terça-feira, 25 de agosto de 2015

O milhão da Gleisi

A república do Paraná de Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo acabou. Depois das denúncias da Lava Jato, Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef confirmaram à CPI da Petrobras que Gleisi Hoffmann recebeu um pixuleco de 1 milhão de reais para a campanha de 2010, intermediado por seu marido, Paulo Bernardo: "O valor foi repassado integralmente para a campanha da senadora. O Alberto efetuou esse pagamento", contou Costa.

Basta uma pergunta, Janot

Paulo Roberto Costa, na CPI da Petrobras, denunciou diretamente Dilma Rousseff pela compra de Pasadena. Nestor Cerveró está pronto para delatar o esquema de Pasadena. Basta Rodrigo Janot perguntar que ele entrega Dilma Rousseff. E Lula.

O "homem da mala" de Gleisi atacou Moro

Zeno Minuzzo, o homem da mala de Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, criticava até semanas atrás o trabalho do juiz Sérgio Moro. Ele chegou a postar em seu perfil no Facebook um artigo publicado pelo blog "O Cafezinho" acusando Moro de receber propina da Globo. A Polícia Federal mostrou hoje que Minuzzo tem categoria para falar sobre propina. Ao caluniar Moro, ele apenas externou seu medo de ser descoberto.


Exportações: nossa última esperança agoniza

Quando a maré baixa é que se percebe quem nadava pelado. A sábia e maliciosa lição do megainvestidor Warren Buffett continua sem ser compreendida pelo governo. Num raciocínio primário, com o dólar alto, a salvação do Brasil seriam as exportações. Mas o comércio exterior não é nenhuma panaceia. O Brasil, simplesmente, não fez a lição de casa, nos últimos anos. Deixou de investir em infraestrutura e minou a competitividade da indústria. Resultado: espera o milagre da exportação de commodities em um momento de baixa nas cotações mundiais e de economia global andando de lado. Depois, a presidente Dilma Rousseff reclama que a maré virou e pegou a economia de calças na mão.

Oportunidade para entregar Gleisi

O advogado Guilherme Gonçalves, ligado ao casal Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, vai a um evento da OAB Paraná amanhã às 14h. Diz que vai dar uma coletiva de imprensa para explicar o inexplicável. O advogado recebia 9,6% do faturamento líquido da Consist e o usava para pagar despesas da senadora petista.


Gonçalves, faça um favor ao País e a você mesmo: entregue seus chefes (O Antagonista)

Só mais um registro sobre o "homem da mala"

Zeno Minuzzo, que foi assessor de Paulo Bernardo e André Vargas, foi nomeado em fevereiro de 2011 para o gabinete de Gleisi Hoffmann no Senado. Mas nunca tomou posse. Em abril daquele ano, sua nomeação acabou revogada. Minuzzo teve protagonismo na campanha de Gleisi para o Senado em 2010 e para o governo do Paraná, no ano passado. Ele administrava o escritório político da petista no Shopping Itália.

Pré-sal: não é preço que atrapalha

Se você tem uma mercadoria que custa US$ 45 para ser produzida, mas o mercado está pagando apenas US$ 40 por ela, melhor nem sair da cama, certo? Nem tanto. Às vezes, tudo é uma questão de perspectiva. É o que acontece com o pé atrás dos investidores em relação ao pré-sal. O ponto em que custos e receitas empatam (o chamado break even) é de US$ 45, segundo a Petrobras, mas o barril de petróleo é negociado, ultimamente, por menos do que isso. Ainda assim, a exploração seria atraente para outras empresas, no longo prazo, se não fossem duas jabuticabas nas regras brasileiras do pré-sal: o modelo de partilha e a exigência de conteúdo nacional. É mais um exemplo de como o Brasil fabrica crises e culpa os outros.

De onde veio o repasse de R$ 2 milhões para Dilma

Na acareação de hoje na CPI da Petrobras, Alberto Youssef disse que "outro delator" da Lava Jato vai esclarecer "em breve" o repasse de R$ 2 milhões da cota do PP para Antonio Palocci, coordenador da campanha de Dilma em 2010. "Vou me reservar ao silêncio porque existe uma investigação nesse momento do Palocci e logo vai ser revelado", disse o doleiro. O Antagonista foi informado por integrante da Lava Jato que os R$ 2 milhões repassados a Palocci vieram da WTorre, sua cliente. A empresa ergueu o estaleiro Rio Grande e a sede da Petrobras no Rio. A pergunta é: quem será o delator da WTorre e de Palocci?

O submundo da CPI do Petrolão

A CPI da Petrobras há meses não oferecia uma sessão interessante como a de hoje. Um dos momentos mais sui generis ocorreu quando Alberto Youssef foi questionado sobre intimidações que estaria sofrendo. Primeiro, ficou em silêncio. Mas ao ser questionado pelo deputado Celso Pansera, aliado de Eduardo Cunha, o doleiro respondeu na lata: 
- É vossa excelência, é vossa excelência! Vossa excelência sabe que minhas filhas nunca foram investigadas e que elas nunca participaram de um esquema. Vossa excelência insiste em me intimidar.
Pansera, por sua vez, também alegou que se sentia ameaçado "por um bandido condenado".
- Não tenho arma, não tenho porte, não tenho segurança, sou um cidadão. A CPI tem que tomar algum prerrogativa em defesa da minha vida.
Ninguém entendeu bem o diálogo, mas o deputado Carlos Marun sugeriu a convocação das filhas e da ex-mulher do doleiro.
- Seu Youssef, que conhece muito desse submundo, está se sentindo intimidado por muito pouca coisa.
O mundo da política virou mesmo um submundo.

Ação do PSDB contra Dilma avança: 4x1

Após mais um debate acalorado entre Gilmar Mendes e Maria Thereza, a ministra Luciana Lóssio pediu vista numa estratégia escancarada para adiar a investigação por mais uma semana. O esforço será em vão. Dos 7 ministros do TSE, cinco já votaram. Thereza foi a única a pedir o arquivamento da ação de impugnação de mandado eletivo apresentada pelo PSDB contra a campanha de Dilma. Votaram a favor Gilmar, Luiz Fux, Henrique Neves e João Otávio Noronha. Maria Thereza, que tem julgado a favor do PT, defendeu a tese (vencida) de que o TSE não seria o local para discutir as fraudes descobertas nas contas da campanha de Dilma, uma vez que os crimes já são apurados pela Lava Jato em Curitiba. É um argumento viciado. Lóssio deve segui-la, assim como Dias Toffoli. Gilmar Mendes insistiu na instrução do caso, no compartilhamento das provas e repetiu os argumentos usados no pedido de abertura de investigação encaminhado à PGR na sexta-feira passada. Se ficar comprovado que o financiamento da campanha de Dilma se deu mediante recurso da Petrobras, via propina, existe uma proibição legal clara. "Não estamos validando fraudes, não estamos validando a corrupção", disse Gilmar.

Dilma é um atraso de vida

A estratégia da Dilma e do PT é o adiamento contínuo das coisas, como as pedaladas. Adia-se o ajuste fiscal até a crise ganhar um tamanho "inadministrável'; adia-se uma resposta ao TCU pois não há defesa plausível; adia-se o voto na sessão do TSE para não enfrentar a irremediável derrota. Até o PMDB adia sua convenção e uma decisão de rompimento. É um atraso de vida.

Maioria do TSE vota por manter ação que pode impugnar mandato da petista Dilma Rousseff

Os ministros Luiz Fux e Henrique Neves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se manifestaram nesta terça-feira (25) em favor da continuidade de uma ação apresentada pelo PSDB que pede a impugnação dos mandatos da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer. Com os votos, formou-se maioria de quatro ministros, dentre os sete da Corte, favoráveis ao andamento do processo. O julgamento, no entanto, foi interrompido por um pedido de vista da ministra Luciana Lóssio  (ela era advogada do PT) e a retomada, com a decisão final, ainda não tem data para ocorrer. Em outras sessões, já haviam votado pela continuidade os ministros Gilmar Mendes e João Otávio de Noronha; somente a relatora, Maria Thereza de Assis Moura, votou pelo arquivamento. Além de Luciana Lóssio, ainda precisa votar o ministro Dias Toffoli, que preside o TSE. Além de pedir a continuidade da ação, Fux também propôs que a ação analisada nesta terça-feira, conhecida como Ação de Impugnação de Mandato Eletivo ("Aime"), incorpore outras ações em trâmite no TSE, apresentadas pelo PSDB com fatos e acusações semelhantes, e que também pedem a cassação do mandato de Dilma e Temer. O partido aponta abuso de poder político, econômico e fraude na campanha do PT do ano passado, o que, segundo os tucanos, tornaria "ilegítima" a eleição de Dilma. A acusação mais grave aponta "financiamento de campanha mediante doações oficiais de empreiteiras contratadas pela Petrobras como parte da distribuição de propinas", suspeita investigada na Operação Lava Jato. Na prática, a proposta de Fux de juntar todos os processos em um só levaria a relatoria do caso para a ministra Maria Thereza de Assis Moura, que defende o arquivamento do caso. Durante a sessão, o ministro João Otávio de Noronha, que relata outras duas ações contra Dilma mais adiantadas, questionou a proposta. Assim, a decisão sobre a reunião ou não dos processos ficou pendente de decisão final. A ação de impugnação do PSDB foi protocolada em fevereiro e arquivada no mesmo mês pela relatora, ministra Maria Thereza de Assis Moura. O julgamento atual se dá sobre um recurso do PSDB para reverter o arquivamento e manter a ação em andamento. Desde a deflagração da Operação Lava Jato, o PT afirma em notas oficiais que todas as doações para a campanha de Dilma recebidas pelo partido foram legais e declaradas nas prestações de contas ao TSE. A ação de impugnação tramita em conjunto com outras na Corte que também questionam a campanha de Dilma. A que está em estágio mais avançado – chamada Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) – foi apresentada também pelo PSDB em dezembro do ano passado, no mesmo dia em que Dilma recebeu o diploma que certificou sua vitória nas urnas. O objetivo da ação é o mesmo: cassar Dilma e o vice-presidente Michel Temer e empossar Aécio Neves e Aloysio Nunes Ferreira, candidatos a presidente e vice na eleição do ano passado. O relator dessa ação é o ministro João Otávio de Noronha. Esse processo encontra-se em fase mais adiantada por já ter colhido depoimentos do doleiro Alberto Youssef, considerado operador do esquema de corrupção da Petrobras; e do ex-diretor da estatal. Paulo Roberto Costa, acusado de desviar recursos de contratos superfaturados. Noronha já adiantou que pedirá agora acesso à delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, outro colaborador da Operação Lava Jato. O objetivo é juntar elementos para o julgamento, previsto para ocorrer ainda neste ano. Pessoa é considerado o chefe do cartel de construtoras que fraudava licitações na Petrobras mediante pagamento de propina a políticos. Em seu acordo de colaboração com a Justiça, ele afirmou que realizou doações de R$ 7,5 milhões para a campanha de Dilma no ano passado, com a finalidade de não perder contratos com a estatal, segundo reportagem da revista "Veja".

Alberto Youssef diz que um novo delator vai esclarecer a "doação" de dinheiro da propina para campanha da petista Dilma


Em acareação na CPI da Petrobras nesta terça-feira (25), o doleiro Alberto Youssef, delator da Operação Lava Jato, afirmou que um outro delator, que está fazendo sua entegação, vai esclarecer o suposto pedido do ex-ministro Antônio Palocci por recursos de propina para a campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010, indicando que outro operador teria cuidado do assunto. Esse ponto é uma das principais divergências entre os depoimentos de Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, que foi acareado na CPI com o doleiro. Em seus depoimentos, Paulo Roberto Costa havia dito que Youssef lhe procurou em 2010 e disse que o ex-ministro Palocci pediu uma contribuição de R$ 2 milhões para a campanha de Dilma. Paulo Roberto Costa afirma que autorizou ao doleiro que fizesse o repasse, a ser retirado do caixa das propinas referentes aos contratos das empreiteiras com a Petrobras. Youssef, porém, nega ter recebido o pedido e diz que não conhecia Palocci. Questionados sobre essa divergência pelo relator Luiz Sérgio (PT-RJ), Costa e Youssef mantiveram suas declarações, mas o doleiro indicou que outro operador teria cuidado da doação, dando a entender que Paulo Roberto Costa se equivocou. O caso atualmente é investigado pela Polícia Federal na primeira instância, em Curitiba. "Tem um outro réu colaborador que está falando. Eu não fiz esse repasse e, assim que essa colaboração for noticiada, vocês vão saber realmente quem foi que pediu o recurso e quem repassou o recurso", afirmou Youssef. Ele disse que, como o assunto estava sob investigação, iria se reservar ao silêncio sobre esse ponto. "Logo vai ser revelado e vai ser esclarecido esse assunto", afirmou. Ambos também já haviam sido submetidos a acareação pelo Ministério Público Federal, que não trouxe muitas novidades às investigações. Resguardado por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal que lhe autorizou a ficar calado, mesmo tendo assinado um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal, Youssef não respondeu a todas as perguntas e, por diversas vezes, preferiu ficar em silêncio. Já Paulo Roberto Costa disse que estava à disposição, mas ressaltou que não teria novidades para apresentar à comissão porque já prestou 126 depoimentos. "Posso esclarecer alguma coisa, mas não tenho novidade. Vossas excelências já conhecem todos meus depoimentos", afirmou. Um momento polêmico foi uma discussão entre Youssef e o deputado Celso Pansera (PMDB-RJ), que já havia sido acusado pelo doleiro de o estar intimidando por ter pedido a quebra de sigilo dos familiares de Youssef. Youssef afirmou para Pansera: "É vossa excelência (que está me intimidando), é vossa excelência". Youssef também confirmou que, em sua opinião, o Palácio do Planalto sabia do esquema de corrupção na Petrobras, o que já havia falado na sua delação. O deputado Bruno Covas (PSDB-SP) perguntou sobre a responsabilidade da presidente Dilma Rousseff na compra da refinaria de Pasadena (EUA). Os delatores também esclareceram algumas divergências sobre os políticos. Costa disse, por exemplo, que a empresa White Martins foi a responsável por operacionalizar um repasse ao senador Humberto Costa (PT-PE). Já em relação ao repasse ao senador Edison Lobão (PMDB-MA), Youssef disse que o ex-deputado José Janene (PP-PR), morto em 2010, é que deve ter cuidado do assunto na época. 

Lula publica mensagem contra ditadura escondida em rede social; ele é acusado de ter sido colaborador da polícía política da ditadura

O ex-presidente Lula usou uma mensagem escondida em sua página no Facebook para fazer uma crítica à ditadura militar e convidar para evento sobre o tema em seu instituto. Nesta terça-feira (25), ele publicou uma receita de bolo de fubá em seu perfil. A mensagem, que parecia não fazer sentido, escondia o texto original contra a ditadura. Para vê-lo, basta clicar em "Editado". O texto escondido, escreve Lula, não poderia ser publicado em uma ditadura. A mensagem diz que "receitas de bolo, poemas e outros textos à prova de 'subversão' ocupavam os espaços vazios deixados pela censura nos jornais". Os dois únicos jornais censurados pela ditadura militar que publicavam receitas e poemas foram o Estado de S. Paulo e seu coirmão Jornal da Tarde (este já extinto). Isso ocorreu na década de 70. Nessa mesma década, Lula se dedicava a dedurar companheiros para o Dops (Delegacia de Ordem Polícia e Social) paulista, em plena ditadura militar. O chefe do Dops era o então delegado Romeu Tuma, depois senador, que tinha sob sua chefia seu filho Romeu Tuma Junior. Pois Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações", com todas as letras, afirma que Lula era um delator, cujas informações foram muito úteis para a repressão política. Até hoje estas afirmações não foram refutadas. Nos meios de esquerda, sempre foi corrente a informação de que Lula não passava de um colaborador da repressão no regime militar. 

No seu texto, Lula lembra ainda que "esse passado sombrio" foi superado "graças às lutas de milhares de brasileiros e brasileiras". A publicação convida para a inauguração do Memorial da Democracia no Instituto Lula, em São Paulo, em 1º de setembro. Lula X9, certamente, precisa mesmo de uma mensagem escondida sobre esse tema, porque ele não é propriamente o protótipo do defensor da democracia no Brasil. Não pode ser tal coisa o fundador do Foro de São Paulo. E não pode ser defensor da democracia quem ataca a imprensa e os jornalistas todos os dias. 

Senadora petista recua e mantém em 20% a alíquota sobre o lucro dos bancos


Relatora da Medida Provisória 675, que aumenta a tributação de bancos e instituições financeiras, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) recuou da proposta de elevar a taxação e manteve a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) em 20%, como propôs o governo inicialmente. Ela havia aumentado a taxa dos atuais 15% para 23%. A senadora foi pressionada por parlamentares da oposição e do PMDB a voltar a alíquota para os 20% propostos inicialmente. A senadora concordou mas ponderou que a alta lucratividade dos bancos permitiria uma taxação maior. Os parlamentares devem votar o relatório da senadora nesta quarta-feira (26). Se for aprovado, ele ainda deverá passar pela análise da Câmara e do Senado até 18 de setembro, quando perde a validade. Se não for aprovada pelo Congresso até esta data, a medida caduca. Esta é a segunda mudança feita pela senadora em seu parecer. Na semana passada, a petista retirou a proposta de fim gradual do benefício fiscal para empresas por meio da distribuição de juros sobre capital próprio (JCP). O benefício fiscal foi criado no governo FHC (1995-2002) para a distribuição de lucros das empresas, que reduz as despesas com pagamento de Imposto de Renda e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). Com o fim da isenção, o governo poderia arrecadar R$ 10 bilhões anuais. A senadora havia acolhido parcialmente emenda do deputado Walter Pinheiro (PT-BA) que propunha que o benefício fiscal do mecanismo de juros sobre capital próprio, usado para remunerar acionistas, fosse eliminado de forma gradual até dezembro de 2017. A votação do relatório na comissão estava marcada para esta terça (25) mas uma questão de ordem levantada pelo senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) impediu a análise do texto. Ele reclamou de uma emenda incluída na medida provisória que trata de matéria estranha ao cerne da Medida Provisória. A emenda determina que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) seja autorizada a repactuar dívidas setoriais em moeda estrangeira das empresas incluídas no Sistema Nacional de Desestatização. Segundo Caiado, a medida afetaria a Celg (Companhia Energética de Goiás), que, segundo ele, pode ser privatizada de maneira mais fácil se a emenda for aprovada. A discussão em torno do assunto se prolongou e a sessão teve que ser encerrada porque a Câmara dos Deputados iniciou a ordem do dia. De acordo com o regimento comum do Congresso, nada pode ser deliberado nas comissões mistas se houver votação nos plenários da Câmara ou do Senado.

Outro pedido negado

Marcelo Odebrecht: mensagens cifradas
Odebrecht: “risco à ordem pública”
Na sexta-feira passada, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região indeferiu, por unanimidade, um novo pedido de habeas corpus feito pelos advogados de Marcelo Odebrecht. A decisão é dura, pelos termos utilizados. Eis um trecho: "A reiteração das condutas delituosas demonstra não só a indiferença do paciente (Marcelo Odebrecht) perante o direito, mas também revela maior risco à ordem pública e à necessidade de cessar a atividade criminosa". Marcelo está preso há 66 dias. Sua defesa, no entanto, só acredita num eventual sucesso de suas tentativas de soltá-lo nas cortes de Brasília. Por Lauro Jardim

Mais uma delação

Auler repensa delação
Auler repensa delação
João Auler, o único executivo da Camargo Corrêa que não topou delação premiada, voltou atrás e está repensando seu silêncio. Por Lauro Jardim

Conta de luz no DF vai subir até 19,25% e quatro Estados também terão aumentos

Os consumidores de energia do Distrito Federal passarão a pagar até 19,25 % mais na conta de luz. Até o fim deste mês, entram em vigor os aumentos de tarifas autorizados hoje (25) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para distribuidoras que operam no Maranhão, no interior de São Paulo, em Mato Grosso do Sul e na Paraíba, além da Companhia Energética de Brasília (CEB). O maior reajuste ocorrerá para os consumidores atendidos pela CEB, que poderá aumentar as tarifas em 18,36% para o consumo residencial e em 19,25% para a indústria e o comércio. As tarifas da Energisa, que atende a 1,3 milhão de consumidores na Paraíba, subirão 10,58% para as residências e 11,47% para os grandes consumidores (indústria e comércio). A Companhia Energética do Maranhão (Cemar), única empresa de energia que opera no Estado, reajustará as tarifas em 8,63% para os consumidores residenciais e em 8,69% para os grandes consumidores. Os reajustes para as três companhias decorrem da revisão tarifária anual, prevista nos contratos de concessão de energia. Os aumentos são definidos com base nos custos típicos de distribuição, corrigidos pelo Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), e custos que não acompanham o índice inflacionário, como energia comprada, encargos de transmissão e encargos setoriais. No caso da CEB, o aumento foi maior por causa da decisão da Aneel de repassar aos consumidores gastos com a melhoria do serviço das distribuidoras que descumprem metas mínimas de qualidade. A Aneel também autorizou a Elektra, que opera em 223 municípios do interior de São Paulo e em cinco municípios de Mato Grosso do Sul, a reajustar as tarifas em 0,84% para os consumidores residenciais e em 9,32% para os grandes consumidores. Nesse caso, os aumentos foram concedidos com base na revisão do contrato da companhia, que ocorre a cada quatro anos. A agência reguladora não autorizou os reajustes pedidos por duas distribuidoras do sistema Eletrobras: Companhia Energética de Alagoas (Ceal) e Companhia Energética do Piauí (Cepisa). Segundo a Aneel, as duas empresas não pagaram encargos do setor elétrico e só podem aumentar as tarifas se regularizarem a situação.

Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa reafirmam pagamento de R$ 10 milhões para abafar CPI


Durante acareação, hoje (25), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, reafirmaram ter sido feito pagamento de R$ 10 milhões para evitar uma CPI no Congresso, em 2009. Segundo os delatores, a propina foi paga para esvaziar uma comissão parlamentar criada para investigar a Petrobras. Segundo Youssef, o valor de R$ 10 milhões foi pago pela empreiteira Camargo Correia ao então presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), morto em 2014. Paulo Roberto Costa acrescentou que foi procurado por Sérgio Guerra e pelo deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) para tratar do pagamento, que seria destinado a “abafar” a CPI.” Da minha parte, posso dizer que eles receberam”, disse. O deputado Leo de Brito (PT-AC) aproveitou a revelação para questionar a oposição que, um pouco antes, havia perguntado a Youssef e a Paulo Roberto Costa sobre o suposto repasse de R$ 2 milhões para a campanha da presidente Dilma Rousseff, em 2010. Brito chamou a pergunta de “esforço descomunal” para envolver o ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista, durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") e a presidente Dilma nas denúncias. “Queremos saber se vão utilizar dois pesos e duas medidas. Eu quero saber onde foram parar os R$ 10 milhões usados para barrar a CPI da Petrobras. Essa é uma pergunta que devemos fazer?”, questionou Brito. “Queremos saber se o dinheiro foi para o partido (PSDB), se ele estava envolvido”, complementou. Durante a acareação, os depoentes confirmaram também o pagamento de R$ 1 milhão para a campanha da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) em 2010, proveniente do esquema de propina na Petrobras. Youssef disse que fez o repasse do dinheiro a pedido de Paulo Roberto Costa e confirmou a informação. Paulo Roberto Costa nega, mas admite que houve o repasse. “Já participamos de uma acareação em Curitiba e há realmente uma contradição nesse ponto, mas o importante é que o dinheiro foi integralmente pago”, disse Paulo Roberto Costa.

Brasil garante financiamento de US$ 5,4 bilhões para a compra dos caças suecos Gripen


Os governos brasileiro e sueco assinaram nesta terça-feira, em Londres, na Embaixada do Brasil na Inglaterra, o contrato de financiamento no valor de 5,4 bilhões de dólares para a compra de 36 caças Gripen NG, da empresa sueca Saab. Essa era a última etapa para o início da fabricação dos aviões, cuja primeira entrega está prevista para 2019 - e a última, para 2024. Segundo o Ministério da Defesa, os caças atenderão às necessidades operacionais da Força Aérea Brasileira (FAB) nos próximos 30 anos. O contrato prevê ainda a fabricação de 15 das 36 unidades no Brasil, incluindo oito unidades de dois lugares, modelo criado especificamente para a FAB. Anunciado em dezembro de 2013, o contrato comercial com a Saab inclui a compra das aeronaves de combate, suporte logístico e aquisição de armamentos necessários à operação dos aparelhos. O contrato assinado prevê a transferência de tecnologia entre os dois países, o que possibilitará ao Brasil, segundo o Ministério da Defesa, deixar de ser comprador para se tornar fornecedor de aeronaves de combate de última geração. No final de julho, o acordo quase desandou devido às restrições orçamentárias decorrentes do ajuste fiscal. O governo tentou negociar taxas de juros mais baixas com o governo sueco e, ao final de três dias de negociação, o Brasil conseguiu a reduzir da taxa de juros do financiamento para 2,19%. Segundo o Ministério da Defesa, trata-se de uma economia de até 600 milhões de reais. A formalização do contrato financeiro foi realizada na Inglaterra, uma vez que o contrato de financiamento será regido pela lei inglesa, para imparcialidade do acordo. "A assinatura do contrato financeiro do Gripen NG é de fundamental importância, já que encerra a fase negocial e inicia a fase de execução do contrato comercial, com aquisição e desenvolvimento dos caças, concretizando, assim, uma aliança estratégica entre Brasil e Suécia", disse, em nota, o ministro da Defesa, o petista Jaques Wagner. O pagamento efetivo do financiamento só ocorrerá após o recebimento da última aeronave, previsto para 2024. A participação brasileira no desenvolvimento do projeto dará à indústria aeronáutica nacional acesso a todos os níveis de tecnologia, incluindo os códigos-fonte do Gripen. "O programa de transferência de tecnologia incluirá itens como a integração de hardware, aviônicos, software e sistemas da aeronave, além do intercâmbio de conhecimento, com mais de 350 brasileiros indo a Suécia para treinamento", informou o Ministério da Defesa.

Dólar chega a R$ 3,60 e pela primeira vez nos últimos 12 anos


O dólar subiu mais de 1,5% frente ao real nesta terça-feira, pela terceira sessão seguida, indo para o patamar de 3,60 reais pela primeira vez em 12 anos e meio, com o cenário político local conturbado ofuscando o alívio causado após o anúncio de medidas para impulsionar a economia na China. A moeda norte-americana avançou 1,57%, a 3,60 reais na venda, máxima de fechamento desde 27 de fevereiro de 2003 (3,66 reais). Em três sessões, o dólar acumulou alta de 4,30%. "Tivemos um alívio mais cedo com a China, mas o cenário interno pesou. Ainda tem incertezas no lado político e isso está afetando o mercado", disse diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues. Na mínima do dia, a divisa recuou 1,10%, a 5,51 reais, reagindo ao anúncio de medidas de apoio à economia da China. Na terça-feira, o vice-presidente da República, Michel Temer, deixou o "dia a dia" da articulação política do governo, que vem enfrentando atritos com o Congresso e, em especial, com integrantes de seu partido, o PMDB. Nesta terça-feira, contudo, Temer afirmou que seguirá na coordenação, mas "formatada de outra maneira" e declarou que qualquer hipótese de impeachment da presidente Dilma Rousseff é "impensável". Na reta final do pregão, o dólar ampliou ainda mais a alta, com os mercados externos também perdendo ímpeto. Mais cedo, a moeda americana recuou após o banco central da China cortar as taxas de juros e, ao mesmo tempo, afrouxar as taxas de compulsório - valor que os bancos são obrigados a ter como reserva - pela segunda vez em dois meses. O objetivo é evitar maiores instabilidades no mercado acionário, que registrou fortes quedas nas últimas duas sessões, afetando bolsas no mundo todo. O Banco do Povo da China anunciou em seu site na Internet que reduziu a taxa de empréstimo de 1 ano em 0,25 ponto percentual, para 4,6%. Segundo a autoridade monetária, o corte entra em vigor a partir de 26 de agosto. Em paralelo, o banco central também reduziu a taxa de compulsório em 0,5 ponto percentual, para 18%, para a maioria dos grandes bancos, sendo que a mudança terá efeito a partir de 6 de setembro. O anúncio veio após as bolsas chinesas despencarem mais de 8% na segunda-feira e mais de 7% nesta sessão.

A safadeza não se esconde apenas na receita dos partidos, mas também no gasto! Ou: O merchandising do esquerdismo chique da Globo

Nesta segunda-feira, na novela Babilônia — e eu realmente a estava vendo por acaso; nada tenho contra o gênero, só contra novela ruim —, Fernanda Montenegro, que faz o papel de uma lésbica chique, humanista, consciente, rica, de esquerda, da Zona Sul, civilizada, evoluída, tolerante, bacana, culta, delicada, cheirosa, elegante, de berço, em contraste com as pessoas de direita, que, por óbvio, são o contrário de tudo isso, afirmou que iria se candidatar a deputada estadual, mas não receberia doação de empresas privadas. Só usaria na campanha verba do fundo partidário. Ah, sim, nota à margem: pouco antes, uma personagem havia dito literalmente o seguinte: “No capitalismo, tem sempre alguém vendendo alguma coisa”. É verdade. Babilônia, por exemplo, tem, além de patrocinadores, os que pagam pelo merchandising. No capitalismo, há sempre autores e autores da Globo vendendo alguma coisa, certo? O esquerdismo da maior emissora de TV do país é uma piada grotesca. Adiante. A prestação de contas do PT — e não deve ser o único; o partido é apenas o transgressor mais moralista — está demonstrando que o problema não está apenas na prestação de contas da receita, mas também da despesa. A personagem de Fernanda Montenegro, esquerdista como é, certamente teria os gastos de campanha contabilizados por companheiros ou camaradas. Ainda que os fundos fossem públicos, quem disse que não se pode fraudar a despesa? Os episódios que Gilmar Mendes tem mandado investigar o provam à farta. Aliás, a turminha do Lesbianismo de Libertação de Babilônia tem aquele inequívoco sotaque PSOL, que é a esquerda hoje mais influente ali pelas cercanias de Leblon, Copacabana e Ipanema. São os conscientes daquela zona cinzenta entre o jornalismo e o entretenimento que exercitam o socialismo com cobertura de frente para o mar. Sugiro à turma que entre na área de busca do meu blog e procure ver como o tal PSOL, com seus puritanos de esquerda, tratam as verbas de campanha… Por Reinaldo Azevedo

O trotskista Carlos Pestana poderá substituir Sereno Chaise na CGTEE

Carlos Pestana, ex-chefe da Casa Civil do peremptório petista "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso Genro, poderá substituir o ex-prefeito de Porto Alegre, Sereno Chaise, na presidência da CGTEE. Carlos Pestana, que coordenou a campanha de tentativa de reeleição de Tarso Genro, é membro do partido revolucionário trotskista clandestino Democracia Socialista, organização que parasita o corpo do PT. Sereno Chaise está gravemente doente, tendo de fazer hemodiálise quase diária.    

PTB e PDT anunciam rejeição unânime ao projeto de aumento do ICMS no Rio Grande do Sul

Depois do PDT, que é da base aliada, mas resolveu por unanimidade rejeitar a proposta do governo do Rio Grande do Sul, de José Ivo Sartori (PMDB), agora foi a vez da bancada oposicionista de cinco deputados estaduais do PTB, que decidiu esta tarde que votará unida contra o projeto de aumento do ICMS. A posição foi anunciada em uma nota assinada pelos parlamentares Aloísio Classmann, Ronaldo Santini, Maurício Dziedricki, Luís Augusto Lara e Marcelo Moraes. 

81,5% dos catarinenses reprovam o governo da petista Dilma Rousseff

O Instituto Paraná Pesquisas acaba de divulgar uma série de pesquisas eleitorais e políticas que promoveu em Santa Catarina, tudo para avaliar os governos Dilma, Colombo (estadual) e Cezar Souza (Florianópolis). A avaliação do governo Dilma é a seguinte:
Desaprova, 81,5%
Aprova, 16,3%
Não sabe, 2,3%
O governador Raimundo Colombo, do PSD, é fiel aliado de Dilma Rousseff, de quem tem recebido obras importantes, como a ponte de Laguna recentemente inaugurada.

O discurso falacioso de Dilma. Ou: Modos de usar a realidade internacional

A presidente Dilma encontrou seus bárbaros: são os chineses. Eles justificam a melancolia e a desordem do seu governo. Ela decidiu agora se agarrar à desaceleração da China e ao transe financeiro daquele País como tábua de salvação. Que exóticos são esses petistas, não é mesmo? Quando se dizia que o modelo irresponsável do lulismo se aproveitava de um ciclo inédito de valorização das commodities e se acusava os companheiros de não aproveitar aquela janela para 1) modernizar a economia; 2) promover os investimentos em infraestrutura, os pançudos vociferavam: “Ah, eles não querem pobre comprando geladeira!”; “Eles não querem pobre em aeroportos”; “Eles não querem pobre no mercado de consumo”. E não paravam por aí, não. Quando alguém se lembrava que o modelo petista se sustentava principalmente na extraordinária expansão da China, de que as valorizações formidáveis das commodities era consequência, e aquilo não duraria eternamente, os críticos eram acusados de não reconhecer a sabedoria superior de um operário na condução da economia, muito melhor do que o acadêmico que o antecedeu. Ou por outra: quando as circunstâncias internacionais favoreceram a irresponsabilidade petista — irresponsabilidade que, no entanto, foi muito bem-remunerada em votos —, então se chamava a bonança que antecedia a melancolia de “competência”. Lula chegou a anunciar ao mundo um jeito brasileiro de ver as coisas. Em 2012, Dilma foi a fórum na França e enfiou o dedo na cara dos europeus: eles estariam errando em optar pela austeridade. Ela, ao contrário, estaria fazendo tudo certo por aqui. Aí o leitor, sagaz como é, poderia inquirir: “Bem, Reinaldo, você foi um dos que afirmavam que o PT surfava num momento muito particular da economia mundial; logo, estaria obrigado agora a reconhecer que aquele momento não existe mais, então é consistente a justificativa segundo a qual a crise vem de fora”. Esperta a objeção, mas errada. Eu não censuro tanto o PT do tempo das vacas gordas por aquilo que fez, mas mais por aquilo que deixou de fazer. Eu considero a realidade internacional tanto antes como agora. Eu acuso o partido de estar fazendo o país passar hoje por agruras que aí não estariam se tivesse feito a coisa certa antes. Eu trato o Brasil como um ente inserido no mundo no passado e no presente. Foi o petismo que, até outro dia, anunciava o Brasil a ilha de prosperidade num mar de recessão para, agora, jogar nas costas da realidade internacional o peso de todos os seus erros. Por Reinaldo Azevedo

Mais cobras e lagartos na prestação de contas do PT

O ministro Gilmar Mendes, relator da prestação de contas da presidente Dilma Rousseff no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), enviou ao Ministério Público Estadual de São Paulo relatório técnico elaborado pelo Fisco Paulista que detectou irregularidades em uma empresa contratada pela campanha de 2014 da petista. A empresa, com nome de Angela Maria do Nascimento Sorocaba-ME, foi aberta em agosto de 2014 – a dois meses da eleição – e somente entre agosto e setembro emitiu notas fiscais no valor de 3,683 milhões de reais. Deste valor, 1,651 milhão de reais foi emitido em nome da campanha presidencial petista. Segundo o apurado, não há nenhum destaque de impostos nas notas fiscais emitidas e não há “registro de entrada de materiais, produtos e serviços”. A empresa seria responsável por entregar produtos de publicidade, placas e faixas, além de despesas com pessoal. A Fazenda Estadual de São Paulo não encontrou a empresa no seu endereço comercial. A proprietária da companhia foi localizada em endereço residencial e disse ter sido “orientada a abrir a empresa para funcionar no período eleitoral”. De acordo com ela, todo o material era proveniente de outra empresa, a Embalac Indústria e Comércio Ltda. O contador das duas empresas, Carlos Carmelo Antunes, disse ter aberto a segunda empresa a pedido dos sócios da Embalac “com o intuito de faturar os produtos destinados às eleições em nome de Angela, para que a Embalac não fosse desenquadrada do regime Simples Nacional”. O relatório foi elaborado pela Fazenda Estadual paulista depois do pedido de Gilmar Mendes para que o órgão verificasse indícios de irregularidades com relação à gráfica Focal Confecção e Comunicação Visual. Em ofício ao TSE, a Fazenda do Estado afirmou que precisaria de mais tempo para análise sobre a Focal “devido ao grande volume de documentos apresentados”. O órgão fazendário, no entanto, apurou a situação fiscal de outros estabelecimentos paulistas citados na prestação de contas da presidente e apontados pela assessoria técnica do TSE, entre eles a empresa Angela Maria do Nascimento Sorocaba-ME. Diante do verificado, o ministro quer que o Ministério Público paulista apure “eventual ilícito” com relação à empresa. Na última sexta-feira, Gilmar Mendes pediu a abertura de investigação de suposta prática de atos ilícitos. Em despacho encaminhado à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal, Mendes indica “potencial relevância criminal” na campanha petista. 

Jorge Zelada nega ter recebido propina no Petrolão e ataca delator


O ex-diretor da área internacional da Petrobras, Jorge Zelada, preso na Operação Lava Jato, negou, em documentos apresentados ao juiz Sergio Moro, que tenha recebido propina da Petrobras ou fraudados licitações para a contratação de um navio-sonda pela petroleira. Na primeira defesa prévia enviada desde que foi preso, em 2 de julho, Zelada ataca as delações premiadas da Operação Lava Jato e contesta mais fortemente as informações do delator Hamylton Padilha, consideradas cruciais pelos investigadores para incriminar o sucessor da Nestor Cerveró na petroleira. Zelada, Padilha e outras quatro pessoas são réus por haver indícios de que atuavam em conluio para beneficiar a empresa americana Vantage Drilling no contrato de afretamento do navio-sonda Titanium Explorer. De acordo com o Ministério Público, pelo menos 31 milhões de dólares do esquema foram parar nas mãos de Zelada, do ex-diretor geral da área internacional da estatal, Eduardo Musa, e do PMDB, responsável pelo apadrinhamento político do ex-dirigente. No esquema, os lobistas Hamylton Padilha, Raul Schmidt Junior e João Augusto Rezende Henriques atuavam como intermediários da negociação, sendo que cabia a Padilha pagar a parte destinada a Eduardo Musa, a Raul Schmidt depositar a propina reservada a Zelada e a João Augusto Henriques pagar o dinheiro sujo ao PMDB. Uma auditoria interna da própria Petrobras indicou irregularidades de Zelada em benefício da Vantage Drilling, houve contratos simulados para repasse da propina, além de contas secretas no exterior usadas pelo ex-diretor para esconder dinheiro sujo do Petrolão do PT. As transações financeiras de Jorge Zelada eram investigadas mais detalhadamente desde o início do ano, quando o Ministério Público Federal achou contas secretas em Mônaco com saldo de cerca de 11 milhões de euros. Na manifestação entregue a Moro, o ex-diretor da Petrobras nega, porém, ter beneficiado a empresa e informa que, na celebração do contrato envolvendo o navio-sonda, "atuou corriqueiramente" e "conforme os procedimentos da Petrobras". "A empresa Vantage apresentou a melhor proposta no certame, sagrando-se vencedora. Os processos de concorrência e contratação passaram por todos os meios próprios, corretos e legais, no âmbito da Petrobras", resume a defesa. A exemplo da estratégia dos empreiteiros investigados na Lava Jato, os advogados de Zelada atacam duramente o Ministério Público e a celebração de delações premiadas no Petrolão do PT. Dizem que a acusação contra o ex-dirigente é "uma fantasia" e afirmam que a colaboração premiada de Hamylton Padilha deveria ser anulada porque a própria defesa do lobista admite "erros circunstanciais" nos depoimentos. "Jamais, da forma como se apresenta a situação de Hamylton Padilha, poderia ter sido homologado o acordo de dedoduragem, muito menos que este senhor, como se destaca no documento, que pretende retificar circunstâncias, pudesse receber um prêmio, já de antemão. Imperiosa a anulação do acordo de delação". 

Despencam em mais de 30% os gastos de brasileiros no Exterior


Com o dólar alto, os gastos dos brasileiros no Exterior continuam caindo. Em julho, mês de férias escolares, as despesas de brasileiros em viagens internacionais somou 1,67 bilhão de dólares. Trata-se do menor valor para os meses de julho desde 2010, quando chegou a 1,53 bilhão de dólares. Em relação a igual mês de 2014, houve uma queda de 30,5%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central. Só em julho, a moeda americana acumulou alta de 10% sobre o real e, no ano, pouco mais de 30%. Com essa valorização, o preço dos bens e serviços consumidos em outros países ficam mais caros. O gasto dos estrangeiros em passeio pelo Brasil totalizou 468 milhões de dólares em julho, o que representa uma redução de 40,4% ante o mesmo período do ano passado. A instituição ressalta que em julho de 2014 foi realizada a Copa do Mundo, o que "contribuiu para elevar a base de comparação dos gastos de turistas estrangeiros no País". No acumulado dos últimos sete meses, a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no país ficou negativo em 8,20 bilhões de dólares. Em igual período do ano passado, esse valor era de 10,48 bilhões de dólares. Só no mês passado, o saldo líquido dessa conta ficou em 1,20 bilhão de dólares, o que corresponde a uma queda de 25,5% em relação a julho do ano passado.

Rodrigo Janot pede uma nova investigação de Fernando Collor por peculato e crimes em licitações


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de um novo inquérito contra um grupo que envolve o senador Fernando Collor (PTB-AL) para apurar prática de crimes de licitação e peculato (desvio de recursos públicos), além de corrupção passiva. O pedido chegou à Corte na mesma semana em que Janot ofereceu denúncia contra o senador - acusado de ter recebido 26 milhões de reais em propina - e outras quatro pessoas ligadas a ele pela prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato. Assim como a denúncia, o novo inquérito corre sob sigilo na Corte. Além do ex-presidente Collor, a Procuradoria-Geral da República pediu a investigação de Pedro Paulo Leoni, ex-ministro do governo Collor, e de dois servidores que ocupam cargo comissionado no Senado Federal: Cleverton Melo da Costa e Fernando Antônio da Silva Tiago, e ainda de Luís Pereira Duarte de Amorim, visto como "administrador" de empresas de Collor e ligado à TV Gazeta de Alagoas. Todos já foram denunciados pela Procuradoria Geral da República junto com Collor na última quinta-feira. De acordo com a Procuradoria, os dois assessores efetuaram "operações suspeitas" de lavagem de dinheiro por meio de depósitos em espécie feitos em favor de empresas do Collor e que somariam um total de 1,3 milhão de reais. Para investigadores, os valores em espécie "provavelmente têm origem no esquema criminoso investigado". Cleverton é assessor de Collor no senado desde 2007. A nova investigação é um desdobramento da denúncia oferecida por Janot contra o grupo. Os fatos que a Procuradoria considerou que já possuem amadurecimento suficiente de investigação foram incluídos na acusação formal. Já os crimes que ainda precisam ser investigados com mais profundidade fazem parte do novo inquérito. Os dois procedimentos - tanto a nova investigação como uma eventual ação penal contra Collor, no caso de a denúncia ser recebida pelo Supremo - devem correr paralelamente no Tribunal. As defesas de Collor e de Pedro Paulo Leoni afirmaram ainda não ter conhecimento do teor do novo pedido de inquérito. Os advogados de Cleverton Melo Costa, Fernando Antônio Silva Tiago e Luís Pereira Duarte Amorim não foram localizados. Nesta segunda-feira, a dois dias da sabatina no Senado que pode levar o chefe do Ministério Público Federal a um novo mandato de dois anos, Collor chamou o procurador-geral da República de "fascista da pior extração". O senador disse não ter como questionar a denúncia de Janot pelo fato de a peça estar sob segredo de Justiça e que o único objetivo do chefe do Ministério Público Federal é "constranger" o Senado às vésperas da sabatina. O ex-presidente, que chamou Janot de "sujeitinho à toa" e "figura tosca" afirmou que ele não é dotado da "conduta moral" que se exige para o cargo.

Operação Lava Jato encontra indício de repasses ilícitos para a petista Gleisi Hoffmann


Investigadores da força-tarefa da Operação Lava Jato encontraram indícios de que a senadora petista e ex-ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR), pode ter sido beneficiária de dinheiro sujo movimentado no escândalo do Petrolão pela empresa Consist. As suspeitas de envolvimento da senadora e de seu marido, o ex-ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, foram detectadas depois da Polícia Federal e o Ministério Público terem rastreado as movimentações do advogado e ex-vereador Alexandre Romano, o Chambinho, preso na mais recente fase da Lava Jato por suspeitas de operar um esquema de pagamento de propina no Ministério do Planejamento. Há indícios de que Romano (Chambinho) recebeu 37 milhões de reais em propina de empresas do Grupo Consist em um esquema que beneficiava firmas para a prestação de serviços de informática para gestão de empréstimos consignados. Ao rastrear os pagamentos recebidos pelas empresas do Consist, os investigadores descobriram repasses do advogado Guilherme Gonçalves, que atuou em campanhas políticas do PT e da própria Gleisi, diretamente para a senadora petista. Pelas anotações apreendidas em poder do advogado Guilherme Gonçalves, há indícios de que o dinheiro que irrigava o esquema da Consist no Ministério do Planejamento abastecia a família de Gleisi Hoffmann. Nas anotações, a confirmação: "Diversos PT, PB, Gleisi". Em um dos casos, o dinheiro que os investigadores afirmam ser propina chegou até a quitar os salários do motorista da senadora petista, Hernany Mascarenhas. Em depoimento no inquérito da Lava Jato, Guilherme Gonçalves confirmou que utilizava recursos recebidos a título de honorários advocatícios da Consist para pagar "despesas urgentes", como as de Gleisi Hoffmann. Nenhum desses débitos "urgentes", porém, foi ressarcido pelos supostos clientes ou mesmo cobrado de volta pelo advogado. Em uma planilha apreendida no escritório de Gonçalves, os detalhes que podem incriminar Gleisi são mais evidentes: em anotações registradas como "Fundo Consist", há referência a um crédito de cerca de 50.000 reais com "diversos lançamentos de débitos em favor da Senadora e de pessoas a ela ligadas". "Consta anotação de que, do pagamento de cinquenta mil reais de honorários pela Consist a Guilherme em 29/09/2011, ele teria acertado com o ex-Ministro Paulo Bernardo, marido de Gleisi Hoffmann, que ficaria, desta feita, com todo o montante", relata o juiz Sergio Moro após receber o resultado das investigações. "As provas, em cognição sumária, revelam que parte expressiva da remuneração da Consist, cerca de 9,6% do faturamento líquido, foi repassada, por solicitação de Alexandre Romano, ao advogado Guilherme Gonçalves, em Curitiba, que, por sua vez, utilizou esses mesmos recursos para pagamentos associados à Senadora da República Gleisi Hoffmann", conclui Moro, que, por ter encontrado indícios de irregularidades envolvendo a senadora, determinou o envio da investigação para o Supremo Tribunal Federal. Como Gleisi tem direito ao chamado foro privilegiado, ela só pode ser processada no tribunal de Brasília. A senadora Gleisi Hoffmann já é alvo de um inquérito no STF depois de ter sido citada pelos delatores Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa. Tanto o doleiro quanto o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras apontaram a parlamentar do PT como destinatária de 1 milhão de reais, desviados da Petrobras, e repassado como doação de campanha. Na versão de Youssef, o dinheiro sujo foi entregue a um preposto da petista em um shopping de Curitiba. "Desconheço as relações contratuais que o Dr. Guilherme Gonçalves mantém com outros clientes, assim como desconheço qualquer doação ou repasse de recursos da empresa Consist a minha campanha", disse a senadora Gleisi em Nota. "Todo o trabalho do Dr. Guilherme Gonçalves consta nas minhas prestações de contas, aprovadas pela Justiça Eleitoral. Em relação a 2014 ainda existe débito com seu escritório, o que está a cargo do Partido dos Trabalhadores", afirmou. 

Levy, você é do governo

Em Washington, Joaquim Levy defendeu, segundo o Estadão, "a disciplina nas despesas para minimizar a necessidade de aumento de impostos, a reforma do Estado, a criação de uma gestão pública mais eficiente e a definição de despesas obrigatórias que não 'asfixiem o governo'". Alguém precisa avisar Joaquim Levy que ele é ministro de Dilma Rousseff e não está na oposição.

Deputado petista entra na Justiça para se desfiliar do PT por "justa causa"

Após 16 anos no PT, o deputado federal Weliton Prado, eleito por Minas Gerais, entrou com uma ação por justa causa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para se desfiliar do partido. Ele alega que a sigla não está seguindo o programa partidário e que deixou de lado os interesses da população. Por isso mesmo, o parlamentar diz que não vem votando com a bancada petista. Prado é de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e com a ação tenta trocar de partido sem perder o mandato. O pedido de desfiliação por justa causa, o primeiro do tipo envolvendo o PT, foi impetrado no Tribunal Superior Eleitoral. 

As aspas de Edinho

Os jornais publicaram relatos cheios de aspas do encontro de ontem entre Dilma Rousseff e Michel Temer. Temer reclamou do “ambiente de intrigas e fofocas” no Palácio do Planalto e Dilma respondeu que nunca duvidou da “lealdade” do vice-presidente. Os repórteres andam conversando demais com Edinho Silva. Bernardo Mello Franco ignorou os vazamentos seletivos do ministro da Propaganda petista e fez, na Folha de S. Paulo, o melhor comentário sobre o assunto: “A saída de Michel Temer da coordenação política é uma péssima notícia para Dilma Rousseff. A decisão do vice agrava o isolamento da presidente e fortalece os setores do PMDB que pregam o rompimento com o Planalto. Em abril, Dilma pediu ajuda a Temer para conter o derretimento de sua base no Congresso. Ele reabriu o balcão para negociar cargos e verbas federais. O arranjo deu um alívio momentâneo ao governo, mas não foi capaz de pacificar as relações com o Congresso. Não havia dinheiro para saciar todo o apetite dos parlamentares, e o grupo de Temer começou a bater de frente com os petistas. O afastamento se tornou uma mera questão de tempo, até ser formalizado nesta segunda-feira. O anúncio de Temer foi festejado pela ala do PMDB que torce pela queda da presidente. Quem conspirava às escuras ganhou um incentivo para passar a agir à luz do dia. A oposição também viu motivos para se animar, apesar de o peemedebista ter renovado as suas juras de lealdade a Dilma. No fim das contas, a saída da coordenação política o devolverá ao papel clássico de um vice: aguardar a eventual saída do titular para substitui-lo”.

Empate

Dilma Rousseff "demorou para perceber a gravidade da crise". E os brasileiros demoraram para perceber que Dilma Rousseff é uma das presidentes mais tapadas e desonestas de todos os tempos. (O Antagonista)

A crise é grave

O Banco Central chinês cortou mais uma vez a taxa de juros e o depósito compulsório dos bancos.Os chineses não demoraram para perceber a gravidade da crise.

O desemprego é grave

Os desempregados demoraram para perceber a gravidade da crise causada por Dilma Rousseff. Agora eles são 8,3% da população, segundo os dados divulgados hoje pelo Pnad, a maior taxa da série histórica.

Dilma requer cuidados

Dilma Rousseff, depois de declarar que a economia brasileira "requer cuidados", anunciou: “Eu espero uma situação melhor. Mas não tenho como garantir que a situação em 2016 vai ser maravilhosa, não vai ser, muito provavelmente não será. Agora também não será a dificuldade imensa que muitos pintam. Vamos continuar tendo dificuldades, até porque não sabemos a repercussão de tudo o que está acontecendo na economia internacional”. 
Traduzindo:
"2016 será melhor do que 2015, mas talvez não seja, aliás, não será, será ainda pior, talvez sim, talvez não, e o fato é que sou a pessoa menos recomendada para fazer previsões, porque não entendo nada de economia". (O Antagonista)

DILMA BOLADAÇA 1 – Dilma tenta mea-culpa, mas se atrapalha. Ou: Acho que ela não sabe a diferença entre “pró-cíclico” e “anticíclico”. Ou ainda: Regulador Xavier 1 e 2

A presidente Dilma Rousseff acertou numa coisa: na estampa. E só!
A presidente Dilma Rousseff acertou numa coisa: na estampa. E só!
A presidente Dilma Rousseff deu ao menos uma dentro: estava com a roupa certa, nesta segunda, quando chamou três jornais para conceder uma entrevista coletiva. Pelas fotos, não sei se era uma blusa ou um vestido, mas a estampa era de bom gosto. Todo o resto de sua fala é um apanhado de erros e de considerações absolutamente inverossímeis.
Sim, compreendo a situação meio desesperadora em que ela está. Mas é preciso que tenha um mínimo de respeito pela nossa inteligência. O problema é que anda mais fácil, para Dilma, acertar na roupa do que nos atos e palavras. Ela poderia ter convocado rede nacional de rádio e televisão, mas preferiu chamar a Folha, o Estadão e o Globo para inaugurar a fase Dalva de Oliveira do seu governo: “Errei, sim, manchei o teu nome…”.
É, caros leitores, a coisa está tão feia que restou à governanta ensaiar agora o caminho do “mea-culpa”, embora ela tenha feito questão de excluir, vamos dizer, o dolo político. Vamos ver, na transcrição feita pelo Estadão, como a presidente confessa o erro:
“Vocês sempre me perguntam: no que você errou? Eu fico pensando o que podia ser. Em ter demorado tanto para perceber que a situação poderia ser mais grave do que imaginávamos. E, portanto, tivéssemos que ter começado a fazer uma inflexão antes. Não dava para saber ainda em agosto (do ano passado). Porque não tinha indício de uma coisa dessa envergadura. A gente vê pelos dados. Setembro, outubro, novembro. Nós levamos muitos sustos. Nós não imaginávamos. Primeiro, que teria uma queda da arrecadação tão profunda. Ninguém imaginava isso. Nós sustentamos o investimento. Nós mantivemos a desoneração da folha. Desoneramos a cesta básica. Tem coisas que não voltamos atrás, como cesta básica. Poderíamos ter reajustado alguma dessas coisas. Cada vez que faço isso, diminuo a política de investimentos. Fizemos a política pró-cíclica. Para preservar emprego e renda. O que é possível considerar é que poderia ter começado uma escadinha. Agora, nunca imaginaria, ninguém imaginaria, que o preço do petróleo cairia de 105 em abril, 102 em agosto, para 43 hoje. A crise começa em agosto, mas só vai ficar grave mesmo entre novembro e dezembro. É quando todos os Estados percebem que a arrecadação caiu.”
Os fatos
Infelizmente, a presidente sabe que não está falando a verdade. Ou será que nem isso ela sabe? O que se vê estava absolutamente previsto, tanto é assim que ela atribuiu a Aécio Neves parte das medidas que ela já sabia que teria de adotar. Surpresa com a queda de arrecadação? É mesmo?
Em julho de 2014, ela já havia caído 1,6% em relação ao mesmo mês em 2013. Sem os R$ 7,130 bilhões do Refis em agosto do ano passado, a redução teria sido de 2,43%, mas o governo maquiou e apontou um aumento de 5,54%. Pedalada arrecadatória. Em setembro daquele ano, novo truque: o Refis entrou outra vez na conta, e a queda de 0,89% virou elevação. No mês seguinte, outubro, a queda real foi de 2,88%, mas tome a mágica do Refis, e se viu um aumento de 1,33%. Em novembro de 2014, as falácias da arrecadação extra haviam chegado ao fim, e a despencada foi de espantosos 12,86% na comparação com igual mês do ano anterior. Em dezembro, novo tombo: 8,9%.
Vale dizer: em razão da desaceleração da economia e da desastrada política de desonerações do governo, a receita fechou 2014 com queda real de 1,79% na comparação com 2013 — queda iniciada em julho. E Dilma vem agora falar que foi surpreendida?
Acho que ela não já não sabe o que diz. Sinceramente não entendi, e creio que nem ela, o que quis dizer a governanta ao afirmar: “Fizemos a política pró-cíclica”. Heeeinnn? Pró-cíclica? Quando?
A presidente esqueceu o lema do Regulador Xavier 1, para excesso de fluxo, e 2, para escassez? Nos anos Lula, sim, o governo aproveitou um período de expansão da economia para gastar dinheiro a rodo — foi pró-cíclico nefasto quando deveria ter sido anticíclico prudente. Isto é: havia excesso de fluxo, mas, mesmo assim, ministrou-se um Regulador 2 na economia. Afinal, buscava-se o jorro eleitoral.
Nos quatro primeiros anos de Dilma, os sinais de que a farra havia chegado ao fim eram evidentes e, no caso, ela deveria, de fato, ter sido pró-cíclica e, pois, atuado no sentido dos novos tempos, contendo gastos. Mas aí ela decidiu ser anticíclica, não é mesmo? Fez política agressiva de desoneração, baixou os juros na porrada e armou a arapuca que aí está. Ela só passou a ser pró-cíclica com Joaquim Levy — vale dizer: o governo é obrigado a medidas de contenção em razão da recessão.
Regulador xavier um e dois
Eu fiquei com a ligeira impressão de que a “economista” Dilma Rousseff não sabe que um governo é anticíclico quando atua contra o ciclo dado da economia e é pró-cíclico quando a favor dele. Para ser simples, mas eficiente: os governos são prudentemente anticíclicos quando são austeros em momentos de grande expansão para ser pródigos nos momentos de contração. E são pró-cíclicos quando alimentam os gastos na euforia ou apertam o cinto quando chega o período das vacas magras.
O que é melhor? Depende. Não são categorias morais. O melhor é ser prudente numa ou noutra coisa. Políticas pró-cíclicas irresponsáveis têm sempre a rebordosa — e Dilma pagou parte do preço das maluquices de Lula. Políticas anticíclicas igualmente irresponsáveis conduzem ao buraco, e Dilma paga o preço das maluquices… de Dilma.
No dias correntes, se não tomarem cuidado com a ânsia pró-cíclica de Joaquim Levy — medidas restritivas num ambiente já deprimido —, vai demorar muito para a vaca sair do brejo.
Nesse particular, eu fiquei em dúvida se Dilma estava tentando enganar os jornalistas, uma hipótese benevolente, ou se ela realmente não sabe o que diz — o que é coisa bem pior para nós. Por Reinaldo Azevedo

DILMA BOLADAÇA 2 – Até o mês passado, Dilma chamava corte de ministérios de “lorota”. Ou: Quando o passado condena e ilumina


A presidente Dilma Rousseff tem 7.895 coordenadores políticos. Logo, não tem nenhum. A redução dos ministérios — dez seriam cortados — e de cargos de confiança do primeiro escalão — talvez mil — foi anunciada de maneira meio tímida e atrapalhada pelos ministros Nelson Barbosa e Gilberto Kassab, do Planejamento e Cidades, respectivamente. Se for para valer, obviamente o próprio governo deveria ter dado mais atenção e peso à coisa. Ao perceber o erro crasso de comunicação, Dilma chamou ao Palácio repórteres de três jornais: Folha, Estadão e O Globo.
Pois é…
Disse a governanta:
“Queremos melhorar gestão, detectar em quais pontos há sobreposição de função. Obviamente, você tem uma derivada por obter eficiência, que é resultar na redução de gastos. Se não fica demagógico. Você não faz só isso. Temos uma meta. Achamos, à primeira vista, porque precisamos fazer todos os cruzamentos, que conseguimos reduzir dez ministérios. Mas não é só ministério que a gente quer reduzir. Em cada um dos ministérios, mesmo aqueles que, eventualmente, não serão objeto da reforma, teremos uma ação sobre eles. Queremos reduzir secretarias. Queremos reduzir sobreposição de órgãos nesses ministérios. Tem ministério com número de secretarias que foram sendo ampliadas ao longo dos anos. Então, agora, vamos passar todos os ministérios a limpo. Olhando, justamente a dimensão.”
Que coisa. Durante a campanha eleitoral, Dilma afirmou que reduzir ministérios era coisa de mentalidades tecnocráticas. No mês passado, ela concedeu uma entrevista à Folha em que classificava essa proposta de “lorota”. Podemos refrescar a memória com dois vídeos. Há um ano, no Estadão, a então candidata à reeleição sugeria que o corte na estrutura administrativa do governo federal era coisa de quem queria suprimir pastas da área social. Vejam o vídeo.
Ela estava, obviamente, respondendo a Aécio Neves, que foi claro na campanha eleitoral: “
Dilma que não venha com conversa! Não basta fazer um mea-culpa mixuruca. É preciso muito mais do que isso. Se for o caso, ela tem é de pedir desculpas. Posso até aceitá-las por essas coisas em particular. Mas acho que ela precisa deixar o governo. O motivo legal é a agressão à Lei 1.079, a Lei de Responsabilidade. O motivo político é o escancarado estelionato eleitoral, mais uma vez evidenciado.
Olhem aqui: uma das funções do jornalismo é exercitar a memória. Na entrevista desta segunda, Dilma afirmou o seguinte sobre a reforma da Previdência:
“A pergunta é a seguinte: nós vamos ter que fazer reformas? O governo tem gastos obrigatórios. 55% desses gastos são com a Previdência Social. Esses gastos com a Previdência são frutos do fato que nos últimos 13 anos tivemos uma ótima evolução. Primeiro, aumentou a expectativa de vida em quatro anos e meio. Segundo, as pessoas hoje têm uma taxa de mortalidade menor. Temos uma situação etária que mudou. Teremos que encarar, mais cedo ou mais tarde, essa situação. Quanto mais tarde, pior para o País. O padrão de crescimento que teve até aqui não vai durar. Não é aquele mais. Não é aquele para a China, para os Estados Unidos. Não é para ninguém. E vamos ter que nos adaptar nessa travessia. Nós não queremos a Grécia, queremos?”.
Em 2012, ano em que houve a primeira despencada no preço das commodities, Dilma participou, na França, do Fórum Pelo Progresso Social. Lula estava presente. Diante de seu mentor, acreditem, ela atacou severamente o corte de gastos inclusive nos países ricos. Sim, senhores: Dilma dava aula aos europeus sobre como deveriam proceder com suas respectivas economias, afirmando que os cortes de benefícios feitos por lá para enfrentar a crise afetavam o estado de bem-estar social. Lula cofiava o bigode, como se fosse o autor de uma modelo alternativo de economia. Eis o vídeo. Volto em seguida.
Eram tempos em que os valentes batiam no peito para declarar que o Brasil estava imune à crise e que havíamos descoberto por aqui um jeito só nosso de fazer as coisas, que servia de inspiração ao mundo. Economistas em penca advertiam para o desastre em curso. Nada! Seriam todos pessimistas, neoliberais e invejosos. A popularidade da giganta ultrapassava a casa dos 70%. Hoje, está em 7%.
Não, senhores! Não tentem chamar a arrogância daqueles tempos — e faz tão pouco tempo! — de ignorância. Não aceito! Ainda que assim fosse, isso só tiraria o aspecto doloso da coisa. Uma presidente que confessa ter errado tão monumentalmente ao ler os dados da economia do seu país e do mundo é, então, de assombrosa incompetência. Mais uma razão para ir para casa.
Dilma é vendida por aí como uma leitora voraz. Que bom! Há uma infinidade de livros. Que ela se divirta longe de nós. Por Reinaldo Azevedo

DILMA BOLADAÇA 3 – Ela diz ter sido surpreendida pelo envolvimento do PT no petrolão. É mesmo? Agora, a do papagaio!

Boneco de Lula caracterizado como presidiário virou símbolo destes tempos
Boneco de Lula caracterizado como presidiário virou símbolo destes tempos
É claro que o tema corrupção teria de entrar na entrevista concedida pela presidente Dilma Rousseff aos três jornais. Aí, de fato, a presidente vai um pouco além do razoável e aposta excessivamente na credulidade dos brasileiros. Não é prudente para quem tem apenas 7% de popularidade. Vejam o que disse sobre a corrupção envolvendo seu partido, o PT:
“Não imaginava [pessoas ligadas ao PT envolvidas com irregularidades na Petrobrás]. Fui surpreendida. Lamento profundamente. Sou a favor de uma coisa que Márcio Thomaz Bastos [advogado e ex-ministro morto no ano passado] dizia. Não espere que sejam as pessoas a fonte da virtude. Tem de ser as instituições. Elas é que precisam ter mecanismos de controle. Quem pode colocar luz sobre um processo de corrupção é a maturidade institucional do País. Acho que somos uma democracia forte. Porque as instituições não são vulneráveis aos desígnios pessoais de quem quer que seja. Ninguém pode chegar à Presidência e olhar para processos de corrupção como uma coisa pessoal. Só pode olhar e ver que o País deu um passo e foi para frente. Agora, sou a favor, em qualquer circunstância, do direito de defesa. É isso que torna a democracia forte.”
Ainda que os petistas só tenham descoberto as virtudes do direito de defesa depois da chegada ao poder, vá lá: quem, além deles, era contra?
O que não dá para engolir é a surpresa, não é mesmo? Especialmente porque a cúpula do seu partido já tinha ido parar na cadeia por causa do mensalão. Atenção! A Operação Lava-Jato havia começado em março. Sabem quando a então candidata à reeleição Dilma Rousseff admitiu pela primeira vez a possibilidade de roubalheira na Petrobras? Só no dia 18 de outubro, faltando apenas oito dias para o segundo turno das eleições e 13 depois do primeiro. As pesquisas apontavam uma possível dianteira de Aécio Neves.
E não que ela tenha sido clara, peremptória. Disse então:
“Eu farei todo o meu possível para ressarcir o país. Se houve desvio de dinheiro público, nós queremos ele de volta. Se houve, não: houve, viu?”.
Notaram o “se”? Paulo Roberto Costa decidira fazer delação premiada em agosto, comprometendo-se a devolver R$ 70 milhões. Alberto Youssef, em setembro. Em outubro, a candidata do PT ainda tinha dúvidas sobre o envolvimento do seu partido na sem-vergonhice.
A presidente Dilma deveria ter um pouco mais de respeito pela inteligência alheia. Até então, o PT tratava as denúncias de roubalheira na Petrobras como um grande complô para privatizar a empresa.
Encerro com uma observação absurda feita por Dilma, depois de jurar a sua proximidade eterna com Lula:
“Minhas relações com Lula são as mais próximas. Quem tentar me afastar dele não conseguirá. Mas botar bomba no Instituto Lula, fazer aquele boneco (Lula vestido de presidiário) é um desserviço para o País.”
A afirmação é típica de uma mente perturbada. Jogar a bomba no instituto é mesmo inaceitável e certamente é coisa de gente que queria que os petistas contassem com esse ativo, digamos, moral. É coisa de quem queria o PT como vítima.
Quanto ao boneco, qual é o problema? É parte da liberdade de expressão. A menos que Dilma reclame dos muitos de Eduardo Cunha malhados nas passeatas do PT, o juízo, além de confundir livre expressão com violência, ainda comete o pecado da censura seletiva.
Dilma deveria ter se poupado e ter nos poupado. Já que não o fez, merece ser desconstruída. Por Reinaldo Azevedo

Renan ainda não tem os votos no TCU em favor de Dilma; já o “sim” para Janot, ele garante

Fernando Collor (PTB-AL) promete uma quarta-feira agitada, mas Renan Calheiros (PMDB-AL), seu homem forte no Congresso quando foi presidente, já aplainou o terreno e garante uma aprovação tranquila de Rodrigo Janot, que vai ser reconduzido à Procuradoria-Geral da República. A aprovação na Comissão de Constituição e Justiça e a do plenário devem se dar no mesmo dia. Embora a votação seja secreta, é improvável que haja surpresas. Renan ainda não conseguiu entregar ao governo os votos prometidos do TCU. Mas ele continua empenhado. Renan, aquele que se apresentou como peça-chave do acordão que está moribundo, fala com a inflexão dos estadistas: “Vou demonstrar completa isenção e grandeza como presidente do Senado Federal. Vamos fazer a sabatina na quarta-feira (dia 26), vou conversar com os líderes para que nós votemos no mesmo dia, para que definitivamente o Senado possa demonstrar que não vai permitir o amesquinhamento dessa apreciação”. Embora o presidente do Senado integre, desde a primeira hora, a lista dos investigados em inquérito, não há, até agora, denúncia contra ele. Em contraste, contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, tudo avançou com rapidez singular. Em conversa com Dilma, Romero Jucá (PMDB-RR), também investigado, garantiu que Janot será aprovado. Eunício Oliveira (PMDB-CE) tem a mesma opinião. Janot conta com um grande aliado no Senado: Fernando Collor. Tem sido tal a violência retórica do parlamentar contra o procurador-geral que isso só poderá contar a favor de sua recondução. Até um questionamento que realmente procedente — a contratação, pela PGR, de uma assessoria de imprensa por meios que não parecem os mais ortodoxos — se perde na pancadaria e acaba se desmoralizando.
Que os senadores cumpram a sua função. Há muito o que perguntar a Janot:
– por que, na lista de pessoas investigadas, não há ninguém do Executivo?;
– um escândalo dessa dimensão seria possível sem a participação ativa de figuras do governo?;
– por que um escândalo obviamente protagonizado pelo PT tem como primeiro denunciado justamente um político do PMDB?;
– por que não há nem mesmo um pedido de abertura de inquérito contra Dilma?;
– por que não há nem mesmo um pedido de abertura de inquérito contra Edinho Silva?;
– o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) foi parar na lista, apesar da absurda fragilidade da acusação contra ele, porque era preciso ter alguém da oposição?;
– na opinião do procurador, um presidente que, no primeiro mandato, cometesse um crime que eventualmente colaborasse para que obtivesse um segundo não poderia ser denunciado nem assim?;
– isso implica que a Constituição deu, então, licença para um presidente delinquir, de sorte que se estaria diante de um paradoxo: se o crime cometido foi inútil para obter um segundo mandato, seu autor será logo processado; se, no entanto, o criminoso tiver sido bem sucedido, ganha a imunidade?;
– quando se redigiu o Parágrafo 4º do Artigo 86 da Constituição — a saber: “O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções” —, não havia reeleição no país. Faz sentido fingir que hoje também não há?
Não são questões para derrubar Janot. São explicações que ele tem de dar. Por Reinaldo Azevedo

Governo da petista Dilma decide pagar 50% do 13º salário de aposentados em setembro, na ausência do ministro Joaquim Levy

O governo da petista Dilma Rousseff decidiu pagar o adiantamento de metade do 13º dos aposentados e pensionistas da Previdência junto com os benefícios de setembro — creditados na conta bancária a partir do dia 24 do próximo mês. A decisão foi tomada na noite desta segunda-feira (24), na ausência do ministro Joaquim Levy, que pediu licença de três dias e está em Nova York, e anunciada pelo Palácio do Planalto. Até o último sábado (22), ainda prevalecia o cronograma do Ministério da Fazenda de fazer o pagamento da antecipação em duas etapas: 25% em setembro e os outros 25% em outubro. Há nove anos, o adiantamento de metade do benefício é pago entre o final de agosto e início de setembro. Neste ano, alegando falta de recursos em caixa, o Ministério da Fazenda não garantiu o acerto na data prevista. O objetivo da equipe de Levy era pagar a conta somente em dezembro, quando a segunda metade do 13º salário é normalmente depositada. Para convencer o Palácio do Planalto, a Fazenda argumentou que a medida não era obrigatória. Ministros políticos e o próprio PT pressionaram a presidente Dilma Rousseff a não encampar a proposta de Levy devido ao desgaste político que a decisão provocaria. Nas últimas semanas, a área técnica dos ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Previdência buscaram uma saída para o impasse. Em entrevista no sábado, Levy afirmou que as despesas estão sendo administradas com "muito cuidado", porque as receitas têm sido afetadas por "vários fatores". "Mas o problema já está equacionado, até por conta da evolução de algumas ações que devem trazer resultados no quarto trimestre. Vamos pagar a primeira parcela agora em setembro", afirmou Levy. Com a aprovação do projeto de reoneração da folha de pagamento das empresas e com a entrada de recursos adicionais de concessões públicas, o governo ganhou fôlego para arcar com a antecipação. O pagamento antecipado de metade do 13º começou em 2006, após acordo firmado entre governo e entidades representativas de aposentados e pensionistas. De acordo com a Previdência, esse acordo tinha validade só até 2010. Mas o Planalto optou por continuar antecipando os recursos, como uma forma de ajudar a manter a economia aquecida. Apesar dos problemas para pagar a antecipação dos aposentados do INSS, o governo garantiu o pagamento em dia do mesmo benefício para os seus servidores, incluindo os aposentados. Em junho, a União teve uma despesa de R$ 5,7 bilhões com o adiantamento de metade do 13º dos funcionários públicos civis e militares. O próprio ministro Levy e a presidente Dilma receberam a antecipação de R$ 15.467,35.

"Boneco de Lula é um desserviço"

Dilma usou seu encontro com jornalistas para alertar que "botar bomba no Instituto Lula" e "fazer aquele boneco" é um "desserviço" ao País. Sim, ela comparou as duas coisas. Nesta segunda-feira negra, isso é tudo o que ela tem a dizer? Na verdade, não. Ela falou também que acha "perigoso" o povo ser pessimista e, quando questionada sobre a recessão, saiu-se com a seguinte frase: "Uma previsão é a melhor estimativa possível. Nós faremos nossa previsão, mas com condições de contorno bem claros". Entenderam? Ela não tem previsão, mas vai dobrar a previsão ou cortar pela metade, assim que possível.


O Antagonista adorou o boneco de Lula e acha que Dilma é um desserviço ao País

"Era mais grave do que imaginávamos"

Dizer quer Dilma não fez um mea-culpa é injustiça? Ao Globo, ela afirmou: "Errei em ter demorado tanto para perceber que a situação era mais grave do que imaginávamos". Falou ainda que poderia ter começado a "fazer uma inflexão antes", mas "não tinha indício de uma coisa dessa envergadura". Não, não é uma injustiça.