sábado, 3 de outubro de 2015

Não somos bípedes à toa


O escritor Ernest “Hemingway escrevia de pé, calçando um par de enormes mocassins
Quantas horas por dia você passa em pé? Prepare-se para ouvir a pergunta de seu médico, se é que ela já não foi feita. Cada vez mais comum nos consultórios, das mais variadas especialidades, a singela indagação tem sido utilizada pelos profissionais como uma nova e promissora ferramenta de diagnóstico e tratamento. As modernas linhas de pesquisa na área da fisiologia têm revelado que o esforço natural do corpo para manter-se ereto faz bem à silhueta, previne doenças, melhora o desempenho intelectual e a memória. O mais recente estudo sobre o assunto, publicado na revista científica American Journal of Preventive Medicine, revelou ainda o impacto de pequenos movimentos feitos em pé na diminuição do risco de mortalidade. Os pesquisadores compararam os hábitos de 12 000 pessoas com idade entre 37 e 78 anos, ao longo de doze anos. Elas ficavam sentadas por cerca de sete horas. Muitas só deixavam a cadeira para realizar atividades essenciais, como ir ao banheiro e fazer as refeições. Outras tinham o hábito de se levantar para exe­cutar pequenas tarefas no próprio escritório. A conclusão: as pessoas que se mexiam menos correram um risco 30% maior de morrer em decorrência de doenças associadas ao sedentarismo, como as afecções cardiovasculares, em relação aos outros voluntários do estudo. Fala-se aqui de benefícios associados a movimentos extremamente rotineiros e comedidos, banais. É levantar-se para atender o celular. É dar alguns passos até a mesa do colega ao lado em vez de mandar uma mensagem pelo celular ou e-mail. É sair da mesa para tomar um café na máquina ali pertinho. Os conhecimentos sobre os proveitos de gestos tão discretos têm se aprofundado a passos largos. Em junho, a revista científica British Journal of Sports Medicine publicou um estudo que ditava o tempo ideal para manter-se em pé em prol da saúde: duas horas por dia. Isso representa, ao longo de nove horas de trabalho, apenas treze minutos por hora. O ato de ficar em pé, e por tão pouco tempo, é suficiente para beneficiar várias estruturas do corpo. A tensão muscular necessária para manter o corpo ereto, em equilíbrio, facilita a absorção da glicose pelas células dos músculos com menor mediação de insulina, poupando o trabalho do pâncreas. Aumenta o consumo de oxigênio celular, melhorando o desempenho cardiovascular, por exemplo. Depois de duas horas, o corpo ereto queima 20% mais calorias em comparação ao sentado, independentemente de o tempo ser corrido ou fracionado. Diz o fisiologista Paulo Zogaib, da Universidade Federal de São Paulo: "Pequenos gestos feitos em pé podem ter mais efeito no gasto calórico do que uma caminhada".


Na cola das descobertas médicas, surgem os primeiros recursos para estimular a postura ereta na rotina diária. O Apple Watch, o relógio da Apple, lançado em abril deste ano, tem um sistema para contabilizar o tempo que o usuário permanece em pé. Sim, apenas em pé. A ferramenta emite um alarme que avisa quando se está prestes a permanecer sentado por uma hora. Há sinais de mudança também no mundo corporativo. Empresas de tecnologia, como o Facebook e o Google, começam a adotar mesas adaptadas para estimular a posição ereta entre seus funcionários. Batizadas destanding desks (mesas para ficar em pé), elas podem ter a altura regulada de modo a ser possível trabalhar em pé. Na Escandinávia, cerca de 90% dos escritórios já oferecem essa opção. Intuitivamente, o escritor americano Ernest Hemingway (1899-1961) dizia sentir-se mais disposto e concentrado escrevendo em pé. Em uma célebre entrevista com o escritor para a revista literária americana The Paris Review, em 1958, o jornalista George Plimpton descreveu o ambiente de trabalho de Hemingway durante o período em que este morou em Cuba: "Seguindo um hábito que adquiriu desde o começo, Hemingway escreve de pé. Calçando um par de enormes mocassins, pisando sobre uma pele já gasta de antílope, a máquina de escrever e a lousa se encontram à sua frente, na altura do tórax". Leonardo da Vinci e Winston Churchill também mantinham o hábito. Sob o ponto de vista evolutivo, ficar em pé foi fundamental para a sobrevivência de espécies. Os primeiros bípedes surgiram há cerca de 6 milhões de anos, mas não conseguiam manter a postura ereta por muito tempo. Dois milhões de anos depois, porém, um acidente natural ocorrido na África, que modificou drasticamente a vegetação local, pode ter sido a causa do aparecimento dos bípedes mais resistentes. Uma seca transformou a floresta em savana. Sobreviveram os que se adaptaram ao terreno plano, com poucas árvores. Entre eles, o Australopithecus anamensis. Diz o neurocientista Renato Sabbatini, da Universidade Estadual de Campinas, estudioso do assunto: "Com o formato dos ossos das pernas e da pélvis mais adaptado, eles conseguiam manter a postura ereta, embora seu crânio, mandíbulas e dentes ainda fossem semelhantes aos de chimpanzés". A cabeça erguida facilitou uma visão aprimorada dos inimigos. Com o tempo, deflagrou-se a necessidade de utilizar as mãos para desenvolver ferramentas e carregar alimentos, o que serviu de estímulo aos neurônios. Foi assim que surgiu o Homo erectus, uma espécie já com o cérebro mais desenvolvido e maior capacidade de raciocínio e de locomoção por longas distâncias. A evolução é a prova irrefutável de que, embora o ser humano moderno queira - e goste de - conforto, ficar de pé por alguns minutos tem um impacto extraordinário na sua sobrevivência.

Meirelles planta para ver se colhe

Henrique Meirelles plantou uma notícia na Veja: a de que Lula o quer como ministro da Fazenda no lugar de Joaquim Levy -- que, por sua vez, iria para o Banco Central. "Respeitada pelo mercado, a dupla daria um choque de credibilidade ao governo", afirma a Veja. Logo em seguida, a revista diz que Henrique Meirelles já repetiu mais de uma vez que não voltaria a "pôr os pés na nau petista". O joguinho de Henrique Meirelles é velho como o ostracismo: plantar, negar, colocar o nome na roda, torcer para ver se pega e aceitar o "sacrifício". 

Dilma teria ameaçado Lula

A sessão Radar, da Veja, relata que, em 2 de maio de 2014, um Lula radiante foi ao Encontro Nacional do PT, em São Paulo, com discurso pronto para lançar a sua candidatura à Presidência da República. Dilma Rousseff, abatida, chamou-o para uma conversa a sós. Lula, diz a coluna, saiu abatido e Dilma, radiante. Ela foi aclamada candidata. Segundo a sessão Radar, passado um ano e quatro meses, o assunto da conversa foi a compra da refinaria de Pasadena, o pior negócio da história do capitalismo mundial que, segundo Nestor Cerveró, rendeu 4 milhões de reais à campanha de Lula, em 2006. Ou seja, para ser candidata à reeleição, Dilma teria ameaçado Lula. É uma história forte, que talvez possa - se é que não foi - confirmada por Fábio Barbosa. Ele fazia parte do Conselho de Administração da Petrobras, juntamente com Dilma, na ocasião da compra de Pasadena, foi presidente da Abril e ainda recebe a pauta da revista com antecedência.

CGU quer acesso a inquéritos

A CGU, que quase foi desmantelada por Dilma, havia pedido a Sérgio Moro na semana passada acesso irrestrito a todos os documentos e inquéritos da Lava Jato. Moro ainda não respondeu. A CGU já abriu processos administrativos contra 18 empresas investigadas no petrolão. (A CGU é uma subsidiária do PT)

Cresce pressão por Lula na CPI do BNDES

Membros da oposição na CPI do BNDES querem convocar Lula para explicar o suposto lobby em favor da Odebrecht na África, conforme reportagem de Época deste fim de semana. "Os contundentes novos fatos apresentados pela reportagem impõem um novo requerimento que apresentarei no começo da semana, solicitando a convocação de Lula", disse Miguel Haddad, do PSDB, vice-presidente da comissão. Luciano Coutinho também será convocado a voltar à CPI. A embaixadora Eliana da Costa e Silva Puglia, que assina os telegramas sobre o lobby de Lula, também será chamada.

Odebrecht fez até edital da Petrobras

E-mails da Odebrecht, obtidos pela Polícia Federal, sugerem que a empreiteira teve acesso privilegiado à elaboração do edital de licitação para a construção de navios-sonda da Petrobras. Em troca de mensagem datada de setembro de 2009, Marcelo Odebrecht e Fernando Barbosa, um de seus diretores, conversam sobre "sugestões para edital" e citam José Sérgio Gabrielli.




Após transferência de policiais bandidos presos, Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar do Rio de Janeiro é interditado


Após a transferência dos últimos 98 presos, o Batalhão Especial Prisional (BEP), da Polícia Militar, foi interditado por tempo indeterminado. Os últimos internos foram escoltados por policiais do Batalhão de Choque e da Corregedoria Interna da PM para a nova unidade prisional, em Niterói, que vai abrigar policiais que aguardam o julgamento de seus processos. Cerca de 50 parentes acompanharam de perto a transferência. Os internos saíram em dois ônibus grandes, quatro microônibus e dois caminhões baú. A interdição do BEP foi determinada pelo titular da Vara de Execuções Penais, juiz Eduardo Oberg, após uma confusão envolvendo a juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, da Vara de Execuções Penais (VEP), a escolta dela e parte dos detentos durante uma inspeção. Ela levou um tapa na cara de um dos policiais bandidos presos, sua escolta foi agredida, ela teve a blusa rasgada e ficou sem um sapato. Após a agressão, a juíza saiu e voltou com o BOPE, identificando os agressores que foram transferidos para o Presídio de Bangu I. A unidade do Batalhão Especial Prisional era um antro de mordomias para policiais bandidos presos. Ainda por determinação do juiz da VEP, as visitas estão suspensas provisoriamente. Na nova unidade de Niterói, onde funcionou o presídio Vieira Ferreira Neto, os presos ficarão agora sob a guarda de agentes penitenciários, e não mais de seus próprios colegas policiais militares. Mas, dará tudo na mesma. Na sexta-feira, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) iniciou a transferência dos 221 presos (impressionante a quantidade policial bandido). A Seap já vinha discutindo a transferência dos presos para a Unidade Prisional de Niterói com a Polícia Militar desde abril. Segundo o órgão, o processo "atende ao interesse público" e visa a "melhorar as condições de segurança e de trabalho dos funcionários administrativos, do Ministério Público, da Defensoria Pública, dos advogados e dos juízes". Ainda de acordo com a Seap, a transferência dos detentos para a Unidade Prisional de Niterói possibilitará o uso dos agentes que trabalhavam no BEP no patrulhamento de rua.


Os quatro presos envolvidos na agressão à juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza foram transferidos, também na sexta-feira, para a Penitenciária Laercio da Costa Pellegrino, o Bangu 1, no Complexo Penitenciário de Gericinó. São eles: o terceiro-sargento Aloísio Souza da Cunha; o terceiro-sargento José Luiz da Cruz; o soldado Allan Lima Monteiro; e o cabo Aldo Leonardo Ferrari, que chegou a ser levado para o Hospital Central da Polícia Militar (HCPM) mas teve alta e também foi para Bangu. O promotor Décio Luiz Alonso Gomes, da 3ª Promotoria de Justiça Junto à Auditoria Militar, disse, no entanto, que eles poderão ser transferidos para um presídio federal e cumprir pena em regime disciplinar diferenciado (RDD). Ele deverá pedir na próxima segunda-feira a inclusão dos agressores no RDD. 

Juíza agredida no Batalhão Especial Prisional, no Rio de Janeiro, por policiais bandidos, ganhou o apelido de Kate Mahoney



A juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza — que foi agredida, na quinta-feira, por policiais bandidos presos do Batalhão Especial Prisional (BEP) durante uma inspeção — exerce a função há 13 anos. Ela é reconhecida como uma magistrada linha-dura. Diz que sempre foi “confuseira”, e a prova disso está no apelido que ganhou no Tribunal de Justiça: Kate Mahoney, nome da policial que protagonizava a série de TV “Dama de ouro’’, sucesso na década de 1980. Agitada, brinca com seu jeito de falar: “Se eu fosse locutora de corrida de cavalos, terminaria a narração antes da chegada do vencedor”. Antes de ingressar na magistratura, Daniela foi serventuária da Justiça, aprovada por concurso. Começou a carreira em vara de família e logo encarou a chefe do cartório, a quem acusou de receber propina de advogados para agilizar processos. Foi transferida para o gabinete da então juíza criminal Kátia Jangutta, sua referência profissional. Seu perfil durão a levou a ser convidada para atuar no Tribunal Regional Eleitoral, onde se tornou-se responsável pela cassação do ex-prefeito de Teresópolis Mário Tricano, que tinha mais de 20 anotações criminais e nunca havia sido condenado. Quando fraudou regras de campanha, ele bateu de frente com a juíza e ficou inelegível por abuso de poder econômico. Na Justiça criminal, Daniela colecionou decisões de grande repercussão. Entre elas, a condenação, em primeira instância, de Thor Batista, filho do empresário Eike Batista, pelo atropelamento que causou a morte do ciclista Wanderson dos Santos, em 2012. Ele, porém, acabou sendo absolvido em segunda instância por dois desembargadores. "Ela sempre foi uma juíza destemida, determinada. Demonstrou isso em vários episódios ao longo da carreira e agora, com sua atitude, deu exemplo novamente", disse o desembargador Rossidélio Lopes, presidente da Associação de Magistrados do Estado do Rio de Janeiro. 

Agora Lula quer derrubar Levy


Fortalecido após a reforma ministerial, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se movimentar agora para convencer a presidente Dilma Rousseff a substituir o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, por Henrique Meirelles, que comandou o Banco Central de 2003 a 2010. Para Lula, Levy tem “prazo de validade”, que vence quando o governo conseguir aprovar as principais medidas do ajuste fiscal no Congresso. O ex-presidente já conversou sobre o assunto com a própria Dilma, que, no entanto, não gosta de Meirelles. Os dois foram colegas no governo do petista e protagonizaram duros embates. Lula sugeriu Meirelles para Dilma antes mesmo da nomeação de Levy. Não emplacou. Agora, porém, avalia que a mudança na Fazenda não pode passar do primeiro semestre de 2016. Três interlocutores do ex-presidente relataram ao Estado que os próximos alvos de Lula, após o aumento de sua influência no Palácio do Planalto, são Levy e a política econômica. Não é só: ele também quer a troca do ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo. Na segunda-feira passada, numa reunião com Michel Temer, em São Paulo, Lula disse que o vice-presidente seria o nome ideal para a Justiça. Disposto a concorrer novamente ao Planalto, em 2018, ele chegou a pedir a Dilma a demissão de Cardozo na reforma do primeiro escalão, sob o argumento de que o ministro não controla a Polícia Federal e permite “vazamentos seletivos” contra o PT na Operação Lava Jato. Sob pressão, Dilma cedeu aos apelos do padrinho para pôr Jaques Wagner na Casa Civil e despachar Aloizio Mercadante de volta para o Ministério da Educação, mas não aceitou dispensar Cardozo no auge da Lava Jato. “Isso não procede”, disse Lula ao Estado, em resposta enviada por e-mail, ao ser questionado sobre sua intenção de trocar Levy e Cardozo. “Eu aprendi, no exercício da Presidência, que a escolha de ministros é de responsabilidade exclusiva de quem é presidente. A presidenta terminou de concluir uma importante reforma ministerial, para superar as dificuldades atuais e criar condições para a retomada do desenvolvimento, criação de empregos e distribuição de renda". Apesar do desmentido, Lula age para mudar os rumos do governo Dilma, que, no seu diagnóstico, carece com urgência de uma agenda positiva. Aos amigos, ele afirma que a reforma ministerial foi importante para atrair o PMDB, soldar a base aliada, barrar pedidos de impeachment e recuperar a estabilidade na economia. Avalia, no entanto, que só isso não basta e diz ser preciso dar “o próximo passo” para retomar o crescimento. É nesse cenário que se encaixaria a troca de Levy e um afrouxamento do ajuste, com uma política de estímulo ao consumo e abertura de linhas de crédito pelo BNDES. Para que o governo saia do vermelho, Lula defende a volta da CPMF, o imposto do cheque que o Senado derrotou em 2007, e promete trabalhar por sua aprovação. Em público, porém, a estratégia do ex-presidente, do PT e do Planalto é repetir que as mudanças no primeiro escalão não foram feitas para evitar o afastamento de Dilma pelo Congresso, mas, sim, para pacificar a política e superar a crise econômica. “Essa defesa que estamos fazendo do governo da presidenta Dilma tem de vir junto com um gesto de mudança da política econômica”, insistiu o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). “O que está havendo é um desajuste, porque não há ajuste possível com essa taxa de juros na estratosfera". Um documento da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, também prega uma guinada na política econômica. Segundo o texto, que contou com o aval de Lula, o governo Dilma abandonou o programa defendido na campanha do ano passado, submeteu-se à lógica “liberal”. (Estado)

Documentos secretos revelam: Lula fez lobby para Odebrecht em licitação na Guiné

Na manhã de 13 de março de 2013, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou em São Paulo num jato Falcon 7x, fretado pela construtora Odebrecht, rumo a Malabo, capital da Guiné Equatorial. O país é governado há 36 anos pelo ditador Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, com quem Lula mantém excelentes relações. Lula se encontrou com empreiteiros brasileiros, que reclamavam da demora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, e do Banco do Brasil para a liberação de financiamentos de obras na África. Em seguida, esteve com o vice-presidente da Guiné,Ignacio Milán Tang. Falou como homem de negócios. Disse que estava ali para conseguir contratos para a Odebrecht. Usou sua influência sem meias palavras. O mais poderoso lobista da Odebrecht entrava em ação.

A embaixadora do Brasil em Malabo, Eliana da Costa e Silva Puglia, testemunhou a conversa. “Lula citou, então, telefonema que dera ano passado ao Presidente Obiang sobre a importância de se adjudicar obra de construção do aeroporto de Mongomeyen à empresa Odebrecht (este aeroporto servirá às cidades de Mongomo, terra de Obiang, e à nova cidade administrativa de Oyala)”, escreveu a diplomata, em telegrama reservado enviado, logo depois do encontro, ao Itamaraty. “Adjudicar” é um termo jurídico comum em contratações de órgãos públicos. Costuma designar o vencedor de uma licitação. Em português claro, portanto, Lula havia pedido ao presidente da Guiné que desse a obra do aeroporto à Odebrecht. E, como bom homem de negócios, fazia, naquele momento, questão de reforçar o pedido ao vice-presidente. O relato sigiloso da embaixadora em Malabo, revelado agora por ÉPOCA, é a evidência mais forte de que Lula, após deixar o Planalto, passou a atuar como lobista da Odebrecht, ao contrário do que ele e a empreiteira mantêm até hoje. ÉPOCA já havia mostrado, também por meio de telegramas do Itamaraty, que Lula fizera lobby para a Odebrecht em Cuba, junto aos irmãos Castro – chegara a usar o nome da presidente Dilma Rousseff para assegurar que o BNDES, continuaria financiando obras no país, como de fato continuou. O caso da Guiné, no entanto, é ainda mais contundente. A diplomata brasileira flagrou Lula numa admissão verbal e explícita de que ele agia, sim, em favor da Odebrecht. Naquele momento, o governo da Guiné tocava uma licitação para as obras de ampliação do aeroporto. A Andrade Gutierrez, outra empreiteira brasileira, também participava da concorrência, mas não contou com a ajuda do ex-presidente. Lula, ao menos nesse contrato, tinha um único cliente. Um cliente VIP, de quem o petista recebia milhões de reais – apenas por palestras, garantem ele e a Odebrecht. O telegrama da Guiné compõe um conjunto de documentos confidenciais, obtidos por ÉPOCA, sobre as atividades de Lula e da Odebrecht em países que receberam financiamento do BNDES. Esses papéis estão sendo analisados pelo Ministério Público Federal em Brasília. Como revelou ÉPOCA em abril, os procuradores investigam Lula oficialmente. Ele é suspeito de tráfico de influência internacional, um crime previsto no Código Penal, por atuar em benefício da maior construtora brasileira, envolvida no petrolão. Os documentos obtidos por ÉPOCA demonstram que Lula percorreu a África atrás de bons negócios para a Odebrecht e outras empreiteiras, das quais também recebia por “palestras”. Como no caso de Cuba, usou o nome de Dilma. Os papéis mostram, também, que Lula, ainda na Presidência, marcou reuniões de empresários africanos com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, o que contradiz a versão do executivo sobre as relações do petista com ele e o banco. Surgem cada vez mais fatos que contradizem Lula e sua versão de que nunca fez lobby para a Odebrecht e outras empreiteiras. Na última semana, o ex-­presidente foi citado num relatório da Polícia Federal na Operação Lava Jato que mostra uma série de trocas de e-mails de executivos da Odebrecht. Numa dessas mensagens, enviada em fevereiro de 2009, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, diz a um assessor especial de Marcelo Odebrecht, presidente do grupo, que o “PR fez o lobby” para a construtora numa obra na Namíbia, na África. “PR”, segundo os investigadores, significa Presidente da República, cargo ocupado por Lula na época dos fatos. As reuniões de Lula na Guiné deram início a um tour de negócios pela África. Ele passaria em outros três países. Dois dias depois do encontro com o vice-presidente da Guiné, Lula chegou a Acra, capital de Gana. Foi recebido com pompa pelo chefe de Estado do país, John Dramani Mahama. Sem muitos rodeios, numa conversa privada, Mahama pediu o apoio de Lula para conseguir junto às autoridades brasileiras a liberação de uma linha de crédito no valor de US$ 1 bilhão destinada ao financiamento de projetos de infraestrutura. Segundo registro feito num telegrama reservado do Itamaraty, o presidente ganês “frisou que o apoio do ex-presidente Lula a essa sua demanda serviria para facilitar e acelerar as necessárias negociações relativas à aprovação do crédito”. Após ouvir atento o pleito de seu colega, o líder petista encontrou uma solução. Destaca a mensagem diplomática: “O ex-presidente Lula disse acreditar que o BNDES teria condições de acolher a solicitação da parte ganense e, nesse sentido, intercederia junto à presidenta Dilma Rousseff”. A pedido de Lula, o presidente de Gana entregou uma nota formalizando a solicitação de crédito. Quatro meses depois, no dia 19 de julho de 2013, o BNDES abriu seus cofres e liberou para um consórcio formado, sim, pela Odebrecht e pela Andrade Gutierrez, a contratação de US$ 202,1 milhões (R$ 452,7 milhões, em valores da época) para a construção de uma rodovia em Gana. A taxa de juros do empréstimo é a segunda menor concedida pelo BNDES de um total de 532 operações voltadas para a exportação. O prazo para o pagamento da dívida também é camarada: 234 meses, ou seja, 19,5 anos, bem acima da média de 12 anos praticada pelo banco. De Gana, Lula seguiu para Benin, acompanhado de empreiteiros presos na Lava Jato, como Léo Pinheiro, da OAS, e Alexandrino Alencar, da Odebrecht. Num encontro reservado com o presidente de Benin, Boni Yayi, Lula expôs as dificuldades para a liberação do empréstimo pelo BNDES para o país. “(Yayi) solicitou apoio do ex-PR Lula para a flexibilização das exigências do COFIG/BNDES”, diz um telegrama. O Comitê de Financiamentos e Garantias (Cofig) é o órgão que auxilia na análise de diversas demandas de operações de crédito para a exportação feitas no BNDES. Os empresários brasileiros tiveram a oportunidade de prospectar projetos de infraestrutura. “Embora o tom da visita, por parte do Instituto Lula, tenha sido mais de cortesia e amizade, o evento ajudou a dinamizar as discussões em torno da relação entre atores privados dos dois países e, principalmente, atraiu a atenção de empresários brasileiros para o potencial de investimentos no Benin”, diz o telegrama. A aventura de Lula na África era um sucesso. Procurado por ÉPOCA para esclarecer os e-mails apreendidos pela Polícia Federal, o ex-ministro, ex-jornalista e ex-executivo da indústria automobilística Miguel Jorge disse que Lula agiu de forma apropriada. “Se o lobby é feito sem nenhum interesse de lucro pessoal, todo ex-presidente e ex-ministros deveriam usar sua influência em favor das empresas de seu país. Lula, por exemplo, cobra cerca de US$ 200.000 para dar uma palestra para cerca de 300 pessoas, sem promover um produto específico, enquanto o ex-presidente americano Bill Clinton cobra cerca de US$ 300.000”, disse. Questionado sobre o fato de Lula receber dinheiro da Odebrecht, sua maior cliente, para dar palestras em países onde a construtora possui obras financiadas pelo BNDES, Miguel Jorge respondeu: “Aí, é uma avaliação que não é tão fácil de fazer”. O Instituto Lula, por sua vez, disse que processará jornalistas de ÉPOCA. “A diplomacia presidencial contribuiu para aumentar as exportações brasileiras de produtos e serviços, que passaram de US$ 50 bilhões para quase US$ 200 bilhões”, disse o Instituto. “Temos a absoluta certeza da legalidade e lisura da conduta do ex-presidente Lula, antes, durante e depois do exercício da Presidência do País, e da sua atuação pautada pelo interesse nacional”, disse o Instituto, em nota. Quanto à investigação do Ministério Público sobre Lula, o Instituto Lula afirmou que “há a afirmação textual do procurador de que não há elementos que comprovem nenhum ilícito e que a abertura do inquérito deu-se para estender o prazo”. Por fim, o Instituto disse que “não há o que comentar sobre supostos documentos mencionados pela revista sem ter conhecimento da íntegra desses documentos sem manipulações, para oferecer a resposta apropriada, se for o caso”. O BNDES disse que “todos os contatos entre o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o então presidente Lula ocorreram dentro do papel institucional de cada um e da mais absoluta lisura”. Afirmou o banco: “Faz parte da rotina do presidente do BNDES receber empresários e representantes de países estrangeiros. A tramitação das operações de financiamento do BNDES obedece a um processo de análise rigoroso e impessoal, envolvendo mais de 50 pessoas, entre equipes técnicas e órgãos colegiados”. Procurada, a Odebrecht Infraestrutura diz que mantém uma relação institucional com o ex-presidente Lula e que ele foi convidado para fazer palestras em eventos voltados a defender “as potencialidades do Brasil e de suas empresas”. A empresa diz que apresentou proposta para o projeto do Terminal do Aeroporto de Mongomoyen, na Guiné Equatorial, mas não foi vencedora na licitação. A construtora também disse que os trechos de mensagens eletrônicas apontadas em relatório da Polícia Federal apenas registram uma atuação institucional legítima e natural nos debates de projetos estratégicos para o País. A companhia lamentou a divulgação e “interpretações equivocadas dos e-mails”. As investigações do Ministério Público Federal no Distrito Federal sobre a suspeita de tráfico de influência internacional praticado pelo ex-presidente e a Operação Lava Jato poderão confluir em algum momento. Os investigadores de Brasília já pediram à força-tarefa de Curitiba o compartilhamento de provas. Procuradores da capital federal apuram se os cerca de R$ 10 milhões pagos pelas empreiteiras envolvidas no Petrolão para a LILS, empresa de palestras de Lula, tiveram origem lícita e uma contraprestação de serviços. Caberá, portanto, ao Ministério Público indicar se há elementos que justifiquem a denúncia do ex-presidente.

(Foto: Ricardo Stuckert)
(Foto: Ricardo Stuckert)
(Foto: Beto Barata/Folhapress)

Lula bota apartamento que ganhou da OAS à venda por R$ 2,3 milhões.


Bancar melhorias na Casa da Dinda, a residência de Fernando Collor, no Lago Norte, em Brasília, era uma das muitas maneiras de agradar ao então presidente, deposto do cargo por corrupção em 1992. A mesma tática foi e está sendo usada por empreiteiras para demonstrar afeição ao ex-presidente Lula. Em meados de 2014, depois de quase dez anos de espera, a ex-primeira-­dama Marisa Letícia viajou à Praia das Astúrias, no Guarujá, para buscar as chaves do apartamento dos sonhos da família. O refúgio dos Lula da Silva no litoral é um tríplex de 297 metros quadrados. São três quartos, suíte, cinco banheiros, dependência de empregada, sala de estar, sala de TV e área de festas com sauna e piscina na cobertura.  Ah, sim, para um eventual panelaço das elites, o tríplex tem varanda gourmet no 1º andar. O plano de comemorar o réveillon no imóvel foi adiado pela decisão de fazer ali uma reforma. O porcelanato e os acabamentos de gesso foram refeitos, a planta interna foi modificada para abrigar um escritório e um elevador privativo, interligando os ambientes do 1º andar com a ala dos quartos, no 2º nível, e a área de festas, na cobertura. Acompanhada de perto por dona Marisa, a obra não custou um centavo à família do ex-presidente. Do primeiro parafuso ao último azulejo, tudo foi pago pela OAS, uma das empreiteiras envolvidas no escândalo de corrupção da Petrobras. VEJA teve acesso a documentos e a fotos que detalham a reforma do tríplex presidencial e mostram que os serviços foram contratados pela empreiteira. O trabalho foi feito pela Tallento Inteligência em Engenharia, uma empresa conhecida no mercado por executar obras de alto padrão em prazos curtos - duas exigências dos contratantes, mas não as principais. A exigência maior era a discrição. As investigações da Lava-Jato revelariam meses depois as razões disso. Iniciada em 1º de julho de 2014, a reforma transcorreu sob medidas de segurança incomuns. A fechadura da porta de acesso era trocada toda semana. A reforma da cobertura tríplex chamou a atenção dos moradores do prédio. "Nos dias em que eles marcavam para visitar a obra, a gente tinha de parar o trabalho e ir embora. Ninguém era autorizado a permanecer no apartamento. Só ficamos sabendo quem era o dono muito tempo depois, pelos vizinhos e funcionários do prédio, que reconheceram dona Marisa e o Lulinha (Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do ex-presidente)", disse a VEJA um dos profissionais que colaboraram na reforma. O ex-presidente Lula esteve no tríplex algumas vezes. O segredo durou até dezembro do ano passado, quando o jornal O Globo publicou detalhes de uma investigação sobre a Coo­pe­rativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop). Controlada pelo PT, a entidade faliu e deixou 3 000 famílias sem receber seus imóveis. O tríplex destinado a Lula, com uma das melhores vistas do Guarujá, avaliado em 2,5 milhões de reais, foi um dos poucos a ser entregues. VEJA revelou em abril passado que, depois de um pedido feito pelo próprio ex-presidente a Léo Pinheiro, executivo da OAS, seu amigo, preso na Operação Lava-­Jato, a OAS assumiu a construção do prédio, que estava parada. Além de Lula, parentes do tesoureiro petista João Vaccari Neto, também preso, sindicalistas e familiares de Rosemary Noronha, a amiga íntima de Lula, foram contemplados com apartamentos em outros prédios da Bancoop assumidos pela OAS. Revelado o privilégio, e diante da repercussão negativa, desapareceu o entusiasmo da família Lula pelo imóvel. O ex-presidente passou a negar ser o proprietário do tríplex, embora admita que sua esposa seja dona das cotas de um apartamento no mesmo edifício, o Solaris. Não é mentira. É apenas uma meia verdade. No papel, o tríplex ainda está em nome da OAS. Funcionários da empreiteira procurados por VEJA confirmaram que o apartamento pertence aos Lula da Silva, está parcialmente mobiliado, permanece fechado e está à venda por 2,3 milhões de reais. "Para entrar aí, só com autorização da cúpula da construtora. Só eles e o Lula têm a chave", disse a VEJA, na semana passada, um funcionário da própria OAS. (Veja)

O desfatia, fatia e refatia de petrolão, eletrolão etc. Com toda a modéstia possível, eu bem que adverti…

Vamos lá. Vocês lerão por aí que o ministro Teori Zavascki decidiu suspender a tramitação, na Justiça do Paraná, dos procedimentos relativos ao Eletrolão, que já tem uma denúncia e dois inquéritos em curso. Mais: informa-se também que advogados estão pedindo para “fatiar” o caso. Você tem todo o direito de se indignar. Mas depois de entender o que está em curso. Então vamos ver. O tal Eletrolão compreende a investigação do esquema de corrupção vigente na Eletronuclear, com evidências de superfaturamento nas obras da usina Angra 3. O processo corre na 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná, cujo titular é o juiz Sergio Moro. Ocorre que o caso traz evidências do envolvimento do senador Edson Lobão (PMDB-MA), ex-ministro das Minas e Energia de Lula e Dilma. A defesa de Flávio Barra, executivo da Andrade Gutierrez que está preso, recorreu a Zavascki porque sustenta que o caso deveria, então, ter sido enviado Supremo, já que o senador tem fórum especial por prerrogativa de função. Notem, então, que, nesse particular, a defesa pede é para, se me permitem o verbo, “desfatiar” a coisa, para juntar tudo no Supremo. Para lembrar: as acusações sobre a vigência do esquema criminoso no setor elétrico foram feitas por Dalton Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa e delator premiado. No dia 4 de fevereiro, http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/e-preciso-cuidado-para-que-o-tao-aplaudido-rigor-de-moro-e-do-mp-nao-acabe-servindo-de-novo-a-impunidade-dos-petistas-ou-a-tese-impossivel/, alertei aqui no blog para os riscos do procedimento do juiz Sergio Moro, que praticamente orientava os depoentes a não citar nomes de políticos com mandatos para evitar que o caso tivesse de migrar para o Supremo. Transcrevo um trecho: “Se os delatores e testemunhas estivessem dando nome e sobrenome de políticos, é possível que tudo tivesse de ser enviado ao Supremo, mas a narrativa seria mais compatível com a realidade". Ao suspender, oito meses depois, a tramitação do processo, Teori afirmou: “É de se estranhar, portanto, que, na oportunidade da tomada do depoimento, as autoridades responsáveis pela diligência não tenham tido o elementar cuidado de questionar o colaborador sobre a identidade dos agentes políticos beneficiários das supostas propinas”. Não só não se questionavam os “colaboradores” sobre a identidade dos agentes políticos como eles eram orientados, explicitamente, a não citar seus respectivos nomes. Teori repreendeu a prática do juiz, mas manteve todas as suas decisões porque não viu intencionalidade no ato impróprio. Afirmou: “Considerando a ausência de elementos que demonstrem a prática de atos investigatórios intencionalmente dirigidos a autoridades com prerrogativa de foro, devem ser preservados os atos decisórios proferidos, neles incluídas prisões cautelares e as provas colhidas”. Como o próprio Supremo já decidiu que autoridades sem foro especial vão para a primeira instância, os advogados de defesa desse caso pedem que assim continue, mas que seus cientes saiam dos cuidados de Moro, uma vez que decisão do tribunal, aí sim, resolveu tirar do âmbito da Lava-Jato o que não estiver diretamente relacionado à Petrobras. Segundo o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, Othon Luiz Pinheiro da Silva , ex- presidente da Eletronuclear, recebeu cerca de R$ 4,5 milhões para favorecer o consórcio de empresas, entre elas Andrade Gutierrez. Em setembro, Moro abriu ação penal contra Othon Luiz e mais 13 investigados na 16ª fase da Operação Lava Jato. O juiz sustenta que o esquema é mais um braço da corrupção na Petrobras. Em síntese:
1: num primeiro momento, os advogados estão pedindo é o desfatiamento, cobrando que tudo seja reunido no Supremo;
2: depois, pedem, sim, o fatiamento, já que o Eletrolão não estaria ligado à roubalheira na Petrobras e, pois, conforme decisão do Supremo, deva, no caso de quem não tem foro especial, sair de Curitiba e, no caso de quem tem, sair das mãos de Zavascki.
O Supremo, no entanto, ainda não decidiu se o Eletrolão será tratado como um esquema independente. É evidente que partilho da tese de que o escândalo é um só, com múltiplos braços. Entendo que o Petrolão e roubalheiras conexas obedeciam a um centro decisório e são a expressão de uma camarilha organizada para assaltar o Estado, seja na Petrobras, na Eletronuclear ou no Ministério do Planejamento. O erro, como apontei precocemente, estava lá atrás, quando se dissociou a sem-vergonhice dos agentes privados da safadeza dos agentes públicos. Vai ver é por isso que é Eduardo Cunha — que é do PMDB, não do PT — o principal político investigado da Lava-Jato e aquele contra quem se reuniu, até agora, o maior arsenal. É impossível não ver nisso algo de profundamente errado, ainda que se venha a provar que ele é culpado de tudo o que o acusam. Ainda voltarei a esse particular. Por Reinaldo Azevedo

Lula na PF: por que um simples depoimento ganha tanto destaque? Ou: Mais perto de Lula, mas ainda de leve

Estamos todos dando títulos garrafais ao assunto. Vamos ver por quê. O ministro Teori Zavascki, do Supremo, autorizou que a Polícia Federal ouça o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva num dos inquéritos que compõem a Lava-Jato. Lula vai falar, destacou o ministro, como “informante”, não como investigado. Irão depor também Rui Falcão, presidente do PT; José Eduardo Dutra e José Sérgio Gabrielli, ex-presidentes da Petrobras; José Filippi Jr., ex-tesoureiro das campanhas de Lula e Dilma, e os ex-ministros Ideli Salvatti, Gilberto Carvalho e José Dirceu. Nesse mesmo inquérito, são investigados, entre outros, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. A palavra “informante” não deixa claro se Lula vai prestar depoimento à Polícia Federal como testemunha, hipótese em que uma eventual mentira ou omissão deliberada têm consequências legais. O estardalhaço derivado da notícia se deve ao fato de que, incluindo mensalão e petrolão, esse depoimento do ex-presidente à Polícia Federal será o mais perto que uma investigação terá chegado do Grande Demiurgo. No pedido encaminhado ao STF, o delegado Josélio Azevedo Souza destacou: “Atenta ao aspecto político dos acontecimentos, a presente investigação não pode se furtar de trazer à luz da apuração dos fatos a pessoa do então presidente da Republica Luiz Inácio Lula da Silva, que, na condição de mandatário máximo do país, pode ter sido beneficiado pelo esquema em curso na Petrobras, obtendo vantagens para si, para seu partido, o PT, ou mesmo para seu governo, com a manutenção de uma base de apoio partidário sustentada à custa de negócios ilícitos na referida estatal”. O delegado considerou ainda mais: “A presente investigação não pode estar dissociada da realidade fática que ela busca elucidar e, no presente caso, os fatos evidenciam que o esquema que por ora se apura é, antes de tudo, um esquema de poder político alimentado com vultosos recursos da maior empresa do Brasil”. O PSDB havia entrado com um pedido para que o Supremo informasse a Polícia Federal sobre a possibilidade de ouvir Dilma Rousseff nesse mesmo inquérito. Zavascki se negou a examinar a questão porque disse que o tribunal “não profere decisões de caráter meramente consultivo” e que pedido dessa natureza deveria ser encaminhado pelo Ministério Público. É quase uma firula jurídica, mas precisa ser explicada. Por que o PSDB entrou com aquele pedido? É que o delegado Josélio havia dito que as mesmas circunstâncias que pediam o depoimento de Lula também pediam o de Dilma, mas que ela estaria impedida de ser investigada em razão de um óbice constitucional. Afinal, define o Parágrafo 4º do0 Artigo 86 da Constituição: “§ 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções”. O PSDB lembrou, com correção, em seu pedido que jurisprudência do Supremo garante, sim, que presidentes sejam investigados ao menos. De resto, a Polícia Federal deixou claro que Lula não seria nem mesmo um investigado. Mas Zavascki disse “não”. Por Reinaldo Azevedo

Corte em salário de ministro é populismo barato

O corte aplicado por Dilma nos salários do primeiro escalão é, literalmente, populismo barato. Não resolve nada. O que se economiza não dá nem para pagar aluguel de limusines da tropa quando em viagem aos EUA… Precisamos é ficar atentos para ver se haverá mesmo o corte de três mil cargos de confiança. Por Reinaldo Azevedo