domingo, 19 de abril de 2015

Grupo Pão de Açúcar tem comitê para investigar pagamentos ao advogado Marcio Thomaz Bastos e ao "porquinho" petista Antonio Palocci

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) informou neste domingo, 19, por meio de nota, que irá investigar as informações publicadas na imprensa sobre realização de pagamentos pela companhia ao criminalista Márcio Thomaz Bastos. Reportagem da revista Época afirma que o grupo varejista fez "repasses" em dinheiro para o advogado e que os valores mais tarde foram entregues ao ex-ministro da Casa Civil, o "porquinho" petista Antonio Palocci, um dos investigados na operação Lava Jato da Polícia Federal. O GPA afirmou na nota que seu Conselho de Administração se reuniu hoje e deliberou por unanimidade solicitar ao Comitê de Auditoria que dê início a uma investigação sobre "a suposta existência e a origem dos pagamentos realizados; caso se verifique que ocorreram, os serviços que a eles corresponderam, e a cadeia de aprovações de tais pagamentos". A companhia afirma que, até a publicação da reportagem, o Conselho de Administração não tinha informação sobre a existência dos pagamentos nela referidos. A empresa destaca que as informações da revista dão conta de que tais pagamentos ocorreram antes da aquisição do controle da Companhia pelo Grupo Casino, ocorrida em julho de 2012. Ou seja, o Pão de Açucar informa que isso é responsabilidade do empresário Abilio Diniz, que controlava antes a empresa. De acordo com a reportagem da revista, os pagamentos teriam sido feitos pelo GPA depois da vitória da presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2010 e da indicação de Palocci à Casa Civil. A revista afirma que os pagamentos existiram para que Palocci ajudasse na fusão entre o grupo, então controlado pelo empresário Abílio Diniz, com as Casas Bahia. A nota do GPA diz ainda que, uma vez encerrada a análise dos fatos, a companhia voltará a informar ao mercado e, se for o caso, às autoridades.

Pagamento de propina virou sistemático em 2007, diz executivo da Camargo Corrêa

O vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Leite, afirmou em sua delação premiada, nos processos da Operação Lava Jato, que o esquema de corrupção e pagamento de propinas em troca de contratos na Petrobrás passou a ser sistemático a partir de 2007. “A partir de 2007 se instalou uma sistemática de pagamentos de propina pela Camargo Corrêa em favor da Diretoria de Serviços e de Abastecimento da Petrobrás, por conta de cada contrato firmado entre a construtora e a estatal”, afirmou Leite, em um dos termos de delação tomados pela força-tarefa da Lava Jato, entre os dias 6 e 13 de março. Com 32 contratos fechados com a estatal, Leite apontou que em dez deles houve corrupção. O pagamento era a garantia de que representantes da Camargo Corrêa seriam recebidos pelos diretores e que a empreiteira não seria prejudicada em suas contratações. A afirmação do vice-presidente da Camargo Corrêa confirma o que disse outro executivo que aceitou fazer delação premiada, Augusto Ribeiro Mendonça, da Setal Engenharia e Toyo Setal, no ano passado. Ele havia apontado atuação efetiva do cartel de forma sistematizada a partir de 2007. Leite afirmou que entre 2007 e 2012 foram pagos R$ 110 milhões referentes a dez contratos assinados com as diretorias de Serviços e Abastecimento – braços do PT e do PP, respectivamente, no esquema de corrupção desbaratado pela Lava Jato. Um dos medalhões da área de Óleo e Gás da Camargo Corrêa – que mantém relações institucionais com a Petrobrás – Leite especificou que além das obras nas refinarias Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e Henrique Lage (Revap), em São Paulo, já sob apuração, houve esquema em outras obras. Listou a ampliação de um oleoduto entre São Sebastião e Cubatão (OSBAT 24), em São Paulo; a Usina Termo Elétrica Ezébio Rocha em Cubatão, Gasoduto Caraguatatuba-Taubaté (SP), uma unidade de tratamento de gás em Caraguatatuba e obras da sede administrativa em Vitória (ES). “Esses contratos geravam uma obrigação contra a Camargo Corrêa no sentido de que a construtora pagasse vantagens indevidas às diretorias”, registraram Ministério Público Federal e Polícia Federal no termo 1, prestado pelo vice-presidente da Camargo Corrêa, no dia 6 de março. “Eram cobrados percentuais sobre o valor dos contratos, sendo que 1% para a área de Serviços e, quando fosse da área de Abastecimento, mais 1% para a área”, explicou Leite. Questionados pelos investigadores da Lava Jato, o vice-presidente da empreiteira confirmou que o que chama de “compromissos e obrigações” eram “solicitações de vantagens indevidas (‘propinas’)”, que partiam da áreas de Serviços, cujo diretor era Renato Duque – preso em Curitiba -, e de Abastecimento, cujo diretor era Paulo Roberto Costa – delator e em prisão domiciliar. Parte dos termos de delação foi anexada aos processos criminais da Lava Jato de primeira instância – sem sigilo – nesta sexta-feira. Presos em 14 de novembro de 2014, Leite e o presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, cumprem pena em regime domiciliar, desde o começo do mês, após os acordos. Eles concordaram em pagar multa de R$ 5 milhões, cada um. Questionado pelos investigadores da Lava Jato os motivos que levavam a Camargo Corrêa a efetuar os pagamentos, Leite explicou que a corrupção “era fundamental para o relacionamento com a Petrobrás”. “Senão não eramos sequer recebidos pelos diretores e para que futuras discordâncias com relação ao andamento do contrato fossem corretamente apuradas, sem eventual penalidade ou desequilíbrio". O executivo foi enfático ao afirmar que “caso a Camargo Corrêa não pagasse a propina, isso poderia impactar no não recebimento de valores contratados e no não reconhecimento de novos valores devidos, refletidos diretamente no aspecto financeiro da construtora”. Por isso, Leite diz que em “nenhum momento a Camargo Corrêa deixou de efetivar os pagamentos de propina, embora sempre os atrasasse”: “Dificilmente a Camargo Corrêa honraria as obrigações. A dívida das propinas somente aumentava por conta das obras estarem em execução". Leite e Avancini são réus por corrupção ativa, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Um terceiro dirigente da Camargo Corrêa, João Ricardo Auller, presidente do Conselho de Administração, também está preso na Polícia Federal pela mesma acusação. Mas ele ficou de fora do acordo. Ao ser peguntado qual era o benefício da empreiteira, Leite disse que “efetuando os pagamentos de propina a construtora se matinha no mercado e tornava-se mais fácil ‘performar’, isso é, atingir o resultado desejado na fase de execução”.

Empreiteiro Ricardo Pessoa, chefe do Clube do Bilhão, recebeu ameaças de morte na cadeia do Paraná; se falar, morre

Bandidos que a Polícia Federal tenta identificar desde a semana passada, enviaram três cartas ameaçadoras para o presidente da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, fazendo-se passar por "sobrinhos" do chefe do cartel da Petrobrás. Ricardo Pessoa está para o escândalo do Petrolão como o maçarico está para um barril de pólvora, avisa a revista Veja, que esta semana denuncia as ameaças e publica os fac similes dos envelopes e de trechos das cartas, endereçadas da região do ABC e de São Paulo. Os remetentes foram falsamente atribuidos aos donos da Engevix, preso com o empreiteiro, e da Camargo Corrêa, que fez delação premiada e cumpre prisão domiciliar. As ameaças visam intimidar o empreiteiro, já que ele está novamente prestes a falar tudo que sabe. E ele sabe muito, porque era o chefe do cartel. O próprio destinatário entregou as cartas para a polícia, temendo pela vida. Em fevereiro, quando esteve na iminência de fazer delação premiada, o próprio ministro da Justiça chamou os advogados da UTC para avisar que o governo resolveria em seguida os problemas das empreiteiras. Na ocasião, o governo ficou em pânico com revelações de Ricardo Pessoa para Veja: 
- Em 2014, repassei R$ 30 milhões para o PT e a campanha de Dilma.
- Ajudei José Dirceu a ´pagar despesas pessoais por meio da simulação de pagamentos por contratos de consultoria.
- O tesoureiro da campanha de Dilma, Edinho Silva, está preocupadíssimo, já que todas as empreiteiras acusadas de esquema criminoso doaram para a campanha.
Agora as pressões voltaram, já que o dono da UTC promete falar para os federais. Se falar, o dono do Clube do Bilhão chegará diretamente ao gabinete de Dilma e até a sala de Lula.
Nas cartas que recebeu, as ameaças são veladas:
- Titio, me ajude a resolver esse quebra-cabeça, peça a ajuda de seus novos amigos doentes. Eu também já estive doente, fiz uma cirurgia e saí vivo. E a clínica ainda está aberta.
A linguagem e a letra imitam autoria de criança, mas ficou claro para Ricardo Pessoa que as ameaças contidas nas cartas fazem referências até a hábitos pessoais que só investigadores poderiam levantar.

Ela "pedalou" o nosso PIB: primeiro trimestre pode ter queda de 3,5%!

Projeções de bancos e consultorias vão de 1,2% a 3,5% de recuo em relação ao mesmo período do ano passado; se o número mais pessimista se confirmar, será a maior queda desde o primeiro trimestre de 1992, no governo de Fernando Collor de Mello. As previsões econômicas para o primeiro trimestre indicam que o desempenho da economia brasileira foi muito pior do que o esperado. A rápida deterioração dos indicadores econômicos pode ter levado o Produto Interno Bruto (PIB) - soma de todas as riquezas produzidas no País - a ter a maior queda trimestral em duas décadas. Nas projeções de bancos e consultorias, a economia deve ter uma retração de 1,2% a 3,5% entre janeiro e março na comparação com o mesmo período de 2014. Se o resultado mais pessimista for confirmado, será a mais brusca queda trimestral do PIB em bases anuais desde o primeiro trimestre de 1992. Naquela época, com o País envolvido nas denúncias de corrupção que tirariam do poder o presidente Fernando Collor de Mello, a economia brasileira encolheu 3,2% (ver quadro). Na sexta-feira, 17, o diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Alejandro Werner, disse, em Washington, que o Brasil está passando pela mais séria desaceleração da economia desde o começo dos anos 90. “Embora faltem alguns dados econômicos de março, todos os indicadores mostram um comportamento bastante negativo no primeiro trimestre”, afirma Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria Integrada. Ela estima uma retração de 3,5% no primeiro trimestre ante o mesmo período de 2014. Há uma combinação perversa que tem levado a essa retração: a economia brasileira enfrenta um duro ajuste fiscal, a inflação está elevada - em abril, o IPCA-15 chegou a 8,22% em 12 meses, nível mais alto desde janeiro de 2004 -, o mercado de trabalho começou a dar sinais de piora, o investimento se tornou anêmico e o desempenho da indústria e dos serviços piorou. O que já era ruim foi agravado pelos desdobramentos da Operação Lava Jato, que investiga contratos da Petrobrás e levou grandes construtoras à recuperação judicial, agravando o cenário do emprego. “Os problemas da Petrobrás e de toda a cadeia da construção pesada dão um quadro dramático para a economia brasileira no primeiro trimestre”, diz Julio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Na avaliação dele, a economia pode ter recuado mais de 3% no primeiro trimestre: “Espera-se que o ajuste beneficie as expectativas lá na frente, mas ele deixa o crescimento ainda mais deprimido à medida que reduz o poder de compra da população com o aumento de impostos e promove o corte de gastos". O tamanho da piora econômica pode ser mensurado pelo setor de serviços. Em fevereiro, a receita nominal do setor cresceu apenas 0,8% na comparação com o mesmo mês de 2014, segundo o IBGE. Foi o menor avanço registrado desde o início da série histórica, em janeiro de 2012. “O encolhimento do setor de serviços é a grande novidade”, diz o diretor de Pesquisas da GO Associados, Fabio Silveira. Para o primeiro trimestre deste ano, ele projeta retração de 2,5% no PIB em relação a igual período de 2014. O setor de serviços costumava ter uma inércia que atenuava a retração da atividade, mas agora não é possível contar com esse motor para retomar o crescimento da economia brasileira. “Além da desaceleração da indústria, estamos vendo na parte de serviços uma piora que não era comum no passado recente. O desempenho mais negativo ocorre tanto na parte de comércio como na de serviços ligados à indústria, transporte, e prestados à família”, diz Rodrigo Miyamoto, economista do Itaú. O banco projeta uma retração de 1,9% entre janeiro e março na comparação com o primeiro trimestre de 2014. Na avaliação do diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Octavio de Barros, o primeiro trimestre foi marcado por uma queda acentuada do consumo das famílias e uma forte retração dos investimentos, afetados pela construção civil e pela produção de bens de capital. Do lado da oferta, o PIB industrial deve mostrar estabilidade em relação ao trimestre anterior, enquanto o de setor de serviços deve seguir o comportamento do consumo das famílias, com queda de 1%. “Os dados recentes de atividade apontam para uma desaceleração profunda da economia brasileira nesse primeiro semestre”, diz Barros. Ele projeta queda do PIB de 2,1% no primeiro trimestre em relação a igual período de 2014. A piora apurada no setor de serviços ampliou a expectativa de retração da economia e turvou o cenário para os próximos meses, segundo Thiago Biscuola, economista da RC Consultores - a consultoria prevê uma queda de 1,2% do PIB no primeiro trimestre. “O cenário deve piorar”, afirma. Barros acredita que a retração do primeiro trimestre deverá ser seguida por outra mais intensa no segundo trimestre, que, na projeção dele, deve marcar o pior momento do desempenho do PIB no ano. A avaliação de piora no quadro econômico no segundo trimestre é compartilhada por Silveira, da GO: “Será um primeiro semestre doloroso".

Estado Islâmico divulga vídeo que mostra a execução de cristãos etíopes

O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) publicou neste domingo (19) um vídeo com imagens de cerca de 30 homens, cristãos etíopes, sendo executados na Líbia. O vídeo, que tem 29 minutos de duração, foi postado em sites jihadistas e mostra um grupo de pelo menos 16 homens decapitados em uma praia e um outro grupo de 12 pessoas baleadas à morte em uma área de deserto. Eles são identificados como membros da "Igreja etíope inimiga".


A execução, segundo o vídeo, ocorreu em alguma parte do sudeste da Líbia, região conhecida tradicionalmente pelo nome de Fazan. Antes dos assassinatos, um homem vestido de preto falou em inglês — afirmando que o Estado Islâmico mantém uma batalha entre "a fé e a blasfêmia" e "a verdade e a falsidade" —, enquanto os outros algozes, um atrás de cada prisioneiro, aparecem completamente vestidos em trajes militares, e permanecem em silêncio. Todos estão mascarados. Em meados de fevereiro, o EI divulgou um vídeo que mostra a decapitação de 21 homens em uma praia, a maioria de confissão copta egípcia, com uma produção semelhante ao vídeo divulgado neste domingo. O EI controla áreas inteiras da Síria e do Iraque, onde proclamou um califado, em que multiplica assassinatos e execuções. Alguns desses atos são filmados em vídeo e transmitidos —como o deste domingo — como forma de propaganda para os jihadistas.

KEVIN KRIEGER ASSUMIRÁ LIDERANÇA DE FORTUNATI NA CÂMARA. ELE É TAMBÉM CANDIDATO À SUCESSÃO DO PREFEITO.

Será na quarta-feira a indicação do vereador do PP, Kevin Krieger, para a liderança do governo na Câmara de Porto Alegre. Ele substituirá Airto Ferronato, PSB. Kevin não quer disputar a reeleição no ano que vem, porque pretende apresentar-se pelo PP para a disputa sucessória de Fortunati.

Gravação contradiz versão da CGU sobre investigação

LEANDRO COLON - DE LONDRES
A contribuição do executivo britânico Jonathan Taylor para as investigações sobre os negócios da empresa holandesa SBM Offshore com a Petrobras no Brasil foi mais decisiva do que as autoridades brasileiras reconheceram nos últimos dias. Como a Folha revelou na terça-feira (14), Taylor, um ex-diretor da SBM, entregou a três funcionários da CGU (Controladoria-Geral da União) um dossiê completo sobre a relação entre as duas empresas durante a campanha eleitoral do ano passado. O órgão de controle interno do governo só abriu processo contra a SBM em novembro, após a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Ao justificar a demora, a Controladoria afirmou que precisava de tempo para analisar todas as informações e minimizou a contribuição de Taylor.


Mas uma gravação que registra o encontro do executivo com a CGU, obtida pela Folha, mostra que a Controladoria teve dificuldade para obter ajuda na Holanda e ainda não tinha nenhuma prova de corrupção vinda da Europa quando foi procurada por Taylor. A CGU abriu uma investigação sobre os negócios da SBM em abril. Taylor ofereceu seu dossiê ao governo em agosto e recebeu os funcionários brasileiros no Reino Unido no dia 3 de outubro, véspera do primeiro turno da eleição presidencial no Brasil. O executivo informou aos visitantes que o Ministério Público holandês achara havia quatro meses provas de que a SBM pagara propina para garantir contratos com a Petrobras. Os funcionários da Controladoria não tinham recebido a informação daquele país. "Os holandeses me disseram pessoalmente que propinas foram pagas pela SBM para funcionários da Petrobras. Eles não falaram isso para vocês?" - perguntou o executivo. Um dos funcionários da CGU respondeu: "Não, ainda não". Os brasileiros pareciam achar que as autoridades holandesas desconfiavam da CGU: "São promotores, mas são holandeses", explicou um dos funcionários: "A SBM é uma grande empresa holandesa. Acho que, como holandês, há uma preocupação com o que pode acontecer". De acordo com a gravação, o governo brasileiro também não tinha obtido nenhum tipo de colaboração da SBM até então. "Fomos para a Holanda, não foi uma conversa profunda, não saiu nada novo", disse um funcionário da CGU. Na sexta (17), a Controladoria admitiu à Folha que até hoje não recebeu da SBM ou das autoridades da Holanda nenhuma informação oficial sobre o assunto, e reconheceu que o dossiê fornecido por Taylor foi a única coisa que conseguiu da Europa. Em entrevista à Folha, o executivo britânico acusou o governo brasileiro de esperar a reeleição da presidente Dilma para abrir processo contra a SBM, evitando danos políticos que novas revelações sobre corrupção na Petrobras poderiam causar a Dilma. A CGU negou que tivesse agido por motivação política e afirmou que nenhum dos documentos fornecidos por Taylor foi usado para "embasar conclusões dos trabalhos" antes da abertura do processo contra a empresa holandesa. Na terça-feira, o chefe da CGU, Valdir Simão, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deram uma entrevista para rebater as acusações feitas por Taylor ao governo na entrevista à Folha. Ambos ressaltaram o fato de que a investigação da CGU foi aberta meses antes de Taylor aparecer e citaram os contatos feitos com o Ministério Público da Holanda e a SBM como exemplos de seu empenho para investigar o caso. "Fizemos várias reuniões entre a CGU e o MP da Holanda", disse Simão. "As providências no plano internacional foram inteiramente tomadas em junho de 2014, e já estávamos em pleno debate eleitoral", afirmou Cardozo. Taylor trabalhou por mais de oito anos para a SBM na Europa e é apontado pela empresa como responsável pelo vazamento de informações sobre o caso publicadas na Wikipedia em outubro de 2013. O vazamento lançou suspeitas sobre a atuação da SBM no Brasil e na África. Os documentos indicam que a empresa pagou US$ 139 milhões ao lobista brasileiro Julio Faerman para que ele a ajudasse a obter contratos na Petrobras. O dossiê entregue por Taylor às autoridades brasileiras inclui contratos e mensagens eletrônicas do lobista, apontado como o operador que distribuiu a propina a políticos e funcionários da estatal. Em 12 de novembro, o Ministério Público da Holanda confirmou que encontrara provas de corrupção nos negócios da SBM no Brasil e anunciou um acordo com a empresa, pelo qual ela aceitou pagar multa de US$ 240 milhões para encerrar o caso. Horas depois, a CGU anunciou que decidira abrir processo contra a empresa. No encontro em que tomaram o depoimento de Taylor, em outubro, os funcionários brasileiros disseram ao executivo que levariam mais três ou quatro meses para fazer isso. A CGU afirmou na semana passada que Taylor pediu uma recompensa financeira em troca de sua colaboração. A gravação do encontro mostra que, antes de perguntar se isso seria possível, o executivo disse que continuaria colaborando "inteiramente", independentemente da resposta. 

MINISTRO AUGUSTO NARDES DIZ QUE A PETISTA DILMA DEVE SER RESPONSABILIZADA PESSOALMENTE PELAS PEDALADAS FISCAIS DO MANDRAKE ARNO AUGUSTIN, É CASO DE IMPEACHMENT

O jornal O Globo ouviu no sábado, em Comandatuba, Bahia, o ministro do Tribunal de Contas da União, o gaúcho Augusto Nardes, que afirmou que a presidente Dilma Rousseff pode ser responsabilizada legalmente pelas "pedaladas" nas contas do governo. Nardes considera ainda que caso o governo entre com recursos contra o relatório do TCU, eles terão caráter protelatório, apenas para retardar o julgamento pelo colegiado. Se o caso for a decisão final contra Dilma, a presidente tomará impeachment. "Existem várias situações de ilegalidade em relação às pedaladas. Já no ano passado havíamos encontrado uma situação muito crítica pelo fato de o Ministério da Fazenda não ter contabilizado algumas operações. E agora constatamos que houve uma série de empréstimos feitos pela Caixa Econômica Federal e outras instituições que somam mais de R$ 40 bilhões sem uma sustentação legal", afirmou Nardes, que participa do 14º Fórum de Comandatuba, promovido pelo empresário João Dória Jr. As "pedaladas fiscais" fazem parte do repertório do Mandrake petista gaúcho Arno Augustin, ex-chefe do Tesouro Nacional, um membro do partido revolucionário trtotskista clandestino DS (Democracia Socialista), que parasita o corpo do PT. Esse é o modo tradicional dos trotskistas da DS de conduzirem política econômica. Foi repetido também no governo do peremptório petista "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso Genro. O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), o petista Luís Inácio Adams, rebateu as declarações de Nardes. Ele disse ao GLOBO que o recurso não é protelatório e negou novamente que a presidente DIlma Rousseff possa ser responsabilizada pelo caso. Segundo Adams, o recurso tem por objetivo levantar elementos que afastarão o entendimento de que houve irregularidades. "O que nós fizemos é que entendemos que existe uma necessidade de se submeter esse processo, essa análise ao contraditório, inclusive admitindo a própria mudança de compreensão do TCU sobre o tema com os elementos que vão ser apresentados", explicou Adams, negando também eventual crime de responsabilidade pela presidente: "Não existe nenhum elemento fático que aponte ou indique que envolva a atuação pessoal da presidente. Para atribuir esse tipo de coisa tem que haver esse tipo de situação. Agora o debate do TCU vai ser aprofundado ainda. Nesse aprofundamento, vamos levar esses elementos inclusive para afastar a própria configuração dessa compreensão". Na sexta-feira, Adams e o ministro da Justiça, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo, já tinha dado uma entrevista coletiva para defender a presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, frisaram que ela não é "imputável" na decisão do TCU. Na sexta-feira, a presidente Dilma ordenou que o ministro da Justiça, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo; o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, e o procurador-geral do Banco Central, dessem entrevista para contrapor o argumento. Cardozo chegou a classificar a proposta de impeachment, ventilada pela oposição, de "patética" e de "desespero compulsivo". Dezessete pessoas, entre ministros e autoridades, serão ouvidos para determinar responsabilidades pela manobra fiscal. A expectativa é que o relatório sobre as contas seja concluído em junho. As contas são referentes ao último ano do primeiro mandato de Dilma. Caso ela seja apontada como responsável pela pedalada, a oposição estuda entrar com um pedido de impeachment contra a presidente.

SENADORES DO PDT ARTICULAM DESEMBARQUE DA BASE GOVERNISTA

Há seguras informações de que os seis senadores do PDT articulam o desembarque em bloco da base do governo petista no Congresso Nacional. Há pequena resistência, a única, de Acir Gurgacz, o líder, de Roraima. Os outros senadores já estão decididos: Lasier Martins (RS), Cristovam Buarque (DF), Regufe (DF) e Telmário Mota (Roraima).