domingo, 25 de outubro de 2015

Os bons tempos em que o presidente só reclamava da imprensa

Na reportagem sobre o livro de FHC, a Veja destaca o que o então presidente registrou sobre a revista nos seus diários, ao reclamar da notícia de que seu filho Paulo Henrique pegara carona num avião oficial para encontrar o pai no Chile: "Trata-se de um falso moralismo da Veja, que vive pedindo canais e mais canais de televisão ao governo e ao mesmo tempo espicaça sem parar para jogar todo mundo na vala comum." Eu (Mario) era editor da Veja nesse período (está-se falando de 1995/1996). A revista batia mesmo muito em FHC, inclusive porque era dirigida por um ex-integrante da Libelu e simpatizante do PT. FHC, no entanto, erra quando diz que a Veja pedia canais de TV. Quem pedia era a Abril. A diferença em relação a Lula e Dilma é que, apesar de todas as pancadas que recebeu, o tucano jamais ameaçou a revista -- seja por meio de processos judiciais ou da retirada de anúncios estatais. O Brasil, de fato, viveu uma democracia sob FHC.

O jatinho de Bumlai não voa

Um mês antes da deflagração da Operação Lava Jato em 17 de março de 2014, José Carlos Bumlai comprou um jatinho Cessna 560 XLS, aeronave que no mercado de usados custa cerca de R$ 8 milhões. Pouco mais de um ano depois, Bumlai resolveu vender a aeronave, assim como outro bens. Desde então, o jatinho não voa e está com as licenças vencidas. Custa R$ 4 milhões por ano mantê-lo. O que houve, Bumlai? Acabou o dinheiro?

Meu Jatinho Minha Vida

José Carlos Bumlai comprou o jatinho Cessna 560 XLS da MRV Engenharia, empresa de Rubens Menin que se tornou a campeã nacional de empreendimentos do Minha Casa Minha Vida. A mesma MRV que contratou Luciana Lóssio e Técio Lins e Silva para excluí-la da lista suja do trabalho escravo. E que foi beneficiada por uma liminar de Ricardo Lewandowski.


O jatinho voava, mas não voa mais

Carência: empresa do grupo Odebrecht pede dois meses para pagar dívidas

A Odebrecht Agroindustrial , que produz e vende etanol, açúcar e bioenergia, pediu aos credores um período de carência de dois meses para pagar o que deve.

José quem?


José Dirceu , preso há quase três meses em Curitiba, foi completamente abandonado pelo PT.

O novo e mirabolante empreendimento de Eike Batista

Eike Batista tem novo e ambicioso projeto: o sequestro de carbono em processos industriais. Poderia ser usado em usinas térmicas e até na limpeza de poluentes de automóveis. Eike já procurou investidores estrangeiros para conseguir recursos para botar de pé o empreendimento. Acha que a ideia, se viabilizada, seria o passaporte para sua volta ao mundo dos bilionários.

Corrupção, roubalheira, mentiras; um entre cada dez prefeitos petistas abandonou o PT


Vivendo a mais grave crise de sua história, com o desgaste da presidente Dilma Rousseff, problemas econômicos e as acusações de corrupção apuradas na Lava Jato, o PT já perdeu 11% dos prefeitos que elegeu em 2012. Dos 619 petistas vencedores das últimas eleições municipais em todo o país, 69 haviam deixado a legenda até este mês, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. O movimento é mais forte em São Paulo, onde o partido perdeu 20 de 73 prefeitos. No Nordeste, viu a saída do único prefeito de capital que tinha (Luciano Cartaxo, de João Pessoa). Em agosto, quando 14 prefeitos anunciaram que deixariam a sigla, o presidente do PT em São Paulo, Emídio de Souza, disse que o número era pouco representativo e culpou o assédio do PSB e do PSD pelas baixas. Muitos dos que estão trocando de legenda serão candidatos à reeleição no ano que vem. A movimentação é um indicativo das dificuldades que a sigla deverá enfrentar. Até o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, estrela da sigla, cogita sair. Na sexta-feira (23), pessoas próximas relataram que ele faz um movimento "incipiente" para se aproximar da Rede; no sábado (24), em sabatina na rádio CBN, ele negou a articulação e a chance de deixar o PT. Prefeito de Itupeva (a 73 km de São Paulo), Ricardo Bocalon migrou para o PSB por se dizer insatisfeito com a falta de renovação interna da legenda. "Na executiva do PT estão as mesmas pessoas há 20 anos. Tudo bem que há problemas, mas o PT tem que mostrar que tem gente boa, e se recusou a fazer isso", diz. Para Bocalon, ficar no partido não prejudicaria sua reeleição. "Minha decisão é pessoal, de acreditar num partido que era diferente. Se perde consonância com a sociedade, não é mais um partido."Em Boa Esperança do Sul (a 301 km da capital paulista), Edson Raminelli também se filiou ao PSB. O motivo, segundo ele, foi a proximidade com o governo Geraldo Alckmin (PSDB): "Sempre tive mais apoio do governo do Estado do que do federal". Em Guareí (a 184 km de São Paulo), pesou para o prefeito João Momberg a necessidade de alianças com deputados para atrair verbas. "A gente tinha dois deputados petistas na região, mas eles não se reelegeram. O Herculano Passos (federal, PSD), casado com a Rita Passos (estadual), me convidou para o partido porque teria apoio deles. Mudei com dor no coração, mas segui o interesse do município", diz Momberg, que era petista desde 1992. Houve perdas em Estados comandados pela oposição, como Paraná (oito prefeitos) e Goiás (cinco), e mesmo onde os governos são da base da presidente Dilma, casos de Amazonas e Tocantins. As principais baixas foram nas regiões Sul e Sudeste - exceção feita ao Rio Grande do Sul, onde o partido manteve os 71 eleitos em 2012. O presidente do PT-RS, o trotskista Ary Vanazzi, credita o feito ao nível de engajamento e debate político do partido no Estado. "Os prefeitos e militantes ficam confortáveis porque abrimos o debate e temos uma postura crítica em relação aos erros do partido e do governo federal", afirma. O cientista político e professor da UFBA (Universidade Federal da Bahia) Jorge Almeida vê a saída de prefeitos como resultado de dois fatores: a crise de imagem do PT e a busca pelo respaldo de um aliado no campo estadual. "Nas cidades pequenas, sobretudo, os prefeitos migram para partidos da base do governador em busca de obras e recursos estaduais. A crise do PT potencializou esse movimento", afirma. A maioria dos prefeitos que deixaram o partido é do grupo de considerados "cristãos-novos" - vários deles filiados durante o período de maior popularidade do ex-presidente Lula. "Muitos foram para o PT sem identidade ideológica e agora estão saindo na primeira crise", diz Almeida. 

Mais uma pede arrego

Lauro Jardim informa que "Na esteira da Camargo Corrêa, a Queiroz Galvão está negociando um acordo de leniência com o Ministério Público Federal"... Acordos de leniência com o MPF não são espúrios como aqueles que Luís Inácio Adams queria emplacar no começo do ano.

Operador de mercado financeiro deu dois carrões a Eduardo Cunha

A empresa C3 Produções Artísticas e Jornalísticas não receberia a mínima atenção do mundo político, caso não fosse o bem mais valioso na declaração de bens do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, do PMDB, devido ao capital social de R$ 1,4 milhão. Com sede no 29º andar de um edifício de 40 andares de esquina para Avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro, a C3 é uma sociedade entre Cunha e sua mulher, a jornalista Cláudia Cordeiro Cruz. Entretanto, desde que Cunha passou a ser investigado pelaOperação Lava Jato pela suspeita de ser um dos beneficiários da propina paga por contratos superfaturados da Petrobras, seus bens foram esquadrinhados de perto pela Polícia Federal. Recentemente, os policiais encontraram um vínculo incômodo para Cunha na C3. Em fevereiro e maio de 2012, a C3 Produções aumentou seu patrimônio com a compra de dois carros. Um Hyundai Tucson preto, ano 2009, custou R$ 80 mil, e um Land Rover Freelander prata, ano 2008, custou R$ 100 mil. Apesar de a C3 ficar no Rio de Janeiro e de carros assim estarem à disposição na cidade, a compra foi feita em uma loja em São Paulo. Estranhamente, os veículos não foram pagos com dinheiro da C3. Foram pagos por duas empresas que pertencem ao operador de mercado Lúcio Bolonha Funaro, investigado no escândalo do mensalão, em 2005. De acordo com documentos obtidos por ÉPOCA, o Hyundai Tucson foi pago com um cheque de R$ 25 mil da Cingular Fomento Mercantil Ltda., mais uma transferência bancária de R$ 55 mil; o Land Rover Freelander foi pago com um cheque de R$ 50 mil da mesma Cingular e outro de R$ 50 mil da Royster Serviços S.A. A Cingular e a Royster fazem parte de um conjunto de empresas de Lúcio Funaro. 


De acordo com a Procuradoria-Geral da República, além desses dois carros, Eduardo Cunha e Cláudia possuem mais seis veículos: doisPorsches Cayenne, um BMW 325i, um Ford Edge, um Ford Fusion e um Pajero Sport Flex. A frota está avaliada em R$ 940 mil. Como estão registrados em nome da C3 Produções e de outra empresa, a Jesus.com, os veículos não aparecem diretamente na declaração de bens entregue por Cunha à Justiça Eleitoral no ano passado. O documento oficial informa que o patrimônio de Cunha é de R$ 1,64 milhão. Nele, Cunha declara possuir apenas um carro, um Toyota Corolla 2007, avaliado em R$ 60 mil. O vínculo entre Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, portanto, permanecia oculto. Lúcio Funaro afirma que o pagamento dos carros foi “operação comercial privada, protegida por cláusula de confidencialidade, devidamente declarada às autoridades competentes”. O deputado Eduardo Cunha transferiu a resposta a seu advogado Antonio Fernando de Souza, que não respondeu. Algumas das empresas de Funaro foram investigadas pela CPI dos Correios, que examinou vínculos entre o mensalão e irregularidades em fundos de pensão. Na ocasião, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detectou movimentações suspeitas feitas pela Royster. As investigações sugerem que a compra dos carros para a empresa de Cláudia Cruz é mais uma gentileza comercial de Lúcio Funaro para Eduardo Cunha. No auge da investigação do mensalão, em 2005, Funaro pagava o aluguel e o condomínio do apartamento que Cunha morava em Brasília. Eduardo Cunha negava que Funaro pagasse seu aluguel, mas os documentos o contradiziam. Naquele momento, Cunha era o líder da bancada vinculada ao então governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. Quando Funaro foi convocado a depor na CPI dos Correios, para falar sobre sua ajuda a Valdemar Costa Neto e negócios suspeitos com fundos de pensão, a bancada de Garotinho o socorreu. A Procuradoria-Geral da República acusou Funaro de montar uma estrutura que permitia ao PT pagar o mensalão ao ex-deputado Valdemar da Costa Neto, do então PL, em troca de apoio no Congresso Nacional. Em maio de 2013, a Justiça concluiu que Funaro cometeu crime de lavagem de dinheiro no mensalão, mas deixou de aplicar a pena devido a um acordo de delação premiada. Desde março, Eduardo Cunha é alvo de um inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar seu envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobras. A pedido da Polícia Federal, a loja de carros remeteu ao inquérito cópia dos cheques que pagaram os veículos da C3 Produções. Os papéis chegaram no dia 12 agosto. Oito dias depois, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou Eduardo Cunha por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, sob a acusação de receber propina de US$ 5 milhões em um contrato entre a Petrobras e a Samsung, responsável pela construção de dois navios-sondas. No inquérito que resultou na denúncia contra Cunha, Cláudia Cruz ainda não era investigada. 


No dia 15, o STF autorizou a abertura de outro inquérito contra Eduardo Cunha e incluiu Cláudia entre os investigados. A nova linha de apuração se refere às contas do casal na Suíça, que seriam abastecidas com dinheiro desviado de um contrato da Petrobras em Benin, na África. Os investigadores da Suíça rastrearam 1,3 milhão de francos suíços (R$ 5,3 milhões) depositados na conta Orion, de Cunha, entre maio e junho de 2011. Os pagamentos ocorreram por meio de uma empresa do lobista João Augusto Henriques. Cláudia Cruz é titular da conta Köpek, que recebeu US$ 1,1 milhão entre 2008 e 2014 e foi usada para o pagamento de despesas de cartão de crédito, de uma escola no Reino Unido e de uma academia de tênis nos Estados Unidos. Ao abrir a conta, Cláudia Cruz declarou ser dona de casa. Nesta quinta-feira (22), o ministro Teori Zavascki, do STF, determinou o bloqueio e o sequestro dos cerca de R$ 9,6 milhões depositados em favor de Eduardo Cunha na Suíça.

Casal Cunha pernoitou em hotel sete estrelas de Dubai



Líder do PMDB da Câmara dos Deputados em abril do ano passado, Eduardo Cunha viajou acompanhado de sua mulher, Cláudia Cruz, rumo à China numa comitiva de parlamentares. Todos fizeram escala em Dubai. Enquanto seus colegas pernoitaram num hotel cinco estrelas, o casal Cunha recusou a estadia e passou a noite no Burj Al Arab, primeiro hotel sete estrelas do mundo, cuja diária mais barata custa R$ 7,5 mil. Eduardo Cunha diz que pagou suas despesas.

Dilma atropela a petista Miriam e ignora pedido de veto a projeto dos agentes lotéricos



Dilma Rousseff e a presidente da Caixa Econômica Federal, a petista Miriam Belchior, se trombaram nesta semana. Miriam queria que a presidente vetasse um projeto de lei que regularizou permissões de agentes lotéricos dadas pelo banco público. O argumento era que o Tribunal de Contas da União havia determinado que o processo de renovação ocorresse por licitação e a Caixa esperava arrecadar com a emissão das licenças. Mas, fragilizada, Dilma não quis nem saber de barrar uma proposta que contou com amplo apoio do Congresso Nacional. E ignorou os apelos de Miriam.  

Argentina vai às urnas para escolher o sucessor da peronista Cristina Kirchner em uma eleição incerta

A Argentina abriu neste domingo (25) os centros de votação para mais de 32 milhões de eleitores decidirem quem será o sucessor da presidente Cristina Kirchner. O clima no país é de incerteza sobre um eventual segundo turno. Na Argentina, o candidato precisa obter 45% dos votos ou 40% e vantagem de dez pontos sobre o segundo lugar para vencer no primeiro pleito. As projeções mais recentes apontam que o primeiro colocado, o governista Daniel Scioli, tem 38% das intenções de voto e uma diferença de 9 pontos percentuais do opositor Mauricio Macri, com 29,2%. O terceiro lugar é do peronista de centro-direita Sergio Massa, com 21%. A disputa inclui ainda a progressista Margarita Stolbizer, o ex-presidente Adolfo Rodríguez Saá e Nicolás del Caño, da Frente de Esquerda. 


Caso Scioli consiga os dois pontos percentuais que precisa para obter a margem mínima de votação, será a primeira vez na história argentina que não haverá segundo turno, previsto para ocorrer em 22 de novembro. Se há uma certeza entre analistas é que a Argentina que virá após o dia 10 de dezembro, quando toma posse o eleito, se posicionará mais ao centro do espectro político. Tanto Scioli quanto Macri falam em abertura do país para investimentos, retirada de travas no comércio exterior, necessidade de ajustes (rápidos ou graduais) na economia e na diminuição dos enfrentamentos com a oposição e os meios de comunicação. Os eleitores argentinos também decidirão neste domingo a renovação de metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado, além de governadores de 11 províncias e, pela primeira vez, parlamentares do Mercosul, o bloco econômico da região. Mais de 100 mil membros das forças de segurança argentinas estão a postos pelo país para a eleição. Já a oposição mobilizou milhares de militantes para fiscalizar as mesas de votação diante das denúncias de irregularidades em votações nas províncias neste ano. A Câmara Nacional Eleitoral também fortaleceu medidas para garantir a transparência da votação, como maior controle nas cabines de votação, acompanhamento por GPS dos caminhões que levam as cédulas e cópias adicionais das atas eleitorais. As urnas das 95 mil mesas de votação serão fechadas às 18 horas (19h em Brasília) e a previsão é que os primeiros resultados sejam divulgados à meia-noite.