quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Lava-Jato tem de contratar assessoria técnica para não correr o risco de premiar bandidos que merecem punição extra por mentir à Justiça

Pois é… O TCU anuncia uma coisa preocupante. Escandalosamente preocupante. Capaz de reordenar, a ser verdade e a de tomar como medida das coisas, o que se sabe do petrolão até aqui. A ser como diz o TCU, as próprias delações premiadas teriam de sofrer, vamos dizer assim, ao menos uma correção de valores. A que me refiro? O tribunal detectou um sobrepreço de 114% em obras nas unidades de coqueamento retardado da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, tocadas pela Camargo Corrêa. Este nome esquisito, leitor — “coqueamento retardado” —, indica uma das etapas de tratamento de resíduos do refino de petróleo. Se vocês quiser saber mais a respeito, clique aqui. No lote de preços analisados, o que deveria ter custado, segundo o tribunal, R$ 785 milhões acabou saindo por R$ 1,4 bilhão. O contrato total e seus 16 aditivos custaram R$ 3,6 bilhões. Abreu e Lima, como todos sabem, é uma evidência do desastre de administração, de planejamento, de ética, de vergonha na cara — e o que mais quiserem — que marcou a gestão petista. A obra, orçada inicialmente em US$ 2,5 bilhões, já custou mais de US$ 20 bilhões. Se o TCU estiver certo, a gente pode entender por quê. A fala do ministro Benjamin Zymler é eloquente e vai ao ponto: “Na Lava-Jato, é dito e repetido que as propinas corresponderam a 1%, 2%, 3% dos contratos. Estamos falando de 114%. Os números são muito maiores que esses absurdos números que nos causam perplexidade. Muito provavelmente, vão superar a casa de dezenas milhões de reais”. Sim, com alguma frequência, estamos tomando as palavras e as cifras reveladas por criminosos, tornados delatores premiados, como se fossem a última expressão da verdade. Só que pode não ser bem assim, não é mesmo? Vejam o conjunto da Abreu e Lima como exemplo. Se o TCU não cometeu nenhum erro grosseiro de conta, calculem a quanto chegou a roubalheira. Pois é… Um dos chefões no processo de construção de Abreu e Lima foi o delator premiadíssimo Paulo Roberto Costa. A informação original dos tais 1%, 2% ou 3% de sobrepreço, que depois virariam propina, é dele. Será isso mesmo? Embora ocupasse, tudo indica, na estrutura criminosa um papel muito mais importante do que Pedro Barusco — mero gerente — há uma gigantesca desproporção entre o que cada um desses dois bandidos premiados vai devolver aos cofres públicos: Costa, apenas R$ 70 milhões; Barusco, US$ 97 milhões. Vocês atentaram, não é?, para a diferença das moedas. Parece-me que a Operação Lava-Jato deveria contratar assessoria técnica para refazer algumas contas. Ou vai acabar premiando bandidos que merecem punição extra por mentir à Justiça em busca de benefícios. Por Reinaldo Azevedo

O retorno do pixuleco

Abaixo, uma das guias de depósito judicial do saldo de quase R$ 1 milhão encontrado na conta pessoal do Marcelo Odebrecht. É fruto da ordem de bloqueio de até R$ 20 milhões decretada por Sérgio Moro.

Miriam Belchior e o afago a André Esteves

André Esteves, do BTG, foi um dos raros selecionados recentemente para participar do processo de compra de uma gorda carteira de créditos inadimplentes da Caixa Econômica Federal. O Antagonista explica: a Caixa, em vez de cobrar as dívidas de seus clientes, prefere que elas acumulem até formarem um grande bolo. Depois, repassa o direito de cobrança disso a terceiros. A carteira negociada foi de módicos R$ 2,7 bilhões. Ninguém sabe quanto o BTG, por meio de sua empresa Recovery, pagou pelo bolo. Corre no mercado que o valor ficou abaixo de 3% do total da carteira. O mercado de recuperação de crédito no Brasil movimenta bilhões. Existem muitas empresas especializadas, algumas de bancos tradicionais, que não tiveram o privilégio de receber a carta-convite da Caixa para participar do negócio. Miriam Belchior, responsável pelo afago a Esteves, pode ter de explicar em breve tal operação aos órgãos de controle. (O Antagonista)

Marcelo no chão de fábrica

A Polícia Federal recebeu informações de que Marcelo Odebrecht tinha dedicação especial ao contrato de compra de nafta pela Braskem. Marcelo Odebrecht falava diretamente com o diretor de matéria-prima, que cuida do contrato, embora existam um vice-presidente e um presidente na hierarquia funcional da empresa. Esse contrato já foi alvo de discussões pois teria gerado prejuízo à Petrobras, sócia da Braskem. A companhia rebateu. O que importa saber é que Marcelo é um cara do povo, que gosta do chão da fábrica. É um pouco Lula, sabe. 

Twitter põe fim ao limite de 140 caracteres em mensagens privadas


A partir desta quarta-feira, os usuários do Twitter não mais terão que se limitar a 140 caracteres na hora de trocar mensagens privadas, as DMs, com outros usuários da rede social. A novidade foi informada pela rede social em seu blog oficial. "Apesar do Twitter ser largamente considerado uma experiência pública, as mensagens diretas permitem que você mantenha conversas sobre memes, notícias, movimentos e eventos que se desenrolam no Twitter. Cada uma das centenas de milhões de tuites enviados pelo Twitter todos os dias é uma oportunidade para o início de uma conversa sobre o que está acontecendo no mundo. Por isso fizemos uma série de mudanças nas mensagens diretas nos últimos meses. A mudança de hoje é um outro grande passo em direção a fazer do lado privado do Twitter mais poderoso e divertido", escreveu Sachin Agarwal, gerente de produtos da rede social. Apesar de anunciada nesta quarta-feira, a novidade será implementada durante as próximas semanas a todos os usuários do serviço, em todas as suas plataformas. No entanto, mensagens diretas enviadas por SMS vão continuar a ser limitadas. A rede social deixou claro que a remoção dos limites de caracteres para as mensagens privadas não significa que os tuites em breve também passarão a abolir os 140 caracteres. "Tuites vão continuar a ter os 140 caracteres que possuem hoje, ricos em comentários e fotos, vídeos, links, Vines, gifs e emojis", garantiu o post. 

ANP informa que 39 empresas se inscreveram para participar do 13º leilão de campos de petróleo


A Agência Nacional do Petróleo (ANP) informou nesta quarta-feira que 39 empresas se inscreveram para participar da 13ª rodada de licitações de áreas para exploração e produção de petróleo no País, que será realizada em outubro. Esse número é maior que o da rodada anterior, realizada em 2013, quando 26 empresas se inscreveram. Agora, segundo a ANP, os pedidos de inscrição serão avaliados e julgados pela Comissão Especial de Licitação entre os dias 14 de agosto e 2 de setembro. A decisão sobre os inscritos será divulgada pela CEL por meio de mensagem eletrônica aos agente interessados. Também será publicada no Diário Oficial da União e no site www.brasil-rounds.gov.br. A 13ª rodada de licitações será realizada no dia 7 de outubro, quando serão oferecidos 266 blocos em 22 setores de 10 bacias sedimentares, em um total de aproximadamente 125 quilômetros quadrados localizados em 10 diferentes Estados brasileiros. A diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, afirmou recentemente que essa rodada terá blocos para atender a pequenas e médias empresas e também às de grande porte, com áreas de novas fronteiras em águas profundas. Diferentemente das rodadas anteriores, a ANP só vai fazer todo o processo de habilitação das empresas que forem vencedores no leilão. Segundo um técnico, a medida visa a não ter todo um trabalho para habilitar empresas que perderem a disputa ou que nem mesmo cheguem a participar do certame.

Câmara vota PEC da reforma política e mantém financiamento privado de campanhas


A Câmara dos Deputados finalizou nesta quarta-feira a votação da PEC da reforma política e confirmou a possibilidade de doações empresariais a partidos políticos. O texto agora vai ao Senado, onde deve ser apreciado em dois turnos. No final de maio, a Câmara aprovou, em primeiro turno, a doação de empresas a partidos políticos nas campanhas eleitorais, que havia sido derrubada na votação da madrugada do dia anterior. O texto permite que as empresas doem apenas para os partidos, com a chamada doação oculta, quando os partidos centralizam o recebimento das doações, repassando-as aos candidatos, sem que se saiba que empresa financia a eleição de qual candidato. Pessoas físicas poderão doar aos partidos e aos candidatos. Na última semana antes do recesso parlamentar, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), suspendeu a sessão que analisaria esse ponto após PT e PPS apresentarem pedido de retirada da parte do texto que permite a doação por parte de empresas. Na volta aos trabalhos legislativos, Eduardo Cunha indeferiu o pedido.

Câmara dos Deputados aprova a tipificação do crime de terrorismo e estabelece pena de até 30 anos

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (12) o projeto de lei que tipifica o crime de terrorismo e determina pena de até 30 anos de reclusão. Após mais de duas horas de discussão, os deputados definiram como terrorismo a prática de atos "por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública". Uma das principais divergências em torno da matéria foi sobre à possibilidade de criminalizar os movimentos sociais e tipificar manifestações como atos de terrorismo. Para solucionar esse impasse, o relator, Artur Oliveira Maia (SD-BA) incluiu um parágrafo no qual destaca que o dispositivo "não se aplica à conduta individual ou coletiva de pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais, sindicais, religiosos, de classe ou categoria profissional". Outra discussão gerou em torno da tipificação do crime, que mencionava "razões de ideologia", termo retirado do texto final. Da forma como está, o projeto prevê pena de 12 a 30 anos de reclusão quando cometidos atentados contra a vida ou integridade física das pessoas, sem excluir sanções correspondentes à ameaça ou violência. Quem "promover, constituir, integrar ou prestar auxílio" está sujeito a pena de cinco a oito anos, além de pagamento de multa. A proposta também pune quem faz apologia ao crime, bem como participa da preparação do delito. Como tramitava em regime de urgência, a proposta trancava a pauta do plenário e impedia a apreciação de outras propostas. Nesta quinta-feira devem ser votadas outras emendas ao projeto.

Publicitário diz que fez repasses a deputado como doação de campanha

Preso desde abril na Operação Lava Jato, o publicitário Ricardo Hoffmann disse nesta quarta-feira (12) que os repasses feitos por ele a empresas ligadas ao ex-deputado André Vargas (PT-PR) funcionaram como uma "doação de campanha". "Eu não lembro se ele (Vargas) disse que tinha dívidas de campanha ou iria concorrer, mas perguntou se tinha condições de a agência ajudar", contou Hoffmann, em audiência na Justiça Federal em Curitiba. Hoffmann era diretor em Brasília da agência Borghi Lowe, que detinha as contas de publicidade da Caixa Econômica Federal e do Ministério da Saúde. Ele é réu em uma ação penal, acusado de ter repassado R$ 1,1 milhão a empresas ligadas ao petista André Vargas entre 2010 e 2014. O publicitário responde a um processo sob acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, assim como o ex-deputado. Segundo Hoffmann, o dinheiro veio do bônus de desempenho dos contratos com a Caixa e o Ministério da Saúde. Eles foram direcionados a André Vargas diante da impossibilidade de a agência fazer doações oficiais de campanha. Hoffmann, porém, não soube dizer por que a agência pagou as vantagens ao ex-deputado. Ele nega que Vargas tenha influenciado a escolha da Borghi Lowe nas licitações –como sustenta o Ministério Público Federal na denúncia. "Não foi uma decisão minha (fazer os repasses). O presidente e o vice-presidente (da Borghi Lowe) é que decidiram", declarou, em referência a José Borghi e Valdir Barbosa, respectivamente. O publicitário, que chegou a chorar em frente ao juiz Sergio Moro, reclamou de sua situação: "É difícil ver o acionista e o empresário soltos, nem acusados foram, e eu aqui. Eles disseram que era uma atribuição minha. Que era Brasília, que eu precisava cuidar de Brasília". O presidente da agência Borghi Lowe (atual Mullen Lowe), José Borghi, nega que tivesse conhecimento das transações feitas pelo ex-diretor. A empresa sustenta que Hoffmann foi desligado de seu cargo "após os primeiros indícios de transações impróprias" e diz estar cooperando com as investigações. Recentemente, a Mullen Lowe tentou fazer um acordo de leniência com o Ministério Público Federal, em que reconheceria as infrações contra o poder público, apontaria os culpados e pagaria uma multa. Em troca, poderia continuar a celebrar contratos com órgãos públicos. A negociação, porém, não foi adiante. Preso há quatro meses, Hoffmann também tentou fazer um acordo de delação premiada com a Procuradoria, mas as tratativas naufragaram após três encontros, quando o Ministério Público Federal informou não ter interesse nas informações do publicitário. Na audiência desta quarta-feira, também foram interrogados os réus André Vargas e seu irmão Leon Vargas. Ambos, porém, permaneceram em silêncio.

Tribunal de Justiça paulista nega recurso da prefeitura petista e mantém foie gras liberado na capital

O foie gras continua tendo venda e produção permitidas na capital paulista. Nesta quarta-feira (12), desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado se manifestaram contrariamente ao recurso que a prefeitura apresentou para tentar manter a lei. No dia 14 de julho, uma liminar foi concedida pelo Tribunal de Justiça, a pedido da ANR (Associação Nacional de Restaurantes), suspendendo o texto. A prefeitura havia aprovado a proibição ao foie gras em 26 de junho. Depois da suspensão, entrou com recurso contra a liminar. A Câmara Municipal fez pedido semelhante – os dois foram negados. Segundo o advogado da ANR, Eduardo Yoshikawa, os 25 desembargadores foram contrários aos recursos. "Eles confirmaram fundamentos da liminar, que havia suspenso a lei em 14 de julho", disse. A proibição ao foie gras (fígado gordo de pato ou ganso) continua suspensa, por prazo indeterminado, até o julgamento do mérito da ação – que dirá se a lei é constitucional ou não. O projeto, apresentado pelo vereador Laércio Benko (PHS) em 2013, havia sido aprovado por unanimidade na Câmara no último dia 13 de maio. Juristas haviam se manifestado de forma contrária ao projeto, no qual viam inconstitucionalidade - segundo eles, não caberia à prefeitura legislar sobre o comércio de um tipo específico de produto, mas sim à União. Haddad, entretanto, optou por "tratar do tema dentro do âmbito da legislação ambiental, considerando a manifesta intenção do projeto de proteger aves e animais de sofrimento", segundo comunicado da prefeitura. A produção de foie gras inclui a alimentação forçada de aves, feita com um tubo introduzido na garganta. 

Governo petista de Dilma Rousseff recua e vai mudar decreto, depois de fortes protestos de associações médicas

O ministro da Saúde, o petista Arthur Chioro, disse nesta quarta-feira (12) que o governo vai revisar o decreto que cria um cadastro nacional de especialistas, anunciado na última semana – e que tem gerado polêmica no setor. O texto será analisado por uma comissão formada por membros dos ministérios da Saúde e Educação, deputados da base aliada e representantes das entidades médicas. A medida ocorre após protestos de associações médicas, que ameaçaram recorrer à Justiça contra as medidas anunciadas pelo governo para marcar os dois anos do Mais Médicos. Para as associações, o documento que determina a criação de um cadastro único de especialistas também abre brecha para a formação de médicos especialistas de menor qualidade. O impasse também gerou discussão no Congresso. Em meio ao embate, deputados do DEM apresentaram um projeto de decreto legislativo para sustar a medida assinada pela presidente Dilma Rousseff. O texto, apresentado pelos deputados Henrique Mandetta (DEM-MT) e Mendonça Filho (DEM-PE), alega uma "intervenção injustificada" do governo em competências que hoje cabem a entidades médicas. A decisão de criar uma comissão para rediscutir o tema ocorreu após uma reunião de mais de três horas do ministro da Saúde com líderes da base aliada na Câmara, além de entidades médicas. "Em função do debate político, procuramos e tivemos a oportunidade de colocar que, embora tínhamos plena convicção de que o decreto expressa fielmente o que emana a lei do Mais Médicos, se tivesse qualquer entendimento que pudesse gerar conflito, estamos dispostos a gerar o debate", disse o ministro. "Devemos e podemos aprimorar o texto", afirmou. Para Chioro, foram atribuídas ao decreto intenções "que não existem", referindo-se a uma possível intervenção do governo na regulação de formação de médicos especialistas. Hoje, essa atribuição é do Conselho Federal de Medicina, associações médicas e Comissão Nacional de Residência Médica. "Apenas essas três instituições tinham, têm e continuarão tendo a competência para isso", afirmou o ministro, que também defendeu a criação de um cadastro de especialistas. Hoje, as informações das bases de dados disponíveis têm divergência de até 75%, afirma o Ministério da Saúde.

A petista Dilma Rousseff diz que "cultura de golpe ainda existe"; ela está demonizando as manifestações de domingo

Às vésperas das manifestações previstas para mais de 200 cidades cujo mote é seu afastamento do Palácio do Planalto, a presidente petista Dilma Rousseff disse que "a cultura do golpe ainda existe" no Brasil mas que, hoje, não há "condições materiais" de isso ocorrer. "No passado até a nossa redemocratização, sistematicamente houve tentativas de golpe", avaliou a presidente. "Esse passado não se coaduna com a nossa democracia moderna. (...) Acho que a cultura do golpe existe ainda, mas não acho que tenha condições materiais de isso ocorrer", concluiu. A presidente falou sobre o assunto durante entrevista ao SBT, exibida na noite desta quarta-feira. A petista disse que as manifestações são legítimas, desde que não haja "intolerância". "A intolerância divide o país", afirmou. "Temos de ser capazes de conviver com as diferenças. (...) Não somos uma democracia infantilizada. Manifestações são normais. O que temos que evitar é a intolerância", disse Dilma. A presidente ressalvou, no entanto, que há um "processo de intolerância como não visto no Brasil a não ser nos períodos passados, quando se rompeu a democracia". Dilma disse que não cogita a renúncia e ironizou esse tipo de especulação. "Eu acho fantástico um questionamento desse tipo", disse. A petista afirmou que "jamais" cogitou tal hipótese e que esse tipo de pensamento não pode ser aceito por defensores da democracia. Ela voltou a afirmar que seu mandato foi legitimado pelo voto. "Democracia exige respeito à instituição. Esse respeito à instituição é fundamental não é pra mim, para o meu caso, mas para todos os que vierem depois de mim", afirmou.

Odebrecht, Queiroz Galvão, Camargo Correa, Andrade Gutierrez e Techint desistem de contrato de Angra 3 após 140 dias sem receberem


Não há otimismo que reanime as empresas de engenharia. Algumas já respiram por aparelhos, sem sentir qualquer efeito dos remédios ministrados na CTI. Pelo andar da carruagem, o Brasil ainda terá que assistir a perda de milhares de empregos nos setores correlatos. Principalmente na área do petróleo. A péssima notícia agora vem da resposta que a maioria das empresas contratadas para montar Angra 3 estão dando à inadimplência da Eletronuclear há mais de 140 dias. Unilateralmente, a Odebrecht, a Queiroz Galvão, a Camargo Corrêa, a Andrade Gutierrez (setor de montagem) e a Techint enviaram uma carta documentando a desistência do contrato de montagem industrial da Usina Nuclear Angra 3. A decisão rachou de vez os dois consórcios porque somente a EBE e a UTC decidiram permanecer no contrato. As empresas já enviaram carta com o pedido de cancelamento do contrato para a Eletronuclear no dia 5 deste mês. Se a construção da usina já vinha enfrentando dificuldades, agora azedou de vez. O Brasil precisa da energia que Angra 3 vai gerar. A previsão de seu término já estava com atraso. Seria para 2018. O planejamento era começar a ligar os reatores para testes em agosto daquele ano. Seis meses depois, iniciar a geração comercial. Agora, não há nenhuma previsão. Se a Eletronuclear não chegar a um acordo com estas empresas, restarão apenas a EBE e a UTC. Nenhuma delas quer desistir e, de alguma forma, tentam contemporizar a decisão das outras empresas participantes do consórcio para que haja uma flexibilização um pouco maior. A EBE tem larga experiência na área nuclear. Foi ela quem montou sozinha Angra 1, a primeira usina nuclear brasileira, e liderou o consórcio que montou Angra 2. A UTC também tem experiência em montagem nuclear, já que participou do consórcio que montou Angra 2. Mas não há consenso se essas empresas ficarão responsáveis pelo contrato ou se haverá uma nova licitação. Neste caso, as empresas que desistiram não deverão participar. Como a contratação foi feita dentro da Lei 8.666, uma suspensão unilateral pode acarretar danos consideráveis para as empresas que procederem desta forma. Um dos melhores e mais importantes advogados do Rio de Janeiro, José Eduardo Junqueira Ferraz, do escritório Junqueira Ferraz, dá um parecer bastante favorável às empresas:


“Não tive acesso aos termos contratuais mas, falando em tese, se for comprovada uma inadimplência financeira equivalente a 140 dias, tal fato já seria suficiente para amparar uma rescisão contratual motivada. Isto porque, por mais que os contratos administrativos coloquem sempre a Administração Pública em uma posição de maior preponderância frente aos particulares que com ela venham a contratar, nada justifica e alicerça uma inadimplência como a alegada. Assim, confirmado tal fato, teriam as contratadas suporte jurídico para colocarem fim à relação contratual, sem qualquer ameaça de serem penalizadas por isso". Todas as respostas da Eletronuclear estão concentradas na Eletrobrás, que possui ações na bolsa e está sofrendo muitos desgastes com o andamento da Operação Lava Lato, que atingiu a empresa em cheio. Em resposta ao mercado, a empresa decidiu suspender o contrato de montagem de Angra 3 por 60 dias, até que toda lisura do processo de escolha das empresas tenha sido confirmada. A empresa confia nisso, já que a escolha destas empresas requeria habilidades especialíssimas, com certificações comprovadas, e teve muitas etapas e muitas contestações dirimidas pela Justiça Federal e pelo Tribunal de Contas da União. Seja qual for o posicionamento da Eletronuclear, neste momento emerge uma questão que a ABDAN – Associação Brasileira de Desenvolvimento das Atividades Nucleares – vem capitaneando há algum tempo. A associação defende que as próximas usinas nucleares previstas – 4 até 2030 e mais 8 até 2050 – tenham a iniciativa privada como responsável por pelo menos 51 % do projeto, com a operação das usinas ficando a cargo da Eletronuclear: “Esta é uma solução que estamos defendendo e que hoje o próprio governo federal vê com bons olhos. O projeto, o financiamento e a construção dessas usinas ficariam com a iniciativa privada, tirando este fardo do governo. A operação ficaria com a Eletronuclear, que tem profissionais de alta qualidade em seus quadros". Em maio deste ano, o Ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, já dava a sinalização de que esta seria uma solução viável e que era preciso dar andamento em algumas ações para que isso fosse possível: "“Precisamos trabalhar para impulsionar a indústria de energia nuclear brasileira, com o avanço do programa nacional e a construção de novas usinas. Angra 3 deverá ser a última realizada na forma de obra pública. O modelo de construção de usinas nucleares precisa mudar. Sou a favor da participação majoritária de empresas privadas na construção de novas unidades nucleares brasileiras, tendo em vista o plano de instalar 12 novas até 2050 no País", disse na ocasião. Recentemente, a Caixa Econômica Federal recebeu do Ministério da Fazenda o aval necessário para um financiamento de R$ 3,8 bilhões para a usina nuclear de Angra 3. O empréstimo, que tem como garantias parte das receitas de Angra 1 e Angra 2, foi acertado em julho de 2014 e precisava da autorização do Tesouro Nacional para ser viabilizado. O valor corresponde a cerca de um quarto do custo de toda a obra da usina e será usado para adquirir materiais, equipamentos e pagar serviços no Exterior. Quando estiver pronta, a usina Angra 3 adicionará à matriz elétrica uma capacidade de 1.405 megawatts e diminuirá a dependência da geração hidrelétrica do Brasil. (Petronotícias)

As provas contra o irmão

O Ministério Público Federal destaca que na caixa de e-mail de Luiz Eduardo foram encontrados mais de 20 mil mensagens, algumas delas corroboram o "intenso vínculo" do irmão de Dirceu com o esquema criminoso, inclusive nas atividades de "negociação de bens em favor de Dirceu e de sua ocultação". Um dos e-mails é recente, data 1 de junho de 2015, dois meses antes da Operação Pixuleco. Nele, Luiz Eduardo tratou do negócio envolvendo a compra da sede da JD Assessoria com dinheiro do petrolão. O Ministério Público Federal também destaca o caderno vermelho com indicações de "pagamentos vinculados a obras da Petrobras e empreiteiras cartelizadas". Cita valores recebidos por Luiz Eduardo de contratos simulados com a UTC e Engevix. "Luiz Eduardo não só tinha conhecimento como estava envolvido diretamente na arrecadação e distribuição de valores com indícios de origem ilícita", diz o relatório do Ministério Público Federal que é assinado pelo procurador Deltan Dallagnol.

Júlio Marcelo está feliz

O Antagonista ouviu Júlio Marcelo de Oliveira, procurador de contas junto ao TCU, sobre a decisão do tribunal de enviar as pedaladas eleitoreiras e o sigilo de empréstimos do BNDES para Dilma Rousseff tentar explicar-se. Disse ele: "Fico feliz de finalmente ver reconhecido que a Presidente deve ser chamada a se defender das irregularidades apontadas, em 17 de junho, pelo MP de Contas, que são, a meu ver, as mais graves. Lamento que tenham sido necessários 56 dias para que essa providência fosse tomada, o que sem dúvida alguma atrasa mais um pouco esse processo. Se o MP de Contas tivesse sido atendido desde logo, a defesa já teria sido apresentada e já estaria sendo examinada pela unidade técnica. Tanto o pedido do MP de Contas era devido que contou com o apoio explícito e a intervenção de um deputado federal e de uma comissão inteira do Senado Federal". Nós estamos felizes porque Dilma Rousseff não tem como se defender. Só uma pizza fará o TCU não rejeitar as suas contas.

Delação dispensada

O publicitário Ricardo Hoffmann, preso com André Vargas e seu irmão, tentou em vão um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. Ofereceu a cabeça de Vargas, mas o procurador Carlos Fernando não deu bola. "O que você tem para contribuir não é tão relevante", teria dito o integrante da força-tarefa ao publicitário, que prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro. O Ministério Público Federal já deve ter tudo o que precisa para pedir a condenação do ex-secretário de Comunicação do PT.

Exclusivo: Moro nega preventiva para irmão de Dirceu

O juiz Sergio Moro negou o pedido do Ministério Público Federal para decretar a prisão preventiva de Luiz Eduardo de Oliveira. O irmão de José Dirceu poderá deixar a carceragem de Curitiba nas próximas horas. Também foram liberados Bob Marques, ex-assessor de José Dirceu, e o empresário Pablo Alejandro Kipersmit, da Consist. Para Moro, os acusados foram apenas auxiliares nos crimes cometidos por Dirceu e Milton Pascowitch. Apesar de liberados, eles estão proibidos de deixar o País ou mudar de endereço. Deverão entregar seus passaportes num prazo de cinco dias e não poderão se comunicar com nenhum dos investigados da Lava Jato.

Presidente de CPI promete "revirar caixas-pretas" de fundos de pensão

O deputado Efraim Filho (DEM-PB) assumiu nesta tarde a presidência da CPI dos Fundos de Pensão. Em seu discurso de instalação da CPI, o parlamentar de oposição disse que a comissão vai se aprofundar nas gestões fraudulentas nos fundos e que pretende "revirar as entranhas dessas caixas-pretas". O PT ficou com a primeira vice-presidência, que foi designada a Paulo Teixeira (SP). Na relatoria foi confirmada a indicação de Sérgio Souza (PMDB-PR), ex-suplente da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). "Como relator, nós pretendemos ir a fundo", declarou o peemedebista, afirmando que seu trabalho será "mais técnico do que político". Para segundo-vice presidente foi eleito Samuel Moreira (PSDB-SP) e na terceira vice-presidência ficou Hissa Abrahão (PPS-AM). Diante de uma platéia de participantes de fundos de pensão, como Postalis (dos Correios) e Funcef (Caixa), os membros da comissão falaram em "passar a limpo" os fundos e elogiaram a coragem do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de autorizar o funcionamento desta comissão.  


"Será mais uma caixa-preta a ser aberta que vai escandalizar o País", previu o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS). "Muita coisa nebulosa ocorreu no meio do caminho para ocorrer esse desequilíbrio dos principais fundos", comentou o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG). O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) reclamou que a proporcionalidade na composição das novas CPIs não vem sendo respeitada e propôs que a eleição fosse adiada. Por decisão do comando da Casa, o PT - que tem a segunda maior bancada - ficou de fora dos postos-chave nas comissões investigativas recém-instaladas. "Indago da possibilidade de não concretizarmos esta eleição para que possamos discutir esse tema de natureza regimental para se restabelecer a proporcionalidade na ocupação das cabeças das CPIs", apelou Teixeira. O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que presidiu a reunião de instalação, indeferiu o pedido e argumentou que se tratava de uma questão de natureza política e não de proporcionalidade das bancadas. Teixeira avisou que entrará com recurso contra a decisão.

Ministros do STF elevam salários para R$ 39 mil e dão reajuste a servidores; quem disse que há crise e falta de dinheiro neste País?

Os ministros do Supremo Tribunal Federal aprovaram nesta quarta-feira (12) aumento de 16,38% em seus próprios salários, elevando os vencimentos para R$ 39,2 mil a partir de janeiro de 2016. Em uma reunião administrativa, os ministros também aprovaram reajuste de 41,47% para os servidores do Judiciário. Não foi divulgada o número de parcelas do aumento, mas as conversas com a equipe econômica indicavam o pagamento em quatro anos. Agora, os projetos com os valores serão enviados ao Congresso, que é responsável pela elaboração Orçamento de 2016. O Supremo ainda não informou o impacto das propostas. Um eventual aumento poderá produzir um efeito cascata no Judiciário, uma vez que o salário dos ministros do Supremo é o teto do funcionalismo público, servido de base para os subsídios de ministros de outros tribunais superiores, juízes e desembargadores, de membros de tribunais de contas, além de corte para vencimentos de servidores. O reajuste no vencimento básico dos servidores é de 12% e as gratificações passaram de 90% para 140% do salário. O Judiciário da União conta com 140 mil servidores. A proposta é uma alternativa costurada entre o Supremo e o Planejamento após o veto da presidente Dilma Rousseff ao projeto aprovado pelo Senado que fixava um reajuste de 56,4% a 78,6%, com impacto de R$ 25,7 bilhões para os próximos quatro anos. O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, minimizou o efeito cascata do reajuste do salário dos ministros e destacou com os números levam em consideração o cenário de crise econômica. Segundo ele, os índices representam 70% da proposta original discutida com o governo. "Não há efeito automático", afirmou. O ministro Gilmar Mendes defendeu mudanças na lei do teto do funcionalismo, afirmando que há algazarra para garantir vinculações. "Estão usando o teto do Supremo como referência para ser superado, como pretexto apenas", disse. Esse aumento do Supremo causa, sim, um gigantesco efeito cascata no Brasil, sobre os poderes Legislativo e Executivo, nos Estados e nos municípios. Promove um gigantesco estouro de metas fiscais. 

GM demite 500 operários em fábrica de São José dos Campos


Cerca de 500 funcionários da fábrica da montadora General Motors em São José dos Campos foram demitidos desde sábado (8), segundo estimativa do Sindmetalsjc (Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região), que é controlado pelo Psol. O sindicato afirma que mais trabalhadores receberam telegramas de demissão nesta quarta-feira (12). Na terça-feira (11), a GM disse que todos os comunicados foram emitidos no sábado de manhã. "Mas nem todos foram entregues pelos Correios no sábado. E a entrega prosseguiu durante a semana", explicou. Em assembléia realizada nesta quarta-feira, os trabalhadores decidiram manter a greve, iniciada na segunda-feira, por tempo indeterminado. O sindicato marcou uma manifestação para sexta-feira (14) de manhã, em frente à montadora. "Nós pedimos para os trabalhadores não assinarem as demissões. Inclusive nós queimamos simbolicamente os telegramas na segunda. O sindicato não aceita essas demissões", disse o secretário-geral, Renato de Almeida. O sindicato propõe uma redução da jornada de trabalho para 36 horas, sem impacto no salário; uma licença remunerada, ou um novo lay-off, com compromisso de estabilidade. "O número de cortes já chega a quase 10% da planta e pode aumentar ainda mais, o que é inaceitável diante de todos os incentivos fiscais recebidos pela montadora", afirmou, em nota, o presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros. No início da paralisação, a GM disse lamentar a decisão de convocar a greve e reafirmou "sua disposição para o diálogo construtivo no sentido de encontrar alternativas para manter a unidade competitiva em um contexto de grande transformação no mercado brasileiro". "A companhia tem feito todos os esforços para evitar o corte de empregados, incluindo férias coletivas, lay-off e programas de desligamento voluntário. No entanto, essas medidas não foram suficientes diante da expressiva redução da demanda no mercado brasileiro, que registra queda em torno de 30% desde janeiro do ano passado", disse a montadora em comunicado. Os cortes em São José dos Campos acontecem um mês depois de a montadora ter demitido cerca de 500 trabalhadores na fábrica de São Caetano do Sul. A GM de São José dos Campos produz os modelos S10 e Trailblazer, além de motores, transmissão e kits para exportação.

Ex-presidente americano Jimmy Carter que tem câncer em metástase

Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos, anunciou nesta quarta-feira (12) que está com um câncer descoberto após uma cirurgia no fígado. Segundo um comunicado, o câncer se espalhou por outras partes do organismo. O tratamento vai alterar a agenda de Carter, de 90 anos. "Uma nota mais completa será divulgada quando mais fatos tiverem sido descobertos, possivelmente na próxima semana", diz o comunicado. Jimmy Carter foi o 39º presidente dos Estados Unidos, entre 1977 e 81. Após deixar a Casa Branca, perdendo a disputa pela reeleição para Ronald Reagan, o democrata fundou o Centro Carter, em Atlanta, no qual ele tem permanecido ativo. Em maio, ele retornou antes do planejado de uma viagem à Guiana por "não estar se sentindo bem".

FAMURS denuncia que o ajuste fiscal da petista Dilma custou corte de R$ 11 bilhões na Saúde

A Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), informou esta manhã que em nome do ajuste fiscal da União, foram retirados R$ 11 bilhões do orçamento do Ministério da Saúde. Entre os programas mais afetados estão as UPAs, o Samu, o PIM, a Farmácia Básica e o pagamento de salários para médicos, enfermeiros, dentistas e técnicos do programa Equipe de Saúde da Família (ESF).

Banrisul apresenta um balanço medíocre do primeiro semestre deste ano


O lucro líquido do Banrisul despencou 5,7% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, com o que o valor apurado foi de apenas R$ 339,9 milhões, informou o banco na manhã desta quarta-feira. O desempenho veio na contramão do registrado pelas principais instituições financeiras do País, que apresentaram resultados muito superiores, como foram os casos de bancos como Itaú e Bradesco. São números desastrosos na comparação com os grandes bancos. Mesmo com baixa na comparação com 2014, no entanto, o Banrisul pôde comemorar alguns números positivos. A carteira de crédito, por exemplo, registrou aumento de 10,8%, para R$ 31,1 bilhões no período. Destes, R$ 21,4 bilhões são referentes à carteira comercial, que teve alta de 8,3%. Entre os créditos direcionados, o destaque positivo ficou com o segmento imobiliário, que somou R$ 3,6 bilhões, alta de 22,3% em relação ao primeiro semestre de 2014.

Operação Lava Jato mira contas secretas de novo operador do PMDB

A força-tarefa da Operação Lava Jato rastreia dados de uma offshore controlada pelo lobista João Augusto Rezende Henriques, que teria sido usada para abrir contas que movimentaram US$ 10,8 milhões em propinas do PMDB. O valor seria por contrato de 2008 assinado por uma multinacional, com a Diretoria Internacional da Petrobrás, para fornecimento do navio-sonda Titanium Explorer, usado para exploração de petróleo em alto mar. “O pagamento de vantagem indevida destinada ao partido PMDB ocorreu por intermédio do lobista João Augusto Rezende Henriques”, informa o Ministério Público Federal na denúncia criminal que levou ao banco dos réus, nesta segunda-feira, 10, o ex-diretor de Internacional da Petrobrás, Jorge Zelada, o novo operador do PMDB, João Augusto, o ex-gerente da estatal, Eduardo Musa, e os lobistas Hamylton Padilha e Raul Schmidt Felippe Junior.


Os seis são acusados por corrupção e lavagem de dinheiro pela cobrança e promessa de US$ 31 milhões em propinas, entre 2008 e 2009, na contratação do navio-sonda Titanium Explorer. Desse montante, o valor total da propina foi de US$ 20,8 milhões. Hamylton Padilha, o lobista que atuou em nome da norte-americana Vantage Drilling e do Grupo Taiwan Maritime Transportation Co (TMT) nos negócios com Zelada, confessou ter pago propinas no esquema. Parte para os agentes públicos Zelada e Musa, parte para outros dois lobistas que falavam em nome do PMDB e de seus indicados: João Augusto e Raul Schmidt. “(O) contrato foi celebrado, também em 2008, no Rio de Janeiro com o valor de USD 15,5 milhões, entre a sociedade Valencia Drilling Corporation, sediada nas Ilhas Marshall, e que é subsidiária do Grupo Taiwan Maritime Transportation Co., com sede em Taiwan e presidida pelo acusado Nobu Su., e uma off-shore, ainda não identificada, que era controlada por João Augusto Rezende Henriques”, informa a força-tarefa da Lava Jato. Nobu Su era o representante do Grupo TMT, proprietário do navio-sonda que foi alugado pela Vantage para posterior afretamento à Petrobrás. Sua mãe é uma das principais acionistas da Vantage Drilling. Um outro contrato de comissionamento por agenciamento, que para Lava Jato era forma de ocultar propina de Zelada e Musa, foi assinado pela Valencia, usada pelo Grupo TMT, com uma offshore controlada por Padilha, a Oresta Associated S/A.


“Caberia a João Augusto Rezende Henriques realizar o pagamento da vantagem indevida em favor do PMDB, enquanto Hamylton Padilha se encarregaria de pagar a parte da propina destinada a Eduardo Musa e Raul Schmidt Felippe Junior. Este, por sua vez, transferiria a parte da propina devida a Jorge Luiz Zelada". Para a Lava Jato, o contrato que envolveu propina para Zelada e o PMDB foi uma continuidade do esquema montado em dois outros contratos do tipo feitos pelo antecessor da Diretoria Internacional, Nestor Cerveró (2005-2008). Nesses primeiros contratos, que envolveram pagamento de US$ 40 milhões em propina pela Samsung Heavey Industries, por intermédio do lobista Julio Gerin Camargo – delator da Lava Jato – quem desempenhou o papel de João Augusto foi o primeiro operador do PMDB alvo da Lava Jato, Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano. Teria sido ele o responsável pela entrega de pelo menos US$ 5 milhões para o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O parlamentar nega ter recebido recursos ilícitos. Mesmo caminho. Ex-funcionário da Petrobrás, João Augusto é ligado ao PMDB de Minas Gerais, assim como Zelada. O novo operador de propinas do partido é um dos alvos centrais da apurações que buscam aprofundar a colheita de provas da corrupção na Diretoria de Internacional da Petrobrás. Hamylton Padilha, que passou a atuar pela empresa Vantage no final de 2008, diz que foi Raul Schimidt Felippe Junior que o procurou e ”explicou que para o fechamento do negócio também seria necessário o pagamento de vantagem indevida a empregados públicos da área Internacional”. Padilha aceitou devolver R$ 70 milhões, que seriam oriundos de propina. ”Na conversa, Raul Schmidt Felippe Junior informou a Hamylton Padilha que nesta negociação o interlocutor direto sobre o tema de propina seria João Augusto Rezende Henriques, ex-funcionário da Petrobrás e conhecido como um lobista ligado ao PMDB, partido que dava sustentação política para Zelada permanecer no cargo”, sustenta a força-tarefa do Ministério Público Federal. Os investigadores acreditam que o caminho do dinheiro que chegou aos cofres do PMDB via João Augusto é o mesmo que serviu para pagar Zelada e Musa, com apenas alterações no seu trajeto final. Para Zelada, a Lava Jato já identificou a conta em nome da offshore Tudor Advisory Inc, aberta no Lombard Odier Darier Hentch & Cie, em Genebra, Suíça. Por ela, Zelada recebia propina paga por Padilha. A offshore tem sede no Panamá.


Esses pagamentos saíram da conta controlada pelo delator em nome da offshore Oresta Associated S/A, no Banco UBS, em Zurique. Por meio dela e de outras contas que caíram no radar da força-tarefa, a Lava Jato tenta mais elementos sobre a propina de US$ 10,8 milhões destinada ao PMDB. O delator disse que não participou da assinatura do contrato de Brokerage e Comission Agreement entre Nobu Su, do Grupo TMT e João Augusto Henriques. Mas disse que posteriormente o chinês confirmou ter assinado o termo e pago os valores.
Ao aceitar a denúncia criminal do Ministério Público Federal, o juiz federal Sérgio Moro apontou que apesar de envolver propina ao PMDB, no caso não há identificação de políticos com direito a foro especial. “Há ainda, segundo afirma o Ministério Publico Federal, possível direcionamento de parte da propina ao PMDB. Entretanto, não há na denúncia identificação de qualquer autoridade com foro privilegiado que teria recebido tal propina, nem há rastreamento documental do dinheiro da parte que foi supostamente intermediada por João Augusto Rezende Henriques ao referido partido político. Não havendo acusação contra autoridade com foro privilegiado, nem prova mais concreta do efetivo pagamento de valores a autoridade com foro privilegiado, não há falar em competência do Supremo Tribunal Federal”, afirmou Moro.

Vítimas da Bancoop preparam nova ação

Grupos de vítimas da Bancoop vão entregar na sexta-feira ao Ministério Público de São Paulo uma representação com 40 pontos a serem investigados. A ação se deve às primeiras denúncias envolvendo o triplex de Lula no Guarujá construído pela OAS e ganhou fôlego hoje, após denúncia do Globo repercutida mais cedo pelo Antagonista. Só para lembrar, a cooperativa transferiu 11 empreendimentos para construtoras sendo 8 deles para a OAS. Ainda assim, a Bancoop continua com R$ 80 milhões em dívidas e está prestes a fechar suas portas definitivamente.
Dentre os pontos a serem investigados:
- A decisão do Bradesco de fechar as 37 contas da Bancoop;
- O leilão da sede da Bancoop;
- A dívida milionária;
- O possível privilégio da família Lula no Solaris, em prejuízo de outras vítimas, após a entrada da OAS no empreendimento;
- A eleição de Vaccari, em 2009, na Bancoop, depois anulada judicialmente;
- O possível desmembramento irregular de terreno para favorecer a OAS;
- A venda pela empreiteira de unidades de vítimas da Bancoop para terceiros;
- A, cobrança de vítimas da Bancoop que tinham contratos quitados;
- A presença de dirigentes da Bancoop no comando da gráfica Atitude, envolvida na Lava Jato.
Bancoop e Lava-Jato, tudo a ver.

Venezuela anula passaporte de ex-mulher de Chávez

Em uma série de mensagens publicadas no domingo no Twitter, Marisabel Rodríguez - segunda mulher do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez - reclamou de funcionários do atual governo chavista depois de ter seu passaporte anulado, no que qualificou como uma medida para impedir que ela levasse a filha que teve com Chávez e é menor de idade para fora do País. "Insólito. Como viajei com minha filha - Rosinés Chávez, a caçula do ex-presidente - e não pedi permissão aos seguranças dela, anularam meu passaporte para que eu não possa mais viajar e, consequentemente, ela - que é menor - também não", acusou Marisabel. 


A ex-mulher de Chávez chegou a pedir pela própria rede social ajuda ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro para lidar com a situação. "Sr. Presidente @NicolasMaduro, você sabe que isso vai contra o meu direito (e da minha filha, que é menor de idade) de sair do país", escreveu em uma das mensagens. Em outro momento, ainda buscando uma resposta de Maduro, a ex-locutora de rádio afirmou que seu documento de viagem teria sido anulado no sistema em razão de uma denúncia de extravio. "Ao reclamar da situação, me informaram que meu passaporte foi denunciado como roubado", escreveu a ex-primeira-dama. "#Dúvida Por acaso a solicitação de anulação de um passaporte por roubo não deve ser feita pessoalmente? Ou qualquer um pode fazer uma ligação e anular um passaporte? #revanche #vingança". Depois de trocar uma série de acusações com o representante no Twitter do Serviço Administrativo de Identificação, Imigração e Estrangeiros (Saime), Marisabel escreveu um último tuíte sobre o assunto, esclarecendo que conseguiu autorização para viajar. "Esclareço #PorqueNaoTemNadaMaisRevolucionarioQueAVerdade Pude viajar, mas fui notificada da anulação do meu passaporte solicitada estranhamente por roubo", escreveu. Na segunda-feira, 10, depois de a imprensa local e internacional noticiarem o caso, Marisabel voltou a usar o microblog para criticar a forma como o assunto foi tratado. "@abc_es

Fiat dá férias coletivas a funcionários de Betim pela quarta vez no ano

A Fiat Automóveis anunciou nesta quarta-feira, pela quarta vez no ano, a concessão de férias coletivas para funcionários da fábrica de Betim, na Grande Belo Horizonte. O recesso, de 20 dias, será para 3 mil dos cerca de 19 mil trabalhadores da unidade. O objetivo, conforme a montadora, é o de adequar a produção à demanda do mercado. As férias terão início do próximo dia 24. Nas férias coletivas anteriores, anunciadas em 1 de julho, aproximadamente 12 mil funcionários foram mantidos em casa por 10 dias. Os recessos anteriores foram em março e maio, para 2 mil trabalhadores. Sempre com a justificativa de adequação da produção à demanda. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), nos primeiros seis meses de 2015 as vendas do setor no País caíram 18,5%, na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado envolve automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Ao todo foram montados 1.276.638 unidades, contra 1.566.049 entre janeiro e julho de 2014.

Conta de luz encarece 1,8% com favorecimento a indústrias do Nordeste

A decisão do governo federal de manter energia mais competitiva para atender grandes indústrias instaladas na região do Nordeste torna mais cara a energia paga pelos demais consumidores. É o que aponta um estudo elaborado pela Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel). De acordo com a entidade, o impacto provocado pela medida equivale a um aumento médio de 1,8% nas tarifas. A situação teve origem na medida provisória (MP) 677, publicada em junho. O texto estendeu até 2037 a vigência de contratos especiais entre a Chesf, empresa do grupo Eletrobras, e indústrias eletrointesivas do Nordeste. O custo da energia paga pelas indústrias foi reajustado de imediato em 22,5%, porém o valor de aproximadamente R$ 130/MWh válido a partir de julho permaneceu inferior aos preços a serem pagos pelos consumidores, caso tivessem que recorrer ao mercado de curto prazo. O acordo prevê a destinação de quase 600 MW de capacidade de energia para atender um grupo de grandes empresas formado por Vale, Gerdau, Braskem, entre outras. Para essas indústrias, o acesso a uma energia mais competitiva era condição essencial à continuidade das operações na região.


Para os demais consumidores, entretanto, a medida representa a "retirada" do mercado de um volume importante de energia, o qual deveria ser negociado a preços reduzidos. "Quando o governo elaborou a MP 579, em 2012, ele determinou o regime de cotas nas usinas amortizadas. Seria um benefício ao consumidor, que foi quem pagou o investimento", relembra o presidente da Abraceel, Reginaldo Medeiros. A MP 579, polêmico texto que determinou novas regras para o processo de renovação de concessões no setor elétrico, previa que, após o fim das concessões das usinas amortizadas, a remuneração dos geradores deveria estar adequada ao custo de manutenção e operação do ativo, este lastreado por cotas, a um preço de aproximadamente R$ 35/MWh. Ou seja, o modelo previa que a energia de usinas antigas, caso dos ativos da Chesf, fosse colocada à disposição ao mercado com preços menores. Mas, quase três anos após a divulgação da MP 579, o governo federal decidiu manter o modelo especial de fornecimento que unia a Chesf e as grandes indústrias do Nordeste. Decisão esta que, segundo a Abraceel, representou um acréscimo permanente de 1,8% na conta de luz de todos os consumidores brasileiros, uma vez que as distribuidoras precisarão comprar volume equivalente de energia no mercado, em vez de ter acesso a uma energia mais barata. Além de criticar a falta de isonomia em relação à distribuição das cotas de energia, o presidente da Abraceel alerta que a medida ainda pode criar um movimento de insatisfação entre os consumidores. "Se o governo tivesse dado cotas para todo mundo, lá atrás, o efeito seria o mesmo para os consumidores do Nordeste. Agora, criou-se uma nova fonte de pressão. Afinal, por que o consumidor de São Paulo ou de Minas Gerais não pode ter o mesmo tratamento?", salienta Medeiros. O próprio ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, estimulou a discussão ao afirmar que o modelo adotado no Nordeste poderia ser utilizado para atender outras empresas e regiões do País. "Não estamos falando em repetir a modelagem identicamente, temos que analisar caso a caso", afirmou Braga no dia da publicação da MP 677. "Estamos abertos para sentar e conversar com diversos setores", complementou. Para abrir novas exceções, contudo, o governo terá que analisar alternativas que garantam acesso a energia mais barata a um grupo específico de consumidores, medida que poderia afetar os demais consumidores novamente. No caso da situação entre a Chesf e as indústrias do Nordeste, essa energia mais barata já existia, e o que foi estudado foi uma expansão do prazo de vigência do acordo especial. Além disso, as indústrias atendidas pela Chesf tiveram que ceder a um reajuste imediato de 22,5% e um acordo de longo prazo corrigido pela inflação. A MP 677 ainda prevê a criação do Fundo de Energia do Nordeste (FEN), de onde virão recursos para novos investimentos da Chesf em projetos de geração de energia, preferencialmente no Nordeste do País. O governo prevê que o fundo captará no mínimo R$ 2,5 bilhões, montante oriundo do valor mais elevado pago pela energia da Chesf após a publicação da MP. Em um primeiro momento, essa diferença está estimada em R$ 90/MWh, dos quais 30% serão endereçados ao fundo até 2022. Entre 2022 e 2030, a participação sobe para 88% dessa diferença e, entre 2030 e 2037, a totalidade do valor a maior será aportada no FEN.

Advogados dizem que Bob, carregador de mala de José Dirceu, ‘não é um marginal’


Preso em regime temporário desde 3 de agosto na Operação Pixuleco, 17º capítulo da Lava Jato, Roberto Bob Marques – carregador de malas do ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula) – pede ao juiz federal Sérgio Moro liberdade e o desbloqueio da sua conta-salário de funcionário efetivo da Assembléia Legislativa de São Paulo. Ele afirma que ‘não tem milhões de reais na conta’ e nem investimentos no Exterior.  Em petição subscrita por seus advogados, Bob afirma que não existe qualquer possibilidade de embaraçar investigações. Nesta quarta-feira, o juiz Moro deve decidir o futuro de Bob, se o ex-carregador de malas de José Dirceu ganha a liberdade ou se fica preso em regime preventivo – por tempo indeterminado. “Com residência fixa, é primário e funcionário público da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo desde 1986, não apresentando periculosidade”, sustentam os advogados de Bob. “Não tem milhões de reais na sua conta salário e tampouco investimentos no Exterior. Os bens declarados à Receita Federal são compatíveis com sua renda de servidor público há quase trinta anos”, informam os advogados Maurício Vasques de Campos Araujo, Rogério Seguins Martins Júnior, Lucas Andreucci da Veiga e Caio Patricio de Almeida. “Seria paradoxal a afirmativa de ser Roberto Marques um risco à ordem pública em razão dessas circunstâncias paralelas”, anota a defesa: “Além disso, tem o investigado contra si a Polícia Federal e o Ministério Público, que compõem uma força-tarefa destinada a esclarecer o objeto da investigação". Eles pedem ao juiz Moro revogação da prorrogação da temporária e a não transformação em decreto de prisão preventiva, caso o primeiro pedido não seja atendido. Se a preventiva de Bob for ordenada pelo juiz da Lava Jato, a defesa pede, então, aplicação das medidas fixadas no artigo 319 do Código de Processo Penal – cautelares diversas da prisão, como comparecimento periódico em juízo, proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado permanecer distante desses locais para evitar o risco de novas infrações, proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado dela permanecer distante, proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou instrução, recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga. Os defensores destacam que a "a alegação no sentido de o averiguado poder influir nas investigações é tragicômica". Eles afirmam que Bob "já tem a vida destruída, com ou sem razão, particularidade ainda a ser apurada". Os advogados são taxativos: “Não há a mínima possibilidade de destruição ou ocultação de qualquer prova. Roberto Marques não fugirá. Vive com a família, cuida da mãe e perdeu o pai recentemente, após dois anos de luta diuturna". Eles destacam o fato de Bob ter pedido ajuda ao ex-ministro José Dirceu. O próprio Bob revelou ter recenbido valores mensais da JD Assessoria e Consultoria, empresa do ex-ministro que está sob investigação. A defesa anexou aos autos da Pixuleco a última declaração de renda de Bob, “constatando-se, ali, que a mãe de Roberto Marques é sua dependente". “Não é, definitivamente, um marginal. Não tem bens ou quantias no Exterior. Não reside em imóvel incompatível com sua renda. Com certeza, não enriqueceu ilicitamente. Perceba-se que no caso vertente Roberto Marques é, ainda, investigado. Inexistindo risco de ameaça a testemunhas ou de destruição de provas, seria incoerente a manutenção de sua prisão".

Governador petista do Ceará diz que outros Estados não podem ser prejudicados pelo calote do Rio Grande do Sul

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), defendeu nesta quarta-feira, 12, que outros Estados não sejam prejudicados pelo calote anunciado ontem pelo Rio Grande do Sul, com o não pagamento da dívida com a União. Ele foi ao ministério da Fazenda se reunir com o ministro Joaquim Levy e o secretário do Tesouro, Marcelo Saintive, para pedir a liberação de US$ 500 milhões em empréstimos ao Estado. "Os Estados não podem se prejudicar porque um determinado Estado não fez o seu dever de casa ou cumpriu o seu dever fiscal", afirmou: "Não estamos pedindo que o ministério libere verba, estamos pedindo que libere os empréstimos". Segundo o petista Camilo Santana, o montante reivindicado para as operações financeiras já está autorizado e tem o objetivo de atender obras em andamento, como estradas, creches e o sistema de saúde. O que ele se esquece é que o responsável pela explosão fiscal do Rio Grande do Sul é o peremptório petista "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso Genro, seu colega de partido. O governador ressaltou que o Ceará tem capacidade de endividamento e vive boa situação fiscal, apesar do cenário econômico. "É importante, neste momento de retração, que os Estados possam continuar investindo, gerando empregos", disse. Ele lembrou que a liberação das operações não onera os cofres do Tesouro, já que são empréstimos, devendo, portanto, ser pagos posteriormente. Ontem, o governo federal determinou o bloqueio das contas do Rio Grande do Sul pelo não pagamento da parcela de julho da dívida do Estado com a União. A medida foi tomada no dia em que o governador José Ivo Sartori confirmou que atrasaria as obrigações da dívida para fazer o pagamento integral de salários atrasados dos servidores públicos estaduais referente ao mês de julho. O Executivo gaúcho pode ficar sem o controle da conta estadual até que seja pago o montante devido, no valor de R$ 280 milhões. Santana ressaltou que a liberação do empréstimo não é condicionante para o Ceará apoiar a reforma do ICMS, mas sim a garantia de que seja criado um fundo para compensar Estados do Nordeste: "(Precisa ser um) fundo com dinheiro, não fundo sem dinheiro. O Ceará não concordará (com a reforma) se não houver um compensação em relação a isso".

Lula se reúne com Temer e cúpula do PMDB em Brasília


O ex-presidente Lula reuniu-se na manhã desta quarta-feira com o vice-presidente Michel Temer e os principais caciques do PMDB em um café da manhã no Palácio do Jaburu, residência oficial de Temer. Estiveram presentes no encontro, que começou às 9 horas, além de Temer e Lula, o presidente do Senado, Renan Calheiros, os senadores Jader Barbalho (PA), Romero Jucá (RR) e Eunício Oliveira (CE), todos do PMDB, o ex-presidente José Sarney, e os ministros Eduardo Braga (Minas e Energia) e Henrique Eduardo Alves (Turismo), que foram indicados pelo partido. Luiz Dulci, diretor do Instituto Lula, também participa do café. Essa é a primeira reunião de Lula com os líderes do partido desde que foi apresentada por Renan uma agenda de propostas legislativas para enfrentar a crise política e econômica que atravessa o governo da presidente Dilma Rousseff. Lula está em Brasília desde ontem, quando participou da "Marcha das Margaridas", um convescote do PT patrocinado por dinheiro público. Ele segue na cidade hoje, onde manterá diversas reuniões com demais aliados do governo. e almoçou com a presidente petista Dilma Rousseff.

Executivo da Camargo Corrêa negocia delação premiada envolvendo políticos


O executivo Luiz Carlos Martins. da Camargo Corrêa.  negocia um acordo de delação premiada na Procuradoria-Geral da República. O cardápio da negociação está cheio de nomes de políticos com foro no STF que, segundo Martins, envolveram-se em negociatas no setor elétrico. Por Lauro Jardim

Dinheiro liga Youssef à obra no prédio de Lula no Guarujá


Utilizada pelo doleiro Alberto Youssef para lavar dinheiro, a empresa GFD repassou 3,7 milhões de reais entre 2009 e 2013 à corretora de valores mobiliários Planner - que repassou praticamente a mesma quantia (3,2 milhões de reais) à construtora OAS em 2010, durante a finalização das obras do Edifício Solaris, no Guarujá, litoral paulista, onde o ex-presidente Lula possui um tríplex. O Ministério Público Federal suspeita que parte dos valores repassados por Youssef tenha sido usada para concluir a obra, iniciada pela Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), que realizou diversas operações financeiras com a Planner. Os repasses da GFD para a Planner constam nos primeiros documentos analisados pela Polícia Federal depois da quebra de sigilo fiscal das empresas de Youssef, um dos principais delatores do Petrolão do PT. Já os acordos financeiros entre a Planner e a OAS aparecem em documentos do processo que investiga irregularidades na Bancoop, que tramita na 5ª Vara Criminal de São Paulo. Enquanto recebia dinheiro de Youssef, a Planner fazia pagamentos à OAS por meio de outra empresa do grupo, a Planner Trustee. O dinheiro foi repassado pouco depois da empreiteira ter assumido as obras do prédio. Responsável por apurar fraudes na Bancoop, o Ministério Público de São Paulo decidiu reabrir as investigações sobre a relação entre a OAS e a cooperativa - e vai repassar as informações à força-tarefa da Operação Lava Jato. A Bancoop quebrou em 2006, deixando 32 obras inacabadas e mais de 3.500 famílias na rua da amargura. A construção do edifício de Lula só terminou porque a empreiteira OAS foi contratada por João Vaccari Neto, presidente da Bancoop até 2010 e ex-tesoureiro do PT, para concluir o projeto, que estava parado assim como a maior parte das obras financiadas pela cooperativa. Para que o empreendimento fosse concluído, cada morador teve que pagar um adicional de 120.000 reais. A obra foi um dos favores do empreiteiro Leo Pinheiro a Lula. Sem uma mãozinha da OAS, poderia dar cadeia o golpe da Bancoop, um ensaio geral para a roubança generalizada que marcaria mais tarde as gestões petistas. Vaccari, aliás, está preso atualmente em Curitiba por envolvimento no escândalo do Petrolão do PT. À beira da praia e com vista para o mar, o prédio tem três tipos de apartamentos - as coberturas tríplex, alguns duplex de 162 metros quadrados e outros de um pavimento, com cerca de 100 metros quadrados. O de Lula, que ficou pronto neste ano, pertence à primeira categoria. Fica no 16º andar, tem elevador privativo e 297 metros quadrados. Além de Vaccari, também constam da lista de cooperados do Solaris a mulher de Freud Godoy, o ex-assessor de Lula que ficou famoso no caso dos aloprados, em que militantes petistas foram presos tentando comprar um dossiê com informações falsas contra o tucano José Serra. A quebra da cooperativa se deu, segundo o Ministério Público, com um rombo de pelo menos 100 milhões de reais porque seus dirigentes desviaram dinheiro pago pelos mutuários para "fins escusos". A OAS disse que a Planner foi usada para a emissão de debêntures (títulos da empresa). Calos Arnaldo Borges de Souza, sócio da corretora de imóveis, disse que o dinheiro recebido da GFD corresponde à compra e vende de ações e que os 3,2 milhões de reais repassados para a OAS foram resultado da compra de debêntures emitidas pela construtora, que deu o imóvel em hipoteca. O advogado de Vaccari, Luiz Flávio Borges D'Urso, não quis se manifestar e disse não conhecer a operação. Já o Instituto Lula negou que o ex-presidente tenha um apartamento no Edifício Solaris e explicou que a família dele é dona de uma cota do empreendimento, adquirida pela ex-primeira-dama Mariza Letícia em 2005 e quitada cinco anos depois. Em janeiro deste ano, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detectou movimentação suspeita no valor de 18 milhões de reais entre a Bancoop, a Planner e o Sindicato dos Bancários de São Paulo na época em que a cooperativa de crédito habitacional era presidida por Vaccari. O alerta indicou que a movimentação pode ter se tratado de lavagem de dinheiro.

Risco em Angra 3

O Antagonista foi informado de que o almirante Othon Pinheiro não atualizou o projeto de segurança nuclear de Angra 3. Os atuais protocolos são os mesmos da década de 70, que não incorporam os ensinamentos do acidente nuclear de Three Mile Island de 1979. A revisão do projeto implicaria um atraso na obra de dois a três anos. Mas Othon e sua turma tinham pressa para embolsar seus pixulecos. O mais intrigante é que a licença de construção foi liberada pela CNEN. O caso foi denunciado por fiscais em 2009. Uma nova licitação foi feita, mas o projeto arcaico permaneceu intacto. O risco é de vivermos um repeteco do que ocorreu em Chernobyl e Fukushima. Othon e sua turma só querem saber de pixuleco. O resto que se exploda.

Não soltem o irmão de Dirceu

A prisão temporária do irmão de José Dirceu esgota-se hoje. Os procuradores da Lava Jato têm de pedir ao juiz Sergio Moro uma conversão para prisão preventiva. Ele não pode ser solto antes de esclarecer aquelas duas notas em seu caderno vermelho: "Parede 450 Quinta" e, sobretudo, "Depósito avião (Lula)".

Não existe pecado abaixo do Equador

Lauro Jardim conta que a Polícia Federal, em seu relatório sobre as contas da JD Consultoria, pediu a abertura do sigilo bancário da Filmes do Equador, de Luiz Carlos Barreto, o Barretão, que embolsou 238 mil reais de José Dirceu. "O pedido, contudo, ainda precisa ser aprovado pelo delegado responsável pela investigação, Marcio Anselmo". Aprove, delegado.

Olimpíadas do cocô, parte 3

O Rio de Janeiro está despejando bactérias nas águas da Marina da Glória “para reduzir o índice de coliformes fecais e microorganismos prejudiciais aos seres humanos”. Uma engenheira química entrevistada pela Folha de S. Paulo explicou: "Estão fazendo o tratamento de esgoto na Marina da Glória". O aspecto mais espantoso da notícia é que o comitê organizador da Olimpíada só descobriu que a baía da Guanabara é um esgoto a céu aberto depois que a Associated Press mandou analisar suas águas e revelou que elas representam um sério risco para a saúde dos atletas. Disse uma técnica contratada pelo evento: “Verificamos os dados e vimos que a água ainda não atende aos padrões. Para não corrermos nenhum risco no evento-teste, estamos fazendo a biorremediação".

Emenda Qualicorp

A propósito de Renan Calheiros e de microorganismos prejudiciais à saúde, leia o que diz Bernardo Mello Franco, na Folha de S. Paulo: "O pacote lançado pelo senador Renan Calheiros não deve tirar a economia do atoleiro, mas tem tudo para aumentar os lucros de alguns empresários. Um dos setores mais animados é o dos planos de saúde, cujo lobby se espalha como vírus nos gabinetes de Brasília. A proposta prevê a 'proibição de liminares judiciais que determinam o tratamento com procedimentos experimentais onerosos ou não homologados pelo SUS'. A ideia ganhou um apelido sugestivo no Congresso: 'Emenda Qualicorp'". 


Prejudicial à saúde

Quem pagou o apartamento de Lula?

A Lava Jato suspeita que a obra no prédio de Lula tenha sido financiada com dinheiro roubado da Petrobras e repassado por Alberto Youssef. O Globo: “Um grupo empresarial que recebeu 3,7 milhões minhões do doleiro Alberto Youssef repassou quase a mesma quantia para a OAS durante a finalização das obras de um prédio no Guarujá onde o ex-presidente Lula tem apartamento. Entre 2009 e 2013, a empresa de Youssef fez vários pagamentos para a Planner, uma corretora de valores mobiliários. Em 2010, a Planner pagou à OAS 3,2 milhões de reais”.


De Youssef para a OAS, da OAS para Lula

O triplex

Mais um trecho da reportagem de O Globo sobre o apartamento de Lula: "A suspeita do Ministério Público Federal é que parte do dinheiro de Youssef repassado à Planner possa ter sido usado para concluir a obra iniciada pela Bancoop, que foi presidida por João Vaccari Neto. O repasse da GFD para a Planner aparece entre os primeiros documentos analisados pela Polícia Federal depois da quebra de sigilo fiscal das empresas de Youssef. Já a negociação financeira entre a OAS e a Planner consta do processo que investiga irregularidades na Bancoop que tramita na 5ª Vara Criminal de São Paulo, segundo documentos obtidos pelo GLOBO em cartório de registro de imóveis do Guarujá. O Edifício Solaris é emblemático. Lula é dono de um tríplex avaliado entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,8 milhão. Vaccari é dono de um apartamento avaliado em R$ 750 mil no mesmo prédio. Além dos dois, também é dona de imóvel no edifício Simone Godoy, mulher de Freud Godoy, que foi segurança de Lula".

Agenda secreta

Lauro Jardim: "Às vésperas do julgamento das pedaladas fiscais de Dilma, Michel Temer teve ontem uma agenda secreta: foi às 15h ao apartamento de Vital do Rêgo, ministro do TCU. Não se sabe articulando o quê exatamente".

O esquema do esquema

O Globo publicou um esquema sobre o esquema que permitiu a obra do triplex do Lula. Veja aqui: 

Solaris

O dinheiro repassado à OAS para a conclusão das obras do apartamento de Lula tem como protagonista Carlos Alberto Pereira da Costa. Condenado pela Lava Jato como mero testa-de-ferro de Alberto Youssef na GDF, ele sempre foi muito mais do que isso. Ele tinha autonomia para realizar pagamentos e fechar negócios em nome de Alberto Youssef e José Janene. O Antagonista obteve documentos que revelam seu papel na compra de automóveis por meio de empresas de fachada para a locadora JN, que pertencia ao grupo do ex-deputado do PP e se beneficiava de contratos superfaturados com os Correios e a Eletrobras, segundo testemunhas da Lava Jato. Se os procuradores quiserem descobrir quem pagou pelas obras do apartamento de Lula, portanto, já sabem a quem perguntar.


O homem que repassou o dinheiro do triplex

O país vai acabar

O TCU "vai fazer novos questionamentos ao governo sobre os gastos de 2014". A decisão do ministro Augusto Nardes, segundo a Folha de S. Paulo, vai "abrir um prazo de defesa maior para a presidente", provavelmente de 30 dias. O País vai acabar.

A culpa é da predecessora

Lula disse: "Não julguem a Dilma por seis meses de mandato, porque ele é de quatro anos". Será que Lula ainda consegue enganar alguém?


A cada 4 anos o brasileiro esquece o que aconteceu nos últimos 4 anos

Como não?

Rodrigo Janot pode, sim, livrar Eduardo Cunha, viu? Basta Dilma Rousseff mandar. Renan Calheiros também sabia que o procurador-geral estava contra ele a mando do Planalto e está quase conseguindo livrar-se. A Lava Jato é só politicagem, viu?

A Frente nada ampla "Fica Dilma" - Presidente janta com 5 ministros do STF, Janot e presidentes de outros tribunais e da OAB

Estou preocupado com a silhueta de Dilma Rousseff. Vai voltar a engordar já, já. No dia 3, ela ofereceu um churrasco a presidentes e lideranças dos partidos aliados no Palácio da Alvorada. Na segunda, recebeu 43 senadores da base e 21 ministros. Nesta terça, foi a vez de juntar num convescote, atenção!, cinco titulares do Supremo — Ricardo Lewandowski (presidente), Dias Toffoli (que preside o TSE), Rosa Weber, Luís Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin —, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot (olhem ele aí…); os presidentes dos demais tribunais superiores; o vice presidente Michel Temer; os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União) e o presidente da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho. O pretexto do convescote? Comemorar o Dia do Advogado e a criação dos primeiros cursos jurídicos no país. Alguém acreditou nisso? Nem os gramados de Brasília. Essa gente brinca com fogo. Aliás, a iniciativa não escapou à observação ferina do ministro Marco Aurélio, um dos seis ausentes do Supremo. Indagado se achava submissão ministro do STF em eventos assim, ele respondeu: “(Submissão) é a leitura que o leigo faz. Nós não ficamos submissos por aceitarmos o convite da presidente da República, mas aquele a quem devemos contas, que são os cidadãos, veem de outra forma, veem como se fosse algo em termos de cooptação. E isso não é bom, principalmente nesta época de crise”. Em quatro dias, Dilma se encontrou com Janot duas vezes: no sábado, na conversa que mantiveram, ela anunciou que iria indicá-lo para mais dois anos à frente do Ministério Público — o que depende agora do Senado do neoestadista Renan Calheiros. A petista fez a indicação oficial nesta terça, quando tiverem novo teretetê. Acabam ficando íntimos. Ainda será o início de uma bela amizade, como o policial Louis e Rick, em Casablanca. No jantar, ora vejam, Dilma falou sobre a importância de manter a harmonia entre os Poderes. Não citou Montesquieu, mas tenho a certeza de que a tentação lhe ficou na ponta da língua. Na sua vez de discursar, Ricardo Lewandowski, o presidente do Supremo, falou sobre a necessidade de se investir na estabilidade e de se ter compromisso com a legitimidade do mandato. Dilma fez um aceno com a cabeça, deixando claro que endossava a palavra do notável magistrado. A presidente teve inúmeras outras oportunidades de fazer uma reunião assim. E nada! Agora, decide juntar à mesa o presidente de um tribunal que pode cassar a sua eleição; o presidente de outro, que pode cassar o seu mandato; o procurador-geral, que pode, se quiser, denunciá-la — sei que ele não fará isso, é claro! Nunca apostei que faria, como vocês sabem… E, para coroar estes tempos viciosos, lá estava o presidente da OAB… Que coisa, né? Em 1992, o então presidente da Ordem, Marcello Lavenère, fez história assinando, em companhia de Barbosa Lima Sobrinho, a denúncia que resultou no afastamento de Collor. Em 2015, o presidente da Ordem se dedica a rapapés. Convenham: as lambanças do governo Collor, em confronto com o que se tem aí, são coisas de amadores prepotentes. Mas vocês sabem… Naqueles dias, os esquerdistas não davam muita bola para esse papo de, como é mesmo, Lewandowski?, “legitimidade do voto”. Foram descobrir isso bem mais tarde. Essa gente não sabe que há hoje um Brasil que não dá a menor bola para os convescotes de Brasília. Ao contrário: esse tipo de arranjo só ajuda a botar ainda mais gente na rua. Por Reinaldo Azevedo

Atenção, eis um sonho de impunidade que junta Renan Calheiros, Rodrigo Janot e três ministros do TCU; que fique no onírico e não vire tramóia"

Brasília é uma terra de sonhos e pesadelos, vocês sabem. Em algum lugar, há gente sonhando, assim, deixem-me ver como posso falar…, com o triângulo perfeito da impunidade. A feitiçaria consistiria no seguinte, prestem atenção — sempre destacando que sonhos podem não acontecer, né? Especialmente quando são revelados… Não dá sorte! No caso, a pessoa que sonhou com a patranha já andou contando por aí, e só por isso eu estou tornando a coisa pública aqui. Ó, pessoal, nem vou ouvir os “outros lados”, tá? Não existe “outro lado” para exercícios de imaginação alheia, certo? Então vamos ver. Renan Calheiros (PMDB-AL), nesta terça, discursando no Senado, depois de ter apresentando a sua pauta de 28 propostas e ter assegurado à presidente Dilma que a Casa se comportará como âncora da estabilidade, era de uma segurança verdadeiramente encantadora. A gente consegue reconhecer quando um político atua de modo firme, olhando para o horizonte, com uma perspectiva de longo prazo. E não é que eu olhei para ele e achei que se parecia mesmo com a personagem daquele tal sonho? Sim, naquela prefiguração, prestem atenção!, Rodrigo Janot, o procurador-geral da República, não apresentará denúncia contra Renan ao Supremo. Isto mesmo: o homem que passou a atuar furiosamente contra o governo quando entrou na lista de investigados do procurador-geral da República — com simples inquérito — ficaria livre dos esguichos da Lava-Jato. No sonho que se sonha em Brasília, dois petistas de médio porte também ganhariam um “nada se provou que mereça denúncia”: os senadores petistas Humberto Costa (PE), líder do governo na Casa, e Gleisi Hoffmann (PR). Renan virou a grande aposta de governabilidade da presidente, como vocês sabem. O Planalto dá como certo que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não renunciará à Presidência da Câmara mesmo depois de denunciado por Janot. Este, por sua vez, poderia recorrer ao Supremo com uma medida cautelar pedindo o afastamento do outro, mas tem a certeza de que perderia. Assim, na Câmara, a tensão continua. Renan precisa de um reforço compatível com aquele ar de estadista, conselheiro e senhor do bom senso que exibiu nesta terça. Era um verdadeiro varão de Plutarco dando aula sobre o futuro do Brasil, ainda que a sua tal agenda de governabilidade nada trouxesse de muito novo. Como eu já havia lembrado ontem aqui e como lembrou o próprio Cunha, o país tem um regime bicameral. O Senado pode até impedir isso e aquilo, mas não aprova sozinho isso e aquilo. Calma que a coisa bem vai mais longe! Fortalecer Renan é importante porque aquele sonhador aposta que o senador pode influenciar de forma decisiva três ministros do TCU: Bruno Dantas, Raimundo Carreiro e Vital do Rêgo — potenciais votos contrários a Dilma. Na lista dos favoráveis, o Planalto aposta em Walton Alencar Rodrigues, Benjamin Zymler e José Múcio. Aí já haveria 6 de 9 em favor de Dilma. Lula resolveu colocar na sua cota pessoal de conquista Ana Arraes: 7. Aroldo Cedraz, o presidente, só votaria em caso de empate: 8. Na imaginação dos companheiros, o relator, Augusto Nardes, restará sozinho com a sua recomendação para que se rejeitem as contas. Primeiro sinal: o governo quer adiar a votação do TCU para o fim do ano. O que é preciso para isso? Que o assunto não seja pautado — o que depende de Cedraz — ou que algum ministro peça vista. Um deles já teria se mostrado simpático à idéia. Não custa lembrar: o presidente do tribunal está sob artilharia porque Tiago Cedraz, seu filho, foi acusado pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, de receber R$ 1 milhão para fornecer informações privilegiadas sobre o tribunal. O destinatário de parte do dinheiro seria… Carreiro. Todos negam. Vital também está sob bombardeio, acusado de ter recebido dinheiro desviado da Prefeitura de Campina Grande. Ainda segundo esse sonho meio pornográfico, o mesmo Renan, agora com as vestes de estadista, facilitaria a aprovação do nome de Rodrigo Janot no Senado. O tal sonhador preparou um desfecho bom para todos os amigos e amigos dos amigos. Janot seria reconduzido ao cargo, e a Operação Lava Jato continuaria, à sua moda, implacável. Renan se livraria de uma denúncia. O TCU recomendaria a aprovação das contas da Dilma, e a oposição não teria, então, “o” motivo — não pelas pedaladas ao menos — para apresentar uma denúncia contra a presidente. Na Câmara, Cunha seguiria como um dos inimigos do Planalto. Sabem como são os sonhos. Eles não economizam imaginação. Com o governo se fortalecendo um pouco, as bases de Cunha começariam a avaliar a inconveniência de se ligar a alguém que o governo tem como inimigo declarado e começariam a debandar. Em que a tramoia que sonha com a impunidade seria positiva para o Brasil? Em absolutamente nada! Só beneficiaria aqueles que dela se beneficiassem, se é que me permitem a tautologia. Pronto! Contei o sonho ruim que andam tendo em Brasília. Agora cumpre que os decentes se esforcem para que não vire realidade. Por Reinaldo Azevedo

O discurso velho de Lula para as margaridas chapas-brancas do PT despetalado! E tudo pago com o nosso dinheiro

Um resumo de todos os vícios do petismo e do Brasil se fez presente nesta terça-feira em Brasília, no estádio Mané Garrincha, na abertura da chamada 5ª Marcha das Margaridas — trabalhadoras agrícolas manipuladas por lideranças de esquerda, como o MST. Estima-se que o evento tenha reunido 40 mil pessoas. A principal estrela da noite foi… Luiz Inácio Lula da Silva. O tema central: a defesa do mandato de Dilma. O financiamento? Ficou por conta do BNDES (R$ 400 mil), da Caixa Econômica Federal (R$ 400 mil) e da Itaipu Binacional (R$ 55 mil). Vale dizer: dinheiro público foi usado para financiar um ato partidário e de óbvio interesse do governo. Lula vomitou suas velharias, como de hábito: “É lógico que a Dilma pode errar, como eu errei e como qualquer um erra enquanto mãe. Nem sempre a gente faz as coisas que são aceitas cem por cento pelos filhos. Nós sabemos disso, mas, quando ela errar, ela é nossa mãe, e temos de ajudá-la a consertar”. Nossa mãe? Já disse aqui: Dilma não é minha mãe, não é minha mulher, não é minha tia, não é minha filha, não é minha prima, não é minha sobrinha, não é minha avô. Dilma só é presidente da República, e ninguém está a cobrar dela nada que não tenha prometido. Se Lula acredita que pode reverter a impopularidade de Dilma com tolices dessa natureza, está é ajudando a empurrá-la para o abismo. Quem precisa de mãe é órfão. O brasileiro precisa de governos dignos e capazes. Ah, sim: adivinhem quem Lula decidiu atacar no evento, patrocinado por estatais? Aquele com quem queria se encontrar até a semana retrasada: FHC. Recorreu a uma de suas táticas mais asquerosas, que é jogar brasileiros contra brasileiros. Atribuiu ao tucano a afirmação de que Dilma só ganhou por causa dos votos no Nordeste. Ocorre que FHC jamais disse essa tolice. Trata-se de uma das mentiras habituais de Lula. Outras lideranças que discursaram falaram em defesa do mandato de Dilma: “Não admitimos nenhum golpe neste país”, afirmou a secretária de mulheres da Contag, Alessandra Luna. Nem nós, né? E é precisamente isso que o PT não perdoa. As lideranças que cuidam da manifestação de protesto do dia 16 de agosto nem precisam de muito esforço para colocar milhares, talvez milhões, nas ruas. O PT está fazendo uma propaganda danada do ato. Enquanto Lula cooptava as margaridas chapas-brancas do PT despetalado no estádio Mané Garrincha, Dilma oferecia um rega-bofe a alguns punhos de renda de Brasília, incluindo Rodrigo Janot, o procurador-geral da República. É incrível: um governo que está caindo de podre não tem o menor pudor de financiar com dinheiro público um ato escancaradamente partidário, o que é outra ilegalidade. O PT não tem cura. Por Reinaldo Azevedo