domingo, 11 de outubro de 2015

Dilma voltou repentinamente para Brasília; a crise política se agudiza; Eduardo Cunha vai jogar Dilma aos leões nesta terça-feira

Menos de 24 horas durou a permanência de Dilma Roussef em Porto Alegre. Ela chegou no sábado e neste domingo, as 15h30min, já estava no Palácio Alvorada. Dilma pretendia passar o feriadão com a família. A crise política está cada vez mais aguda e ficará pior esta semana, porque o presidente da Câmara, acuado pelo Procurador Geral da República e aliado do governo, Rodrigo Janot, dará o troco nesta terça-feira, decidindo monocraticamente o início de processo de impeachment contra Dilma. Ele tem essa prerrogativa, embora possa também negar tudo, o que não será o caso. Fazendo isto, Eduardo Cunha sairá do canto do ringue, retomará a iniciativa e jogará Dilma aos leões - com seus aliados.

Dilma mandou seu ministro Edinho Silva até a casa de Eduardo Cunha para tentar aliciá-lo contra o impeachment

A revista Veja desta semana revela que Dilma mandou seu ministro da Comunicação, Edinho Silva, até a casa do deputado federal Eduardo Cunha, quinta-feira, para tentar um acordo e escapar do impeachment.

Baiano entregou o italiano

Outro citado nos emails de Marcelo Odebrecht e também em seu celular, é o "italiano", que Fernando Baiano confirmou ser Giuseppe Bono, da Fincantieri, que controla no Brasil o estaleiro Vard. Para viabilizar seus projetos com a Petrobras, o Vard teve de aceitar como sócia a consultoria PJMR Empreendimentos, dos sindicalistas ­Ariovaldo Rocha, Paulo Cesar Chafic Haddad e Waldemiro Arantes. Para Lula, a "retomada da indústria naval" deveria passar pelo Sindicato. O grupo foi além, virou sócio dos estaleiros e aliou-se ao prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PT), ligado aos petistas Luiz Sérgio e Marcelo Sereno (este é aquele mesmo que trabalhava com o bandido petista mensaleiro e "guerreiro do povo brasileiro" José Dirceu na Casa Civil da Presidência da República e escapou por pouco do Mensalão do PT. Agora está ciscando na área do Petrolão do PT).

Baiano entregou o pecuarista

Como noticiamos mais cedo, o operador Fernando Baiano entregou José Carlos Bumlai, que aparece nos emails apreendidos pela Polícia Federal na Odebrecht como "JC Bumlai", "Pecuarista" ou simplesmente "B". Bumlai viajou com Lula e Alexandrino para o lobby na Guiné.

A agenda do impeachment

Dilma ia passar o feriadão em Porto Alegre com o neto, mas mudou de ideia e voltou mais cedo para Brasília. Ela aproveitou para estragar também o feriado de Ricardo Berzoini e Aldo Rebelo, convocando ambos para uma reunião no Palácio da Alvorada. O tema foi um só: impeachment, impeachment, impeachment. A petista já nem dorme mais.

Viva a arrogância de Dilma

Aécio Neves deu entrevista ao Estadão. Disse que, depois da eleição, deu um sinal de apoio a Dilma Rousseff, para estabelecer um agenda comum que fosse boa para o país. Mas ela o ignorou, demonstrando "soberba" e "arrogância". O tucano também respondeu à seguinte pergunta do jornal:
No fim do ano passado, o sr. disse que perdeu a eleição não para um partido político, mas para uma organização criminosa. Mantém essa declaração?
Reitero. Não é apenas eu que digo isso. É a Polícia Federal, o Ministério Público, a Operação Lava Jato. A cada dia fica mais claro como um projeto de poder se sobrepõe aos limites mínimos de correção, enfim, republicanos. Cada vez fica mais claro que esse grupo político que se apoderou do Estado, institucionalizou a corrupção no seio de algumas das nossas empresas estatais para se manter no poder.
Aécio Neves, portanto, tem de comemorar a soberba e a arrogância de Dilma Rousseff.

¿Por qué no te callas?

A intérprete de espanhol que acompanha Dilma Rousseff em suas viagens ao Exterior teve seu contrato renovado pelo Itamaraty por 160 mil reais por ano, mais diárias. A Época informa que seu nome é Letícia Cynthia Garcia e que "ela acumula a missão com um emprego na Autoridade Pública Olímpica, em que fatura 18 mil reais mensais, mais auxílio-moradia no Rio de Janeiro". Ela não é paga apenas para traduzir as conversas de Dilma Rousseff com Nicolás Maduro, Raul Castro, Cristina Kirchner e outros. Ela é paga, sobretudo, para ficar calada.

"O governo não vai até 2018"

José Roberto Mendonça de Barros é o único banqueiro brasileiro que não tem medo de se expor. Hoje ele deu uma entrevista exemplar ao Estadão. Ele disse:
"A situação é politicamente insustentável. É pouco provável que o governo atual vá até 2018. Como é que não vai, não sei dizer. Mas não consigo olhar essas quatro coisas e acreditar que nada aconteça. A situação econômica do ano que vem é muito ruim. Nós aqui na MB Associados revisamos nossa projeção para 1,5% negativo de PIB. Neste ano é menos 3%. Será menos 1,5% sobre menos 3%".
Ele disse também:
"O meu pré-requisito é uma rearranjo político mesmo. Exatamente como vai ser, não sei. Se vai ter impeachment ou não. Se ela cansar e pedir demissão. Se haverá um acordo. Não sei como vai ser".
E:
"Vamos ter algumas quebras grandes até o final do ano. Algumas é quebra mesmo, o que hoje quer dizer que vão entrar em recuperação judicial. Os escritórios de advocacia estão cheios de empresas avaliando isso. E o estrangeiro que quer entrar, porque quer comprar ou por insegurança, vai esperar a coisa explodir mesmo".

Relação antiga

A relação de Lula com a Andrade Gutierrez é antiga, começou na década de 1980 por meio de Luís Favre, que foi casado com Marília Andrade, herdeira da empreiteira. Ele vivia em Paris, para onde fugiu escapando da polícia política na Argentina. Ele vem de uma família judia pobre da periferia de Buenos Aires. Seu tinha uma gráfica e era militante revolucionário trotskista. Favre, cujo nome de batismo é Felipe Belisario Wermus, também era trotskista. Em Paris atuou como dirigente da 4ª Internacional Comunista (a trotskista), ao lado de Marcos Aurélio "Top Top" Garcia e Jorge Matoso (aquele que estuprou a conta bancária na Caixa Econômica Federal do caseiro Francenildo dos Santos). Favre também era o homem de ligação e assistente da 4ª Internacional com a bases sul-americanas trotskistas. Reunia-se regularmente com essas bases. Em alguns dos encontros, como um ocorrido em um convento de religiosos católicos no Peru, ele encantou as militantes trotskistas exibindo na piscina do convento o seu corpo dentro de uma sunga mínima. Consta que passou a companheirada em revista. Foi assim que se tornou um amigo íntimo do jornalista revolucionário trotskista Paulo Moreira Leite. E este sempre prestou serviços ao PT. Quando era secretário de redação da revista Veja, durante o período da CPI dos Anões do Orçamento, ele mandou publicar a famosa matéria contra Ibsen Pinheiro, que resultou na cassação de seu mandato, embora fosse uma matéria fraudada, com dados originais fraudados. Ibsen Pinheiro era um forte candidato à Presidência da República do PMDB, porque tinha comandado o processo de cassação de mandato do então presidente Fernando Collor de Melo. Com a sua execração pública, promovida pela matéria da revista Veja aprovada por Paulo Moreira Leite, Ibsen Pinheiro foi para o ostracismo total. Acabou ali uma candidatura forte que se colocaria na frente de Lula. 

Só agora e lá fora

Num encontro do FMI em Lima, Joaquim Levy reconheceu que o downgrade da S&P teve "efeito devastador em várias companhias" no Brasil. Levy sabe que só dá para mentir para o público brasileiro. Ele disse também que seu objetivo é aprovar o Orçamento para 2016.

Caçula de Lula e o sobrinho de Lewandowski

Quando Luis Claudio Lula da Silva entrou no negócio do futebol americano, Mario Lewandowski, sobrinho de Ricardo Lewandowski, já estava em campo. Ele criou seu próprio time (São Paulo Storm), organizou a associação nacional e o Torneio Touchdown, do qual Lulinhazinho virou captador de patrocínio. Filho de Luciano Lewandowski, irmão de Ricardo, o jovem empreendedor foi também diretor financeiro da Associação Esportiva Tempestade Paulista e diretor de marketing da Associação de Futebol Americano do Brasil. Hoje é dono da agência "Contra-ataque Marketing Esportivo Ltda" e mantém um pé na política, tendo coordenado as redes sociais da campanha do deputado federal Walter Feldman e liderado o movimento pelo voto distrital.

Lulinha, o filho de Lula, recebeu 2 milhões de reais do Petrolão, pagos pelo delator Fernando Baiano

O lobista Fernando Soares, também conhecido como Baiano, teria revelado durante delação premiada o pagamento de aproximadamente R$ 2 milhões a Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações"). O repasse de recursos teria sido destinado ao pagamento de despesas pessoais de Lulinha. Na mesma delação, Baiano teria admitido contato com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), porém sem fazer qualquer revelação mais comprometedora a respeito do político. Fernando Baiano é apontado como lobista do PMDB no esquema de desvios da Petrobras e alvo investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato. Na sexta-feira, o Supremo Tribunal Federal homologou a delação premiada do lobista. Baiano foi preso em novembro de 2014, na Operação Juízo Final, etapa da Lava Jato que alcançou o braço empresarial do esquema de corrupção na Petrobrás. Em uma primeira ação, Fernando Soares foi condenado a uma pena de 16 anos e 1 mês de cadeia. Ele ainda responde a outros processos no âmbito da Lava Jato.

Mesmo já estando no Ministério da Defesa, o petista Celso Amorim era "o cara" da Odebrecht no governo e no PT

Ex-ministro das Relações Exteriores do governo Lula e ex-ministro da Defesa no governo Dilma, Celso Amorim teria representado interesses da empreiteira Odebrecht nos governos do PT, segundo comunicados apreendidos pela Polícia Federal na sede da empreiteira, na Operação Lava Jato. A Polícia Federal investiga a influência de Amorim enquanto chefe do Itamaraty e também avalia se a “atuação” continuou no governo Dilma. Há registro de um encontro suspeito. Em 28 de agosto de 2013, Amorim recebeu Marcelo Odebrecht, André Amaro, Luiz Rocha e João Carlos Mariz Nogueira, todos da Odebrecht. Um e-mail apreendido na sede da Odebrecht pela Polícia Federal revelou encontro de executivos da empreiteira com Celso Amorim, em Nova York. A Polícia Federal investiga se Amorim era “ponte” da Odebrecht com Lula para viabilizar negócios no Exterior, com financiamento brasileiro. A força-tarefa da Lava Jato investiga contratos secretos de empreiteiras brasileiras para realizar obras no Exterior, sem órgãos fiscalizadores. O que era, sem dúvida, um poderoso meio de roubar descaradamente sem ninguém para fiscalizar nada. 

Gleisi posa de vestal

Desde que o STF fatiou o inquérito contra Gleisi Hoffmann e estancou a delação de Alexandre Romano, a senadora petista voltou a empinar o narizinho. Um dia desses subiu à tribuna para criticar o TCU. Ontem, usou seu perfil no Twitter para criticar o ex-senador Osmar Dias que está reorganizando o PDT no Paraná. "Osmar Dias andando pra organizar o PDT. Engraçado, pra fazer campanha Dilma disse que BB não permitia, pra organizar PDT está liberado?", postou a petista. Para o PDT, o ataque de Gleisi só tem um propósito: tirar Osmar da vice-presidência do Banco do Brasil para ela colocar o marido, que perdeu a nomeação em Itaipu depois que seu nome também surgiu na Operação Pixuleco 2.

Friboi, quase quebrada em 2003

O Antagonista obteve com exclusividade declaração assinada pelo contador do grupo Friboi que relata as "gravíssimas dificuldades financeiras" que acometiam o frigorífico em 2003. A empresa alegava que não conseguiria cumprir "suas obrigações tributárias" devido à falta de fluxo de caixa e havia gasto no ano anterior quase R$ 62 milhões só com o pagamento de juros de empréstimos bancários. Mas tudo melhorou depois que o BNDES surgiu na vida da Friboi.

Moody's rebaixa nota do Banrisul, instituição está endividada e sendo mal usada

A Moody´s rebaixou a nota do Banrisul e retirou seu selo de bom pagador, o que coloca em risco sua posição relativamente aos investidores internacionais e alarma seus próprios correntistas, porque isto significa que ele pode estar a caminho da bancarrota. O Banrisul só não quebrou no governo do ex-governador Antonio Britto porque foi salvo por um empréstimo bilionário do Proer. Aliás, foi um grande erro, o governo deveria tê-lo deixado quebrar, porque seu salvamento obrigou o Estado a pagar até hoje um preço gigantesco. No governo do peremptório petista "grilo falante" e poeta onanista e tenente artilheiro Tarso Genro a sua situação piorou muito e até agora nada mudou de significativo. A agência de classificação de risco cortou na quinta-feira a nota de longo prazo da dívida em moeda estrangeira do Banrisul de Baa3, último degrau antes da perda do grau de investimento, para Ba1, patamar imediatamente abaixo. Com isso, o Banrisul passa para grau especulativo. A perspectiva da avaliação ficou negativa, o que indica chance de novo rebaixamento. Em setembro, o Banrisul também teve o grau de investimento retirado pela Standard & Poor´s. E vai rebaixar mais, porque o governo do José Ivo Sartori anuncia que fará uma pedalada fiscal no Banrisul, tomando dinheiro na instituição para pagar o 13º salário do funcionalismo. Como o governo não tem dinheiro para pagar nada, resta a dúvida de quando ele conseguirá pagar o banco. A perda de mais uma nota em grau de investimento, a segunda nas últimas semanas, pode afetar os investidores externos do banco. Grandes fundos institucionais costumam ter rígidos estatutos que só permitem investir em papéis de países, instituições e empresas que tenham ao menos duas notas em grau de investimento entre as três grandes agências de análise de risco, S&P, Moody's e Fitch. Em sua justificativa, a Moody´s disse notar uma deterioração gradual dos indicadores de qualidade dos ativos do banco ao longo dos últimos trimestres, o que tem afetado a rentabilidade e os custos de crédito, além de pressões adicionais relacionadas ao ambiente econômico, cada vez mais fraco. "A deterioração da qualidade dos ativos tem impulsionado um aumento de 110% nas despesas com provisões do banco em 12 meses terminados em junho de 2015", diz a Moody´s em seu relatório. Outros riscos citados pela agência são a atuação muito centralizada no Rio Grande do Sul e a grande exposição ao setor do agronegócio. A Moody´s levou ainda em consideração o agravamento da situação fiscal do governo gaúcho, controlador do Banrisul, Entre os fatores considerados positivos pela Moody´s estão a boa liquidez e a forte participação de mercado no Banrisul no Estado, o que garante boa fonte de captação de recursos. Também na quinta-feira, a Moody´s manteve perspectiva negativa para todo o sistema bancário brasileiro em função de uma longa recessão que o País deve atravessar.

STF examinará validade de lei municipal que obriga instalação de hidrômetros

O Supremo Tribunal Federal examinará o alcance da competência municipal para legislar sobre a obrigatoriedade de instalação de hidrômetros individuais nos edifícios e condomínios. O Plenário Virtual da corte reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada no Recurso Extraordinário 738481, interposto pela Defensoria Pública da União. O recurso questiona acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região que, ao manter sentença de primeira instância, invalidou a Lei municipal 2.879/2000, de Aracaju, que determina a obrigatoriedade de instalação de hidrômetros individuais nos edifícios e condomínios construídos na cidade. O TRF-5 considerou que tal exigência é matéria de competência privativa da União. No Supremo, a Defensoria Pública da União aponta ofensa ao artigo 30, incisos I e V, da Constituição Federal. Alega que o controle de consumo individual de água é de interesse do município e do consumidor, não interferindo na competência atribuída à União pelos artigos 21, inciso XII, e 22, inciso IV da Constituição. Na preliminar de repercussão geral, a recorrente alega que está em discussão a aplicabilidade da competência legislativa municipal em prol do amplo interesse de seus cidadãos e do ambiente. O relator do caso, ministro Edson Fachin, considerou que o assunto “transcende os interesses das partes em litígio”, merecendo, portanto, a análise pelo Supremo. Para ele, apesar de a União ter competência privativa para legislar sobre águas (artigo 22, inciso IV, da CF), são comuns e concorrentes, respectivamente, as competências para a proteção ao meio ambiente e para o consumo. “Com efeito, o tema é multifacetado, porque afeta transversalmente uma série de competências fixadas pela Constituição”, avaliou o ministro, ressaltando que a questão atinge, indistintamente, todos os entes da federação. De acordo com o relator, o Supremo tem reconhecido a repercussão geral quando há controvérsia sobre a competência dos municípios para legislar sobre meio ambiente (RE 586224, tema 145); restrição dos direitos de férias dos servidores (RE 593448, tema 221); tempo máximo de espera de clientes em filas de bancos (RE 610221, tema 272); e disciplina das atribuições das guardas municipais (RE 608588, tema 656). “Nesses casos, assim como no presente recurso extraordinário, o que está em jogo é, como reconheceu o ministro Luiz Fux no julgamento pelo Plenário Virtual do tema 656, a própria higidez do Pacto Federativo”, lembrou. A manifestação do relator foi acompanhada, por maioria, em deliberação no Plenário Virtual. Com o reconhecimento da repercussão geral, o mérito do recurso será analisado pelo STF, e a decisão a ser tomada no caso deve ser adotada pelos demais tribunais nos processos que tratam da mesma matéria.

Sobrevivente do Holocausto, Ben Abraham morre em São Paulo aos 90 anos


Morreu nesta sexta-feira, 9, em São Paulo, Ben Abraham, jornalista que nasceu na Polônia em 1924 e sobreviveu ao Holocausto confinado no campo de extermínio de Auschwitz. Abraham completaria 91 anos em dezembro. Quando presidiu a Associação dos Sobreviventes do Holocausto no Brasil, Abraham defendeu que os jovens aprendessem nas escolas o que aconteceu durante o Holocausto. 


"Hitler foi eleito nas eleições livres e democráticas. É preciso alertar em quem votar, para não sermos iludidos como aconteceu com o povo alemão", dizia ele: "É preciso aprender a história do passado para viver no presente e enfrentar o futuro com cabeça erguida". Em 27 de janeiro foram completados 70 anos desde que o Exército Vermelho soviético libertava os prisioneiros do campo de extermínio de Auschwitz. A data foi escolhida pelas Nações Unidas para comemorar o Dia Internacional do Holocausto. Abraham será enterrado neste domingo, às 11, no Cemitério Israelita do Butantã, em São Paulo.

Petista José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, admite que teve "algumas reuniões estratégicas" com Marcelo Odebrecht



O ex-presidente da Petrobrás, o petista José Sérgio Gabrielli, afirmou em depoimento à Justiça Federal, em Curitiba, nesta sexta-feira, 9, que teve reuniões com o presidente da maior empreiteira do País, Marcelo Bahia Odebrecht, para discutir questões “estratégicas” sobre o mercado de nafta – derivado do petróleo – e sobre a construção de navios-sonda. “Eu tive algumas reuniões estratégicas com Marcelo Odebrecht. Eu não discuti com Marcelo nenhum detalhes de fórmula, discuti conceitos gerais sobre precificação”, justificou o petista Gabrielli. O ex-presidente da estatal foi ouvido como testemunha de defesa do empreiteiro em ação penal que executivos do grupo são acusados de corrupção na Petrobrás. “A Diretoria Executiva não discute números, discutimos conceito. O conceito que discutimos era um preço de nafta que vai basear-se apenas na competição internacional ou um preço de nafta que vai basear-se na competição internacional, do custo que essa nafta vai implicar na cadeia produtiva da pretoquímica. Essa discussão foi feita com Marcelo Odebrecht”, explicou Gabrielli. Marcelo Odebrecht está preso desde o dia 19 de junho, em Curitiba, quando foi alvo da 14ª fase da Lava Jato (Operação Erga Omnes): “Discutimos tecnicamente o conceito geral, jamais sentamos para fazer contas, jamais sentamos para fazer números. Isso não compete nem ao presidente da Petrobrás, nem ao presidente da Odebrecht". Questionado pela procuradora federal Laura Tessler, da força-tarefa da Lava Jato, se ele estabelecia reuniões diretas e à sós com Odebrecht, o ex-presidente da Petrobrás negou. “Não fazia reuniões sozinho com ele, fazia reuniões com ele presente, sozinho com ele não”, respondeu. O ex-presidente disse que além do assuntos nafta, envolvendo o setor petroquímico – a Petrobrás é sócia da Odebrecht na empresa Braskem, maior do ramo no Brasil -, tratou com o presidente do grupo sobre os contratos de navios-sonda. Para a Lava Jato, esses contratos fechados em 2011 envolveram propina de 1%. Questionado qual conceito ele faz do empreiteiro, Gabrielli disse que ele é uma “líder empresarial competente”, mas que tem alguns “arroubos”, diferente do pai, Emílio Odebrecht. “Ele tem uma formação capaz de tratar isso, é um líder empresarial aparentemente competente. Evidentemente que a idade faz com que ele tenha uns arroubos que o pai já não tinha mais, porque a experiência acaba colocando você um pouco mais equilibrado nas ações. Mas eu acredito que ele é um bom capitão da industria, um importante empresário brasileiro”, respondeu. Gabrielli disse que conhece Marcelo Odebrecht, teve reuniões, mas não é seu amigo: “Conheço Marcelo Odebrecht, não sou amigo dele, nunca fui amigo dele, até por diferença de idade, sou um pouco mais velho que ele. Mas tive vários encontros e reuniões com ele, geralmente reuniões profissionais e encontros em eventos da indústria".

Supremo nega habeas a lobista da Lava Jato


O ministro e relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, negou nesta sexta-feira, 9, um pedido liminar (urgente) de liberdade provisória do empresário Adir Assad. O lobista está preso desde março no Paraná “para garantir a ordem pública”, segundo o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, com jurisdição em Curitiba, base da missão Lava Jato. Adir Assad é acusado de formação de quadrilha e por usar as próprias empresas para firmar contratos de fachada com empreiteiras e intermediar o pagamento de propinas em obras da Petrobras. De acordo com a defesa do lobista, o habeas corpus deveria ser concedido porque os crimes pelos quais é acusado foram cometidos há mais de três anos, o que invalidaria a necessidade da prisão preventiva. A defesa argumenta também que Assad desconhece os demais investigados pela operação da Polícia Federal, “inclusive os integrantes da suposta quadrilha de que foi acusado de formar”.


Teori rebate a defesa do lobista e diz que crimes de corrupção de qualquer natureza justificam a decretação da prisão preventiva de qualquer natureza. Na decisão, o ministro anexa informações obtidas pelo Ministério Público Federal que demonstram o envolvimento do empresário no esquema de corrupção da Petrobras. Cinco empresas ligadas a Assad receberam R$ 1,2 bilhão oriundos de propinas da petroleira, segundo investigações da Polícia Federal. Em três delas, o empresário figura como sócio e admite participação no esquema; mas, nas outras duas, ele nega envolvimento. A força-tarefa da Lava Jato suspeita, no entanto, que era ele quem controlava a movimentação do dinheiro sujo. Assad mantinha empresas nas áreas de engenharia e marketing — uma delas trouxe ao Brasil shows como o da cantora americana Beyoncé e da banda irlandesa U2.

Negócio da Petrobras na África irrigou contas de Eduardo Cunha e de sua mulher, diz Suíça



Documentos enviados pelo Ministério Público suíço à Procuradoria-Geral da República no Brasil indicam que um negócio de 34,5 milhões de dólares fechado em 2011 pela Petrobras, em Benin (África), serviu para irrigar quatro contas na Suíça cujos beneficiários são o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e sua mulher, Cláudia Cordeiro Cruz. Os documentos enviados pelas autoridades suíças à PGR indicam que contas receberam, nos últimos anos, repasses de 4,8 milhões de dólares e 1,3 milhão de francos suíços, equivalentes a 23,2 milhões de reais. O "giro do dinheiro", como classificam os investigadores sobre o caminho para chegar até o parlamentar, supera o valor bloqueado pelas autoridades suíças em 17 de abril, no total de 2,468 milhões de francos suíços. Convertido em reais pelo câmbio atual, o montante corresponde a 9,638 milhões. Eduardo Cunha tem negado reiteradas vezes a existência de contas no exterior em seu nome. O caminho do dinheiro, segundo os investigadores suíços, começa no pagamento da Petrobras à petroleira africana Companie Beninoise des Hydrocarbures Sarl (CBH), que celebrou em Benin a venda de 50% de um bloco de petróleo à estatal brasileira. A conta da empresa tem como titular o brasileiro Idalécio de Oliveira, que repassou 31 milhões de dólares à Lusitânia Petroleum Ltd, controladora da CBH, que permaneceu com a outra metade do bloco. De acordo com as investigações, a conta da Lusitânia está em nome de Idalécio. Por meio desta conta foram destinados 10 milhões de dólares, em maio de 2011, ao empresário João Henriques. Henriques, apontado como lobista do PMDB no esquema de corrupção na Diretoria Internacional da Petrobras, disse em depoimento à força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba, que fez uma transferência bancária a um político no âmbito de um contrato da estatal para aquisição do campo de exploração em Benin. O material suíço enviado à Procuradoria-Geral da República confirma cinco repasses feitos por Henriques para uma das contas em nome de uma das três offshores que têm Eduardo Cunha como beneficiário, no valor total de 1,3 milhão de francos suíços. No total, Eduardo Cunha abriu três contas em nome das offshores Orion SP, Netherton Investments Ltd e Triumph SP, todas no banco suíço Julius Baer. A primeira recebeu o dinheiro do operador do PMDB, no mês seguinte ao negócio na África, e alimentou as outras duas. Um dos documentos usados pelo parlamentar para conseguir registrar as contas é o seu passaporte diplomático. Os registros mostram ainda endereço de Eduardo Cunha na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Além dos repasses de Henriques, as contas das offshores de Eduardo Cunha receberam valores de chamadas "contas de custódia", sediadas, por exemplo, no Merrill Lynch International. A suspeita de investigadores é que estas sejam meras "contas de passagem", utilizadas por exemplo para operadores viabilizarem a chegada do dinheiro ao destinatário final. Desde quarta-feira, 7, a Procuradoria Geral da República recebeu os documentos e iniciou a investigação para chegar aos dados que não foram apurados pela Suíça. Os documentos, entre os quais extratos bancários, foram encaminhados em alemão ao Brasil e as comunicações diplomáticas do Ministério Público suíço, em francês. Investigadores brasileiros calculam em ao menos 15 dias o tempo para fechar a primeira etapa da análise das contas do parlamentar e decidir pela abertura de um inquérito perante o Supremo Tribunal Federal ou oferecimento direto de uma denúncia à Corte. As autoridades suíças conseguiram bloquear apenas duas das quatro contas ligadas ao parlamentar. Isso porque o deputado encerrou as outras duas em abril e em maio do ano passado, após o início das investigações da Operação Lava Jato. Nos registros da Netherton Investments, que tem sede em Cingapura, a Suíça congelou 2,322 milhões de francos suíços. A conta é considerada a principal pelos investigadores. Já a quarta conta ligada ao peemedebista, que também teve saldo bloqueado, tem a mulher de Eduardo Cunha como titular e recebeu o nome fantasia de Kopek. O saldo em conta bloqueado neste caso foi de 146,375 mil francos suíços. As quatro contas foram abertas entre maio de 2007 e setembro de 2008. Anos antes, portanto, do recebimento dos valores oriundos do negócio da África. Investigadores brasileiros apuram a partir de agora como os negócios foram irrigados antes de 2011 e a existência de possíveis outras contas ligadas ao deputado.

OSX derruba liminar que garantia arresto de plataformas para Acciona



A 3ª Vara Empresarial da Justiça do Rio de Janeiro derrubou liminar que garantia à espanhola Acciona o arresto de duas plataformas de produção de petróleo da OSX, empresa de construção naval de Eike Batista, que está em recuperação judicial. A decisão libera a OSX para oferecer uma das unidades, que será desativada, a credores internacionais como pagamento por empréstimos tomados para as obras. As duas plataformas, chamadas de OSX-1 e OSX-3, estavam arrestadas para a Acciona desde maio do ano passado, depois de desentendimento sobre o pagamento de dívidas da OSX com a empresa espanhola. A Acciona foi contratada para construir parte da infraestrutura do estaleiro da OSX no Porto do Açu e decidiu acionar a Justiça na Holanda, sede da OSX Leasing, para receber os valores atrasados, estimados em R$ 300 milhões. Depois da vitória na Holanda, buscou na Justiça do Rio de Janeiro o arresto das embarcações como garantia para o pagamento da dívida. O litígio punha em risco o processo de recuperação judicial da OSX, que foi carregada para a crise pela petroleira de Eike, OGX (hoje OGPar), sua única cliente. Hoje, as plataformas OSX-1 e OSX-3 operam na Bacia de Campos, onde a OGPar ainda tem atividades de produção de petróleo. A primeira está instalada no campo de Tubarão Azul, que está sendo desmobilizado por falta de viabilidade econômica. No dia 28 de agosto, a OGPar comunicou ao mercado que as atividades no campo seriam suspensas no final daquele mês. A desmobilização da plataforma e o abandono do campo, porém, ainda depende de autorização das autoridades, informou a companhia. Os administradores judiciais da OSX pretendem, assim que possível, oferecer a OSX-1 a credores internacionais para eventual venda da unidade no Exterior. Na decisão publicada na quinta-feira (8), o tribunal entendeu que a Acciona deve pedir indenização a OSX 1 e OSX 3, empresas criadas para administrar as plataformas, e não à OSX Leasing. 

Supremo aprova delação premiada do lobista Fernando Baiano



O Supremo Tribunal Federal homologou na quinta-feira (8) o acordo de delação premiada feito pelo lobista ligado ao PMDB, Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, com a Procuradoria Geral da República. Com isso, Baiano, que está preso desde novembro de 2014 em Curitiba (PR), será liberado em 18 de novembro e seguirá para sua casa, no Rio de Janeiro, onde cumprirá um ano de pena em regime domiciliar fechado com tornozeleira eletrônica. Em 2016, irá para o regime domiciliar semi-aberto, ainda com tornozeleira, e em 2017 para o semi-aberto com possibilidade de não utilizar o equipamento. Na colaboração ficou acordado que o lobista perderá o valor de R$ 8,5 milhões que foi bloqueado de sua conta quando foi preso na Operação Lava Jato. Ele será parte da multa que o Baiano se comprometeu a pagar na colaboração premiada. Além disso, o lobista desembolsará mais R$ 5 milhões e uma casa que tem em Trancoso, no litoral baiano. No seu acordo de delação premiada, Baiano relatou que o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, procurou-o para resolver problemas de dívidas do PT na campanha de 2006. O Banco Schahin fez um empréstimos de R$ 6 milhões ao pecuarista para resolver o débito. Contratos assinados pela diretoria internacional da Petrobras com a Schahin serviram para compensar o empréstimo, segundo relato de investigadores que ouviram os depoimentos de Baiano. Sem ter experiência com sondas de exploração de petróleo, a Schahin conquistou um contrato na Petrobras de R$ 1,6 bilhão. O lobista também contou que foi ele quem conseguiu os R$ 2 milhões que o ex-ministro Antonio Palloci havia pedido em 2010 para a primeira campanha da presidente Dilma Roussef. Os recursos não foram declarados. A primeira menção ao suposto pedido de Palocci havia sido feita pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, mas ele dizia que o pagamento havia sido feito pelo doleiro Alberto Youssef. O doleiro dizia que não fora ele quem fizera o repasse, mas afirmou na CPI da Petrobras que um delator esclareceria a questão. Estava falando de Baiano, segundo os investigadores que acompanhavam os depoimentos de operador. 

Mulher de Eduardo Cunha pagou aulas de tênis com dinheiro da conta secreta, diz Suíça



Dossiê entregue pelo Ministério Público suíço à Procuradoria-Geral da República do Brasil revela que o dinheiro que saiu de uma conta secreta na Suíça atribuída à jornalista Claudia Cordeiro Cruz, mulher do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pagou despesas com dois cartões de crédito e até uma famosa academia de tênis na Flórida (EUA). Ela é ex-apresentadora do Jornal Nacional e do Fantástico da Rede Globo. Segundo os investigadores, o dinheiro é fruto de propina da Petrobras, mais especificamente de um contrato de US$ 34,5 milhões da estatal relativo à compra de um campo de exploração em Benin, na África. Segundo dados do banco Julius Baer, os recursos foram movimentados na conta com nome fantasia KOEK, que está em nome da jornalista, entre 2008 e 2015, e tem uma das filhas do deputado como dependente. Essa conta tinha 146,3 mil francos suíços e foi bloqueada pelo Ministério Público da Suíça em 17 de abril de 2015, um mês após o Supremo Tribunal Federal abrir inquérito contra Cunha por suspeita de participação no esquema de corrupção da Petrobras investigado pela Operação Lava Jato. Em um dos cartões de crédito foram gastos US$ 525 mil de janeiro de 2013 a abril de 2015. O outro registrou despesas de US$ 316,5 mil em quatro anos. Os familiares de Eduardo Cunha gastaram ainda US$ 59,7 mil com a IMG Academies, academia de tênis do treinador Nick Bollettieri na Flórida – uma das mais prestigiadas do mundo. Ele é considerado um "descobridor de estrelas" e já treinou campeões mundiais como Andre Agassi, Boris Becker e as irmãs Venus e Serena Williams. Além das aulas na Flórida, Bollettieri dá várias clínicas de tênis pelo mundo, inclusive no Brasil. Há ainda pagamento de US$ 8.400,00 à Malvern College, uma escola na Inglaterra, e repasse de US$ 119,7 mil para a Fundacion Esade Banco, instituição financeira espanhola, além de transferência de US$ 52,4 mil a uma pessoa que não teria ligação com os desvios. Além das transações financeiras de Claudia Cordeiro Cruz, os documentos revelam que três empresas offshore são ligadas a Eduardo Cunha: Orion SP, Netherton e Triumph SP, que foram abertas entre maio de 2007 e setembro de 2008, sendo uma delas em Singapura. De acordo com o material, as quatro contas somam entradas no valor de R$ 31,2 milhões e saídas de R$ 15,8 milhões, em valores convertidos para cotação desta sexta-feira (9). Os depósitos e retiradas foram feitos em dólar, francos suíços e euros. As investigações na Suíça apontaram um repasse direto de 1,3 milhão de francos suíços (R$ 5,1 milhão) de uma offshore do empresário João Augusto Henriques para a Orion SP, de Eduardo Cunha, entre 30 de maio e 23 de junho de 2011. Os depósitos foram feitos três meses após a Petrobras fechar o negócio envolvendo o campo de petróleo na costa oeste da África. 

José Marino Beltrame é acusado em escândalo de viaturas com consertos superfaturados



Há quase nove anos no comando da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame vive uma espécie de inferno astral à frente do cargo. Antes aplaudido em restaurantes e escolhido como personalidade do ano - em especial após a tomada do Complexo do Alemão, em novembro de 2010 - o delegado federal começa a ver seu trabalho contestado nas redes sociais e tem sido alvo de duras críticas, não apenas de adversários políticos, mas do próprio prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes. O esfacelamento de seu principal projeto de governo, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), e a explosão de violência pelas ruas do Rio de Janeiro, naturalmente, contribuem para o desgaste na sua imagem. Mas os problemas não param por aí. Desde 9 de setembro, Beltrame tem uma dor de cabeça a mais. O juiz da 7ª Vara de Fazenda Pública, Marcelo Martins Evaristo da Silva, transformou o secretário em réu em uma ação de improbidade administrativa na qual o Ministério Público pede a devolução de quase 135 milhões de reais aos cofres públicos. A denúncia do promotor Rogério Pacheco Alves é referente ao superfaturamento em dois contratos de aquisição e manutenção de viaturas da PM. A Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro divulgou nesta sexta-feira nota à imprensa na qual afirma que "o secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, está à disposição para total esclarecimento dos fatos e aguarda notificação da decisão judicial". No primeiro acordo, de número 30/2007, o montante no momento da assinatura, de 69,8 milhões de reais, logo ganhou um aditivo e saltou para 85,2 milhões de reais. Dessa quantia, a Secretaria de Segurança desembolsou 28,4 milhões de reais para adquirir os carros, e a manutenção custou outros 56,7 milhões de reais, o que levou o MP à conclusão de que, com este valor, seria possível adquirir mais dois carros zero quilômetro. 


No segundo contrato, número 19/2008, o enredo se repetiu, só que com valores ainda mais elevados: os 88,8 milhões iniciais saltaram para 107,6 milhões de reais com um aditivo. Detalhe: a manutenção ficou mais cara: 78 milhões foram somente para a revisão dos agora 779 veículos, ou seja, cada viatura da PM passou a custar 3 300 reais por mês para os cofres do Estado. Em sua defesa preliminar, Beltrame negou que tenha havido sobrepreço e alegou que "a substituição de um modelo ineficiente de gestão da frota de veículos" trouxe "inequívoca vantagem para a população - como redução das taxas de criminalidade". É inegável que, atualmente, a frota da PM apresenta poucos veículos caindo aos pedaços, o que era comum antigamente. Mas esses dados sobre a redução de criminalidade são contestáveis. O ano de 2014, por exemplo, registrou 158.078 assaltos pelas ruas do Rio de Janeiro, contra 124 087 de 2006, ano anterior à sua entrada na secretaria. Junto com Beltrame figuram como réus neste processo nomes que também já apareceram sob suspeita em outros escândalos de corrupção. A primeira é Susy das Graças Almeida Avellar, assessora de planejamento do Detran entre 2003 e 2006. Ela chegou a ser afastada, mas na mudança do governo - Sergio Cabral assumiu o lugar de Rosinha Garotinho em 2007 - não ficou de mãos abanando. Susy virou subsecretária de Gestão Estratégica na Secretaria de Segurança, com Beltrame. Em agosto passado, ela foi absolvida da acusação de ter participado do "Mensalão do Detran". Também aparecem como réus, além do próprio governo estadual, duas empresas que pertencem ao mesmo grupo Júlio Simões: a CS Brasil Transporte de Passageiros e Serviços e a JSL S.A, esta última acusada de montar um esquema de fraude em licitações para a aquisição de viaturas da PM na Bahia, que em 2009 resultaram na Operação Nêmesis, da Polícia Federal, que chegou a prender três coronéis, entre eles o ex-comandante geral da PM baiana. O Ministério Público relata ainda que, no acordo firmado entre o Estado e as empresas, um sistema de gestão online deveria ter sido criado e compartilhado com a Diretoria de Apoio Logístico da PM. Assim, seria possível obter relatórios sintéticos e analíticos de cada veículo da frota. Durante quatro anos, o Estado pagou 100 000 reais por este sistema que é inexistente. "Não tem controle algum quanto à prestação do serviço. Isso é um fato ainda mais grave", afirma o promotor Rogério Pacheco. No Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro tramitam outras duas ações distintas, relacionadas a seis diferentes contratos feitos por órgãos do governo com as empresas do grupo Júlio Simões. Todos de compra e revisão de viaturas, que somados chegam a 1,2 bilhão de reais. No processo 0145782.45.2014.8.19.0001, na 13ª Vara de Fazenda Pública, um dos réus é o coronel Álvaro Rodrigues Garcia, ex-chefe do Estado Maior Operacional da PM. Em 2010, quando um desses contratos com a CS Brasil foi prorrogado, o valor do acordo quase dobrou, passando para 214,4 milhões. Em sua defesa, o oficial da PM alegou que só assinou o contrato por determinação superior: "...houve determinação do então Exmo. Secretário de Segurança, doutor José Mariano Beltrame, que a PMERJ procedesse à renovação, o que foi feito de imediato..." 


A partir do ano seguinte, a Casa Civil assumiu os contratos. Assim, o então secretário Régis Fichtner, braço direito do ex-governador Sergio Cabral, passou a assinar os acordos. E os valores se multiplicaram ainda mais. O de número 27/2011 chegou a incríveis 490,7 milhões de reais. Deste montante, 232,9 milhões foram destinados para a aquisição de 1508 veículos, uma média de 154 000 reais por carro. O Ministério Público também contesta esse contrato numa outra ação movida pelo promotor Salvador Bemerguy, da 7ª Promotoria de Tutela Coletiva. Um cálculo baseado na tabela Fipe mostra que, a preço de mercado, esses veículos sairiam, em média, por 67 000 reais cada, ou seja, houve sobrepreço de 130%. Outros 257,7 milhões de reais deste contrato foram destinados à manutenção dos carros da PM pelo período de 60 meses, o que significava uma média de 2 800 reais mensais de revisão por veículo. Na renovação do acordo (contrato 35/2013), essa quantia deu mais um salto, destinando 162,5 milhões de reais para a manutenção de 1555 veículos durante um período menor, de 30 meses, um gasto médio de 3 800 reais por veículo todo mês. Para ilustrar o tamanho do superfaturamento, o Ministério Público comparou o contrato com outro, firmado pela Polícia Militar de Pernambuco. Lá, a manutenção de cada carro saiu por 391 reais por mês, quase dez vezes menos.

Valor de mercado da Ferrari pode chegar a US$ 10 bilhões com a venda de ações



O valor de mercado da Ferrari, mítica linha de automóveis de luxo que pertence à Fiat, poderá chegar a quase 10 bilhões de dólares após a oferta pública inicial (IPO) que está em fase de preparação, segundo documentos entregues nesta sexta-feira pela empresa à Securities and Exchange Commission, órgão que regulamenta o mercado de capitais americano. Os papéis serão negociados na Bolsa de Nova York. De acordo com os documentos entregues pela empresa, serão lançadas 17,2 milhões de ações - ou 9% de seu capital total - por um preço que ficará entre 48 e 52 dólares. Se o preço máximo for alcançado, a marca poderá levantar 894 milhões de dólares na oferta pública inicial. A data de estreia da Ferrari na Bolsa de Nova York ainda não foi definida. A negociação de ações da marca é um rumor que existe no mercado financeiro há anos. A operação começou a virar realidade em julho, quando a Ferrari fez os primeiros registros formais exigidos para a operação.

Justiça manda soltar Lidiane, com tornozeleira eletrônica



A Justiça Federal mandou soltar a ex-prefeita de Bom Jardim (MA), Lidiane Rocha (ex-PP) nesta sexta-feira, 9. Ao revogar o decreto de prisão preventiva de Lidiane, o juiz federal José Magno Linhares Moraes, impôs a ela medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e apresentação mensal à Justiça. Ela também fica proibida de ir à Prefeitura, no interior do Maranhão, onde teria praticado fraudes. Lidiane é acusada pelo suposto desvio de R$ 15 milhões por meio de fraude a licitações de merenda escolar durante sua gestão. No dia 20 de agosto, a Justiça decretou sua prisão em caráter preventivo. Ela fugiu e ficou 39 dias desaparecida. A ex-prefeita se apresentou à Polícia Federal em 28 de setembro. Ela passou apenas 11 dias presa no quartel do Corpo de Bombeiros, da capital São Luis. “Quanto à necessidade da garantia da ordem pública, ameaçada, em tese, pela continuidade das fraudes praticadas pelos gestores do município de Bom Jardim, há de ser levado em conta que a situação fática que embasou o decreto de prisão preventiva mudou, uma vez que a requerente (Lidiane) teve o mandato cassado pela Câmara dos Vereadores de Bom Jardim/MA, passando o município a ser gerido por nova administração”, afirmou o juiz. “Dessa forma, a investigada não mais ostenta, de forma direta, capacidade para dar continuidade às práticas supostamente delituosas, ligadas ao desvio de verbas públicas transferidas à municipalidade.”


Na quarta-feira, 7, a pedido do Ministério Público do Maranhão, a Justiça determinou o bloqueio dos bens de Lidiane até o limite de R$ 4,1 milhões. As empresas A. O da Silva e Cia LTDA e A4 Serviços de Entretenimento e seus proprietários tiveram os bens bloqueados no valor de R$ 1.377.299,77 e R$ 2.788.446,67, respectivamente, por supostamente participarem do esquema fraudulento, segundo o Ministério Público. Vaidosa, Lidiane Rocha, de 25 anos, exibia nas redes sociais imagens de uma vida de alto padrão para uma cidade de 40 mil habitantes à beira da miséria, com um dos menores IDHs do Brasil. Carros de luxo, festas e preocupação com a beleza, o que inclui até cirurgia plástica, marcavam o dia a dia da moça que candidatou-se pela coligação “A esperança do povo”. Seu nome de batismo é Lidiane Leite.