segunda-feira, 25 de maio de 2015

Militares das Forças Especiais são feridos no Rio de Janeiro

Criado em 1983, em Goiás, o 1º Batalhão de Forças Especiais é considerado a unidade de elite do Exército Brasileiro. O treinamento, um dos mais difíceis do País, capacita o soldado a quase todo o tipo de missão, desde o planejamento e execução de ações de contraterrorismo, contraguerrilha, fuga e evasão, resistência física e psicológica. Se o Brasil entrar em guerra com alguma outra nação do planeta, os FEs, como são conhecidos, serão os responsáveis pelos reconhecimentos estratégicos e os primeiros ataques ao inimigo. Esta apresentação dá uma dimensão do tamanho do problema em que a ocupação do Complexo da Maré se transformou, na porta de entrada do Rio de Janeiro. Na noite do último dia 17 de maio, dois desses "supersoldados" foram feridos em confrontos com traficantes que, após mais de um ano de ocupação, continuam a mandar no território. De acordo com a assessoria da Força de Pacificação, além dos dois sargentos FEs, um terceiro militar de outra unidade do Exército também ficou ferido. "Foram ferimentos leves e receberam atendimento médico imediato", informam. O fato é que desde 5 de abril de 2014, quando mais de 3 000 homens das Forças Armadas ocuparam o conjunto de favelas da Maré - atendendo a um pedido de socorro do então governador Sérgio Cabral -, pelo menos 23 militares foram baleados e um deles, o cabo Michel Mikami, de 21 anos, da Brigada Paraquedista, morreu. A pouco mais de um mês do término da missão, prevista para 30 de junho, os militares, informalmente, admitem o temor de que outras baixas possam arranhar ainda mais a imagem do Exército: "Se até a nossa tropa de elite é atacada desse jeito, está claro que muita coisa deu errado", afirma um oficial do Comando Militar do Leste. Um novo vídeo postado nas redes sociais também mostra um pouco mais da ousadia dos criminosos. No dia 21 de janeiro deste ano, um comboio com cerca de 40 homens percorria as ruas da Favela Vila dos Pinheiros, quando foi atacado. Na ocasião, dois militares se feriram. As imagens mostram um confronto de mais de dois minutos ininterruptos. Depois de tantos tiros de fuzil, um militar grita: "Pára de atirar!", no que é prontamente atendido. Os bandidos, no entanto, continuam a atacar. E os militares voltam a responder os tiros. E um deles diz: "Não queria ação? Taí ação". No mês passado VEJA mostrou as relações promíscuas de alguns militares com traficantes, chegando a avisar os bandidos de uma operação que seria realizada pela Polícia Civil em junho do ano passado. Com o vazamento, os bandidos do Morro do Timbau retiraram todo o arsenal que estava escondido ali e levaram para outra parte da Maré. Essa relação, no entanto, não foi a tônica da ocupação: "Muita gente passou a se omitir mesmo para não morrer. Essa guerra não é nossa", diz um cabo, que foi atacado várias vezes. Numa única semana durante a missão, a Força de Pacificação chegou a se envolver em 80 confrontos diferentes.

Janot manda recado ao Congresso: "Não procuro emprego"

Alvo de ameaças de parlamentares investigados na Operação Lava Jato, que articulam para tentar barrar sua recondução ao cargo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse nesta segunda-feira que "não procura emprego". Trata-se de um recado direto aos parlamentares, especialmente o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) e os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Os três políticos são investigados em inquéritos do Petrolão do PT. "Todo o Ministério Público brasileiro está unido pela mesma causa, esse gigantesco 'não à corrupção'. É induvidoso, e afirmo após longos 31 anos no exercício de múnus público, a que assumi por concurso público: não procuro emprego. Tenho uma função pública a que assumi por concurso público e a exerço há 31 anos", disse Janot. "A atuação de todos os membros do Ministério Público brasileiro revela a unidade que nos marca, permitindo que atuemos de forma profissional e despersonalizada. Se um colega não fizer, não se iludam. Outro o fará. Caso um não possa fazer, não se iludam. Outro, com muito mais razão e mais força, o fará", completou. Ao lançar a campanha #corrupçãonão, o chefe do Ministério Público também defendeu a votação de projetos relacionados à reforma política "que dêem novos contornos à representatividade a advinda do povo". "A corrupção não pode ser vista por nós como algo cotidiano que permeia as nossas vidas. Chegou a hora de dar um basta, é um 'não' firme e corajoso à corrupção. O combate a esse mal deve ter foco não só na atividade de persecução criminal, mas para a prevenção, o controle e a proteção dos recursos públicos, independentemente de sua escala ou monta", afirmou o procurador-geral, que deverá encabeçar a lista tríplice de indicados da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) a ser encaminhada à presidente Dilma Rousseff.

O ministro Joaquim Levy avisa: acabou o dinheiro fácil e barato para o financiamento a longo prazo


Ao chegar ao Ministério da Fazenda na manhã desta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que o País precisa repensar o gasto de recursos públicos a longo prazo e que “acabou o dinheiro”. Segundo ele, há outras partes a serem levadas em conta, até mais estruturantes, como as novas concessões. Ele citou como desafio a obtenção de recursos para financiar os projetos de infraestrutura. O ministro chamou ainda da "adequado" o corte de R$ 69,9 bilhões no Orçamento de 2015, anunciado na última sexta-feira por seu colega do Planejamento, Nelson Barbosa: "Vamos ver como reorganizamos o financiamento de longo prazo, agora que acabou o dinheiro e aquele modelo mais baseado em recursos públicos. Esses recursos acabaram". No último fim de semana, governistas comentavam que Levy havia ficado insatisfeito com o tamanho do corte no Orçamento, por ter defendido um contingenciamento maior, em torno de R$ 80 bilhões. No dia do anúncio, por exemplo, ele não compareceu ao evento, como era esperado: "Acho que o contingenciamento foi no valor adequado. Esta é uma das parte das políticas que estão sendo postas em prática". Para ele, o momento é de enfrentar temas que vão além, como competitividade e produtividade. A necessidade agora é “fazer um ajuste estrutural” porque mudaram as condições de economia brasileira e o preço internacional das commodities — que beneficiava as exportações — não é mais o mesmo. "Apesar de o governo ter dado muito incentivo fiscal, as empresas não tiveram um desempenho muito forte. Questões de como a gente pode ter a economia brasileira ter mais vitalidade e não necessariamente só botando dinheiro público", defendeu Levy: "As receitas previstas pelo Orçamento, aprovado há um mês, não tem conexão com a realidade da arrecadação. O PIB não está devagar por causa do ajuste. O ajuste está sendo feito porque o PIB está devagar". Ainda sobre o contingenciamento e as demais medidas de ajuste fiscal que tramitam no Congresso, o ministro argumentou que tudo isso é fundamental para o cumprimento da meta de superávit primário, de 1,13% do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano. Ele mencionou a evolução da arrecadação que, nos últimos anos, não tem atendido às necessidades de governo: "É preciso uma situação um pouquinho mais equilibrada. As receitas não têm sido muito significativas. Tivemos um déficit primário forte, que nos colocou em risco na questão do rating, o PIB não foi muito grande, as empresas não investiram. O contingenciamento é importante. O governo cortou na carne. Tentamos chegar ao mais próximo de 2013, mas a gente sabe muito bem que a maior parte do gasto é determinado por lei, é obrigatório". Perguntado se o governo planejava aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), ele respondeu: "Não tenho calculado nada de IOF. A gente tem que ir com calma na parte de imposto. Não adianta imaginar que os impostos vão salvar a economia brasileira. Não é por aí. A gente tem uma coisa mais profunda, que não se resolve com coisas fáceis, por mais emocionantes que possam ser. Foi dado um passo importante, porque o anúncio que o ministro do Planejamento fez foi muito claro". Levy voltou a afirmar que o contingenciamento é uma parte da estratégia. Acrescentou que as receitas previstas no Orçamento aprovado há um mês não têm conexão com a realidade da arrecadação. Como o Orçamento autoriza despesas, faz-se necessário que o governo corte esses gastos, "com cautela e equilíbrio, sem o menor risco ao crescimento”. Indagado sobre sua expectativa em relação ao PIB no primeiro trimestre, o ministro lembrou que, no início do ano, havia grandes temores em relação à economia. Muitos agentes se retraíram. Segundo Levy, boa parte dos receios desapareceu. Ele destacou que está discutindo com o Ministério da Agricultura um plano de safra realista, mas com volumes que atendem às necessidades do setor agrícola, apesar da queda dos preços das commodities: "O que interessa é o que vem pela frente. Se a gente fizer os ajustes a gente consegue botar a economia crescendo outra vez". 

Roberto Jefferson se livra do controle de tornozeleiras por falta do equipamento


Em prisão domiciliar há menos de duas semanas, desde 16 de maio, o ex-deputado federal Roberto Jefferson tem um benefício extra: ele não utiliza tornozeleira eletrônica, obrigatória para os demais condenados pelo Mensalão do PT. Nada a ver com seus problemas de saúde ou com alguma regalia. O problema, segundo integrantes do Poder Judiciário fluminense, é que desde o final do ano passado o Estado não tem equipamentos para monitorar novos presos. Atualmente, cerca de 1 500 condenados em liberdade usam as tornozeleiras, mas não há mais nenhuma disponível para os presos que receberam recentemente o benefício da prisão domiciliar, como é o caso de Roberto Jefferson. O ex-deputado vai aproveitar para se casar no próximo sábado, com autorização da Justiça. Será na Ilha di Capri: não o paraíso italiano, mas um local de eventos no município de Três Rios, no Rio de Janeiro.

Eduardo Cunha ignora comissão e leva reforma política ao plenário


O presidente da Câmara, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), conseguiu convencer os líderes partidários a ignorar o trabalho de mais de três meses da comissão da reforma política e levar o tema para votação diretamente em plenário. A previsão era de que o colegiado deliberasse sobre o relatório final, de autoria do deputado federal Marcelo Castro (PMDB-PI), nesta segunda-feira. Após os dois peemedebistas entrarem em rota de colisão, o parecer foi descartado. A decisão foi tomada durante um almoço nesta segunda-feira entre líderes do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), do PSDB, Carlos Sampaio (SP), e do DEM, Mendonça Filho (PE), além do líder do governo, José Guimarães (PT-CE). "A melhor oportunidade para discutir e deliberar sobre a reforma política é no plenário. Amanhã terça-feira já votaremos vários itens", disse Mendonça Filho. O cronograma estipulado pelo grupo prevê o sistema eleitoral como o primeiro item da reforma política a ser votado. A idéia de Eduardo Cunha é inicialmente pautar projetos do modelo de lista fechada e do distrital misto - que devem ser derrubados - para ganhar tempo e tentar encontrar um acordo pelo chamado "distritão", modelo defendido pelo PMDB, no qual o candidato mais votado é eleito. No sistema atual, o cálculo é baseado em um quociente eleitoral calculado com base no somatório dos votos recebidos pelas legendas. Com a definição do sistema eleitoral, entrará em pauta o financiamento de campanha, o fim da reeleição e propostas sobre a duração e a coincidência de mandatos. Relator da matéria, o deputado federal Marcelo Castro soube da decisão pela imprensa. "Por que pegar três meses de estudos e jogar fora? Porque o relatório não está do jeito que o presidente esperava? É um atropelo claro, não há justificativa para isso", criticou. Ele terá a função substituída em plenário pelo presidente da comissão da reforma política, deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ).

COLLOR DE MELO ATACA MINISTÉRIO PÚBLICO E DENUNCIA: "JANOT, O CHEFE, É UM CHANTAGISTA"

Em entrevista exclusiva à rádio Jovem Pan, de São Paulo, o ex-presidente da República, Fernando Collor de Mello. criticou o Ministério Público por divulgar informações das investigações sem “apuração melhor realizada”. Em março, o doleiro e delator da Operação Lava Jato, Alberto Youssef, afirmou que entregou entre R$ 200 mil e R$ 300 mil em dinheiro ao senador. De acordo com o doleiro, um funcionário de Collor receberia dinheiro em espécie. Em conversa com o historiador Marco Antonio Villa, Collor compara a instituição com “um tumor que com seus tentáculos procura contaminar a sociedade quando coloca seus tentáculos em nome de A, de B ou de C”. “A facilidade com que o Ministério Público vaza para a imprensa nomes sem nenhum tipo de escrutínio faz com que esse monstrengo tenha que ser sarjado por dentro do processo democrático para que ele não contamine a sociedade brasileira e os poderes da República”, disparou o ex-presidente. O senador pelo PTB de Alagoas diz que o Ministério Público está sem rumo e perdeu o senso de sua função constitucional. “O Ministério Público não pode ficar dessa maneira sem eira nem beira, sobretudo na figura desse Procurador Geral da República que é um chantagista”, e completou: "Isso vai ficar provado em algum momento devido às representações que fiz por crime de responsabilidade contra ele como também já tomei conhecimento de que outros parlamentares já ingressaram também com ações”.

PREFEITO DE GRAVATAÍ, MARCO ALBA, DERRUBA NA JUSTIÇA DÍVIDA DE 90 MILHÕES COM O BANRISUL, UMA HERANÇA MALDITA DEIXADA PELOS PREFEITOS DO PT

A Justiça de Gravataí, em decisão do juiz Vinícius Tatsch dos Santos, no processo nº 015/1.12.0008181-3, da 1ª Vara Cível, declarou prescrita, nesta segunda-feira, 25, dívida de R$ 90 milhões que o Banrisul cobrava do município. O processo se referia a débitos que a prefeitura tinha com a CEEE, os quais haviam sido “vendidos” ao Banrisul, em 2002, e que de forma irregular foram pagos entre 1997 e 2011. Com essa decisão foi confirmada a queda da última e mais importante restrição que havia contra Gravataí na Secretaria do Tesouro Nacional para a busca de financiamentos. “Esta é uma vitória que simboliza toda a luta que este governo tem feito na busca da correção, transparência e legalidade dos atos administrativos”, afirma o prefeito Marco Alba. Isso representa a exclusão da segunda dívida mais expressiva da qual o município já havia pago uma parte. Em dezembro do ano passado, o juiz federal Bruno Brum Ribas, atendendo ao pleito da prefeitura, através da Procuradoria Geral do Município, já havia decidido que “a repactuação da dívida, cuja operação fora considerada irregular pela Secretaria do Tesouro Nacional, por ofensa à Lei de Responsabilidade Fiscal, se tratava de operação de crédito entre instituição financeira e ente da Federação (Município), a qual se destina a refinanciar dívida não contraída junto à própria instituição concedente”. Ou seja, Gravataí, ao firmar acordo de parcelamento de dívida com o Banrisul, em 2011, reconheceu e acertou pagar uma dívida de forma irregular. Inicialmente, Gravataí possuía uma dívida de R$ 9,8 milhões com a CEEE, em virtude do fornecimento de energia elétrica entre setembro de 1992 e agosto de 1997, para iluminação pública, e entre dezembro de 1996 e agosto de 1997, para iluminação de prédios próprios. Em junho de 2000, a CEEE e o município firmaram contrato de parcelamento, para a regularização dos débitos de energia elétrica. Para tanto, acordaram o parcelamento em 100 vezes, com pagamentos de outubro de 2000 a janeiro de 2009. Em 28/02/2002, a CEEE cedeu o seu crédito ao Banrisul, mediante Contrato de Cessão de Créditos. Até 2004, a prefeitura pagou o que havia sido repactuado. Com juros e multas contratuais, o débito, então de “propriedade” do Banrisul, chegou a R$ 100 milhões em 2011. Nesse ano, ao assinar um novo contrato com o Banrisul, a pretexto de reduzir a dívida de R$ 86 milhões para R$ 24 milhões (que de início era de R$ 9 milhões), a Prefeitura reconheceu um débito que já havia sido declarado irregular pela Secretaria do Tesouro Nacional. Diante das irregularidades, em 19/04/2012, o município encaminhou notificação ao Banrisul avisando que, a partir daquela data, os pagamentos das prestações mensais decorrentes do contrato seriam cancelados. Em 11/07/2012, o Banrisul ingressou com ação de cobrança de R$ 90 milhões, sustentando a inadimplência da obrigação desde maio de 2012. “Essa decisão representa também o fim de um peso que recaía sobre a sociedade gravataiense, que era quem arcava com essa dívida, contraída de forma irregular”, finaliza o procurador Geral do Município, Jean Torman.

Teria o ministro Mercadante chamado de vagabundos todos os que apelam ao seguro-desemprego?

O ministro Aloizio Mercadante, da Casa Civil, deveria deixar o PT e admitir, então, que errou de partido; que a legenda à qual pertence há 35 anos deseducou o país, contribuindo para criar a cultura dos estado-dependentes, dos que, no fim das contas, ganham mais quando não trabalham do que quando trabalham; admitir, em suma, que o Brasil não tem mais dinheiro para bancar a demagogia companheira. Por que digo isso? Em 1999, depois de criar o fator previdenciário — e só por isso o sistema não está, de fato, quebrado —, o presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou o seguinte: “Fiz a reforma para que aqueles que se locupletam da Previdência não se locupletem mais, não se aposentem com menos de 50 anos, não sejam vagabundos em um País de pobres e miseráveis”. Foi um escarcéu. O PT e as esquerdas saíram gritando país afora que FHC — cujo governo ampliou enormemente a seguridade social aos idosos — havia chamado de “vagabundos” todos os aposentados. Não! Como deixa claro a fala e está documentado, ele se referia àqueles que se aposentavam com menos de 50 anos, o que é, de fato, um escândalo num país de miseráveis. Aliás, ainda que fosse uma nação de nababos, trata-se de um privilégio inaceitável. E foi assim que se criou a suposição de que a Previdência aguenta qualquer desaforo. Em companhia de Joaquim Levy, ministro da Fazenda, Mercadante concedeu uma entrevista coletiva nesta segunda-feira. Referindo-se à necessidade de o Senado aprovar as MPs do ajuste fiscal — a 665, que trata do seguro-desemprego, e a 664, que cuida das pensões —, ele negou que elas cassem direitos dos trabalhadores, chamou as correções de “necessárias” e “justas” e sintetizou: “Temos que criar cultura em que pessoas cresçam na vida trabalhando (…) E não a idéia de que eu ganho mais quando saio do trabalho”. Opa! Bem-vindo à realidade, ministro Mercadante! Suponho que aqueles que alimentem a idéia de que ganham mais quando saem do trabalho sejam, digamos, vagabundos! E olhem que o ministro petista trata de um assunto mais delicado do que a aposentadoria, não é? Afinal, trata-se do seguro-desemprego num momento em que o desemprego está em alta. O País vive hoje uma espécie de transe político porque o governo petista se vê obrigado a adotar medidas que antes foram demonizadas nas ruas. Aqui e ali, curiosamente, cobra-se que a oposição as endosse, quem sabe em companhia do PMDB, para que os petistas, então, possam exercer a sua rebeldia no Congresso. Dois dos maiores críticos das MPs no Senado são justamente do PT: Lindbergh Farias, do Rio, e Paulo Paim, do Rio Grande do Sul. Na coletiva, Joaquim Levy negou qualquer divergência com a presidente e disse ter faltado ao anúncio de sexta-feira do valor do corte do Orçamento porque estava gripado. Chegou até a ensaiar uma tosse, que não convenceu ninguém. Mas, volto ao ponto. Cumpre indagar: teria o ministro Aloizio Mercadante chamado de vagabundos todos aqueles que apelam ao seguro-desemprego? Por Reinaldo Azevedo

Dono de empreiteira confirma pagamento de propina em contratos do pré-sal

Um dos donos da Engevix Engenharia, Gerson de Mello Almada, confirmou à Operação Lava Jato que a empreiteira pagou ao operador Milton Pascowitch “comissões” que chegaram a “0,9%” dos contratos – ainda em execução – que o Estaleiro Rio Grande, controlado pela empreiteira, fechou para construção de sondas do pré-sal, para a Petrobrás. Pascowitch – dono da Jamp Engenheiros Associados – é um dos cinco acusados pela força-tarefa da Lava Jato de serem operadores de propina nos contratados de construção de 29 sondas para exploração de petróleo em águas profundas, pela Petrobrás, via empresa Sete Brasil S.A. A confirmação do empresário de que Pascowitch recebia “comissões” pelo “lobby” que fez nos contratos do Estaleiro Rio Grande foi um dos elementos que levaram a Justiça Federal a decretar a prisão preventiva do lobista, na última semana. “Vinculado a esse negócio foi firmado um contrato de consultoria com a Jamp (Engenharia Associados) de Milton Pascowitch, o qual foi calculado em torno de 0,75% a 0,9% do valor do contrato das sondas, que girou em torno de US$ 2,4 bilhões, estando o contrato ainda em execução”, declarou Almada. A Sete Brasil foi criada pela Petrobrás, em parceria com fundos de pensão públicos e privados e com três bancos. Em 2011, a empresa fechou um contrato com estatal para viabilizar um grandioso projeto de construção de sondas no Brasil, no valor de US$ 25 bilhões. Peça central na criação da Sete Brasil e primeiro diretor de Operações da empresa, nomeado para cuidar do projeto das sondas, foi Pedro Barusco. Ele é ex-gerente de Engenharia da Petrobrás e confessou, em delação premiada com a Lava Jato, receber propina no esquema. “Sobre o valor de cada contrato firmado entre a Sete Brasil e os estaleiros, deveria ser distribuído o percentual de 1%, posteriormente reduzido para 0,9%”, revelou Barusco. Almada, admitiu que foi procurado por Barusco para os contratos das sondas. O Estaleiro Rio Grande, no Rio Grande do Sul, foi contratado para construir três das sondas marítimas de perfuração da Sete Brasil. Cinco estaleiros, formados por empresas do cartel em parceria com as gigantes mundiais do setor, foram contratados nesse pacote de equipamentos para o pré-sal. Procuradores da Lava Jato sustentam que as “comissões” que Almada confessou ter pago à Polícia Federal e à Justiça Federal – em processo em que é réu – para Pascowitch no negócio das sondas era “propina”. Os contratos das 29 sondas da Sete Brasil são um dos pontos de partida da força-tarefa da Operação Lava Jato na ofensiva para comprovar que o esquema de cartel e corrupção nas obras de refinarias da Petrobrás, entre 2004 e 2014, foi reproduzido em contratos do bilionário mercado do pré-sal.

MESMO COM TODA A CONTENÇÃO NAS CONTAS, GOVERNO SARTORI NÃO CONSEGUE ESTANCAR O AUMENTO DOS GASTOS PÚBLICOS NO RIO GRANDE DO SUL; É A HERANÇA MALDITA DO GOVERNO DO PEREMPTÓRIO PETISTA TARSO GENRO

Mesmo com todos os esforços para conter os gastos públicos do Estado do Rio Grande do Sul, o governo de José Ivo Sartori (PMDB) não consegue conter a alta das despesas. Isso é o resultado imediato do desgoverno e da herança maldita da gestão do peremptório petista "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso Genro. que comprometeu as contas de governos posteriores ao seu, decretando aumento de gastos por muitos anos sabendo que não haveria arrecadação necessária para dar cobertura. Os dados a seguir são da secretaria estadual da Fazenda. Eles refletem o esforço pela contenção de gastos dos Poderes no Rio Grande do Sul. Acompanhe os números do primeiro quadrimestre, comprativamente a igual período do ano passado:
Executivo, +7%
Ministério Público Estadual, + 15,57%
Tribunal de Contas, + 13,38%
Assembléia Legislativa, + 8,82%
Tribunal de Justiça, + 8,39%
Ao contrário do que pode parecer, as fatias dos Poderes sobre o total da receita estadual não cresceu nos últimos anos, o que significa que a crise financeira foi gestada e é filha embalada e criada pelo Executivo.

A COMUNISTA MANUELA D'ÁVILA APRESENTA PROJETO PARA OBTER BENEFÍCIO PRÓPRIO EM CASO DE MATERNIDADE DE PARLAMENTAR

Embora deputados não sejam considerados trabalhadores, o que não os submete à CLT e seu código de direitos e obrigações, a deputada estadual comunista gaúcha Manuela D'Ávila está empenhada pessoalmente em obter, para si e seus colegas atuais e futuros, mais benefícios de licença-maternidade. O projeto atende causa própria, porque a parlamentar está grávida. É pouco ético buscar vantagens públicas para causas próprias. A comunista Manuela D'Ávila prepara-se para um período sabático de meio ano, durante o qual terá direito a salário integral de R$ 25.322,25 e, apesar da licenças, poderá manter seu gabinete com todos os CCs, FGs e servidores nomeados, além das verbas integrais. É que nesta terça-feira será votado o projeto de resolução 06/2015, que introduzirá alterações no Código de Ética Parlamentar, ampliando para 180 dias o período de licença maternidade às deputadas, e para 15 dias a licença paternidade para deputados, além de estabelecer prazos de licença paternidade de 15 dias para deputado adotante e de 180 dias para a deputada adotante, quando a criança tiver de zero a dois anos de idade. À medida em que a idade for maior, o período de licença maternidade decresce até 90 dias, para quando a criança tiver mais de seis anos, desde que menor de idade. (Políbio Braga)

CÂMARA CASSA POR 8 X 2 O MANDATO DO PREFEITO PAULO AZEREDO, O "PAULO MELANCIA", DE MONTENEGRO

Por oito votos a favor e dois contra, vereadores de Montenegro, no Vale do Caí (Montenegro), aprovaram o impeachment do prefeito Paulo Azeredo (PDT). Em 142 anos, é a primeira vez que o município tem o mandato do chefe do Executivo cassado. Paulo Azeredo foi deputado estadual. Durante o governo de Yeda Crusius (PSDB), Paulo "Melancia", como é conhecido, moveu feroz campanha para cassar o mandato da líder tucana. O processo de impeachment foi aberto por supostas irregularidades na construção de uma ciclovia. A sessão, realizada na Câmara de Vereadores, na manhã desta segunda-feira, durou cerca de quatro horas. Paulo "Melancia" parecia não acreditar na possibilidade, porque tinha obtido uma medida judicial para impedir a realização da sessão desta segunda-feira. Entretanto, o presidente da Câmara de Vereadores foi rápido e conseguiu a derrubada da medida judicial, realizando a sessão.  

Outra mentira da SBM

A SBM Offshore omitiu do mercado, no ano passado, ter sido informada pelo Ministério Público da Holanda de que funcionários da Petrobras receberam propina da empresas. Em agosto passado, quando divulgou balanço financeiro do primeiro semestre do ano, a cúpula informou apenas que uma investigação interna não havia encontrado irregularidades nos contratos."Não encontramos nada impróprio no Brasil", disse Bruno Chabbas, CEO da SBM. "O mesmo foi feito pela pela Petrobras". O executivo se refere à CIA (veja mais aqui) da estatal brasileira que não achou evidência de subornos. O problema é que, em maio, a SBM foi informada por procuradores holandeses de que Julio Faerman, seu representate no Brasil, pagara proprina à Petrobras. A informação foi, na verdade, repassada em sigilo à petroleira, que comunicou a CGU. A SBM é a mesma que repassou 300 000 dólares à campanha de Dilma em 2010, segundo Pedro Barusco.

A Marcha dos Prefeitos a Brasília começa hoje, em clima de guerra contra a petista Dilma Rousseff


Começa hoje em Brasília a XVIII Marcha dos Prefeitos, reunindo cerca de 5.000 administradores municipais. O clima é tenso e estão sendo esperados protestos fortes contra Dilma Rousseff e o seu governo. A situação é explosiva. "Tentaremos fazer uma marcha propositiva, mas será difícil controlar prefeitos com nervos à flor da pele", afirma Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional dos Municípios, sobre o clima de cobrança a Dilma Rousseff. A presença da presidente está prevista para amanhã e vários ministros estão convidados a prestarem esclarecimentos aos prefeitos. O mais provável é que, por medo das vaias e xingamentos, ninguém apareça. (Blog do Coronel)

O petista e ex-terrorista Fernando Pimentel paga R$ 40 mil por uma palestra de Fux. O ministro Fux é do TSE. Pimentel teve suas contas de campanha rejeitadas. Fux é um dos que vão julgar o caso. Não é mesmo tudo tão lindo nesta república petralha?


O governo de Minas Gerais (PT) convidou os ministros Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, e Luís Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça, para proferir palestra de uma hora sobre o novo Código de Processo Civil, oferecendo R$ 40 mil como remuneração a cada um. O evento foi realizado no último dia 8, uma sexta-feira, no Minascentro, em Belo Horizonte.  Os ministros disseram que a Lei Orgânica da Magistratura Nacional permite a remuneração. Três dias depois, informaram ter decidido abrir mão dos honorários. A conferência foi promovida pela Secretaria de Estado da Casa Civil e de Relações Institucionais e pela Advocacia-Geral do Estado, em parceria com a Faculdade de Direito da UFMG. Segundo Fux e Salomão, os R$ 40 mil previam a realização de outras cinco palestras. A assessoria de imprensa do governo, contudo, disse que não se previam "outros eventos semelhantes". Em ato no Diário Oficial, os ministros aparecem como "contratados" para proferir palestra no Minascentro. A publicação, assinada por Marco Antônio Castello Branco, presidente da Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, empresa pública controlada pelo Estado de Minas Gerais), ratifica a inexigibilidade de licitação, mas não traz o valor dos serviços. A Casa Civil e a Codemig e não forneceram cópias dos atos da contratação. O secretário da Casa Civil de Minas Gerais, Marco Antônio Rezende, diz que foi feita "uma apuração do que se paga normalmente para palestrantes ou conferencistas nesse nível": "Achamos que o valor de R$ 40 mil está dentro do que o mercado paga". Rezende é advogado de recurso do governador de Minas Gerais, o ex-terrorista e petista Fernando Pimentel, no Tribunal Superior Eleitoral. Pimentel sofreu uma multa de R$ 52 milhões, aplicada em dezembro último pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, que rejeitou as contas da campanha do então candidato petista. Segundo o secretário, "esse assunto não foi tratado" com Fux, que é ministro do Tribunal Superior Eleitoral. Eliana Calmon, ex-corregedora nacional de Justiça, vê "superfaturamento": "Não se paga isso nem no Estado nem na iniciativa privada". A remuneração de membros do Judiciário costuma ser mantida sob sigilo pelas entidades patrocinadoras de eventos. Eliana disse que, ao se aposentar, consultou outros ministros para saber quanto cobrar por palestras. Ouviu que os valores variam entre R$ 3 mil e R$ 7 mil. "Como juíza, sendo remunerada pelo Estado, que exige dedicação integral, nunca cobrei do Estado e de autarquias. Por ética, não poderia cobrar", diz: "Podemos cobrar quando se trata de empresa privada, e quando o curso é cobrado dos alunos". A Escola Paulista da Magistratura paga R$ 1.500,00 (brutos), por quatro horas de aula a juízes ou ministros. Em 2014, o valor médio por palestra nas organizações privadas era R$ 6.213,00 segundo a Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD). Isso é o que se chama, com todas as letras, de falta de moral. O Brasil do petralhismo causou um primeiro e grande prejuízo à sociedade, que é a quebra de valores morais. O que se fazer quando um ministro do Supremo Tribunal Federal, que já recebe o maior salário no País de seus empregadores, os cidadãos, sucumbe a uma tentação dessas, lançada por um governo de um condenado na Justiça, que terá seu recurso julgado pelo próprio contratado? O que essa gente tem na cabeça?!!!!

O Brasil da petista Dilma Rousseff despenca ladeira abaixo, só pioram as previsões da economia nacional

Na semana em que o resultado do desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre será divulgado pelo IBGE, os economistas ouvidos pelo relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, pioraram as expectativas para 2015. A previsão agora é que o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no País) recue 1,24%. Na semana passada, a expectativa era de uma queda de 1,20%. Pela sexta semana seguida, os economistas do mercado financeiro voltaram a apostar em elevação dos preços este ano. A expectativa para o resultado da inflação oficial, o IPCA, passou de 8,31% para 8,37%, segundo o relatório de mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central. A previsão para a Taxa Selic no fim de 2015 também voltou a ser elevada, passando de 13,50% ao ano para 13,75%. Para 2016, também há expectativa de alta: em vez dos 12% da semana passada, agora os economistas apostam em 12,25%. Por outra parte, a expectativa para a cotação do dólar no fim do ano foi mantida em R$ 3,20 pela quarta semana consecutiva.

A demissão de Levy

Segundo O Globo, Joaquim Levy se recusou a participar do anúncio do corte de 69,9 bilhões de reais "porque está muito irritado com a forma pela qual o Palácio do Planalto está conduzindo as votações do ajuste fiscal". É mentira. Joaquim Levy aceitou trabalhar para uma presidente que deu uma pedalada fiscal de 40 bilhões de reais. Ele sabe que a irresponsabilidade é a marca desse governo. Ele sabe também que, com Dilma Rousseff, a meta fiscal jamais será atingida. Na verdade, Joaquim Levy se recusou a participar do anúncio do corte de 69,9 bilhões de reais por pura covardia. Ele prefere fingir que está com febre a pedir demissão. (O Antagonista)

A realidade paralela de Joaquim Levy

Joaquim Levy disse: "Contingenciamento é uma parte da estratégia. É necessário porque as receitas previstas no Orçamento, que foi aprovado um mês atrás, não têm conexão com a realidade da arrecadação". E acrescentou, perdendo a conexão com a realidade: "Como as receitas não estão nem próximas daquilo que está previsto no Orçamento aprovado no mês passado, por várias razões, faz-se necessário que, onde o governo pode, tenha cortado. Cortou-se com muita cautela, equilíbrio, na medida em que se poderia fazer, inclusive sem impor o menor risco em relação ao crescimento econômico". A única conexão com a realidade que interessa a Joaquim Levy é aquela que o garante no cargo. (O Antagonista)

BETH COLOMBO SERÁ CANDIDATA DO PP EM CANOAS

O PP decidiu que Beth Colombo, atual vice do prefeito petista Jairo Jorge, será candidata a prefeita de Canoas, o terceiro município mais populoso do Rio Grande do Sul. Como o governo petista encerra sua segunda administração abaixo da crítica na cidade, com o prefeito petista Jairo Jorge cercado de ações de improbidade administrativa, será muito difícil fazer um sucessor. O que pode ajudar Beth Colombo é que a atuação política em Canoas foi devastadora para os partidos que se alinharam com ele, e também para os políticos. Essa próxima eleição tem tudo para ver despertar uma liderança nova em Canoas, a da advogada Gisele Uequed, de oposição, que concorreu na última eleição e ficou em segundo lugar. Vai depender da aliança que ela conseguir montar.

JOÃO VACCARI NETO, O TESOUREIRO DO PT, JÁ ESTÁ PRESO NA PENITENCIÁRIA DE PINHAIS, NO PARANÁ


O juiz Sério Moro autorizou a transferência para a Penitenciária de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, dos ex-deputados federais André Vargas (do PT), Luiz Argôlo (do Solidariedade), Pedro Corrêa (do PP) e ainda do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Vaccari é o único deles que continua no seu partido de origem e prestigiado pela sua direção, inclusive Lula. O PT é o único partido que tem dois ex-tesoureiros na cadeia. Ambos foram flagrados em organizações criminosas criadas e operadas pelo partido para roubar dinheiro publico e achacar empresários, tudo para se manter no poder. Estavam todos em confortáveis e bem cuidadas celas da Polícia Federal de Curitiba. O pedido foi feito pelo delegado Igor Romário de Paula, que alegou falta de espaço na carceragem da Polícia Federal. Foram todos para a companhia de bandidos comuns. Esse é o lugar deles agora. 

A BAGUNÇA – Pobre Temer! Ele negocia o apoio às MPs, e os petistas, incluindo Dilma, na prática, o sabotam. Aí fica difícil…

É claro que se deveria tomar a coisa como piada de mau gosto, mas é verdade. Michel Temer, vice-presidente da República, presidente do PMDB e coordenador político do governo, vai cobrar, imaginem vocês, empenho do PT — que é o partido ao qual pertence a presidente da República — no apoio ao ajuste fiscal. Nesta segunda, antes de Dilma viajar para o México, ele pretende se encontrar com ela para dizer o óbvio: se os petistas ficam sabotando as MPs no Senado, com que força ele busca o apoio dos demais parlamentares da base — sem contar que o próprio presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), não é, assim, um entusiasta do pacote, né? O vice também anda desconfiado, informa a Folha, de que a resistência não se restrinja ao PT e contamine áreas do governo. A presidente, é bem verdade, tem mostrado seu empenho no pacote, mas sabe que, entre outros, Lula, na prática, trabalha contra, embora finja que não. Se o chefão petista mandar, a CUT se desmobiliza, mas ele não vai fazer isso. Da mesma sorte, a direção do partido não move uma palha para conter os rebeldes. Aí as coisas realmente ficam difíceis. Na sexta, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, arrumou a mais eloquente e silenciosa de todas as gripes. Aos poucos, ele vê o seu plano de austeridade ser descaracterizado, e mais sobressaem os esforços do governo de aumentar impostos do que de cortar gastos. Mesmo com o facão anunciado de R$ 69,9 bilhões no Orçamento de 2015, prevê-se gastar neste ano mais do que no ano passado — isso para uma economia que terá uma recessão, segundo a estimativa oficial, de 1,2%. É evidente que, com a ausência, Levy quis deixar claro que não precisa do governo para sobreviver. Não é um político da base. Já o governo, tudo indica, depende dele para não experimentar uma turbulência de consequências incertas. Dilma, ademais, pressionada por Lula, faz a coisa errada. Na sexta, ela se reuniu com o antecessor. Os dois falaram sobre eventuais concessões ao petismo. Ora, por que o coordenador político não estava numa reunião como essa? Quer dizer que Temer negocia o apoio às MPs como elas estão, e Dilma negocia mudanças com Lula, que o vice ignora? Aí é sacanagem, né? Por que isso acontece? Porque o governo Dilma, a rigor, não existe. É uma peça de ficção. Ela se elegeu com um discurso, governa com outro; conquistou o segundo mandato com uma penca de promessas; não poderá cumprir nenhuma delas; franjas do petismo que apoiam a sua gestão e lhe dão alguma sustentação popular, bem pequena, não podem defender o ajuste porque vai contra suas bandeiras — é o caso da CUT, por exemplo, que, há pouco de mais de um mês, marchou contra o que chamou de “golpismo” e em apoio à presidente e, agora, lota as galerias do Congresso contra as Medidas Provisórias. O governo Dilma é, em suma, uma equação que, depois do sinal de igual, tem um enorme conjunto vazio. É um troço sem conteúdo e sem identidade. Nem pode falar em nome de uma austeridade que combata os desmandos de antes — porque, afinal, não é um governo de oposição àquele de antes — nem pode fazer a defesa da continuidade porque continuidade não há. Então se tem esse enorme nada! É por isso que Dilma se sente mais à vontade falando sandices sobre as civilizações pré-colombianas em entrevista a um jornalista do México… O Brasil é coisa complicada demais pra ela, coitada! Por Reinaldo Azevedo

Redução de jornada e salário pode ser mais uma obra do petismo! Parabéns, companheiros!

O governo estuda propor a redução da jornada de trabalho em 30% e de salários em 15% como forma de conter o desemprego e não afetar a arrecadação. A alternativa conta com o apoio das maiores centrais sindicais do país.

A demissão, obviamente, leva à perda de arrecadação. O mesmo acontece quando as empresas recorrem ao “layoff”, que é a suspensão do contrato por cinco meses — nesse caso, os trabalhadores passam a receber o seguro-desemprego. O governo veria aí também uma saída para se reaproximar dos sindicatos. É… Dos sindicatos, até pode ser. Já dos trabalhadores…
A crise já está batendo forte no emprego, e se sabe que está só no começo. Há quem vislumbre uma taxa de desemprego perto de 12% no auge do aperto. O mercado de trabalho teve o pior abril em 23 anos. Um dos pilares do, vá lá, modelo petista era o consumo. Já ruiu. O outro era o emprego…
Vamos ver. Não basta só negociar com as centrais, não é? É preciso ver se as empresas aceitam. Em tese, a diferença entre redução da jornada (30%) e de salário (15%) seria compensada pela redução de outros custos… Mas só em tese. No período de vigência do acordo, as empresas certamente ficariam proibidas de demitir. É preciso ver se uma camisa de força como essa é compatível com um momento de crise. Não parece.
Mas digamos que se consiga um acordo em escala nacional. Talvez um terceiro pilar do sucesso do petismo tenha sido a frequência com que categorias profissionais negociaram reajustes acima da inflação. É possível que os trabalhadores tenham memória de tempos em que o salário crescia abaixo da taxa inflacionária, o que é perda real de ganho, claro! Mas certamente não se lembram de ver parte do seu salário nominal ser amputada, ainda que eles possam ficar em casa um ou dois dias de papo pro ar ou passem a trabalhar duas horas e meia a menos por dia.
Se isso acontecer, será, sem dúvida, mais uma experiência que o Partido dos Trabalhadores proporcionará aos… trabalhadores. É melhor do que o desemprego? Certamente! Mas é bom? Ah, não é mesmo. Sem contar que um corte de 15% no rendimento dos assalariados não é, assim, um estímulo bom para a economia, né? Colabora para a chamada espiral para baixo e acabará afetando diretamente os setores de comércio e serviços.
Que obra, hein, Dilma? Huuummm… Compatível com quem demonstrou alguma compreensão com os sacrifícios humanos nas civilizações pré-colombianas… Por Reinaldo Azevedo

O SAMBA-DA-PRESIDENTE-DOIDA – Dilma muda as cores nacionais mexicanas, inventa uma tal camisa verde da Seleção e faz uma suruba histórico-antropológica das civilizações pré-colombianas. Ah, sim: ela diz que a Petrobras é “a pátria de mãos sujas de óleo”. Concordo!

Eu nunca entendi por que diabos a presidente Dilma Rousseff tem a ambição de parecer uma pensadora, uma intelectual, uma estilista. Ela não é nada disso. Ao forçar a mão, acaba dizendo patacoadas estupendas, que concorrem um tanto para ridicularizá-la. Nesse sentido, Lula é mais prudente: transforma a sua ignorância em agressão aos adversários (especialmente FHC) ou em graça. Dilma tem a ambição de ser profunda. Aí as coisas se complicam. Ela concedeu uma entrevista ao jornal mexicano de esquerda “La Jornada”, publicada neste domingo. Há de tudo lá: algumas parvoíces decorrentes do esforço de parecer sabida, distorções ideológicas as mais detestáveis e humor involuntário. E, claro!, também imposturas. A sua fala sobre o impeachment é, para dizer pouco, imprudente. Já chego lá. Começo pelo humor involuntário.  Prestem atenção a este trecho do diálogo:

Dilma - Teve um teatrólogo brasileiro, que você deve conhecer, Nelson Rodrigues, que, além, disso, foi um colunista de futebol.
Jornalista: Sim, claro.
Dilma: Que, quando se referia à Seleção Brasileira, dizia que a Seleção Brasileira era a pátria de chuteiras, a pátria verde e amarela de chuteiras. Lá, a Seleção Mexicana é a pátria azul, branca e verde…
Jornalista: Não, a camisa é verde, a camisa da Seleção. Sim, é verde.
Dilma: É verde? Então, é a pátria verde de chuteiras. A nossa também às vezes é verde, hein?
Vamos lá, leitor! As cores nacionais do México são verde, vermelho e branco, sem o azul. A Seleção Brasileira já jogou com camiseta branca, amarela, azul e até vermelha — curiosamente, em 1917, ano da Revolução Russa, e 1936, ano seguinte à Intentona Comunista. Mas verde, como disse Dilma, nunca! E a conversa ainda vai avançar para o terreno do surrealismo explícito. Leiam.
Jornalista: Agora deixa eu fazer uma pergunta, uma pergunta…
Dilma: Agora, a Petrobras é tão importante para o Brasil como a Seleção.
Jornalista: Claro.
Dilma: Então, eu sempre disse o seguinte: “Se a Seleção Brasileira é a pátria de chuteiras, a Petrobras é a pátria com as mãos sujas de óleo.
Jornalista: Ah, isso é muito bom, presidente, é uma frase muito boa!
Dilma: E vocês têm também a pátria suja de óleo lá, a mão suja de óleo.
É espantoso que, diante do maior escândalo conhecido da história do país, que tem a Petrobras como epicentro, Dilma diga que a “Petrobras é pátria com as mãos sujas de óleo” e transfira, digamos, esse mérito duvidoso também ao México. De resto, a Petrobras é, sim, a pátria de mãos sujas. Mas não de óleo…
Suruba histórico-antropológica
Dilma começa a conversa, se vocês lerem a transcrição, tentando demonstrar a sua expertise em história mexicana. Arma uma lambança dos diabos com os povos pré-colombianos — seu interlocutor não ajuda muito, diga-se — e faz uma defesa do relativismo cultural que chega a flertar com sacrifícios humanos. E eu não estou brincando.
Referindo-se à cidade arqueológica maia de Chichén Itzá, diz a nossa sábia presidente:
Presidente - Eu fui a Chichén Itzá (…). É impressionante Chichén Itzá e também todo o conhecimento astronômico, a precisão do conhecimento astronômico. Para você ter aquela precisão, tem de ter um certo domínio razoável da matemática para aquele tipo de precisão que eles tinham. (…). E o que é destacado de forma bastante simplória para nós? É destacado sacrifícios humanos [ela disse assim, com erro gramatical mesmo], numa visão, eu acho, preconceituosa, contra aquela civilização que tinha um padrão de desenvolvimento e de desempenho que nós não conhecemos. A nossa população indígena não estava nesse nível de desenvolvimento. A mesma coisa o inca, não é? Mas lá é mais, era mais avançada, a mais avançada de todas. E não era asteca, não é? Eles não sabem, eles chamam de Tolteca, Olmeca.
Jornalista: Maia.
Presidenta: A Maia é mais embaixo, é ali na península do Iucatã, não é?
Santo Deus!
Vamos botar ordem na suruba histórico-antropológica pré-colombiana feita por Dilma. Comecemos pelo maior de todos os absurdos. A cultura inca não tem relação nenhuma com o México porque foi uma civilização andina, que se estendeu de um pedacinho do oeste da Colômbia até Chile e Argentina, passando por Equador, Peru — que era o centro irradiador — e Bolívia.
Reparem que, dado o contexto, a presidente sugere que a cidade de Chichén-Itzá não fica no estado de Iucatã, mas fica. Para a presidente brasileira, que deve ter lido apressadamente um resumo feito pela assessoria, Chichén-Itzá não é uma cidade asteca, mas tolteca ou olmeca…  Bem, nem uma coisa, nem outra, nem a terceira. A cidade é maia.
Trata-se de um erro de geografia e de tempo. Os olmecas (vejam o mapa), prestem atenção!, existiram entre 1.500 e 400 ANTES DE CRISTO. Os toltecas, entre os séculos 10 e 12 DEPOIS DE CRISTO e foram dominados por bárbaros, que resultaram no Império Asteca.
mapa méxico
O mais encantador, no entanto, é Dilma sugerir que a gente vê com preconceito os sacrifícios humanos das civilizações pré-colombianas… É, vai ver que sim! Confesso que vejo com preconceito também os atos sacrificiais em massa levados a efeito por Hitler, Stálin, Pol Pot, Mao Tsé-tung. Sabem como é… Cada civilização tem seu jeito de matar…
Há mais besteira.
Num dado momento, ainda tentando se mostrar sábia sobre a cultura mexicana, disse a presidente:
“Eu sei de todas as histórias da relação do México com os Estados Unidos, que, na Revolução de 1910, diziam: ‘Ah, pobre México! Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos!’. O jornalista, não mais esperto do que a presidente, emenda: “Isso”.
É uma tolice. A dupla trata a frase como se contivesse um conteúdo revolucionário. Mas não! O autor da dita-cuja foi o então presidente Porfírio Dias, que foi derrubado pela… revolução!
Impeachment
Indagada sobre o impeachment, afirmou a presidente:
“Sem base real, porque o impeachment está previsto na Constituição, não é? Ele é um elemento da Constituição, está lá escrito. Agora, o problema do impeachment é sem base real, e não é um processo, e não é algo, vamos dizer assim, institucionalizado, tá? Eu acho que tem um caráter muito mais de luta política, você entende? Ou seja, é muito mais esgrimido como uma arma política, não é? Uma espécie de espada política, mistura de espada de Dâmocles que querem impor ao Brasil. Agora, a mim não atemorizam com isso. Eu não tenho temor disso, eu respondo pelos meus atos. E eu tenho clareza dos meus atos. Então…”
Não sei o que Dilma quis dizer. De fato, o impeachment está na Constituição. O que não está institucionalizado? Eu, por exemplo, acho que a investigação já evidenciou a sua responsabilidade no escândalo do petrolão, mas certamente não há 342 deputados que concordem com isso. Ademais, é evidente que o impeachment é um processo político — essa é, diga-se, a sua natureza. Fazer essa afirmação para tentar descartá-lo é uma estultice. Ademais, convém aguardar o resultado da investigação.
Não por acaso, a presidente brasileira vitupera contra a deposição legal e constitucional de Fernando Lugo no Paraguai, o que lhe deu o ensejo de suspender aquele país do Mercosul e de abrigar a ditadura venezuelana.
A entrevista é uma confusão dos diabos. Dilma precisa ler melhor os briefings que recebe da assessoria e parar com esse negócio de querer recitar dados. Não é a sua praia. Melhor falar pouco e não dar bom-dia a cavalo!
Não é que a entrevista não seja engraçada. Dei aqui boas gargalhadas. Mas também se ri de tédio, não é? Por Reinaldo Azevedo