sábado, 20 de junho de 2015

Presidente da empreiteira Andrade Gutierrez não esperava ser preso


O presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, de 63 anos, nunca viu motivos para sua prisão. Dizia que a construtora estava fora do esquema de corrupção na Petrobras e que não podia ser acusado só por ter vendido uma lancha de R$ 1,5 milhão ao lobista Fernando Baiano, preso pela Lava Jato. Eram 5h30 de sexta-feira (19) quando as viaturas da Polícia Federal chegaram ao prédio onde o executivo mora com a mulher, na Vila Nova Conceição. Imediatamente ligou para o diretor jurídico da empresa, Luiz Otávio Mourão. Nos últimos meses, a ausência de Azevedo foi notada por condôminos e a especulação sobre uma fuga para o Exterior cresceu. Mas Azevedo não tinha fugido. Continuava cumprindo sua agenda até o momento da prisão. Nos últimos meses, circulou entre investidores na Europa, onde negociava uma saída para a endividada Oi, que tem a Andrade Gutierrez como sócia.

  

Braço direito de Sérgio Andrade, controlador da Andrade Gutierrez, Azevedo assumiu a presidência do grupo mineiro em 2007. É um dos executivos com mais trânsito no governo – experiência acumulada desde a década de 1970 quando foi presidente da Cemig e da Telebrás. Participou das primeiras discussões sobre a privatização da telefonia. Em 1998, quando o leilão ocorreu, ele era presidente da AG Telecom, braço de telefonia do grupo que adquiriu a Telemar, embrião da Oi. A idéia era diversificar os investimentos até então concentrados na empreiteira. Hoje, a situação se inverteu e Azevedo tentava uma solução para a fusão da Oi com a TIM que permitisse a saída da AG Telecom da operadora para focar investimentos na construção. Para isso, ele buscava a simpatia do BNDES, da CVM, e dos fundos de pensão. Não conseguiu apoio da presidente Dilma, entre outros motivos, por um deslize. O executivo enviou a amigos uma foto de sua irmã com a presidente quando ambas eram colegas de escola. Ao saber, Dilma ficou furiosa. Para ela, o executivo tentou mostrar uma proximidade que não existia.

Congresso do Peru investiga primeira-dama por corrupção


A primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, será interrogada por uma comissão do Congresso, no âmbito da investigação sobre suspeitas de corrupção que envolvem um ex-assessor de seu marido, o presidente Ollanta Humala. Os investigadores também poderão quebrar o sigilo bancário e fiscal da primeira-dama. Nadine já havia testemunhado, mas suas respostas não foram consideradas satisfatórias, segundo o grupo de trabalho. A ação é realizada em um momento de intenso ruído político no país, a um ano da eleição presidencial. O escândalo afetou fortemente a popularidade de Humala, que despencou para 17%. É a primeira vez no país que a mulher de um presidente no cargo é investigada pelo Congresso. Para o governo, trata-se de vingança da oposição, assim como de tentativas de bloquear uma possível candidatura de Nadine ao Parlamento. A Comissão vai verificar se a primeira-dama utilizou suas influências para que empresas vinculadas ao ex-assessor presidencial Martín Belaunde, hoje preso, conseguissem contratos com o Estado. A Justiça peruana já investiga Belaunde, ex-chefe de campanha de Humala nas eleições de 2006 e 2011, por pressionar entidades do governo para favorecer empresas privadas em licitações. A oposição suspeita que Belaunde tenha administrado contribuições venezuelanas para a primeira campanha de Humala em 2006. Nesse pleito, ele recebeu apoio do então presidente Hugo Chávez. Em 2011, afastado do discurso de esquerda, Humala ganhou as eleições.

PLANALTO E PT VÊEM CERCO SE FECHANDO



A prisão dos executivos das empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez trouxe preocupação ao Palácio do Planalto. Apesar da intenção dos assessores em manter a presidente Dilma Rousseff afastada do estrago provocado pela Operação Lava Jato e de suas consequências, o sentimento é que todo este processo acaba por desestabilizar o governo, que já se encontra sob ataque de vários setores e sofrendo com baixa popularidade. A preocupação não envolve só o governo Dilma, mas também o ex-presidente Lula X9, considerado por petistas "o alvo" da Lava Jato. Nos bastidores, ministros avaliam que, mesmo com a Polícia Federal mirando em Lula, não há como o escândalo não respingar em Dilma. A nova crise atinge a tentativa do Planalto de emplacar uma agenda positiva. Além disso, o governo teme que, com a prisão dos executivos das maiores empreiteiras do País, obras sejam paralisadas e o desemprego aumente. O presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, foi visto muitas vezes no Planalto, durante o governo Lula, e em inúmeras viagens do ex-presidente a África. Ele também acompanhou Lula a Cuba, onde a empresa está à frente da construção do Porto de Mariel. Desde 2011, Dilma se reuniu pelo menos cinco vezes, oficialmente com Marcelo Odebrecht. O último encontro foi há menos de um mês em 26 de maio, no hotel Intercontinental, na Cidade do México. Marcelo teve deferência especial por coordenar o encontro empresarial que Dilma prestigiou. Marcelo sempre foi próximo dos petistas. Mas, pelo porte da empreiteira, mantém bom trânsito e fez doações eleitorais a outros partidos. O mesmo ocorre com a Andrade Gutierrez. Ontem, antes de embarcar para Camaçari (BA), a presidente recebeu o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no Palácio da Alvorada. Cardozo a informou sobre a nova etapa da Lava Jato e não houve surpresa com as prisões. Mais tarde, já em Brasília, Dilma chamou o ministro para nova reunião. Em conversas reservadas, auxiliares da presidente e dirigentes do PT dizem que Cardozo perdeu o controle sobre as investigações da Lava Jato. Mais: afirmam que, agora, a oposição fará de tudo para "pegar" Lula. O diagnóstico no governo e no PT é o de que o cerco está se fechando e que a crise política vai piorar. Há receio de que o escândalo atinja as doações de campanha, dando munição para adversários ressuscitarem a bandeira do impeachment. O discurso oficial, porém, é o de que Marcelo Odebrecht teria declarado voto em Aécio Neves (PSDB) e Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, em Marina Silva (PSB).

LEIA O ARTIGO DO JORNALISTA E FILÓSOFO LUIS MILMAN - A LISTA BURMANN-SCHLOSSER, A EMBROMAÇÃO E A JUSTIÇA

O reitor da Universidade Federal de Santa Maria, Paulo Afonso Burmann, enviou, neste último dia 18, uma carta ao Presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul (FIRS), que lembra aquela situação em que alguém, apanhado em flagrante delito, com a boca na botija, tenta de qualquer forma convencer a quem o flagrou de que “não é bem isto que você está pensando”. Um espetáculo! Burmann, autor, juntamente com seu pró-reitor de pós-graduação e pesquisa, José Fernando Schlosser, enviaram aquele memorando famoso, de 15 de maio, exigindo de seus subordinados que informassem sobre a “presença de discentes e/ou docentes israelenses, ou a perspectiva” na UFSM. O caso foi parar no Ministério Público Federal e Polícia Federal, em 3 de junho, por força de uma notícia de crime que enviei a estes órgãos, solicitando as providências para a responsabilização dos autores da Diretriz Burmann-Schlosser, com base na Lei 7.716/ 1989, artigo 20, que trata de crimes de discriminação e preconceito. Também encaminhei pedido de providências à Presidente da República, ao Ministro da Educação e ao presidente do Conselho Universitário da UFSM, a instância deliberativa máxima da universidade, cargo que é, por estatuto, ocupado pelo próprio reitor. O caso, depois de noticiado, correu mundo, provocou protestos e repúdio, entre outros, da Sociedade Brasileira de Pesquisa Científica e do Senado da República. O reitor e seu pró-reitor saíram por aí, inicialmente, e como dois aloprados, a defender sua diretriz com a tese de que cumpriam a Lei de Acesso à Informação, no atendimento a um pedido que foi encaminhado a eles, ainda em 2014. Um despautério, principalmente para quem ocupa a posição deles na administração pública. Este apelo à legalidade foi desconstituído de maneira fulminante – e não poderia deixar de ser diferente - pelo próprio Ministro da Educação, José Janine Ribeiro, que, em nota, desmoralizou o reitor Burmann, afirmando que a Lei de Acesso à Informação não pode colidir com a Constituição da República. De fato, não pode e nem colide. A ladainha legalista da dupla Burmann-Schlosser esfarelou-se, mas suas tentativas de safarem-se das responsabilidades, não. Burmann foi à luta e, num primeiro momento, solicitou uma audiência ao presidente da FIRS, que acabou ocorrendo, à noite, em Porto Alegre, no dia 9 de junho. Ao final do encontro, o presidente da FIRS afirmou, em nota, que a diretoria da entidade ouviu as explicações de Burmann, mas que estava determinada a acompanhar os desdobramentos do caso junto ao Ministério Público Federal e Polícia Federal. Só isso. Burmann apelara ao “animus comovendi”, aquela decisão de choramingar junto à sua vítima para tentar obter dela o perdão pelo crime praticado. Mas, por óbvio, nem o tal “animus” se substitui à lei, nem uma possível disposição para o perdão, de parte da vítima, suprime a sua aplicação. Burmann continuou, assim, pulando na chapa quente do crime cometido. Isto, no entanto, o fez pensar em nova investida para salvar a pele. Mais uma vez ele foi, acompanhado de seu pró-reitor Schlosser, à Federação Israelita do Rio Grande do Sul, que pela segunda vez o recebeu, na noite de 18 de junho. Agora, no entanto, o enredo da ópera bufa se modificara. O reitor Burmann carregava uma carga de três folhas, com, imaginem, o dístico da República, na qual, descontado o acacianismo sobre a nobre missão da universidade, endereçava ao presidente da FIRS um pedido de desculpas. Isto mesmo, desculpas, pelas indesejadas consequências que seu famigerado memorando trouxera aos “israelitas". Na carta, ele reconhecia que a decisão de encaminhar o memorando não fora bem avaliada em seus aspectos formais e políticos. A FIRS saudou a iniciativa de Burmann. Finalmente ela obteve a admissão do reitor sobre a impropriedade de seu memorando. E divulgou a carta de Burmann em sua página oficial na internet. Reitor da UFSM e diretoria da FIRS, irmanam-se, na casa do ofendido, pelo pedido de perdão! Como mais tarde viria a afirmar, redimido e em entrevista coletiva, Burmann pode agora dar o caso por encerrado. “Vamos nos dedicar à nossa agenda positiva”, conclamou Burmann. “A UFSM é de todos nós!” Comovente? Nem tanto. A expiação do pecado, concedida pela FIRS - que chegou a saudar, por meio de Sebastian Watemberg, um dos vice-presidentes, “ a grande vitória da Federação” - nem sequer do pecado correto foi, porque Burmann não desculpou-se pelo que diz o memorando, não se retratou de seu conteúdo e não admitiu ter cometido um crime. Ele referiu-se à impropriedade política e formal do memorando. Lamentou suas consequências e foi só. Mas o que é isto? E o crime, indigitado na Lei 7.716 e proscrito na Constituição? Em nenhum momento Burmann admite que o cometeu. Afinal, se o fizesse, se tornaria réu confesso! Muito menos a diretoria da FIRS, em suas reuniões com o, chamemos assim, suspeito de crime de racismo, exigiu que ele confessasse o delito. Impropriedade formal, seja lá que diabos isto signifique, é impropriedade; e crime é crime. Arrepender-se da primeira nada tem a ver com confessar o segundo. O esperto Burmann sabe bem a diferença, mas tenta salvar o coro com uma embromação adolescente, com o apelo a uma investidura que ele conspurcou e, ainda, contando com o piedoso espírito que paira sobre a diretoria da Federação Israelita do Rio Grande do Sul. O caso, no entanto, é de alçada da lei e está sendo investigado pela Polícia e Ministério Público federais. E não será encerrado em reuniões noturnas, mas na Justiça.

POLÍCIA FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DIZEM QUE O DIRETOR LOBISTA ALEXANDRINO ALENCAR É QUEM MAIS PODE COMPLICAR A SITUAÇÃO DO GOVERNO NO CASO DA ODEBRECHT

Entre os depoimentos que vão ser colhidos a partir de segunda-feira pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, no âmbito das prisões dos diretores da Odebrecht, o mais sensível para o governo é o do diretor de Relações Institucionais (lobista) da Odebrecht, o lobista Alexandrino Alencar, apontado por delatores do Petrolão do PT como operador de propina na empreiteira. Entre 2008 e 2012, Alexandrino Alencar encontrou-se diversas vezes com Rafael Angulo Lopez, auxiliar do doleiro Alberto Youssef que, além de distribuir a propina do Petrolão do PT para políticos, também fazia depósitos em contas no Exterior para beneficiários do esquema criminoso. O executivo é próximo da cúpula do governo petista e chegou a viajar com o ex-presidente Lula X9 em diversas viagens ao Exterior. Alexandrino Alencar é lobista conhecido no Rio Grande do Sul, onde possui inúmeras conexões entre empresários, políticos, jornalistas e publicitários, com os quais mantém relacionamentos pessoais e comerciais. A Braskem, empresa pela qual costuma fazer contatos, é grande anunciante e patrocinador de promoções da mídia gaúcha. É ele o contato do grupo com a agência que administra sua conta publicitária na região, a Escala. Ele controla as mentes desses intelectuais gaúchos ditos de esquerda, que pensam sob pagamento da Odebrecht. 

Defesa dividida

Dora Cavalcanti
Dora já disse haver “armação” contra a Odebrecht
Já há advogados da Odebrecht que defendem neste momento alguma colaboração de Marcelo Odebrecht com a Justiça para evitar penas maiores. Dora Cavalcanti, que comanda a defesa da empreiteira, permanece contrária à tese. Por Lauro Jardim

Para melar


A Kroll, contratada pela CPI da Petrobras por inspiração de Eduardo Cunha para analisar dados sigilosos obtidos pela comissão, descobriu contas secretas de Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa no exterior – mais precisamente na Ásia - que não haviam sido listadas por eles no acordo de delação premiada. Advogados de empreiteiros e políticos que tiveram acesso ao material tentarão invalidar as delações de ambos por este motivo. Por Lauro Jardim

Fala, Baiano


Fernando Baiano , o lobista de parte do PMDB, continua irredutível em topar uma delação premiada. Mas na semana passada chegou a ele na carceragem um recado. Algo como “é bom falar que a sua casa caiu”. O cerco está se fechando. Por Lauro Jardim

Polícia Federal na Odebrecht: dezesseis horas de trabalho


A busca a apreensão de documentos realizada ontem pela Polícia Federal na sede da empreiteira Odebrecht em São Paulo durou quase dezesseis horas. O expediente dos agentes na empresa começou antes das sete da manhã e foi terminar às 22 horas. Por Lauro Jardim

Executivos da Andrade Gutierrez pedem liberdade

Os advogados do presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, e o diretor-executivo da empreiteira, Elton Negrão, apresentaram pedidos de habeas corpus ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O relator do caso é o desembargador João Pedro Gebran Neto. Não há previsão de quando ele apreciará os pedidos.

Cardozo é inadmissível

José Eduardo Cardozo rebateu trecho da decisão de Sergio Moro que prendeu os executivos da Odebrecht e Andrade Gutierrez, na qual o magistrado aponta que, se empresas investigadas na Lava Jato firmarem contratos públicos, elas poderão continuar a praticar atos de corrupção. Ele se referiu, especificamente, ao recém-lançado programa de concessões. José Eduardo Cardozo não citou o juiz nominalmente, mas ser “inadmissível” suspeitar do governo. “A Constituição não permite que empresas investigadas e que não sofreram nenhuma penalidade em relação a sua idoneidade sejam afastadas de licitação. Não fica a critério do administrador quem participa ou não de licitações”, disse o ministro. José Eduardo Cardozo é inadmissível. (O Antagonista)

Praticamente Collor

Ricardo Mendonça, da Folha, destaca que a atual reprovação a Dilma Rousseff é praticamente igual à que foi registrada pelo ex-presidente Fernando Collor em setembro de 1992, dias antes de seu impeachment. Na época, 68% da população considerava ruim e péssima a gestão de Collor. Hoje, Dilma bateu o recorde de seus mandatos e atingiu 65% de reprovação do eleitorado. Considerando a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, é praticamente um empate.

Tática de Lula: gritar que é o próximo para ver se não é o próximo. Ou: Lula está com medo!

Escrevi ontem um post cujo título é este: “Primeira pergunta já tem resposta: ‘Quando vão pegar a Odebrecht?’. A segunda segue sem resposta: ‘Quando vão pegar Lula?’” Leio agora na Folha que Lula diz a aliados que é ele o próximo alvo da Lava-Jato. O alarme soou no Palácio do Planalto. Se “pegarem” Lula, é claro que o governo Dilma vai junto. O ex-presidente está recorrendo a uma tática: ao anunciar que pretendem atingi-lo, denuncia uma suposta perseguição, buscando, então se proteger. Será que vai ser bem-sucedido? Vamos ver. A Operação Lava-Jato segue, afinal, com o seu mistério, não é? Os políticos mais graduados que estão sob investigação são o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), hoje, respectivamente, presidentes da Câmara e do Senado. À época em que teriam cometido as irregularidades de que são acusados, nem exerciam essa função. Se a Lava-Jato fosse um romance policial, seria de péssima qualidade porque o roteiro é inverossímil a mais não poder. Que se cometeram crimes em penca, não há a menor dúvida. Um simples gerente de Serviços se dispôs a devolver US$ 97 milhões. Naquele ambiente de esbórnia, dá para imaginar o que não terão feito os que tinham o mesmo caráter que ele, mas com mais poder. Quando se olha a lista das pessoas sob investigação, os leitores desse romance seriam convidados a acreditar que um esquema multibilionário de fraudes foi urdido por uns dois ou três políticos à época de médio porte, um monte de parlamentares de terceira linha — a maioria ligada ao PP, um partido que é periferia do poder, um grupo enorme de empreiteiros malvados mais alguns diretores larápios. E pronto! Desde que a operação começou, em março do ano passado, pergunto: CADÊ O PODER EXECUTIVO? Não existe. É impressionante, mas nem José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras no período daquela soma de desatinos, é investigado. E olhem que poucos presidentes das estatal foram tão autocráticos como este senhor. É evidente que essa história não fecha! Então as empreiteiras teriam se unido num cartel para assaltar a Petrobras. Para que prosperassem no seu intento, tinham de contar com a colaboração de diretores safados. Eis que os safados estão lá, do outro lado do guichê, devidamente nomeados pelo… Poder Executivo, certo? Tudo coincidência, né? As empreiteiras cartelizadas teriam tido a sorte de os políticos terem nomeado justamente os larápios de que precisavam. Tenham paciência! Aí se descobre que boa parte dos desvios era carreada para partidos políticos. Mas nada de o Executivo entrar na história. 
De volta a Lula
É claro que essa narrativa não para em pé, Santo Deus! E é justamente essa inverossimilhança que deixa Lula em pânico. Ele sabe que ninguém com um mínimo de miolos aposta que tudo não passou de um conluio entre empreiteiros, servidores corruptos e políticos sem importância. Algo da magnitude do petrolão não se faz sem a colaboração de alguém — ou “alguéns” — com efetivo poder no governo e na Petrobras. Por Reinaldo Azevedo

O mercado não perdoa

A agência de classificação de risco Moody’s colocou as notas de crédito da Odebrecht e da Andrade Gutierrez em revisão para potencial rebaixamento nesse sábado. A medida foi motivada pela prisão dos presidentes das empreiteiras ontem na Lava Jato. No caso da Andrade Gutierrez, que pode perder o grau Ba2, trata-se de títulos que valem aproximadamente 500 milhões de dólares. Em relação à Odebrecht, serão reavaliadas as notas de crédito em escala nacional, com grau Aa1.br, e global, com grau Baa3.

DONOS DA ODEBRECHT E DA ANDRADE GUTIERREZ G FIZERAM EXAMES DE CORPO DE DELITO EM CURITIBA


Os 12 presos da 14ª fase da Operação Lava-Jato, entre eles os presidente das construtoras Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez, Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo (na foto acima), respectivamente, fizeram na manhã deste sábado exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal, em Curitiba. As prisões produziram forte comoção nos meios empresariais e políticos brasileiros, provocando também forte repercussão internacional, já que as duas empresas são dois dos maiores grupos empresariais do Brasil. Nunca, antes, neste País, empresários de tão grosso calibre foram presos. Em São Paulo, o presidente Fernando Henrique Cardoso reclamou da ausência, até agora, da prisão dos líderes políticos do Petrolão, no caso Lula e Dilma.

LULA DIZ A ALIADOS QUE SERÁ PRÓXIMO ALVO DO JUIZ SÉRGIO MORO; ELE TAMBÉM RECLAMOU DA "INÉRCIA" DE DILMA EM DEFENDÊ-LO

Os repórteres Catia Seabra,Bela Megale, Valdo Cruz, Andréia Sadi e Natuza Nery, todos de São Paulo e Brasília, contam neste sábado na Folha de São Paulo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a aliados que a prisão dos presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez é uma demonstração de que ele será o próximo alvo da operação Lava Jato. Lula também reclamou nesta sexta-feira do que chamou de inércia da presidente Dilma Rousseff para contenção dos danos causados pela investigação. Leia a reportagem completa: 
Segundo seus interlocutores, Lula se queixa da atuação do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que teria convencido Dilma a minimizar o impacto político da operação. Nas conversas, ele se mostra preocupado pelo fato de não ter foro privilegiado, podendo ser chamado a depor a qualquer momento. Por isso, expressa insatisfação que o caso ainda esteja sob condução do juiz Sérgio Moro. Para petistas, os desdobramentos podem afetar o caixa do partido e por em xeque a prestação de contas da campanha da presidente. A detenção de Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo colocou a cúpula do PT em "estado de alerta" e preocupa o Palácio do Planalto pelos efeitos negativos na economia. Para assessores do ministro Joaquim Levy (Fazenda), o "ritmo da economia, que já está fraco, ficará mais lento". No entanto, a estratégia adotada pelo partido e pelo governo foi a de afirmar que, dada influência das duas empreiteiras, a investigação atingirá as demais siglas, incluindo o PSDB. Nessa linha, um ministro citou o nome da operação "Erga Omnes" (expressão em latim que significa "para todos") para afirmar que não só o PT será afetado. Durante a campanha presidencial de 2014, segundo esses interlocutores do governo, ambos executivos fizeram chegar reservadamente ao Planalto a sua intenção de votar na oposição. Nesta sexta-feira, Lula manteve sua agenda: um almoço com o ministro da Educação, Renato Janine, e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, além do secretário municipal de Educação, Gabriel Chalita. Segundo participantes, ele exibia bom humor. Apesar do argumento de que outros partidos serão afetados, a tensão é maior entre petistas. Desde o fim de 2014, a informação, que circulava no meio empresarial e político, era de que Marcelo Odebrecht não "cairia sozinho" caso fosse preso. A empresa sempre negou ameaças. Entre executivos e políticos, contudo, as supostas ameaças eram vistas como um recado ao PT dada a proximidade entre a Odebrecht e Lula – a empresa patrocinou viagens do ex-presidente ao exterior, para tentar fomentar negócios na África e América Latina. Um dos presos é Alexandrino Alencar, diretor da Odebrecht que acompanhava Lula nessas viagens patrocinadas pela empreiteira. Integrantes dizem que "querem pegar Lula". Lula também se encontrou com executivos da Odebrecht no Exterior.

Brahma, a número 1

Lula era chamado de Brahma pelo dono da OAS. Brahma: o número 1. Em geral, as empreiteiras pagavam seu lobista número 1 para fazer negócios na América Latina e na África, com dinheiro do BNDES. Num caso relatado pela Veja, porém, ocorreu o contrário. Uma troca de mensagens da OAS mostra que uma viagem ao Chile, onde Lula palestrou em novembro de 2013, foi pedida pelo próprio ex-presidente. Acompanhe: "Na tarde do dia 12 de novembro, Léo Pinheiro questiona Cezar Uzeda sobre as obras da OAS no Chile, afirmando que 'o Brahma está procurando saber'. Cezar Uzeda responde listando as obras. Léo Pinheiro replica. "O Brahma quer fazer a Palestra dia 24/25 ou 26/11 em Santiago. Seria uma mesa redonda com 20 a 30 pessoas. Quem poderíamos convidar e onde?" Só o lobista número 1 tinha esses privilégios.

Lula é Brahma, Franklin Martins é Itaipava

O Antagonista, duas semanas atrás, mostrou que Franklin Martins acompanhou Lula a Maputo, Moçambique, numa viagem de negócios paga pela Camargo Corrêa. Por favor, releia: "Lula, em 20 de novembro de 2012, deu uma palestra em Maputo, Moçambique. O evento foi pago pela Camargo Corrêa. De acordo com as planilhas apreendidas pela Lava Jato, a empreiteira deu-lhe, no mês seguinte, exatamente 815 mil reais. O lobista Lula não viajou a Maputo apenas para dar uma palestra. Ele encontrou-se também com o presidente moçambicano e defendeu os interesses da Camargo Corrêa nas obras da hidrelétrica de Mphanda Nkuwa. Os outros membros da comitiva de Lula eram o presidente da Vale, o presidente da Eletrobras e o presidente da Petrobras Biocombustíveis, além de Franklin Martins (sim, sempre ele), Fernando Morais (sim, sempre ele) e Paulo Okamotto, sócio do lobista Lula”. Hoje a Veja descreve uma troca de mensagens entre o dono do OAS, Léo Pinheiro, e seu executivo Cezar Uzeda: “Nos textos, Lula leva o apelido “carinhoso” de Brahma e é citado nos termos de uma aproximação com o embaixador de Moçambique no Brasil, Murade Isaac Miguigy Murargy. O facilitador do encontro, segundo as mensagens, é Franklin Martins. Diz Pinheiro: Tem o Brahma no meio. Quem marcou (o encontro) foi a Mônica, mulher de Franklin (Martins). Segundo ela, seria uma aproximação para 2014. Ele deve coordenar.

A mulher do lobista é lobista

A mulher de Franklin Martins, Mônica Monteiro, é dona da Cine Group, uma produtora de TV especializada em documentários que já recebeu, este ano, 12 milhões de reais do BNDES. Ela é especializada, também, em empreiteiras. A Veja reproduziu um e-mail enviado por ela ao dono da OAS, Léo Pinheiro. No e-mail, Mônica Monteiro orienta um executivo da empreiteira sobre o encontro com o embaixador moçambicano no Brasil: Diz ao Cesar (Uzeda) que estarei com ele. Me encontre na porta da Embaixada. Ele vai falar sobre campanha política e novos projetos. Ele que colocou a Suzano e a Andrade lá no governo. Era o chefe de gabinete do presidente (de Moçambique).

Lula está morrendo de medo

Folha de S. Paulo: "O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a aliados que a prisão dos presidentes da Odebrecht e da Andrade Guiterrez é uma demonstração de que ele será o próximo alvo da operação Lava Jato. Lula também reclamou nesta sexta-feira do que chamou de inércia da presidente Dilma Rousseff para contenção dos danos causados pela investigação. Nas conversas, ele se mostra preocupado pelo fato de não ter foro privilegiado, podendo ser chamado a depor a qualquer momento".

A rainha de Maputo

Mônica Monteiro, dona da Cine Group, produziu o documentário "Presidentes Africanos", apresentado por seu marido, Franklin Martins. O documentário foi pago pela OAS, Odebrecht, Queiroz Galvão e Vale. A Camargo Corrêa, no entanto, deu 815 mil reais a Lula para levá-lo a Moçambique, com uma comitiva que incluiu Franklin Martins e a equipe do documentário "Presidentes Africanos". Na ocasião, o presidente moçambicano, Armando Guebuza, acusado de envolvimento em corrupção e narcotráfico, deu uma entrevista a Franklin Martins. No ano seguinte, Mônica Monteiro levou um executivo da OAS para um encontro com o embaixador de Moçambique, a fim de tratar de "campanha política" e "novos projetos" da empreiteira. Quem disse que cinema, no Brasil, não dá dinheiro?

Lula é tóxico

Estadão: "O diagnóstico no governo e no PT é o de que o cerco está se fechando e que a crise política vai piorar". A questão é sempre a mesma - Lula: "A prisão dos executivos das empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez trouxe preocupação ao Palácio do Planalto. A preocupação não envolve só o governo Dilma, mas também o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerado por petistas 'o alvo' da Lava Jato. Nos bastidores, ministros avaliam que, mesmo com a Polícia Federal mirando em Lula, não há como o escândalo não respingar em Dilma".

O volume morto

"Dilma está no volume morto, o PT está abaixo do volume morto, e eu estou no volume morto". Foi o que disse Lula, segundo O Globo. Ele disse também: "Acabamos de fazer uma pesquisa em Santo André e São Bernardo, e a nossa rejeição chega a 75%. Entreguei a pesquisa para Dilma, em que nós só temos 7% de bom e ótimo". O pronunciamento foi feito na sede do Instituto Lula, antes de ontem. As prisões dos presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, portanto, ainda não haviam ocorrido. O volume morto está morto.

Pergunta de um milhão de dólares

Quanto vale uma liminar em habeas corpus a Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez?

Brahma com colarinho branco

Lauro Jardim disse que Lula estava "possesso e tenso na sexta-feira, logo após a prisão dos dois maiores empreiteiros do Brasil. Aos interlocutores, culpou o governo Dilma, qualificado de 'frouxo' por ter deixado a situação ter chegado a esse ponto". Segundo Lauro Jardim, o Brahma "espumava de raiva".

AÉCIO NEVES FAZ NOVAMENTE O JOGO DE MARCHEZAN JUNIOR E AFRONTA MAIORIA TUCANA GAÚCHA COM SUSPENSÃO DA CONVENÇÃO ESTADUAL

Colocando-se mais uma vez a serviço do deputado federal Nelson Marchezan Júnior, que sofreria derrota acachapante na convenção deste domingo, o senador Aécio Neves resolveu editar ato próprio para suspender tudo, sine die. Aécio Neves já tinha impugnado a escolha de 102 dos 298 delegados, tudo para favorecer Marchezan Júnior, mas ainda assim não conseguiu garantir maioria para seu pupilo. O diretório gaúcho já acionou seu advogado, Décio Itiberê, para reagir à intervenção e garantir a realização da convenção estadual. A intervenção do senador causou revolta e estupefação entre a maioria dos tucanos do Rio Grande do Sul, já que ele passou a tratar seu partido no Estado como quintal mineiro. O senador alega como uma das razões o fato de que permanecem pendentes recursos administrativos sobre pedidos de impugnação da escolha de delegados de municípios importantes como Porto Alegre, São Leopoldo, Caxias e Santa Maria, mesmo sabendo que os diretórios locais recorreram judicialmente e conseguiram antecipações de tutela para todos eles. O ato do senador também faz referência a controvérsias entre as chapas lideradas por Marchezan Júnior e Lucas Redecker. A intervenção da Comissão Executiva Nacional é surpreendente e inédita, porque os atos preparatórios para a convenção de domingo estão todos conclusos. (Políbio Braga)

Marcelo Odebrecht ameaça "derrubar a República"


Desde que o avançar inexorável das investigações da Lava Jato expôs ao Brasil o desfecho que, cedo ou tarde, certamente viria, o mercurial empresário Emilio Odebrecht, patriarca da família que ergueu a maior empreiteira da América Latina, começou a ter acessos de raiva. Nesses episódios, segundo pessoas próximas do empresário, a raiva – interpretada como ódio por algumas delas – recaía sobre os dois principais líderes do PT: a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A exemplo dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, outros dois poderosos alvos dos procuradores e delegados da Lava Jato, Emilio Odebrecht acredita, sem evidências, que o governo do PT está por trás das investigações lideradas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. “Se prenderem o Marcelo (Odebrecht, filho de Emilio e atual presidente da empresa), terão de arrumar mais três celas”, costuma repetir o patriarca, de acordo com esses relatos. “Uma para mim, outra para o Lula e outra ainda para a Dilma". Na manhã da sexta-feira, 19 de junho de 2015, 459 dias após o início da Operação Lava Jato, prenderam o Marcelo. Ele estava em sua casa, no Morumbi, em São Paulo, quando agentes e delegados da Polícia Federal chegaram com o mandado de prisão preventiva, decretada pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal da Justiça Federal do Paraná, responsável pelas investigações do Petrolão na primeira instância. Estava na rua a 14ª fase da Lava Jato, preparada meticulosamente, há meses, pelos procuradores e delegados do Paraná, em parceria com a Procuradoria Geral da República. Quando ainda era um plano, chamava-se “Operação Apocalipse”. Para não assustar tanto, optou-se por batizá-la de Erga Omnes, expressão em latim, um jargão jurídico usado para expressar que uma regra vale para todos – ou seja, que ninguém, nem mesmo um dos donos da quinta maior empresa do Brasil, está acima da lei. Era uma operação contra a Odebrecht e, também, contra a Andrade Gutierrez, a segunda maior empreiteira do País. Eram as empresas, precisamente as maiores e mais poderosas, que ainda faltavam no cartel do Petrolão. Um cartel que, segundo a força-tarefa da Lava Jato, fraudou licitações daPetrobras, desviou bilhões da estatal e pagou propina a executivos da empresa e políticos do PT, do PMDB e do PP, durante osmandatos de Lula e Dilma. Os comentários de Emilio Odebrecht eram apenas bravata, um desabafo de pai preocupado, fazendo de tudo para proteger o filho e o patrimônio de uma família? Ou eram uma ameaça real a Dilma e a Lula? Os interlocutores não sabem dizer. Mas o patriarca tem temperamento forte, volátil e não tolera ser contrariado. Também repetia constantemente que o filho não “tinha condições psicológicas de aguentar uma prisão”. Marcelo Odebrecht parece muito com o pai. Nas últimas semanas teve encontros secretos com petistas e advogados próximos a Dilma e a Lula. Transmitiu o mesmo recado: não cairia sozinho. Ao menos uma dessas mensagens foi repassada diretamente à presidente da República. Que nada fez. Quando os policiais amanheceram em sua casa, Marcelo Odebrecht se descontrolou. Por mais que a iminência da prisão dele fosse comentada amiúde em Brasília, o empresário agia como se fosse intocável. Desde maio do ano passado, quando ÉPOCA revelara as primeiras evidências da Lava Jato contra a Odebrecht, o empresário dedicava-se a desancar o trabalho dos procuradores. Conforme as provas se acumulavam, mais virulentas eram as respostas do empresário e da Odebrecht. Antes de ser levado pela Polícia Federal, ele fez três ligações. Uma delas para um amigo que tem interlocução com Dilma e Lula – e influência nos tribunais superiores em Brasília. “É para resolver essa lambança”, disse Marcelo ao interlocutor, determinando que o recado chegasse à cúpula de todos os poderes: “Ou não haverá República na segunda-feira". Antes mesmo de chegar à carceragem em Curitiba, Marcelo Odebrecht estava “agitado, revoltado”, nas palavras de quem o acompanhava. Era um comportamento bem diferente de outro preso ilustre: o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo. Otávio Azevedo, como o clã Odebrecht, floresceu esplendorosamente nos governos de Lula e Dilma. Tem uma relação muito próxima com eles – e com o governador de Minas Gerais, o petista Fernando Pimentel, também investigado por corrupção, embora em outra operação da Polícia Federal. Otávio Azevedo se tornou compadre de Pimentel quando o petista era ministro do Desenvolvimento e, como tal, presidia o BNDES. Não há como determinar com certeza se o patriarca dos Odebrechts ou seu filho levarão a cabo as ameaças contra Lula e Dilma. Mas elas metem medo nos petistas por uma razão simples: a Odebrecht se transformou numa empresa de R$ 100 bilhões graças, em parte, às boas relações que criou com ambos. Se executivos da empresa cometeram atos de corrupção na Petrobras e, talvez, em outros contratos estatais, é razoável supor que eles tenham o que contar contra Lula e Dilma. A prisão de Marcelo Odebrecht encerra um ciclo – talvez o maior deles – da Lava Jato. Desde o começo, a investigação que revelou o maior esquema de corrupção já descoberto no Brasil mostrou que, em 2015, é finalmente possível sonhar com um País com menos impunidade. Pela primeira vez, suspeitos de ser corruptores foram presos – os executivos das empreiteiras. Antes, apenas corruptos, como políticos e burocratas, eram julgados e condenados. E foi precisamente esse lento acúmulo de prisões, e as delações premiadas associadas a elas, que permitiu a descoberta de evidências de corrupção contra Marcelo Odebrecht, o empreiteiro que melhor representa a era Lula. Foram necessárias seis delações premiadas, dezenas de buscas e apreensão em escritórios de empresas e doleiros e até a colaboração de paraísos fiscais para que o dia 19 de junho fosse, enfim, possível. Os documentos obtidos pela Lava Jato mostram como a empreiteira seguiu o roteiro de obras superfaturadas e obteve informações privilegiadas para acertar contratos com a Petrobras

Sobrepreço
Em e-mail, assessor de Marcelo Odebrecht fala em superfaturamento. O chefe não se fez de rogado. E respondeu: é para acelerar as tratativas com os concorrentes 


O diretor da Odebrecht Rogério Araújo avisa que sabia de orçamento interno da Petrobras. Horas antes ele se encontrara com o diretor Paulo Roberto Costa 
A Polícia Federal anexou na investigação mensagens de outro empreiteiro, Léo Pinheiro, da OAS. Lula era sempre citado e tinha até apelido. E, claro, era sempre elogiado

HOSTILIDADE A SENADORES FOI UMA OPERAÇÃO MILITAR

Funcionários da Polícia Nacional Bolivariana admitiram abertamente em Caracas, a jornalistas, que bloquearam de propósito a van transportando a comitiva de senadores que havia desembarcado no aeroporto de Maiquetía. A van foi direcionada para uma via onde duas dezenas de militares à paisana simularam “manifestação” contrária à visita, esmurrando e apedrejando o veículo para intimidar os brasileiros. Desde o semi-ditador Hugo Chávez, o governo da Venezuela mantém milícias armadas, em trajes civis, para intimidar opositores ao regime. A embaixada brasileira parecia saber da operação militar intimidação: diplomatas tinham ordem para não acompanhar os senadores na van. O embaixador brasileiro Ruy Pereira virou motivo de deboche: entrou no avião da FAB, cumprimentou os senadores e “vazou” em disparada. O senador Blairo Maggi (PR-MT) pediu a expulsão da Venezuela do Mercosul após as hostilidades aos senadores. Ele adverte que ditadura tem que ser retirada do bloco “na base da porrada”.

COM DILMA, ODEBRECHT TEM TRATAMENTO DE MINISTRO

Preso ontem na 14ª fase da Operação Lava Jato, o empreiteiro Marcelo Odebrecht foi recebido mais vezes pela presidente Dilma do que a maioria dos ministros. No início do seu governo, Dilma não escondia a repulsa ao empresário, que, no entanto, amigo do ex-presidente Lula, conseguiu neutralizar resistência e foi recebido quatro vezes por Dilma, além de duas reuniões na residência do Palácio Alvorada, em 2014. Em 2012, após as reuniões no Planalto, o gasto direto do governo com a Odebrecht cresceu 10.000% ante 2011 e chegou a R$ 1,1 bilhão. A Odebrecht obteve receitas de US$ 9,5 bilhões no exterior em 2012, segundo o próprio Marcelo Odebrecht trombeteava publicamente. Os contratos da Odebrecht no exterior saltaram para US$ 22 bilhões (equivalentes a R$ 67 bilhões), boa parte financiada pelo BNDES. Presidente da empreiteira favorita da era petista, Marcelo Odebrecht se reuniu com Michel Temer, inclusive quando o vice virou presidente.

Odebrecht e a campanha de Eduardo Campos

Dalton Avancini, da Camargo Corrêa, afirmou ao juiz Sérgio Moro que pagou 8,7 milhões de reais em propina para a campanha de Eduardo Campos ao governo de Pernambuco. O dinheiro foi desviado de uma obra da refinaria de Abreu e Lima, tocada em consórcio com a Odebrecht, Galvão Engenharia e Queiroz Galvão. Todas, segundo Avancini, pagaram propina individualmente a Eduardo Campos. Ou seja, Marcelo Odebrecht sabia e pagou propina para o ex-governador.

Postalis e Petros: 30 milhões desviados para Renan

Leiam o que a Istoé publicou: "Um golpe perpetrado recentemente contra os fundos de pensão Postalis e Petros começa a ser desvendado pela Polícia Federal. Inquérito sigiloso obtido com exclusividade por ISTOÉ traz os detalhes de um esquema que desviou R$ 100 milhões dos cofres da previdência dos funcionários dos Correios e da Petrobras... Parte do dinheiro, segundo a Polícia Federal, pode ter irrigado as contas bancárias do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e do deputado federal e ex-ministro de Dilma, Luiz Sérgio (PT-RJ), atualmente relator da CPI do Petrolão. Prestes a ser enviado ao Supremo Tribunal Federal, devido à citação de autoridades com foro especial, o inquérito traz depoimento de um funcionário do grupo Galileo Educacional, empresa criada pelo grupo criminoso para escoar os recursos dos fundos. Segundo o delator identificado como Reinaldo Souza da Silva, o senador Renan Calheiros teria embolsado R$ 30 milhões da quantia paga, Lindbergh R$ 10 milhões e o deputado Luiz Sérgio, o mesmo valor". O PT abriu totalmente a porteira para a corrupção.

A culpa não foi de Jack

O ex-secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, assinou um documento em que assume a responsabilidade pelas "pedaladas fiscais". O documento, datado de 30 de dezembro de 2014, último dia de Arno Augustin no cargo, foi desenhado para tentar livrar Dilma Rousseff da responsabilidade pelos crimes contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. É como afirmar que o culpado não foi Jack, o Estripador, mas as facas com as quais ele rasgava as suas vítimas.

Calote no Minha Casa Minha Vida

O calote do governo nos pagamentos das obras da faixa 1 do Minha Casa Minha Vida – que atende pessoas com renda de até 1 600 reais – já chega a 1,2 bilhão de reais. O Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo alega que desde o dia 8 de maio as empresas que prestam os serviços não recebem.

Só 20 milhões

O juiz Sergio Moro bloqueou dinheiro de 10 dos 12 novos investigados pela Lava Jato. Leiam o que ele escreveu: "O esquema criminoso em questão gerou ganhos ilícitos às empreiteiras e aos investigados, justificando-se a medida para privá-los do produto de suas atividades. Não importa se tais valores, nas contas bancárias, foram misturados com valores de procedência lícita. O sequestro e confisco podem atingir tais ativos até o montante dos ganhos ilícitos. Considerando os valores milionários dos supostos crimes, resolvo decretar o bloqueio das contas de todos os investigados até o montante de vinte milhões de reais". 20 milhões de reais é pouco para quem pagou 764 milhões de reais de propinas.

A dieta de Marcelo Odebrecht

Advogados da Odebrecht pediram ao juiz Sérgio Moro para entregar aos agentes da carceragem da Superintendência da Polícia Federal de Curitiba uma “dieta" especial para o presidente da construtora, Marcelo Odebrecht. O motivo seria a “grave debilidade de saúde” do executivo... O pedido aconteceu nesta sexta-feira (19) antes mesmo de Marcelo Odebrecht chegar ao presídio. Nele, os advogados afirmam que o presidente da construtora é “portador de hipoglicemia, o que impõe a necessidade de um periódico consumo de alimentos”. A defesa afirma que ele deve se alimentar em intervalos curtos, não podendo ficar "por longos períodos de tempos sem a realização de sua dieta, tal qual advertido verbalmente aos agentes cumpridores de seu mandado judicial”.

O email "batom na cueca" enviado a Marcelo Odebrecht

Matheus Leitão, do G1, reproduziu um e-mail que Roberto Prisco Ramos, da Braskem, subsidiária petroquímica da Odebrecht, encaminhou em 2011 a Marcelo Odebrecht e Márcio Faria, também preso nesta sexta-feira na Operação Lava Jato. Roberto Prisco Ramos fala abertamente em sobrepreço no contrato de uma sonda e em atrair a UTC e a OAS para um cartel. O e-mail foi interceptado pela Polícia Federal: 


5,1 milhões de reais pagos ao PT

Paulo Roberto Dalmazzo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, foi preso, assim como Elton Negrão, atual vice-presidente da empreiteira. Alguns meses atrás, Dalmazzo foi entrevistado por O Globo e disse que 1,9 milhão de reais pagos a Alberto Youssef serviram como “intermediação” para a obtenção de quatro contratos com a Petrobras. Agora ele pode esclarecer, na cadeia, dois outros itens que constam da planilha de Pedro Barusco. O primeiro: 675 mil reais que ele deu ao PT pelo contrato do Túnel do Gasduc III. O segundo: 4,5 milhões de reais que ele deu ao PT pelo Novo CIPD da Petrobras.

Lula perdeu o patrocinador

Otávio Azevedo e Sérgio Andrade formam praticamente uma só pessoa. Ambos patrocinam Lula desde a década de 80. Foram eles que enviaram Lurian para Paris, depois que Miriam Cordeiro, com quem o então sindicalista teve a menina, deixou-se usar por Collor, para atacar Lula na TV, na campanha de 1989.

Lula perdeu o emprego

Isso mesmo: Marcelo Odebrecht foi preso e conduzido pela Polícia Federal para a sua carceragem em Curitiba. Lula perdeu o emprego.

Presidente da Andrade Gutierrez foi preso

O presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, entrou em cana na Operação Lava Jato. É um ótimo dia para o Brasil.

Só falta o Lula, Alexandrino Alencar está preso

Alexandrino Alencar, o executivo da Odebrecht que acompanhava o lobista Lula em suas viagens de negócios, também entrou em cana. É o momento decisivo da Lava Jato: a lei vale para todos.

Suprema humilhação, a Polícia Federal foi na casa do poderoso Marcelo Odebrecht

Humilhação das humilhações, agentes da Polícia Federal vasculharam a casa do próprio Marcelo Odebrecht, o presidente do grupo, levando em mãos um mandado de prisão contra ele. Essa gente não deve estar entendendo o que acontece....

Mais um preso da Odebrecht

Rogério Araújo, da Odebrecht, também vai passar uns tempos na cela da Polícia Federal. Ele foi denunciado por Paulo Roberto Costa meses atrás e esperávamos ansiosamente por sua prisão. Ela chegou.

Quem pagou e quanto pagou

Márcio Faria, da Odebrecht, foi preso pela Polícia Federal. Na quinta-feira a Lava Jato divulgou um depoimento em que ele dizia que foi procurado por Alberto Youssef "para tratar de doações de campanha". A prisão vai ajudá-lo a esclarecer para quem a empreiteira pagou e quanto pagou.