segunda-feira, 13 de julho de 2015

"Diante de organização criminosa"

O procurador Luiz Felipe Hoffman Sanzi se manifestou no Habeas Corpus impetrado pela defesa de Mário Faria, ex-executivo da Odebrecht. Em documento de 42 páginas, Sanzi pediu que o TRF da 4ª Região negasse a liberdade a Faria. Segundo ele, “estamos diante de organização criminosa, que por longos anos, praticou delitos de extrema gravidade contra a Administração Pública, causando prejuízos incalculáveis à Petrobras”. O procurador ressaltou que já há indicativos suficientes que mostram a participação do executivo no esquema de propinas. “Ademais, a empresa Odebrecht, obviamente, agia através de seus representantes, notadamente daqueles que detinham posição administrativa relevante na empresa, como é o caso do paciente Márcio Faria da Silva”, conclui o procurador.

Defesa aconselha delator a ficar calado em depoimento à Justiça Eleitoral


Apontado como chefe do cartel de empresas investigadas por esquema de corrupção na Petrobras, o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC, foi aconselhado por advogados a permanecer em silêncio durante depoimento à Justiça Eleitoral na ação que pede a cassação da presidente Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer. Ele será ouvido nesta terça-feira (14) pela Corregedoria-Geral Eleitoral do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O acordo de delação premiada fechado com o Ministério Público Federal na Operação Lava Jato ainda está sob segredo de Justiça. Segundo a defesa de Pessoa, eventuais manifestações poderiam representar riscos a esse acordo. Pessoas próximas ao empresário, no entanto, não descartam que ele possa fazer esclarecimentos. À Justiça federal, Pessoa disse que doou R$ 7,5 milhões à campanha de Dilma por temer prejuízos em negócios com a Petrobras. O montante foi declarado à Justiça Eleitoral. Na ação contra Dilma, a oposição sustenta que a petista deve deixar o comando do País porque as campanhas do PT teriam sido financiadas com dinheiro de corrupção na Petrobras. Outros argumentos utilizados por partidos de oposição, puxados pelo PSDB, é que o governo segurou divulgação de dados oficiais durante as eleições e fez pronunciamentos em cadeia de rádio e TV para promover a candidata. Já foram ouvidos nessa ação o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Herton Araújo.

Youssef diz à Justiça que pagou ao PT e a Vaccari


O doleiro Alberto Youssef, delator da Operação Lava Jato, disse nesta segunda-feira à Justiça Federal em Curitiba (PR) ter realizado um pagamento de cerca de 800.000 reais em espécie ao PT - parte do dinheiro, segundo ele, foi entregue a Marice Corrêa de Lima, cunhada do ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto. O depoimento faz parte de uma das ações penais em que Vaccari é réu. Vaccari e sua cunhada negam ilegalidades. O doleiro detalhou o pagamento da propina por orientação da diretoria da Toshiba em um contrato do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). "A única operação que eu fiz que envolveu o pagamento ao PT foi sobre uma obra do Comperj a pedido da Toshiba. Na época foi no total 800 e poucos mil reais", afirmou ao juiz Sérgio Moro. Youssef declarou que parte do dinheiro foi entregue "na porta do diretório do PT em São Paulo" e outra parte à cunhada de Vaccari, em espécie, em seu escritório na capital paulista. Ele disse que ter se encontrado com o ex-tesoureiro, mas afirmou que esse pagamento foi orientado pela Toshiba. Youssef afirmou, porém, que sabia que Vaccari recebia parte das "comissões" da Diretoria de Serviços da Petrobras, cujo titular era Renato Duque, também réu na mesma ação. Ele afirmou que soube por empreiteiros que "normalmente essas comissões eram pagas por meio de intermédio no próprio partido". "Foi me falado na época que era propina. O comissionamento era pago como doação", disse Youssef. O doleiro também informou que, em dezembro de 2013, realizou três pagamentos de cerca de 110.000 reais cada a Marice Corrêa de Lima, a mando da José Ricardo Breghirolli, da OAS, segundo ele, o "funcionário com quem tratava de caixa dois". Youssef explicou que mantinha uma espécie de caixa paralelo da OAS em dinheiro vivo e que realizava pagamentos sem saber o motivo e nem a quem. Dessa maneira, disse, ele reconheceu Marice apenas quando foi levar o dinheiro no apartamento dela em São Paulo. "Não sabia, nem tinha me relacionado com quem era e quem deixava de ser. Quando ia no endereço é que eu ia saber quem era. Eu fui entregar diretamente a ela e reconheci (a Marice) porque ela esteve comigo no escritório". Youssef negou que tenha participado a achaques a construtoras e disse que elas conheciam o sistema de propinas de cerca de 2% dos contratos e aditivos. A divisão era da seguinte forma: 1% ao PT e 1% ao PP - dos quais 60% ficavam no partido, 30%, com Paulo Roberto Costa, 5%, com ele mesmo, e 5% com João Cláudio Genú, ex-assessor do PP. O doleiro disse que Costa recebeu em nome do PP cerca de 50 a 60 milhões de reais no Brasil.

Senado aprova MP que refinancia dívida de clubes de futebol


O plenário do Senado aprovou nesta segunda-feira, em votação simbólica, a medida provisória 671, que permite o refinanciamento das dívidas dos clubes de futebol e que pune as agremiações com rebaixamento em caso de calote. O texto cria o Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut) e autoriza o refinanciamento dos débitos por até vinte anos em troca de contrapartidas, como o cumprimento de exigências tributárias, a fixação de um limite para a reeleição de dirigentes, a redução do déficit financeiro até 2021 e a publicação online de prestações de contas auditadas. Atualmente as dívidas dos clubes já chegam a 4 bilhões de reais. O Senado deu aval às novas regras, que seguem para sanção da presidente Dilma Rousseff, às vésperas de expirar o prazo final para a defesa do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin, detido na Suíça, se manifestar sobre o pedido de extradição do cartola feito pelos Estados Unidos. O Profut também ganha corpo em meio às articulações para o funcionamento de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar contratos da CBF e irregularidades em partidas da seleção brasileira. Pelas regras aprovadas pelo Senado, para ter direito ao refinanciamento, os clubes não terão mais adiantamentos de verbas de televisão e não poderão comprometer mais do que 80% da receita bruta anual com a folha de pagamento e direitos de imagem. A versão aprovada é mais branda do que o texto original, que previa limite de 70% - parlamentares da chamada "bancada da bola" e a CBF pressionaram para o texto ser mudado. Dirigentes de clubes, federações e da CBF poderão ter mandato de até quatro anos, com direito a apenas uma reeleição, sendo que os estatutos terão de prever a possibilidade de afastamento e inelegibilidade de dirigentes responsáveis por gestão temerária. No caso da entidade máxima do futebol brasileiro, a escolha dos cartolas passará a ter votos também da Série B, e não mais somente dos clubes da Série A e das federações, como defendiam os dirigentes da CBF. Em um prazo de 60 dias antes do início dos campeonatos, os clubes precisarão apresentar certidões negativas de débito e comprovantes de que os salários dos atletas e o recolhimento de FGTS estão em dia. Se não cumprirem esses requisitos, as agremiações serão rebaixadas de divisão. Existe ainda a previsão do fim de repasses de recursos público, como o patrocínio de estatais, se houver descumprimento dos contratos de refinanciamento. A MP 671 perderia a validade em 17 de julho se não fosse votada tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado. Por estar na iminência de se tornar sem efeito, a proposta foi votada pelos senadores exatamente da forma como havia sido aprovada pelos deputados. Qualquer alteração de mérito obrigaria que o texto fosse novamente colocado em votação na Câmara, abrindo risco para que a MP caducasse.

REITOR DA ESTÁCIO DE SÁ É HOMEM DO PEREMPTÓRIO TARSO GENRO E DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

O que não sabem o deputado Darcísio Perondi, que é médico, e a senadora Ana Amélia, não é propriamente que o MEC beneficiou uma universidade privada que nem escola tem em Ijuí, prejudicando a Unijuí, 58 anos, entidade comunitária, mas o fato de que o reitor da Estácio de Sá é um gaúcho, o professor aposentado da Universidade Federal de Santa Maria, ex-vice-reitor entre 1985/86, Ronaldo Mota. Ele sabe tudo sobre o MEC, onde chegou a ministro interino, sempre nos governos do PT e sempre pelas mãos do também santamariense Tarso Genro. É que Ronaldo Mota atuou ali entre 2004 e 2007, período dos ministros Tarso e Haddad. Foi secretário executivo do Conselho Nacional de Educação, ministro interino, Secretário Nacional de Educação a Distância. Secretário Executivo do Fórum das Estatais pela Educação e Secretário Nacional de Educação Superior. Entre 2008 e 2012, atuou no Ministério de Ciência e Tecnologia, onde foi assessor especial do Ministro e Secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação.

FEDORÃO DA BORREGAARD VOLTA A EMPESTEAR O AR DE PORTO ALEGRE, A HISTÓRIA SE REPETE MESMO

Neste momento, 20h24min, o cheiro fétido da Borregaard (CPM), a imponente celulose de Guaíba, abate-se com fúria invulgar sobre a população de Porto Alegre. No início da década de 70, a Borregaard, instalada em Guaíba, emitia um fedor avassalador sobre Porto Alegre. O engenheiro quimico Millo Raffin foi convocado pelo secretário estadual da Saúde, Jair Soares, para emitir um laudo sobre a operação da indústria de celulose. O laudo dele condenava a atuação da empresa Borregaard. Jair Soares não teve dúvida: foi até o local, atravessou seu carro sobre o portão de entrada, e paralisou as atividades. O engenheiro Millo Raffin, que tinha amplo conhecimento sobre as águas, previu que Porto Alegre sofreria eternamente com o fedor da Borregaard. Por conta do laudo que emitiu, eminentemente técnico, ele foi perseguido e quase obrigado a responder a processo administrativo pela ditadura militar.

RICARDO PESSOA FALARÁ NESTA TERÇA-FEIRA SOBRE DINHEIRO SUJO PARA CAMPANHA DE DILMA


O depoimento de Ricardo Pessoa, o chefe do Clube do Bilhão, ao TSE, nessa terça-feira, será a portas fechadas. Ele será ouvido pelo juiz auxiliar da corregedoria do TSE, Nicolau Lupianhes Neto, a partir das 9h. A audiência acontecerá no TRE de São Paulo, que empresta suas dependências ao foro superior, uma vez que o empreiteiro cumpre prisão domiciliar, em São Paulo.

CBF fecha patrocínio com rede de farmácias para a seleção brasileira por 30 anos

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) anunciou nesta segunda-feira (13) que acertou patrocínio com a empresa do ramo de farmácias Ultrafarma. Chamou a atenção o prazo do acordo, que será de 30 anos. O valor do contrato não foi informado. O prazo, entretanto, pode ser bem mais curto por uma cláusula contratual, que prevê que a cada cinco anos as partes sentem para rediscutir cláusulas e até a manutenção do patrocínio. A empresa aparecerá em camisas e banners relacionados aos jogos da seleção brasileira, e fará ações sociais em parceria com a CBF. A Ultrafarma é o 14° patrocinador da entidade, que ainda tem outras três empresas parceiras. O mais antigo dos parceiros da CBF é a Nike, que fornece material esportivo para a seleções brasileira desde 1996.

Cegonheiros protestam na Via Anchieta

Os motoristas das mais de 100 carretas de transporte de veículos que estavam estacionadas no acostamento da Rodovia Anchieta, sentido litoral, nas imediações da fábrica da Volkswagen, fizeram carreata no sentido São Paulo. Desde as 7 horas de hoje (13), os caminhoneiros protestam contra uma decisão da montadora, que modifica o processo de contratação do serviço de transporte. De acordo com a Ecovias, concessionária que administra a rodovia, os manifestantes ocuparam uma faixa da estrada, entre o km 23 e o 16, e não há reflexos no tráfego. Os motoristas são contratados por meio do sindicato dos cegonheiros e, caso a empresa decida procurar outros profissionais, pelo menos 5 mil serão desempregados, informou o sindicato. A entidade representa cerca de 3,5 mil pequenas empresas, além dos autônomos que prestam serviços para as transportadoras. “A Volkswagen informa que está fazendo uma ação regular, que serve para verificação e análise do posicionamento de preços de um serviço, dentre as opções disponíveis no mercado”, diz nota divulgada pela montadora. Pela primeira vez as grandes montadoras brasileiras estão enfrentando o poderoso cartel dos cegonheiros, controlado por quatro empresas, que impõem os preços dos fretes e elevam muito o preço final dos veículos. 

Sonda New Horizons chega a Plutão após nove anos e meio de viagem

Nunca na história um veículo espacial chegou tão longe. Nesta terça-feira (14), a sonda New Horizons, que saiu da Terra no ano de 2006, vai ficar a exatos 12.472 quilômetros (7.750 milhas) de Plutão. Lançada pela Nasa, a New Horizons tem como objetivo trazer informações sobre o planeta-anão e vai completar uma rota de 4,77 bilhões de quilômetros. Desde quando a New Horizons saiu da Terra, foram apresentadas imagens que revelaram detalhes de Saturno e Netuno. Quando começou a se aproximar de Plutão, a sonda já fez imagens do planeta-anão. Em uma delas foi revelada uma cor avermelhada de Plutão. Em outra revelava Charon (a maior lua) orbitando sobre o planeta-anão. Há, ainda, a imagem que mostrava as duas faces do planeta. Além de ser a primeira missão que explorou Plutão, a Nasa aponta que a New Horizons quebrou alguns recordes. É a primeira a chegar a um planeta congelado anão, a explorar o Cinturão de Kuiper (área onde fica Plutão), a primeira desde 1970 a explorar um planeta desconhecido e a nave mais rápida da história: a velocidade chegou até a 21 km/s (quilômetro por segundo). Mas a Nasa não gastou cerca de US$ 720 milhões apenas para quebrar recordes. De acordo com pesquisadores da área, a chegada da New Horizons vai auxiliar nos estudos sobre como era a vida na Terra há bilhões de anos. Para o professor de física da Universidade de Brasília (UnB), Ivan Soares, essa é a principal contribuição da New Horizons. “É difícil dizer como era a Terra há 4 bilhões de anos. Como Plutão não teve modificações por conta da distância do Sol, é possível ter um panorama de vida há milhões de anos”, explica. O pesquisador do Observatório Nacional, Júlio Camargo. diz que as imagens e informações enviadas para a Terra vão servir como ponto de partida para novos trabalhos sobre os planetas. “Sem dúvida, a ciência planetária vai se beneficiar com os dados divulgados”. Já o engenheiro aeroespacial italiano Steffano Scutti levanta que a New Horizons fecha a primeira etapa em relação a exploração espacial no sistema solar. “Agora todos os planetas clássicos foram visitados pelo menos uma vez”. Ele também destaca que a missão deve reservar mais novidades depois de passar por Plutão. “Vale lembrar que a missão não é só para visitar Plutão, mas também descobrir outros objetos do Cinturão de Kuiper”. Nesta terça-feira (14), o veículo espacial New Horizons vai fazer um vôo pela órbita de Plutão. Para ajudar você a entender detalhes sobre a missão, ai vai uma lista de cinco fatos sobre o evento:
1 - Data marca 50 anos de exploração a Marte
O dia 14 de julho não foi escolhido à toa pela Nasa para o vôo sobre Plutão. A data marca exatos 50 anos da primeira missão não-tripulada interplanetária da Agência Espacial Norte-Americana. Em 14 de julho de 1965, a sonda Mariner explorou Marte.
2 - Viagem não vai mudar entendimento sobre Plutão ser planeta-anão
Por mais que as informações que venham de Plutão sejam úteis, uma coisa é certa: a missão da New Horizons não fará Plutão voltar a ser considerado um planeta. “O que fazia Plutão ser um planeta era justamente a falta de informações sobre o assunto. Com as informações da missão, o posto de planeta-anão deve se reforçar”, diz o professor Ivan Soares, da UnB.
3 – Acompanhamento da missão só por simuladores
Dada a distância da missão e a dificuldade do envio de informações para a Terra, não haverá transmissões de imagens ao vivo da New Horizons. Acompanhar a missão só será possível por meio de um simulador no site oficial da missão. A página mostra eventos importantes da missão e a distância que a nave está da Terra e de Plutão.
4 – Distância da New Horizons para Plutão será bem pequena
Os 12 mil km de distância da New Horizons para Plutão serão menores do que o raio da Terra. A título de comparação é semelhante à distância entre São Paulo e Dubai. A distância é muito menor do que a da sonda para a Terra: 4,77 bilhões de km.
5 – New Horizons é o veículo espacial mais rápido do mundo
Com velocidade alcançada de 21 km por segundo (quando passou por Júpiter), a New Horizons é até o momento o veículo espacial mais rápido já criado. A velocidade da sonda possibilitou que ela chegasse à Lua em nove horas de viagem. Só para ter uma idéia, se já estivesse em aceleração e fosse de São Paulo ao Rio de Janeiro , a New Horizons demoraria cerca de 20 segundos para fazer a 
viagem.

 

Sonda New Horizon capta imagens de Plutão e de sua lua Charon Nasa

Sem dinheiro, Petrobras adia exploração da maior descoberta de petróleo após o pré-sal


Com problemas de caixa, a Petrobras adiará o início da operação da maior descoberta de petróleo feita no Brasil após o pré-sal. A instalação da primeira plataforma em águas profundas de Sergipe era prevista para 2018, mas ficará para a próxima década. Com oito descobertas comunicadas à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), apenas nos últimos 12 meses, a região é considerada a próxima fronteira petrolífera nacional. De acordo com projeções extraoficiais, há pelo menos 3 bilhões de barris nas descobertas feitas na região, o que equivale a um quinto das reservas provadas no País ao final de 2014. A estatal previa duas plataformas para a região nesta década: a primeira, com início das operações em 2018 e a segunda, em 2020. O novo Plano de Negócios da empresa, porém, não faz menção às unidades. A Petrobras confirmou o adiamento: "Os projetos continuam na carteira da Petrobras, em data posterior a 2020 sem prejuízos à curva de produção prevista no Plano de Negócios e Gestão 2015-2019 da companhia". A Petrobras tem como sócios nos projetos as indianas OGNC e IBV Brasil, joint venture entre Bharat Petroresources e Videocon Industries. A estatal decidiu focar investimentos no pré-sal e decidiu reduzir sua meta de produção em 2020 de 4,2 milhões para 2,8 milhões de barris de petróleo por dia. A queda é resultado do corte de nove plataformas de produção previstas no plano anterior. "Esperávamos um adiamento das plataformas em Sergipe, mas achávamos que o início da produção ainda seria mantido para antes de 2020", diz o consultor especial do governo do Estado para a área de petróleo e gás, José de Oliveira Júnior. Entre os motivos para o adiamento, técnicos do setor apontam o baixo preço do petróleo e a ausência de infraestrutura para o escoamento de gás natural na região, investimento que amplia substancialmente os custos para o início da produção.

Governo Dilma enterra o programa eleitoreiro de entrega de maquinário para prefeituras, que foi vitrine no ano passado



O programa do governo federal de entrega de máquinas para pequenos municípios recuperarem estradas vicinais foi enterrado neste segundo mandato da presidente petista Dilma Rousseff. As dezoito empresas que ganharam bilhões em 2014 vendendo escavadeiras, niveladoras e caçambas para 5.000 municípios por meio do PAC 2 Equipamentos não receberam neste ano nem 3% do que ganharam no mesmo período do ano passado, poucos meses antes das eleições. Em 2014, essas empresas figuraram entre as 200 que mais faturaram em contratos com a União, que promovia a entrega de equipamentos em cerimônias oficiais pelo interior do País, contando às vezes até com a presença da presidente. De janeiro a abril daquele ano, as fornecedoras receberam 2,5 bilhões de reais, segundo levantamento feito nas contas do governo federal - valor que caiu para 75 milhões de reais neste ano. Se for levado em conta apenas o gasto via Ministério do Desenvolvimento Agrário, responsável pelo programa, as empresas não receberam nem um centavo do governo em 2015. A curva dos gastos federais com a compra desses equipamentos no primeiro governo Dilma é crescente: o repasse às revendedoras de máquinas foi subindo de maneira vertiginosa até 2014, ano em que o governo registrou o maior déficit primário nas contas públicas da série histórica, iniciada em 1997. O valor gasto com essas empresas naquele ano chegou a 5,5 bilhões de reais - 60% foram desembolsados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. No total, a pasta diz ter comprado mais de 19.000 máquinas que foram distribuídas para praticamente todos os municípios brasileiros de pequeno porte. O objetivo era recuperar estradas vicinais, facilitar o acesso das zonas rurais aos centros urbanos e melhorar o escoamento da produção agrícola. O programa foi levado a cabo sem que nenhum indicador de execução dessas obras tivesse sido criado pelo governo federal. Desde o início, o único objetivo colocado para o programa, conforme o Plano Plurianual 2012-2015, era doar máquinas aos municípios. A falta de acompanhamento para saber se os municípios estavam usando os equipamentos de forma correta e se as estradas estavam melhorando foi alvo de críticas em relatório da Controladoria-Geral da União sobre as contas de 2013 do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Segundo a CGU, apenas acompanhar o total de doações é "insuficiente para concluir sobre a efetividade da ação". O órgão diz que o governo federal não investiu na capacitação de mão de obra para operar os equipamentos e não designou responsáveis no ministério para verificar os resultados. "Constata-se ausência de normativos definindo procedimentos e rotinas de avaliação dos resultados quantitativos e qualitativos da ação, no âmbito do Ministério do Desenvolvimento Agrário, por meio de indicadores de gestão que monitorem o uso e a manutenção dos equipamentos, a quantidade e a qualidade das obras e/ou serviços realizados, e os impactos para o público-alvo", diz o relatório. Na época, o ministério informou à CGU que havia contatado a Universidade de Brasília para, em parceria, criar indicadores de avaliação do programa. Questionada, no entanto, a pasta não disse quais foram os indicadores criados ou a conclusão dos trabalhos. Afirmou apenas que a parceria com a UnB foi concretizada e que os resultados estão sendo avaliados. Segundo o ministério, o programa atingiu seus objetivos. "A demanda pelos equipamentos partiu dos próprios municípios, que não tinham condições de equipar seus parques de máquinas para realizar a recuperação e manutenção das estradas vicinais e o enfrentamento aos períodos de seca", informou em nota. Ainda de acordo com a pasta do Desenvolvimento Agrário, o programa já estava planejado para não ter continuidade neste ano.

Doleiro Alberto Youssef afirma que esquema do Petrolão, financiou prostitutas de luxo para dirigentes da Petrobras e políticos


Políticos e diretores da Petrobras usaram o esquema de corrupção instalado na estatal para financiar serviços de prostituição de luxo. As informações constam em relatos do doleiro Alberto Youssef e de seu emissário, Rafael Angulo Lopez, à força-tarefa da Operação Lava Jato. As farras com dinheiro da Petrobras incluíam "famosas" da televisão e capas de revistas masculinas, segundo os delatores. Às autoridades, segundo o jornal, eles explicaram que todas as expressões usadas nas planilhas de fluxo de dinheiro sujo associadas aos termos "artigo 162" - referência ao endereço de uma cafetina conhecida como Jô - e "Munik" refererem-se ao pagamento de prostitutas. Há vários pagamentos de 5.000 a 10.000 reais ligados a esses termos nas planilhas que foram entregues aos investigadores. Só em 2012, 150.000 reais foram usados para financiar a prostituição. Os delatores também disseram que as prostitutas, que cobravam até 20.000 reais por programa, buscavam, muitas vezes, os pagamentos em dinheiro no escritório de Youssef. Além de programas, o dinheiro do petrolão também era usado para bancar festas com as garotas. Em uma delas, no terraço do hotel Unique, em São Paulo, foram gastos 90.000 reais - em bebidas, principalmente. Os investigadores da Lava Jato não usaram os relatos das delações, pois a solicitação ou aceitação de propina ou vantagem pessoal já confere crime de corrupção e, por isso, não importa qual fim foi dado ao dinheiro sujo.

Prefeitos levavam 10% dos contratos de projetos da educação, diz a Polícia Federal

Prefeitos de cidades da Bahia, Minas Gerais e São Paulo recebiam 10% do valor de contratos fraudados na área da educação, segundo a Polícia Federal, que deflagrou nesta segunda-feira (13) operação para desarticular quadrilha suspeita de desviar recursos do Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica). A Polícia Federal estima em aproximadamente R$ 57 milhões os prejuízos causados pela organização criminosa, que forjava licitações, em conluio com agentes públicos e mediante o pagamento de propina, para desviar recursos do Fundeb. Segundo os delegados federais Fernando Bebert e Fábio Muniz, os prefeitos receberiam 10% do valor dos contratos, enquanto 3% ficava para lobistas que atuavam como intermediários. O esquema fraudava licitações e superfaturava contratos de projetos de "inclusão digital". "Os projetos licitatórios eram completamente fraudados, desde a licitação até o edital. Nós temos certeza da participação dos prefeitos", afirmou Bebert. Quatro empresas participavam do esquema, sendo que duas venciam as licitações e outras duas atuavam como figurantes nos certames. Os contratos eram apenas parcialmente executados e, em alguns casos, sequer houve a implantação dos projetos de inclusão digital. Nesta segunda-feira, a polícia cumpriu 96 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva no Distrito Federal e nos Estados da Bahia, Minas Gerais e São Paulo. Ao todo, 450 policiais participam da Operação Águia de Haia. Vinte municípios participaram desses desvios: 18 na Bahia, 1 em Minas Gerias e 1 em São Paulo. Segundo a Polícia Federal, a quadrilha começou a sua atuação em 2009, em São Paulo, tendo migrado posteriormente para Minas Gerais e Bahia. Os responsáveis pelas fraudes serão indiciados por crimes licitatórios, corrupção ativa e passiva e formação de quadrilha. Foram cumpridos quatro mandados de prisão expedidos pelo Tribunal Regional Federal. Não há políticos entre os presos. Segundo a Polícia Federal, um deputado estaria envolvido no esquema, mas seu nome não foi divulgado. Na manhã desta segunda-feira foi realizada busca e apreensão no gabinete do deputado estadual Calos Ubaldino (PSC-BA). O nome da operação, "Águia de Haia", faz referência ao político e jurista baiano Ruy Barbosa, que ganhou este apelido após participar com destaque da Conferência da Paz de Haia em 1907. A prefeitura da cidade de Ruy Barbosa (a 320 km de Salvador) está entre as investigadas.

Merkel endurece, impõe privatização e corte de gastos à Grécia, vence o embate, humilha o esquerdista Tsipras e, na prática, o destitui do governo grego

Angela Merkel, a chanceler da Alemanha, venceu o embate e, na prática, destituiu, do governo da Grécia, Alexis Tsipras, o primeiro-ministro porra-louca da frente esquerdista Syriza, que achou que poderia dar um calote e propor um referendo para endossá-lo, o que foi saudado por idiotas, mundo afora, inclusive na imprensa e na política brasileiras, como a vitória da soberania contra o capitalismo. Merkel disse um “tudo bem se é assim, mas a Grécia deixa a Zona do Euro até se reestruturar”. Tsipras não tinha mais o que fazer. Capitulou e decidiu aceitar condições ainda mais duras do que aquelas que havia recusado. Depois de 17 horas de negociação, foi anunciado nesta segunda-feira o acordo de resgate da Grécia. Não se fala mais em “Grexit” — trocadilho em inglês para “Greek” (grego) e “exit” (saída) —, que se referia à saída da Grécia da Zona do Euro, mas a “aGreekment”, aí fundindo “Greek” com “agreement”, acordo. Sim, o acordo saiu, e o país receberá imediatamente um terceiro socorro, de 86 bilhões de euros. Mas o preço será altíssimo. Em 48 horas, o país se compromete a votar leis que vão aplicar um severo corte de gastos, especialmente na área da previdência e do mercado de trabalho. Mais do que isso: vai ser criado no país um fundo de gestão para a privatização de empresas públicas que objetiva arrecadar 50 bilhões de euros. É com esse dinheiro que se pretende recuperar os bancos. Atenção! Embora este fundo vá ficar na Grécia, a sua gestão é internacional — isto é, não estará subordinado ao governo. Até o anúncio do acordo não estava claro se também os bancos ficariam sob gestão de um comitê europeu. Para quem se elegeu com a plataforma de ultraesquerda, Tsipras passa por uma humilhação e tanto: não apenas terá de aplicar as medidas de austeridade como, na prática, perde a gestão sobre o centro do programa de reestruturação da economia. Era justamente esse fundo de privatização que estava atrasando a formalização do acordo. A França ainda tentou demover a Alemanha da exigência, mas Merkel foi irredutível. Ou por outra: Tsipras foi eleito prometendo mais estado na economia e terá de assistir ao processo de desestatização, no qual nem poderá interferir. Ou isso ou um caos ainda pior. A Alemanha deixou claro que, na Zona do Euro, não há espaço para pistoleiros como Tsipras. A negociação evidencia também que é melhor não fazer chicana. Para primeiro-ministro grego, a emenda sai bem pior do que o soneto. “O importante agora é pôr em prática rapidamente o acordo. É preciso recuperar a confiança e, para isso, a Grécia tem de assumir como seu esse acordo”, disse Merkel. A Alemanha exigiu que seja o FMI a supervisionar essa terceira fase, impondo a Tsipras uma derrota adicional, já que ele rejeitava esse papel ao Fundo. “Eu disse que a situação ficaria mais difícil depois do referendo, e ficou demonstrando que sim. Mas saiu o acordo. Não há ganhadores nem perdedores. Não creio que os gregos se sintam humilhados nem que os outros sócios tenham perdido a fé. É um típico compromisso europeu”, afirmou Jean-Claude Junker, presidente da Comissão Européia. Mais ou menos. A Grécia, de fato, não foi humilhada porque sair da Zona do Euro teria sido muito pior. Tivesse Alexis Tsipras, no entanto, um mínimo de coerência, só lhe restaria o caminho da renúncia. A essa altura, suas promessas de campanha valem ligeiramente menos do que as de Dilma Rousseff no Brasil. Mas esquerdistas, como sabemos, não largam o osso de jeito nenhum. Por Reinaldo Azevedo

Mercado já prevê inflação acima do dobro do centro da meta: 9,12%. Que beleza, hein, Dilma?

O mercado financeiro voltou nesta segunda-feira a aumentar a estimativa da inflação para 2015, desta vez de 9,04% para 9,12%. Esta é a 13ª semana consecutiva em que a projeção é ajustada para cima. Com isso, consolida-se a perspectiva de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ultrapassará a barreira dos 9% neste ano, muito acima do teto da meta, de 6,5%, e mais longe ainda do centro dela, de 4,5%. As informações constam do boletim Focus, que é divulgado semanalmente pelo Banco Central e é produzido a partir das estimativas de mais de cem instituições financeiras. Para o próximo ano, o mercado, no entanto, voltou a apostar em uma ligeira redução da taxa de inflação de 5,45% para 5,44%. Uma das razões que fundamentaram essa expectativa é a projeção de aumento na taxa básica de juros (a Selic) de 12,06% para 12,25% em 2016. Para este ano, a previsão da Selic permaneceu em 14,50% como estava na semana passada. Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), os analistas mantiveram a perspectiva de queda de 1,50%. Se ela for concretizada, será o pior desempenho da economia brasileira desde 1990, quando foi verificada retração de 4,35%. Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA subiu 0,79% em junho, atingindo a casa dos 6,17% no primeiro semestre - o maior porcentual em doze anos. Segundo o instituto, o preço da conta de luz e dos alimentos foram os grandes responsáveis pela escalada da inflação. Por Reinaldo Azevedo

Mandato de Dilma: será que o TSE só sabe ser forte contra os fracos e fraco contra os fortes?

Reportagem da Folha desta segunda informa que técnicos do Tribunal Superior Eleitoral estão cruzando dados da prestação de contas da campanha da presidente Dilma Rousseff com atos oficiais de seu primeiro mandato. O PSDB acusa a campanha petista de abuso de poder político e econômico.

Os dados serão analisados pelos sete ministros do tribunal junto com informações prestadas por depoentes que fizeram acordo de delação premiada na Operação Lava-Jato, como Alberto Youssef e Ricardo Pessoa, o dono da UTC.
Para lembrar: Youssef já afirmou, em depoimento ao TSE, que um emissário do PT o procurou no começo de 2014 para trazer do exterior o correspondente a R$ 20 milhões, que seriam usados na campanha de Dilma à reeleição. Ele diz não ter feito a operação porque foi preso antes. Se for verdade, isso estaria a indicar que o PT mantém contas secretas fora do Brasil, o que é proibido.
Na sua delação, homologada pelo STF, Pessoa, por sua vez, faz pelo menos duas acusações bombásticas: doou R$ 7,5 milhões à campanha de Dilma para não ser prejudicado nos negócios com a Petrobras e foi procurado por Valter Cardeal, diretor da Eletrobras e homem de confiança da presidente, para pagar propina em contratos para a construção da Usina de Angra 3. É evidente que confirmadas as denúncias, é caso de cassação de mandato.
A questão no TSE preocupa o Planalto até mais do que a avaliação que o TCU fará das contas do governo em 2014. Afinal, o relatório que o Tribunal de Contas União apresentar ao Congresso ainda precisa ser votado pelos parlamentares e pode ser rejeitado. No caso do TSE, a decisão cabe a sete juízes — e a palavra final seria dada pelos 11 do Supremo.
Vamos lá, meus caros, exercitar mais uma vez a memória. Sou contra a reeleição no Executivo, entre outras razões, porque, dados o tamanho do estado brasileiro e sua estrutura assistencialista, o governante de turno usa desbragadamente o aparato oficial para fazer campanha sob o pretexto de estar promovendo apenas o bem comum. Ainda que o PT tenha reembolsado o valor de algumas viagens feitas por Dilma, é claro que ela usou o cargo para fazer campanha, ora essa!
Os números falam melhor do que a minha opinião. A presidente anunciou o reajuste do Bolsa Família e da tabela do Imposto de Renda em abril de 2014, em pleno ano eleitoral. Quem ousasse criticá-la por isso correria o risco de ser tomado como inimigo dos benefícios. Querem mais um escândalo por sua própria natureza? Entre 2010 e 2013 — quatro anos —, o governo federal desembolsou R$ 14,7 bilhões com o Fies, o financiamento de vagas no ensino superior privado. Só em 2014, quando Dilma disputou a reeleição, foram R$ 13,75 bilhões. Ou seja: em um único ano se gastou praticamente o que se consumiu nos quatro anteriores. É por isso que o sistema quebrou.
Se isso não caracteriza abuso de poder político e de poder econômico, então não sei o que merece tal classificação. E olhem que o TSE concordou comigo quando peixes menores estavam em julgamento, não é?
Cássio Cunha Lima, hoje senador pelo PSDB da Paraíba, teve seu mandato de governador cassado pelo TSE em 2007, o que só se efetivou em 2009, depois de esgotados todos os recursos, sob a acusação de ter distribuído 35 mil cheques-cidadão em 2006, ano em que disputou a reeleição. Em 2005, o então senador João Capiberibe, e sua mulher, a deputada Janete Capiberibe, ambos do PSB do Amapá, tiveram seus mandatos cassados pelo TSE sob a acusação de que haviam comprado dois votos, por R$ 26 cada um. Capiberibe voltou ao Senado em 2011.
A questão que sobra é esta: o TSE que é valente para cassar Cássio, João e Janete tem valentia o bastante para cassar Dilma, ou estamos diante de um tribunal que é forte contra os fracos e fraco contra os fortes? Por Reinaldo Azevedo

Acusar de “golpe” a eventual deposição de Dilma, segundo a lei, é conversa de criminosos e de defensores voluntários ou involuntários do crime. Ou: Elio Gaspari mistura alhos com bugalhos e oferece bugalho como se alho fosse

Não tem jeito. Os esquerdistas são os primeiros a admitir, na prática, que suas teses são íntimas do crime. Ou, dito de outro modo, que a realização de seus objetivos não dispensa a ação criminosa. Ou expresso ainda de maneira diversa: que o mal praticado em nome dos seus princípios virtudes são, e não defeitos. Não fosse assim, essa conversa asquerosa, indecorosa mesmo, sobre se é golpista ou não pregar a deposição de Dilma não seria nem sequer esboçada, absurda que é por sua própria natureza.

E, neste ponto, paro para tratar de um erro severo cometido por um jornalista que de esquerda nunca foi, o que evidencia que o equívoco não é monopólio de camaradas e companheiros. Uma colega me censurou numa conversa amistosa na sexta: “Você não deveria divergir de outros jornalistas em seus textos; basta que você exponha o seu ponto de vista. Os leitores e ouvintes farão seu próprio juízo”. Era uma advertência de quem tem afeto por mim, não o contrário. Quando divirjo deste ou daquele, nem sempre desperto simpatias.
Entendo as razões dessa minha amiga, mas não concordo. Jornalistas também podem e devem ser nominados, especialmente quando se trata de uma divergência respeitosa. Vamos lá. Em sua coluna publicada na Folha e no Globo neste domingo, Elio Gaspari elenca 10 momentos de crise na história do Brasil e convida o leitor a opinar se houve ou não ação golpista: 1969, 1968, 1964, 1961, 1955, 1945, 1937, 1930, 1891 e 1889. As datas aparecem na mesma sequência de sua coluna.
Não vou entrar em detalhes porque este post não teria fim. Se eu tivesse de votar, diria, sem pestanejar, que o desfecho de todos esses casos foi golpista. A propósito: quem inventou o “golpe do bem” de 1889, 1930, 1945 ou 1955 foi a historiografia marxista. Eu, por exemplo, não reconheço essa categoria. Mas avanço.
É sintomático que Gaspari não tenha incluído em sua lista de datas o ano de 1992, que marca a deposição de Fernando Collor de Mello, a única situação que guarda similaridade com a atual. Por que não se especula se, naquele caso, houve ou não, afinal de contas, um golpe parlamentar?
Se Gaspari quer que a história possa, de algum modo, ser instrutiva e se acha que as comparações podem iluminar o presente, então é preciso comparar alho com alho, bugalho com bugalho. Misturar alhos e bugalhos só obscurece a inteligência. A exemplo do que se vê agora, em 1992, amplos setores da sociedade repudiavam um governo que, ao lado dos desastres que perpetrava na economia e na administração, via-se cercado de casos de corrupção. Mais: evidenciou-se que a sua legitimidade estava ferida porque o próprio processo que o elegeu deitava raízes na corrupção e no malfeito.
O que 2015 tem a ver com cada uma das dez datas elencadas por Gaspari além de nada? Eu o desafio a demonstrar por que vivemos uma realidade tão distinta de 1992. E, parece-me, ele não saberia me dizer onde está a diferença, a menos que aderisse, e agora volto para o ponto inicial do meu texto, à tese de que os crimes, quando cometidos por esquerdistas, são naturalmente virtuosos.
O partido
É nauseante que petistas e afins venham agora defender o mandato de Dilma em nome das urnas, como se uma eleição conferisse ao governante o direito de agredir as instituições que conferem legalidade e legitimidade a seu mandato. Urna não é tribunal de absolvição, não. Ao contrário: a mesma lei que elege também aponta os caminhos da deposição. E Dilma pode, sim, ser deposta segundo o arcabouço legal. Golpe seria rasgá-lo para mantê-la no cargo.
Onde estavam, em 1992, as vozes que hoje gritam “golpe!” quando se fala no impeachment de Dilma? E ainda bem que não se manifestaram então, porque estariam mesmo erradas. Aquele presidente perdeu a legitimidade à medida que ficou claro que a sua corte havia se enterrado na ilegalidade para elegê-lo e para consolidar o seu poder.
Ou alguém tentará me convencer de que era inaceitável acusar a deposição de Collor de “golpe!” porque ele era só um representante do conservadorismo rastaquera, que nem expressão partidária tinha, mas que é, sim, correto tachar de golpe a eventual deposição de Dilma porque, afinal, ela é de esquerda e pertence ao PT? Então os crimes que legitimaram a cassação do mandato de Collor não podem legitimar a cassação do mandato de Dilma?
É preciso ter memória e vergonha na cara, não é? Uma, eu tenho, porque Deus me deu; a outra é uma escolha. Vocês querem ler a íntegra da denúncia oferecida contra Collor à Câmara? Está aqui. Não pensem que aquela peça apresentava alguma “prova” incontestável contra o então presidente. Nada disso! O que lá se lê é um juízo político. Querem um exemplo? Pois não!
“O impeachment não é uma pena ordinária contra criminosos comuns. É a sanção extrema contra o abuso e a perversão do poder político. Por isso mesmo, pela condição eminente do cargo do denunciado e pela gravidade excepcional dos delitos ora imputados, o processo de impeachment deita raízes nas grandes exigências da ética política e da moral pública, à luz das quais hão ser interpretadas as normas do direito positivo”.
A petição dizia mais — e peço que vocês avaliem se ela serve para Dilma:
“Nos regimes democráticos, o grande juiz dos governantes é o próprio povo, é a consciência ética popular. O governante eleito que se assenhoreia do poder em seu próprio interesse, ou no de seus amigos e familiares, não pratica apenas atos de corrupção pessoal, de apropriação indébita ou desvio da coisa pública: mais do que isso, ele escarnece e vilipendia a soberania popular”.
E o que lhes parece isto aqui?
“É por essa razão que a melhor tradição política ocidental atribui competência, para o juízo de pronúncia dos acusados de crime de responsabilidade, precisamente ao órgão de representação popular. Representar o povo significa, nos processos de impeachment, interpretar e exprimir o sentido ético dominante, diante dos atos de abuso ou traição da confiança nacional. A suprema prevaricação que podem cometer os representantes do povo, em processos de crime de responsabilidade, consiste em atuar sob pressão de influências espúrias ou para a satisfação de interesses pessoais ou partidários.”
Já sugeri uma vez e o faço de novo. Se e quando as oposições apresentarem uma denúncia contra Dilma à Câmara, sugiro que se copiem exatamente esses termos, que pareceram tão corretos às esquerdas de então e aos colunistas oficialistas que hoje insistem em apontar “golpe” onde há apenas o exercício cristalino da lei.
E a Gaspari sobra uma dica final: é preciso tomar cuidado com a comparação. Pode acontecer de ela não só deixar de iluminar o presente como ainda servir para obscurecer o passado. Por Reinaldo Azevedo

Declare-se impedida, Luciana Lóssio

Entre os ministros do TSE que julgarão as contas de campanha de Dilma Rousseff, está uma advogada chamada Luciana Lóssio. Luciana Lóssio tem um currículo e tanto. Além de ter defendido o ex-governador do DF José Roberto Arruda e a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney, ela foi advogada de Dilma Rousseff na campanha de 2010. Sim, você leu certo. O Antagonista pergunta: pode alguém que trabalhou como defensora de Dilma Rousseff na primeira campanha julgar a segunda campanha de Dilma Rousseff, ambas igualmente eivadas de irregularidades, como agora se sabe? Declare-se impedida, Luciana Lóssio, é o mínimo que se espera de alguém com aquela coisa meio antiga, mas ainda em uso, chamada honestidade.


Defensora de Dilma julgará Dilma

No meio do caminho tem José Dirceu

A Polícia Federal rastreou o caminho da propina da Camargo Corrêa até José Dirceu. Um laudo citado em O Globo mostra como o dinheiro pago para obter um contrato em Abreu e Lima passou da empreiteira para duas empresas do operador Julio Camargo, em seguida para a Jamp, de Milton Pascowitch, e finalmente para a JD Consultoria. Agora só falta a Polícia Federal rastrear o caminho de José Dirceu até a cadeia.

Jô, a cafetina - e o mar do Petrolão

O dinheiro roubado da Petrobras pagou prostitutas. A descoberta foi feita quando os procuradores da Lava Jato questionaram Alberto Yousseff e Rafael Angulo Lopez sobre os valores associados, em suas planilhas, aos termos “Artigo 162” e “Monik”. Diz a Folha de S. Paulo: “Só em 2012 cerca de R$ 150 mil foram gastos para financiar a contratação das garotas, algumas delas conhecidas pela exposição em programas de TV, capas de revistas e desfiles de escolas de samba. A expressão ‘Artigo 162’ era uma referência ao número do endereço de uma cafetina conhecida como ‘Jô’, que agenciava os programas para os dirigentes da Petrobras e políticos. O dinheiro do esquema de corrupção também era usado para bancar festas com as garotas. Só em uma delas, no terraço do hotel Unique, em São Paulo, foram gastos R$ 90 mil”.

"Lula quer que Dilma renuncie"

Cristovam Buarque disse a Josias de Souza: “Os senadores do PT falam abertamente que o Lula não aguenta mais a Dilma”. Ele disse também: “Tem muita gente que fala que o Lula está querendo que ela renuncie”. E: “O Lula é uma pessoa inteligente. Essa posição poderia até acalmar o Brasil hoje”. Ninguém dá a menor pelota para o que diz Cristovam Buarque, mas ele está certo. Com medo de ser preso, Lula pode entregar Dilma Rousseff para diminuir a pressão da Lava Jato. 


Lula entrega a cabeça de Dilma (O Antagonista)

Os números do impeachment

O Valor Econômico diz que "uma lista que circula em um grupo reservado de deputados da base e da oposição contabiliza de 348 a 353 votos favoráveis à abertura do processo de impeachment, tendo como base o parecer do TCU recomendando a rejeição das contas da presidente. São necessários 342 votos para que o processo seja instaurado na Câmara". Lula, portanto, não precisa sujar as mãos para derrubar Dilma Rousseff. Basta garantir os votos dos partidos aliados.

A nova nova meta fiscal

Dilma Rousseff, segundo o Estadão, vai se reunir hoje com Joaquim Levy e Nelson Barbosa para deliberar uma nova meta fiscal. Eles ainda conseguem enganar alguém? No último sábado, em Milão, Dilma Rousseff disse que respeitaria a meta de superávit de 1,1% do PIB. Joaquim Levy deu um número para a Moody's e outro para os parlamentares do PMDB. Nelson Barbosa inventou uma banda flutuante para a meta fiscal. Romero Jucá decidiu reduzir o superávit para 0,4% do PIB e Joaquim Levy fingiu que isso não foi combinado com ele. O fato é que a nova meta fiscal não será cumprida. Um relatório da Câmara dos Deputados, citado pelo Valor Econômico, calculou que há um rombo de até 68,1 bilhões de reais entre as despesas e receitas projetadas pelo governo. A nova meta fiscal terá de ser reajustada para baixo nos próximos meses. Vem aí uma nova nova meta fiscal.

As contas do TCU

Os antagonistas antagonizaram. Diz a Época: "Mais de 11 mil emails foram encaminhados nos últimos dias ao ministro do TCU, Augusto Nardes. Motivo principal: ele deixou de anexar o memorial do procurador do Ministério Público no TCU, Júlio Marcelo de Oliveira, aos questionamentos enviados ao Palácio do Planalto sobre as manobras fiscais".

Protesto nacional e expressivo

Josias de Souza conversou com um ministro ontem à noite. E relatou o seguinte: "Operadores políticos de Dilma Rousseff temem que a deterioração dos índices de inflação e de desemprego potencialize a manifestação convocada por grupos que se opõem ao governo para o dia 16 de agosto. Nas palavras de um ministro, se esse protesto for nacional e expressivo, pode passar a 'falsa impressão de que a sociedade endossa o discurso golpista da oposição'". 


Apenas uma falsa impressão

O PT vale 4 vezes mais do que o PSDB

Dilma Rousseff acusou Aécio Neves de ter embolsado da UTC quase tanto dinheiro quanto ela. A Folha de S. Paulo fez as contas no site do TSE e viu que, nos últimos 10 anos, Ricardo Pessoa foi quatro vezes mais generoso com o PT do que com o PSDB. Ele deu 51,4 milhões de reais para os petistas. E 14,4 milhões de reais para os tucanos. Esses números desconsideram o dinheiro sujo, que entrou pelo caixa 2, como os 2,5 milhões de reais que Ricardo Pessoa repassou à campanha de Lula, em 2006, ou os 3,9 milhões de pixulecos que ele repassou a João Vaccari Neto. Em matéria de pixulecos, ninguém jamais será páreo para o PT.

ODEBRECHT JÁ NÃO AGUENTA MAIS A CARCERAGEM

Presidente da Odebrecht, empreiteira que mais ganhou contratos do governo na era PT, Marcelo Odebrecht não aguenta mais as condições de sua prisão. Segundo fontes próximas à Lava Jato, Marcelo oscila entre “demonstrações de nervosismo e abatimento” na cela na Polícia Federal, em Curitiba. As condições são ruins: nas primeiras noites, ele teve de dormir no corredor da carceragem em razão da superlotação. O pai de Marcelo, Emílio Odebrecht, que já presidiu a empreiteira, não para de fazer ameaças à cúpula do governo e ao ex-presidente Lula. Foi Emílio quem declarou, após a prisão do filho, que “vão precisar de mais três celas: uma para mim, uma para o Lula e outra para Dilma. Marcelo Odebrecht está em prisão preventiva, o que significa que pode permanecer preso por até 180 dias, segundo a lei atual. 

EMPREITEIROS PRESOS ENROLADOS NO PETROLÃO ESTÃO DANDO CANO EM SEUS ADVOGADOS

Famosos criminalistas brasileiros, contratados a peso de ouro para defender acusados na Operação Lava Jato, estão diante de um dilema: abandonar ou não o trabalho. Alguns já o fizeram. O problema é mais grave nos casos em que o desmantelamento do esquema de corrupção na Petrobras afetou dramaticamente a saúde financeira das empresas. Pedindo para não serem citados, eles falam abertamente no “cano”. “Sem receber pelo trabalho, nós estamos financiando alguns dos caras mais ricos do mundo”, diz uma das estrelas da advocacia criminalista. Com seus doleiros presos e movimentações financeiras no exterior monitoradas, os empreiteiros não têm como “internalizar” dinheiro. OAS, Engevix, Mendes Junior e UTC, que faturavam bilhões, estão entre as empreiteiras que mais dão sinais de debilitação pós-Lava Jato. Ao ouvir a cobrança do advogado, empreiteiro baiano que tem medo de voltar à cadeia foi sincero: “Você é a última das minhas preocupações”.