sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Policia Federal prende Goiano, um dos maiores traficantes de cocaína do mundo

Procurado pela Interpol por ser um dos maiores traficantes de drogas do mundo, capaz de financiar a construção de um submarino para transportar cocaína e apontado como um dos poucos traficantes que negociou diretamente com o colombiano Pablo Escobar na década de 1980, Mário Sérgio Machado Nunes, o Goiano, de 59 anos, foi preso na tarde desta sexta-feira, 18, em um condomínio de luxo, no Guarujá, no litoral paulista. Segundo as investigações do Departamento de Narcóticos (Denarc), Goiano estava no Brasil desde o ano passado. Ele fugiu de uma prisão, em Cabo Verde, na África, em 2013, quando passou a fazer parte da lista de procurados da Interpol.


O delegado Alberto Matheus disse que o traficante atuava como avalista de cocaína que era enviada para países africanos, principalmente África do Sul. Segundo ele, Goiano garantia o embarque da droga em contêineres. “Ele não colocava a mão na droga, mas comandava toda a parte administrativa do tráfico. Se o comprador não tivesse o dinheiro suficiente, ele pagava e recebia depois”, disse. Os investigadores chegaram até Goiano durante uma apuração de venda de drogas no bairro de Moema, na zona sul de São Paulo. Com eles, foram apreendidos documentos de identidade falsos, munições e celulares. Segundo o Denarc, o traficante fez diversas cirurgias plásticas para montar disfarces para enganar a polícia. Goiano é investigado pela Polícia Federal há cinco anos. Ele é apontado como líder de uma quadrilha internacional que atua na distribuição de cocaína em 27 países, como Holanda, Estados Unidos, China, Uruguai, Bélgica, Espanha, França, África do Sul, Itália, Coreia do Sul, entre outros. O acusado seria credor do chefe da quadrilha Los Urabeños, o mexicano Henry de Jesús Lopez Londoño, conhecido como Ninja, e considerado o maior fornecedor de cocaína do cartel Los Zetas, que atua no México e é ligado a grupos colombianos. Ele foi preso em outubro de 2012, em Buenos Aires, na Argentina. A Polícia Federal diz que o bando tinha tentáculos em todos os continentes. Goiano, ainda segundo as investigações, financiou a construção de um submarino, na África do Sul, que seria usado exclusivamente para o tráfico de drogas. O projeto não deu certo, mas ele investiu pelo menos US$ 20 milhões. Ninja contribuiu com US$ 5 milhões. A quadrilha também pretendia comprar um avião da Boeing para transportar drogas. A polícia apurou que seu grupo tinha os mesmos princípios de uma organização empresarial. Eram utilizados diversos mecanismos contábeis, comerciais e cambiais para obter o maior lucro possível e a redução constante de custos. Em 2012, a Polícia Federal deflagrou a Operação Águas Profundas e prendeu seis acusados de integrar a quadrilha. Goiano conseguiu escapar dos agentes federais, mas acabou detido na África, no ano seguinte. A Justiça Federal bloqueou vários bens da quadrilha no País. Estão incluídos o sequestro de 46 imóveis, sendo um hotel, nove fazendas, uma chácara, seis casas, 26 lotes, quatro apartamentos na praia, cinco apartamentos e um box de garagem, avaliados em aproximadamente R$ 100 milhões, e ainda dezenas de veículos e dinheiro em contas bancárias.

Mesmo pressionada por Lula, Dilma mantém Mercadante na Casa Civil


Em reuniões entre a tarde de quinta-feira e a manhã desta sexta-feira entre a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula, e ministros petistas, Dilma deixou claro que não irá tirar Aloizio Mercadante da Casa Civil e pediu união de todos em defesa do pacote de ajuste fiscal que corta despesas e prevê a recriação da CPMF. Desde o ano passado, senadores e deputados de partidos aliados têm reclamado da relação com Mercadante. O PMDB do vice-presidente Michel Temer e Lula mantêm Dilma sob forte pressão para mudá-lo de função. Em conversa com Dilma no fim da tarde de ontem, Lula novamente pediu a saída de Mercadante. Hoje pela manhã, o ex-presidente se reuniu com o chefe da Casa Civil para conversar sobre a crise no governo. A aliados, na passagem por Brasília, Lula fez duras críticas ao “número 2” do governo Dilma. Disse que Mercadante “não tem condições de permanecer no cargo” porque o principal aliado, o PMDB, não aceita interlocução com ele. O ex-presidente afirmou ainda que Dilma precisa prestigiar o partido do seu vice-presidente. Na avaliação de Lula, sua sucessora deveria, antes de anunciar a redução e consequente reforma ministerial, chamar todos os partidos aliados para uma negociação e não apenas para avisá-los das mudanças. Ele também pregou que o PMDB volte à articulação política do governo. "Ou abraça o urso, ou morre", disse um amigo de Lula que participou das conversas. O ex-presidente avalia que o chefe da Casa Civil "blinda" Dilma de más notícias, criando uma redoma em sua volta, além de não ter boa interlocução no Congresso. No entanto, Dilma tem em Mercadante seu principal aliado no governo. Ela compara seu ministro ao papel que teve Gilberto Carvalho na gestão de Lula, como chefe de gabinete. Lula o considerava imprescindível. Além da extrema confiança que Dilma tem em Mercadante, tirá-lo, segundo relataram auxiliares presidenciais, seria mais uma crise no Planalto, em meio à apresentação de medidas impopulares, como aumento de impostos. Desde as 15 horas de ontem, Lula está em Brasília para conversas com ministros e parlamentares petistas. Antes de ir ao Palácio da Alvorada recebeu em um hotel correligionários. Ele ouviu que o clima no Congresso é pior possível, que há pouca chance de aprovação da nova CPMF e que a relação política está muito deteriorada, o que dificulta ainda mais a chance de Dilma conseguir emplacar o pacote sem fortes mudanças. Um dos parlamentares que esteve com Lula relatou que o ex-presidente afirmou concordar com a essência do pacote, mas que tem muita preocupação com o “ânimo” dos parlamentares em aceitar o aumento de impostos e projetos como o que congela o reajuste dos servidores públicos. Lula disse a aliados que sabe a pressão a que todos estão submetidos, mas que o ajuste precisa ser entendido como a alternativa de superar a crise e projetar uma melhora do quadro político e econômico para os próximos anos. O ex-presidente avaliou que é preciso reorganizar a relação com os partidos que dão sustentação ao governo. Defende que Dilma use a redução de ministérios e consequente reforma ministerial para “fidelizar” seus votos no Congresso. Apesar de estar incomodado com o fato de não ter sido avisado previamente sobre o conteúdo do pacote fiscal e também insatisfeito com a atuação da sucessora, Lula busca ajudar para tentar uma melhora no cenário atual. Depois da conversa com Dilma ontem, Lula participou de uma reunião com ministros do PT e sem a presença de Mercadante, para conversarem sobre os rumos do governo e os desacertos políticos. Ele está incomodado com a falta de poder nas decisões em um momento tão delicado. Um aliado do ex-presidente relatou reclamação de Lula de que Dilma o escuta, mas não ouve de fato o que diz. Aos petistas, o ex-presidente disse que concorda com a recriação da CPMF, mas discorda da condução da política econômica. Usou o termo “errática” e avaliou que o Planalto e a equipe econômica precisam achar uma forma de proteger as camadas mais pobres. Além das críticas a Mercadante, o ex-presidente centrou fogo em outro ministro petista, José Eduardo Cardozo (Justiça). O ex-presidente repetiu que ele perdeu o controle sobre a Polícia Federal e sobre as informações relacionadas à Operação Lava-Jato.

Justiça Federal nega novo pedido de habeas corpus para o "guerreiro do povo brasileiro", o bandido petista mensaleiro José Dirceu


O desembargador federal João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, negou nesta sexta-feira habeas corpus ao ex-ministro da Casa Civil, o "guerreiro do povo brasileiro" (conforme dos petista) e bandido mensaleiro José Dirceu, preso desde o início de agosto na Operação Lava Jato. Em sua decisão, o magistrado rejeitou a tese da defesa de que a prisão preventiva do petista, decretada pelo juiz Sergio Moro, teria se apoiado em ilações de suspeitos ou de fatos não comprovados. "As afirmações foram confrontadas, tendo os respectivos movimentos financeiros apontados sido identificados documentalmente pelas diligências judiciais", afirmou o desembargador. Em sua decisão, ele tampouco deu guarida às manifestações de que José Dirceu não precisaria estar preso porque não atua mais como consultor da JD Consutoria, empresa suspeita de atuar em uma série de operações de lavagem de dinheiro no Petrolão do PT. Para Gebran Neto, os indícios são de que José Dirceu foi beneficiário de propina recolhida a partir de fraudes em contratos com a Petrobras. "Tanto Júlio de Almeida Camargo, quanto Milton Pascowitch, ambos intermediários do pagamento de propinas, confirmaram a entrega de valores oriundos do esquema criminoso a José Dirceu", disse ele, que ainda afirmou que o esquema do petista para recolher dinheiro sujo do esquema incluía serviços de fretamento de táxi aéreo e reformas de imóveis a familiares. Para o desembargador, a manutenção da prisão preventiva é necessária porque existe, sim, possibilidade de José Dirceu continuar a cometer crimes. Gebran Neto destacou, por exemplo, que nem mesmo a condenação do ex-chefe da Casa Civil no julgamento do Mensalão do PT o impediu de continuar recebendo dinheiro sujo do escândalo do Petrolão do PT. "Sequer a instauração de ação penal perante o STF, e posterior condenação, inibiu o paciente e os demais envolvidos de seguirem praticando crimes", criticou. Na operação Lava Jato, as suspeitas são de que José Dirceu atuava em um dos núcleos do esquema de corrupção na Petrobras para arrecadar propina de empreiteiras por meio de contratos simulados de consultoria com a empresa dele, a JD Consultoria e Assessoria. Os indícios nas investigações apontam que o petista recebeu 11,8 milhões de reais em dinheiro sujo, tendo lavado parte dos recursos não só em contratos fictícios de consultoria, mas também na compra e reforma de imóveis para familiares e na simulação de aluguéis de jatinhos. De acordo com as investigações, o esquema do ex-chefe da Casa Civil na Lava Jato movimentou cerca de 60 milhões de reais em corrupção e 64 milhões de reais em lavagem de dinheiro. Ao todo, o Ministério Público, que apresentou acusação formal contra José Dirceu na última semana, calcula que houve 129 atos de corrupção ativa e 31 atos de corrupção passiva entre 2004 e 2011, além de 684 atos de lavagem de dinheiro entre 2005 e 2014. Enquanto José Dirceu fazia uma "vaquinha" para pagar 970.000 reais de multa imposta no julgamento do Mensalão do PT, ele amealhou 39 milhões de reais com um trabalho de consultoria que a acusação diz ser majoritariamente fruto de lavagem de dinheiro. Entre 2009 e 2014, período em que José Dirceu foi julgado, condenado e em que começou a cumprir a pena do mensalão, a JD Consultoria movimentou mais de 34 milhões de reais.

Campanha de Dilma recebeu R$ 6 milhões do petrolão, diz deputado


O deputado Fernando Francischini (SD-PR) vai pedir na segunda-feira a convocação do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, para prestar depoimento na CPI da Petrobras. Preso desde janeiro, o ex-diretor tenta negociar delação premiada com o Ministério Público Federal. Francischini diz que teve acesso à proposta de delação feita por Cerveró. Trata-se de uma espécie de "cardápio" com os tópicos que o candidato a delator se propõe a esclarecer caso feche o acordo com os procuradores da República. Francischini diz que Cerveró, em um dos anexos da proposta, faz revelações sobre negociações das quais participou para liberar 6 milhões de reais para a campanha da presidente Dilma Rousseff. Segundo Francischini, o dinheiro "ilegal" teria abastecido a campanha de 2010. A proposta de delação do ex-diretor da Petrobras, segundo o deputado, inclui ainda revelações sobre cinco "reuniões prévias" que Cerveró teria tido com Dilma Rousseff no período em que a Petrobras estava comprando a Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. O negócio deu um prejuízo bilionário para a Petrobras. Dilma afirma que votou a favor da compra da refinaria com base em parecer "falho", feito por Cerveró. Ao se dispor a dar detalhes das reuniões prévias com Dilma, quando ela era presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Cerveró irá sustentar que ela tinha total conhecimento dos detalhes do negócio envolvendo Padadena. Francischini vai pedir ao Ministério Público Federal a cópia de toda a proposta de delação de Cerveró. O parlamentar também quer pedir proteção da Polícia Federal para o ex-diretor da Petrobras. "É importante que o procurador-Geral da República homologue o mais rápido possível a delação do Cerveró", diz Francischini: "Poderemos comprovar que a presidente Dilma mentiu no exercício do mandato".

Palocci, Bumlai e a Schahin

Em sua delação, Fernando Baiano confirmou o pagamento ao PT de R$ 15 milhões em propinas na compra de dois navios-sondas, avaliados em cerca de US$ 1 bilhão. O caso envolve o contrato de fornecimento do navio-sonda Vitória 10.000 pela Schahin, o grupo ligado ao pecuarista José Carlos Bumlai, amigão de Lula. Foi o Banco Schahin quem emprestou a Bumlai o dinheiro que teria sido usado para calar Ronan Maria Pinto no caso do assassinato de Celso Daniel.

Quem vendeu a cobertura para Lóssio

As construtoras MJ Construções e Incorporações e José Celso Gontijo Engenharia S/A construíram o L'Essence e venderam a cobertura para Luciana Lóssio em 29 de setembro de 2014. José Celso Gontijo é ligado ao ex-governador José Roberto Arruda e aparece num dos vídeos da operação Caixa de Pandora entregando pacotes de dinheiro para um ex-secretário do político. Lóssio advogou para Arruda no processo que cassou seu mandato em 2010. No ano passado, Arruda foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa e recorreu ao TSE para se candidatar a governador. O processo, por coincidência, caiu nas mãos de Luciana Lóssio. A relatora acabou se declarando impedida para julgar e foi substituída. Além da JC Gontijo, a outra proprietária da cobertura adquirida pela ministra Luciana Lóssio era a MJ Construções e Incorporações, que pertence a José Eduardo Bariotto Ramos, preposto do ex-senador Luis Estevão. Luis Estevão, que dispensa apresentações, foi citado pelo Antagonista há poucos dias por ter lançado um site de notícias em parceria com a Pepper. A Pepper também dispensa apresentações.

Fernando Baiano entrega Palocci

Leiam o que a Folha publicou: "(Fernando) Baiano relatou ter visto Palocci presenciar o acerto de doação ilícita à campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010. Ele disse que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa também estava no comitê. Palocci nega que o encontro tenha ocorrido". Baiano disse, ainda, que José Carlos Bumlai, o amigo de Lula que tinha acesso irrestrito ao Palácio do Planalto quando o Pixuleco era presidente, também pediu dinheiro a ele para o PT. Quando Palocci vai ser preso?

Ofendido

A Casa Branca quer incluir na recepção ao Papa Francisco militantes da causa dos transgêneros, um bispo abertamente gay da Igreja Episcopal e uma freira que lidera um grupo que não condena o aborto e a eutanásia. De acordo como o Wall Street Journal, o Vaticano está ofendido. O que o Vaticano e o Papa poderiam esperar de um presidente muçulmano?

Pedro tem nova empresa - ele é o Ronaldinho de Mercadante

O Antagonista acha que Aloizio Mercadante não é notícia, mas seu filho sim. Pedro, depois de deixar o grupo STR, abriu sua própria empresa, a Leste Líquidos Participações. Pedro também era dono da Econométrica Consultoria Epp, com o primo Lucas Oliva, mas encerrou a empresa há dois meses.

Pau no "Chico Delgado"

Após denúncia de Rodrigo Janot, o ministro Teori Zavascki resolveu abrir inquérito contra Julio Delgado, do PSB de Minas Gerais. A investigação é baseada na delação de Ricardo Pessoa, que afirmou ter repassado a módica quantia ilícita de R$ 150 mil para a campanha de Delgado, aliado de Aécio Neves. O Antagonista acha que todos são iguais perante a lei, mas suspeita que uns são mais iguais que outros.

O Pixuleco pede socorro a Cunha

Lula se reuniu com Eduardo Cunha. Lula pediu a Eduardo Cunha que segurasse os pedidos de impeachment. Lula disse que, se um dos pedidos passar, será impossível "conter a pressão das ruas". Lula afirmou que a situação de Dilma é "gravíssima". O Pixuleco foi pedir socorro, simples assim.

A cobertura de Luciana Lóssio

Luciana Lóssio, ex-advogada da campanha de Dilma e ministra do TSE, está de casa nova. Ela comprou uma moderna cobertura em edifício novíssimo na 312, quadra nobre da Asa Sul de Brasília. O imóvel tem 377 m2 de área privativa, cinco vagas na garagem, com piscina e cozinha gourmet. O Antagonista deseja sorte na nova moradia.




Luciana Lóssio registrou em cartório a aquisição da cobertura do L'Essence por R$ 3,18 milhões, mas uma consulta no mercado imobiliário indica que o mesmo imóvel valeria pelo menos o dobro disso. O imóvel foi comprado em 29 de setembro de 2014 - semana anterior ao primeiro turno da eleição presidencial - das construtoras MJ Construções e Incorporações e José Celso Gontijo Engenharia S/A.


Na presidência do Supremo, Lewandowski comporta-se como procurador dos interesses do PT. Em companhia de Barroso! E cinco outros ministros vão atrás!

É do balacobaco! Embora decadente, embora rejeitado por milhões nas ruas, embora escorraçado das praças, embora repudiado pelo mal que fez e tem feito ao Brasil, o PT está tentando emplacar no tapetão a sua reforma política — a reforma política que ninguém quer. Os principais agentes da patuscada são Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo, e Roberto Barroso, ministro do tribunal. Relembro e explico. Por oito votos a três, o Supremo acolheu uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, movida pela Ordem dos Advogados do Brasil — cujo autor original é Barroso, quando ainda era apenas advogado —, que declara, pasmem!, inconstitucional o financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas. Se isso prevalecer, as consequências para a política serão nefastas. 
Um pouco de memória. Quando o PT se julgava o dono da bola, elaborou um projeto de reforma política que se sustentava num tripé:
– proibição das doações privadas;
– financiamento público de campanha;
– voto em lista fechada — isto é, o eleitor não escolheria o seu deputado, mas votaria no partido, e o partido diria os respectivos nomes dos eleitos.
Coincidência malandra: esse também era o projeto de reforma de Barroso. Esse também era o projeto de reforma da OAB. Pior: a ação que chegou ao Supremo, assinada pela ordem, repete trechos do parecer do ministro. Ele é o verdadeiro promotor da ADI. Logo, por decência e decoro, jamais poderia ter votado. Mas votou.
Mas há mais. A Lei 9.868, no seu Artigo 27, estabelece:
“Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado.”
Muito bem! A isso se chama “modular a decisão”. Se o Supremo não o fizer, todos os políticos eleitos com financiamento privado de campanha estão em situação ilegal. É? Então são ilegais Dilma, todos os governadores, todos os prefeitos, todos os vereadores, todos os senadores e todos os deputados federais e estaduais. E nulos são todos os seus atos de ofício porque exerciam o poder ou a função ilegitimamente.
A decisão do Supremo é de uma irresponsabilidade escandalosa.
Lewandowski, um dos entusiastas da proibição da doação de empresas, conforme quer o PT, respondeu ao presidente da Câmara, segundo o qual as eleições de 2016 estão no limbo. Disse o presidente do STF:
“Não irei polemizar com o presidente da Câmara. Ele tem as suas razões. Para o Supremo Tribunal Federal, essa questão está encerrada. Claro, no direito, tudo pode suscitar uma controvérsia, mas, ao meu juízo, a proclamação foi extremamente clara. E foi por uma maioria expressiva que se pronunciou contra o financiamento de campanha por empresas. Foram oito contra três votos”.
O ministro foi adiante:
“A decisão do Supremo se baseou nos grandes princípios constitucionais, no princípio democrático, no princípio republicano, no princípio da isonomia e da igualdade entre os cidadãos e do processo eleitoral, os pilares da Constituição. Eu até diria que grande parte dos princípios aos quais o Supremo se referiu na decisão constituem cláusulas pétreas, que são imutáveis. São garantias do cidadão que foram colocadas na Carta pelo constituinte originário como balizas que não podem ser alteradas pelos constituintes derivados. Mas não estou dizendo que este seja o caso, não quero prejulgar".
Uma ova! Não há nada na Carta que impeça o financiamento privado. Isso é ódio rombudo ao capitalismo e ao capital privado. O que este senhor está dizendo? Que o Brasil elegeu FHC duas vezes, Lula duas vezes e Dilma duas vezes — e todos os demais políticos, segundo regras que discriminavam os pobres?
Ora que graça! Desde 2003, segundo as delações premiadas, o PT montou uma máquina de extorsão na Petrobras para arrecadar dinheiro para o partido. E onde mais? Como observou de novo o ministro Gilmar Mendes nesta sexta, tratava-se de um projeto para se eternizar no poder. Afinal, o partido arrancava dinheiro das empresas de modo ilegal, mas queria proibir seus adversários de ter até mesmo as doações legais.
O juízo de Lewadowski, ademais, avança muito além do absurdo. Quer dizer que, se o Senado aprovar a emenda que já passou pela Câmara, que constitucionaliza as doações de empresas, Lewandowski vai considerar o texto inconstitucional?
Lamento ser tão duro, mas é o caso: Lewandowski, na presidência do Supremo, comporta-se como procurador dos interesses do PT. E é do petismo que saiu aquela Ação Direta de Inconstitucionalidade. Não por acaso, traz a marca de Roberto Barroso. Que o Senado reaja a essa patuscada! Por Reinaldo Azevedo

A tempestade da incompetência perfeita

Um país pode decidir administrar a política cambial e manter desvalorizada a sua moeda, inclusive artificialmente. A China faz isso. Mas moeda nativa pode despencar em razão da crise. É o nosso caso. O dólar atingiu nesta sexta a segunda maior cotação desde o Plano Real. Avançou quase 2% (1,96%) em único dia, fechando a R$ 3,958. Que coisa, não? Quando Lula ganhou a eleição, em 2002, a moeda americana também disparou, mas ficou abaixo da cotação atual. Ou por outra: o mercado tinha menos medo do que não sabia do PT do que do que sabe do partido. Ou: antes, a dólar elevado refletia as incertezas sobre a legenda; hoje, de forma mais grave, reflete as certezas. A moeda disparou depois que circularam informações de que a Moody’s iria rebaixar a nota do país. Se isso acontecer, será a segunda agência de risco a pôr o Brasil no grau especulativo. A outra é Standard & Poor’s. O que é ruim pode ficar muito pior. E, tudo somado e, sobretudo, subtraído, essa hora pode não estar muito longe. O resultado da arrecadação de agosto, por exemplo, é catastrófico; o desempenho da economia está bem abaixo das previsões mais pessimistas, e nem por isso a inflação dá folga. Recessão, inflação alta, juros estelares e arrecadação em declínio… É a tempestade provocada pela incompetência perfeita. Por Reinaldo Azevedo

Reféns na tribo

juca
Ferreira cancelou ida ao Xingu
Um repórter e uma fotógrafa vinculados ao  Ministério da Cultura foram feitos reféns na cidade de Canarana, no Alto Xingu, por um grupo de indígenas, no final de agosto. Após um pagamento de 50 000 reais, foram libertados e, no dia 26 de agosto, retornaram a Brasília. O incidente ocorreu na véspera de uma visita de Juca Ferreira ao Xingu. A visita acabou adiada. Por Lauro Jardim

SAE vai acabar

Mangabeira: último comandante da SAE
Mangabeira: último comandante da SAE
Martelo batido. A Secretaria de Assuntos Estratégicos, até outro dia ocupada por Mangabeira Unger e que nunca deveria ter sido criada, será fundida ao Ministério do Planejamento. Por Lauro Jardim

Gabas mais forte

carlos gabas
Nome forte
Carlos Gabas é cotadíssimo a assumir o novo Ministério do Trabalho e Previdência. Por Lauro Jardim

O novo secretário de Imprensa de Dilma

Almeida entra no lugar de Nelson Breve
O jornalista e cientista político Rodrigo Almeida conversou hoje com Dilma Rousseff e acertou os últimos detalhes para começar na segunda-feira como novo secretário de Imprensa. Vai ocupar o lugar de Nelson Breve. Almeida estava há quatro meses chefiando a comunicação do Ministério da Fazenda. Por Lauro Jardim

Queimada desliga Furnas e deixa metade do Distrito Federal sem energia

Brasília ficou sem energia elétrica na tarde de hoje. A Companhia Energética de Brasília (CEB) informou que, até às 16h30, pelo menos 48% das unidades consumidoras estavam sem luz. Segundo a CEB, por volta de 15 horas, parte do fornecimento de energia elétrica foi desligado devido a uma falha no sistema de Furnas. Furnas informou que uma queimada próxima às linhas de transmissão provocou o desligamento. O sistema de transmissão de energia já foi restabelecido, segundo a empresa. As falhas na rede atingiram prédios públicos, shoppings, comércios e residências de diversas regiões do Distrito Federal. Todas as 24 estações do Metrô ficaram fechadas e sem energia por uma hora. O órgão disse que os trens voltaram às estações e foram evacuados. Nada tinha energia elétrica, passando pelo Palácio do Planalto, Supremo Tribunal Federal, ministérios. De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), houve desligamento de aproximadamente 600 megawats de energia no Distrito Federal.

Desafiamos Lula

Para não perder o emprego, os operários da Ford e Volkswagen, em São Bernardo, aceitaram uma redução de 10% no salário e 20% na jornada de trabalho.O Antagonista desafia Lula a ir discursar na porta dessas fábricas.

Ministro Gilmar Mendes acusa o PT de ter instalado uma "cleptocracia" no Brasil, a república dos ladrões


O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira que o PT deveria "combater a corrupção e varrer a roubalheira que o partido instalou no País". Ao ser indagado se tem medo do PT, que prometeu processá-lo por seu voto durante o julgamento do STF que barrou as doações de empresas nas eleições, o ministro foi irônico: "Seria bom que eles processassem todas essas estruturas que eles montaram". As declarações do ministro foram dadas após ele participar de uma mesa de debate do Grupo de Estudos Tributários da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo Gilmar Mendes, "na verdade o que se instalou no País nesses últimos anos e está sendo revelado na Operação Lava Jato é um modelo de governança corrupta, algo que merece o nome claro de cleptocracia, isso que se instalou". "Isso está evidente, veja o que fizeram com a Petrobras, veja o valor da Petrobras hoje, por isso que se defende com tanta força as estatais. Não é por conta de dizer que as estatais pertencem ao povo brasileiro. Porque pertencem a eles. Eles tinham se tornado donos da Petrobras. Esse era o método de governança". O ministro citou a compra de obras de arte caríssimas, como descobriu a Lava Jato, e fez uma comparação: "Veja, não roubam para o partido, não roubam só para o partido, é o que está se revelando, roubam para comprar quadros. Isso lembra o encerramento do regime alemão quando se descobriu que os quadros do partido tinham quadros, tinham dinheiro no Exterior. É o que estamos vivendo aqui".

Dólar chega a R$ 3,95


O dólar opera em forte alta nesta sexta-feira, atingindo os maiores valores desde 2002. O movimento reflete a cautela dos investidores em meio ao conturbado cenário local, mesmo após o Federal Reserve (Fed), Banco Central americano, ter mantido inalterada a taxa de juros dos Estados Unidos na quinta. Por volta das 16h40, a moeda americana subia a 1,85%, a 3,95 reais. Incertezas sobre o reequilíbrio das contas públicas e a instabilidade política no Brasil são os principais fatores que pressionam os investidores. O mercado está cético sobre a aprovação do novo pacote de ajuste do governo, estimado em 66,2 bilhões de reais, já que a maioria das medidas depende do aval do Congresso. Com isso, ficou em segundo plano a decisão do Fed de manter inalterada a taxa de juros nos Estados Unidos, o que tende a sustentar a atratividade de papéis de mercados emergentes, como o Brasil. Internamente, o mercado avaliará os dados de arrecadação federal em agosto, que devem realimentar as dúvidas sobre o cumprimento das metas fiscais do governo. Os investidores também monitoram os desdobramentos de movimentações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, além da liberação, por parte da ministra Luciana Lóssio, do Tribunal Superior Eleitoral, para que prossiga o julgamento de uma das ações que pedem a cassação de mandato da presidente. 

Arrecadação tem queda de 9,32%, somando apenas R$ 93,7 bilhões, no pior mês de agosto desde 2010


Com a crise afetando a atividade econômica e o pagamento de impostos, a arrecadação de tributos pela Receita Federal registrou queda pelo quinto mês consecutivo. Dados divulgados pelo órgão mostram que o recolhimento de impostos e contribuições federais somou 93,73 bilhões de reais em agosto, uma queda real de 9,32% na comparação com o mesmo mês de 2014, o pior desempenho para meses de agosto desde 2010. De janeiro a agosto, período de Joaquim Levy à frente do Ministério da Fazenda, a arrecadação federal somou 805,81 bilhões de reais, um recuo real de 3,68% na comparação com o mesmo período do ano passado. O valor também é o menor para o período desde 2010.

Valcke, que levou um pontapé no traseiro da Fifa por corrupção, pediu uma compensação milionária para deixar a entidade


Uma semana antes de ser acusado de envolvimento em um esquema ilegal de venda de ingressos da Copa do Mundo de 2014, Jérôme Valcke tentou convencer a Fifa a lhe pagar uma compensação milionária para que ele deixasse o cargo de secretário-geral da entidade antes do final de seu mandato. Afastado do cargo por causa do último escândalo, o dirigente francês foi substituído pelo alemão Markus Kattner, diretor financeiro da entidade, nesta sexta-feira. Na quinta-feira, Valcke foi acusado pelo empresário Benny Alon, dono da JB Marketing, de embolsar cerca de 9 milhões de reais com a venda ilegal de ingressos acima do preço tabelado na Copa de 2014. Apesar de se declarar inocente, Valcke foi afastado do cargo de secretário-geral e a Fifa abriu uma investigação interna. O presidente Joseph Blatter confessou a pessoas próximas que não acredita que seu braço direito tenha violado acordos e regras da entidade, mas, pressionado, optou por seu desligamento. Valcke já vinha sinalizando o desejo de deixar a organização. Há uma semana, o francês - marcado no Brasil por ter sugerido um "chute no traseiro" do País durante a preparação para a Copa de 2014 - propôs que a Fifa lhe pagasse uma compensação para que ele deixasse o cargo. Oficialmente, ele teria mais três anos de contrato e queria ser reembolsado por esse período, mas fontes ligadas ao caso indicam que a negociação não avançou. Em 2007, outro secretário-geral, Urs Linsi, recebeu mais de 4 milhões de dólares para deixar o cargo e abriu espaço justamente para a chegada de Valcke. Em sua defesa, o advogado de Valcke, Barry Berke, garantiu que seu cliente não tem qualquer tipo de envolvimento com as denúncias apresentadas pelo empresário Benny Alon que, desde 1990, opera na venda de ingressos da Copa. "Jérôme nega categoricamente as acusações inventadas e intoleráveis formuladas por Benny Alon sobre a suposta revenda de entradas para o último Mundial." Segundo o advogado, a Fifa colocou um fim na parceria com a empresa de Alon justamente quando soube que ele negociava entradas acima do preço de tabela. No entanto, a Fifa não explicou por que Valcke e Alon seguiram trocando e-mails, divulgados pelo jornal Estado de S.Paulo, que tratavam sobre o esquema. A crise de falta de comando na Fifa foi evidenciada nesta sexta-feira, na celebração dos 1000 dias para o início da Copa de 2018, realizada em Moscou na Rússia. Apenas diretores da Fifa compareceram ao evento, enquanto Blatter e Valcke eram aguardados. A Fifa insistiu que Blatter não tinha a intenção de estar presente no evento realizado na Praça Vermelha. Já Valcke, que chegaria em um avião privado, teve que abortar a viagem após seu afastamento. Esses caras não viajam mais com medo de serem presos. A esse ponto chegou a corrupção no futebol mundial. 

Aos pontapés

O Estadão publicou uma previsão da gestora Ashmore, da Inglaterra, se mais uma agência de classificação de risco rebaixar a nota do Brasil... "A Ashmore estima que há cerca de US$ 16 bilhões em ativos brasileiros relacionados a quatro grandes índices de referência para investir em mercados emergentes. Esses recursos poderiam ter venda automática caso o Brasil perca o grau de investimento em uma segunda agência de classificação de risco. Os analistas notam, porém, que muitos gestores administram ativamente as carteiras e cerca de metade dessa posição já pode ter sido desmontada. Ou seja, novo downgrade deflagraria onda vendedora automática de cerca de US$ 8 bilhões apenas por esses quatro índices." O Antagonista prevê que, se isso ocorrer, Dilma Rousseff terá de ser expulsa do Palácio do Planalto aos pontapés, caso decida resistir à Constituição.

Não há mais o que fazer

Uma pesquisa do Bank of America com gestores internacionais mostrou que 90% deles acreditam que o Brasil vai perder o grau de investimento em pelo menos duas agências de classificação de risco. Na prática, o Brasil já foi rebaixado. Não há mais o que fazer.

Portugal não tem Dilma

A S&P, que rebaixou a nota do Brasil, acabou de elevar a de Portugal. Não, Portugal não tem Dilma Rousseff.

Blow up! Depois daquela Dilma!

A presidente Dilma Rousseff, definitivamente, deve estar vivendo num realidade paralela. Eu, hein, Antonioni! Em encontro com parlamentares da base aliada, ela fez uma daquelas declarações que costumo classificar de “estupefacientes”. Afirmou que o país “não aguentará” uma eventual derrubada, pelo Congresso, dos vetos que ela eventualmente fizer à chamada “pauta-bomba”. Ah, não?
E então o quê?
Quando um país não aguenta alguma coisa, presidente, ele fecha, migra de continente ou dança um tango argentino, para citar Manuel Bandeira?
Segundo os deputados, o principal “temor” da governanta é que o Congresso derrube seu veto ao reajuste médio de 59,5% para o Judiciário. Eu, no lugar dela, também vetaria, mas jamais diria que o país não iria aguentar a derrubada. Países, infelizmente, sempre aguentam. Não fecham. O Haiti é a prova. Se preciso, basta exportar alguns tantos para um Brasil qualquer…
Mais: eu sempre fui contra esses aumentos destrambelhados. Em 2002, último ano do governo FHC e aquele em que o PT venceu a eleição, o partido cobrava um reajuste para o funcionalismo na casa dos 70%. Em 2003, no primeiro ano de sua gestão, os petistas concederam um reajuste à categoria de 0,1%. Sem greves.
O governo também pretende vetar as alternativas ao fim do fator previdenciário e a medida que estende a todos os aposentados, independentemente de faixa, o reajuste do salário mínimo. EU TAMBÉM VETARIA, ORA ESSA! Mas eu não sou petista! Nunca ninguém me viu aqui a propor bondades com o chapéu alheio. Eu tenho legitimidade para defender o veto; Dilma, definitivamente, não tem.
Não obstante, ela vem acenar com o fim do país?
Ora, dobre a sua língua, minha senhora! Sim, eu estou entre aqueles que defendem que as oposições, por princípio, têm de ser responsáveis e não podem propor medidas que atentem contra o caixa, o Orçamento, a matemática, a lógica e as futuras gerações.
Mas esperem aí: essa é uma obrigação minha? Como indivíduo, não é. Como indivíduo, eu tenho o direito de pensar as soluções mais cretinas. Mas nós estamos falando aqui de saídas que dizem respeito ao país, à coletividade.
Muito bem, dona Dilma! As oposições não poderiam advogar saídas exóticas. Mas e o governo? Dilma só se lembrou agora, onze meses depois da eleição, que alguém sempre paga a conta das generosidades do governo, que generosidades não são, porque têm um custo? Foi o PT que nos ensinou que o caixa público não tem fundo.
Qual é o nome do filme que a presidente quer nos impor? “Blow up, Depois Daquela Dilma”, para lembrar um clássico dos anos 1960, de Michelangelo Antonioni? Desta vez, toda a complexidade do diretor italiano será reduzida à mediocridade de quem é incapaz de cumprir um acordo com o grande capital e com o miserável da esquina? No fim das contas, tudo explode na irresolução? Vejam o filme. Antonioni, naqueles loucos anos 60, abria uma vereda para o novo. Dilma só nos aponta o caminho do velho.
Ah, o país não aguentará, presidente? O que a senhora sugere se sua vontade não se fizer? Suicídio coletivo? Mudança de continente? Três ave-marias?
Tenho um amigo que usa Antonioni como um misto de adjetivo e advérbio. Quando algo lhe parece muito complicado, muito enrolado, transitando nas zonas cinzentas da significação, ele dispara: “Isso é muito Antonioni pra mim”. Com essa expressão, ele quer dizer: “Não entendi porra nenhuma!”. Quando Dilma afirma que o país não aguentará a derrubada dos seus vetos, afirmo: “Isso é muito Antonioni pra mim”.
Por Reinaldo Azevedo

O BRASIL QUEBROU, E ESSE EXÉRCITO DE ECONOMISTAS QUE EXISTE NO PAÍS NÃO VIU NADA. PARA QUE SERVEM ECONOMISTAS?

O Brasil está quebrado. Quebrou de maneira completa, acabada. Não é maneira de se pensar na obtenção efetiva de superávit pelos próximos três anos, no mínimo, tamanho o espetacular aprontado pelo desastrado pensamento populista desenvolvimentista da rainha da mandioca, a petista Dilma Rousseff. A cada dia, agora, aparecem números mais exasperantes desse déficit. O Brasil virou um país de fantasia, uma ficção. Gastava-se em Banânia como se búlgara Dilma fosse uma Alice e estivesse no Mundo das Maravilhas. É espantoso que, em um país com uma enorme quantidade de economistas - chuta-se um poste e despenca uma quantidade deles - nenhum tivesse tido a capacidade, no mínimo há três ou quatro anos, de apontar o gigantesco buraco em que estávamos mergulhando. Todos os bancos se orgulham de ter gigantescas assessorias econômicas. O que fazem esses economistas? Para que servem os economistas? Economista deveria se prestar para juntar númerozinhos e interpretá-los. E, com senso de responsabilidade, virar-se para a sociedade e avisar: "olha, vai explodir tudo se continuarmos a gastar desse modo, sem lastro". Pois não fizeram nada. Parece inevitável que o Brasil venha a perder grau de investimento também nas outras agências internacionais de rating. E parece inevitável que o Brasil precise comparecer novamente ao caixa do Fundo Monetário Internacional. Não há dúvida, para qualquer leigo que observe o cenário atual, que a tal política desenvolvimentista, o populismo econômico, é o que há de mais irresponsável e criminoso em política econômica. Quem paga é sempre o distinto freguês, e o mais pobre. Parece que, no Brasil, economista só serve para paparicar governicho esquerdopata e ajudar seus amos a dizer amém ao partido bolivariano.

O próximo rebaixamento

O Brasil deve ser rebaixado em breve pelas outras agências de rating. A opinião é de Craig Calhoun, diretor da London School of Economics. Ele disse que “endividamento do governo entrelaçado com dívida privada, corrupção e discórdia política" causaram uma crise generalizada de confiança, tanto interna quanto externa.

O Brasil está semiquebrado

Arminio Fraga, ontem, disse que o Estado brasileiro está "semiquebrado". Por inteiro: "É um Estado agigantado para um país de renda média. Um Estado capturado, que defende interesses partidários. Ineficaz em entregar os serviços que a sociedade precisa. É um estado que está semiquebrado". Mansueto Almeida, que participava do mesmo seminário de economistas ligados ao PSDB, acrescentou: "Dadas as condições, não tem como ter superávit primário neste ano, no ano que vem, nem em 2017 e nem em 2018. O Brasil está ultrapassando a Índia e será o país mais endividado do mundo na sua faixa de renda". Samuel Pessoa atribuiu a crise às pedaladas fiscais de Dilma Rousseff: "Estamos numa situação dramática. Estamos vendo o esgotamento de duas agendas: da sociedade e do pensamento petista. O problema é que quando a gente percebeu o problema, o buraco já era bem profundo".

FINDOMUNDISTÃO – STF declara ilegais os respectivos mandatos de Dilma, de 27 governadores, de 513 deputados, de 81 senadores…

Ah, leitor! Ah, leitor! Você sabia que, segundo o Supremo Tribunal Federal, a corte constitucional brasileira, estamos sendo governados por uma presidente ilegítima, por 27 governadores ilegítimos e por pelo menos 5.570 prefeitos igualmente ilegítimos? Além, é claro, da ilegitimidade de 513 deputados, 81 senadores, e, por óbvio, prefeitos, vereadores e deputados estaduais igualmente usurpadores? É, amiguinhos!!! Esse é o resultado objetivo, inescapável, indeclinável de um julgamento conduzido por nossa corte de notáveis, pela “crème de la crème” das lentes jurídicas brasileiras. Se os oito ministros do Supremo que declararam ser inconstitucional o financiamento privado de campanha se levassem a sério; se eles levassem o país a sério; se levassem o tribunal a sério, teriam de declarar, que, por enquanto ao menos, somos governados por políticos ilegítimos, o que ilegítima, ora vejam, todas as suas decisões. O País iria para a breca, mas eles não passariam vergonha ao menos. Estou sendo irônico? Não! Estou fazendo o que fazem os americanos. Estou fazendo o que fazem os franceses. Estou fazendo o que fazem os holandeses. Estou fazendo o que fazem os chilenos. Estou fazendo o que fazem os… bolivianos. Estou levando ministros da corte constitucional a sério. Ou será que faço mal? Os nobres doutores decidiram que o financiamento de campanhas eleitorais por empresas é ilegal. Assim, é ilegal — e qualquer primeiro-anista de direito sabe disso — tudo aquilo que decorre da ilegalidade primitiva. “Pô, Reinaldo, mas não existe uma lei para esses casos?” Ah, amiguinhos, existe: é a 9.868, de 10 de novembro de 1999. No seu Artigo 27, ela estabelece:
“Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado". Entenderam? Isso é o que se chama “modular uma decisão”. Para que uma decisão seja modulada, é preciso contar com o voto de pelo menos oito ministros. O tribunal conta com 11. Joaquim Barbosa — que não integra mais a corte e já votou — e Marco Aurélio Mello já se disseram contra a modulação. Barbosa não está mais na corte, certo? Sobram dez ministros. Marco Aurélio já se declarou contrário. Restaram nove. Se os três que se opuseram à absurda proibição (e bastariam dois deles) se negarem a fazer a modulação, o STF estará declarando ilegais os mandatos de Dilma, dos 27 governadores, dos 5.570 prefeitos, dos 513 deputados, dos 81 senadores, de quase 60 mil vereadores e de todos os deputados estaduais. Eis o fruto da sabedoria da OAB e dos ministros que tomaram tão sábia decisão. Por incrível que pareça, restou na conta justamente dos magistrados que entendem que a doação de empresas não é inconstitucional a tarefa de não jogar o País num buraco jurídico. Atenção! Dos oito ministros que tomaram a decisão estúpida, restam sete na corte. Um — Marco Aurélio — já disse que não modula. Assim, seis poderiam fazê-lo. Não satisfaz a exigência legal. São necessários dois daqueles três votos que disseram “não” à OAB. É nessa hora que eu, Reinaldão, não serviria para a tarefa. Nessa hora, eu jogaria Mateus no colo de quem o pariu. “Ah, é? Vocês querem brincar com o perigo e depois jogam a conta de sua irresponsabilidade nas costas alheias?” Em que corte do mundo oito ministros de um grupo de 11 tomariam uma decisão que, se levada a sério, conduz o país a uma crise sem precedentes? Há gente querendo cassar Dilma? Nem precisa! O STF já cassou. E, com ela, mandou para o buraco o mandato de 27 governadores, de 513 deputados, de 81 senadores, de 5.570 prefeitos, de quase 60 mil vereadores e de todos os deputados estaduais. Nessas horas, eu realmente sinto vergonha de também ser bípede e não ter nem penas nem bico. Borat não foi capaz de imaginar como seria a corte do Findomundistão! Por Reinaldo Azevedo

Empresário confirma ter emprestado R$ 600 mil a cunhado de deputado

O empresário Pedro Paulo Leoni Ramos, ex-ministro do governo Collor (1990-1992), afirmou em depoimento à Polícia Federal ter emprestado R$ 600 mil ao cunhado do deputado federal Vander Loubet (PT-MS), Ademar Chagas da Cruz, 48, que também foi o advogado e o coordenador financeiro das campanhas eleitorais do parlamentar. Contraída em 2013 sem qualquer contrato formal, segundo Ramos, a dívida não foi paga. O empresário disse que os recursos foram repassados a Cruz por intermédio do doleiro Alberto Youssef, um dos delatores na Operação Lava Jato. A investigação já havia concluído que dívidas da mulher e da campanha eleitoral de Loubet haviam sido quitadas com recursos repassados pela contadora do doleiro, Meire Poza. Ademar Chagas da Cruz é irmão de Roseli Loubet, mulher do deputado federal desde o final da década de 80, hoje dona de uma casa lotérica em Campo Grande (MS). Intimado pela Polícia Federal a explicar os pagamentos, o advogado compareceu duas vezes à polícia. Na primeira, em Campo Grande, recorreu ao direito de ficar calado. Vinte dias depois, porém, na sede da PF em Brasília, confirmou ter pedido o dinheiro a Leoni Ramos e afirmou que os recursos foram usados para "o pagamento de agiotas, despesas pessoais do declarante [Cruz] e da campanha de Vander de 2012", quando o deputado foi candidato à Prefeitura de Campo Grande. Indagado sobre os recursos não terem transitado nas contas da campanha eleitoral e do PT, Cruz reconheceu "não ter utilizado a metodologia prevista na normatização da Justiça Eleitoral". O advogado disse ter feito pagamento a fornecedores da campanha do petista. Cruz disse que utilizou "essa forma não usual" de uso do dinheiro em razão de "Campo Grande se tratar de uma cidade pequena na qual as pessoas se conhecem e o declarante [Cruz] estava sendo pressionado pelos fornecedores para que houvesse a quitação do débito". O advogado disse que ainda não pagou Ramos porque "também não recebeu a restituição dos valores por parte do Partido dos Trabalhadores". Cruz contou ter conhecido Leoni Ramos por volta de 2009, quando o o ex-ministro de Collor teria lhe procurado para falar de seu interesse em investir no Mato Grosso do Sul, na área de bioenergia, e no projeto de aquisição da empresa de águas do Estado, a Sanesul. Segundo Cruz, ele atuou com Ramos "em nível de consultoria, sem que houvesse uma remuneração", mas os negócios não prosperaram. Ainda de acordo com Cruz, ele pediu inicialmente R$ 1 milhão ao empresário, valor que caiu para R$ 600 mil. Em sua delação premiada, Youssef disse que cerca de R$ 400 mil foram entregues em espécie a Cruz por um de seus entregadores de dinheiro, Rafael Angulo. O doleiro também afirmou que o dinheiro se destinava a Loubet, não a Cruz, que apenas recebeu os valores. Confrontado pela PF com os registros de sua passagem pelo escritório de Youssef em São Paulo, Ademar Cruz reconheceu que procurou o doleiro em janeiro de 12014 para "ver se conseguia mais algum valor emprestado, porém logo após houve a deflagração da Operação Lava Jato". No mesmo inquérito que investiga os pagamentos a Loubet, a contadora Meire Poza procurou a Polícia Federal para revelar ter sido procurada por outro advogado de Campo Grande, Tércio Waldir de Albuquerque, que dizia ser um emissário do deputado estadual Cabo Almi (PT-MS), que em 2012 foi candidato a vice na mesma chapa de Loubet. Uma firma do filho de Almi havia recebido R$ 130 mil da empresa de Meire Poza, segundo ela, mais um dos pagamentos ordenados por Youssef. De acordo com Meire, contudo, Albuquerque lhe disse que "o pessoal do Ceará [...] estava sugerindo" que ela declarasse, "caso perguntada em audiência policial ou em juízo", que os R$ 130 mil foram destinados "à compra de um pacote turístico". A contadora disse à PF que, em resposta à sugestão do advogado Tércio Albuquerque, teria dito que "não iria mentir, pois é testemunha de acusação nas ações penais da Operação Lava Jato". Em seu depoimento à PF, Vander Loubet disse "desconhecer" as operações de pagamento que envolveram Leoni Ramos, Ademar Cruz e a Youssef, que "jamais teve qualquer tipo de contato" com o doleiro e disse não saber as razões pelas quais Youssef citou seu nome "como uma das pessoas que teria recebido valores". Também ouvida na PF, Roseli Loubet exerceu o direito de permanecer calada. Em depoimento, Tércio Albuquerque negou ter sugerido a Meire Poza que inventasse uma explicação para o repasse de recursos ao filho de Cabo Almi. Ele confirmou ter viajado de Campo Grande a São Paulo e que se encontrou com Meire para "informar sua intenção de obter informações a respeito da transferência feita pela Arbor para a empresa Pereira & Moura".

Ex-governador de Mato Grosso se entrega à Justiça


O ex-governador de Mato Grosso Silval da Cunha Barbosa (PMDB), que era considerado foragido desde terça-feira (15), apresentou-se à Justiça na tarde desta quinta (17), em Cuiabá. Na terça, dois ex-secretários de Fazenda da gestão Barbosa foram presos durante operação que apurava desvios de recursos e lavagem de dinheiro ocorrido na gestão do peemedebista. Com mandado de prisão preventiva expedido contra ele, policiais procuraram Barbosa em sua casa e também na Assembleia Legislativa, onde ele era aguardado para prestar depoimento, mas não foi localizado. Segundo Francisco Faiad, advogado do ex-governador, o peemedebista só se apresentou agora porque estava em viagem pelo interior do Estado e, ao saber da prisão decretada, voltou a Cuiabá. No dia seguinte à prisão decretada, os advogados impetraram um pedido de habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal), que ainda não foi apreciado. O ex-governador dispensou a possibilidade de fazer exame de corpo de delito, que é praxe antes da prisão, e foi levado para o quartel dos bombeiros da capital mato-grossense. O local para prisão foi sugerido pela defesa de Barbosa e acatado pela juíza Selma Rosane de Arruda, que decretou a preventiva. Silval Barbosa é suspeito de praticar os crimes de concussão (quando funcionário público usa de seu cargo para requerer vantagem indevida) e lavagem de dinheiro. Ele teria concedido incentivos fiscais do Estado a empresas, de forma irregular. Em agosto, a mulher de Barbosa, a ex-primeira-dama Roseli Barbosa, chegou a ser presa sob suspeita de liderar outro esquema de desvio de verbas nos cofres do Estado, mas obteve um habeas corpus e foi solta cinco dias depois.

PT chama pacote de Dilma de "impopular", mas decide apoiá-lo

O PT chamou nesta quinta-feira (17) de "impopular" o pacote de ajuste fiscal anunciado pela presidente Dilma Rousseff na segunda (14). Em nota, divulgada após reunião da cúpula partidária em São Paulo, o partido propõe a reorientação da política econômica. "O PT está convicto de que, com a continuidade do nosso projeto – e não por meio de concessões às políticas de austeridade antipopulares – será possível suplantar os obstáculos atuais", diz o texto. O partido, no documento, declara apoio ao movimento de economistas em busca de alternativas à política econômica implementada pelo governo Dilma. Segundo o presidente nacional do PT, Rui Falcão, a reorientação da política econômica foi definida no congresso nacional do partido, realizado em junho em Salvador, na Bahia. O PT propõe ainda a fixação de piso para a incidência da CPMF – o que deixaria os mais pobres isentos do tributo. Segundo Falcão, a intenção é de que a bancada do PT lidere esse movimento no Congresso Nacional. Apesar das críticas à política econômica, o PT decidiu apoiar o ajuste. O apoio foi aprovado por 11 votos contra quatro integrantes da executiva nacional do partido. Para elevar a arrecadação e melhorar as contas públicas, a equipe econômica do governo anunciou nesta segunda-feira (14) R$ 26 bilhões de cortes de gastos, entre eles o adiamento do aumento do funcionalismo, e R$ 40,2 bilhões em aumento de arrecadação, com a recriação da CPMF por um período de quatro anos – tributo que havia planejado recriar, desistiu e, agora, incluiu novamente no seu cardápio de ações. Das 16 medidas anunciadas, que formam um esforço fiscal de R$ 64,9 bilhões, apenas uma, que vai gerar uma economia de R$ 2 bilhões, não precisa passar pelo Congresso Nacional – a que reduz um benefício fiscal a exportadores. A proposta é que a CPMF, que incide sobre movimentações financeiras, tenha uma alíquota de 0,2% e que os recursos sejam direcionados integralmente à União, que vai usar a arrecadação, estimada em R$ 32 bilhões, para cobrir o deficit da Previdência. Governadores aliados querem elevar a alíquota para 0,38% que Estados e Municípios fiquem com parte do tributo. Ainda para elevar as receitas da União, o governo anunciou a ampliação do Imposto de Renda sobre ganho de capital na venda de bens que resultem em ganhos acima de R$ 1 milhão. Hoje, esse valor fica em 15%. Agora, haverá um aumento progressivo da alíquota até o teto de 30%, que incidirá sobre ganhos acima de R$ 20 milhões. Outra mudança sensível será no Sistema S –que reúne entidades como Sesi e Senai. O governo pretende usar parte da contribuição recolhida das empresas e repassada hoje a essas entidades para cobrir o rombo da Previdência. Para somar os R$ 26 bilhões previstos em cortes, o governo anunciou que vai adiar de janeiro para agosto o pagamento do reajuste salarial dos servidores públicos e suspender novos concursos que estavam previstos para 2016. O governo pretende, ainda, usar recursos do FGTS para financiar uma parcela maior das despesas do Minha Casa, Minha Vida, reduzindo assim a contribuição do Orçamento para o programa contendo perdas maiores para o benefício. Também vai propor que parte dos recursos direcionados às emendas parlamentares seja necessariamente gasta em saúde e em obras do Programa de Aceleração do Crescimento, reduzindo a parcela de despesas da União com esses itens. Na proposta orçamentária enviada ao Congresso em 31 de agosto, o governo previa um deficit de R$ 30,5 bilhões para o ano que vem, o equivalente a 0,5% do PIB. O projeto foi muito mal recebido pelo mercado e levou a agência de classificação de risco Standard & Poor´s a rebaixar a nota do Brasil, retirando do País o selo de bom pagador. Agora, o governo se propôs a fazer um esforço adicional que seja suficiente para zerar o deficit e garantir um superavit primário de cerca de R$ 34 bilhões.

Mercadante deve se ater às tarefas da Casa Civil, diz presidente do PT

O presidente do PT, Rui Falcão, disse nessa quinta-feira que o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, deve restringir sua atuação às tarefas típicas da pasta. Segundo ele, outro ministro poderá ser destacado para o papel de articulação. Falcão elogiou o desempenho de Mercadante no cargo, mas ressaltou que "o que a presidente pode fazer é destacar outros ministros para cuidar das articulações com Congresso". Falcão defende o nome de Ricardo Berzoini para articulação e se opõe ao da ministra Katia Abreu. O nome de Mercadante no comando da Casa Civil têm sido questionado por Lula, dirigentes do PT, além de empresários e políticos de outros partidos. Eles acreditam que a saída do petista do cargo poderia ser um gesto de que o governo mudará por completo. O ministro, porém, é o fiel escudeiro de Dilma e seu interlocutor mais próximo. Na semana passada, Dilma negou publicamente que estude mudar a configuração na Casa Civil, mas fez consultas a aliados mais próximos sobre essa possibilidade. O PMDB, partido do vice-presidente, Michel Temer, também já pediu a saída de Mercadante, justificando não ter bom entendimento com o ministro, que participa da articulação política e é considerado voluntarista e centralizador. Segundo relatos de interlocutores, a própria presidente avalia que ele falhou nas principais negociações estratégicas no início de seu segundo mandato. Uma das principais reclamações de aliados de Temer é que as discussões para distribuição de cargos paravam quando chegavam na Casa Civil. Recentemente, a indicação de uma das vice-presidências para a Caixa Econômica Federal gerou atrito entre o vice e Mercadante. 

Empreiteiro Ricardo Pessoa diz que fez caixa dois de R$ 176 milhões para pagar propina


Apontado como o chefe do cartel das empresas que atuavam na Petrobras, o empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC e da Constran, revelou em acordo de delação premiada que as suas duas empresas geraram um caixa dois de pelo R$ 176 milhões para pagar propina entre 2002 e 2014, segundo contas feitas a partir de notas fiscais entregues pelo delator. O caixa dois foi gerado por meio de contratações simuladas de serviços de terraplenagem, de advocacia e de consultoria. O esquema funciona de duas maneiras diferentes, segundo o empresário: com os serviços de terraplenagem, não havia prestação de serviços e o valor pago era devolvido para as empresas de Pessoa. Já os contratos com o escritório de advocacia eram superfaturados e o valor a mais retornava em forma de dinheiro para a UTC e a Constran pagar suborno. O empresário Adir Assad e o advogado Roberto Trombeta, segundo o empreiteiro, forneciam as notas fiscais para que as duas empresas de Pessoa tivessem dinheiro em espécie no caixa dois para pagar suborno. Assad foi preso pela Operação Lava Jato em março sob acusação de lavagem de dinheiro. Já Trombeta fez um acordo de delação para evitar ser preso e se comprometeu a contar o que sabe em troca de uma pena menor, conforme aFolha revelou no último mês. O escritório de Trombeta prestava serviços tributários à UTC e à Constran há 15 anos, de acordo com Pessoa. Uma das empresas de Assad, chamada S.M. Terraplenagem, foi responsável pela geração de notas frias no valor de R$ 54,1 milhões entre 2007 e 2011, de acordo com uma planilha entregue por Pessoa aos procuradores e policiais federais. Outra firma de Assad, a Rock Star, que deveria atuar na área de marketing de corridas de carros da categoria "stock car", forneceu notas fictícias a Pessoa no valor de R$ 23,4 milhões. Só por conta das notas falsas emitidas por essas duas empresas de Assad, o empresário disse ter sido autuado em R$ 136 milhões pela Receita Federal, ainda de acordo com Pessoa. O empresário relatou também que pagou R$ 10 milhões em propina ao ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa e ao deputado federal José Janene (PP-PR) por conta do contrato com a estatal para ampliar e modernizar a Repar (Refinaria Getúlio Vargas), que fica na região metropolitana de Curitiba (PR). Janene, que morreu em 2010 de infarto, foi o político que indicou Costa para o cargo, no início da primeira gestão do presidente Lula, em 2004. A UTC dividiu a obra em consórcio integrado pela Odebrecht e OAS. Pessoa diz que as duas empresas também se comprometeram a pagar R$ 10 milhões de suborno por causa do contrato dessa refinaria, mas afirmou que não sabe se os valores foram entregues. O ex-diretor da Odebrecht Márcio Faria e o ex-diretor da OAS Agenor Medeiros ficaram encarregados de repassar o suborno a Costa e ao PP. O doleiro Alberto Youssef, que também fez um acordo de delação premiada, disse que pagou propina no valor de R$ 10 milhões para Janene por ordem da Odebrecht. Segundo Youssef, o valor total da propina na refinaria do Paraná seria de R$ 20 milhões. 

Economistas em Wall Street vêem cenário caótico no Brasil


O Brasil acabou sendo um dos principais destaques de um seminário em Wall Street, com economistas e gestores de bancos como Morgan Stanley e Citigroup, para discutir o impacto da alta de juros nos Estados Unidos em países emergentes. A avaliação da economia brasileira mostrada no evento não foi das melhores e foi descrita pelos executivos do setor financeiro como "extremamente complicada", "caótica" e com uma crise política vista como "muito séria". O seminário foi organizado pela EMTA, uma associação com sede em Nova York que reúne investidores que aplicam em mercados emergentes. Realizado na sede do UBS e com auditório lotado, o evento terminou na noite desta quarta-feira e o Brasil acabou ocupando boa parte das discussões, com os executivos mencionando temas como crise política, ajuste fiscal, recessão, Petrobrás e corrupção. Nesta semana, um editorial do jornal Financial Times afirmou que o Brasil é um paciente terminal e que, sem apoio, a presidente Dilma Rousseff tem tido dificuldade para responder à crise. No evento em Wall Strett, o País, junto com outros emergentes como Turquia e Rússia, foi apontado como vulnerável e, portanto, mais propenso a sentir os efeitos da alta de juros nos Estados Unidos. "A situação no Brasil é extremamente complicada", afirmou o diretor executivo e chefe da área econômica para emergentes do Citigroup, Guillermo Mondino, mencionando a crise política, a deterioração acelerada do Produto Interno Bruto (PIB) e a falta de clareza e consenso do governo sobre o que fazer para tentar "achar uma luz no fim do túnel". "O País está em uma situação muito difícil, a crise é muito profunda e séria", disse ele. Para o executivo do Citi, se o governo conseguir implementar de forma bem-sucedida o pacote com medidas de austeridade anunciado esta semana, tem chance de evitar um novo rebaixamento do rating soberano por outra agência de classificação de risco. Mais um rebaixamento aprofundaria a recessão no País, disse ele. No evento, porém, foram levantadas dúvidas sobre a capacidade de o governo conseguir avançar com o pacote. O Congresso hostil ao governo é um dos fatores que deixam as coisas mais incertas, afirmou o diretor e co-chefe de estratégia de renda fixa para emergentes do Morgan Stanley, Gordian Kemen. Além disso, a presidente Dilma Rousseff enfrenta níveis historicamente baixos de popularidade. "O melhor cenário parece ser uma estabilização das coisas em um nível muito baixo", afirmou. A recomendação neste momento para estrangeiros interessados no país, disse Kemen, é de cautela. Com dúvidas sobre os rumos do pacote fiscal, Kemen também levantou preocupações sobre se o país vai conseguir evitar um novo rebaixamento. No caso da Moody's, o Brasil deixaria de ser considerado grau de investimento por uma segunda agência de classificação de risco, o que ajudaria a afastar ainda mais investidores estrangeiros do país. O executivo do Morgan destacou que o Brasil sempre atraiu investidores de risco, mas desde que se transformou em grau de investimento passou a atrair muitos aplicadores, como fundos de pensão e seguradoras, que só investem em mercados mais seguros, com essa classificação por pelo menos duas agências de rating. E são eles que podem deixar o país em massa em caso de novo rebaixamento. Para o sócio e gestor da Gramecy, Gunter Heiland, gestora do estado de Connecticut que tem US$ 5,6 bilhões aplicados em emergentes, a crise política é séria e os escândalos de corrupção que se acumulam só agravam a situação e ajudam a piorar a crise entre o Planalto e o Congresso. Mesmo gestoras de Wall Street especializados em ativos de maior risco nos emergentes, como a Greylock Capital Management, que administra US$ 2 bilhões, mostram cautela com o Brasil. O diretor da gestora, Christopher Tackney, também ressaltou que a situação no país está complicada e diz que a deterioração ajuda a aumentar o movimento de diferenciação mesmo dentro da América Latina. Em outros momentos no passado de maior incerteza do mercado, uma situação como a do Brasil levaria a fuga de recursos de toda América Latina, disse Tackney. Mas agora os investidores diferenciam mais. A Colômbia, por exemplo, tem recebido recursos. Com uma série de problemas que se acumulam, o Brasil tem questões, sobretudo fiscais, que se não forem resolvidas ficarão piores, avalia o economista-chefe para América Latina do UBS, Rafael de la Fuente, que mediou o debate e levantou as questões sobre os problemas brasileiros.

"Reaças, temos um recadinho pra vocês", diz Ministério da Cultura em bate-boca on-line

O Ministério da Cultura disse ter "um recadinho" para os "reaças". A mensagem foi publicada na noite desta quinta-feira (17) na conta oficial do órgão no Instagram. O texto acompanha uma imagem que diz "cultura e informação melhoram até os reaças;)" e leva a uma nota oficial no site do Ministério. O ataque foi uma resposta a uma acusação de uma página no Facebook chamada Reaçonaria, que tem 27 mil curtidas. O site publicou um post na tarde de quarta-feira (16) acusando o ministro da Cultura, Juca Ferreira (PT), de beneficiar a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, de onde foi secretário até o ano passado, com um repasse de R$ 400 mil. A página Reaçonaria é abrigada num servidor do Exterior que impede a identificação de seu responsável. Na nota oficial, a pasta da Cultura diz: "Reaças, o que está escrito neste post não é verdadeiro" e justifica a transferência dizendo que o valor é fruto de uma emenda parlamentar, e não da pasta de Cultura: "Não é porque vocês são reaças que podem fazer acusações absolutamente infundadas. Reacionários têm todo o direito de ser contra os avanços políticos e sociais, mas são obrigados a ser honestos e a respeitar as leis". O mesmo texto foi publicado no Facebook na página do Reaçonaria. Desde quando esquerdopatas são portadores da verdade, da justiça, do progresso, etc...? "Eles se chamam de 'reaças'", justifica a autora do texto, Helenise Brant, de 55 anos, assessora especial de Juca e coordenadora de comunicação do Ministério da Cultura. "Se eles se chamassem 'borboletas azuis', escreveríamos 'borboletas azuis, temos um recadinho para vocês". Muito engraçadinha a petista no comando de órgão público... Segundo ela, o ministro Juca Ferreira sabe que o texto foi publicado, mas não o revisou. "Eu sei o que estou fazendo. Nossas redes têm uma linha editorial", diz Brant, citando brincadeiras que o ministério faz no Facebook: "Acho absolutamente adequado. Usamos linguagens de redes sociais, que têm linguagem bem-humorada, não burocrática". De onde essa senhora tirou que o governo é dos esquerdistas e para os esquerdistas? Ela deve estar comendo mandioca demais.