em Buenos Aires, em 1994. Outra hipótese é que o Irã pagaria em segredo à Argentina para ter acesso a tecnologia nuclear. A reportagem afirma que a ex-embaixadora da Argentina na Venezuela e ex-ministra da Defesa e Segurança, a peronista e ex-terrrorista montonera Nilda Garré, manejava duas contas bancárias no Irã que chegaram a ter depositados US$ 48 milhões. Tudo teria começado, segundo o "Clarín", em 2004, com a criação de uma conta para intercâmbio de pagamentos de petróleo e produtos industriais entre Venezuela e Argentina. Ela teria sido aberta no banco suíço UBS e fechada, a pedido do banco, em 2010. Uma segunda conta para as transações entre os dois países funcionaria no banco americano Felton Bank (hoje CNB), aberta em 2005. Entre 2005 e 2010, segundo o "Clarín", essa conta teria movimentado US$ 61 milhões. Garré, segundo o jornal, seria uma das titulares das contas. Em abril de 2010, o embaixador argentino na Venezuela, Eduardo Sadous, afastado do cargo, denunciou que haviam desaparecido US$ 90 milhões dessa conta. Ele também afirmou haver uma diplomacia paralela entre os dois países, feita fora dos canais oficiais. Com o fechamento da conta no UBS e as denúncias do diplomata, a transferência de dinheiro ganharia outro caminho, dessa vez partindo de uma instituição iraniana. Em fevereiro de 2011, de acordo com o "Clarín", duas contas teriam sido abertas no banco Tejarat. Elas teriam recebido depósito inicial de US$ 48 milhões e também seriam administradas por Garré.

Eletrobras reduz prejuízo no 4º trimestre para R$ 1,174 bilhões

A Eletrobras reduziu o prejuízo no quarto trimestre para 1,174 bilhão de reais, ante 5,4 bilhões de reais no mesmo período do ano anterior, informou a companhia na noite de sexta-feira. A receita operacional líquida da empresa teve crescimento de 64,3% na comparação anual, para 9,781 bilhões de reais, com as receitas da Celg D, cuja aquisição do controle acionário foi aprovada por acionistas em setembro. Desconsiderando esse efeito, a receita operacional líquida foi de 8,522 bilhões de reais de outubro a dezembro do ano passado. Na comparação com o terceiro trimestre de 2014, as receitas oriundas da comercialização de energia no mercado de curto prazo subiram 120%, do lado da geração. Na distribuição, a receita de fornecimento subiu 189,2%. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) das empresas controladas da Eletrobras ficou positivo em 1,753 bilhão de reais no quarto trimestre, ante Ebitda negativo de 1,088 bilhão no terceiro trimestre.

Preguiça da CPI da Petrobras espanta, diz deputado

Integrante da CPI aberta pela Câmara para investigar o escândalo de corrupção da Petrobras, o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) afirmou que a comissão tem tomado depoimentos inúteis, que nada acrescentam à investigação, em lugar de convocar pessoas que, segundo ele, poderiam acrescentar informações novas. "A preguiça dessa CPI me espanta. Ouvir a Graça Foster durante um dia todo foi de uma inutilidade... Podia ouvir o Júlio Camargo, o próprio Youssef, o Milton Pascowich e o próprio Antonio Palocci", afirma o deputado, em referência a pessoas que a comissão não convocou e estão sob investigação na Operação Lava Jato. Para ele, PMDB, PSDB e PT estão evitando convocar pessoas que possam comprometer as legendas em seus depoimentos. Nesta semana, Valente afirma que vai insistir nas convocações que propôs e também na convocação de Palocci, ex-ministro da Casa Civil no primeiro governo de Dilma Rousseff. Neste sábado, a revista "Isto É" publicou uma reportagem dizendo que consultorias do ex-ministro para empresas que têm contratos, diretos ou indiretos, com a Petrobras teriam sido usadas para desviar R$ 100 milhões da estatal para o PT. "Vamos também ativar essa convocação. Vamos insistir no Palocci, vamos ver", afirma o deputado. Autora de um dos requerimentos de convocação de Palocci, a deputada Eliziane Gama (PPS-MA) afirma que partidos da base do governo têm evitado não só essa convocação como também a de José Dirceu, que foi ministro da Casa Civil de Lula. "Nós, partidos de oposição que integramos a CPI, precisamos insistir na aprovação desses requerimentos", diz a deputada.

BRF vai recorrer 'em todos os âmbitos' por ter sido citada na operação Zelotes da Policia Federal

A BRF, empresa criada a partir da fusão entre Sadia e Perdigão, informou que “tomará todas as providências necessárias para resguardar seus interesses em todos os âmbitos” por ter sido citada entre as empresas investigadas na operação Zelotes da Polícia Federal. Grandes empresas de vários setores, entre elas a BRF, são investigadas na Operação Zelotes por suspeita de pagar ou negociar suborno a conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) para apagar ou reduzir débitos em discussão com a Receita. De acordo com os investigadores, a lista de empresas sob suspeita pode diminuir ou aumentar, a depender das provas colhidas no inquérito. Por ora, nenhuma denúncia foi ajuizada.

Renan adia ida de Henrique Alves para o Ministério do Turismo

Insatisfeito com a perda de influência na Esplanada, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi o responsável por segurar a ida para do ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para o Ministério do Turismo. Embora a nomeação de Henrique Alves seja considerada certa pelo Palácio do Planalto, o atual ministro do Turismo, Vinícius Lages (PMDB), é um afilhado político de Renan, que ainda não deu o aval para a troca. Deputado federal por 11 mandatos consecutivos e derrotado na eleição para o governo do Rio Grande do Norte no ano passado, Henrique Alves deve ir para a Esplanada por ser aliado próximo do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mas, para colocá-lo no Turismo e desalojar Lages, Dilma precisa contemplar Calheiros com mais espaço. O presidente do Senado e seus aliados do PMDB trabalham para emplacar um nome no Ministério da Integração Nacional, pasta com grande capilaridade no Nordeste, mas que hoje é comandada pelo PP, que está enfraquecido por ser a legenda com o maior número de representantes investigados pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da Operação Lava Jato. Na última quinta-feira (26), Calheiros se reuniu com o ex-presidente e alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista, durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações"), em São Paulo. No encontro, ele queixou-se muito de que falta diálogo ao Planalto com a base e que as negociações com o governo Dilma são pouco objetivas. No PMDB, é unânime a avaliação de que a legenda não participa do núcleo decisório do Planalto, e que mesmo a criação de uma “coordenação político institucional”, com a presença do vice-presidente Michel Temer, presidente nacional do PMDB, e do ministro peemedebista Eliseu Padilha (Aviação Civil), entre outros, não trouxe melhora na relação com a base. O anúncio de que Henrique Alves viraria ministro era esperado para a última sexta-feira (27), mesmo dia em que Dilma escolheu seu tesoureiro de campanha, Edinho Silva (PT), para comandar a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e o filósofo Renato Janine Ribeiro para substituir Cid Gomes (PROS) à frente do Ministério da Educação. Mas a nomeação não ocorreu. Com a economia estagnada e o governo enfraquecido pela conflagração da sua base, Calheiros, antes considerado por aliados da presidente uma garantia de estabilidade no Congresso, passou a confrontar abertamente o governo. O principal motivo da rebelião é a sua inclusão entre os políticos que tiveram inquéritos abertos no STF nas investigações de envolvimento nas denúncias de pagamento de propinas a políticos na Petrobrás. Mas não é só: também entram na conta do descontentamento do peemedebista a demissão, em fevereiro, do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, ligado a Calheiros, e os impactos do ajuste fiscal em Alagoas, Estado governado por Renan Filho (PMDB).

Dilma "tenta acertar", mas "não da maneira mais fácil", diz Levy

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou em evento fechado na terça-feira, em São Paulo, que a presidente Dilma Rousseff demonstra um “desejo genuíno” de acertar, mas não o faz “da maneira mais fácil” e “efetiva”. Na noite deste sábado, ele divulgou nota em que diz ter sido mal interpretado. A frase, divulgada neste sábado pelo portal da Folha de S.Paulo, foi dita em inglês, para dezenas de alunos da escola de negócios da Universidade de Chicago - e segundo várias lideranças políticas pode contribuir para enfraquecer o governo em um momento em que ele já está fragilizado. Políticos de vários partidos já admitiam, na noite deste sábado, que ele será convidado a se explicar melhor na audiência a que comparecerá, terça-feira, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Aos estudantes, Levy afirmou na terça-feira: “Acho que há um desejo genuíno da presidente de acertar as coisas, às vezes, não da maneira mais fácil... Não da maneira mais efetiva, mas há um desejo genuíno”. No original, segundo alguns dos presentes, mencionou “a genuine desire by the president to get things right, sometimes not the easiest way, but...Not the most effective way, but there is this genuine desire”. Era um comentário paralelo, quando ele abordou pontos do ajuste fiscal. A presidente Dilma Rousseff foi informada sobre a fala de Levy por volta das 18 horas deste sábado. O Palácio do Planalto avisou que não se pronunciaria a respeito. Os ministros responsáveis pela articulação política do governo também não quiseram comentar. No início da noite, o ministro reagiu à divulgação de sua fala com uma nota “pessoal” em que lamentava a interpretação dada ao que havia dito. Ele afirmou: “O ministro sublinha que os elementos dessa fala são os seguintes: aqueles que têm a honra de encontrarem-se ministros sabem que a orientação política do governo é genuína, reconhecem que o cumprimento de seus deveres exige ações difíceis, inclusive da exma. sra. presidente, Dilma Rousseff, e eles têm a humildade de reconhecer que nem todas as medidas têm a efetividade esperada”. A avaliação entre lideranças da oposição, assim que a fala de Levy foi divulgada, era de era de que os desafios para o governo só vão aumentar. Para o deputado Antonio Imbasshy (PSDB-BA), a declaração de Levy joga mais peso na audiência que o ministro terá na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, na próxima terça-feira. Segundo o parlamentar, os senadores certamente pedirão que ele detalhe seu comentário. “A única coisa de que eu discordo (na fala de Levy) é que, ao invés de ser “às vezes”, é “quase sempre” (que Dilma não age de forma eficaz). O ministro foi muito generoso”, ironizou o parlamentar baiano. Segundo Álvaro Dias (PSDB-PR), “o principal ministro dizer isso publicamente desarruma o governo”. O peemedebista Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) atribuiu à falta de formação política de Levy o seu novo “sincericídio”. Esta não é a primeira vez que o ministro faz comentários negativos para o Planalto. Há um mês, ele chamou de “grosseira” a iniciativa de se desonerar a folha de pagamentos. No dia seguinte, Dilma Rousseff disse que o ministro tinha sido “infeliz” ao usar a expressão.

Rebeldes xiitas são 'marionetes do Irã', diz presidente do Iêmen

O presidente do Iêmen, Abed Rabbo Mansour Hadi, afirmou no sábado que os rebeldes xiitas que o obrigaram a fugir do país são "marionetes do Irã", culpando diretamente a república islâmica pelo caos político vivido pelo país nos últimos dias. Os comentários foram feitos durante uma cúpula de líderes árabes realizada na cidade costeira de Sharm el-Sheikh, no Egito. O encontro ocorreu dois dias depois de o presidente iemenita fugir do país em meio ao avanço dos rebeldes xiitas, conhecidos como houthis. Os líderes do Egito, da Arábia Saudita e do Kuwait culparam o Irã de se intrometer em "assuntos de países árabes" ao, supostamente, dar apoio aos xiitas iemenitas. "O Iêmen, em sua hora mais escura, nunca enfrentou um desafio à sua existência e uma ameaça à sua identidade como os que enfrentam agora", afirmou el-Sisi: "Isso ameaça a nossa segurança nacional, e nós não podemos ignorar as suas consequências para a identidade árabe". Mais incisivo, Hadi desafiou diretamente o Irã e pediu que seus partidários se levantem em um protesto pacífico contra os houthis. "Eu digo para os fantoches do Irã e todos aqueles que os apóiam... Vocês destruíram o Iêmen com sua imaturidade política e com a fabricação de crises nacionais e locais", atacou Hadi. Enquanto isso, uma reportagem de uma emissora local iemenita controlada pelos houthis classificou Hadi como um "fantoche" da Arábia Saudita. Hadi também disse que os ataques aéreos lançados pela Arábia Saudita e seus aliados contra os houthis não devem parar até que os rebeldes se rendam e devolvam as armas que roubaram dos depósitos do exército. O monarca da Arábia Saudita, rei Salman, prometeu anteriormente que a campanha militar no Iêmen não iria terminar até que a segurança e a estabilidade fossem restauradas. Durante o sábado, aviões de guerra sauditas realizaram dezenas de ataques a instalações militares em todo o país, tendo como alvo instalações dos houthis em torno de Sanaa, Marib, Dhamar e Lahj, informaram autoridades de segurança. O porta-voz da coalizão árabe, Ahmed Asiri, disse a jornalistas que autoridades sauditas também estavam rastreando as atividades de ao menos dois grupos rebeldes nas fronteiras com o Iêmen. Asiri reiterou, no entanto, que a coalizão "não vai permitir" que os houthis cruzem a fronteira.

Ùltimas palavras do piloto para o copiloto do Airbus da Germanwings: "Abra essa maldita porta"


As últimas palavras registradas na caixa preta do Airbus da Germanwings revelam o drama do piloto tentando voltar à cabine. "Abra esta maldita porta!", gritou ele para o copiloto Andreas Lubitz, que insistiu em direcionar o avião de encontro aos Alpes na França, matando os 150 passageiros. As investigações também continuam revelando detalhes da vida do copiloto do voo 4U9525 da Germanwings. Segundo novos detalhes revelados neste domingo, 29, Andreas Lubitz sofreria de escolamento de retina. A informação foi revelada pelo jornal alemão Bild, segundo o qual não há certeza entre os investigadores se os problemas de visão eram decorrentes de causas físicas ou psicológicas. Segundo o Bild, os investigadores encontraram provas de que Lubitz temia perder a visão, aparentemente, devido a um descolamento de retina. Entretanto, não ficou claro se o problema oftalmológico tinha uma causa orgânica ou era decorrente de uma doença psicossomática, quando problemas físicos são causados ou agravados por fatores psicológicos, como o estresse, por exemplo. O Die Welt, outro veículo alemão, citou um investigador sênior dizendo que o copiloto de 27 anos "era tratado por vários neurologistas e psiquiatras", acrescentando que diversos medicamentos foram encontrados em seu apartamento, na cidade alemã de Dusseldorf. Segundo o jornal, a polícia também teria descoberto anotações pessoais que mostravam que Lubitz sofria de "graves sintomas de estresse excessivo". A Lufthansa, empresa controladora da companhia aérea de baixo custo para a qual o copiloto trabalhava, declarou não ter conhecido que Lubitz sofria de qualquer doença psicossomática ou física. Um porta-voz da promotoria de Dusseldorf se recusou a comentar os vários relatos da imprensa, acrescentando que não haveria nenhum anúncio oficial antes de hoje. DNA. Paralelamente aos trabalhos da procuradoria alemã, investigadores franceses avançaram na análise dos restos humanos encontrados na região do acidente e encontraram DNA de 78 pessoas, mais da metade do total que ia a bordo do voo 4U9525. Os nomes relativos aos DNAs, no entanto, ainda não foram divulgados. A determinação depende do cruzamento de dados extraídos no laboratório de campanha de Seyne-les-Alpes das mostras recolhidas de parentes das vítimas. Essa segunda etapa não acontecerá até que todos os restos mortais tenham sido recolhidos. Quando isso ocorrer, será possível identificar cada um dos passageiros. Os dispositivos médico, psicológico e logístico de apoio às famílias das vítimas do acidente do avião é mantido em funcionamentos nos Alpes franceses. Os trabalhos são feitos no ritmo já determinado por esses profissionais, que contam com 50 voos de helicóptero diários e 50 pessoas trabalhando em terra. De acordo com o Brice Robin, da Promotoria de Marselha, para acelerar as buscas a previsão é de que se abra um caminho para que veículos possam circular e que conduzirá até o epicentro da tragédia, o que pode facilitar os trabalhos. Contudo, não há previsão de que eles terminem em menos de dez dias. Somente ao fim desse processo que os corpos serão entregues a seus parentes. É possível, ainda, que a Justiça ordene análises complementares do piloto e do copiloto, como orienta o protocolo habitual em qualquer acidente.

REDE VAI PEDIR REGISTRO NO TSE ATÉ O FINAL DE ABRIL


Após dois dias reunidos em Brasília para discutir ações para os próximos meses, os membros do Elo Nacional da Rede Sustentabilidade informaram que vão ingressar no Tribunal Superior Eleitoral até o fim de abril com as assinaturas necessárias para sua validação como partido. Segundo o porta-voz da agremiação, Basileo Margarido, 80 mil assinaturas estão em processo de certificação. Para a concessão do registro pela Tribunal Superior Eleitoral, faltam 32 mil. “Até o final de abril devemos ingressar com as assinaturas validadas que faltam para que o TSE possa analisar e julgar o pedido de registro da Rede Sustentabilidade”, afirmou Basileo Margarido, observando que cerca de 450 mil assinaturas já foram reconhecidas pelo TSE em 2013. "Oitenta mil estão em processo de certificação nos cartórios. Então, temos grande margem, mais que o dobro do que falta, considerando que nem todas as assinaturas serão validadas pelos cartórios”, acrescentou. O porta-voz da Rede disse que a coleta de assinaturas também continuará até o registro do novo partido. Ele também afirmou que, até lá Marina Silva, maior expoente da agremiação, continuará filiada ao PSB, partido ao qual se integrou para participar da campanha presidencial de 2014, após a Rede Sustentabilidade não conseguir o registro. Basileo Margarido explicou que, após receber o pedido, o TSE tem 30 dias para o julgamento, e depois disso a Rede Sustentabilidade pretende se dedicar à sua organização. Segundo o porta-voz, a Rede já é um partido de fato, com instâncias já constituídas em mais de 20 Estados. “Temos uma série de ações que terão de ser adotadas para transformar as filiações políticas em filiações partidárias, de acordo com a legislação eleitoral partidária. Temos até final de maio para adotar e preparar o partido para aprofundar sua organização, inclusive considerando as eleições de 2016”, salientou. Em relação a outros partidos que pediram recentemente registro ao TSE, ou estão na iminência de fazê-lo, Basileo Margarido disse que não os vê como concorrentes atrás de um mesmo nicho de eleitores desiludidos com a política em vigor no País: “Não vemos um partido político como um nicho. Temos nossas propostas, nossas ideias, nosso ideário, nosso manifesto, nosso estatuto que dialoga com as grandes questões da sociedade. Então, não vejo competição".

PARTIDOS RECEBERAM R$ 557 MILHÕES DE EMPREITEIRAS DA LAVA JATO


O conjunto das empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato foi responsável, em média, pela doação de 40% dos recursos privados canalizados para os cofres dos três principais partidos do País — PT, PMDB e PSDB — entre 2007 e 2013. No período, as legendas, somadas, receberam pelo menos R$ 557 milhões de 21 empresas envolvidas no escândalo. Em valores absolutos, o PT foi o principal beneficiado pelos repasses oficiais do cartel acusado de superfaturar obras na Petrobras. Mas o cerco ao grupo também ameaça as finanças do maior partido de oposição: 42% das doações privadas recebidas pelo PSDB vieram das empresas investigadas. É nesse contexto de crise de financiadores que o Congresso decidiu triplicar a destinação de recursos públicos para o Fundo Partidário, que banca parcialmente o funcionamento das legendas. Na votação do Orçamento da União, há duas semanas, a dotação do fundo foi elevada de R$ 290 milhões para R$ 868 milhões. No período de sete anos, o PT recebeu R$ 321,9 milhões das empreiteiras investigadas, em valores atualizados pela inflação. O PSDB recebeu menos da metade: R$ 137,9 milhões. Os dados se referem somente às doações feitas aos diretórios nacionais dos partidos. A Operação Lava Jato, que investiga desvios e superfaturamentos de contratos de empreiteiras com a Petrobras, desvendou a existência de um cartel formado por quase todas as grandes empresas de construção do País. Cinco delas — Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa, Grupo Odebrecht e OAS — respondem por quase 77% dos repasses feitos pelas empresas investigadas aos três partidos nos últimos anos. As doações do chamado cartel da Lava Jato estão sob os holofotes da Justiça por causa da suspeita de que camuflavam pagamentos de propina. Com base em depoimentos de envolvidos no escândalo, o Ministério Público Federal afirma que repasses oficiais feitos ao PT eram, na verdade, pagamento em troca de benefícios em contratos firmados com a Petrobras. Outros partidos, como o PMDB e o PP, teriam se utilizado de canais diferentes para coletar recursos desviados. Augusto Mendonça, diretor do Grupo Setal, entregou à Justiça Federal recibos de doações partidárias e eleitorais feitas por suas empresas para o PT entre 2008 e 2012. Segundo ele, era dessa forma que se dava o pagamento de propinas desviadas da Petrobras. Mendonça foi preso e assinou um acordo de delação premiada com os promotores. Paulo Roberto Costa, que também colabora com as investigações em troca de redução de penas, já declarou em depoimento que as doações aos partidos são, na verdade, "empréstimos" cobrados posteriormente na forma de benefícios em seus negócios com o governo. 

Perigo à vista

mangabeira unger
Mangabeira impressiona a presidente
Dilma anda encantada com Mangabeira Unger. Está impressionada com sua capacidade de formulação. Já até pediu que a ele que dê aulas a outros ministros. Por Lauro Jardim

Time de peso

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Sanchez: secretário acusado de participar de mortes de palmeirenses
Andrés Sanchez contratou um time de peso para assessorá-lo na Câmara. O secretário parlamentar Alex Gomes é réu pelo assassinato de dois torcedores da Mancha Alviverde. Gomes, o Minduim, foi acusado de ser coautor da morte de André Lezo e Guilherme Moreira, a pauladas e golpes com um ferro, em março de 2012. Andrés diz repudiar o ataque e respeitar a ação judicial, mas defende a presunção de inocência de Minduim. Já o assessor André Oliveira foi anotador do jogo do bicho no passado. Por Lauro Jardim
PERGUNTA - Qual é mesmo o ramo de negócios do "empresário" Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians e amigo de Lula X9?

Explode a bolha populista e a desaprovação de Dilma sobe para 55% no Nordeste


O forte aumento da rejeição ao governo Dilma Rousseff no Nordeste ocorre no mesmo momento de uma perda importante do dinamismo na região, que chegou a crescer a velocidades "chinesas" ao longo da década passada. Segundo o Datafolha, o índice de ruim/péssimo de Dilma saltou de 11% para 55% de outubro a março no Nordeste. O período coincidiu com a disparada da inflação medida regionalmente e com a primeira queda em vários anos do saldo líquido de empregos formais na região. Embora ainda conserve desempenho superior à média nacional, a atividade no Nordeste vem convergindo para o baixo ritmo do resto do país. A região também perde terreno em áreas intensivas em mão de obra, como a construção civil. Alguns grupos regionais já reveem abruptamente suas expectativas. Em 2014, o Nordeste concentrou 30% das demissões na construção civil, setor que cortou 106 mil vagas no país. O recuo de 3,4% na média nacional foi menor que o de 4,6% na região nordestina. Cortes nas verbas e nos pagamentos de obras de infraestrutura e do Minha Casa Minha Vida são alguns dos principais motivos para o aumento das demissões na região, avalia Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção da FGV/Ibre. Diante do novo cenário, um dos principais grupos do setor de material de limpeza do Norte e Nordeste, o Raymundo da Fonte -detentor da popular marca Brilux -, readequou sua projeção de crescimento para 2015, de 12% para 5%. "Há uma acomodação do mercado e queda no consumo. Se conseguirmos manter o ritmo de produção e não demitir, já vai ser muito bom", diz o diretor comercial do grupo, Romero Longman. "As pessoas colocaram o pé no freio, comprando em quantidade menor e buscando marcas mais baratas", afirma Teobaldo Costa, presidente da Associação Baiana de Supermercados e dono do grupo Atakarejo, o maior do segmento na Bahia. Segundo o Datafolha, o Nordeste concentra a maior proporção de eleitores que votaram em Dilma em outubro e que agora consideram seu governo ruim/péssimo: 24% estão "frustrados", ante a média nacional de 16%.  "A rejeição maior vem da frustração com a economia, do medo do desemprego e da percepção da inflação fora do controle. Tudo temperado pelos escândalos de corrupção", afirma Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha.

PT quer esconder a sigla atrás de uma "frente" nas eleições de 2018


Preocupado com o desgaste da imagem do partido, o comando petista discute a adoção de um caminho que, na prática, poderá encobrir sua sigla, PT, nas futuras eleições. Segundo petistas, o ex-presidente Lula é um dos incentivadores da criação de uma frente inspirada no modelo uruguaio: uma grande coalização que reuniria sindicatos, associações, outros partidos, ONGs e outras entidades de movimentos sociais. Por essa fórmula, as candidaturas seriam lançadas em nome da coalizão, não mais pelos partidos que a integram. No Uruguai, a Frente Ampla, que congrega diferentes legendas e grupos sociais, governa o país desde 2005. É composta por siglas autônomas sob o comando de uma direção unificada. O ex-presidente José Mujica, por exemplo, é do partido MPP. Mas sua candidatura foi lançada pela frente. O presidente do PT, Rui Falcão, afirma que essa solução será tema de debate no 5º congresso do partido, em junho, na Bahia. Ele diz, no entanto, que a intenção não é apagar a sigla PT das disputas majoritárias, mas reanimar a discussão interna e atrair movimentos sociais. "Vejo com simpatia a ideia de que, no bojo da reforma política, se abra espaço para a criação de um movimento que leve a uma experiência como a da Frente Ampla, no Uruguai, e a da Concertação, no Chile", disse, numa alusão também à aliança que, em 1988, derrotou o ditador Augusto Pinochet. Assessor especial da Presidência e um dos conselheiros de Lula, Marco Aurélio Garcia afirma que o PT precisa discutir "uma política mais complexa" de organização partidária. "A Frente Ampla é uma das alternativas que contam com nossa simpatia. Eu e Lula já conversamos muito sobre esse sistema", diz. Segundo Garcia, "o momento é adequado" para isso, desde que também haja uma reflexão mais profunda sobre o partido. Para explicar o funcionamento do sistema aos petistas, a secretaria de assuntos internacionais do PT está organizando uma palestra com um representante da Frente Ampla uruguaia. Esse debate expressa um esforço de Lula em busca de uma saída para a crise petista, acentuada agora pela baixa popularidade de Dilma e pelas acusações contra membros do partido na Operação Lava Jato. Embora a proposta enfrente resistência interna, a discussão de um novo modelo poderia atrair movimentos sociais em defesa do governo.  Segundo petistas, Lula tem repetido que Dilma "não pode sair do governo pela porta dos fundos". Ao pregar a renovação, ele tem dito que o "operário de fábrica de hoje é totalmente diferente do da década de 70". O ex-presidente conhece bem o modelo uruguaio. Em 2011, foi até orador de honra no aniversário de 40 anos da frente do país vizinho. Outro simpatizante do modelo é o ex-ministro Tarso Genro (PT-RS). Em suas conversas, ele diz que uma "boa frente política para o país deve se inspirar no segundo turno que elegeu a presidente Dilma Rousseff", incluindo, por exemplo, "do economista Luiz Carlos Bresser-Pereira a Lula; do deputado Jean Wyllys ao ex-ministro Roberto Amaral". Na opinião de Tarso Genro, essa frente poderia funcionar a partir de 2018, ano da próxima eleição presidencial.

PT enfrenta adversário do mesmo nível: Eduardo Cunha


(O Globo) O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tinha ido dormir às 3h da madrugada. Às 8h de quarta-feira, estava de pé na porta da residência oficial para receber O GLOBO. Meia hora antes, na sala decorada com porta-retratos com imagens das quatro filhas, do filho e da mulher, já havia se reunido com o deputado Hugo Motta (PMDB-PB), indicado por ele para presidir a CPI da Petrobras. Pediu ao garçom uma vitamina, pôs no prato uma fatia de melão — que ficou praticamente intocada —, e passou a discorrer com acidez sobre erros da presidente Dilma Rousseff, mostrando-se bem à vontade na condição de “bicho-papão” do governo e do PT. Fez um resumo da relação do partido dele, o PMDB, com o governo: “Na prática, a gente finge que está lá (no governo). E eles fingem também (que o PMDB está no governo)". Eduardo Cunha afirma que seu poder vem do cargo que ocupa e da percepção de que, para chegar ali, ele derrotou o governo e a oposição. Diz achar que Dilma se cercou de pessoas fracas, mas nega que ele e o presidente do Senado, Renan Calheiros tenham tomado o comando do País. 
O senhor defende a redução pela metade dos ministérios. É declaração de guerra ao Planalto?
Eu não estou fazendo crise! Os ministros (do PMDB) não têm ministério (relevante). Sempre foi assim. Na prática, a gente finge que está lá (no governo). E eles fingem também (que o PMDB está no governo).
O PMDB tem dito que não quer mais cargos no governo. É real?
Ninguém quer. Para quê? Você acaba apadrinhando, tem que ser tudo técnico, né? Só que é ladrão técnico, não é ladrão político. Eu conheço ladrões técnicos, muitos ficam buscando os políticos, e muitos (políticos) são inocentes e apoiam. Alguns, eventualmente, podem até ter motivos escusos, não vou dizer que só tem santo. Mas, com certeza, esse ladrão não diz para ele o que está fazendo. Fica um monte de pilantra circulando os políticos, pedindo apoio. Para ficar livre do cara, você diz que apoia. E os caras são ladrões, que querem ter apoio para roubar.
A oposição diz que, na prática, quem está governando é o PMDB, e não Dilma...
Quem tem a caneta? É ela. Quem edita medidas provisórias? É ela. Quem libera o Orçamento? É ela. Quem nomeia e indica a cargo? É ela. Então, é ela quem governa. A devolução da MP 669, do ajuste fiscal, pelo Renan, foi um gesto político. Tanto que o governo revogou a MP, para poder mandar o projeto de lei.
O senhor diria que governo está em colapso político e gerencial?
Não diria que ele está em colapso gerencial. Eu diria que ele está em uma inércia de comunicação. Ele pode até estar gerenciando, mas não comunica o que está fazendo. Eu acho que o governo passa a sensação de estar parado. Ou de não ter o que fazer. A Petrobras foi responsável por 1% do PIB de perda este ano. A Petrobras está parada. O Comperj mandou 19 mil embora. Tem gente na rua pedindo esmola lá (em Itaboraí, RJ). Foi embora a perspectiva de o Rio produzir 85% do petróleo do país, e hoje não refina nem 10%, de poder agregar renda, desenvolvimento. E o processo econômico do Rio é dependente do petróleo. Então, o meu estado está em situação complicadíssima. A gente vê essa paralisia em vários lugares. Ela (Dilma) tem que responder a essa paralisia com ação.
Dilma está conseguindo governar?
Não acho que ela esteja parada. Acho é que está todo mundo no meio de uma crise política que não acaba.
De onde veio a crise?
Essa eleição foi muito diferente das outras três eleições do PT. Eles não tiveram hegemonia eleitoral, mas uma vitória apertada. E não entenderam esse processo. A crise começou no dia em que a presidente ganhou a eleição. Ela não disse o que ia fazer com o país. Isso foi gerando a crise política. Ficou claro e nítido que eles estavam fazendo uma opção de enfraquecer a todos nós.
A presidente não soube manter a base política construída por Lula?
Ela tinha a estrutura e não precisava implodi-la. A leitura que foi feita quando veio aquela operação Tabajara, do Kassab (Gilberto Kassab, ministro das Cidades, que patrocina a criação do PL, visto pelo PMDB como uma tentativa de diluir seu poder), que não podia dar certo. Porque não ia achar uma turma de pessoas experientes da política que assistisse isso acontecer. Eu ouvi uma frase ótima outro dia: “Dá 60 deputados para o Kassab para ver se ele não ia ficar igual”. Kassab virou formador de partido.
Formador de partido para barganhar com o governo?
Eu não quero acusar o Kassab. Foi a opção que ele fez e, se deram corda para ele, quem deu a corda é que está errado. Cada um propõe o que quiser. Quem aceita, ou não, é o outro.
Isso influenciou a crise política?
No dia da eleição, ela (Dilma) foi erraticamente discutir reforma política com plebiscito, e optou por esse caminho de formar um partido falso, inexequível. E isso jamais ia ter sustentação política. Ele (Kassab) foi ajudado por todo mundo para fazer aquele partido.
Foi uma tentativa de a presidente ficar mais independente de Lula e do PT?
Eu acho que não foi contra o Lula. Foi contra a gente mesmo, contra o PMDB.
Mas o PMDB já estava independente na Câmara antes de começar a formação desse novo partido...
Mas a independência do PMDB na Câmara foi por outro movimento errado dela. Ali juntaram dois problemas. Do período eleitoral em que o PT queria a hegemonia e não abria mão. O resultado é que Lindbergh Farias acabou em quarto lugar no Rio. Ao mesmo tempo, aquela reforma ministerial da desincompatibilização (substituição dos ministros que deixaram os cargos para se candidatar em 2014), usar aquilo para acerto eleitoral do PT? Reagimos e ficamos independentes.
Essa ação para afastar o PMDB partiu da presidente ou do PT?
Não sei se foi estratégia do círculo dela. Quando você escolhe as pessoas para fazer parte do seu círculo de intimidade, naturalmente escolhe em qual linha atuar. Pepe Vargas e Miguel Rossetto (ministros da articulação política) não estão no padrão de um processo desse tamanho. Você deve colocar pessoas do mesmo tamanho que você ou maiores. É erro de formação de equipe.
Mercadante tem comando?
Eu não convivo naquela intimidade para saber. Ricardo Berzoini (Comunicações) tem uma doutrina ideológica forte, é patrocinador da regulamentação da mídia, da radicalização dos atos políticos e continua no núcleo do processo. Jaques Wagner (Defesa) pode não estar com poder, mas está no bojo da articulação. É mais maleável.
A articulação precisa de alguém que tenha coragem de enfrentar a presidente e dizer onde está errando?
É preciso ter uma articulação que busque a integração de todos e não deixar prevalecer um ponto de vista. Dilma saiu da máquina. É a primeira presidente da República que não foi parlamentar. Ela não conhece o Congresso.
É hora de pôr alguém de fora do PT?
O problema não é ser ou não do PT, mas de comportamento. Briguei com o (deputado) Henrique Fontana durante a minha campanha, porque não pode o líder do governo dar uma coletiva contra mim, líder do PMDB. Eles, às vezes, misturam muito o papel de PT com governo.
O senhor já pensou em assumir a Presidência da República?
Essa pergunta você sabe que não vou responder, não vou cair nessa (risos).
Basta que duas pessoas viajem para o senhor assumir a Presidência.
Para quê? Para ficar lá cinco minutos e só? Vou usar a caneta para quê? Se o Cid (Gomes) ainda fosse ministro, eu podia demitir o Cid. Mas não vou poder nem demitir o Cid.
O senhor é oposição ou governo?
Nesse momento, sou o presidente da Câmara. Não posso me comportar nem como oposição, nem como governo. Tenho que me comportar como poder independente. Preguei na minha campanha que ia ser independente, não ia ser submisso, e que daria governabilidade. Vou cumprir o meu programa.
O senhor divide opiniões. O senhor é anjo ou demônio?
Eu sou o Eduardo Cunha (risos). Não sou nem anjo, nem demônio. Sou coerente com o que falo.
Controla a CPI e impediu a convocação de Fernando Baiano (apontado como operador do PMDB na Petrobras), como dizem seus adversários?
Não é verdade. Quem controla uma CPI? Por mim, pode convocar quem quiser. O que houve foi a conscientização de não trazer pessoas presas para cá. O caso do Renato Duque é diferente, porque ele ainda não estava preso quando o convocaram.
O senhor está tranquilo quanto às acusações dos delatores?
Absolutamente tranquilo. (Meu advogado) falou que o (doleiro) Youssef fala que não me conhece. Que não tem absolutamente nada contra mim. Forçaram a barra do Youssef perguntando de mim, aí ele fala que ouviu do Júlio Camargo. Ele não me acusa de nada. Diz que não me conhece, não sabe nada de mim.
Mas seu nome foi incluído.
A partir de agora, estou em guerra aberta com o (procurador-geral da República, Rodrigo) Janot. Tudo é possível. Vamos ver até que nível que vai. Ele me escolheu. Está muito claro.
É o maior escândalo do País?
Além de ser inacreditável, foi o maior escândalo de corrupção do mundo. O que mais me incomoda é a gente olhar que tem um escândalo desse tamanho e achar que todo mundo está igual. É a percepção que passa quando abre um inquérito para um e para o outro que não roubou.
O senhor acusou o governo de atuar para te incriminar...
Eu já disse que tinha a mão do governo. Já acusei claramente.
O Congresso atual é conservador?
Ele é! O Congresso é conservador na sua maioria porque a sociedade é conservadora em sua maioria.
Eduardo Cunha é conservador?
Sou um político de centro, que acredita no mercado. Busco essa linha. E sou conservador de costumes sim. Defendo a tese da vida e da família. Aborto, todo mundo é contra. A questão não é só evangélica. É católica. Cristãos que defendem a vida.

Dilma pode sofrer impeachment por crime comum, diz ex-ministro da Justiça


O advogado Miguel Reale Júnior já ocupou todas as posições que um jurista pode almejar. Professor titular de Direito Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, foi membro do Conselho Administrativo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ministro da Justiça em 2002, durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso. Quadro histórico do PSDB, próximo do ex-presidente tucano e do ex-governador de São Paulo. Mário Covas (1930-2001), foi um dos principais responsáveis pelo processo de impeachment que levou à renúncia do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Filho de um dos mais influentes juristas brasileiros, Reale hoje está indignado com a situação do Brasil. Foi aos protestos do dia 15 de março defender a renúncia de Dilma Rousseff (PT), mas é contra o impeachment, que, de acordo com ele, não possui bases jurídicas. Abaixo, o advogado fala sobre fatos marcantes da história do País nos quais esteve presente, o atual momento do Brasil e o que pode acontecer a partir dessa ebulição das ruas.
Istoé - O sr. é a favor do impeachment?
Miguel Reale Júnior - O impeachment não é juridicamente viável porque os atos que poderiam justificá-lo ocorreram no mandato anterior. A pena do impeachment é a perda do cargo. Mas acabou o mandato e Dilma foi reeleita para outro. Não existe vaso comunicante. Para se pedir o impeachment, a presidente precisaria ser suspeita de algum malfeito de janeiro até agora. Eu fiz a petição de impeachment contra o ex-presidente Fernando Collor. Ali havia fatos praticados por ele, o recebimento de vantagens ilícitas claras. Impeachment não é golpe, porém precisa estar enquadrado tecnicamente. Eu tenho uma responsabilidade de consciência jurídica, não posso forçar a mão.
Istoé - O impeachment é também um processo político. É possível que o Congresso atropele os argumentos jurídicos para validá-lo?
Miguel Reale Júnior - Aí a Dilma entra com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal e anula tudo. O Collor entrou com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para conseguir alguns direitos de defesa que não estavam sendo considerados no processo. E não é só a atual configuração do Supremo que invalidaria, não. Qualquer STF consideraria ilegal. O Supremo da época do Collor também concedeu mandado de segurança para alguns pontos que ele solicitou. Se existe uma violação da lei ou da Constituição, o sujeito vai ao STF e ganha.
Istoé - Isso quer dizer que a presidente não poderá ser responsabilizada caso seja ligada às denúncias do Petrolão?
Miguel Reale Júnior - O que pode haver, eventualmente, é a apuração de crime comum. O procurador-geral da República disse que não há elementos, mas Dilma prevaricou se sabia do esquema quando era presidente do Conselho de Administração da Petrobras e manteve a diretoria após assumir a presidência da República. Caso seja enquadrada num crime comum, ela será processada perante o Supremo com autorização da Câmara dos Deputados. Se condenada, perderia o mandato como qualquer outro político. Resta examinar se existem elementos mostrando que ela foi omissa ou conivente ao manter a diretoria. A Constituição diz que o presidente não pode ser responsabilizado por atos estranhos às suas funções, porém atos de prevaricação – como o que ocorreu na Petrobras – não seriam estranhos à função.
Istoé - Caso Dilma fosse afastada, a situação melhoraria com o vice Michel Temer?
Miguel Reale Júnior - O Michel tem habilidade e experiência como presidente da Câmara dos Deputados. Está à frente de um partido forte e conta com capacidade de trânsito na oposição. Seria o caso, para que houvesse um grande pacto nacional como ocorreu com o Itamar Franco (vice de Collor). Naquela época, eu fui procurado por um brigadeiro que comandava a zona aérea de São Paulo e manifestou a preocupação das Forças Armadas quanto à governabilidade. Eles não estavam preocupados com o impeachment do Collor, mas com o futuro. O brigadeiro queria saber se havia a possibilidade de o PSDB apoiar o Itamar. Ele me procurou porque eu estava à frente do impeachment e porque eu era próximo dos então senadores Fernando Henrique e Mário Covas. Ambos me garantiram que dariam apoio ao Itamar e eu transmiti isso ao militar. A mesma preocupação que as Forças Armadas tiveram naquele momento é a preocupação que todos nós deveríamos ter agora.
Istoé - Hoje o PSDB daria apoio ao Temer?
Miguel Reale Júnior - O PSDB deve considerar a possibilidade de apoiá-lo. É um caminho que pode não interessar à oposição que queira assumir livremente o poder daqui a quatro anos. Independentemente disso, nós temos que pensar como chegaremos lá se não houver um pacto, pois já estamos em frangalhos. Também tem outro problema extremamente grave. Apesar de as passeatas do dia 15 de março terem sido tranquilas, os ânimos estão acirrados. Amigos se separam por conta de divergências políticas, familiares viram a cara uns para os outros. Esse pacto também vai por um pouco de tranquilidade na sociedade.
Istoé - O sr. foi aos protestos do dia 15 de março?
Miguel Reale Júnior - Fui, sim. Estava em Canela, no interior do Rio Grande do Sul, e participei do ato na cidade. Havia mais de duas mil pessoas. Eu sou favorável à renúncia de Dilma Rousseff pela dificuldade que ela tem de governar. A governabilidade será difícil porque no momento em que ela fala tem panelaço, quando seus ministros falam há panelaço. Por causa disso, a presidente já tem pouco espaço para manobra – e a operação Lava Jato vai trazer mais fatos, ainda vai se estender para outros setores da administração.
Istoé - As manifestações juntaram pessoas favoráveis ao impeachment, à intervenção militar e aqueles que apenas reclamavam da corrupção. Como unir esses interesses?
Miguel Reale Júnior - Os que defendem os quartéis são minoritários e foram rechaçados nas ruas. É um grupo muito pequeno e inexpressivo. Já o impeachment é um processo jurídico e técnico. Se não houver enquadramento, não tem impeachment. Movimentações sem um norte se diluem. Por exemplo, nos protestos da Praça Tahrir, no Egito, a população destronou o ex-ditador Hosni Mubarak, mas não soube construir uma via. Primeiro, o fundamentalismo ganhou. Depois vieram os militares. As redes sociais são capazes de arregimentar contra, mas a rua não apresenta um denominador comum porque é composta de visões díspares. Temos que criar um caminho. Entidades como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Ordem dos Advogados do Brasil e a Associação Brasileira de Imprensa devem sair dos seus nichos e participar porque esse processo representa muito do que a sociedade deseja. E os cabeças dos movimentos das ruas têm que trabalhar junto com lideranças políticas para formatar uma proposta.
Istoé - É possível que políticos participem dos protestos? De Paulinho da Força (SD-SP) a Jair Bolsonaro (PP-RJ), quando eles falaram nos carros de som foram vaiados.
Miguel Reale Júnior - Isso é perigoso porque significa uma descrença generalizada da classe política. Alguém precisa exercer o poder, organizar esses anseios. Não estou falando de uma pessoa, um salvador da pátria. Mas de um grupo político que se una à sociedade para constituir a base de um pacto. Se isso não ocorrer, gera-se um processo anárquico.
Istoé - A forma de governo no Brasil afasta os políticos do povo?
Miguel Reale Júnior - Se estivéssemos no parlamentarismo não haveria toda essa comoção que estamos vendo porque o governo teria sido destituído. O parlamentarismo impede que crises se avolumem e prejudiquem a vida do país. É verdade que a população também não acredita no Congresso, mas ela precisa saber que no regime parlamentarista a Câmara pode ser dissolvida.
Istoé - E quanto à reforma política, o sistema eleitoral deve mudar?
Miguel Reale Júnior - O sistema proporcional com lista aberta que temos hoje é horroroso. Com ele vêm gastos de campanha elevadíssimos e ocultos. De qualquer forma, o voto distrital é melhor. Eleição em dois turnos para deputados também pode ser um caminho, melhora bastante. De qualquer modo, Constituinte exclusiva para analisar o tema (como defendeu o governo após os protestos de junho de 2013) é loucura, seria um poder paralelo ao Congresso. Também não precisa fazer plebiscito ou referendo. É pacto, o Congresso já tem poderes para realizar. No entanto, o Tancredo Neves dizia que era mais fácil fazer um boi voar do que conseguir consenso em relação ao sistema eleitoral. É muito difícil.
Istoé - A principal reclamação das ruas está relacionada à corrupção. O pacote de Dilma vai resolver o problema?
Miguel Reale Júnior - A medida repete propostas antigas. E eles se esquecem que o crime de caixa dois já existe, artigo 350 do Código Eleitoral, com pena mínima de dois anos. Há diversos projetos tramitando na Câmara sobre enriquecimento ilícito. Eles não avançaram porque não foram votados pela própria base parlamentar. Vamos deixar de enganar a população brasileira.
Istoé - O sr. foi ministro da Justiça no mandato FHC. Como avalia o desempenho de José Eduardo Cardozo no cargo?
Miguel Reale Júnior - José Eduardo Cardozo tem assumido muito mais um papel de advogado do que de ministro da Justiça, com a distância que deve ter um ministro da Justiça de fatos que estão sendo manifestados. Ele sai em defesa do seu partido, em defesa da presidente. O discurso dele é um discurso repetitivo, cheio de chavões. É o rei do lugar comum.

Sem economia, reservatórios das usinas devem chegar a 10% em outubro


Caso não haja redução de consumo, a Região Sudeste, mais afetada pela estiagem e também a maior consumidora de energia, poderá chegar ao mês de outubro com os reservatórios em cerca de 10% da capacidade. O nível é considerado o mínimo para garantir o abastecimento de energia até o início das chuvas, esperado para novembro. "Mesmo assim, 10% é bastante baixo. Seria uma sobrevivência até entrar em um novo ciclo chuvoso", afirmou o consultor da Excelência Energética, Josué Ferreira, responsável pelas estimativas. Para isso, o regime de chuvas também terá de ajudar. Qualquer volume menor do que 80% da média provocaria um colapso. Aos 70% e sem nenhum tipo de redução de consumo, os reservatórios chegariam ao fim de outubro com 3,41% da capacidade. Na semana passada, contudo, o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, comentou em evento no Rio de Janeiro que a desaceleração da economia, os aumentos no preço da energia e a campanha de racionalização do consumo já surtem efeitos. Com isso, o órgão revisou a previsão de crescimento da demanda de energia de 3,2% para 0,2% em 2015: "O ano de 2015 será tão crítico no segmento de geração de energia quanto foram 2014 e 2013". Ao contrário de 2001, quando substituições de eletrodomésticos e lâmpadas estavam em primeiro lugar na lista de tarefas para economizar energia, a receita para a redução de consumo hoje é a mudança de hábitos cotidianos. O presidente do Instituto Data Popular, Renato Meirelles, cita como exemplos reduzir a duração do banho quente com chuveiro elétrico e juntar mais roupas para colocar na máquina de lavar. Outra recomendação de especialistas é desligar aparelhos da tomada enquanto não são utilizados, desde carregadores de celulares até televisão. Isso evitaria os gastos com o "stand by", elevados no caso de aparelhos que esquentam quando ligados na luz, como é o caso de receptores de sinal de TV a cabo. Mas a orientação não é unânime. "Isso é bobagem", garantiu o diretor do Instituto Ilumina, Roberto D'Araújo. Segundo ele, no caso de alguns aparelhos eletrônicos, o stand by é até útil para manter a corrente elétrica e evitar umidade. A mais radical das orientações é o menor uso dos aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos, o que atingiria em cheio o nível de conforto dos brasileiros. "Pode-se desligar o que é supérfluo", disse o diretor-técnico da Associação Brasileira de Serviços de Conservação de Energia (Abesco), Alexandre Moana: "Ou você perde conforto, ou você age com inteligência. Mas até o agir com inteligência tem um limite". Pesquisas qualitativas do Data Popular já identificaram um hábito nas classes mais populares, sobretudo entre os mais velhos, de encarar eletrodomésticos como patrimônio. Assim, segundo Meirelles, a geladeira antiga segue sendo usada no quintal após a compra de uma nova para a cozinha, por exemplo. Os mais jovens, porém, não têm essa relação com os eletrodomésticos. Por isso, o executivo lamenta a falta de investimento contínuo em campanhas educativas sobre uso racional da eletricidade. O governo tem tentado mudar o comportamento dos consumidores com uma campanha iniciada este mês. Mas a avaliação é de que a medida chegou tarde. "Seria prudente que já tivesse sido adotada uma redução lenta e gradual do consumo", afirmou Ferreira: "A racionalização é importante. Se não recuperar (o nível dos reservatórios) no final do regime chuvoso e caso não caia o consumo, talvez seja preciso adotar uma política mais severa".

PMDB DO RIO GRANDE DO SUL ELEGE IBSEN PINHEIRO, SOB FORTES VAIAIS AO GOVERNO DILMA E AO PT

O deputado estadual Ibsen Pinheiro é o novo presidente do PMDB do Rio Grande do Sul. Sua eleição foi em chapa única. Os deputados (estadual) Edson Brum e (federal) Alceu Moreira, que tinham registrado chapas, resolveram abrir mão em favor de Ibsen, atendendo apelos do governador José Ivo Sartori. O secretário Geral é Gabriel Souza. Alceu Moreira saiu muito contrariado da convenção de hoje no Edifício Santa Cruz, que esteve concorridíssima e animadíssima, já que contou com todas as lideranças partidásrias, inclusive o governador, o ex-senador Pedro Simon, o ex-prefeito José Fogaça e o ministro Eliseu Padilha. Moreira chegou a ser indicado para a posição de primeiro vice, mas não quis acordo. Pedro Simon pronunciou discurso aplaudido de pé pelos convencionais, porque espinafrou o governo Dilma Roussef do começo ao fim, mesmo diante de Padilha, que foi vaiado no começo e no final da sua fala, logo depois de Simon. (Políbio Braga)

FERNANDO GABEIRA DIZ QUE A SOLUÇÃO DA CRISE PASSA PELO EXPURGO DO PT E A POSSE DO GOVERNO PELO PMDB + OPOSIÇÃO

Fernando Gabeira tirou terno e gravata do armário e foi a Brasília para tentar responder a uma pergunta: "Onde está a saída para a crise?"
Ele se encontrou com "uma dezena de políticos experimentados" e nenhum deles deu uma resposta definitiva. Ao mesmo tempo, eles indicaram algumas "variáveis" que podem ajudar a definir os rumos da crise:
1 - "A hipótese de um governo sangrando até 2018 é a mais improvável, embora seja esse o desejo de uma parcela de observadores".
2 - "Quanto ao ajuste econômico, a tendência é de dias mais duros, com possibilidade de racionamento de energia".
3 - "Dilma tem os microfones à disposição. Mas não sabe usá-los. Em alguns casos é possível aprender. Mas não há treino que possa criar um líder para conduzir o país numa tempestade".
4 - "O Planalto quer que o PT demita o tesoureiro. O PT hesita. É difícil passar a ideia de que foi tudo culpa de um só homem. É gente muito calejada para fingir que João Vaccari era uma fada de barba que produzia fortunas apenas com o toque de sua vara de condão".
5 - "A variável mais importante é pouco discutida em Brasília. Dois milhões de pessoas foram às ruas. A sociedade brasileira ganhou maturidade nas demonstrações e mantém-se vigilante porque sua sorte está em jogo".
Fernando Gabeira, depois de suas conversas em Brasília, acredita que o caminho mais provável é que o PMDB assuma o poder e proponha um governo de unidade nacional com a oposição. O PT, segundo ele, "não tem chance de tentar esse caminho". 
Por quê?
Porque "não se conhecem os protagonistas do futuro. Mas já se sabe quem será atropelado por ele".

MORREU NESTE DOMINGO O EX-VICE-GOVERNADOR GAÚCHO OTÁVIO BADUI GERMANO

Morreu na manhã deste domingo o ex-vice-governador e ex-deputado federal Otávio Badui Germano, pai do deputado federal José Otávio Germano, do PP do Rio Grande do Sul. Ele estava internado na Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre, havia dois meses, em coma, após ter sofrido um acidente vascular cerebral.

GESTÕES NA CPI

Emissários fazem gestões na CPI do HSBC para evitar a convocação de três senhoras da família Queiroz, donas de empresas de mídia em Fortaleza. Juntas, somavam US$ 83,9 milhões na conta nº 5940 CE do HSBC na Suíça. Não está claro se eram declarados à Receita Federal.

SEMANA NADA SANTA

Alguns dos principais comandantes do PMDB combinaram passar a Semana Santa em Portugal, acertando ponteiros: Renan Calheiros e Eduardo Cunha, o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, e o ex-presidente José Sarney. Viajam quinta no jato particular de um deles. Quando soube que as principais figuras do PMDB planejavam a Semana Santa em Portugal, o ministro Eduardo Braga (Minas e Energia) se ofereceu para ir. Mas não havia mais lugar no avião.

DILMA ENFURECE RENAN OFERECENDO-LHE A CONAB

No auge da irritação por não ter sido consultado sobre a demissão do ministro Vinícius Lages (Turismo), por ele indicado, para ser substituído pelo ex-deputado Henrique Alves, o presidente do Senado, Renan Calheiros, ficou furioso ao receber por telefone a oferta de Dilma para compensá-lo: indicar o presidente da Conab, empresa pública de abastecimento de alimentos, ligada ao Ministério da Agricultura. A escolha de Henrique para o cargo de ministro do Turismo objetiva “rachar” o PMDB. A reação de Renan mostra que a jogada deu certo. Irritado, Renan ignorou os insistentes apelos de Henrique Alves por seu “aval”. “Para quê? Não precisa, é uma escolha da presidente”, disse. O presidente do Senado ficou tão afetado com a desfeita de Dilma que se lançou na luta inglória pela demissão do ministro Gilberto Kassab.

Operação Zelotes: na fraude, pedido de vista de um processo "custava" R$ 50 mil


A Polícia Federal e o Ministério Público Federal descobriram indícios de que um simples pedido de vista de um processo de empresa ou banco no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), do Ministério da Fazenda, poderia ser vendido por R$ 50 mil. Os sinais da negociata foram descobertos nas investigações da chamada Operação Zelotes, que apura fraudes nos processos do Conselho. Por meio do suborno de conselheiros, empresas e bancos conseguiram redução ou até mesmo eliminação de dívidas relacionadas à sonegação de impostos. Entre os investigados estão empresas do Grupo Gerdau e o Banco Safra. Também estão na lista de investigados o ex-secretário da Receita Federal e ex-presidente do Carf, Otacílio Cartaxo, o genro dele, Leonardo Manzan (ex-conselheiro), e o conselheiro Francisco Maurício Rebelo Albuquerque, pai do deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), líder do PP na Câmara. O ex-presidente do Carf, Edson Rodrigues, também aparece entre os investigados. Ao todo, um conselheiro e nove ex-conselheiros são suspeitos de envolvimentos com a maior fraude fiscal já descoberta no País. A Polícia e o Ministério Público calculam que o esquema resultou em desvios que podem chegar a R$ 19 bilhões dos cofres públicos. Só em nove processos alguns suspeitos se apropriaram de R$ 5,7 bilhões, a partir da extinção indevida de dívidas fiscais. Só em um dos casos, uma das instituições financeiras investigadas estava tentando comprar redução significativa de uma dívida de aproximadamente R$ 1 bilhão. As tratativas para o suborno só teriam sido interrompidas pela decisão da Polícia Federal de sair a campo e apreender documentos, carros e dinheiro em 41 endereços na quinta-feira. O Carf é um tribunal administrativo que dá a palavra final sobre controvérsias fiscais, especialmente em processos sobre sonegação fiscal. Segundo uma fonte que conhece o caso de perto, uma dívida de R$ 50 milhões poderia ser reduzida para R$ 5 milhões. Bastaria comprar a decisão de conselheiros. Investigadores suspeitam que um dos chefes da organização criminosa era Edson Rodrigues. Pelos indícios recolhidos ao longo da apuração, Rodrigues recebia a pauta de votação do Carf com antecedência e, a partir daí, buscava clientes interessados em reduzir dívidas fiscais. As negociações se davam em várias etapas. Os interessados poderiam comprar o pacote inteiro de uma vez ou em partes. O pedido de vista acertado com antecedência também servia como prova de que o conselheiro estava em sintonia com o encarregado das negociações. As duas partes, conselheiros e empresas, evitavam manter contatos diretos. Parte dos pagamentos era feita em espécie. Outros eram disfarçados em contratos de consultoria ou honorários de advocacia. As investigações começaram ano passado, mas há evidências de que o grupo estava em atuação desde 2005. Investigadores notaram também que algumas negociatas se arrastavam durante anos. Em um dos casos, os suspeitos esperaram o fim do mandato e a troca de conselheiros cúmplices das fraudes para concluir um determinado processo, conforme o interesse da empresa que pagou pelos serviços da organização. "Por isso a briga política para a escolha dos conselheiros", explicou uma das pessoas vinculadas à investigação. Na quinta-feira, a PF aprendeu mais de R$ 2 milhões em endereços dos investigados. Também foram apreendidos 18 carros, 16 deles em Brasília, e três motos. Entre os carros apreendidos estão quatro Mercedes, dois Mitsubishi Lancer e uma caminhonete Porsche Cayenne. As investigações estão sendo conduzidas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Corregedoria do Ministério da Fazenda. O serviço de inteligência da Receita Federal também colaborou com a apuração do caso. Antes das buscas, investigadores chegaram a cogitar a prisão dos principais suspeitos. Mas o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal, entendeu que só a apreensão de documentos seria suficiente para levar adiante a apuração sobre as fraudes no Carf. O tribunal tem 200 conselheiros, divididos em 16 turmas. O tribunal julga mais de mil processos fiscais por ano. Nos próximos dias, a policiais e fiscais da Receita Federal deverão analisar os documentos apreendidos. A partir daí, as investigações poderão ter novos desdobramentos. 

Procurador federal vai pedir fim do sigilo na Operação Zelotes


O procurador federal Frederico Paiva, um dos responsáveis pela Operação Zelotes, que apura fraudes em processos julgados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), vai pedir ao juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal, que reconsidere a decisão que decretou o sigilo das investigações. Bancos, empresas e conselheiros do Carf estão entre os investigados. Paiva disse que está incomodado com o que chama de vazamento seletivo de informações sobre a operação e considera que a sociedade tem o direito de acesso ao conteúdo completo das investigações. Ele lembrou que na Operação Lava-jato o juiz Sérgio Moro adotou esse procedimento, que o procurador considera o mais adequado também no caso da Operação Zelotes: "Alguns investigados já tiveram amplo acesso à investigação, é um direito deles. Vou pedir ao juiz que reconsidere a decisão que decreta o sigilo. Ela abre espaço para o vazamento seletivo. A transparência é sempre o melhor critério, a sociedade tem o direito de saber o que está sendo feito com o seu dinheiro". O procurador destacou que não existe qualquer relação com a Operação Lava-Jato e, no caso da Zelotes, a Petrobras não é o foco, referindo-se ao noticiário que aponta a empresa como uma das investigadas: "Vazamentos seletivos me preocupam. Neste caso, a Petrobras sequer é foco, é incidental. Não dá para associar as duas operações. Não tem nada a ver uma com a outra". Entre os investigados na operação estão empresas do grupo Gerdau, do empresário Jorge Gerdau Johannpeter, que até o mês passado presidia a Câmara de Políticas de Gestão e Planejamento do Governo Federal, e o Banco Safra; a montadora Mitsubishi, a Hyundai/CAOA, revendedora da marca coreana, e empresas do Grupo RBS. São suspeitos de integrar o esquema, considerado a maior fraude fiscal já descoberta no País, o conselheiro Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, pai do deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), líder do PP na Câmara, e nove ex-conselheiros do Carf, entre eles, o ex-secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, que também presidiu o conselho. As fraudes nos processos do Carf descobertas pelo Ministério Público e Polícia Federal na Operação Zelotes podem chegar a R$ 19 bilhões, segundo os investigadores. Por meio do suborno de conselheiros, empresas e bancos conseguiram reduzir e até eliminar dívidas relacionadas à sonegação de impostos. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal descobriram indícios de que um simples pedido de vista de um processo de empresa ou banco poderia ser vendido por R$ 50 mil. Na quinta-feira, a polícia fez buscas em 24 endereços em Brasília, 16 em São Paulo e um no Ceará. Foram apreendidos documentos na sede do Carf, do Banco Safra e de conselheiros, advogados e lobistas suspeitos de envolvimento com as fraudes.