domingo, 8 de novembro de 2015

Confederação Israelita diz que Caetano Veloso sucumbiu à onda "antissemita"

A Conib (Confederação Israelita do Brasil) afirmou neste domingo (8) que Caetano Veloso "sucumbiu" à campanha antissemita, em resposta a texto em que o cantor baiano afirmava que não voltaria a Israel por causa da opressão ao povo palestino. Em texto publicado neste domingo, Caetano usa a música "Minha Alma (A paz que eu não quero)", do grupo "O Rappa", para criticar atos de violência do Exército israelense contra palestinos, especialmente na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel desde 1967 (quando Israel foi invadido, se defendeu e ganhou a guerra) e que o cantor visitou em sua última viagem a Israel. Para a Conib, ao escolher relatar apenas um lado do conflito israelo-palestino, o cantor faz "um desserviço à causa da paz que defende e, apesar de suas boas intenções, tornou-se porta-voz de pregadores do ódio e da discriminação". "A campanha de boicote a Israel é parte de um monstruoso movimento internacional de raiz antissemita que só quer ver e simpatizar com um lado do conflito árabe-israelense", afirma Fernando Lottenberg, presidente da Conib, no comunicado. "Caetano Veloso, infelizmente, sucumbiu a essa onda antissemita e se fez cego diante da incitação ao terrorismo e ao ódio contra os judeus nos lugares que visitou e nos movimentos com os quais agora simpatiza". Ainda no comunicado, a Conib afirma que o conflito deve ser "endereçado por meio de negociações de paz que levem à criação de um Estado palestino vivendo em paz e segurança ao lado do Estado de Israel". No texto criticado pela Conib, o cantor cita especificamente o caso de um palestino que aparece em um vídeo sendo atingido com pedaços de pau por jovens israelenses moradores de um assentamento. O mesmo homem relatou ao cantor cenas de destruição de habitações pelo Exército israelense. "Eu quero a paz que se mostra desde sempre impossível. Mas agora eu a quero sentindo-me muito mais próximo dos palestinos do que jamais me imaginei — e muito mais longe de Israel do que suporia meu coração há apenas pouco mais de um ano", afirma o cantor no texto. A apresentação do cantor e de Gilberto Gil em Israel, em julho, foi cercada de polêmicas desde o anúncio. O Comitê Nacional Palestino de BDS (boicote, desinvestimento e sanções) para a América Latina pediu o boicote ao show. Em cartas, o ex-Pink Floyd Roger Waters e o arcebispo e Nobel da Paz Desmond Tutu pediram que os cantores cancelassem o show em Tel Aviv. O movimento BDS já conseguiu que artistas como Lauryn Hill, Carlos Santana, Coldplay, Annie Lennox e Elvis Costello boicotassem Israel. Mas falhou em convencer outros, como Robbie Williams, Bon Jovi, Mariah Carey, Rihanna, Madonna, Elton John e Rod Stewart. Na apresentação, que reuniu 10 mil fãs brasileiros e israelenses, nenhum dos dois cantores tocou na questão política. Na visita, ambos se reuniram com o ex-primeiro-ministro e presidente de Israel, Shimon Peres, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, em 1994, participaram de um encontro com ONGs de direitos humanos israelenses e palestinas e visitaram uma aldeia palestina no Sul da Cisjordânia. Caetano Veloso é um esquerdopata que afinal tira a máscara e revela o seu lado, que é o do terrorismo islâmico. Ele também usou a máscara, literalmente, para dar apoio a grupos terroristas clandestinos no Brasil, como foi o caso do Black Bloc, um apêndice do PT. 

Caminhoneiros fizeram carreata em Soledade antes do início da greve


Caminhoneiros fizeram uma carreata na tarde deste domingo, em Soledade, no norte do Rio Grande do Sul, para exigir o tabelamento do frete. A manifestação foi uma prévia da mobilização que os motoristas prometem para esta segunda-feira, quando terá início uma nova greve da categoria no país. Em Vacaria, na Serra, cerca de 80 motoristas também se anteciparam à mobilização de segunda-feira e pararam por duas horas. Ao todo, pelo menos 10 locais deverão ter bloqueios a partir do início desta semana. Os pontos (alguns com mais de um piquete) incluem Soledade (BR-386), Santa Rosa (BR-472, nas saídas para Três de Maio e para Santo Cristo),Carazinho (BR-386), Pelotas (BR-392), São Sepé (BR-392), Giruá (RS-344) e Entre Ijuís (BR-285).

O Instituto Lula combinava versões com ex-diretor da Odebrecht

As reações de Alexandrino Alencar a reportagens sobre o envolvimento do ex-presidente com a Odebrecht eram combinadas com o Instituto Lula. De acordo com o Globo, o ex-diretor de relações institucionais da empreiteira mantinha contato direto com José Chrispiniano, assessor de imprensa do instituto. A Lava Jato encontrou mensagens trocadas entre ambos no celular de Alencar. Nelas, além da preocupação dos familiares com a prisão do ex-diretor da Odebrecht, nota-se o desejo pela demissão de José Eduardo Cardozo.

Angola tem potencial para produzir sal em grandes quantidades


Segundo a gestora que falava no 2º Conselho Consultivo do Ministério das Pescas, que decorre sob lema “Pescas e aquicultura de Angola, a contribuir para a diversificação da economia”, aproveitadas as potencialidades, o país pode, com mais investimentos, atingir a auto-suficiência e produzir excedentes para à exportação. Fez saber que através do Decreto Executivo Conjunto foi estabelecida a quota de importação de 100 mil toneladas para o ano em curso (2015), referindo que no durante o I semestre de deste ano foram produzidas 20 mil 932,3 toneladas de sal comum, das quais 19 mil 968,1 toneladas iodizadas. Salientou que o país tem um consumo anual de mais de 200 mil toneladas, tendo em conta os actuais níveis de produção, pressupõe-se um défice de mais de 153 mil 563 toneladas. Isabel Cristóvão disse ainda que para colmatar o défice da oferta nacional, o mercado tem vindo a recorrer às importações de sal, cujos dados do Conselho Nacional de Carregadores apontam para o ano de 2014 um volume de importação de 51 mil 290 toneladas. Para 2015 foi atribuída uma quota de importação de sal de 100 mil toneladas, sendo 10 mil toneladas para reserva do Estado. Segundo ela, 90 mil 128 empresas autorizadas importaram 25 mil 17,4 toneladas de sal no I semestre deste ano, restando apenas 64 mil 982,6 toneladas. Avançou que grande parte do sal vem de Portugal, Namibia, Egito e China. “Devemos continuar a estimular a produção nacional de sal a fim de atingir a auto-suficiência, criar mais postos de emprego e contribuir para a diversificação da economia e na poupança de divisas”, considerou.

Inflação em Angola quase duplica face à previsão do Governo


A inflação em Angola deverá atingir este ano 13,8%, segundo a mais recente previsão do Governo angolano, incorporada na proposta de Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2016, recuando a níveis de há seis anos. A previsão oficial do executivo para este ano colocava a inflação no intervalo entre 7% e 9%, mas, a 12 meses, essa taxa já tinha sido ultrapassada de maio para junho, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística de Angola, devido à crise económica, financeira e cambial que resultou da quebra da cotação do petróleo no mercado interno. No relatório de fundamentação do OGE para 2016, refere-se que "as perspetivas de fecho do ano de 2015 são de uma inflação de dois dígitos, em torno de 13,8% (variação entre janeiro e dezembro)", ou seja, quase o dobro do estimado inicialmente. "A taxa de inflação retoma a dois dígitos em julho 2015, desfavorecida pela atual conjuntura. A taxa de câmbio e a quebra da confiança dos agentes económicos estiveram na base do recuo da inflação", reconhece o Governo. Em sede da programação macroeconómica do executivo, revista no mês de setembro, segundo o mesmo documento de programação orçamental, "estão previstas um conjunto de medidas de atenuação de pressões inflacionais" e de "preservação da solvabilidade externa da economia a níveis internacionalmente recomendáveis". 

Uber começa a operar em Porto Alegre até dezembro, diz empresa


O serviço de transporte alternativo Uber deve começar a operar em Porto Alegre até o mês de dezembro. A informação foi confirmada aoG1, na noite deste sábado (7), pela assessoria de imprensa da empresa. O processo para o início da operação depende apenas de alguns trâmites burocráticos. Durante esse tempo, a empresa já inicia o cadastro de motoristas interessados. O serviço desencadeou um movimento contrário de taxistas em várias cidades do mundo. No Brasil, houve manifestações em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília para que o aplicativo seja proibido. Os taxistas reclamam de concorrência desleal, de queda no número de corridas, e criticam o fato de motoristas do Uber não serem obrigados a passar pelo longo e caro processo de obtenção de alvará, nem terem de seguir as regras cobradas dos taxistas. Por outro lado, usuários e defensores afirmam que o serviço tem qualidade superior e muitas vezes preço mais baixo. Muitos dizem que é o equivalente a contratar um motorista particular, o que não seria ilegal. No começo de setembro, até a presidente Dilma Rousseff se pronunciou sobre o tema, dizendo que se trata de uma ferramenta complexa porque tira emprego dos profissionais que trabalham com táxis. "É uma polêmica. Eu acho que o Uber é complexo porque tira emprego de muitas pessoas. Depende de regulamentação de cada Estado porque não é a União que decide isso. Ele tira taxista do emprego. Acho que tem que ter posição ponderada", afirmou Dilma. 

Volume do Sistema Alto Tietê sobe pelo 7ª dia consecutivo


O volume armazenado do Sistema Alto Tietê teve nova elevação nesta sábado (7). O índice está em 15%, segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo(Sabesp). Na quinta-feira (5), o volume estava em 14,7%. A pluviometria acumulada do mês chegou a 77,4 mm, o equivalente a 60% da média história registrada no mês. A pluviometria está em 77,1 mm e a média histórica é de 128,9 mm. Neste sábado, a pluviometria do dia é de 0,3 mm. Em 6 de novembro de 2014, o Sistema Alto Tietê operava com 8,6% da capacidade e a pluviometria acumulada no mês era de 53 mm. Em agosto, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) publicou uma portaria classificando como crítica a situação hidríca na Bacia do Alto Tietê. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse na manhã de quinta-feira (5) que a interligação dos sistemas Rio Grande e Alto Tietê, principal obra contra a crise hídrica na região metropolitana neste ano, estará operando com 100% da sua capacidade até o fim de novembro. A obra foi inaugurada em setembro mas opera apenas com 25% da capacidade. Alckmin atribuiu à chuva das últimas semanas a dificuldade para concluir a intervenção. A interligação entre os sistemas Rio Grande, no ABC Paulista, e Alto Tietê, em Suzano, interior do estado, acabou causando alagamentos em Riberão Pires. Prevista inicialmente para maio, a ligação, por meio de dutos, custou R$ 130 milhões. O projeto prevê que 4 mil litros por segundo sejam transferidos da represa Billings, que está cheia, para a represa Taiaçupeba, seca. Mas apenas 25% dessa vazão está sendo bombeada (1 mil litros por segundo), para evitar novas enchentes. A redução ocorreu depois que a prefeitura de Ribeirão Pires autuou a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Os tratores tiveram que voltar ao Rio Taiçupeba-Mirim para reforçar as paredes do córrego na região do alagamento. Elas estavam cedendo com a força da água e estão recebendo um muro de pedras. O mês de outubro terminou sem que as chuvas atingissem a média história. Ao longo do mês choveu 94,5 mm, 82,2% da média histórica de 115 milímetros. Em setembro choveu o dobro do esperado para o mês no Alto Tietê. Segundo a Sabesp, a pluviometria acumulada foi de 170,2 mm, 108% superior à média histórica. Após 40 dias em queda, o índice dos reservatórios voltou a subir no dia 8. A média histórica foi superada no dia 9 de setembro, quando, em apenas um dia, choveu 57,3 mm. Esta foi a maior chuva do ano. As chuvas de agosto foram 49% menores do que o esperado. A pluviometria acumulada ficou em 18,6 mm, quando a média histórica é de 36,7 mm. Julho chegou ao fim com uma pluviometria 16,6% maior do que a média histórica para o mês, segundo os dados da Sabesp. A pluviometria foi de 57,4 mm e a média histórica para o mês era de 49,2 mm. Em junho choveu menos do que a média histórica. A pluviometria acumulada no mês foi 31,1% menor do que a média histórica, que é de 55,5 mm. Já entre fevereiro e maio choveu mais do que a média histórica. Antes de junho, o índice foi inferior à média apenas em janeiro, quando a pluviometria foi 58,7% menor do que a média histórica. Desde dezembro de 2013, a água da região é utilizada para abastecer parte dos moradores antes atendidos pelo Cantareira em bairros como Penha, Cangaíba, Vila Formosa, Vila Maria e parte da Mooca. Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a população atendida pelo sistema saltou de 3,8 milhões de pessoas para 5 milhões. Um ano depois de começar a ser usado como reforço do Cantareira, em dezembro de 2014, o sistema chegou a operar com apenas 4,2% da capacidade. O volume das represas aumentou do início do ano até maio, quando atingiu o pico de 2015 de 23,3% no dia 14. Desde então tem sofrido sucessivas quedas.

Estiagem prolongada e desmatamento secam a quinta maior lagoa do Brasil


A Lagoa de Parnaguá, localizada a 823 km de Teresina e com 69 milhões de metros cúbicos de capacidade, já foi um conhecido cartão postal e fonte de renda para centenas de pessoas da cidade de mesmo nome, mas a longa seca e a destruição de suas margens fizeram com que a quinta maior lagoa do Brasil secasse. No que antes era um vistoso e imenso espelho d’água, hoje se vê apenas mato seco e, não raro, queimadas.


“A lagoa está seca há pelo menos 60 dias, mas há 16 anos venho alertando que ela precisava de cuidados, que estava secando, mas ninguém deu ouvidos. Hoje todos sofrem com essa calamidade”, afirmou Absalão Dias Castro, secretário de meio ambiente de Parnaguá, palavra de origem tupi que significa "enseada de grande rio". O município onde fica a lagoa é um dos campeões em número de focos de incêndio no Piauí. Em alguns dias dos meses de setembro e outubro chegou a ser a cidade com o maior número de queimadas do Brasil, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No mês passado, um imenso incêndio queimou parte da vegetação que nasceu onde antes era o leito da lagoa. Para Absalão, que também é presidente da uma fundação que luta pela conservação do reservatório natural, a pecuária e o desmatamento desenfreado das margens da lagoa, dos rios e riachos que desaguam nela provocaram a atual situação. “Aqui eram 200 famílias que sobreviviam apenas da pesca em Parnaguá. No ano passado eles ainda conseguiram pegar alguma coisa, mas hoje uns foram embora para a Bahia e outros foram para a barragem de Algodões II, para poder ao menos sobreviver. Os pecuaristas mataram os entornos da lagoa e o Rio Paraim”, disse. Os motivos apontados por Absalão foram os mesmos encontrados pelos técnicos da Secretaria de Meio Ambiente do Piauí (Semar), que elaboraram um relatório sobre o estado de calamidade da lagoa. O secretário da Semar, Ziza Carvalho, apontou que a degradação do Rio Paraim é um dos motivos para a atual situação e que sua recuperação pode ser o começo da solução. 

Lagoa de Parnaguá em imagem tirada em 2012 (Foto: Reprodução/Google Street View)
“O relatório nos trouxe que o rio está muito assoreado, que fazendeiros ocuparam as APPs (Áreas de Preservação Permanente), que existem residências na área da lagoa e que o esgotamento sanitário é despejado nela. Além disso, estamos vivendo uma longa seca com períodos chuvosos ruins”, afirmou o gestor. Ainda de acordo com o secretário, a recuperação do Rio Paraim é uma das diretrizes apontadas pelo relatório, que prevê ações na bacia hidrográfica da região. “A idéia que vamos levar ao governador Wellington Dias é a limpeza e desassoreamento do Rio Paraim. Tem que ser feito um trabalho de desobstrução, retirar o material orgânico, árvores, areia e corrigir os desvios feitos em propriedades particulares. Isso tem que ser feito de forma urgente para que ele possa abastecer novamente a lagoa”, finalizou. 

Lama de barragens de Mariana chega ao Rio Doce, no Leste de Minas Gerais


Moradores do Leste de Minas Gerais começaram a sentir os primeiros impactos ambientais, provocados pelo rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, na quinta-feira (5), no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG). Na manhã deste sábado (7) por volta de 11h ela chegou no Rio Doce no distrito de Cava Grande, em Marliéria, e cerca de duas horas depois atingiu a divisa entre os municípios de Santana do Paraíso e Caratinga. Na ponte metálica, na BR-458, pessoas que passavam para o local pararam para observar a elevação do nível do rio causado pela lama. A Polícia Militar Ambiental esteve no local e fez a medição do rio que subiu pelo menos um metro e meio. O tenente Átila Porto afirmou que os militares estão acompanhando os impactos, e enviarão um relatório sobre os danos para Belo Horizonte.“O impacto ambiental é imensurável. Estamos no período da piracema, o que vai trazer um prejuízo muito grande na reprodução dos peixes, além de outros danos. Estamos confeccionando os boletins de ocorrência que serão enviado ao Ministério Público em Belo Horizonte, para que a empresa seja responsabilizada pelos danos causados no Vale do Aço”, diz. 


A presidente da Câmara Técnica de Gestão de Eventos Críticos (CTGEC), Lucinha Teixeira, esteve no local e declarou que ainda não sabe se haverá inundação na região. “A orientação que está sendo dada aos municípios por meio do Comitê das Bacias do Rio Doce é que durante está onda estiver passando pelas municípios, a captação de água sejam suspensas e só retomem as atividades depois de análises desta água que garantirem que ela é potável”, pontua. Ela diz que ainda não sabe o tempo que levará para analisar a água e orientou os municípios a capterem a água antes de serem afetadas.“O tempo para retornar a captação só saberemos depois das análises, podendo durar horas, dias, mas ainda não podemos afirma o tempo. A orientação é que os municípios que ainda não foram atingidos, captem água e reservem para tentar evitar o desabastecimento”, pontua. Lucinha Teixeira descartou que o Rio Piracicaba seja atingido pela lama e disse que os rios atingidos são o Gualaxo, Parte do Piranga e o Rio Doce.

TCU aponta superfaturamento de R$ 49,2 milhões no Hospital das Clínicas

Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União aponta superfaturamento e sobrepreço de R$ 49,2 milhões na construção dos novos prédios do Hospital das Clínicas, em Porto Alegre. De acordo com o documento, produtos e serviços foram contratados por valores muito acima aos praticados no mercado. O sobrepreço, de acordo com o TCU, é de R$ 40,7 milhões. A análise encontrou ainda superfaturamento de R$ 8,5 milhões nos pagamentos de refeições, vale-transporte e equipamentos de proteção dos trabalhadores. 


A auditoria foi realizada entre julho de 2014 e junho de 2015. A irregularidades foram consideradas graves. Foi solicitado que o hospital e as empresas envolvidas na construção prestem esclarecimentos. Depois, será elaborado relatório que será julgado pelos ministros do TCU. Entre as determinação impostas pelo tribunal após o julgamento estão a correção dos problemas, o bloqueio de valores ou até a recomendação de paralisação da obra. A construção dos novos prédios do Hospital das Clínicas de Porto Alegre foi orçada em pouco mais de R$ 397,3 milhões. O levantamento feito pela auditoria apontou indícios de superfaturamento e sobrepreço que somam R$ 49,2 milhões.

Recuperação ambiental na região de Bento Rodrigues vai demorar de 10 a 15 anos


Se a tragédia que devastou o subdistrito de Bento Rodrigues vai demorar a ser superada pelos moradores, a natureza também vai cobrar o seu tempo pela recuperação. Especialistas estimam que vá demorar pelo menos uma década para que a vegetação se restabeleça na região engolida pela lama, possibilitando o desenvolvimento de um novo ecossistema. A revitalização total, porém, é difícil de determinar, já que foram atingidas margem e leito dos rios e a própria comunidade. “O que aconteceu foi uma degradação total pelo rompimento da estrutura vegetativa. Daqui um tempo, o solo vai aproveitar este material que veio com a lama: ferro, sílica, fósforo, manganês, alimentos naturais das plantas. As experiências que temos mostram que, depois de 10, 15 anos, a recuperação da vegetação é quase plena”, explicou o gerente de meio ambiente da Fiemg, Wagner Soares Costa. “O que pode acontecer é que algumas espécies tenham sensibilidade maior, sendo extintas naquela região.” Segundo Wagner, a partir desta revegetação, animais como roedores retornam, reequilibrando a cadeia alimentar. “Neste momento, pelas imagens, ficamos assustados, mas depois tudo se adequa. Vamos ter uma várzea, que é rica organicamente e, em três, quatro anos, se tudo ocorrer bem, alguma evolução”, detalha. Para o geólogo Allaoua Saadi, do Departamento de Geografia do Instituto de Geociências da UFMG, o tempo de regeneração é difícil de determinar. “São muitos fatores envolvidos. Temos a questão da natureza e da sociedade, que caminham juntas. Leitos e margens dos rios foram afetados e cada um vai ter uma reação diferente. A gente só vai saber quando tiver acesso à área”, afirmou. “Do ponto de vista social, a questão também é complexa: essas pessoas vão querer continuar vivendo lá? Fechar a mina é impensável, pois sabemos o impacto econômico”, completou. Há avaliações bastante negativas, como a da coordenadora do Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais (Gesta) da UFMG, Andréa Zhouri. “Em geral, são trabalhadores que viviam ali que terão de ser realocados, porque será inviável voltar a morar na área devastada. São mais de 10 quilômetros de lama, não tem recuperação”, alertou. “A região está saturada da mineração e não é mais prudente licenciar obras. É um modelo colonial, ultrapassado, que precisamos discutir e rever.”


Especialistas afastaram, em princípio, a hipótese de haver materiais tóxicos. “Esse tipo de mineração só faz lavagem do minério. Em primeira avaliação, o poluente não é muito grave. Tem que se fazer análise, pois se tiver algum material tóxico, como arsênio, zinco, por exemplo, precisará ser investigado e cobradas explicações”, afirma Saadi.

Em 3 anos, o governo da petista Dilma Rousseff elevou a dívida brasileiro de 53% para 72% do PIB


Após três anos seguidos de baixo crescimento e recessão, com aumento de desemprego, a dívida pública bruta saltará fortemente, deixando o governo mais dependente de um ajuste fiscal para evitar uma crise mais grave. Essa descrição, usada para explicar as turbulências dos últimos anos na Europa, deve servir ao Brasil de 2014 a 2016. O próprio governo admitiu ao Congresso que a dívida pública bruta chegará a quase 72% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016. Haverá, portanto, um salto de quase 20 pontos porcentuais da dívida pública em apenas três anos – em dezembro de 2013, ela representava 53,2% do PIB. A combinação entre recessão e debilidade fiscal pode ser explosiva? Para o economista Luis Eduardo Assis, ex-diretor do Banco Central, o risco para o País é se aproximar da realidade de alguns países europeus, como Itália, Espanha e Portugal, que viram sua dívida pública subir muito em poucos anos e hoje convivem com baixo crescimento econômico. “A diferença é que eles já enriqueceram, nós não. O grande risco aqui não é mesmo o de uma explosão, como na Grécia, mas de uma mediocridade de crescimento por muitos anos". Para Nelson Marconi, coordenador do curso de Economia da Fundação Getulio Vargas em São Paulo (FGV-SP), o quadro de baixo crescimento e alta do endividamento é semelhante ao de países europeus, mas, no limite, o Brasil “se salva” pelo fato de a dívida ser predominantemente lastreada em moeda nacional: “Os europeus estão presos ao euro, uma moeda comum, mas que não é controlada por cada país. Nós, no limite, desvalorizamos muito a moeda para pagar a dívida. Seria uma opção dramática, mas é uma saída limite". Segundo Marconi, a trajetória de forte alta da dívida desde o fim de 2013 é resultado dos erros de política econômica do governo Dilma e da elevada taxa básica de juros, que corrige os títulos do governo. “O governo concedeu uma série de estímulos fiscais e aumentou muito os gastos para fazer a economia crescer, mas a estratégia não deu certo. Isso piorou o quadro das contas públicas e não gerou crescimento. Os dois problemas, juntos, fazem a dívida pública crescer. Não ajuda o fato de termos a maior taxa de juros do mundo”, afirmou.


Segundo o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, o governo precisa, urgentemente, “arrumar sua casa”. Isto é, reduzir gastos com despesas obrigatórias, em especial na Previdência Social. “O governo precisa fazer um ajuste fiscal que possa, no mais curto espaço de tempo possível, sinalizar que voltará a produzir um superávit fiscal. Isso permitirá ao menos uma estabilização do endividamento público e também a redução dos juros, o que ajuda no crescimento econômico”, disse ele. Para Schwartsman, a saída preconizada por economistas que defendem mais gastos e mais estímulo ao crédito (como sugeriu o ex-presidente Lula), não faz o menor sentido: “Se gastar fosse a saída, não haveria pobreza no mundo. Bastaria que todos os governos imprimissem dinheiro e entregassem para todas as pessoas". Segundo ele, a busca por receitas extraordinárias faz parte do jogo. Nos anos 90, o então governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) usou recursos das privatizações de empresas estatais para pagar os juros da dívida. Agora, o governo Dilma Rousseff pretende usar o dinheiro que pode vir com a regularização e repatriação de ativos de brasileiros mantidos ilegalmente no exterior para reforçar o ajuste fiscal: “A receita extraordinária ajuda. Mas serve apenas para um ano específico, não dá para ficar dependente dela". Os analistas, no entanto, concordam que nenhuma reforma estrutural, como mudanças em aposentadorias e pensões e ajustes nas contas públicas, sairá do papel no atual contexto de crise política. “A sociedade brasileira precisa discutir o Estado que ela quer, e isso terá impacto no futuro da dívida pública. Mas esse debate hoje é absolutamente impossível. Só depois de resolvida a crise política”, disse Assis.

Ministério avalia redução extrema de água em Sobradinho

A situação alarmante da falta de água do Rio São Francisco levou o Ministério de Minas e Energia a examinar uma condição extrema para garantir o mínimo de água para o reservatório de Sobradinho, na Bahia. O ministro Eduardo Braga pediu ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) que avalie a possibilidade de reduzir a liberação de água de Sobradinho para apenas 400 metros cúbicos por segundo. Para se ter uma idéia do que isso significa, trata-se de menos de um terço do volume mínimo que Sobradinho teria de entregar em condições normais, com 1.300 metros cúbicos por segundo. Hoje, o maior reservatório da Região Nordeste está com apenas 3% de sua capacidade plena de armazenamento, índice nunca visto desde 1979, quando foi fechado no sertão baiano. "A vazão atual está em 900 metros cúbicos, mas já decidimos reduzir para 800 e estamos em estudos para que caia para 700 metros", disse Braga. Segundo o ministro, a previsão é de que o reservatório chegue a apenas 1% de sua capacidade: "O pior cenário é zerar. Faremos o possível para evitar isso". A Hidrelétrica de Sobradinho foi escolhida pelo Ministério de Minas e Energia para abastecer a demanda das indústrias eletrointensivas da Região Nordeste nos próximos anos. Na Região Sudeste, os eletrointensivos serão abastecidos pela usina de Itumbiara, na divisa entre Goiás e Minas Gerais. A solução era aguardada pelas indústrias, por conta do vencimento de seus contratos com Chesf e Furnas. Com isso, o impasse de abastecimento de energia das eletrointensivas foi resolvido, sem onerar a conta de luz da população. O acordo passa pelo prolongamento dos contratos de geração das usinas e pela criação de dois fundos, que vão financiar novos projetos nas regiões, com a arrecadação de R$ 26 bilhões no Nordeste e de mais de R$ 20 bilhões no Sudeste. "Estamos garantindo energia competitiva para o eletrointensivo e equacionamos a situação. Estamos falando de mais de 1.500 megawatts para o eletrointensivo", disse Braga. Os fundos serão gerenciados por um conselho formado pelos Ministérios de Minas e Energia, Fazenda e Planejamento, além da Eletrobrás e Confederação Nacional da Indústria.

STJ nega habeas corpus e mantém prisão de ex-conselheiro do Carf

O Superior Tribunal de Justiça informou neste sábado (7) que negou pedido de habeas corpus a José Ricardo da Silva, ex-conselheiro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), preso durante fase da operação Zelotes realizada no final de outubro. A investigação da Polícia Federal aponta pagamentos de propina e fraudes no Carf, órgão ligado ao Ministério da Fazenda. Conselheiros são suspeitos de integrar um esquema de manipulação dos julgamentos de recursos apresentados por empresas multadas pela Receita Federal. Silva está preso preventivamente, acusado de tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e extorsão. Nesta fase, a Zelotes também apura indícios de um consórcio de empresas que, além de manipular julgamentos dentro do Carf, negociava incentivos fiscais para o setor de automóveis. De acordo com o ministro Nefi Cordeiro, do STJ, "a prisão está devidamente fundamentada na proteção da ordem pública, devido à gravidade concreta dos crimes em apuração e à necessidade de prevenir a continuidade deles", informou o tribunal. O mérito do habeas corpus ainda será julgado, sem data definida. Um sócio de Silva, Eduardo Valadão, também foi preso na ação conjunta da Polícia Federal com o Ministério Público e a Corregedoria do Ministério da Fazenda, realizada em 26 de outubro. Foram detidos também o lobista Alexandre Paes dos Santos e dois sócios de escritórios suspeitos de captar clientes para o esquema, Cristina Mautoni e Mauro Marcondes, que também é vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea). Além disso, a ação fez buscas e apreensões em um endereço onde funcionam três empresas de Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo as investigações, uma das empresas recebeu R$ 1,5 milhão do escritório Marcondes e Mautoni. O filho do ex-presidente prestou depoimentona última quarta-feira (4) e explicou que prestou serviços à Marcondes e Mautoni nos anos de 2014 e 2015 e, por este motivo, recebeu os valores que foram contratados. A Operação Zelotes começou em 26 de março de 2015. O esquema investigado, de acordo com a Polícia Federal, consistia em pagamento de propina para integrantes do Carf com o objetivo de anular ou reduzir débitos tributários de empresas com a Receita Federal. Segundo as investigações da Policia Federal, o esquema teria fraudado até R$ 19 bilhões da Receita. Na primeira fase da operação, agentes da Polícia Federal apreenderam R$ 1 milhão em espécie, além de carros de luxo, em duas casas de Brasília. Em setembro, agentes da Polícia Federal fizeram buscas em escritórios de contabilidade de São Paulo, do Rio Grande do Sul e do DF. No dia 8 de outubro a Polícia Federal fez a 3ª fase da Zelotes e cumpriram sete mandados de busca e apreensão em Brasília e no Rio de Janeiro. As investigações apontam que conselheiros suspeitos de integrar o esquema criminoso passavam informações privilegiadas de dentro do Carf para escritórios de assessoria, consultoria ou advocacia. Esses escritórios, de acordo com os investigadores, procuravam empresas multadas pela Receita Federal e prometiam controlar o resultado dos julgamentos de recursos. A Polícia Federal aponta que, para isso, além de promover tráfico de influência, o grupo corrompia conselheiros envolvidos com o julgamento dessas multas e manipulava o andamento dos processos com a venda de pedidos de vista ou alteração da pauta de julgamentos. Muitas dessas consultorias, ainda conforme as investigações, tinham como sócios conselheiros e ex-conselheiros do Carf. A Polícia Federal suspeita que, em troca dessas facilidades, empresas multadas pagavam propina. Segundo os investigadores, boa parte dos supostos honorários pagos pelas empresas a título de consultoria era, na verdade, repasse de propina.

Nível dos mananciais de SP sobe pelo quarto dia consecutivo


Todos os principais sistemas hídricos de São Paulo aumentaram o volume armazenado de água pelo quarto dia consecutivo, segundo relatório da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), divulgado no sábado (7). Responsável hoje por abastecer 5,2 milhões de pessoas, o Cantareira teve aumento 0,1 ponto porcentual e opera com 17% da capacidade, segundo índice tradicionalmente divulgado pela Sabesp. No dia anterior, o sistema estava com 16,9%. O cálculo considera duas cotas de volume morto, adicionadas no ano passado como se fossem volume útil. Esse é o sexto aumento seguido do nível do manancial, apontado como o mais importante do Estado. A pluviometria do dia na região do Cantareira foi de apenas 0,2 mm. O valor acumulado nesta primeira semana do mês é de 69,5 mm, sendo que a média histórica para um mês de novembro é de 160,4 mm. O índice negativo, que passou a ser divulgado após decisão judicial, passou de -12,4% ontem para -12,3% hoje. No terceiro índice, a capacidade foi de 13,1% para 13,2%. O primeiro índice utiliza o volume útil para o cálculo, enquanto o último a volume total. O Guarapiranga, que é o atual responsável por abastecer o maior número de clientes da Sabesp (5,8 milhões), subiu 0,6 ponto porcentual, registrando, assim, o sexto aumento consecutivo. O manancial está com 84,6% do volume de água represada, ante 84% no dia anterior. A pluviometria no dia no manancial foi de 1,4 mm, de acordo com a Sabesp. Já o Alto Tietê também subiu pelo sexto dia após registrar chuvas de 0,3mm. O sistema está com 15%. Esse cálculo leva em conta um volume morto, acrescentado no ano passado. O Alto Cotia elevou de 68,2% ontem para 68,7% hoje. O Rio Grande passou de 90,4% para 90,6% e o Rio Claro de 55,1% para 56,6%.

Onda de lama de barragens mineiras deve chegar ao Espírito Santo nesta segunda-feira

A onda de lama que se desloca ao longo do Rio Doce em função do rompimento de duas barragens na região de Mariana (MG) deve chegar ao Espírito Santo nesta segunda-feira (9). A informação é do Serviço Geológico do Brasil, que monitora a situação. A onda de cheia deixou em estado de alerta municípios mineiros ao longo da calha do rio. O boletim de monitoramento informa que a previsão é que a onda de cheia atinja Colatina na tarde desta segunda-feira e Linhares, na noite de segunda para terça-feira (10), ambas no Espírito Santo. O Serviço Geológico do Brasil informa que a onda de cheia não vai causar, necessariamente, enchentes nos municípios. Localizadas no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, as barragens de Fundão e Santarém se romperam na tarde de quinta-feira (6), inundando a região com lama, rejeitos sólidos e água usados no processo de mineração. O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais informou que há pelo menos 13 desaparecidos e que uma pessoa morreu. O Serviço Geológico do Brasil monitora continuamente o Sistema de Alerta da Bacia do Rio Doce que abrange o leste de Minas Gerais e do Espírito Santo. O objetivo é alertar 15 municípios da bacia quanto ao risco de ocorrência de enchentes. Os municípios são: Ponte Nova, Nova Era, Antônio Dias, Coronel Fabriciano, Timóteo, Ipatinga, Governador Valadares, Tumiritinga, Resplendor, Galileia, Conselheiro Pena e Aimorés, no estado de Minas Gerais, e Baixo Guandu, Colatina e Linhares no Espírito Santo. A prefeitura de Linhares divulgou um comunicado em que não menciona o risco de enchentes. Segundo a nota, não há risco de contaminação da bacia que abastece de água a cidade. A prefeitura de Colatina informou que está monitorando a situação e a previsão é que ao longo da cidade o nível do Rio Doce seja elevado em cerca de 1,5 metros. Em nota, a prefeitura diz que não há razão para alardes sobre inundações no município. A prefeitura de Governador Valadares também divulgou comunicado informando que a lama deverá passar pela calha do Rio Doce. A Defesa Civil local prevê que o rio permanecerá no seu leito, sem provocar inundação. 

Petrobras apresenta balanço do 3º trimestre na quinta-feira

A Petrobras apresenta na próxima quinta-feira, 12, o resultado financeiro do 3º trimestre de 2015 - um ano após adiar a divulgação e registrar em seu balanço financeiro as perdas com a crise institucional deflagrada com a Operação Lava Jato. Desde setembro de 2014, a perda de valor da companhia já chega a 65% e após um ano turbulento a companhia ainda não dá sinais de recuperação dos indicadores financeiros. As estimativas do mercado indicam um prejuízo no trimestre entre US$ 500 milhões e US$ 1,8 bilhão. Entre os analistas, as previsões acendem um alerta para o risco de a companhia não pagar dividendos aos acionistas pelo segundo ano consecutivo. O resultado do trimestre será afetado, sobretudo, pela escalada do dólar que registrou uma valorização média de 28% entre julho e setembro, o que afetará seu já alto endividamento. O balanço também será prejudicado, segundo relatório do HSBC, pela despesa não recorrente de R$ 2 bilhões referentes à quitação de dívidas tributárias. "Esperamos um prejuízo líquido de US$ 1,8 bilhão reduzindo significativamente a perspectiva de pagamento de dividendo relativo a 2015", pontua o relatório. "Existe uma forte probabilidade, crescente, de a Petrobras não pagar dividendos. Outras companhias que têm resultados proporcionalmente melhores estão reduzindo ou cancelando pagamentos. Isso indica que existe espaço para queda ainda maior das ações", avalia Flávio Conde, da Consultoria What'sCall. Ao longo do terceiro trimestre, os papéis da companhia caíram cerca de 40%, segundo levantamento da Economática. "O mercado já repassou ao preço das ações boa parte dos resultados, principalmente o impacto do dólar sobre a dívida. Mas ainda pode cair mais", completa Conde. A companhia também não pagou dividendos em 2014 após reportar um prejuízo de R$ 21 bilhões. Os balanços do terceiro trimestre e anual da companhia foram adiados por seis meses após a PriceWaterhouseCoopers (PWC) se recusar a validar o documento. A auditoria questionou a permanência na empresa de executivos envolvidos na Operação Lava Jato. Também não houve consenso sobre o valor da baixa contábil - registrada em R$ 6 bilhões por perdas com a corrupção além de R$ 84 bilhões decorrentes de má gestão, erros de projeto e reavaliação de ativos. Em abril deste ano, ao finalmente apresentar o documento, o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, informou que a companhia não distribuiria dividendos como "medida de preservação de caixa". Após um ano turbulento - com enxurrada de denúncias de corrupção, troca de diretoria, indefinição sobre o balanço anual, queda de cotações internacionais e dificuldades para cortar gastos e vender ativos - "não há nada que indique que a situação vá melhorar", avalia o economista da UFRJ, Edmar de Almeida. "Ao longo do ano, a companhia experimentou uma sequência de revisões para pior na sua estratégia de investimento e continua em um cenário de fluxo de caixa muito apertado. Destinar o dinheiro que pode ser usado para reduzir a dívida para pagar dividendos não faz muito sentido, a não ser que a empresa queira evitar desgastes com os investidores", avalia o economista. A dívida é a principal fragilidade da companhia e o indicador que mais a diferencia das demais petroleiras internacionais, também afetadas pela queda das cotações internacionais de óleo no período. A Shell, principal parceira da Petrobras no pré-sal, também registrou prejuízo no terceiro trimestre, de US$ 6,1 bilhões. Já a Total, teve queda de 23% no seu lucro, de US$ 2,8 bilhões, em comparação com 2014. Já a Chevron registrou recuo de 64% em seu resultado trimestral. Com a alta do dólar no terceiro trimestre, as dívidas da Petrobras devem passar de R$ 323,9 bilhões para mais de R$ 417 bilhões, segundo estimativa do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). O banco Itaú calcula que a estatal terá uma receita operacional (Ebtida) sete vezes melhor que no terceiro trimestre de 2014, de R$ 18,8 bilhões, devido a alta da produção e queda da importação de diesel e gasolina. Ainda assim, o banco prevê prejuízo de US$ 502 milhões para a estatal no trimestre. O relatório do banco indica também que a relação entre a dívida líquida e a geração de caixa (alavancagem), da companhia chegará a 5,3 vezes, ante uma meta de 3,33 vezes. "A Petrobras não conseguiu gerar caixa suficiente para reduzir divida, o que indica que a empresa em 2016 tem desafios muito grandes. Ela precisa um equilíbrio no fluxo de caixa para iniciar a redução de dívida, e para isso precisa cortar mais gastos e custos do que já fez nesse ano", avalia Edmar de Almeida. A companhia já anunciou cortes de US$ 87 bilhões até 2019. Após recorrer a novos financiamentos ao longo do ano, em valor superior a US$ 15 bilhões, a Petrobras prevê encerrar o ano com uma posição de caixa de US$ 20 bilhões, ante uma previsão da gestão anterior de US$ 8 bilhões. A dificuldade consensual entre os analistas é destravar o plano de desinvestimentos da companhia, que prevê a arrecadação de US$ 15 bilhões até o próximo ano com a venda de ativos. "Bendine e (o diretor financeiro) Ivan Monteiro vêm fazem bom trabalho, atacando os pontos principais da empresa com uma nova postura. Só que falta algo mais", avalia o consultor Flávio Conde. "Todo o plano de desinvestimentos não andou até agora, em função dos problemas da Petrobras e questões alheias a ela. O andamento da Lava Jato, com a descoberta de pessoas envolvidas na BR Distribuidora, afastou potenciais sócios estratégicos. Mas o que realmente inviabilizou a venda da subsidiária foi a situação de contas descontroladas do governo e a perda de grau de investimento. Quem quer comprar ações da BR nesse cenário?", questiona.

Delação premiada envolve o senador Edison Lobão


Em meio aos milhares de páginas de procedimentos da Operação Lava Jato acumulados no gabinete do ministro Teori Zavascki, no Supremo Tribunal Federal, há um documento de 62 páginas, enviado pela Procuradoria-Geral da República. Seu conteúdo é grave. Um dos trechos versa sobre o envolvimento de políticos do PMDB em negócios suspeitos com empresas estatais. “Dessa forma, dentre os políticos do PMDB que obtiveram vantagens indevidas advindas da Eletronuclear e Petrobras, com o aprofundamento das investigações, é possível apontar o ex-ministro de Minas e Energia (e senador) Edison Lobão como um dos vários pontos comuns (ápice da pirâmide no âmbito do Ministério das Minas e Energia) que formam uma área de intersecção crescente das duas investigações em andamento que revelam, quando avaliadas em conjunto, uma única estrutura criminosa”, diz o texto.


ÉPOCA teve acesso exclusivo ao documento, no qual os procuradores do grupo de trabalho afirmam, portanto, que Edison Lobão, senador da República pelo PMDB do Maranhão, ex-ministro do governo Dilma Rousseff, é o personagem que unia o esquema de corrupção instalado na Petrobras e replicado na Eletronuclear, sob a regência de seu partido – e com as vantagens financeiras inerentes a isso. De acordo com a Procuradoria, não importava se era petróleo ou energia nuclear: se o assunto envolvia propina para o PMDB, era com Edison Lobão que se tratava. Para chegar a essa conclusão, a Procuradoria baseou-se, entre outras provas, em trechos de depoimentos do representante da Camargo Corrêa Luiz Carlos Martins, dados sob um acordo de delação premiada – os trechos em que Martins cita pessoas investigadas no âmbito do Supremo ainda estão mantidos sob sigilo. Além de Martins, o dono da UTC, Ricardo Pessôa, outro delator do petrolão, já havia falado sobre o pagamento de R$ 1 milhão a Lobão em um esquema envolvendo contratos de Angra 3, como detalhou uma reportagem de ÉPOCA de setembro. Na ocasião, Pessôa disse que o valor era o adiantamento de uma propina maior, de R$ 30 milhões, pedida por Lobão no ano passado porque seu partido estava com pressa e precisava de “contribuições de campanha”. No depoimento prestado em junho aos investigadores, Martins fala em dois valores que teriam sido repassados a Lobão: ele confirma o repasse de R$ 1 milhão, mas não sabe precisar se o total pago atingiu R$ 1,5 milhão. O delator relatou também ao menos duas reuniões das quais participou, para tratar do pagamento de propina a políticos. Martins diz que, em um desses encontros, Antônio Carlos Miranda, da UTC Engenharia, chamava a atenção dos presentes para um “assunto sensível”, que posteriormente é descrito como pagamento de propina a Lobão e a outros agentes públicos. Martins narra uma cena do encontro, na qual Miranda pediu que representantes de seis empreiteiras envolvidas no esquema dividissem com a UTC o pagamento de R$ 1 milhão que foi feito a Lobão para atender o PMDB. Contudo, a reação dos presentes foi negativa. Disseram que não haviam sido informados com antecedência sobre o pagamento e que, portanto, não dividiriam o valor. Diante da negativa dos representantes, Miranda diz que Pessôa entraria em contato com os executivos para tratar do pagamento. No relato, o representante da Camargo Corrêa lembra de Miranda mencionar que o valor total da propina a ser paga era de R$ 64 milhões. Alguns desses encontros, segundo o depoimento, foram realizados na sede da UTC no Rio de Janeiro. Martins afirma ter questionado Miranda sobre quem seriam os beneficiários dos pagamentos e ouvir que os destinatários, além de Lobão, eram o presidente da Eletronuclear, o almirante Othon Luiz Pinheiro, o ministro Raimundo Carreiro, do Tribunal de Contas da União (TCU), e o ex-diretor da Eletronorte e ex-prefeito de São Paulo Miguel Colasuonno, morto em 2013. Procurada, a defesa do senador Lobão preferiu não comentar o documento do Ministério Público. “Estamos num momento de questionamentos técnicos das delações. Todas essas delações estão em xeque, porque não têm credibilidade. Vamos esperar a decisão do Supremo”, disse o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro. A defesa do almirante Othon Pinheiro e a do ministro Raimundo Pinheiro não se manifestaram. A UTC e o executivo Antônio Carlos Miranda preferiram não se manifestar.


No diagnóstico da Procuradoria Geral da República, Lobão tem a companhia do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, preso em Curitiba. Vaccari é apontado pela Procuradoria por sua “proeminente atuação” tanto no esquema que envolvia a Petrobras, quanto na Eletronuclear. O documento cita exemplos de Vaccari solicitando “inúmeras vezes” o pagamento de vantagens indevidas a empresas que tinham contratos com ambas as estatais. Com base nas evidências de que Lobão e o PMDB replicavam na Eletronuclear o sistema de cobrança de propina instalado na Petrobras, a Procuradoria-Geral da República construiu um recurso para pedir que o ministro Teori Zavascki reconsidere sua decisão de enviar as investigações envolvendo a Eletronuclear para a Justiça Federal no Rio de Janeiro. A decisão foi tomada por Zavascki no fim de outubro e desagradou ao Ministério Público, que entende que as apurações estão interconectadas e as provas e os caminhos obtidos em uma delas podem ajudar nas investigações da outra. Para reforçar o pedido de reconsideração encaminhado ao STF, a Procuradoria afirma ainda que o mesmo modelo de cartel foi empregado tanto na Petrobras quanto na Eletronuclear. Na visão dos investigadores, o caso apurado é de uma organização criminosa com “várias ramificações”, e com modus operandi bastante similar. É apontado ainda como semelhança o objetivo comum dessas empresas que dividiam os mesmos mercados de “maximizar” o lucro de todas elas. O caso de Lobão mostra que o “mesmo cartel” de empresas atuava junto com o mesmo cartel político para sangrar dinheiro público das estatais. Como mostra o documento, à medida que mais delações são feitas, novos episódios são narrados e surgem conexões adicionais entre os personagens envolvidos no esquema montado para beneficiar políticos, empresários, operadores e lobistas por meio de desvios de recursos públicos. O desafio dos investigadores agora é entender como se montou uma verdadeira “teia” entre esses personagens, de forma que o esquema foi replicado em outras estatais. Diante do fatiamento, relatam investigadores, esse quebra-cabeça ficará cada vez mais difícil de ser montado. Lobão é alvo de pelo menos três inquéritos abertos no Supremo: dois são decorrentes de desvios na Petrobras e um terceiro refere-se à suspeita de pagamento de comissão na construção da usina Angra 3. Dentro do PMDB, Lobão faz parte de um grupo que, em velocidade diferente, está sob investigação na Lava Jato. Fazem parte dele, além de Lobão, o presidente da Casa, Renan Calheiros, o ex-presidenteJosé Sarney e os colegas Romero Jucá e Valdir Raupp. Juntos, eles mantinham cargos no setor elétrico, mais especificamente na Eletronuclear. Outra parte do PMDB, da Câmara dos Deputados, já está sob fogo. Apesar da derrocada dos colegas deputados e da divisão das investigações, a fatia do PMDB no Senado também não pode dormir sossegada.

Gene Haas garante que sua equipe terá um chassi melhor na Formula 1 do que o da Ferrari


Na sexta-feira (6), Gene Haas comentou sobre as suas perspectivas para a temporada de 2016 de Fórmula 1. O dono da Haas F1 Team assegurou que o time de Kannapolis deve ter um chassi melhor do que o carro da sua fornecedora de motor V6 Turbo, a Ferrari.


“Eu acho que os nossos chassis devem ser bem diferentes do que os da Ferrari”, citou Gene Haas para a revista britânica ‘Motorsport’. “Isso acontece porque estamos os fazendo de forma separada”, explicou. “Ainda há muito o que fazer, mas, as nossas análises de computador nos garantem que podemos ter um grande carro. Acho que ele pode ser melhor do que o da Ferrari”, garantiu. Gene também elogiou o trabalho da Dallara na construção do chassi da Haas F1 Team. Ele também revelou que além do motor V6 Turbo, a equipe americana também deve aproveitar o sistema de escape, suspensão e caixa de câmbio do time de Maranello. “A estrutura que a Dallara está construindo é algo acima do que nós esperávamos”, respondeu. “Eu não sei o quanto os outros equipamentos da Ferrari podem melhorar no nosso desempenho. Mas estamos confiantes para o campeonato do ano que vem”. Para a temporada de 2016, a Haas vai contar com Romain Grosjean e Esteban Gutiérrez como a sua dupla de pilotos. O lançamento da máquina americana está marcada para acontecer em fevereiro, uma semana antes do início da pré-temporada do ano que vem. 

Doleiro reafirma que pagou R$ 1 milhão para a campanha da senadora petista Gleisi Hoffman



O doleiro Alberto Youssef, peça central da Operação Lava Jato, reafirmou em depoimento à Justiça Federal no Paraná, na sexta-feira, 6, que por indicação do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa (Abastecimento), efetuou repasses de dinheiro desviado de contratos de empreiteiras com a estatal também a políticos do PT e do PMDB. "Na campanha de 2010, Paulo Roberto Costa me indicou que fizesse um pagamento de um milhão de reais para a campanha da Gleisi (Hoffmann, PT-PR), na época para o Senado, e também indicou alguns pagamentos ao deputado Vaccarezza (Cândido Vaccarezza, PT) em São Paulo e indicou pagamentos para o, na época, candidato a senador Valdir Raupp, do PMDB", afirmou. Youssef fez esta declaração ao ser indagado pela Procuradoria da República se fazia repasses a políticos de outros partidos, além do PP, agremiação que colocou Paulo Roberto Costa na direção de Abastecimento, área estratégica da companhia. O doleiro depôs como testemunha arrolada pela acusação na ação penal contra o ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu (Governo Lula), o ex-diretor de Serviços da Petrobrás, Renato Duque, e contra o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, todos alvos da Pixuleco I, desdobramento da Operação Lava Jato. Os três réus estão presos em Curitiba. O Ministério Público Federal atribui a Dirceu, a Duque e a Vaccari crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Youssef fez delação premiada. Como delator é obrigado a depor em todas as ações penais da Lava Jato. Ele disse que começou a operar propinas na Petrobras entre 2005 e 2006, por meio do ex-deputado José Janene (PP-PR), morto em 2010. Na audiência, o doleiro disse que Paulo Roberto 'direcionava de algumas obras valores para o PMDB'. "Aí o operador não era eu, era outro, no caso ele dizia que era o Fernando Baiano. E também ajudou algumas pessoas do PT e aí fez por intermédio de minha pessoa", disse Youssef. O sr. teve contatos com João Vaccari?, questionou o procurador da República. "Eu já tive alguns encontros com Vaccari Neto, mas eu nunca discuti esse tipo de assunto com ele. Eu fiz pagamento a pedido da Toshiba que dizia que o endereçado final era o João Vaccari Neto. No caso, o primeiro momento foi a cunhada dele que retirou no meu escritório. No segundo momento, um funcionário meu levou isso para o funcionário da Toshiba, na porta do partido em São Paulo. Ele entregou para o funcionário da Toshiba prá que ele entregasse. Mas eu, diretamente, nunca entreguei nada ao Vaccari e também nunca discuti esse assunto com ele". Segundo o doleiro, o pagamento foi vinculado à Petrobras: "Sim, uma obra da Toshiba no Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro). Teve pagamento para o PP e para o PT, esses dois pagamentos quem fez foi eu". O procurador perguntou se Vaccari 'recebeu em nome do partido'. "Sim," disse Youssef.  Recursos em espécie? "Sim." "Lembra a quantia?" "Acho que R$ 400 mil por vez", respondeu. "Tem conhecimento de outros recebimentos em obras da Petrobras?", perguntou o procurador. "Ouvi dizer que ele (Vaccari) era o arrecadador do partido dentro da Petrobrás." "Ele (Vaccari) ficava vinculado a qual diretoria?", indagou. "Diretoria de Serviços, ao diretor (Renato) Duque", respondeu Youssef. Segundo o doleiro, "todo mundo dizia que o Duque foi indicado pelo Zé Dirceu, mas é de ouvir dizer". "Eu ouvia dizer isso do Paulo Roberto e no meio empresarial, sim. Comentavam. O Gérson Almada (empreiteira Engevix), o Ricardo Pessoa (UTC Engenharia), o Eduardo Leite da Camargo Corrêa, praticamente a maioria deles". O doleiro disse que se reunia com os empresários, individualmente, "se reunia em hotéis, nas empresas". Também se reunia com os empreiteiros em seu escritório, em São Paulo. Youssef reafirmou que 1% sobre o valor dos contratos da Diretoria de Abastecimento era destinado a políticos e a partidos. Ele falou sobre a relação com o executivo Júlio Camargo, que também fez delação premiada e afirmou ter sido pressionado pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ) por uma propina de US$ 5 milhões, em 2011. "Eu operava alguma coisa de caixa 2 para ele (Camargo), em decorrência de obras da Petrobras. Ele tinha que fazer pagamentos para essas pessoas, tanto pela Diretoria de Abastecimento quanto pela Diretoria de Serviços. Às vezes ele comentava que pagava pro Barusco (Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Diretoria de Serviços), para o Duque, ele comentava". O procurador perguntou ao doleiro delator se ele sabia de "alguma conexão (de Júlio Camargo) com o PT". "Eu sei que tinha um bom relacionamento, se relacionava bem com José Dirceu, com o partido. Eu acho que ele tinha um bom acesso no PT. Às vezes deixava escapar uma coisa aqui, outra ali, pude perceber que ele tinha um bom acesso no PT, falava que ia a reuniões em Brasília. Às vezes deixava escapar". O procurador perguntou ao delator sobre o relacionamento de Júlio Camargo com José Dirceu. "Eu tinha conhecimento que José Dirceu voava na aeronave do Júlio Camargo. Várias vezes eu o ouvi comentar."  O procurador insistiu: "Voava? Eram sócios? De que forma ressarcia os valores?" Youssef respondeu: "Não sei dizer se ele ressarcia, eu ouvia dizer que ele era sócio na aeronave, mas não sei se é verdade, não posso afirmar. Uma vez ouvi o Júlio dizer que chegaram inclusive a desfazer a sociedade. Uma vez ele (Júlio Camargo) deixou escapar sim, me parece que a sociedade foi dissolvida."  "O sr. sabe se José Dirceu recebia valores decorrentes de contratos com a Petrobras?", indagou o procurador. O doleiro citou Bob, como é conhecido Roberto Marques, antigo braço direito do ex-ministro da Casa Civil que chegou a ser preso na Pixuleco. "Nunca fiz nenhum pagamento a ele (Dirceu), mas uma vez batendo conta com um funcionário do Júlio, o Franco, que cuidava das finanças do Júlio, apareceu na minha conta corrente um débito escrito 'BOB'. Eu falei para ele 'esse débito não é meu'. Ele arrancou da minha conta corrente e falou 'realmente é do Zé Dirceu', deixou escapar." O juiz federal Sérgio Moro também fez perguntas ao doleiro delator: "O sr. ouviu dizer que João Vaccari recebia os valores para o PT, é isso?" Youssef respondeu: "Sim, ouvi dizer, tanto dos empreiteiros quanto do PP, dos líderes do PP, quanto do próprio Paulo Roberto Costa." O juiz perguntou ainda qual o motivo de as empreiteiras pagarem a propina. "Era questão do jogo, era institucional."

Empresários de refeições coletivas buscam saídas para crise


Nos últimos meses, os empresários de refeições coletivas viram o preço dos alimentos alavancar. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas (Aberc) mostram que o setor teve uma queda entre 8% e 10%, se comparado ao ano passado, quando fornecia todos os dias 12,2 milhões de refeições. Para um dos maiores especialistas em Food Service do País, Enzo Donna, quem não se preparou para novas oportunidades, para criar outros tipos de serviço, passa por grandes dificuldades. As tendências do setor de refeições coletivas para o próximo ano foram debatidas no 3º Seminário Nacional de Refeições para a Coletividade da Região Sul (Senarc), realizado, na última quinta-feira, 5, na Vila Germânica, em Blumenau. O mercado de refeições industriais não está muito otimista devido ao momento econômico. No entanto, a terceirização da alimentação escolar nas escolas estaduais em Santa Catarina, fornecida pelas empresas Nutriplus e Grupo Risotolândia, foi bastante elogiada pelos órgãos públicos que gerenciam o serviço. Segundo Donna, 2016 não será um ano tão difícil quanto 2015, mas ainda assim serão dias complicados para os empresários. “Em 2017 esperamos que a situação melhore, mas dependemos de uma solução política. Sem a resolução do problema político, não tem solução econômica. Isso está mais do que claro”, disse. Entre as saídas para reduzir gastos, o chef Alexandre Bressanelli sugere o controle do desperdício. “Diariamente são jogadas no lixo 15% da produção de alimentos. É um número assustador. Por isso é necessário ter uma oferta de produtos assertiva. Fazer uma pesquisa com os clientes e colaboradores para saber o que é bem consumido e o que não é aceito. Assim, o corte não será de pessoas ou custos precisos, mas de desperdício, aumentando a produtividade sem descuidar da qualidade". O reconhecimento da qualidade das refeições foi feito durante o 3º Seminário Nacional de Refeições para a Coletividade da Região Sul, realizado em Blumenau. O evento também falou dos desafios que os empresários de alimentação industrial devem enfrentar no próximo ano. O diretor de apoio ao estudante da Secretaria de Estado da Educação, Osmar Matiola, participou do evento e afirmou que o processo de terceirização da merenda escolar já está consolidado no Estado. Ele disse que são servidas 380 mil refeições por dia, nas 1100 escolas estaduais e o número cresce a cada dia. Entre as vantagens, segundo ele, estão a qualidade e a segurança alimentar das refeições servidas. “Com a presença das empresas especializadas a gente consegue atender com muito mais segurança todos os alunos, inclusive os que têm restrições alimentares, como por exemplo, os celíacos, os diabéticos e os intolerantes a lactose. As empresas fornecem um cardápio individualizado para essas pessoas sem perder a interação com os demais estudantes, assegurando a qualidade nutricional a todas igualmente”, justificou. A secretária de Educação de Blumenau, Helenice Glorinha Machado Luchetta, destaca que um dos fatores positivos pró terceirização da alimentação é a qualidade do que será consumido. “A alimentação é um fator básico para a garantia da saúde. Por isso, a terceirização da merenda com uma empresa que tem equipe especializada, nos dá a garantia de qualidade e segurança alimentar. Todo o cardápio é acompanhado por nutricionistas que sabem exatamente as quantidades indicadas de cada ingrediente para uma alimentação saudável e dentro dos padrões considerados ideais”, pontua.

STF proíbe atendimento particular em hospitais públicos de Santa Catarina


Médicos estão proibidos de utilizar as dependências dos hospitais públicos para atender pacientes particulares em Santa Catarina. A determinação foi dada na última terça-feira pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, e reverte decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que autorizava internações de gestantes em caráter particular na Maternidade Dona Catarina Kuss, em Mafra. Antes, as pacientes podiam ser atendidas pelos seus médicos privados no local. Lewandowski acatou os argumentos da Procuradoria Geral do Estado e destacou que "utilizar unidade pública de saúde para atendimento privado teria apenas o objetivo de permitir que os médicos cobrem valores elevados pelos serviços prestados, com a garantia de atendimento diferenciado às pacientes particulares". Segundo Lewandowski, não é possível a caracterização de ofensa ao direito à saúde dos pacientes, como alegavam os profissionais da saúde na ação judicial, uma vez que há leitos disponíveis na maternidade pública para atendimento pelo SUS. "Do mesmo modo, penso não existir violação ao exercício profissional, já que os médicos, alguns concursados, integram o quadro de funcionários da maternidade pública e podem exercer livremente sua profissão pela prestação de serviços via SUS", afirmou o ministro, na decisão. A liminar que permitia a atuação dos médicos particulares na maternidade pública foi concedida pela 2ª Vara Cível da Comarca de Mafra e confirmada pela 3ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, após analisar recurso da procuradoria estadual. O Estado, então, recorreu ao STF que, nesta semana, concedeu a liminar, suspendendo os efeitos da medida concedida em primeira e segunda instância. 

Odebrecht vence contrato de US$ 800 milhões para transmissão de energia em Angola


A Odebrecht informou na sexta-feira que obteve um contrato de 797 milhões de dólares para construir linhas de transmissão de energia em Angola. O projeto, ligado ao Aproveitamento Hidrelétrico de Laúca, prevê a implantação de 754 quilômetros de linhas de transmissão de extra-alta tensão, implantação de quatro novas subestações e ampliação de outras seis subestações. Segundo a companhia, a hidrelétrica, também construída pela Odebrecht, será responsável pela produção de 2.067 MW de energia. A hidrelétrica e a operação da primeira unidade geradora estão previstas para julho de 2017.

Moro desmembra parte de ação que envolve ex-executivo da Odebrecht

Celso Araripe vai responder em processo separado dos demais
O juiz federal Sérgio Moro desmembrou parte de uma das ações penais a que respondem executivos e ex-executivos da Odebrecht na Operação Lava Jato. Paulo Boghossian, ex-executivo da empreiteira, Celso Araripe e Eduardo Freitas Filho vão responder pelos crimes que foram acusados em processo diferente do que responde, por exemplo, o presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht. No despacho, o juiz considerou que os crimes imputados aos três não tem relação com os demais contratos da Odebrecht com a Petrobras denunciados pelo Ministério Público Federal. Segundo Moro, a medida se justifica ainda pois, ao contrário de outros réus do processo, os três respondem ao processo em liberdade. Boghossian, Araripe e Freitas Filho são acusados de irregularidades em contrato da Petrobras com um consórcio do qual a Odebrecht fazia parte para construção do prédio sede da estatal em Vitória (ES). A denúncia diz que 1% do valor do contrato seria pago em propina para a Diretoria de Serviços, e R$ 3 milhões a Celso Araripe. Araripe era o gerente do empreendimento pela Petrobras, e foi acusado de corrupção passiva e lavagem de capitais. Paulo Boghossian é ex-executivo da Odebrecht e foi denunciado por organização criminosa, corrupção ativa, e lavagem de capitais. Já Eduardo Freitas Filho é sócio-gerente da empreiteira Freitas Filho Construções e responde por lavagem de dinheiro. Os demais contratos da Odebrecht investigados no mesmo processo são relacionados à Diretoria de Abastecimento, então comandada por Paulo Roberto Costa. “Quanto à Diretoria de Serviços e Engenharia, (...) o acusado Pedro Barusco, declarou que, embora tenha solicitado propina no referido contrato, ela não chegou a ser paga pela Odebrecht”, considerou Moro. Ainda com relação à Odebrecht, o juiz apontou que a obra, ao contrário das demais, não pertencia à área da Odebrecht Plantas Industriais, ocupada por outros executivos acusados no processo. Mesmo com o desmembramento, a nova ação penal segue sob o comando de Sérgio Moro. As futuras sentenças, porém, já não estão mais relacionadas.

Veja conta como foi a festa de casamento na qual confraternizaramTeori e advogados da Lava-Jato


Numa reportagem de cinco páginas e com direito a chamada (pequena) na capa, a revista Veja conta na edição deste final de semana que o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, confraternizou em uma festa no Ceará com advogados, políticos e lobistas com interesse direto em suas decisões no processo. O repórter Rodrigo Rangel pergunta com propriedade: "Isso o torna suspeito para continuar na relatoria? Veja abre o material com a reprodução de uma história que já era conhecida, mas que se encaixa na pergunta feita por Rodrigo Rangel: "Numa reunião no escritório do advogado Eduardo Ferrão, presentes entre outros o ex-ministro Gilson Dipp, tudo para analisar como atacar a Lava-Jato, quando um dos presentes avisou: "Eu ouvi do Teori que, se ele fosse juiz do TRF, os presos já estariam todos soltos, porque as prisões são ilegais". A revista revela esta semana que, na semana passada, uma festa realizada num resort do Ceará (Veja publicou até a foto da habitação ocupada por Teori) reuniu muitos dos personagens que estiveram na reunião comandada por Eduardo Ferrão. Na festa do casamento do filho de Ferrão, estavam ele próprio, mais Nelson Jobim, tido como o substituto de Márcio Thomaz Bastos na defesa dos empreiteiros, e até José Sarney, cuja filha é investigada em Curitiba. Jobim é o principal estrategista dos adversários da Lava-Jato. Com eles também estavam o ex-ministro Cesar Asfor Rocha, que arquivou o inquérito Castelo da Areia, e a ex-ministra Ellen Gracie, contratada pela Petrobrás para acompanhar o caso da Lava-Jato. Nos Estados Unidos, lembra Veja, um ministro que mantivesse este tipo de convivência em processo rumoroso, estaria impedido de falar no caso. Seus repórteres questionaram Teori, que mandou dizer que pagou as despesas de viagem e hospedagem e que não falaria sobre sua "vida pessoal". A revista ouviu juristas e advogados sobre o caso e todos consideraram que no Brasil as relações pessoais entre juízes e advogados são comuns e não contaminam processos. Há controvérsia.

Portos receberam menos de um terço dos investimentos previstos para 2015

O primeiro leilão de arrendamento portuário deve acontecer no início de dezembro. A iniciativa é parte da segunda fase do Programa de Investimentos em Logística do governo federal. Por enquanto, com a alta do dólar, a movimentação no setor portuário cresceu devido às commodities. Apesar disso, os investimentos em portos somaram apenas R$ 209,3 milhões. O valor representa 27,5% das aplicações em obras e serviços previstas para o ano.


A execução orçamentária poderia ser ainda menos representativa. A previsão era que R$ 1 bilhão fosse aplicado nos portos em 2015. O montante já era menor do que o previsto no ano passado, quando foram autorizados investimentos de R$ 1,4 bilhão. No entanto, atualmente, R$ 761,7 milhões constam como orçamento para obras e compra de equipamentos. Os valores se referem às sete Companhias Docas controladas pela Secretaria de Portos e a uma companhia subordinado ao Ministério dos Transportes no período de janeiro a agosto de 2015. Do montante investido no primeiro quadrimestre, 70%, ou R$ 147,5 milhões foram aplicados pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). A empresa, responsável pela administração do Porto de Santos, tem dotação autorizada de R$ 213,5 milhões. Do total investido, R$ 63,5 milhões foram para as obras de adequação do cais para terminal de passageiros, no Porto de Santos. O investimento é um dos legados da Copa 2014, que objetiva atendimento adequado ao embarque e desembarque de passageiros e tripulantes, além da atracação de navios e movimentação de carga. Até o fim do ano, R$ 78 milhões estão previstos para aplicações na iniciativa. A Secretaria de Portos investiu R$ 31,7 milhões na Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) durante o primeiro semestre. O valor representa 36,2% do total autorizado para as aplicações na empresa – R$ 86,7 milhões. O principal empreendimento da empresa, “construção de cais na região dos Dolfins do Atalaia, no porto de Vitória, no Espírito Santo”, recebeu R$ 27,6 milhões, valor que representa 62% do autorizado para as obras – R$ 44 milhões. A iniciativa consiste na construção de cais contínuo com 270 metros e área primária de 10 mil metros quadrados, para atracação de navios para movimentação de cargas gerais na região denominada como Dolfins do Atalaia. A terceira empresa que mais recebeu investimentos da União no período foi a Companhia Docas do Ceará (CDC). Foram investidos R$ 10,5 milhões na estatal, o equivalente a 25,78% do valor autorizado para o ano – R$ 41,1 milhões. No primeiro leilão, que deve acontecer no dia 9 de dezembro, serão licitadas três áreas no Porto de Santos (SP) e uma em Vila do Conde (PA). Os editais de licitação dos arrendamentos foram publicados e a operação será realizada na sede da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e as empresas vencedoras terão direito a explorar os terminais pelo prazo de 25 anos. Os investimentos estimados nas quatro áreas são de R$ 1,1 bilhão. Em Santos, o investimento previsto soma cerca de R$ 640 milhões, sendo R$ 297 milhões no terminal de Ponta da Praia (cargas de grãos), R$ 200 milhões em Paquetá (celulose) e R$ 144 milhões em Macuco (celulose). Nos dois últimos, a movimentação de celulose deverá atingir 3,6 milhões de toneladas. Em Ponta da Praia, espera-se a movimentação de 6,5 milhões de toneladas de grãos. Também voltado ao transporte de grãos, o Porto de Vila do Conde tem investimento estimado em R$ 501 milhões. Nos quatro terminais a serem leiloados, o aumento da capacidade de movimentação virá acompanhado de ganhos econômicos e sociais nas respectivas regiões de influência. Serão gerados novos empregos e haverá ganhos de produtividade a partir da utilização de equipamentos modernos e eficientes, que também minimizarão o impacto no meio ambiente. No início de outubro, o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Nelson Barbosa, já havia confirmado a intenção do governo de leiloar os primeiros arrendamentos de terminais portuários ainda em 2015. Em 30 de setembro, o Tribunal de Contas da União (TCU) liberou os leilões das oito primeiras concessões, pela modalidade de outorga. Além dos quatro terminais cujos editais foram publicados no último dia 26, outros quatro terminais de grãos – três em Outeiros e um em Santarém, no Pará – passaram pelo aval da corte de contas e devem ser lançados em breve. A nova Lei dos Portos, em vigor desde junho de 2013, permitiu o aumento do investimento em terminais privados sem exigência de carga própria. Também estabeleceu as diretrizes para a licitação de novos arrendamentos e a renovação dos já existentes, com o objetivo de modernizar e aumentar a capacidade dos terminais portuários, conferir escala competitiva e reduzir os custos para atender a demanda por movimentação de carga. Já foram investidos mais de R$ 19 bilhões sob a nova lei, na autorização, construção e expansão de Terminais de Uso Privado (TUP) e em prorrogações antecipadas de arrendamentos existentes. Desde o anúncio da segunda fase do PIL, em junho de 2015, foi autorizada a construção de cinco novos TUPs e uma expansão de TUP existente, que somam R$ 2,9 bilhões em investimentos. A etapa de concessões portuárias do PIL prevê um total de R$ 37,4 bilhões em investimentos e inclui 50 novos arrendamentos (R$ 11,9 bilhões), 63 novas autorizações para TUPs (R$ 14,7 bilhões) e renovações antecipadas de arrendamentos (R$ 10,8 bilhões). 

Governo tenta conter aumento no preço de remédios


Apesar de pregar um discurso de previsibilidade, o governo trava uma batalha com a indústria farmacêutica, que vive indefinição sobre os preços de medicamentos que serão praticados no ano que vem. Mais uma vez, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) não divulgou o fator de produtividade ou fator X da indústria, variável essencial para o cálculo dos reajustes que serão feitos em março de 2015 e necessários para a realização do orçamento de 2016. A indústria ameaça ir à Justiça. O fator, que é calculado pela Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, teria de ser divulgado em setembro para que as empresas conseguissem fazer cálculos básicos de planejamento para o ano seguinte. Mas o governo não tem respeitado a regra. Em resposta, o presidente da Sindusfarma, Nelson Mussolini, afirmou que o sindicato entrará com uma notificação judicial para que o fator seja divulgado rapidamente e, caso contrário, quer considerar fator de produtividade zero - de forma que os medicamentos serão reajustados pela inflação: "O governo está descumprindo norma que ele mesmo fez". O discurso da transparência e previsibilidade foi empregado pelo presidente da Cmed, Leandro Safatle, quando apresentou aos industriais a proposta de divulgação em setembro. O fator X é calculado com base em números específicos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do setor. Esses dados não são públicos e a série não fica disponível para que a indústria possa realizar cálculos. Algumas empresas multinacionais do setor estão com dificuldade de apresentar à matriz as explicações para a demora, já que o governo não apresenta uma justificativa oficial para o atraso. Nem o Ministério da Fazenda nem a Anvisa se manifestaram até hoje. 

Paraguai é “rota de fuga” para empresas brasileiras


O desenvolvimento da economia paraguaia por meio de investimentos industriais, tem sido tema de destaque na imprensa brasileira. Os investimentos com capital brasileiro no Paraguai já somaram 403 milhões de dólares nos últimos três anos. O país vizinho vem sendo tratado como “a rota de fuga” das empresas brasileiras que procuram benefícios fiscais, baixo custa em energia e mão de obra. Entre as maiores empresas de capital estrangeiro estão as Camargo Correa, JBS, Riachuelo, Vale, Eurofarma e Buddemeyer. Deste modo, o Brasil é destacado como o país com maior volume de investimento no Paraguai. Entre os grandes empreendimentos estão o frigorífico da JBS, ainda em fase de construção na cidade de Concepción, com um investimento de 60 milhões de dólares e com expectativa de geração de 1.500 postos de trabalho. A fábrica Intecement, que tem como acionista a construtora Camargo Corrêa, tem um investimento de 150 milhões de dólares. Já a fábrica da Riachuelo, recém inaugurada, investiu 5 milhões de dólares em Assunção, empregando 300 funcionários.


O presidente do Grupo Empresarial Brasil-Paraguai, informou que em 21 anos de consultoria entre empresas brasileiras com interesse em investir no Paraguai, nunca houve tanto trabalho. “O Paraguai hoje é um grande polo de crescimento. Com menores custos, é um país estruturado para o trabalho que faz as empresas crescerem rapidamente”, disse.

Polo Naval de Rio Grande vive ressaca da Lava Jato

Os enormes galpões construídos à beira da Lagoa dos Patos, no Pólo Naval de Rio Grande, estão praticamente abandonados. Numa área equivalente a 56 campos de futebol, o mato e a ferrugem começam a esconder parte de um passado recente de grandes construções na cidade. Há bem pouco tempo, o local - que abriga o estaleiro QGI, antiga Quip - acolhia milhares de trabalhadores que chegavam de várias partes do Brasil para ajudar a erguer as grandes plataformas de petróleo nacionais. Hoje, só alguns vigias e técnicos de manutenção perambulam pelo estaleiro para garantir a segurança de equipamentos milionários. Criado em 2005, o QGI - da Queiroz Galvão e Iesa - foi o primeiro a construir plataformas em Rio Grande - cidade localizada a 317 km de Porto Alegre. Depois vieram EBR - Estaleiros do Brasil, da Toyo Setal; e Rio Grande, da Ecovix (braço naval da Engevix). Na época, o cenário de investimento crescente da Petrobrás prometia encomendas, pelo menos, para os próximos 20 anos. Nesse clima de otimismo, a cidade de Rio Grande viveu uma corrida de novos negócios. No auge das construções, em 2013, o pólo empregava 24 mil trabalhadores. Com o aumento da renda, a economia do município passou a crescer a uma taxa de 20% ao ano, conta o prefeito de Rio Grande, o petista Alexandre Duarte Lindenmeyer. "A partir de 2007, o orçamento da prefeitura triplicou, colocando o município como o quarto maior PIB (Produto Interno Bruto) do Estado. Mas, no meio do caminho, a Operação Lava Jato, que investiga corrupção em contratos da Petrobrás, atingiu em cheio a cidade. Com o envolvimento dos sócios dos estaleiros no escândalo, prisão dos executivos e proibição de novos contratos das empresas com a estatal, o período de bonança se converteu em projetos interrompidos, inadimplência e desemprego. "Os 20 anos se transformaram num fim de semana", afirma o presidente da Câmara de Comércio da Cidade de Rio Grande, Torquato Ribeiro Pontes Netto. Segundo ele, o clima de otimismo deu lugar a um forte sentimento de insegurança. Dos 24 mil trabalhadores de 2013, restaram cerca de 9 mil, afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas de Rio Grande, Benito de Oliveira Gonçalves. A maioria trabalha para a Ecovix, que está em dificuldade para continuar a atividade por falta de dinheiro e tem feito constantes demissões. Na EBR, a última unidade está sendo finalizada e não há previsão de novas encomendas. A redução na renda e na atividade dos estaleiros provocou um efeito cascata em Rio Grande. Sem demanda, outros estabelecimentos, como hotéis e restaurantes, ficaram ociosos e também passaram a demitir. "O comércio tem se deteriorado de forma acelerada. Em alguns setores, há queda de 50% nas vendas", afirma o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas do Rio Grande (CDL), Carlos André Pavão Xavier. Segundo ele, a alternativa tem sido fazer promoção para elevar o caixa, como é o caso do setor de vestuário e até mesmo restaurantes. O rodízio de carne, que no auge do pólo custava R$ 89, 00 agora sai por R$ 49,00. O setor hoteleiro, que há pouco tempo quase não tinha vaga para atender à demanda, hoje trabalha com 30% a 40% de ocupação, afirma Luiz Carlos Hilário, dono da rede Villa Moura, que tem quatro hotéis na cidade. Segundo ele, até cinco anos atrás, o setor tinha 1.500 leitos. Com o desenvolvimento do pólo naval, os empresários investiram pesado em novos estabelecimentos e o número de unidades saltou para 2.800. Há ainda 700 leitos em construção, mas alguns deles foram interrompidos com a piora da crise. Mesma trajetória ocorreu com investidores menores que apostaram na construção de alojamentos. Com a chegada de trabalhadores de vários Estados, casas de três quartos viraram abrigo para mais de 25 pessoas, que começaram a incomodar a vizinhança. "Tivemos casos de trabalhadores que dormiam em ônibus por falta de local apropriado", afirma Alexandre Hirata, presidente da Associação dos Proprietários de Alojamentos na cidade.  De repente, diante da oportunidade, a cidade ganhou 6 mil alojamentos. A construção de alguns deles só terminou depois da euforia dos estaleiros. "E agora? O que vou fazer com um alojamento?", questiona Maurice Bittar, que tem uma hospedaria vazia e faturas a receber. Ele não está sozinho nessa situação. Apenas entre as associadas da Câmara de Comércio, o calote dado pelas companhias que prestavam serviço no pólo naval é de R$ 16 milhões. Se incluir o setor industrial, o valor sobe consideravelmente. A Cimec, do empresário Sergio Brito, por exemplo, tem R$ 20 milhões a receber da Ecovix e deve outros R$ 2 milhões na cidade: "Fui convidado a investir para ser um fornecedor. Hoje, minha empresa está quebrada". A esperança de empresários e moradores de Rio Grande é um acordo entre a Petrobras e a QGI para construção da P-75 e P-77. No primeiro semestre do ano, as duas empresas romperam contrato por causa de um aditivo que a QGI exigia da estatal. Na sexta-feira, a informação que circulava em Rio Grande era de que esse acordo havia sido fechado. A Petrobras e a QGI não comentaram o assunto. A previsão inicial era de que a construção das duas plataformas criaria 4,5 mil empregos. Mas o novo arranjo pode empregar bem menos. Há uma expectativa de que boa parte do projeto seja feito fora do País. A QGI faria apenas a montagem. 

Valor de ativos à venda no Brasil chega a R$ 150 bilhões

O Brasil tem, neste momento, cerca de R$ 150 bilhões em ativos à venda, segundo cálculos feitos por bancos de investimentos. Mas nem todos os negócios disponíveis no mercado mudarão de mãos tão fácil. Parte desses ativos foi colocado à venda para dar maior liquidez às empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato, que investiga corrupção na Petrobras. Outra parte de desinvestimentos reflete o movimento de encolhimento de alguns grupos, que buscam, em momentos de crise, focar em seus principais negócios e vender ativos considerados não estratégicos. "Nem todos os ativos colocados à venda por conta da Lava Jato serão vendidos. Apesar de estar barato, investidores estrangeiros ficam mais criteriosos em fechar negócios no Brasil, sobretudo quando envolvem companhias que são reguladas pelo governo, como é o caso de energia, por exemplo", disse uma fonte do mercado financeiro. Mesmo assim, o setor de infraestrutura é o que mais deve receber aportes de capital internacional. O maior plano de desinvestimento em andamento é o da Petrobras. A estatal tem em pauta um ambicioso plano de venda de ativos, com estimativa de levantar US$ 15,1 bilhões em 2015 e 2016. A expectativa do mercado é que, ao fim desse processo, a Petrobras voltará a ser uma empresa de produção e exploração de petróleo. A CSN, altamente endividada, é outra empresa que colocou ativos à venda para focar em seus principais negócios: siderurgia e mineração. Hoje, o grupo também atua em logística, energia e cimento. Fontes afirmaram que o Tecon (Terminal de Contêineres), em Sepetiba (RJ), já está em negociações avançadas. A Usiminas é outra siderúrgica que planeja se desfazer de ativos para reduzir sua pesada dívida. Já a Vale vem reorganizando seu portfólio, com o intuito de manter os ativos mais geradores de caixa. Pesam contra as siderúrgicas e mineradoras o cenário adverso dos preços das commodities e excesso de produção global. Outro setor com problema estrutural é o sucroalcooleiro. Endividadas, as usinas buscam sócios ou venda de controle para ganhar fôlego.

Nova pesquisa aponta 86,5% de rejeição do Governo Dilma


A reprovação ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT) chegou ao patamar de 86,5%, segundo pesquisa divulgada na sexta-feira (6) pelo Instituto Paraná. Ainda de acordo com o levantamento, 11,1% aprovam a administração da petista, 2,4% não souberam o que dizer. A reprovação atinge o seu máximo, 90,1%, entre as pessoas de 25 a 34 anos, justamente quem está tentando se consolidar no mercado de trabalho. Ainda de acordo com o Instituto Paraná, caso as eleições presidenciais fossem hoje, Aécio Neves (PSDB) apareceria em primeiro lugar com 34,2% das intenções de voto e disputaria o segundo turno com Marina Silva (Rede) que aparece em segundo com 19,7%. O ex-presidente Lula ficaria em terceiro com 17,1%, seguido por Jair Bolsonaro (PTB) com 5,3% e Ciro Gomes (PDT) com 5,2%. Michel Temer (PMDB) e Ronaldo Caiado (DEM) tiveram apenas 1,5% e 1%, respectivamente. Cerca de 8,5% dos eleitores disseram que não votariam em nenhum dos candidatos e 7,5% não souberam responder. Num outro cenário, se o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, fosse o candidato do PSDB, Marina Silva lideraria com 24,3% contra 22,6% do tucano. Lula continuaria em terceiro com 18,2%, seguido por Ciro Gomes (6,1%) e Jair Bolsonaro (5,7%). Temer e Caiado teriam 1,6% e 1,4%, respectivamente. Nesse cenário, 10,7% dos eleitores não votariam em nenhum dos candidatos citados e o número de indecisos subiria para 9,4%. Caso o candidato do PSDB fosse o senador José Serra, ele apareceria em primeiro com 25,5% dos votos contra 23,8% de Marina Silva. Lula ficaria em terceiro com 17,7%, seguido por Ciro Gomes (6%) e Bolsonaro (5,8%). Temer e Caiado apareceriam com 2% e 1,4%, respectivamente. Outros 9,8% não votariam em nenhum deles e 8% não souberam dizer em quem votariam. O Instituto Paraná ouviu 2.085 eleitores em 170 municípios de 23 estados entre os dias 28 de outubro e 2 de novembro. Houve checagem simultânea de 19,95% das entrevistas e o grau de confiança do resultado é de 95%. A margem de erro é de 2% para mais ou menos. 

Depois do escândalo, a italiana Marisa Letícia, a "galega" do Lula, desiste do triplex construído pela Bancoop e decorado pela OAS


A mulher do ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista, durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações"), a italiana Marisa Letícia, conhecida como Rainha do Botox do ABC, desistiu de ficar com um apartamento triplex na praia das Astúrias, no Guarujá (SP), construído e comercializado pela empreiteira OAS, segundo a assessoria do petista. A italiana Marisa Leticia visitou o condomínio algumas vezes, já que tinha a opção de compra do imóvel, mas vai pedir por meio de seus advogados que a OAS devolva o valor que ela investiu na fase de construção do prédio, informou a assessoria. Lançado pela cooperativa habitacional Bancoop, o empreendimento foi transferido para a OAS em 2009 após a cooperativa entrar em crise financeira. O Ministério Público de São Paulo afirma que o rombo nos cofres da Bancoop ocorreu em razão de desvios promovidos por ex-dirigentes da cooperativa, entre eles o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, preso na operação Lava Jato sob a acusação de intermediar propinas ao PT resultantes do esquema de corrupção na Petrobras. A OAS também é acusada na Lava Jato por supostamente ter pago suborno para obter vantagens em contratos da estatal de petróleo. A empreiteira diz que não cometeu delitos. Lula e Marisa passaram a cogitar desistir da aquisição do imóvel no fim do ano passado, quando o triplex ganhou visibilidade na imprensa. À época, corretores locais avaliavam que o preço do imóvel seria de R$ 1,5 milhão. Na eleição de 2006, Lula informou à Justiça Eleitoral ter pago à Bancoop R$ 47.695,38 pelo apartamento. A assessoria de Lula informou que o investimento da italiana Marisa Letícia durante a fase de construção do prédio continuou até 2010, mas não informou o total despendido para garantir a opção de compra da unidade. Com a decisão de agora, a italiana Marisa Letícia vai pedir a devolução dos valores pagos durante a fase de construção do condomínio nas mesmas condições oferecidas aos cooperados da Bancoop que desistiram do negócio, segundo a assessoria de Lula. O condomínio no Guarujá é constituído por duas torres com quatro unidades por andar e é localizado na avenida da praia das Astúrias, no Guarujá. O triplex fica no 16º andar, de frente para o mar. Tem área de 297 m², sala com varanda e uma piscina de 3 m x 4 m e 80 cm de profundidade. Em outubro a revista "Veja" informou que a OAS pagou por benfeitorias no triplex, entre elas a instalação de um elevador privativo. A OAS informou que o triplex ainda não foi vendido e ainda pertence à construtora. Sobre as obras na unidade, a construtora afirmou que "apenas foram feitas obras para decorá-lo, instrumento de venda usual no mercado e adotado pela empresa em vários de seus empreendimentos".