domingo, 7 de junho de 2015

Advogados petistas lançam manifesto tentando derrubar no tapetão a PEC que mantém o financiamento privado de campanhas eleitorais

Um grupo de mais de duas centenas de advogados petistas, ou ampliação do PT, assinou manifesto público contra a aprovação da emenda que constitucionaliza as doações de campanha de empresas a partidos, aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados na semana passada, após manobra do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O documento será entregue na quarta-feira à ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, relatora do mandado de segurança que pede a suspensão da tramitação da matéria, protocolado por 61 deputados de seis partidos. Com pareceres de gente petista ou pró-petista como Fábio Konder Comparato, Dalmo Dallari e Celso Bandeira de Mello e assinaturas do presidente, de ex-presidentes e de conselheiros do aparelhão petista OAB, além de professores de Direito de 23 Estados, o manifesto afirma que houve inconstitucionalidade no procedimento que resultou na aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 182/2007. A PEC foi aprovada em primeiro turno pela Câmara, no dia 27 de maio, com praticamente o mesmo conteúdo de uma matéria rejeitada na véspera pelo plenário. Tanto os deputados que subscrevem o mandado quanto os advogados que assinam o manifesto argumentam que a manobra de Eduardo Cunha de colocar pela segunda vez em votação uma emenda rejeitada na véspera fere o artigo 60 da Constituição, que proíbe que uma matéria seja votada duas vezes no mesmo ano. A intenção, segundo o ex-presidente da OAB, Marcello Lavenère Machado, é suspender a tramitação da PEC e impedir sua votação em segundo turno. “Não se pode rasgar a Constituição para atender à vontade de uma pessoa, sob risco de se instalar uma anarquia jurídica”, disse.

Eduardo Cunha garante, tentativas de controle da mídia não vão prosperar

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que está em viagem ao Exterior, hoje em Moscou, para participar do fórum parlamentar dos BRICs, fez em seus perfis oficiais nas redes sociais - Twitter e Facebook - uma defesa da liberdade de imprensa. "Tentativas de controle dos meios de comunicação não prosperarão no Legislativo", avisou, parabenizando os profissionais do setor pela comemoração neste domingo, 7, do Dia da Liberdade de Imprensa. Na defesa de seu argumento, o peemedebista diz que a liberdade deve prevalecer em todas as circunstâncias porque tem se consolidado como baluarte da democracia: "Praticamos todos os dias o direito constitucional, a manifestação livre, que é da atividade parlamentar. A Câmara é um ambiente propício à discussão. É inaceitável a censura travestida de regulação. Essa Casa jamais dará acolhida e repudiará qualquer tentativa que possa resvalar em atitude autoritária, qualquer tentativa de controle dos meios de comunicação não irá prosperar no Legislativo". A defesa da regulação da mídia (censura) é uma das bandeiras do PT e da presidente Dilma Rousseff. Assim que foi reeleita, em outubro do ano passado, a petista defendeu a regulação econômica da mídia, sem interferência no conteúdo, sob argumento de que apenas seis famílias controlam 70% da imprensa brasileira. Para a presidente, a regulação servirá para impedir o monopólio e os oligopólios regionais dos meios de comunicação no País. Em razão da polêmica dessa proposta, apesar da defesa de Dilma, o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva (PT), disse no mês passado que o projeto de regulação da mídia não faz parte das prioridades do governo. A crítica de Eduardo Cunha a qualquer tentativa de regulação da mídia ocorre na mesma semana em que o tema estará em discussão na Câmara dos Deputados. Nesta quinta-feira, 11, a partir das 9h30, o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, a assessora da presidência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Ana Carolina Lopes de Carvalho, o professor da Universidade de Brasília (UnB), Murilo Cesar Ramos, e a coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Rosane Bertotti, falarão sobre a regulação econômica dos meios de comunicação, em audiência pública requerida pela deputada Luiza Erundina (PSB-SP). Duas propostas serão discutidas nessa audiência pública na Câmara dos Deputados, o projeto de lei (PL) 4026/2004, de autoria do ex-deputado Cláudio Magrão (PPS-SP), e o projeto de lei (PL)6667/2009, do deputado Ivan Valente (Psol-SP). Ambos regulamentam a Constituição Federal (Art. 220), impondo limites à propriedade dos meios de comunicação e à audiência, com a finalidade de coibir o monopólio no setor. O nome disso é censura disfarçada. 

Israel é atacado com foguetes de terroristas e reage bombardeando instalações do Hamas em Gaza


Aviões israelenses bombardearam hoje pela manhã um prédio do Hamas na Faixa de Gaza. Os ataques foram uma resposta a foguetes lançados nos últimos dias contra a cidade de Askhelon, ao sul de Israel, na noite de sábado. Os projéteis caíram em regiões abertas, longe das casas. As passagens fronteiriças de Erez e Kerem Shalom foram temporariamente fechadas, exceto para fins humanitários. Um grupo terrorista salafista denominado Brigadas Omar, associado ao Hamas, assumiu a autoria dos foguetes. A retaliação aérea ao Hamas acontece porque as forças armadas israelenses consideram esse grupo terrorista como o responsável pelo que acontece na Faixa de Gaza. O Hamas governa a região desde 2007, quando realizou um golpe de Estado e instituiu um governo terrorista islâmico. As Brigadas Omar também afirmaram terem sido os responsáveis por foguetes anteriores lançados contra Israel. Além do discurso antissemita, comum a todas as organizações terroristas palestinas, as Brigadas Omar também apóiam a organização terrorista grupo Estado Islâmico (EI, ou Isis), que comunga com eles da mesma vertente salafista do islamismo. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reclamou neste domingo que não ouviu até agora nenhuma condenação do resto do mundo aos foguetes lançados de Gaza (três nas últimas duas semanas). "Seria interessante ver se esse silêncio continuará quando a gente usar toda a força para defender nossos direitos", disse Netanyahu. Em pesquisas de opinião, 82% dos israelenses afirmam que uma nova guerra contra o Hamas na Faixa de Gaza é provável. Metade deles acredita que Israel será o vencedor. Apesar de verem um novo conflito como iminente, 68% dos israelenses acredita que Israel deveria retomar o acordo de paz com os palestinos, oferecendo uma alternativa diplomática. Em relação ao Estado Islâmico, que conquistou um território no Iraque e na Síria e influencia grupos menores no mundo todo, apenas 42% dos israelenses acreditam que o grupo seja uma ameaça a Israel.

Erdogan sofre seu maior revés na Turquia


Com 98,7% dos votos apurados, o partido islamita Justiça e Desenvolvimento (AKP), no poder desde 2002, perdeu sua maioria absoluta nas eleições gerais realizadas na Turquia neste domingo, informa a agência oficial "Anadolu". Os resultados indicam que pela primeira vez uma legenda pró-curdos, o Partido Democrático do Povo (HDP), superou a barreira eleitoral de 10% dos votos para conquistar cadeiras no Legislativo. Até o momento, o AKP obteve 41% dos votos, insuficiente para conquistar a maioria absoluta de 276 cadeiras no parlamento e longe dos 49,8% obtidos no último pleito. Na sequência aparece o secular Partido Republicado do Povo (CHP), com 25,2%, o Partido da Ação Nacionalista (MHP), com 16,5% e o curdo HDP, com 12,5%. O êxito do HDP impediu que o AKP mantivesse sua maioria absoluta. Segundo uma simulação da repartição das cadeiras feita pela "Anadolu", 259 deputados serão do AKP, 131 do CHP, 82 do MHP e 78 do HDP. De acordo com os dados mais recentes divulgados pelas autoridades turcas, 86% dos 54 milhões de eleitores foram às urnas. "A decisão do povo é a melhor decisão. Voltaremos a ter dias felizes", afirmou o primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu, que deve dar um discurso mais longo nas próximas horas, em Ancara. O objetivo do AKP era pelo menos manter sua maioria absoluta ou até mesmo superar os 60% de controle do parlamento para convocar um plebiscito sobre o sistema político do país, que pretende transformar o cargo de presidente, atualmente ocupado por Recep Tayyip Erdogan, em chefe de Estado. Mas com o resultado de hoje, o AKP deverá agora formar um executivo de minoria ou propor uma coalizão, possivelmente com o Partido da Ação Nacionalista. A vitória inédita do HDP contrasta com a situação dos curdos na Síria, Iraque e no Irã, onde são reprimidos pelos terroristas do Estado Islâmico e pelo regime dos aiatolás xiitas.

Donos de Azul e Avianca melhoram oferta pela TAP

O governo português afirmou na sexta-feira que recebeu ofertas melhores dos dois interessados na compra do controle da companhia aérea TAP. A empresa está na segunda fase do processo de privatização, que tem os empresários David Neeleman, dono da Azul, e Germán Efromovich, da Avianca, na disputa pela compra da companhia aérea. Agora, o governo deve analisar as ofertas e uma decisão pode ser tomada já na próxima semana. O secretário de Transportes, Sérgio Monteiro, recusou-se a dar detalhes sobre as ofertas, nem disse o que foi melhorado. Pela regra do edital, o governo português poderá vender uma fatia de até 66% na empresa aérea estatal, sendo 61% para investidores privados e 5% para os trabalhadores. A venda da TAP faz parte de um programa multibilionário de privatização de Portugal, adotado como condição em um acordo de ajuda internacional de 78 bilhões de euros (US$ 88 bilhões) que terminou neste ano. Em 2012, Efromovich seguiu sozinho para a fase final de negociações com o governo português, mas sua proposta foi recusada. Na ocasião, Efromovich, ofereceu 35 milhões de euros por 95% da companhia, mais uma injeção de capital de 316 milhões de euros e a responsabilidade de 1,1 bilhão de euros da dívida da TAP. Desta vez, ele disputará a empresa com Neeleman. Ambos os interessados são donos de empresas aéreas no Brasil. A TAP é forte na rota entre a Europa e o Brasil, o que a torna uma opção atraente para os empresários, com potencial de integração de rota com as companhias latino-americanas.

BNDES anuncia novas regras para concessão de crédito

O presidente do BNDES, o petista Luciano Coutinho, afirmou na sexta-feira (5) que o banco tem em análise 18 operações de financiamento que se encaixam na nova política de concessão de crédito adotadas pela instituição, que combina a captação de recursos do BNDES com a emissão de debêntures corporativas. Tais operações envolveriam um volume de mais de R$ 3 bilhões em emissões de debêntures, segundo Coutinho. "Lá no terceiro trimestre deste ano, temos expectativa de que essas emissões comecem a acontecer. É um movimento que vai ganhar concretude no segundo semestre", disse Coutinho em evento na Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), em São Paulo, do qual também participou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Coutinho não detalhou os nomes das empresas em análise, mas afirmou que se trata de grandes companhias, com alta capacidade de emissão e acesso ao mercado, que se encaixam no perfil de setores alvo do projeto como mineração, óleo e gás e agronegócio. "Esse é um primeiro passo e nós estamos mobilizados para aperfeiçoar a agenda de desenvolvimento do mercado de capitais junto com a Anbima. Novos capítulos virão. Sou otimista quanto ao potencial do mercado de capitais. Estamos olhando um momento conjuntural desafiador. Mas lá na frente, quando a inflação estiver plenamente controlada, o mercado de capitais tem um imenso potencial", disse. Desde abril, o BNDES vem anunciando uma mudança, elaborada em parceria com a Anbima, nas restrições ao acesso de grandes empresas a financiamentos com base na TJLP (taxa de juros de longo prazo), que é de 6%. A ideia é elevar o volume de financiamento privado a projetos de longo prazo no país, reduzindo o percentual de empréstimo que usará a TJLP. Mas as empresas podem ampliá-lo caso emitam debêntures no mercado. De acordo com o banco, as medidas podem ser aplicadas a companhias de faturamento acima de R$ 1 bilhão. Para ter acesso ao limite máximo de TJLP, será necessário que a empresa faça uma emissão de debêntures. O banco dá o exemplo de um investimento em um projeto industrial com R$ 400 milhões, cujo limite de financiamento do BNDES seja de 50%. "Sem realizar emissão, o cliente pode tomar emprestado junto ao BNDES, inicialmente, R$ 50 milhões com custo financeiro em TJLP, e mais R$ 150 milhões em taxas de mercado. Se fizer uma emissão de debêntures de R$ 50 milhões, o receptor do crédito poderá receber mais R$ 50 milhões em TJLP, elevando para R$ 100 milhões o total de recursos que poderão ser captados com a mesma taxa", mostra o BNDES. Neste caso, o mínimo exigido para as emissões de debêntures será de R$ 50 milhões. O banco estima que, ao combinar recursos do BNDES com a emissão de debêntures, "o custo do crédito para a empresa possa cair até 2 pontos percentuais ao ano, comparando-se com a hipótese sem emissão". Nos casos de empresas que prefiram recorrer antes ao mercado, emitindo debêntures, e decidam complementar com linha de crédito do banco, as regras também valem. O BNDES informa que serão consideradas as emissões a partir de seis meses anteriores à consulta até 12 meses após a contratação do financiamento do BNDES. Também presente no evento, Levy afirmou que há grande demanda por crédito de longo prazo no Brasil. "Hoje há demanda por títulos de longo prazo. E na medida em que o equilíbrio macroeconômico e a nossa situação fiscal forem enfrentadas com êxito, essa demanda tenderá a se ampliar", disse Levy.

BNDES cobrou juros de pai para filho em 70% dos empréstimos feitos no Exterior

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que o Brasil "cresceu e amadureceu" e que agora "tem novos desafios". "E nós temos que estar preparados para responder a esses novos desafios", disse. O ministro disse ainda que quando o financiamento de longo prazo se amplia, a política monetária passa a ser mais forte. "Temos uma estratégia ambiciosa de usar o papel dinamizador do BNDES", afirmou.

BNDES lança plano para incentivar financiamento de empresas no mercado de capitais

O BNDES anunciou na sexta-feira detalhes sobre o plano de incentivo de emissão de debêntures. A idéia é reduzir a participação do financiamento subsidiado do BNDES e estimular uma maior participação do mercado de capitais. Com a nova diretriz, o banco pretende estimular a emissão de debêntures e outros instrumentos de renda fixa em financiamento de projetos para empresas com faturamento anual superior a 1 bilhão de reais. Na prática, a linha de crédito mais barata do banco, com juros balizados pela TJLP (de cerca de 6% ao ano) só serão concedidos a empresas que emitirem debêntures. As novas regras só valem para empréstimos a partir de 200 milhões de reais, dos quais 50% poderão ser financiados pelo BNDES sob as condições mais baratas. O restante do financiamento pode ser tomado a taxas mais altas, balizadas pela Selic ou pela inflação, além da emissão de títulos. Se não quiserem lançar debêntures, as empresas terão acesso a somente 25% dos recursos pela TJLP. Preocupa o governo o fato de, em decorrência da crise econômico, política e da Lava Jato, o crédito ter secado para empresas às vésperas do anúncio do pacote de concessões. Além das debêntures, o banco aceitará comprar papéis de emissões de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA).

PARA APOIAR PRESOS POLÍTICOS DA VENEZUELA

O senador Aécio Neves decidiu liderar uma comissão externa do Senado que desembarcará em Caracas no dia 17 para verificar a situação dos opositores do regime autoritário de Nicolás Maduro presos desde o ano passado. Aécio Neves comunicou a ida a Lilian Tintori, mulher de Leopoldo Lopez, o qual está em greve de fome: "Vamos suprir a omissão vergonhosa do governo da presidente Dilma diante da escalada autoritária na Venezuela". A escalada autoritária de Maduro tem contado com o apoio ou a benevolência do governo Dilma, alinhada ideologicamente com o ditador da Venezuela.

ANTISSEMITISMO NA UFSM: AS CONSEQUÊNCIAS 1 – MEC desmoraliza reitor, vice-reitor e pró-reitor da universidade e confirma o que escrevi aqui: Lei de Acesso à Informação não serve à discriminação; PF e MPF investigam o caso

Paulo Burmann: justificativa foi desmoralizada pelo MEC. Tem de deixar a reitoria
Burmann: justificativa foi desmoralizada pelo MEC. Pede pra sair
O MEC emitiu uma nota que deixa a nu o reitor da Universidade Federal de Santa Maria, Paulo Afonso Burmann; o vice-reitor, Paulo Bayard Dias Gonçalves, e o pró-reitor de pós-graduação, José Fernando Schlosser.
Como vocês sabem, Scholosser, a pedido do reitor (este confessou), expediu um memorando cobrando que seus subordinados prestassem informações sobre a existência de alunos e professores judeus na universidade (leia mais posts a respeito aqui). A justificativa, apresentada pelo trio, é que eram obrigados a fazê-lo porque atendiam a um pedido de um grupo de entidades, com base na Lei de Acesso à Informação. Demonstrei aqui na sexta-feira que isso é apenas uma mentira. Segue fragmento.
fragmento - UFSM
Pois bem, a nota do MEC a respeito é inequívoca. Segue na íntegra:
O Ministério da Educação foi surpreendido pela notícia de que um pró-reitor substituto da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) havia pedido que os programas de pós-graduação daquela instituição lhe enviassem informações sobre a presença ou perspectiva de discentes e/ou docentes israelenses nesses programas. Ao tomar conhecimento desse episódio, o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, solicitou ao secretário de Educação Superior do MEC, Jesualdo Farias, que buscasse junto à UFSM informações a respeito.
Após receber as informações da instituição, o MEC manifesta seu claro posicionamento de que a Lei de Acesso à Informação não pode ser utilizada de forma a violar os direitos fundamentais de outros cidadãos. Ela não pode ser empregada como um instrumento para facultar a discriminação de qualquer tipo. Até porque é um dos objetivos da nossa República promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. 3º, inciso IV da Constituição Federal). Qualquer solicitação feita pela Lei de Acesso à Informação que leve a qualquer tipo de discriminação deve ser considerada desarrazoada e, portanto, não deve ser respondida.
O MEC faz questão de reiterar – enfaticamente – seu desacordo com qualquer tipo de discriminação e preconceito. “A história nos reporta lamentáveis fatos de pessoas que morreram vítimas de preconceitos de toda natureza, inclusive no Brasil. Por outro lado, muitos lutaram e ainda lutam para vencê-lo, de modo que todo este empenho de nossa sociedade não pode ser esquecido ou descartado”, afirmou o ministro Renato Janine.
A apuração do caso continuará sendo realizada pelo Ministério da Educação.
Assessoria de Comunicação Social
Retomo
Alguns tontos acham que jamais elogio uma decisão tomada pela esfera de governança petista. É coisa de gente orelhuda e de má-fé. Eis aí. Elogio a nota do MEC. Mas cobro mais do que isso. É necessário que se tomem providências também no âmbito da pasta.
O caso é muito grave. Ofende os fundamentos dos direitos humanos e valores constitucionalmente protegidos. Ofende a comunidade local em particular porque a presença judaica em Santa Maria se confunde com a história da cidade e da própria universidade.
Milton Seligman, engenheiro formado na UFSM e vice-presidente de Relações Corporativas da Ambev, se manifestou no Facebook. Transcrevo um trecho:
“Família de judeus, é bom que se diga. Nunca fomos discriminados, mas, agora, estamos sendo. O próprio reitor sustenta que identificar pessoas de origem israelense ou outra, faz parte da lei brasileira. Erra o reitor, há crime sim. Imagine que o pedido fosse para identificar pessoas de origem africana. Como o Professor Schlosser e o professor Burmann reagiriam? Acredito que o caso irá para a Justiça, onde se deve dirimir essa dúvida. Está havendo ou não judeofobia na ‘nossa’ Universidade?”
Polícia Federal e MPF
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigam a questão. O jornalista e também professor universitário Luís Milman (UFRGS) entrou com uma queixa-crime no MPF contra a decisão do comando da universidade.
Na sexta, o reitor da UFSM passou parte da tarde na PF dando explicações sobre o caso. Concedeu depois uma entrevista à RBS em que insistiu na tese ridícula de que apenas seguiu a Lei de Acesso à Informação (vídeo aqui). Foi desmoralizado logo depois por nota do próprio MEC.
Insisto: o trio tem de renunciar aos cargos de confiança que exercem. No caso de reitor e vice-reitor, além do absurdo em si, há a exibição explícita de baixa alfabetização em sentido estrito (leiam post). É um motivo adicional que os indispõe com o cargo que ocupam.
Por Reinaldo Azevedo

ANTISSEMITISMO NA UFSM : AS CONSEQUÊNCIAS 2 – Sobre ambiguidades e pusilanimidades. Ou ainda: Será tudo uma invenção do Reinaldo Azevedo?

Vejam esta foto:

Paulo Pimenta
Vamos lá. Eu não escrevo para agradar a esse ou àquele. Não escrevo para proteger meus amigos e atacar meus inimigos. Não escrevo para defender meus interesses e atacar os de adversários. Não raro, meto-me em porfias que não têm nem vizinhança com questões pessoais — a não ser a proximidade que mantenho com todo homem, como escrevia Terêncio: “Homo sum, humani nihil a me alienum puto” (Sou homem, e nada do que é humano é estranho a mim”). Algumas reações ao episódio havido na Universidade Federal de Santa Maria, que considero antissemitismo explícito, são lamentáveis. E eu não seria eu se não escrevesse tudo o que penso, sem perguntar antes quem vai e quem não vai se incomodar.
A Federação Israelita do Rio Grande do Sul, comandada por Zalmir Chwartzmann — que também é presidente do Sindicato das Indústrias de Construção Civil do RS — decidiu, sim, cobrar explicações sobre aquele descalabro. A entidade, no entanto, tentou antes o caminho do “deixa disso”.
O jornalista e professor Luís Milman, que é judeu e entrou com uma queixa-crime contra a UFSM junto ao  Ministério Público Federal, foi chamado para uma reunião com a direção da Federação. E ALI OUVIU, INFELIZMENTE, QUE TODOS TINHAM DE SER MUITO PRUDENTES E COISA E TAL E QUE, ORA VEJAM, OS JUDEUS NÃO PODIAM SE PAUTAR POR AQUILO QUE DIZ REINALDO AZEVEDO, QUE SERIA CONTRA O PT. O objetivo, tudo indica, era fazer com que Miman desistisse de levar o caso adiante.
Não, não foi o assediado quem me contou. Nunca falei com ele. Mas isso aconteceu. Tal avaliação é cretina. Meu blog está com o arquivo à disposição. O que penso sobre o antissemitismo no geral e sobre a questão israelo-palestina no particular é público. Será que, antes, precisei que houvesse petistas fazendo e falando bobagem sobre Israel para me posicionar? Será que, quando judeus e israelenses foram alvos de agressões, deixei a coisa de lado só porque não havia petistas no meio?
Há coisas que eu jamais faria. Entre elas, eu não me atreveria a ensinar um judeu a ser judeu. Mas, se preciso, eu ensino a quem quer que seja o valor da tolerância e o mal da intolerância, judeu ou não.  Reitero: repudio o que lá se deu porque acho que um dever da honra, do humanismo, da civilidade. De resto, não mantenho relações de demanda com o governo federal e os petistas, nem as satisfeitas, nem as insatisfeitas. Se a presidente Dilma Rousseff ou qualquer outro “companheiro” se zangar comigo, não tenho qualquer interesse a consultar que os de minha própria consciência. Minha cabeça é o meu  “Minha Casa Minha Vida”.
O comando da Federação fique tranquilo. Os judeus, como sabem seus diretores, têm uma história mais longa do que as opiniões do Reinaldo Azevedo e certamente não se deixariam embalar por elas. Depois que a Conib (Confederação Israelita do Brasil) e que o próprio governo de Israel se manifestaram — o caso ganhou repercussão internacional —, a Federação Israelita do Rio Grande do Sul emitiu uma nota bastante moderada, moderadíssima, a respeito (íntegra aqui). Lá se lê:
“Assim, esclarecimentos e justificativas mais profundas são devidas pela Universidade Federal de Santa Maria para todo o Rio Grande do Sul e para o Brasil, dada a repercussão nacional do episódio, com responsabilização administrativa de seus subscritores e questionadores, se for o caso.”
“Se for o caso” quer dizer exatamente o quê? Quem pergunta não é um judeu, que judeu não sou. Quem pergunta não é alguém que repudia boa parte das teses do petismo e o barateamento a que está sendo submetido o ensino superior no Brasil. Quem pergunta é o discípulo daquela frase de Terêncio. Não considero o combate ao antissemitismo uma tarefa só dos judeus. É um dever da civilidade. Logo, se julgar procedente, faço, sim, as devidas cobranças.
Sindicato asqueroso
A dita “Seção Sindical dos Docentes da UFSM” — com esse nomezinho bolchevique, de quinta categoria, emitiu uma nota tentando se defender e negar o óbvio. Em vez de se desculpar, em vez de admitir o absurdo, volta a atacar o Estado de Israel. Lá se lê que o tal pedido de informação era “parte das ações que visavam por (sic) um fim aos massacres palestinos perpetrados pelo exército de Israel entre julho e agosto do ano passado.” Não, eles não meteram o circunflexo em “pôr”. Reitor analfabeto, sindicato de professores analfabeto. Mas, também nesse caso, o analfabetismo moral é a pior coisa.
Redigida em “petês” castiço, segue a nota:
“Transformar um ato político de defesa dos direitos humanos em uma cruzada de anti-semitismo (sic), buscando estabelecer uma falsa identidade entre a oposição a uma política bélica e imperialista de Estado e a defesa da discriminação racial, representa uma tentativa deplorável de distorcer a realidade em benefício próprio de quem o faz.”
Os asquerosos só se esqueceram de explicar por que, ainda que isso fosse verdade, alunos e professores israelenses deveriam responder, individualmente, por “uma política bélica e imperialista” e por que informar sobre a sua presença no campus ajudaria a “pôr fim ao conflito”.
De resto, o que esperar de uma entidade que chama a política israelense de “imperialista”? É grotesco. É asnal.
DCE
O Diretório Central do Estudantes, signatário daquele pedido bucéfalo, voltou a se manifestar — embora a diretoria de agora não seja a mesma que encaminhou a solicitação absurda em 2014. Acabou emitindo duas notas a respeito. Na primeira, lê-se esta pérola:
“Lamentamos também que algumas pessoas que se manifestaram agora sobre um possível caso de racismo, inclusive membros da oligarquia da mídia, não tiveram reação semelhante quando milhares de civis palestinos foram mortos no ataque desproporcional realizado pelo Estado de Israel, e que algo tão importante como a questão Palestina seja tratada como secundária ou totalmente ignorada como no caso que estamos vendo agora.”
A segunda é incompreensível, no conteúdo e na forma. Digamos, só para efeito de pensamento, que tivesse mesmo havido silêncio sobre o conflito israelo-palestino, cabe de novo a pergunta: o que os israelenses eventualmente presentes ao campus têm a ver com isso?  E, claro!, os DCE não perdeu a chance de atacar a… “mídia”. Países bacanas são a Coreia do Norte, a Venezuela, Cuba e China: sem “mídia” para atrapalhar. O Estado mata à vontade, segundo os mais altos interesses nacionais, sem prestar contas ao “imperialismo”, né? Onde essa gente aprendeu a pensar esse lixo? Deve ser com aqueles professores que assinam a nota do sindicato, que é também um… lixo!
Heinnn?
Um leitor manda-me uma fala do senhor Vilson Serro, presidente da Agência de Desenvolvimento de Santa Maria (Adesm), Leiam:
“Tem gente de longe querendo se meter numa guerra que existe há mais de dois mil anos para tomar partido. A UFSM tem que ter liberdade de pensamento”.
Como? O doutor está sugerindo, por acaso, que a “liberdade de pensamento” da UFSM contempla práticas antissemitas? Veja aí, senhor Zalmir Chwartzmann… Esse certamente não é um homem que alimente preconceitos antipetistas, não é mesmo?
Não! Eu não estou nessa porque o comando da educação brasileira está com o PT ou só porque o ensino universitário, há muito tempo, vive sob a ditadura de minorias de esquerda — o que certamente contribui para a sua baixa qualidade. Meus motivos são bem mais amplos.
O Brasil está entre as dez maiores economias do mundo, sim, e o ensino universitário brasileiro tem pouco, ou quase nada, a ver com isso. Em poucos países do mundo, o abismo existente entre aquela que deveria ser a elite do pensamento e do desenvolvimento científico e a economia real é tão largo e tão profundo. Bilhões são torrados por ano no ensino público de terceiro grau para produzir, com as exceções de praxe, proselitismo vigarista e analfabetos morais e funcionais. Mas com a cabecinha lotada de livros que já foram mal lidos por seus mestres. Entro  em questões assim em razão disso tudo, mas também porque é o que devo ao mundo civilizado.
A foto
Ah, sim: a foto lá do alto. É do deputado federal petista Paulo Pimenta, nascido em Santa Maria. Ali está parte do Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino, do qual ele é uma das estrelas. Todas as entidades signatárias daquele malfadado documento cobrando informações sobre a presença de alunos e professores israelenses no campus da UFSM são franjas do PT.
Eu lido com fatos, não com preconceitos. E leio o que as pessoas escrevem, não o que ela dizem ter escrito. Pimenta, aliás, é autor de um artigo sobre Israel. Acreditem! Sabem por que, segundo ele, os judeus escolheram aquele território? O grande intelectual e estudioso, membro do Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino explica:
“Israel escolheu a Palestina para ocupar por sua localização estratégica entre três continentes, Europa, Ásia e África, porque a Palestina é o berço das três religiões monoteístas mais importantes do mundo (islamismo, cristianismo e o judaísmo) e, porque é a terra de Jesus e dos profetas.”
Entenderam? Segundo Pimenta, uma dos motivos por que os judeus “escolheram a Palestina” é o fato de ser aquela a “terra de Jesus”.
Judeus malvados!
Eu não brinco em serviço, não, doutor Zalmir Chwartzmann. E não gosto que brinquem comigo.
Por Reinaldo Azevedo