quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Bagunça geral na coleta do lixo em Porto Alegre, empresa rompe contrato e deixa lixo nas calçadas


O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (Dmlu) convocou de forma emergencial 17 equipes e caminhões locados para executarem a coleta domiciliar na noite desta quinta-feira, 5. O motivo é o abandono da empresa Ecopav, que não colocou nenhum dos 25 caminhões em operação para o cumprimento dos roteiros noturnos. Na manhã de hoje, a empresa deixou de executar nove roteiros, que acabaram sendo feitos pelo Dmlu. O diretor-geral André Carús (PMDB) acredita que o abandono esteja ligado à proximidade do início do contrato regular da coleta domiciliar com a empresa Belém Ambiental, que solicitou o início das atividades para o dia 23 de novembro. "Estamos tomando todas as medidas possíveis para que os impactos para a população sejam mínimos, diante da inoperância da Ecopav, que será acionada em função da inexecução contratual", destacou. Carus destaca, porém, que muito provavelmente as ruas amanhecerão com lixo por todo lado nesta sexta-feira. "Temos 17 equipes nas ruas, mas que não tem a rotina de execução da coleta domiciliar. Os 17 caminhões farão a coleta ao longo de toda a madrugada, mas não podemos afirmar que conseguirão cumprir todos os roteiros", explicou. Além de penalizar e acionar a empresa para que retome as atividades na manhã desta sexta-feira, o Dmlu manterá as equipes emergenciais até que o serviço esteja normalizado: "Vamos ainda contatar a empresa vencedora da licitação para que inicie o serviço o quanto antes, visto a demonstração de descomprometimento da atual executora da domiciliar". A bagunça está instaurada nos serviços de limpeza pública em Porto Alegre há muito anos. O governo de José Fortunati (PDT) passou mais de 1.000 dias sem realização licitação para a contratação do serviço de coleta de resíduos. O resultado só poderia ser porcaria. E o Ministério Público e a Justiça nada fazem. Porto Alegre é demais..... mesmo. 

Lula diz: "Não temo ser preso"; portanto, ele já admite que pode ser preso


O ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") disse não temer ser investigado e até preso em consequência da Operação Lava Jato ou da Zelotes, da Polícia Federal. "Não temo ser preso porque eu duvido que alguém nesse País, do pior inimigo meu ao melhor amigo, do empresário pequeno ao grande, que diga que teve uma conversa comigo ilícita", disse em entrevista ao SBT Brasil. Lula chamou as investigações de pessoas próximas a ele, como seu ex-chefe de gabinete Gilberto Carvalho e seu filho, Luís Cláudio, de "coisas normais de um País democrático" e que são possíveis graças à independência dada pelo seu governo para instituições como Polícia Federal e Ministério Público Federal. O ex-presidente repetiu ainda o discurso de ser filho de mãe que morreu analfabeta e que lhe deixou o patrimônio de "poder andar de cabeça erguida". "Combater a corrupção é obrigação, não é mérito", afirmou ao lembrar que desde o auge da crise do mensalão adotou o discurso de se investigar e punir quem quer que seja. Apesar da fala favorável aos trabalhos de investigação, Lula argumentou que o País vive na "República da suspeição", em que pessoas são condenadas pela opinião pública pelo simples levantamento de suspeitas. "As instituições, que são fortes e poderosas, têm que ter responsabilidade, cuidar para não criar uma imagem negativa de uma pessoa sem ter provas", afirmou. "Nem tudo que o delator fala tem veracidade. É preciso que não se dê um voto de confiança ao bandido e um voto de desconfiança ao inocente", completou. O ex-presidente reforçou que, ao longo de seu governo, desconhecia o esquema de corrupção na Petrobras: "Não fui alertado pela gloriosa imprensa brasileira, pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, e olha que sou o presidente que mais visitou a Petrobrás. Nunca ninguém me disse que tinha corrupto na Petrobras, essas coisas você só descobre quando a quadrilha cai". Lula falou rapidamente de seu amigo pecuarista José Carlos Bumlai. "Se ele teve situação indevida vai ficar provado ou não", disse. Bumlai é acusado pelo delator Fernando Baiano de receber propina para intermediar negócios na área do petróleo e repassar valores a uma nora de Lula. A entrevista foi conduzida pelo jornalista petista Kennedy Alencar, cujo irmão, Rivelino, está sendo investigado no processo das contas da campanha eleitoral da petista Dilma Rousseff. 

Caçula não convenceu

A coluna Radar On-line informa que Luís Cláudio, mesmo auxiliado por quatro advogados, não conseguiu convencer a Polícia Federal de que prestou serviços ao escritório Marcondes e Mautoni. Que tipo de serviço uma empresa de marketing esportivo poderia prestar a um escritório de lobby especializado em vender medidas provisórias? E que, por esse serviço, tenha recebido a módica quantia de R$ 2,4 milhões?

Deputado do PRB vai relatar processo contra Eduardo Cunha


O deputado de primeiro mandato Fausto Pinato (PRB-SP) foi escolhido para relatar o processo no Conselho de Ética que pode culminar na cassação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Nas eleições do ano passado, Pinato recebeu apenas 22.000 votos. Só conseguiu uma vaga na Câmara puxado pelo correligionário Celso Russomano (SP), e nunca escondeu seus laços com Cunha. Tendo feito campanha aberta pelo peemedebista durante as eleições para a presidência da Casa, em fevereiro, o PRB teve um de seus caciques escolhidos para a Mesa Diretora, Beto Mansur (SP), 1º secretário da Casa. Também Russomano, primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para prefeito de São Paulo, é um aliado de primeira hora do peemedebista suspeito de receber milhões em contas na Suíça. O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), conversou com os dois ex-parlamentares antes de bater o martelo e, dos dois, diz que ouviu apenas boas recomendações sobre Pinato. Araújo também buscou Russomano para garantir que o partido não vai tentar influenciar na decisão do relator. Preocupado com a opinião pública, o presidente do conselho de Ética ficou satisfeito com as declarações de Russomano dadas à imprensa de que não vai se envolver no caso e também se ampara nas eleições municipais do ano que vem.

Quem depende de quem

O petista José Guimarães, líder do governo na Câmara, disse a Eduardo Cunha que Dilma Rousseff tem o voto de, no máximo, 200 deputados. Quem relatou a conversa entre os dois foi Andréia Sadi, da GloboNews. 200 deputados podem barrar o impeachment. Mas não são o bastante para aprovar, por exemplo, a nova meta fiscal. Dilma Rousseff depende de Eduardo Cunha mais do que Eduardo Cunha depende de Dilma Rousseff.

Dilma não entende de nada

O ministro do STJ João Otávio de Noronha disparou contra Dilma Rousseff. Ele a acusou de ter destruído o sistema elétrico: "Só tem um jeito agora: forçar na tarifa o prejuízo causado por uma política desastrosa da presidente Dilma. Sentia ela que entendia de tudo. A prova é que ela não entendia de nada em matéria de setor elétrico".

Caminhoneiros prometem parar na próxima segunda-feira

Grupo de caminhoneiros na internet promete parar as rodovias de todo o País na próxima segunda-feira e bate de frente com sindicatos da categoria, que não apóiam o movimento. A greve de 9 de novembro, a partir das 6h, está sendo comandada pelo Comando Nacional do Transporte (CNT). A organização não tem personalidade jurídica e se apresenta como representativa dos motoristas do setor nas redes sociais. O CNT conta com o apoio de movimentos contrários ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT) e pretende paralisar as estradas pedindo a renúncia da mandatária. “Queremos a renúncia da presidente. Faz oito meses que entregamos uma pauta e até hoje nenhuma das reivindicações foi atendida. Não voltaremos ao trabalho enquanto ela não renunciar”, afirma uma das lideranças do comando, Ivar Luiz Schmidt. Sindicatos da categoria afirmam que não vão participar da greve, liderada, segundo eles, por carreteiros que não integram o movimento sindical, e criticam que a paralisação ganhou contornos políticos. “O carreteiro não é desse movimento. O motorista de caminhão é voltado para o trabalho, é preocupado com serviço”, afirma o presidente do Sindicato Interestadual dos Caminhoneiros, presente em 25 estados, José Natan Emídio Neto, criticando a conotação política da greve e forçando a despolitização dos caminhoneiros. Ele é apontado como um dirigente sindical pelêgo do petismo. O presidente da Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Vander Francisco Costa, reforça que a entidade não vai aderir à greve. É outra entidade pelêga também. “Esse grupo que está tentando fazer uma greve não participa do movimento sindical. Tem muito proprietário de empresa, autônomos”, afirma Costa. “A questão é que não precisa mais de um caminhão para que ninguém consiga transitar na rodovia”, completa. O movimento sindical do setor é todo ele pelegão do petismo. 

França enviará porta-aviões para participar de operações contra a organização terrorista Estado Islâmico

A França enviará seu porta-aviões Charles de Gaulle para participar nas operações contra o grupo Estado Islâmico (EI), anunciou nesta quinta-feira a presidência francesa, após um conselho da defesa sobre a situação na Síria e no Iraque. "A mobilização do grupo aeronaval constituído em torno do porta-aviões Charles de Gaulle foi decidida para participar nas operações contra o Estado Islâmico" e seus grupos afiliados", anunciou a presidência francesa em um comunicado.

Londres prepara medidas para retirar 20 mil britânicos da Península do Sinai


Enquanto as autoridades russas e egípcias pedem cautela sobre as hipóteses de uma bomba ter causado o desastre do Airbus da Russia que caiu no Sinai no sábado, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou nesta quinta-feira que essa versão é a mais provável. Cameron, que está reunido no momento com o presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sisi, também defendeu a recente suspensão dos vôos para o balneário de Sharm el-Sheikh, que deve afetar cerca de 20 mil viajantes do Reino Unido na região do Mar Vermelho. No intuito de retirar os cidadãos de férias na região, o governo britânico anunciou que está preparando medidas de emergência. "É mais provável do que não (que o acidente foi causado por uma bomba)", afirmou Cameron, alertando que pode demorar para retirar todos os britânicos de Sharm el-Sheikh. Pouco antes de se encontrar com Sisi, Cameron destacou que é solidário com o Egito diante da importância do turismo para a economia. No entanto, ressaltou que é fundamental a melhoria das medidas de segurança no aeroporto do balneário antes que os britânico comecem a voar para casa. Para Moscou, que prometeu continuar voando para o Sinai, ainda é muito cedo para apontar as causas da queda, chamando todas as versões sugeridas até agora de “especulação”. O Kremlin disse ainda que a suspensão dos vôos é uma manobra para pressionar a Rússia sobre os ataques na Síria, segundo o político russo Konstantin Kosachyov. Qualquer versão do que ocorreu e as razões apontadas só podem ser determinadas por uma investigação, e ainda não temos nenhum resultado do inquérito — disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. As declarações são uma resposta à afirmação do ministro do Exterior britânico, Philip Hammond, que apontou uma "possibilidade significativa" de que o braço egípcio do grupo Estado Islâmico orquestrou um ataque a bomba no avião russo. No Egito, o presidente Abdel Fatah al-Sisi rejeitou mais uma vez a possibilidade de que terroristas derrubaram o avião russo, enquanto o ministro da Aviação do país, Hossam Kamal, anunciou que não há indicação para sugerir que uma explosão derrubou a aeronave. A companhia aérea British Airways afirmou, em nota, que vai providenciar acomodação aos passageiros retidos no balneário egípcio que voariam para o aeroporto de Gatwick, em Londres, nesta quinta-feira. Segundo a empresa, o vôo foi adiado para sexta-feira, seguindo a decisão do governo britânico de suspender as operações. O Airbus A321M da companhia Kogalymavia — que opera sob o nome de Metrojet — decolou do balneário de Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho, a São Petersburgo quando perdeu contato 23 minutos após a decolagem no sábado. A aeronave caiu na Península do Sinai, e todas as 224 pessoas a bordo morreram.

O fim melancólico da Zelotes

O juiz Ricardo Leite, que comandou a primeira fase da Zelotes, denunciou o procurador Frederico Paiva, que cuida do inquérito. Ele disse, segundo O Globo, que o procurador tratou de "direcionar politicamente a Zelotes, na tentativa de contrapô-la à Lava Jato, amenizando, em última análise, sua repercussão negativa sobre o Partido dos Trabalhadores". Ele disse também que, antes de assumir o cargo de procurador, Frederico Paiva "serviu em cargo de confiança, na qualidade de assessor do ministro do Trabalho e Emprego, ninguém menos que Ricardo Berzoini, conhecido por suas táticas difamatórias submundanas". A Zelotes acabou.

CPI do Carf rejeita convocação de filho de Lula e de ex-ministros


A comissão do Senado que investiga suspeitas de manipulação em julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) rejeitou nesta quinta-feira (5), por unanimidade, requerimentos que solicitavam a convocação ao colegiado do empresário Luís Cláudio Lula da Silva – filho mais novo do ex-presidente Lula – e dos ex-ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e Erenice Guerra (Casa Civil). Os três são investigados pela Operação Zelotes, da Polícia Federal, por suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção que fraudava julgamentos do Carf, órgão ligado ao Ministério da Fazenda. Na semana passada, uma ação conjunta da Polícia Federal, do Ministério Público e da Corregedoria do Ministério da Fazenda prendeu cinco pessoas, incluindo o lobista Alexandre Paes dos Santos e o ex-conselheiro do Carf, José Ricardo da Silva. Na ocasião, as autoridades também cumpriram mandados de busca e apreensão em uma das empresas de Luis Claudio em São Paulo: a LFT Marketing Esportivo. Os requerimentos que pediam a convocação do filho de Lula e dos dois ex-ministros foram propostos pelo presidente da CPI, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO). O parlamentar tucano já havia tentado convocá-los em outubro, mas, a exemplo do que ocorreu nesta quinta-feira, os pedidos foram rejeitados pelos senadores que integram a comissão de inquérito. O presidente da CPI justificou a reapresentação dos requerimentos como uma oportunidade para Luís Cláudio, Carvalho e Erenice falarem sobre as suspeitas de que uma medida provisória (MP) editada em 2009, durante o governo Lula, teria sido “comprada” por meio de lobby e de corrupção para favorecer montadoras de veículos. A relatora da comissão, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), criticou os pedidos de convocação e disse que tinham objetivos exclusivamente políticos. "Estamos diante de requerimentos cujo objetivo é meramente político. Não tem nenhuma ligação com o objeto desta CPI", criticou. Logo no início da sessão, o líder do governo noCongresso, senador José Pimentel (PT-CE), pediu que os três requerimentos fossem votados em globo – o que foi aprovado pelos demais parlamentares, apesar da contrariedade do presidente da comissão e autor dos pedidos de convocação, Ataídes de Oliveira. Em seguida, os três pedidos, os primeiros a serem apreciados pela comissão nesta quinta, foram rejeitados. Logo após proclamar a rejeição, por unanimidade, dos seus requerimentos, o presidente da comissão comentou: "Só tem governista, fazer o quê?" Apesar de não ser membro da comissão, o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), participou da reunião que derrubou os pedidos de convocação. Na reunião desta quinta-feira, os senadores também rejeitaram os pedidos de quebra de sigilo fiscal e bancário da LFT Marketing Esportivo, de Luís Claudio Lula da Silva, e da empresa Guerra Advogados Associados, da ex-ministra Erenice Guerra. Outro requerimento rejeitado pelos senadores foi a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de Luís Cláudio Lula da Silva. Os parlamentares também derrubaram os pedidos para convocar e para quebrar o sigilo de Carlos Juliano Ribeiro Nardes, sobrinho do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes. A justificativa desses pedidos, de autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), aponta que Carlos Nardes era "assíduo frequentador" do escritório de advocacia do ex-conselheiro do Carf, José Ricardo Silva, um dos principais suspeitos no esquema de fraudes praticadas para compras de decisões do conselho. Diz, ainda, que "não pairam quaisquer dúvidas" sobre a ligação de Nardes com os investigados, "sendo inequívocos os fatos de que ele recebia envelopes na sede do escritório de advocacia do investigado José Ricardo da Silva". A Operação Zelotes começou em 26 de março de 2015. O esquema investigado, de acordo com a PF, consistia em pagamento de propina para integrantes do Carf com o objetivo de anular ou reduzir débitos tributários de empresas com a Receita Federal. Segundo as investigações da Polícia Federal, o esquema teria fraudado até R$ 19 bilhões da Receita. Na primeira fase da operação, agentes da Polícia Federal apreenderam R$ 1 milhão em espécie, além de carros de luxo, em duas casas de Brasília. Em setembro, agentes da Polícia Federal fizeram buscas em escritórios de contabilidade de São Paulo, do Rio Grande do Sul e do Distrito Federal. No dia 8 de outubro a PF fez a 3ª fase da Zelotes e cumpriram sete mandados de busca e apreensão em Brasília e no Rio de Janeiro.

Cunha admite elo com contas, diz jornal; justificativas apresentadas a aliados são frágeis

A Folha informa na edição desta quinta-feira que o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) admitiu, sim, em conversa com aliados, vínculo com as contas secretas na Suíça das quais é apontado como beneficiário e que ele vai tentar provar em sua defesa, perante seus pares, que não mentiu quando negou na CPI que tivesse contas no exterior. Como? A diversos interlocutores, com os quais a reportagem conversou, Cunha teria dito que, com efeito, as contas não era suas, mas de empresas. Bem, empresas das quais ele era, reitere-se, beneficiário. Não me parece que vá colar, não é? Outra linha de defesa seria argumentar que o dinheiro movimentado no exterior — e cheguei a antever ontem aqui que pudesse ser essa uma das justificativas — nada tem a ver com os crimes do petrolão, já que teriam origem em negócios que ele teria feito nas décadas de 80 e 90, antes, portanto, dos crimes investigados no escândalo. Ele estaria reunindo material para demonstrar que é assim. Há ainda uma terceira alegação: ele não saberia da origem de 1,3 milhão de francos suíços depositados em sua conta em 2011 pelo lobista João Augusto Henriques, preso na Operação Lava Jato. Este diz ter feito a transferência sem saber que Cunha era o titular da conta, a pedido do economista Felipe Diniz, filho do deputado Fernando Diniz (PMDB-MG), que morreu em 2009. Cunha teria afirmado a aliados que só descobriu muito tempo depois o dinheiro e que era o pagamento de um empréstimo de US$ 1 milhão que ele fizera ao parlamentar meses antes de sua morte. A serem essas as justificativas, parece-me que o deputado está, definitivamente, numa situação bastante delicada. Ainda que não se conseguisse evidenciar nenhuma conexão temporal entre os depósitos no exterior e lambanças do petrolão — e, parece, essa conexão existe —, o conjunto da obra é bem mal ajambrado. Por mais que soe a cada dia mais evidente que diversos aparelhos de estado parecem ter se alinhado de forma muito determinada para pegar Cunha, fica difícil negar o que está lá e apagar a determinação com que o parlamentar afirmou que não tinha contas no exterior. Cunha sabe que é o presidente da Câmara e terceira pessoa na linha sucessória, incluindo o titular da Presidência da República. Além de alguém na sua posição não poder revelar só agora essa vida financeira tão agitada, que havia passado ao largo da Receita Federal, também não pode dar essas desculpas. Mas não misturemos as coisas, os alhos com os bugalhos. Assim como acho incompatível essa biografia financeira com a responsabilidade do cargo, distingo a responsabilidade do cargo da biografia financeira. Enquanto ele for presidente da Câmara, a ele cabe acolher ou recusar a denúncia contra a presidente Dilma Rousseff, protocolada pela oposição. Nesta quarta, com todas as letras, o governo admitiu ter pedalado em 2014 e em 2015. O crime de responsabilidade foi admitido. Cunha, que parece ter feito algumas coisas erradas, das quais ninguém sabia, pode agora fazer a coisa certa para todo mundo ficar sabendo. Acolhe, Cunha! Por Reinaldo Azevedo

O depoimento do filho de Lula, o velho patrimonialismo e o novo

Eu ainda não sei que diabo de serviço a LFT, empresa de marketing esportivo que pertence a Luís Cláudio Lula da Silva — filho de Luiz Inácio — prestou ao escritório de lobby Marcondes & Mautoni, que é, na verdade, uma microempresa. O fato de eu não saber, e ninguém sabe, não quer dizer que seja crime, claro! Quando, no entanto, a empresa é investigada por compra de uma Medida Provisória que interessava ao setor automotivo — e o tal escritório atua nessa área — assinada pelo pai do dono da LFT, aí é evidente que o assunto ganha relevância. Luís Cláudio prestou depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira. Confirmou ter recebido R$ 2,4 milhões da Marcondes & Mautoni, assegurou ter prestado o serviço e negou a existência de vínculos com a Medida Provisória. Pois é… Vai saber, não é? Por alguma razão, um escritório de lobby, que atua para emplacar uma Medida Provisória, precisa dos serviços de marketing esportivo e, na hora de contratar um especialista, topa justamente com o filho daquele que assinou a MP. Acontece… Aliás, o petismo é o reino das coincidências. E, por isso mesmo, as histórias por ali nunca são convencionais. A vida financeira de Lula, como sindicalista e membro do PT, nunca foi exatamente convencional, não é mesmo? Há muito tempo o homem é visto como um ente superior, a quem são permitidas extravagâncias. Num passado já remoto, morava de graça na casa de um compadre rico — e isso parecia normal. O mesmo compadre rico é hoje o dono do apartamento onde mora Luís Cláudio, avaliado em R$ 1,2 milhão. O imóvel foi comprado de uma offshore cujo representante no Brasil é casado com uma empresária com sólidos interesses na Prefeitura de São Bernardo. O dono da LFT é modesto perto de Fábio Luiz, o Lulinha, seu irmão mais famoso. Também este mora num apartamento que pertence a um amigo, e a papa que come o primogênito já é mais fina: o imóvel está avaliado em R$ 6 milhões. Sorte de Lulinha ter outro amigo rico e generoso, que também é dono de um sítio que a OAS reformou para, digamos, o usufruto de Lulão, o pai de todos. Confesso que há muito tempo o jeito Lula de ver o mundo me incomoda. Na década de 80, quando a Apeoesp, já sob o comando do PT, comandava greves de professores da rede pública — um bolsão de militância ativa do partido —, Lulinha foi estudar numa escola privada em Santo André, que os petistas chamariam de “elite”. Tinha, claro!, uma bolsa de estudos. Sei porque dava aula lá — não fui professor dele. Mas já estava claro que o “companheiro-chefe” tinha um jeito muito particular de ver o mundo. Em certo aspecto, reconheço que não deve ser fácil ser filho de Lula, não é mesmo? Desde muito jovens, seus rebentos tiveram de conviver com um pai-celebridade, fazendo política o tempo inteiro, articulando a chegada ao poder e tal. Onde quer que estivessem, lá estavam “os filhos de Lula” e coisa e tal. Deve ser, inclusive, muito chato. Por razões que nem preciso explicar, melhor ter pais anônimos. Parece, no entanto, que, na esfera psicológica, os rapazes até se saíram bem. Não tentaram, e não acho que vá acontecer, seguir a carreira política. Também não se tornaram — e vimos isso em outros países — notórios farristas e playboys. A vida da família é relativamente discreta no que respeita ao noticiário. Mas, na esfera financeira, tsc, tsc, tsc. Aí parece que existe mesmo um modelo a ser seguido. E é o do pai. E, vamos convir, não é nada bom. A estréia de Lulinha no mundo dos negócios, recebendo uma dinheirama de uma telefônica na sua Gamecorp, logo no início do primeiro mandato do pai, já indicava que o clã tinha mesmo uma leitura muito particular sobre a distinção entre o público e o privado. Vá lá. Luís Cláudio abriu uma empresa de marketing esportivo e não pode deixar de ser filho de quem é? Paciência! Se, em razão disso, conquistar alguns clientes — desde que não envolva troca de favores com dinheiro público —, melhor pra ele. Mas, com tantas empresas no País a quem oferecer seu talento, tinha de ser justamente à tal Marcondes & Mautoni, com o histórico e com as vinculações que tem? O pior traço da renitente herança patrimonialista brasileira, sabemos todos, é a cultura do privilégio que não se sustenta no mérito, mas na fidalguia, com todas as deformações sociais e políticas que isso enseja: do “sabe com quem está falando?” à impunidade propriamente. Lula poderia, em razão da confiança que milhões depositaram nele, ter contribuído para mudar essa escrita. Mas ele não só preservou, no ambiente público, os piores vícios do velho patrimonialismo — compondo, inclusive, com este — como se tornou usuário privado, desses vícios, tornados, tudo indica, uma herança. Para o seu próprio bem e o dos seus. E para o mal do País. Como sempre foi. Por Reinaldo Azevedo

Fazendo faxina no tribunal

Os investigadores da Polícia Federal que interrogaram Lulinhazinho, diz a Folha de S. Paulo, "não ficaram convencidos com a versão apresentada". Ele reconheceu que fez uma faxina em sua empresa para retirar documentos comprometedores depois que a imprensa revelou os pagamentos do lobista Mauro Marcondes. De fato, é estúpido retirar documentos comprometedores do escritório. Muito melhor é retirar a juíza Célia Regina do caso.

O próximo é você, Moro

Com a Zelotes ferida à morte, depois do afastamento da juíza Célia Regina Ody Bernardes, restam apenas a Lava Jato e a Acrônimo. A novidade mais importante sobre a Lava Jato foi publicada no Valor. O Grupo Schahin, acusado de ter quitado 60 milhões de reais em empréstimos à campanha de Lula em 2006 em troca do contrato fraudulento da sonda Vitória 10.000, pode assinar um acordo com o Ministério Público Federal. Fernando Schahin, que pagou pessoalmente a propina, segundo Eduardo Musa e Nestor Cerveró, está negociando uma delação premiada. Agora que chegou a Lula, a Lava Jato tem de ser rápida, caso contrário será destruída como a Zelotes.

Lavanderia a seco

O projeto que transforma a Receita Federal na maior lavanderia para a reciclagem de dinheiro sujo do planeta foi adiado mais uma vez. O que pesou não foi a opinião do Ministério Público Federal, e sim o medo do governo de tomar outra surra na Câmara. Diz Josias de Souza: “Pela segunda semana consecutiva, fracassou o esforço do governo para votar o projeto de lei que autoriza a repatriação de dinheiro enviado ilegalmente para o exterior. Na semana passada, a oposição aprovou por 193 votos a 175 um requerimento que retirou a proposta da pauta. Na noite passada, lideranças do próprio governo pediram o adiamento da votação para a próxima terça-feira. Alegaram que convém propiciar o debate sobre mudanças feitas no texto. Em verdade, bateram em retirada por medo de amargar nova derrota”.

O candidato da Casa Grande

Leonardo Picciani está em campanha aberta para tomar o lugar de Eduardo Cunha na presidência da Câmara. Seu pai, acusado de explorar trabalho escravo em suas fazendas, ontem à tarde foi à Casa Grande para tratar do assunto com Dilma Rousseff, Ricardo Berzoini e Valdemar Costa Neto. Uma gente honrada, como diz Fernando Henrique Cardoso.

Um erro de 186,2 bilhões de reais

O governo terá de pagar 57 bilhões de reais neste ano para quitar as pedaladas fiscais. Isso deve elevar o déficit primário para 119,9 bilhões de reais, ou 2,1% do PIB. Em menos de quatro meses, portanto, Dilma Rousseff e Joaquim Levy reduziram a meta fiscal em exatamente 186,2 bilhões de reais. E ainda estão no poder.

Obstrução, obstrução, obstrução

“Está em curso uma operação que poderá inviabilizar o mandato de Dilma Rousseff sem precisar recorrer às pedaladas”, informa a coluna Painel, da Folha de S. Paulo. O plano, articulado pelo PMDB, é adiar a votação da nova meta fiscal estabelecida pelo governo, com um déficit de 2,1% do PIB. Sem a aprovação da nova meta fiscal, o governo vai infringir a Lei Orçamentária e a Lei de Responsabilidade Fiscal em uma só tacada. O Antagonista defende a obstrução permanente no Congresso Nacional.

Obstrução permanente

O Antagonista, em 6 de maio:
A oposição tem de obstruir o ajuste fiscal.
Ele serve para encobrir um crime: a violação da Lei de Responsabilidade Fiscal. Votá-lo significa tornar-se cúmplice do crime.
O Antagonista, em 6 de outubro:
O governo quer que o Congresso Nacional, hoje, bloqueie o aumento dos salários do Judiciário.
A oposição tem de fazer de tudo para obstruir a votação.
Dilma Rousseff está sendo julgada no TCU por ter fraudado o Orçamento do ano passado, como é que ela pode decidir o Orçamento deste ano?
A presidente da República não tem legitimidade para propor ou vetar o que quer que seja.
O Antagonista, hoje:
Sem a aprovação da nova meta fiscal, o governo vai infringir a Lei Orçamentária e a Lei de Responsabilidade Fiscal em uma só tacada.
O Antagonista defende a obstrução permanente no Congresso Nacional.
Obstrução, obstrução, obstrução.

Vamos ganhar tempo

Dilma Rousseff passou as últimas semanas tentando ganhar tempo. Ele fez um monte de acordos espúrios com o único objetivo de barrar a discussão sobre impeachment até o ano que vem. Os oposicionistas têm o dever de imitá-la, barrando a discussão sobre a meta fiscal até o ano que vem. Se é para ganhar tempo, vamos ganhar tempo.