segunda-feira, 13 de abril de 2015

El día que Eduardo Galeano renegó de "Las Venas Abiertas de América Latina"

"No volvería a leer 'Las venas abiertas de América Latina', porque si lo hiciera me caería desmayado". La confesión dejó atónito al auditorio y sonó muy fuerte, viniendo de quien la había pronunciado: el mismísimo Eduardo Galeano, autor del célebre libro publicado en 1971. La histórica crítica del escritor uruguayo contra su obra maestra fue realizada durante la II Bienal del libro y la lectura en Brasilia, en abril de 2014. Para justificar su postura el también periodista, fallecido este lunes en Montevideo a los 74 años, admitió: "No tenía los suficientes conocimientos de economía ni de política cuando lo escribí". Texto de cabecera para toda aquella persona que adhiera a ideas de izquierda en Latinoamérica, el libro con 44 años de existencia se reedita de modo permanente desde su primera edición y hasta fue el regalo elegido por el fallecido presidente venezolano Hugo Chávez para entregarle a su colega estadounidense Barack Obama. 


El recordado obsequio entre mandatarios se produjo en abril de 2009, durante la Quinta Cumbre de las Américas llevada a cabo en Puerto España, capital de Trinidad y Tobago. Por este motivo, la obra saltó desde la posición 60.280 de la lista de los títulos más vendidos del sitio web Amazon a la décima posición en apenas 24 horas. Sin embargo, Galeano aseguró al mismo tiempo: "No estoy arrepentido de haberlo escrito, pero ya es una etapa superada". Desde su publicación en 1971, Las venas abiertas de América Latinase transformó en un clásico de la izquierda latinoamericana. En la obra, el autor analiza la historia del continente: la explotación económica y la dominación política a la que ha sido sometido, desde la colonización europea hasta la década de los 70. Esto, en el contexto de la Guerra Fría (1945-1991), y cuando se ponía en marcha la era de las dictaduras militares en América Latina. El libro de Galeano era tan identificado con las ideologías revolucionarias y de izquierda que por eso fue proscrito de la Argentina, Chile, Brasil y Uruguay mientras estos países permanecieron bajo el yugo dictatorial.Galeano estuvo preso en su país tras el golpe militar de 1973, y luego fue obligado a exiliarse: primero en Argentina y después en España.


CPI da Petrobras adia depoimento de empreiteiro delator do Petrolão

O depoimento à CPI da Petrobras do empresário Augusto Mendonça, acionista da Toyo Setal e delator da Operação Lava Jato, que estava previsto para esta terça-feira (14), foi adiado para o próximo dia 23. A advogada Beatriz Catta Preta, que acompanha Mendonça, avisou à CPI que tinha um outro compromisso e não poderia comparecer, pedindo o adiamento do depoimento. Com isso, a CPI fará apenas sessão deliberativa, na qual seus integrantes votarão novos requerimentos de convocações e de pedidos de informações. Augusto Mendonça, em sua delação premiada, confirmou a existência de um cartel de empreiteiras que mantinham contratos com a Petrobras mediante o pagamento de propina. A advogada Beatriz Catta Preta é a maior especialista brasileira em delação premiada e ultimamente anda atarantada de tanto trabalho. 

Quem paga o advogado de Val Marchiori?

Val Marchiori e o seu marido...Sim, ela é casada. Continuando: Val Marchiori e o seu marido, Evaldo Ulinski, dono da Transportadora Piu Piu, brigaram há uma semana, no prédio em que ela mora, na rua Haddock Lobo, em frente ao restaurante A Figueira Rubayat. A gritaria e o pugilato, cuja maior vítima foi o espelho do elevador social, alcançaram tamanha proporção que quatro viaturas da polícia chegaram ao endereço. Evaldo Ulinski foi entrevistado pela Veja São Paulo. Aparentemente, a briga começou porque Val Marchiori emitiu cheques de muitos $hellooo. O que chamou a atenção do Antagonista, contudo, não foi a fofoca em si, mas duas respostas de Evaldo Ulinski. Ele disse que conhece Aldemir Bendine, amigão de todas as horas de Val Marchiori, apenas "superficialmente" e que o apresentou a ela numa festa, há alguns anos, em Foz do Iguaçu. Há alguns anos, Aldemir Bendine, que Evaldo Ulinski diz não ter visto nunca mais, já era presidente do Banco do Brasil. O que estamos insinuando? Estamos insinuando que um empresário apresentou, introduziu, aproximou uma mulher vistosa e o mandachuva do BB. Não, isso não tem preço. A outra resposta de Evaldo Ulinski à Veja São Paulo merece ser reproduzida, com a respectiva pergunta: Por que contratou o advogado José Luís Oliveira Lima para defender Val da acusação de ter sido favorecida por um empréstimo de 2,7 milhões de reais do Banco do Brasil, então comandado por Aldemir Bendine (atual presidente da Petrobras)? Não é verdade. Eu não rasgo dinheiro. Quem o escolheu foi a Val. Quando precisei depor, levei à Polícia Federal um advogado da minha empresa. Queriam saber se fui favorecido pelo banco, mas não procede. É a quarta instituição em transações no meu negócio. O advogado em questão é o tal Juca, ex-namorado da colunista Mônica Bergamo. Se o marido de Val Marchiori não cobre as despesas com um dos criminalistas mais caros de São Paulo, a pergunta a ser feita é: quem paga o Juca? Ela própria, que usa o talão de cheques do marido? Convenhamos... Esse barraco está longe de terminar. (O Antagonista)

Petrobras divulgará seus resultados auditados no dia 22

A Petrobras informou em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que seu Conselho de Administração se reunirá no dia 22 de abril para apreciar as demonstrações contábeis do terceiro trimestre de 2014, revisadas pelos auditores independentes e as demonstrações contábeis auditadas do exercício de 2014. A companhia espera divulgar essas demonstrações contábeis ao mercado, após a decisão do Conselho. Originalmente, a reunião do Conselho estava marcada para o dia 17 deste mês. No dia 1º de abril, a presidente Dilma Rousseff afirmou que a companhia iria publicar o balanço auditado ainda neste mês. A "novela" do balanço financeiro da Petrobras começou no dia 31 de outubro do ano passado, quando a consultoria PriceWaterhouseCoopers (PwC) se recusou a assinar o resultado do terceiro trimestre de 2014, abrindo uma crise sem precedentes na estatal.
O volume de recursos do pré-sal destinados à educação em 2015 cairá um terço em relação ao ano anterior, de acordo com previsão do governo. Enquanto o pagamento de royalties e participação na exploração de petróleo rendeu R$ 1,5 bilhão para o caixa do Ministério da Educação em 2014, a estimativa é que, este ano, seja de pouco mais de de R$ 1 bilhão. A queda na arrecadação, estimada pelo Ministério do Planejamento, é decorrente do cenário internacional, apontam especialistas. Embora a produção brasileira tenha aumentado, o preço do barril de petróleo despencou no mercado, passando de cerca de U$ 110,00 em agosto passado para menos de U$ 60,00. Essas flutuações já estão impactando nos recursos do fundo social que são canalizados para as áreas de educação e saúde. "O próprio governo que faz todo o alarde de que os recursos do pré-sal irão garantir um salto na qualidade da educação está reconhecendo que o valor real ficará bem abaixo do necessário. Este ano, se o cenário não se modificar drasticamente, vai ser até menor", diz Irineu de Carvalho, economista e consultor de municípios na área de arrecadação.  O novo cenário levou à revisão de um estudo de novembro de 2013 que estimou em R$ 486 bilhões as receitas do petróleo destinadas à educação e saúde de 2013 a 2030. Elaborado pela Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados da área de Recursos Minerais, Hídricos e Energéticos, o levantamento foi atualizado em fevereiro deste ano. A previsão das verbas caiu para R$ 213 bilhões. Autor do estudo, o consultor legislativo Paulo César Ribeiro Lima acredita que, ao final do período analisado, 2013 a 2030, o volume de verbas para a educação e saúde não ficará nem tão baixo como na previsão com base no cenário atual, nem tão elevado quanto na conjuntura do estudo de 2013. "Será um valor intermediário, porque o preço do petróleo subirá, ao que tudo indica, mas não aos níveis dos últimos anos. Agora, nesses primeiros anos, a arrecadação é modesta. Claro que com R$ 1 bilhão dá para construir muitas creches, mas não dá para revolucionar a educação. Por enquanto, essa referência às receitas do pré-sal é mais marketing do governo", diz Paulo César. 

Governo Dilma vai adiar novamente início das aulas do Pronatec

O início das aulas do Pronatec (programa federal de qualificação técnica e profissional) será novamente adiado. A oferta de vagas da chamada bolsa-formação, um dos principais braços do programa, estava inicialmente prevista para o início de maio e, no mês passado, teve a data reagendada para 17 de junho. O novo cronograma prevê, agora, que as turmas efetivamente comecem a partir de 27 de julho. A mudança deve ser publicada amanhã no Diário Oficial da União. O Ministério da Educação informou nesta segunda-feira (13) que a alteração "se justifica pelos procedimentos decorrentes da aprovação do orçamento federal". Aprovado pelo Congresso Nacional no mês passado, o Orçamento 2015 ainda não foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff e ainda não houve definição sobre o corte de verbas em cada uma das pastas da Esplanada. O MEC destacou ainda que o ajuste na data de início do Pronatec considerou "a solicitação de várias instituições de ensino". "O calendário foi ajustado de maneira a compatibilizá-lo com o calendário acadêmico das instituições", disse a pasta. O Pronatec é uma das principais vitrines na área da educação na gestão da presidente Dilma. Lançado em 2011, ele terá nova etapa neste segundo mandato, com previsão de atingir 18 milhões de vagas até 2018. As aulas são ministradas em instituições públicas e privadas, além da oferta a partir de parceria com o sistema S. Os cursos podem ser de formação inicial ou continuada (média de três meses de duração) ou técnicos, com prazo mínimo de um ano.

Odebrecht pagou viagem de Lula por três países

A construtora Odebrecht bancou uma viagem realizada pelo ex-presidente Lula X9, em janeiro de 2013, que passou por Cuba, República Dominicana e Estados Unidos e que oficialmente não tinha qualquer relação com atividades da empresa nesses países. Lula viajou acompanhado por pessoas próximas, como funcionários de seu instituto, o escritor Fernando Morais e o presidente do sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques. O único integrante da comitiva que não fazia parte do círculo do ex-presidente era Alexandrino Alencar, atual diretor de Relações Institucionais da Odebrecht. Alencar foi apontado por três delatores da Operação Lava Jato como o responsável por operar as propinas da empresa no Exterior. A empresa Líder Táxi Aéreo, responsável pelo vôo, o classificou como "completamente sigiloso". A viagem, que custou R$ 435 mil, foi paga pela DAG Construtora, da Bahia, uma das parceiras comerciais da Odebrecht. Segundo a construtora, o traslado pelos três países foi pago em função da agenda do ex-presidente na República Dominicana. O Instituto Lula confirmou a realização de palestra no país. 

Deputado petista contrata irmão de André Vargas


Deputado de primeiro mandato, Toninho Wandscheer (PT-PR) nomeou na quinta-feira passada Loester Vargas Ilário (na foto), irmão do petista e deputado cassado André Vargas (PR), para um cargo de confiança em seu gabinete. A contratação se deu um dia antes da prisão de André Vargas na 11ª etapa da Operação Lava Jato, justamente por uma fraude milionária articulada em parceria com outros dois irmãos - Milton e Leon Vargas. Conforme publicado no suplemento da Câmara, Loester Vargas exercerá a função de secretário parlamentar - contratado por indicação, não por concurso público. Ele receberá um salário de 4.720 reais e atuará no escritório de Wandscheer em Curitiba. A contratação do irmão de André Vargas é uma espécie de retribuição: em 29 de setembro do ano passado, na reta final da campanha eleitoral, ele doou 11.000 reais para a campanha de Toninho à Câmara Federal. Quem procurar por Leoster na Casa terá dificuldades. Não há nenhum telefone registrado em sua ficha cadastral. Assessores de Toninho informaram que os contatos da família Vargas foram trocados em meio à investigação da Polícia Federal. Questionada sobre os critérios da contratação do irmão de Vargas, a assessoria de imprensa do deputado afirmou que ele somente se pronunciará nesta terça-feira. Loester foi Secretário de Meio Ambiente do município de Araucária (PR) - posto do qual foi demitido três meses após a nomeação. Em seguida, em julho do ano passado, assumiu a direção da Companhia de Habitação da cidade paranaense. Primeiro parlamentar flagrado em negociatas com o doleiro Alberto Youssef, André Vargas foi preso na última sexta-feira em decorrência da investigação sobre desvios de dinheiro envolvendo contratos na Caixa Econômica Federal e no Ministério da Saúde. Somente na Caixa, Vargas faturou pelo menos 50 milhões de reais em contratos firmados entre o banco e a empresa IT7 Sistemas, da qual Leon Vargas foi sócio. O Ministério Público Federal investiga se os serviços contratados pela Caixa foram, de fato, prestados. Além de transferências para conta bancária, as empresas da família de Vargas receberam pagamentos da Caixa Econômica Federal e do Ministério da Saúde por meio de contratos com a agência de publicidade Borghi Lowe com o banco público. Ricardo Hoffmann, representante da Borghi Lowe, também foi preso na última sexta-feira.

Nora de mensaleiro preso na Lava Jato movimentou dinheiro "superior ao esperado"


Na 11ª fase da Operação Lava Jato, que levou para a cadeia na última sexta-feira os ex-deputados André Vargas (ex-PT-PR), Luiz Argôlo (SD-BA) e Pedro Corrêa (PP-PE), a Polícia Federal encontrou indícios de que a nora de Corrêa, a servidora pública Marcia Danzi Correa de Oliveira, recebeu, em nome do sogro, propina enviada pelo doleiro Alberto Youssef. Laudos periciais em poder da polícia apontam que ela movimentou 1,377 milhão de reais entre 2010 e 2014, recursos, que, segundo os investigadores, são "muito superiores ao esperado". Marcia tem renda mensal de 7.000 reais como funcionária da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), mas, em depoimento à Polícia Federal, defendeu que saques de 350.000 reais realizados em suas contas entre 2010 e 2014 são "compatíveis" com sua capacidade financeira. De acordo com as investigações, 21% dos recursos que passaram pela conta dela foram feitos por depósitos em dinheiro vivo pelo filho do ex-deputado Pedro Corrêa. Aos policiais, Marcia negou ter indicado contas bancárias para que o doleiro Alberto Youssef depositasse propina e disse não ter conhecimento de que Correa havia indicado suas contas para receber dinheiro do esquema, embora ela tenha administrado as contas do sogro depois de ele ter sido cassado, no auge do escândalo do Mensalão do PT. A nora do mensaleiro disse que "nem se recorda" das movimentações de suas contas bancárias. Pedro Corrêa foi condenado a sete anos e dois meses de prisão em regime semiaberto no julgamento do Mensalão do PT por ter recebido dinheiro em troca de apoio político do PP ao governo Lula. No escândalo do petrolão, é suspeito de ter embolsado 5,3 milhões de reais em suborno para despesas de campanha em 2010. Embora o PP seja apontado como um dos principais partidos que atuavam no esquema de corrupção na Petrobras, o alto valor da propina paga ao ex-congressista chamou atenção até do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, um dos principais delatores do escândalo que envolve a Petrobras. "[Era] um repasse extraordinário, pois não era comum que um único parlamentar do PP recebesse uma quantia dessa monta do caixa de propinas do PP", disse o ex-diretor. Em outro depoimento colhido pelos policiais, o ex-funcionário de Corrêa, Jonas Aurélio de Lima Leite, que trabalhava no haras Fazenda Nova, de propriedade do mensaleiro, diz que o ex-deputado comprou votos no município de Brejo da Madre de Deus (PE), pagando contas de energia elétrica, água, combustíveis, além de providenciar peças de veículos e materiais de construção para os eleitores. Não há indicação de qual eleição se trata. Quando deixou de trabalhar no haras, em 2013, Leite diz ter levado os documentos que comprovam a compra de votos porque pretendia "denunciar as falcatruas" do ex-parlamentar.​ Pedro Corrêa cumpria pena no interior de Pernambuco, com autorização para trabalhar como médico durante o dia e retornar à noite para a cadeia. O ex-parlamentar, porém, foi alvo de pedido de prisão preventiva decretada pelo juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos sobre o escândalo do petrolão na primeira instância, e acabou transferido para Curitiba.

PETROBRÁS AVALIA VENDER 36,1% DAS AÇÕES QUE TEM NO PÓLO PETROQUÍMICO DE TRIUNFO

A Petrobras estuda vender sua participação na petroquímica Braskem, que no Rio Grande do Sul controla o Pólo Petroquímico de Triunfo. A operação é parte do plano de desinvestimentos da ordem de 13,7 bilhões de dólares. A estatal tem 36,1% do capital total da petroquímica. A Odebrecht, controladora da petroquímica, tem preferência na compra da participação da Petrobras, o que pode não acontecer na prática, devido aos desdobramentos da Operação Lava Jato. Após a notícia, as ações da Petrobras intensificaram ganhos na BMF&Bovespa. Por volta das 15 h, as ações ordinárias da estatal (ON, com direito a voto) avançavam 5,58%, enquanto as preferenciais (PN, sem direito a voto) tinham alta de 6,34%. O Ibovespa subia 0,76%, aos 54.214 pontos.

Preso na Operação Lava Jato, Pedro Corrêa é transferido para Curitiba


Detido na Operação Lava Jato, o ex-deputado federal Pedro Corrêa (PP-PE) foi transferido para Curitiba nesta segunda-feira (13). Corrêa chegou à Superintendência da Polícia Federal no Paraná no início da tarde e ainda passará por exame de corpo de delito. Ele estava em Pernambuco e foi levado a Curitiba em um voo comercial. Condenado no julgamento do Mensalão do PT, o ex-deputado permanecia preso em regime semiaberto no interior pernambucano. Na carceragem da Polícia Federal, no Paraná, há outros 14 presos da Operação Lava Jato, incluindo os ex-deputados André Vargas (ex-PT-PR) e Luiz Argôlo (SD-BA), também detidos na última sexta-feira (10). Outras três pessoas presas temporariamente na mais recente fase da operação já foram ouvidas e devem ser liberadas já nesta terça-feira (14). As prisões fazem parte da 11ª fase da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras e que, a partir de agora, também apura desvios na Caixa Econômica Federal e no Ministério da Saúde feitos a partir de contratos de publicidade. O juiz federal Sergio Moro, responsável pelas ordens de prisão, afirmou que há provas de que Corrêa recebia "propinas periódicas" decorrentes de desvios na Petrobras até recentemente. A defesa de Pedro Corrêa sustenta a idéia de que o ex-deputado firme um acordo de delação premiada para contribuir com a Justiça. Clóvis Corrêa Filho, que além de advogado é primo do ex-deputado, afirmou que as provas contra Corrêa citadas no despacho do juiz federal Sérgio Moro são contundentes. Isso pode também ser um blefe para conseguir "imunizar" o deputado no processo. "Não tem como fugir da Justiça, as provas são contundentes. Defendo que ele faça a delação para contribuir com o aperfeiçoamento do processo democrático", disse o advogado. Para o advogado, o estado de saúde do ex-deputado – que é diabético, tem pressão alta e problemas cardíacos – enseja cuidados. Por isso, ele deveria buscar atenuar uma possível nova pena com uma delação premiada. "Ele sabe de muita coisa, inclusive como foi a nomeação de Paulo Roberto Costa para a diretoria da Petrobras junto ao ex-presidente Lula", afirmou. Na avaliação do advogado Clóvis Corrêa Filho, a necessidade de arrecadar fundos para financiar campanhas fez seu cliente "ir por um caminho errado".

Agência de risco Fitch ameaça rebaixar avaliação de bancos brasileiros

Após colocar na semana passada em revisão a avaliação do Brasil, a agência Fitch de classificação de risco decidiu colocar também em observação para possível rebaixamentos as notas de várias instituições financeiras brasileiras, que tem como referência a avaliação do País. Mais cedo, a a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) afirmou que poderá cortar em duas ou três semanas as notas de risco da Vale e de outras sete mineradores, por conta da redução dos preços estimados para o minério de ferro neste e nos próximos anos. A avaliação da Fitch reflete ainda o cenário negativo projetado para o setor bancário devido às condições desfavoráveis no crédito e na economia. Também podem perder a avaliação atual os bancos que têm uma classificação igual ou superior ao do Brasil. Isso porque a agência considera sua viabilidade de rating relacionada ao do País. Nessa categoria estão os bancos Bradesco, Itaú Unibanco Holding e Safra. Finalmente, poderão ter suas notas rebaixadas subsidiárias locais de instituições financeiras estrangeiras que tenham uma avaliação igual ou superior à do Brasil. Nesse caso, estão Societe Generale Brasil, Cacique, Santander Brasil e Santander Leasing. Também serão afetados bancos que tenham "suporte institucional" do governo - caso de Banco Votarantim. A S&P reduziu sua expectativa de preço médio do minério de ferro de agora até o fim do ano para US$ 45,00 por tonelada, ante expectativa anterior de US$ 65,00 por tonelada. Com isso, durante as próximas semanas a agência de risco vai avaliar com mais detalhes os planos das empresas para lidar com o impacto negativo da queda dos preços do minério nos fluxos de caixa, disse a empresa em comunicado. Dentre as outras empresas que tiveram sua nota de risco colocada em observação negativa pela S&P estão as concorrentes de peso Tinto e BHP Billiton, que ao mesmo tempo que colaboram com o excesso de oferta, sentem os efeitos negativos da queda dos preços na receita de venda do minério. Para 2016, a agência revisou a estimativa para US$ 50,00 por tonelada, ante US$ 65,00 na previsão anterior, e para 2017 acredita que a média seja de US$ 55,00 por tonelada, ante US$ 70,00 em sua última expectativa. A revisão foi motivada, segundo a S&P, pela permanência da forte expansão da oferta de minério no mercado internacional, o ritmo menor que o esperado da saída dos produtores de alto custo e o crescimento mais lento da economia chinesa.

Morre escritor uruguaio Eduardo Galeano


O escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano morreu hoje (13) aos 74 anos. Galeano é considerado um dos maiores autores da literatura latino-americana, no entanto sua obra mais conhecida e que o projeto, "Veias abertas da América Latina", é uma grande fraude, uma porcaria solene. Ele próprio reconheceu que a obra continha muitos erros. Foi o chamado "livro de carregação", um vulgar livro de doutrinação anti-imperialista. Galeano estava internado em um hospital em Montevidéu e morreu devido a complicações de um câncer de pulmão, que já havia sido tratado em 2007. Galeano nasceu em 3 de setembro de 1940 em Montevidéu e começou a escrever aos 14 anos no jornal El Sol. Em 1958, passou também a escrever crônicas de arte. Nos anos 1960, trabalhou como editor do jornal semanal Marcha e no diário Época. Após o golpe de estado, em 1973, Galeano teve de deixar o Uruguai e foi viver na Argentina. Quando voltou ao seu país em 1985, ele fundou o semanário Brecha. Na Argentina ele dirigiu a revista Crisis. 

Balança comercial acumula superávit de US$ 132 milhões em abril

A balança comercial – exportações menos importações – acumulou superávit de US$ 132 milhões nas duas primeiras semanas de abril, desempenho melhor do que o registrado no mesmo período de 2014, quando houve déficit de US$ 13,1 milhões. Na primeira semana do mês, o país exportou US$ 271 milhões a mais do que importou. Na segunda semana, porém, o Brasil comprou do exterior US$ 139 milhões a mais do que vendeu. Os números foram divulgados há pouco pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Em 2015, o país acumula déficit de US$ 5,425 bilhões na balança comercial. O rombo é 10% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando o indicador registrava resultado negativo de US$ 6,027 bilhões até a segunda semana de abril. No acumulado do ano, as exportações estão caindo mais que as importações. Até a segunda semana de abril, o país vendeu US$ 47,828 bilhões, queda de 15,3% pela média diária em relação ao mesmo período do ano passado. As importações somaram US$ 53,253 bilhões, retração de 14,5% também pela média diária. Em abril, todas as categorias de produtos registraram queda nas exportações. As vendas de produtos básicos caíram 29,5% em relação às duas primeiras semanas de abril de 2014, motivada pelo recuo nas vendas de soja em grão, minério de ferro e farelo de soja. As exportações de bens semimanufaturados caíram 27,5%, por causa da queda nas vendas de açúcar bruto, ouro em forma semimanufaturada, couros e peles. As vendas de produtos manufaturados caíram 22,8%, com destaque para as reduções nos embarques de açúcar refinado, automóveis e autopeças. Em relação às importações, as principais quedas nas duas primeiras semanas de abril ocorreram nas compras de combustíveis e lubrificantes (-51,9%), adubos e fertilizantes (-48,9%), químicos orgânicos/inorgânicos (-27,9%). 

PETROBRÁS TERÁ SÉRIOS PROBLEMAS PARA FINANCIAR PRÉ-SAL


A Petrobrás terá "sérias dificuldades" para financiar e atrair investidores para o pré-sal enquanto não resolver seu "problema de administração". O alerta é de René Bautz, presidente do Conselho Mundial de Energia, uma instituição que concentra especialistas, empresas e governos de todo o mundo para examinar o segmento e coletar dados. Segundo ele, a preocupação de investidores é de que a Petrobrás seja uma "bola de neve" e "contamine" todo o clima de investimentos na América Latina. "O setor está muito preocupados", declarou o executivo, que também é CEO a Gaznat, uma empresa com sede na Suíça. Segundo ele, a imagem passada pelo escândalo da Petrobrás deve afetar o fluxo de investimentos para o setor de energia em toda a região. Criado em 1923 e com mais de 3 mil membros em 90 países, o Conselho é um dos principais órgãos que monitora o mercado de petróleo no mundo. "Vemos problemas na gestão interna e questões políticas que influenciaram", alertou. "Lamento muito. A Petrobrás tem um grande potencial para o futuro. Mas hoje terá de ter cuidado com sua gestão primeiro", indicou. Para ele, a questão não se resume a privatizar ou não a estatal. " A privatização pode ser (uma opção). Mas o que conta é a administração. A imagem e a credibilidade no mercado internacional para atrair investidores. Nisso ela terá de ter muito cuidado", avaliou Bautz. Em sua avaliação, a atual crise "pode ser nefasta" para a Petrobrás. "Restabelecer uma boa imagem pode levar anos", alertou, apontando para exemplos de empresas como a BP que, por uma crise ambiental, foi seriamente afetada. Hoje, mais de dez fundos de pensão e investidores nos EUA e Europa já se lançaram em processos legais contra a Petrobrás, o que promete afetar de forma importante as contas da empresa. Por enquanto, a estatal sequer publicou em seu balanço financeiro o impacto do que seria o desvio de dinheiro, alvo das investigações no País. Preços. Para ele, o escândalo de corrupção ocorre no mesmo momento de quedas nos preços do petróleo, o que dificultará ainda mais os investimentos. "Certamente no longo prazo investir na Petrobrás é algo interessante. No longo prazo, até 2040, precisaremos de mais energia e um aumento de 30% na produção mundial ", disse. "Mas o fato é que hoje, com a queda do preço, (o pré-sal) é um investimento que será extremamente difíceis de rentabilizar", declarou. Para Bautz, os valores hoje do preço do barril tornam investimentos como o da Petrobrás em um "desafio". Uma avaliação da ONU, porém, é de que os preços ainda podem cair, já que não existe nenhum fator que revele um aumento do consumo mundial ou do crescimento da economia. Ele, porém, admite que parte da estratégia de redução de preços pode ser uma manobra dos grandes produtores atuais para adiar projetos que possam ser concorrentes aos seus. "Talvez seja uma estratégia geopolítica de países produtores para deslocar e adiar esses projetos para não perder essa parte do mercado", completou. Em apenas nove meses, o barril do petróleo perdeu mais de 50% de seu valor, enquanto países como a Arábia Saudita se recusam a limitar sua produção e exportação.

EX-JUIZ É CONDENADO A 17 ANOS POR LAVAGEM E EVASÃO


A Justiça Federal em São Paulo condenou o ex-juiz federal João Carlos da Rocha Mattos a 17 anos, cinco meses e dez dias de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A sentença atende a pedidos do Ministério Público Federal em São Paulo em ação penal que tramita desde 2011. Rocha Mattos, que já fora condenado em outros processos por corrupção e formação de quadrilha, recebeu valores sem origem justificada e remeteu ilegalmente quantias para uma conta bancária na Suíça com o auxílio da ex-mulher, Norma Regina Emílio Cunha, e do irmão dela, Júlio César Emílio. Ambos também foram condenados, segundo informou nesta segunda feira, 13, a Procuradoria da República em São Paulo. Ao todo, Rocha Mattos movimento US$ 12 milhões na Suíça. Rocha Mattos foi o alvo principal da célebre Operação Anaconda, deflagrada em outubro de 2003 para combate a uma organização que supostamente vendia sentenças judiciais. Na época, Rocha Mattos foi preso e condenado a 3 anos de prisão por formação de quadrilha. Os recursos não declarados foram identificados em três ocasiões. Na primeira, em 2003, os investigadores encontraram US$ 550,5 mil na casa de Norma e o equivalente a R$ 790 mil em contas no Brasil e no Exterior, uma delas cedida por um amigo para facilitar a ocultação dos valores. No episódio seguinte, segundo o site do Ministério Público Federal, após a quebra do sigilo bancário da ex-mulher de Rocha Mattos, foi constatado um depósito de R$ 116 mil proveniente de uma companhia que tinha relações com o empresário Enrico Picciotto, absolvido em 2000 pelo então juiz federal em um processo por crimes contra o sistema financeiro. O inquérito revelou movimentações que totalizam mais de US$ 12 milhões em uma conta no banco suíço BNP Paribas, vinculada a Norma e Rocha Mattos. As remessas de dinheiro foram feitas sem conhecimento do Fisco nem autorização. Diante da falta de comprovação sobre a origem dos recursos, o juiz federal Paulo Bueno de Azevedo, autor da sentença, destacou existirem provas suficientes de que os réus cometeram a lavagem de ativos ao enviarem as quantias para o Exterior. “De fato, as declarações de imposto de renda de ambos não mencionavam tais valores, e como ambos, de qualquer modo, não poderiam ter adquirido semelhante soma de forma lícita, a única origem possível de tal montante é a prática dos crimes contra a administração pública cometidos por João Carlos da Rocha Mattos, quando do exercício do cargo de juiz federal”, escreveu o magistrado. Além da pena privativa de liberdade, Rocha Mattos foi condenado ao pagamento de multa equivalente a 303 salários mínimos. Norma foi condenada a 15 anos e dois meses de prisão e a pagar 257 salários mínimos a título de multa. Ambos deverão cumprir pena em regime inicial fechado, mas poderão recorrer em liberdade. Já Júlio César, que auxiliou a irmã na prática de evasão de divisas, teve a pena de reclusão de três anos e seis meses substituída por prestação de serviços e pagamento de R$ 10 mil a uma instituição social indicada pela Justiça. Ele também deverá pagar multa no valor de 60 salários mínimos. O procurador Rodrigo de Grandis, responsável pela ação, já recorreu para que a pena dos réus seja aumentada.

DILMA CRITICA PROPOSTA DE REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL


A presidente Dilma Rousseff publicou nesta segunda-feira, 13, em seu perfil oficial no Facebook - administrado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) -, a avaliação de que a redução da maioridade penal no Brasil de 18 para 16 anos, em debate no Congresso Nacional, seria "um grande retrocesso" para o País. "Há poucos dias, eu reiterei aqui a minha posição contrária a esse tipo de iniciativa. E mantenho minha palavra", disse a presidente na publicação na rede social, sob o título "Sou contra a redução da maioridade penal". Para Dilma, reduzir a maioridade penal não vai resolver o problema dos crimes cometidos por menores de 18 anos. A presidente, no entanto, considera que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) pode ser aperfeiçoado e, por isso, orientou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a começar o debate para o aprimoramento do código junto a entidades representativas da sociedade. "É preciso endurecer a lei, mas para punir com mais rigor os adultos que aliciam menores para o crime organizado", afirmou.  A presidente frisou que ser contra a redução da maioridade penal não significa ser favorável à impunidade, já que menores que tenham cometido algum delito já estão sujeitos a medidas socioeducativas que, em casos mais graves, incluem até mesmo a privação de liberdade. "Lugar de meninos e meninas é na escola. Chega de impunidade para aqueles que aliciam crianças e adolescentes para o crime", completou.

POLÍCIA FEDERAL QUER PRORROGAR INQUÉRITOS QUE INVESTIGAM POLÍTICOS


A Polícia Federal vai pedir ao Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira a prorrogação do prazo dos inquéritos da Operação Lava Jato abertos para investigar políticos acusados de envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobrás. O ministro Teori Zavascki concedeu 30 dias de prazo inicialmente, mas várias diligências ainda não foram cumpridas. Nessa fase do processo, os policiais colhem depoimentos dos políticos, cumprem mandados de busca e apreensão e analisam toda documentação apreendida. No total, o STF autorizou a abertura de 35 inquéritos contra políticos com mandatos suspeitos de se beneficiarem do esquema de corrupção, a maioria do PP. Delatores da Lava Jato disseram em seus depoimentos que os congressistas recebiam percentual de propina sobre o valor dos contratos de obras tocadas pelas diretorias da Petrobrás de Abastecimentos, Internacional e Serviços. A lista de investigados inclui os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e do Senado, Renan Calheiros (AL). Os dois negam envolvimento com o esquema. Dos políticos com mandato investigados, já prestaram depoimento: Gleisi Hoffmann, que foi acompanhada do marido, o ex-ministro Paulo Bernardo; os senadores Lindbergh Farias (RJ), Humberto Costa (PE), ambos do PT. E os deputados do PP do Rio Grande do Sul, Jerônimo Goergen, Renato Molling e Luiz Carlos Heinze. Eduardo Cunha se recusou a prestar depoimento nessa fase do inquérito por não ser obrigado a fazê-lo.

POLÍCIA FEDERAL CUMPRE 229 MANDADOS PARA DESMANTELAR MÁFIA DO DPVAT


A Polícia Federal cumpre 229 mandados em Minas Gerais, Baha e Rio de Janeiro, no âmbito da operação Tempo de Despertar, para desmantelar um esquema de fraudes do seguro obrigatório DPVAT. A operação mobiliza 220 policiais federais dos estados de Goiás, Espiríto Santo, Bahia, Minas Gerais e do Distrito Federal. São cumpridos 41 de prisão, 7 conduções coercetivas e 61 mandados de busca a apreensão, 12 afastamentos de cargo público, 51 sequestros de bens e 57 afastamentos de sigilo bancário. De acordo com a Polícia Federal, as fraudes podem atingir o montante de 28 milhões. Estão envolvidos na fraude médicos, dentistas, fisioterapeutas, servidores públicos, policiais civis e militares e agenciadores de seguros, acusados de produzir laudos médicos e ocorrências policiais falsificadas para fraudar o DVAT, seguro obrigatório pago por motoristas para indenizar vítimas de acidentes de trânsito. O esquema é acusado também de falsificação de assinaturas em procurações e declaração de residência falsa. Em alguns casos, o pagamento do DPVAT era autorizado mesmo sem documentação. Os investigados responderão pelos crimes de formação de quadrilha, estelionato, falsificação e uso de documentos públicos, corrupção ativa e passiva, e facilitação ou permissão de senhas de acesso restrito a terceiros.

Lula tenta "lavar" o jato que usava para fazer lobby para a Odebrecht. Crescem os indícios do envolvimento do ex-presidente no Petrolão.

O atual diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Alexandrino Alencar, levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um périplo por Cuba, República Dominicana e Estados Unidos, em janeiro de 2013. A viagem foi paga pela construtora e, oficialmente, não tinha relação com atividades da empresa nesses países. Lula foi a um evento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre o clima, visitou o presidente da República Dominicana e falou no congresso de trabalhadores da indústria nos Estados Unidos. Na Operação Lava-Jato, Alencar é o dirigente da Odebrecht acusado por três delatores de ser operador de pagamento de propinas para a empresa no Exterior. A relação oficial de passageiros do voo, obtida pelo GLOBO, mostra que ele era o único que não fazia parte do círculo de convivência de Lula. Estavam na aeronave funcionários do Instituto Lula, o biógrafo Fernando Morais e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques. O documento de solicitação do serviço, da Líder Táxi Aéreo, mostra também que o contratante exigiu discrição. No campo “passageiro principal” do formulário, o funcionário da Líder escreveu: “vôo completamente sigiloso”. Procurada, a Líder não comentou o motivo do registro. Para evitar que fosse vinculada ao fretamento, a Odebrecht usou uma de suas parceiras para pagar a despesa: a DAG Construtora, da Bahia. O dono da empresa, Dermeval Gusmão, primeiro negou ter pagado pelo voo. Anteontem à noite, ligou para informar que localizou um pagamento de R$ 435 mil à Líder e disse que um de seus diretores pode ter feito isso a pedido da Odebrecht. Alencar já havia sido convidado por Lula para acompanhá-lo em comitiva do governo brasileiro à África, em 2011, quando ele já não era mais presidente. Na época, o pedido causou constrangimento ao Itamaraty, porque o diretor não trabalhava no governo nem tinha relação direta com atividades do ex-presidente. No mesmo ano, a Odebrecht pagou para que Lula viajasse à Venezuela, também na companhia de Alencar, segundo a revista “Época”. Alencar foi um dos principais interlocutores para viabilizar a construção do estádio Itaquerão, antigo sonho de Lula, segundo o livro de memórias do ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. O primeiro delator a citar o nome do diretor da Odebrecht na Lava-Jato foi o doleiro Alberto Youssef. Ele disse que a Braskem, do grupo Odebrecht, obteve vantagens na compra de insumos da Petrobras, graças a uma renegociação de preços conduzidas na estatal pelo então diretor Paulo Roberto Costa. Em troca, a Braskem teria aceitado pagar US$ 5 milhões em propinas, a serem divididos entre dirigentes do PP e Costa, com intermediação de Youssef. O doleiro mencionou o local onde se reunia com o diretor da Petrobras e Alencar: nos hotéis Hyatt e Tivoli, em São Paulo, entre 2006 e 2012. Segundo os depoimentos, a construtora depositava os valores em contas fora do país; os recursos eram internalizados em operações de fachada. Youssef disse que marcava encontros com Alencar por telefone. O número do diretor da Odebrecht consta da lista de ligações realizadas ou recebidas por um dos aparelhos de Youssef, conforme relatório sigiloso da empresa Blackberry, enviado aos investigadores da Lava-Jato. Funcionário do doleiro e também delator, Rafael Angulo disse ao Ministério Público ter se reunido com Alencar na sede da Odebrecht, em São Paulo, para lhe fornecer o número de contas bancárias no exterior que deveriam ser usadas para depósitos. Também aparecia para recolher comprovantes de pagamentos realizados. Ao depor, Costa confirmou o pagamento de propina pela Braskem, mas negou que tenha discutido a parte que cabia ao PP com a empresa, limitando-se “à parte da propina que cabia ao próprio depoente”. A Odebrecht informou ter pagado pela viagem do ex-presidente por três países em função de agenda complementar cumprida por ele na República Dominicana, que não foi divulgada pelo Instituto Lula. Segundo a construtora, além de se encontrar com o presidente do país, Lula realizou uma palestra “para empresários, investidores, políticos e formadores de opinião”. O Instituto Lula confirmou a palestra e disse que “às vezes sim, às vezes não” a organização divulga na agenda oficial do ex-presidente a sua participação em eventos privados. 

Movimentos de rua olham para frente e decidem: em vez de rejeitar, devem se unir aos políticos e partidos

O maior avanço das manifestações de 12 de abril é o fato de que a maioria dos movimentos reconheceu que, de agora em diante, para acontecer alguma coisa de novo e de objetivo, precisam empoderar os políticos alinhados com as suas pautas, em vez de impedi-los de participar dos seus atos. Não dá para ser apartidário a vida toda. Para isso, estão organizando uma Marcha à Brasília, nesta próxima quarta-feira. Tenho absoluta certeza de que serão muito bem recebidos pelo PSDB, DEM, SDD e parte do PP e do PMDB. Espera-se que os seus líderes percam a ideia de democracia direta, que isto é o estilo PT de fazer política. Espera-se que algumas jovens lideranças usem mais a inteligência e menos a língua para dizer bobagens. Espera-se que a Oposição tenha sensibilidade para reconhecer o inegável trabalho de mobilização destes movimentos e que, juntos, fechem uma pauta possível dentro da Democracia e do Estado de Direito para que a voz da rua ecoe dentro do plenário do Congresso Nacional.

Líder tucano "desenha" os motivos que fizeram Aécio não ir às manifestações.


O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, pretende criar um canal de diálogo para aproximação dos partidos de oposição ao governo federal com os principais movimentos que organizaram protestos neste domingo (12) pela saída da presidente Dilma Rousseff (PT).  Segundo o presidente estadual do PSDB em Minas Gerais, Marcus Pestana, o tucano convidará neste mês os dirigentes de grupos como o Vem pra Rua e Movimento Brasil Livre para discutir suas reivindicações e questioná-los se há abertura para sua participação em futuros protestos. O candidato tucano derrotado na sucessão presidencial era esperado nas últimas duas manifestações contra o governo, mas, de última hora, decidiu não participar. A criação de uma relação com esses movimentos contrários ao governo federal ainda é vista com cautela pelo comando nacional do PSDB. Na manifestação realizada na av. Paulista, os dirigentes do Vem pra Rua e do Movimento Brasil Livre criticaram os partidos de oposição, a quem chamaram de "frouxos", e cobraram maior empenho deles na abertura de um processo de impeachment no Congresso Nacional. "O Aécio Neves vai, nos próximos dias, convidar a direção desses movimentos para um diálogo nacional", disse Marcus Pestana. "Como você vai tomar café na casa de uma pessoa que não te convidou? O passo que temos de dar é um diálogo com os movimentos para clarear. Eles nos querem lá?", questionou. Segundo o presidente do PSDB em Minas Gerais, Aécio chegou a pensar em participar do protesto de domingo, mas teve receio de que sua presença criasse um clima de "terceiro turno" da eleição presidencial. "Nós precisamos nos entender [com os movimentos de rua]. Qual a visão deles sobre o Brasil?", questionou. "Imagine se o Aécio Neves participa de um movimento difuso e alguém tira uma foto com ele com uma camiseta favorável à volta dos militares? Pronto, aí o PT faz uma festa", observou. Aécio Neves chegou a divulgar, na sexta-feira (10), um vídeo em que convocava a população para os protestos de domingo. O dirigente defendeu que o PSDB tem feito uma oposição "firme" e "segura" no Congresso. Na avaliação dele, o processo de impeachment deve ser um ponto de chegada, não um ponto de partida, como defendem alguns movimentos de rua.  "Não é um processo trivial. Você não afasta um presidente como troca de camisa", ressaltou. Segundo ele, a abertura de um processo de afastamento da presidente tem apoio social, como mostrou pesquisa Datafolha, mas ainda faltam substância jurídica e apoio no Congresso. De acordo com o instituto de pesquisa, 63% dos brasileiros são favoráveis à discussão do impeachment no Poder Legislativo.  "O PSDB não patrocinará nenhuma aventura autoritária, nenhum retorno ao passado. Nós temos um compromisso radical com a democracia e, portanto, com as instituições democráticas", ressaltou.

Quem deve, teme

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Vargas guardou mensagens comprometedoras
Abandonado pelos petistas, André Vargas vai dar ainda muito trabalho aos ex-companheiros e aos que faziam negócios com ele. Vargas guardava o Blackberry – com as mensagens arquivadas –  dos tempos em que era deputado.  A PF apreendeu o celular. Muita gente deve ter motivos para ficar preocupada. Por Lauro Jardim

Perto da força

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Alves: mais longe de Cunha, mais próximo de Temer
A nomeação de Henrique Alves para o Turismo, que vem sendo costurada por Michel Temerpara acontecer nos próximos dias, fez com o que o ex-presidente da Câmara se afastasse discretamente de Eduardo Cunha e se reaproximasse de Temer. Diz um pragmático deputado peemedebista: "Ninguém tem amor, não. Henrique percebeu que o Michel vai conseguir a nomeação dele, algo que Eduardo não teve força para conseguir". Por Lauro Jardim

Petistas pelo ajuste

Bancada do PT no Senado: agora são pelo ajuste
Bancada do PT no Senado: agora são pelo ajuste
Com exceção de Paulo Paim, a bancada de senadores do PT já decidiu que vai votar pelo ajuste fiscal. O provável é que ocorram concessões do Palácio do Planalto, mas nada que altere a essência do ajuste. Entre os que têm se manifestado a favor do ajuste, está Marta Suplicy. Por Lauro Jardim

Deputados devem processar sindicato de trabalhadores públicos do Rio por informações erradas no Facebook

Em meio à sua cruzada no Facebook contra o projeto de lei que muda as regras para terceirizações, o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal do Estado do Rio de Janeiro (Sintrasef) enumerou 25 deputados fluminenses que teriam votado a favor das mudanças e, pela lógica do sindicato, “contra o trabalhador”. No entanto, entre os nomes listados, Índio da Costa (PSD), Felipe Bornier (PSD), Jair Bolsonaro (PP), Cristiane Brasil (PTB) e Marcos Soares (PR) sequer votaram. Eduardo Cunha, que encabeça a lista, não votou por ser presidente da Câmara. Outro exemplo da imprecisão na informação do Sintrasef: Sóstenes Cavalcante (PSD) votou contra as mudanças nas terceirizações, mas foi colocado entre os que teriam apoiado o PL 4330. Fazendo as contas, 28% dos nomes da lista não deveriam estar ali. Os deputados incluídos indevidamente estudam entrar com ações contra o Sintrasef, que apagou a postagem. Por outro lado, Celso Pansera (PMDB), Francisco Floriano (PR), Roberto Sales (PRB), Rosângela Gomes (PRB), Hugo Leal (PROS) e Luiz Carlos Ramos (PSDC) votaram sim, mas não estão na lista negra do sindicato. Por Lauro Jardim

COMEÇA HOJE, EM PORTO ALEGRE, O 28º FÓRUM DA LIBERDADE, PROMOVIDO POR ENTIDADE DO PENSAMENTO LIBERAL, MAS QUE É COMANDADA POR EMPRESÁRIOS SOCIALIZANTES E SABUJOS DO PT

O Fórum da Liberdade debaterá neste ano os caminhos da liberdade, tema da 28ª edição, que começa nesta segunda-feira no Centro de Eventos da Pontifícia Universidade Católica do Estado (PUCRS). Promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), o encontro reúne 23 painelistas. O Instituto de Estudos Empresariais foi criado no início da década de 80 por empresários liderados pelo barão do aço Jorge Gerdau Johannpeter. Eles pretendiam educar os delfins do capitalismo gaúcho nas artes do pensamento liberal. Ao longo dessas três décadas, os senhores do pensamento liberal foram totalmente domesticados pelo petismo. E terminaram por aderir de maneira total, irredutível e irremediável ao pensamento petralha, ao qual se atrelaram de bom gosto. E atrelaram-se de maneira a comprometer toda sua vida e até a honra. É o caso do grande barão brasileiro do aço, Jorge Gerdau Johannpeter, que se comprometeu na Petrobras e no Petrolão. Ele está integralmente envolvido na desastrada e criminosa compra da sucateada refinaria de Pasadena, no Texas, Estados Unidos. Jorge Gerdau Johannpeter, que passou as últimas três décadas alardeando as maravilhas dos programas de qualidade e eficiência na administração pública, viu-se miseravelmente envolvido no desastre da administração pública, como membro do Conselho de Administração da Petrobras durante uma década. E está sendo investigado nos Estados Unidos. Resumo da ópera: precisou de desligar do Conselho de Administração do Grupo Gerdau, assim como seus irmãos. Este é o Fórum da Liberdade, aquele onde seus empresários pregam uma coisa e fazem outra. Dizem-se grandes defensores da iniciativa privada, mas atrelam-se miseravelmente ao socialismo petista estatizante. Deveria melhor se chamar Forum do Farisaísmo. 

Os reacionários de esquerda, inclusive da grande imprensa, podem ladrar à vontade. A caravana vai passar

Movimentos que convocaram as duas grandes manifestações de protesto contra o governo Dilma decidiram iniciar uma segunda fase de sua luta: o caminho agora é Brasília. Já demonstraram que estão em conexão com a larga maioria do povo brasileiro, conforme atesta pesquisa Datafolha. É chegada a hora de — atenção para este verbo — tensionar as instituições. Isso supõe um diálogo altivo com elas. O Movimento Brasil Livre (MBL) dará início, no próximo dia 17 a uma Marcha — sim, a pé — a Brasília. O objetivo é chegar à capital federal um mês depois e lá promover uma grande manifestação. O Vem Pra Rua pretende apresentar, no próximo dia 15, uma pauta que reúne reivindicações de 50 organizações que se opõem ao atual estado de coisas. Esse é o caminho natural. Falei há pouco com Kim Kataguiri, um dos coordenadores do MBL. Perguntei se a pauta principal da marcha é o impeachment de Dilma, como foi noticiado por aí. Ainda que o movimento veja razões para tanto — e eles existem —, a moçada não é ingênua. É evidente que ninguém marcha para Brasília para pedir “o impeachment ou nada”. Os coordenadores do MBL reconhecem que o impedimento é uma questão jurídica e política. Logo, depende das leis e das circunstâncias. Assim, chegou a hora de esses movimentos exigirem uma interlocução com as instituições, que não pertencem ao governo do PT, mas ao Estado brasileiro. O mesmo vale para o Vem Pra Rua. Na entrevista que concedeu ao programa “Os Pingos nos Is”, da Jovem Pan, Rogério Chequer já havia falado da necessidade de articular as dezenas de grupos que hoje se organizam cobrando mudanças efetivas no país. Isso tem de virar uma pauta. Assim, esses movimentos se preparam para o diálogo dos fortes, não para a cooptação. E, à diferença do que pretendem os reacionários de esquerda, inclusive os incrustrados na grande imprensa, eles já avançaram bastante até aqui. Organizaram, em menos de um mês, duas grandes manifestações. E o fizeram contra a máquina oficial de propaganda e contra a incredulidade de analistas políticos e uma safra de colunistas intelectualmente safados como raramente se viu. Sou antigo nesse troço de manifestação. Sei bem o que é participar de um movimento com a imprensa unanimemente a favor. Foi assim nas Diretas Já. Era moleza! Parecia que o mundo inteiro estava com a gente. No impeachment de Collor, eu já era jornalista. Aí posso falar, vamos dizer, da adesão “por dentro”. Ainda que houvesse, e havia, o cuidado para não distorcer os fatos em prejuízo do então presidente, era evidente que a seleção da pauta se dava em favor do impeachment. Agora, a coisa é bem diferente. Há, sim, jornalistas simpáticos aos que se manifestam. Mas, na média, a chamada grande imprensa vê movimentos como o “Vem Pra Rua”, o “Brasil Livre” e o “Revoltados Online” com o pé atrás. Jornalistas têm certa compulsão por aquilo que julgam ser o “progressismo”. Se os que se manifestam não adotam a pauta que consideram universal — geralmente ligada à área de costumes —, tendem a entornar o nariz e a colar na turma a pecha de “reacionária”. O que estou dizendo, com todas as letras, é que a imprensa, nas décadas de 80 e 90, respectivamente, turbinava os atos em favor das Diretas e do impeachment de Collor. Desta feita, faz o contrário. As manifestações de rua se impuseram apesar do jornalismo, não com a sua ajuda. A primeira tentação, basta olhar os arquivos, foi ver nas ruas a pressão da elite branca. A moçada venceu o pelotão de fuzilamento moral e a barreira da desqualificação. O fel do colunismo de esquerda e o jogo pesado dos blogs sujos se mostraram irrelevantes. A patrulha no petismo nas redes sociais chamou a atenção mais pelo seu lado patético do que por sua eficiência. O ex-presidente Fernando Henrique Cardozo recomendou que os partidos de oposição não se confundam com esses movimentos da sociedade civil. Ele está certo. Como estão certos esses movimentos ao criticar o que consideram frouxidão das oposições. É preciso não confundir os papeis. As democracias avançam — e não estou dizendo nenhuma novidade; há sólida teoria a respeito — quando indivíduos, organizados em grupos, levam adiante a bandeira da convicção; às forças institucionais, cabem os limites da responsabilidade. É a tensão desses dois vetores que produz avanços. Nem a convicção deve sair por aí a cortar cabeças, como um Robespierre mais ensandecido do que o original, nem a responsabilidade deve engessar as demandas vivas da sociedade, congelando o statu quo e imobilizando os atores sociais. É saudável que grupos de pressão na sociedade tenham uma pauta mais ousada e avançada — dados seus pressupostos e seus valores — do que as oposições institucionais. É assim que tem de ser. A pauta do Vem pra Rua, do Movimento Brasil Livre ou do Revoltados Online não se resume ao impeachment de Dilma, que pode acontecer ou não. Caso se dê, é preciso ter um amanhã; caso não se dê, também. E, é claro!, se as oposições que temos não souberem ler a realidade, serão superadas pelos fatos. Os reacionários de esquerda, em especial alguns colunistas do nariz marrom, estão expelindo sua baba hidrófoba contra esses movimentos. Acham um absurdo e uma violência que uma de suas palavras de ordem seja “Fora PT”, mas viam uma verdadeira poesia quando os petistas gritavam “Fora Sarney”, “Fora Collor” e “Fora FHC”. Podem ladrar à vontade. A caravana vai passar. Por Reinaldo Azevedo

Jurista Paulo Brossard, ex-ministro do STF, morre em Porto Alegre aos 90 anos


O jurista gaúcho Paulo Brossard de Souza Pinto, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, morreu aos 90 anos na manhã deste domingo (12), em Porto Alegre. Ministro da mais alta corte do País entre 1989 e 1994, Brossard teve atuação política pelo Rio Grande do Sul, onde foi deputado estadual, deputado federal, senador. Filiado ao oposicionista MDB no período da ditadura, destacou-se na luta pela redemocratização do País. Chegou a ser candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo general Euler Bentes Monteiro nas eleições indiretas de 1978, sendo derrotado pela chapa do general João Figueiredo. No governo Sarney, foi consultor-geral da República de 1985 a 1986 e ministro da Justiça até 1989. Também fez carreira acadêmica, sendo professor da PUC e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O velório de Brossard aconteceu no Salão Negrinho do Pastoreio, do Palácio Piratini, e seu corpo foi cremado às 21 horas, no Crematório Metropolitano, em Porto Alegre, Em nota, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que recebeu "com tristeza" a notícia sobre Brossard, jurista que "dedicou seu conhecimento e seu espírito público à luta pela redemocratização do Brasil". O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), decretou luto oficial de três dias. 

Velocidade dos trens da ALL despenca e já se aproxima à da pré-privatização


As quatro ferrovias administradas pela América Latina Logística (ALL), maior concessionária da América do Sul, voltaram no tempo. Em cinco anos, a velocidade dos trens que circulam pela malha da empresa despencou, em média, 50% e atingiu níveis próximos aos do período pré-privatização. Além de contribuir para a queda dos níveis de produtividade, a redução é um obstáculo à competitividade e à expansão do setor ferroviário. A piora dos números da ALL, que no ano passado anunciou sua fusão com a Rumo Logística, do Grupo Cosan, começou a se desenhar em 2009. Naquela época, sob a filosofia de administração da gestora GP Investimentos, a empresa vendia a imagem de modelo de eficiência e modernidade. A velocidade média das ferrovias variava de 23,40 quilômetros por hora (km/h) a 31,07 km/h. Mas, depois de uma série de fiscalizações feitas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a velocidade média passou a cair gradualmente ano após ano. Em 2013, último dado constante no Anuário 2014 da agência reguladora, a velocidade passou a variar entre 13,36 km/h e 14,85 km/h. A queda foi uma determinação da agência reguladora para preservar a segurança do tráfego ferroviário e reduzir riscos para a sociedade. A partir de 2010, o número de acidentes nas quatro malhas da ALL aumentou e atingiu o pico em 2011. Em 2009, foram 167 ocorrências; em 2011, 401; e, em 2013, 389. Em termos relativos, no entanto, considerando a movimentação de trens, o índice de acidentes melhorou ou ficou estável em alguns trechos, segundo os dados da ANTT. Pelo manual da agência reguladora, a velocidade de uma ferrovia precisa ser reduzida se a fiscalização detecta que a qualidade da via permanente (trilhos, dormentes, pontes e túneis) está inadequada. Nos bastidores, especialistas afirmam que a situação da malha da ALL se deteriorou nos últimos anos por falta de manutenção adequada. A gestão anterior não fez os investimentos necessários na via, apenas trocou os dormentes (madeiras que sustentam os trilhos) que estavam podres por novos, afirmou uma fonte, em Brasília. Segundo relatório da ANTT, entre 2009 e 2013, a empresa investiu R$ 3 bilhões nas quatro malhas administradas – sendo parte desses recursos na expansão da Malha Norte, em Mato Grosso. Apesar disso, o volume é considerado baixo comparado ao que a empresa havia prometido, afirma o professor da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende. Segundo ele, a expansão da ferrovia para o Centro-Oeste, maior produtor de grãos do País, demorou muito para ocorrer, o que suscitou inúmeras críticas: “Além disso, o traçado da malha da ALL tem problemas, é antiga e exigiria uma grande modernização das estruturas. E isso é uma responsabilidade do concessionário". O professor lembra que os comboios puxados pelas locomotivas têm cada vez mais vagões para aumentar a produtividade das empresas. A prática, por si só, já exigiria uma redução da velocidade por questões de segurança. Junta-se a isso o fato de as vias não serem preparadas para aguentar tamanho sobrepeso e também a falta de investimento por parte do governo, que deveria eliminar gargalos importantes, como a travessia de centros urbanos. O resultado é o que se vê nos relatórios da ANTT. “A dimensão da queda na velocidade das ferrovias da ALL é espantosa, chama muita atenção. Não é cair de 30 km/h para 25 km/h. É de 30 km/h para 13 km/h”, afirma o presidente da consultoria Inter.B, Cláudio Frischtak, especialista em infraestrutura. Na opinião dele, os números são indícios de “sub investimento” na malha ferroviária. “Mesmo com a queda na velocidade, o número de acidentes (em termos nominais) continuou em patamares elevados". Em nota, a ALL afirma que a premissa básica de sua operação é a segurança ferroviária: “A expansão dos centros urbanos em torno das linhas, a dificuldade de obtenção das licenças para os investimentos nos acessos ao porto, o aumento do volume transportado e a maior circulação de trens exigem que a velocidade média seja reduzida para manter o tráfego dentro das condições de segurança exigidas". Com a fusão entre a Rumo (empresa de logística da Cosan) e a ALL, há novamente a promessa de recuperação da malha. Para isso, pretende pôr em prática um plano de investimentos de cerca de R$ 8 bilhões até 2020 para duplicar alguns trechos ferroviários, eliminar gargalos e comprar novas locomotivas e vagões.