segunda-feira, 6 de julho de 2015

A CAMINHO DO IMPEACHMENT - DILMA APRESENTA DEFESA PRÉVIA DE PEDALADAS E BUSCA APOIO DE ALIADOS NA HORA FINAL


Em encontro convocado de última hora, a presidente Dilma Rousseff reuniu nesta segunda-feira ministros, parlamentares e presidentes de partidos aliados no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, para antecipar a defesa que será apresentada ao Tribunal de Contas da União no julgamento das contas do governo. A petista é alvo de questionamentos e suspeita de irregularidades, entre elas as chamadas pedaladas fiscais, e tem até o próximo dia 21 de julho para prestar esclarecimentos. Caso as contas sejam rejeitadas, Dilma pode sofrer um processo de impeachment. Ao longo de encontro de cerca de duas horas, os ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União) fizeram uma apresentação detalhada sobre os pontos questionados pela corte. Argumentaram que as manobras usadas pelo governo para fechar as contas já aconteciam na década de 1990, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, e que o governo recorre a essa metodologia por não haver regulamentação. Ao final, os aliados da presidente anteciparam o tom que deve ser adotado para evitar o aprofundamento da crise: falam em "convencimento geral" em relação à legalidade das contas. "Não há o que temer. Os comentários sobre a defesa já são muito fortes e por isso nós achamos que o TCU exagerou", disse o líder do PT na Câmara, deputado Sibá Machado (PT-AC). Apesar do clima de otimismo, nos bastidores o julgamento desperta preocupação do governo. "Foi uma tentativa de antecipar a defesa e não cristalizar uma posição no Congresso Nacional. O governo dá como certo que vem bomba no TCU", afirmou um deputado que participou do encontro. "A gente sabe que esse é um movimento político, e não técnico. Se fosse um movimento técnico, já teriam feito essa apresentação em outro momento", disse um outro aliado do Planalto. A reunião de Dilma com aliados ocorre um dia depois de o PSDB aproveitar a convenção do partido, na qual o senador Aécio Neves (MG) foi reconduzido à presidência da legenda, para intensificar os ataques contra a petista. Um grupo de tucanos sugeriu novas eleições antes de 2018. Em busca de vacinar Dilma no Congresso e pavimentar o apoio de sua base no Congresso, para onde as contas da presidente serão enviadas após análise do TCU, o conselho político da presidente também decidiu fazer um ato de solidariedade à petista e ao vice-presidente da República, Michel Temer. Os aliados vão se reunir no gabinete de Temer nesta terça-feira para definir o conteúdo do documento e os partidos que vão subscrevê-lo. Em outra frente, o governo defende a realização de audiências públicas no Congresso com ministros para apresentar as argumentações sobre as contas. Entre os que participaram do encontro no Alvorada estão os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Nelson Barbosa (Planejamento), os senadores Humberto Costa (PT-PE) e José Pimentel (PT-CE), e os deputados José Guimarães (PT-CE), Rogério Rosso (PSD-DF) e Eduardo da Fonte (PP-PE). Conhecido desafeto de Dilma, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), chegou à residência oficial da presidência ao fim do encontro e reuniu-se separadamente com a petista. Dilma viaja nesta terça-feira para a Rússia, onde participará da VII Cúpula do Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A presidente deve retornar ao Brasil somente no próximo dia 11. Até lá, o vice-presidente Michel Temer assume o comando do Planalto. 

A crise econômica é grave, mas nada é tão deletério como a ruindade política de Dilma e de seu círculo próximo

Não tem como! Não há Michel Temer que dê jeito. Refiro-me ao vice-presidente da República e presidente do PMDB, que responde pela coordenação política do governo na relação com o Congresso e com os demais partidos da base. Não há nada que consiga vencer as tolices feitas pelo núcleo mais próximo de Dilma, que a empurra para fazer notáveis bobagens. A que me refiro desta feita? Neste domingo, o PSDB realizou a sua Convenção Nacional. Oficialmente, o partido não falou no impeachment, mas é evidente que os discursos foram muito duros. Todos os líderes bateram com punhos de aço: Aécio Neves, Geraldo Alckmin, José Serra, FHC e os representantes do partido no Congresso. Pergunta óbvia de resposta idem: a presidente esperava o quê? Elogios? Um governo, quando bem-sucedido, costuma ser alvo dos adversários. Imaginem, então, este que temos. Embora tucanos tenham lidado com a hipótese de Dilma antecipar sua saída, o partido não pediu o impeachment. O correto teria sido o Planalto fazer silêncio a respeito da convenção tucana — ou, sei lá, emitir, no máximo, uma nota. Mas não! Dilma decidiu convocar uma reunião de emergência — por que emergência? — com presidentes e líderes de partidos da base. Para quê? Segundo consta, ela pretende acalmar os aliados e cobrar deles que a defendam no Congresso, dado “esse clima de impeachment”. É muito impressionante! A primeira pessoa que não deveria nem mesmo tocar em tal palavra é… Dilma. Ainda que mobilizasse seus aliados mais próximos para fazer essa defesa, esse é o tipo de coisa que se faz de forma discreta, sem acusar a preocupação. Ora, ontem, a convenção do PSDB tinha um peso — relevante, sim; afinal, trata-se do maior partido de oposição. Mas, agora, esse peso aumentou muito. Em entrevista à Folha, publicada nesta segunda, José Eduardo Cardozo (Justiça) já havia espancado a ordem político-jurídica, sugerindo ser “golpe” o que, lá vamos nós, é só o exercício da lei. A crise econômica é grave, sim. Mas nada é tão deletério para o país e para o próprio governo como a ruindade política de Dilma e daqueles que a cercam. Definitivamente, ela não é do ramo. Por Reinaldo Azevedo

DILMA AFIRMA QUE DEFENDERÁ SEU MANDATO 'COM UNHAS E DENTES'


O site www.uol.com.br informou que a presidente Dilma Rousseff classificou nesta segunda-feira, 6, como "golpista" a pregação por sua saída do governo e disse que defenderá "com unhas e dentes" o mandato para o qual foi eleita. Um dia depois da convenção do PSDB, na qual tucanos apostaram em novas eleições antes de 2018, Dilma orientou ministros, presidentes de partidos, deputados e senadores da base aliada a afastarem com vigor a articulação de adversários pelo impeachment, carimbando a iniciativa como "golpe". Leia a reportagem completa:
"As pessoas que estão fazendo delação premiada vão ter de provar o que estão falando", disse Dilma em conversas reservadas. Foi uma referência a depoimentos de empreiteiros que, presos pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, disseram ter dado dinheiro desviado da Petrobrás para o PT e para as campanhas de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Vou defender o meu mandato com unhas e dentes. Nada ficará sem resposta". Indignada com o movimento que começou a ganhar corpo com o agravamento da crise política, Dilma convocou uma reunião de emergência no Palácio da Alvorada, à noite, com o Conselho Político do governo, formado por presidentes e líderes de partidos da base na Câmara e no Senado. Não foi só: convocou os ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União) para explicar aos aliados, "ponto por ponto", a manobra orçamentária que ficou conhecida como "pedalada fiscal". "Todos nós achamos que (o impeachment) é algo impensável para o momento atual", afirmou o vice-presidente Michel Temer, que comanda o PMDB e é articulador político do Palácio do Planalto. "Eu vejo essa pregação com muita preocupação. Nós não podemos ter a essa altura, no momento em que o País tem grande repercussão internacional, uma tese dessa natureza sendo patrocinada por diversos setores". Além do PSDB do senador Aécio Neves (MG), reconduzido no domingo à presidência do partido, uma ala do PMDB flerta com a oposição e também prega o afastamento de Dilma, sob o argumento de que ela não tem mais condições políticas para governar. Há, porém, divisões em todos os partidos que defendem a interrupção do mandato de Dilma. Setores do PMDB torcem para que o Tribunal de Contas da União (TCU) rejeite as contas do governo em razão da "pedalada fiscal". Nesse caso, mesmo se o desfecho no Congresso seja a aprovação do impeachment, Temer assumiria o cargo. Se, no entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acatar o pedido feito pelo PSDB e considerar que houve abuso do poder econômico e político nas eleições, como alega o partido de Aécio, a chapa Dilma-Temer perde o mandato. Temer disse desconhecer que setores do PMDB estejam namorando o PSDB, com o objetivo de sondar os tucanos para um possível apoio ao governo caso Dilma seja obrigada a se afastar. "A presidente está tranquila. Podemos ter uma pequena crise política, dificuldades econômicas, mas o que não se quer é uma crise institucional", afirmou o vice-presidente. "Levar adiante uma ideia de impedimento da presidente da República poderia revelar uma crise institucional, que é indesejável para o País". Antes de entrar para a reunião com o Conselho Político, no Alvorada, o ministro Nelson Barbosa disse que não houve ilegalidade no episódio sob análise do TCU. "Todas as operações que foram feitas estão de acordo com a lei e já foram objeto até de aprovação pelo TCU em exercícios anteriores", insistiu Barbosa.

Barusco quer adiar acareações na CPI

Pedro Barusco pediu que o STF cancele suas acareações na CPI da Petrobras, previstas para esta semana. Segundo sua defesa, o ex-gerente da estatal tem câncer ósseo e a exposição na Comissão pode piorar seu quadro clínico. Apesar de pedir o adiamento, ele assumiu o compromisso de ir à CPI quando estiver em boas condições de saúde. Na agenda, Barusco seria confrontado com Renato Duque na quarta-feira e com João Vaccari Neto na quinta-feira.

A gráfica do PT: não faz e recebe

A Gráfica Atitude não apresentou comprovantes para justificar os 2,6 milhões de reais que recebeu de empresas ligadas à Setal Óleo e Gás, investigada na Lava Jato, segundo depoimentos de funcionários da Setal. A informação é da Folha. “Não (houve comprovação de serviços prestados), efetuamos os pagamentos porque havia formalização contratual e autorização", disse o gerente financeiro da Setal entre 2007 e 2012, Felipe de Oliveira Ramos.

Juiz Sérgio Moro dá 72 horas para Odebrecht excluir e-mails de advogados sob sigilo


O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Operação Lava Jato, deu prazo de 72 horas para a Odebrecht indicar todos os e-mails dos advogados da companhia sob sigilo profissional. Ele autorizou a exclusão das mensagens protegidas. A decisão acolhe sugestão da Polícia Federal que, durante a Operação Erga Omnes, 14ª etapa da Lava Jato, fez buscas na sede da maior empreiteira do País, em 19 de junho, e recolheu arquivos eletrônicos. Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional São Paulo, profissionais da advocacia que trabalham nas dependências da Odebrecht ‘tiveram seus locais de trabalho acessados pela Polícia Federal’. Os advogados são: Marta Pinto Lima Pacheco, Eduardo Oliveira Gedeon e Guilherme Pacheco de Brito. A OAB alertou que os advogados da empreiteira não estão ‘na condição de investigados’. Em despacho desta segunda-feira, 6, o juiz da Lava Jato reiterou que ‘nenhum material privilegiado, atinente ao direito de defesa, poderá ser considerado como prova’. Mas ele fez uma ressalva. “Necessário procedimento para discriminação já que, como adiantado, Marta Pinto Lima Pacheco, Eduardo Oliveira Gedeon e Guilherme Pacheco de Brito seriam, além de advogados, também gestores das empresas Odebrecht cujas atividades estão sob investigação". Ao estipular três dias para a Odebrecht fazer a seleção dos e-mails de seus advogados, o juiz assinalou. “Na indicação do material protegido, deverão esclarecer a origem e o destino da mensagem e o critério que tiveram em consideração para considerar a mensagem como material protegido. A petição deverá ser apresentada ao Juízo, com o necessário detalhamento da mensagem indicada (ainda que com a preservação do conteúdo) e que então decidirá". O magistrado faz referência a contratos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. “Observo ainda que a mensagem eletrônica impressa e apontada pela defesa na petição do evento 286 para ilustrar possível risco ao privilégio profissional trata justamente de material probatório relacionado à atividade de Eduardo (Oliveira Gedeon) enquanto gestor da Odebrecht, vale dizer, mensagem sobre contratos firmados pelo BNDES entre 2011 a 2014, de forma que não está, em princípio, abarcado pela exceção do privilégio profissional". “Quanto ao exame do material eletrônico apreendido, mensagens eletrônicas dos gestores/advogados da Odebrecht Marta Pinto Lima Pacheco, Eduardo Oliveira Gedeon e Guilherme Pacheco de Brito, parece a este Juízo que a sugestão apresentada pela autoridade policial, de extrair uma cópia dos arquivos e repassá-lo previamente à própria Odebrecht, para indicação dos acobertados pelo sigilo legal, uma medida conveniente”, assinalou o juiz. Moro ressaltou. “Na seleção, pode a Odebrecht indicar critérios objetivos para exclusão de mensagens protegidas (como mensagens dirigidas especificamente a endereços eletrônicos de outros advogados ou defensores dos investigados ou da empresa) e que poderão permitir a sua exclusão sem a necessidade do exame do próprio conteúdo das mensagens".

Uruguai mantém preso político na cadeia a pedido da Bolívia


Há um ano, o então presidente uruguaio José Mujica declarou que acolher cinco ex-detentos de Guantánamo era uma questão de princípios, pois o seu país é "historicamente um local de refúgio". Foi acreditando nesta tradição que, em 2009, o advogado boliviano Alejandro Melgar Pereira, que também tem cidadania uruguaia, mudou-se para Montevidéu para viver juntos aos seus pais. Em abril de 2012, porém, Melgar foi preso pela polícia uruguaia a pedido da Bolívia. A ordem de captura era uma solicitação sem valor legal, pois não tinha a chancela da Interpol, a organização internacional de cooperação policial. Três dias depois, a própria secretaria-geral da Interpol enviou um e-mail para Montevidéu negando ter emitido a ordem de prisão e afirmando que a instituição não poderia ser usada para prisões políticas (veja trechos do documento abaixo). A polícia e a Justiça do Uruguai ignoraram o blefe da Bolívia e mantêm Melgar preso até hoje. Nos últimos três anos, os familiares e defensores do advogado boliviano reuniram um conjunto de provas que colocam sob suspeita o processo legal conduzido pelas autoridades bolivianas. Entre os documentos, há confissões de desertores que revelam que o governo Morales armou um processo judicial para desqualificar e prender opositores políticos.


A trama que resultou em sua prisão teve início em 2009. Naquele ano, Melgar estava na Argentina representando a Bolívia em uma competição internacional de tiro quando o governo de Evo Morales deflagrou uma operação na cidade de Santa Cruz de La Sierra que resultou na morte de três pessoas e na prisão de outras duas, todas acusadas de fazerem parte de uma "célula terrorista" que tinha como objetivo matar o presidente. Logo após as execuções, grupos de elite do exército invadiram dezenas de casas em busca dos cúmplices da suposta trama. Uma das casas invadidas foi a de Melgar, que por causa da ameaça de ser preso, ou morto, jamais voltou ao seu país. A ação serviu de pretexto para o governo indiciar 39 dissidentes políticos marcados por Evo como líderes dos protestos contra o seu governo em 2008. O responsável pelo indiciamento foi o promotor Marcelo Soza. No ano passado, Marcelo Soza desembarcou no Brasil e apresentou um pedido de refúgio ao governo brasileiro. Soza entregou ao Ministério da Justiça uma carta em que diz ser perseguido por Evo Morales. O motivo, segundo ele, é o fato de ele ser um arquivo vivo das ações de fachada para perseguir os opositores do governo, entre as quais o processo contra Melgar. Segundo o promotor, a suposta célula terrorista de Santa Cruz de La Sierra não passou de uma armação do governo para justificar as perseguições. Em documento protocolado junto ao Ministério da Justiça no Brasil, Soza diz que toda trama foi comandada diretamente pelo presidente Evo Morales e pelo vice-presidente Alvaro Linera, que designou o seu irmão Raúl para comandar as fraudes. "A organização da investigação, a infiltração entre os supostos terroristas, o atentado contra a casa do arcebispo e a própria operação que resultou na morte de três pessoas foram coordenadas pelo irmão do vice-presidente", escreveu Soza.


Mesmo com a confissão de que o processo contra Melgar foi uma armação, o governo uruguaio não se moveu no sentido de contrariar o pedido de Evo Morales. Melgar permaneceu preso e sem julgamento. Somente em abril deste ano, um mês após a posse do presidente Tabaré Vázquez, um tribunal de primeira instância decidiu pela extradição de Melgar. Melgar recorreu.

Poupança tem maior saída de recursos em 20 anos


A quantia de saques da poupança superou a de depósitos em junho em 6,26 bilhões reais, informou o Banco Central nesta segunda-feira. Na primeira metade de 2015, o total resgatado dessa aplicação foi de 38,54 bilhões de reais. Nos dois casos, são os maiores volumes dos últimos vinte anos para os períodos (mês de junho e primeira metade do ano), desde quando a instituição começou a compilar as informações disponíveis até hoje, em janeiro de 1995. Até então, o pior junho para a caderneta havia sido em 1999. Na ocasião, o resultado ficou negativo em 1,4 bilhão de reais. O resultado do primeiro semestre também é significativo, já que há dez anos, desde 2005, não se via um volume de resgates maior do que o de aplicações em todos os meses da primeira metade de um ano. Em janeiro, o resultado ficou negativo em 5,5 bilhões de reais e, em fevereiro, em 6,3 bilhões de reais. Em março, os resgates superaram os depósitos em 11,4 bilhões de reais e, em abril, em 5,8 bilhões de reais. Em maio, o saldo ficou no vermelho em 3,2 bilhões de reais. O resultado de março foi, portanto, o pior da série histórica do BC para um mês e o de junho, o terceiro pior, atrás também do de fevereiro. Com o resultado de junho, o saldo total da poupança ficou em 646,56 bilhões de reais, já incluindo os rendimentos do período, no valor de 4,05 bilhões de reais. Os depósitos na caderneta somaram 162,85 bilhões de reais no mês passado, enquanto as retiradas foram de 169,11 bilhões de reais. A situação de junho só não foi pior porque, no último dia do mês, a quantidade de aplicações foi 3,84 bilhões de reais maior do que o das retiradas. Até o dia 29, o saldo da caderneta estava no vermelho em 10,10 bilhões de reais em junho. É comum ocorrer um aumento dos depósitos no último dia de cada mês por conta de aplicações automáticas e de sobras de salários. O que tem ocorrido nos últimos meses, no entanto, é que essa sobra tem sido cada vez menor. Além disso, com o atual ciclo de alta dos juros básicos e do dólar, outros investimentos mais atrativos acabam ofuscando o desempenho da caderneta. Soma-se a isso o fato de há três anos a forma de remuneração da aplicação ter mudado. Pela regra de maio de 2012, sempre que a taxa básica de juros, a Selic, for igual ou menor que 8,5% ao ano, o rendimento passa a ser 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR). Atualmente, a taxa básica está em 13,75% ao ano. Quando o juro sobe a partir de 8,75% ao ano, passa a valer a regra antiga de remuneração fixa de 0,5% ao mês mais a TR. Devido à sangria na poupança vista desde o início do ano, o setor imobiliário passou a reclamar de falta de recursos para financiamentos de casas e apartamentos. Para minimizar esse quadro, o Banco Central decidiu liberar os bancos para usar 25 bilhões de reais dos depósitos da poupança que são obrigados a manter na instituição para desembolsos nas operações de financiamento habitacional e rural. A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão que reúne o BC e os ministérios da Fazenda e do Planejamento. Foi reduzida a obrigatoriedade de guardar uma parte dos depósitos da caderneta no Banco Central desde que os recursos fossem usados para financiamento habitacional (até 22,5 bilhões de reais) e empréstimos a produtores rurais (outros 2,5 bilhões de reais).

QUATRO CONSÓRCIOS E UMA EMPRESA APRESENTARAM PROPOSTAS PARA CONCESSÃO DE ÔNIBUS EM PORTO ALEGRE

Quatro empresas ou consórcios de Porto Alegre i apresentaram propostas para explorar o sistema de ônibus de Porto Alegre, na tarde desta segunda-feira, na sede da Empresa Pública de Transporte e Circulação. Apenas uma delas, a empresa, a Stadtbus, com sede em Santa Cruz do Sul, apresentou proposta sozinha. Os outros quatro são consórcios formados por pelo menos duas empresas, e todas elas já operam os ônibus de Porto Alegre atualmente, apenas com nomes diferentes. São eles: consórcio Vialeste, que tem como líder a empresa VAP, que faz parte do atual consórcio Unibus; consórcio Mobi, da Sociedade de Ônibus Porto-alegrense; Trevo, parte do Consórcio Sul e o consórcio liderado pela Sudeste, que atualmente faz parte do consórcio Unibus. Esta é a terceira tentativa da prefeitura de licitar o transporte — nas duas aberturas de licitação anteriores não havia interessados. O resultado é já esperado: está consolidado o monopólio que é exercido pelas empresas que atualmente exploram o transporte coletivo em Porto Alegre, sem jamais terem passado por uma licitação. Agora ganham um enorme tempão de sobrevivência. 

“Dilmãe, eu quero/ Dilmãe, eu quero/ Dilmãe, eu quero mamaaar’; “Ah, que bom seria/ se o petista soubesse economia”

Eita! Eu não tinha visto ainda. No vídeo abaixo, o ministro Miguel Rossetto (Secretaria Geral da Presidência) é homenageado num voo, consta, Brasília-São Paulo. A postagem mais antiga no Youtube é de 27 de maio.

Os refrões:
– “Dilmãe, eu quero, Dimãe, eu quero mamar/ Dá uma teta, dá uma teta/ dá uma teta pro petista mamar”;
– Ô, vamos fechar o PT, vamos fechar o PT, vamos fechar o petêêê…
– Ah, que bom seria/ se petista entendesse economia…
Assistam. Volto em seguida.
Notem que o comportamento no voo parece ser compatível com os só 9% que acham o governo Dilma ótimo ou bom. E avião, hoje, como dizem os petistas, é um símbolo da integração de classes, já que um dos orgulhos dos companheiros, segundo eles mesmos, é fazer pobre voar. Quem não se manifesta, por timidez ou algum outro receio, expressa sua anuência com um sorriso.
Reparem num jovem loura, à direita no vídeo. Ela chega a ensaiar uma adesão explícita, avança um pouquinho, recua. Numa próxima, vez, tudo indica, ela se joga…
É, a coisa não vai bem para eles porque não vai bem para o país. Noticio o que está por aí, mas, já disse, não endosso esse tipo de manifestação — e não é hipocrisia, não. Por outro lado, é absolutamente compreensível o que está em curso.
Ao longo de 12 anos, estamos no 13º da gestão companheira, seja no discurso oficial, seja nas redes sociais, seja nas ruas mesmo, os petistas foram de uma arrogância insuportável. Nunca quiserem debater. Sempre preferiram o caminho da desqualificação da crítica. Não souberam, o que é impressionante, ouvir nem os próprios aliados.
É sintomático que justamente Miguel Rossetto tenha sido alvo das manifestações de desagrado. Ele nem é assim um ministro tão conhecido. Ocorre que sua principal tarefa no governo é ouvir os tais movimentos sociais. E o que são os movimentos sociais? Ora, nada mais do que franjas do PT: MST. MTST, quilombolas, sindicalismo gay e vai por aí… Pergunta: quem conversa com o cidadão que não tem estrela no peito, que não pertence a movimento nenhum, que é representante apenas do seu próprio esforço e de sua dedicação ao trabalho?
Resposta: ninguém!
Eis aí: enquanto a economia brasileira se ancorou em alguns pilares de barro — iriam ruir, mas sustentaram a fantasia redistributivista do petismo —, os militantes ocuparam a cena, calaram os que resistiam na base do berro e da intimidação, sonharam com dois mil anos de poder, brincaram de Terceiro Reich…
Os críticos não eram críticos, mas sabotadores; os adversários não eram adversários, mas inimigos.Ou se estava com eles, na posição de subordinado, de joelhos, ou se estava contra eles. E, nesse caso, pobre de quem se tornou alvo da máquina de desqualificar biografias. Lula já tinha destruído toda a memória do sindicalismo que veio antes. E se encarregou também de reescrever a história política.
Assim, um notável democrata, como FHC, que, com o Plano Real, tirou o país da rota do desastre, passou a ser o arquiteto da herança maldita. O ex-presidente seria aquele que só fez mal ao Brasil, que não olhou para os pobres, que fabricou um regime de exclusão. José Sarney e Fernando Collor, no entanto, ex-adversários de Lula, bandearam-se para o governo e passaram a ser tratados como homens de ilibada trajetória democrática.
Quando o ministro encarregado de falar com os movimentos sociais é alvo de tal manifestação num avião, estamos diante do fim de uma quimera. Acabou a brincadeira. A distopia petista condenou o Brasil ao atraso e levou a administração pública ao grau zero da moralidade e da ética.
No vídeo, Rossetto se zanga e argumenta com o dedo em riste. É compreensível que não goste. Espero, no entanto, que aprenda alguma coisa. Ele tem dois caminhos: a) admitir os desastres da gestão petista, o que, creio, não fará; b) imaginar que aqueles trabalhadores que protestam no avião são todos procuradores da velha ordem burguesa, que seu partido, o PT, jurou combater, contando, para tanto, com o concurso de José Sarney e de Fernando Collor.
O PT se desmancha numa velocidade que impressiona até os que sempre torceram por isso. Suas bases eram mais frágeis do que imaginaram seus críticos.  E essa, sem dúvida, é uma boa notícia. Por Reinaldo Azevedo

José Serra sobreviveu ao PT

Quando saiu a última pesquisa Datafolha sobre as intenções de voto para presidente em 2018, estranhamos que José Serra não constasse de nenhum cenário... Agora, lê-se nos jornais que o PMDB e José Serra vêm se aproximando a ponto de parte do partido cogitar lançá-lo candidato ao Planalto. O PT tentou matar José Serra, mas José Serra sobreviveu ao PT.

Fantasma

Sobre a reunião convocada às pressas, Lauro Jardim, da Veja.com, informa que o convite desagradou políticos de partidos aliados, que comandam ministérios no governo. Eles decidiram não atender o pedido de Dilma e não viajarão a Brasília. A negação seria impensável em qualquer outro governo.

Pintou um climão

Só há crise nos arredores de Dilma Fantasma. Um assessor da petista disse ao Broadcast Político, do Estadão, que "o clima está horrível". Quanto pior o climão no Planalto, melhor para o Brasil.

José Dirceu não verá delação de Pascowitch

O juiz Sergio Moro negou a José Dirceu o acesso à delação premiada do lobista Milton Pascowitch. Na colaboração com a Justiça, Pascowitch disse que pagou propinas a Dirceu: primeiro sob a justificativa de serviços prestados, depois como puro repasse de propina.

Menos 38,5 bilhões

Os saques na poupança superaram os depósitos em 38,5 bilhões de reais no primeiro semestre. Havia 20 anos que não se via tamanha sangria. Os brasileiros afundam nas contas a pagar em 2015, enquanto PMDB e PSDB fazem contas de chegada para 2018.

Produção em baixa leva emprego na indústria automotiva a 20ª queda


O número de postos de trabalho na indústria automotiva caiu pelo vigésimo mês seguido. No acumulado do primeiro semestre, a queda no emprego é de 9,6%. O cálculo é baseado nas informações divulgadas pela Anfavea (associação nacional das montadoras) e considera os trabalhadores empregados pelas empresas que fazem parte da entidade. Hoje, há 136,9 mil funcionários nas montadoras instaladas no Brasil. Em outubro de 2013, eram 159,6 mil. A queda no emprego acompanha a produção de veículos no Brasil, que caiu 14,8% em junho sobre o mesmo período de 2014 e 12,5% sobre maio, para 184 mil unidades. Com o resultado, o Brasil acumulou queda de 18,5% na produção de veículos no primeiro semestre na comparação anual, para 1,277 milhão de unidades. "Temos 36,9 mil empregados fora do trabalho, seja em férias coletivas, lay-off ou licença remunerada. Isso representa 27% da força de trabalho das montadoras", afirma Luiz Moan, presidente da Anfavea. Dependente do mercado interno, a indústria automotiva sente a queda de 20,7% nas vendas entre janeiro e junho (inclui carros de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus). A Anfavea investe em ações de estímulo às vendas para tentar reverter os resultados negativos. Hoje, há cerca de 389 mil veículos em estoque, o que equivale a 47 dias de vendas. O setor de veículos pesados vive momento mais crítico, com queda de 42,3% no licenciamento de ônibus e caminhões no primeiro semestre de 2015 em relação a igual período em 2014. "A produção de caminhões já caiu 45,2% no acumulado do ano. As linhas de montagem são reguladas pela venda, o que explica essa queda drástica", diz Marco Antônio Saltini, vice-presidente da Anfavea. 

Dilma convoca reunião às 18 horas com aliados para discutir "clima de impeachment"



A presidente Dilma Rousseff convocou para esta segunda-feira (6) uma reunião de emergência com presidentes dos partidos aliados e líderes da base no Congresso. O objetivo é tratar dos movimentos pelo afastamento da presidente que ganharam força na oposição com a piora da crise que acomete o governo. Nas palavras de um aliado, Dilma quer acalmar a base e pedir que os parlamentares a defendam no Congresso "diante desse clima de impeachment". A convocação para o encontro, que vai ocorrer às 18h no Palácio do Alvorada, começou a ser feita na manhã desta segunda. Auxiliares estimularam que a presidente conversasse com os aliados antes de viajar para a reunião da cúpula dos Brics –Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul–, na Rússia. Ela deve embarcar nesta terça-feira (7) e, em seguida, terá compromissos diplomáticos na Itália. Seu retorno está previsto somente para o fim de semana. Uma das principais queixas da base, inclusive do PT, é a falta de diálogo da presidente. A última vez que Dilma reuniu o conselho político foi em maio, quando pediu que, em meio ao ajuste fiscal, os parlamentares aliados evitassem apresentar projetos que aumentassem gastos aos cofres públicos. Neste domingo (5), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reagiu aos movimentos pelo afastamento da presidente que ganharam força na oposição com o aprofundamento da crise enfrentada pelo governo. Segundo ele, falar em cassação da presidente é um "despudor democrático". "É de um profundo despudor democrático e de um incontido revanchismo eleitoral falar em impeachment da presidente como têm falado alguns parlamentares da oposição", disse. Para o ministro, "o desejo de golpe sob o manto da aparente legalidade é algo reprovável do ponto de vista jurídico e ético". A reação do ministro da Justiça acontece diante da piora da crise que enfrenta o governo. Nos bastidores, as principais forças políticas do país discutem o que fazer caso Dilma seja afastada do cargo. Segundo o ministro, para alimentar a tese de que a presidente pode cair antes do fim do ano, parlamentares de partidos oposicionistas fazem uso "de uma delação premiada que sequer foi tornada pública (de Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC)" e "de um processo ainda em curso no TCU (Tribunal de Contas da União)". Artigo publicado na Folha deste domingo pelo líder do PSDB na Câmara, deputado Carlos Sampaio (SP), afirma que, caso as contas do governo sejam rejeitadas no TCU em razão das chamadas "pedaladas fiscais", "não haverá outro caminho que não seja um processo de cassação do mandato de Dilma a ser conduzido no Congresso". Também no domingo, durante convenção nacional do PSDB, os tucanos previram o fim precoce do governo Dilma Rousseff. Os principais líderes da sigla que o partido está pronto para "ir até o fim" e assumir o comando do País. O PSDB teme ser acusado de golpista, mas optou por uma postura agressiva para não repetir o que avalia ser um erro do passado. Em meio ao escândalo do mensalão, em 2005, a sigla resistiu à pressão para encampar o pedido de impeachment do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Reeleito para o comando da maior legenda de oposição do país, o senador Aécio Neves (MG) disse que o PSDB terá "coragem para fazer o que tem que ser feito" e que deve se preparar porque, "em breve", deixará de ser oposição para "ser governo". "O PSDB não pode temer o futuro. (...) Hoje somos a oposição a favor do Brasil. Mas se preparem. Dentro de muito pouco tempo, não seremos mais a oposição, vamos ser governo. O PSDB é o futuro", concluiu. Sem citar Dilma nominalmente, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que o petismo está "no fundo do poço". "Ficou claro que o PT não gosta de pobre, não gosta do social. O PT gosta é de poder, a qualquer custo", disse o paulista. Ele falou em "tragédia" política e disse que Lula tenta jogar "nos ombros do povo" seus próprios erros: "Mas olha, Lula, o povo brasileiro não é bobo. Criaram a doença e agora estão querendo matar o doente". Até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu a tese de que os tucanos estarão, "a depender das circunstâncias, prontos para assumir o que vier pela frente". Para ele, o país perdeu o rumo. "O PT quebrou o Brasil", sentenciou. "Seja qual for o caminho pelo qual tenhamos que passar, o PSDB e seus aliados terão um norte", concluiu FHC. Apesar do tom, os tucanos insistiam em dizer que qualquer desfecho se daria "dentro da lei". "Não cabe ao PSDB antecipar a saída de presidente da República. Não somos golpistas", afirmou Aécio. Minutos mais tarde, ele disse ter o "sentimento" de que a adversária não fica no poder até 2018. "O que eu vejo é que alguns partidos que hoje apoiam o governo têm esse sentimento, até mais aflorado do que o nosso, de que ela terá dificuldades para concluir o seu mandato", disse o tucano.

Crise vira oportunidade para ferrovias


O revés da economia brasileira tem rendido bons negócios para as companhias ferroviárias. Tradicionalmente bancadas pelo transporte de granéis, como minério de ferro e grãos, elas abriram espaço para novas cargas transportadas em contêineres. As companhias nem precisaram se esforçar muito para conquistar novos clientes. Eles vieram até elas na busca por redução de custos. A lista de produtos transportados nas grandes "caixas" de aço vão de milho, soja, açúcar e celulose a produtos industrializados, como TVs de plasma. Se antes da crise a prioridade do setor produtivo era entregar a mercadoria no menor tempo possível, agora com a demanda mais fraca e margens reduzidas, o que importa é diminuir as despesas e garantir a rentabilidade. O movimento pode ser percebido no aumento do transporte de contêineres pelos trilhos. De janeiro a maio deste ano, seis das oito principais ferrovias que fazem esse tipo de transporte no país registraram aumentos entre 8,9% e 154% em relação a igual período do ano passado, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Na MRS Logística, operadora que administra uma malha de 1.643 quilômetros nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, o volume transportado para o Porto de Santos - o maior da América do Sul - cresceu 57% entre janeiro e maio deste ano. Em toda a concessão, o aumento da movimentação de contêiner foi de 22%. "A crise econômica abriu a cabeça de muitas empresas, que deixaram de lado uma série de preciosismos em favor de uma redução de custos mesmo que seja de 1 real", afirma o gerente geral de Negócios da ferrovia, Guilherme Alvisi. O aumento da participação dos contêineres na movimentação total da MRS - embora ainda pequena - é uma novidade. O forte da empresa, formada por CSN, Vale, Usiminas, Gerdau, Namisa e Minerações Brasileiras Reunidas, é o transporte de commodities minerais. Mas o objetivo da companhia é ampliar os horizontes, afirma Alvisi. Segundo ele, nos últimos meses, 70% de seu tempo tem sido dedicado a negócios no segmento de contêineres. "Todos os dias recebemos a visita de potenciais clientes. Hoje já estou no quarto encontro", afirma o executivo. Foi numa dessas reuniões, que a empresa conquistou o transporte de TVs de plasma da coreana LG. Os aparelhos saem de Manaus e descem até o Porto Santos em navios de cabotagem (navegação apenas no litoral brasileiro). Ali são transferidos para trens que levam a mercadoria até Cajamar, na Região Metropolitana de São Paulo. Somente nessa operação são cerca de 1.000 contêineres por mês. "Com a vantagem de risco zero de roubo de carga em relação ao transporte por caminhão", afirma Alvisi. Segundo ele, a empresa está fazendo um mapeamento dos potenciais mercados que podem ser explorados. "Há uma infinidade de empresas que podem se tornar nossos clientes, mas queremos um direcionamento para ganharmos tempo." Na Brado Logística, braço da Rumo Logística (ALL) na movimentação de contêiner, além de novos contratos, clientes antigos aumentaram o volume transportado por contêiner. Pelos dados da ANTT, as malhas Norte, Sul e Paulista da ALL registraram crescimento nesse segmento de 27,59%, 56,47% e 8,92%, respectivamente, entre janeiro e maio deste ano comparado a igual período do ano passado. "Nesse momento de crise, as companhias olham mais para as ferrovias como solução para a redução de custos (na média, o transporte por ferrovia é 15% mais barato que o rodoviário). Nós estamos aproveitando a oportunidade para expandir a atividade", afirma o diretor comercial da empresa, Angelo Baptista. Segundo ele, desde o fim do ano passado, a empresa passou a fazer o transporte de celulose em contêiner para os portos de Santos e Paranaguá. Normalmente esse tipo de produto é transportado a granel. Um dos fortes da ferrovia é a movimentação de cargas "frigorificadas", que exigem contêineres especiais para transportar especialmente carnes. "Esse é um nicho que deve crescer bastante nos próximos anos. O Brasil precisará agregar valor aos seus produtos, não só exportar a soja em grão, mas em forma de produto industrializado." Os efeitos da crise também chegaram aos trilhos da Ferrovia Tereza Cristina, o menor corredor ferroviário do país, com 164 quilômetros em Santa Catarina. Do ano passado para cá, a movimentação de contêiner da empresa teve um salto de 154%. Nesse caso, a redução de gargalos no Porto de Imbituba também ajudou a incrementar a movimentação de carga da empresa, que tem transportado produtos cerâmicos, mel e arroz. Boa parte das mercadorias fica no mercado interno. O arroz, por exemplo, segue de ferrovia até o Porto de Imbituba e depois vai para o Nordeste em navios de cabotagem. Em todos os casos, o desafio é conseguir fidelizar os novos clientes para que continuem nas ferrovias mesmo quando a economia se recuperar e o tempo de transporte voltar a ser um fator primordial para os clientes. "A diversificação é saudável para as ferrovias, pois em situação de crise elas não ficam muito expostas", afirma o superintendente da ANTT, Alexandre Porto, referindo-se à volatilidade do mercado de commodities que interfere no volume transportado das ferrovias. 

Aécio 26 x 1 Alckmin.


Se houvesse uma prévia hoje entre os novos dirigentes dos diretórios estaduais do PSDB para a escolha do candidato do partido a presidente, o senador Aécio Neves (MG), que será reeleito neste domingo para comandar o partido por mais dois anos, teria uma maioria esmagadora. Em conversas reservadas, tucanos pró-Aécio fazem um paralelo com 2010, quando defenderam as prévias entre o senador José Serra (SP) e Aécio: se tivessem sido feitas, teria dado 26 a 1 para Serra. Aécio só tinha Minas Gerais. Hoje, diz um tucano, se houvesse prévias, daria o contrário: 26 pró-Aécio e apenas São Paulo com o governador Geraldo Alckmin. Apesar das manifestações pró-Aécio como o candidato natural, todos, entretanto, têm uma preocupação comum: para os tucanos, a maior armadilha para o partido, que tem chances reais de voltar ao Planalto daqui a 3 anos, é estar rachado para enfrentar o PT. Presidente do partido, Aécio, no entanto, procura minimizar a questão. "Talvez uma das maiores tarefas, nestes dois anos, seja preservar a unidade do partido. E esse discurso é discurso de quem teme muito o PSDB e fica desde já estimulando a nossa divisão. E para isso eu tenho que, infelizmente, dar uma má notícia: nós estaremos unidos e prontos para vencer as eleições para o bem do Brasil", ironiza Aécio. Aécio tem o comando de uma máquina turbinada pelo novo Fundo Partidário e um recall (taxa de conhecimento pelo eleitorado) da última eleição. Mas Alckmin tem nas mãos o comando de São Paulo e terá no Diretório Nacional homens de confiança: o deputado Silvio Torres como secretário geral; o ex-governador Alberto Goldman, que continua como um dos vice-presidentes; e o deputado Eduardo Cury (SP), que será o interlocutor do partido junto aos prefeitos de todo o país, o que permite ter capilaridade no Brasil. O suplente do senador José Serra (SP), o ex-deputado José Aníbal, disputa o comando do Instituto Teotônio Vilela com o deputado José Carlos Hauly (PR). O fato de, em São Paulo, a última pesquisa ter dado Aécio na frente de Alckmin também é “sugestivo”, segundo tucanos. Eles alegam que Aécio fez uma boa campanha e estreitou laços com os políticos nos estados, o que ajudaria bastante. No entanto, Alckmin também tem bom trânsito no partido, mas não foi candidato na última eleição. O discurso para alertar a todos, entretanto, é que o PSDB não pode cair na armadilha e se lançar numa guerra fratricida, porque, se chegar dividido em 2018, perde a possibilidade de vitória contra um PT em crise. Com mais dois anos de mandato no comando do PSDB, Aécio Neves terá a seu favor a máquina do partido para articular sua candidatura nos diretórios estaduais e municipais. Mas os desfechos nas eleições regionais nem sempre foram pacíficos. No Rio Grande do Sul, Aécio teve que intervir para suspender a disputa. Nomeou uma comissão provisória, comandada pelo deputado Nélson Marchezan Jr., seu aliado, que tem resistência nas bases do partido no estado. Ele disputa com Lucas Redecker, favorito. O argumento para a intervenção foi acirramento político e necessidade de manter unidade partidária. Nas eleições dos diretórios de Minas Gerais e de São Paulo, Aécio e Alckmin participaram e demarcaram território. Em Minas, com a eleição do deputado Domingos Sávio, o ato foi mais discreto. Em São Paulo, o deputado estadual Pedro Tobias usou o evento para marcar o lançamento da candidatura de Alckmin a presidente. A partir desse gesto, Alckmin começou a intensificar sua agenda nacional. No discurso, Tobias disse que o país quer “Geraldo presidente”: — Esse é o nosso governador, que cuida de São Paulo. O país precisa de um médico, porque está doente, corrompido. Na avaliação de dirigentes tucanos, se disputar prévias com Aécio, Alckmin pode ter voto nos diretórios das regiões Sul e Sudeste. No Nordeste, Aécio tem apoio consistente. Em Pernambuco, o novo presidente do diretório, deputado Antônio Morais, segue o antecessor, Bruno Araújo, ligado a Aécio. Na Paraíba, Ruy Carneiro é Aécio, como o líder no Senado, Cássio Cunha Lima. No Rio, o deputado Otavio Leite foi eleito. Aecista, evita se posicionar. Mas o deputado Célio Silveira, novo dirigente estadual em Goiás, aposta em uma terceira via: o governador Marconi Perillo, que não pode mais se reeleger. — Uma briga entre Alckmin e Aécio permitirá que o governador Marconi Perillo entre como uma terceira via forte. E alguns poucos tucanos, como o senador Ataídes Oliveira (TO) e o deputado Arhtur Bisneto (AM), reconhecem publicamente a preferência por Aécio. "Pela força que demonstrou nas urnas, não vejo como o partido não encampar a candidatura em 2018", diz Bisneto. "Hoje, o nome pronto, na memória do povo, é o do Aécio. Não vai ter prévia", diz Oliveira. Líder em exercício na Câmara, o deputado Nilson Leitão (MT) diz que o candidato natural é Aécio, mas que só se pode refletir sobre isso quando Alckmin se apresentar: "O tempo de divisão acabou. Aécio saiu da eleição como líder da oposição".

Em que buraco Dilma e o PT vão colocar o Brasil?

Hoje saiu mais um Boletim Focus, que é a projeção que uma série de grandes agentes financeiros sob liderança do Banco Central produz para os principais indicadores econômicos. Por curiosidade, o Blog foi comparar com o último relatório de 2014, publicado em 26 de dezembro.No período de seis meses, a economia deteriorou-se tanto que beira ao descontrole. A quanto chegaremos no final do ano, seguindo este mesmo ritmo? Com a produção industrial caindo 10%? O PIB caindo 3%? A inflação em 15%? A SELIC beirando os 20%? E o dólar a R$ 4? Claro que os economistas dirão o contrário, que as coisas não são tão lineares assim. Mas foram estes mesmos economistas que projetaram o final de 2014. O quadro econômico atual está dando um aviso: acabem com este governo ou este governo acaba com o Brasil.

O silêncio premiado de José Dirceu

O relato de que José Dirceu tem uma dívida de 3 milhões de reais vai custar muito caro ao PT. Basta ler o resto da nota de Monica Bergamo para entender que esse é o preço a pagar por seu silêncio: “José Dirceu admitia a interlocutores que a tensão que já estava vivendo havia quatro meses, com os boatos de que poderia ser preso a qualquer momento, o deixava ‘mal’. Amigos afirmam que a depressão seria tal que o petista poderia, caso preso, no limite, aderir a um acordo de colaboração com a Justiça. No fim da semana passada, no entanto, o ex-ministro afirmava: ‘Eu enfrento qualquer situação’”. 

Ele está "mal", mas pode ficar "bem"

A agência do BNDES nas ilhas Caymann

Os negócios da Odebrecht fora do Brasil foram turbinados por Lula, com dinheiro do BNDES. Até 2006, segundo a Folha de S. Paulo, a empreiteira recebia do banco uma média de 166 milhões de dólares anuais em seus empreendimentos no exterior. Em 2007, o valor saltou para 786 milhões de dólares. Nos sete anos sucessivos, a média anual foi de 1 bilhão de dólares. Quando Lula foi a Cuba, em 22 de fevereiro de 2014, com tudo pago pela Odebrecht, através de seu escritório nas ilhas Caymann, Lula não estava apenas representando seus patrões - ele estava celebrando uma parceria. O BNDES, de fato, emprestou 2,6 bilhões de reais para as obras do porto de Mariel. E a Odebrecht foi a única empreiteira brasileira que ganhou dinheiro do banco para realizar seus contratos em Cuba. O biógrafo Fernando Moraes, um dos passageiros do jatinho Caymann, conhecido por sua honestidade intelectual, deve estar escrevendo um livro sobre o assunto.

A única saída

Enquanto Cristina Kirschner festejava o "suicídio induzido" dos gregos, o ministro da Economia alemão avisava que a Grécia está à beira da insolvência e que os europeus devem se preparar para mandar ajuda humanitária ao país. Alexis Tsipras, neste momento, está tentando montar um governo de união nacional. Não há outra saída.

Ser um "bom europeu" é...

Na quarta-feira, em discurso no Bundestag, Angela Merkel definiu o que é ser um "bom europeu": "Um bom europeu não é aquele que busca a unidade a qualquer preço. Um bom europeu é aquele que respeita os tratados europeus, assim como as leis nacionais, e que, dessa forma, contribui para que a estabilidade da Zona do Euro não se deteriore". Alexis Tsipras não é um bom europeu. Os seus eleitores não são bons europeus.

CRISTINA KIRCHNER FICA FORA ATÉ DO SEGUNDO TURNO EM BUENOS AIRES.

Macri e seu pupilo, Larreta, os vencedores
Em terceiro lugar na disputa, Mariano Recalde ficou fora do 2º turno. O opositor Rodríguez Larreta teve 45% dos votos e vai enfrentar o ex-ministro Martín Lousteau, que teve 25%. O candidato apoiado pela presidente argentina Cristina Kirchner foi derrotado neste domingo na eleição para prefeito de Buenos Aires - que continuará sendo um reduto da oposição. Mariano Recalde, do governista Frente Para a Vitória, não era favorito diante do opositor Horacio Rodríguez Larreta, do conservador Proposta Republicana (Pro), mas esperava ir para o segundo turno. Não conseguiu. Recalde teve 21,8% dos votos e ficou em terceiro lugar na disputa. Larreta obteve 45,5% dos votos e vai disputar o segundo turno contra Martín Lousteau, que teve 25,6%. Ex-ministro da Economia, Lousteau rompeu com o governo em 2008 e é o candidato da frente de centro-esquerda Eco. O segundo turno acontece em 19 de julho. Apoiado por Mauricio Macri, atual prefeito da capital argentina e principal candidato da oposição nas eleições presidenciais de outubro, Larreta agradeceu os votos que recebeu em um discurso no comitê no Pro. "É um grande orgulho que tanta gente apoie o nosso trabalho", disse ele. O candidato à prefeitura de Buenos Aires também aproveitou para fazer campanha para o seu aliado. "Todos sabem quem vai ser o próximo presidente", afirmou, ao lado de Macri. Em seu próprio centro de campanha, Lousteau também festejou o resultado e confirmou que não desistirá de concorrer no segundo turno. A imprensa argentina e analistas políticos cogitaram que o candidato pudesse abrir mão da disputa já que os dois partidos são aliados nas eleições presidenciais. "Hoje os portenhos decidiram que haverá segundo turno. Obrigado a todos. Com o segundo turno, todos ganham", afirmou o candidato do Eco, que pediu um debate com Rodríguez Larreta.

BOLETIM FOCUS DO BANCO CENTRAL PREVÊ QUEDA AINDA MAIS BRUTA DO PIB

De acordo com a pesquisa Focus do Banco Central revelada nesta segunda-feira (6), a previsão de retração do PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 caiu de 1,49% para 1,50%; já para 2016, os economistas mantiveram a projeção do crescimento do PIB em 0,50%; de acordo com o documento, a mediana das previsões do mercado financeiro para o IPCA de 2015 subiu de 9,00% para 9,04%, acima do teto da meta estabelecida pela autarquia de 6,5% ao ano; para o ano que vem, a previsão caiu de 5,50% para 5,45%

A Grécia expõe a fragilidade institucional da Zona do Euro; Thatcher previu o imbróglio numa magnífica atuação no Parlamento, em 1990. Assista a vídeo

O “não” venceu o plebiscito na Grécia, como vocês viram, e por boa margem: essa foi a escolha de 61,31% do eleitorado, contra 38,69% que disseram “sim”. Era “não” ou “sim” a quê? A um pacote de austeridade proposto pelo Banco Central Europeu para renegociar a dívida brutal do país. Esse pacote incluía corte de gastos e elevação de impostos. Parecia-me quase milagroso que, mesmo insuflada pelo próprio governo, a população reconhecesse que não há saída para o país a não ser um sacrifício adicional. Bem, mais uma vez, um milagre dessa natureza não aconteceu. Não havia boa escolha para os gregos. Mas a maioria escolheu o pior.

Alexis Tsipras, o porra-louca da Syriza, a frente de extrema-esquerda que governa o país, está feliz. Fez campanha pelo não. Vamos ver se vocês entendem a ironia: entre passar por incoerente e condenar o país à inviabilidade, ele preferiu o segundo caminho. E agora? Agora o homem já convidou os líderes europeus para uma conversa. Orgulhoso, bate no peito e diz que a democracia está sendo respeitada. Ele só se esqueceu de que há regimes democráticos nos demais países da Zona do Euro. A rigor, também suas respectivas populações deveriam ser convidadas a aceitar ou não o calote grego.
A resistência vem de todo lado, mas o epicentro está na maior economia da Zona do Euro e da União Europeia: a Alemanha. Angela Merkel até estava empenhada em uma nova rodada de negociações com a Grécia, mas aí Tsipras decidiu se comportar um típico bandoleiro de esquerda: propor o plebiscito. Entornou o caldo. Democratas-cristãos e sociais-democratas estão unidos e dizem um sonoro “não” ao “não” grego. O que fazer?
Não dá para saber. A Zona do Euro, de cujo acordo não há cláusula de expulsão, é a unidade monetária de 19 países que compõem a União Europeia, formada por 28. Também desse grupo ampliado, só se pode sair voluntariamente, segundo o Tratado de Lisboa, que emenda o de Maastricht. Da leitura de tratados um tanto confusos, entende-se que um Estado-membro até poderia ser expulso da UE, mas seria preciso o voto unânime dos países-membros, inclusive do candidato à expulsão. Convenham, não vai acontecer. Ainda assim, a hipótese se refere a estados que não respeitem os direitos fundamentais, não aos que dão calote.
A Grécia, com sua desordem financeira, fiscal e monetária está expondo algumas das fragilidades da União Europeia e da Zona do Euro. Criou-se uma unidade que só funciona desde que todos sejam voluntariamente disciplinados. Há, apelando a Karl Marx e com ironia, uma aposta no idealismo alemão. Os gregos vieram bagunçar o coreto.
Quem deve estar rindo lá no céu — ou, segundo alguns, no inferno — é Margaret Thatcher, né? Ela previu que a Alemanha ainda ficaria com o saco cheio de ter de conviver com pressão inflacionária e que os países pobres não teriam condições de competir com os demais.
Abaixo, há um vídeo magistral — e a transcrição do diálogo está aqui, na página da Fundação Margaret Thatcher, em que ela debate na Câmara dos Comuns por que se deve dizer “não” à Zona do Euro. O debate aconteceu no dia 30 de outubro de 1990. É claro que o Reino Unido também pode ser afetado pela crise grega, já que se trata de uma ilha apenas física, não econômica. Mas sofrerá muito menos porque não embarcou na união monetária. Thatcher não deixou..
Os problemas enfrentados agora pela Zona do Euro foram quase milimetricamente antevistos por Thatcher. Veja o vídeo. Na sequência, traduzo um trechinho.
Traduzo um trecho:
Perhaps the Labour party would give all those things up easily. Perhaps it would agree to a single currency and abolition of the pound sterling. Perhaps, being totally incompetent in monetary matters, it would be only too delighted to hand over full responsibility to a central bank, as it did to the IMF. The fact is that the Labour party has no competence on money and no competence on the economy—so, yes, the right hon.”
Talvez o Partido Trabalhista entregasse todas essas coisas [ela se refere ao que considera a soberania do Reino Unido] facilmente. Talvez concordasse com a moeda única e com a abolição da libra esterlina. Talvez, sendo totalmente incompetente na administração da política monetária, ficaria feliz em delegar toda a responsabilidade a um banco central [europeu], como fez em relação ao FMI. O fato é que o Partido Trabalhista não tem competência para lidar nem com dinheiro nem com a economia. Sim, é isso mesmo, excelência!”
Por Reinaldo Azevedo

Em convenção nacional, PSDB expõe a herança maldita do PT e se diz preparado para tirar o país da lama

O PSDB realizou neste domingo a sua convenção nacional. Ninguém pegou leve com o governo do PT e com a presidente Dilma Rousseff, embora, nas falas oficiais, não se tenha pronunciado a palavra “impeachment”. Mas os tucanos fizeram questão de deixar claro que estão prontos, se preciso, para assumir o comando do Brasil. Três, e não dois presidenciáveis, estavam presentes ao encontro: o senador Aécio Neves (MG), reconduzido à presidência da sigla; o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, lançado para a sucessão de Dilma pelo diretório de São Paulo, e, sim, o senador José Serra (SP), que tem sido de uma operosidade impressionante no Senado.

E os três bateram muito duro. Aécio tem a seu favor o apoio, hoje, da maioria dos diretórios e o fato de quase ter batido Dilma no ano passado. Alckmin lidera o Estado em que o PSDB teve o melhor desempenho, saiu vitorioso em 644 dos 645 municípios do Estado, e resistiu de forma impressionante à crise hídrica, que o PT tentou explorar à farta. Serra voltou a ser reconhecido em Brasília como um dos homens públicos mais preparados do país. Há quem diga que o PMDB o corteja — mas, convenham, essa história de tucanos graduados deixarem o partido tem rendido mais calor do que luz. Eu não apostaria dez centavos nisso. De todo modo, melhor um partido de oposição que tem três candidatos considerados sérios a um de situação que não conta com nenhum… Se é que vocês me entendem.
Aécio não economizou. Em seu  discurso, resumiu assim o governo Dilma:
“[convivemos] Com a corrupção endêmica, que grassa no serviço público, gerando escândalos em série, intermináveis e vergonhosos, como os revelados quase diariamente pela Operação Lava-Jato. Convivemos com o uso de truques contábeis, as chamadas ‘pedaladas fiscais’, para fechar as contas do governo. Uma prática que pode levar a presidente da República a ter suas contas rejeitadas, algo inédito em quase 100 anos de história republicana.”
O presidente do PSDB enumerou as consequências:
“E temos, como resultado de tudo isso, um autêntico desgoverno, que abriga caprichosamente uma crônica ineficiência e premia a má gestão. Diante disso, não seria possível esperar qualquer outro resultado, senão as múltiplas crises que se instalaram no corpo do Estado brasileiro. A crise, que inicialmente era econômica, apenas uma ‘marolinha’, parou o país e varreu nossas esperanças. Depois virou também séria crise política, tomada pelo descrédito total dos que estão no poder e de seus padrinhos. Agora, passo a passo, vai se transformando em aguda crise social.”
Tido como habitualmente moderado, comedido, Alckmin também bateu duro:
“O PT chegou ao fundo do poço e cabe a nós a missão de não deixá-los carregar o país junto com eles. Afastado o flagelo do petismo no poder, o Brasil poderá reencontrar sua vocação para o crescimento”.
E decidiu tomar do PT o suposto monopólio do social:
“Somos o partido dos mais humildes, dos trabalhadores, do povo. O PSDB é o partido da educação, que emancipa; da saúde, que cuida de gente; o partido da segurança pública, que salva vidas. O partido daqueles que mais precisam. O partido que nunca usou e nunca usará o nome do trabalhador em vão.”
Serra, por sua vez, viu uma crise inédita:
“O Brasil está atravessando a pior crise desde que me conheço por gente, sem nenhum catastrofismo. Cabe a nós oferecer saídas para a crise. Vai ser difícil, porque o estrago feito pela era petista é gigantesco.”
O senador se referiu ao governo de João Goulart:
“O Jango era de uma solidez granítica perto do governo Dilma, pelo menos sabia escolher gente, era um gigante na administração perto do governo Dilma.” Mas deixou claro que não endossa certas posições assumidas pelo PSDB em votações no Congresso: “Claro que às vezes há tentação, que precisamos afastar de aprovar loucuras fiscais irreversíveis, que comprometem o futuro”.
Entre outras loucuras, deveria estar se referindo à aprovação, pelo Senado, de um reajuste médio para os servidores do Poder Judiciário de, em média, 60%.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, alvo permanente do PT quando governo ou quando oposição, também não amaciou no diagnóstico:
“O Brasil foi quebrado pelo PT e pelo lulo-petismo. Essa crise que vai custar caro para o povo brasileiro é dele, não nossa. Não virá aliança externa para nos ajudar, mas temos força, como brasileiros e brasileiras, de reconstruir o Brasil. Queremos reconstruir o Brasil, tirá-lo dessa tragédia para a qual fomos levados pela incompetência de quem não sabe governar.”
Há algum tempo, FHC lembrou que ele chegou a perder, sim, a popularidade, quando presidente, mas nunca a credibilidade. Voltou ao tema:
“Quando se perde a credibilidade, não há mais como recompô-la. E esse governo perdeu a credibilidade. Não explicou nada, deu volta de 180 graus, mudou sua política sem dizer nada. Não dá mais para acreditar. Quebrou o cristal. E emendou: “Vamos tentar, junto com o povo, levar o país a um caminho de ética, de bem-estar. Não estamos sozinhos, juntos vamos vencer e nos recompor.”
Com dois pré-candidatos claros à Presidência — Aécio e Alckmin — e um eventualmente correndo por fora — Serra —, o PSDB vive o momento efervescente de quem pode se considerar um potencial sucessor do PT. Não pode deixar que cresça um inimigo que o atrapalha com certa frequência. Não me refiro ao PT, mas às divisões internas. Espera-se que já esteja maduro para saber equacioná-las.
Por Reinaldo Azevedo

O quadro se agrava para Dilma; cresce o bochicho sobre renúncia ou impeachment, e lá vem o Cardozo dar pedaladas jurídicas

Quando, na semana passada, José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, espalhou que estava pensando em deixar o governo, tirei o sarro dele neste espaço. Afirmei o óbvio: quem realmente quer se demitir não fica espalhando ruído pelos corredores; pede pra sair e pronto! Ele só queria fazer firula. Eis que, nesta segunda, na Folha, lá está o homem, de novo, a dar suas pedaladas jurídicas. Cresce o bochicho em Brasília sobre uma eventual renúncia da presidente Dilma Rousseff ou sobre seu impeachment. E o ministro da Justiça, em mais um exercício de direito criativo grita: “Golpe!”. É mesmo? Disse ele ao jornal: “É de um profundo despudor democrático e de um incontido revanchismo eleitoral falar em impeachment da presidente como têm falado alguns parlamentares da oposição”. Como? Então vamos ver. As contas do governo referentes a 2014 ainda não foram chanceladas pelo TCU. Vamos ver como o governo pretende operar no tribunal. Se fossem avaliadas hoje, haveria a recomendação para que o Congresso as rejeitasse. Se isso acontecer, é evidente que, à diferença do que diz o ministro, abre-se o caminho para a denúncia por crime de responsabilidade. Segundo Cardozo, a análise das contas feita pelo TCU “não pode causar nenhuma imputação de crime de responsabilidade”. É mesmo? Vai ver a Lei 1.079 que está no arquivo do ministro é diferente daquela que você pode ler aqui. A versão dele deve ter sido estornada dos Artigos 10 e 11, que caracterizam as pedaladas como crime de responsabilidade, sim. Há mais: a oposição ofereceu uma denúncia contra Dilma à Procuradoria-Geral da República — cadê Rodrigo Janot? — em razão da lambança fiscal, acusando-a de ter transgredido o Artigo 359 do Código Penal. Não entro em minudências agora — já expliquei isso aqui —, mas também nesse caso se abre uma vereda para a perda do mandato. E há a investigação em curso no TSE sobre o uso de recursos irregulares na campanha de 2014. A VEJA desta semana antecipa parte do conteúdo da delação premiada de Ricardo Pessoa, dono da UTC. Ele entregou à força-tarefa da Lava Jato planilhas que evidenciariam que, entre outras doações, repassou ilegalmente para a campanha de Dilma R$ 7,5 milhões. Ele teria sido, digamos, convencido por Edinho Silva, então tesoureiro da campanha e hoje ministro da Comunicação Social, que lhe teria lembrado gentilmente que tinha muitas obras na Petrobras… Pessoa, a exemplo do doleiro Alberto Youssef, vai depor à Justiça Eleitoral. Não é só isso: em seu depoimento, Youssef diz ter sido procurado por um emissário do PT no começo do ano passado para repatriar R$ 20 milhões — isto é, trazer de volta dinheiro sujo enviado para fora do país — para a campanha de Dilma. O doleiro afirmou ainda que só não fez a operação porque foi preso antes. Crime eleitoral como esse, se realmente ficar caracterizado, resulta na cassação da diplomação de Dilma. E ela cai, sim. Todos esses são caminhos absolutamente legais, que só podem ser considerados golpistas por uma mente perturbada. Notem: se o TSE condenar Dilma e lhe cassar o diploma, isso só será feito em virtude da lei. Se o TCU recomendar a rejeição das contas de Dilma e se o Congresso acatar o parecer, trata-se apenas do triunfo da lei. Se isso resultar numa denúncia à Câmara com base na Lei 1.079, será, mais uma vez, em razão da lei. Se Janot oferecer uma denuncia contra Dilma ao STF em razão da agressão ao Código Penal — e caso ela venha a ser condenada ao fim —, mais uma vez, o que se terá é o exercício da lei. Golpista é querer ganhar o debate no berro, fazendo de conta que inexiste um arcabouço legal no país. O discurso não cola mais. Para citar o petista Chico Buarque, o tempo passou na janela, e só as Carolinas lesas do PT não viram. Por Reinaldo Azevedo

PMDB SONDA ‘GOVERNO TEMER’ E PSDB TOPA

A alta cúpula do PMDB procurou partidos de oposição, como o PSDB, para uma “consulta” que ilustra o declínio do governo Dilma: sondam sobre a posse, em definitivo, do vice Michel Temer. Tucanos reagiram bem: “melhor do que está agora”, disse um cacique. Peemedebistas já argumentam abertamente que o atual governo do PT “acabou” e que o País precisa encontrar uma saída para a crise de governabilidade. Com as sondagens, o PMDB pretende blindar Michel Temer diante de eventual impeachment de Dilma ou mesmo se ela renunciar ao cargo. O argumento é que Dilma pode cair por impeachment ou renúncia. “É uma absoluta inaptidão para governar”, diz um alto cacique do PMDB. Dilma pode sair do cargo pela via judicial: ministros do TSE avaliam denúncia de financiamento de sua campanha com dinheiro roubado. O rompimento do PMDB com o PT, defendido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, pode ser a “pá de cal” do governo Dilma.