segunda-feira, 20 de julho de 2015

As anotações de Odebrecht (7), o plano B de Marcelo

Marcelo Odebrecht, nas suas anotações compiladas pela Polícia Federal e publicadas pelo Estadão, admite a possibilidade de ter dado dinheiro para caixa 2 de campanha: "Campanha incluindo caixa 2, se houver era soh com MO (a Polícia Federal acredita ser a MO Consultoria, empresa de fachada de Alberto Youssef), que não aceitava vinculação. PRC (Paulo Roberto Costa) soh se foi rebate de cx2." Mas esse dado não é o mais importante. A frase acima está num contexto (leiam o trecho abaixo) que nos levou à seguinte ilação: a delação de Rogério Araújo seria um plano B (fallback), em que ele livraria todo mundo e só entregaria a si próprio. Rogério Araújo diria que era amigo de políticos e que pagou nas contas que eles mandaram. Que a Odebrecht doava para campanhas a priori, a fim de manter bons relacionamentos, mas que a empreiteira só teria pago no caixa 2 para Youssef, a única forma de fazê-lo, visto que ele "não aceitava vinculação" - e que o dinheiro de Paulo Roberto Costa possivelmente era uma sobra desse caixa 2. Se estivermos certos, Marcelo Odebrecht pensou em direcionar uma possível delação premiada de Rogério Araújo, fazendo com que ele mentisse.

As anotações de Odebrecht (1)

As anotações de Marcelo Odebrecht em seu celular, descritas pela Polícia Federal em relatório divulgado pelo Estadão, destacam, entre outras, a tentativa do executivo de proteger Marcio Faria e Rogério Araújo, executivos da empreiteira presos na Lava Jato. No celular de Marcelo Odebrecht, a Polícia Federal encontrou anotação dizendo que ambos não "movimentem nada e que serão reembolsados, bem como terão suas famílias asseguradas". Segundo a Polícia Federal, é uma estratégia para que eles não movimentem suas contas bancárias (e permanece aqui a dúvida se nacionais ou estrangeiras). 

As anotações de Odebrecht (2)

Em outro trecho do relatório da Polícia Federal divulgado pelo Estadão, há "a clara intenção" de Marcelo Odebrecht de “higienizar apetrechos” de Márcio Faria e Rogério Araujo, executivos da empreiteira presos na Lava Jato. Para a Polícia Federal, “a referida anotação traduz a idéia de que os apetrechos (a exemplos de telefones, tabletes, notebooks, pendrives, etc) sejam limpos, impedindo assim que em possível apreensão, tais apetrechos possam conter informações prejudiciais aos supracitados”. 

As anotações de Odebrecht (3)

A preocupação do presidente da Odebrecht com o executivo Rogério Araújo era bem grande. Os investigadores encontraram um tópico em seu celular intitulado “Declaração/Fallback (RA)". Nele, Marcelo Odebrecht se questiona sobre o que os investigadores teriam de concreto contra Araújo e Marcio Faria. Nesse ponto, segundo o relatório da Polícia Federal divulgado pelo Estadão, a “referência a Rogerio Araújo e conta corrente na Suíça é constante, indicando a preocupação de Marcelo com a mesma, como pode ser observado na anotação ‘RA vs cc Sw (direção fluxo? Delação dos envolvidos?)’”. Os peritos da Polícia Federal também destacaram, em relação a Rogério Araújo, outra referência à Suiça, precisamente a bancos com rede no país, como Pictet, PKB. Quanto a “Pictec”, Odebrecht escreveu que era preciso “declarar ctas já”.

As anotações de Odebrecht (4)

Marcelo Odebrecht anotou, em seu celular, que era preciso “vazar doação de campanha”. Em outra anotação apreendida pela Polícia Federal, questiona um nome para ter contato “ágil/permanente” com o grupo de crise do governo, para obter informações e realizar “ações coordenadas”. A Polícia Federal ainda não compreendeu totalmente a primeira recomendação, mas, nesse trecho, o empreiteiro escreve as seguintes siglas: GA, FP, AM, MT, Lula e ECunha, todas acompanhadas de interrogação. “Tais siglas se referem possivelmente a Geraldo Alckmin, Fernando Damata Pimentel, Adriano Sá de Seixas Maia (diretor jurídico da Odebrecht Transport), Michel Miguel Elias Temer Lulia, Lula e Eduardo Cunha”, diz o relatório da Polícia Federal divulgado pelo Estadão. Lauro Jardim, da Veja.com, também divulgou essa informação, mas atribui a sigla GA a Gilles Azevedo, assessor de Dilma Rousseff. 

As anotações de Odebrecht (5), a "tática Noboa"

Um dos trechos do relatório da Polícia Federal sobre as anotações de Marcelo Odebrecht diz o seguinte: "Outro ponto interessante é a menção a uma “tática Noboa” para exposição de Marcelo, sendo que o risco avaliado é a prisão, tal tática está ligada as siglas MRF, DV, CDN e Nizan, respectivamente Mauricio Roberto de Carvalho Ferro, Daniel Villar, CDN Comunicação (grupo ABC de Nizan Guanaes) e Nizan Guanaes. Não foram encontradas definições no que consiste tal tática, contudo, para o nome Noboa, encontramos três ocorrências na agenda de contatos de Marcelo Odebrecht, a seguir: Antonio Noboa, Alvaro Noboa e Daniel Noboa (filho de Alvaro)"...

As anotações de Odebrecht (6)

As anotações de Marcelo Odebrecht também apresentaram muitos enigmas. Entre eles, a utilização da sigla FP – cujo nome foi identificado pela Polícia Federal, mas apagado do relatório divulgado no Estadão – seguida da frase: “Ela cai eu caio”. Quem é "ela"? Carolina Oliveira, mulher de Fernando Pimentel? 

As anotações de Odebrecht (7)

Marcelo Odebrecht, nas suas anotações compiladas pela Polícia Federal e publicadas pelo Estadão, admite a possibilidade de ter dado dinheiro para caixa 2 de campanha: "Campanha incluindo caixa 2, se houver era soh com MO (a Polícia Federal acredita ser a MO Consultoria, empresa de fachada de Alberto Youssef), que não aceitava vinculação. PRC (Paulo Roberto Costa, está claro para a Polícia Federal) soh se foi rebate de cx2."

Mensagem misteriosa

Pimentel : citado na mensagem
Pimentel: citado na mensagem
Do relatório final em que a Polícia Federal pede o indiciamento de Marcelo Odebrecht consta uma anotação que o herdeiro da maior empreiteira do Brasil escreveu em seu celular (hoje apreendido). Eis a anotação: “MF/RA: não movimentar nada e reimbolsaremos (sic) tudo e asseguraremos a família. Vamos segurar até o fim. Higienizar apetrechos MF e RA. Vazar doação campanha. Nova nota minha midia? GA, FP, AM, MT, Lula? ECunha?” As siglas da última linha do bilhete são facilmente identificáveis. “GA” é Giles Azevedo; “FP” é Fernando Pimentel; “AM”, Aloizio Mercadante; “MT”, Michel Temer; e “ECunha”. Eduardo Cunha. “MF” e “RA” são os diretores da Odebrecht, hoje presos no Paraná,  Marcio Farias e Rogério Araújo. O que significa “Vazar doação campanha” não fica claro. Assim como o que ele quis dizer com “higienizar apetrechos”. Por Lauro Jardim

A piora do cenário político derruba a Bovespa e faz o dólar subir a R$ 3,20


A Bovespa abriu a semana no vermelho e renovou a mínima de fechamento desde o final de março, puxada pelo forte declínio nas ações da Petrobras, em meio a queda do petróleo e preocupações com a cena política deteriorada. De acordo com dados preliminares, o Ibovespa caiu 1,38%, a 51.618 pontos. O giro financeiro somava 6,37 bilhões de reais, ajudado pelo volume movimentado no vencimento dos contratos de opções sobre ações, que totalizou 2,05 bilhões de reais. Entre as blue chips, as ações ordinárias Petrobras caíram 6,02% e os bancos também fecharam em baixa (Bradesco PN perdeu 1,81% e Itaú recuou 0,61%). As ações do Banco do Brasil tiveram retração de 2,52% e a Eletrobras, tragada pelo escândalo de corrupção investigado na Lava Jato, também foi penalizada com queda de 2,41%. A Petrobras sofreu hoje com uma tempestade quase perfeita. Não bastasse o clima de incerteza no País, o petróleo perdeu 1,45%, fechando a 50,15 dólares o barril, o menor nível desde 2 de abril. "Os investidores estrangeiros estão com uma posição vendedora muito forte. A instabilidade política contamina todos os papéis ligados ao governo, em especial a Petrobras", afirma o analista Rapahel Figueredo, da Clear Corretora. Ele lembra que o Banco do Brasil está no mesmo barco e também sofre com a notícia de que o Fundo Soberano começou a vender ações do banco, como forma de aumentar a liquidez e possivelmente ajudar no ajuste fiscal do governo. Também influenciado pelo conturbado cenário político, o dólar fechou em leve alta ante o real nesta segunda-feira, pelo terceiro dia seguido. A moeda norte-americana subiu 0,21%, a 3,20 reais na venda, após atingir 3,22 reais na máxima do dia, ainda refletindo as preocupações vistas na sexta-feira, quando a divisa subiu mais de 1% após o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), romper com o governo. Com a alta desta sessão, o dólar acumulou valorização de 2,06% desde quinta-feira. No fim de semana, Renan Calheiros elogiou Cunha e classificou o ajuste fiscal proposto pelo Executivo como "tacanho" e "insuficiente", em vídeo divulgado pela TV Senado. "Não tem nada que nos leve a acreditar numa melhora no curto prazo (para o câmbio)", disse o especialista em câmbio da Icap Corretora, Italo Abucater. A moeda norte-americana tem subido consistentemente nas últimas semanas, em meio a expectativas de que os juros devem subir ainda neste ano nos Estados Unidos, o que pode atrair para a maior economia do mundo recursos atualmente aplicados em países como o Brasil.

VEJA O QUE DIZ A COLUNA DE RICARDO COSTA, HOJE, NO JORNAL EXPRESSO, DE PORTUGAL

A operação Lava Jato já salpica Portugal
À hora a que ler este Expresso Curto já abriram os bancos na Grécia, ao fim de três semanas de portas fechadas. Ainda há controlo de capitais, limites de levantamentos semanais de €420, novas taxas de IVA em muitos serviços e, acima de tudo, muita confusão política em Atenas – como novos ministros - e Europa fora, com enorme tensão pública entre Angela Merkel e o seu poderoso ministro das Finanças, com os dois a já não terem problemas em assumir publicamente as suas divergências. Disto tudo há de haver muita notícia dia fora. Vamos então aos salpicos transatlânticos dessa mega operação judicial que dá pelo eficiente nome de Lava Jato. A operação está nas mãos de uma equipa de Curitiba, cidade bem distante dos centros políticos do Brasil, e corre implacavelmente há muitos meses, liderada por uma equipa de procuradores que podia fazer parte dum filme de Michael Mann sobre Chicago. A investigação no Brasil partiu da Petrobras, de onde foram desviados milhares de milhões de dólares, e seguiram em dois sentidos: empreiteiros e políticos. Como sabemos estas duas coisas andam muitas vezes de mão dada e é, assim, que poucas semanas depois de terem levado à prisão os patrões das maiores construtoras do Brasil, a investigação aperta o cerco a Lula, ex-Presidente da República e senhor todo-poderoso do “seu” PT, que já pediu formalmente para que o inquérito seja suspenso. Foi exatamente o cerco a Lula que salpicou Portugal. O ex-Presidente brasileiro foi muitas vezes pago pela Odebrecht – a maior construtora do Brasil – para fazer conferências mundo fora. Numa delas - nos 25 anos da construtora em Portugal – fez a apresentação pública do livro de José Sócrates. Noutra visita encontrou-se com Pedro Passos Coelho para tentar interceder pela Odebrecht na privatização da EGF, a Empresa Geral de Fomento. Neste momento ainda é muito difícil perceber o que isto pode dizer até porque já todos sabíamos quem tinha pago a vinda de Lula quando apresentou o livro de Sócrates e que a Odebrecht perdeu a corrida à privatização da EGF para a portuguesíssima Mota Engil. Mas o melhor é estarmos atentos porque os procuradores de Curitiba não têm vontade de parar.

Eduardo Cunha diz não estar com "fuzil de guerra"


Depois de romper com o governo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), adotou tom mais ameno e até falou em "harmonia" entre os Poderes da República. Apesar do discurso, o peemedebista já autorizou a criação de duas CPIs incômodas e se debruça sobre o rumo que dará aos pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ele também protocolou no Supremo Tribunal Federal uma reclamação contra o juiz responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, Sergio Moro, e pediu que o processo no qual foi citado como beneficiário de propina seja remetido ao Supremo. Ao chegar na Câmara nesta segunda-feira, Cunha disse que a mudança da militância e do alinhamento político não interferem no comando da Casa. "Será o que estava sendo feito até hoje: a independência de poderes com harmonia. Não precisa estender bandeira branca porque eu não estou de fuzil de guerra. Apenas estou em alinhamento político diferente do que eu estava antes", afirmou. A declaração do peemedebista é uma resposta ao líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE). O petista reuniu-se nesta manhã por mais de duas horas com o conselho político de Dilma e disse que apesar dos ataques, a ordem é não bater de frente com o peemedebista. "Nós vamos começar o segundo semestre estendendo a bandeira da paz. Nesses momentos de tensão, sempre é bom estender a bandeira branca", afirmou. "Nós temos de construir uma agenda nacional. A Câmara não pode ficar nesse mata-mata, nesse zero a zero entre oposição e governo e, agora, com o presidente. Nós vamos ter uma relação proativa e eu vou discutir e dialogar o que é melhor para o país, independentemente de uma divergência pessoal", continuou. Assim como deu declarações mais brandas sobre o governo, o presidente da Câmara também evitou criticar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a quem ele acusou de comandar uma investigação "seletiva" na Operação Lava Jato - da qual é um dos alvos. Questionado sobre declaração de Janot, de que "investiga fatos, jamais instituições", Eduardo Cunha evitou tecer novos comentários. Cunha tenta suspender a ação penal na qual foi citado por Júlio Camargo, um dos delatores da Lava Jato. A questão será decidida pelo presidente do STF, Ricardo Lewandowski, responsável pelas deliberações no recesso na Corte. Na semana passada, Camargo, ex-consultor da empresa Toyo Setal, disse, em depoimento a Sergio Moro, Cunha pediu 5 milhões de dólares de propina para que um contrato de navios-sonda da Petrobras fosse viabilizado. Os advogados pediram a suspensão do processo por entender que cabe ao Supremo presidir o inquérito, em função da citação do presidente da Câmara, cujo cargo tem prorrogativa de foro privilegiado. Cunha já é investigado em um inquérito aberto no STF para apurar se apresentou requerimentos para investigar empresas que pararam de pagar propina nos contratos dos navios-sonda. Na ação em que Cunha foi citado, são réus o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, o doleiro Alberto Youssef, o empresário Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, acusado de arrecadar propina, e Júlio Camargo. "No quadro exposto nessa petição, é evidente a usurpação de competência do Supremo Tribunal Federal por parte do Juízo reclamado ao proceder investigações em face do reclamante, a demandar urgente adoção de providências por essa egrégia Suprema Corte", argumentou a defesa. Após a divulgação do depoimento, Cunha voltou a negar que tenha recebido propina de Júlio Camargo. "Qualquer coisa que seja a versão que está sendo atribuída é mentira. É mais um fato falso, até porque esse delator (Camargo), se ele está mentindo, desmentindo o que ele delatou, ele por si só já perde o direito à delação", disse na ocasião.

Janot defende sua candidatura, rebate as críticas, diz que investiga fatos, jamais instituições, e procura aliviar conflito com Senado e Câmara


Diante do risco de ter a recondução barrada no Senado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, rebateu nesta segunda-feira as críticas de que tem agido de forma seletiva durante as investigações da Operação Lava Jato. O clima adverso ao procurador, cujo mandato termina no dia 17 de setembro, cresceu na semana passada, com a deflagração da primeira ação centrada em políticos envolvidos no esquema do Petrolão, entre eles três senadores - Fernando Collor (PTB-AL), Fernando Bezerra (PSB-PE) e Ciro Nogueira (PP-PI). Em nota, Janot disse que o Ministério Público mantém uma relação de "harmonia" e de "respeito" com os poderes da República e destacou que é prerrogativa de sua função conduzir investigações "de forma sóbria e responsável em relação às altas autoridades da República, sejam elas do próprio Ministério Público ou dos Poderes Legislativo, Judiciário ou Executivo". "O PGR, no exercício regular de suas atribuições, investiga fatos, jamais instituições. No contexto de um regime democrático, o Ministério Público sempre buscou o diálogo permanente com os poderes constituídos no propósito de fortalecer a República brasileira, o que passa necessariamente - ao contrário das declarações desairosas veiculadas em matéria jornalística - pelo funcionamento de um Senado Federal altivo e de pé", continuou Rodrigo Janot. A declaração do procurador é dada dois dias depois de o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), dizer, em pronunciamento, que houve excessos "em vários episódios" na Lava Jato. O peemedebista, também investigado no esquema de corrupção, é um dos principais críticos à condução das investigações pelo Ministério Público e, na semana passada, classificou como uma "invasão" as ações de busca e apreensão nas residências dos senadores. Cabe ao Senado chancelar a indicação do presidente da República para o comando do Ministério Público. A votação se dá de forma secreta e passa pela Comissão de Constituição e Justiça e pelo plenário. Aliado de Renan Calheiros, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é outro parlamentar que declarou guerra ao procurador-geral da República. Ele acusa Rodrigo Janot de ameaçar o executivo Julio Camargo, da Toyo Setal, que mudou a versão do depoimento e passou a incriminar Cunha no esquema de corrupção da Petrobras. Cunha diz que foi "escolhido" para ser investigado por Rodrigo Janot.

Dora, menos frevo, menos maracatu

O Antagonista aconselha a advogada Dora Cavalcanti a pensar seriamente na possibilidade de o seu cliente Marcelo Odebrecht, indiciado hoje pela PF, fazer um acordo de delação premiada. Veja-se o caso de Dalton Avancini e Eduardo Leite, dois ex-executivos da Camargo Corrêa. Sergio Moro os condenou a 15 anos e 10 meses de prisão, mas, graças à delação premiada, não pegarão regime fechado e a progressão da prisão domiciliar para os regimes semiaberto e aberto será rápida. Já o ex-presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa João Auler, que se recusou a fazer delação premiada e foi condenado a nove anos e meio de prisão, ficará na cadeia durante pelo menos um ano e meio. Como Marcelo Odebrecht deve ter uma sentença bem maior do que as desses seus colegas, se não fizer delação premiada, ele certamente mofará numa penitenciária por longos anos. Vamos lá, Dora, menos frevo, menos maracatu, e mais pé no chão. A casa caiu.

"Guantánamo brasileira"

Ainda no capítulo "advogados", o defensor de um dos presos pela Lava Jato escreveu numa petição que Curitiba era "a Guantánamo brasileira". E saber que essa gente ganha milhões de reais para produzir esse tipo de argumento...

Youssef, o bom conselheiro

O Antagonista noticiou que Nestor Cerveró está negociando a sua delação premiada. Agora, Lauro Jardim, da Veja.com, informa que um dos incentivadores é Alberto Youssef, com quem o ex-diretor da Petrobras conversa muito na prisão. O doleiro quase se estrepou quando o seu advogado era Kakay - que, por razões filosóficas bastante polpudas, digamos assim, opunha-se a que o cliente contasse tudo. Por pressão da família, Alberto Youssef livrou-se de Kakay e, agora, pegará uma cana bem menos pesada. Os seus bons conselhos a Nestor Cerveró deveriam lhe propiciar diminuição de pena.

"Usurpação de competência"

Alegando “usurpação de competência”, segundo o Estadão, Eduardo Cunha tenta suspender de processos que envolvem a Lava Jato no Paraná. Seus advogados protocolaram uma reclamação no STF contra o trabalho de Sérgio Moro. Exigiram a imediata suspensão da ação penal que corre no Paraná e que envolve, entre outros, Fernando Baiano, Nestor Cerveró, Alberto Youssef e Julio Camargo. Além disso, pediu que o STF declare nulos “todos os atos realizados no curso da ação penal”. Trata-se do processo no qual Julio Camargo depôs e revelou que pagou propina ao peemedebista.

Que Sergio Moro faça escola

Sergio Moro está causando um terremoto na Justiça brasileira. Para além do uso exemplar da prisão preventiva, da coleta de depoimentos que não deixam margem a chicanas e dos acordos de delação premiada, a rapidez com que julga e condena está assustando os empreiteiros e operadores presos, informa Gerson Camarotti, do G1. Os advogados dos presos temem que a "velocidade impressionante" do juiz estimule mais delações, de acordo com o colunista. Não se trata apenas de tática. Sergio Moro sabe que só existe Justiça quando ela é rápida. Que faça escola. (O Antagonista)

CENÁRIO DE GUERRA CIVIL EM MANAUS, 34 ASSASSINATOS EM APENAS TRÊS DIAS


Um homem de 31 anos foi morto a tiros na madrugada desta segunda-feira, por volta das 2h30, na Rua Santiago Dantas, no bairro Novo Israel, na Zona Norte de Manaus (AM). A morte de Renato Simplício Duque foi a 34ª desde a última sexta-feira, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP). O secretário de Segurança Pública do Estado, Sérgio Fontes, disse, em entrevista coletiva no sábado, que um mesmo bando pode ser responsável pelos assassinatos. "Alguns homicídios já temos os indícios de autoria, os demais existe indicação de que foi uma ação orquestrada. Não descartamos nenhuma hipótese", disse Fontes. A assessoria da Polícia Civil, contudo, afirma que, embora tenham sido registrados ataques de organizações criminosas entre si, os casos não podem ser associados automaticamente até o término das investigações. Ninguém foi preso até o momento. São fortes os indicativos de que o aparato de segurança pública no Amazonas entraram em colapso. Os bandidos são autorizados a sair das cadeias para praticarem assaltos. E policiais montaram grupos de justiceiros que agem ilegalmente. Assim a matança corre livre em Manaus e outros municípios do Estado. 

TAM ANUNCIA DEMISSÕES E REDUÇÃO DE VÔOS, É A CRISE DO REGIME PETRALHA


A companhia aérea TAM, da Latam Airlines, anunciou nesta segunda-feira que reduzirá gradualmente sua operação no Brasil de 8% a 10% diante do desaquecimento do setor aéreo e do que considera um "cenário econômico desafiador". A empresa informou também que os ajustes prevêem cortes de menos de 2% no seu quadro de funcionários, incluindo a rotatividade natural da companhia. A informação foi publicada por meio de fato relevante na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta segunda-feira. "Diante de um cenário econômico desafiador no País, provocado pelo aumento da inflação e pela alta do dólar em relação ao real, resultando numa desaceleração do setor aéreo, a TAM começa, a partir de agora, uma redução gradual de suas operações no mercado doméstico", diz o comunicado emitido na CVM. O grupo Latam Airlines mantém atualmente 53.644 funcionários. A empresa não informou o total de empregados relacionados apenas à TAM. A companhia aérea revisou neste ano sua previsão de oferta, medida em assentos-quilômetro oferecidos (ASK) no mercado doméstico brasileiro, para uma contração de 2% a 4% sobre 2014, ante previsão anterior de estabilidade. Segundo o comunicado, a TAM não deixará de operar em nenhum dos destinos onde está presente atualmente. A presidente da TAM, Claudia Sender, afirmou que o ajuste da malha doméstica é necessário para enfrentar o contexto econômico difícil, sem prejudicar a conectividade dos passageiros. "Essa adequação não afeta a estratégia de longo prazo da empresa, que inclui a renovação da frota, o projeto de estudo de viabilidade do hub (centro de conexões) Nordeste e do contínuo fortalecimento dos hubs de Brasília e São Paulo/Guarulhos", disse a executiva no comunicado.

Sabesp vende imóveis e cobra dívidas para tapar os seus prejuízos


A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) vai adotar três medidas para arrecadar dinheiro a curto prazo, a fim de cobrir os prejuízos causados pela crise hídrica. A empresa venderá terrenos e imóveis, abrirá, até setembro, um "feirão" com condições atraentes para que devedores públicos e privados possam renegociar seus débitos e forçará as prefeituras a quitar suas dívidas com contas de água - essa medida foi colocada em prática na semana passada, quando a companhia enviou ao Cadin (cadastro estadual de inadimplentes) uma lista com 22 municípios que estão com contas em aberto. O presidente da companhia, Jerson Kelman, disse que o problema econômico é pontual. "Sempre quando criadas condições favoráveis de renegociação, cria-se um problema. Há alguns que não podem pagar porque acham que pode haver uma anistia no futuro. Mas esse caso não haverá, porque a situação é absolutamente circunstancial", disse. "Como estamos enfrentando a crise financeira circunstancial? Com redução de custos e uma série de medidas. Estamos vendendo as jóias da avó", definiu Kelman a situação atual da empresa. Em razão da crise hídrica, o lucro da empresa no ano passado caiu 1 bilhão de reais em comparação com 2013. A situação da companhia se agravou ainda mais com a desvalorização do real, já que cerca de 40% das dívidas da Sabesp é em moeda estrangeira. Além disso, a estatal adotou a política de bônus para os clientes que consumissem menos água, com descontos de até 30% na fatura - o que significou perdas de 442 milhões de reais nos cofres da empresa no primeiro semestre deste ano. Na semana passada, a Sabesp disse que planeja um novo reajuste na conta de água dos paulistanos, de 7,5%.

Hackers atacam site canadense de adultério, que atua no Brasil: 37 milhões de casos podem ser revelados


Hackers roubaram dados do maior site de promoção de encontros extraconjugais do mundo, o canadense Ashley Madison, e prometem divulgar as informações de seus 37 milhões de usuários. Até agora, o maior atrativo da página, que aportou no Brasil em 2011 com a frase "A vida é curta. Curta um caso", era justamente o sigilo dos perfis e dados financeiros de quem acessa o site. As informações foram roubadas por um grupo chamado "Impact Team" (Time de Impacto), que também teve acesso às informações dos sites "Cougar Life", com 7,6 milhões de usuários, e "Established Men", com 1,3 milhões, que também integram o grupo de empresas da Avid Life Media, administrador do Ashley Madison. Até o momento, os hackers divulgaram 40 MB de informações, como detalhes das transações feitas por cartões de crédito e outros documentos utilizados no site. Junto a elas, postaram uma ameaça afirmando que essas informações seriam um "aperitivo" e que mais seria divulgado se os sites não fossem fechados permanentemente. "A Avid Life Media foi instruída a tirar do ar os sites Ashley Madison e Established Men permanentemente e em todas as suas formas ou publicaremos todos os registros dos clientes, como perfis com todas as fantasias sexuais secretas e transações de cartão de crédito, nomes reais e endereços, documentos e e-mails. Os outros sites podem permanecer online", dizia a mensagem do Impact Team. De acordo com os hackers, o site cobra uma taxa para apagar totalmente as informações dos usuários que decidem fechar suas contas, incluindo os dados de cartão de crédito, o que seria uma "mentira completa". "Os usuários "sempre pagam com cartão de crédito: os detalhes de compras não são removidos como prometido e incluem o nome e endereço verdadeiro, certamente as informações que os usuários mais querem que sejam removidas", afirmou o Impact Team na mensagem. Em entrevista ao jornalista americano Brian Krebs, o primeiro a divulgar a notícia do vazamento no fim da noite de domingo (19), o chefe-executivo do Avid Life Media, Noel Biderman, confirmou que o material hackeado é verdadeiro e que a empresa está "trabalhando diligente e fervorosamente" para impedir a divulgação dos dados. O grupo acredita que o responsável pelo roubo de informações seja alguém que trabalhou para empresa e teve acesso à área técnica dos sites. Em um comunicado oficial divulgado no site do grupo, a Avid Life Media lamentou o ocorrido e informou que está trabalhando em conjunto com agências de segurança para investigar o crime e punir os autores. Os brasileiros que atuavam neste site devem estar tremendo de medo. 

Estados Unidos e Cuba reabrem suas embaixadas


Estados Unidos e Cuba silenciosamente entraram em uma nova era de relacionamento pós-Guerra Fria nesta segunda-feira, formalmente restaurando os laços diplomáticos rompidos há mais de cinco décadas e restabelecendo embaixadas em suas capitais. Logo após a meia-noite deste domingo, os dois países estabeleceram oficialmente um novo marco na reaproximação que começou com o surpreendente anúncio dos presidentes Barack Obama e Raúl Castro em 17 de dezembro. O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, compareceu pela manhã à cerimônia de hasteamento da bandeira cubana pela primeira vez em 54 anos sobre uma mansão que voltará a ser a embaixada de Havana em Washington. O evento simbólico foi seguido por um encontro no Departamento de Estado americano do secretário de Estado, John Kerry, com Rodríguez, o primeiro chanceler cubano em visita oficial a Washington desde a Revolução Cubana de 1959. Ao mesmo tempo em que os cubanos fizerem sua cerimônia, a embaixada dos Estados Unidos em Havana também foi reaberta, mas de maneira discreta. Uma bandeira americana só será hasteada quando Kerry fizer uma visita à ditadura comunista de Cuba, no próximo mês, em 14 de agosto. 

Bloomberg informa que jornal Financial Times pode ser vendido por US$ 1,6 bilhão


A editora britânica Pearson cogita a venda do jornal Financial Times depois de receber interesse de potenciais compradores, informou a Bloomberg nesta segunda-feira, citando fontes que têm familiaridade com o assunto. O negócio poderia girar em torno de 1 bilhão de libras (1,6 bilhão de dólares), segundo a agência de notícias. Um porta-voz da Pearson disse que o grupo não comenta sobre rumores ou especulações. Entre as interessadas estaria a editora alemã Axel Springer, em associação com a ProSiebenSat.1 Media. As duas empresas se negaram a comentar. A venda do jornal tem sido objeto de especulação há muito tempo, já que a Pearson tem direcionado seus investimentos sobretudo para a área de educação. Em 2012, a empresa negou uma reportagem da Bloomberg que dizia que procurava ofertas para o negócio.

POLICIA FEDERAL INDICIA MARCELO ODEBRECHT E MAIS SETE EXECUTIVOS NO PETROLÃO


A Polícia Federal indiciou nesta segunda-feira Marcelo Odebrecht, presidente da maior empreiteira do País, que leva o nome de sua família, e mais sete executivos investigados pela Operação Lava Jato. Eles são suspeitos de praticar os crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, formação de cartel, fraude a licitação e associação criminosa no chamado Petrolão do PT. Foram indiciados os executivos: Rogério Santos de Araújo, Marcio Farias da Silva, Cesar Ramos Rocha, Celso Araripe de Oliveira, Eduardo de Oliveira Filho, João Antonio Bernardi Filho e Alexandrino Ramos de Alencar. O delegado Eduardo Mauat também pediu a manutenção da prisão preventiva de cinco desses executivos, entre eles Marcelo Odebrecht e Alexandrino Alencar. A Polícia Federal usou contra Marcelo Odebrecht um depoimento em que o dono da empreiteira afirma que "continua confiando nos seus companheiros, ou seja, nos executivos que foram detidos, acreditando na presunção de inocência dos mesmos".  "Entendemos, que a partir dessa fala, no cotejo com os demais elementos carreados, Marcelo Odebrecht aderiu de forma inconteste às condutas imputadas aos demais investigados, considerando que delas detinha pleno conhecimento", afirma o delegado. "Além do caso especifico das sondas, o material trazido aos autos aponta para o seu conhecimento e participação direta nas condutas atribuídas aos demais investigados, tendo buscado, segundo se depreende, obstaculizar as investigações". A Polícia Federal afirma que Marcelo Odebrecht "não apenas tinha pleno conhecimento das irregularidades que envolviam o Grupo Odebrecht, como pretendia adotar uma postura de confronto com a Operação Lava Jato". O delegado analisou o conteúdo do bilhete manuscrito em que o dono da empreiteira determina a "destruição de e-mails", após ter sido preso. A Polícia Federal contesta o argumento da Odebrecht, segundo quem não faria sentido mandar destruir provas já obtidas pelos investigadores. "Observamos que a destruição de e-mails relativos às sondas poderia ser aplicada à caixa de e-mails do mesmo titular, Roberto Prisco Ramos, cujos arquivos ainda não haviam sido entregues na data em que Marcelo Odebrecht teria dado a ordem aos seus advogados". Segundo os investigadores, ficou provado que Rogério Araújo realizou transações financeiras em espécie para o Reginaldo Fipli (já morto) e que ele "comandava os depósitos" realizados pelo operador Bernardo Freiburghaus nas contas no Exterior dos ex-diretores da Petrobras, Paulo Roberto Costa (Abastecimento) e Nestor Cerveró, ambos já condenados em ações penais da Lava Jato". Os policiais federais também concluíram que existem elementos que provam o "envolvimento de Alexandrino Alencar em relação ao contrato de nafta da Braskem". A empresa ganhou um aditivo contratual para vender o insumo petroquímico à Petrobras por meio do pagamento de propina a Paulo Roberto Costa e políticos do PP, como o ex-deputado José Janene e o ex-assessor João Cláudio Genú. Segundo Paulo Roberto Costa, a compra, mesmo desvantajosa, foi aprovada mediante o pagamento de propina em contas na Suíça, "na ordem de 3 a 5 milhões de dólares por ano, em média, o que teria ocorrido entre 2006 e 2012". A Polícia Federal salienta que o grupo se utilizava sobretudo de operações no Exterior para o pagamento de propina, de modo a dificultar o rastreamento do dinheiro, mas chama a atenção para irregularidades detectadas em obras da Petrobras em Vitória, no Espírito Santo. Em acordo de delação premiada, o executivo da Camargo Corrêa, Eduardo Leite, condenado nesta segunda-feira a quinze anos e dez meses de prisão, detalhou irregularidades nas obras do centro administrativo da Petrobras em Vitória. Leite afirmou à Polícia Federal que solicitou ao Diretor de Óleo e Gás da construtora, Paulo Augusto Santos da Silva, uma auditoria a partir das irregularidades apontadas pela Lava Jato. Santos, então, apresentou ao executivo dois contratos firmados entre o consórcio OCCH, composto pelas empresas Odebrecht, Camargo Corrêa e Hochtief, que teriam como finalidade o pagamento de propina a Celso Araripe, gerente local das obras. Um deles, no valor de 1,8 milhão de reais, teve como justificativa serviços de consultoria. "Verifica-se, então, o recebimento de recursos significativos por funcionário da Petrobras e seus familiares, que teriam origem na SulBrasil, empresa contratada pelo consorcio OCCH, pairando também indícios de que nenhum serviço fora prestado pela terceirizada", diz a Polícia Federal no relatório.

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL TRAÇA PLANO B PARA PROTEGER A OPERAÇÃO LAVA JATO EM FACE AO RISCO DE JANOT NÃO SER RECONDUZIDO AO CARGO


Favorito dentro do Ministério Público para ser reconduzido a um novo mandato à frente da Procuradoria-Geral da República, Rodrigo Janot corre, na avaliação de membros do Ministério Público Federal, riscos reais de ser barrado em votação secreta do Senado. Alvo de ataques de políticos como o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Janot enfrenta a ira de parlamentares citados no esquema do Petrolão do PT. Por isso, procuradores da República próximos ao chefe do Ministério Público já cogitam traçar um plano B para evitar prejuízos à Operação Lava Jato que levem à contestação da apuração do esquema de desvios na Petrobras que financiou políticos e partidos. A hostilidade a Janot cresceu desde a última terça-feira, com a Operação Politéia, primeira fase da Lava Jato centrada no núcleo político do esquema, que realizou buscas e apreensões em imóveis de três senadores. O cumprimento dos mandados contra Collor, Ciro Nogueira (PP-PI) e Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) deixou o ambiente no Senado ainda mais tenso que o visto desde março, quando foram abertos inquéritos contra treze senadores - entre eles, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), por suposto envolvimento no esquema de corrupção. Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde começará a nova sabatina de Janot se ele for indicado pela presidente Dilma Rousseff, nove dos 27 senadores titulares estão na mira da Procuradoria, o que deve acirrar os ânimos contra o chefe do Ministério Público. Diante disso, procuradores próximos a Janot começaram a traçar, em conversas reservadas, um plano B com o objetivo final de proteger a Lava Jato, caso o atual o procurador-geral seja rejeitado pela Casa. Como plano alternativo, Janot poderia apoiar outro candidato da lista tríplice nos bastidores. Na disputa estão os subprocuradores-gerais Carlos Frederico Santos, Mario Bonsaglia e Raquel Dodge. Janot, entretanto, vai manter o discurso público de que é candidato sem quaisquer condicionantes. Apoiar um sucessor seria uma forma de manter o ritmo das investigações da Lava Jato. Há receio de uma descontinuidade, ainda que temporária, na condução dos inquéritos no Supremo Tribunal Federal contra deputados e senadores e no apoio às ações tocadas por procuradores da força-tarefa da operação - grupo designado diretamente por Janot e que atua na Justiça Federal de Curitiba. Um novo procurador-geral poderia, por exemplo, pedir um tempo adicional para avaliar os inquéritos da Lava Jato contra políticos. O risco de derrota no Senado agita os bastidores do Ministério Público Federal. Um procurador reconhece que as recentes ações contra os senadores vão criar um clima de solidariedade entre os parlamentares na Casa. Para ele, Janot "cutucou a onça com vara curta". Outro componente a complicar a situação do procurador-geral é o calendário apertado até sua recondução. A eleição interna ocorrerá em 5 de agosto e, se encabeçar a lista tríplice, Dilma deve indicá-lo para um novo mandato - o atual termina em 17 de setembro. Além do tempo curto, a investigação sobre tantos senadores cria embaraços para um corpo a corpo com os parlamentares. Três importantes líderes governistas do Senado avaliam que Janot terá dificuldades para ser reconduzido. Cabe aos senadores chancelar a escolha feita pela presidente. O primeiro desses parlamentares disse que os mandados de busca e apreensão criaram "mais atrito". Para o segundo senador, a operação foi uma "demonstração desnecessária de poder". Além de parlamentares, os alvos da Politéia são um ex-presidente da República (Collor), o presidente de um partido (Nogueira, do PP) e um ex-ministro do governo Dilma (Bezerra). Por fim, o terceiro líder lembra que, como a votação é secreta, existe "uma possibilidade grande de Janot não passar". Até o momento, apenas Collor critica abertamente a operação autorizada pelo STF e avalizada por Janot, desafeto contra quem já moveu quatro processos que poderiam levá-lo ao afastamento do cargo. Os demais, inclusive Renan, reclamaram genericamente dos "excessos" da ação de busca e apreensão, sem citar Janot. Mesmo antes de uma eventual indicação do atual procurador-geral, Renan - alvo de três inquéritos na Lava Jato - disse que vai se comportar "com a isenção que o cargo recomenda". "A indicação é uma faculdade da presidente da República e a sua aprovação ou não é uma prerrogativa dos senadores e das senadoras. Não posso, não tenho como nem vou predizer o que vai acontecer, nem o que não vai acontecer", disse Renan na sexta-feira, em pronunciamento transmitido pela TV Senado. Ainda assim, publicamente, seus aliados apostam na vitória mesmo na votação secreta no Senado. "Eu penso que o Rodrigo será reconduzido, apesar do Collor, Dilma, Calheiros, deputados do PP (partido com o maior número de parlamentares investigados)", disse o subprocurador-geral da República, Brasilino Santos, eleitor de Janot. "Ele colocou o Senado todo de joelhos, é o nosso procurador por mais anos", aposta outro subprocurador, amigo de Janot há mais de 20 anos. Este é um tipo de discurso delirante, completamente impróprio para um procurador da República. Desde quando é papel da Procuradoria Geral da República colocar o Senado Federal de joelhos? O Senado é um dos órgãos de um Poder de Estado, o Poder Legislativo. O Ministério Público não é poder de Estado. Isto é uma autêntica subversão que não pode ter curso. 

Quem quer dinheiro?

Joseph Blatter preparava-se para uma coletiva quando o comediante Simon Brodkin adentrou a sala e o humilhou jogando dinheiro sobre ele. Os italianos, enfurecidos com Bettino Craxi, que tentava melar a Operação Mãos Limpas para safar-se e permanecer no poder, também lançaram um chuva de moedas sobre o então primeiro-ministro, na saída de um hotel em Roma, em 1993. A execração pública de personalidades e políticos corruptos, desde que sem violência, é expressão da vitalidade de uma democracia. 



Já pensou se fazem algo assim em uma entrevista da rainha da mandioca?

Lula oficialmente investigado em Portugal

O jornal português Diário de Notícias acaba de publicar que, a pedido da Lava Jato, a Procuradoria-Geral da República de Portugal vai investigar as lambanças de Lula naquele país. Leiam trecho da notícia: "A Procuradoria-Geral da República (PGR) esclareceu hoje ter recebido um pedido de cooperação judiciária internacional das autoridades brasileiras que investigam o processo 'Lava Jato', que segundo a imprensa brasileira envolve o ex-presidente Lula da Silva e a construtora Odebrecht. 'Confirma-se a recepção de pedido de cooperação judiciária internacional, através de carta rogatória. O teor do pedido formulado pelas autoridades brasileiras é de natureza reservada. O Ministério Público português não deixará de investigar todos os factos com relevância criminal que cheguem ao seu conhecimento', referiu a PGR à agência Lusa a propósito do pedido de auxílio das autoridades brasileiras que investigam um dos maiores casos de corrupção e tráfico de influências no Brasil".

Ex-presidente da Sete, empresa que é a cara da era lulo-petista, diz ter sido pressionado a receber propina, tadinho! Chorem por ele!

Há coisas que são mesmo comoventes. David Friedlander e Julio Wiziack informam em reportagem na Folha desta segunda-feira que João Carlos Ferraz, que presidiu a Sete Brasil de dezembro de 2010 até maio de 2014, admitiu, em carta enviada à direção da empresa, ter recebido US$ 1.985.834,55 em propina de estaleiros. Alegou que o fez “num momento de fraqueza”, em que era pressionado por colegas. Ah, bom! A gente, quando é moleque, faz muita besteira “pressionado por colegas”: fuma escondido, aperta a campainha e sai correndo (coisa de gente antiga), chuta a bola contra uma vidraça, equilibra-se em locais perigosos… É a primeira vez que vejo um adulto admitir que pegou propina porque todo mundo o incitava a fazê-lo… Ferraz diz que o dinheiro é só esse mesmo e pede uma conta para devolver. Só para lembrar: a Petrobras é uma das sócias da Sete Brasil, ao lado de um grupo de bancos e de fundos de pensão de estatais. Não pensem que Ferraz saiu em razão da constatação de irregularidades. É que os acionistas estavam descontentes com os resultados. Ao ser demitido, levou uma bolada de R$ 11,5 milhões. Queria quase o dobro. Não consta que houvesse algum colega pressionando. Depois de auditoria, em processo sigiloso, a Sete pede que ele devolva R$ 22,2 milhões. Segundo informa a Folha, “a empresa estima que as propinas somaram US$ 224 milhões. Em depoimento, Pedro Barusco, aquele, afirmou que dois terços foram para o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. O restante foi dividido com gente da Sete e da Petrobras, como o ex-diretor Renato Duque”. O mesmo Barusco disse que ele próprio, Ferraz e o ex-diretor da Sete, Eduardo Musa, receberam propina dos estaleiros EAS, Brasfels, Jurong, Enseada e Rio Grande, que negam o pagamento. A Sete Brasil não deixa de ser uma síntese do desastre do Brasil sonhado pelo PT. Empresa formada pela Petrobras e sócios privados para construir e administrar o aluguel de sondas para o pré-sal, era a cereja do bolo azedo da política de “conteúdo nacional”. A dívida da empresa chega hoje a US$ 4 bilhões. A Sete estava destinada a construir 28 sondas para a estatal, orçadas em US$ 22 bilhões. Está paralisada, em fase de reestruturação, e aguardando dinheiro novo que a tire do buraco. É a cara do lulo-petismo. Por Reinaldo Azevedo

Como? Miro quer a cabeça de Cunha, mas confessa ter sido voto vencido na reunião que optou pelo mensalão? Ou: Terá ele assistido ao gesto inaugural de um crime de responsabilidade praticado por Lula e ficado calado?

Ai, ai… O Brasil, sem dúvida, é do balacobaco. O deputado Miro Teixeira (Pros-RJ) concede uma entrevista à Folha desta segunda. Governista, mas com alguns votos independentes (mas isso há até no PT), diz não ver motivos para que se apresente uma denúncia por crime de responsabilidade contra Dilma. Defende, no entanto, e a presidente não ficará triste com ele, nada menos do que a renúncia (!) de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Não! Ele não se refere à presidência da Câmara, não! Ele acha que é para renunciar ao mandato mesmo. Presumo que Cunha não seguirá o seu conselho. De um governista, espero governiches… O que me deixou chocado ao ler a entrevista foi outra coisa. Já chego lá. Uma informação técnica: mesmo que Rodrigo Janot ofereça uma denúncia contra Cunha e mesmo que ela venha a ser aceita pelo Supremo, o deputado não precisa abrir mão da presidência da Câmara por força de lei. Não custa lembrar: na condição de réu do mensalão, o PT fez de João Paulo Cunha, condenado depois pelo Supremo, nada menos do que presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Se Miro reclamou, não me lembro. Cunha, o Eduardo, só perde o mandato se for condenado pelo tribunal. O que me deixou chocado na entrevista de Miro Teixeira, no entanto, foi outra coisa. Ele confessa que, na condição de ministro de estado — e ele foi ministro das Comunicações do primeiro mandato de Lula —, acompanhou o que parece ter sido a origem do mensalão. Segundo dá a entender, e dá!, Lula estava presente à reunião em que aquilo foi decidido, já em janeiro de 2003. Afirmou: “Janeiro de 2003 foi um mês de debates, de como fazer maioria no Congresso. Houve uma reunião em janeiro. Havia quem dissesse que a maioria poderia ser em torno de projetos. E havia quem dissesse que ‘aquele Congresso burguês’ poderia ter uma maioria organizada por orçamentos. Essa tendência dos que quiseram organizar pelo orçamento foi vitoriosa.” Li e reli o trecho. Num primeiro momento, pensei se tratar das emendas de parlamentares, mas não é isso, não! O contexto deixa claro que “orçamento” quer dizer dinheiro mesmo, compra de parlamentares. É o mensalão! Havia quatro pessoas na reunião, diz Miro. Ele e Antonio Palocci, ministro da Fazenda, foram contra a “posição orçamentária”, mas prevaleceu a opinião das duas outras pessoas. Indagado se uma delas era Lula, ele responde: “Não se devem citar nomes. A revelação que posso fazer é essa”. Ou seja, era Lula. Até porque, né?, num placar de dois a favor da compra de parlamentares e dois contra — e um dos que eram contra era o poderoso Palocci —, a gente só pode supor que a outra dupla era formada por Lula e José Dirceu, chefe da Casa Civil então. Eu estou enganado ou o moralista Miro Teixeira, que está a pedir a autoimolação de Cunha, está confessando que participou da reunião que decidiu o nascedouro do mensalão, mas, mesmo assim, permaneceu no governo? Bem, parece que Miro assistiu à prática de um crime de responsabilidade, devidamente caracterizado na Lei 1.079. E se calou. Não custa lembrar: o mensalão era crime e levou a cúpula petista para a cadeia. Ah, sim: naquele caso também, os companheiros gritaram “golpe!” Por Reinaldo Azevedo

Justiça Federal condena três ex-dirigentes da Camargo Corrêa

Dalton dos Santos Avancini
A Justiça Federal do Paraná condenou nesta segunda-feira os três ex-dirigentes da Camargo Corrêa por corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro em obras da Petrobras. Esta é a primeira condenação de representantes de empreiteiras investigados na Operação Lava-Jato. Dalton Avancini, ex-presidente, e Eduardo Leite, ex-vice-presidente, foram condenados a 15 anos e 10 meses de reclusão. Por terem firmado acordo de delação premiada com a Justiça, os dois deverão cumprir pena em prisão domiliciar. O ex-presidente do conselho de administração, João Ricardo Auler, foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por corrupção ativa e deverá ser preso, pois foi revogada sua permanência em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica. Também foram condenados Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, o doleiro Alberto Youssef e o policial federal Jayme Alves de Oliveira, que fazia as entregas de dinheiro para Youssef. O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal e responsável pelas ações da Lava-Jato, estabeleceu em R$ 50,035 milhões o valor mínimo necessário para ressarcir danos causados à Petrobras. O valor corresponde apenas à propina paga para a diretoria de Abastecimento da Petrobras, por meio do ex-diretor Paulo Roberto Costa. Na sentença, Moro sugeriu que a empreiteira busque regularizar sua situação com a Controladoria de Geral da União (CGU), Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) e Ministério Público Federal, além da própria Petrobras. “Considerando as provas do envolvimento da empresa na prática de crimes, incluindo a confissão de seu ex-presidente, recomendo à empresa que busque acertar sua situação junto aos órgãos competentes”, afirmou. “Este juízo nunca se manifestou contra acordos de leniência e talvez sejam eles a melhor solução para as empresas”, sugeriu.

TELEGRAMAS DO ITAMARATY REVELAM LOBBY DE LULA NO EXTERIOR EM FAVOR DA ODEBRECHT

Telegramas trocados entre o Itamaraty e diplomatas brasileiros no Exterior comprovam que o ex-presidente Lula X9 intercedeu em Portugal em favor da Odebrecht, segundo o jornal O Globo. Tanto o Instituto Lula quanto a empreiteira sustentam que o ex-presidente é contratado para proferir palestras e negam lobby ou tráfico de influência no caso. Em correspondência enviada em 2014, o embaixador brasileiro em Lisboa, Mario Vilalva, diz que "repercutiu positivamente na mídia" a declaração de Lula de que empresas brasileiras devem se engajar na aquisição de estatais portuguesas. Segundo o jornal, teria havido menção específica à Odebrecht em conversa privada. "O ex-presidente também reforçou o interesse da Odebrecht pela EGF (Empresa Geral de Fomento) ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que reagiu positivamente". O Instituto Lula diz que o ex-presidente só "comentou o interesse", que já era público e que ele "não recebeu, não recebe e jamais receberá pagamento de qualquer empresa para dar consultoria, fazer lobby ou tráfico de influência". A Odebrecht disse ter pago as despesas da viagem, dado que o ex-presidente havia sido contratado para uma palestra. A empreiteira não ofereceu proposta na privatização da EGF. A relação entre Lula e a Odebrecht deu origem a uma investigação no Ministério Público Federal do Distrito Federal, para saber se houve tráfico de influência em projetos no Exterior, incluindo os financiados pelo BNDES.

SARTORI QUER ARRECADAR MAIS R$ 2 BILHÕES COM AUMENTO DO ICMS.

Os ex-governador Olívio Dutra (PT), Germano Rigotto (PMDB) e Yeda Crusius (PSDB), do Rio Grande do Sul, tentaram aumentar o ICMS, mas foram barrados na Assembléia Legislativa. Rigotto ainda conseguiu emplacar um aumento, que foi provisório. Agora, o governo de José Ivo Sartori (PMDB) acha que arrecadará mais R$ 2 bilhões em 2016. O aumento só vigorará no ano que vem. O governador José Ivo Sartori já teria sido convencido pelos seus técnicos e assessores mais próximos, que não dá para esperar mais pelo aumento da arrecadação do ICMS. A proposta poderá ser enviada na reabertura dos trabalhos legislativos, em agosto. PDT e PP já avisaram que votarão contra seu próprio governo. A idéia é de que o mal, se tiver que ser feito, ocorra no primeiro ano, logo no início do governo. Na secretaria da Fazenda, vazaram estes termos da proposta que Sartori poderá fazer:
- Elevação da alíquota básica do ICMS de 17% para 18%
- Aumento das alíquotas, de 25% para 30% da gasolina, do álcool, das telecomunicações, da energia elétrica comercial e residencial acima de 50 KW
- Criação de um fundo de combate à pobreza, com cobrança de um adicional de dois pontos percentuais, até 2025, sobre fumo, TV por assinatura (que hoje é de 12%), bebidas alcoólicas e cosméticos.
O governo espera arrecadar R$ 2 bilhões com o aumento dos impostos. Em tempo de crise econômica aguda como se está vivendo, por conta dos desastres do desajuste fiscal promovido pelo governo petralha da petista Dilma Rousseff, e da brutal recessão, o aumento de impostos a ser proposto por José Ivo Sartori se configura quase uma derrama. Mas, não é de estranhar. Este é o quarto governo do PMDB no Rio Grande do Sul desde a redemocratização no Brasil (Pedro Simon, Antonio Britto, Germano Rigotto, José Ivo Sartori). Só um deles teve intenção verdadeiramente renovadora, o de Antonio Brito. Assim mesmo, seu secretário das finanças também era um funcionário da Secretaria da Fazenda. Os governos do PMDB no Rio Grande do Sul caracterizam-se por serem fiscalistas, dominados pela visão arrecadatória, e subordinados ao pensamento dos fiscais da Secretaria da Fazenda. Quem esperar uma visão moderna da economia e das finanças públicas, renovadora, projetada no futuro, não deve esperar nada, nunca, de gestões comandadas por fiscais do ICMS. A única solução que eles sabem apresentar, sempre, é a facílima saída pelo aumento dos impostos. Reforma do aparelho de Estado.... nem pensar, jamais, nunca. 

EX-PRESIDENTE DA SETE BRASIL ADMITE TER RECEBIDO PROPINA DE R$ 2 MILHÕES

Em carta enviada em março à direção da Sete Brasil, o ex-presidente da empresa, João Carlos Ferraz, admite que recebeu US$ 1.985.834,55 em propina dos estaleiros, mas não esclarece quem pagou. A companhia, que tem o BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, como maior acionista, foi criada para produzir sondas do pré-sal e alugar os equipamentos para a Petrobras, também sócia no empreendimento. Em delação, o ex-gerente da estatal, Pedro Barusco, um dos delatores da Operação Lava Jato, disse que o esquema propineiro criminoso do Petrolão reproduziu-se na Sete Brasil.

IMPEACHMENT UNE TUCANOS E PEEMEDEBISTAS

A comunidade política evita adotar a todo custo o discurso de apoio aberto ao impeachment de Dilma. Mas, nos bastidores, especialmente após o rompimento de Eduardo Cunha com o governo, a situação é outra: tucanos e peemedebistas decidiram aguardar as manifestações marcadas para 16 de agosto. Caso a adesão e o impacto dos protestos sejam expressivos, a cúpula dos dois partidos avalia que a solução para a crise política e institucional brasileira será a cassação de Dilma.Um dos mais interessados no assunto, Lula acompanha com atenção a movimentação, que poderá ser decisiva para o futuro de Dilma. Interlocutores de Lula insistem com aliados que a melhor estratégia para o PT, de olho em 2018, seria saída antecipada de Dilma. O vice-presidente Michel Temer pediu a aliados para não associá-lo à movimentação, o que acabaria deslegitimando seu eventual governo. Petistas ouvem do ex-presidente Lula para “não baixar a guarda”, principalmente após última fase da Lava Jato, que cumpriu mandados contra políticos. Lula também avisa: “vem chumbo grosso pela frente”. Em tempos difíceis de achar aliados, a presidente Dilma conta com ao menos um: o governador Luiz Fernando Pezão (RJ). Pezão puxa a turma do “deixa disso” quando se fala em impeachment no PMDB. 

MINISTROS DO TCU AVALIAM DESTITUIÇÃO DE CEDRAZ

Os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) estão cada vez mais convencidos de que o presidente, Aroldo Cedraz, perde a cada dia a legitimidade para ficar na presidência da corte que zela pela correta aplicação do dinheiro público. Indagado sobre a possibilidade de renúncia de Cedraz, um dos mais destacados ministros ironizou: “Se a crise aumentar, talvez sejamos obrigados a renunciá-lo…”. Após alguma resistência, Aroldo Cedraz se reuniu com os ministros, informalmente, e jurou que nada tem com os negócios do filho, Tiago. Segundo relato de ministros, Aroldo Cedraz não teria sido “muito convincente” ao negar envolvimento. A renúncia não está descartada. A Polícia Federal investiga suspeita de tráfico de influência de Tiago Cedraz, apesar de não atuar diretamente em processos no TCU. Tiago Cedraz foi citado em outras investigações da Polícia Federal, mas a delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, foi a mais devastadora.