quarta-feira, 1 de abril de 2015

Pirelli negocia layoff de cinco meses para 1.500 funcionários

A Pirelli anunciou nesta quarta-feira (1) que estuda a possibilidade de realizar um layoff (suspensão temporária de contratos de trabalho) de cinco meses para aproximadamente 1.500 funcionários das quatro fábricas que opera no Brasil - Santo André e Campinas, em São Paulo, Gravataí, no Rio Grande do Sul, e Feira de Santana, na Bahia. O layoff, ainda negociado entre a Pirelli e o sindicato da categoria, terá início no final do mês, caso seja confirmado. A fabricante de pneus alega que a suspensão temporária dos contratos serviria para "adequar o nível de produção à demanda atual e futura do mercado". As incertezas na economia atingiram em cheio o mercado de automóveis, que acumula retrações desde o ano passado. No 1º trimestre deste ano, houve queda acumulada de 17%. 
Na comparação de 2014 com 2013, a queda nos emplacamentos de carros de passeio e comerciais leves foi de 7,4%, a maior queda percentual desde 2002. A indústria de pneus, vital para a de automóveis, registrou recuo de 3,4% no 1º bimestre. O desempenho negativo foi causado principalmente pela retração de 19,4% no fornecimento às montadoras de veículos, segundo a Anip (associação da área). O anúncio do possível layoff ocorre uma semana após a Pirelli, que é italiana, ser comprada pela estatal chinesa China National Chemical Corp. (ChemChina), que já atua no setor petroquímico e pneumático. O acordo, acertado com os acionistas da Pirelli no domingo (22), é o último de uma série de aquisições na Itália por compradores chineses, que contam com a vantagem do euro fraco no momento em que emergem sinais de que a Europa está saindo de uma estagnação econômica. Primeiramente, a unidade de fabricação de pneus da ChemChina, a China National Tire & Rubber, comprará os 26,2% que a holding italiana Camfin detém na Pirelli, e depois lançará uma oferta para aquisição do restante das ações. A oferta será lançada a 15 euros por ação, avaliando o grupo em 7,1 bilhões de euros, excluindo dívida líquida de quase 1 bilhão de euros ao fim de 2014.

Supremo abre inquérito contra senador Luiz Henrique, do PMDB

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, aceitou abrir um inquérito para apurar se o senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) cometeu crime contra a administração pública. De acordo com investigação iniciada pelo Ministério Público de Santa Catarina, a paciente Renata Gonçalves teria conseguido obter uma cirurgia no aparelho digestivo sem entrar na lista de espera graças à ajuda do senador. Silveira foi governador de Santa Catarina por dois mandatos (entre 2003 e 2010), além de ter ocupado os cargos de deputado federal e prefeito de Joinville. Como Silveira tem foro no STF, o caso foi levado ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que encaminhou um pedido de abertura de inquérito para a Suprema Corte, no fim de janeiro. O caso foi distribuído ao ministro Dias Toffoli, que aceitou abrir inquérito contra o senador e autorizar as diligências solicitadas pela Procuradoria Geral da República. O inquérito foi aberto na última semana e o Supremo enviou esta semana o material para que a Polícia Federal possa executar as diligências solicitadas. De acordo com as investigações, Renata teria conseguido obter vantagem na fila de espera do SUS por auxílio da Secretaria de Saúde do Município de Araranguá, no Sul de Santa Catarina. A paciente teria sido ajudada por trabalhar com um dono de uma rádio local, a Araranguá AM 1290, Evaldo Bussolo Stopassoli. Junto ao inquérito, o Ministério Público Federal apresentou uma cópia de um CD que contém uma gravação de Stopassoli, dizendo que conseguiu consulta para Renata por ajuda do senador.

Governo Dilma diz que 56 cidades nordestinas estão em situação de colapso devido à crise hídrica

Em mais uma reunião do governo para avaliar a crise hídrica por que passa parte do País, o diagnóstico é que, no Nordeste, há neste momento 56 cidades em situação de colapso, ou seja, há mais de quatro dias sem água. Segundo o governo, há uma operação de carros pipa em curso sendo gerenciada pelos governos estaduais e municipais. No Sudeste, apesar das chuvas de março, o regime de águas foi inferior ao esperado e os reservatórios do Rio de Janeiro e de São Paulo continuam operando abaixo da média. Em relação ao Nordeste, a União pediu um diagnóstico e disse que irá tomar outras medidas com o Exército. Estima-se que até 105 cidades nordestinas podem entrar em situação de colapso. O ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, afirmou que na próxima reunião do grupo de trabalho que monitora a crise hídrica dentro do governo, serão avaliadas a situação das obras de 500 poços e sistemas de abastecimento de água em andamento no Nordeste. Segundo o governo, há estudos que indicam que essa seca pode durar um ciclo de três a quatro anos. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que sua equipe elabora um plano de adaptação às mudanças climáticas. O sistema Cantareira, de São Paulo, não recompôs sequer o volume morto, e segue operando com essa reserva de água. E o Sistema do Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro, está operando em seu volume útil (portanto acima do volume morto), mas abaixo da média. "Já estamos no mês de transição e, entre agora e junho, as chuvas diminuem muito. As chuvas no Sudeste de outubro a março foram de 70% a 75% dos valores históricos médios", disse Carlos Nobre, do Ministério da Ciência e Tecnologia. O presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, explicou que o órgão tem regulado a retirada de água dos reservatórios do Sudeste para evitar o rebaixamento ainda maior de seus níveis. No caso do Cantareira, a retirada de água atual é um terço da retirada em situações normais. A situação do Paraíba do Sul, segundo a ANA, é melhor. O reservatório teve "melhora significativa" e opera a 16% de seu volume útil. Em fevereiro, o volume útil do Paraíba do Sul era zero. Com relação ao ano passado, no entanto, a situação é muito ruim. O reservatório, nesta mesma época, em 2014, operava a 40% de seu volume útil.

Ministro do Supremo diz que Constituição não veda redução da maioridade penal

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, considera que a idade de 18 anos para a maioridade penal não é uma cláusula pétrea da Constituição. Ou seja, pode sim ser modificada pelo Congresso por meio de uma emenda. Mas, entende que essa não é a melhor saída para resolver o problema da delinquência juvenil e citou questões mais importantes a serem enfrentadas, como a corrupção. Na terça-feira, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou a admissibilidade de uma proposta de emenda constitucional (PEC) que reduz a maioridade de 18 para 16 anos. Isso significa que a maioria dos deputados da comissão entendeu que a proposta não fere a Constituição e o ordenamento jurídico do País. Parlamentares contrários à PEC articulam entrar com um mandado de segurança no Supremo para impedir que a proposta siga tramitando no Congresso. "Se articula que é cláusula pétrea. De início não penso assim, mas estou aberto à reflexão. Agora não vamos dar uma esperança vã à sociedade, como se pudéssemos ter melhores dias alterando a responsabilidade penal, a faixa etária para ser responsável nesse campo. Cadeia não conserta ninguém", afirmou Marco Aurélio nesta quarta-feira. Ele argumentou que, se isso for cláusula pétrea, a idade de 70 anos para aposentadoria compulsória no serviço público também é. Há hoje no Congresso uma proposta para elevar para 75 anos a aposentadoria dos ministros das cortes superiores, a chamada PEC da bengala. "Eu não vejo como cláusula pétrea, porque se não teria que dizer que os 70 anos da aposentadoria compulsória se consubstancia cláusula pétrea. Não é o caso. Não podemos potencializar o que é cláusula pétrea, porque então não se mexe mais nela. Agora receio também a normatização em tempo crise", disse o ministro. Marco Aurélio destacou que a redução da maioridade penal não resolve os problemas do País, que são outros. Questionado quais são, ele respondeu: "Corrupção. Ter-se chegado ao estágio a que nós chegamos. E verificamos que a corrupção foi banalizada. Não posso dizer que foi barateada porque os valores são muito altos". Ele também fez um alerta para os perigos de o Congresso tomar decisões extremadas: "Não se pode forçar a mão e chegar a uma posição extremada. Eu receio muito normatização em época de crise. Por que receio? Porque vingam as paixões exacerbadas. Para qualquer tipo de assunto. E nós já temos no País leis suficientes para a correção de rumos". A proposta ainda precisa ser apreciada por uma comissão especial, que será instalada na próxima semana. Em seguida, deve ser votada em dois turnos pelo plenário da Câmara, onde precisa angariar o apoio de pelo menos 60% dos deputados, ou seja, 308 dos 513. Depois de tudo isso, a proposta também deve ser aprovada pelo Senado.

Operação Zelotes aponta que Banco Safra teria pago R$ 28 milhões em suborno para eliminar dívida tributária

Relatório da Operação Zelotes — que investiga o envolvimento de empresas e bancos no suborno de conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) — acusa um representante do Banco Safra de oferecer R$ 28 milhões em troca de redução da dívida do banco relativa a suposta sonegação de impostos. Segundo o documento, o suborno foi negociado por um conselheiro do Safra, com alguns conselheiros do Carf, entre eles, Jorge Victor Rodrigues, procurador da Fazenda Nacional. As negociações aparecem em gravações de conversas interceptadas pela Polícia Federal com autorização judicial. O Safra tem dívida relativa a suposta sonegação de impostos da ordem de R$ 793 milhões. “João Inácio Puga é membro do Conselho de Administração do Banco Safra e aquele que negocia a proposta de vantagem indevida com Jorge Victor, Lutero, Salazar e Eduardo, no valor de vinte e oito milhões de reais, a pretexto de influir no Carf”, relata texto de um dos documentos que serviu de base à decisão do juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal, de determinar busca e apreensão em escritórios do Safra e de outros investigados. A negociação da propina estaria relacionada ao processo 13820.000860/2002-10 e à nota 547/07 da Procuradoria da Fazenda Nacional. O objetivo seria agilizar o processo e, ao mesmo tempo, alterar o conteúdo da nota da Procuradoria da Fazenda. O caso foi considerado tão grave que a Polícia Federal chegou a pedir a prisão de Puga, de Jorge Victor e dos demais envolvidos nas negociações. Mas o juiz entendeu que, por enquanto, não seriam necessárias prisões. Para as investigações bastariam as interceptações telefônicas e as quebras de sigilo bancários. As investigações levantam suspeita de pagamento de propina em tratativas de representantes do Grupo Gerdau, do empresário Jorge Gerdau, para reduzir dívidas no Carf. Empresas do grupo têm sete processos no Carf. Em cinco deles, as dívidas sobre impostos que não teriam sido pagos são da ordem de R$ 4,5 bilhões. A Operação Zelotes abrange ao menos 54 empresas e 70 processos. As investigações apontam que o conselheiro do Carf, Jorge Celso Freire da Silva, teria recebido R$ 500 mil para colocar um processo do Banco Santander na pauta de votação. A negociação aparece em gravações de conversas de acusados, feitas pela Polícia Federal. Um dos envolvidos seria Lutero Fernandes do Nascimento, também vinculado ao caso Safra. A acusação está amparada em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Em meio a seca, Califórnia ordena redução de 25% no consumo de água

O governador do Estado americano da Califórnia ordenou nesta quarta-feira (1º) que o consumo de água do Estado deve ser reduzido em 25%, em relação ao total de água gasto em 2013, antes do início da seca que atinge a região, no oeste dos Estados Unidos. As ações para se atingir essa economia, porém, ainda não foram definidas. A restrição é inédita na história da Califórnia. Em uma ordem executiva, Jerry Brown determinou que o Conselho de Recursos Hídricos do Estado trabalhe com agências locais para definir medidas que possibilitem a redução. Segundo autoridades do governo, a ordem deve impor cortes no consumo de água que afetariam consumidores residenciais, produtores agrícolas, cemitérios e proprietários de campos de golfe. A média de consumo por pessoa na Califórnia é de 605 litros/dia. No Estado de São Paulo, por exemplo, esse número é de 190 litros/dia. O governo diz ainda que está preparado para aplicar medidas punitivas — incluindo multas — para assegurar o cumprimento da nova norma, mas espera que isso não seja necessário. O anúncio desta quarta-feira foi feito durante a tradicional medição da camada de neve acumulada durante o inverno na estação Philips (a cerca de 145 km de Sacramento, no centro-norte do Estado), que ocorre todos os anos em 1º de abril. O acumulado deste inverno é o menor dos últimos 70 anos, segundo a medição oficial. "Este é o novo normal", disse o governador Brown: "Nós vamos aprender a lidar com isso". A grave seca que atinge o Estado fez com que o governador Jerry Brown decretasse estado de emergência na Califórnia em janeiro de 2014. O Estado já aplica multas para quem desperdiça água, em casos como lavar a calçada com mangueira ou instalar fontes de água sem sistema de recirculação. A primeira multa é de US$ 45,00 (R$ 142,00), mas pode chegar a US$ 500,00 (R$ 1.577,00) para quem for reincidente.

Governo zera imposto de importação de cápsulas e máquinas de café

O governo zerou, a partir desta quarta-feira (1º), o Imposto de Importação de cápsulas de café e das máquinas cafeteiras domésticas que operam especificamente a partir dessas cápsulas. A alíquota do imposto das cápsulas era de 10%, e das máquinas, 20%. A decisão saiu no Diário Oficial desta quarta-feira. A Camex (Câmara de Comércio Exterior), órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, informou que as reduções tarifárias fazem parte de conjunto de medidas para a criação de mercado e atração de investimentos no País para fabricação local de produtos com maior valor agregado. Segundo nota divulgada pelo órgão, a idéia é fomentar a criação de uma plataforma de exportação no Brasil desses produtos para a América Latina.

Dilma afirma que viagem aos Estados Unidos será uma visita de trabalho, não de Estado

A presidente Dilma Rousseff afirmou na terça-feira (31) que não fará uma visita de Estado aos Estados Unidos, mas, sim, uma visita de trabalho, o que tem uma simbologia menor nas relações diplomáticas. Dilma explicou a mudança como uma questão de agenda. "Se eu fosse fazer uma visita de Estado, teria que ser em março do ano que vem, mas já seria um período eleitoral (início das primárias nos Estados Unidos). Então eu não vou fazer uma visita de Estado. Provavelmente eu vou fazer uma visita de governo ainda neste ano", afirmou. As negociações para a realização da viagem foram retomadas no fim do ano passado, quando o governo americano fez gestos de reaproximação diplomática com o Brasil depois que a visita inicialmente agendada foi cancelada por causa do vazamento dando conta de que os Estados Unidos haviam espionado a presidente brasileira e a Petrobras. Dilma minimizou o caso e disse que as revelações de espionagem não interromperam a relação comercial entre os dois países. "Quando aconteceu aquele problema com a NSA, nós não paramos o nosso relacionamento", disse em meio a uma explicação sobre os interesses comerciais do Brasil nos Estados Unidos. Dilma se encontrará com o presidente americano, Barack Obama, na próxima semana, durante a realização da Cúpula das Américas, que acontecerá em 10 e 11 de abril, no Panamá. Dilma confirmou que o encontro será em uma reunião bilateral. Apesar de minimizar a situação, Dilma exigirá de Obama a exclusão de seu nome da lista de líderes estrangeiros espionados pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos, a NSA. Essa seria a condição para reagendar a visita de Estado a Washington, que ocorreria em outubro de 2013. Apesar do caso de espionagem, Dilma afirmou que o encontro com o colega americano será importante para a reafirmação da democracia no continente. Ela destacou ainda que, na agenda bilateral dos países, haverá discussão principalmente sobre a área de energia. A petista, no entanto, ressaltou que o mundo atual exige relações multilaterais dos países. "O Brasil tem relação histórica com os Estados Unidos. Mas, no mundo de hoje, precisamos buscar o multilateralismo, e não achamos que uma relação com um país se dá em detrimento do outro", disse. "É um gesto que eu acho simbólico para a América Latina. E por isso eu digo que me comoveu, porque ele rompe velhos preconceitos de lado a lado. E conduz a um outro caminho de possibilidades aqui na América Latina", completou.

Réu da Lava Jato quer buscar provas de pagamentos da Odebrecht no Exterior

Réu na Operação Lava Jato sob acusação de ter emprestado contas para o doleiro Alberto Youssef enviar recursos para fora do País, o empresário Leonardo Meirelles pediu autorização à Justiça para ir à China e a Hong Kong buscar provas sobre remessas ordenadas por empreiteiras. Um dos objetivos da viagem é tentar encontrar comprovantes de que a Odebrecht pagou propina fora do País para conseguir contratos na Petrobras. Meirelles é réu confesso na Lava Jato, não fez um acordo de delação premiada, mas vem contribuindo com a investigação com o objetivo de ter uma pena menor. Em depoimento à Justiça, na última terça-feira (31), o doleiro Alberto Youssef disse que a Odebrecht pagava propina fora do Brasil e usava uma empresa do Panamá chamada Constructora del Sur S/A para fazer as remessas para contas que ele controlava fora do Brasil. Youssef disse que recebeu dinheiro da Odebrecht em seu escritório para pagar suborno e que em um dos casos a propina foi paga pela OAS, integrante de um consórcio junto com a empreiteira. O doleiro citou que um desses pagamentos pode ter sido feito por meio de uma das contas de Meirelles. Disse que não tinha certeza se a conta era a de Meirelles ou de outro doleiro, Carlos Alberto Souza Rocha. Meirelles tem três contas na China e em Hong Kong pelas quais passaram cerca de US$ 140 milhões entre 2010 e 2013, segundo estimativa do próprio empresário. As contas eram abertas em nomes de empresas que Meirelles comprava quebradas, como a Labogen e a Piroquímica, e os recursos eram enviados à China e a Hong Kong simulando o pagamento de importação de produtos químicos. Os produtos nunca foram enviados ao Brasil, mas o dinheiro era usado para fazer pagamentos no Exterior, entre eles o de suborno para empreiteiras. Meirelles e Youssef tiveram uma sociedade na Labogen, laboratório que chegou a fazer uma parceria com o Ministério da Saúde para produzir o princípio ativo de um remédio que o País importa. A parceria foi rompida pelo ministério no ano passado após a Operação Lava Jato ter revelado que o ex-deputado federal André Vargas (ex-PT-PR) havia intermediado encontros para a Labogen conseguir o negócio com o governo Um delator da operação, o ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, entregou à Justiça comprovantes de pagamento que recebeu da Constructora del Sur em uma conta que mantinha na Suíça. Barusco disse ter recebido US$ 916,7 mil da Odebrecht por meio da empresa. A mesma empresa do Panamá foi usada para fazer pagamentos ao ex-diretor de Serviços da Petrobras, o petista Renato Duque, segundo documentos das autoridades de Mônaco. A Constructora del Sur tem todas as características de uma empresa de fachada, segundo investigadores da Lava Jato: seus supostos executivos são advogados que representam outras firmas. A Odebrecht nega ter feito qualquer pagamento ilícito para conseguir contratos da Petrobras, seja para executivos ou ex-executivos da estatal. Em nota, afirma que nunca fez nenhum tipo de negócio com a Construtora del Sur. "Não são verdadeiras as notícias que vêm sendo veiculadas que atribuem à Odebrecht a responsabilidade por pagamentos efetuados no exterior aos réus confessos Alberto Youssef e Pedro Barusco", diz.

Queiroz Galvão demite 70 funcionários e coloca outros 500 em aviso prévio

A construtora Queiroz Galvão ameaça paralisar as obras do Complexo Esportivo de Deodoro, na zona oeste do Rio de Janeiro, um dos principais centros de competição dos Jogos Olímpicos. A empresa, responsável pelas obras juntamente com a construtora OAS, demitiu 70 funcionários nesta quarta-feira (1) e colocou outros 500 operários em aviso prévio. O canteiro reúne 1.000 trabalhadores no total. Os demais funcionários podem ser demitidos já na semana que vem. Eles possuem contrato de experiência e não necessitam de aviso prévio. A empresa alegou aos empregados que não tem condições financeiras de mantê-los diante de atrasos nos pagamentos pela Prefeitura do Rio de Janeiro. A construtora iniciou as obras em agosto de 2014, mas só recebeu o primeiro pagamento em janeiro deste ano. Na ocasião, foram pagos cerca de R$ 60 milhões, referentes aos trabalhos executados até novembro. Desde então, não foram feitos novos pagamentos. O contrato total é de R$ 650 milhões e prevê remuneração mensal pelas obras. A situação é preocupante diante do prazo apertado para o início dos Jogos Olímpicos, que serão realizados em agosto de 2016. As obras do Complexo Esportivo de Deodoro já começaram atrasadas, diante da demora no processo de licitação e era um dos pontos de maior preocupação do COI (Comitê Olímpico Internacional). A obra deveria ser entregue pela Queiroz Galvão e pela OAS em dezembro deste ano para que houvesse tempo de realizar testes nos equipamentos. Inicialmente, a construção do complexo ficaria a cargo da União, mas as obras foram delegadas ao município. O governo federal repassou a verba do projeto para a Prefeitura do Rio de Janeiro, que ficou encarregada de licitar e fiscalizar a construção das arenas. A Queiroz Galvão é uma das empreiteiras envolvidas no escândalo de corrupção revelado pela Operação Lava Jato, justamente com a OAS, sua parceira no empreendimento. Ambas são acusadas de participar de um esquema de pagamento de propina a funcionários da Petrobras em troca de vantagens em licitações e contratos na estatal. A OAS protocolou seu recuperação judicial na terça-feira (31). Com R$ 8 bilhões em dívidas, a empresa avaliou que corria o risco de quebrar sem a proteção da Justiça. A Queiroz Galvão, que toca cerca de 30 canteiros de obras no País e emprega 22 mil funcionários, tem situação financeira mais confortável e não corre o risco de ficar insolvente no momento. Os atrasos nos pagamentos de obras públicas, contudo, preocupam à administração da companhia. As obras do VLT (veículo leve sobre trilhos) no trecho entre Santos e São Vicente, lideradas pela construtora, também estão ameaçadas. A Queiroz Galvão colocou 450 dos 800 funcionários que trabalham na obra em aviso prévio. Lá, a justificativa também é de que a falta de remuneração torna inviável mantê-los empregados. O contrato do empreendimento, tocado por um consórcio formado pela Queiroz Galvão e a Trail Infraestrutura, é de cerca de R$ 300 milhões e foi firmado em 2013. Desde outubro do ano passado, porém, não foram feitos pagamentos e hoje já há cerca de R$ 30 milhões atrasados.

Vale vende sua fatia na usina de Belo Monte

A mineradora Vale informou nesta quarta-feira que concluiu a transação com a Cemig Geração e Transmissão para vender 49% de sua participação no projeto da usina hidrelétrica de Belo Monte. A transação estava sendo negociada desde 19 de dezembro de 2013. Segundo a companhia, a aquisição foi feita pelo pagamento em caixa de um valor de aproximadamente 305 milhões de reais. Após a obtenção das aprovações legais e o cumprimento de todas as condições precedentes à transação, a Vale transferiu a sua participação de 9% na Norte Energia S.A., empresa responsável pela construção, operação e exploração de Belo Monte, para a sua subsidiária Aliança Norte Energia Participações (Aliança Norte). Na sequência, a Cemig GT adquiriu 49% das ações da Aliança Norte, correspondente a uma participação indireta de 4,41% na Norte Energia S.A. "A participação indireta da Vale no capital da Norte Energia, agora reduzida a 4,59%, nos garante o direito de adquirir 9% da energia elétrica gerada pela usina, através de contrato de longo prazo firmado em 2012. Ao mesmo tempo, há a expectativa de redução, na mesma proporção, da prestação pela Vale das garantias associadas à estrutura de financiamento do projeto Belo Monte", disse a mineradora em comunicado ao mercado.

Ford demite 137 operários em Taubaté devido à queda na produção

A Ford demitiu 137 funcionários da fábrica de motores de Taubaté, no interior paulista, que estavam em lay-off (contratos suspensos) há oito meses e deveriam retornar ao trabalho nesta quarta-feira. A unidade emprega aproximadamente 1,7 mil trabalhadores. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, a Ford vai pagar aos demitidos 83% do salário por ano trabalhado. Para os trabalhadores com restrição médica, o porcentual sobe para 140%. São os mesmos valores pagos a quem aderir ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) em vigor na empresa. Em nota, a Ford informou que fez as dispensas em razão da queda do volume de produção. Disse ainda que discutiu, em conjunto com o sindicato, várias possibilidades para tentar solucionar esse excedente, mas as alternativas "foram insuficientes para manter os contratos de trabalho". Na fábrica de São Bernardo do Campo (SP), a Ford vai dispensar todos trabalhadores da produção de carros e caminhões de 6 a 13 de abril, numa extensão do feriado da Páscoa, a exemplo do que vem fazendo outras empresas como Fiat, Mercedes-Benz e Scania.

Ajuste fiscal do governo federal começa a paralisar obras

A Queiroz Galvão demitiu nesta quarta-feira cerca de 70 funcionários e colocou em aviso prévio mais de mil trabalhadores do Complexo Esportivo de Deodoro, que sediará 11 modalidades da Olimpíada no próximo ano. A obra teve início em 2014 e será convertida em um parque depois dos Jogos. Do total de trabalhadores avisados sobre o risco de demissão hoje, cerca de 500 têm de cumprir os 30 dias de aviso prévio previstos em lei e outros 500 foram comunicados informalmente, uma vez que estão em período de experiência e podem ser desligados mais rapidamente. Estes foram avisados nesta quarta-feira de que podem ser afastados já na próxima semana, se não houver perspectiva de pagamento. Responsável pela obra, a construtora vem sofrendo com atrasos em pagamentos devidos pela Prefeitura do Rio, que repassa recursos federais para o empreendimento. Segundo fontes do mercado, a Queiroz Galvão teria recebido no começo do ano um único pagamento de cerca de R$ 60 milhões, mas outros R$ 80 milhões já deveriam ter sido pagos à empresa desde o começo do ano por avanços na obra, com orçamento total de R$ 640 milhões. O ritmo do empreendimento está adequado para sua conclusão antes da Olimpíada, mas, se os pagamentos não forem colocados em dia até o fim de abril, os funcionários em aviso prévio poderão efetivamente ser dispensados a partir dos próximos dias, a começar por aqueles em experiência. Os mil trabalhadores informados hoje sobre a situação do consórcio, composto por Queiroz Galvão (99%) e OAS (1%) compõem praticamente 100% da mão de obra envolvida diretamente na construção do complexo. As demissões efetivas, portanto, colocariam em risco a sua conclusão para a realização dos jogos. Segundo fontes do mercado, a situação do complexo esportivo não é a única em que a Queiroz Galvão vive nessa situação delicada. Pagamentos com origem no orçamento federal também estão em atraso para a conclusão do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da Baixada Santista, onde outros cerca de 450 trabalhadores foram colocados em aviso prévio nesta quarta-feira e mais 70 foram demitidos. No consórcio desse empreendimento estão Queiroz Galvão (66%) e Trail Infraestrutura (34%). Este empreendimento de mobilidade urbana faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e recebeu o último pagamento ainda em 2014. 

Catarinense Rafael Monteiro é o grande campeão da 2ª etapa do Circuito Brasileiro de Pôquer, em BC


O título de campeão da segunda etapa do BSOP – Brazilian Series of Poker ficou “em casa”. Após cinco dias de evento, o catarinense Rafael Lirola Monteiro triunfou sobre outros oito jogadores na mesa final e levou para casa o prêmio de R$ 329.550,00, além do troféu e do bracelete. A classificação final do BSOP Balneário Camboriú foi a seguinte:
1. Rafael Lirola Monteiro (Florianópolis / SC) - R$ 329.550,00
2. Christiano Franco (Belo Horizonte / MG) - R$ 233.300,00
3. Wender Oliveira (Maringá / PR) - R$ 212.700,00
4. Micael Ferrone (São Paulo / SP) - R$ 121.900,00
5. Guilherme Koche (Palmas / TO) - R$ R$ 94.360,00
6. Alexandre Fracari (São Paulo / SP) - R$ R$ 69.450,00
7. Marcus Porpino (Belém / PA) - R$ 50.480,00
8. Juan Pablo Gossn (Argentina) - R$ 36.050,00
O torneio entrou para a história como o maior já realizado fora de São Paulo, com 966 entradas, superando o recorde que até então pertencia a Florianópolis, em 2014 (774 inscritos), por uma margem considerável. A próxima etapa do BSOP será em Rio Quente (GO), entre os dias 21 e 25 de maio. (TVJurerê)

FBI confirma morte de um dos terroristas mais procurados do mundo

O FBI confirmou nesta quarta-feira que Zulkifli bin Hir, um dos terroristas mais procurados pela polícia federal americana, foi morto numa ofensiva nas Filipinas em janeiro. O Departamento de Estado americano oferecia 5 milhões de dólares pela prisão de Bin Hir, membro malaio do grupo Jemaah Islamiyah, ligado à Al Qaeda, que esteve por trás de numerosos ataques a bomba nas Filipinas. Os investigadores disseram que tiveram dificuldades para confirmar a morte de Bin Hir, ocorrida em uma operação que não saiu como planejado e provocou a morte de mais de 40 agentes. A confirmação veio depois de uma revisão de todos os dados forenses e informações obtidas das Filipinas. A operação, no dia 25 de janeiro, resultou na morte de 44 agentes de elite. "O FBI expressa suas sinceras condolências aos bravos oficiais da Força de Ação Especial que perderam suas vidas ao tentar capturar esse perigoso fugitivo", disse o diretor assistente interino do FBI em Los Angeles, David Bowdich. Três anos atrás, o Exército filipino informou que Bin Hir havia morrido em um ataque aéreo, mas o terrorista reapareceu no ano passado na ilha de Mindanao sob a proteção do grupo dissidente Frente Moro de Libertação Islâmica. Bin Hir é o segundo a ser retirado da lista de terroristas mais procurados em um mês. Em março, Liban Haji Mohamed foi capturado. O ex-motorista de táxi do Norte da Virgínia era procurado por tentar recrutar jihadistas para a organização terrorista Al Shabab.

CNI-Ibope: 3 em cada 4 brasileiros não confiam em Dilma.



A presidente Dilma Rousseff atingiu em março o pior nível de popularidade desde o início do seu governo, em 2011, segundo pesquisa realizada pelo Ibope a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A confiança na presidente caiu para 24%. Outros 74% dos entrevistados disseram que não confiam em Dilma e 3% não quiseram ou não souberam responder. Segundo a pesquisa, o governo Dilma é avaliado como ótimo ou bom por 12% dos brasileiros. É o pior desempenho de um presidente em início de mandato desde o primeiro ano do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1999. Os que consideram o governo regular atingiram 23% e os que o avaliam como ruim ou péssimo são 64%. Em dezembro, a primeira pesquisa CNI/Ibope após a reeleição de Dilma, a avaliação do governo como ótimo ou bom era de 40%. No fim do ano, 32% apontavam o governo como regular e 27%, como ruim e péssimo. Já aprovação ao governo atingiu 19% em março, contra 52% em dezembro. A desaprovação ao governo subiu para 78% no mês passado, ante 41% registrado em dezembro. O Ibope ouviu 2.002 pessoas em 142 cidades entre 21 e 25 de março, com margem de erro de dois pontos porcentuais e nível de confiança no resultado de 95%. Na última pesquisa, realizada em dezembro, a presidente Dilma tinha a confiança de 51% dos brasileiros. Não confiavam na presidente 44% dos entrevistados, naquele levantamento CNI/Ibope. O pico de popularidade de Dilma ocorreu em março de 2013, quando atingiu 75% de confiança. Logo em seguida, em julho daquele ano, após as manifestações de junho, a confiança na presidente caiu para 45%.

Contra Eduardo Cunha

Coelho no STF seria derrota para Cunha
Coelho no STF seria derrota para Cunha
A escolha de Marcos Vinícius Furtado Coelho, presidente da OAB, para a vaga aberta no STF, significaria uma baita derrota para Eduardo Cunha. Não é que Cunha não goste da OAB. Ele a odeia. O ódio pela ordem começou na gestão de Ophir Cavalcanti, quando o então presidente da OAB criticou publicamente a escolha de um economista, como Cunha, para relatar o futuro Código de Processo Civil. Após as críticas, Paulo Teixeira, advogado, assumiu a relatoria. Desde aquele episódio, Cunha abraçou o movimento do bacharelado, que contesta a exigência do exame da ordem para exercer a advocacia. Mas, recentemente, Cunha confessou a aliados que a bandeira rendeu tantos votos que agora ele apoia o fim do exame também por interesse eleitoral. Por Lauro Jardim

Advogados da Caixa Econômica Federal no caso Francenildo nem sequer defenderam o banco, mas vão recorrer

Francenildo: advogados da Caixa não o defenderam
Francenildo: advogados da Caixa não o defenderam
No julgamento do caso do caseiro Francenildo dos Santos Costa contra a Caixa Econômica, na semana passada, em Brasília, chamou a atenção dos desembargadores do Tribunal Regional Federal a falta de empenho dos advogados da estatal. Sequer fizeram a sustentação oral em defesa do banco. No entanto, avalia um desembargador, a Caixa deve apresentar um recurso especial ao STJ, prolongando ainda mais o caso. Por Lauro Jardim

CPERS MANDA TROPA DE CHOQUE VAIAR SARTORI NA CARAVANA DA TRANSPARÊNCIA

Sob o comando da agenda do PT, o Cpers saiu para a estrada no encalço da Caravana da Transparência comandada pelo governador José Ivo Sartori. Ao mesmo tempo que negociam nos salões refrigerados do Piratini, os professores mandou suas tropas de choque vaiarem o governo em Passo Fundo e Ijuí, segunda e terça-feiras. O PT irá vaiar mais tarde, visitando as mesmas cidades percorridas por Sartori. A agenda do governo irá até o dia 12. Em cada município, a exposição principal corre por conta do secretário da Fazenda, Giovani Feltes.

DILMA CALOTEIA R$ 170 MILHÕES DEVIDOS A 110 MUNICÍPIOS DO RS. CALOTE ATINGE ATÉ MERENDA ESCOLAR PARA CRIANÇAS POBRES

A Famurs fez as contas e começou a cobrar R$ 170 milhões que o governo federal acumulou de dívidas ao longo dos últimos quatro anos para 110 municípios gaúchos. Tudo por conta de valoes devidos para crianças do pré-escolar. O governo Dilma cortou até dinheiro de merenda escolar dos meninos pobres.

VINTE E SEIS RENOMADOS NOMES DO MUNDO DO DIREITO ESTÃO NA LISTA DO HSBC DA SUIÇA


Arnaldo Malheiros Filho, Carlos Antonio Navega, José Roberto Opice, Paulo Razuk, Sérgio Mazzillo e Valter Uzzo estão na lista do HSBC com contas na Suiça. A lista de 26 nomes foi levantada pelo UOL e por O Globo, segundo informa nesta quarta-feira o jornalista Fernando Rodrigues, o único jornalista brasileiro com acesso ao Swissleaks. Os nomes do pessoal do mundo do Direito incluem personalidades muito conhecidas. Procurados, alguns negaram tudo e outros não quiseram falar sobre o assunto. Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo, um ex-procurador-geral de Justiça do Rio e uma ex-defensora pública-geral de Pernambuco estão relacionados a contas da agência do HSBC em Genebra, na Suíça. Também aparecem no acervo de dados vazado do banco sócios e ex-sócios de alguns dos maiores escritórios de advocacia do País: Machado, Meyer, Sendacz e Opice; Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga; Levy e Salomão; e Trench, Rossi e Watanabe.

CRISE OBRIGA AZUL A DEMITIR 700 E CORTAR SERVIÇOS PARA 23 CIDADES

A direção da empresa aérea Azul visitou o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, e comunicou a ele que cortou os serviços para 11 cidades, fará isto em outras 12 e além disto começou a demitir 700 trabalhadores. É a crise pegando feio na economia nacional e gerando muitas dezenas de milhares de demissões no País inteiro. É o grande serviço produzido pelo PT e por Dilma e Lula. 

PLANO DE PRIVATIZAÇÃO DO AEROPORTO SALGADO FILHO COMEÇA A ANDAR

O ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, conseguiu incluir o aeroporto Salgado Fiolho na lista dos três primeiros planos de manifestação de interesse que constarão do decreto presidencial a ser assinado a qualquer momento. Vão para empresas privadas os aeroportos de Porto Alegre, Florianópolis e Salvador. O decreto dos PMIs depende da assinatura de Dilma Roussef. Mas os leilões de privatização propriamente ditos somente são esperados para o início do ano que vem. O ex-governador Olívio Dutra e o PT, que passaram toda a vida juvenil e adulta jurando que nunca aceitariam ver o setor público vender sequer um parafuso, já nada falam, porque sequer ouvem e enxergam.

BARUSCO, O DELATOR DOS US$ 100 MILHÕES, APRESENTA PROVAS CONTRA PROPINAS PAGAS PELA ODEBRECHT


Os investigadores da Operação Lava Jato agora têm provas de que a empreiteira Norberto Odebrecht fez pagamentos de propina a funcionários da Petrobras. O ex-gerente de Engenharia, Pedro Barusco, guardou os comprovantes de depósito feitos pela offshore Constructora Internacional Del Sur, empresa que, de acordo com os investigadores, era controlado pela companhia para operar o dinheiro de corrupção em paraísos fiscais. Barusco recebeu dinheiro da offshore por meio de uma conta bancária aberta por ele em 2008 em nome da offshore Pexo Corporation. Ele disse ter conseguido "identificar o recebimento de quase US$ 1 milhão depositados pela Odebrecht" nesta conta. As cópias dos comprovantes entregues por eles aos investigadores da Lava Jato comprovam pelo menos dez depósitos realizados em 2009 pela offshore da Odebrecht à offshore de Barusco. Ontem, foi identificado que o ex-diretor de Serviços da Petrobras, o petista Renato Duque, também recebeu propina por meio dessa offshore no Principado de Mônaco. Ele recebeu dois depósitos em novembro de 2009, que somavam US$ 875 mil.

Estas são as 74 empresas investigadas pela Operação Zelotes

Confira a lista das empresas que são investigadas pela Polícia Federal na Operação Zelotes. e os valores contestados. Do Rio Grande do Sul estão incluídos Copesul, RBS, Gerdau, Marcopolo, Avipal/Granóleo, Mundial-Eberle e Grupo Évora (antiga Petropar, da família Ling, patrocinadora do Instituto Ling).
Banco Santander - R$ 3,34 bilhões
Banco Santander 2 - R$ 3,34 bilhões
Bradesco - R$ 2,75 bilhões
Ford - R$ 1,78 bilhões
Gerdau - R$ 1,22 bilhões
Boston Negócios - R$ 841,26 milhões
Safra - R$ 767,56 milhões
Huawei - R$ 733,18 milhões
RBS - R$ 671,52 milhões
Camargo Correa - R$ 668,77 milhões
MMC-Mitsubishi - R$ 505,33 milhões
Carlos Alberto Mansur - R$ 436,84 milhões
Copesul - R$ 405,69 milhões
Liderprime - R$ 280,43 milhões
Avipal/Granoleo - R$ 272,28 milhões
Marcopolo - R$ 261,19 milhões
Banco Brascan - R$ 220,8 milhões
Pandurata - R$ 162,71 milhões
Coimex/MMC - R$ 131,45 milhões
Via Dragados - R$ 126,53 milhões
Cimento Penha - R$ 109,16 milhões
Newton Cardoso - R$ 106,93 milhões
Bank Boston banco múltiplo - R$ 106,51 milhões
Café Irmãos Júlio - R$ 67,99 milhões
Copersucar - R$ 62,1 milhões
Petrobras - R$ 53,21 milhões
JG Rodrigues - R$ 49,41 milhões
Evora - R$ 48,46 milhões
Boston Comercial e Participações - R$ 43,61 milhões
Boston Admin. e Empreendimentos - R$ 37,46 milhões
Firist - R$ 31,11 milhões
Vicinvest - R$ 22,41 milhões
James Marcos de Oliveira - R$ 16,58 milhões
Mário Augusto Frering - R$ 13,55 milhões
Embraer - R$ 12,07 milhões
Dispet - R$ 10,94 milhões
Partido Progressista - R$ 10,74 milhões
Viação Vale do Ribeira - R$ 10,63 milhões
Nardini Agroindustrial - R$ 9,64 milhões
Eldorado - R$ 9,36 milhões
Carmona - R$ 9,13 milhões
CF Prestadora de Serviços - R$ 9,09 milhões
Via Concessões - R$ 3,72 milhões
Leão e Leão - R$ 3,69 milhões
Copersucar 2 - R$ 2,63 milhões
Construtora Celi - R$ 2,35 milhões
Nicea Canário da Silva - R$ 1,89 milhão
Mundial - Zivi Cutelaria - Hércules - Eberle - Não Disponível
Banco UBS Pactual SA N/D
Bradesco Saúde N/D
BRF N/D
BRF Eleva N/D
Caenge N/D
Cerces N/D
Cervejaria Petrópolis N/D
CMT Engenharia N/D
Dama Participações N/D
Dascan N/D
Frigo N/D
Hidroservice N/D
Holdenn N/D
Irmãos Júlio N/D
Kanebo Silk N/D
Light N/D
Mineração Rio Novo N/D
Nacional Gás butano N/D
Nova Empreendimentos N/D
Ometo N/D
Refrescos Bandeirantes N/D
Sudestefarma/Comprofar N/D
TIM N/D
Tov N/D
Urubupungá N/D
WEG N/D

Eis que surge o verdadeiro coordenador político de Dilma: Joaquim Levy!

Eita! Eis que, não mais que de repente, surge um coordenador político no governo. É o mais improvável de todos eles: Joaquim Levy, ministro da Fazenda. Aquele que estreou no comando da economia classificando de tosca a forma como o governo Dilma desonerou a folha de pagamentos; aquele que disse num seminário fechado que é genuína a vontade da presidente de endireitar o Brasil, embora ela seja pouco efetiva; aquele que previu recessão, quando, na sua posição, esperavam que se calasse; que tem um ar, assim, meio “nerd”, com uma aparência algo alienada dos problemas mundanos; que é chamado pelos petistas e pelas esquerdas de “neoliberal”; que parece preferir se esconder em olhos miúdos, tornados ainda menores pelas lentes da miopia; que semelha ter certa obstinação alheia às vicissitudes do mundo real… Eis que este senhor foi o único capaz de dar ao menos uma freada na máquina de moer Dilma em que se transformou o Congresso. Atenção! A presidente da República tem nada menos do que nove coordenadores políticos. Por isso mesmo, o que ela mais colhe são desastres. Lembram aquela piada de quantos petistas são necessários para trocar uma lâmpada? Resposta: nove! Um para segurar a dita-cuja e oito para girar a escada. Levy falou nesta terça-feira na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Convenceu os parlamentares a adiar para a próxima terça-feira a votação que obriga o governo a renegociar a dívida dos Estados e municípios, conforme lei já aprovada pelo Congresso e sancionada por Dilma. O ministro propôs que o novo índice de correção da dívida só comece a ser aplicado a partir de 1º de fevereiro do ano que vem, quando, então, se saberá se o governo terá ou não cumprido a meta fiscal. O que, a partir de agora, for pago segundo a lei anterior seria posteriormente ressarcido. Rio de Janeiro e São Paulo, as duas cidades mais interessadas nas novas regras, concordaram com o adiamento. Levy falou longamente sobre a necessidade de “endireitar” a economia, para usar palavra sua, e fez ver aos senadores que o eventual malogro do ajuste fiscal levará as agências de classificação de risco a rebaixar o País, o que seria catastrófico. Sua intervenção foi bem recebida por governistas e oposicionistas. O ministro obteve numa conversa o êxito que os nove trapalhões de Dilma não obtiveram, a despeito de sua frenética movimentação. Isso demonstra que o Congresso pode, sim, ser suscetível a um bom argumento e à honestidade de propósitos. Ninguém precisa gostar de Levy ou de suas medidas. Mas ele é um homem correto. Em entrevista à Agência Bloomberg, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o governo “prepara um grande corte” de gastos. Estima-se que o Orçamento possa ficar entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões menor. Dados divulgados nesta terça-feira mostraram que o Governo Central, no mês, teve um déficit de R$ 7,357 bilhões, com um acumulado negativo de R$ 24,9 bilhões em 12 meses. Se esse ritmo não mudar, o país não conseguirá cumprir a meta de superávit primário de 2015: 1,2% do PIB — ou R$ 66 bilhões. O que fará Dilma Mãos de Tesoura? Bem, agora ela tem um coordenador político, não é? Coloque Levy para negociar. Se ele não conseguir, melhor dizer adeus às armas… Por Reinaldo Azevedo

NÃO É SÓ O PT, NÃO! LULA TAMBÉM ESTÁ MORTO! NOME DO FILME: “ADEUS, LULA!”

É uma delícia ser lido por uma esmagadora maioria de sabidos, mas vocês entendem, não é? Blogs ainda não contam com mata-burro. Quando escrevo que o PT está morto, alguns quadrúpedes acham que estou prevendo o fim do partido para amanhã. Não! O que estou dizendo é que o projeto hegemônico da legenda foi por água abaixo. Acabou! Não haverá a ditadura do astro-rei, em torno do qual orbitariam não mais do que satélites. Chegamos a correr, sim, esse risco. Da mesma sorte, quando afirmo que Lula está acabado, não estou antevendo para breve a sua passagem — sim, todos passaremos, não é?, eu também… O chefão do PT vive, mas o demiurgo está morto. Não tem mais como se apresentar como a voz de Deus ou como um seu intermediário. Em quatro meses, o discurso do Babolorixá de Banânia envelheceu 40 anos. Nesta terça-feira, Lula reuniu sindicalistas e ditos líderes de autoproclamados “movimentos sociais” no Sindicato dos Bancários de São Paulo num ato, quem diria?, em defesa da Petrobras e contra a corrupção. Que coisa! Vejam trecho de seu discurso, que está no YouTube. Volto em seguida. 


Como se nota, para o petista, a corrupção na Petrobras é obra de uma pessoa ou outra, o objetivo era só enriquecer alguns larápios, o dinheiro não foi enviado para os partidos políticos, e ele próprio, Lula, é o brasileiro mais indignado com a roubalheira. O poderoso chefão fez esse discurso no dia em que ficamos sabendo que Alberto Youssef disse ter entregado, pessoalmente, grana para a cunhada de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT. Mais: um funcionário seu, afirmou o doleiro, deixou uma mala de dinheiro na sede do PT nacional, em São Paulo. No evento, José Sérgio Gabrielli, o petista que presidiu a Petrobras durante a lambança, foi saudado como herói. E Lula desafiou qualquer pessoa a provar que o aliado cometeu alguma irregularidade. É uma pena que seja tão preguiçoso para ler. Já confessou que até Chico Buarque lhe dá sono (não há como censurá-lo por este particular…). Oscar Wilde, então, nem pensar. Não fosse essa preguiça, o ex-presidente deveria se dedicar ao romance “O Retrato de Dorian Gray”, que recomendo vivamente a todos os leitores. Dorian é um rapaz notavelmente bonito, que tem sua figura estampada num retrato. Por circunstâncias várias, leiam lá, consegue a eterna juventude, e quem envelhece em seu lugar é o retrato. Leva uma vida dissoluta e sem limites, provoca uma série de desastres à sua volta, mas não perde a juventude. A imagem do retrato, no entanto, vai envelhecendo e estampando os horrores de sua alma. Quem leu sabe como termina. Quem não leu deve fazê-lo. Lula era o Dorian Gray da política — não pelos dotes físicos, claro!, mas, como diria Camões, pelos transes da ventura, da sorte. As barbaridades perpetradas pelo PT e pelos governos petistas nunca haviam vincado a sua imagem. Permanecia, aos olhos de milhões, o líder popular impoluto, em quem nada colava. Escândalo do mensalão? Ele proclamava: “É golpe!”. E a farsa prosperava, com a colaboração da máquina maligna do petismo, infiltrada em todas as esferas do estado brasileiro, na imprensa, nas ONGs, nos tais movimentos sociais. Um bando de larápios foi flagrado comprando um dossiê para incriminar adversários? Lula mandava ver: “São aloprados! Nada têm a ver com o PT”. Dorian desfrutava o mundo e destruía pessoas com seu hedonismo irresponsável; Lula, com a sua tagarelice agressiva, compulsiva e rasa. Mas o retrato do chefão — e o do PT — iam envelhecendo no porão da história. As marcas iam ficando. E finalmente se quebrou o encanto. Não! Essa narrativa não terá, como a outra, um momento de arrependimento e contrição para pôr fim à monstruosidade moral. Não há, no companheiro, resquício de consciência culpada. É a população que, finalmente, colou o retrato de Lula — aquele líder inventado pelas esquerdas universitárias e pela imprensa — ao Lula que realmente existe. Assistam ao vídeo de Lula na reunião desta terça-feira com os petistas. O líder está velho. Está acabado. Está passado. Não me refiro à decadência física, de que todos somos vítimas. Falo é da decadência moral mesmo, ética, espiritual se quiserem. Num dado momento, diz o mito decadente: “Porque hoje, se tem um brasileiro indignado sou eu. Indignado com a corrupção”. Que patético! Não! Há muitos milhões de brasileiros muito mais indignados. Há muitos milhões de brasileiros que já não caem mais nessa conversa. Há muitos milhões de brasileiros que enxergam na cara do próprio Lula as marcas dos governos petistas.
O PT está morto. Lula está morto. Mas o Brasil vive nas ruas, nas pessoas que trabalham, que estudam, que trabalham e estudam. E Lula e o PT não as representam. Por Reinaldo Azevedo

Retração industrial acumula perdas de 7,1% no primeiro bimestre

A indústria já começou o ano com perdas significativas em sua produção. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quarta-feira, a produção industrial recuou 7,1% no primeiro bimestre na comparação com o mesmo período de 2014. Na comparação de fevereiro com janeiro, a queda foi de 0,9% – no primeiro mês do ano a atividade havia avançado 0,3%, na série já com ajustes sazonais. Ainda de acordo com o IBGE, a produção do setor recuou 9,1% em fevereiro ante o mesmo mês do ano passado. Esta é a 12ª taxa negativa consecutiva e a mais intensa nessa comparação desde julho de 2009. A expectativa de analistas era de que a produção tivesse recuo de 1,6% em fevereiro sobre o mês anterior e 10,25% na base anual. No primeiro bimestre do ano, quatro grandes categorias econômicas, 24 dos 26 ramos, 63 dos 79 grupos e 69,2% dos 805 produtos pesquisados apontaram recuo na produção. De acordo com o instituto, o principal impacto negativo entre os setores foi o de veículos automotores, reboques e carrocerias, cujo recuo foi de 24,7%. Cerca de 90% dos produtos que compõem a atividade tiveram redução de produção no período. Também tiveram um peso negativo significativo os setores de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (queda de 29,4%), de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (6,5%), de máquinas e equipamentos (10%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (19,2%), de produtos de metal (11,5%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (17,1%), de produtos alimentícios (2,9%), de produtos de minerais não-metálicos (7,2%) e de metalurgia (4,7%). “Por outro lado, entre as duas atividades que ampliaram a produção, a principal influência foi observada em indústrias extrativas (10,9%), impulsionada, em grande parte, pelo crescimento na extração de minérios de ferro pelotizados e de óleos brutos de petróleo”, comenta o IBGE.

Balança comercial registra o primeiro superávit do ano em março

As exportações brasileiras superaram as importações em 458 milhões de dólares em março, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, nesta quarta-feira. Foi o primeiro mês do ano que as transações comerciais tiveram superávit, ou seja, houve mais vendas do que compras do Exterior. Em janeiro, a balança comercial registrou déficit de 3,17 bilhões de dólares e, em fevereiro, o resultado ficou negativo em 2,84 bilhões de dólares. Em março do ano passado, a balança teve um superávit de 118 milhões de dólares. O saldo positivo superou o teto das expectativas de mercado, que apontavam para um déficit comercial de 450 milhões de dólares a um superávit de 100 milhões de dólares, de acordo com levantamento feito com 21 instituições. A mediana das estimativas apontava para um déficit de 400 milhões de dólares. Segundo o governo, as exportações recuaram 16,8% em março, na comparação com o mesmo período do ano passado, por conta da retração das vendas de básicos (-29,7%) e manufaturados (-6,1%). Já os produtos semimanufaturados registraram avanço de 8,8% no mês passado. Do lado das importações, houve queda de 18,5% na comparação com março do ano passado. Os combustíveis e lubrificantes registraram queda de 28% nas importações, as matérias-primas e intermediários de 18,8%, os bens de capital de 16,3% e os bens de consumo de 13,7%. No acumulado do primeiro trimestre, a balança continua no vermelho, com déficit de 5,55 bilhões de dólares. As exportações somaram 42,77 bilhões de dólares no primeiro trimestre deste ano e as importações totalizaram 48,33 bilhões de dólares. No ano passado, o déficit no primeiro trimestre do ano foi maior, de 6,07 bilhões de dólares. 

Dilma no Ibope: nem pneumotórax nem tango argentino são alternativas. Ela pode tentar sair do PT. Quem sabe…

Pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quarta indica que apenas 12% dos brasileiros consideram o governo ótimo ou bom, contra 64% que o veem como ruim/péssimo. Para 23%, ele é regular. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. O instituto ouviu 2.002 pessoas em 142 cidades, entre 21 e 25 de março. Os números são compatíveis com a pesquisa Datafolha divulgada no dia 18: 13% de ótimo ou bom e 62% de ruim ou péssimo. Ainda segundo o Ibope, apenas 24% dizem confiar na presidente, contra 74% que não confiam. Apenas 19% aprovam o governo, contra 78% que o desaprovam. Resultado assim só nos piores momentos dos governos Sarney e Collor. O que significam esses números e o que eles implicam? Vamos lá. Comecemos pelo significado: a inflação está acima de 8%; os juros, em 12,75%; e a economia, em recessão. Dilma foi obrigada a cortar gastos e a dar choque de tarifa na energia elétrica em razão da herança maldita que recebeu. Ocorre que essa herança vem do… primeiro governo Dilma. É crescente a sensação — endossada pelos fatos — de que a Petrobras era um covil. E é evidente que isso contamina o governo. O que esses números implicam? Que os protestos de rua vão continuar porque a insatisfação é grande, vai se generalizando, e as respostas do governo e do partido oficial, o PT, até aqui são pífias — quando não atentam contra o prestígio da própria Dilma. Desde o início, o partido cometeu o erro estúpido de achar que se tratava de um descontentamento restrito ao que o partido tachava de “elite”. Nem Lula, na sua megalomania falastrona, diria que 78% dos brasileiros agora pertencem à… elite. Enquanto os petistas continuarem a protagonizar os espetáculos de cinismo como o visto nesta terça-feira, no Sindicato dos Bancários, pior será a reação dos brasileiros. Num suposto ato em defesa da Petrobras, Lula e Rui Falcão praticamente cobraram que José Sérgio Gabrielli, que presidiu a estatal durante o período da sem-vergonhice explícita, fosse ovacionado como herói. Embora reconhecendo o direito que têm as pessoas de protestar (só faltava fazer o contrário), o chefão petista insistiu na tese de que a ladroagem era obra de alguns indivíduos que buscavam enriquecer e negou que a dinheirama tenha sido desviada para partidos políticos. Nas redes sociais e nos blogs sujos — financiados com dinheiro oficial —, a palavra de ordem é demonizar ainda mais os adversários, os críticos e os descontentes, o que, obviamente, só extrema o… descontentamento. Desde o começo dessa crise, tenho insistido na tese de que o PT e Lula ainda não entenderam que houve uma mudança de qualidade na sociedade brasileira. O velho discurso não cola mais. Num texto nesta manhã, afirmei que tanto o PT como Lula morreram. Alguns tontos insistem em não entender. O PT morreu como partido com tentações hegemônicas, e Lula morreu como demiurgo, capaz de reduzir todas as divergências a suas antevisões fantasiosas. Não sei, a esta altura, se Dilma tem saída. Mas estou convicto que de que ela pode tentar aquela que seria a sua única possibilidade: deixar o PT, despetizar o governo e o Estado e tentar um governo dos virtuosos, nos estritos limites das instituições, sem discurso salvacionista. À diferença daquele poema de Manuel Bandeira, nem o pneumotórax nem o tango argentino são alternativas para a presidente. Por Reinaldo Azevedo

Dilma afirma que governo prepara "grande corte" de gastos

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira (31) que o governo prepara um "grande corte" nos gastos. "Agora é a nossa vez. Vamos conter nossos gastos", disse Dilma em entrevista à agência Bloomberg, poucas horas depois de o Banco Central divulgar os dados sobre o resultado fiscal do setor público em fevereiro. O setor público (governo central, estatais, Estados e municípios) teve deficit primário de R$ 2,3 bilhões em fevereiro e acumula um superavit primário de R$ 18,8 bilhões nos dois primeiros meses do ano, 15% menos que no mesmo período do ano passado. O resultado de fevereiro torna mais difícil a obtenção da meta de superavit primário de 1,2% do PIB neste ano –equivalente a R$ 66 bilhões. Com o agravamento do cenário, a presidente afirmou nesta terça que prepara um grande enxugamento em todas as atividades administrativas. "Eu farei tudo para atingir 1,2%, não é só uma questão de crença, é de ação política." Segundo ela, o governo vai ter de racionalizar gastos e "defasar outros". "Vamos criar vários mecanismos. Diria que essa é a parte em que o governo entra e o nosso pedaço vai ser grande."

Forças Armadas começam a deixar Complexo da Maré no Rio de Janeiro

As Forças Armadas começaram a deixar o complexo da Maré, zona norte do Rio de Janeiro, para dar lugar à Polícia Militar, na madrugada desta quarta-feira (1º), de acordo com a Rádio CBN Rio. No local será instalada uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). A nova unidade, a primeira em 2015, terá como bases principais duas comunidades dominadas por uma milícia. A expectativa é que até junho a Secretaria de Segurança Pública encerre todo o processo de instalação da UPP no local. Apesar do secretário José Mariano Beltrame negar uma interrupção no projeto, o plano inicial é que a instalação da UPP seja paralisada este ano e retomada apenas em fevereiro de 2016. "Absolutamente (isso não) é recuar. A avaliação que fizemos durante 90 dias demonstra que podemos avançar com solidez. É o fim do início das UPPs. Nós avançamos diminuindo índices históricos de criminalidade", afirmou Beltrame, durante a posse do novo comandante militar do Leste, o general Fernando Azevedo e Silva, na manhã desta segunda (30). O secretário lembrou que a segurança pública é um "paciente febril". "Difícil de se vencer, vai manter esse estado febril, vai ter pico e uma hora vai diminuir. Mas é uma situação difícil. E ainda há a crise econômica pela qual passa o país, e que sem dúvida nenhuma poderá ter reflexos para a segurança pública levando vocês a ver mais uma vez que ações não ligadas à polícia podem cair no colo da polícia", disse o secretário. O Complexo da Maré é considerado ponto estratégico na segurança pública do Rio de Janeiro por estar junto a vias de acesso que ligam o Centro da cidade ao aeroporto internacional do Galeão: a Avenida Brasil e a Linha Vermelha. A ocupação da comunidade é vista como necessária para evitar problemas nas Olimpíadas de 2016. A UPP da Maré será diferente de unidades instaladas e, outras comunidades. Inicialmente, 200 policiais serão colocados nas bases localizadas nas favelas Roquete Pinto e Praia de Ramos, ambas dominadas por uma milícia. Desde 5 de abril de 2014, quando o Exército ocupou o conjunto de favelas, não houve nenhum tiroteio ou prisão na região. Todos os confrontos entre militares e traficantes aconteceram em 13 outras favelas do complexo, dominadas pelo Comando Vermelho ou pelo Terceiro Comando Puro. Após a instalação da UPP nas comunidades com milícias, o plano é criar uma espécie de "cinturão" de segurança em torno da Maré. Usando como base a sede que hoje é do 22º BPM (Maré), a UPP fará um cerco nos acessos da favela, numa tentativa de evitar ações de criminosos como roubo de carros ou tiroteios na Linha Vermelha e na Avenida Brasil. Cerca de mais 300 homens serão usados na ação totalizando cerca de 500 policiais em toda região da Maré. A ideia é que a polícia faça apenas operações pontuais na comunidade. Assim tentará reduzir o número de confrontos entre traficantes e PMs e, consequentemente, o de vítimas.

Votação de projeto sobre indexador da dívida dos Estados é adiada

A votação no Senado Federal do projeto que obriga o governo a regulamentar a lei que troca o indexador da dívida de Estados e municípios com a União foi adiada para a semana que vem, por falta de quórum. O governo não tem interesse em regulamentar a mudança no indexador neste momento, temendo um impacto da ordem de aproximadamente 3 bilhões de reais nas contas públicas, segundo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que tem comparecido com frequência ao Congresso Nacional para debater o assunto. A votação estava prevista para esta terça-feira. Nos últimos dias, Levy vinha tentando construir um acordo com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e com as prefeituras de São Paulo e Rio de Janeiro, maiores beneficiadas com a mudança no indexador. O acordo previa que os entes federados continuariam pagando a parcela atual dos contratos com base no indexador já acordado no passado, mesmo que em juízo, e o governo federal se comprometeria a regulamentar o pagamento pelo novo indexador a partir de fevereiro de 2016. Com isso, o Senado adiaria a votação da matéria. "Na verdade, tanto as prefeituras e Estados quanto o governo entraram em um entendimento. O que o governo propôs é um entendimento que o dinheiro será restituído no início do próximo ano a Estados e municípios, que terão sua dívida diminuída", explicou o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Executivo deixa conselho da Petrobras por "incapacidade" e "abusos"

Ainda sem conseguir compor seu novo conselho de administração apenas com pessoas de renome no mercado, a Petrobras sofreu um revés com o anúncio do conselheiro Mauro Cunha, que decidiu não concorrer a mais um mandato e saiu atirando. Em carta, o executivo disse que tomou a decisão diante da "incapacidade do acionista controlador [a União] em agir com o devido grau de urgência para reverter os inúmeros problemas que trouxeram a Petrobras à situação atual" e frente aos "abusos cometidos contra a companhia". O executivo faz uma referência indireta à incapacidade da estatal em apresentar um balanço auditado, o aumento do endividamento (em boa medida para atender ao desejo do governo de manter investimentos em projetos não rentáveis, como as refinarias do Maranhão e Ceará) e os atos de corrupção, vindos à tona com a operação Lava Jato. Segundo ele, essa incapacidade ficou mais "evidente com as propostas levadas à Assembléia Geral de Acionistas de 2015" – que não prevê a aprovação do balanço auditado (problema mais urgente da estatal porque pode antecipar o pagamento da maior parte das dívidas da companhia), mas inclui um aumento de remuneração de 13% à diretoria da estatal, que vive a maior crise de sua história. Ao final da carta, Cunha agradece a "honra e confiança" depositada a ele, mas segue atirando: "Faço votos de que a comunidade de acionistas e trabalhadores defendam a Petrobras dos abusos cometidos contra a companhia". Cunha estava há dois anos no conselho da Petrobras. Formado em economia na PUC-Rio e com especialização em finanças pela Universidade de Chicago, Cunha é presidente da Amec (associação que representa investidores profissionais, como fundos, bancos e gestoras de recursos) há seis anos. Antes, havia trabalhado em gestoras de recursos como Mauá Investimentos e Opus. Foi eleito para o conselho da Petrobras em 2013 como representante dos acionistas minoritários detentores de ações ordinárias (com direito a voto). Sob sua gestão, obteve na Justiça uma vitória contra a Petrobras, que passou a ser obrigada a apresentar aos investidores estrangeiros a composição das chapas do conselho de administração antecipadamente. Antes, ela só era apresentada na data da assembléia de acionistas e só restava os estrangeiros acompanhar o voto do controlador ou se abster. Com a mudança, foi possível, em 2014, a eleição do economista e consultor José Monforte como representante dos donos de ações preferenciais, no lugar do empresário Jorge Gerdau.

Empréstimos ao setor elétrico custarão R$ 37,4 bilhões ao bolso do consumidor

Os empréstimos ao setor elétrico feitos em 2014 pelas distribuidoras de energia custarão ao consumidor R$ 37,4 bilhões. Esse valor pode cair um pouco ainda, para R$ 34 bilhões, porque, para conseguir a aprovação dos empréstimos com os bancos, o governo deu como garantia R$ 3,4 bilhões. Esse valor será pago pelo consumidor, mas devolvido posteriormente na forma de desconto sobre as tarifas. Só com o pagamento dos juros da operação, a conta bilionária carrega R$ 12,8 bilhões. Foram ao todo três operações de financiamento, somando R$ 21,176 bilhões. A primeira foi de R$ 11,2 bilhões, a segunda de R$ 6,578 bilhões e a última, paga nesta terça-feira (31), é de R$ 3,398 bilhões. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou os valores nesta terça-feira durante sua reunião de diretoria. Os valores serão pagos ao longo de quatro anos e meio e diluídos na tarifa de energia na forma de aumentos anuais, no momento do reajuste tarifário. De acordo com estimativas da própria agência, os repasses devem representar um aumento médio anual na conta de luz de 6%. Todos os reajustes ordinários feitos até o momento – que inclui todas as cinco empresas do grupo CPFL, que atendem o interior paulista, além da Energisa Borborema, do Paraná, e a Ampla, no Rio de Janeiro – serão revistos. Para essas empresas, o efeito da aprovação dos valores trará uma redução na atual tarifa praticada. Isso ocorre porque a agência considerou nos processos de reajuste um limite de dois anos para o pagamento dos empréstimos, prazo original da operação. O governo, porém, alongou a operação, como citado, para que seja paga em quatro anos e meio, o que reduz o impacto anual. A Aneel pretende rever as tarifas dessas empresas já na próxima terça-feira (7).

Carlinhos Cachoeira financiou líder do DEM no Senado, afirma Demóstenes

Em artigo na imprensa goiana repleto de críticas a ex-colegas do DEM, o ex-senador Demóstenes Torres (sem partido) ressurgiu publicamente nesta terça-feira (31) e fez ataques sobretudo ao líder dos Democratas no Senado, Ronaldo Caiado (GO). O texto, com o título "Ronaldo Caiado: uma voz à procura de um cérebro", foi publicado no jornal "Diário da Manhã", de Goiânia. Nele, Demóstenes diz estar saindo do "ostracismo" depois de ter tido seu mandato de senador cassado pelos colegas em julho de 2012. O ex-senador afirma no artigo que Caiado teve suas campanhas de 2002, 2006 e 2010 financiadas pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar o jogo ilegal em Goiás e que mantinha relações de amizade com parlamentares. Demóstenes ainda escreveu que o presidente nacional do Democratas, senador José Agripino Maia (RN), e integrantes da chapa que elegeu o governo potiguar foram beneficiados na campanha de 2010 por um suposto "esquema goiano" com intermediação de Caiado. "Ronaldo fazia sim, parte da rede de amigos de Carlos Cachoeira, era, inclusive, médico de seu filho", diz o artigo. "Mas não era só de amizade que se nutria Ronaldo Caiado, peguem as contas de seus gastos gráficos, aéreos e de pessoal, notadamente nas campanhas de 2002, 2006 e 2010, que qualquer um verá as impressões digitais do anjo caído. Siga o dinheiro". Demóstenes também afirma que Caiado pediu a ele que abordasse Cachoeira em favor de um delegado aposentado da Polícia Civil de Goiás que, supostamente, também mantinha esquema de jogos ilegais. "O delegado Eurípedes Barsanulfo, este sim, era prócer das máquinas caça-níqueis em Goiás. Ronaldo, uma vez, inclusive, me pediu para interferir junto a Carlos Cachoeira para ampliar a atividade de Eurípedes no jogo ilícito", diz. O ex-senador não nega ser amigo de Cachoeira. Diz, no entanto, que quem fez negócios com o contraventor foi o governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB). No artigo, afirma que pretendia ficar em silêncio até a Justiça dar o veredito final, mas foi provocado quando Caiado declarou à "Veja" que ele era uma "grande decepção" em sua vida. Demóstenes foi flagrado pela Polícia Federal em diálogos com Cachoeira. Foi acusado de peculato, corrupção e formação de quadrilha, mas sua defesa tem dito que as provas são ilegais e recorre do processo. No artigo, ele diz que liminares no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça suspenderam os processos contra ele.

Setor público tem déficit primário de R$ 2,3 bilhões em fevereiro

O setor público brasileiro (governo federal, Estados, municípios e estatais federais) registrou déficit primário de 2,3 bilhões de reais em fevereiro, informou o Banco Central nesta terça-feira. O resultado, puxado por um forte resultado negativo do governo central foi pior que o esperado por analistas, cuja mediana apontava saldo positivo de 1,5 bilhão de reais. O resultado primário negativo de fevereiro foi composto por déficits primários de 6,671 bilhões de reais do governo central (governo federal, Banco Central e Previdência Social) e de 828 milhões de reais de empresas estatais, não integralmente compensados pelo superávit primário de 5,2 bilhões de reais de Estados e municípios. Em 12 meses até fevereiro, o déficit primário ficou em 0,69% do Produto Interno Bruto (PIB), recorde para as contas públicas. O Banco Central informou ainda que o déficit nominal ficou em 58,63 bilhões de reais no mês passado, enquanto a dívida pública líquida representou 33,76%, considerando a nova metodologia para o cálculo do PIB, abaixo dos 36,6% de janeiro. Já a dívida bruta atingiu 65,5% do PIB ante 64,4% do PIB em janeiro. No bimestre, o resultado acumula um superávit primário de 18,76 bilhões de reais, o equivalente a 2,19% do Produto Interno Bruto (PIB). A meta de superávit primário de 2015 é de 1,2% do PIB para o setor público consolidado, um alvo considerado ambicioso após o Brasil ter registrado déficit primário de 0,63% do PIB no ano passado e em meio a forte efeito da economia fraca sobre a arrecadação federal. Para atingir o alvo deste ano, o governo adotou um duro ajuste fiscal, que enfrenta resistências no Congresso, baseado em aumento de impostos, restrição de gastos, revisão de desonerações e redução de subsídios. O passo seguinte será o anúncio do contingenciamento de despesas do Orçamento a ser feito nas próximas semanas.

Bancos públicos poderão ter menos recursos do Tesouro, diz Levy

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ressaltou que a política de aportes do Tesouro Nacional aos bancos públicos completou seu curso e deve ser modificada. Segundo ele, o repasse da União nos últimos anos foi de 460 bilhões de reais a taxas de juros baixas, abaixo da inflação, para muitos setores. "Temos de ter moderação no balanço dos bancos públicos", disse, ao indicar uma mudança de estratégia, no sentido de reforçar o plano do governo de reduzir gastos. Para Levy, a era de empréstimos de bancos públicos com taxas "vantajosas" acabou. Levy também considerou que é preciso reverter algumas medidas anticíclicas e reconheceu que as renúncias fiscais feitas durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff ajudaram no desequilíbrio das contas públicas. Segundo ele, as condições em que foram feitas as medidas anticíclicas mudaram e o impulso que o País recebia das commodities desapareceu, sendo necessário pensar na readaptação da economia brasileira. Segundo Levy, é importante que a visão do País seja de robustez fiscal e que seja alcançada não só com aumento de tributos. "Precisamos estar atentos aos gastos permanentes, sobretudo num horizonte longo", afirmou. O ministro também afirmou que o governo está pronto para adotar novas medidas, caso seja necessário. "Estamos olhando a arrecadação e estamos prontos para tomar medidas que se mostrem necessárias para evitar qualquer risco que a arrecadação não comporte o cumprimento da meta", afirmou. A meta para este ano é de 66,3 bilhões de reais. Levy ainda afirmou que a recuperação da economia brasileira vai depender "de grande parte" da ajuda de Estados e municípios e que a segurança tributária é importante para retomar investimentos. "A presidente Dilma (Rousseff) tem feito um trabalho incansável para explicar as ações do governo", defendeu. Sobre a possibilidade de o Brasil perder o grau de investimento, o ministro manifestou preocupação. "Temos que estar atentos ao risco de perder grau de investimento. O custo é altíssimo. Para o governo, para as empresas e para o trabalhador", considerou. "Temos que trabalhar e agir rápido para não perdermos o grau de investimento. Temos que ter cuidado para não sobrecarregar o setor público com despesas que vão exigir novos tributos", disse. Em relação aos gastos do governo, o ministro disse que o objetivo é atingir o patamar de 2013. "É importante ver o lado do gasto. É extremamente importante", considerou.

Arena da Copa de R$ 700 milhões pode ficar sem jogos na Bahia

Reconstruída para a Copa do Mundo por quase 700 milhões de reais, a Arena Fonte Nova corre o risco de se tornar o mais novo elefante branco do futebol nacional. O Bahia, único clube que usava o maior estádio de Salvador, anunciou na noite de segunda-feira que não vai renovar contrato com o consórcio responsável pela arena e voltará a mandar jogos no Estádio de Pituaçu a partir do dia 7 de abril. A Fonte Nova Negócios e Participações (FNP), administradora do estádio, disse ter sido "surpreendida" pela direção do Bahia. Por meio de nota, o clube afirmou que durante quase quatro meses tentou negociar uma renovação, "entende as dificuldades do consórcio" e respeita a postura da administradora, mas que "tem a obrigação de defender os interesses" do clube e dos torcedores. Em fevereiro, o Bahia teve de jogar no Estádio de Pituaçu porque a Fonte Nova estava alugada para uma formatura. O contrato com o consórcio formado por OAS/Odebrecht e governo do Estado, porém, proíbe que o governo ceda Pituaçu em data em que a Fonte Nova esteja disponível, obrigando o Bahia a jogar no estádio maior mesmo em partidas com menor expectativa de público. A diretoria do Bahia avisou que a partir do dia 7 de abril, quando encerra o contrato com o consórcio, vai voltar a mandar seus jogos no Pituaçu, reformado pelo governo do Estado para ser usado durante as obras da Fonte Nova. Outras arenas construídas para a Copa do Mundo, como o Mané Garrincha (Brasília), a Arena Pantanal (Cuiabá) e a Arena Amazônia (Manaus), também são bem pouco usadas.

Governo da petista Dilma libera verba para repasses atrasados ao Pronatec

O Ministério da Educação (MEC) liberou somente na semana passada dinheiro para quitar pagamentos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) referentes a 2014. Segundo a pasta, foram liberados 200 milhões de reais para repasses a instituições privadas que oferecem vagas do programa. O MEC garante que agora não haverá mais atrasos no Pronatec, uma das bandeiras educacionais do governo Dilma Rousseff. Os procedimentos de pagamento estão em tramitação, segundo a pasta. O que significa que as instituições não necessariamente receberam as quantias, o que pode demorar ainda alguns dias. Os atrasos são referentes aos meses de novembro, dezembro e janeiro. Por causa dos atrasos, algumas instituições adiaram a volta às aulas para alunos que estão com cursos em andamento. Instituições particulares têm recorrido a empréstimos para arcar com as contas. "As escolas estão passando por uma situação complicada sem os repasses, principalmente as pequenas", disse o diretor executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior, Sólon Caldas. Normalmente, o MEC paga os valores até 45 dias após o mês letivo. A próxima previsão é de que um novo pagamento seja feito até 15 de abril. Em fevereiro, o MEC liberou 119 milhões de reais para pagamento das mensalidades das instituições privadas, valor que não foi suficiente para cobrir todo o déficit. Os atrasos são reflexo de ajuste fiscal do governo iniciado ainda no ano passado - e sem relação com represamento de recursos por causa do atraso na aprovação do orçamento deste ano. "Esses valores de novembro e dezembro já deviam estar previstos no orçamento do ano passado", afirma Sólon. Nos dois primeiros meses do ano, os gastos com o Pronatec foram 58% menores do que no mesmo período de 2014. O governo também não definiu quantas novas vagas serão oferecidas neste ano. Previsto para maio, o começo das aulas foi adiado para junho. A presidente Dilma voltou a reafirmar o compromisso de oferecer 12 milhões de vagas até o fim do mandato. Entre 2011 e 2014, foram cerca de 8 milhões.

Petrobras vende US$ 101 milhões em ativos na Argentina

A Petrobras vendeu 101 milhões de dólares em ativos na Argentina para a Companhia Geral de Combustíveis (CGC), como parte de seu processo de desinvestimento, informou a própria estatal na noite de segunda-feira. O Conselho de Administração da Petrobras Argentina "informa a venda da totalidade de seus ativos situados na Bacia Austral da província de Santa Cruz", que correspondem a 26 áreas de exploração e produção em terra, "com uma produção média de 15 mil barris de petróleo/dia". Na sexta-feira, o conselho aprovou a venda da totalidade dos ativos. A Petrobras, que enfrenta um escândalo de corrupção sem precedentes e tem problemas de caixa, está vendendo parte de seus ativos para se concentrar em "investimentos prioritários, principalmente de produção de petróleo e gás nas áreas de elevada produtividade e retorno", destaca a nota da companhia. A CGC, controlada pelo grupo argentino Corporación América, do empresário Eduardo Eurnekian, já era sócia da Petrobras Argentina em várias áreas, e por meio desta transação passa a controlar e operar uma superfície de 11.500 quilômetros quadrados, segundo a imprensa especializada. A passagem do controle operacional está prevista para o dia 1º de abril. A venda inclui toda a infraestrutura necessária para sua operação.

Eduardo Paes firma acordo com a União para pagar dívida do Rio de Janeiro

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), informou, nesta terça-feira, que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, aceitou a proposta levada pela prefeitura de depositar em juízo as parcelas da dívida do município com o valor atual e depois receber de volta o que foi pago a mais ao governo. Ele destacou que o Congresso precisará aprovar uma regra que tenha validade para todos os Estados e municípios. Na opinião do prefeito, o acordo judicial com a União sobre o pagamento de dívida vem depois da "crise política desnecessária" e que "não precisava desse estresse". Com esse acordo, o governo adiará a regulamentação da lei que criou o novo indexador para as dívidas de Estados e municípios com a União. "Essa proposta foi levada por mim na segunda-feira da semana passada durante um jantar (com Levy) na casa do vice-presidente Michel Temer. Passamos uma semana em uma crise política desnecessária para depois aceitarem o que foi proposto no jantar. Vamos fazer um acordo nos autos do processo. Aguardo como será encaminhado no Senado e na Câmara porque não é uma questão só do Rio", afirmou o prefeito. Paes disse ter sido "tremendamente constrangedor" entrar na Justiça contra o governo Dilma. Reiterou, porém, que não aceitava continuar pagando "juros de agiota" cobrados pelo governo. "Não precisava desse estresse. A gente precisa conversar", afirmou o prefeito sobre a resistência inicial da ministro da Fazenda em aceitar a proposta. Paes falou nessa segunda com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). "Ele disse que gostou da solução", afirmou o prefeito carioca.

Lufthansa sabia que copiloto sofria de depressão

O copiloto da Germanwings que derrubou um avião na semana passada nos Alpes franceses contou à escola de vôo da Luthansa sobre um período em que se tratou de depressão, informou a empresa alemã nesta terça-feira. Segundo um comunicado da empresa, o copiloto Andreas Lubitz entregou à escola de vôo documentos médicos mostrando que havia passado por "episódio prévio de depressão severa". A Lufthansa, controladora da empresa de baixo custo Germanwings, relatou que Lubitz interrompeu seu treinamento por um "período de vários meses". Quando retomou, em 2009, exames médicos confirmaram que ele estava em condições físicas de voar. A companhia aérea alemã informou este novo dado após realizar investigações internas e enviar à promotoria de Düsseldorf documentos adicionais sobre a formação de Lubitz e seu histórico médico, que inclui um e-mail do copiloto à escola de vôo sobre sua depressão. Depois que a promotoria francesa apontou o copiloto alemão como causador da tragédia, o presidente da Lufthansa, Carsten Spohr, informou que o jovem tinha interrompido durante um período de tempo sua formação em 2009, mas não esclareceu os motivos. Lubitz passou por todas as provas de aptidão necessárias e concluiu com êxito a sua formação. Ele era "100% capaz de conduzir" um avião, assegurou Spohr na semana passada. Na documentação cedida pela Lufthansa à promotoria alemã está uma troca de e-mails entre Lubitz e a escola de vôo, quando o jovem pretendia retomar sua formação. Nos e-mails, o copiloto disponibiliza documentos médicos que atestavam que ele tinha superado esse "episódio grave de depressão". A companhia aérea reiterou seu compromisso de apoiar em todos os sentidos a investigação realizada pela promotoria de Düsseldorf para esclarecer o acidente que matou o copiloto e outras 149 pessoas em um voo que ia de Barcelona para Düsseldorf. As operações de busca no local do impacto do Airbus A320 da Germanwings foram retomadas na manhã desta terça-feira, uma semana depois da catástrofe. Os investigadores e policiais podem ter acesso agora à zona através de uma pista aberta no domingo. "Trabalhamos mais rápido, até mais tarde e traremos mais destroços", informou a equipe de resgate francesa, antes de destacar que foram encontradas mais de 4.000 peças, incluindo pedaços do avião e restos humanos. As equipes devem "terminar no dia 8 de abril o trabalho de repatriação dos corpos e das peças importantes" do avião. "Depois uma empresa civil paga pela Lufthansa vai descontaminar" a zona, disse a fonte. Em um comunicado, o Escritório francês de Investigações e Análises para a aviação civil (BEA) indicou que vai se esforçar "para descrever mais precisamente, de um ponto de vista técnico, o desenvolvimento do vôo". A investigação também vai "estudar as falhas sistêmicas que possam ter levado" ao drama. "A investigação de segurança se interessa, em particular, na lógica do sistema de fechamento das portas das cabines de pilotagem e nos procedimentos de acesso e saída" da mesma, "assim como aos critérios suscetíveis de detectar perfis psicológicos particulares".

DÍVIDA DO TESOURO COM O BNDES CHEGA A R$ 26 BILHÕES

A dívida do Tesouro Nacional com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nos pagamentos a título de equalização de taxas de juros saltou R$ 8,68 bilhões em 2014 ante o ano anterior, atingindo R$ 26,1 bilhões. A equalização é o valor que o Tesouro paga ao BNDES por empréstimos de linhas cujos juros ficam abaixo da taxa de juros de longo prazo (TJLP, hoje em 6% ao ano). A TJLP, elevada em 0,5 ponto porcentual na quinta-feira, 26, baliza tanto os empréstimos concedidos pelo banco quanto o crédito que ele toma para então emprestar às empresas. Normalmente, nenhum banco empresta a juros inferiores àqueles que paga para se financiar - na verdade, parte do lucro das instituições financeiras vem de empréstimos aos clientes por taxas superiores àquelas pagas para tomar crédito; a diferença é chamada de "spread". Portanto, para oferecer financiamentos com juros abaixo da TJLP, o BNDES teria prejuízo. Como o crédito subsidiado é considerado de interesse social, o Tesouro paga pelo "prejuízo". As linhas de crédito passíveis de equalização, segundo o BNDES, são o Programa de Sustentação do Investimento (PSI, criado como reação à crise de 2008, com juros mais baratos para os investimentos das empresas), o Pronaf (crédito à agricultura familiar), o Revitaliza e Programas Agropecuários. O economista Mansueto Almeida, especialista em contas públicas e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), calcula que 90% dos gastos com equalização são do PSI: "Quase metade do ativo do BNDES é equalizável". Em vários períodos, os juros dessas linhas estiveram abaixo da TJLP. Até o ano passado, as taxas do PSI variavam de 4% a 8% ao ano. Ao ser renovado para 2015, o PSI veio com orçamento menor e as taxas passaram para 6,5% a 11% ao ano. Reduzir os subsídios nos juros é um dos itens defendidos pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na mudança de rota da política econômica. Para Almeida, do Ipea, ainda não está claro como a nova equipe da Fazenda lidará com o pagamento da diferença nos juros. Até ontem, o governo pagou apenas R$ 161,73 milhões ao BNDES a título de equalização do PSI. Ainda assim, há um saldo de "restos a pagar" (valores que ficam de um exercício para o seguinte) de R$ 8,73 bilhões.

EX-GERENTE DA ABREU E LIMA NEGA RECEBIMENTO DE PROPINA

Em depoimento à CPI da Petrobrás, o ex-gerente geral de Implementação de Empreendimentos para a Refinaria Abreu e Lima, Glauco Colepicolo Legatti, declarou nesta terça-feira, 31, que não recebeu "nenhum centavo" do empresário Shinko Nakandakari. Legatti disse que preferiu não tomar nenhuma ação direta contra o delator da Operação Lava Jato e que prefere fazer os esclarecimentos diretamente ao juiz Sérgio Moro. "Não tomei nenhuma ação mais direta tendo em vista que qualquer ação para contestar essa fala não seria conveniente neste momento. Logo depois que ele fez a delação e a declaração lá em Curitiba, entramos com uma petição para que eu, de viva-voz, vá lá para esclarecer ao juiz Sérgio Moro que não recebi dinheiro do senhor Shinko Nakandakari", respondeu. Legatti, que conduziu as obras na refinaria entre 2008 e 2014, admitiu ter relação de amizade com Nakandakari, mas que ele não falava em nome da empreiteira Galvão Engenharia. Ele disse que ficou "surpreso" ao saber que Nakandakari era operador de "outras pessoas" no esquema de corrupção na Petrobrás. O engenheiro Shinko Nakandakari afirmou à força tarefa do Ministério Público Federal que ofereceu “na cara e na coragem” propina para o gerente geral da Refinaria do Nordeste (RNEST), Glauco Colepícolo Legatti. Segundo Nakandakari, na Petrobrás “era muito difícil aprovar aditivo (aos contratos)”: “Glauco não facilitava nada. Para que esse aditivo fosse aprovado é que era pago o valor para Glauco". Ao todo, segundo o delator, foram repassados R$ 400 mil para Legatti, valor pago “em parcelas”. O primeiro pagamento foi em junho de 2013. “A princípio a reação de Glauco não foi natural, em nenhum momento eu tinha tido esse tipo de relacionamento com ele”, disse Nakandakari.

SÃO PAULO FAZ ACORDO COM UNIÃO E ADIA MUDANÇA DO INDEXADOR

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse nesta terça-feira, 31, que vai aceitar o acordo do governo federal de adiar para 2016 a mudança no indexador da dívida dos municípios e Estados. Em conversa por telefone com Haddad, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, teria adiantado os detalhes da proposta a ser apresentada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) nesta terça-feira, 31: "A ideia é como se nós, municípios, ajudássemos ele (governo federal) este ano e ele nos ajudasse no ano que vem a fechar as contas. Penso que é um ganha-ganha importante para União no momento em que ela precisa de apoio". Em seguida, completou: "É o melhor dos mundos? É o que a situação permite. Se é o que a situação permite e é bom, contempla os dois lados, é melhor um acordo do que uma disputa". Para Haddad, esta é a primeira vez que há uma "proposta concreta na mesa" do governo federal, que vinha postergando a regulamentação da lei. Na semana passada, a presidente Dilma Rousseff chegou a afirmar que não tinha condições de bancar a troca do indexador devido à crise econômica. O prefeito afirmou que o acordo é um "encontro de anseios". "Abriu-se uma negociação, vamos ouvir a outra parte, me parece que há boa fé na proposta. Então vamos considerá-la", afirmou o prefeito. Haddad disse ter conversado também com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), que concordaria em sair da disputa judicial caso fosse formalizado o acordo para beneficiar os municípios no ano que vem. "O que o Eduardo Paes me falou é o seguinte: prefiro sair da disputa judicial por um acordo que é bom para os dois lados do que me manter numa disputa judicial. O que o Paes quer é: não brigar com a União. Quer saída", afirmou. No dia 24 de março, o prefeito do Rio de Janeiro entrou com ação judicial para obrigar o governo federal a regulamentar a lei sancionada no ano passado pela presidente Dilma. A lei prevê uma mudança no indexador de cobrança das dívidas regionais, para que possam ser corrigidas pela taxa Selic ou pelo IPCA - o que for menor - mais 4% ao ano. Atualmente, os débitos de prefeituras e governos estaduais com a União são corrigidos pelo IGP-DI mais 6% a 9% ao ano, índice mais oneroso.

LEVY GARANTE QUE AJUSTE FISCAL PASSA LONGE DO BOLSA FAMÍLIA

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse nesta terça-feira, 31, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, que o ajuste fiscal é necessário para preservar os ganhos sociais alcançados nos últimos anos e melhorar a distribuição de renda brasileira. Ele ressaltou que as medidas adotadas não tocam "em um centavo" do programa Bolsa Família. "O objetivo do ajuste é retomar o crescimento e a evolução social. Temos que fazer os ajustes para continuar nessa linha. É importante preservar os ganhos do Brasil", disse. Levy ressaltou ainda que o equilíbrio fiscal é importante para permitir a queda de juros de longo prazo, além da convergência da inflação para a meta. Ele voltou a dizer que é necessário agir rápido para não perder o grau de investimento das agências de classificação de risco, o que seria "um choque tremendo". Pediu ainda que o Senado tenha cuidado para não criar despesas que exigirão a criação de novos tributos. "Ninguém quer o aumento da carga, então temos que ser muito vigilantes. Toda decisão tomada tem que levar isso em consideração", completou. Levy lembrou frase da presidente Dilma Rousseff de que não se faz ajuste pelo ajuste. Ele defendeu o aumento da taxa de poupança no País. "Não podemos ter um País querendo crescer quando as taxas de poupança e investimento caem", afirmou. O ministro apresentou três eixos para o crescimento. Eles dizem respeito à agenda tributária (que inclui medidas de competitividade); um novo padrão para as concessões, e o que classificou de "convergência macroeconômica". Com as medidas, Levy afirmou ter confiança de que o País vai aumentar sua inserção no mercado internacional. O ministro fez uma sinalização sobre novas concessões de portos à iniciativa privada. O ministro disse que a presidente Dilma tem sido clara na retomada das concessões. "Quando fizermos leilões de portos, vai chover candidatos nacionais e internacionais", afirmou. Para ele, a história dos portos no País é de sucesso. "Não nos lembramos do sucesso da lei dos portos, porque não tem mais fila de caminhão", disse. Ele afirmou que o Brasil tem a liberdade das empresas investirem em portos e disse que abrir os portos à iniciativa privada vai facilitar investimentos em logística. O ministro falou que o governo está renovando portos públicos. "Não vamos baixar o custo Brasil se não reorganizarmos o que é nosso, os portos públicos", avaliou. Porém, o ministro não respondeu a questionamentos de senadores sobre se o Tesouro Nacional dará garantias para novos leilões de concessão de rodovias - o chamado "risco Valec". Sem a concessão das garantias, especialistas acreditam que as novas concessões podem se inviabilizar. Levy também não respondeu questionamentos sobre sua declaração de que a presidente Dilma Rousseff nem sempre age "da maneira mais eficaz".

COMPRA DE DUAS PETROQUÍMICAS NA MIRA DA LAVA JATO

A Operação Lava Jato investiga a parceria entre a Petrobrás e o grupo Norberto Odebrecht – um dos 16 acusados de cartel e corrupção na estatal – no setor petroquímico. Pelo menos dois negócios de aquisição e incorporação de unidades do setor entre 2006 e 2010 estão na mira dos investigadores: a incorporação das petroquímicas Triunfo, no Rio Grande do Sul, e Suzano, em São Paulo. Os negócios beneficiaram a Braskem S.A., sociedade formal entre estatal e empreiteira para o setor. Investigadores da Lava Jato colheram depoimentos, entre eles os dos delatores Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, e Alberto Youssef, o doleiro responsável pela lavanderia do esquema de corrupção na estatal, que apontaram pagamento de propina e “operações suspeitas de aquisição” de empresas nesses negócios. Criada em 2002 pela empreiteira, a sociedade entre a Petrobrás, vítima, e a Odebrecht, investigada, consolidou sua liderança no mercado produtor latino americano depois da parceria, durante o governo do ex-presidente e alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações"). Um desses casos nebulosos na mira da Lava Jato é a incorporação da Petroquímica Triunfo, no Rio Grande do Sul, pela subsidiária da Petrobrás (Petroquisa) e sua posterior incorporação à Braskem – efetivada em 2009, que garantiu à empresa liderada pela Odebrecht o controle do Pólo Petroquímico do Sul. Um dos ex-proprietários da Triunfo, Caio Gorentzvaig, afirma que a empreiteira alvo da Lava Jato foi beneficiada pelo governo Lula nesse negócio. “Foi um plano de transformar o grupo Odebrecht dono dos pólos petroquímicos do País sem colocar dinheiro nisso”, afirmou Gorentzvaig. O caso é alvo de disputa judicial até hoje no Tribunal de Justiça, em, Porto Alegre (RS). Meses depois de ser deflagrada a Lava Jato, em março de 2014, Gorentzvaig postou na internet um vídeo em que faz declaração espontânea acusado plano de monopólio no setor produtor petroquímico, beneficiando a Odebrecht. Em fevereiro deste ano, a família dos ex-acionistas da Triunfo entregou para a força-tarefa da Lava Jato uma denúncia-crime relatando participação de Lula, da presidente Dilma Rousseff e do ex-ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Nela, a família relata que foi prejudicada nas negociações com a Petroquisa, em benefício da Braskem, por atuação direta de Lula, Dilma e outros nomes do governo. Em seus depoimentos de delação complementar, feitos em fevereiro, Youssef foi questionado sobre as negociações, mas disse não saber se houve pagamento de propina ou favorecimento à Odebrecht.

Soube apenas que Paulo Roberto Costa se envolveu diretamente nessas negociações. Outro negócio em que investigadores da Lava Jato suspeitam que houve favorecimento à Odebrecht foi a aquisição da Suzano Petroquímica, em São Paulo, em 2007. A unidade teria sido comprada por valor bem acima do mínimo estabelecido por decisão “unilateral” do então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, segundo afirma o ex-diretor de Abastecimento em sua delação. A Suzano foi transformada na Quattor. A nova empresa foi integrada em 2010 pela Braskem, dando ao grupo Odebrecht o controle do Pólo Petroquímico do Sudeste, em Mauá (SP). Outros dois pólos petroquímicos, do Nordeste, em Camaçari (BA), e do Sul, em Triunfo (RS), já eram controlados pela Braskem. Costa integrou o Conselho de Administração da Braskem em 2010 e 2012. No período em que compraram a Suzano, o delator disse que a estatal “fez várias aquisições no período em que esteve à frente da Diretoria de Abastecimento”. Citou as empresas Ipiranga e Unipar. Só “uma dessas aquisições, a da Suzano Petroquímica” lhe pareceu um pouco estranha, segundo a delação. Costa explicou em sua delação que a Gerência Executiva de Novos Negócios, que atua na área de grandes fusões e aquisições, estabeleceu com “os bancos que assessoravam” a estatal um preço mínimo e um preço máximo para a empresa a Suzano – denominado “range”. “Como praxe, seria esperado que o preço de aquisição fosse próximo do mínimo, afim de atender aos interesses comerciais da Petrobrás”, explicou Costa. “Causou surpresa que a negociação tenha sido fechada em um patamar bem superior ao mínimo fixado no “range”, face· a uma decisão unilateral do então presidente Sérgio Gabrielli, a respeito da qual, o mesmo não forneceu maiores detalhes aos diretores". A decisão “unilateral” sobre o preço “foi comunicada por Sérgio Gabrielli em uma reunião de caráter interno da Petrobrás, na cidade de São Paulo, convocada especificamente para tratar desse assunto”. Foram pagos pela petroquímica R$ 2,7 bilhões. O valor mínimo e máximo fixados internamente pela Petrobrás não foram citados pelo delator. Costa registrou que o Conselho de Administração referendou o ato de Gabrielli: “A decisão de compra da Suzano pelo preço estipulado por Sérgio Gabrilelli foi chancelada pelo Conselho de Administração da Petrobrás". Costa citou três dos oito nomes do colegiado que disse recordar: “a atual presidente Dilma Rousseff, o empresário Jorge Gerdau e o presidente Gabrielli”. Nas delações premiadas, em que buscam redução de pena, o ex-diretor e o doleiro falaram que executivos da Braskem pagaram, entre 2006 e 2012, propina para o esquema de corrupção controlado pelo PP, na Diretoria de Abastecimento. Youssef – responsável pela lavanderia usada pelo PP no esquema alvo da Lava Jato – afirmou que a Braskem pagou US$ 5,6 milhões por ano, em média, nesse período. Algo em torno de R$ 40 milhões. Os pagamentos seriam referente à compra de insumos pela Braskem. “Com o intuito de se favorecer na aquisição de produtos da Petrobrás com preço inferior ao praticado no mercado interno, a Braskem, inicialmente por intermédio de Alexandrino (de Alencar), funcionário do alto escalão de empresa, procurou José Janene”, contou Youssef. “(Janene) juntamente com Paulo Roberto Costa, negociaram que o valor da cesta (de insumo) fosse similar ao praticado no mercado internacional, em contrapartida ao pagamento de vantagem indevida pela Braskem anualmente, em média US$ 5 milhões". O doleiro disse que o então presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, “era quem posteriormente, ratificava os termos do acordo ilícito, batendo o martelo”. A Braskem e os executivos negam. Os pagamentos eram definidos em reuniões com Costa e com o ex-deputado federal José Janene (PP-PR) – morto em 2010 – quando ele estava vivo, em São Paulo. Os valores eram depositados em contas no exterior indicadas pelos envolvidos.