domingo, 18 de outubro de 2015

Eduardo Cunha viajou com doleiro em vôo da propina

Cunha e Funaro voaram juntos, no jato PR JET, da Reali Táxi Aéreo, dia 3 de setembro, entre Congonhas, Brasília e Aeroporto de Jacarepaguá
As revelações da Operação Lava-Jato enterram de vez as tentativas do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de se desvincular do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, uma sombra na trajetória do parlamentar desde 2005. De acordo com o delator Júlio Camargo, consultor da empreiteira asiática Toyo Setal, Funaro foi um dos passageiros, no ano passado, de vôos em táxi aéreo faturados como parte do pagamento de propina a Eduardo Cunha. Num dos vôos, no dia 3 de agosto, Funaro e Eduardo Cunha viajaram juntos. Em esquema semelhante ao utilizado contra a Samsung, fornecedora de navios-sonda à Petrobras, Eduardo Cunha teria usado requerimentos assinados pela então deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), na Câmara, para pressionar a Schahin Engenharia a pagar uma dívida cobrada por Funaro. Investigados pela Procuradoria-Geral da República, os vôos-propina teriam sido pagos por Júlio Camargo, delator do esquema de corrupção na estatal, para saldar uma dívida residual de R$ 500 mil, a que o deputado julgava ter direito por conta de variação cambial do suborno. Deste total, R$ 200 mil teriam sido quitados em dinheiro e R$ 300 mil em créditos em voos de táxi aéreo. De acordo com as investigações, Eduardo Cunha só usou R$ 122.245,00 da quota em três viagens. Na primeira, dia 29 de agosto do ano passado, ao custo de R$ 44.200,00 Funaro e Raquel Aldejante Pitta viajaram no jatinho PP MIS, da Global Taxi Aéreo, nos trechos Congonhas/Salvador/São João da Boa Vista/Viracopos. Na segunda, Eduardo Cunha e Funaro voaram juntos, no jato PR JET, da Reali Taxi Aéreo, dia 3 de setembro, por R$ 38.220,00 nos trechos Congonhas/Brasília/Aeroporto de Jacarepaguá/Congonhas. Os horários das decolagens sugerem que Furano se encontrou com Eduardo Cunha em Brasília e, depois, eles voltaram juntos a partir da capital. A terceira viagem, dia 9 de setembro, transportou no PR JET, por R$ 39.825,00 Eduardo Cunha e o assessor Altair Alves Pinto nos trechos Congonhas/Rio de Janeiro/Brasília. Altair aparece na delação premiada de Fernando Falcão Soares como o operador que teria recebido propina em nome de Cunha. Camargo autorizou que a Global Táxi Aéreo faturasse os vôos solicitados, mas os investigadores suspeitam que o deputado não tenha usado toda a quota por causa do avanço na Lava-Jato. A relação entre Eduardo Cunha e Funaro é pública desde 2005, quando o doleiro teve de explicar à CPI dos Correios as razões que o levaram a pagar, mensalmente, aluguel de R$ 2.200,00 e condomínio de mais de R$ 600,00 para o deputado no flat Blue Tree Towers, em Brasília. Uma corretora do doleiro teria lucrado milhões com operações no Fundo Prece, dos funcionários da Companhia Estadual de Água e Esgoto do Rio de Janeiro (Cedae), na época em que o deputado tinha forte influência política na empresa. Mais tarde, Eduardo Cunha e Funaro apareceram novamente vinculados a negócios suspeitos em Furnas Centrais Elétricas. Em dezembro de 2007, a estatal, então influenciada pelo PMDB de Eduardo Cunha no Rio de Janeiro, abriu mão de adquirir um lote de ações para comprá-lo, oito meses depois, por R$ 73 milhões a mais, da Companhia Energética Serra da Carioca II, do grupo Gallway, empresa sediada nas Ilhas Virgens, conhecido paraíso fiscal, e que tinha Funaro como representante no Brasil. A parceria mais recente entre a dupla envolve a ex-deputada federal Solange Almeida, hoje prefeita de Rio Bonito (RJ). Aliada do presidente da Câmara, ela foi a autora do requerimento de informações que cobrou explicações da Schahin Engenharia, uma das empresas acusadas de integrar o cartel que agia na Petrobras, a respeito do rompimento da barragem de uma pequena hidrelétrica em Rondônia, em 2008. O objetivo era convocar representantes das empresas envolvidas no projeto a prestar esclarecimentos à Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara “sobre os prejuízos causados pela interrupção do empreendimento”. Entre os chamados estava Milton Schahin, presidente da empreiteira — a mesma empresa foi citada por um dos delatores do esquema Lava-Jato, o ex-gerente da estatal Pedro Barusco. O acidente na usina aconteceu em 9 de janeiro de 2008. Na época, o prejuízo estimado em mais de R$ 60 milhões motivou uma briga judicial entre o grupo privado Centrais Elétricas Belém (Cebel) e a Schahin, responsável pela construção da pequena central hidrelétrica (PCH) de Apertadinho, em Vilhena (RO), para decidir quem ficava com o prejuízo. Houve danos ambientais e a retirada preventiva de ao menos 200 famílias de suas casas. Dois aliados de Cunha eram ligados à Cebel: Lúcio Funaro e Lutero de Castro Cardoso, respectivamente representante comercial e diretor do grupo Gallway, holding da Cebel. Ex-funcionário da antiga Telerj, Lutero foi indicado por Eduardo Cunha para a presidência da Cedae. Solange fizera o mesmo por Eduardo Cunha no escândalo da Lava-Jato. Em seu depoimento de delação premiada, Youssef afirmou que Eduardo Cunha era um dos beneficiários das propinas do esquema na Petrobras. O doleiro citou mais especificamente um contrato de aluguel de um navio-plataforma das empresas Samsung e Mitsui, que teria Júlio Camargo como representante no Brasil. Os dois requerimentos da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara mostram que, conforme disse Youssef, Solange fez pressão pública sobre a Samsung e sobre Camargo. O motivo, segundo o depoimento, seria uma suposta interrupção no repasse de propinas para o "partido". Os requerimentos serviriam para pressionar as empresas a retomarem o pagamento das comissões ilegais. 

A delação de Chambinho

Como noticiamos mais cedo, Alexandre Romano foi transferido para regime de prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Segundo informações preliminares obtidas pelo Antagonista, o benefício está relacionado à assinatura de sua delação premiada. Romano, vulgo Chambinho, é o primeiro petista a fechar o acordo. A delação foi conduzida pela PGR após Chambinho revelar detalhes do esquema de corrupção que envolve Gleisi Hoffmann e seu marido Paulo Bernardo. O narizinho de Gleisi Hoffmann ficou, então, menos arrebitado.


Chumbinho grosso contra o PT

O esquema de Chambinho na Petros

Alexandre Romano, o Chambinho, foi apontado pela Lava Jato como controlador da empresa VIS Investimentos (antiga Nexpar), especializada em estruturar negócios no setor de energia e imóveis com recursos dos fundos de pensão. Uma das principais executivas da VIS Investimentos era Thaís Gaudino Brescia, que tem em seu currículo passagem por BVA e Banco Espírito Santo. Brescia é hoje coordenadora de investimentos da Petros, o fundo de pensão dos servidores da Petrobras. Ela também preside o Conselho Fiscal da Sete Brasil, indicada pela Petros.

Delator entrega propina de Bumlai

O delator Eduardo Musa entregou ao MPF extratos de uma conta secreta na Suíça que recebeu US$ 5 milhões em propina paga pelo Grupo Schahin. O dinheiro foi depositado por meio da offshore Casablanca International Holding, informa o Estadão. O acerto da propina, segundo Musa, foi feito no Rio por José Carlos Bumlai, o amigo de Lula, e Fernando Baiano. O repasse foi viabilizado por Fernando Schahin a Nestor Cerveró e dois ex-gerentes da área internacional, o próprio Musa e Luis Carlos Moreira.

Bumlai + Bertin = Immbrax

Num dos termos de depoimento de sua delação, Fernando Baiano explicou que pagou os R$ 2 milhões para a nora de Lula por meio de contratos de fachada com uma empresa de equipamentos de Bumlai. A empresa chama-se Immbrax, sociedade dos grupos Bumlai e Bertin.

Lava Jato suspeita que Schahin desviou R$ 6,4 bilhões

Em abril, o grupo Schahin entrou com pedido de recuperação judicial de 28 empresas, sendo 15 offshores. A dívida total foi estimada em R$ 6,4 bilhões, valor que a força-tarefa da Lava Jato agora suspeita ser fruto de desvios de contratos com a Petrobras. A maior dívida, segundo indicaram os advogados, era da Deep Black Drilling, a offshore usada pelo grupo para contratos de fretamento do navio-sonda Vitória 10.000. Sabe-se agora que a offshore foi usada para pagamento de propina a José Carlos Bumlai, o amigo de Lula. A Deep Black deixou para a Petrobras uma dívida de US$ 675 milhões e o jeito de recuperar o dinheiro é tomar o navio-sonda. Ocorre que a offshore também deve outros US$ 390 milhões aos bancos HSBC, Itaú BBA, Votorantim, Bradesco, Santander, Pine, ABC Brasil e Bonsucesso.

Lula falou o que quis ao MPF

No depoimento voluntário que fez em local secreto ao procurador Ivan Marx, Lula disse que sua relação com Alexandrino Alencar era "profissional", não sabendo sequer precisar o cargo que o executivo ocupava na Odebrecht. A declaração de Lula é como uma nota de 3 reais. A reportagem de Época, que revela quanto o ex-presidente recebeu da Odebrecht para dar palestras, também diz que Lula e Alexandrino se conhecem desde os tempos do Planalto. "A proximidade entre eles era tão grande que se cumprimentavam com um beijo no rosto", diz a revista. E há outros elementos que reforçam essa versão. No livro "O Mais Louco do Bando", Andrés Sanchez conta que a Arena Corinthians foi erguida pela Odebrecht a pedido do próprio Lula a Emílio Odebrecht e Alexandrino Alencar, em Brasília. Andrés Sanchez, ligadíssimo a Lula, se refere a Alexandrino Alencar como um "amigão do peito, quase parente". E mais: "Nos conhecemos desde os tempos em que ele foi diretor da empresa OPP, que, após uma fusão, deu origem à Braskem".

Chambinho pode entregar Dilma

O Antagonista foi informado de que o operador petista Alexandre Romano, o Chambinho, saiu da cadeia porque resolveu colaborar com o Ministério Público. Se isso se confirmar, ele será o primeiro petista a denunciar seus comparsas. Como dissemos ontem à noite, “a delação premiada foi conduzida pela Procuradoria-Geral da República após Chambinho revelar detalhes do esquema de corrupção que envolve Gleisi Hoffmann e seu marido Paulo Bernardo”. Isso mesmo: Teori Zavascki fatiou a Lava Jato para beneficiar Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, mas Rodrigo Janot, com os depoimentos de Chambinho, tem a chance de pegá-los mesmo assim. Mais ainda. Como revelou O Antagonista dois meses atrás (e o resto da imprensa preferiu esconder), uma parcela do dinheiro roubado do Ministério do Planejamento de Dilma Rousseff foi parar numa empresa do dono da Focal, a segunda maior fornecedora da campanha da própria Dilma Rousseff. O TSE tem de ouvir Chambinho.

"Levy deve ser substituído", diz PT

O presidente do PT, Rui Falcão, pediu a demissão de Joaquim Levy. Dessa vez, ele o fez publicamente, em entrevista à Folha de S. Paulo. Ele disse: “É importante mudar a política econômica. É preciso que se libere crédito para investimento, para consumo. É uma forma de fazer a economia rodar. Da mesma maneira, é insustentável manter a atual taxa de juros”. E acrescentou:  “Acho que Dilma vai determinar a liberação de crédito. Se Levy não quiser seguir a orientação da presidente, deve ser substituído”.

O apartamento-sonda de Lulinha

Fernando Baiano disse que pagou os 2 milhões de reais para a nora de Lula por meio de contratos de fachada com uma empresa de equipamentos de José Carlos Bumlai. O Antagonista revelou ontem à noite que a empresa é a Immbrax, sociedade dos grupos Bumlai e Bertin. A Immbrax já havia sido citada na Lava Jato. Como todas as outras denúncias envolvendo Lula, porém, o assunto foi rapidamente esquecido pela Lava Jato e pela imprensa. Nove meses atrás, Paulo Roberto Costa disse que José Carlos Bumlai tinha um “contato muito próximo” com Fernando Baiano. Mais do que isso: ele disse que José Carlos Bumlai havia garantido a Fernando Baiano livre acesso à Petrobras. A partir do depoimento de Paulo Roberto Costa, a PF descobriu que, entre 2010 e 2011, uma empresa de José Carlos Bumlai - a Immbrax, claro - havia faturado 2,5 milhões de reais só em vendas diretas à Petrobras, por meio de contratos firmados na modalidade de convite. Agora podemos contar o resto da história: a propina que saiu da Petrobras para o contrato dos navios-sonda foi parar no apartamento de Lulinha, segundo o depoimento do delator. Paulo Roberto Costa tem de ser interrogado novamente. E José Carlos Bumlai tem de ser preso, a fim de que a Lava Jato possa, finalmente, incriminar Lulinha e Lula.

Muuuuuuu

Os negócios de Lulinha com a JBS Friboi sempre foram tratados como uma lenda urbana. Wesley Batista, recentemente, disse que só conhece Lulinha “por foto na internet”. Mas se, como alega Fernando Baiano, Lulinha ganhou um apartamento da Immbrax, sociedade entre José Carlos Bumlai e o Grupo Bertin, a lenda urbana se tornou realidade, considerando que o Grupo Bertin foi absorvido pela JBS Friboi e que Wesley Batista virou sócio de José Carlos Bumlai numa usina de etanol. 


Uma lenda bovina

A chave do cofre de Lula

Lula está preocupado com o surgimento do nome de José Carlos Bumlai na Lava Jato, diz o Estadão. "Segundo um empresário que conversou com o ex-presidente, a proximidade entre ambos, intermediada, no início da relação de amizade, ainda em 2002, pelo senador Delcídio Amaral, é hoje um flanco de vulnerabilidade em relação a Lula e sua família". Delcídio Amaral, José Carlos Bumlai, Lulinha: Fernando Baiano pode entregar a chave do cofre de Lula.

Paulinho sabe tudo sobre Lula

Paulo Roberto Costa, nove meses atrás, denunciou o repasse de propina de Fernando Baiano a José Carlos Bumlai. Como ninguém investigou o caso, a denúncia não foi adiante. Agora a Época conta que Paulo Roberto Costa “omitiu à Lava Jato informações nada triviais" sobre seus encontros com Lula para tratar de assuntos da Petrobras. Os investigadores sabem que Paulinho - como ele era chamado por Lula - "tem condições de ajudá-los a ir além de José Dirceu" na cadeia de comando do PT.

Um intelectual de verdade

Miguel Reale Júnior, autor do pedido de impeachment contra Dilma Rousseff e, sobretudo, patrono de O Antagonista, leu o manifesto dos chamados intelectuais petistas e nos enviou os seguintes comentários, que publicamos com entusiasmo:
1 - Eles reconhecem que houve pedaladas no mandato anterior e, por ser no anterior, acham não ser possível que sejam objeto de impeachment no mandato atual.
2 - Reconhecem que, se houve pedaladas em 2015, elas só poderiam ser apreciadas em 2016, depois de analisadas pelo TCU.
3 - Argumentam que se pretende aplicar o mecanismo do Parlamentarismo (moção de censura) à presidente destituída de legitimidade. Portanto, reconhecem que a presidente não tem popularidade.
São três aspectos da realidade que os intelectuais não puderam negar; ou seja, reconhecem os fatos, mas pretendem impedir suas consequências.
Concluindo: quanto aos fatos do mandato anterior, o Supremo e a Câmara dos Deputados (caso Pinheiro Landim) já decidiram que cabe a responsabilização. E os fatos de 2015 já estão consumados, não precisam do julgamento do TCU.
O impeachment é um processo legítimo previsto na Constituição, que se baseia em fatos e atende ao desejo popular.

A "espécie de auditoria" de Lula

Os seguidores de Lula adoram ser tratados na base do "me engana que eu gosto". O Estadão apurou que "para tentar tranquilizar o partido, Lula informou ao PT ter determinado a realização de uma espécie de auditoria no patrimônio de toda a sua família, incluindo os cinco filhos e os respectivos cônjuges." A "espécie de auditoria" que Lula fará é tentar esconder a sua fortuna. Entre outras providências, mandou vender o triplex no Guarujá, em nome da OAS, e ordenou que os seus filhos deixem de ostentar sinais exteriores de riqueza. O mais importante, contudo, é rifar os seus operadores. O problema é combinar com os operadores para que calem o bico.

Levy é especulativo

É ilustrativo que, ao defender Joaquim Levy, Dilma Rousseff tenha usado o termo "especulativo". Joaquim Levy, de fato, foi o ministro da Fazenda que levou o Brasil para o grau especulativo.

O que é abuso, FHC?

FHC deu entrevista ao jornal argentino Clarín, que destacou a seguinte frase sobre Dilma Rousseff: "Não acho que ela tenha cometido abuso de poder em benefício próprio. Mas o sistema em que ela está foi organizado a partir desses jogos de manipulação que são corruptos." FHC continua a agir como se não existissem fortíssimas evidências de que Dilma Rousseff foi eleita e reeleita com dinheiro roubado da Petrobras. Isso é ou não é abuso de poder em benefício próprio?

"Permanente mal-estar"

De acordo com O Globo, Michel Temer "se impôs um distanciamento do centro do poder, mantendo-se há semanas em reserva quase absoluta. Além de ouvir conselhos de seus aliados, que recomendavam que ele se resguardasse exatamente por ser a alternativa direta de poder em caso de impeachment, Temer percebeu os sinais da presidente Dilma Rousseff e de ministros petistas de que sua presença deixou de ser considerada importante para a garantia da governabilidade, passando a ser um incômodo." O jornal descreve a relação entre a petista e o peemedebista como de "permanente mal-estar".
Ótimo.

BNDES e Lula: "Repita-se, todos"

Leiam o que Lauro Jardim, de O Globo, publicou: "Passou meio batido, mas a CPI do BNDES aprovou um requerimento obrigando que o BNDES envie todos - repita-se, todos - os contratos de financiamento acima de 50 milhões de reais feitos no governo Lula. O banco terá que entregar a papelada no dia 26." Depois que os papéis vierem à tona, talvez o procurador Ivan Marx se anime pedir novo depoimento ao lobista Lula. Mas sugerimos que seja no MPF e sem segredo.

Agentes americanos in Rio

A Istoé noticiou que a DEA, a agência americana de combate ao tráfico de drogas, vai instalar-se no Rio de Janeiro. Uma das missões será verificar como armas pesadas chegam aos traficantes dos morros cariocas. A DEA também vai auxiliar na montagem do esquema de segurança das Olimpíadas do cocô. O Antagonista acha que os agentes americanos ficarão impressionados com o nível de corrupção policial no Rio de Janeiro,

Vislumbrado e ultrapassado

Dora Kramer, no Estadão, resume a perplexidade geral da nação: "Eduardo Cunha perdeu a condição de julgar pedidos de impeachment e, com isso, seu grande trunfo. O ex-presidente Luiz Inácio da Silva não está em situação de defender ninguém, pois terá de se ocupar defendendo a si. A oposição não tem protagonismo popular nem articulação política para conduzir o País à luz no fim do túnel e a sociedade está refém da derrocada da economia. Ainda não é possível vislumbrar o limite do suportável, mas ele uma hora vai se apresentar. Na forma daqueles curtos-circuitos que conduzem a rupturas quando às pessoas faltam talento, vontade, coragem, firmeza, desprendimento e credibilidade para conduzir e levar a crise a um porto seguro". O Antagonista só acha que o limite do suportável já foi vislumbrado e ultrapassado.

Cartel e políticos: o casamento perfeito no petrolão

Na nova denúncia contra a Odebrecht, feita na sexta-feira, os investigadores da Lava Jato têm por base anotações de Márcio Faria, homem de confiança de Marcelo Odebrecht, também preso em Curitiba. Elas fazem referência, "em linguagem cifrada", à formação de cartel para ganhar contratos na Petrobras e combinar encontros do "Clube do Bilhão". “A forma encontrada pelas empreiteiras do clube de tornar o cartel ainda mais eficiente foi a corrupção de diretores e empregados do alto escalão da Petrobras, oferecendo-lhes vantagens indevidas (propina) para que estes não só se omitissem na adoção de providências contra o funcionamento do “clube”, como também para que estivessem à disposição sempre que fosse necessário para garantir que o interesse das cartelizadas fosse atingido”, afirma a denúncia, obtida pelo Estadão. Enfatize-se que a formação de cartel não descarta ou atenua a responsabilidade dos políticos envolvidos no petrolão. Na verdade, acentua. Os interesses escusos de todas as partes casaram-se à perfeição.

Lula e Bumlai: "amigos de infância"

Cada vez que surge uma nova informação da Lava Jato sobre José Carlos Bumlai, fica mais evidente sua relação com Lula. Os elementos colhidos até aqui sugerem que Bumlai era um dos principais operadores do ex-presidente, inclusive auxiliando a ocultar o patrimônio do ex-presidente. Em 2009, Leonardo Attuch, que dispensa apresentações, fez uma rara entrevista com Bumlai e a publicou na ISTOÉ Dinheiro Rural. Lida hoje em perspectiva, serve como um mapa da mina para os investigadores da força-tarefa. Attuch conta que Lula e Bumlai se conheceram na campanha presidencial de 2002 - foram apresentados por Zeca do PT - e que a empatia foi imediata. Bumlai ofereceu a fazenda para a gravação de vários programas eleitorais. “Todos os dias nós ficávamos conversando até as três, quatro da manhã”, disse Bumlai. Segundo Attuch, "Lula e Bumlai jogaram conversa fora, assaram churrascos, pescaram e se tornaram amigos de infância". Lula o convidou para ser ministro da Agricultura, mas o pecuarista preferiu continuar longe dos holofotes. Continua o "suposto jornalista": "Bumlai não assumiu um cargo na Esplanada dos Ministérios, mas tem sido um dos mais ativos conselheiros do presidente e colaborador do governo quando o tema é agronegócio. Membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social desde sua criação, em 2003, ele participa dos grupos de trabalho de bioenergia, pecuária, infraestrutura, reforma tributária e reforma previdenciária. Dias atrás, o fazendeiro comemorou a decisão do governo de criar estoques regulatórios de etanol, o que deve reduzir as flutuações de preços para os agricultores. “Foi importantíssimo, pois o produtor precisa de estabilidade”, diz ele. Bumlai também foi um dos grandes incentivadores da decisão de reabrir as importações de sêmen bovino da Índia – um processo que estava parado desde 1962. “Vem aí um novo choque de produtividade no gado nelore”, afirma. O momento atual da pecuária, com 50 frigoríficos parados, e vários deles em Mato Grosso do Sul, também o preocupa. “Mas o governo está se mexendo”, garante. O BNDES, comandado por Luciano Coutinho, já anunciou que irá criar linhas especiais para capitalizar os frigoríficos". Isso em 2009.

Lula e o "Clube do Boi"

Na reportagem de 2009, Leonardo Attuch rende elogios ao conhecimento técnico de José Carlos Bumlai, conta que ele criou na Fazenda Cristo, no Mato Grosso, os confinamentos bovinos mais produtivos do País, integrando lavoura e pecuária. Diz ainda que Bumlai é supersticioso e tem fascínio pelo número nove. Ao colher depoimentos favoráveis ao pecuarista, Attuch ouviu gente do mesmo naipe, como Jonas Barcellos, Jorge Picciani e até Delcídio Amaral: "O Bumlai é um dos pecuaristas mais eficientes que eu já conheci”, Jorge Picciani (Agropecuária Monte Verde), nelorista, pai de Leonardo Picciani, fiador da tragicômica reforma ministerial de Dilma. “É um criador de vanguarda”, Jonas Barcellos (Agropecuária Mata Velha), sócio de Lulinha e dono de imóveis usados pela família Lula da Silva, inclusive a fazenda reformada pela OAS. “O Bumlai é um craque da pecuária”, Delcídio Amaral (Líder do governo no Senado), acusado por Fernando Baiano de ter recebido propina do esquema do Petrolão. Em outro trecho da matéria, Bumlai revela também sua amizade de infância com Luiz Fernando Furlan (Sadia) e Ivan Zurita (Nestlé), que foram seus colegas de classe no Arquidiocesano. “Tocávamos na banda da escola e fomos tricampeões paulistas".

Bumlai queria acabar com fome

Num dos emails apreendidos pela Polícia Federal na Odebrecht, fala-se de um tal "instituto" que Luiz Carlos Bumlai queria construir com apoio de Lula e da empreiteira. No último parágrafo da matéria de 2009 sobre Bumlai, ele conta a Leonardo Attuch que o tal instituto seria dedicado, vejam só, a "estudos relacionados ao combate à fome no mundo". Não há dúvidas de que Bumlai é Lula e Lula é Bumlai.

Sinal vermelho para Dilma

Imagem do movimento pelo impeachment na Avenida Paulista. A partir de agora, os protestos ocorrerão todos os dias até Dilma Rousseff cair.


O bandeirão do impeachment

PMDB, seu tempo acabou

Manifestantes pressionam para que PMDB rompa com o governo do PT e apoie o impeachment de Dilma Rousseff.


Não adianta enrolar

Baiano, Dirceu e o general angolano

O Antagonista publicou ontem trecho da delação de Fernando Baiano em que ele narra como conheceu Eduardo Cunha por acaso num hotel no Rio de Janeiro. Mas o que importa no caso é saber o que Baiano fazia naquele hotel acompanhado do general angolano João Baptista de Matos. Ex-chefe do Estado Maior de Angola por quase uma década, Baptista de Matos virou empresário após o fim da guerra civil e fundou o grupo Genius, ao qual a Vale se associou para a exploração mineral no país. O general também tem negócios no setor elétrico, de telecomunicações, segurança e empreendimentos imobiliários, inclusive shopping centers. Em 2008, uma longa reportagem da revista Piauí detalhou as andanças de José Dirceu por Angola e citou justamente Baptista de Matos como um de seus contatos por lá, junto ao advogado Antonio Lamego. Dizia a revista que os três tinham marcado um encontro na Costa do Sauipe para tratar de negócios. Baiano confessou que ciceroneava o general angolano numa de suas visitas de negócios ao Brasil. Espera-se que o MPF questione o delator sobre tema tão rico.


Conexão Angola