quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Câmara aprova restrição a despesa de Estado e municípios

A Câmara aprovou em primeiro turno, na noite desta quarta-feira (2), proposta do pacto federativo que protege Estados e municípios de novos encargos ou prestações de serviços sem que haja repasse de recursos financeiros da União. A votação transcorreu com poucas discussões, uma vez que o texto já havia sido fruto de acordo na última semana, quando passou pela comissão especial. Foram 379 votos a favor, 47 contrários e 9 abstenções – por se tratar de PEC, era necessário o apoio de, pelo menos, 308 dos 513 deputados para seguir ao segundo turno. De acordo com o regimento da Câmara, o texto precisa passar por cinco sessões de discussão antes da votação em segundo turno. Contudo, um acordo dos líderes pode acelerar esse prazo. A expectativa é que a avaliação da proposta já termine na semana que vem, quando a PEC seguirá para o Senado e cumprirá o mesmo rito de apreciação, em dias sessões de votação no plenário. Da forma como está, a proposta prevê uma salvaguarda à União, ao determinar que novos gastos tenham previsão no Orçamento. A PEC determina que novos encargos devem estar previstos no Orçamento da União, ou precisam ser acompanhados de aumento permanente de receita ou de redução permanente de despesa. O receio do Planalto é que todo novo encargo autorizado tivesse que ser arcado pela União. A ideia é que a proposta iniba a votação das chamadas pautas-bomba pelo Congresso. Os pisos salariais de servidores estaduais e municipais, foram o principal ponto de divergência. Os salários cuja competência de definição cabe à União, como educação e saúde, só serão reajustados se o governo federal garantir a fonte de recurso. Para aprovar a proposta, os deputados retiraram do texto o trecho que estabelecia compensações nos pagamentos. Apesar de salvaguardar a União quando se trata de novos encargos para Estados e municípios, a PEC não estabelece esses mesmos princípios de vinculação de despesas a receitas para gastos próprios. Foi justamente o que fez o Senado semana passada ao concluir a votação uma PEC da senadora Ana Amélia (PP-RS). Os senadores afirmam que a proposta deles é mais completa, já que também faz a vinculação de responsabilidades para gastos da União. Contudo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já avisou que não há acordo para essa votação no momento. Apesar de já haver previsão da obrigatoriedade de criação de despesa apenas com receita na Lei de Responsabilidade Fiscal, o governo pretende constitucionalizar o tema.

Banco Central interrompe série de elevações e mantém taxa Selic em 14,25% ao ano


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, em 14,25% ao ano. A decisão, esperada pela maioria dos analistas, foi anunciada na noite desta quarta-feira. O Banco Central interrompe, assim, uma série de sete elevações consecutivas da taxa básica, iniciada em outubro do ano passado. Os membros do Copom decidiram pela manutenção de forma unânime. "O Comitê entende que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016", disse o Banco Central em nota distribuída logo depois da votação. O Copom informou que a decisão ocorreu sem viés, o que sinaliza nova manutenção na próxima reunião do comitê, marcada para os dias 20 e 21 de outubro. As elevações em sequência da Selic ocorreram sob fortes sinais de pressão inflacionária - e o aumento da taxa básica é um dos instrumentos utilizados para tentar conter a disparada dos preços. Na pesquisa Focus, realizada semanalmente pelo Banco Central com instituições financeiras, os analistas preveem, em média, inflação de 9,28% para 2015 - muito acima do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, de 4,5%. Ainda que a decisão de hoje sobre a taxa Selic fosse esperada pelos analistas de mercado, havia quem não duvidasse de nova elevação nesta quarta-feira. A disparada do dólar, outro motor para a alta da inflação, ganhou corpo nesta semana depois que o governo apresentou uma proposta de orçamento para 2016 com rombo de 30,5 bilhões de reais. Nesta quarta-feira, o dólar fechou em alta de 1,95%, negociado por 3,75 reais, seu maior patamar desde dezembro de 2002. Em 2015, a valorização acumulada é de mais de 41%.

Malafaia pelo impeachment

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Deputado de Malafaia é atua pelo impeachment
Silas Malafaia ainda está a mil pelo impeachment. Seu representante na Câmara, Sóstenes Cavalcante, faz parte do grupo suprapartidário que, nos bastidores, vem articulando a queda de Dilma. Por Lauro Jardim

Balde de água fria

No buraco
No buraco
A quebra da Unimed Paulistana, exposta a partir das medidas impostas hoje pela ANS, pode ser um balde de água fria no setor de saúde, raro segmento que permanecia com interesse aquecido por parte dos investidores financeiros. Apenas a Unimed Paulistana deve cerca de 1 bilhão  de reais a operadoras e hospitais. Por Lauro Jardim

Gonçalves impedido

Benedito: conflito de interesses no STJ
Benedito: conflito de interesses no STJ
Depois de revelada a amizade repleta de favores entre Benedito Gonçalves e Léo Pinheiro, o encrencado ex-presidente da OAS, o ministro do STJ se declarou impedido de relatar um recurso da Cedae, companhia de água e esgoto do Rio de Janeiro, cuja jurisprudência poderia beneficiar a Samar e a OAS Soluções Ambientais, que prestam serviços de água e esgoto e são controladas pelo Grupo OAS. Por Lauro Jardim

PMDB reunido

Pezão: incomodado com a base
Cúpula do PMDB quer traçar “estratégia conjunta”
Luiz Fernando Pezão e Michel Temer organizaram uma reunião na próxima terça-feira na vice-presidência reunindo sete governadores do PMDB, Renan Calheiros e Eduardo Cunha. O objetivo do encontro, pelo menos oficialmente, é “traçar uma estratégia conjunta para a relação do PMDB com o governo Dilma”. Por Lauro Jardim

A crise vista do alto

A crise vista do alto
Apenas 10,5% dos assentos ocupados em ponte aérea
A crise está literalmente no ar. O voo 1027 da Gol, que saiu às 12h30 do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, rumo a Congonhas, em São Paulo, tinha cerca de vinte passageiros. Considerando que o avião era um 737-800, cuja capacidade é de 189 passageiros, chega-se ao número de apenas 10,5% dos assentos ocupados. Por Lauro Jardim

Mendes e Noronha costuram

Gilmar quer mais investigação
Gilmar quer mais investigação
Gilmar Mendes e João Otávio de Noronha almoçaram ontem para falar de um pedido de Gilmar no TSE. Numa das quatro ações que investigam as contas de campanha de Dilma, Mendes há tempos pediu uma quebra do sigilo das contas do PT de 2010 para cá. Do PT todo. O objetivo é rastrear se houve dinheiro da Petrobras no financiamento de alguma candidatura do partido de lá pra cá. Na interpretação de Gilmar, isso poderia abrir uma brecha para colocar essa candidatura sub júdice. Para que ocorra a quebra do sigilo das contas, teria que passar pelo plenário do TSE, bem dividido em temas espinhosos para o lado do PT. Por Lauro Jardim

O fosso gaúcho

Goergen quer apuração na dívida
Goergen quer apuração na dívida
O deputado federal Jerônimo Goergen pediu que o TCU audite a dívida do Rio Grande do Sul com a União. A propósito, pelas contas do governo de José Ivo Sartori, cada gaúcho deve 6 400 reais de dívida pública. Por Lauro Jardim

Menos um batendo

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Mira em Mercadante e Barbosa
Paulo Skaf, que na semana passada desceu a borduna sobre Joaquim Levy, foi convencido por alguns empresários de peso a mudar de alvo. A mira não deve mais ser o ministro da Fazenda, mas Aloizio Mercadante e Nelson Barbosa. Por Lauro Jardim

Quem está escondendo o dinheiro roubado por José Dirceu?


As investigações da Operação Lava Jato indicam que o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula) recebeu R$ 11,8 milhões em propinas do esquema de corrupção na Petrobrás. Esse é o valor comprovado, segundo a PF, mas os investigadores estimam que Dirceu pode ter embolsado outros R$ 7 milhões provenientes de contratos firmados em sua área de influência na petroleira.


Relatórios de investigação da Polícia Federal apontam, ainda, que o esquema de corrupção atribuído a José Dirceu, que chefiou a Casa Civil no primeiro mandato de Lula, movimentou mais de R$ 59 milhões propinas. A Polícia Federal estima que o valor pode ultrapassar os R$ 84 milhões. O petista recebeu mais do que o ex-diretor da Petrobrás Renato Duque que, segundo as investigações, foi destinatário de R$ 7,6 milhões em propina enquanto esteve na Diretoria de Serviços, em valores já confirmados.No entanto, grande parte deste dinheiro não passou por contas bancárias, o que leve a grande pergunta: quem está escondendo o dinheiro roubado por José Dirceu? (CoroneLeaks)

Dilma corta 32% dos gastos de Saúde


O gasto do governo federal com investimentos (obras e compras de aparelhos) na saúde caiu 32% nos primeiros sete meses de 2015 em relação a igual período do ano passado. De janeiro a julho de 2014, o desembolso para construção de unidades de saúde e compra de equipamentos médicos chegou a R$ 2,5 bilhões. Neste ano, o montante não passou de R$ 1,7 bilhão. Em meio à crise, o Ministério da Saúde sofreu um corte de R$ 13 bilhões em seu orçamento original, que era de R$ 121 bilhões para 2015. oi o segundo maior ajuste na Esplanada – superado apenas pelo da pasta das Cidades. Mesmo com o corte, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, dizia que a pasta havia sido "preservada" e não sofreria forte impacto.

Justiça do Trabalho retira gestão plena do Banrisul sobre sua área de recursos humanos

O Banrisul foi instado a firmar Termo de Ajustamento de Conduta, mas se negou a firmá-lo. O Banrisul não poderá mais demitir, transferir ou mudar de função nenhum trabalhador que resolver acionar o banco em Juízo. Isto vale para quem já foi atingido e para qualquer outro bancário que resolver fazer o mesmo. Basta mover ação e a proteção será imediata. O Banrisul não poderá mais fazer a gestão plena da sua área de recursos humanos, o que é comum em todos os outros bancos. A decisão é da 14ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, que atendeu denúncia do Ministério Público do Trabalho e do Sindicato dos Bancários. Se não for obedecida, o anco terá que pagar R$ 10 mil de multa diária por bancário. O banco também foi multado em R$ 1,7 milhão. Não há dúvida de que os gaúchos não precisam pagar por isso. É mais um motivo para ser privatizado esse traste que tanto penaliza os gaúchos. 

Em dezembro de 2002, país pirou porque ninguém conhecia o PT; em 2015, porque todos conhecem o PT

A maior fonte de especulação e de instabilidade do governo Dilma chama-se… Dilma. Só nesta quinta-feira, o dólar fechou em alta de quase 2%: R$ 3,759 para venda, maior nível desde 12 de dezembro de 2002, quando chegou a R$ 3,785. Atenção! Viviam-se dias de altíssima especulação em razão da vitória do PT nas urnas. Ainda que o partido já houvesse tornado pública a “Carta ao Povo Brasileiro”, em que prometia se ajoelhar no altar do mercado. Só neste ano, a moeda subiu 41,41%. É culpa da China? Não! A China não tem nada com isso. A responsável é, mais do que nunca, a governanta. A impressionante lambança feita com o envio do Orçamento ao Congresso é a causa imediata do agravamento da instabilidade. Até agora, não entendi a jogada. Bem, vamos ser claros: até agora, ninguém entendeu a jogada, nem mesmo seus geniais articuladores. Não! Eu não estou defendendo que a nossa Sacerdotisa da Argentinização deveria ter mandado um Orçamento falso para o Congresso — até porque eu não acredito na verdade dos números enviados. Eu estou afirmando aqui que houve certo cálculo — burro, para não variar — na operação. De algum modo, se imaginou que a patuscada iria gerar uma espécie de solidariedade diante da pátria ameaçada: “Oh, o Brasil está na pindaíba! Unamo-nos em torno na presidente, em busca de recursos. Acima de nós, está o Brasil”. O único que cedeu a essa conversa foi Renan Calheiros. Na hora, não lhe ocorreu nada mais grandioso do que fundir Valeska Popuzada com Thomas Jefferson: “Tiro, porrada e bomba, como dizem versos da música contemporânea, não reerguem nações: espalham ruínas e só ampliam escombros. Não seremos sabotadores da Nação". Dá-lhe, Renan! Gostei mesmo foi da reação da funkeira, a única coisa sensata de todo o imbróglio. Afirmou ela: “Colocando no contexto da crise econômica que vivemos e sofremos muito, a única coisa que eu peço — como uma pessoa que segue sofrendo de perto todos os efeitos da crise, como todos os demais brasileiros — é que resolvam com inteligência e sem roubalheira”. Na entrevista que concedeu, Dilma tentou remendar a besteira que fez, afirmando que o governo apresentará uma espécie de emenda ao orçamento, em que se vai procurar zerar o déficit. Talvez seja apenas uma medida de proteção legal, já que é evidente que a proposta agride a Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas o estrago já está feito. E a correção só vai aumentar a desconfiança. O busílis é o seguinte, se números significam alguma coisa, e eles significam: o mercado alimenta em relação a Dilma a mesma desconfiança que alimentava em dezembro de 2002, quando ainda não conhecia o PT no governo. Explica-se: afinal de contas, todos já conhecemos o PT no governo! Por Reinaldo Azevedo

Anos e anos

José Dirceu vai ser transferido para a penitenciária de Curitiba. O aspecto mais importante da notícia, porém, é outro: ele não deve sair de lá tão cedo.

Que delator é esse?

Renato Duque deu a entender que pretendia fazer um acordo de delação premiada com a Lava Jato, mas até agora não se mostrou disposto a entregar ninguém. Seu advogado, Marlus Arns de Oliveira, está pensando em abrir mão de sua defesa, pois se cansou de perder tempo com as mentiras do operador petista... 


Mentiroso!

A sabatina rápida e silenciosa de Navarro

A CCJ aprovou por unanimidade o nome de Marcelo Navarro para o STJ. Não houve perguntas difíceis, não houve polêmica, não houve sequer cobertura da imprensa tradicional. Agora ele será aprovado no plenário do Senado. Nos bastidores, Navarro é tido como nome do PMDB. Mas agora está claro que tem o apoio de todos os partidos. Sobre a suspeita de um acerto nos bastidores para livrar Marcelo Odebrecht, seu conterrâneo José Agripino, do DEM, disse que Navarro "não se submeteria" a esse acordão nem que fosse "para ser rei do universo". Agripino, O Antagonista sabe muito bem quem é o "rei" desse universo podre de pixulecos que vocês construíram. 


Suspeita-se que Navarro seja o homem que vai soltar Marcelo Odebrecht e enterrar a Lava Jato no STJ

Se Levy for embora, Dilma também vai

Após o governo assumir que as contas públicas podem fechar 2016 com um rombo de R$ 30 bilhões, parte dos políticos, do mercado e da imprensa afirma que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, já está com um pé para fora do governo – empurrado pelas próprias forças centrífugas que emanam dos bastidores do Palácio do Planalto. O problema é que aonde Levy for, a presidente Dilma Rousseff irá em seguida. Inclusive, para fora de Brasília. É o que avalia a consultoria Eurasia Group, segundo a qual a queda de Levy eleva, automaticamente, as chances de Dilma não terminar o mandato.

Marcelo Odebrecht está feliz

O desembargador Marcelo Navarro foi aprovado por unanimidade pela CCJ do Senado para assumir o cargo no STJ. Marcelo Navarro afirmou não ter impedimentos para julgar a Lava Jato. A gente sabe que ele não tem impedimentos. Marcelo Odebrecht também.

Quem escreveu foi Janot ou o petista Aragão?

O texto de Rodrigo Janot em resposta ao pedido de investigação de Gilmar Mendes sobre a gráfica VTPB tem argumentos que parecem saídos de uma apostila petista. Tanto que faz pensar que o seu verdadeiro autor é Eugênio Aragão, vice-procurador-geral eleitoral e ardoroso entusiasta do Partido dos Trabalhadores. Ao examinar o documento, O Antagonista verificou que a primeira folha é timbrada com o logotipo da Procuradoria Geral da República, a segunda também traz a inicial "PGR", mas todas as outras, com o corpo da resposta negativa ao pedido de investigação, mostram a inicial "PGE", de Procuradoria-Geral Eleitoral. Conclusão hipotética: ou está faltando papel na PGE, ou Rodrigo Janot encarregou-se de fazer apenas a introdução burocrática, em papel timbrado da PGR, deixando a redação do documento por conta exclusiva do petista Eugênio Aragão, para apenas assinar no final, na condição de procurador-geral eleitoral, cargo que também ocupa. Constate você mesmo no link abaixo: 

O rombo é quatro vezes maior

As contas "realistas" e "transparentes" apresentadas pelo governo não são nem realistas, nem transparentes. O Estadão mostra, de fato, que o déficit de 2016, quando se incluem os gastos do PAC, dispara de 0,5% do PIB para 1,2% do PIB - ou 72,9 bilhões de reais. O Globo, computando receitas e despesas, já havia somado 40 bilhões de reais ao rombo previsto pela equipe econômica. Ao todo, portanto, o Brasil terá de cobrir um buraco de 112 bilhões de reais, e não de 30,5 bilhões de reais. A estupidez dessa gente extrapola todos os limites.

Um delator de verdade

Leonardo Meirelles, sócio de Alberto Youssef no laboratório Labogen, negocia um acordo de delação premiada com a Lava Jato, segundo O Globo. Seu advogado disse que Meirelles fez mais de 4 mil operações financeiras irregulares no exterior, que envolvem “mais de um político”. Mas não é só isso. Hoje à tarde, Meirelles prestou depoimento no processo que investiga a Odebrecht e acusou a empreiteira escravista de ter usado a Labogen para repassar 7 milhões de reais em propinas no exterior. Será que tem uma "cta. Suíça" lá no meio?

E Renan não se safou. Por enquanto

A impressão de que Renan Calheiros se safaria logo da Lava Jato era fruto do rumor segundo o qual a PGR não pediria ao STF a extensão do prazo para investigá-lo. Pois a PGR pediu mais 60 dias. Esperemos que não seja teatrinho de Rodrigo Janot -- que, aliás, estava pronto para livrar Gleisi Hoffmann quando foi atropelado pelos fatos.

Motoqueiro de Dilma na "ciranda do Pixuleco"

Quem leu os seis posts publicados pelo Antagonista pode estar confuso agora. São muitos nomes, muitas relações, mas todas fundamentais para o encadeamento da investigação. O que se descobriu até agora? Que Dércio Guedes de Souza (dono da JD2 Consultoria) é amigo do ministro Carlos Gabas (motoqueiro de Dilma), que Gabas mora na casa de Vanessa Bilacchi, filha do ex-presidente da Previ Jair Bilacchi, que vem a ser sócio oculto de Dércio Guedes na mesma JD2 Consultoria. Dércio Guedes de Souza também é sócio de Alexandre Romano, o operador de propinas do PT identificado na Operação Pixuleco II. Nessa investigação já caíram os ex-ministros Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann, e Carlos Cortegoso, dono da Focal, empresa que recebeu mais de R$ 24 milhões da campanha de Dilma. Alexandre Romano, sócio de Dércio, amigo de Bilacchi, senhorio de Gabas, foi colocado na função de operador de pixulecos do PT pelo falecido Luiz Gushiken, padrinho político do mesmo Gabas.


Carona na amizade: Dilma conheceu as retas de Brasília na garupa da Harley Davidson de Carlos Gabas.

Exclusivo: A Ciranda do Pixuleco (1)

Prestem muita atenção nesta casa. Ela fica no Lago Norte de Brasília, um bairro residencial de alto padrão. Tem 460 m2 de área construída sobre um terreno de quase 800 m2; cinco quartos, dependência de empregada, área de lazer com churrasqueira e piscina. Mais importante é saber quem mora aqui. O Antagonista foi investigar e já volta.


Quem mora nessa casa desfruta da amizade e da confiança de Dilma Rousseff

A Ciranda do Pixuleco (II)

A casa mostrada no post anterior é ocupada por Carlos Gabas. Mas importa saber também quem é o dono do imóvel em que vive o ministro da Previdência. Para quem não conhece Gabas, o Antagonista resume: ele não é apenas mais um ministro, ele é o motoqueiro de Dilma. Antes de dar suas pedaladas pela Esplanada, Dilma gostava de escapar da rotina na garupa da Harley Davidson de Gabas. Ele a levava para passeios dominicais por Brasília.


Gabas corre o risco de cair do cavalo - ou da moto

A Ciranda do Pixuleco (III)

A escritura da bela casa onde vive Carlos Gabas, em região nobre de Brasília, traz como proprietária Vanessa Bilacchi. Ela é filha do ex-presidente da Previ Jair Bilacchi, um tucano que se converteu em petista e fez milhões no mercado imobiliário. Bilacchi foi pivô do caso Encol e chegou a presidir a Previ, o fundo de pensão dos servidores do Banco do Brasil. Antes de Vanessa, a residência estava em nome de seu ex-marido Rodolfo Lira, filho do senador Raimundo Lira (PMDB), que ganhou o mandato em dezembro passado depois que Vital do Rêgo foi nomeado ministro do TCU. 




A Ciranda do Pixuleco (IV)

Segundo investigação preliminar da força-tarefa da Lava Jato, Jair Bilacchi é sócio informal de Dércio Guedes de Souza, o dono da JD2 Consultoria. Daí a sigla "J" de Jair e "D" de Dércio. Ambos são egressos do Banco do Brasil, trabalharam juntos e passaram a atuar no mercado de créditos imobiliários inadimplentes, entre outros setores. Dércio é amicíssimo de Carlos Gabas, ambos frequentam a casa um do outro. Essa relação familiar está registrada em documentos obtidos pela Operação Pixuleco II. Na busca e apreensão ocorrida na sede da JD2, a Policia Federal encontrou ainda contratos de gaveta, planilhas de pagamentos, notas fiscais e arquivos de mídia que demonstram a relação empresarial de Dércio e Jair. A JD2 Consultoria pertence ao esquema montado por Luiz Gushiken - padrinho político de Gabas e já falecido - e operado pelo ex-vereador petista Alexandre Romano. Romano, que negocia um acordo de delação premiada, já entregou provas contra Paulo Bernardo, Gleisi Hoffmann e Carlos Cortegoso, o garçom de Lula dono da Focal e da CRLS.

A JD2 recebeu R$ 7,2 milhões desviados do contrato da Consist com o Ministério do Planejamento por meio da Consist Software para os cofres do PT,

A Ciranda do Pixuleco (V)

O Antagonista procurou Carlos Gabas, que confirmou a forte relação de amizade com Dércio Guedes de Souza, dono da JD2 Consultoria. Ele disse o seguinte: "Somos amigos de longa data, minha esposa é amiga da mulher dele. A neta dele acabou de nascer e ele me ligou para contar. Mas posso garantir que não temos qualquer negócio juntos." Disse também que não conhece Jair Bilacchi e que sua relação com a filha Vanessa seria meramente contratual. Contou que mora há anos no imóvel, pensou em comprá-lo, mas não teve dinheiro. Ele entregou ao Antagonista uma cópia do último contrato de aluguel no valor de R$ 6,4 mil.



O contrato está em nome de uma das empresas de Vanessa - ela tem outras

A Ciranda do Pixuleco (VI)

Além de amigo de Carlos Gabas e sócio informal de Jair Bilacchi, "dono" da casa onde mora o motoqueiro de Dilma, Dércio Guedes de Souza é sócio do próprio Alexandre Romano, o operador do esquema investigado pela Pixuleco II. Dércio e Romano montaram no ano passado as empresas "ATS Soluções" e "ATS Empréstimos e Financiamentos". A segunda foi fechada após três meses de atividade. A primeira atua na área de previdência complementar e teve como sócio Roberto Meira, sócio de Jair Bilacchi na C3V Concessões.

Dilma perde o controle do governo, a linha de raciocínio, o bonde…

Há uma figura muito influente na República que, ao falar o nome “Dilma”, sempre emenda a palavra “coitadinha”. Não que tenha pena genuína da presidente, o que, convenham, não é o caso. Ao pespegar o adjetivo no diminutivo, nem está sugerindo que a presidente seja sofredora, desditosa. Empresta-lhe, na verdade, um sentido novo, o que vivemos fazendo cotidianamente com as palavras. O “coitadinha” poderia significar inimputável, alheia à realidade, desprovida de maiores dotes intelectuais, incapaz de se haver com os próprios problemas. A presidente concedeu uma entrevista nesta quarta para tentar pôr um freio na barafunda que ela própria criou. Com o objetivo de provocar alarde e de emparedar o Legislativo, mandou um Orçamento com um rombo de R$ 30,5 bilhões. Achou que isso assustaria os mercados, geraria uma comoção, e os parlamentares correriam imediatamente para socorrê-la. As duas primeiras coisas aconteceram; a terceira não! Todos perceberam o truque, e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente do PSDB, e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, disseram o óbvio, que observei aqui de saída: não cabe ao governo federal jogar a responsabilidade de cobrir o rombo nas costas do Congresso. É um absurdo absoluto! Até porque não é ele que arbitra os gastos. Ou a madame pretende ser a dona das despesas, jogando para os outros a atribuição de conseguir receita? Mais: há a possibilidade de a oposição recorrer ao Supremo. Se os ministros honrarem o que está escrito na Lei Complementar 101, a da Responsabilidade Fiscal, fim de papo: a peça é ilegal. No espírito da lei, não existe despesa sem que se aponte a fonte de receita. A ser assim, o Executivo prometeria o céu, e a tarefa de alcançá-lo ficaria com deputados e senadores. Na entrevista, Dilma afirmou que não está tentando transferir responsabilidades e deu a entender que a peça será emendada — muito provavelmente, vão dar um jeito de esconder o déficit, eliminando assim a única quase-virtude daquela piada: a sinceridade ilegal. Sim, é sincero dizer que haverá déficit. Mas frauda a lei. Então não há saída? Há! Fazer os cortes.
Disse a presidente:
“O governo vai de fato mandar [um adendo à proposta Orçamentária para 2016], e é responsabilidade dele [...] Nós não fugiremos às nossas responsabilidades de propor a solução ao problema. O que queremos, porque vivemos em um país democrático, é construir essa alternativa, mas não transferindo a responsabilidade de ninguém porque ela sempre será nossa”. Ah, bom! É o contrário do que fez o governo. A governanta se referiu também à recriação da CPMF , em dilmês castiço, língua que lembra o português: “Não gosto da CPMF. Acho que a CPMF tem suas complicações. Mas não estou afastando a necessidade de fontes de receita, não estou afastando nenhuma fonte de receita. Quero deixar isso claro para depois, se houver a hipótese de a gente enviar essa fonte, nós enviaremos”. A oração principal que se segue à oração subordinada adverbial condicional, para fazer sentido, era certamente outra, mas, àquela altura, ela já tinha perdido a linha de raciocínio. Assim como perdeu o controle do governo. Estamos feitos! Por Reinaldo Azevedo

Delator diz que propina ao PT era combinada com Duque, que rebate: “Mentiroso!”

O lobista Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, executivo que trabalhou na empresa Toyo Setal e é um dos delatores da Operação Lava Jato, afirmou nesta quarta-feira à CPI da Petrobras que fez repasses de propina ao Partido dos Trabalhadores por meio de dinheiro desviado na estatal e a mando do ex-diretor de Serviços da petroleira, Renato Duque. Segundo o delator, as contribuições à legenda eram abatidas do saldo de propina devido à área de Serviços da companhia. No escândalo do petrolão, delatores afirmam que em contratos com a Petrobras eram desviados de 1% a 3% dos contratos para serem pagos como propinas a agentes públicos e políticos. “Parte dos valores a pedido de Duque, eu fiz enquanto doações oficiais ao PT e eram relativos ao dinheiro que tinha que dar a eles (a Duque e ao ex-gerente Pedro Barusco). O Renato Duque me pediu para fazer parte dos valores que deveriam ser repassados para eles como contribuições ao PT”, disse. Augusto Mendonça participou de acareação com Renato Duque e com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. O lobista manteve a versão de que Duque e o ex-gerente Pedro Barusco cobravam propina de contratos com a Petrobras, mas foi duramente atacado por Renato Duque, que classificou o delator como “mentiroso contumaz” e “mentiroso esquecido” por fazer ajustes no acordo de colaboração com a justiça. Nos últimos dias, Mendonça reajustou a versão que deu aos investigadores da Lava Jato e disse que parte da propina que havia creditado como da cota de Renato Duque na verdade seria dinheiro movimentado normalmente pela companhia dele. “Entre ele (Renato Duque) e o Pedro Barusco, as conversas aconteceram principalmente com Barusco, e uma boa parte (dos repasses de propina) era feita através de Mario Goes (operador do petrolão), que tinha uma empresa lá fora e onde eram feitos os depósitos”, disse. Segundo os delatores, parte da propina paga a Duque, de 12 milhões de reais, foi paga por meio da conta Drenos, no banco Cramer, da Suíça. Na acareação, Renato Duque negou que tenha determinado o pagamento de propina ao PT e provocou: “Se isso fosse verdade, daria diretamente. Se tivesse que tirar propina do meu bolso para dar ao PT, daria diretamente. Ele (Augusto Mendonça) não tem competência nem para fazer isso”. Sentado ao lado de Duque, o ex-tesoureiro petista João Vaccari permaneceu em silêncio na audiência da CPI. Ele conseguiu no Supremo Tribunal Federal (STF) um habeas corpus para ficar calado na acareação e não respondeu, por exemplo, se a propina ao PT era “contribuição ou pixuleco”. Segundo a versão do delator, ele esteve ao menos dez vezes com Vaccari para tratar de contribuições ao PT, sendo que o próprio ex-tesoureiro telefonava cobrando, caso houvesse atraso nas contribuições. Embora tenha se recusado a responder boa parte das perguntas formuladas pela CPI, o ex-diretor de Serviços apresentou uma contabilidade paralela para tentar comprovar que o delator estaria mentindo ao incriminá-lo. “Eu já li e reli o processo várias vezes e não bate. Ele (Augusto Mendonça) recebeu dinheiro do consórcio para repassar propina. E o que ele diz é ele fez contratos com (o lobista) Julio Camargo para repassar propina. Julio disse que repassou, mas o dinheiro sumiu. Dos 110 milhões (de reais que seriam propina), ele só mostra que repassou 33 milhões (de reais). O resto sumiu. Se tem alguém que está mentindo ou está roubando não sou eu. Estou dizendo que ele roubou. Não é opinião, é matemática. é pegar onde ele pegou o dinheiro e onde ele enfiou”, acusou Duque. Segundo o delator, um emissário da área de Serviços da Petrobras, identificado apenas como “Tigrão”, recebeu parte da propina em dinheiro vivo no escritório. Em outras ocasiões, dois outros prepostos receberam o suborno em nome de Duque e Barusco. Nos autos da Lava Jato, Augusto Mendonça descreveu Tigrão como um homem “entre 1,70m e 1,80m de altura e gordinho”. “Grande parte da população brasileira atende à descrição de 1,70m e 1,80m e gordinho. Poderia ser qualquer um dessa sala aqui”, rebateu Duque. Por Reinaldo Azevedo

Bandido que delata bandido continua bandido

Tudo, caros brasileiros, é bastante singular em nosso país. Correspondentes internacionais que aqui trabalham apontam essas singularidades, especialmente aqueles vindos de democracias mais antigas. Acham, por exemplo, um exotismo que exista uma impressionante estrutura destinada a vazar investigações sigilosas. “Mas não são sigilosas?” E daí? É claro que nem conseguem comparar com seus países de origem porque um estado organizado para ser criminoso não é evento corriqueiro. Um deles fez uma comparação: “Uma coisa é haver um ‘Garganta Profunda’ [ele se refere a Watergate] que chega a virar personagem; outra é haver uma legião de gargantas profundas competindo entre si”. Pois é… Sem contar a pororoca, coisa nossa. A jabuticaba, já me ensinou Lucas Mendes, não é. Essa é outra ilusão do nosso particularismo. Qual é o ponto? De vazamento em vazamento, a imprensa vai construindo a sua própria narrativa, composta de fragmentos. Na ânsia de contar uma história coerente, vai se esquecendo de certas coisas básicas. Uma delas é escancaradamente evidente: não são bandidos apenas os acusados por delatores premiados — na hipótese de que também denunciem coisas verdadeiras. Os acusadores também o são. Ou será que, ao fazer um acordo, fazem também uma conversão moral? Ora… Até onde se sabe, ao fazer uma delação, é preciso apresentar provas ou indícios que a tornem verossímil. Mas aí cabe a pergunta: também isso não pode ser devidamente arranjado? Não estou pondo em dúvida a eficácia do estatuto da delação, não. Apenas acho que precisa ser disciplinado para que não nos tornemos reféns de uma segunda máfia: a dos delatores. Ou por outra: é a decência que tem de usar os que resolvem delatar seus comparsas, não o contrário. Leiam o que foi publicado sobre a acareação entre Renato Duque, o principal homem do PT na operação do petróleo dentro da Petrobras, e Augusto Mendonça. Pergunto: você confia em Duque? Eu não! Pergunto de novo: você confia em Mendonça? Eu não! Nesse segundo caso, eu não confiaria nem que fosse criminoso, como ele é. Duque faz uma pergunta pertinente: se quisesse repassar propina para o PT da parte que lhe caberia na safadeza, por que precisaria do outro? “Ah, então, o petista Duque é inocente?” O quê??? Eu acho que não! Só aponto uma questão que, com efeito, não tem resposta lógica. De resto, Mendonça já corrigiu a sua delação mais de uma vez — outra particularidade das delações por aqui: vão sendo ajustadas à medida que outras vão sendo feitas. Mendonça diz também que um tal Tigrão fazia o transporte do dinheiro. Duque indagou quem daria grana a alguém com esse apelido, dada a delicadeza da sem-vergonhice negociada. O tal “Tigrão”, até agora, não foi identificado. Nesta quarta, Mendonça afirmou que, na verdade, o Tigrão não era um, mas três pessoas… É estranho. É evidente que Duque é uma das chaves desse negócio todo. A sua delação premiada chegou a ser dada com certa. Se foi feita, até agora não se sabe. Eu estou aqui a apontar algumas pontas que realmente parecem soltas e que serão devidamente exploradas por advogados de defesa. É desnecessário dizer que tudo isso acabará parando num tribunal superior — em princípio, no caso dessa turma, no STJ, e, a depender da particularidade, até no STF. Recibo de pagamento de propina, isso dificilmente haverá. Salvo o caso em que se evidenciarem movimentações por offshores e empresas fantasmas, as provas testemunhais terão de compor um conjunto de indícios e de circunstâncias que convençam os juízes. Os fragmentos que vêm a público apontam para histórias que ficam no meio do caminho, sem resposta. Em outros tempos, e foi assim mesmo!, com mais mão de obra, a imprensa ficava menos refém de vazamentos e fazia a própria investigação. Hoje em dia, a disputa é para ver quem descola como fonte o procurador ou o delegado da PF com mais acesso ao conjunto da apuração. O resultado, a cena final, ainda está muito distante. Tomara que não venham surpresas desagradáveis pela frente. É fundamental que a gente não se esqueça de que ladrão que rouba ladrão continua a roubar o que originalmente pertencia a outrem. E que bandido que delata bandido pode estar também a serviço da… bandidagem. O nosso papel é desconfiar. Por Reinaldo Azevedo

Janot e a “Hermenêutica Dilma”

Rodrigo Janot é realmente um dos procuradores da República mais originais que o Brasil já teve. Investiga um escândalo sem paralelo, creio, no mundo, que tem o PT como epicentro óbvio. Os petistas, no entanto, não compõem o maior grupo de investigados. A tramoia, por definição, não poderia se dar sem a colaboração do Executivo. E, no entanto, os políticos investigados são membros do Legislativo — a larga maioria, sem nenhuma importância. Embora possa pedir ao menos a abertura de inquérito sobre figurões do Planalto citado por delatores, por alguma razão “inexplicada”, mas, tudo indica, muito explicável, ele não o faz. Já vimos, no passado, porque é a rotina, o Supremo rejeitar pedidos de procuradores para investigar políticos com foro especial por prerrogativa de função. O que não se tinha visto até agora era procurador tentando rejeitar uma determinação de um tribunal superior para investigar políticos. Isso, com efeito, é uma inovação. Janot está, de fato, criando a Hermenêutica Dilma. Por Reinaldo Azevedo

Zarabatana no Pixuleko? Alô, Cardozo! Deixe de ser seletivo e mande investigar o PC do B

A União da Juventude Socialista, do PCdoB, seita a que pertence a moça que deu uma facada no Pixuleko, pretende agora usar zarabatana para tentar acertar o boneco. Bem, a Polícia Federal já pode ir ao encalço da turma, não? Os valentes estão anunciando que vão pôr em risco a vida de terceiros, num espaço público. José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, pediu que se investigue um rapaz que, recorrendo a uma metáfora, afirmou que vai arrancar a cabeça de Dilma. A menos que ele seja do Estado Islâmico, trata-se de uma figura de linguagem. De resto, o EI não cortaria a cabeça da companheira. Devem até vê-la como quase aliada. Afinal, em discurso na ONU, a gênia defendeu diálogo com os terroristas. Adiante. Agora, Cardozo, não se trata de metáfora. A turma do PCdoB está dizendo que vai, sim, expor a coletividade ao risco. Pessoas podem ficar cegas ou morrer. E, vamos ser claros, comunistas não são exatamente pessoas que prezam a vida alheia faz tempo! Comunista com medo de perder a boquinha, então, deve ser ainda mais perigoso! Estão apavorados com a possibilidade de que tenham de ganhar a vida trabalhando! Por Reinaldo Azevedo

Procurador do MP no TCU diz que Dilma fez lambança fiscal para se reeleger; mais uma vez, evidencia-se leitura absurda de Janot

Júlio Marcelo de Oliveira, procurador do Ministério Público no TCU, lembrou nesta terça uma questão essencial ao debate e que expõe, jamais deixarei de frisar aqui — e fui o primeiro a tocar nesta tecla — a leitura absurda que Rodrigo Janot, procurador-geral da República, faz do Parágrafo 4º do Artigo 86 da Constituição. E, para não variar, é outra interpretação torta de Janot que colabora com Dilma Rousseff.

Em depoimento à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, afirmou Oliveira: “O governo deixou livre para execução despesas não obrigatórias, que teria que cortar [devido à queda na arrecadação]. O que ocorre em 2014 é que o governo federal aumenta programas não obrigatórios que têm forte impacto eleitoral”. E ele citou um caso escandaloso, para o qual já chamei a atenção aqui em post do dia 9 de junho.
Oliveira destacou que o governo gastou R$ 5 bilhões com o Fies, o sistema de crédito educativo, em 2013. Em 2014, esse gasto saltou para R$ 12 bilhões. Na verdade, ele foi até modesto. Os números são piores: Entre 2010 e 2013 — quatro anos —, o governo federal desembolsou R$ 14,7 bilhões com o Fies. Só em 2014, quando Dilma disputou a reeleição, foram R$ 13,75 bilhões. Ou seja: torrou em um ano o que havia gastado em quatro. E depois a gente pergunta por que o país quebrou?
O que Oliveira está evidenciando é que a lambança fiscal praticada por Dilma, incluindo as malfadadas pedaladas, tinham claramente um objetivo eleitoral. Ou por outra: o país quebrou para que ela pudesse se reeleger. Mais: Oliveira sustenta que Dilma sabia que não teria recursos para arcar com os gastos que planejava, mas que só esperou para fazer cortes depois da eleição: “Até agosto, o governo não se comportou de maneira coerente com a realidade. Viveu uma fantasia. Após a eleição, veio a realidade.”
Muito bem, leitores. Voltemos agora a Janot. O que alega o procurador-geral da República para não denunciar Dilma por crime de responsabilidade e para nem mesmo pedir um inquérito para ela? O suposto veto constitucional a tal procedimento. Está escrito no Parágrafo 4º do Artigo 86 da Constituição:
“O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.”
Alegação de Janot, que vale tanto para as sem-vergonhices na Petrobras como para as pedaladas: seriam coisas ocorridas no primeiro mandato de Dilma, logo, estranhas ao exercício de suas atuais funções.
Trata-se de um absurdo de várias maneiras, distintas e combinadas. Em primeiro lugar, jurisprudência do Supremo é clara sobre a possibilidade, sim, de um presidente ser investigado ao menos em inquérito. A dúvida, fácil de resolver, é se ele pode ou não ser denunciado.
Ora, esse dispositivo da Constituição é de 1988, anterior, portanto, à aprovação da reeleição, que se deu em 1997. Oliveira está evidenciando que Dilma fez lambança fiscal com o propósito de se reeleger. Logo, o que ela fez no seu primeiro mandato não é, obviamente, estranho à sua atual função. E, de tal sorte estranho não é, que ela deve parte desses votos àquelas malandragens fiscais.
Se Janot estivesse certo, o constituinte de 1988 teria dado a um presidente da República licença para cometer crimes com o propósito de se reeleger, sem ter de responder por isso. É claro que se trata de uma interpretação absurda da Constituição.
Mas outros entes podem fazer aquilo a que se nega a Procuradoria-Geral da República. Se o TCU recomendar mesmo a rejeição das contas, como parece que vai acontecer, e se o Congresso acatar a rejeição, está caracterizado o crime de responsabilidade, segundo a Lei 1.079. Aí será preciso apresentar a denúncia à Câmara. Caberá à Casa decidir se é licito cometer crime fiscal de olho nas urnas. Aí Janot não poderá fazer mais nada por Dilma Rousseff. Por Reinaldo Azevedo

Mendes, com o apoio do TSE, manda Janot investigar gráfica que recebeu R$ 26 milhões da campanha de Dilma. Tribunal lembra a procurador-geral qual é o seu dever

Na semana passada veio a público um parecer de Rodrigo Janot em que o procurador-geral da República, numa atitude insólita, se negava a proceder a uma investigação por determinação do Tribunal Superior Eleitoral. Explica-se: Gilmar Mendes, vice-presidente do TSE, pediu que o Ministério Público Federal abrisse investigação para apurar se a gráfica VTPB — que recebeu R$ 23 milhões da campanha de Dilma Rousseff, não havia cometido uma série de crimes. Janot não se contentou em dizer que não via motivos para investigação. Além de alegar que ela estaria fora do prazo, resolveu dar uma aula sobre as funções do TSE. Mandou brasa:
“É em homenagem à sua excelência (Gilmar Mendes), portanto, que aduzimos outro fundamento para o arquivamento: a inconveniência de serem, Justiça Eleitoral e Ministério Público Eleitoral, protagonistas – exagerados – do espetáculo da democracia, para os quais a Constituição Federal trouxe, como atores principais, os candidatos e os eleitores”.
Mendes reagiu de pronto e afirmou que não cabia a Janot se comportar como advogado do PT. Mas é claro que não ficou só nisso. Nesta terça-feira, em novo despacho, o ministro esclarece:
“Não se trata aqui de reabertura do julgamento da prestação de contas. As contas apresentadas foram julgadas ‘aprovadas com ressalvas’ pela maioria deste Tribunal. Cuida-se, isto sim, de investigar indícios de irregularidades que, se comprovados, teriam o condão de atestar a ocorrência de fatos criminosos. No presente caso, não há como negar haver elementos indicativos suficientes para, ao menos, a abertura de investigação. A empresa (…) aparenta não ter capacidade operacional para entregar os bens e serviços contratados, pois, segundo consta da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2014, não possuía nenhum funcionário registrado. Se comprovada a condição de gráfica fantasma, crimes como os de falsidade ideológica, de lavagem de dinheiro, de estelionato e crimes contra a ordem tributária podem ter sido cometidos por parte de envolvidos na campanha e pela prestadora de serviço.”
Mendes vai além e lembra ao procurador-geral: “Esquece-se o Ministério Público de que é um dos legitimados pelo art. 35 da Lei dos Partidos Políticos a pedir apuração de atos do partido que violem disposição legal em matéria financeira.”
O ministro do TSE estranha o comportamento de Janot, que pediu informações sobre a tal gráfica ao ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, que era tesoureiro da campanha de Dilma, e aos próprios representantes da empresa. E se deu por satisfeito. Escreve Mendes em seu despacho:

“Ademais, entendeu que havia consistência na notícia, visto que enviou ofícios ao atual Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva, e à empresa VTPB. Em um segundo momento, tomando por verdadeira e comprovada a manifestação de ambos, arquivou o procedimento. Não há dúvida sobre a heterodoxia de tal procedimento, visto que, de plano, se considerou verdadeira a versão de potenciais investigados. Nenhuma outra diligência parece ter sido tomada. Mesmo as diligências realizadas pelo Procurador Geral não foram trazidas ao conhecimento da Justiça Eleitoral. Acrescente-se a isso que as manifestações de Edinho Silva e VTPB parecem estar em conflito com outros elementos de prova, os quais não foram devidamente valorados.”
A que se refere o ministro? Segundo o que vazou da delação premiada de Ricardo Pessoa, dono da UTC, a VTPB era, nas palavras do ministro, “a ponta da lavanderia de recursos desviados da Petrobras.”
E prossegue o ministro:
“Repito: não oficiei ao PGR visando à reabertura do processo de prestação de contas da campanha eleitoral da Presidente da República. Apenas cumpri o meu dever funcional de remeter ao Ministério Público documentos relacionados à existência de crimes, na forma do art. 40 do Código de Processo Penal, e do próprio acórdão desta Corte que aprovou com ressalvas as contas de campanha da Presidente da República, o qual consignou expressamente que ilícitos apurados após aquele julgamento não deixariam de ser devidamente investigados.”
E Mendes encerra determinando que Janot cumpra a sua função: “Assim, reitere-se (…) ao Procurador Geral da República para que, ante estes esclarecimentos, prossiga a análise dos fatos noticiados.” Entendam: não cabe a Janot recusar a determinação.
Os demais membros do tribunal endossaram a decisão de Mendes. Dias Toffoli, presidente do TSE, afirmou que, de fato, a Justiça Eleitoral tem de pensar na pacificação social, como quer Janot, mas do seguinte modo: “O exercício dessa pacificação é em razão da sua ação e não da sua não ação. É exatamente por agir e para coibir e garantir a liberdade de voto do eleitor que a Justiça Eleitoral existe na parte jurisdicional e para administrar a organização das eleições no âmbito da gestão e da administração”.
Toffoli lembrou que a decisão de mandar investigar a gráfica não era de Mendes, mas da Corte: “Na medida em que o acórdão desta Corte determinou que as contas foram aprovadas com ressalvas, mas diante de determinados elementos que necessitariam aprofundamento nos fóruns adequados, não o eleitoral, esta determinação não é isolada do ministro Gilmar Mendes. Isso é uma determinação da Corte, daquele julgamento”.
Também se pronunciou o corregedor-geral eleitoral do tribunal, ministro João Otávio de Noronha: “Estou apenas a defender a legitimidade de atuação jurisdicional de toda a Justiça Eleitoral”.
Vá, Janot, cumprir a sua função e a determinação de um tribunal superior. Não é questão de querer. É de dever. O PT já tem um monte de advogados. Por Reinaldo Azevedo

Crise fora de controle

A crise está fora de controle. O IBGE acaba de divulgar que a produção industrial caiu 8,9% de um ano para o outro. A expectativa era de uma queda de 6,3%.

Visível aos leitores e às instituições

Voltando ao ofício encaminhado ontem a Rodrigo Janot, o ministro Gilmar Mendes ressalta que a aprovação com ressalvas das contas apresentadas por Dilma Rousseff "não representava chancela a eventual ilícito de qualquer natureza, passado ou futuro". E, por isso, manteve o acesso à prestação de campanhas no site do TSE. Gilmar Mendes prossegue: "Revelando o acerto dessa decisão, em 27 de abril de 2015, foi noticiado pela imprensa, via site "O Antagonista", que a empresa VTPB, com uma sala de 30m desativada, teria alterado o objeto social, em julho de 2014 - 19 dias antes de emitir a primeira nota fiscal de campanha - a fim de incluir a atividade de 'impressão de material para uso publicitário' (...) Com a notícia foi veiculada foto do local, bem como documento relativo à alteração do contrato social". A recompensa pelo nosso jornalismo é ser cada vez mais visível aos leitores e às instituições.

Competência petista

Duque a Mendonça: "Se eu tivesse que tirar propina do meu bolso para dar ao PT, eu entregaria diretamente, não precisaria desse senhor (Augusto Mendonça), que não tem competência nem para isso". O PT despreza quem não teria competência para entregar propina.

Pixuleco agora em frente à Justiça Federal do Paraná

O Pixuleco está, agora, em frente à Justiça Federal do Paraná. É de lá que o juiz Sergio Moro despacha e decide nos casos da Lava Jato. Duvidamos que algum petista tente furá-lo. A filmagem foi feita por um integrante do movimento Brasil Melhor, mas a ação é conjunta de todos os grupos de Curitiba. Veja o vídeo: