sábado, 4 de julho de 2015

Irmãos Gomes articulam filiação ao PDT e candidatura de Ciro em 2018

Deputados pedetistas dão como certo que os irmãos Ciro e Cid Gomes, ex-ministros e ex-governadores do Ceará, estão de malas prontas para deixar o Pros e entrar no PDT. Ambos desembarcaram em Brasília na última terça-feira (30) para uma conversa com caciques da legenda e podem formalizar a troca do partido nos próximos dias. Segundo parlamentares ligados aos Gomes, a mudança se dá em razão de desconforto observado entre eles e seu grupo político com o Pros, desde o ano passado. Mas o que é apontado como principal fator da nova filiação é a possibilidade de ser costurada a candidatura de Ciro à presidência da República em 2018 pelo PDT – com o aval do presidente da legenda, Carlos Lupi. O problema, de acordo com um deputado cearense, tem sido as resistências observadas por integrantes do PDT no Ceará, que há anos são adversários dos irmãos Gomes, e do grupo do senador Cristovam Buarque (DF) – que embora não tenha se posicionado, anseia em ver o ex-governador do Distrito Federal também candidato à presidência em 2018. Ciro Gomes foi candidato à presidência duas vezes, pelo PPS: em 1998 e em 2002. Depois, no PSB, assumiu o ministério da Integração Nacional, no governo do ex-presidente Lula X9. Ele cogitou a possibilidade de voltar a se candidatar à presidência pelo PSB, mas não encontrou oportunidade diante da ambição do ex-governador pernambucano Eduardo Campos, de disputar a vaga (Campos encabeçou a chapa no ano passado até 13 de agosto, quando morreu em acidente de avião e foi substituído por Marina Silva). Carlos Lupi e outros nomes do PDT nunca esconderam a possibilidade da sigla – que já teve seu fundador, Leonel Brizola, duas vezes candidato, em 1989 e em 1994 –, voltar a ter um nome com estofo suficiente para disputar a sucessão da presidenta Dilma Rousseff daqui a três anos. Hoje, Ciro e Cid comandam um grupo político formado por 80 prefeitos, 13 deputados estaduais, dois deputados federais e mais de duas centenas de vereadores, além de ex-prefeitos e lideranças políticas municipais do Ceará. De acordo com políticos cearenses ligados ao grupo, eles também teriam ensaiado a possibilidade de se articular com dirigentes do PSB para retornar à legenda, poucos meses atrás, mas terminaram se definindo pelo PDT.

Eólicas devem emitir R$1,2 bilhões em debêntures, diz BNDES

Projetos de geração de energia eólica devem emitir neste ano cerca de 1,2 bilhão de reais em debêntures de infraestrutura, como meio de captar recursos extras e ainda obter melhores condições nos financiamentos junto ao BNDES. "Esse número contempla operações já aprovadas ou que estão em análise no banco", disse a chefe do departamento de energias alternativas do BNDES, Lígia Chagas. As emissões têm sido incentivadas como meio de reduzir a necessidade de aporte de recursos do Tesouro no banco estatal, que aprovou 6,5 bilhões de reais em financiamentos a eólicas em 2014. "A grande maioria dos projetos eólicos que temos analisado recentemente já contam com a perspectiva de emissão de debêntures", afirmou a executiva. Os investidores poderão captar entre 10 e 15 por cento do valor dos empreendimentos por meio das debêntures, sendo que aqueles que fizerem essa opção poderão amortizar a dívida pelo sistema Price, com prestações fixas, ao invés do SAC, em que as parcelas são decrescentes. Segundo Lígia, isso permite "uma alavancagem adicional" para as empresas, uma vez que na amortização SAC as prestações são mais pesadas durante os primeiros anos dos projetos, quando há maior necessidade de recursos e menor geração de caixa. O BNDES anunciou em dezembro de 2014 uma redução do limite de participação do banco para 70 por cento, ante teto anterior de 80 por cento, do valor a ser investido nos projetos de energia renovável, que incluem eólicas, usinas a biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Também houve aumento nas taxas efetivas de juros cobradas. As novas condições serão válidas para os projetos viabilizados a partir de 2015, enquanto usinas vencedoras de leilões anteriores ainda poderão tomar empréstimos pelas regras vigentes à época dos certames. "O financiamento às fontes alternativas de energia tem as condições de um setor prioritário para o BNDES. O impacto da mudança de políticas do banco sobre o setor foi bem reduzido", disse Lígia. A executiva destacou que os juros dessas operações estão entre os menores cobrado pela instituição e que o banco estatal aplicará um mecanismo de vencimento cruzado nas operações das debêntures de infraestrutura. "Se por um acaso o projeto ficar inadimplente com o debenturista, ele também estará, na prática, inadimplente com o financiamento do BNDES. Na realidade, isso é (um mecanismo) para incentivar a emissão e aquisição das debêntures", explicou Lígia. A chefe do departamento de energias alternativas do BNDES também disse que o banco deverá realizar no final deste ano ou no início de 2016 os primeiros financiamentos a projetos solares. "Já há conversas nesse sentido, especialmente com os projetos vencedores do leilão realizado em outubro do ano passado", disse Lígia. Para financiar esses empreendimentos, o banco flexibilizou sua política, que tradicionalmente prevê financiamento para a compras com conteúdo local mínimo de 60 por cento, considerados peso e valor dos equipamentos. "Como a indústria solar é nascente no Brasil, aplicar essa regra inviabilizaria o apoio a todo o setor. Boa parte do valor do equipamento está concentrado na célula fotovoltaica, que não é fabricada no Brasil e exigiria um investimento muito pesado", afirmou a executiva. As exigências deverão subir em 2018 e em 2020, quando o banco prevê que 60 por cento dos módulos e células solares tenham montagem e fabricação local. "Essa metodologia foi baseada no setor eólico, em que tivemos resultados bastante animadores. Tivemos investimentos entre 500 milhões e 1 bilhão de reais na cadeia produtiva eólica, localizados principalmente no Nordeste", disse Lígia. O banco lançou, em 2012, um programa de nacionalização gradual dos equipamentos eólicos, prevendo que os fabricantes presentes no Brasil ampliem a produção local até o final deste ano.

A conta secreta para Lula

A Veja desta semana mostra a movimentação em uma conta secreta aberta na Suiça por empreiteiros da Lava Jato para pagar propina. Segundo Ricardo Pessoa, foi dela que saíram 2,4 milhões de reais que abasteceram a campanha de Lula em 2006. O dinheiro foi desviado de obras da Petrobras e chegou ao país de forma clandestina e ilegal. Para provar sua delação, Pessoa apresentou extratos ao MPF. A conta foi batizada de “Controle RJ 53 – US$”. Além de financiar ilegalmente a campanha de Lula, a conta servia para pagar propinas a operadores do PT na Petrobras, como Pedro Barusco. Quem acertou o repasse à campanha de Lula foi José Filippi, ex-tesoureiro do PT e tesoureiro da campanha de Dilma em 2010.

Começam os testes finais na Ponte de Laguna, na BR-101 no Sul de Santa Catarina


Começaram na manhã deste sábado (4) os testes finais para a liberação da estrutura da Ponte de Laguna, último gargalo viário da BR-101 no Sul de Santa Catarina. Conforme o Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit), até quarta-feira (8) serão feitas avaliações técnicas no local. De acordo com o Dnit, neste sábado são feitos testes de carga. Foram instalados junto aos cabos de sustentação da ponte, os estais, sensores para medir a força e frequência da estrutura. Um caminhão carregado com 45 toneladas estaciona em diferentes pontos da ponte, onde são feitas medições por engenheiros. 


Após os testes, a entrega da ponte para os motoristas não será imediata. A inauguração ainda depende da agenda da presidente Dilma Rousseff, que deve estar presente no momento de liberação da via. Em abril, uma reunião entre o prefeito da cidade e o Ministério dos Transportes havia definido a data de entrega da obra para 15 de maio, o que não ocorreu. Já no início de junho, foi passada a data de 30 de junho, que não se concretizou pelas pendências nos trabalhos de concretagem e o acabamento da pintura das faixas, segundo o Dnit.

França rejeita pedido de asilo do fundador do WikiLeaks



A França rejeitou nesta sexta-feira (3) um pedido de asilo apresentado pelo fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, refugiado há três anos na embaixada do Equador em Londres, informa um comunicado da presidência francesa. "Dados os elementos jurídicos e a situação material do senhor Assange, a França não pode dar prosseguimento a seu pedido", afirma o comunicado: "A situação de Assange não apresenta perigo imediato". A nota recorda ainda que o fundador do WikiLeaks "é objeto de uma ordem de detenção européia". Assange pediu asilo político a França em uma carta dirigida ao presidente François Hollande e publicada pelo jornal Le Monde. No texto, Assange afirma que a França é o único país que pode dar "a proteção necessária" contra "as perseguições políticas" de que é objeto. "Ao me acolher, a França faria um gesto humanitário e também simbólico, enviando seu alento a todos os jornalistas e responsáveis por alertas que, em todo o mundo, arriscam sua vida de maneira cotidiana para permitir a seus concidadãos dar um passo a mais para a verdade", escreveu. "Apenas a França está atualmente em condições de oferecer-me a proteção necessária contra, e exclusivamente contra, as perseguições políticas de que sou objeto. Como Estado membro da União Européia, como país comprometido ao longo de toda sua história com a luta pelos valores que eu assumi como meus, como quinta potência mundial, a França pode atuar, se desejar", completa Assange. O ativista se descreve na carta como "um jornalista perseguido e ameaçado de morte pelas autoridades" americanas em consequência de suas "atividades profissionais". "Nunca fui acusado formalmente de um delito ou de um crime de direito comum, em nenhuma parte do mundo, incluindo Suécia e Reino Unido", completa. O fundador do WikiLeaks, que completou 44 anos nesta sexta-feira, vive recluso há três anos na embaixada do Equador na Grã-Bretanha, para escapar de um pedido de extradição para a Suécia, onde duas mulheres o acusaram de agressão sexual, o que ele nega. O pedido de asilo a França foi feito depois das novas revelações do WikiLeaks sobre a espionagem de vários chefes de Estado franceses, incluindo Hollande, pela Agência de Segurança Nacional (NSA) americana.

ADVOGADO ALBERTO TORON DEIXA A DEFESA DO EMPREITEIRO RICARDO PESSOA, DA UTC


O advogado Alberto Toron oficializou a decisão de deixar a defesa do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, investigado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal; "Renunciei por entender que o caso está ganhando uma feição eleitoral. Como sou juiz do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), vi certa incompatibilidade em exercer as duas funções", afirmou o defensor. De acordo com o defensor, todo trabalho que poderia fazer para Pessoa já foi realizado. "Fiz as defesas dele e o habeas corpus que culminou na sua soltura"", disse. Toron não conduziu as negociações do acordo de delação premiada, homologado há quase duas semanas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (ST) Teori Zavascki. Mas afirmou concordar com a decisão do cliente em fazê-lo: "É uma opção de defesa". O empreiteiro entregou anotações, agendas e planilhas para a Justiça detalhando repasses a políticos e a campanhas de diversos partidos políticos.

Odebrecht tenta mostrar que tem fôlego financeiro

Nas últimas duas semanas, executivos da Odebrecht têm percorrido bancos, clientes e parceiros para dar explicações e tentar acalmar os ânimos acirrados pelas acusações de que a empresa está envolvida em esquemas de corrupção. Debaixo do braço, carregam números para demonstrar que o grupo tem caixa para enfrentar a crise que chegou às portas da companhia desde que seu comandante, Marcelo Odebrecht, foi preso na Operação Lava Jato, no dia 19 de junho. Em termos financeiros, a fotografia do momento mostra que a empresa de fato tem capacidade para pagar sem grandes dificuldades sua dívida de curto prazo, e os credores parecem relativamente tranquilos. Não vislumbram algum tipo de aceleração dos R$ 88 bilhões em dívidas da empresa. A maior parte vence no longo prazo e o custo é baixo, cerca de 7,5% ao ano, segundo cálculos de analistas. Quase metade do custo dos juros no Brasil hoje.


A empreiteira do grupo, entre as dezenas citadas ou investigadas na Lava Jato, é a que está em melhor situação. Das obras que fez para a polêmica Refinaria Abreu e Lima e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, já recebeu todos os aditivos que tinha pleiteado, segundo o diretor financeiro, Marco Rabello. Se quisesse, poderia pagar à vista até mesmo os títulos perpétuos, que não têm vencimento. Sua nota de classificação de risco ainda é de grau de investimento, ou seja, uma das melhores do mercado. Mas os desafios e dificuldades estão à espreita de um dos maiores grupos empresariais do País. Alguns negócios passam por dificuldades, mesmo antes da Lava Jato, como o setor de açúcar e álcool e a hidrelétrica de Santo Antônio. Os investidores da empresa de óleo e gás não estão tão confiantes na capacidade da companhia de pagar dívidas, e temem rompimento de contratos da Petrobrás. No segmento de transportes, alguns empréstimos novos estão travados. O estaleiro está paralisado porque seu cliente, a Sete Brasil, não paga. Além disso, empresários, executivos de bancos, parceiros, ex-funcionários, advogados e agências de classificação de risco já se perguntam como uma companhia tão ligada a governos estará daqui a cinco anos, em função das denúncias de pagamentos de propinas. As parcerias com o governo estão espalhadas por todo o grupo. No setor petroquímico, é sócia da Petrobrás na Braskem. Em óleo e gás, tem contratos estimados em US$ 7 bilhões com a estatal do petróleo (a empresa não revela o valor. O balanço retrata uma dívida de R$ 12 bilhões para as sete sondas que prestam serviço à estatal). No estaleiro, foi contratada para construir outras seis sondas.  Na área de transportes e saneamento, tem no Fundo de Investimentos do FGTS seu principal parceiro. Já o BNDESPar é sócio no setor de transportes e o principal financiador do negócio de açúcar e álcool. O maior investimento em debêntures do BNDESPar está justamente em empresas da Odebrecht, cerca de 12% dos R$ 16 bilhões aplicados nesse tipo de título. Do FI-FGTS, a Odebrecht é a principal aplicação, com 17% de seu patrimônio líquido total. Na empreiteira, o porcentual de contratos públicos não foi revelado pela empresa. Se contar somente os nacionais, é de 8%. Mas é no exterior onde estão os maiores contratos, que respondem por 80% do faturamento. Como lembra um cliente da empreiteira, “todo governo tem oposição. E esses contratos podem ser questionados”. Os negócios com governos tão presentes na Odebrecht nas últimas décadas parecem contrariar o que desejava Emílio Odebrecht, pai de Marcelo. Em 1994, o executivo defendia que o Estado deixasse de ser empresário, pois isso minimizaria a corrupção – algo que as empresas precisavam fazer para sobreviver. “Eu vou lhe dizer: para sobreviver nesse campo, já fiz. Agora se você me perguntar quando e com quem, eu não vou dizer nunca".

Eduardo Cunha diz que reuniões com Aécio Neves trataram de "pautas para o futuro"

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse há pouco que suas conversas com o presidente nacional do PSDB, o senador mineiro Aécio Neves, trataram de "reforma política, terceirização e até debates sobre a tese de parlamentarismo". Por meio de uma rede social, Eduardo Cunha afirmou que vinha a público relatar suas conversas com Aécio Neves para "esclarecer e evitar que fofocas aumentem". Foi uma referência indireta a informação revelada hoje pelo 'Estado' de que lideranças do PMDB têm iniciado conversas com líderes do PSDB para tratar de um cenário em que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) venha a substituir Dilma Rousseff na Presidência da República. 


“Nunca conversei com Aécio sobre cenários futuros de crise. As minhas conversas com Aécio e outros tratam das votações e ideias de pautas para o futuro", escreveu Cunha. Ele citou temas que têm sido alvos de projetos que foram votados e discutidos nas últimas semanas na Câmara dos Deputados, como a reforma política, a terceirização e a troca do regime presidencialista pelo parlamentarista. "Agora cenários de crise, realmente não foi (sic) palco de nenhuma conversa minha com Aécio", escreveu Cunha, que é o terceiro na escala de sucessão presidencial. Em sua conta pessoal em rede social, Cunha descreve a si mesmo como "evangélico, economista, defensor da vida, da família e do Rio de Janeiro".

Abaixo da linha d'água

Josias de Souza confirma: “Setores do PMDB de Temer conversam com a oposição abaixo da linha d’água. Discute-se a hipótese de construir uma saída política para a crise. Sem arranhões institucionais. E sem Dilma. Há, por ora, duas fórmulas na praça. Numa Dilma é substituída por Temer. Noutra, Temer vai de roldão e convocam-se novas eleições”.

O governo amedrontado

O Estadão confirmou os encontros entre PMDB e PSDB para derrubar Dilma Rousseff: "O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, foi sondado sobre um possível apoio a um mandato presidencial de Temer por integrantes do PMDB. Para esses peemedebistas, Dilma dificilmente escapará no segundo semestre do processo no TCU sobre as chamadas pedaladas fiscais nas contas do governo em 2014". O Globo perguntou ao próprio Aécio Neves se, segundo ele, Dilma Rousseff terminaria seu mandato. Ele respondeu: "Tenho enormes dúvidas... Estou percebendo um governo cada vez mais amedrontado, sem articulação política, sob pressão permanente do Congresso. O governo está tão fragilizado que se assusta com qualquer grito que venha do Congresso. E isso não é bom para o país, me preocupa. Confiança, credibilidade, os interlocutores do governo não dispõem mais desse ativo".

Na mira

Corregedoria investiga vazamento
PF suspeita de pagamentos a offshores
A Interpol, a pedido da Polícia Federal, notificou o TAG Bank, sediado no Panamá e controlado pelo brasileiro Eduardo Plass, ex-presidente do Pactual, para que diga quem são os donos das offshores Golden Rock e da Blue Diamond. As duas empresas mantém contas no TAG Bank e a PF descobriu que fizeram pagamentos para offshores que seriam, segundo suspeita-se, de notórios políticos brasileiros. Por Lauro Jardim

O pós-Dilma

PT quer saber se Pessoa não pagou propina por obras estaduais
Delação de Pessoa mudou o status da crise
A certeza de que a crise política subiu de patamar se deve às conversas que dominam a cúpula do PMDB desde a revelação da delação premiada de Ricardo Pessoa. Só falam no pós-Dilma. Por Lauro Jardim

Fora da realidade

Dilma
O buraco é mais embaixo do que Dilma pensa
Ainda na cúpula do PMDB a sensação é de que Dilma Rousseff aparenta que, de fato, não está percebendo a gravidade da situação. Por Lauro Jardim

“La dolce vita” de Lula

Lula pediu "vinho francês de boa qualidade"
Lula pediu “vinho francês de boa qualidade”
Em 19 de setembro de 2012, Lula viajou com uma pequena comitiva ao México, que incluía Kalil Bittar, sócio do seu filho Lulinha. Evidentemente, nada de avião de carreira. Para o deslocamento foi alugado um Legacy 650. Quem pagou? A subsidiária americana da Odebrecht quitou a fatura de 780 000 reais. E nada de passar aperto. No contrato com a empresa de táxi-aéreo está escrito com todas as letras que nos voos de ida e de volta não deveria faltar “vinho tinto francês de boa qualidade”. Por Lauro Jardim

As doações da Andrade Gutierrez

Otavio Azevedo
Planilhas de Azevedo associam políticos a valores em dinheiro
Eis uma notícia que tem tudo para tirar o sono de muitos políticos e dirigentes partidários: no mesmo dia em que levaram Otavio Azevedo para a carceragem em Curitiba, os agentes da Polícia Federal apreenderam um documento que pode ser explosivo. No seu apartamento na Vila Nova Conceição, em São Paulo, o chefão da Andrade Gutierrez guardava nada menos do que dez folhas de planilhas associando partidos políticos a valores em dinheiro. Foi levado também outro material que pode ser revelador: 62 pendrives – um deles com a inscrição ‘e-mails antigos’. Por Lauro Jardim

VEJA - EXCLUSIVO - A lista de políticos a quem Ricardo Pessoa diz ter dado dinheiro obtido no Petrolão


O engenheiro Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, tem contratos bilionários com o governo, é apontado como o chefe do clube dos empreiteiros que se organizaram para saquear a Petrobras e cliente das palestras do ex-presidente Lula. Desde a sua prisão, em novembro passado, ele ameaça contar com riqueza de detalhes como petistas e governistas graúdos se beneficiaram do maior esquema de corrupção da história do País. Nos últimos meses, Pessoa pressionou os detentores do poder - por meio de bilhetes escritos a mão - a ajudá-lo a sair da cadeia e livrá-lo de uma condenação pesada. Ao mesmo tempo, começou a negociar com as autoridades um acordo de delação premiada. o empresário se recusava a revelar o muito que testemunhou graças ao acesso privilegiado aos gabinetes mais importantes de Brasília. O Ministério Público queria extrair dele todos os segredos da engrenagem criminosa que desviou pelo menos 6 bilhões de reais dos cofres públicos. Essa negociação arrastada e difícil acabou na semana passada, quando o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou o acordo de colaboração entre o empresário e os procuradores. VEJA teve acesso aos termos desse acerto. O conteúdo é demolidor. As confissões do empreiteiro deram origem a 40 anexos recheados de planilhas e documentos que registram o caminho do dinheiro sujo. Em cinco dias de depoimentos prestados em Brasília, Pessoa descreveu como financiou campanhas à margem da lei e distribuiu propinas. Ele disse que usou dinheiro do petrolão para bancar despesas de 18 figuras coroadas da República. Foi com a verba desviada da estatal que a UTC doou dinheiro para as campanhas de Lula em 2006 e de Dilma em 2014. Foi com ela também que garantiu o repasse de 3,2 milhões de reais a José Dirceu, uma ajudinha providencial para que o mensaleiro pagasse suas despesas pessoais. A UTC ascendeu ao panteão das grandes empreiteiras nacionais nos governos do PT. Ao Ministério Público, Pessoa fez questão de registrar que essa caminhada foi pavimentada com propinas. O empreiteiro delatou ao STF essas somas que entregou aos donos do poder, segundo ele, mediante achaques e chantagens. Relatou que teve três encontros em 2014 com Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma e atual ministro de Comunicação Social. Nos encontros, disse, ironicamente, ter sido abordado "de maneira bastante elegante". Contou ele: "O Edinho me disse: 'Você tem obras na Petrobras e tem aditivos, não pode só contribuir com isso. Tem que contribuir com mais. Eu estou precisando'". A abordagem elegante lhe custou 10 milhões de reais, dados à campanha de Dilma. Um servidor do Palácio chamado Manoel de Araújo Sobrinho acertou os detalhes dos pagamentos diretamente com Pessoa. Documentos entregues pelo empresário mostram que foram feitos dois depósitos de 2,5 milhões de reais cada um, em 5 e 30 de agosto de 2014. Depois dos pagamentos, Sobrinho acertou com o empreiteiro o repasse de outros 5 milhões para o caixa eleitoral de Dilma. Pessoa entregou metade do valor pedido e se comprometeu a pagar a parcela restante depois das eleições. Só não cumpriu o prometido porque foi preso antes. Doar para campanhas não é crime, desde que a operação seja declarada e os recursos tenham origem lícita. Foi assim? Pessoa deixou claro que não. "O senhor tem obras no governo e na Petrobras. O senhor quer continuar tendo?", disse-lhe Edinho Silva. Fica a indagação para a Justiça: ameaçar doadores de campanha é lícito?
A lista dos favorecidos
Campanha de Dilma em 2014 - 7,5 milhões de reais
Campanha de Lula em 2006  - 2,4 milhões de reais
Ministro Edinho Silva (PT) *
Ministro Aloizio Mercadante (PT) - 250.000 reais
Senador Fernando Collor (PTB) - 20 milhões de reais
Senador Edison Lobão (PMDB) - 1 milhão de reais
Senador Gim Argello (PTB) - 5 milhões de reais
Senador Ciro Nogueira (PP) - 2 milhões de reais
Senador Aloysio Nunes (PSDB) - 200.000 reais
Senador Benedito de Lira (PP) - 400.000 reais
Deputado José de Fillipi (PT) - 750.000 reais
Deputado Arthur Lira (PP) - 1 milhão de reais
Deputado Júlio Delgado (PSB) - 150.000 reais
Deputado Dudu da Fonte (PP) - 300.000 reais
Prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) - 2,6 milhões de reais
O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto - 15 milhões de reais
O ex-ministro José Dirceu - 3,2 milhões de reais
O ex-presidente da Transpetro Sergio Machado - 1 milhão de reais
* Como tesoureiro, arrecadou dinheiro para a campanha de Dilma de 2014

DINHEIRO PARA JOSÉ DIRCEU SAÍA DA CONTA-PROPINA DO PT

A edição de Veja que já circula, assinada por Robson Bonin, revela que o dinheiro para pagar Dirceu saiu de ‘conta-propina’ do PT, segundo documentos apresentados à Justiça por Ricardo Pessoa em sua delação premiada. Os documentos trazem indícios de que as consultorias de José Dirceu eram fachada para o dinheiro desviado da Petrobras. Os fac similes ao lado foram publicados hoje pela revista. Leia a reportagem:
O petista José Dirceu ganhou muito dinheiro. Desde que deixou a Casa Civil abatido pelo escândalo do mensalão, em 2005, o ex-ministro recebeu cerca de 39 milhões de reais oficialmente fazendo consultorias para o setor privado. As investigações da Operação Lava-Jato, no entanto, desvendaram a verdadeira natureza dos serviços do mensaleiro. Em sua delação premiada, o empreiteiro Ricardo Pessoa apresenta documentos que mostram que as consultorias nada mais eram do que fachada para o recebimento de dinheiro desviado da Petrobras. O dono da UTC contou aos investigadores que foi procurado pelo ex-ministro em meados de 2012. Dirceu, que exercia forte influência sobre os diretores da Petrobras, ofereceu ao empreiteiro os seus serviços de consultor. Assim como no caso do pedido de Edinho Silva, negar dinheiro a Dirceu poderia ser sinônimo de problemas. Melhor não arriscar. Afinal de contas, os negócios iam muito bem. O empreiteiro fechou um acordo para pagar 1,4 milhão de reais ao mensaleiro. O objeto do contrato: prospectar negócios no Exterior. A única coisa que José Dirceu prospectou foram aditivos ao contrato. Sem nenhum tipo de serviço prestado, o consultor conseguiu mais 906 000 reais da UTC no ano seguinte. Quando a última parcela desse segundo contrato venceu, Dirceu já fazia parte da população carcerária do presídio da Papuda, em Brasília. Mas nem a prisão foi capaz de atrapalhar os negócios do ex-ministro. Ricardo Pessoa contou aos investigadores que, a pedido do próprio Dirceu, assinou um segundo aditivo, de 840 000 reais. O contrato foi firmado quando o mensaleiro já estava no terceiro mês de prisão. "Apenas e tão somente em razão de se tratar de José Dirceu e da sua grande influência no PT é que, mesmo sabendo da impossibilidade de ele trabalhar no contrato firmado, porque estava preso, o aditamento foi feito e as parcelas continuaram a ser pagas", disse o dono da UTC aos procuradores. O mais impressionante: como a tabela acima comprova, metade do dinheiro pago pela UTC a Dirceu foi debitada com autorização de Vaccari da conta-corrente que a empreiteira administrava para o PT. Ou seja, o ex-ministro foi pago com propina da Petrobras.

VEJA COMO OS GOVERNOS DO PT DEVASTARAM O CAIXA ÚNICO DO RIO GRANDE DO SUL

Ainda mais grave do que o saque a descoberto dos depósitos judiciais, na prática um empréstimo sem prazo para devolução, é o ataque ao caixa único, outro gênero de empréstimo igualmente sem prazo para devolução. O governo sacou R$ 14,2 bilhões das duas contas, mais do que os governos Germano Rigotto (PMDB) e Yeda Crusius (PSDB) juntos:
Depósitos judiciais - R$ 5,7 bilhões
Caixa único - R$ 7,5 bilhões
Os governos do PT dilapidaram os cofres públicos e engordaram as despesas de modo devastador, ajudando a enterrar as finanças públicas. Eis os números dos saques do caixa único, valores atualizados:
Olívio Dutra - PT - R$ 4,1 bilhões
Germano Rigotto - PMDB - R$ 2,4 bilhões
Yeda Crusius - PSDB - R$ 2,1 bilhões
Tarso Genro - PT - R$ 7,5 bilhões
Nos dois governos do PT há uma marca: os secretários da Fazenda foram da organização revolucionária clandestina DS - Democracia Socialista, partido comunista que parasita o corpo do partido. No governo de Olívio Dutra, o secretário foi o Mandrake trotskista Arno Augustin, agora apontado como o operacionalizador das mandrakices, ou pedaladas fiscais, que aplicava nas contas públicas do governo federal em plena combinação com a presidente petista Dilma Rousseff. E agora, no governo Tarso Genro, outro membro da DS, Odir Tonollier. No caso de Arno Augustin, há uma curiosidade e um agravante: ele foi funcionário do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, como auditor externo. Sabe perfeitamente todos os truques de administração pública. Portanto....

MEC autoriza abertura do curso de medicina pelo Hospital Albert Einstein

O Hospital Albert Einstein, de São Paulo, vai ofertar curso de medicina a partir de 2016. O Ministério da Educação publicou nesta sexta-feira (4) portaria autorizando a instituição, uma das mais renomadas do país, a realizar a graduação. Segundo a decisão, publicada no "Diário Oficial da União", serão cem vagas anuais, 50 a cada semestre. Atualmente, o hospital tem vagas em graduação de enfermagem, residências médicas, pós-graduação, cursos técnicos e ensino a distância. Desde 2013, o hospital vem negociando a abertura do curso com o Ministério da Educação. Segundo Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, a meta é oferecer um curso focado em questões técnicas e humanas, além de gestão e liderança. "O médico é o grande gestor do processo assistencial, mas nossa sistemática de ensino será dentro de contexto multiprofissional, tal como é na vida real", afirma. O curso será realizado na sede da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, no Butantã, em São Paulo, onde a instituição já oferece cursos na área da saúde a 4.000 alunos. Os estudantes também terão aulas no hospital, referência no atendimento de alta complexidade, e também no hospital municipal do M'Boi Mirim, administrado pela instituição. No futuro, a meta é construir uma nova faculdade em terreno em frente à sede do hospital, no Morumbi. O valor da mensalidade ainda não está definido, mas, segundo Lottenberg, "a proposta não é fazer dinheiro com o curso de medicina".

Novo indicado para embaixador do Brasil na OEA será sabatinado no dia 9

O novo nome indicado pelo Planalto para assumir o posto de embaixador do Brasil na OEA (Organização dos Estados Americanos), José Luiz Machado e Costa, 63, será sabatinado na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado na próxima quinta-feira (9). Machado e Costa, que ocupava o posto de embaixador no Haiti, enfrentará as perguntas dos senadores após o plenário do Senado rejeitar o nome de Guilherme Patriota pelo Senado em 19 de maio.


Patriota foi o segundo embaixador a ser recusado pelo Senado na história -o primeiro em 65 anos. O outro havia sido Affonso Barbosa de Almeida Portugal, indicado para o posto de Honduras em 1950. Interlocutores no Itamaraty acreditam que o nome de Machado e Costa não enfrentará tanta oposição no Senado quanto o de Patriota, já que este último acabou se tornando um alvo pela proximidade com a presidente Dilma Rousseff e o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, de quem foi braço-direito entre 2010 e 2013. A decisão sobre Guilherme, que é irmão de Antonio Patriota, ex-chanceler de Dilma, foi interpretada como um recado à presidente e como uma forma de "balancear" suas concessões ao Planalto –já que, no mesmo dia, foi aprovado a indicação de Luiz Edson Fachin para a vaga de Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal. Marco Aurélio "Top Top" Garcia disse, na época, que os senadores "acertaram" nele com a recusa a Patriota. Afirmou ainda que a decisão foi influenciada pelo que chama de campanha macartista de setores conservadores e da oposição, uma alusão ao senador norte-americano Joseph McCarthy (1908-57), que moveu uma perseguição a comunistas nos EUA na década de 50. A sabatina na Comissão de Relações Exteriores é o primeiro obstáculo pelo qual um indicado a embaixador tem que passar. Se aprovado na comissão, segue o nome para votação no plenário do Senado. Em maio, o nome de Patriota havia sido aprovado na comissão por apenas um voto de diferença - com 7 votos favoráveis e 6 contrários -, numa sinalização do que poderia ocorrer no plenário depois. O Brasil está há quatro anos sem embaixador na OEA, desde que Ruy Casaes foi convocado de volta a Brasília como reação a uma decisão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Na época, o órgão havia pedido para que o Brasil suspendesse o licenciamento da usina de Belo Monte por causa do impacto sobre a comunidade local. A rejeição a Patriota atrapalhou os planos do governo brasileiro de enviar um embaixador antes da posse do novo secretário-geral da OEA, o uruguaio Luis Almagro, em 26 de maio. Embaixador do Brasil no Haiti desde 2012, Machado e Costa chefiou ainda a embaixada no Suriname (2008-2012). Na OEA, em Washington, o diplomata foi conselheiro e ministro-conselheiro entre 2002 e 2006. A missão brasileira no organismo também foi o primeiro posto de Machado e Costa fora do Brasil, entre 1987 e 1990. Em Porto Príncipe, ele será sucedido por Fernando de Mello Vidal, aprovado para a representação na capital haitiana no fim do ano passado.

Condenado do Mensalão do PT pego bebendo em bar ganha liberdade condicional


Relator da execução das penas do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Luís Roberto Barroso concedeu liberdade condicional ao ex-deputado pelo PTB Romeu Queiroz. Ele foi condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro à pena de 6 anos e 6 meses de reclusão. Queiroz cumpria a punição em regime semiaberto –quando o condenado é autorizado a deixar o estabelecimento prisional para trabalhar durante o dia– mas se envolveu em polêmica e teve o direito revogado. O motivo: a divulgação de um vídeo em que ele supostamente aparece bebendo cerveja em um bar de Belo Horizonte no horário em que deveria estar trabalhando. Na época, o ex-congressista trabalhava em sua própria empresa, a RQ Participações S/A, no bairro de Lourdes, em Belo Horizonte. Em junho, a Vara de Execuções Penais da Comarca de Ribeirão das Neves (MG) comunicou ao STF que o fato não foi reconhecido como falta grave, resultando no indeferimento do pedido de regressão de regime formulado pelo Ministério Público Estadual, que pedia para que ele ficasse em regime fechado. Diante da posição da Justiça de Minas Gerais, o ministro do STF avaliou que Queiroz cumpriu os requisitos do artigo 83 do Código Penal e 131 da Lei de Execuções Penais, que permitem a concessão de livramento condicional. Essa é a primeira liberdade condicional concedida no processo do mensalão, que teve 24 condenados. Entre as condições estão o cumprimento de um terço da pena em caso de não reincidência em crime doloso, bons antecedentes, comportamento satisfatório durante a execução da pena, bom desempenho no trabalho a que for atribuído, aptidão para prover seu próprio sustento por meio de trabalho honesto, além do pagamento da multa que foi imposta na condenação. Por participação no esquema de corrupção e compra de apoio político no início do governo Lula, foi aplicada multa R$ 1,2 milhão ao ex-deputado. Ele parcelou o pagamento.

Procuradoria entra com ação contra diplomata que tentou blindar Lula

O Ministério Público Federal propôs nesta sexta-feira (3) abertura de uma ação penal contra o diplomata João Pedro Corrêa Costa pela prática dos crimes de prevaricação e advocacia administrativa. Diretor do Departamento de Comunicação e Documentação do Ministério das Relações Exteriores, o ministro assinou um memorando para retardar a liberação de documentos referentes à construtora Odebrecht classificados como "reservados" entre 2003 e 2010, solicitados por um jornalista da Revista Época. Costa sugeriu que o material fosse reclassificado como "secreto". A sugestão era uma tentativa de impedir a divulgação de documentos sobre as relações entre a Odebrecht e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citado por Corrêa Costa. A empreiteira é investigada Operação Lava Jato, que apura esquema de corrupção na Petrobras. De acordo com documentos oficiais do próprio Itamaraty, a empresa patrocinou viagens de Lula ao exterior depois que ele deixou o Palácio do Planalto. Após o caso ser revelado por reportagem do jornal "O Globo", o Itamaraty decidiu autorizar o acesso aos documentos. A denúncia da Procuradoria da República no Distrito Federal acusa o diplomata de patrocinar interesse ilegítimo perante a Administração Pública. Para Aldo de Campos Costa, procurador da República que promoveu a ação, ao obstar o acesso à informação, o denunciado buscou satisfazer um sentimento de "aversão ao teor da cobertura jornalística desenvolvida pelo repórter". A Procuradoria informou que, como a soma da pena mínima imposta aos crimes de prevaricação e de advocacia administrativa é igual ou inferior a um ano, a legislação processual penal autoriza ao Ministério Público Federal, no ato de oferecimento da denúncia, propor a suspensão do processo, por até 4 anos, mediante o cumprimento de algumas medidas específicas. Cumpridas, a Justiça extingue o processo. No caso de Costa, foram elencadas três obrigações: o diplomata não poderá ausentar-se da cidade em que reside sem autorização judicial; deverá comparecer mensalmente em Juízo para informar e justificar as atividades e deverá pagar, ainda, uma prestação correspondente ao valor do seu salário. O Ministério Público Federal sugeriu que a quantia seja revertida à organização não-governamental (ONG) Artigo 19 Brasil, que atua em vários países na defesa e na promoção da liberdade de informação. Documentos "reservados" devem tornar-se públicos após cinco anos, enquanto os "secretos" permanecem sigilosos por 15 anos. Em nota, o ministério defendeu a postura do diplomata. A pasta argumenta que a consulta feita por Costa é um "procedimento administrativo rotineiro, regular e previsto em lei". "O procedimento é regularmente efetuado mediante solicitações específicas do gênero e não implica, necessariamente, reclassificação de sigilo, como efetivamente se observou no caso em questão", disse sobre a revisão do sigilo para "secreto". Essa reavaliação, segundo o Itamaraty, deve ser feita quando há necessidade, por exemplo, de "preservar dados comerciais de empresas brasileiras cuja divulgação possa afetar sua competitividade". Em abril, a "Época" publicou reportagem em que afirma que a Procuradoria da República em Brasília abriu uma investigação contra o ex-presidente Lula por tráfico de influência internacional e no Brasil. Segundo a revista, Lula é suspeito de usar sua influência para facilitar negócios da empreiteira Odebrecht com governos estrangeiros onde faz obras financiadas pelo BNDES. 

José Dirceu pede ao STF para ter acesso à delação de Ricardo Pessoa



A defesa do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) entrou nesta sexta-feira (3) com pedido no STF (Supremo Tribunal Federal) para ter acesso aos depoimentos do dono da UTC, Ricardo Pessoa, realizados durante delação premiada com o Ministério Público Federal que investiga o esquema de corrupção na Petrobras. Pessoa teria dito a investigadores que pagamentos feitos à consultoria do ex-ministro eram parte da propina cobrada pelo esquema. O empresário teria dito que os pagamentos ao petista eram descontados das comissões que sua empresa devia ao esquema, que correspondiam a 2% do valor de seus contratos na Petrobras. Relator dos inquéritos que investigam o envolvimento de políticos no esquema de corrupção da Petrobras, o ministro do STF Teori Zavascki tem negado acesso aos depoimentos de Pessoa. Nesta semana, ele rejeitou solicitações de senadores e dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Comunicação Social) para a liberação do material. A decisão do ministro leva em consideração que o acordo de colaboração ainda está sob sigilo. Pela regras, teor dos depoimentos feitos em colaboração só podem ser divulgados após o Ministério Público apresentar a acusação formal contra o acusado e entregar denúncia com base em provas colhidas em investigações. Apontado como o chefe do cartel de empreiteiras que participava dos desvios da estatal, Pessoa disse que doou R$ 7,5 milhões à campanha de Dilma por temer prejuízos em seus negócios com a Petrobras. O montante foi doado legalmente. Em seus depoimentos, ele teria mencionado ainda doações ilegais R$ 15,7 milhões a ex-tesoureiros do PT e da campanha de Dilma. A doação foi feita legalmente e ele disse que tratou da contribuição diretamente com o tesoureiro da campanha de Dilma, o atual ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva. O mais novo delator da Operação Lava Jato, o lobista Milton Pascowitch relatou a investigadores do caso que intermediou o pagamento de propina ao PT e ao ex-ministro José Dirceu para garantir contratos da empreiteira Engevix com a Petrobras. José Dirceu, segundo o testemunho de Pascowitch, teria se tornado uma espécie de "padrinho" dos interesses da empreiteira na estatal. Em contrapartida, passou a receber pagamentos e favores.