sábado, 16 de maio de 2015

Todos contra Janot

Eduardo Cunha disse a Aloizio Mercadante que levasse a Dilma a seguinte informação: caso Rodrigo Janot seja reconduzido ao cargo de procurador-geral da República, o governo vai "conhecer o inferno" na Câmara. Renan Calheiros fez coro à demanda do correligionário a Lula. "A Dilma está fazendo isso para me afrontar", afirmou o presidente do Senado. Ambos são investigados pela Operação Lava Jato.

CPI em Londres

A próxima etapa da CPI da Petrobras será Londres. Na próxima semana os deputados ouvirão o ex-diretor da SBM Offshore, Jonathan David Taylor. Taylor revelou que a CGU esperou o fim das eleições para abrir uma investigação baseada nas suas denúncias de corrupção - alicerçadas em mil páginas de documentos internos da empresa - em contratos da Petrobras. O inglês repassou ao órgão as provas entre agosto e outubro de 2014. O processo só foi aberto em 12 de novembro. "A única conclusão que posso tirar é que queriam proteger o Partido dos Trabalhadores e a presidente Dilma ao atrasar o anúncio dessas investigações", disse Taylor.

"Big Wolf"

O Estadão noticia que Edison Lobão é suspeito de ter participação oculta em holding sediada nas Ilhas Cayman. O objetivo da holding é captar recursos de fundos de pensão de estatais, fornecedores da Petrobras e empresas privadas que recebem de bancos públicos, como o BNDES. Eufemismo para desvio de dinheiro. O inquérito foi aberto depois de declarações de um ex-sócio. Lobão se associou à empresa entre 2011 e 2012, segundo a investigação. Havia reuniões semanais em São Paulo, para que se acompanhasse "onegócio em nome do ministro Lobão". Ele era chamado de "Big Wolf" e "Tio". A investigação corre no STF.

Renan, o progressista

Renan  Calheiros
Renan se diz contra as terceirizações
Renan Calheiros ouviu de um deputado uma frase inédita em suas décadas de vida pública. Disse o deputado, ao elogiar a defesa que Renan faz contra a terceirização, a redução da maioridade penal e outros temas defendidos por Eduardo Cunha: - Quando cruzo do Salão Verde da Câmara para o Salão Azul do Senado, a sensação que tenho é que estou saindo do século XIX para o século XX. Renan rasgou um sorriso no rosto. Por Lauro Jardim

Contrariando Freixo

Janira e o pastor
Janira e o pastor
A propósito, antes de nomear Protógenes Queiroz como seu assessor, Cabo Daciolo empregou em seu gabinete dois arqui-inimigos do grupo de Marcelo Freixo no PSOL do Rio de Janeiro. Já estão nomeados em seu gabinete a ex-deputada estadual Janira Rocha e o pastor Jeferson Barros. Janira foi acusada de reter parte do salário dos funcionários de seu gabinete e, desde então, isolou-se no PSOL. Já Jeferson Barros manteve sua candidatura a deputado federal, à revelia de Marcelo Freixo, Jean Wyllis e Chico Alencar, que suspeitavam de que ele era ligado a Silas Malafaia. Por Lauro Jardim

Julgado no PSOL

Daciolo: deputado evangélico
Daciolo: deputado evangélico
O bombeiro e deputado federal Benvenuto Daciolo será julgado amanhã pelo conselho de Ética do PSOL por querer colocar na Constituição a frase: ‘todo poder emana de Deus’. Por Lauro Jardim

Mais impostos

Levy: esforço para aumentar a arrecadação
Levy: esforço para aumentar a arrecadação
Joaquim Levy tem estudado propostas para aumentar a arrecadação. Desta vez, com duas medidas que agradarão à esquerda: um imposto sobre herança e outro sobre os dividendos de aplicações no mercado de capitais. A propósito, está marcada para o dia 22 a reunião do conselho curador do Fundo de Investimentos do FGTS que decidirá sobre o aporte de 10 bilhões de reais ao BNDES. É uma espécie de “pedalada do Levy”, pois, assim, o governo usa recursos do FGTS – e não do Tesouro – para dar ao BNDES. Por Lauro Jardim

Delação explosiva

Ricardo Pessoa: delação, enfim
Ricardo Pessoa: delação, enfim
No acordo de delação premiada de Ricardo Pessoa, está citado o nome de Tiago Cedraz, filho do presidente do TCU, Aroldo Cedraz. O dono da UTC diz que deu dinheiro ao advogado para abrir caminhos no TCU nas obras de Angra 3. Por Lauro Jardim

O (outro) doleiro

Messer: dossiê na Lava-Jato
Messer: dossiê na Lava-Jato
Está nas mãos dos procuradores da Lava-Jato um robusto dossiê contra Dario Messer, um dos maiores doleiros do Brasil, enrolado nas mais importantes investigações de lavagem de dinheiro da última década. O material foi entregue por uma ex-funcionária de Messer. No meio da papelada, há detalhes sobre a luxuosa reforma da cobertura tríplex de Messer no Leblon (RJ) avaliada em cerca de 20 milhões de reais. Tudo pago em caixa dois com notas fiscais que escondiam o nome do doleiro. Por Lauro Jardim

Fora da APO

Henrique Meirelles
Meirelles: 100% fora da Olimpíada
A Autoridade Pública Olímpica (APO), que está sem presidente executivo há três meses, vai sofrer mais uma baixa. Henrique Meirelles está deixando a presidência do conselho da APO. Quer se dedicar ao lançamento do que ele chama de o “primeiro banco digital do Brasil”, o Banco Original, do grupo J&F. Por Lauro Jardim

Fator previdenciário: Levy acusa PT de armar bomba fiscal



A mudança nas regras para se aposentar, aprovada na quarta-feira pela Câmara dos Deputados, vai criar uma bomba fiscal para as próximas gerações. O custo estimado para os cofres públicos ao tornar mais flexível o fator previdenciário, que reduz o benefício conforme aumenta a expectativa de vida, vai ser de R$ 40,6 bilhões em dez anos e de R$ 2,5 trilhões em 35 anos. Em 2050, quando a faixa etária de 60 anos ou mais vai representar um terço da população — atualmente é de 12% — o déficit da Previdência Social vai dobrar. Diante do tamanho do impacto, a presidente Dilma Rousseff deverá vetar a mudança, e integrantes do governo já buscam alternativas que devem ser apresentadas o mais rápido possível ao grupo de trabalho, criado no fim de abril para tratar do tema. Em outra frente, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fez uma advertência ao Senado. Na saída de um evento em São Paulo, ele afirmou que é preciso “muito cuidado para quando votarem não criarem uma nova necessidade de mais impostos”. A interlocutores, foi mais direto: — A Câmara demonstrou que quer uma carga tributária maior. O Senado vai ter que decidir se também quer esse aumento na carga tributária. Pelos cálculos de Leonardo Rolim, consultor da Câmara dos Deputados e ex-secretário da Previdência Social, a medida vai fazer o rombo aumentar em 1,14% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país), o que representaria hoje R$ 61,5 bilhões, praticamente toda a economia que o governo se comprometeu a fazer este ano para sanar as contas públicas. Atualmente, o rombo da Previdência é de 1,1% do PIB, chegaria a 2,24% em 2050. "Nos primeiros anos não vai ter impacto. As pessoas vão esperar para se aposentar com as novas regras mais favoráveis. Mas, ao longo do tempo, o déficit dobra", afirmou Rolim. Pelas contas do especialista, a regra que soma a idade e o tempo de contribuição, que deve ter como resultado 85 para as mulheres e 95 para os homens, quase dobra o benefício da mulher. Em média, as mulheres se aposentam aos 52 anos, com 30 anos de contribuição. Se esperar mais um ano e meio, o salário sobe 44,2%. Para os homens, que buscam o benefício em média aos 55 anos, mais dois anos e meio de trabalho aumentariam a aposentadoria em 20,5%. A soma de 85 para mulher e 95 para o homem permite que o trabalhador se aposente com o benefício máximo de R$ 4.663,75. "Vai na contramão de um ajuste fiscal de médio e longo prazo e do que está acontecendo no mundo. Mais um saquinho de bondades que vai se tornar um belo saquinho de maldades lá na frente. A medida vai arrebentar as contas públicas. O financiamento da Previdência do cidadão brasileiro das próximas gerações estará comprometido, por pura demagogia". afirmou a professora da Coppead, da UFRJ, Margarida Gutierrez, especialista em contas públicas. Foi essa situação explosiva que revoltou o ministro da Fazenda. Levy irritou-se especialmente com os votos dados pelo PT e que alteraram o perfil da medida provisória 664, um dos pilares do ajuste fiscal, em uma manobra que considerou “irresponsável”. Ele sinalizou a integrantes do governo que poderá endurecer mais o ajuste. A primeira medida seria um possível aumento da carga tributária. As outras seriam a possibilidade de estender às linhas de crédito do Banco do Brasil o arrocho de crédito que a Caixa Econômica Federal já vem sofrendo e a ampliação do contingenciamento do Orçamento deste ano. A reunião que vai sacramentar o tamanho do represamento dos gastos do governo foi marcada para este domingo, em Brasília. No governo, a esperança ainda é convencer os senadores a votar contra a alteração, sob o argumento de que a medida é o “pior dos mundos” porque não acaba com o fator e eleva os gastos da Previdência com o aumento das aposentadorias. Mas esse quadro mostrou-se muito complexo, especialmente depois de o presidente do Senado, Renan Calheiros, afirmar ontem que o novo cálculo deve passar na Casa. "Como o Senado já resolveu acatar o fim do fator previdenciário, é óbvio que ele vai aproveitar essa oportunidade para colocar no lugar do fator uma regra que seja mais favorável aos trabalhadores e ao povo brasileiro. Sou a favor do fim do fator. Acho que delonga demasiadamente a aposentadoria dos trabalhadores. Não concordo que todos os problemas do Brasil se resolvam cortando direito trabalhista e previdenciário", disse Renan Calheiros. No dia seguinte à derrota na mudança da aposentadoria, o governo respirou aliviado com a rejeição de todas as novas tentativas de alteração à Medida Provisória (MP) 664, que torna mais rígidas as regras para pensão e auxílio-doença. Evitar uma nova derrota foi possível pelas promessas da articulação política do governo de que as nomeações de apadrinhados políticos acordadas serão publicadas no Diário Oficial e também de que as emendas parlamentares e os restos a pagar de anos anteriores serão em breve liberados, de acordo com a fidelidade de cada deputado nas votações do ajuste fiscal.

Varejo tem o pior mês de março desde 2003

As vendas no chamado varejo restrito, que mede a compra de produtos para o dia a dia das famílias como alimentos, vestuário e combustíveis, tiveram o pior mês de março em 12 anos. Encerraram o primeiro trimestre com a queda mais intensa para o período desde o início de 2003, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recuo entre janeiro e março foi de 1,7% em relação aos últimos três meses de 2014, puxado por móveis, eletrodomésticos e combustíveis e lubrificantes. O varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, também bateu recordes, com o pior índice de vendas para um primeiro trimestre em toda a história da pesquisa. O menor crescimento da renda das famílias, a desaceleração do crédito, o temor do aumento do desemprego e a inflação elevada são apontados como fatores por trás da decisão dos consumidores de pisar no freio. Apenas no mês de março, o varejo restrito registrou queda de 0,9% em relação a fevereiro, enquanto o varejo ampliado teve recuo de 1,6% no período. Em ambos os casos, é o pior resultado para o mês desde 2003. Os resultados foram piores do que o esperado em média pelos economistas. Alguns anunciaram que vão rever suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que será anunciado pelo IBGE em 29 de maio, e talvez até para um período mais longo. "O fato de ter vindo pior que o imaginado também coloca uma visão mais pessimista sobre a economia em 2016", ponderou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito: "Todo o ajuste praticamente será em cima dele (varejo)". Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) passou a prever queda de 0,4% no volume de vendas do varejo este ano, algo inédito desde 2003. "A confiança dos consumidores, abalada pela queda no nível de atividade econômica e seus reflexos sobre o mercado de trabalho, tem impedido qualquer reação do setor, a despeito do recuo da inflação nos produtos comercializáveis", analisou Fabio Bentes, economista da CNC.

Dívida da Petrobras aumenta dez vezes mais do que o lucro.


O balanço trimestral divulgado pela Petrobras nesta sexta-feira mostrou que o nível de endividamento líquido da companhia subiu, alcançando R$ 332,457 bilhões no primeiro trimestre. A empresa havia fechado o ano passado com dívida líquida de R$ 282 bilhões ou US$ 106 bilhões. O lucro líquido, por sua vez, alcançou R$ 5,33 bilhões, enquanto a dívida aumentou R$ 50 bilhões, dez vezes mais do que o lucro e mais de 15% em apenas três meses. A empresa deixou claro que " praticará preços competitivos de mercado o tempo inteiro", o que significa que o rombo do Petrolão do PT será coberto com aumento dos preços dos combustíveis. Os brasileiros, como sempre, pagarão a conta da corrupção e da recuperação.

Operação Suja-Jato

A revista Veja revela, na sua edição semanal, que existe um grupo de pessoas, ligados ao governo petista e aos advogados das empreiteiras corruptas, trabalhando pela anulação da Operação Lava-Jato. Pretendem alegar que a PF do Paraná grampeou presos e operou na ilegalidade. Isto unido às tentativas de desqualificação dos métodos utilizados pelo juiz Sérgio Moro e a força-tarefa do Ministério Público Federal. A revista antecipa: "Com o conhecimento do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o comando da Polícia Federal em Brasília está investigando sigilosamente os delegados e agentes envolvidos na Operação Lava-Jato. VEJA teve acesso a uma sindicância aberta pela Corregedoria da PF e conversou com policiais que acompanham e participam da apuração. É preocupante. Segundo os corregedores, o procedimento foi instaurado para apurar "ilegalidades" praticadas pelos colegas do Paraná, onde estão centralizadas as investigações do escândalo da Petrobras. Que "ilegalidades" seriam essas? Os federais de Brasília acusam os paranaenses de instalar escutas para captar clandestinamente conversas de presos e dos próprios policiais. Uma dessas escutas foi descoberta na cela do doleiro Alberto Youssef, uma das principais testemunhas do esquema de corrupção. Em maio do ano passado, o doleiro encontrou um transmissor de voz escondido sobre o forro do teto de sua cela. Os corregedores acusam os delegados da Lava-Jato de ter colocado o aparelho para obter provas por meio de métodos ilegais. Parece grave - e é -, principalmente pelo que aparenta estar na gênese da investigação. "Isso vai provocar a anulação de toda a Operação Lava-Jato", diz, sob a condição de anonimato, um delegado de Brasília que participa da apuração. "A situação vai ficar feia. Vai aparecer mais coisa", advertiu. Essa entrevista foi feita na última quarta-feira à tarde. Em privado, delegados próximos da cúpula da Polícia Federal admitem que o objetivo da "operação paralela" é carimbar a Lava-Jato com suspeitas de irregularidades - o que, fatalmente, abriria caminho para questionamentos judiciais sobre a operação e poderia resultar, em última análise, em sua anulação. Para o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Velloso, ainda que se comprove a suspeita de que teria havido interceptação ilegal na Lava-Jato, isso não seria suficiente para desqualificar toda a operação. "Se essa prova paralela não representa o início da investigação, então ela é declarada nula, sem prejudicar as demais provas", diz o ex-ministro. Para o delegado Jorge Pontes, ex-diretor da Interpol, o jogo está claro: "A minha suspeita é que haja um grupo de pessoas já cooptadas para tentar minar e comprometer a Operação Lava-Jato. Neste momento em que a sociedade brasileira tem uma expectativa histórica de o País deixar de ser vítima de corrupção institucionalizada, isso aí é uma tentativa da corrupção institucionalizada de criar no seio da polícia uma contenda que tem a intenção de jogar alguma dúvida sobre essa investigação".

Lula no fundo do poço

O ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista na ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") admitiu, nas conversas que teve com políticos em Brasília anteontem, que não atravessa uma boa fase. Lula disse estar preocupado com o andamento do governo de sua sucessora, Dilma Rousseff, e com os desdobramentos da Operação Lava Jato, em especial a decisão do dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, de ter fechado um acordo de delação premiada em troca de eventual redução de pena. "Não estou numa fase muito boa, não", afirmou o ex-presidente. Com ar abatido, contrariando o discurso normalmente otimista nas conversas privadas, segundo pessoas com quem se encontrou, o petista comentou que está desesperançoso com as perspectivas para a economia brasileira, tidas por ele como muito ruins. Na avaliação de Lula, a rentabilidade das empresas no País tem caído, atribuindo ao governo da presidente Dilma Rousseff, sua pupila, a responsabilidade por estar tomando medidas equivocadas na condução da política econômica. Em uma dessas conversas, no almoço com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Lula afirmou que o governo precisa sair da pauta negativa do ajuste fiscal. O ex-presidente disse aos presentes que ações do governo que poderiam estimular a retomada da economia, como a terceira etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o pacote de concessões, ainda não saíram do papel. No giro por Brasília, o ex-presidente chegou a confessar também que o projeto político dele está "esfarelando". Ontem, Lula almoçou na embaixada de Cuba. Lula X9 também se mostrou preocupado com as implicações da delação do dono da UTC, que na quarta-feira assinou com Procuradoria-Geral da República o acordo. Pessoa é apontado nas investigações como o chefe do cartel de empreiteiras que atuou na Petrobrás. No início do ano, antes da decisão do Supremo Tribunal Federal do fim de abril de soltar Pessoa e outros oito empreiteiros presos na operação, Lula X9 se mostrava apreensivo com o que o dono da UTC poderia falar. Ele e Pessoa se tornaram amigos nos últimos anos. O ex-presidente temia que o empreiteiro, para poder deixar a prisão logo, revelasse informações que pudessem comprometê-lo.

PETROBRÁS ADMITE SER VULNERÁVEL A ESPIONAGEM


A Petrobrás admitiu este ano, numa das reuniões de seu Conselho de Administração, ser incapaz de proteger seus projetos da espionagem de outros países. No dia 26 de março, ao apresentar medidas de segurança da informação ao Conselho, técnicos da estatal informaram não ter condições de criar sistemas para evitar que Estados Unidos, Rússia e China roubem segredos da empresa. A Petrobrás foi um dos alvos da agência americana NSA, fator que estremeceu, em 2013, as relações do governo Dilma Rousseff com a Casa Branca. A revelação apareceu em documento vazado pelo ex-analista de inteligência e espião traidor Edward Snowden. Trata-se de uma apresentação, de 2012, feita para ensinar agentes a espionar redes privadas de computador. O nome da estatal, maior empresa brasileira, figurava entre os "alvos" de supostas invasões cibernéticas. A crise provocada pela divulgação do documento levou a presidente Dilma a cancelar, naquele ano, visita de Estado aos Estados Unidos e a criticar duramente o governo de Barack Obama na Organização das Nações Unidas (ONU). Apesar da crise, os técnicos da Petrobrás deixaram claro ao Conselho de Administração que, passados dois anos, a estatal continua vulnerável. "Não podemos garantir sigilo em relação aos estados, especialmente Estados Unidos, pela NSA, Rússia, China, porque eles têm sistemas muito poderosos, capazes de 'by-passar' qualquer medida de segurança que nós adotemos", afirmou um deles, destacando que até instalações nucleares do Irã foram atacadas pelos americanos. "Infelizmente, NSA, nem pensar. Têm tudo o que querem", reagiu um dos conselheiros. No áudio da reunião não fica claro de quem são os comentários. A gravação é uma das 12, feitas nos últimos oito meses, que a Petrobrás preservou. A estatal alega que registros anteriores foram destruídos. A apresentação dos técnicos expôs a paranóia da cúpula da empresa com vazamentos de informação. Os técnicos descreveram a rotina de criptografar videoconferências e apresentaram equipamentos para fazer varreduras na sala de reuniões, checando se há gravadores atrás de paredes e sob móveis. Numa delas, foi encontrado um buraco para a instalação de escuta numa das cadeira, mas, segundo os técnicos, o autor não foi descoberto. Ele contou que, em sua gestão, o ex-presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, chegou a monitorar e-mails dos conselheiros para tentar descobrir quem vazava informações da empresa. "Fizemos um monitoramento do serviço de mensagens que estava sendo usado na sala. Detectamos que um diretor abasteceu um repórter", contou o técnico, sem informar o nome do "vazador" e as providências tomadas a respeito. A preocupação da Petrobrás é de proteger informações estratégicas da cobiça dos concorrentes, como as áreas de potencial exploração de petróleo. Nos áudios, conselheiros indicados pelo governo também deixam clara a intenção de manter nas sombras a interferência política do Planalto no dia a dia da estatal, além de episódios de resistência a investigações. Numa das gravações, de 13 de janeiro, a ex-presidente da Petrobrás, a petista Graça Foster, pede que a ata da reunião omita, por exemplo, que dirigentes do Petros, o fundo de pensões de funcionários da companhia, foram nomeados por indicação do governo, a pedido do ex-ministro Guido Mantega. Outros conselheiros reclamaram que a prática é contra as regras de governança da instituição. Graça ainda disse que a cúpula do Petros tentou evitar a investigação de escritórios independentes contratados pela estatal sobre possíveis irregularidades na gestão do fundo. "Fizemos todo um jogo de xadrez para cair dentro do Petros. O presidente (do fundo) gritava que isso não poderia acontecer, que essa investigação da Petrobrás não poderia se estender até a Petros. Foi um 'retetéu do rototó'", contou a executiva, pedindo que suas declarações ficassem fora da ata.

DONO DO BTG E NAHAS NEGOCIAM EMPRESA SÓCIA DA PETROBRAS NA ÁFRICA


O banqueiro André Esteves, do banco BTG Pactual, está tentando se livrar de negócios na África, objeto de subrelatoria da CPI da Petrobras, que apura o maior escândalo de corrupção da História, em que grandes empresários se organizaram em quadrilha para roubar a petroleira, com a cumplicidade de diretores, políticos e autoridades do governo. Nesse sentido, André Esteves tenta vender sua parte na empresa PetroAfrica, onde é sócio meio a meio da Petrobras. O curioso é que ele se aliou a Naji Nahas, especulador com longa folha corrida e personagem de diversos escândalos, na nossa história recente. Esteves e Nahas tentam vender para um grupo iraniano os 50% que o BTG detém na PetroAfrica, e ainda agem como se estivesse autorizados e vender também a parte da Petrobras no negócio. Deputados da CPI, que devem votar requerimento de convocação do dono do BTG Pactual, investigam a denúncia de que ele foi beneficiado por suas relações pessoais com o ex-presidente Lula, que teria favorecido a compra, a preço de banana, de ativos da Petrobras em sete países africanos. Pelo menos outro grande negócio de André Esteves com a Petrobras está na mira da CPI: a empresa Sete Brasil, criada para intermediar o que a Petrobras fazia diretamente: a compra de plataformas e navios. Para dirigir a empresa, Esteves convidou ninguém menos que o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, ladrão confesso que fez acordo de delação premiada, com os investigadores da Operação Lava Jato, comprometendo-se a devolver cerca de 100 milhões de dólares.

O "GAROTO DE OURO" TARSO GENRO ESTÁ A CAMINHO PARA DEIXAR O PT


O jornalista Claudio Humberto anunciou em seu site Diário do Poder que os petistas já dão como certa a saída do partido do ex-governador do Rio Grande do Sul, o peremptório "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso Genro. Reservadamente, Tarso Genro, que era conhecido no final de década de 70 e inícios dos anos 80 como "Garoto de Ouro" em Porto Alegre, porque ostentava ter um conhecimento enciclopédico sobre tudo e sobre todos, acusa o governo Dilma de trair bandeiras históricas da sigla e cita o pacotão de maldades fiscais como exemplo. Tarso Genro é uma espécie de cristão novo no PT, assim como Dilma Rousseff. Ele militava no PCdoB e criou um partido só para si mesmo, junto com Marina Silva e José Genoíno, o PCR (Partido Comunista Revolucionário), só para servir como ponte para a entrada no PT, em 1985 (o partido foi fundado em 1979). Com isso ele entrou no PT, no Rio Grande do Sul, com "pompa", com um grupo, e não como uma estrela solitária. Dilma Rousseff também é outra petista cristã-nova. Só entrou no partido na década de 90, após romper com Leonel Brizola e o PDT. As pessoas que conhecem Tarso Genro do fim da década de 70 e início dos anos 80 ainda se assombram que ele tenha tentado, nessa época, abrir uma nova frente de luta armada com seu PCR (Partido Comunista Revolucionário), para a qual recrutava gente, e dizem que ele sempre se teve em altíssima conta, achando que lhe estava reservado um grande papel. Ora, esse papel seria o de presidente da República. É evidente que Tarso Genro ficou muito contrariado com a escolha de Dilma Rousseff para a candidatura à Presidência da República. Tarso Genro achava que esse era um papel para ele. Conformou-se muito contrariado, assumindo o governo do Estado do Rio Grande do Sul nesse hiato, para não ficar fora da política. Foi uma espécie de prêmio de consolação temporário que criou para si mesmo, com uma operação político-policial, a Operação Rodin, com a qual intimidou toda a classe política gaúcha. Agora, ele vê a derrocada do PT, do petismo e do lulismo, percebe que não terá chance alguma de sucesso na busca de seu objetivo, a Presidência da República, ficando com essa massa falida, ainda dominada por um Lula X9 desesperado, e busca novo caminho. Ele se imagina como o "condottiere" de uma nova esquerda no Brasil. O PSOL, partido fundado por sua filha Luciana Genro, quando ela foi expulsa do PT (com o endosso de Tarso Genro), pode ser o paradeiro do "Garoto de Ouro". Essa é uma possibilidade que vem sendo trabalhada e tornada possível desde quando ele estava no governo do Rio Grande do Sul e utilizou o PSOL como sua linha auxiliar durante quatro anos, fornecendo todos os meios de ação para este grupelho esquerdóide. A lista dos insatisfeitos tem ainda o deputado federal Paulo Teixeira (SP) e o prefeito Fernando Haddad (SP), poste inventado por Lula para a prefeitura de São Paulo. Tarso Genro avalia que o PT “abandonou a política de esquerda”. A "rendição" de Dilma ao PMDB também não é perdoada pelo ex-ministro. Afinal de contas, Tarso Genro sempre teve um profundo nojo, desprezo e revolta contra o PT e os peemedebistas. Dilma é alvo constante do peremptório "grilo falante" Tarso Genro. Para consumo público ele declara que o ajuste fiscal é “constrangedor”. Mas, em particular, ele chama o ajuste fiscal de palavra muito pesada, de “traição”. Já os petistas ironizam a saída do peremptório "grilo falante" Tarso Genro do PT, propondo troca por Luciana Genro, filha do ex-governador. Alegam que ela tem mais votos que o pai. A senadora socialite paulistana Marta Suplicy (SP) abriu a porta do desembarque de petista. Andam insatisfeitos: os senadores Paulo Paim (RS) e Walter Pinheiro (BA). E mais gente está debandando do partido a cada dia que passa. O PT está em franco processo de dissolução, capitaneado por Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações"). Também marginalizado no Rio Grande do Sul, mas pouco interessado no Estado, que é muito pequeno para sua ambição, o peremptório "grilo falante" Tarso Genro tem procurado produzir a sua nova "frente de esquerda" (uma espécie de reedição da Frente Ampla do Uruguai) a partir do Rio de Janeiro. Nada é pequeno, ou pode ser pequeno, para as utopias que vagueiam na cabeça do peremptório "grilo falante" Tarso Genro. O certo é que Tarso Genro está assumindo o papel de "renegado", ele está renegando o PT, partido que lhe o maior destaque até hoje. 

ROBERTO JEFFERSON SAI DA PRISÃO E INSINUA QUE TEM INFORMAÇÕES SOBRE O PETROLÃO

Ao deixar o Instituto Penal de Niterói neste sábado, para terminar de cumprir sua pena em casa, o ex-deputado federal Roberto Jefferson afirmou que, se falar, a Justiça pode voltar a prendê-lo. O prisioneiro continua mandando no PTB. Manobra tudo via sua filha, que é deputada federal e preside o partido. No Mensalão do PT também se duvidou do que sabia o petebista, mas ele detonou todo mundo, menos Lula, a quem preservou, mesmo sabendo de toda a verdade.

Zavascki confirma, Dilma pode ser investigada

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, voltou a ficar numa situação difícil. Nesta sexta-feira, o ministro Teori Zavascki, relator do caso do petrolão no STF, disse algo muito importante: a presidente Dilma pode, sim, ser investigada ainda que por atos cometidos antes do seu mandato. Ela não pode, ele insiste, é ser processada. Se bem se lembram, numa leitura exótica da Constituição, Janot afirmou que Dilma não pode nem ser investigada. Zavascki está afirmando, procurem em arquivo, o que este blog disse à exaustão. O ministro cita jurisprudência do decano Celso de Mello. Portanto, doravante, não dá mais para Janot se esconder numa lei que não existe. Se não quer nem pedir que Dilma seja investigada, vai ter é de entrar no mérito e dizer por quê. Não pode mais fazer leitura criativa da Constituição. O ministro opina que, a exemplo de Janot, não vê motivos para investigar Dilma, mas deixa claro que o pedido tem de partir da Procuradoria e que, se aparecerem os motivos, o processo é possível. Na quarta-feira, o PSDB decide qual instrumento usará contra Dilma. Um presidente pode ser denunciado por dois tipos de crime: o de responsabilidade (Lei 1.079). A denúncia é feita diretamente à Câmara. Quem pode? O Ministério Público e qualquer cidadão. Hoje não passaria nem pela comissão inicial. Caso aconteça, é preciso que dois terços dos deputados – 342 votos – aprovem a petição para o presidente ser afastado. Quem condena ou absolve? O Senado. Se, em 180 dias, não houver julgamento, ele volta. Segunda possibilidade: crime comum. Aí é Código Penal. A pedalada fiscal tanto é crime de responsabilidade como é crime comum. Nesse caso, é preciso pedir que o procurador-geral atue. Ele tem de encaminhar pedido ao STF ou para investigar Dilma ou para processá-la. Se for só investigação, o tribunal decide sozinho. Se for processo, o Supremo manda pedido de autorização para a Câmara. Tem de ter ao menos os mesmos 342 autorizando. Quem julga? Aí é o próprio pleno do Supremo. Se a presidente for condenada, perde o mandato. Não é impeachment, mas dá no mesmo.  O mais provável, hoje, é que as oposições optem pelo caminho da acusação de crime comum, o que obriga Janot a se manifestar de novo. A hipótese da denúncia à Câmara, com base na Lei 1.079, tende a não prosperar por enquanto, e se queima um cartucho por nada. A decisão de Zavascki põe Dilma na linha de tiro. Sim, investigada, havendo motivos, ela pode ser. É necessário agora provocar o Supremo para que ele deixe claro que, com a reeleição, um presidente pode e deve, no segundo mandato, ser processado por crimes cometidos no primeiro. Até porque o texto constitucional exclui de processo (mas nunca de investigação) os crimes estranhos à função. E a função num primeiro mandato é a mesma do segundo. Dilma começou a correr bem mais riscos nesta sexta-feira. Por Reinaldo Azevedo