terça-feira, 21 de julho de 2015

Ministério Público português confirma que está colaborando com a Operação Lava Jato


A Procuradoria-Geral da República de Portugal confirmou nesta terça-feira que colabora com a força-tarefa da Operação Lava Jato. O pedido de ajuda internacional partiu das autoridades brasileiras mediante carta rogatória, segundo nota. O Ministério Público português afirma, contudo, que o caso está em segredo de Justiça. No mesmo comunicado, a Procuradoria confirma que há investigações em curso também sobre a Portugal Telecom. A nota do Ministério Público português foi divulgada no dia em que reportagem do jornal Publico informa que a venda das ações da Portugal Telecom na Telefonica à Vivo, em 2010, e também a entrada da empresa portuguesa na Oi, são alvos de investigação. Sem citar fontes, o jornal afirma que os investigadores analisam se houve "benefícios econômicos" no valor de "várias dezenas de milhões de euro" para políticos, acionistas e dirigentes das partes envolvidas na operação. De acordo com a reportagem, Lula e o ex-ministro da Casa Civil, o bandido petista mensaleiro José Dirceu, teriam mantido conversas com o ex-primeiro-ministro português José Sócrates para destravar as negociações. "Há precisamente cinco anos, Sócrates e Lula falaram várias vezes ao telefone. As conversas ocorreram entre o junho e julho e se destinaram a encontrar uma solução para o impasse provocado pelo veto de Sócrates à venda, à Telefónica, das ações da PT na brasileira Vivo", diz o texto. Segundo reportagem do jornal O Globo publicada no fim de semana, telegramas trocados entre o Itamaraty e diplomatas brasileiros indicariam que Lula teria intercedido em favor da Odebrecht em Portugal e em Cuba. Com relação a Portugal, em correspondência enviada em 2014, o embaixador brasileiro em Lisboa, Mario Vilalva, diz que "repercutiu positivamente na mídia" a declaração de Lula de que empresas brasileiras devem se engajar na aquisição de estatais portuguesas. Segundo o jornal, teria havido menção específica à Odebrecht em conversa privada: "O ex-presidente também reforçou o interesse da Odebrecht pela EGF (Empresa Geral de Fomento) ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que reagiu positivamente". Pedro Passos Coelho negou, nesta segunda-feira, que o ex-presidente tenha feito lobby pela Odebrecht ou por qualquer empresa brasileira. "O ex-presidente Lula da Silva não me veio meter nenhuma cunha para nenhuma empresa brasileira", disse Passos Coelho a jornalistas, em entrevista transmitida pela Rádio e Televisão de Portugal (RTP). "Cunha" é uma expressão portuguesa para "lobby". Ao fim da entrevista coletiva, o primeiro-ministro português disse ainda que as autoridades judiciais brasileiras não pediram qualquer informação ao governo português sobre o assunto. 

Levy sinaliza novos cortes e congelamentos de gastos — mas "'sem drama"


O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sinalizou nesta terça-feira que o governo fará novos cortes de gastos e disse que uma eventual mudança na meta de superávit primário deste ano não representaria o fim do ajuste fiscal. "O governo tem plena consciência que eventualmente mudar a meta não significa o fim do ajuste. Pelo contrário, significa que você tem que continuar fazendo o ajuste", afirmou o ministro a jornalistas. Nesta quarta-feira, o governo divulga o Relatório de Receitas e Despesas e poderá anunciar a redução da meta de superávit primário deste ano, de 66,3 bilhões de reais, equivalente a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Levy disse que o governo está analisando as informações disponíveis e que vai tomar medidas para conduzir a política econômica com "vigor e realismo". "O relatório vai refletir a realidade. Tem que fazer um trabalhinho de contingenciamento e fazer o que tiver que fazer sem drama. Talvez tenha que cortar um pouquinho de despesas", disse. Uma fonte da equipe econômica disse que o governo estuda novo bloqueio adicional de gasto entre 8 bilhões e 15 bilhões de reais, mas que, mesmo assim, o cumprimento da meta de 1,1% do PIB pode não estar assegurado. O corte adicional está sob a mesa após o governo ter anunciado contingenciamento de verbas do Orçamento de 69,9 bilhões de reais em maio. Na época, o governo chegou a estudar bloquear mais de 80 bilhões de reais do Orçamento. "A situação não está tranquila", disse Levy. Com a arrecadação em queda por uma economia debilitada e gastos em nível elevado, o governo enfrenta grande dificuldade em cumprir o alvo fiscal no ano. Em 12 meses encerrados em maio, o setor público registrou déficit primário de 0,68% do PIB. Na busca por melhorar o resultado primário, o ministro citou algumas fontes de receita extra apontando o projeto de regularização de ativos não declarados de brasileiros no Exterior, a possibilidade de um programa de recuperação de créditos tributários e ainda a operação de abertura de capital do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB).

Eduardo Cunha procura Lewandowski para pedir decisão contra o juiz Sérgio Moro


O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), reuniu-se nesta terça-feira com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, para pedir celeridade na análise do pedido de afastamento do juiz Sérgio Moro do inquérito que investiga a denúncia de pagamento de propina ao peemedebista. Eduardo Cunha argumenta que Sérgio Moro descumpriu suas prerrogativas e induziu o delator Júlio Camargo, lobista da Toyo Setal, a acusá-lo. A defesa de Eduardo Cunha alega que o juiz não poderia ter ouvido o lobista sobre uma acusação que envolve um detentor de foro privilegiado, como o presidente da Câmara. Eduardo Cunha não quis falar sobre a reunião com Lewandowski: terceirizou a missão ao seu advogado, Antônio Fernando de Souza, ex-procurador-geral da República. O advogado disse que a reunião serviu para "esclarecer alguns aspectos" sobre a ação que propõe remeter o processo para o STF. Antônio Fernando de Souza protocolou nesta terça-feira uma petição cobrando celeridade na análise do caso. Mais cedo, Lewandowski havia pedido que Sérgio Moro se pronunciasse sobre a reclamação de Eduardo Cunha, o que é um procedimento padrão nesses casos.

Aliado de Eduardo Cunha pede na CPI da Petrobras a acareação entre a petista Dilma e o doleiro Alberto Youssef


O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), segue articulando sua pauta para constranger o governo da presidente Dilma Rousseff no segundo semestre. A mais nova investida do peemedebista é a tentativa de acareação entre Dilma e o doleiro Alberto Youssef, delator e um dos pivôs do propinoduto na Petrobras. O requerimento foi protocolado nesta terça-feira pelo deputado federal André Moura (PSC-SE), um dos principais escudeiros de Eduardo Cunha na Câmara. O colegiado reúne-se apenas na volta do recesso, em agosto, e tem de votar o documento para que Dilma seja convocada a comparecer à CPI. Moura também apresentou mais dois pedidos: 1) uma acareação entre o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) e o dono da UTC, Ricardo Pessoa, que disse, em delação, ter repassado 250.000 reais para a campanha do petista em 2010; 2) acareação entre o delator e o ministro Edinho Silva (Secretaria de Comunicação), tesoureiro de Dilma em 2014 - que teria recebido 7,5 milhões de reais para a campanha de reeleição de Dilma. Eduardo Cunha rompeu com o governo na última sexta-feira e diz ser alvo de uma ofensiva da Procuradoria-Geral da República e do Planalto para envolvê-lo na Lava Jato. O delator Julio Camargo, da Toyo Setal, afirma que o presidente da Câmara dos Deputados cobrou 5 milhões de dólares em propina sobre um contrato de navios-sonda. Irritado, o presidente disse que quem deve ser investigado é "o bando de aloprados" que está no Planalto. Eduardo Cunha também afirmou que aceitaria fazer uma acareação com Julio Camargo na CPI, e defendeu que Dilma, Edinho Silva e Mercadante, citados por delatores, também compareçam à comissão. O colegiado é presidido por Hugo Motta (PMDB-PB), outro mosqueteiro de Eduardo Cunha.

Quase dois terços querem o impeachment de Dilma; povo tá doido pra dar uma surra eleitoral em Lula; só 7,7% aprovam o governo; presidente é rejeitada por 79,9%; 69,2% a culpam por corrupção na Petrobras

Escrevi nesta manhã um post indagando por que diabos, afinal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, se tornou o principal inimigo do governo. Ele fez a crise econômica? Ele fez a crise política? Ele fez a crise de confiança? Convenham: ele é uma das figuras mais influentes do País hoje, mas ainda é desconhecido da esmagadora maioria dos brasileiros. A sua pauta nem mesmo contamina o País com mau humor. Ao contrário até: como a sua agenda está bem mais próxima da do povo em geral, os que o conhecem até depositam nele algumas esperanças. O governo está encalacrado é por sua própria conta, por sua própria incompetência. E sua reputação tende a piorar. Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira não traz uma só boa notícia para o governo, para Dilma Rousseff, para o PT e para Lula. Vou inverter o lead que anda por aí. Como Lula, o amigão de Dilma, era tido até outro dia por petistas como reserva estratégica para que o partido possa se manter no poder a partir de 2019, vamos ver como anda a reputação do rapaz. Se ele disputasse hoje um segundo turno, perderia para qualquer um dos três tucanos que podem ocupar a vaga à Presidência em 2018. Na disputa, com Aécio Neves, apanharia por 49,6% a 28,5%; com José Serra, por 40,3% a 31,8%; com Geraldo Alckmin, por 39,9% a 32,3%. Lula se disse no volume morto. Errado! Ele é o volume morto. Ainda assim, está um pouco melhor do que Dilma, não é? Quem não estaria? Consideram o seu governo bom ou ótimo apenas 7,7% dos entrevistados, contra 70,9% que o vêem como ruim ou péssimo. Dizem ser regular 20,5% dos entrevistados. A que consequência isso leva? Se Dilma sofresse hoje um processo de impeachment, quase dois terços dos brasileiros veriam realizado o seu desejo: defendem que a presidente perca o seu mandato 62,8% dos entrevistados; apenas 32,1% se mostram contrários. Quantos sairiam às ruas em sua defesa? Garanto que bem menos do que isso. Sabem quantos aprovam o desempenho pessoal de Dilma? Apenas 15,3%, contra 79,9% que o reprovam. É um desastre. Aquela foto em que ela e Lula aparecem agarrados ganha agora uma nova legenda: abraço de afogados. O brasileiro, finalmente, começa a ligar os nomes às coisas. Para 53,4%, a corrupção é um dos principais problemas do País — para 37,1%, é o principal. Já ouviram falar da Lava Jato 73,8%. Nem Dilma nem Lula conseguem escapar do peso da lambança. E a situação dela é ligeiramente pior do que a dele, embora ambos apareçam na lama: 69,2% dizem que a presidente é culpada pela roubalheira na Petrobras, e 65% pensam o mesmo de Lula. Livram a cara da presidente só 23,7%; 27,2% no caso do ex-presidente. A população, de certo modo, tem uma percepção da realidade mais correta do que a de boa parte da imprensa: 40,4% dizem que o culpado pela corrupção é o governo; 30,4% apontam os partidos políticos; 14,2% indicam os funcionários da empresa, e apenas 3,5% dizem ser as empreiteiras. A maioria, no entanto, não acredita que os culpados serão punidos: 67,1%. Os brasileiros descobriram também que a corrupção tem um preço: para 86,8%, ela prejudica a economia do País, e isso certamente ajuda a alavancar a brutal rejeição a Dilma. Os entrevistados estão mais realistas do que pessimistas: 55,5% apontam que a situação do emprego vai piorar — e eles estão certos: vai mesmo!
Encerro
Pois é… Digamos que Cunha viesse a deixar de ser uma pedra no sapato de Dilma. E daí? Ele nada tem a ver com esse cenário, produzido pela histórica incompetência dos petistas e por sua brutal arrogância no trato com a realidade. Como é mesmo, Lula? “Olhem que eu volto!!!” Ah, volta, Lula! Volta!!! Por Reinaldo Azevedo

Odebrecht – Agora estão inventando até que o “RA” é “Reinaldo Azevedo”, não “Rogério Araújo”. Que lixo!

Mandam-me aqui um troço impressionante. Nas anotações apreendidas no celular de Marcelo Odebrecht, há nomes identificados por siglas. Entre eles, está lá “RA”, de “Rogério Araújo”, um dos diretores do grupo Odebrecht. E está claro no relatório da Polícia Federal de quem se trata. Um dos blogs sujos tenta induzir seus leitores a acreditar que “RA” é “Reinaldo Azevedo”, procurando ligar meu nome à empreiteira. Quem apela a esse tipo de coisa para tentar desqualificar o outro se define, não é? Clique na imagem abaixo para ampliá-la.

relatório PF Marcelo Odebrecht
Por que a baixaria? Por que o absurdo? Porque tenho apontado decisões que considero ilegais da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e, sim, do juiz Sérgio Moro. Isso nada tem a ver com os aspectos virtuosos da investigação. Como fica evidente, quero é eliminar os não-virtuosos. Não cedo a esse tipo de pressão estúpida. A exemplo de todas as outras operações da Polícia Federal e do Ministério Público, seguirei defendendo o que sempre defendi: que tudo se faça dentro dos limites da lei. Lei que defendi no passado, inclusive em benefício de alguns que me atacam agora. Como atesta o arquivo do meu blog. A Polícia Federal, o Ministério Público Federal e, sei lá, até a Receita Federal dispõem de instrumentos, não é?, para averiguar se mantive ou mantenho relações lícitas ou ilícitas com investigados. As minhas fontes de renda são conhecidas. Eu vivo do que rende o meu trabalho. Leitores que interessam não caem num truque vagabundo como esse, e os que caem não me interessam. Até porque, não é?, se o “RA” sou eu, a Polícia Federal logo há de me convocar, não é mesmo? Que lixo! Em outra página do relatório, aparece o mesmo “RA”, ligado à expressão “Higienizar apetrechos MF e RA”. Segundo a Polícia Federal, trata-se de Márcio Farias e, claro!, de Rogério Araújo. O que quer dizer “higienizar apetrechos”? Meus apetrechos são sempre muito bem higienizados...  Que vida miserável deve levar quem não aprendeu a ter limites.
rlatório PF Marcelo Odebrecht 2
 Por Reinaldo Azevedo

Um apelo ao TCU

Uma nota assinada por quatro entidades que representam auditores e procuradores do TCU cobrou abertura de uma investigação interna no Tribunal para apurar as lambanças de Tiago Cedraz, filho de Aroldo Cedraz. "Revela-se oportuna a avaliação, pelo tribunal, da conveniência de constituir uma instância colegiada específica, integrada pelos membros da corte de contas, para condução da apuração na esfera administrativa, com a isenção que a matéria requer”, diz trecho da nota. Em palavras bonitas, os auditores pedem que o tribunal investigue a relação da família Cedraz com empreiteiros e políticos corruptos. Em palavras diretas, O Antagonista solicita o imediato afastamento de Aroldo Cedraz do TCU.

"Perturbador"

Sergio Moro, ao pedir explicações sobre as anotações de Marcelo Odebrecht: “O trecho mais perturbador é a referência à utilização de 'dissidentes PF' junto com o trecho “trabalhar para parar/anular” a investigação. Sem embargo do direito da defesa de questionar juridicamente a investigação ou a persecução penal, a menção a ‘dissidentes PF’ coloca uma sombra sobre o significado da anotação".

Respostas prontas

Um documento encontrado na sede da Odebrecht em São Paulo mostra que a empreiteira preparou um engenheiro não identificado com uma lista de respostas às possíveis perguntas da Polícia Federal sobre a participação da empresa no Comperj. Segundo a Folha, o funcionário, um “líder da Divisão de Engenharia Industrial", ao ser perguntado a respeito de quantas licitações a Odebrecht participou no Comperj deveria responder que “especificamente não se recorda” e que a empresa recebeu “mais de 500 cartas-convite para participar de obras na Petrobras” nos últimos cinco anos. O funcionário também deveria "esquecer" qualquer desavença que tivesse ocorrido com a Galvão Engenharia em licitações. A resposta pronta complementa: “Pelo que li no jornal hoje o (doleiro Alberto) Youssef devia estar aplicando algum golpe neles usando o nosso nome, isso sim”, diz o texto apreendido.

Vaccareza e Zarattini, homens de muito crédito

Uma anotação de Marcelo Odebrecht examinada pela Polícia Federal faz referência a pagamentos a Cândido Vaccareza e Carlos Zarattini.
Leiam:


Em outro tópico, cujo título é “CREDITOS”, temos menção a BMX e a indicação dos nomes de Vacareza e Zaratini, possivelmente Candido Vacarezza e Carlos Zaratini (ambos do PT/SP), relacionados a eles o percentual de 3% com a observação de “aproximadamente 27M” (possivelmente 27 milhões)... Ao pesquisarmos o projeto BMX, constatou-se tratar de empreendimento de BMX Empreendimento Imobiliário e Participações S/A – Av. Nações Unidas – São Paulo/SP, desenvolvido pela Odebrecht Realizações Imobiliárias. 
Um "GM" que aparece em anotação anterior é identificado pela Polícia Federal como Guido Mantega.

De Bela para Rafa Odebrecht

O Antagonista acha que as mulheres, em geral, são mais realistas do que os homens. Leiam o trecho do relatório da Policia Federal sobre uma mensagem enviada pela mulher de Marcelo Odebrecht à sua filha:
Na análise das mensagens enviadas/recebidas por meio do aplicativo WhatsApp não foram encontrados dados relevantes, exceto as mensagens abaixo, ocorridas no dia 28/04/2015, trocadas entre a esposa Isabela (Bela) e a filha Rafaella (Rafa), cujo teor se refere a Operação Lava Jato e Petrobrás, sendo que Bela escreve para a filha que se “for preciso, chamamos alguns envolvidos para esclarecimentos”.
Isabela Odebrecht, o seu marido está tão enrolado que deveria fazer delação premiada e, assim, permitir à Lava Jato chamar logo aquele envolvido lá, você sabe quem, para esclarecimentos.

"Só vale se for para mandar recados"

Em agosto de 2014, antes do início da campanha presidencial, a Folha de S. Paulo convidou Marcelo Odebrecht a dar uma entrevista sobre os gargalos na infraestrutura brasileira. As anotações do presidente da empreiteira mostram que Sergio Bourroul, diretor de Comunicação da empresa, lhe disse que só valia a pena se fosse para "mandar recados". Um recado foi dado claramente, como se pode ler abaixo. Foi a defesa da volta da Cide: 
Folha: Aumentar o preço dos combustíveis de uma vez pode ter impacto forte na inflação...
Marcelo Odebrecht: Para mim, o foco dessa discussão está errado. A Petrobras sempre trabalhou com defasagem de 10% a 15% no preço da gasolina. O que mudou é que a Petrobras passou a importar o produto, depois que o governo acabou com a Cide (o imposto sobre o combustível), em 2008.
A gasolina ficou barata e todo o mundo abandonou o etanol, que estava crescendo. Tudo o que a Petrobras está importando de gasolina agora era para ser suprido por etanol. Portanto, tem que voltar com a Cide para que o consumo volte para o etanol e a Petrobras pare de importar gasolina. Aí, a Petrobras se prepara para aumentar a produção de gasolina também.
Folha: O sr. não está defendendo isso porque a Odebrecht é grande produtora de etanol...
Marcelo Odebrecht: Também. Eu conheço isso de perto, estou sofrendo no etanol. Mas não é por isso que estou errado. Eu falo porque conheço o tema. E a volta da Cide traria R$ 10 bilhões a mais na arrecadação do governo. Pega essa receita e coloca na área de transporte.
Isso pode reduzir a tarifa do transporte público. Penaliza quem usa carro e beneficia quem usa ônibus. É também desinflacionário, porque o peso do transporte público na inflação é maior que o da gasolina. É um circulo virtuoso. Defendo isso porque acredito.
Recado dado e entendido: a Cide voltou a ser cobrada depois da posse de Dilma Rousseff.

Gana era grana

Em abril de 2014, os negócios entre a Odebrecht e Lula seguiam a todo vapor, como mostra a anotação encontrada num dos telefones de Marcelo Odebrecht:

MJ – SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL DEPARTAMENTO DE POLÍCIA FEDERAL SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL NO ESTADO DO PARANÁ DELEFIN/DRCOR/SR/DPF/PR

A anotação registrada sob o número 2832, com data de 17/04/2014, que trata da visita de John Mahama, presidente de Gana, faz menção a uma reunião com a LILS, aqui entendida como a empresa do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.
Segue agenda abaixo, revisada:
Thursday – Apr 17th, 2014 10h00 – Departure from BSB to São Paulo (PR + Team) 12h00 – Arrival in Congonhas Airport and transfers to OESP (Security provided by Patrícia – 11am at GRU or CGA Airport) 13h – Visit to Odebrecht head office, Lunch and meeting with Marcelo Odebrecht
17h30 – Transfer to Airport
18h00 – Flight in Presidential Jet to Accra Abs.,
PS. Patricia, gostaria de poder contar com o seu apoio na organização deste almoço no próprio OESP.
15h00 – Meeting with
LILS

Onde está a oposição?

As mensagens de Marcelo Odebrecht referem-se também a JS, que a PF identificou como sendo José Serra. Se o PSDB se acovardar mais uma vez, já sabemos qual é o motivo. Aécio Neves, na pesquisa CNT/MDA, derrotaria Lula num eventual segundo turno por 49,6% a 28,5%. É um capital político que ele não pode jogar fora. 

"JS" é José Serra

Ao tirar a rasura feita pela Polícia Federal no relatório sobre as anotações de Marcelo Odebrecht, o colaborador Marlos Ápyus deparou com o nome de José Serra, ao qual o empreiteiro se referia como "JS".

Impeachment!

62,8% dos brasileiros querem o impeachment de Dilma Rousseff, segundo a pesquisa CNT/MDA. Isso foi antes de descobrirmos que ela teve sua campanha financiada com dinheiro roubado da Petrobras, vindo da Suíça, conforme admitiu Marcelo Odebrecht em seu pedido de blindagem a José Eduardo Cardozo. Se o Brasil aceitar que Dilma Rousseff continue no cargo, mesmo depois dessas revelações, estamos acabados.

Confirmado: "FP" é Fernando Pimentel

Marlos Ápyus, nosso colaborador, utilizou um programa para tirar as rasuras do relatório da PF com as anotações de Marcelo Odebrecht publicado pelo Estadão. Foi assim que ele descobriu que a sigla "FP", utilizada pelo empreiteiro, refere-se a "Fernando Pimentel (atual governador de Minas Gerais)" - que, em seguida, é citado com o seu nome completo: "Fernando Damata Pimentel". "FP" não é, portanto, "Former President", como chegamos a especular ontem. É o petista mineiro. E "ela", da frase "se ela cai eu caio" é, ao que tudo indica, Carolina Oliveira, a mulher de Pimentel. Ambos também foram citados por nós, quando abordamos as anotações pela primeira vez. PS: Concomitantemente a Marlos Ápyus, o site "Turma do Chapéu" fez o mesmo trabalho.

"O risco da cta suíça chegar campanha dela"

Marcelo Odebrecht trata do dinheiro suíço para a campanha de Dilma Rousseff numa mensagem que tem como assunto "Pedido específico blindagem JEC".  JEC só pode ser José Eduardo Cardozo. Para tentar se blindar, Marcelo Odebrecht mandou o vice-presidente jurídico da empreiteira, Mauricio Roberto de Carvalho Ferro (ou MRF) transmitir sua ameça ao ministro da Justiça e a Edinho Silva.

100 para a presidente, 100 para o partido

Em suas mensagens, Marcelo Odebrecht cita claramente sobre o dinheiro dado à presidente da República. 
100 para ela, 100 para Vaccari:

A propina da Vaca

As mensagens de Marcelo Odebrecht têm uma série de referências à propina paga ao tesoureiro do PT, João Vaccari Neto (ou Vaca, segundo a apuração do relatório a Polícia Federal). A República está caindo.



"Delações direcionadas para não envolver políticos"

Em uma de suas mensagens, Marcelo Odebrecht comenta um artigo para a imprensa. A estratégia do artigo é acusar os investigadores da Lava Jato de concentrar o foco nas empreiteiras, poupando os políticos. Se é assim, por que Marcelo Odebrecht não delata os políticos que armaram o esquema?


Cartel vs Big Picture

Mais uma mensagem de Marcelo Odebrecht que revela a estratégia de comunicação da empreiteira: "Nosso risco eh a prisão. Nota artigo: delações sob cárcere + cercear imprensa + cartel vs big picture". Todos esses pontos foram tratados nos comunicados formais - e também nos informais - da Odebrecht.

Minha cta Tau

Entre as várias ações sugeridas por Marcelo Odebrecht para se defender da Lava Jato, há aquela que diz "blindar Tau". A própria mensagem esclarece do que se trata: "Minha cta Tau?" Tau é uma conta corrente em nome de Marcelo Odebrecht. 


Conta blindada

CNT/MDA: 69,2% dos brasileiros acham Dilma "culpada" por corrupção investigada pela Lava-Jato

Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira, 21, também abordou a percepção dos entrevistados sobre os últimos acontecimentos da Operação Lava-Jato. Pelo levantamento, a maior parte dos entrevistados considerou a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor, o ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista, durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de Reputações"), como responsáveis pela corrupção investigada pela Justiça Federal. Segundo a pesquisa, 78,3% disseram estar acompanhando o noticiário sobre as investigações - 21,7% disseram não ter ouvido falar no assunto. Consideraram a presidente Dilma “culpada” 69,2%, enquanto 23,7% disseram que ela não é responsável e 7,1% não souberam responder. Já o ex-presidente Lula X9 é responsabilizado por 65% dos entrevistados, 27,2% não o consideraram "culpado" pelo caso e 7,8% não responderam. De acordo com o levantamento, 40,4% disseram que o governo é o responsável pela corrupção apontada na Lava Jato. Partidos políticos foram responsabilizados por 34,4%, diretores ou funcionários da Petrobras, por 14,2%. e só 3,5% apontaram as construtoras como culpadas pelo esquema. A capacidade de combate à corrupção também foi questionada na pesquisa. Segundo a CNT/MDA, 52,5% não acreditam que o governo conseguirá combater a corrupção, 37% disseram que conseguirá combater em parte e 8% apostam que o governo federal será capaz de atuar totalmente contra a corrupção. Apenas 2,5% não souberam responder. Sobre a expectativa de punição, 67,1% entrevistados disseram que não acreditam que os envolvidos serão punidos, 30% disseram confiar na penalização e 2,9% não souberam responder. Consideraram que a corrupção é prejudicial para a economia do País 86,8% dos entrevistados, já 11,9% disseram que a corrupção não prejudica a economia brasileira e 1,3% não respondeu. No âmbito das investigações, 90,2% acham que não está havendo exagero nas prisões dos envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras, 7,9% avaliam que há exageros e 1,9% não soube responder. Sabem o que é delação premiada 37,3% dos entrevistados e 62,7% responderam que não sabem o que significa a colaboração de investigados em troca de redução da pena. Entre os que acompanham a Lava Jato e os que sabem o que é delação premiada, 52,8% se disseram favoráveis ao expediente enquanto 45% são contrários. Não souberam responder 2,2%.

A banda podre da Polícia Federal no bolso de Odebrecht

Marcelo Odebrecht recomendou usar a banda podre da Polícia Federal para tentar melar a Lava Jato. Diz o Estadão: "No Relatório de Análise 417/2015, da Polícia Federal no Paraná, consta: 'Marcelo ainda elenca outros passos que devem ser tomados identificando-os como ‘ações B’, tido aqui como uma espécie de plano alternativo ao principal. Dentre tais ações estão ‘parar apuração interna’, ‘expor grandes’,'desbloqueio OOG’ (Odebrecht Óleo e Gás), ‘blindar Tau’ e ‘trabalhar para anular (dissidentes PF…)’".

TOLERÂNCIA INTOLERÁVEL - NORUEGUÊS QUE CHACINOU 77 PESSOAS É ACEITO EM UNIVERSIDADE

Condenado a 21 anos de prisão pelo pior massacre da Noruega desde a 2ª Guerra Mundial, o norueguês Anders Behring Breivik foi aceito na Universidade de Oslo.


Behring vai estudar Ciência Política na instituição. Desde 2013 Behring cursa alguns módulos, mas agora irá estudar em tempo integral. O currículo do curso prevê disciplinas ligadas aos estudos da Democracia e dos Direitos Humanos. Ele não vai ter nenhum contato com a equipe da instituição ou com os estudantes, pois vai fazer o curso a partir de sua cela. De acordo com uma nota divulgada pela Universidade de Oslo, ele não terá direito de participar de seminários com outros alunos e as regras da prisão impedem que ele tenha acesso ao ambiente de aprendizagem online. Na nota, o reitor da universidade, Ole Petter Ottersen, admitiu que a instituição se deparou com "dilemas morais" em relação a admissão de sua candidatura, mas afirmou que o país reforça que todos os presidiários têm "direito ao ensino superior, desde que cumpram os requisitos de admissão". "Nós temos alunos que estavam na cena onde ele cometeu assassinatos brutais. Nós temos estudantes que perderam amigos e familiares em 22 de julho. (...) Mantemos as nossas regras para o nosso próprio bem, não para o dele". Behring foi condenado à prisão após detonar uma bomba em Oslo e abrir fogo contra 69 pessoas em Utoya. No total, 77 pessoas morreram na chacina promovida por ele, em julho de 2011. Na época, ele afirmou ter feito os ataques para "salvar a Noruega do multiculturalismo". É um terrorista vulgar, simplesmente. Não deveria sair nunca mais da cadeia. 

Propina personalizada

Outra mensagem de Marcelo Odebrecht: "Campanha incluindo caixa 2, se houver era soh com MO". A Polícia Federal acha que se trata de uma referência à MO Consultoria, empresa de fachada criada por Alberto Youssef. MO corresponde a Marcelo Odebrecht? Alberto Youssef oferecia um esquema personalizado para o pagamento de propinas? A Lava Jato acredita que sim.

Armadilha Bisol

"Armadilha Bisol/contra-infos. RA? EA/Veja?”. Essa mensagem de Marcelo Odebrecht que a PF encontrou em seu telefone celular tem uma história que precisa ser revista. Em 1993, a PF apreendeu 18 caixas de documentos na casa de um diretor da Odebrecht. Segundo os investigadores, os documentos indicavam “a existência de um cartel das grandes empreiteiras para fraudar as licitações de obras públicas”. Os documentos indicavam também que a Odebrecht havia distribuído propina a dezenas de parlamentares. José Paulo Bisol, relator da CPI das Empreiteiras e candidato a vice-presidente na chapa de Lula em 1989, passou à Veja uma lista com mais de 200 políticos que, segundo os documentos da Odebrecht, teriam recebido presentes. Tratava-se de uma armadilha: a armadilha Bisol. Na realidade, muitos dos parlamentares citados haviam recebido apenas brindes da empreiteira, como calendários e agendas. Quando José Paulo Bisol misturou os corruptos aos inocentes, os corruptos foram inocentados. A CPI das Empreiteiras, desmoralizada, foi arquivada. E a Odebrecht continuou com seu cartel e com seus pagamentos aos políticos. (O Antagonista)
COMENTO - José Paulo Bisol vive até hoje, mora em condomínio de luxo em Osório, no Rio Grande do Sul, à beira da Lagoa do Peixoto. O condomínio se chama Interlagos, é o mesmo no qual tem casa o deputado federal ficha suja Alceu Moreira, do PMDB. Algum jornalista de grande veículo de comunicação do Rio Grande do Sul, desses com grandes recursos, poderia se dar ao trabalho de ir até a Osório perguntar qual é o significa dessa estranha anotação de Marcelo Odebrecht sobre a CPI das Empreiteiras que teve destacada atuação de José Paulo Bisol. Saber com ele se trabalhou em conluio com as grande empreiteiras para melar a CPI, conforme insinua a anotação de Marcelo Odebrecht. Ou deixarão a história com essa interrogação? Grande possibilidade: sim, a história continuará com essa interrogação, por preguiça e desinteresse da grande imprensa do Rio Grande do Sul.  

Impeachment!

62,8% dos brasileiros querem o impeachment de Dilma Rousseff, segundo a pesquisa CNT/MDA. Isso foi antes de descobrirmos que ela teve sua campanha financiada com dinheiro roubado da Petrobras, vindo da Suíça, conforme admitiu Marcelo Odebrecht em seu pedido de blindagem a José Eduardo Cardozo. Se o Brasil aceitar que Dilma Rousseff continue no cargo, mesmo depois dessas revelações, estamos acabados.

CARF libera cerca de R$ 100 bilhões em créditos tributários já julgados

Após a Operação Zelotes, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) faz nesta semana uma sessão inaugural para retomar os trabalhos com uma ofensiva capaz de agilizar e garantir, até o fim do ano, o julgamento de 23 mil processos. Mas, segundo o presidente do Carf, Carlos Aberto Barreto, o órgão não ficou parado. Nesses quatro meses, liberou R$ 100 bilhões em créditos tributários de processos já julgados e que poderão ser cobrados. A Receita faz agora uma ofensiva de cobrança desses contribuintes e espera reforço na arrecadação para garantir o superávit primário das contas públicas neste ano. “Esses créditos entram no sistema de cobrança da Receita”, disse Barreto. Segundo ele, a Receita vai priorizar as maiores dívidas.  Após a cobrança do Fisco, Barreto explicou que as empresas e pessoas físicas têm 30 dias para pagar, parcelar a dívida ou recorrer da decisão do Carf na Justiça. Se recorrer ao Judiciário, o contribuinte terá de fazer um depósito judicial. Se o juiz aceitar, poderá ser dado outro tipo de garantia, como o arrolamento de bens ou carta de crédito. O mais comum, no entanto, é o depósito judicial. O caixa do governo poderá ser reforçado com o pagamento ou com 100% desses depósitos judiciais, que entram como receita. Se o contribuinte não escolher essas três opções, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aciona a Justiça para executar os bens. O presidente do Carf disse que os processos já julgados envolvem empresas de todos os setores e tamanhos: bancos, serviços, indústria, comércio e também estatais. Segundo ele, é difícil estimar valores, mas o potencial de arrecadação do governo “é grande”.



Esses processos já haviam sido julgados, mas antes da Operação Zelotes, que investiga irregularidades envolvendo conselheiros do órgão, estavam pendentes de formalização do acórdão para prosseguirem para a cobrança pela Receita Federal e pela PGFN. Barreto reconheceu que o atraso nos acórdãos feriam o regulamento. Portaria de fevereiro passado, porém, apertou a regra - tanto que é chamada internamente de “capitão Nascimento”, num referência ao policial do filme Tropa de Elite. Segundo Barreto, nesse período sem julgamento, o Carf usou redatores substitutos para fazer o acórdão. “Não altera nada. O julgamento já foi feito”, justificou. O prazo para relatar depois do julgamento é de 30 dias. “Precisávamos priorizar o que tinha sido julgado.” O Carf tem hoje 116 mil processos, que envolvem R$ 550 bilhões de créditos tributários. Segundo ele, 85% desses créditos correspondem a 10% dos processos. Durante a paralisação dos julgamentos, o Carf também deu prioridade ao exame de admissibilidade de recursos especiais, que são apresentados quando há divergências de entendimento. O acúmulo desses recursos chegou a 13 mil processos, que juntos somam R$ 105 bilhões de créditos em julgamentos, o equivalente a 15% do estoque. A fabricação de divergências no entendimento nas câmaras de julgamento foi um dos esquemas desbaratados pela Zelotes. A meta é reduzir o estoque desses recursos especiais para 1,5 mil processos. Depois da Zelotes, os conselheiros indicados pelo Ministério da Fazenda permaneceram no Carf, mas dois terços dos representantes das confederações de setores econômicos, que representam os contribuintes, renunciaram ao cargo por causa de impedimento da Ordem dos Advogados do Brasil. A entidade considerou incompatível o acúmulo das duas funções. Na semana passada, o novo comitê de seleção dos conselheiros escolheu 24 novos conselheiros que foram indicados em listas enviadas pelas confederações. Outros 24 serão escolhidos esta semana.

Governo venezuelano ordena desvio de alimentos a mercados estatais

A união das indústrias de alimentos da Venezuela disse nesta segunda (20) que o governo ordenou o desvio de sua produção para a rede de supermercados estatais. Segundo a Câmara Venezuelana da Indústria de Alimentos (Cavidea), a ordem é enviar de 30% a 100% do total da produção para as lojas controladas pelo governo. 
 

Os produtos que farão parte do desvio são leite, óleo de cozinha, macarrão, arroz, açúcar, farinha de trigo e farinha de milho pré-cozida. Os sete alimentos fazem parte da cesta básica venezuelana e estão entre os mais afetados pela escassez provocada pela crise econômica no país. Normalmente, estão entre os produtos vendidos de forma controlada e que provocam filas nas lojas. A Cavidea afirma que as ordens foram enviadas pela Superintendência Nacional Agroalimentar (Sunagro). O órgão controla a saída da produção das fábricas para o comércio. Isso, na visão do governo, contribui para evitar o contrabando de mercadorias. Para o presidente da união industrial, Pablo Baraybar, a concentração dos produtos nas redes estatais provocará o aumento das filas de espera pelos produtos e prejudicará cerca de 115 mil lojas. "A ideia de distribuir a mercadoria ao máximo faz com que as pessoas possam ir aos pontos de venda mais próximos da sua casa e não tenham que andar muito." Baraybar pediu uma reunião urgente para que o governo explique os motivos da edição. Ele diz que as empresas não são tecnicamente capazes de cumprir a ordem. O governo de Nicolás Maduro não se pronunciou sobre a decisão. Impulsionados durante o governo de Hugo Chávez, os supermercados estatais vendem produtos com preços subsidiados, mais baratos que os das redes privadas. Os estabelecimentos, porém, não escaparam do desabastecimento desde quando Maduro chegou ao poder. Para o mandatário, a escassez é resultado de uma guerra econômica das indústrias contra a sua administração. Não é a primeira vez que a Sunagro ordena que parte ou toda a produção de um produto seja levada a supermercados estatais venezuelanos. Em abril, a empresa Polar teve que desviar para a rede do governo 201 mil quilos de farinha de milho. Ela é o principal ingrediente da arepa, prato mais popular do país.

Procuradoria dá explicação e diz que "dúvida obrigou" abertura de investigação contra Lula

A Procuradoria da República no Distrito Federal saiu em defesa nesta segunda-feira (20) da atuação dos procuradores que trabalharam na abertura de investigação criminal do ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") por tráfico de influência em favor da construtora Odebrecht. Em nota, a Procuradoria sustenta que os elementos colhidos até o "momento não autorizavam nem o arquivamento nem o oferecimento de denúncia" e que "a única alternativa era a instauração" de um procedimento de investigação criminal para apurar as suspeitas contra o petista. "Nesta fase, a dúvida obriga a continuidade da apuração", afirma o texto. Um dia após a decisão da procuradoria, a defesa do ex-presidente Lula X9 apresentou reclamação ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) pedindo a apuração da conduta do procurador Valtan Timbó Mendes Furtado. A representação de Lula X9 pede a suspensão do inquérito, abertura de sindicância e processo administrativo disciplinar para o procurador. A acusação é de que ele teria interferido em apuração conduzida por outra procuradora, Mirella Aguiar, que está de férias e atropelado prazos. A Procuradoria afirma que todos os atos foram legais e argumentou que Furtado estava atuando em substituição a Mirella, e que, com isso, ele passa a ter todos os deveres do titular, entre eles, a conversão de noticia de fato, que é uma apuração preliminar, em investigação, como ocorreu no caso de Lula. De acordo com a nota, o prazo para a conversão da investigação preliminar em procedimento criminal vencia nesta segunda-feira e foi tomada no dia 8 de julho porque Furtado atendeu uma solicitação da construtora Odebrecht. O procurador ampliou até quarta-feira o limite para o envio de resposta a questionamentos feitos à empresa pelo Ministério Público, além de pedir nova diligência. A suspeita é de que Lula X9 tenha exercido influência para que o BNDES financiasse obras de Odebrecht, principalmente em países da África e da América Latina. A empreiteira bancou diversas viagens de Lula X9 ao Exterior depois que ele deixou a Presidência. Na fase inicial da apuração, o Ministério Público determinou que o Instituto Lula entregasse a agenda de viagens do ex-presidente para a América Latina e a África entre 2011 e 2014, que a Odebrecht informasse se pagou viagens internacionais ao petista e se elas tinham alguma relação com investimentos da construtora no mercado externo. Ao Itamaraty foi requisitado cópias de telegramas diplomáticos e despachos sobre viagens de Lula ao exterior, relacionadas ou não com a Odebrecht. Os principais alvos são visitas a Cuba, Panamá, Venezuela, República Dominicana e Angola. A partir do cruzamento inicial do material, a Procuradoria decidiu que há elementos para aprofundar as apurações. Na avaliação dos procuradores, as relações de Lula com a construtora, o banco e os chefes de Estado podem ser enquadradas, "a princípio", em artigos do Código Penal que tratam do tráfico de influência. O Código Penal fixa como tráfico de influência "solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função", prevendo pena de dois a cinco anos de reclusão. Um relatório enviado pela Polícia Federal ao Ministério Público registrou 38 saídas de Lula X9 do País entre fevereiro de 2011 e dezembro de 2014. Uma das empresas de táxi aéreo usadas pela Odebrecht para transportar o ex-presidente informou custo de deslocamentos entre R$ 215 mil e R$ 435 mil. A empresa mostrou ainda que em uma viagem para Cuba Lula X9 foi acompanhado do ex-executivo da empreiteira Odebrecht, Alexandrino Alencar, que está preso em Curitiba no Petrolão. A defesa de Lula X9 chegou a enviar à Procuradoria um pedido de arquivamento do procedimento preliminar, argumentando que é equivocada a tese de que Lula X9 teria relação próxima com a empresa. Lula X9 também é alvo de outras duas investigações na Procuradoria do Distrito Federal relativas a acusações do empresário Marcos Valério no caso do Mensalão do PT. De acordo com a assessoria do órgão, ambas ainda estão em tramitação. Na última quinta-feira (16), o Instituto Lula afirmou que recebeu a notícia do inquérito com surpresa porque havia entregado, na semana anterior, as informações solicitadas em maio pela procuradora Mirela Aguiar e considera que houve pouco tempo para análise do material.

Inflação ultrapassa popularidade da Dilma: 9,1%.

Pela 14ª rodada consecutiva, a estimativa para o IPCA deste ano avançou de 9,12% da semana anterior para 9,15% agora. Há um mês, essa projeção do Relatório Focus, do Banco Central, estava em 8,97%. No Relatório Trimestral de Inflação de junho, o BC havia apresentado estimativa de 9% no cenário de referência e de 9,1% usando os parâmetros de mercado. Para a inflação de curto prazo, foi visto um aumento das estimativas para o IPCA de julho na pesquisa Focus, que subiu de 0,45% para 0,50% de uma semana para outra. No caso de agosto, no entanto, a taxa estimada permaneceu em 0,30% no período. Com a informação de que o IBC-Br ficou praticamente estável em maio depois de ter registrado quedas em março e abril, o mercado financeiro revisou para baixo suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015. A expectativa de retração de 1,50% no Relatório de Mercado Focus foi substituída por uma queda de 1,70% agora. A perspectiva de recuperação da atividade no ano que vem também segue debilitada. Passou de 0,50%, onde estava há três edições do boletim Focus, para 0,33% nesta segunda-feira. O Banco Central, apesar de também ter revisado para pior sua projeção, de queda de 0,6% para retração de 1,1%, segue mais otimista que o mercado. No Relatório Trimestral de Inflação de junho, a instituição informou que a mudança ocorreu em função de piora nas perspectivas para a indústria, cuja expectativa de PIB recuou de -2,3% para -3,0%. Segundo o Banco Central, essa piora foi influenciada por impactos das reduções projetadas para a indústria de transformação, de -3,4% para -6%, e para a produção e distribuição de eletricidade, água e gás, de -1,4% para -5,6%, refletindo cenário de aumento da participação de termoelétricas na oferta de energia e de redução do consumo de água no primeiro trimestre do ano. Para o setor de serviços, a autoridade monetária, que até março via uma ligeira expansão de 0,1% em 2015, passou a projetar queda de 0,8%. No boletim Focus desta segunda-feira, a projeção para a produção industrial, no entanto, foi mantida em baixa de 5,00%. Mesmo indicadores recentes apontando para uma atividade mais fraca, o mercado financeiro manteve as expectativas para o comportamento da Selic deste ano. Fez alterações, no entanto, para o rumo dos juros em 2016. Para os analistas, o Comitê de Política Monetária (Copom) continua mostrando previsão de alta de meio ponto da taxa básica de juros este mês, para 14,25% ao ano - atualmente a Selic está em 13,75% ao ano. Também deixou inalterada a projeção de que a Selic vai encerrar 2015 em 14,50% ao ano pela terceira semana consecutiva.

TAM solicita cancelamento de 23 rotas nacionais e internacionais

Diante da necessidade de reduzir custos, a TAM já solicitou à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) o cancelamento de 23 rotas nacionais e internacionais. Os pedidos começaram a ser feitos oficialmente em março deste ano. Todas as exclusões, porém, estão agendadas para ocorrer entre agosto e novembro deste ano. De acordo com a agência reguladora, não há necessidade de aprovação prévia para que o cancelamento ocorra. Assim, basta que a companhia aérea informe que não tem mais interesse na operação e quando deixará de operar em cada trecho. Essas notificações podem ser feitas a qualquer tempo, o que indica que a TAM pode continuar encaminhando notificações para cumprir a meta de enxugamento de suas rotas. A partir da data estipulada para o fim da operação, outras empresas podem se prontificar a realizar o trajeto em substituição à companhia. Caso a TAM queira voltar a operar alguns desses trechos, a empresa terá de verificar se ainda há disponibilidade e a empresa terá, novamente, de percorrer o caminho burocrático para liberação da rota. Dentre as linhas com pedido oficial para cancelamento, há seis vôos internacionais. Na lista estão trechos que eram feitos de segunda a sexta-feira entre o Brasil e a Itália, conectando Guarulhos (SP) e o Aeroporto Milano Malpensa (na província de Varese, perto de Milão). Há também vôos entre Brasil e Chile, que ligavam São Paulo (Guarulhos) a Santiago. Dos vôos nacionais, até agora foram solicitadas 17 exclusões de linhas. Dessas, 11 têm chegada ou partida no aeroporto do Galeão (RJ). Ao todo, oito vôos domésticos com chegada ou partida de aeroportos paulistas também foram retirados da malha, incluindo alguns com chegada ou partida do Aeroporto Leite Lopes (Ribeirão Preto), Viracopos (Campinas) e Guarulhos. A Anac informou, por meio de nota, que apesar da operação ou a descontinuação ser uma opção comercial de cada companhia, os passageiros não podem ser prejudicados. "Nos casos de cancelamento de vôo, a empresa aérea deverá informar, com no mínimo 72 horas de antecedência do horário previsto de partida". Para isso, o cliente deverá disponibilizar canais para ser encontrado no momento da compra, endereço de e-mail ou telefone. Em todos os casos em que for necessário fazer alteração nos bilhetes, cabe à companhia reacomodar os passageiros em voos próprios ou de terceiros que ofereçam serviço equivalente para o mesmo destino. A remarcação deve ser realizada em data e horário de conveniência do passageiro e ainda há possibilidade de reembolso integral do bilhete. "Sobre o possível impacto na oferta de vôos das outras companhias, cabe destacar que normalmente é observado que, conforme uma empresa reduz as suas operações, as demais tendem a ampliar sua oferta como um movimento natural da concorrência do mercado", afirmou a agência.
Lista de rotas da TAM com pedido de cancelamento
Número do voo Origem Destino Fim da operação
3348 Galeão (RJ) Guararapes Gilberto Freyre (PE) 01-09-2015
3382 Leite Lopes (SP) Porto Seguro (BA) 07-08-2015
3383 Porto Seguro (BA) Leite Lopes (SP) 07-08-2015
3408 Galeão (RJ) Zumbi dos Palmares (AL) 03-09-2015
3409 Zumbi dos Palmares (AL) Galeão (RJ) 03-09-2015
3450 Pres. Juscelino Kubitschek (DF) Guararapes Gilberto Freyre (PE) 01-09-2015
3451 Guararapes Gilberto Freyre (PE) Pres. Juscelino Kubitschek (DF) 01-09-2015
3486 Galeão (RJ) Governador Aluizio Alves (RN) 01-09-2015
3487 Governador Aluizio Alves (RN) Galeão (RJ) 01-09-2015
3616 Viracopos (SP) Galeão (RJ) 01-09-2015
3617 Galeão (RJ) Viracopos (SP) 01-09-2015
3640 Galeão (RJ) Viracopos (SP) 01-09-2015
3641 Viracopos (SP) Galeão (RJ) 01-09-2015
3786 Galeão (RJ) Ministro Victor Konder (SC) 03-09-2015
3787 Ministro Victor Konder (SC) Galeão (RJ) 03-09-2015
4688 Guarulhos (SP) Aeroporto Internacional Pinto Martins (CE) 28-08-2015
4689 Aeroporto Internacional Pinto Martins (CE) Guarulhos (SP) 28-08-2015
8062 Guarulhos (SP) Milano Malpensa (Itália) 04-11-2015
8063 Milano Malpensa (Itália) Guarulhos (SP) 04-11-2015
8147 Santiago (Chile) Guarulhos (SP) 16-08-2015
8148 Guarulhos (SP) Santiago (Chile) 16-08-2015
8149 Santiago (Chile) Guarulhos (SP) 16-08-2015
8150 Guarulhos (SP) Santiago (Chile) 16-08-2015

EDUARDO CUNHA PEDE ACAREAÇÃO PARA DILMA, MERCADANTE E EDINHO SILVA


O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta segunda-feira, 20, que aceita participar de acareação com o lobista Júlio Camargo, que disse ter pago US$ 5 milhões em propina ao peemedebista, mas defendeu que outros políticos também sejam acareados com delatores da Operação Lava Jato. Eduardo Cunha citou a presidente Dilma Rousseff, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, todos do PT. "Não tem nenhum problema. Pode haver acareação com quem quiser. Mas aproveita e chama o Mercadante e o Edinho Silva para acarear com o Ricardo Pessoa e a Dilma para acarear com Youssef (doleiro Alberto Youssef)", disse Eduardo Cunha, ao deixar almoço com líderes peemedebistas organizado pela Associação de Emissoras de Rádio e TV do Rio de Janeiro (AERJ). "Acho oportunista querer falar em acareação. Estou disposto a fazer em qualquer tempo. Aproveitem e convoquem todos os que estão em contradição. O ministro Mercadante e o ministro Edinho negam o que foi dito por Ricardo Pessoa. A presidente nega o que foi colocado pelo Youssef. Que façam acareação de todos", insistiu. O deputado voltou a negar que a decisão anunciada por ele na última sexta-feira, 17, de romper com o governo signifique que ele implementará na Câmara uma pauta contrária aos interesses da presidente Dilma Rousseff. "Não estamos querendo tacar fogo no País, nenhuma pauta bomba. É o normal que está sendo tratado (na pauta da Câmara). Se o normal incomoda, é outro problema. O fato de eu ter mudado o meu alinhamento político com o governo não significa que eu vá mudar como presidente da Câmara. Minha militância partidária como deputado e como político é que está em discussão. Meu papel como presidente da Câmara é igual", afirmou Eduardo Cunha. O presidente da Câmara lembrou que o PMDB já está dividido desde as eleições do ano passado, quando 41% dos que votaram na convenção nacional do partido foram contra a manutenção da aliança com o PT: "A bancada já estava dividida, o PMDB já foi dividido para a eleição. Não foi a mudança no meu alinhamento que criou isso".

LARANJA APONTA PAGAMENTOS DA ODEBRECHT EM HONG KONG


Um dos laranjas de Alberto Youssef, o doleiro Leonardo Meirelles, confirmou à Polícia Federal que a Construtora Norberto Odebrecht usou a lavanderia de dinheiro mantida por eles, em Hong Kong, e citou uma suposta dívida de US$ 7,5 milhões da empreiteira com o esquema. Interrogado no dia 17 pelo delegado federal Eduardo Mauat da Silva, Mereilles indicou quais movimentações feitas na conta controlada por ele, em nome da offshore RFY Import & Export Ltd, em Hong Kong, foram feitas para lavar dinheiro ilícito. Parte desses valores seria originária da Odebrecht. “Youssef possuia um controle sobre essas operações, observando que o mesmo vinculou os depósitos ao pagamento de uma dívida maior de 7,7 milhões de reais a serem pagos no exterior pela Odebrecht”, registrou a Polícia Federal na transcrição do depoimento de Meirelles. Meirelles, que está condenado por ser usado como laranja de Youssef nas operações de lavagem de dinheiro desviado da Petrobrás, confirmou que ‘as contas mantidas pela RFY Import e Export Ltd receberam diversos depósitos ordenados por Alberto Youssef, tendo este lhe informado que se tratavam de pagamentos ilícitos’. Meirelles confirmou laudo pericial da Polícia Federal que apontava os pagamentos feitos por Youssef na conta da RFY no banco Standart Chartered, em Hong Kong. Segundo ele, todos os valores “mais elevados” que entraram na conta da RFY “foram determinados por Youssef. As movimentações de Youssef via conta da RFY envolviam tanto depósitos em moeda estrangeira no Exterior como depósitos nas contas das empresas que controlava no Brasil. Recorda inclusive que Youssef mencionou que a Odebrecht lhe devia uma certa quantia e que seriam feitos diversos pagamentos para integralizar esse valor. Meirelles apontou como contato de Youssef na Odebrecht uma pessoa conhecida como ‘Naruto’. Segundo revelou Rafael Ângulo Lopes – carregador de malas de dinheiro do esquema que entregava os números de contas e buscava os comprovantes nas sedes da empreiteira – ‘Naruto’ é o apelido de Cesar Ramos Rocha. Ele, o presidente da construtora, Marcelo Bahia Odebrecht, e outros executivos estão presos pela Lava Jato desde o dia 19 de junho. “Tais recursos foram disponibilizados a Youssef no Brasil, podendo ter utilizado as contas da Industria e Comércio de Medicamentos Labogen e Piroquimica Comercial”, afirmou Meirelles. As indústrias de medicamentos Labogen foram usadas por Youssef, com auxílio do ex-deputado André Vargas (PT) e de funcionários públicos para viabilizar contrato milionário com o Ministério da Saúde.

JUIZ SÉRGIO MORO MANDA TIRAR TORNOZELEIRA DE CONDENADO DA CAMARGO CORRÊA


O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, determinou a retirada da tornozeleira eletrônica de João Ricardo Auler, ex-presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa. Ele foi condenado nesta segunda-feira, dia 20, a 9 anos e seis meses de reclusão por corrupção e pertinência à organização criminosa e absolvido do crime de lavagem de dinheiro. O executivo estava sendo monitorando por tornozeleira eletrônica desde março deste ano, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) converteu sua custódia preventiva em prisão domiciliar. João Ricardo Auler ficou preso preventivamente de novembro de 2014 até março de 2015 no Paraná, base da Lava Jato. "Tendo o caso sido julgado, propicia-se nova apreciação das medidas cautelares, já que há alteração da situação processual do caso e o que era imperativo naquele momento, no presente é passível de algumas alterações", avaliou Moro na sentença que condenou Auler. "Resolvo alterar parcialmente as medidas cautelares, especificamente o recolhimento domiciliar com tornozeleira eletrônica. Apesar da medida ser imprescindível antes do julgamento, como entendeu o Egrégio Supremo Tribunal Federal, entendo que no presente momento, prolatada a sentença, não se faz ela mais conveniente". O magistrado explicou: "É que tem ela o efeito colateral negativo de propiciar a futura detração da pena, ou seja, cada dia de recolhimento domiciliar equivale a um dia na prisão. A manutenção do recolhimento domiciliar por período recursal ainda incerto pode levar na prática a que o condenado cumpra toda a pena privativa de liberdade em recolhimento domiciliar". Os nove empreiteiros da Lava Jato, entre eles Auler, que tiveram a preventiva revogada em março deste ano tinham 6 medidas cautelares a cumprir, além do uso da tornozeleira eletrônica. As regras impunham rígido comportamento: 1) afastamento da direção e da administração das empresas envolvidas nas investigações, ficando proibido (o réu) de ingressar em quaisquer de seus estabelecimentos, e suspensão do exercício profissional de atividade de natureza empresarial, financeira e econômica; 2) recolhimento domiciliar integral até que demonstre ocupação lícita, quando fará jus ao recolhimento domiciliar apenas em período noturno e nos dias de folga; 3) comparecimento quinzenal em juízo, para informar e justificar atividades, com proibição de mudar de endereço sem autorização; 4) obrigação de comparecimento a todos os atos do processo, sempre que intimado; 5) proibição de manter contato com os demais investigados, por qualquer meio; 6) proibição de deixar o País, devendo entregar passaporte em até 48 horas. "Deverá ele, a partir da intimação da sentença, comparecer perante este Juízo, no prazo de cinco dias, para o procedimento de retirada da tornozeleira eletrônica", determinou Moro: "Permanecem em vigor todas as demais medidas cautelares contra João Ricardo Auler". Os outros dois executivos da Camargo Corrêa condenados, Dalton Avancini e Eduardo Hermelino Leite, continuarão a usar a tornozeleira eletrônica. Ambos pegaram mais de 15 anos de prisão, mas tiveram a pena mudada por causa do acordo de delação premiada que firmaram com a força-tarefa da Lava Jato. "Pois eles, apesar de continuarem em prisão domiciliar, não estarão mais sujeitos, desde que cumpram o acordo, a nova prisão em regime fechado em estabelecimento carcerário, como é o caso de João Ricardo Auler.

Diferença fundamental

Marcelo e Otávio:  diferenças nos relatórios
Marcelo e Otávio: diferenças nos relatórios
Uma diferença marcante nos relatórios finais dos inquéritos policiais feitos pela Polícia Federal sobre Otavio Azevedo (e os executivos da Andrade Gutierrez) e Marcelo Odebrecht (e os executivos da Odebrecht): apesar de todos terem sido indiciados, o pedido para a manutenção da prisão preventiva só foi feito para Marcelo e seus executivos. Mais uma: o relatório sobre a Odebrecht tem 64 páginas, enquanto o que detalha as encrencas da Andrade é mais enxuto. Tem 34 páginas. Por Lauro Jardim

As anotações de Odebrecht (8)

Entre as anotações enigmáticas de Marcelo Odebrecht, há uma linha que diz o seguinte: "Armadilha Bisol/contra-infos. RA? EA/Veja? Meet, VH, JS".