quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Lucro da Petrobras recua 90% no segundo trimestre


A Petrobras anunciou na noite desta quinta-feira que seu lucro líquido no segundo trimestre foi de 531 milhões de reais, o que representa uma queda de 90% em relação ao resultado do primeiro trimestre. Em relação ao mesmo período de 2014, a queda é de 89%, quando o lucro ficou em 4,95 bilhões de reais. A empresa diz, em comunicado, que o resultado reflete "o aumento das despesas financeiras" e o reconhecimento de despesas tributárias. No semestre, a estatal lucrou 5,86 bilhões de reais, montante 43% inferior ao do mesmo período de 2014. O resultado é o pior para um segundo trimestre desde 2012, quando a estatal teve prejuízo de 1,2 bilhão de reais. O endividamento total da empresa no final de junho estava em 415 bilhões de reais, alta de 18% em relação ao fim do último semestre, em dezembro de 2014. O balanço do segundo trimestre mostra semelhanças em relação ao resultado dos três primeiros meses do ano. O petróleo em queda reduziu a receita da estatal e afetou a rentabilidade da área de Exploração e Produção (E&P), efeito mitigado pelo dólar mais favorável às exportações e pelo aumento da produção de petróleo e gás. Por outro lado, o petróleo mais barato tornou as operações de importação de derivados menos adversas, movimento percebido nos números da área de Abastecimento e mitigado pelo desaquecimento do mercado doméstico de combustíveis. Como resultado, a receita líquida da Petrobras totalizou 79,94 bilhões de reais no segundo trimestre do ano, queda de 2,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou 19,77 bilhões de reais, alta de 21,7% em relação ao segundo trimestre de 2014. Esse último número foi considerado pelo presidente da empresa, o petista Aldemir Bendine (o amigo da Val) , como "ótimo". Segundo Bendine, os resultados são bons diante da "nova realidade", considerando a queda do preço do petróleo e a situação do País. "Temos uma nova realidade orçamentária. Diante disso, as medidas adotadas têm surtido efeito mais rápido do que esperávamos", afirmou o executivo. O lucro líquido trimestral ficou abaixo da estimativa dos analistas, que esperavam 4,17 bilhões de reais. Já o Ebitda ajustado, que é o lucro antes de impostos e juros, ficou acima do esperado entre abril e junho. Analistas estimavam resultado positivo de 18,06 bilhões de reais. O resultado foi impactado pelo pagamento de 1,6 bilhão de reais à Receita Federal devido a uma autuação relativa a operações com controladas da companhia no Exterior em 2008, após derrota da empresa no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). A empresa já havia estimado o impacto e informado o passivo ao mercado no mês de julho. A companhia anunciou ainda perdas contábeis no valor de 1,28 bilhão de reais decorrentes da reavaliação no valor dos ativos (impairment) das áreas de Gás e Energia, Abastecimento e Exploração e Produção, em função da exclusão de projetos da carteira de investimentos contemplada no Plano de Negócios e Gestão 2015-2019. Além disso, o resultado fnanceiro também foi desfavorável, com uma despesa líquida de 6,04 bilhões de reais no trimestre. Os investimentos de janeiro a junho totalizaram 36,2 bilhões de reais, 13% abaixo do 1º semestre de 2014.

Ministério Público Federal denuncia Jorge Zelada e mais cinco por corrupção no Petrolão


O Ministério Público Federal apresentou ao juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato, denúncia contra o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Jorge Zelada, pelos crimes de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A principal suspeita contra Zelada, sucessor de Nestor Cerveró na petroleira, é ter recebido propina para beneficiar a empresa americana Vantage Drilling no contrato de afretamento do navio-sonda Titanium Explorer. Além de Jorge Zelada, foram acusados na denúncia o ex-diretor geral da área internacional da estatal, Eduardo Musa, os lobistas Hamylton Padilha, Raul Schmidt Felippe Junior, João Augusto Rezende Henriques e o executivo Hsin Chi Su. Para a força-tarefa de procuradores, pelo menos 31 milhões de dólares do esquema foram parar nas mãos de Zelada, de Musa e do PMDB, responsável pelo apadrinhamento político do ex-dirigente. No esquema, os lobistas Hamylton Padilha, Raul Schmidt Junior e João Augusto Rezende Henriques atuavam como intermediários da negociação, sendo que cabia a Padilha pagar a parte destinada a Eduardo Musa, a Raul Schmidt depositar a propina reservada a Zelada e a João Augusto Henriques pagar o dinheiro sujo ao PMDB. Em todos os casos, a propina era enviada diretamente para contas secretas no Exterior. De acordo com a acusação, em troca da propina, Zelada atuou diretamente no esquema ao praticar diversas irregularidades e manipulações para favorecer a companhia e ao não cumprir regras pré-estabelecidas pela Petrobras na celebração de contrato. A Comissão Interna de Apuração da própria estatal concluiu que o contrato não foi submetido à diretoria executiva da Petrobras, como recomendado, não houve a elaboração de um relatório final para a contratação da companhia, as propostas comerciais foram enviadas por e-mail e a diretoria executiva teve acesso a um relatório incompleto sobre o processo. No início de julho, a Polícia Federal deflagrou a 15ª fase da Operação Lava Jato e prendeu o ex-diretor Jorge Zelada. As transações financeiras dele eram investigadas mais detalhadamente desde o início do ano, quando o Ministério Público Federal achou contas secretas em Mônaco com saldo de cerca de 11 milhões de euros. O dinheiro estava em nome da offshore Rockfield Internacional S.A. A fortuna de Zelada foi bloqueada por determinação do juiz Sergio Moro na mesma época em que o magistrado também decretou o congelamento de 20 milhões de euros do ex-diretor de Serviços, o petista Renato Duque. Zelada foi quarto diretor da Petrobras a ser detido por conta das investigações do petrolão - antes dele foram levados para a carceragem da Polícia Federal em Curitiba os ex-diretores Paulo Roberto Costa (Abastecimento), Renato Duque (Serviços) e Nestor Cerveró (Área Internacional). Ao longo da Operação Lava Jato, o nome de Jorge Zelada já havia sido citado por diversos delatores como um dos destinatários da propina movimentada no escândalo do petrolão, e a própria Petrobras concluiu, em procedimento de auditoria interna, que Zelada tem responsabilidade por irregularidades na contratação do navio sonda da empresa Vantage.

Brasil faz panelaço contra o partido dos escândalos e a presidente mais impopular da história


No dia que começou com a notícia de que a presidente Dilma Rousseff é a mais impopular da história, segundo pesquisa Datafolha, em que o dólar rompeu a barreira de 3,50 reais e os partidos aliados do governo começaram a desembarcar da base, o programa do Partido dos Trabalhadores na televisão foi recebido por um sonoro panelaço nas ruas do Brasil. Também houve buzinaços de quem estava preso no trânsito nas grandes cidades. O protesto intensificou-se quando o ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") surgiu afirmando que "nosso pior momento ainda é melhor do que o melhor momento deles". Na sequência, houve o ápice do panelaço: Dilma apareceu repetindo o discurso de que "estamos em uma travessia" e terminou sua fala dizendo que "sabe suportar pressões". A peça partidária foi pontuada por ameaças veladas, pelos típicos discursos do "nós contra eles" e não fez nenhuma autocrítica pelo momento de crise política e econômica que o País vive. Também exibiu imagens de políticos da oposição, como os senadores Ronaldo Caiado (DEM-GO) e José Agripino Maia (DEM-RN) e o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), enquanto o narrador afirmava: "Não se deixe enganar pelos que só pensam em si mesmos".

Luiz Gushiken também roubou a Petrobras

Os delegados da Lava Jato disseram a O Globo que José Dirceu não montou sozinho o esquema de propinas da Petrobras e que os jornalistas terão "surpresas" nos próximos dias sobre o envolvimento de outros políticos no Petrolão. Eles informaram que a PF localizou documentos na casa do irmão de José Dirceu, "mostrando que o ex-ministro Luiz Gushiken se beneficiou do esquema de corrupção na Petrobras". Luiz Gushiken já morreu, mas um delegado afirmou "que alguém de sua família ainda se beneficia do dinheiro que ele obteve da corrupção na estatal”. Os delegados informaram também que não há um inquérito instaurado contra Lula, mas que a Polícia Federal está analisando os contratos de sua empresa LILS com a Camargo Corrêa e a OAS. “Ninguém está acima da lei. Se comprovarmos que Lula recebeu dinheiro de forma ilegal, abriremos inquérito contra ele”, disse um delegado.

Duque vai entregar Renan

Na primeira conversa que teve com o Ministério Público para negociar um acordo de delação premiada, Renato Duque poupou José Dirceu e mirou em Renan Calheiros. Os procuradores, é claro, não ficaram totalmente satisfeitos.

Urgente: Othon em prisão preventiva

Sergio Moro acaba de decretar a prisão preventiva do almirante Othon Luiz Pinheiro. Além dele, também teve a prisão decretada o executivo da Andrade Gutierrez, Flavio Barra, o que o Antagonista denunciou no post "exame de próstata".

Daí não sai.

Contas secretas

O Ministério Público Federal descobriu contas secretas de Othon em Luxemburgo e no Uruguai.

Cadê o dinheiro?

Ladrão e mentiroso

Em sua decisão, o juiz Sérgio Moro considerou "robustas as provas do pagamento de propina a Othon Luiz em decorrência do cargo exercido na Eletronuclear e mediante a simulação de contratos de consultoria fraudulentos". As propinas, segundo o despacho, teriam sido pagas por longo período e até dezembro de 2014. Além disso, a defesa do almirante apresentou "documentos aparentemente fraudulentos" para justificar serviços prestados pela Aratec às empresas intermediárias da propina. Para Moro, a liberdade do almirante traz risco à ordem pública e à instrução do inquérito.

O delator de Othon

O almirante Othon Pinheiro tentou enrolar o Ministério Público Federal, mas não contava com a colaboração do controlador da Link Projetos e Participações, Victor Sergio Colavitti, que resolveu entregar todo o esquema. Victor revelou que controla a Link Projetos e realizou os pagamentos a Aratec a pedido da Engevix, sem que houvesse qualquer causa econômica para os pagamentos. A própria Engevix não poderia fazer os depósitos diretamente. Então, foram fraudados contratos e notas fiscais.

Ladrão, mentiroso e... violento

Relatório da Polícia Federal relata que o vice-almirante Othon Pinheiro, no dia da prisão, não quis abrir a porta para os agentes. Disse ser vice-almirante da Marinha, que devia ser tratado com respeito e ainda ameaçou "meter bala" na Polícia Federal caso a porta fosse arrombada. Quando resolveu abrir a porta, partiu para cima do agente e acabou imobilizado pela força-tarefa, sendo algemado em seguida. A Polícia Federal encontrou um arsenal na casa do almirante: uma pistola SW .40, um revolver 38, uma pistola 765, um COLT 357 e uma Glock 9mm. Além de um revólver Taurus 38 e uma pistola Bayard 635. Foram apreendidas 14 caixas de documentos, contratos diversos e informações sobre a Lava Jato.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA GAÚCHO CONFIRMA CONDENAÇÃO DO PRESIDENTE DO PT DO RIO GRANDE DO SUL, O EX-PREFEITO ARY VANNAZI, ELE É FICHA SUJA

O atual presidente do PT do Rio Grande do Sul e ex-prefeito de São Leopoldo, Ary Vannazi, teve sua condenação por improbidade administrativa confirmada pela 22ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça. Ele foi condenado pela prática de atos de improbidade administrativa. Suas penas incluem ressarcimento de valores ao erário público e perda dos direitos políticos, tudo em razão de mal feitos nas contas de 2008. No primeiro grau, a decisão do juiz singular contemplou estas penalidades:
- Ressarcimento do valor de R$8.002.815,53, atualizado a contar de 31/12/2008, pelo OGPM e juros de 1% ao mês;
- Multa de duas vezes do montante atualizado do dano;
- Suspensão dos direitos políticos por 05 anos;
- Proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, mesmo como sócio de pessoa jurídica, por 05 anos.
A decisão do Tribunal de Justiça, que é a que vale a partir de agora é a que segue:
- Reparação de danos, no valor de R$15.000,00 (referente contrato firmado com a Associação Rádio Comunitária Feitoria FM - fundamento: caráter abusivo e supérfluo. Programa de rádio Uma Nova Cidade. O que diz o acórdão: "É um gasto indevido por não render utilidade à Administração Pública nem à comunidade, agravada pelo fato de que era candidato à reeleição. .. Propaganda em benefício da sua candidatura."
- Multa de duas vezes o referido valor;
- Suspensão dos direitos políticos por 05 anos;
- Proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, mesmo como sócio de pessoa jurídica, por 05 anos.

O lobista e operador Fernando Baiano começa o processo de delação premiada na Operação Lava Jato, ele já está "cantando"


O início dos depoimentos do lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, que busca um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava-Jato, estende o clima de tensão, que já envolve o Executivo, ao Congresso Nacional. Desde o início das investigações, Baiano é apontado como o intermediário de propinas para o PMDB. Nesta quinta-feira, Baiano foi removido do Complexo Médico Penal, em Pinhais, para a carceragem da Polícia Federal, onde conversou por mais de três horas com advogados sobre a formalização de um acordo de delação. O advogado Sérgio Guimarães Riela, que deverá conduzir a delação de Baiano, disse que o processo ainda é incipiente e que, no encontro desta quinta-feira, não participaram procuradores do Ministério Público Federal (MPF), que é o responsável pelas negociações. Riela não explicou o motivo de a reunião com o cliente ter sido na sede da Polícia Federal e não no Complexo Médico Penal, onde ele está preso. "Estou conversando com Baiano para entender detalhes do que ele pode vir a falar", disse o advogado. Baiano se manteve calado até agora e a força-tarefa da Lava-Jato acreditava que ele pudesse ter medo de falar. Peça-chave para mostrar o envolvimento do PMDB em fraudes na Petrobras, ele é réu na ação movida pelo Ministério Público Federal e que investiga o pagamento de propinas ao ex-diretor da área internacional da estatal, Nestor Cerveró. Segundo as investigações, Baiano intermediou propina de US$ 40 milhões na compra de duas sondas da coreana Samsung, nos anos de 2006 e 2007, por US$ 1,2 bilhão. O negócio também teve como intermediário o consultor Júlio Camargo, que se tornou delator da Lava-Jato. No último dia 16 de julho, ao depor para o juiz Sérgio Moro, Júlio Camargo afirmou que Baiano atuou como sócio oculto do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados. Disse que pagou US$ 10 milhões em propina, dos quais US$ 5 milhões para Eduardo Cunha e U$ 5 milhões para Baiano. Outra parte do dinheiro foi para Nestor Cerveró. Júlio Camargo iniciou sua delação premiada em outubro passado e não havia delatado políticos. Mudou de posição e a denúncia contra Eduardo Cunha levou ao afastamento da advogada Beatriz Catta Preta do caso. A advogada intermediou o acordo de delação de Júlio Camargo. Apresentada como especialista em delação e responsável por vários dos acordos fechados no âmbito da Lava-Jato, Beatriz disse que ela e sua família receberam ameaças veladas. Numa atitude inédita, fechou até mesmo as portas de seu escritório. A citação de Eduardo Cunha por Júlio Camargo reforçou os argumentos dos advogados de Fernando Baiano, que lutam para que o processo seja retirado de Curitiba, onde será julgado pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, e remetido ao Supremo Tribunal Federal. Eles argumentam que o caso envolve Eduardo Cunha e, portanto, deve ser conduzido pelo Supremo. Os advogados de Baiano apresentaram nesta quinta-feira as alegações finais na ação movida contra ele por lavagem de dinheiro e corrupção ativa no caso da venda das sondas. Argumentaram que o delator Júlio Camargo disse ter pago comissão a Fernando Baiano, não "propina", como a força-tarefa da Lava-Jato concluiu ao fim das investigações. Boa parte do texto da defesa de Baiano refere-se à citação do nome de Eduardo Cunha no processo. Os advogados afirmam que não foi Júlio Camargo o primeiro a citar Eduardo Cunha. Segundo eles, o nome do atual presidente da Câmara já havia sido citado em delação premiada pelo doleiro Alberto Youssef, no depoimento de número 13, ocorrido bem antes do depoimento de Júlio Camargo, o que forçosamente deveria ter levado o caso ao Supremo, o que não ocorreu. Os advogados disseram que Camargo, que iniciou sua colaboração em outubro de 2014, foi ouvido em várias oportunidades sem mencionar Eduardo Cunha, o que só veio a fazer no último dia 16 de julho. Para os advogados de Baiano, a delação de Júlio Camargo deve ser simplesmente anulada. "Camargo não cumpriu nem de longe o que assentara no seu acordo de colaboração: dizer tudo que soubesse, sob juramento, sem nada omitir", afirmou a defesa de Baiano. E acrescentou: "Ou mentiu nos seus primeiros depoimentos, que remontam a outubro de 2014, omitindo informação que não poderia esconder, se veraz, ou faltou com a verdade agora, pouco importa, pois o que se tem de concreto é a falta de credibilidade escancarada do mencionado colaborador Julio Camargo". 

POLÍCIA FEDERAL DIZ QUE JOSÉ DIRCEU USOU UM EX-SÓCIO COMO "LARANJA" PARA COMPRAR A CASA DE PASSA QUATRO, EM MINAS GERAIS, ONDE MORA A SUA MÃE


A Polícia Federal descobriu que o ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu usou um "laranja" para comprar a casa onde sua mãe Olga Guedes da Silva, de 94 anos, mora em Passa Quatro, no interior de Minas Gerais. A casa foi comprada em 2005, quando ele ainda era ministro da Casa Civil do governo Lula, por R$ 250 mil, por intermédio de Julio Cesar dos Santos, que foi sócio de José Dirceu na JD Consultoria até 2012. A informação foi confirmada pelo delegado Márcio Anselmo, que tomou o depoimento de Julio César dos Santos nesta quarta-feira, e obteve dele a confissão de que foi usado por José Dirceu como "laranja" na compra da casa da mãe do ex-ministro. "Nós tínhamos a informação de que a mãe dele morava em uma casa que estava em nome de terceiros e no fim identificamos que está mesmo em nome da empresa do Julio. Ele foi usado para a ocultação de patrimônio", disse o delegado. Além dessa aquisição, o ex-sócio de José Dirceu comprou uma casa em condomínio em Vinhedo, no interior paulista, que o ex-ministro pretendia usar como escritório, ao lado da casa que já tinha, em um condomínio fechado. O imóvel foi reformado por R$ 1,3 milhão, despesas pagas pelo lobista Milton Pascowitch, da Jamp Consultoria. À Polícia Federal, Júlio Cesar dos Santos alegou ter adquirido imóveis para José Dirceu na condição de “amigo pessoal”. Segundo o delegado Marcio Anselmo, documentos da compra dessa casa em Passa Quatro foram apreendidos na casa do irmão de José Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, e mostram que os dois fizeram ocultação de patrimônio do fisco. Antes da operação da última segunda-feira, o caso já era investigado pela Polícia Federal. Antes de passar a ser "laranja" de José Dirceu, Julio Cesar dos Santos era ligado à Central de Eventos, coordenada por Silvio Pereira, o Silvinho, que durante muito tempo foi o secretário-geral do PT e que caiu durante o governo Lula por ter recebido propina na forma de uma caminhonete Land Rover da empresa GDK, fornecedora da Petrobras. A ocultação de bens deve render mais uma denúncia contra o ex-ministro. Até o final do mês, a Polícia Federal deve concluir o inquérito no qual José Dirceu deverá ser indiciado por lavagem de dinheiro, corrupção, formação de quadrilha, organização criminosa e falsidade ideológica, segundo antecipou Marcio Anselmo. "Como José Dirceu é reincidente (no mensalão foi condenado a 7 anos e 11 meses de cadeia), se for condenado agora na Lava-Jato, ele perderá o benefício da prisão domiciliar que havia conquistado no processo do Mensalão e deve ir para regime fechado",  disse Anselmo. Delegados que participaram da busca e apreensão na casa do ex-ministro e de seu irmão Luiz Eduardo de Oliveira e Silva disseram nesta quinta-feira que encontraram mais documentos, anotações e e-mails na casa do irmão do que na casa de José Dirceu. "Encontramos coisa boa na casa do Luiz Eduardo, mas ainda estamos analisando o material apreendido. No depoimento que Luiz Eduardo dará na tarde desta quinta-feira, já vamos poder confrontar muita coisa e checar informações", disse outro delegado. Os investigadores informaram ter dados de que José Dirceu não agiu sozinho no caso de corrupção na Petrobras, afirmando que os jornalistas terão "surpresas" nos próximos dias sobre o envolvimento de outros políticos no esquema. Eles informaram que a Polícia Federal localizou documentos mostrando que o ex-ministro Luiz Gushiken se beneficiou do esquema de corrupção na Petrobras, mas que como ele já morreu, não poderá ser responsabilizado. Os investigadores não informaram quais seriam os valores pagos a Gushiken, nem como o beneficiamento teria ocorrido. "Mas sabemos que alguém de sua família ainda se beneficia do dinheiro que ele obteve da corrupção na estatal", afirmou um dos delegados da Lava-Jato. Segundo os delegados, ainda não há um inquérito que investigue exclusivamente o ex-presidente Lula. Mas, policiais analisam os contratos que a empresa LILS, do ex-presidente, realizou com as empreiteiras Camargo Corrêa e OAS. Só da Camargo, Lula recebeu R$ 1,5 milhão por palestras e o Instituto Lula recebeu outros R$ 3 milhões a título de doações eleitorais. Depois a empresa disse que houve um engano e que não foram contribuições eleitorais, mas contribuições para o desenvolvimento do Instituto Lula. "Ninguém está acima da lei. Se comprovarmos que Lula recebeu dinheiro de forma ilegal, abriremos inquérito contra ele", disse um delegado. 

Poupança registra em julho o maior rombo em 20 anos, de R$ 2,45 bilhões


A quantia de saques da poupança superou a de depósitos em 2,45 bilhões de reais em julho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, pelo Banco Central. No ano até o mês passado, as saídas líquidas dessa aplicação somaram 40,99 bilhões de reais. Nos dois casos, tratam-se dos maiores volumes de retiradas dos últimos 20 anos para os períodos, desde quando a instituição começou a compilar as informações disponíveis até hoje, em 1995. Em janeiro passado, o resultado ficou negativo em 5,5 bilhões de reais e, em fevereiro, em 6,3 bilhões de reais. Em março, os resgates superaram os depósitos em 11,4 bilhões de reais e, em abril, em 5,8 bilhões de reais. Em maio, o saldo ficou no vermelho em 3,2 bilhões de reais e, em junho, em 6,3 bilhões de reais. O resultado de março foi, portanto, o pior da série histórica do Banco Central para um mês e o de junho, o terceiro pior, atrás também do de fevereiro. Com o resultado de julho, o saldo total da poupança ficou em 648,24 bilhões de reais, já incluindo os rendimentos do período, no valor de 4,13 bilhões. Os depósitos na caderneta somaram 167,4 bilhões de reais no mês passado, enquanto as retiradas foram de 169,9 bilhões de reais. A situação de julho só não foi pior porque, no último dia do mês, a quantidade de aplicações foi 4,35 bilhões de reais maior do que o das retiradas. Até o dia 30, o saldo da caderneta estava no vermelho em 6,8 bilhões de reais. É comum ocorrer um aumento dos depósitos no último dia de cada mês por conta de aplicações automáticas e de sobras de salários. O que tem ocorrido nos últimos meses, no entanto, é que essa sobra tem sido cada vez menor. Além disso, com o atual ciclo de alta dos juros básicos e do dólar tornando outros investimentos mais atrativos, a caderneta de poupança perde o brilho. Até porque, há três anos a forma de remuneração da aplicação mudou. Pela regra de maio de 2012, sempre que a taxa básica de juros, a Selic, for igual ou menor que 8,5% ao ano, o rendimento passa a ser 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR). Atualmente, a taxa básica está em 14,25% ao ano. Quando o juro sobe a partir de 8,75% ao ano passa a valer a regra antiga de remuneração fixa de 0,5% ao mês mais a TR. O saldo da caderneta de poupança é uma das principais fontes de financiamento do crédito imobiliário. Diante do aumento das retiradas, em decorrência da crise econômica e também dos rumores, já desmentidos, de confisco, a Caixa teve de aplicar medidas restritivas ao crédito. Na quarta-feira, depois de reduzir os porcentuais de crédito para imóveis novos e usados, o banco anunciou que vai restringir o crédito daqueles que já possuem financiamento com o banco.

Programa do PT ameaça os brasileiros três vezes, reedita campanha eleitoral e hostiliza manifestantes do dia 16. É o esquenta da megamanifestação

O programa do PT, que vai ao ar à noite — panelas à mão! — é um lixo político, moral e estético. Que seja José de Abreu a apresenta-lo até faz sentido. Ocorre que ele estava muito convincente como Nino, o rei do lixão em “Avenida Brasil”, e se mostra um canastrão constrangedor nessa peça que se desenvolve entre o delírio e a ameaça de caráter terrorista. Sim, o programa do PT decidiu ameaçar os brasileiros, muito especialmente os 66% que querem o impeachment de Dilma, segundo o Datafolha, e os 71% que avaliam que seu governo é ruim ou péssimo.
João Santana é talentoso, mas escorregou feio. Admita-se: não dá para fazer milagre. O produto que ele tem de vender é ruim, está bichado, ninguém quer comprar. Começo pelo mais grave.
O programa tem uma tese central: a crise política é pior do que a crise econômica, e fica evidente que ela virá, segundo os companheiros, caso se insista no afastamento de Dilma. E aí o partido radicaliza: ameaça o País com um “final trágico”. É mesmo? Convenham: petistas na cadeia em razão da indústria de assalto ao Estado que eles promoveram é um final ruim para os bandidos, mas feliz para o País.
Em três momentos, os petistas ameaçam explicitamente a população:
– entre 20s e 23s – José de Abreu mira o abismo e fala “no final trágico para todos”;
– entre 5min21s e 5min45s – um rapaz pergunta: “será que tumultuar a política traz solução para a economia?” Nesse trecho, o PT chega a falar em golpe militar (ainda que esteja fazendo uma comparação com 1964);
-entre 6min12s e 6min20s – o partido volta a afirmar que é preciso evitar que a crise política ameace a democracia, “pois, sem democracia, tudo iria ao chão”.
Pergunta-se: quem ameaça a democracia no Brasil?
Respondo: os ladrões!
Pergunta-se: quem ameaça a democracia no Brasil?
Respondo: os que pretendem chamar o cumprimento da lei de “golpe”.
Pergunta-se: quem ameaça a democracia no Brasil?
Respondo: quem entende o Brasil como a luta permanente entre “nós” e “eles”.
Eu sintetizo: hoje, a única força que molesta a democracia, porque não chega a ameaçá-la — e não chega porque não deixamos —, é o PT.
É estupefaciente que o partido que faz um programa que deveria, então, apelar à concórdia e à união nacional recorra, duas vezes, ente 1min02s e 1min06s e 5min46s e 5min51s, a imagens de líderes da oposição, com o carimbo: “Não se deixe enganar pelos que só pensam em si mesmos”. São contemplados, entre as personagens demonizadas, os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Agripino Maia (DEM-RN), o deputado Carlos Sampaio (SP), líder do PSDB, e Paulinho da Força (SD-SP). Atenção! Três deles são presidentes de partidos de oposição: Aécio, Agripino e Paulinho.
Nesta quarta-feira, num apelo candente, tanto Aloizio Mercadante, ministro da Casa Civil, como Michel Temer, vice-presidente da República e coordenador político do governo, falaram que alguém precisa “unir e reunir” os brasileiros. Como? Ora, acusando os líderes oposicionistas de egoístas e enganadores.
O PT é uma piada grotesca.
Aos 6min23s, eis que aparece Lula: “Nosso pior momento ainda é melhor que o melhor momento dos governos passados; nosso maior ajuste ainda é menor do que o ajuste que ELES fizeram”.
Seria muito fácil demonstrar a mentira de tal afirmação, mas me dispenso disso. Pergunto apenas se essa é a retórica de quem investe na paz ou na guerra. Lula, que nasceu destituído do senso de ridículo, não tem autocrítica. Julgando-se ainda uma referência acima de qualquer questionamento, diz: “Eu mesmo fiz um ajuste na economia e depois o Brasil ficou muito melhor”. De fato, ele se considera a única referência positiva que pode ter um governante na face da Terra. O PT ainda não percebeu que esse tempo passou.
Aos 7min55s, aparece Dilma, de branco. Afirma: “Sei suportar pressões e até injustiças”. Ela disse rigorosamente isso na entrevista concedida a Jô Soares. Era João Santana lá, é João Santana cá. Não temos uma presidente, mas uma personagem protagonizando um roteiro ruim.
O resto, meus caros, é campanha eleitoral, com a ligeira diferença, desta feita, de que Dilma foi eleita há menos de 10 meses. No oitavo mês do segundo governo, os brasileiros já conhecem todas as mentiras contadas pela candidata Dilma — e isso explica, em boa parte, os 71% de rejeição e os 66% que querem o impeachment, segundo o Datafolha.
Quem achou que era uma boa idéia ridicularizar os panelaços, submetendo-os a uma ironia ufanista e autorreferente? O programa certamente vai ajudar a pôr alguns milhares nas ruas no dia 16.
Finalmente, e não me estenderei a respeito, José de Abreu, um ator mediano, tem um desempenho patético. Fala escandindo as sílabas, mal escondendo a leitura de um texto no teleprompter. Havia, para ficar com referências da arte dramática, algo de distanciamento brechtiano no seu desempenho: ele não nos deixava esquecer, em nenhum momento, que aquilo era uma farsa, uma representação, um discurso sobre a realidade, remetendo-nos, o tempo todo, para a vida real, que hoje rejeita o PT.
Lula e seu partido, na década de 80, eram Stanislavski. Os atores realmente pareciam possuídos pelo papel que encarnavam, diziam coisas críveis, que soavam naturais. Conduziam muitos à emoção. Agora não! É evidente que nem eles acreditam naquela porcaria.
Para encerrar: a ruindade é tamanha que se estampa em letras garrafais, na tela, uma frase que flerta com o incompreensível. Deve ter sido redigida pessoalmente por Dilma. Está lá: “Não é melhor a gente não acertar em cheio tentando fazer o bem do que errar feio fazendo o mal?”.
Do ponto de vista da comunicação, é uma aberração porque:
– a interrogação é longa demais;
– os “nãos” estão muito próximos e tornam a mensagem obscura;
– há uma óbvia desconexão de sentido entre “errar feio” e “fazendo o mal” como relação de causa e consequência: afinal, quem faz o mal não acha que erra; faz uma opção;
– torna as pessoas reféns da melancolia. Não há boa saída: ou se erra tentando fazer o bem ou se erra tentando fazer o mal.
A boa notícia é que o programa é mais uma evidência de que o PT morreu. E ninguém aparece para acender uma vela e encomendar o corpo. Ele fica aí, recendendo a cadaverina, em praça pública. Por Reinaldo Azevedo

Câmara dos Deputados aprova as contas atrasadas de ex-presidentes e agora está livre para analisar as pedaladas da petista Dilma Rousseff; aberto o caminho do impeachment

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (6) as contas relativas a parte dos mandatos de três ex-presidentes: Itamar Franco (1992-1994), Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Lula (2003-2010). O objetivo é "limpar o caminho" para a análise das contas de Dilma Rousseff relativas a 2014, cuja possível rejeição é aguardada pela oposição e por parte da base governista para ser usada como base para a abertura de um processo de impeachment contra a petista. Engavetados há anos, os pareceres do Tribunal de Contas da União foram colocados na pauta pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que rompeu abertamente com o Palácio do Planalto sob o argumento de que há digitais do governo nas suspeitas que pesam contra ele no escândalo de corrupção da Petrobras. O TCU deve recomendar a rejeição das contas de Dilma devido a manobras fiscais feitas pelo governo. As aprovações desta quinta-feira ocorreram de forma simbólica, ou seja, sem a contagem nominal dos votos, e não houve discussão de relevo sobre o mérito das contas dos ex-presidentes. Apenas manifestações políticas contrárias da oposição quando se analisou os anos relativos aos mandatos de Lula. A aprovação das contas relativas a 1992 (no período comandado por Itamar Franco após o afastamento de Fernando Collor de Mello) foi a promulgação porque já havia passado pelo Senado. As de 2002 (FHC), 2006 (essa com ressalvas) e 2008, essas duas últimas de Lula, seguem agora para votação no Senado. Há ainda à espera de votação um estoque acumulado de pareceres sobre contas do governo federal desde 1990. Essas contas tramitam na Comissão Mista de Orçamento ou no Senado. 

Fernando Baiano, o operador do PMDB no Petrolão, começa a negociar a sua delação premiada


Apontado como operador do PMDB em contratos com a Petrobras, Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano, começou a delinear o conteúdo de depoimentos para entregar a participação de políticos peemedebistas no esquema de corrupção na estatal. Na manhã desta quinta-feira (6), ele esteve reunido com representantes da Procuradoria-Geral da República e do Ministério Público Federal do Paraná. Já em discussão em Curitiba, o escopo do acordo deverá ser fechado em Brasília por envolver políticos com foro privilegiado. O encontro ocorreu na sede da Polícia Federal em Curitiba. Baiano foi acompanhado, pela primeira vez, do novo advogado, porque o seu time atual de defensores, liderados por Nelio Machado, opõe-se a a um acordo com a Procuradoria. Em uma providência que precede o fechamento dos acordos de delação, ele já foi transferido para uma outra ala do Complexo Médico-Penal de Curitiba, onde está preso, considerada mais segura. Foi a segunda conversa de Baiano com os procuradores nesta semana. Na terça-feira (4), ele foi levado à superintendência da Polícia Federal para depor em um dos inquéritos que correm no Supremo Tribunal Federal. Antes da oitiva ser iniciada, procuradores mostraram a Baiano um novo conjunto de documentos que trariam novas evidências da sua atuação como intermediário de propina a políticos. Um dos fatores de pressão por um acordo é a situação jurídica cada vez mais intrincada: ele é réu em duas ações penais na primeira instância, já teve decretadas pelo juiz Sergio Moro três prisões preventivas e viu naufragar, nos tribunais superiores, todos os pedidos de habeas corpus apresentados desde novembro, quando foi preso no curso da Lava Jato. Baiano é peça-chave no esclarecimento da acusação lançada pelo lobista e delator na Operação Lava Jato, Julio Camargo, contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O lobista afirma que o deputado pediu a ele propina de US$ 5 milhões em um contrato de R$ 1,2 bilhão de afretamento de navios-sonda pela Petrobras. No depoimento, prestado em Curitiba, o empreiteiro propineiro Julio Camargo disse que o pedido de propina teria ocorrido pessoalmente, em uma reunião no Rio de Janeiro. O valor, afirmou, foi pago por meio de Fernando Baiano. Responsável pelos contratos na Petrobras, o ex-diretor da área internacional da estatal, Nestor Cerveró, já teve conversas com procuradores sobre um possível acordo, mas as negociações estão paradas. A diretoria internacional era controlada politicamente pelo PMDB. Enquanto o acordo avança, a atual defesa de Baiano protocolou na noite de quarta-feira uma peça de 165 páginas com as alegações finais na ação penal que responde por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso dos navios-sonda pela Petrobras. Os advogados de Baiano alegaram que houve cerceamento do direito de defesa e atacaram o fato do processo ter continuado a correr na primeira instância, mesmo após as citações a Eduardo Cunha. Como deputado foi mencionado como destinatário de propina pelo doleiro Alberto Youssef antes da denúncia do Ministério Público (acusação formal), sustentam os advogados de defesa, o foro adequado da ação deveria ser o Supremo Tribunal Federal. A mudança de versão de Julio Camargo foi duramente criticada. Embora tenha fechado acordo de delação em outubro de 2014, foi em julho que ele citou o deputado Eduardo Cunha pela primeira vez. "Ou mentiu nos seus primeiros depoimentos, omitindo informação que não poderia esconder, se veraz, ou faltou com a verdade agora, pouco importa, pois o que se tem de concreto é a falta de credibilidade escancarada do mencionado colaborador", escreveram os oito advogados que assinam a peça.

TSE rejeita recriação do PL, o novo partido de Gilberto Kassab


Uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral nesta quinta-feira (6) inviabilizou a recriação do Partido Liberal (PL), que o ministro Gilberto Kassab (Cidades) trabalhava para colocar de pé e que provocou atrito político entre o Palácio do Planalto e o PMDB, seu principal aliado. Os ministros do tribunal rejeitaram pedido feito pelo PL para continuar apresentando o número mínimo de assinaturas de apoio para sua criação durante o processo de registro da legenda. Agora, para tentar ser reconhecido, a sigla terá que apresentar um novo pedido de registro à Justiça Eleitoral. Para poder disputar as eleições de 2016, a legenda teria que obter aval do Tribunal Superior Eleitoral até 1º de outubro – um ano antes das disputas municipais. Os ministros avaliaram uma questão de ordem feita pelo próprio PL sobre a possibilidade de o pedido de registro de uma legenda ser apresentado sem que as quase 500 mil assinaturas de apoiamento cobradas pela lei já tenham sido reconhecidas. O PL informou ao tribunal ter reunido 167.627 mil assinaturas – das quais 67.924 já foram consolidadas e 99.703, certificadas – e alegou que o restante das assinaturas necessárias (484.169) foi colhido e está em "procedimento de certificação" nos tribunais regionais e zonas eleitorais. Os responsáveis pelo PL argumentaram que, apesar da exigência legal, a Justiça Eleitoral têm permitido que esse apoiamento seja apresentado concomitantemente à tramitação do pedido de registro. No julgamento, os ministros avaliaram que o partido apresentou um número pequeno de assinaturas e desejava que o processo de registro aguardasse até que eles completassem a cota. O presidente do TSE, Dias Toffoli, afirmou ainda que a estratégia do partido foi evitar ser enquadrado nas regras da nova lei de para registro de partidos, como a determinação de que só serão validados apoiamentos de eleitores não filiados a outra legenda. O ministro Tarcísio Vieira argumentou que foram feitas exceções quanto ao número de assinaturas por problemas na verificação de apoio, por exemplo, como greve de servidores. Relator do caso, Vieira defendeu o rigor da lei, cabendo flexibilização para pontos que não fossem essenciais. "Minha proposta é estabelecer que estes requisitos legais para o reconhecimento e regular processamento do registro devem estar preenchidos no momento da formalização da peça, reservando eventuais questões de natureza não essencial", disse. O Ministério Público Eleitoral tinha sugerido ao TSE a concessão do registro ao PL por uma espécie de "isonomia" com outros casos. Os ministros questionaram o longo período entre a coleta de assinaturas e o pedido de registro do partido. O PL teria começado a recolher assinaturas há oito anos. O TSE discute uma proposta para fixar novas normas para criação de legendas. A idéia é fixar numa resolução do tribunal o prazo de um ano para a validade de assinaturas de apoio que serão entregues para pedir o reconhecimento de uma sigla. "Na minuta da resolução, as assinaturas valem por um ano. Neste caso, que se passam oito ou nove anos, as pessoas podem até ter morrido", disse o ministro Henrique Neves. "Não se pode propor um processo para que fique para sempre esperando o número. Precisamos regulamentar a forma de obter a assinatura e qual o prazo", completou. "O eleitor que assinou há oito anos, ele mantém a vontade de ainda apoiar esse partido? É uma distância muito grande entre apoiamento e registro", afirmou o ministro João Otávio de Noronha. O retorno do PL é tocado por um ex-deputado estadual amigo de Kassab. Sua idéia é fundir o PL com o PSD do ministro - o que também esbarra na nova lei, que só permite fusão de siglas cinco anos após serem criadas. A idéia da união é atrair congressistas insatisfeitos com seus partidos e reforçar a base governista da presidente. O Planalto deu aval para a articulação, o que gerou reação do PMDB, que foi à Justiça tentar barrar o PL.

Jornal El Nuevo Herald afirma que os petistas Lula e José Dirceu trabalhavam para empresas brasileiras na Venezuela

Documentos obtidos pelo jornal americano "El Nuevo Herald" afirmam que o ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações"), após deixar o cargo, atuou a favor de empresas brasileiras junto ao governo da Venezuela e participou de uma reunião com Hugo Chávez e o ex-ministro José Dirceu em Caracas. O diário, sediado em Miami, é voltado à comunidade latino-americana, principalmente aos exilados cubanos, e crítico aos governos de esquerda da região. De acordo com o jornal, José Dirceu foi descrito pelos venezuelanos como "representante de Lula" e se encontrou em várias ocasiões com o líder venezuelano e com o hoje presidente Nicolás Maduro, à época responsável pelas Relações Exteriores. Segundo documentos citados pela publicação, Lula pretendia fazer em 2011 uma reunião com Chávez com a presença de Emilio Odebrecht, filho do fundador da empreiteira, e participaria de um outro encontro com o líder venezuelano, desta vez com a presença apenas de José Dirceu. O "Nuevo Herald" afirma que as informações da reportagem, publicada nesta quinta-feira (6), se baseiam em documentos e informes da Embaixada da Venezuela no Brasil produzidos ao longo de 2011. O jornal diz que, meses após deixar a Presidência, Lula pediu à embaixada uma reunião com um "empresário de sua total confiança" que queria importar ferro e derivados de petróleo do país vizinho. "No domingo 29 de maio (de 2011), chegará a Caracas José Dirceu e a sugestão de Lula é que o presidente Hugo Chávez o receba no domingo à noite ou na segunda-feira para adiantar alguns temas, entre eles o de Cuba", diz trecho de um documento citado pelo jornal. Dias depois, ainda de acordo com o "Nuevo Herald", José Dirceu viajaria a Havana, voltaria a Caracas com Lula e estaria "à disposição" de Chávez para um encontro. Em 2011, primeiro ano do mandato de Dilma Rousseff, José Dirceu estava com os direitos políticos cassados e aguardava o julgamento do Mensalão do PT, no qual seria condenado. A principal atividade do ex-ministro na época era a administração de sua empresa de consultoria, hoje suspeita de receber propina de empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras. O jornal diz que os temas das reuniões não estão detalhados, mas um dos pontos abordados era a campanha eleitoral no país vizinho em 2012. Afirma que Lula e José Dirceu pretendiam formar no Brasil um "comando de apoio" à reeleição de Chávez. Uma ideia, que acabou concretizada, era levar o marqueteiro João Santana, responsável pelas campanhas do PT à Presidência, para trabalhar na reeleição de Chávez. O venezuelano foi reeleito, mas morreu meses depois, em março de 2013, em decorrência de câncer. Lula disse ao embaixador venezuelano, de acordo com a reportagem, que a possibilidade de derrota de Chávez o preocupava e seria "pior do que a queda do Muro de Berlim".

Ex-presidente peronista argentina Carlos Menem é julgado por obstruir investigação de atentado terrorista contra instituição judáica

Começou nesta quinta-feira (6) o julgamento contra o ex-presidente peronista argentino Carlos Menem e outras 12 pessoas acusadas de dificultar a investigação de um atentado terrorista a bomba, em 1994, em Buenos Aires. Menem foi apontado pelo promotor Alberto Nisman — assassinado em janeiro deste ano, em um caso ainda sem solução — como mandante de uma manobra para obstruir a investigação e usar o caso contra inimigos políticos, nos anos 1990. Em 2006, ele e outros envolvidos foram formalmente processados. 
 

Em 18 de julho de 1994, um atentado à bomba no edifício da associação judaica Amia matou 85 pessoas e deixou mais de 300 feridos. A investigação identificou o veículo que levou a bomba até o local e a partir daí começou a localizar suspeitos argentinos que teriam colaborado com iranianos pelo ataque. Segundo a acusação, o governo teria boicotado a investigação. Menem, que tem origem síria, teria ordenado ainda um suborno a uma das testemunhas, para que mentisse em seu depoimento. A hipótese é que Menem tentou usar a testemunha para acusar inimigos políticos, de olho nas eleições de 1999. O então juiz do caso, Juan José Galeano, foi filmado pagando suborno à testemunha. Ele, dois promotores, a testemunha, sua mulher e seu advogado, além de ex-funcionários da Casa Rosada, do serviço de inteligência e ex-policiais são réus no caso. Nesta quinta-feira (6), os acusados se apresentaram ao tribunal federal argentino. Menem, de 85 anos, que hoje é senador, não compareceu e enviou um atestado médico, em que informou que teve uma piora em um quadro de hipertensão, além de diabetes, artrite e esclerose. Dado o número de testemunhas e acusados no caso, a perspectiva é que o julgamento dure pelo menos um ano. Por protestos de parentes das vítimas, a Argentina foi denunciada na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos, pelas irregularidades cometidas na investigação do caso. 

Dilma convoca ministros do PT e pede saída para a crise

Após receber o vice-presidente Michel Temer em seu gabinete nesta quinta-feira (6), a presidente Dilma Rousseff convocou todos os ministros filiados ao seu partido, o PT, para discutir o agravamento da crise que acomete o País. As duas reuniões são parte de uma operação do governo um dia após Temer admitir publicamente que a crise pode piorar e pedir ajuda aos partidos políticos para "resolver os problemas" do Brasil. A declaração surpreendeu ministros de Dilma, que viram uma iniciativa do vice se "credenciar" como substituto da presidente. Temer, porém, garantiu a Dilma que esse não era o seu objetivo, mas sim transferir a responsabilidade da crise para o Congresso, ou ao menos dividi-la com parlamentares da base, que têm ajudado a oposição a derrotar o governo em diversas votações importantes. Dilma pedirá um plano de curto prazo para tentar tirar o governo da crise aguda. Ministros admitem que "pouquíssimos movimentos" são capazes disso, um deles seria uma declaração pública da presidente, que poderia pedir "desculpas pelos erros cometidos" durante sua gestão e "um voto de confiança" para colocar o País no eixo. Além disso, a pedido do ex-presidente Lula, Dilma vai viajar para as regiões onde o PT ainda tem alguma ressonância, como o Nordeste. O Planalto admite que "não dá mais" para relevar a crise e que é preciso "mudar tudo muito rápido". O plano, porém, ainda não está muito claro para os integrantes do governo.

Estratégia traçada

Lúcio a mil pelo impeachment
Lúcio a mil pelo impeachment
Lúcio Vieira Lima, Osmar Terra e outros oito deputados do PMDB reuniram-se na noite de ontem num hotel em Brasília para traçar uma estratégia de fomento dentro do partido ao impeachment de Dilma. Tentaram convidar outros peemedebistas, que recusaram. Por enquanto. Por Lauro Jardim

Outros envolvidos

Leo da OAS: e os outros?
Léo da OAS: e os outros?
Na sentença em que condenou Léo Pinheiro e outros executivos da OAS, Sérgio Moro mandou um recado a outros executivos da OAS – e, quem sabe, a Cesar Matta Pires, o dono da empreiteira. Escreveu Moro: "No grupo OAS, foram denunciados, até o momento, três executivos, José Adelmário, Agenor Medeiros e Mateus Coutinho, além do empregado José Breghirolli, mas é até possível que outros executivos estejam também envolvidos". Por Lauro Jardim

Impasse entre PMDB e DEM na CPI dos Fundos de Pensão

Efraim é o nome do DEM
Efraim é o nome do DEM
A costura do acordo para a presidência da CPI dos Fundos de Pensão colocou Eduardo Cunha e o PMDB num impasse. Cunha prometeu a presidência para o DEM, e o partido já indicou Efraim Filho. O PMDB quer o posto e argumenta que o cargo é muita areia para o caminhão do DEM. Querem Sérgio Souza na presidência. O risco, argumentam os peemedebistas, é haver divisão no PMDB e por fora o PT conseguir articular um outro nome. Com isso, a CPI criada para ser uma tremenda estocada de Cunha no governo pode se voltar contra ele. Mas descumprir o acordo com o DEM também não seria lá um bom negócio. Nem do feitio de Cunha. Por Lauro Jardim

JUIZ DA OPERAÇÃO ZELOTES, QUE EMPERRAVA A INVESTIGAÇÃO, FOI AFASTADO DO CASO; GERDAU E RBS ESTÃO ENVOLVIDOS NO CASO

O juiz Ricardo Augusto Soares Leite, responsável pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal, não responde mais pelo processo da Operação Zelotes, que investiga julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). O caso envolve dezenas de empresas investigadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal por fazerem lobby e usarem propinas para suprimir ou atenuar multas fiscais federais. No Rio Grande do Sul, são investigados grupos como Gerdau, RBS e Marcopolo. O magistrado, que havia negado pedidos de prisão temporária de 26 investigados, solicitados pelo Ministério Público Federal, teve sua conduta criticada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. Esse episódio no Carf parece contar com uma rede de proteção para que as ilegalidades não sejam tornadas públicas, e o maior exemplo disso é o desinteresse da grande imprensa sobre os R$ 20 bilhões que foram desviados dos cofres públicos. Quem responderá agora pelo caso será a juíza federal Marianne Borré.

Mão de obra da propina

Estadão: “O operador de propinas Milton Pascowitch afirmou em sua delação premiada que José Dirceu participou de uma reunião em sua casa, no Rio, com João Vaccari Neto, Renato Duque e Bob Marques. ‘Se discutia a necessidade de que alguém intercedesse junto ao diretor da Petrobrás José Eduardo Dutra para que fossem licitados novos contratos de terceirização de mão de obra’, afirmou Pascowitch, em depoimento prestado ao Ministério Público Federal. Os contratos discutidos no encontro eram da Hope Serviços e da Personal Service, que pagavam propina para o esquema de Dirceu. A Hope tem contrato bilionário de terceirização de mão de obra técnica e a Personal deserviços de recepção e limpeza. Segundo Pascowitch, no início da gestão da diretoria de Duque, o grupo político de Dirceu, representado pelo lobista Fernando de Moura, aproximou-se da Hope, estabelecendo um ‘relacionamento comercial’ que teria perdurado até o Mensalão”.

Marta Suplicy e os seus três maridos

A coluna Painel, da Folha, publica que "Márcio Toledo, marido de Marta Suplicy, se reuniu com Baleia Rossi, presidente do PMDB paulista, para discutir a filiação da senadora". A feminista Marta Suplicy sempre precisou de um marido na política.

Haja pixuleco

De acordo com a Folha, em matéria sobre o primeiro dia de José Dirceu na prisão (ele vestiu uma camisa do Corinthians), ao saber que havia gente na entrada da Polícia Federal em Curitiba, para recepcioná-lo com as devidas honras, o petista disse a agentes que soube que um grupo estava pronto a protestar contra a sua prisão na porta da Papuda, em Brasília. Haja pixuleco para tanto pão com mortadela.

A vida dupla de Michel Temer

Michel Temer leva uma vida dupla. Costura o impeachment de Dilma Rousseff nos bastidores e, no palco, é obrigado a falar em favor da petista. Hoje, ele disse que: "A presidente tem feito um esforço extraordinário e tem praticado os melhores gestos" e faz um "trabalho excepcional para manter a tranquilidade institucional no país". Dilma Rousseff só não dá com o pau de macarrão na cabeça de Michel Temer porque tem feito um esforço extraordinário para praticar os melhores gestos.

Dados de celulares de Marin serão usados em investigação na Suíça

A Justiça da Suíça autorizou que o Ministério Público do país tenha acesso à cópia de dados dos dois celulares que foram apreendidos com o vice-presidente da CBF, José Maria Marin, preso desde o dia 27 de maio, em Zurique. A decisão foi tomada na última quarta-feira (5). Após a cópia dos dados, os aparelhos serão enviados para os Estados Unidos, onde Marin foi acusado de fraude, lavagem de dinheiro e conspiração envolvendo recebimento de propina em acordos para a transmissão de competições como a Copa América e Copa do Brasil. O brasileiro foi preso a pedido das autoridades americanas, que também solicitaram a sua extradição para o País. Não há até agora acusações divulgadas contra o cartola na Suíça. O Ministério Público do país europeu apura irregularidades na escolha das sedes das Copa de 2018 e 2022. O pleito aconteceu em 2010. Autoridades suíças já apuraram mais de 100 casos suspeitos de lavagem de dinheiro, todos relacionados ao processo de escolha das sedes do Mundial. Preso há mais de dois meses na Suíça, Marin tenta evitar uma extradição para os Estados Unidos. O pedido das autoridades americanas já foi feito, mas a defesa do brasileiro contestou. A decisão em primeira instância sobre o recurso do cartola será tomada pela Justiça da Suíça até o final do mês de agosto.

Câmara instala CPI do BNDES sob promessa de investigação "imparcial"

Sob promessas de "serenidade" e investigação "imparcial", a Câmara dos Deputados instalou nesta quinta-feira (6) a CPI para investigar os empréstimos do BNDES, sem a presença do PT nos dois principais cargos de comando. Com uma chapa única concorrendo, os deputados elegeram Marcos Rota (PMDB-AM) como presidente e José Rocha (PR-BA) como relator. Por um acordo costurado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o PT ficou de fora do comando. Cunha é hoje adversário declarado do governo. Ele afirma haver uma dobradinha sigilosa entre o Planalto e o Ministério Público Federal para incriminá-lo na Operação Lava Jato. Adversários afirmam, entretanto, que ele usa o embate político como cortina de fumaça contra as investigações. O deputado Rota defendeu que o clima político de crise não deve contaminar a CPI, mas afirmou que há uma intenção de obter informações sigilosas dos empréstimos do BNDES: "Não vamos proteger nem perseguir quem quer que seja". Já o relator defendeu "serenidade" e afirmou que vai trabalhar com "responsabilidade e sobretudo com compromisso com o País". Nos bastidores, parlamentares comentam que a CPI pode agravar a crise do governo Dilma Rousseff, ao revelar as condições dos empréstimos do BNDES. O petista Afonso Florence (BA), um dos vice-líderes do governo, minimizou a exclusão do PT e disse que se deveu a um acordo de lideranças, porque o partido já tem a relatoria da CPI da Petrobras. Florence afirmou que o sigilo em operações do BNDES leva em conta regras internacionais. "A estratégia de desenvolvimento de empresas desfruta de sigilo em qualquer lugar do mundo civilizado", afirmou. A partir desta quinta-feira, a CPI começa a receber requerimentos dos parlamentares. Na próxima semana, deve começar a votar os primeiros requerimentos e o plano de trabalho.

Produção de veículos de janeiro a julho tem pior resultado em 9 anos


De janeiro até julho, a produção do setor automotivo acumula queda de 18,1% em relação ao mesmo período de 2015, o pior resultado desde 2006. A queda ocorre apesar de a chegada de novos produtos ao mercado automotivo nacional ter ajudado a elevar a produção no mês de julho. Na comparação com o mesmo mês de 2014, observa-se uma retração de 14,9%. Férias coletivas que desaceleraram a produção no mês anterior também contribuíram para que o resultado de julho ficasse, com a volta da produção, 17,8% maior. No total, foram produzidos 215.145 veículos. A conta inclui carros de passeio, comerciais leves, ônibus e caminhões, e foi divulgada nesta quinta-feira (6) pela Anfavea (associação nacional de montadoras). As vendas totais cresceram 7,1% entre junho e julho, mas a retração no ano chega a 21%. Até o período da Copa do Mundo foi superior em vendas. A comparação entre os últimos dois meses com igual período de 2014 mostra queda de 20,1% nos licenciamentos de carros de passeio e comerciais leves, de acordo com dados da Fenabrave (federação das distribuidoras de veículos). O segmento de caminhões é o que está em pior situação, com queda acumulada de 43,1% desde o início de 2015. "É como se o ano de venda dos veículos pesados tivesse apenas sete meses", diz Luiz Moan, presidente da Anfavea. Os estoques de carros chegam a 45 dias de vendas, e o nível de emprego no setor teve nova queda, de 0,9% entre junho e julho.

Investigação sobre o bandido petista José Dirceu na Lava Jato causa agitação política no Peru


O escândalo trazido à tona pela Operação Lava Jato já causa agitação política no vizinho Peru e pode sacudir a campanha presidencial no país. Nesta semana surgiram informações de que a Lava Jato investiga vínculos de empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras e do ex-ministro José Dirceu com a gestão de Alan García, antecessor do atual presidente peruano, Ollanta Humala, e possível candidato à sua sucessão. Parlamentares da situação, da oposição e o presidente comentaram o assunto nesta quarta-feira (5). "Primeiro foi a Castelo de Areia (Operação da Polícia Federal brasileira, de 2009), e agora é a Lava Jato que chega aqui na política peruana", afirmou o congressista Sergio Tejada, do partido Dignidade e Democracia, ex-aliado de Humala. Tejada diz estar apurando os vínculos entre uma brasileira contratada pela empresa JD Consultoria, de José Dirceu, empreiteiras e a administração de Alan García. O congressista peruano publicou no Twitter a agenda de visitas de José Dirceu e de sua contratada Zaida Sisson ao palácio presidencial durante a gestão de García. "Há muito a ser investigado", escreveu na rede social. Ele citou encontros de José Dirceu, Zaida e cinco empresários com o então presidente, em 2007. Tejada afirmou ainda que Zaida esteve quatro vezes reunida com Alan García no palácio presidencial: "Vamos fazer um cruzamento das datas destes encontros e das obras públicas licitadas e seus vencedores". O congressista Mauricio Mulder, do mesmo partido que García, o APRA, negou que o ex-presidente tenha se reunido com Zaida. "As visitas ao Palácio nem sempre são ao gabinete presidencial. Posso garantir que ela não teve reunião com o ex-presidente", disse Mulder. Mulder disse ainda que se a "Lava Jato apontou que ela esteve no palácio presidencial, foi com seu marido", Rodolfo Beltrán – que foi ministro no primeiro governo de García (1985-1990) e vice-presidente do banco estatal Agrobanco na última gestão do ex-presidente. De acordo com a imprensa local, Zaida teria visitado o palácio presidencial também no governo de Humala, em 2013, para reunião com a então responsável pelo Organismo Supervisor das Contratações do Estado, Rocío Calderón. Calderón seria amiga da primeira-dama, Nadine, ainda segundo a imprensa peruana. Quando questionado por jornalistas, na quarta-feira, sobre essa suposta reunião, Humala respondeu que tinha a "impressão" de que querem "afetar uma pessoa" (Calderón). O Ministério Público local diz já investigar, desde a Operação Castelo de Areia, supostos pagamentos de suborno para a construção da rodovia Interoceânica, que liga Brasil e Peru e foi realizada nos governos de Alejandro Toledo (2001-2006) e de García (2006-2011). Humala afirmou que "lamenta a situação" que o Brasil está vivendo e que se o caso da Interoceânica atingir funcionários de seu governo, eles também serão investigados. Segundo o Ministério Público peruano, na semana passada uma comitiva de promotores esteve no Brasil para "investigar pagamentos ilícitos a funcionários peruanos" no caso da Interoceânica. "Como se sabe, a Castelo de Areia foi declarada nula pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil", disse o órgão, por meio de sua assessoria de imprensa. "Mas o dever do Ministério Público do Peru é esgotar todos os esforços diante das autoridades brasileiras para que a informação relacionada com os delitos cometidos no nosso país seja compartilhada pelo Brasil", completou. "Os peruanos em geral estão pouco informados sobre o assunto, mas certamente ele vai afetar a campanha presidencial", disse, de Lima, o cientista político Luís Nunes, português formado na Universidade de Brasília e articulista de jornais peruanos. Carlos Aquino, professor de teoria internacional da Universidade Mayor de San Marcos, afirmou acreditar que as investigações brasileiras "atingem em cheio" a campanha presidencial. "A imprensa peruana cita quase diariamente os nomes dos ex-presidentes Alan García e Alejandro Toledo, possíveis candidatos à sucessão de Humala, no caso das empreiteiras e obras ligadas às investigações brasileiras", disse Aquino. Em entrevista nesta quarta-feira à emissora de rádio RPP, de Lima, Zaida afirmou que seu trabalho para a JD Consultoria, de José Dirceu, consistiu no estabelecimento de relações entre as empresas brasileiras com o mercado peruano. Ela negou irregularidades. "Fui mencionada por dois delatores como consultora da empresa JD Consultoria, do senhor José Dirceu, e é verdade. Recebia pelo trabalho mensalmente, em reais, o equivalente a US$ 5.000", disse. Ela afirmou ainda que seu trabalho, entre junho de 2008 e setembro de 2011, não consistia em conseguir obras e que não teria recebido de José Dirceu os R$ 364 mil citados na Lava Jato.

Da tribuna do Senado, Collor chama o procurador-geral de "filho da puta"

Investigado pela Lava Jato, o ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB-AL) xingou nesta quarta-feira (5) o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de "filho da puta" durante o pronunciamento que fez na tribuna do Senado para se defender das acusações de que um grupo ligado a ele teria recebido R$ 26 milhões em propina do esquema de corrupção da Petrobras. No momento em que explicava que a apreensão de três carros de luxo em sua casa em julho fazia parte do que chamou de "espetáculo midiático" e que os carros foram comprados com dinheiro lícito, Collor sussurrou o xingamento. "As empresas têm contrato social, estão devidamente registradas na junta comercial, tem suas atividades de acordo com o que define a legislação. Se existem parcelas em atraso é uma questão comercial que diz respeito a mim e ao credor, não podendo em tempo algum, sob o risco de uma grave penalização judicial a quem afirma, que tal atrasos se devem a recursos escusos. Afirmações caluniosas e infames. Filho da puta", disse. Os investigadores justificam que os carros podem ser produto de crime. Além disso, os automóveis estão em nome de empresas, portanto, ele não teria a legitimidade direta para requerer a devolução. Uma das empresas, a Água Branca, tem Collor como sócio. Durante o discurso, Collor acusou o Janot de usar o vazamento seletivo de informações sigilosas da investigação como parte de uma "estratégia ardilosa" para permanecer no posto. 

Tribunal de Contas da União aponta sobrepreço em licitação de Haddad

Auditores do Tribunal de Contas da União apontaram uma série de indícios de irregularidades, inclusive sobrepreço de R$ 65,8 milhões, em licitação formulada pela Prefeitura de São Paulo para dois corredores de ônibus na capital. Os técnicos mencionam um aumento na estimativa de custos de R$ 29,6 milhões em trechos do projeto que liga o Itaim Paulista a São Mateus, e de R$ 36,2 milhões no corredor Radial Leste. As inconsistências identificadas na investigação levaram os auditores a pedir o cancelamento da licitação. O caso está nas mãos do ministro Bruno Dantas. Essa é a segunda investigação desfavorável enfrentada pela gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) na licitação dos corredores. A mesma concorrência já havia sido barrada pelo TCM (Tribunal de Contas do Município) e está suspensa desde o dia 18 de junho. A decisão do TCU adiciona, portanto, novo problema à prefeitura, que agora precisará se adequar às recomendações das duas cortes para poder liberar a obra. A licitação paulistana só entrou no radar do TCU porque conta com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal. Os auditores utilizaram as planilhas de custos e orçamentos para fazer a análise dos preços previstos na licitação e disseram ter encontrado indícios de que os valores previstos estavam inflacionados “frente ao praticado no mercado”. Com relação especificamente ao trecho 3 do corredor da Radial Leste, o TCU viu ainda “restrição da competitividade decorrente de critérios inadequados de habilitação e julgamento” para definir as empresas que seriam contratadas para a obra.

Dólar alcança R$ 3,53 e Bolsa cai com aumento da rejeição ao governo Dilma


O dólar atingiu R$ 3,53 e a Bolsa cai nesta quinta-feira (6) após pesquisa Datafolha mostrar que a rejeição à presidente Dilma Rousseff (PT) superou as piores taxas registradas por Fernando Collor (1990-92) no cargo às vésperas de sofrer um processo de impeachment. Às 10h53, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, tinha alta de 0,69%, para R$ 3,518. No mesmo horário, o dólar comercial, usado em transações no comércio Exterior, tinha valorização de 0,80%, também para R$ 3,518. É a sexta sessão seguida de alta da moeda americana. Às 10h53, o Ibovespa, principal índice do mercado acionário local, tinha queda de 0,72%, para 49.924 pontos. Além da crise política, a queda dos preços de minério de ferro e do petróleo afetam o índice nesta sessão. O levantamento Datafolha pode representar o aumento das pressões políticas da oposição sobre a presidente Dilma, avalia Eduardo Velho, economista-chefe da Invx Global Partners. A rejeição à presidente subiu para 71%, ante 65% em pesquisa realizada na terceira semana de junho. O grupo dos que consideram a atuação da petista ótima ou boa variou para baixo, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em junho, 10% dos consultados pelo Datafolha mantinham essa opinião. Agora, são 8%. "Quanto maior o desgaste de popularidade do governo, maiores as pressões por um impeachment. O Congresso sente o maior isolamento político do governo e o descontentamento dos partidos com a presidente. Isso eleva a probabilidade de assumirem uma posição contrária aos ajustes defendidos pelo governo", afirma Velho. Na madrugada desta quinta-feira, o governo sofreu nova derrota na Câmara. Com apoio até do PT, o plenário aprovou o texto principal do primeiro item da "pauta-bomba" que ameaça o ajuste fiscal e que eleva o salário de parte da cúpula do funcionalismo público. "É a ratificação de um cenário político negativo para os projetos fiscais do governo, o que aumenta a chance de que o superavit primário não seja alcançado neste ano", diz Velho. As sucessivas derrotas no Congresso podem cobrar um preço caro para o governo, caso o ministro Joaquim Levy (Fazenda) peça demissão, ressalta o economista-chefe da Invx. "Ele seria como o diretor financeiro de uma empresa que está de mãos atadas. Quanto mais o cenário fiscal se deteriora, maior a probabilidade de que ele peça demissão. Aí sim ocorreria um choque cambial". O cenário político aumenta a percepção de risco do mercado e contribui para a baixa da Bolsa, pressionada pela queda das ações de bancos, Petrobras e Vale. Às 10h49, os papéis preferenciais da mineradora Vale tinham queda de 0,45%, para R$ 15,32. No horário, as ações ordinárias caíam 0,26%, para R$ 18,96. A desvalorização ocorre em linha com a queda dos preços do minério de ferro no exterior. A commodity caiu 0,67%, para US$ 56,40. A queda dos preços do petróleo no Exterior pressiona em baixa os papéis da Petrobras nesta quinta-feira. Às 10h51, as ações mais negociadas da empresa tinham perda de 0,89%, para R$ 9,92, enquanto as ações com direito a voto registravam baixa de 0,63%, para R$ 10,92. Ações de bancos também pesam nesta sessão. Às 10h52, os papéis do Itaú Unibanco caíam 0,51%, para R$ 29, enquanto as ações do Banco do Brasil cediam 1,84%, para R$ 21,30. Os papéis preferenciais do Bradesco se desvalorizavam 0,15%, para R$ 25,91, e os ordinários perdiam 0,47%, para R$ 27,11.

PESQUISA DATAFOLHA APONTA UMA REJEIÇÃO RECORDE DE DILMA, SUPERIOR A DE COLLOR EM 1992, QUE CHEGA A 71% DOS BRASILEIROS QUE NÃO A QUEREM NA PRESIDÊNCIA

Com 71% de reprovação, a presidente Dilma Rousseff (PT) superou as piores taxas registradas por Fernando Collor (1990-92) no cargo às vésperas de sofrer um processo de impeachment, mostra pesquisa Datafolha feita entre terça e esta quarta-feira (5). No levantamento anterior, realizado na terceira semana de junho, 65% dos entrevistados viam o governo Dilma como ruim ou péssimo. O grupo dos que consideram a atuação da petista ótima ou boa variou para baixo, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em junho, 10% dos consultados pelo Datafolha mantinham essa opinião. Agora, são 8%. O cenário piorou para a presidente Dilma também no que diz respeito a um eventual pedido de impeachment. Questionados se o Congresso deveria abrir um procedimento formal de afastamento, 66% dos entrevistados disseram que sim. No levantamento anterior, realizado em abril, eram 63%. Também aumentou a quantidade de pessoas que acham que ela será retirada do cargo, independentemente de suas opiniões sobre um eventual processo de impeachment. Em abril, 29% diziam que a presidente seria afastada do Planalto. Agora, 38% disseram achar que Dilma sofrerá um impeachment. Os números registrados pelo Datafolha na pesquisa desta semana são os piores desde que o instituto iniciou a série de pesquisas em âmbito nacional, em 1990, no governo Fernando Collor. O atual senador pelo PTB-AL, investigado na Lava Jato, era até agora o recordista de impopularidade na série do Datafolha, com 9% de aprovação e 68% de reprovação na véspera de seu impeachment, em setembro de 1992. Dilma, dessa forma, passa a ser a presidente com a pior taxa de popularidade entre todos os eleitos diretamente desde a redemocratização. Ou melhor dizendo, ela é a imbatível campeã da impopularidade. As pesquisas Datafolha do período do governo José Sarney (1985-1990) eram feitas em dez capitais. Incomparáveis, portanto, com as seguintes. Nesse universo, Sarney registrou 68% de reprovação em seu pior momento, em meio à superinflação. A reprovação à presidente Dilma Rousseff é homogênea em relação às regiões do País, com índices em patamares semelhantes em todas elas. Nos locais em que seu partido, o PT, costuma ter mais reprovação, a presidente registrou taxas levemente piores. A maior taxa de reprovação foi registrada na região Centro-Oeste, 77%. No Sudeste e no Sul, 73% dos entrevistados disseram que o governo é ruim ou péssimo. Mesmo no Nordeste, região do País onde o PT costuma ter melhor desempenho eleitoral, a aprovação de Dilma é baixa. Apenas 10% dos consultados pelo Datafolha afirmaram que o governo é ótimo ou bom. Outros 66% entendem que a administração é ruim ou péssima. As taxas apuradas pelo Datafolha em relação à questão do impeachment também são consistentes independentemente da região do País. No Centro-Oeste, 74% acreditam que o Congresso deveria fazer tramitar um pedido de afastamento. Sul e Sudeste registram 65%. No Nordeste, o percentual é maior, porém dentro da margem de erro, com 67%. Também não há diferença relevante em relação a idade ou o sexo dos entrevistados. Os resultados tanto entre homens como entre mulheres repetem o percentual de reprovação geral, de 71%. Dilma tem reprovação levemente inferior entre pessoas com mais de 60 anos (68%). Os resultados das outras faixas etárias variam pouco, sempre dentro da margem de erro. O Datafolha entrevistou 3.358 pessoas com 16 anos ou mais em 201 municípios nas cinco regiões do País. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. 

Egito inaugura o novo canal de Suez

Banners espalhados pelo aeroporto do Cairo, carimbo especial para o visto de entrada e outdoors estrategicamente postos no caminho até o centro da cidade anunciam a quem chega que o Egito entrega nesta quinta-feira (6) seu "presente para o mundo". É assim que a expansão do canal de Suez, que permitirá dobrar até 2023 o fluxo diário de embarcações, tem sido vendida ao público externo pelo presidente Abdel Fattah al-Sisi, alvo de críticas por seu governo autoritário. Para o público interno, a promessa é que o Novo Canal de Suez, como vem sendo chamado, significará o "renascimento do Egito", país que enfrenta instabilidade política desde 2011, após a queda do regime do ditador Hosni Mubarak, e insegurança – além de desemprego de 13% e inflação acima de 11%. A seu favor, Al-Sisi tem o fato de ter concluído uma obra dessa magnitude em um terço do tempo inicialmente estimado – foi feita em apenas um dos três anos previstos – e de os US$ 8,5 bilhões gastos no projeto terem sido arrecadados com a venda de certificados de investimento em apenas oito dias em 2014. A obra permitirá, segundo estimativas do governo, um aumento na arrecadação de US$ 5,3 bilhões para US$ 13,2 bilhões até 2023. Para Angus Blair, presidente do Instituto Signet, no Cairo, o discurso de afirmação e de forte carga patriótica pode melhorar a imagem de Al-Sisi dentro e fora do país. "É um projeto nacional, construído em tempo muito curto, do qual os egípcios estão muito orgulhosos e que está fazendo com que os investidores olhem o Egito de forma mais séria – e isso é difícil de colocar em números", afirmou Blair. No poder desde que liderou a deposição do islamita Mohammed Mursi, em julho de 2013, o ex-chefe do Exército Al-Sisi declarou a Irmandade Muçulmana grupo terrorista, marginalizando seus seguidores, e endureceu a resposta a opositores. Para a cerimônia de inauguração, nesta quinta-feira, em Ismailia, na margem ocidental do canal, Al-Sisi conseguiu garantir as presenças do presidente francês, François Hollande, e do premiê russo, Dmitri Medvedev. Participarão ainda o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e o premiê grego, Alexis Tsipras. A expansão do canal de Suez envolveu a construção de uma nova "faixa", de 35 km, paralela ao canal já existente, e a dragagem de um trecho de 37 km para torná-lo mais profundo e largo, permitindo a travessia de navios maiores. Segundo o governo, foram retirados 260 milhões de metros cúbicos de areia. Com isso, em mais da metade (115,5 km) dos 193 km do trajeto poderá ocorrer a passagem simultânea de embarcações nos dois sentidos. A estimativa é que, até 2023, o número de embarcações que cruzam o canal por dia passe de 49 para 97. 

RAZÕES QUE LEVARIAM JOSÉ DIRCEU A UMA DELAÇÃO PREMIADA NA OPERAÇÃO LAVA JATO

1) ele não é mais um herói das esquerdas, o "guerreiro do povo brasileiro", como foi saudado quando se apresentou para cumprir pena no Mensalão do PT; agora ele é um réles bandido reincidente, que roubou em benefício próprio, para enriquecimento pessoal e dos seus parentes, e que foi recebido com foguetaço e gritos de "ladrão" e "vagabundo" na porta da Polícia Federal, em Curitiba;

2) o partido, o PT, que ele fundou para sustentar seu projeto pessoal, o abandonou solenemente; ele não tem mais apoio de ninguém, a não ser da figura pouco recomendável do ator Zé de Abreu e de cronista ultra decadente gaúcho;

3) o sócio e irmão de José Dirceu foi levado preso junto com ele para a carceragem da Polícia Federal em Curitiba; em sua casa, em Ribeirão Preto, foi encontrada uma grande quantidade de documentação que está sendo examinada a toda velocidade, porque sua prisão, por enquanto, é provisória, mas tende a se transformar em preventiva; a situação dele é delicada, porque já há provas contundentes reunidas sobre sua atuação na empresa JD Consultoria; 

4) foi detectado o envolvimento da filha Camila, de José Dirceu, na obtenção de vantagens obtidas com recursos do Petrolão do PT, como a compra de um apartamento pago por lobistas a mando de empreiteiros propineiros:

5) José Dirceu já está velho, chegando aos 70 anos, é bandido reincidente, correndo o risco de pegar uma longa pena de prisão fechada, devendo perder os benefícios da prisão aberta, cumprida em casa;

6) José Dirceu tem mulher nova, da qual ficará longe;

7) José Dirceu tem uma filhinha pequena, de seis anos, que não verá mais todos os dias,e a qual não verá crescer;

8) o filho de José Dirceu, o deputado federal Zeca Dirceu, está tendo sua eleição investigada, por ter sido financiado com recursos do Petrolão;

9) o seu empregado Bob Marques, seu permanente carregador de malas, está preso e muito possivelmente venha a fazer uma delação premiada. 

Resumindo: o mundo de José Dirceu, outrora o "guerreiro do povo brasileiro", ruiu. Ele está no chão. Acabou sua carreira. Acabou sua vida. Para não terminar os dias dentro da masmorra, só tem a saída da delação premiada.

ALTA CÚPULA DA ODEBRECHT JÁ DISCUTE A DELAÇÃO PREMIADA DE SEU PRESIDENTE MARCELO, ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS


Desanimados com a evolução da Operação Lava Jato, integrantes da cúpula da empreiteira Odebrecht começaram a discutir, reservadamente, cenários envolvendo um acordo de delação premiada de seu presidente, Marcelo Odebrecht, com a Justiça. Um interlocutor da empreiteira próximo a Emílio Odebrecht, pai de Marcelo, relatou em conversas reservadas que uma das preocupações do grupo que cogita a colaboração é que, diante do volume de delações premiadas –22 até agora– na Lava Jato, o executivo preso que falar por último terá pouco a colaborar com os investigadores. Isso dificultará um acordo e, consequentemente, um alívio na eventual punição (pena de prisão) de Marcelo Odebrecht. O temor cresceu após membros da empresa dizerem ter informações de que o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, está negociando efetivamente uma colaboração em troca de benefícios judiciais. Nesta quarta-feira (5), a Justiça Federal do Paraná já condenou Léo Pinheiro a 16 anos de reclusão, em primeiro grau. O laço se fecha. A avaliação de pessoas próximas a Marcelo é que, se Léo Pinheiro falar, o dono da Odebrecht ficará mais isolado. Os empresários Ricardo Pessoa, dono da UTC, o ex-presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, e o ex-vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Leite, já colaboraram com as investigações sobre desvios na Petrobras em busca de abrandamento da pena. Nas palavras de um amigo de Marcelo, ''se ele tiver que falar, melhor que fale logo''. Não há confirmação se a idéia de membros da cúpula da Odebrecht já foi discutida com Marcelo. O recurso da delação, no entanto, enfrenta oposição dos advogados atuais do executivo. A defensora do empresário, Dora Cavalcanti, rechaça a colaboração. A possibilidade de delação do executivo já chegou à Polícia Federal em Curitiba. Desde que foi decretada a segunda prisão preventiva de Marcelo, no último dia 24, investigadores começaram a receber informações de que ele poderia fazer um acordo. Assim como as demais empresas envolvidas na Lava Jato, representantes da Odebrecht procuraram a CGU (Controladoria-Geral da União) para colher informações sobre como funciona o acordo de leniência. 

Falas de Mercadante e Temer revelam: Dilma já não governa; vice se apresenta. Ou – Presidente, faça um bem ao país: renuncie!

Parece que a ficha caiu para quase todo mundo, mas não para o PT, como costuma acontecer. Nesta quarta, com prazo de algumas horas, tanto o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, como o vice-presidente, Michel Temer, fizeram apelos verdadeiramente dramáticos em favor da, sei lá como chamar… Talvez a palavra seja “governabilidade”.

Começo pela fala do vice, mais grávida, acho eu, de significados. Depois de um dia de muitas conversas ao pé do ouvido, Temer emprestou a seu discurso uma temperatura e uma gravidade inéditas em sua retórica. Leiam:
“Na pauta dos valores políticos temos, muitas vezes, a ideia do partido político como valor, do governo como valor e do Brasil como um valor mas nessa pauta de valores, o mais importante é o valor Brasil, o valor País e estamos pleiteando exata e precisamente que todos se dediquem a resolver os problemas do País. Não vamos ignorar que a situação é razoavelmente grave, não tenho dúvidas de que é grave porque há uma crise política se ensaiando, uma crise econômica que está precisando ser ajustada, mas, para tanto, é preciso contar com o Congresso Nacional, com os vários setores da nacionalidade brasileira.”

E seguiu adiante:
“É preciso que alguém tenha a capacidade de reunificar, reunir a todos e fazer este apelo, e eu estou tomando esta liberdade de fazer este pedido porque, caso contrário, podemos entrar numa crise desagradável para o País. Eu sei que os brasileiros não contam com isso, os brasileiros querem que o Brasil continue na trilha do desenvolvimento e, por isso que, mais uma vez, eu reitero que é preciso pensar no País acima dos partidos, acima do governo, e acima de toda e qualquer instituição. Se o País for bem, o povo irá bem. É o apelo que eu faço aos brasileiros e as instituições no Congresso Nacional.”

Retomo
Eis o ponto. Temer sabe muito bem que inexiste, na política, salvo nos momentos de guerra e de verdadeira comoção nacional — e, felizmente, não chegamos a eles —, esse pensar isso e aquilo acima de partidos, convicções, diferenças etc. Isso é pura retórica. É preciso, aí sim, que exista liderança política. Eis o problema? Cadê?

Notem que Temer diz: “É preciso que alguém tenha a capacidade de reunificar, reunir a todos e fazer este apelo”. E, em seguida, ele se oferece para esse papel: “E eu estou tomando esta liberdade”. Vale dizer: está tentando fazer o que Dilma não consegue mais: governar. É evidente que o país não vive, diga-se em boa hora, uma anomia, mas governabilidade, com vistas ao futuro, também não há.

O dia em que, ao fim, o vice se oferece para a governança foi aberto com Aloizio Mercadante, numa audiência pública na Câmara, admitindo, na prática, a falta de controle do governo sobre a crise. O homem, vejam vocês, fez até um inédito mea-culpa: “Vivemos um momento politizado, com erros que cometemos, e se comete quando se governa”.

Embora tenha admitido que é tarefa da base aprovar o ajuste fiscal, falou em “resposta compartilhada”, referindo-se à oposição, em questões que digam respeito ao futuro.

É claro que tanto a fala de Mercadante como a de Temer embutem um diagnóstico sobre a situação política e, quem sabe?, psicológica de Dilma. A presidente já não governa.

Não obstante…
Pois é… Não obstante a dramaticidade dos discursos, Dilma aparecerá amanhã no horário político do PT, com panelaço certo, servindo de “esquenta” para o protesto do dia 16, e o partido da presidente saiu por aí a convocar protestos contra Eduardo Cunha e o que chama “avanço da direita”, que, ainda que fosse verdadeiro, teria o direito de avançar, desde que segundo a lei e a ordem.

É por isso que tenho escrito e dito que Dilma faria um bem imenso ao País se renunciasse. Hoje, a sua incapacidade gerencial agrava os problemas decorrentes do desmoronamento do modelo de governo petista e de desconstituição do partido. Temer tem razão! É preciso alguém que “reúna” o País. Todos sabem que esse alguém não é Dilma. Por Reinaldo Azevedo