sábado, 27 de junho de 2015

Com medo de ser preso, Lula está à beira de um ataque de nervos


(ISTO É) Temendo a prisão, Lula revela desespero ao criticar publicamente o PT. O ex-presidente, que tem dormido pouco, apresenta crises de choro, diz que o governo Dilma não tem mais jeito e avalia que a vitória de Aécio em 2014 poderia até ter sido melhor.  O ex-presidente Lula anda insone. Segundo amigos próximos, o petista não consegue sossegar a cabeça no travesseiro desde a prisão, há duas semanas, de Marcelo Odebrecht, presidente da maior empreiteira do País, e do executivo Alexandrino Alencar, considerados os seus principais interlocutores na empresa. Tem dormido pouco. Nem quando recebeu o diagnóstico de câncer na laringe, em 2011, o petista demonstrou estar tão apreensivo como agora. Pela primeira vez, desde a eclosão da Operação Lava Jato para investigar os desvios bilionários da maior estatal brasileira, a Petrobras, Lula teme amargar o mesmo destino dos empreiteiros. Até um mês atrás, o ex-presidente não esperava que sua história poderia lhe reservar outra passagem pela cadeia. Em 1980, o então líder sindical foi detido em casa pelo DOPS, a polícia política do regime militar. Permaneceu preso por 31 dias, chegando a dividir cela com 18 pessoas. Agora, o risco de outra prisão – desta vez em tempos democráticos – é real. Na quinta-feira 25, o tema ganhou certo frisson com a divulgação de um pedido de habeas corpus preventivo em favor do ex-presidente impetrado na Justiça Federal. Descobriu-se logo em seguida, no entanto, que a ação considerada improcedente pelo Tribunal Regional Federal não partiu de Lula nem de ninguém ligado a ele. Mas, de fato, o político já receia pelo pior. O surto público recheado de críticas ao governo Dilma Rousseff e petardos contra o partido idealizado, fundado e tutelado por ele nos últimos 35 anos expôs, na semana passada, como os recentes acontecimentos têm deixado Lula fora do eixo.

FORA DO EIXO Vivendo o pior momento de sua história, Lula atira contra a própria obra. Pela primeira vez, o ex-presidente teme os desdobramentos da Operação Lava Jato
Em privado, o ex-presidente exibe mais do que nervos à flor da pele. Na presença de amigos íntimos, parlamentares e um ex-deputado com trânsito nos tribunais superiores, Lula desabou em choro, ao comentar o processo de deterioração do PT. Como se pouco ou nada tivesse a ver com a débâcle ética, moral e eleitoral da legenda, ele lamentou: “Abrimos demais o partido. Fomos muito permissivos”, justificou. Talvez naquela atmosfera de emoção, Lula tenha recordado de suas palavras enunciadas em histórica entrevista à ISTOÉ no longínquo fevereiro de 78, quando na condição de principal líder sindical do ABC paulista começava a vislumbrar o que viria a ser o PT, criado em 1980. “Para fazer um partido dos trabalhadores é preciso reunir os trabalhadores, discutir com os trabalhadores, fazer um programa que atenda às necessidades dos trabalhadores. Aí pode nascer um partido de baixo para cima”, disse na ocasião. Hoje, o PT, depois de 12 anos no poder, não reúne mais os trabalhadores, não discute com eles, muito menos implementa políticas que observem as suas necessidades. Pelo contrário, o governo Dilma virou as costas para os trabalhadores, segundo eles mesmos, ao vetar as alterações no fator previdenciário, mudar as regras do seguro para os demitidos com carteira assinada e adotar medidas que levam à inflação e à escalada do desemprego. Agora crítico mordaz da própria obra, Lula sabe em seu íntimo que não pode se eximir da culpa pela iminente derrocada do projeto pavimentado por ele mesmo. Restaram os desabafos, sinceros ou não, e a preocupação com o futuro. Num dos momentos de lucidez, o ex-presidente fez vaticínios impensáveis para quem, até bem pouco tempo, imaginava regressar triunfante ao Planalto daqui a três anos. Em recentes conversas particulares no Instituto que leva o seu nome, em São Paulo, Lula desenganou o governo Dilma, sucessora que ele mesmo legou ao País. “Dilma já era. Agora temos que pensar em salvar 2018”, afirmou referindo-se às eleições presidenciais. Para o petista, a julgar pelo quadro político atual, “teria sido melhor” para o projeto de poder petista e da esquerda “que (o senador tucano) Aécio Neves tivesse ganho as eleições” presidenciais do ano passado. Assim, no entender dele, o PSDB, e não o PT, ficaria com o ônus das medidas amargas tomadas na esfera econômica destinadas a tirar o País da crise, o que abriria estrada para o seu retorno em 2018. Como o seu regresso não é mais favas contadas, o petista tem confidenciado todo o seu descontentamento com a administração da presidente Dilma. Lula credita a ela e ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o avanço da Lava Jato sobre sua gestão. Embora essa hipótese ainda seja improvável, petistas ligados ao ex-presidente não descartam a possibilidade de ruptura, o que deixaria a presidente ainda mais vulnerável para enfrentar um possível processo de impeachment. A atitude, se levada adiante, não constituiria uma novidade. Em outros momentos de intensa pressão, como no auge do mensalão e do escândalo do caseiro Francenildo, Lula não se constrangeu em rifar aliados e até amigos do peito, como os ex-ministros José Dirceu, Antonio Palocci e Ricardo Berzoini.


Quem testemunhou as confidências de Lula na ampla sala de reuniões de seu Instituto, sediado na capital paulista, não chegou a ficar surpreso com o destempero verbal apresentado pelo petista na semana passada. Não se pode dizer o mesmo da maioria expressiva da classe política, impossibilitada de privar da intimidade do ex-presidente. De tão pesados e surpreendentes, os ataques de Lula a Dilma e ao PT foram recebidos com perplexidade. O primeiro tiro foi disparado na quinta-feira 18. Numa reunião com padres e dirigentes religiosos, Lula admitiu, em alusão ao nível baixo do sistema da Cantareira, que ele e Dilma estão no volume morto. “E o PT está abaixo do volume morto”, avaliou. Na segunda-feira 22, Lula elevou ainda mais o tom. Só que contra o PT. Em debate com o ex-presidente do governo espanhol Felipe Gonzáles, disse que o partido “está velho, só pensa em cargos e em ganhar eleição”. “Queremos salvar a nossa pele, nossos cargos, ou queremos salvar o nosso projeto?”, questionou Lula, durante a conferência “Novos Desafios da Democracia”. Nos dias subseqüentes às declarações, enquanto o meio político tentava interpretar o gesto do petista, o Planalto reagia a seu modo. Num primeiro momento, Dilma minimizou.“Todos têm direito de fazer críticas, principalmente o presidente Lula”. No dia seguinte, no entanto, Dilma orientou o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, a procurar Lula para tentar entender as razões de tamanha fúria. Paralelamente, o ex-presidente tratou de se proteger. Articulou junto à bancada do PT no Senado a divulgação de uma nota de desagravo a ele próprio. Criou, assim, mais uma jabuticaba política: fez com que o partido atacado emitisse um documento em apoio ao autor dos ataques. Na nota, o PT manifestou “total e irrestrita solidariedade ao grande presidente Lula, vítima de uma campanha pequena e sórdida de desconstrução de uma imagem que representa o que o Brasil tem de melhor”. No fim da semana, ao perceber o ar rarefeito, Lula mandou emissários espalharem o suposto reconhecimento de que ele 'se excedeu”. Era tarde.

Integrantes da Lava Jato querem investigar depósito milionário feito em Portugal pela amiga de Lula, Rosemary Noronha
Para o cientista político da USP, José Álvaro Moisés, ao abrir confronto contra Dilma e o PT, Lula “jogou para a platéia”. “Ele está vendo o navio fazer água, por isso age assim”, avaliou. Para Oswaldo do Amaral, da Unicamp, ao dizer que o partido precisa de uma renovação, Lula tenta uma reaproximação com o eleitorado mais jovem, segmento hoje refratário a ele. O jornalista José Nêumanne Pinto, autor do livro “O que sei de Lula”, no qual conclui que o ex-presidente nunca foi efetivamente de esquerda, é mais contundente. Para ele, “Lula é sagaz e não tem escrúpulo nenhum para mudar seu discurso”. “O ex-presidente tem circunstâncias e conveniências que ele manipula”, afirmou. “Na verdade, ele não quer se descolar do PT e sim da Dilma. Com esse discurso da utopia, ele planeja atrair parte do PT que finge ser honesto”, disse.


O mais espantoso na catilinária lulista é que o ex-presidente se comporta como se fosse um analista distante de uma trama da qual é personagem principal. Numa analogia com o futebol, recurso metafórico muito utilizado por Lula quando estava na Presidência, seria como se o zagueiro e então capitão da seleção brasileira David Luiz descrevesse os sete gols da Alemanha como se não tivesse assistido entre atordoado e impassível ao baile de Toni Kroos, Schweinsteiger e companhia em campo. No caso do ex-presidente há um agravante: Lula nunca foi apenas um mero integrante do time, mas o mentor, o grande líder e artífice da caminhada petista até aqui. Por isso mesmo, causou ainda mais espécie a repreensão de Lula ao PT por sua sede por cargos. Ora, o aparelhamento da máquina pública pelo PT e aliados começou e recrudesceu durante os dois mandatos do petista. Quando Lula chegou ao poder em 2003, havia 18 mil cargos de confiança na administração federal. Ao transmitir o cargo para Dilma, em 2011, já eram cerca de 23 mil. Do mesmo modo, Lula não pode lamentar, como fez em privado, que o crescimento do partido levou aos desvios éticos e à corrupção – hoje marca indissociável ao PT. O escândalo do mensalão, que resultou na condenação de dirigentes petistas em julgamento no STF, remonta ao seu governo. E o processo de abertura da legenda, bem como à rendição à política tradicional de alianças, baseada no fisiologismo e no toma lá, da cá, beneficiou o próprio Lula. Sem isso, o ex-presidente dificilmente se elegeria em 2002. Ao chegar ao Planalto, Lula cansou de dar demonstrações de que não sabia separar o público do privado. A mais chocante delas foi a ousadia de ornar os jardins do Alvorada com a estrela rubra do PT. O limite entre o público e o privado foi ultrapassado também quando Lula nomeou a amiga Rosemary Noronha para a chefia de gabinete de um escritório da Presidência em São Paulo. Hoje, Rosemary responde a uma ação na Justiça por formação de quadrilha, tráfico de influência e corrupção passiva. Ela integraria um esquema de vendas de pareceres técnicos de órgãos públicos federais. Agora, a personagem muito próxima a Lula pode retornar ao noticiário numa outra vertente das investigações da Lava Jato. Trata-se da retomada das apurações do episódio envolvendo um suposto depósito milionário feito em Portugal por Rosemary. Para a Polícia Federal, o caso converge com a investigação sobre a Odebrecht e a Andrade Gutierrez. É que Otávio Azevedo, preso na 14ª fase da Lava-Jato, foi representante da Portugal Telecom no Brasil. A empresa de telefonia era em grande medida controlada pelo Grupo Espírito Santo, parceiro da Odebrecht em vários empreendimentos em território português. “Tudo converge para os mesmos personagens. 

Se já houver outra investigação em curso, também podemos colaborar”, afirmou à ISTOÉ um delegado ligado a Lava Jato. Até hoje não se sabe o que houve com o ofício protocolado pelo então deputado Anthony Garotinho (PR/RJ) sobre o périplo de Rosemary em solo português. Em 2012, Garotinho denunciou o caso com base em relatos de um ex-delegado federal. Rosemary, segundo essa fonte, teria desembarcado em Lisboa com passaporte diplomático e autorização para transportar uma mala. Ao chegar à alfândega, questionada sobre o conteúdo da bagagem, teria revelado que transportava 25 milhões de euros para depositar na agência central do Banco Espírito Santo no Porto. Segundo a mesma versão, as autoridades alfandegárias sugeriram que ela contratasse uma empresa de transporte de valores. Para executar o serviço, a empresa Prosegur exigiu a contratação de um seguro, pelo que Rosemary teve de preencher uma declaração com a quantia e a titularidade dos recursos. Ela, então, teria identificado o próprio Lula como proprietário do dinheiro. Não restam dúvidas de que a explosão do petista deriva principalmente dos rumos tomados pelas investigações da Lava Jato nas últimas semanas. Mas seus recentes arroubos guardam relação também com os resultados das últimas pesquisas de opinião. De janeiro para cá, os levantamentos mostram a vertiginosa queda de popularidade de Dilma e dele próprio, que já perderia para o senador Aécio Neves se as eleições presidenciais fossem hoje. De acordo com o último Datafolha, Aécio aparece com 10 pontos na frente de Lula. Segundo a mesma pesquisa, o governo Dilma foi reprovado por 65% dos eleitores. Este índice de reprovação só não é maior do que o do ex-presidente Fernando Collor no período pré-impeachment, em setembro de 1992. Na época, Collor era rejeitado por 68% dos brasileiros. No levantamento, o governo Dilma é classificado como bom ou ótimo por apenas 10% dos brasileiros. É a maior taxa de impopularidade da petista desde 2011. A taxa de aprovação da presidente no Sudeste é de apenas 7%. No Nordeste, histórico reduto eleitoral do PT, é de somente 14%. 
Num cenário nada alvissareiro para Dilma como o atual, em que ela está às voltas com um processo no TCU que pode até levar ao seu afastamento, o pior dos mundos para ela seria um rompimento com o padrinho político. Nesse cenário, Lula levaria com ele para o outro lado da trincheira parte do PT que hoje critica severamente a política econômica do governo. Se uma ruptura oficial é improvável, o mesmo não se pode dizer de um racha na prática, mas não declarado. O embrião do que pode vir a ser um contraponto ao governo surgiu na quarta-feira 24, em reunião na casa do senador Randolfe Rodrigues, do PSOL. Nela estavam presentes parlamentares do PSB e petistas de proa, como o ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, e o senador Lindbergh Farias (RJ). No encontro, articularam o que chamam de “Frente de Esquerda”. Se o movimento florescer, o grande responsável pela ascensão e projeção política de Dilma – o ex-presidente Lula – poderá ser também o principal artífice do seu irremediável isolamento.

Depois de trair Temer, agora aloprado petista Aloizio Mercadante se agarra ao PMDB pra evitar impeachment


O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, disse neste sábado, 27, que não há nem haverá base jurídica para o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O comentário foi feito depois de o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), dizer que que a delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, é a “prova” que faltava para a Câmara dos Deputados abrir um processo de impeachment. Dono da UTC, Ricardo Pessoa apresentou à Procuradoria-Geral da República documento que cita repasse de R$ 250 mil à campanha do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, ao governo de São Paulo em 2010. A informação consta da planilha intitulada "pagamentos ao PT por caixa dois", entregue durante os depoimentos prestados em delação premiada. O empreiteiro também teria citado o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, que foi tesoureiro da campanha da presidente Dilma Rousseff em 2014. Os dois ministros negam irregularidades. “Não há absolutamente nenhuma base jurídica e não haverá (para o impeachment). Temos total segurança de como foi feita a campanha”, disse o ministro, em coletiva de imprensa. A publicação de trechos da delação premiada do dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, deu força à ala do PMDB que defende o início de um processo de afastamento do governo. Questionado sobre o agravamento da crise política, Mercadante reiterou a confiança na “parceria estratégica com o PMDB”. “Eu dialogo todo dia com o vice-presidente, o PMDB é um parceiro estratégico da coalizão. Tem a vice-presidência da República, seis ministérios, a articulação política, o vice-presidente Michel Temer tem feito um grande trabalho na articulação política. Aprovamos todas as matérias relevantes do ajuste fiscal, com mediações do Congresso. Tenho muita confiança nessa parceria estratégica com o PMDB”, comentou o ministro. Ele está pedindo penico.

Foi em vão

Dilma, Mercadante e Temer
Dilma, Mercadante e Temer: à estaca zero
O próprio Palácio do Planalto reconhece: nas duas últimas semanas, ruiu todo o esforço de governabilidade feito logo após as manifestações de ruas de março.Por Lauro Jardim

A REPORTAGEM-BOMBA DE VEJA: O EMPREITEIRO CONTA TUDO – Renuncie, Dilma! Faça ao menos um bem ao Brasil. Ou aguarde o impeachment, o que vai custar mais caro aos pobres

Abre VEJA - Revelações de Pessoa
A economia vai mal. Muito mal. Mas a política está muito pior. É discutível se a crise econômica piora a política, mas é certo que a crise política piora a economia. É a fraqueza do governo que dá as cartas. Dilma não sabe o que dizer, o que fazer, o que anunciar. E, um ano e três meses depois de iniciada a operação Lava Jato — depois de muitos desacertos, ainda em curso, protagonizados também pela Procuradoria-Geral da República, sob o comando de Rodrigo Janot, e pelo juiz Sergio Moro —, eis que cai a máscara, eis que a verdade se desnuda:UMA VERDADEIRA MÁFIA TOMOU CONTA DO ESTADO BRASILEIRO. E ELA PRECISA SER TIRADA DE LÁ PELA LEI.
Vá à banca mais próxima e adquira um documento: a edição desta semana da revista VEJA. Em 12 páginas, você lerá, no detalhe, como atuou — atua ainda? — a máfia que tomou conta do Brasil e como se construiu o establishment político que nos governa. O empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC e ex-amigo pessoal de Luiz Inácio Lula da Silva, resolveu contar tudo. Ficou preso mais de cinco meses. Só fez o acordo de delação premiada depois de ter deixado a cadeia. ESTE BLOGUEIRO FALASTRÃO, COMO LULA ME CLASSIFICOU NO CONGRESSO DO PT, SENTE-SE, DE ALGUM MODO, VINGADO. Vingado também contra as hostes da desqualificação e do cretinismo da esquerda e da direita burra e desinformada. NÃO HÁ NEM NUNCA HOUVE CARTEL DE EMPREITEIRAS, COMO SEMPRE SUSTENTEI. O QUE SE CRIOU NO BRASIL FOI UMA ESTRUTURA MAFIOSA DE ACHAQUE.
É claro que as empreiteiras praticaram crimes também. Mas não o de formação de cartel. Insistir na tese do cartel CORRESPONDE A NEGAR A ESSÊNCIA DO MODELO QUE NOS GOVERNA.
Achaque Edinho
O achaque
VEJA teve acesso ao conteúdo da delação premiada de Ricardo Pessoa, homologada pelo ministro Teori Zavascki. É demolidor. Segue, em azul, um trecho do que vai na revista:
Em cinco dias de depoimentos prestados em Brasília, Pessoa descreveu como financiou campanhas à margem da lei e distribuiu propinas. Ele disse que usou dinheiro do petrolão para bancar despesas de dezoito figuras coroadas da República. Foi com a verba desviada da estatal que a UTC doou dinheiro às campanhas de Lula em 2006 e de Dilma em 2014. Foi com ela também que garantiu o repasse de 3,2 milhões de reais a José Dirceu, uma ajudinha providencial para que o mensaleiro pagasse suas despesas pessoais.
A UTC ascendeu ao panteão das grandes empreiteiras nacionais nos governos do PT. Ao Ministério Público, Pessoa fez questão de registrar que essa caminhada foi pavimentada com propinas. O empreiteiro delatou ao STF essas somas que entregou aos donos do poder, segundo ele, mediante achaques e chantagens. Relatou que teve três encontros em 2014 com Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma e atual ministro de Comunicação Social.
Nos encontros, disse, ironicamente, ter sido abordado “de maneira bastante elegante”. Contou ele: “O Edinho me disse: ‘Você tem obras na Petrobras e tem aditivos, não pode só contribuir com isso. Tem que contribuir com mais. Eu estou precisando”. A abordagem elegante lhe custou 10 milhões de reais, dados à campanha de Dilma. Um servidor do Palácio chamado Manoel de Araújo Sobrinho acertou os detalhes dos pagamentos (…).
Documentos entregues pelo empresário mostram que foram feitos dois depósitos de 2,5 milhões de reais cada um, em 5 e 30 de agosto de 2014. Depois dos pagamentos, Sobrinho acertou com o empreiteiro o repasse de outros 5 milhões para o caixa eleitoral de Dilma. Pessoa entregou metade do valor pedido e se comprometeu a pagar a parcela restante depois das eleições. Só não cumpriu o prometido porque foi preso antes.
(…)
RetomoEdinho, claro, nega. Será preciso agora saber quem é o tal Manoel Araújo Sobrinho, que tem de ser convocado pela CPI nas primeiras horas da segunda-feira. Ricardo Pessoa sempre foi considerado o homem-bomba do caso, muito especialmente por Lula e pelo Palácio do Planalto. Ele é apontado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público como o coordenador do “Clube do Bilhão”. O nome é meio boboca, e duvido que tenha existido algo parecido. Mas é inegável que ele exercia uma espécie de liderança política entre os empresários.
Escrevi aqui umas quinhentas vezes que INSISTIR NA TESE DO CARTEL CORRESPONDIA A NEGAR A NATUREZA DO JOGO. Empresas, quando se cartelizam, fazem uma vítima do outro lado. Sim, as vítimas da roubalheira são os brasileiros, é inegável. Mas, do outro lado da negociação com as empreiteiras, estava a Petrobras, a contratadora única, que determinava os preços, e no comando da empresa, a máfia que tomou conta do governo e impunha as suas vontades.
Achque caneco
Máfia cachaceira
Quando falo em máfia, não forço a mão nem recorro a uma figura de linguagem. Havia até senha secreta para entregar dinheiro aos petistas, segundo Ricardo Pessoa. As palavras, nem poderia ser diferente, referem-se, vamos dizer, ao universo alcoólico. Tudo compatível com um Poderoso Chefão chamado “Brahma”. Leiam esta passagem da reportagem, em que o empreiteiro conta como era entregue O DINHEIRO VIVO AO TESOUREIRO DA CAMPANHA DE LULA, EM 2006.
Segundo o empreiteiro Ricardo Pessoa, a UTC contribuiu com 2,4  milhões de reais em dinheiro vivo para a campanha à reeleição de Lula, numa operação combinada diretamente com José de Filippi Júnior, que era o tesoureiro da campanha e hoje trabalha como secretário de Saúde da cidade de São Paulo.
Para viabilizar a entrega do dinheiro e manter a ilegalidade em segredo, o empreiteiro amigo de Lula e o tesoureiro do presidente-candidato montaram uma operação clandestina digna dos enredos rocambolescos de filmes sobre a máfia. Pessoa contou aos procuradores que ele, o executivo da UTC Walmir Pinheiro e um emissário da confiança de ambos levavam pessoalmente os pacotes de dinheiro ao comitê da campanha presidencial de Lula. Para não chamar a atenção de outros petistas que trabalhavam no local, a entrega da encomenda era precedida de uma troca de senhas entre o pagador e o beneficiário.
Ao chegar com a grana, Pessoa dizia “tulipa”. Se ele ouvia como resposta a palavra “caneco”, seguia até a sala de Filippi Júnior. A escolha da senha e da contrassenha foi feita por Pessoa com emissários do tesoureiro da campanha de Lula numa choperia da Zona Sul de São Paulo. Antes de chegar ao comitê eleitoral, a verba desviada da Petrobras percorria um longo caminho. Os valores saíam de uma conta na Suíça do consórcio Quip, formado pelas empresas UTC, Iesa, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, que mantém contratos milionários com a Petrobras para a construção das plataformas P-53, P-55 e P-63.
Em nome do consórcio, a empresa suíça Quadrix enviava o dinheiro ao Brasil. A Quadrix também transferiu milhares de dólares para contas de operadores ligados ao PT. Pessoa entregou aos investigadores as planilhas com todas as movimentações realizadas na Suíça. Os pagamentos via caixa dois são a primeira prova de que o ex-presidente Lula foi beneficiado diretamente pelo petrolão.
Até agora, as autoridades tinham informações sobre as relações lucrativas do petista com grandes empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato, mas nada comparável ao testemunho e aos dados apresentados pelo dono da UTC. Depois de deixar o governo, Lula foi contratado como palestrante por grandes empresas brasileiras. Documentos obtidos pela Polícia Federal mostram que ele recebeu cerca de 3,5 milhões de reais da Camargo Corrêa. Parte desse dinheiro foi contabilizada pela construtora como “doações” e “bônus eleitorais” pagos ao Instituto Lula. Conforme revelado por VEJA, a OAS também fez uma série de favores pessoais ao ex-presidente, incluindo a reforma e a construção de imóveis usados pela família dele. UTC, Camargo Corrêa e OAS estão juntas nessa parceria. De diferente entre elas, só as variações dos apelidos, das senhas e das contrassenhas. “Brahma”, “tulipa” e “caneco”, porém, convergem para um mesmo ponto.
Vaccari pixuleco
Pixuleco
Leiam a reportagem da VEJA. Ao longo de 12 páginas, vocês vão constatar que o país foi literalmente assaltado por ladrões cínicos e debochados. João Vaccari Neto, o ex-tesoureiro do PT que foi objeto de um desagravo feito pela Executiva Nacional do partido na quinta, depois de um encontro de Rui Falcão com Lula, chamava a propina de “pixuleco”. Segue um trecho.
O empreiteiro contou que conheceu Vaccari durante o primeiro governo Lula, mas foi só a partir de 2007 que a relação entre os dois se intensificou. Por orientação do então diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, um dos presos da Operação Lava-Jato, Pessoa passou a tratar das questões financeiras da quadrilha diretamente com o tesoureiro. A simbiose entre corrupto e corruptor era perfeita, a ponto de o dono da UTC em suas declarações destacar o comportamento diligente do tesoureiro: “Bastava a empresa assinar um novo contrato com a Petrobras que o Vaccari aparecia para lembrar: ‘Como fica o nosso entendimento político?’”. A expressão “entendimento político”, é óbvio, significava pagamento de propina no dialeto da quadrilha. Aliás, propina não.
Vaccari, ao que parece, não gostava dessa palavra. Como eram dezenas de contratos e centenas as liberações de dinheiro, corrupto e corruptor se encontravam regularmente para os tais “entendimentos políticos”. João Vaccari era conhecido pelos comparsas como Moch, uma referência à sua inseparável mochila preta. Ele se tornou um assíduo frequentador da sede da UTC em São Paulo. Segundo os registros da própria empreiteira, para não chamar atenção, o tesoureiro buscava “as comissões” na empresa sempre nos sábados pela manhã.
Ele chegava com seu Santa Fé prata, pegava o elevador direto para a sala de Ricardo Pessoa, no 9º andar do prédio, falava amenidades por alguns minutos e depois partia para o que interessava. Para se proteger de microfones, rabiscava os valores e os porcentuais numa folha de papel e os mostrava ao interlocutor. O tesoureiro não gostava de mencionar a palavra propina, suborno, dinheiro ou algo que o valha. Por pudor, vergonha ou por mero despiste, ele buscava o “pixuleco”. Assim, a reunião terminava com a mochila do tesoureiro cheia de “pixulecos” de 50 e 100 reais. Mas, antes de sair, um último cuidado, segundo narrou Ricardo Pessoa: “Vaccari picotava a anotação e distribuía os pedaços em lixos diferentes”. Foi tudo filmado.
Retomo
Aí está apenas parte dos descalabros narrados por Ricardo Pessoa. E agora? Até havia pouco, parecia que o petrolão era fruto apenas de empresários malvados, reunidos em cartel, que decidiram se associar a três funcionários corruptos da Petrobras — tese de Dilma, por exemplo — e a alguns parlamentares, a maioria de segunda linha, para roubar o país. Faltava o cérebro dessa operação, que sempre esteve no Poder Executivo.
Eis aí. Nunca houve cartel. Eu estava certo! O depoimento de Ricardo Pessoa — que não se deixou constranger pela prisão preventiva e que, tudo indica, confessou o que quis, não o que queriam ele confessasse — REVELA A REAL NATUREZA DO JOGO.
Ainda não terminei. Em outro post, vou chamar Rodrigo Janot e o juiz Sergio Moro para um papinho sobre lógica elementar.
Leia na revista:
Achaque 15 milhões
Achaque Gim Argello
achaque Dirceu
achaque TCUAchaque Collor
Achaque Mercadante
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Por Reinaldo Azevedo

5 milhões para Argello

Gim Argello recebeu 5 milhões de reais da UTC, para matar a CPI da Petrobras, no ano passado.

Honra?

Edinho Silva, o tesoureiro da propina, disse que se orgulha de trabalhar com uma "pessoa íntegra" como Dilma Rousseff. Afirmou também que conversou com muitos empresários durante a campanha e nenhum levantou qualquer acusação contra ele. Acrescentou que Ricardo Pessoa só contribuiu com 2% do arrecadado pela campanha da petista -- e que foi procurado pelo dono da UTC, não o contrário. Também afirmou estar "indignado" por ter o seu nome envolvido na delação premiada, pelo "vazamento seletivo" e que confia "na essência das instituições brasileiras". Disse também que as contas de Dilma Rousseff foram aprovadas (aquelas contas cheias de gráficas fantasmas). Edinho Silva afirmou que vai constituir advogado, para ter acesso à delação, e que processará os responsáveis, "se for mesmo verdade o que foi publicado pela imprensa", em "defesa da sua honra".
Honra? (O Antagonista)

Fumaça, fumaça

Edinho Silva e José Eduardo Cardozo reafirmaram que Ricardo Pessoa falou mentiras e que ele, assim, pode perder os benefícios da delação premiada. Tudo cortina de fumaça. Ricardo Pessoa, como está claro, tem provas de que tudo o que disse à Justiça.

O telefonema de Alexandrino para o Instituto Lula

Com o terremoto causado pela delação premiada de Ricardo Pessoa, um outro abalo sísmico está passando despercebido. Na última edição da Veja, uma reportagem mostra que, quando recebeu voz de prisão, Alexandrino Alencar, da Odebrecht, teve direito a fazer três telefonemas. Dois deles foram para advogados. O terceiro foi para o Instituto Lula. Por que Alexandrino Alencar ligaria para o Instituto Lula no momento em que foi preso?
Escolha uma das respostas abaixo:
a) Para debater o conceito de democracia com Paulo Okamotto)
b) Para ajudar a combater a fome no mundo
c) Para dizer que a casa caiu e ameaçar Lula.

Odebrecht quer denunciar Sergio Moro

A advogada da Odebrecht, Dora Cavalcanti, disse ao Globo que está estudando fazer uma denúncia contra o juiz Sergio Moro pela violação de direitos humanos de seus clientes. “A prisão de todos, inclusive de Alexandrino Alencar, são prisões baseadas numa análise antecipada de uma acusação que não está posta. O que me parece que existe na Operação Lava-Jato, e isso já foi objeto de análise do STF, é uma concepção equivocada sobre prisão preventiva”, afirmou. Violar direitos humanos é roubar dinheiro público que poderia ter sido usado em escolas e hospitais. Depois de roubar valores, a Odebrecht quer inverter valores. (O Antagonista)

Uma questão de ênfase

Aloizio Mercadante, tentando responder às denúncias de Ricardo Pessoa, disse que há uma "ênfase no ataque ao PT". De fato, nunca existiu um partido que roubasse tão enfaticamente quanto o seu. (O Antagonista)

“Esse senhor”

Aloizio Mercadante afirmou que “não há base jurídica para o impeachment” de Dilma Rousseff. Ele confirmou a reunião com Ricardo Pessoa: “Houve uma reunião na minha casa, de fato aconteceu. Tinha feito uma cirurgia, esse senhor queria me conhecer. Conheci ele nesta reunião e, basicamente nessa reunião, o que ele tratou foi sobre meu programa para São Paulo. Ele revelou que poderia contribuir para minha campanha e eu agradeci. Que entrasse em contato com minha campanha e desde que fosse dentro da legislação”, disse. “Esse senhor” está prestes a derrubar o governo.

Alguém de confiança

Ricardo Pessoa apontou Manoel Araújo Sobrinho, chefe de gabinete de Edinho Silva, como o responsável por acertar as doações de 7,5 milhões de reais à campanha de 2014 de Dilma Rousseff. Manoel Araújo Sobrinho era assessor da Secretaria de Relações Institucionais até o ano passado, quando passou a trabalhar no comitê financeiro de Dilma, junto a Edinho Silva Em maio deste ano, foi nomeado chefe de gabinete do ministro da Comunicação Social.“Estou fazendo questão de que ele permaneça no cargo, para que eu possa ter alguém da minha confiança ao meu lado”, disse Edinho Silva. Entendemos perfeitamente. (O Antagonista)

"Marta"

Paulo Okamotto disse que, quando recebeu voz de prisão, Alexandrino Alencar ligou para o Instituto Lula porque se confundiu, segundo a Folha. Okamotto afirmou que há, na equipe de defesa de Alexandrino, uma Marta, mesmo nome de uma funcionária dos Recursos Humanos do Instituto Lula. “Se ele quisesse falar com o Instituto, ele teria telefonado para meu celular. Ele tem meu número. Sou a pessoa com quem Alexandrino mais fala no Instituto. Às 7h, eu atenderia”, finalizou. O Antagonista acha que, na fala de Paulo Okamotto, há uma confissão.

Marcelo continuará em cana

A Justiça Federal negou o pedido de liberdade feito pela defesa de Marcelo Odebrecht. O elemento vai continuar em cana preventiva. Que arbitrariedade. (O Antagonista) 

JORNALISTA MERVAL PEREIRA DEFENDE IMPUGNAÇÃO DA CHAPA DILMA-TEMER, IMPEACHMENT E NOVAS ELEIÇÕES GERAIS NO BRASIL


O título original deste artigo de hoje do jornalista Merval Pereira no jornal "O Glob" é "Chapa de Dilma pode vir a ser impugnada".  Leia tudo:
A famosa frase "Follow the money" ("Sigam o dinheiro") nunca foi dita por Mark Felt, o vice-diretor do FBI que ficou famoso como o informante Deep Throat do Watergate, para os repórteres do "Washington Post" Bob Woodward e Carl Bernstein. Foi inventada pelo diretor do filme, Alan J. Pakula, mas entrou para a história. Assim como em Watergate, a orientação de seguir a trilha do dinheiro é o caminho que o Ministério Público tem para validar a delação premiada do chefe do "Clube das Empreiteiras", Ricardo Pessoa da UTC. Em cinco dias de depoimentos prestados em Brasília, Pessoa descreveu minuciosamente como financiou campanhas com o dinheiro desviado da Petrobras, confirmando a prática de lavar dinheiro fruto da corrupção em doações registradas legalmente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), inclusive para as campanhas de Lula em 2006 e de Dilma em 2014. A denúncia de Ricardo Pessoa confirma outra delação premiada, a do vice-presidente da empreiteira Camargo Corrêa, Eduardo Leite, que acusou o tesoureiro do PT João Vaccari de tê-lo coagido a fazer o pagamento de propinas como doações legais. Assim como o ex-gerente Pedro Barusco, subordinado de Duque na Petrobras, Ricardo Pessoa também forneceu detalhes que possibilitam verificar suas acusações, como as planilhas de distribuição de propinas com as datas. Cabe ao Ministério Público comparar os dias de desembolso de verbas para as obras da Petrobras e a chegada de dinheiro na conta do PT. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, já havia prorrogado por mais um ano o prazo para que as contas eleitorais da presidente Dilma permaneçam disponíveis na internet. A decisão foi motivada por suspeitas de outras irregularidades, que ele considera "gravíssimas", como o pagamento de R$ 20 milhões a uma gráfica fantasma ou a uma firma, a Focal, para montar palanques presidenciais, no valor de R$ 25 milhões. Há além disso outros dois processos no Tribunal Superior Eleitoral contra a campanha do PT em 2014, a partir de denúncias do PSDB, um com a ministra Maria Teresa, e outro com o ministro João Noronha, ambos do STJ. Paulo Roberto Costa e o doleiro Youssef já foram ouvidos sobre outras denúncias de uso de dinheiro desviado da Petrobras na campanha de 2014. A impugnação da chapa por "abuso de poder político e econômico" pode ser uma das consequências da denúncia, o que provocaria uma nova eleição se o caso for resolvido na Justiça Eleitoral nos dois primeiros anos de mandato, isto é, até o final de 2016. Caso ocorra uma decisão a partir do terceiro ano, haveria uma eleição indireta pelo Congresso, para o término do mandato. A gravidade de usar o TSE para "lavar" o dinheiro da corrupção pode gerar uma reação mais dura da Justiça Eleitoral, pois fere a credibilidade do tribunal, como já escrevi aqui. O processo no TSE pode gerar também o de impeachment, por crime de responsabilidade, além do questionamento do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre os crimes contra o Orçamento cometidos no último ano do primeiro mandato da presidente Dilma. Aos poucos vai se formando um cenário difícil de ser ignorado, tantas são as irregularidades cometidas durante o primeiro mandato, culminando com a eleição presidencial em 2014. Como as denúncias se referem a fatos ocorridos quando Dilma já era presidente da República, cabe o processo, ao contrário das denúncias rejeitadas pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, que se referiam à eleição de 2010, quando Dilma era ministra e candidata a presidente. As "pedaladas" fiscais e demais crimes contra o Orçamento pegam apenas a presidente Dilma, o que permitiria ao vice Michel Temer assumir o cargo em caso de impeachment. O financiamento eleitoral com o uso de dinheiro desviado do petrolão leva à impugnação da chapa.

JORNAIS ABREM MANCHETES E ELEVAM PRESSÃO SOBRE DILMA, LULA E O PT


Poucos jornais brasileiros evitaram manchetes escandalosas para chamar a atenção para os termos principais da delação premiada co chefe do Clube do Bilhão, Ricardo Pessoa. Em Porto Alegre, os únicos dois diários dignos deste nome e que circulam aos sábados, trataram o assunto de modo diferente. O Correio do Povo mal fez chamada no pé da capa, enquanto Zero Hora, este sim, abriu machete em duas linhas: "Dono da UTC diz ter dado R$ 3,5 milhões de caixa 12 para campanhas do PT". O importante não é a doação em si, desde que legal, mas o importante é que foram doações ilegais. Folha e Globo imprimiram manchetes praticamente idênticas neste sábado, sugerindo que a delação de Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, eleva a pressão sobre a presidente Dilma e o PT; Estado de S. Paulo foi na mesma linha.

LULA FEZ 78 VIAGENS DE LOBBY EM JATINHOS PAGOS PELAS EMPREITEIRAS

Segundo a revista Época que já está circulando e que obteve uma cópia do relatório em mãos do Ministério Público Federal do Distrito Federal, Lula fez 78 viagens internacionais em jatinhos particulares, pagos por empresas como Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Vale, Coteminas, JAC Motors e Qualicorp. O Instituto Lula, ontem, tentou furar a reportagem da revista, antecipando-se às denúncias, mas como não dispunha de todas as informações, acabou metendo os pés pelas mãos. Neste final de semana, Lula, Dilma e o PT são fustigados por acusações e denúncias pesadíssimas, numa escalada que dificilmente não resultará na renúncia ou no impedimento do governo.

O CHEFE DO CLUBE DO BILHÃO FILMOU TUDO. VEJA MOSTRA DADOS ESTARRECEDORES SOBRE A CORRUPÇÃO DO PARTIDO E DO GOVERNO DO PT.


"Pixuleco", era essa a palavra que, por pudor, vergonha, ou puro despiste, João Vaccari Neto usava para se referir ao dinheiro de propina com que a empreiteira UTC abastecia o caixa de seu partido. A revelação é da revista Veha que já está nas bancas. O dono da UTC, homem prevenido, filmou tudo.
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Homem do dinheiro, João Vaccari Neto é citado em diferentes trechos da delação de Ricardo Pessoa. O tesoureiro do PT aparece cobrando propina, recebendo propina, tratando sobre propina. O empreiteiro contou que conheceu Vaccari durante o primeiro governo Lula, mas foi só a partir de 2007 que a relação entre os dois se intensificou. Por orientação do então diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, um dos presos da Operação Lava-Jato, Pessoa passou a tratar das questões financeiras da quadrilha diretamente com o tesoureiro. A simbiose entre corrupto e corruptor era perfeita, a ponto de o dono da UTC em suas declarações destacar o comportamento diligente do tesoureiro: "Bastava a empresa assinar um novo contrato com a Petrobras que o Vaccari aparecia para lembrar: 'Como fica o nosso entendimento político?'". A expressão "entendimento político", é óbvio, significava pagamento de propina no dialeto da quadrilha. Aliás, propina, não. Vaccari, ao que parece, não gostava dessa palavra. Como eram dezenas de contratos e centenas as liberações de dinheiro, corrupto e corruptor se encontravam regularmente para os tais "entendimentos políticos". João Vaccari era conhecido pelos comparsas como Moch, uma referência à sua inseparável mochila preta. Ele se tornou um assíduo frequentador da sede da UTC em São Paulo. Segundo os registros da própria empreiteira, para não chamar atenção, o tesoureiro buscava "as comissões" na empresa sempre nos sábados pela manhã. Ele chegava com seu Santa Fé prata, pegava o elevador direto para a sala de Ricardo Pessoa, no 9º andar do prédio, falava amenidades por alguns minutos e depois partia para o que interessava. Para se proteger de microfones, rabiscava os valores e os porcentuais numa folha de papel e os mostrava ao interlocutor. O tesoureiro não gostava de mencionar a palavra propina, suborno, dinheiro ou algo que o valha. Por pudor, vergonha ou por mero despiste, ele buscava o "pixuleco". Assim, a reunião terminava com a mochila do tesoureiro cheia de "pixulecos" de 50 e 100 reais. Mas, antes de sair, um último cuidado, segundo narrou Ricardo Pessoa: "Vaccari picotava a anotação e distribuía os pedaços em lixos diferentes". Foi tudo filmado.

MERCADANTE CANCELA VIAGEM AOS EUA COM DILMA, PARA CIRCUNSCREVER A CRISE POLÍTICA

O ministro da Casa Civil, Aloisio Mercadante, admitiu neste sábado, em entrevista coletiva, que a crise política decorrente do vazamento da delação premiada de Ricardo Pessoa, obrigou-o a cancelar a viagem que faria aos Estados Unidos com Dilma. A crise política chegou ao gabinete da presidente. A própria presidente atrasou a viagem, só iniciada depois que ela reuniu seu grupo de crise, no caso Mercadante, Edinho Silva e José Eduardo Cardozo, os dois primeiros, aliás, acusados diretamente como beneficiários de dinheiro sujo.

DEPUTADO JÚLIO DELGADO REFUTA DENÚNCIA DE PROPINA DE R$ 150 MIL PARA MELAR CPI DA PETROBRÁS

O deputado federal Julio Delgado distribuiu nota oficial neste sábado para negar que tenha recebido proprina da UTC, conforme denúncia em delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa. Leia tudo: 
A indevida e irresponsável inclusão do meu nome em lista de doações ilícitas e recebimento de propina para campanhas políticas é uma clara tentativa de me usar para desmoralizar os trabalhos da CPI da Petrobras, cuja responsabilidade é esclarecer o esquema de corrupção montado para desviar recursos públicos. Desde a instalação da CPI atuo de maneira enfática para investigar as denúncias da Operação Lava Jato. Na instalação da comissão apresentei requerimento de convocação do empresário Ricardo Pessoa, presidente da UTC, para detalhar aos parlamentares os métodos e procedimentos utilizados por essa organização. Repudio veementemente a leviandade de vincular meu nome a doações irregulares e sinto-me ainda mais motivado e convicto de que a comissão precisa ser mais rígida e transparente, deve ir fundo nesta apuração. É nossa obrigação apresentar a verdade à sociedade brasileira. Reitero que a doação divulgada pela imprensa e creditada a mim foi, na verdade, destinada ao Diretório Estadual de Minas Gerais do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e repassada a 16 candidatos a deputados estaduais e federais (lista anexa). Não recebi um centavo sequer desses recursos, todas as transferências estão declaradas à Justiça Eleitoral e disponíveis a consulta pública. Essa tentativa de intimidação não vai alterar minha postura parlamentar, muito menos influenciar em minha atuação na CPI da Petrobrás. Vou exigir acesso ao conteúdo dos depoimentos na delação premiada do empresário e insistir em sua convocação, o mais breve possível, para prestar esclarecimentos e fazer uma acareação na CPI. Deputado Júlio Delgado

RICARDO PESSOA, INFERNAL: "QUANDO EU DIZIA TULIPA, O TESOUREIRO DE DILMA RESPONDIA CANECO", E LEVAVA A PROPINA PARA DILMA


Foi tudo filmado. O empreiteiro Ricardo Pessoa tem som e imagem. Ele é um homem prevenido. Suas denúncias chegaram ao gabinete de Dilma, o que explica o pânico que povoa neste momento o governo, Dilma, Lula e o PT. Leia, abaixo, trecho da reportagem de Veja e entenda melhor de que modo a quadrilha trabalhava, inclusive com o uso de senhas. No Rio Grande do Sul, no governo Olívio Dutra, no caso do Clube da Cidadania, também senhas e apelidos foram usados pelos líderes do PT para traficar informações. O próprio Olívio Dutra é chamado de "Truta". Leia o trecho de Veja:
Segundo o empreiteiro Ricardo Pessoa, a UTC contribuiu com 2,4 milhões de reais em dinheiro vivo para a campanha à reeleição de Lula, numa operação combinada diretamente com José de Filippi Júnior, que era o tesoureiro da campanha e hoje trabalha como secretário de Saúde da cidade de São Paulo. Para viabilizar a entrega do dinheiro e manter a ilegalidade em segredo, o empreiteiro amigo de Lula e o tesoureiro do presidente-candidato montaram uma operação clandestina digna dos enredos rocambolescos de filmes sobre a máfia. Pessoa contou aos procuradores que ele, o executivo da UTC Walmir Pinheiro e um emissário da confiança de ambos levavam pessoalmente os pacotes de dinheiro ao comitê da campanha presidencial de Lula. Para não chamar a atenção de outros petistas que trabalhavam no local, a entrega da encomenda era precedida de uma troca de senhas entre o pagador e o beneficiário.
Ao chegar com a grana, Pessoa dizia “tulipa”. Se ele ouvia como resposta a palavra “caneco”, seguia até a sala de Filippi Júnior. A escolha da senha e da contrassenha foi feita por Pessoa com emissários do tesoureiro da campanha de Lula numa choperia da Zona Sul de São Paulo. Antes de chegar ao comitê eleitoral, a verba desviada da Petrobras percorria um longo caminho. Os valores saíam de uma conta na Suíça do consórcio Quip, formado pelas empresas UTC, Iesa, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, que mantém contratos milionários com a Petrobras para a construção das plataformas P-53, P-55 e P-63. Em nome do consórcio, a empresa suíça Quadrix enviava o dinheiro ao Brasil. A Quadrix também transferiu milhares de dólares para contas de operadores ligados ao PT. Pessoa entregou aos investigadores as planilhas com todas as movimentações realizadas na Suíça. Os pagamentos via caixa dois são a primeira prova de que o ex-presidente Lula foi beneficiado diretamente pelo Petrolão. Até agora, as autoridades tinham informações sobre as relações lucrativas do petista com grandes empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato, mas nada comparável ao testemunho e aos dados apresentados pelo dono da UTC. Depois de deixar o governo, Lula foi contratado como palestrante por grandes empresas brasileiras. Documentos obtidos pela Polícia Federal mostram que ele recebeu cerca de 3,5 milhões de reais da Camargo Corrêa. Parte desse dinheiro foi contabilizada pela construtora como “doações” e “bônus eleitorais” pagos ao Instituto Lula. Conforme revelado por VEJA, a OAS também fez uma série de favores pessoais ao ex-presidente, incluindo a reforma e a construção de imóveis usados pela família dele. UTC, Camargo Corrêa e OAS estão juntas nessa parceria. De diferente entre elas, só as variações dos apelidos, das senhas e das contrassenhas. “Brahma”, “tulipa” e “caneco”, porém, convergem para um mesmo ponto.

EM CLIMA DE VELÓRIO, PT GAÚCHO CRITICA O GOVERNO DILMA E TAMBÉM O PT NACIONAL


A foto acima é da repórter petista Kelly Matos, da RBS. Ela registrou um flagrante precioso, porque apresenta um cenário de homens e mulheres compungidos, próprios de uma cerimônia de velório. O site www.zerohora.com.br, que publica a foto acima, informou esta tardinha que o diretório estadual do PT se reuniu neste sábado, em Porto Alegre, e aprovou um documento com duras críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff. Leia mais: "Com frases como “o governo Dilma precisa mudar já”, a carta redigida pelos integrantes do partido apontou a necessidade de uma “reorientação imediata da política econômica”, adotada a partir do segundo mandato da presidente Dilma. Além do governo, o PT gaúcho também disparou críticas à postura de líderes nacionais do PT durante o Congresso do partido em Salvador. Os petistas do Rio Grande do Sul avaliaram que aquele congresso foi “incapaz de apontar as mudanças urgentes a serem feitas”, citando como exemplo a ausência de posicionamento sobre o financiamento de partidos e de campanhas eleitorais. "Existe uma maioria nacional que não quer mudar nada. É preciso olhar a realidade", enfatizou o prefeito de Canoas, Jairo Jorge". O que os petistas gaúchos não querem ver é que o PT é um paciente terminal. 

Jovem príncipe saudita acumula poderes e se aproxima do trono

Até mais ou menos quatro meses atrás, o príncipe Mohammed bin Salman, de 29 anos, era apenas mais um integrante da família real saudita. Ele cresceu ofuscado por três meios-irmãos mais velhos, os quais estavam entre os mais capacitados príncipes do reino - o primeiro astronauta árabe, um cientista político formado em Oxford que também é dono de uma firma de investimentos e um influente vice-ministro do petróleo. Mas isso foi antes de o pai dele, o rei Salman bin Abdulaziz, de 79 anos, chegar ao trono. Agora o príncipe Mohammed, filho mais velho da terceira (e mais jovem) mulher do rei, é a estrela em ascensão.


Ele rapidamente acumulou mais poderes do que qualquer príncipe já teve, revirando um sistema tradicional de distribuição de posições entre a família real. Usando a sua influência, assumiu um papel de liderança na recente atitude assertiva da Arábia Saudita em sua região, que incluiu uma intervenção militar no Iêmen. Quando o rei Salman nomeou Mohammed como príncipe herdeiro adjunto, ele passou por cima de dezenas de príncipes mais velhos, ficando em segundo lugar na linha de sucessão ao trono. O príncipe também ficou no comando do monopólio estatal do petróleo, da empresa de investimentos públicos, da política econômica e do Ministério da Defesa do país. Essas mudanças radicais envolvendo o jovem príncipe ocorrem num momento em que a Arábia Saudita vive envolta numa série de crescentes conflitos em que tenta defender a sua visão da ordem regional e conter seu principal rival, o Irã. O reino sustenta financeiramente os governantes do Egito e da Jordânia, além da monarquia sunita do vizinho Bahrein. Riad também dá armas a rebeldes sírios que combatem o ditador Bashar al-Assad, apoiado por Teerã, e colabora com a campanha área dos Estados Unidos no Iraque, além de realizar sua própria ofensiva militar contra uma facção pró-Irã no Iêmen. Além disso, a Arábia Saudita está ampliando seus gastos militares apesar da forte queda no preço do petróleo e do aumento nos gastos públicos, uma conjunção que em apenas seis meses levou as reservas financeiras do reino a sofrerem uma redução de US$ 50 bilhões. Alguns diplomatas ocidentais se dizem preocupados com a crescente influência do príncipe, que um deles descreveu como "rude" e "impulsivo". Em entrevistas, pelo menos dois outros príncipes da linhagem principal da família real deixaram claro que alguns membros mais velhos do clã também têm restrições ao jovem Mohammed. Ambos questionaram os custos e benefícios da campanha no Iêmen. O rei Salman, naturalmente, tem a autoridade final, e alguns diplomatas que se encontraram com Mohammed bin Salman e com o príncipe herdeiro Mohammed bin Nayef disseram que o príncipe mais graduado adotava um comportamento paternal em relação ao primo mais novo. Vários disseram que o príncipe herdeiro parecia empenhado em orientar e treinar Mohammed bin Salman. Após encontrar os dois príncipes numa cúpula de países do golfo Pérsico em Camp David, no mês passado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que o jovem Mohammed lhe pareceu "extremamente bem informado e muito inteligente". Desde a mais tenra idade, Mohammed parece planejar um futuro no governo, segundo uma fonte próxima da família real. Ele nunca fumou, bebeu álcool nem ficou na rua até tarde - sempre muito preocupado com sua imagem. Mohammed nunca ou raramente concedeu entrevistas, nem mesmo para a dócil imprensa saudita. Fontes dizem que ele gosta de esqui aquático e outros esportes náuticos, que pratica no mar Vermelho ou em viagens ao Exterior. Ele adora os produtos da Apple e desenvolveu um amor permanente pelo Japão, de acordo com um colaborador próximo. Quando o príncipe se casou pela primeira vez, há alguns anos, levou a consorte para uma lua de mel de dois meses no Japão e nas Maldivas. Muitos sauditas entrevistados nas ruas de Riad mostraram-se simpáticos a Mohammed pelo fato de ele representar os quase 70% de sauditas com menos de 30 anos. Mas vários se disseram preocupados com a ascensão dele. 

Ministro Afif Domingos vira alvo de ação do Ministério Público

O ministro Guilherme Afif Domingos (Micro e Pequena Empresa) virou alvo de ação do Ministério Público sob a acusação de ter pressionado a agência ambiental paulista, quando ele era vice-governador de São Paulo, a aprovar um empreendimento de seu interesse no litoral norte. A ação de improbidade administrativa foi formalizada nesta sexta-feira (26) na Justiça. Afif nega irregularidades. O questionamento envolveu a construção de um condomínio com 50 casas na praia da Baleia, em São Sebastião, em um terreno de Afif. O promotor Silvio Antonio Marques acusa Afif, que é sócio de umas das empresas envolvidas no projeto, de ter pressionado a Cetesb para aprovar em janeiro de 2011 a obra que havia sido vetada pela agência em 2009. Hoje ministro do PSD na gestão Dilma Rousseff, do PT, Afif foi vice-governador na gestão Geraldo Alckmin, do PSDB, a partir de janeiro de 2011, e ocupou os cargos de secretário do Emprego (janeiro de 2007 a março de 2010) e de Desenvolvimento Econômico (janeiro a maio de 2011) no governo de São Paulo. A Cetesb negou inicialmente a licença ambiental ao condomínio alegando que ele traria danos ao ambiente. Depois, aprovou a construção em 2011. "A decisão mudou baseada em um laudo feito após uma vistoria de menos de 24 horas", diz Marques. A Promotoria conseguiu cassar no Tribunal de Justiça a licença do projeto – que não saiu do papel. Agora, pede a condenação de Afif e de duas técnicas do Instituto de Botânica, também estadual, que assinaram laudo negando haver danos ao ambiente. Se condenados, estão sujeitos à cassação de direitos políticos por até cinco anos e multa equivalente a cem vezes os seus salários. Renata Ferraz de Sampaio, advogada do ministro Guilherme Afif Domingos, disse que ele recebeu a notícia da ação do Ministério Público com "muita surpresa" e que desconhecia seu teor. De acordo com ela, Afif nega ter feito qualquer pressão no processo de licenciamento ambiental do empreendimento da praia da Baleia, no litoral norte paulista. A advogada afirma que, durante a execução dos laudos questionados pelo Ministério Público, em outubro de 2010, Afif não ocupava cargos no governo de São Paulo por estar afastado para participar da campanha na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB).

Petrobras propõe corte de 37% no investimento

Para mostrar austeridade ao mercado financeiro, a diretoria da Petrobras propôs ao conselho de administração da empresa nesta sexta-feira (26) um corte de aproximadamente 37% nos investimentos previstos no plano de negócios para o período de 2015-2019. O Palácio do Planalto foi informado do resultado da reunião e espera que a nova estimativa de investimentos – mais realista – ajude a aliviar o caixa da empresa. O conselho pediu alguns ajustes pontuais no plano, mas sinalizou que aprovará a nova conta neste patamar. Em relação ao plano de negócios anterior – de 2014-2018, que alcançava US$ 220,6 bilhões –, o recuo nos investimentos deve ficar próximo de US$ 90 bilhões.
Só neste ano, a diminuição nos investimentos da estatal será próxima de 30%. A idéia da cúpula da Petrobras é ter um plano de negócios mais enxuto em razão das dificuldades enfrentadas com a queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional e com os desafios financeiros decorrentes do escândalo de corrupção. Os diretores comandados pelo presidente Aldemir Bendine estimavam, na semana passada, cortes na faixa de 30%. Havia, ainda, cenários de reduções mais severas, como de 40%, e outros mais amenos. Prevaleceu o patamar capaz de enxugar mais o nível de endividamento da companhia.

Ministro Joaquim Levy deixa o hospital após internação com quadro de embolia pulmonar


O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deixou o Hospital do Coração de Brasília na madrugada deste sábado, onde ele foi internado nesta sexta-feira (26) com quadro de embolia pulmonar, segundo relataram assessores da presidente Dilma Rousseff. Levy tem uma viagem programada para este sábado com a presidente da República para os Estados Unidos. Os médicos o desaconselharam a realizar a viagem. O ministro é um dos principais nomes da comitiva de 90 pessoas que deve acompanhar Dilma, junto com outros dez chefes de ministério. Além de restabelecer o diálogo político, fragilizado desde a revelação de que o serviço de inteligência americano interceptou ligações pessoais da presidente, o objetivo da viagem é atrair investidores para o novo plano de concessões, anunciado neste mês. O Plano de Investimento em Logística (PIL) prevê um investimento de cerca de R$ 190 bilhões em aeroportos, portos, rodovias e ferrovias durante os próximos anos. Por isso, ministros deverão ter agenda própria de encontros com empresários. 

Empreiteiro delator Ricardo Pessoa diz que pagou R$ 1 milhão por uma decisão do Tribunal de Contas da União

Em depoimento de delação premiada, o dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, disse que pagou R$ 1 milhão para o Tribunal de Contas de União liberar a licitação da usina nuclear Angra 3. O relator do caso foi o ministro Raimundo Carreiro. Após as pretensões de Pessoa serem atendidas no tribunal, a Eletronuclear contratou um consórcio integrado pela UTC para fazer a montagem da usina atômica. A empresa de Ricardo Pessoa participou do negócio em consórcio com a Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, investigadas na Operação Lava Jato sob suspeita de pagar propina em contratos da Petrobras. O custo total da obra, na qual atua também um outro consórcio, é de R$ 3,2 bilhões. O empreiteiro também afirmou que desde 2012 obteve informações privilegiadas do tribunal de contas no julgamento de contratos da UTC com a Petrobras. Quem repassava as informações, segundo Ricardo Pessoa, era o advogado Tiago Cedraz, filho do ministro da corte de contas Aroldo Cedraz, em troca de pagamento de R$ 50 mil por mês. Cedraz é o presidente do TCU; Carrero, seu vice. Na última quinta-feira (25), o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, considerou que a delação de Ricardo Pessoa atende às regras da lei e homologou o acordo. Ele poderá obter redução de penas se as informações forem confirmadas por provas. No depoimento sobre Angra 3, Ricardo Pessoa disse que no final de 2013 conversou com Tiago Cedraz e explicou a ele sobre dificuldades para liberar a licitação. O tribunal apontava uma série de problemas, como sobrepreço de R$ 314 milhões em relação ao orçamento, equivalente a 10% do valor da obra, e de "limitada competitividade" em razão das exigências da Eletronuclear. Técnicos chegaram a propor a suspensão da licitação, o maior pesadelo das empresas em virtude dos gastos que tiveram para apresentar propostas. Na decisão final do TCU, de setembro de 2014, o relator do caso, Raimundo Carreiro, mudou seu entendimento sobre a falta de competitividade, e liberou a licitação. Ricardo Pessoa disse que na conversa com o advogado sobre o assunto Tiago lhe perguntou quem relatava o caso no TCU. Ele respondeu que era Carreiro. Tiago, então, teria dito que precisava de R$ 1 milhão para liberar a licitação do modo que a UTC queria. Ricardo Pessoa diz ter repassado R$ 1 milhão a Tiago, mas não sabe se o dinheiro foi entregue a Carreiro ou a outros integrantes do tribunal. A concorrência, porém, foi liberada pelo tribunal de acordo com os interesses da UTC, ainda segundo Ricardo Pessoa. Tiago dizia ter acesso aos ministros e técnicos do TCU e que conseguia adiantar o teor dos votos sobre a empresa, afirmou o delator. Segundo Ricardo Pessoa, um dos emissários de Tiago nos pagamentos foi Luciano Araújo, tesoureiro nacional do Partido Solidariedade. Tiago disse que nunca atuou no TCU e que vai processar Ricardo Pessoa. Também afirmou que foi contratado pelo consórcio do qual a UTC fazia parte, mas para atuar no contrato com a Eletronuclear. 

URGENTE - URGENTE - MINISTRO JOAQUIM LEVY INTERNADO DE URGÊNCIA EM HOSPITAL DE BRASÍLIA, COM EMBOLIA PULMONAR

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi internado na noite desta sexta-feira, no Hospital do Coração em Brasília – ele sofreu uma embolia pulmonar. Levy passou toda o dia na sede do ministério já demonstrando um certo cansaço. Pela manhã, deixou de comparecer a um evento no Itamaraty entre altos executivos brasileiros e da China. O quadro está controlado, conforme informações preliminares, mas ainda não se sabe se o ministro poderá cumprir agenda junto à presidente Dilma Rousseff neste sábado. Levy deveria embarcar para os Estados Unidos com a presidente Dilma Rousseff, que fará uma visita ao presidente Barack Obama. Já no domingo, o ministro e a chefe do Executivo se reuniriam com um grupo de empresários no Hotel St. Regis, em Nova York. Na segunda-feira, a agenda estava lotada, com seminários, conversas com executivos do mercado financeiro e um encontro com o ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger. Quem acompanha o dia a dia do ministro chama a atenção pelo excesso de horas que ele tem trabalhado. Há dias em que chega ao ministério por volta das 8 horas e só vai para casa depois das 2 horas da madrugada. Levy assumiu não só o comando da economia, mas também as negociações com o Congresso para aprovar o ajuste fiscal. Não tem tido um dia de descanso. Mesmo nos fins de semana se dedica a desatar nós no governo. A saúde do ministro já deu sinais de que não andava bem em 22 de maio, quando o governo anunciou o plano de contingenciamento de recursos do Orçamento, de R$ 69,9 bilhões. Ele não compareceu à entrevista coletiva que detalharia o corte de gastos. A ausência dele provocou fortes ruídos no governo e no mercado, pois foi interpretada como um gesto de descontentamento, já que defendia um arrocho maior para garantir o cumprimento da meta de superavit de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Na ocasião, Levy alegou uma forte gripe para justificar a ausência. A presidente Dilma acompanhou todos os movimentos do ministro quando ele se dirigia ao hospital e fez questão de receber relatos constantes sobre a saúde do subordinado. Pessoas próximas ao ministro garantem que o estado de saúde dele é bom. Mas a apreensão tomou conta do governo. A embolia pulmonar é causada pelo bloqueio de uma ou mais artérias dos pulmões por coágulos que, na maioria das vezes, formam-se em veias profundas e são liberados na circulação sanguínea.