quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Petrobras propõe reajuste abaixo da inflação pela primeira vez em 12 anos


Pela primeira vez em governos petistas, a Petrobras propôs a seus empregados um reajuste salarial abaixo da inflação. Em reunião nesta quinta-feira (17), a empresa apresentou proposta de aumento de 5,73%, bem inferior aos 9,53% do IPCA acumulado em doze meses encerrados no fim de agosto. Nos últimos 12 anos, a categoria teve ganho real acima da inflação. Neste ano, porém, a companhia enfrenta crise financeira provocada pela queda dos preços do petróleo e pelos efeitos do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. "Queremos a rejeição da proposta e o início de uma greve por tempo indeterminado", afirmou o presidente do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ), Emanuel Cancella. O Sindipetro-RJ é filiado à Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que pedia reajuste de 18%. Na semana passada, a Petrobras apresentou as cláusulas sociais do acordo coletivo de trabalho, com proposta de corte de 25% dos salários para empregados da área administrativa, em troca de redução equivalente na jornada de trabalho, além de corte no valor das horas extras e criação de banco de horas. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) informou que não participou da reunião com a Petrobras, por discordar do "fatiamento" das negociações por subsidiária. Até o ano passado, a direção da estatal negociava com todas as empresas do grupo de uma só vez. A FUP vem realizando assembléias para aprovar a greve por tempo indeterminado desde o início do mês. Chegou a agendar o início do movimento para o dia 4 de novembro, mas com o foco na resistência ao novo plano de negócios da companhia, que prevê corte de investimentos e venda de ativos. A Petrobras informou que, em caso de greve, "tomará todas as medidas para garantir o abastecimento do mercado, preservando a segurança das operações e dos trabalhadores".

Olhem aí, senadores, a que humilhação oito ministros do Supremo submetem o Congresso a serviço, queiram ou não, do PT!

Com todas as vênias, aquilo a que se assistiu no Supremo nesta quinta-feira foi a consolidação de uma vergonha que começou em 2010, quando a OAB escolheu Roberto Barroso, então apenas advogado, para ser seu relator de um projeto de reforma política. Barroso não se fez de rogado e consolidou aquela que já era a proposta do PT:
– proibição do financiamento de campanha por empresas;
– financiamento público de campanha;
– voto em lista fechada.
O PT havia colocado isso no papel já em 2009, no, imaginem vocês, Plano Nacional de Direitos Humanos — que deveria ser do estado brasileiro, não do partido. Mas pudor nunca foi o problema dessa gente. Em 2011, a OAB resolveu, então, entrar com a ADI no Supremo contra a doação de empresas privadas. Como já deixei claro nesta manhã, a petição da OAB nada mais fazia do que repetir a proposta de Barroso, que repetia a do… Partido dos Trabalhadores! Mais escandaloso: quando o PT, com todas essas colaborações, tentava impedir os demais partidos de ter acesso ao financiamento legal das empresas, ele próprio comandava o petrolão, o esquema que arrecadava uma porcentagem de 1% a 3% de contratos bilionários. Ninguém sabe quanto a máquina corrupta somou de 2003 para cá. Se um simples gerentezinho, como Pedro Barusco, aceita devolver quase meio bilhão de reais, vocês podem imaginar o resto. De novo pergunto: alguém acredita que esse dinheiro era dele? Se prevalecer mesmo essa estupidez — há uma chance de o Senado fazer a coisa certa —, intuo que só uma legenda não terá dificuldades para se financiar nas eleições futuras. Acertou quem chutou “PT”. Às outras, restará ficar à mingua ou apelar ao caixa dois, metendo-se com gente criminosa. É o que determinaram oito ministros do Supremo. A Operação Lava-Jato tem múltiplos aspectos virtuosos e está servindo para evidenciar que o Estado brasileiro está infiltrado por gangues. Mas tem um lado vicioso: aquele que demoniza empresas privadas — e isso subjazia ao discurso dos ministros que deram seu voto depois da explosão do escândalo. É evidente que corruptos ativos e passivos se estreitaram num abraço insano, mas cumpre indagar: quem tomava as decisões? Os oito ministros que se opuseram ao financiamento privado — de resto, baseados no puro opinionismo, já que nada na Carta o determina; trata-se de uma aberração — partem do princípio de que o capital naturalmente corrompe. Sem contar que não há nada mais estúpido do que vetar as doações legais quando o problema, obviamente, está principalmente nas doações ilegais. A decisão é autoritária, vergonhosa e desrespeita a independência entre os Poderes. É impressionante que sete ministros tenham seguido Roberto Barroso, que, ainda advogado, recomendou que se fizesse essa mudança pela via do Judiciário, porque, disse ele, o Parlamento não faria por conta. Eis o “novo constitucionalismo” de Barroso:
– se o Parlamento não faz o que ele quer, ele se mobiliza, então, para lhe tomar as prerrogativas;
– vota durante o dia em causas que patrocina à noite.
A Câmara, na legislação infraconstitucional, havia aprovado a doação de empresas até o limite de R$ 20 milhões, desde que não ultrapassasse 2% do faturamento. O Senado, ao contrário, opôs-se à doação de pessoas jurídicas. Os deputados restauraram o que haviam aprovado antes. Agora, por enquanto, isso está sem efeito. Ocorre que os deputados já haviam aprovado uma PEC que torna constitucional a doação de empresas. Agora o texto está no Senado. Se os senhores senadores recusarem a proposta, fica valendo a decisão do Supremo, e já as eleições de 2016, para prefeitos e vereadores, mergulha no escuro. Ora, entre outras coisas, será preciso dizer de onde vai sair o dinheiro. Alguém se lembrará de dizer que tem de ser público. Mas será distribuído segundo qual critério? Ora, deve obedecer ao número de deputados ou ao número de votos obtidos na eleição passada. Ou seja: o critério vai beneficiar necessariamente o PT, que é um dos patrocinadores da ideia. Assim, a irresponsabilidade togada está querendo que se dêem mais recursos justamente ao partido que a esmagadora maioria dos brasileiros gostaria de banir da vida pública.
É um acinte. Oito ministros do Supremo decidiram fazer pelo PT o que o PT não pode fazer por si mesmo. Podem anotar! Se prevalecer a decisão do Supremo,
1: o PT será o partido com mais dinheiro para campanha;
2: todas as legendas terão de mergulhar no caixa dois;
3: haverá ainda mais dinheiro do crime organizado nas eleições;
4: empresas serão chantageadas como nunca;
5: a política mergulhará na clandestinidade.
É o presente que oito ministros do Supremo têm para nós. Por Reinaldo Azevedo

Lula nas asas de Walfrido

Muitos leitores perguntam ao Antagonista como Lula se desloca pelo País. A resposta está logo abaixo. Eis o jatinho Cessna 525, prefixo PR-BIR, que trouxe o ex-presidente a Brasília hoje. A foto foi tirada logo após seu desembarque e a informação confirmada com funcionários do hangar da Ícaro. A aeronave está registrada em nome da Samos Participações, empresa do ex-ministro Walfrido Mares Guia, com arrendamento mercantil do Bradesco. Ao lado do jato de Mares Guia está outro Cessna, prefixo PR-DCE, registrado em nome da Detox Consultoria, empresa dos filhos do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda. O jato é dele, obviamente.


Quem quiser flagrar Lula deixando Brasília é só correr ao aeroporto

Dilma: sem duas palavras

Dilma Rousseff recorrerá ao STF se o processo de impeachment for aberto. Ela e o PT preferem ver o Brasil agonizar a largar o osso. Dignidade e responsabilidade não fazem mesmo parte do vocabulário dessa gente.

Jatinho era do "rei da mamona"

Antes de Walfrido Mares Guia, o Cessna BR-BIR pertenceu a Daniel Birmann, do grupo Arbi. Birmann ficou conhecido no primeiro mandato de Lula como o "rei" do biodiesel da mamona. O próprio Lula foi garoto propaganda do empresário, que, depois de alavancar recursos junto a fundos de pensão e ao BNDES, quebrou. Entre os clientes de José Dirceu está a Arbi Rio Incorporações. Birmann trouxe o Cessna zerado dos EUA e colocou suas iniciais no prefixo. Depois comprou outro modelo e repassou esse para o ex-ministro de Lula. Birmann também apareceu como proprietário de um iate avaliado em R$ 60 milhões que foi arrestado no ano passado na marina de Salvador.


Birmann foi o rei da mamona; Dilma é a rainha da mandioca (O Antagonista)

Sem caráter e sem cérebro

Ao proibir o financiamento privado de campanhas, o STF chancela burramente o caixa dois, a bandidagem do PT apontada por Gilmar Mendes e, claro, mais um uso espúrio do dinheiro público. Vamos financiar diretamente, a partir de agora, João Santana et caterva. É um País sem caráter e também sem cérebro.

WTorre, Fortress, Invixx fazem oferta por 45% de Viracopos que pertencem à enroscada UTC

Um trio de investidores acaba de fazer uma oferta de 539 milhões de reais pela participação da UTC — empreiteira encrencada na Lava Jato — na holding que opera o aeroporto de Viracopos, em Campinas. O trio é formado pela construtora WTorre, pela gestora americana Fortress Investment Group (FIG) e pela Invixx, empresa de negócios do ex-banqueiro Luiz César Fernandes, fundador do antigo Banco Pactual. Em Viracopos, a UTC é sócia da Triunfo, que tem outros 45%, e do grupo francês Egis Airport Operation, que tem 10%. Em 2012, o consórcio Aeroportos Brasil — que reúne as três empresas — ofereceu 3,8 bilhões de reais pelo direito de administrar Viracopos por 30 anos. Os bancos de investimento representando a UTC na venda são Itaú BBA, Bradesco BBI e Santander.

Em desespero para aumentar receita e eliminar déficit, governo da petista Dilma cogita liberar o jogo no Brasil


O governo da petista Dilma Rousseff, desesperado por descobrir fontes novas de arrecadação para tapar o rombo fiscal, sondou deputados federais sobre a receptividade nas bancadas da legalização dos jogos de azar no Brasil durante reunião realizada na manhã desta quinta-feira da presidente Dilma Rousseff com ministros, políticos e líderes da base aliada. Segundo o líder do PR, Maurício Quintella Lessa (PR-AL), os ministros comentaram que a proposta foi apresentada por alguns senadores durante reunião com o governo e a maioria dos presentes se mostrou favorável. A idéia é preliminar, mas poderia ser a legalização, tanto dos jogos na internet, quanto em cassinos e bingos. A taxação desse tipo de jogo garantiria mais recursos aos cofres públicos. "Na internet hoje já se consegue jogar. Podemos estender a legalização para cassinos, bingos. Os ministros apresentaram a idéia hoje e pediram para verificar nas bancadas. Na Câmara, também tem receptividade. A presidente perguntou o que a gente achava e muitos líderes disseram apoiar", disse Quintella Lessa. De acordo com o líder, projetos neste sentido passaram no Senado, mas acabaram sendo derrotados na Câmara. A derrota aconteceu, disse Lessa, por reação forte das igrejas, mas também porque o governo estava contra. O líder do PR afirmou que existem propostas neste sentido tramitando na Casa e que podem ser avaliadas. Para ele é uma solução positiva e tem apoio na sociedade. O líder do PROS, Domingos Neto (CE), ressaltou que o governo quis saber a receptividade das bancadas da Câmara em relação à legalização dos jogos de azar que estava nascendo no Senado com força, mas que não se posicionou de forma clara a favor ou contra a idéia. "Não teve uma demonstração de que o o governo é a favor ou contra, não se posicionou. O ministros falaram sobre a idéia que está nascendo forte no Senado e quiseram saber a receptividade do tema nas bancadas da Câmara. Não tinha uma proposta concreta, o governo só quis saber a opinião em relação ao debate. Eu comentei que poderia colocar só em regiões de baixo desenvolvimento econômico e social, por exemplo", contou o líder do PROS. Segundo Domingos Neto, na reunião, além dele e de Quintella Lessa, o líder do PP, Eduardo da Fonte (PE) também demonstrou receptividade à ideia. Um dos líderes presentes destacou a resistência forte que a proposta teria na bancada religiosa. Está pronta para ser instalada na Câmara uma comissão especial para analisar a legalização de jogos no Brasil. De todo tipo de jogatina: do jogo do bicho ao cassino. Todos os partidos já indicaram integrantes para a comissão, que só falta ser instalada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Entre os indicados pelos partidos estão o deputado Quintella Lessa; Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força, um dos entusiastas de legalização dos jogos; e Nelson Marquezelli (PTB-SP), um porta-voz do setor no Congresso.

Ministra do TSE libera para julgamento ação que pede cassação do mandato da petista Dilma

A ministra Luciana Lóssio, do Tribunal Superior Eleitoral, ex-advogada de campanhas eleitorais do PT, liberou nesta quinta-feira, 17, para julgamento uma das ações que pedem a cassação de mandato da presidente Dilma Rousseff. A Corte já tem maioria favorável para abrir a ação e permitir a investigação de fatos relacionados à campanha eleitoral da presidente, como pede o PSDB. Contudo, a análise foi interrompida há cerca de 20 dias, por um pedido de vista (mais prazo para análise) da ministra. O tema está previsto para entrar na pauta da próxima terça-feira, 22. No início do ano, a ação de impugnação de mandato da presidente e do vice, Michel Temer, foi arquivada pela ministra Maria Thereza de Assis Moura. Um recurso proposto pelo PSDB, no entanto, fez o caso ser levado ao plenário da Corte. Até agora, votaram pela continuidade da ação os ministros Gilmar Mendes, João Otávio de Noronha, Luiz Fux e Henrique Neves. O único voto pelo arquivamento do caso foi da ministra Maria Thereza, alvo de fortes críticas por parte de Gilmar Mendes. Além do voto de Luciana Lóssio ainda resta o voto do presidente do TSE, ministro Dias Toffoli. 


Quando o caso for retomado no TSE, os ministros devem decidir ainda se reúnem sob relatoria de um só ministro todas as quatro ações que questionam a legitimidade da campanha que elegeu a presidente Dilma Rousseff. A solução interna de reunir todos os casos, proposta por Fux, é vista pelo governo como uma possibilidade para dar trégua na batalha vivida semanalmente na Justiça Eleitoral. Com apenas uma ação em curso, o desgaste da constante divulgação de notícias sobre a tramitação dos casos ficaria reduzido. A imagem da presidente ligada ao caso no TSE tem sido uma preocupação da defesa. A decisão sobre o prosseguimento do caso já foi paralisada por três pedidos de vista e tem gerado debates acalorados nas sessões do Tribunal. A ação é uma das quatro existentes da Corte eleitoral que questiona a legitimidade da eleição da chapa formada pela presidente Dilma Rousseff e Michel Temer. A ação que estava no gabinete de Lóssio acusa a campanha petista de usar a estrutura pública na disputa eleitoral, com abuso de poder econômico, argumentando ainda que propinas oriundas do esquema de corrupção na Petrobras podem ter sido misturadas às doações oficiais.

Mais da metade dos alunos de 8 anos no Brasil é analfabeta

Mais da metade (56,2%) dos alunos do 3º ano do ensino fundamental tem níveis baixos de leitura. Esse é um eufemismo para dizer que a grande maioria dos alunos brasileiros é analfabeta aos 8 anos de idade. Esse é o grande resultado de mais de uma década de política petista avassaladoramente destrutiva no País. Isso é o que indicam os dados da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) 2014, divulgados nesta quinta-feira, 17, pelo Ministério da Educação (MEC). Em Matemática, a situação é parecida: 57% dos estudantes que fizeram a prova têm domínio fraco do conteúdo para a idade (oito anos). Ou seja, os alunos também são majoritariamente "analfabetos" em matemática, o que equivale a dizer que não conhecem e nem dominam as operações básicas, de somar, diminuir, multiplicar e dividir. O que faz o governo do PT para resolver esse problema? Ele suspende a continuidade da realização da pesquisa nacional. É bem típico..... 

Oito ministros do STF votam contra doação de empresas

Após um ano e cinco meses, o Supremo Tribunal Federal retomou na quarta-feira, 16, o julgamento da ação que questiona as doações de empresas a partidos e a políticos. Após mais de cinco horas expondo seu voto, o ministro Gilmar Mendes votou contra a proibição das doações. Com isso, o placar pelo fim do financiamento empresarial das campanhas ficou 8 a 2. Após o voto do ministro Celso de Mello, que acompanhou Mendes em seu voto, o placar final é de 8 a 3. Mendes só devolveu a ação para análise do plenário na semana passada, um dia após a Câmara dos Deputados concluir a votação da reforma política e aprovar a regulamentação do financiamento privado de empresas para campanhas políticas estabelecendo, inclusive,  a doação oculta. Venceu a tese petista, defendida pela OAB, um apêndice petista, e o ministro Barroso. 

Só três deputados federais gaúchos compareceram ao ato de registro do pedido de impeachment da rainha da mandioca: Luiz Carlos Heinze, Jerônimo Goergen e Darcísio Perondi

Na entrega do pedido de impeachment da rainha da mandioca, a petista Dilma Rousseff, assinado pelos juristas Hélio Bicudo e Reali Júnior, hoje, no Salão Verde, Brasília, apenas três deputados federais gaúchos compareceram. São eles: Darcisio Perondi, PMDB; Jerônimo Goergen, PP; Luiz Carlos Heinze, PP. Se os eleitores gaúchos não fizerem pressão, só estes três parlamentares gaúchos votarão pelo fim do governo do PT, de Lula e do PT. 

A Alemanha de Dilma – Conforme o óbvio, governo perdeu até os votos que tinha no TCU. Placar pode ser até de 9 a zero

A arrogância foi tamanha e tal a estupidez dos argumentos que o governo conseguiu perder os votos que tinha no Tribunal de Contas da União. As manobras para adiar a votação do relator, Augusto Nardes, tiveram o efeito contrário ao pretendido. Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, também não foi bem-sucedido no esforço de conseguir virar ao menos três votos. Pior ainda: no tempo do adiamento, a imprensa começou a ser coalhada de denúncias contra membros do tribunal. Imediatamente se identificou, ora vejam, o dedo adivinhem de quem. Entraram na mira da máquina de denúncias Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Vital do Rego e o próprio Nardes. Ou por outra: dos nove ministros, pelo menos quatro ficaram sob o chicote. O governo Dilma é uma máquina de produzir trapalhadas. No dia 26 de agosto, escrevi aqui um post cujo título era este: “Quanto mais passa o tempo, mais difícil fica para o TCU fazer o que quer o governo”.
No corpo do post, lia-se:
“Quanto mais o TCU demora a votar o relatório de Augusto Nardes, que vai recomendar ao Congresso a rejeição das contas de Dilma, pior para o governo. Por quê? Porque um resultado eventualmente positivo cairá em tal descrédito que a emenda será pior do que o soneto. A esta altura, resta ao tribunal, ou à maioria dele, aquiescer com o pedido de rejeição, ou passará para a história como uma reunião de farsantes, suscetíveis a pressões, que fazem, no fim das contas, o que quer o Executivo, embora sua missão seja auxiliar o Legislativo. Se o governo não estivesse fazendo marcação homem a homem, vá lá… Mais tempo serviria ao propósito de melhorar a defesa. Mas todos sabemos que não é isso o que está em curso. O que se procura é retardar o máximo possível a votação para ver se há tempo de mudar algumas opiniões, sabe-se lá com quais instrumentos.”


Retomo
Era tudo tão óbvio. O PT perdeu o contato com a lógica e com o óbvio. Ao manobrar para retardar a votação, ao pôr nomes de ministros da boca do sapo e ao tentar negociar um acordão que previa uma interferência direta de Renan no tribunal, conseguiu produzir o exato contrário. Perdeu até os votos que tinha. Hoje, é possível até que se dê um placar com o qual Dilma não contava nem nos seus piores pesadelos: nove a zero contra o governo. Para ela, é pior do que o jogo contra a Alemanha. O impeachment ganha um ânimo e tanto. Por Reinaldo Azevedo

Jérôme Valcke - "aquele....." - é acusado de montar esquema criminoso de venda de ingressos na Copa do Mundo

Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, fechou acordos para ficar com 50% dos lucros da venda de ingressos para a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, em um esquema com ágio de mais de 200% nos valores das entradas e que teria envolvido mais de 2 milhões de euros (R$ 8,6 milhões em cotação desta quinta-feira) apenas para o bolso do dirigente. As acusações foram apresentadas nesta quinta-feira por Benny Alon, empresário que desde 1990 trabalha com a venda de entradas para os Mundiais da Fifa. Sua empresa, a JB Marketing, ainda apontou para o "desaparecimento" de 8,3 mil entradas para a competição e que teriam de ser vendidas por eles no torneio.

Este é o ordinário que queria dar pontapé na bunda de brasileiros, lembram-se disso?
O Estado foi um dos dez meios de comunicação do mundo e o único no Brasil a receber com exclusividade e-mails confidenciais de Valcke e da Fifa revelando um enorme esquema milionário para a revenda de entradas para o Mundial de 2014. A empresa JB Marketing entrou em acordo em 2010 com a Fifa para vender pacotes de ingressos VIPs a partir de 2013, incluindo para a Copa das Confederações. Mas os lucros teriam de vir principalmente da Copa do Mundo no ano seguinte, no Brasil. Por um entendimento, 11 mil ingressos seriam entregues a eles em locais "nobres" dos estádios do Mundial no Brasil, num esquema bem armado em todas as cidades-sedes. A empresa teria o direito de escolher doze jogos para os quais pediria ingressos para colocar no mercado, com preços acima do valor. Outros doze jogos seriam escolhidos pela Fifa e a entidade lhes entregaria partidas sem o mesmo apelo comercial. Esse último pacote envolveria 2,4 mil ingressos. Em dezembro de 2012, no Rio de Janeiro, Alon falou durante a Soccerex com Valcke e pediu um novo encontro para tratar do assunto. A reunião, porém, ocorreria apenas em março de 2013. O empresário viajou até Zurique e, numa reunião no escritório da Fifa, explicou que gostaria de renegociar a questão dos doze jogos mais fracos e obter melhores partidas para o Mundial de 2014. Segundo ele, pelo esquema montado, sua empresa perderia US$ 300 mil (R$ 1,2 milhão aproximadamente) se o acordo fosse mantido. "Valcke foi até seu cofre, colocou suas digitais e tirou dali nosso contrato", contou Alon. "Valcke então me perguntou: O que tem aqui para mim?", disse o empresário: "Eu respondi que poderíamos dividir 50% para cada um. Naquele momento, não pensava que a divisão seria com Valcke, mas com a Fifa e que a entidade ficaria com 50% do lucro que eu fizesse". Pelo novo acordo, os ingressos que a JB poderia vender não seriam mais as entradas para jogos "fracos", sem muito apelo do público brasileiro, mas sim para os principais jogos do Mundial. Isso envolvia todas as partidas da seleção brasileira e a grande final no Maracanã, que depois se soube foi entre Argentina e Alemanha. O acordo fechado era de que o valor do ágio na venda dos ingressos seria repartido em 50% entre a JB e Valcke. No dia 2 de abril de 2013, Valcke confirma o acordo por e-mail. O entendimento era ainda de que os dois iriam se ver no dia 3 de abril de 2013 em Zurique. Na ocasião, Alon traria o dinheiro em uma maleta. "Era um adiantamento", explicou o empresário. O parceiro comercial de Alon, Heinz Schild, conta que foi até um banco em Zurique e retirou de um cofre o valor, não revelado ainda. "Era muito dinheiro", confirmou. A mala usada também era um agrado. Jérôme Valcke, francês, tem uma Ferrari branca e a mala, portanto, tinha o desenho de uma Ferrari branca com uma bandeira da França. Mas na manhã daquele dia, às 9h08, o cartola escreveria a partir de seu e-mail oficial, jerome.valcke@fifa.org: "Estou desembarcando às 11h30 então perto das 11h45 na Fifa", disse. "Tenho um almoço às 12h com Jaime, seguido por encontros às 2h e depois às 3h com funcionários. Não tenho idéia de como podemos nos ver. Para os documentos, feche-os em algum lugar e lidaremos com isso da próxima vez". Segundo Alon, a palavra "documentos" era usada por eles para falar de "dinheiro vivo". "Não conheço nenhum outro documento que se usa para um fundo de pensão". No e-mail, Valcke ainda se mostra preocupado com um impacto disso em uma eventual campanha para ser presidente da Fifa. "Numa potencial corrida para a presidência, não posso olhar para eles (documentos) até que eu tome uma decisão sobre o futuro", escreveu em um dos e-mails a que o Estado teve acesso com exclusividade no Brasil. Mas ele é claro em apontar o valor da mala. "Documento é meu fundo de pensão se eu procurar algo, se eu não estiver mais na Fifa ao final de 2014 ou meados de 2015, no máximo", completou Valcke. Alon revela que o dinheiro voltou aos cofres do banco. Mas continuou a atualizar Valcke sobre os lucros da negociata. No dia 23 de abril, um e-mail entre o empresário a Valcke comemorava: "Estamos nos dando melhor que a Bolsa de Nova York". Ingressos para os três primeiros jogos da Alemanha na Copa, com valor de face de US$ 190 estavam sendo vendidos por US$ 570, com total conhecimento da Fifa. Para os jogos das oitavas de final, ingressos de US$ 230 eram vendidos por US$ 1,3 mil. 50 dessas entradas eram para jogos em São Paulo, na Arena Corinthians, em Itaquera, onde o Brasil estreou na competição contra a Croácia. "Ganhamos US$ 114 mil cada sobre a Alemanha", escreveu Alon para Valcke. Hoje, o empresário garante que o dirigente francês teria lucrado milhões ao final do processo. "Ele teria mais de 2 milhões de euros em lucros" aponta o empresário. "Ele ganharia parte dos lucros", acusou. Mas o esquema começaria a se complicar. Em dezembro de 2013, Alon foi chamado para uma reunião na Fifa alertando que o contrato teria de ser modificado. A explicação veio dois dias depois, alegando que, pela lei brasileira, uma empresa não poderia apenas vender entradas. Ela teria de vender pacotes de hospitalidade. Quem detinha os direitos nesse caso era a empresa Match. Um acordo foi então costurado para que a Fifa fosse substituída no contrato com a JB pela Match. Em 12 de dezembro de 2013, Valcke escreveria de seu e-mail particular, jerome.valcke@gmail.com, e alertaria para o crime que estava sendo cometido e que Alon teria de aceitar a mudança. "Benny (Alon), se você perguntar para advogados, nada vai acontecer", disse. "Você, eu, não temos opção. Caso contrário, o acordo será cancelado pela Fifa ou todos nós enfrentaremos, como pessoas, processos criminais. Isso não é uma piada. É muito sério. Portanto, evite muitos conselhos. "Just do it", alertou, usando a frase da Nike em inglês. Mas um outro obstáculo foi levantado pela Match, numa reunião também em dezembro durante o sorteio da Copa na Costa do Sauípe (BA). Desta vez, o presidente da Match, Jaime Byrom, alertou que sua empresa não teria como justificar as vendas e transferências de recursos e que, portanto, o acordo teria de ser em seu próprio nome. "Isso resolveria o caso para todos", explicou Alon, indicando que a Match e a Fifa o repassariam US$ 8,3 milhões pelo acordo, em valores que ainda serão pagos em janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Uma carta então foi redigida indicando que 11,3 mil ingressos seriam repassados para a JB, a partir de Jaime Byrom que, por sua vez, receberia as entradas da Fifa. Por si só, o acordo já violava as regras da Fifa, que indicavam que nenhum indivíduo poderia ter o direito de vender ingressos. Mas ainda assim, o negócio foi mantido. O esquema financeiro para fazer a transação ocorrer acabou gerando um problema bancário. Para conseguir os ingressos, a JB transferiu dinheiro de Zurique para Londres. Byrom, por sua vez, teria devolvido o dinheiro para Zurique para a própria Fifa. O banco que fazia a transação acabou expulsando a JB de sua lista de clientes por suspeitas de lavagem de dinheiro. "A Match estava sendo usada como um banco paralelo da Fifa", acusou Alon. Em 2014, a JB descobriria que o acordo tinha sido uma fraude. Quando os ingressos começaram a ser entregues pela Match para Alon, os locais nas arquibancadas não eram o que havia sido combinado e apenas em assentos considerados como mais baratos. "A JB não recebeu nem de perto o que havia sido combinado", acusou Alon. No dia 16 de abril de 2014, um e-mail foi enviado por Valcke para Benny Alon, garantindo que os ingressos seriam entregues nos "locais combinados" e que isso havia sido discutido com Thierry Weil, diretor de Marketing da Fifa. Mas, quando a Copa começou, a JB teve de conviver com os ingressos fornecidos. "A questão que fica é o destino que foi dado às 8 mil entradas nos locais nobres dos estádios da Copa. O que ocorreram com eles? Ninguém até hoje conseguiu nos dizer para onde foram essas entradas", acusou o empresário. Em julho de 2014, depois de o Mundial acabar, Alon foi mais uma vez convidado para uma reunião na sede da Fifa. "Eu queria saber o que tinha ocorrido", atacou. "Mas a Fifa me disse naquele momento que meu problema era com a Match, e não com ela", disse o dirigente. A entidade e a empresa estavam com um problema maior: Ray Whelan, diretor da Match, estava ainda preso no Rio de Janeiro, suspeito de entregar ingressos no mercado negro. Segundo Heinz Schild, Valcke entraria na sala momentos depois em Zurique. "Ele estava nervoso e apenas disse que estavam mais preocupados com a situação de Ray Whelan", contou. Schild ainda revelou que Valcke sabia do envolvimento de Whelan. "Ele nos disse que Whelan vendia entradas por muitos e muitos anos no mercado negro", indicou. "Valcke nos disse que teriam de cuidar primeiro de tirá-lo da cadeia no Brasil", contou. "Não sabemos o que ocorreu com os 8 mil ingressos. Mas só sabemos que Ray foi preso", completou Alon. No Brasil, o diretor da Match foi liberado e o caso foi encerrado. Procurada, a Fifa ainda não se pronunciou sobre a denúncia de corrupção de seu secretário-geral, homem-forte da organização da Copa do Mundo no Brasil, em 2014. 

EMPRESÁRIO DIZ QUE VALCKE O ALERTOU QUE CATAR RECEBERIA COPA
Benny Alon soube do país-sede 8 meses antes da escolha oficial
Oito meses antes da escolha do Catar para a sediar a Copa de 2022, o empresário Benny Alon alega que foi avisado por Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, que o país árabe ganharia a corrida para organizar o evento. 
A decisão foi anunciada em dezembro de 2010. Mas, em 29 de abril de 2010, Alon viajou até Zurique para um almoço com o cartola e para fechar um acordo com sua empresa dando o direito de vender ingressos por quatro Mundiais. Isso valeria de 2010 a 2022. Mas com uma condição: a de que a empresa apenas teria o direito em 2022 se o Mundial ocorresse nos Estados Unidos. Alon, porém, se surpreendeu quando deixou o encontro e foi avisado por Valcke. "Ele me disse: você negociou bem. Mas vocês não terão ingressos para 2022. Esse Mundial ocorrerá no Catar", disse. Segundo o empresário, Valcke teria dito que eles, o Catar, "deu tanto dinheiro que não se poderia negar-lhes o Mundial". Alon respondeu que os americanos estariam prometendo vender todos os ingressos para todos os jogos se o Mundial fosse nos Estados Unidos, em 2022. "Mas o Emir do Catar escreveria um cheque pagando por todos os ingressos", teria respondido Valcke. Em setembro de 2010, Valcke repetiria o alerta, numa mesa de um restaurante. "Sabíamos o que estava nos envelopes", disse Alon. "Isso não é uma brincadeira", completou. O empresário ainda acusou o diretor-gerente da empresa ISE, Haruyuki Takahashi, de ter solicitado a ele 2 milhões de euros para dar "um presente" para Joseph Blatter, presidente da Fifa. Antes de trabalhar para a JB, Alon era gerente da ISE. "Eu questionei Takahashi pelo motivo e ele apenas me disse que teria de dar diante de uma visita do suíço ao Japão", contou Alon, que se recusou a entregar o dinheiro. Em meados de 2005, Blatter de fato viajou até o Japão e anunciou que a Sony seria a nova parceira da Fifa. (Estadão - Jamil Chade)

Como um ministro do STF e a OAB se juntaram para, querendo ou não, tentar garantir o poder eterno ao PT

O Supremo Tribunal Federal retomou nesta quarta-feira a votação da ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade), movida pela OAB, contra o financiamento de campanha por empresas. O ministro Gilmar Mendes leu o seu voto. E eis que uma coisa ficou claríssima. Ele pode não ter dito com todas as letras, mas digo eu: a OAB e o Supremo tendem a servir de laranjas dos interesses do PT. E que se note: a Operação Lava Jato acabou revelando o que estava destinado a ser uma tramoia gigantesca com o propósito de eternizar o partido no poder. Infelizmente, a Ordem e um ministro do Supremo, Roberto Barroso, são personagens da patuscada. Se a ação de ambos é culposa ou dolosa, não importa. Vejo pelos resultados. Antes que avance, uma explicação. Por enquanto, a votação está seis a dois: só Mendes e Teori Zavascki se opuseram à tese mais do que estúpida da OAB. Já se disseram favoráveis à proibição Luiz Fux, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Joaquim Barbosa, que não está mais no tribunal. Ainda não votaram Rosa Weber, Carmen Lúcia e Celso de Mello. Luís Edson Fachin, que entrou no lugar de Barbosa, não participa do julgamento porque seu antecessor já o fez — e com um mau voto. Se ninguém mudar de posição, o STF vai declarar inconstitucional o financiamento de campanha por empresas, fazendo assim a vontade do PT e jogando a disputa política na clandestinidade. Nesse caso, a proposta aprovada na Câmara, que libera o financiamento, fica sem efeito, e a proibição só cai se o Senado aprovar PEC, que já passou pelos deputados, que constitucionaliza a doação de pessoas jurídicas. Ocorre que o Senado, infelizmente, tende a ser contrário à tese. Agora ao ponto. Em seu voto, o ministro pôs os pingos nos is e lembrou como a ADI, a Ação Direta de Inconstitucionalidade, chegou ao Supremo, pelas mãos da OAB, que serviu, na verdade, de boneco de ventríloquo de… ninguém menos do que Roberto Barroso. Sim, ele mesmo, o ministro do Supremo. Como assim? Explico. Em parte com palavras do próprio Mendes. Já em 2010, o então presidente da Ordem, Ophir Cavalcante Jr., promoveu um seminário sobre a reforma política, designando o então advogado Luís Roberto Barroso, agora ministro, para a relatoria. O ilustre professor da Uerj reportou que “algumas propostas, como a adoção da lista preordenada — que é a lista fechada — e do financiamento público de campanhas, foram objeto de adesão quase unânime”. Em sua conclusão, deixou clara a necessária ligação entre o financiamento público e o sistema de lista fechada. Percebam, meus caros: o próprio autor da tese, Barroso, entende que a proibição da doação de empresas leva ao financiamento público — isto é, o dinheiro sairia do Tesouro — e ao voto em lista: é aquele sistema que cassa do eleitor o direito de escolher nomes para a Câmara. Não por acaso, as três teses — proibição de doação de empresas, financiamento público e voto em lista — compunham a santíssima trindade da reforma política que o PT queria e que, felizmente, Eduardo Cunha ajudou a enterrar — daí parte do ódio que lhe devotam os companheiros. Atenção! Eu não estou fazendo ilação nenhuma. Lerei palavras do então apenas advogado Barroso, hoje ministro. Prestem atenção: “A Ordem dos Advogados do Brasil apoia, em linha de princípio, o financiamento exclusivamente público de campanhas. Tal sistema pressupõe necessariamente a adoção combinada do escrutínio por lista preordenada, tanto pela necessidade de se reduzir drasticamente o custo das campanhas, como para evitar que recursos do Erário financiem uma disputa mercadológica entre candidatos do mesmo partido". Muito bem: na sequência, um conselheiro da Ordem e um procurador ajuizaram um pedido na OAB para que esta entrasse então com uma ADI. Ophir Cavalcante Jr. atendeu ao pedido imediatamente, nomeando Eduardo Bastos Furtado de Mendonça para a elaboração de parecer e Daniela Teixeira para relatoria. Prestem atenção à sequência: Daniela, a relatora, adotou o parecer de Furtado Mendonça, que, por sua vez, havia adotado a opinião do advogado Barroso. Logo, a ação da OAB que chegou ao Supremo é, na verdade, do agora ministro Barroso. Qualquer juiz decente do mundo teria se declarado impedido de votar. Mas o ministro não fez isso. Não viu mal nenhum em aprovar a tese que ele mesmo patrocinou. É uma vergonha!
A confissão
Em seu relatório, Daniela não se constrange em admitir que o que se pretende é usar a via judicial, nas pegadas do relatório de Barroso, que escreveu: “A proposta apresentada pelo Conselheiro do Rio de Janeiro talvez tenha encontrado a solução jurídica para um problema que se demonstrava insolúvel no estrito âmbito das soluções apresentadas pelos parlamentares brasileiros. Infelizmente, os projetos de lei que tentam moralizar as doações e gastos das campanhas políticas não contam com o empenho dos parlamentares para lograrem aprovação. É o típico caso de legislação em causa própria. Os parlamentares fazem as leis que vão reger as suas próprias campanhas”. Ou por outra: a OAB admite, e o STF, por enquanto, está condescendendo com isso, que, se o Congresso não faz o que eles querem, então tomam o seu lugar. Mas, como se vê, a OAB não pensou isso sozinha: as palavras são de Barroso. É o fim da picada! Calma que há mais. Gilmar Mendes lembrou em seu voto que, no Plano Nacional de Direitos Humanos lançado em 2009 — é aquele, lembram-se?, que extinguia a propriedade privada e instituía censura à imprensa —, o governo já falava em apoiar iniciativas em favor do financiamento público de campanha. Ou por outra: a tese de um partido, o PT, virava programa de Estado e foi adotada pela OAB, sob a inspiração de Barroso.
Falta a pior parte
Mas calma, leitores, que falta a pior parte. A ADI que está sendo julgada agora foi proposta pela OAB, em linha com o que queria o PT, em, pasmem!, setembro de 2011, quando o petrolão comia solto. Eis o pulo do gato. Enquanto os petistas, segundo as delações premiadas, comandavam um esquema bilionário de extorsão na Petrobras — e vai se saber onde mais —, queriam impedir os partidos adversários, que não estavam no poder, de conseguir doações privadas. Entenderam? Se a Lava Jato não vem a público, ora vejam!, haveria o risco de os ministros do Supremo proibirem os adversários do PT de ter doações de empresas, enquanto o partido dos companheiros funcionava como uma máquina faminta de, segundo as delações, extorsão — e, pois, de financiamento de campanha. 
Gilmar Mendes sintetizou:
“Estamos falando do partido que conseguiu se financiar a ponto de chegar ao poder; uma vez no governo, passou a manter esquema permanente de fluxo de verbas públicas para o partido, por meio de propinas e pixulecos de variados matizes; e, após chegar ao poder e a partir dele, abastecer, de modo nunca antes visto na história do País, o caixa do partido, busca-se fechar as portas da competição eleitoral, sufocando os meios de financiamento dos concorrentes". Ora, é escusado dizer que o PT ainda está no poder, não é mesmo? Imaginar que conhecemos a extensão dos crimes eventualmente cometidos seria de uma ingenuidade assombrosa. Alguém acredita mesmo que está bem contada uma história em que um chefão do crime, como Paulo Roberto Costa, vai devolver R$ 70 milhões aos cofres públicos, e um chefinho, como Pedro Barusco, R$ 370 milhões? Cada um acredite no que quiser. E eu não acredito nem mesmo que esse dinheiro pertença a Barusco. Quase meio bilhão de reais para um Zé Mané? Na minha narrativa privada, Barusco é só um laranja. De quem ou do quê? O PT que quer proibir a doação de empresas a partidos, meus queridos leitores, é aquele mesmo que recebeu farto financiamento em anos que havia e em anos que não havia eleições. Pior do que isso: já está claro, pelos depoimentos da Lava-Jato, que não havia contrato sem cobrança de propina. Reitero: a OAB queria proibir todos os partidos de receber doações de empresas quando o partido do poder fazia de entes do estado máquinas arrecadadoras de propina, inclusive para financiar eleições. Ainda voltarei ao tema. O que está em curso é um escândalo lógico, jurídico e moral. Barroso, o pai da criança, preferiu se ausentar para não ouvir a exposição de sua obra — e tudo está documentado. Fux, o relator, que produziu um texto delirante contra a doação de empresas, calou-se. Deveria estar refletindo sobre o que teria acontecido com o País se só o PT continuasse com acesso ao caixa das empresas.
Sintetizo de novo:
1: é indecente que um ministro vote numa proposta que é de sua autoria; e Barroso fez isso;
2: OAB e ministros do STF queriam, na prática, que o aceso ao dinheiro privado para campanhas fosse monopólio do PT;
3: é inútil alguém alegar que não tinha conhecimento do petrolão. Afinal, até as togas, quando postas em repouso, sabem que o partido do poder tem sempre mais facilidades para arrumar recursos porque pode, afinal, criar dificuldades;
4: proibir a doação de empresas vai estimular o caixa dois;
5: tudo foi meticulosamente armado, desde o início, com o propósito declarado de fazer, no Judiciário, uma reforma política que é tarefa do Congresso. Barroso e OAB nunca esconderam: querem a reforma do PT, com financiamento público, voto em lista e proibição de doações — para os outros partidos, claro! 
6: OAB e Supremo estão tentando fazer pelo PT o que o partido não tem voto para fazer sozinho;
7: proibir as doações legais de empresas vai expor as eleições à crescente influência do crime organizado.
É patético! Por Reinaldo Azevedo

A SORTE ESTÁ LANÇADA – Juristas, deputados e movimentos pró-impeachment entregam a Cunha denúncia contra Dilma. Veja o que acontece agora

Cunha recebe denúncia contra Dilma das mãos de Maria Lúcia Bicudo (filha de Hélio) , em cerimônia no gabinete da presidência (Alan Marques/Folhapress)
Cunha recebe denúncia contra Dilma das mãos de Maria Lúcia Bicudo (filha de Hélio), em cerimônia no gabinete da presidência da Câmara (Alan Marques/Folhapress)
Juristas, deputados e representantes de movimentos em favor do impeachment e contra a bandalheira entregaram a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, a denúncia contra a presidente Dilma, assinada por Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal. O documento traz a assinatura de alguns dos grupos que organizaram as três maiores manifestações políticas da história do País. E agora? Agora o andamento é o que segue.
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Entregue a denúncia, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, pode colocá-la para dormir na gaveta — e não parece que haja clima para isso; pode avaliar que há fundamentos sólidos e dar sequência ao pedido, mandando instalar uma comissão especial para estudar o assunto, ou pode rejeitar. Nesse caso, qualquer parlamentar pode recorrer da decisão, e o plenário da Câmara é que decidirá, por maioria simples dos votos, se a comissão especial será ou não instalada.
Aqui e ali, diz-se que Cunha já combinou uma manobra, que consistiria em rejeitar o pedido só para que alguém recorra. COM A DEVIDA VÊNIA, O QUE O REGIMENTO DETERMINA, CONVENHAM, MANOBRA NÃO PODE SER. A leitura é uma tolice. Afinal, se ele acata o pedido, dirão que está a se vingar de Dilma; se rejeita, teria de ser dono da vontade de todos os deputados para que ninguém recorresse.
E se houver o recurso? Havendo ao menos 257 deputados na sessão (metade mais um dos: 513), os presentes decidirão se a comissão especial para avaliar o pedido será ou não formada. E basta a maioria simples entre “sim”, “não” e “abstenção”. Exemplifiquemos com números extremos. Digamos que haja apenas os 254 mínimos necessários para realizar a sessão: se apenas 86 votarem “sim”, 84, “não”, e 84 se abstiverem, a comissão será instalada mesmo assim.
Está tudo especificado no Artigo 218 do Regimento Interno da Câmara. Aceito o exame da denúncia, o denunciado — no caso, Dilma — tem dez sessões para se manifestar, caso queira. A partir da manifestação do acusado ou decorridas as dez sessões, a comissão especial tem mais cinco sessões para concluir pelo deferimento ou indeferimento do pedido.
Quarenta e oito horas depois de publicado o parecer no Diário da Câmara dos Deputados, ele tem de ser incluído na ordem do dia da sessão seguinte. Encerrada a discussão, submete-se, então, à votação do plenário. Para que seja dada a autorização para o processo de impeachment, são necessários 342 votos. Obtido esse número, Dilma tem de ser afastada.
Em duas sessões, o Senado Federal tem de ser comunicado para que, então, se instaure o processo de impeachment. É nessa Casa que se toma a decisão final. Para que a presidente perca o mandato, são necessários dois terços dos votos. Se, em 180 dias, o Senado não proceder ao julgamento, Dilma retoma suas funções, sem prejuízo da continuidade do processo.
É esse mecanismo que foi deflagrado nesta quinta-feira. Por Reinaldo Azevedo

Não adianta! Dilma não entende a democracia. Mas nós já entendemos Dilma! Ou: Quem sepulta a democracia

Não adianta. Dilma Rousseff está na categoria dos que não aprendem nada nem esquecem nada. Nesta quinta-feira, na solenidade em que deu posse de Rodrigo Janot para um segundo mandato de dois anos à frente da Procuradoria-Geral da República, ela voltou àquele que se tornou o samba de uma nota só do seu governo: o combate ao impeachment. E recomendou a Janot que a Procuradoria Geral da República seja a “defensora da estabilidade das instituições”. Não sei o que quer dizer “defender a estabilidade” no vocabulário de Dilma, mas imagino. E como Janot defende, ne!? Até agora, ele não importunou minimamente a presidente. Poderia ter enviado um pedido de abertura de inquérito contra ela; não o fez. Poderia ter respondido à ação da oposição, que pediu a abertura de uma ação penal contra a presidente. Não o fez também. E, de quebra, ainda tentou impedir a Justiça Eleitoral de investigar as contas de campanha do PT. Isso é mais do que a estabilidade pedida. É fidelidade. No dia em que uma denúncia contra ela é protocolada na Câmara, com o apoio de partidos de oposição e de movimentos que levaram milhões de pessoas às ruas, Dilma recomendou que os políticos “pleiteiem o poder por meio do voto e aceitem o veredito das urnas”. De novo, é uma forma errada de entrar no debate. Quem, no país, está pleiteando o poder de outra maneira? Eleições são uma condição necessária da democracia, mas não suficiente. Isso quer dizer que não existe democracia sem o voto, mas que pode haver voto onde não há democracia, como evidenciam Venezuela, Equador e Irã, entre outros… Mais pode ser dito a respeito: um presidente obtém nas urnas, e Dilma faz questão de fingir que não entende — ou, o que é pior, não entende mesmo — o direito de governar o país segundo as regras do jogo que o elegeu. Entenda, presidente: se ficar caracterizado que a vitória foi fraudulenta, que ela foi obtida por meios ilegais, que a institucionalidade foi ferida, então, senhora Dilma, a própria democracia que garante a assunção de um líder também aponta os caminhos de sua deposição. Mais do que isso: no curso do mandato, esse líder eleito pode cometer falhas que são de tal sorte graves que a sua continuidade no poder é incompatível com as regras do jogo. O seu mentor espiritual, Lula, que gosta de transformar tudo num jogo de futebol, poderia lhe explicar o que é cartão vermelho. Dar pedaladas fiscais, presidente, é o mesmo que dar um carrinho por trás, com as chuteiras a alguns centímetros do chão. Não há como manter o jogador em campo. Já o petrolão é cotovelada no nariz, chute na cabeça e dedo no olho. Dilma, ao contrário do que anuncia, tem uma cultura democrática frágil, fraca mesmo. A sua trajetória explica o seu parco entendimento do regime. Saltou de grupos terroristas para a política institucional pelas mãos do brizolismo, que nunca foi um prodígio nessa área. Foi burocrata do governo gaúcho. Depois, burocrata do governo Lula, cujo líder máximo, para gáudio dos tolos, rebaixou a institucionalidade com o carisma. Nesse ambiente, Dilma se fez “mãe do PAC”, uma construção mixuruca da marquetagem e, dali, foi pescada para ser a “Dilmãe”, a mãe do povo. O que menos esta senhora respirou em sua trajetória foi a cultura democrática, que não existe para valer, vamos ser claros, fora do ambiente liberal. É por isso que Dilma não entende que o mesmo arcabouço legal que a elegeu pode depô-la. É por isso que Dilma não entende que há dois caminhos para ela deixar o poder: ou será pelo impeachment — e, nesse caso, vai ser deposta por quem também foi eleito — ou será pela via judicial, cuja legitimidade é garantida pelo conjunto das regras que formam o Estado de Direito. Não deixa de ser um pouco constrangedor ter de explicar isso tudo. Dilma se jactou ao se referir a Janot: “Acolhi a indicação da lista encaminhada pela Associação Nacional dos Procuradores da República. Fazendo isso, evitei partidarizar a escolha, respeitei a autonomia do Ministério Público. Adotei esse procedimento por entender que essa é a atitude correta a ser seguida pela presidente da República, porque é uma atitude impessoal, republicana e democrática”. Bem, ela não foi a primeira. De fato, poderia ter adotado outro caminho, já que a eleição direta para procurador-geral não está na Constituição nem em lugar nenhum. Não é algo de que a gente deva necessariamente se orgulhar, não é mesmo? A lembrança que Dilma faz é imprópria porque resta no ar a sugestão de que indicou o preferido da categoria para, no fundo, ser deixada em paz. Sobra a suspeita de que houve uma relação de troca. A presidente aproveitou para citar o grande pensador — ah, Jesus! — José Mujica, ex-presidente de Uruguai: “Essa democracia não é perfeita porque nós não somos perfeitos, mas temos que defendê-la para melhorá-la, não para sepultá-la”. Então tá bom. Concorre para sepultar a democracia quem mente sobre si mesmo para ser eleito. 
Concorre para sepultar a democracia quem mente sobe os outros para ser eleito.
Concorre pra sepultar a democracia quem se apodera do Estado em benefício de um grupo ou de um partido.
Concorre para sepultar a democracia quem dá mostras de não reconhecer as regras do jogo.
Concorre para sepultar a democracia quem não se importa em, se preciso, quebrar um país para não perder uma eleição.
Dilma é capaz de ligar tais obras à pessoa? Por Reinaldo Azevedo

Cursos ameaçados

Novos cursos de medicina ameaçados
Novos cursos de medicina ameaçados
Os cortes no Orçamento da Educação, do jeito que estão hoje, tornam muito difícil a execução da próxima etapa do Mais Médicos: a criação de novos cursos de medicina. Não há como criar cursos de medicina em universidades públicas sem concursos. Por Lauro Jardim

PT dividido


A provável volta da articulação política para as mãos do PT foi bem recebida pela corrente Mensagem ao Partido (Tarso Genro, José Eduardo Cardozo, etc...), a segunda da legenda. Críticos de primeira hora da aliança com o PMDB e mais ainda da entrega da articulação política a Michel Temer, petistas deste grupo temiam que a estrutura do governo fosse usada para pavimentar a candidatura do partido em 2018. Petistas do grupo majoritário, a corrente Construindo um Novo Brasil, pensam o contrário. Acham que só Temer com poder seria capaz de controlar Eduardo Cunha. 

Os tucanos perderam o medo

O impeachment é uma certeza. O maior sinal disso é que o PSDB, conhecido por sua poltronice, já trata publicamente do assunto. Aécio Neves, por exemplo, disse nesta quinta-feira que se forem comprovados crimes na campanha de Dilma Rousseff, seu mandato perde a legitimidade: “Isso não é para ela, é para qualquer eleito. Fomos acusados de pessimistas no passado. Agora mudam o termo e essas pessoas são chamadas de golpistas. Golpe é usar dinheiro do crime para obter votos".

Defesa de Eduardo Cunha é o ataque

Eduardo Cunha determinou ao Centro de Informática da Câmara um levantamento de todos os registros de requerimentos de audiência apresentados por deputados, mas cujos textos originais tenham sido elaborados por gabinete de outro parlamentar. Eduardo Cunha quer mostrar à Procuradoria Geral da República que o episódio envolvendo Solange Almeida para pressionar Julio Camargo é prática comum entre os colegas.

Ela ainda não perdeu o emprego

A Economist desta semana trata do colapso da economia brasileira, que se reflete sobretudo na falta de trabalho. A reportagem termina dizendo que enquanto Dilma Rousseff "ainda se segura em seu emprego, muitos brasileiros não tiveram a mesma sorte".

A debandada do PT

Continua a debandada do PT. O único prefeito petista de uma capital nordestina, Luciano Cartaxo, de João Pessoa, abandonou o partido e ingressou no PSD. A toxidade do PT devastou seu maior reduto eleitoral.

A ditadura da corrupção

Miguel Reale, depois de entregar o pedido de impeachment contra Dilma Rousseff, pronunciou uma frase extraordináriamente poderosa: "O que nos une, Hélio Bicudo e eu, é que somos defensores dos direitos humanos. Lutamos contra a ditadura dos fuzis, agora lutamos contra a ditadura da corrupção". Em seguida, Eduardo Cunha estragou tudo dizendo que só vai apreciar o documento quando se "sentir confortável com ele". O que ele quer dizer com "confortável com ele"? Isso quererá dizer quando "ele colocar seu traseiro sobre o papel"? A falta de grandeza desses sujeitos é estupefaciente, eles nunca percebem quando se está fazendo história. 

OAB, o grande aparelhão petista, reclama do ministro Gilmar Mendes por ter se retirado do Plenário

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), aparelhão petista na área jurídica, fez duras críticas nesta quinta-feira (17) ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal de Federal, "repudiando ataques grosseiros e gratuitos, desprovidos de qualquer prova, evidência ou base factual" contra a entidade durante seu voto contra a proibição de financiamento privado de campanhas. Em nota assinada pelo Colégio de Presidentes de Conselhos Seccionais da OAB, a entidade afirmou ainda que "não mais é tolerável o tempo do poder absoluto dos juízes" e que a "voz altiva da advocacia brasileira, que nunca se calou, não será sequer tisnada pela ação de um magistrado que não se fez digno de seu ofício. O mal-estar começou na sessão desta quarta-feira (16) do STF, quando o ministro afirmou que o PT conseguiu manobrar a OAB, autora da ação que questiona a legalidade das doações privadas para candidatos e partidos, para defender a restrição dos repasses e com isso asfixiar a alternância de poder, decretando a falência da oposição. Obviamente, o ministro foi delicado ao dizer que "o PT conseguiu manobrar a OAB", porque já há um bom tempo a OAB nada mais é do que um aparelho do PT no campo jurídico. Ao final do julgamento, Gilmar Mendes chegou a se desentender com o presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, que concedeu a palavra a um representante da OAB para rebater o voto do ministro. Gilmar Mendes acabou abandonando o plenário, antes de o advogado se manifestar. "O ato de abandono do plenário, por grotesco e deselegante, esse se revelou mais um espasmo autoritário de juízes que simbolizam um Poder Judiciário desconectado da democracia, perfil que nossa população, definitivamente, não tolera mais", diz outro trecho. Isso é uma vilania da direção petista da OAB, querer chamar o ministro Gilmar Mendes de autoritário, o que ele obviamente não é. "Não mais é tolerável o tempo do poder absoluto dos juízes. Não mais é aceitável a postura intolerante, símbolo de um Judiciário arcaico, que os ventos da democracia varreram. Os tempos são outros e a voz altiva da advocacia brasileira, que nunca se calou, não será sequer tisnada pela ação de um magistrado que não se fez digno de seu ofício", completou. O STF retoma na tarde desta quinta-feira o julgamento. Dos 11 ministros, seis votaram pela proibição de doações privadas para candidatos e partidos e outros dois pela liberação desse tipo de repasse. Ainda precisam apresentar seus votos os ministros Rosa Weber, Cármen Lúcia e Celso de Mello. A OAB hoje está completamente bolivarianizada e a serviço do Foro de São Paulo, é um apêndice do PT. 

CPI da CBF pede a quebra de sigilos de brasileiro que é procurado pela Interpol

O senador Romário (PSB-RJ) apresentou um requerimento para a CPI do Futebol de quebra de sigilo fiscal e bancário do brasileiro José Margulies, apontado pelo FBI como envolvido no escândalo de corrupção da Fifa e procurado pela Interpol. Conhecido como José Lazaro, ele intermediava contratos da Conmebol com emissoras de televisão e empresas de marketing esportivo. O pedido do ex-jogador, que é o presidente da comissão, ainda precisa ser apreciado e aprovado pelos demais senadores. Na justificativa apresentada por Romário em seu requerimento está o fato de Lázaro ter trabalhado por muito anos com José Hawilla, dono da Traffic, réu confesso, que segundo o governo dos Estados Unidos teria concordado em devolver US$ 151 milhões (R$ 473 milhões na cotação atual) de seu patrimônio. Ainda de acordo com a Justiça americana, US$ 25 milhões (R$ 78 milhões) deste total já teriam sido pagos no momento da confissão.
 
Ficha de José Margulies na página de procurados da Interpol

Protocolado o pedido de impeachment, assinado por Reali Junior, Hélio Bicudo e organizações oposicionistas, começou a queda da petista Dilma

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recebeu nesta quinta-feira (17) o aditamento ao principal pedido de impeachment contra a petista Dilma Rousseff. Com a presença de dissidentes da base governista, dos principais líderes das bancadas de oposição e de líderes de movimentos de rua pró-impeachment, a entrega do documento pelo jurista Miguel Reale Jr. e por uma filha do ex-fundador do PT, Hélio Bicudo, que representou o pai, foi seguida por discursos contra Dilma e o governo. Adversário declarado do governo, Eduardo Cunha abriu seu gabinete para o recebimento do documento. A imprensa foi liberada para acompanhar o ato na sala da presidência da Câmara, medida que nem sempre acontece nesse tipo de situação. Todos os outros pedidos de impeachment – inclusive o original de Bicudo, que foi devolvido para correções formais, foram apresentados nos departamentos técnicos da Câmara. Eduardo Cunha negou que a atitude tenha sido diferente da que adota quando lideranças da Casa ou "movimentos sociais" (as milícias petistas) solicitam. "Recebi em audiência os líderes que me pediram audiência. Aqui recebo a todos. Os movimentos já vieram aqui várias vezes e todas as vezes que vieram e me pediram, eu recebi", justificou. "Lutamos contra a ditadura dos fuzis, agora lutamos contra a ditadura da propina", discursou Reale Jr. logo após passar às mãos de Eduardo Cunha o aditamento. O advogado defende que irregularidades cometidas em mandato anterior são passíveis de serem usadas para questionar o atual mandato de Dilma. O jurista vinha elaborando já faz algum tempo parecer para embasar um pedido de impeachment encabeçado pelo PSDB de Aécio Neves. A oposição, porém, decidiu encampar o pedido de Hélio Bicudo. Em sua fala, a filha do ex-petista, Maria Lúcia Bicudo, cobrou ética e coerência: "Basta de mentiras". Também estiveram no ato na presidência da Câmara líderes do "Vem pra Rua" (Rogério Chequer), do "Movimento Brasil Livre" (Fernando Holiday) e "NasRuas" (Carla Zambelli). Em suas falas, eles cobraram pressa de Eduardo Cunha na análise do pedido contra a petista e ainda criticaram os deputados que não apóiam a saída de Dilma. "A história haverá de cobrar dos senhores a covardia, o esconderijo. Tenho certeza que muitos outros ainda perceberão o que o povo quer, e que é a saída do PT", afirmou Holiday. Eduardo Cunha fez um discurso protocolar, de que cumprirá sua função institucional. Ele procurou não demonstrar reação aos fortes discursos anti-PT e anti-Dilma. Um dos poucos momentos em que sorriu foi quando o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP) afirmou que a gravata do peemedebista, de uma cor verde viva, trazia muita "esperança" aos oposicionistas. Além do Solidariedade, o ato foi encorpado pelo PSDB – Reale e a filha de Bicudo chegaram à Câmara trazidos pelo líder da bancada tucana, Carlos Samapaio (SP), e pelo líder da oposição na Casa, Bruno Araújo (PE) –, pelo DEM e por dissidentes do PMDB – os deputados Jarbas Vasconcelos (PE), Lúcio Vieira Lima (BA) e Darcísio Perondi (RS). Réplicas do "Pixuleko" – o ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") vestido de presidiário – foram trazidas por manifestantes, mas Carlos Sampaio desaconselhou que eles fossem levados para dentro do gabinete de Eduardo Cunha. "Amigos, hoje não é o dia para isso", aconselhou. Logo que se afastou, alguém reclamou: "Pô, impeachment sem 'Pixuleko' não dá". Cabe a Eduardo Cunha decidir se dá ou não sequência aos pedidos de impeachment protocolados na Casa. Pela discussão de bastidores que mantém com a oposição, ele indica que rejeitará todos, abrindo caminho para que a oposição faça um recurso ao plenário da Câmara. Caso a maioria dos presentes à sessão seja favorável ao pedido, ele segue para análise de uma comissão especial, que emitirá parecer ao plenário. Dilma é afastada se pelo menos 342 dos 513 deputados entenderem que há elementos para abertura do processo de impedimento. Já existe, inclusive, um acordo sobre os procedimentos a serem adotados assim que os partidos de oposição apresentarem o pedido de impeachment do jurista paulista. Em uma operação casada, as três CPIs da Câmara dos Deputados controladas por Eduardo Cunha - Petrobras, BNDES e Fundos de Pensão - devem colocar em votação simultânea requerimentos polêmicos, entre eles a convocação do ex-presidente Lula X9. O movimento tem como objetivo forçar a tropa de choque governista a concentrar sua atuação nas comissões de inquérito e forçar seu afastamento do plenário da Casa Legislativa, tirando seu foco da votação do recurso de impeachment da presidente que precisa dos votos da maioria simples para ser aprovado.

Mercado financeiro agitado com desastres econômicos do governo petista eleva o dólar a R$ 3,90


O dólar voltou a subir nesta quinta-feira (17) e alcançou a máxima de R$ 3,909 logo após a abertura dos negócios, refletindo preocupações com a política econômica brasileira e a cautela dos investidores antes da decisão de política monetária do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos). Às 11h55 (de Brasília), o dólar à vista, referência no mercado financeiro, tinha valorização de 1,65%, para R$ 3,888 na venda. No mesmo horário, o dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, avançava 1,43%, para R$ 3,890. Reportagem do jornal "Valor Econômico" publicada nesta quinta-feira afirma que o Instituto Lula e o PT (Partido dos Trabalhadores) estão formulando uma política econômica para flexibilizar as políticas fiscal e monetária, estimulando assim o crescimento do país nos próximos anos. A idéia do projeto é abandonar o ajuste fiscal em curso e reduzir a taxa básica de juros (Selic) "na marra". No Exterior, os olhos seguem voltados à reunião do Fed que termina nesta quinta-feira. Parte dos economistas enxerga possibilidade de aumento dos juros dos Estados Unidos nesta quinta-feira, o que retiraria investimentos do Brasil e encareceria o dólar. O aperto monetário americano deixaria os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, considerados de baixíssimo risco, mais atraentes do que aplicações em emergentes. Dados positivos do mercado de trabalho americano divulgados nesta quinta-feira reforçaram algumas apostas de elevação dos juros dos Estados Unidos nesta tarde. Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram em 11 mil na semana encerrada no dia 12, para 264 mil. Foi o menor patamar em dois meses. A maioria dos economistas, porém, espera uma alta do juro apenas em dezembro ou início de 2016. "As apostas de manutenção refletem sinais claros de desaquecimento da economia da China, a queda recente nos preços das commodities e a valorização acumulada do dólar sobre as demais moedas globais nos últimos meses", afirmou Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora. Pesquisa da agência internacional de notícias Bloomberg com 114 economistas revelou que 55 esperam que o aperto monetário nos Estados Unidos comece já nesta semana. Os demais apostam na manutenção do juro em seu atual patamar, entre zero e 0,25% ao ano. O Banco Central do Brasil segue vigiando de perto a volatilidade da moeda americana. Nesta quinta-feira, a autoridade deu continuidade à rolagem de swaps cambiais para estender os vencimentos de contratos previstos para o próximo mês. A operação, que tem sido feita diariamente, equivale a uma venda futura de dólares. O clima de cautela também afeta o mercado de juros futuros. As taxas do contrato de DI para janeiro de 2016 apontava 14,425%, ante 14,350% na sessão anterior. Já o contrato de DI para janeiro de 2021 subia para 15,250%, ante 14,990% na quarta-feira. 

Com medo de ser preso, como José Maria Marin, Marco Polo Del Nero não diz se viajará ao Chile

O presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Marco Polo Del Nero, voltou a ser questionado nesta quinta-feira (17) sobre o fato de não viajar para o Exterior desde que dirigentes do futebol foram presos na Suíça, no dia 27 de maio. Documentos das investigações do FBI indicam que o dirigente brasileiro é suspeito de ter participado do recebimento de propinas em acerto de contratos da entidade. "Estamos tratando da convocação da seleção. Nenhuma resposta sobre isso", disse Del Nero, ao ser questionado se viajaria com a seleção para o Chile, onde o Brasil jogará no dia 13 pelas eliminatórias da Copa do Mundo. O presidente da CBF evitou viagens internacionais desde a eclosão do escândalo de corrupção no futebol. Ele deixou de ir a jogos do Brasil no exterior e em eventos da Conmebol e da Fifa. Seu antecessor, José Maria Marin, está preso na Suíça desde maio e tenta evitar uma extradição para os Estados Unidos.

IBGE aponta que despesas dos governos subiram para 19% do PIB em 2013

Hospital das Clínicas, em São Paulo, ligado à USP; gastos públicos subiram para 19% do PIB
Os gastos do governo geral — que inclui governos central, estaduais e municipais, sem estatais — para manter serviços gratuitos da máquina pública em funcionamento saltaram de 18,3% para 19% do PIB (Produto Interno Bruto) de 2010 a 2013, informou o IBGE nesta quinta-feira (17). As chamadas despesas de consumo final do governo, como pagamento de salários, contratação de bens e serviços para a prestação dos serviços públicos gratuitos, era de R$ 710 bilhões em 2010 e chegou a R$ 980 bilhões em 2013. Os valores não descontam a inflação. O aumento foi puxado, sobretudo, pelas despesas da esfera estadual em 2013. A despesa final dos Estados aumentou 18,6% em 2013, em relação ao ano imediatamente anterior. Com o aumento de gastos, aliado a um menor dinamismo da receita e aumento das despesas com pagamento de juros (efeito do aumento dos juros básicos da economia em 2013), a necessidade de financiamento do governo geral cresceu sobretudo de 2012 para 2013. A necessidade de financiamento do governo era de R$ 91,7 bilhões em 2012 (-1,9% do PIB) e passou a R$ 165,9 bilhões em 2013 (-3,2%). O saldo negativo indica um déficit que, na prática, precisa ser coberto com a captação de recursos no mercado financeiro, aumentando a dívida pública. Os números fazem parte de uma publicação de "Estatísticas de Finanças Públicas e Conta Intermediária do Governo 2010-2013", divulgada nesta quinta-feira (16) pelo IBGE. Já o resultado primário do governo geral foi de 2% em 2013, próximo ao superávit primário de 1,9% de 2013 divulgado pelo Banco Central, usado para a meta oficial. Para o IBGE, contudo, os números não são comparáveis. Os dados diferem porque seguem metodologias diferentes. O número do IBGE segue o Manual das Contas Nacionais e são usados no cálculo do PIB (Produto Interno Bruto) final de 2010 a 2013, a ser divulgado pelo IBGE. Nos cálculos, o IBGE considera uma metodologia chamada "acima da linha", que consiste em calcular as contas a partir de receitas e despesas. Já o Banco Central calcula as contas públicas "abaixo da linha", a partir da dívida do governo. "As nossas contas não incluem estatais das três esferas de governos, diferentemente do critério do Banco Central", explicou André Cavalcanti, gerente de Administração Pública na Coordenação de Contas Nacionais do IBGE. As contas do governo federal estão sendo contestadas pelo Tribunal de Contas da União por causa de manobras "heterodoxas" com os gastos públicos. É o caso do adiamento de despesas do Tesouro com bancos públicos. Segundo Cavalcanti, uma eventual reprovação das contas do governo pelo TCU não necessariamente, contudo, provocaria revisão nos números divulgados nesta quinta-feira. "Usamos um conceito de despesas liquidadas, ou seja, despesas que o governo reconhece ter o dever de pagar, mesmo que não tenha pago", disse Cavalcanti: "Se houver mudança de registro talvez tenha que fazer revisão. Mas como trabalhamos com esse conceito, achamos que não tem esse risco".  O estudo é chamado de conta intermediária porque não considera ainda dados de FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), fundo remanescente de PIS/Pasep, Sistema S e outras fontes.

Petrobras confirma que está trabalhando na venda da Gaspetro

A Petrobrás confirmou que está analisando a possibilidade de venda da Gaspetro, uma de suas subsidiárias. Em resposta a um questionamento feito pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a estatal divulgou um comunicado nesta quarta-feira, 16, em que afirma estudar oportunidades de desinvestimentos nas áreas de gás e energia, exploração e produção e abastecimento. A companhia lembra que em junho, divulgou a aprovação de um plano de desinvestimento no valor total de US$ 15,1 bilhões para 2015 e 2016. Afirma também que a carteira de venda de ativos é dinâmica, e a concretização dessas oportunidades depende de condições negociais e de mercado. Os rumores são de que a Gaspetro valeria aproximadamente US$ 2,6 bilhões.


A perda do grau de investimento pela S&P e o cenário econômico levam Petrobrás a revisar plano de negócios. Em julho, o conselho de administração da Petrobrás aprovou a venda de ativos Transportadora Associada de Gás (TAG), braço da Gaspetro responsável pela rede de gasodutos da petroleira. Entretanto, após a perda do grau de investimento pela agência Standard and Poor's na semana passada, a Petrobrás terá de revisar seus planos de cortes de custos, o que pode afetar os desinvestimentos da companhia. A revisão do plano de negócios é estudada há pelo menos duas semanas. Anunciado em junho, o atual plano da companhia prevê a venda de US$ 15,7 bilhões em ativos até o próximo ano, e outros US$ 42 bilhões entre 2017 e 2018. Enquanto não há definição sobre o novo valor dos investimentos, a Petrobrás prepara a demissão de funcionários terceirizados em áreas administrativas. A previsão é que sejam feitos cortes "pesados" em subsidiárias como BR Distribuidora, Transpetro, Petrobrás Biocombustíveis, Gaspetro e Liquigás. A prioridade são empresas na lista de desinvestimentos, em projetos cancelados e em setores considerados "inchados". A estimativa da estatal é cortar até US$ 12 bilhões em "gastos gerenciáveis" até 2019. Outro item da lista de desinvestimentos da Petrobrás é a abertura de capital da BR Distribuidora. Mas, os planos podem ser adiados por conta da queda do preço do petróleo no mercado internacional e da desaceleração da economia chinesa, que afeta os negócios da estatal com o país. Outro motivo seria o envolvimento do agora ex-presidente da subsidiária de combustíveis, José Lima de Andrade Neto, nas investigações da Operação Lava Jato, que apura o esquema de corrupção na Petrobrás. Licenciado da presidência do conselho de administração da petroleira, Murilo Ferreira, também presidente da Vale, seria contra o lançamento de ações da subsidiária na Bolsa em outubro, conforme previsão inicial. Isso porque o desdobramento das investigações poderia afetar o preço dos ativos e não render o esperado pela estatal.

Justiça suíça autoriza extradição de cartola uruguaio preso com Marin

A Justiça da Suíça autorizou a extradição do ex-presidente da Conmebol, Eugenio Figueredo. O dirigente uruguaio foi preso em 27 de maio, em Zurique, com outros seis cartolas, entre ele José Maria Marin, ex-presidente da CBF. O cartola uruguaio é acusado de suborno e desviar milhões de dólares em contratos comerciais da Copa América nas edições de 2015, 2016, 2019 e 2013. "Figueredo é acusado também de ter obtido de forma fraudulenta a nacionalidade americana apresentando falsos certificados médicos nos anos de 2005 e 2006", informa a nota do Departamento de Justiça e Polícia da Suíça. Para escapar dos exames de inglês e de educação cívica ao solicitar cidadania americana, Figueredo apresentou um laudo de incapacidade mental, segundo a peça acusatória do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O uruguaio ainda pode recorrer da decisão no Tribunal Penal Federal da Suíça. Ele tem um prazo de 30 dias para apresentar o recurso. Assim como Figueredo, o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, está preso desde o dia 27 de maio na Suíça. Ele aguarda julgamento para que seja definida a sua extradição. A defesa do brasileiro tenta impedir a sua ida para os Estados Unidos. Porém, os advogados já admitem que é muito difícil Marin conseguir uma vitória na Justiça da Suíça. A decisão deverá ser divulgada nos próximos dias.

Delator diz que bancou vôos do "guerreiro do povo brasileiro", o bandido petista mensaleiro José Dirceu

Delator da Operação Lava-Jato, o lobista Julio Camargo afirma que bancou gastos de R$ 2 milhões do ex-ministro José Dirceu com voos em jatinho pelo país. Os custos, disse Camargo, eram abatidos de uma soma de propina que o ex- ministro recebia com origem na Petrobras. Dirceu virou réu em ação ligada à Lava-Jato na terça- feira, assim como Camargo. Os depoimentos do delator ajudaram a embasar a denúncia. Os repasses a Dirceu, segundo Camargo, somaram R$ 4 milhões e foram feitos de “modo informal” – por isso não foram apresentados documentos bancários relacionados. O delator disse que o então diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, “autorizava” os pagamentos. “O custo dos voos em tais aeronaves, aproximadamente R$ 2 milhões, foram deduzidos dos valores que Dirceu tinha para receber da empresa Apolo (fornecedora de tubos) e dos R$ 4 milhões”, disse o lobista em depoimento. Camargo entregou uma planilha com dados de viagens feitas entre 2010 e 2011. Entre os destinos, estão aeroportos em Estados como Minas, Paraná e Bahia.

Rejeição de contas é considerada irreversível no TCU

A rejeição das contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff no Tribunal de Contas da União é considerada internamente como irreversível. O mais provável é uma derrota unânime, com voto contrário dos nove ministros da corte. O governo tem entre três e quatro semanas para tentar reverter o quadro. A votação deve ocorrer na primeira semana de outubro. Na última semana, o governo entregou sua defesa final para as 15 irregularidades apontadas pelo TCU. Entre elas estão o pagamento de despesas da União por bancos públicos – as chamadas pedaladas fiscais – e gastos sem aval do Congresso. A defesa oscila entre dizer que os atos não são ilegais e que, se forem, já ocorriam antes com a permissão do TCU. O parecer do tribunal será levado ao Congresso. Se houver rejeição das contas e a posterior confirmação do veredicto pelos parlamentares, abre-se caminho para um pedido de impeachment de Dilma. O desrespeito às regras do Orçamento público já colocariam o governo em situação complicada. O enfraquecimento da presidente e a estratégia de sua defesa pioraram o ambiente. Declarações de que a análise estava sendo política irritaram ministros e técnicos – é a área técnica do TCU, formada por concursados, que apontou irregularidades. 

Maracutaia no DNPM

A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na sede do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), em Brasília, e levou computadores do diretor-geral, Celso Luiz Garcia, suspeito de irregularidades na exploração de pedras preciosas.

Lula X9 não quer mais conversa com Dilma, nem atende mais seus telefonemas

Tratada com desdém pela classe política, que já não a respeita e articula seu impeachment, a presidente Dilma também perde contato até com seu criador. Ela tenta há três dias contato com Lula, que não atende e nem retorna as chamadas. O afastamento se deve ao pacote fiscal do governo e principalmente à manutenção do ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), cuja demissão ele recomenda há meses. Fontes próximas a Dilma e ao ministro Joaquim Levy (Fazenda) afirmam que a presidente está “abalada” com o distanciamento de Lula. A aliados, Lula tem dito que Dilma “perdeu o controle da situação”. Sua maior preocupação é que o desgaste dela o “contamine”. A demissão de Mercadante tem sido recomendada por outros aliados de Dilma, sobretudo após seu envolvimento na Operação Lava Jato. Dilma quis falar com Lula sobre substituir Mercadante pelo assessor Giles Azevedo ou a ministra Kátia Abreu (Agricultura). Ele não retornou. (Claudio Humberto)

Brasileiro é detido com drogas no Egito e pode ser condenado à morte

O jovem Lucas Stormoski, de 20 anos, pode ser mais um brasileiro a ser condenado à morte pelo tráfico de drogas. Morador de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, ele foi preso no último dia 10, no Aeroporto Internacional do Cairo, no Egito, com três quilos de cocaína e, pelas leis locais, corre o risco de ser condenado à prisão perpétua ou à morte por enforcamento. Em entrevista à TV Al Hayah, logo após uma audiência, Lucas disse ter sido enganado pela pessoa que o contratou, que teria prometido que ele ganharia R$ 12 mil. "Ele (contratante) falou que eram uns comprimidos, mas eu não desconfiava que era cocaína, achava que era algum comprimido como o Viagra ou para academia e ele falou que a polícia não faria nada pois era legal. O máximo que fariam era conversar", afirmou. Lucas esteve acompanhado de um representante do consulado brasileiro no País quando falou na audiência. O jovem disse estar arrependido. "Caí na lábia dele, ele falando que seria fácil e deu no que deu, foi o dinheiro e não se mede as conseqüências. Jamais queria passar por isso, nunca, sempre estudei, trabalhei e chega uma oferta do nada, não resisti, estava precisando de dinheiro, como todo mundo precisa de dinheiro", afirmou. O tráfico de drogas é considerado um crime gravíssimo no país, assim como no Paquistão e outros locais de maioria islâmica e geralmente são punidos com a pena de morte. Lucas também disse que nunca havia saído do País. "Nunca saí do Brasil, só estive no Paraguai e Argentina, que é perto, estou me sentindo um lixo, não tenho o que falar. Não tem coisa pior que ficar em um país do outro lado do mundo, longe de sua casa, sem saber se defender", disse. No final da entrevista, abalado, o jovem pediu perdão ao pai. "Foi a pior besteira que fiz em minha vida, chega, que eu não aguento mais falar, só quero pedir perdão. Perdão, pai, ele sempre me deu conselhos, fui meio rebelde e agora estou sentindo na pele", concluiu. O brasileiro Marco Archer foi condenado à morte após ter sido julgado e condenado, e fuzilado, por ter ingressado na Indonésia com 13 quilos de cocaína, em 2003. Ele foi fuzilado em Jacarta em 17 de janeiro deste ano pelo governo do país.