sábado, 30 de maio de 2015

Novo poço confirma potencial de petróleo leve na área de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos




A perfuração do segundo poço na área de Carcará (Bloco BM-S-8), localizado em águas ultraprofundas do pré-sal da Bacia de Santos, confirmou o potencial de petróleo leve na região. O poço 3-SPS-105 (nomenclatura Petrobras), informalmente conhecido como Carcará Norte, comprovou a descoberta de petróleo de boa qualidade (31º API), em reservatórios também de excelente qualidade, situados logo abaixo da camada de sal, a partir da profundidade de 5.820 metros. O poço encontra-se em perfuração e atingiu até o momento a profundidade de 6.178 metros. A perfuração constatou uma expressiva coluna de petróleo de 352 metros em reservatórios contínuos e conectados. 

A raposa no galinheiro


Passados quatro meses do assassinato do procurador Alberto Nisman, poucos argentinos acreditam que a verdade sobre a sua morte será esclarecida. Ainda mais raros são os que creem na possibilidade de um dia assistirem à punição dos culpados pelo atentado terrorista contra a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em Buenos Aires, que deixou 85 mortos em 1994. Nisman, o responsável pela investigação do atentado, morreu quatro dias depois de apresentar uma denúncia contra a presidente argentina Cristina Kirchner e o chanceler Héctor Timerman. No documento entregue à Justiça, Nisman afirmou que, sob as ordens da presidente, a diplomacia de seu país trabalhava para acobertar a participação do Irã no atentado. Cristina e Timerman disseram-se vítimas de uma infâmia do procurador morto. Mas, segundo colegas de Nisman, o governo argentino continua fazendo exatamente o que o procurador denunciou. A unidade especial da procuradoria que há onze anos investiga o atentado e trabalha pela prisão e punição dos principais acusados ocupa um conjunto de salas no 7° andar de um edifício na Praça de Maio, com vista para a sede do governo argentino. Até janeiro passado, 45 pessoas atuavam na causa Amia, entre secretários, advogados e técnicos. Cinco deixaram a repartição desde então. A morte de Nisman deu à procuradora-geral da Argentina, Alejandra Gils Carbó, a chance de nomear um coordenador e três procuradores para assumir os trabalhos. Todos são fiéis ao grupo político de Cristina Kirchner. Juan Patricio Murray, o coordenador, é um dos fundadores do movimento Justicia Legítima, uma agremiação de juízes, promotores e procuradores que oficialmente declararam apoio ao governo. Ele também já atuou em casos de interesse do cristinismo, como um processo ambiental contra o Clarín e o La Nación, cujo objetivo era afastar os dois principais diários do país da sociedade em uma fábrica de papel-jornal. A nova cúpula da unidade especial assumiu a causa Amia em fevereiro. Mas só na semana passada os procuradores começaram a revisar as peças centrais da investigação. Eles preferiram passar os últimos três meses inquirindo os funcionários sobre as atividades que desenvolviam sob o comando de Nisman, entregando à polícia documentos internos da repartição ou buscando informações que enfraquecessem a denúncia contra Cristina e Timerman. Em fevereiro, os novos procuradores, Sabrina Namer, Patricio Sabadini e Roberto Salum, municiaram o juiz Daniel Rafecas com documentos que Nisman guardava em seu cofre. Tratava-se de rascunhos nos quais Nisman trabalhava desde 2013 para apresentar ao Conselho de Segurança da ONU, com o objetivo de forçar a prisão dos iranianos envolvidos no atentado. Ele desistiu do plano depois que as escutas produzidas pela Secretaria de Inteligência (Side) revelaram as articulações de bastidores entre os governos argentino e iraniano para gorar o seu esforço. Apesar desse fato, os papéis que jamais foram anexados às peças oficiais da investigação serviram de base para Rafecas mandar engavetar a denúncia contra a presidente. "Murray e os procuradores atuaram mais como auxiliares de defesa do governo do que como autores substitutos da denúncia", definiu um membro do Ministério Público, que pediu para não ser identificado porque teme por sua vida. Ele também revela que, em abril, Murray invadiu remotamente os computadores de diversos funcionários da unidade especial. O caso foi denunciado à União dos Empregados da Justiça, mas ainda não havia se tornado público. Coincidência ou não, dias depois a polícia foi à sede da Amia a pedido de Murray para extrair a agenda e outros documentos de Nisman de um dos computadores da unidade. Murray disse que encontrou os arquivos "acidentalmente". O episódio rendeu um bate-boca entre Murray e os demais procuradores da Amia, em que Sabadini e Salum criticaram o coordenador pela invasão dos computadores e asseguraram aos demais funcionários que não haviam autorizado a bisbilhotice. Recai sobre Murray a suspeita de que também partiu dele o vazamento de informações usadas fartamente pelo governo e pela imprensa kirchnerista para desmoralizar Alberto Nisman, que chegou a ser falsamente acusado de contratar prostitutas para dar expediente no Ministério Público. Murray frequentemente fornece informações e comentários para os artigos de Horacio Verbitsky no jornal chapa-branca Página 12. Verbitsky - que na década de 70 se dividia entre as funções contraditórias de terrorista de esquerda que matou uma pessoa em um atentado a bomba e de redator de discursos para a ditadura militar - é um dos principais detratores de Nisman.

GREVE JÁ ATINGE 48 DAS 63 UNIVERSIDADES FEDERAIS. UFRGS TAMBÉM PAROU.

A greve de professores e funcionários técnico-administrativos já afeta 48 das 63 universidades federais do país. Eles protestam contra o corte orçamentário das instituições e pedem reajuste salarial de 27%. Na quinta-feira, a paralisação afetava 38 instituições. Das universidades afetadas, em 15 a greve é de professores e funcionários. Em três, apenas os docentes suspenderam as atividades. Nas outras 30 instituições a paralisação é apenas dos funcionários. A greve dos docentes foi aprovada em 18 universidades e a de funcionários, em 4. Na sexta-feira, os sindicatos das instituições participaram dos protestos que ocorreram em todo o País contra o ajuste fiscal, que também levou a mudanças nos direitos trabalhistas. Outro foco de queixas é a nova lei que amplia a terceirização. As manifestações ocorreram de forma pacífica. Na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o restaurante universitário, que iria fornecer refeições apenas para alunos bolsistas, operou com as "catracas abertas" para todos durante o almoço desta sexta-feira. Alegando questões de segurança, a universidade fechou o restaurante durante a noite, para evitar que novamente fossem servidas refeições gratuitas. Na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a greve dos funcionários terá início na segunda-feira e deve afetar também os atendimentos no Hospital São Paulo. O sindicato disse que vai manter ao menos 30% do efetivo em atividade. 

Primeira-fantasma

Carolina de Oliveira Pereira, primeira-dama de Minas Gerais, conheceu Fernando Pimentel em 2011, quando trabalhou como sua assessora no Ministério do Desenvolvimento. Depois disso, segundo a Folha de S. Paulo, "atuou na Pepper, empresa que trabalha para o PT, com ênfase em guerrilha virtual".  Nos primeiros tempos do romance, Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, preso ontem na Operação Acrônimo, "ajudava o casal a resolver problemas, cedia imóveis e até sua aeronave".  Ele ajudou também a montar a empresa da primeira-dama, a Oli, que foi contratada pelo PT para prestar serviços de assessoria de imprensa. De acordo com o Ministério Público, a Oli "seria uma empresa fantasma, possivelmente utilizada para os fins da ORCRIM (organização criminosa) com a conivência de sua proprietária Carolina de Oliveira Pereira".



Primeira-dama fantasma

Uruguai, Minas – Pimentel e a mulher nas asas de Bené

Uma coisa é certa: o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), é mesmo íntimo do empresário Benedito Oliveira Neto, o Bené, personagem central da Operação Acrônimo, deflagrada pela Polícia Federal. Conforme reportagem da VEJA.com (ver post anterior), há a suspeita de que Neto operava o caixa paralelo da campanha de Pimentel.

Pimentel e sua mulher, Carolina, estavam em companhia de Bené num jatinho que saiu de Punta del Este, no Uruguai, com destino a Belo Horizonte, no dia 29 de março de 2014. No voo também se encontravam uma segunda mulher, Bruna Cristina Oliveira da Fonseca, e o deputado federal petista por Minas Gabriel Guimarães Andrade, um dos políticos mais próximos do governador. Gabriel é filho do ex-deputado petista Virgílio Guimarães, que apresentou Marcos Valério ao PT. Segundo a PF, Virgílio é sócio oculto de Bené.
Pimentel Voo dois
Por Reinaldo Azevedo

Documentos sugerem que operador montou caixa paralelo para o petista Fernando Pimentel




Documentos constantes do inquérito da Operação Acrônimo mostram que vai muito além da amizade a relação do empresário Benedito Oliveira Neto, operador do PT preso nesta sexta-feira, com o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel. Obtidos com exclusividade por VEJA, os documentos levantam a suspeita de que Bené operava uma espécie de caixa paralelo na campanha de Pimentel ao governo. Além disso, indicam que a mulher de Pimentel, Caroline Oliveira, seria dona de uma empresa fantasma utilizada pela organização criminosa.

A Polícia Federal investiga se dinheiro proveniente de contratos públicos foi desviado, como no escândalo do petrolão, para campanhas políticas. Há a suspeita de que as empresas de Bené, que receberam cerca de meio bilhão de reais do governo federal desde 2005, tenham bancado gastos de campanhas eleitorais petistas. O termo de busca e apreensão da PF lista documentos que ligam Bené a um suposto esquema de caixa dois na campanha do petista ao governo de Minas.

Bené, como se sabe, é um generoso pagador de contas do PT. Em 2010, bancou as despesas de uma casa que era usada como comitê de campanha da candidata Dilma Rousseff. Também financiou o grupo de arapongas arregimentado para produzir dossiês contra os adversários políticos dos petistas. Naquela ocasião, o empresário lidava diretamente com Pimentel, que era um dos coordenadores da campanha de Dilma. Quem abriu as portas do PT para o empresário foi o ex-deputado federal Virgílio Guimarães, o mesmo que apresentou Marcos Valério, o notório operador do mensalão, ao partido. Segundo os investigadores, Virgílio mantém uma "sociedade dissimulada" com Bené e recebeu pelo menos 750 000 reais do parceiro.
VIRGÍLIO GUIMARÃES, O ONIPRESENTE: o ex-deputado petista apresentou Marcos Valério ao PT no mensalão; agora, ele aparece, segundo os investigadores, em “sociedade dissimulada” com o operador Bené

Ditador Nicolas Maduro impede visita de ex-presidentes a presos políticos


As autoridades venezuelanas impediram nesta sexta-feira uma visita dos ex-presidentes de Colômbia e Bolívia, Andrés Pastrana e Jorge Quiroga, respectivamente, aos presos políticos mantidos pelo governo bolivariano de Nicolás Maduro. Tanto Pastrana quanto Quiroga viajaram à Venezuela para investigar qual o estado de saúde do chefe do partido opositor Vontade Popular, Leopoldo López, e do ex-prefeito de San Cristóbal, Daniel Ceballos. López, de 44 anos, está em greve de fome desde o dia 22 deste mês para cobrar sua libertação e protestar contra a transferência de Ceballos para outra prisão. "Está claro que na Venezuela governa uma ditadura", afirmou Pastranas. "É a segunda vez que não nos deixam passar, mas aquele que se cansar será o perdedor. E aqui estaremos novamente", acrescentou, fazendo alusão a uma tentativa fracassada de visitar o opositor em janeiro. Lilian Tintori, mulher de López, disse que ele continuará com a greve de fome até que suas demandas sejam atendidas. "Uma vez mais somos testemunhas de que Leopoldo López está sequestrado e de que o impedimento à visita é uma ordem vinda de cima", declarou. Horas antes de se dirigir à prisão militar em que o opositor se encontra, a comitiva tentou adentrar na penitenciária civil em que está Ceballos, no Estado de Guárico. Os pedidos para visitar o político também foram negados. A imprensa venezuelana noticiou que Ceballos foi transferido para outra prisão após autoridades flagrarem o ex-prefeito e López gravando áudios e vídeos em protesto contra o autoritarismo de Maduro. Uma das filmagens divulgadas esta semana mostra López convocando protestos para este sábado contra o governo bolivariano. O chefe do Vontade Popular foi preso após Maduro acusá-lo de "incitar a violência" nas manifestações que resultaram na morte de 43 pessoas, no ano passado. Ceballos, por sua vez, foi denunciado por respaldar os bloqueios montados por ativistas em vias públicas. A expectativa é de que Pastrana e Quiroga participem das novas mobilizações populares. Para Tarek William Saab, que ocupa o cargo de defensor do povo no governo venezuelano, os ex-presidentes têm o objetivo de fazer uma "campanha internacional" contra a administração bolivariana de Maduro. "Agora eles vêm dar aulas de direitos humanos ao nosso país", disse. "Isto é um distúrbio, um ruído que se soma à guerra midiática do nosso país".