sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Dilma foi eleita com campanha do medo, diz vice eleita da Argentina

A vice-presidente eleita da Argentina, Gabriela Michetti, disse na quinta-feira (26) que "no Brasil, Dilma Rousseff ganhou a eleição usando uma campanha do medo". Michetti respondia a pergunta dos jornalistas Julio Blanck e Eduardo Van der Kooy no programa "Código Político", do canal pago TN, pertencente ao Grupo Clarín.
 

A vice-presidente eleita comentava o fato de que o candidato governista Daniel Scioli utilizou uma tática mais agressiva nas últimas semanas antes do segundo turno, dizendo que a eleição de Mauricio Macri poderia significar o fim dos planos sociais e a volta das privatizações. "Serviu para Scioli crescer um pouco e diminuir a diferença de votos, mas não foi o suficiente", disse Michetti. E então acrescentou: "Uma campanha baseada no medo sempre funciona, porque a pior emoção que sentimos é o medo. Principalmente por não sabermos de onde viemos nem para onde vamos, o medo é algo sempre presente e uma estratégia baseada nisso sempre funciona. Dilma Rousseff ganhou a eleição no Brasil assim". Michetti ainda criticou o modo como a presidente peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner vem encarando a transição de governo. Na terça-feira (24), em um encontro a portas fechadas de Cristina com o presidente eleito, não foram tratados temas que ele considera urgentes, como a mudança de alguns funcionários e as primeiras medidas econômicas. "Teria sido melhor que essa transição fosse mais clara, como se faz em outros países", concluiu.

Banco Central informa que crédito encolhe e inadimplência e juros sobem em outubro


O estoque de crédito concedido pelo sistema financeiro a famílias e empresas encolheu 0,1% em outubro e alcançou em 12 meses expansão de 8,1%, abaixo da inflação de mais de 10% no período. Os dados divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Banco Central mostram ainda aumento da inadimplência e das taxas médias de juros para todos tipos de clientes. A taxa média de juros no crédito ao consumo para as famílias alcançou 64,8% ao ano no mês passado. O número é novo recorde para a série iniciada em março de 2011. Há um ano, estava em 50,6% ao ano. A inadimplência encerrou o mês em 5,8%, acima do piso de 5,2% alcançado em março deste ano. Nesse segmento, o estoque cresceu 0,1% no mês e 3,3% em 12 meses. Entre as principais linhas, a taxa média de juros no rotativo do cartão de crédito caiu de 414% ao ano em setembro para 406% em outubro. Um ano antes, a taxa estava em 320% ao ano. Essa é a linha mais caras entre as principais modalidades de crédito para o consumo. A taxa média do cheque especial subiu e fechou o mês passado em 278% ao ano, segundo o Banco Central. Esse é o maior valor desde junho de 1995, quando estava em 284% ao ano. A alta dos juros nestas modalidades acompanha o comportamento geral das taxas bancárias, que subiram com o aumento da taxa básica (Selic) promovido pelo BC desde o ano passado e dos juros de mercado nos últimos meses. Por serem linhas de maior risco, no entanto, a alta de juros do rotativo e do cheque são maiores. A menor demanda por crédito e as restrições colocadas pelo sistema financeiro também ajudaram a derrubar a liberação de novos empréstimos. A média diária de concessões recuou 2,7% no crédito livre e 11,3% no subsidiado, considerando tanto empresas como consumidores. Na comparação com o PIB (Produto Interno Bruto), o estoque de crédito alcançou o pico de 55,1% em setembro de 2015, segundo dados revisados pelo BC, e está agora em 54,7% (R$ 3,16 trilhão). O crédito para empresas recuou 0,9% nas modalidades com taxas de mercado e 0,2% nos empréstimos com subsídios. Nos dois casos, o Banco Central cita a influência do câmbio sobre o crédito com recursos em moeda estrangeira. A inadimplência da pessoa jurídica subiu nos últimos 12 meses de 3,6% para 4,3%, no crédito livre, e de 0,5% para 0,8% no direcionado. A taxa média de juros passou de 24,3% para 30,2% ao ano no primeiro caso. Nos empréstimos com subsídios, subiu de 7,6% para 11,1% ao ano, influenciada pelo aumento das taxas do BNDES.

Justiça polonesa rejeita em definitivo a extradição do cineasta Roman Polanski para os Estados Unidos

A Justiça polonesa rejeitou em definitivo o pedido de extradição americano de Roman Polanski, acusado de ter estuprado uma menor de idade em 1977. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (27) pela promotoria de Cracóvia, que desistiu de apelar da decisão em primeira instância favorável ao cineasta polonês-francês. A análise dos motivos da decisão dos juízes "permite reconhecer como justificada a decisão do tribunal regional de Cracóvia de rejeitar a entrega de Polanski às autoridades americanas", afirma um comunicado da promotoria. "Isto encerra os procedimentos judiciais contra Polanski e sua situação legal é similar á que tem na Suíça", disse Jerzy Stachowicz, um dos advogados do cineasta. 


O procurador-geral, no entanto, tem um prazo de seis meses para anular a decisão da promotoria de Cracóvia. Caso isso não seja feito, o ministro polonês da Justiça deve comunicar a decisão do tribunal às autoridades americanas. O novo ministro da Justiça, o conservador Zbigniew Ziobro, já se pronunciou no passado a favor da extradição de Polanski. "Deveríamos autorizar a extradição de Polanski. Não podemos proteger ninguém de sua responsabilidade por um ato tão odioso como o de ter abusado de uma menor", declarou Ziobro. "O tribunal de Cracóvia determinou a inadmissibilidade da extradição aos Estados Unidos do cidadão polonês e francês Roman Polanski", afirmou o juiz Dariusz Mazur. O juiz leu o veredicto, extremamente crítico em relação à Justiça dos Estados Unidos, que "violou gravemente as regras do 'julgamento justo'". "Se a Polônia tivesse aceitado o pedido americano de extradição, teria violado os direitos de Polanski e, ao mesmo tempo, a Convenção Européia dos Direitos Humanos", disse Mazur. Os Estados Unidos solicitaram em janeiro a extradição do diretor. O cineasta, que dirigiu filmes como "O Pianista" (2002) e "Chinatown" (1974), é acusado de violentar Samantha Geimer em 1977, quando ela tinha 13 anos, após uma sessão de fotos em Los Angeles. Polanski tinha 43 anos na época. Depois de passar 42 dias detido e ser libertado com o pagamento de fiança, o cineasta, que se declarou culpado por "relações sexuais ilegais" com uma menor, fugiu dos Estados Unidos em 1978 por temer uma condenação severa. Os advogados poloneses afirmam que o pedido de extradição não tem base legal porque o cineasta e a Justiça americana chegaram a um acordo para solucionar o caso.

Procurador garante que investigação internacional da Lava Jato avançará mais contra políticos

Preso por ordem do Supremo Tribunal Federal por tentar obstruir investigações, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) se tornou a 37ª pessoa com foro privilegiado a ser investigada na Lava Jato. A primeira prisão de um senador no exercício do cargo desde a redemocratização, em 1985, lançou luz sobre o que ainda poderá ser revelado na Lava Jato sobre políticos suspeitos de participação no esquema de corrupção na Petrobras. A depender das provas que chegam do Exterior, a investigação pode crescer, pois a teia da Lava-Jato apenas começa a avançar sobre os políticos que têm direito a responder no Supremo Tribunal Federal aos indícios de crimes. Segundo o secretário de Cooperação Internacional do Ministério Público Federal, Vladimir Aras, os pedidos de cooperação internacional envolvendo investigados com foro privilegiado ainda estão no início – foram cerca de cinco até o momento. "Tem muita coisa ainda. Esses pedidos (de cooperação internacional) tendem a aumentar. A Procuradoria Geral da República está começando a fazer os primeiros pedidos", disse o procurador regional da República. "Muita coisa se aproveita do que já veio do Exterior após pedidos feitos pela força-tarefa da operação em Curitiba, mas as investigações de foro que podem se desdobrar em investigações transnacionais estão começando agora. Isso sobre a parte que está em Brasília, e sem prejuízo da continuidade do caso em Curitiba", completou Aras. As informações que chegam do Exterior têm sido um dos principais pilares da Lava Jato, sobretudo na obtenção de provas, bloqueio e repatriação de recursos desviados dos cofres públicos. Foram 85 pedidos feitos pela força-tarefa a 28 países, R$ 402 milhões de recursos retornados ao País e outros R$ 943 milhões bloqueados no Exterior ligados ao caso. "A Lava Jato não existiria como ela é hoje sem cooperação internacional. Seria impossível, por exemplo, provar o encadeamento de condutas de vários ex-diretores da Petrobras e ter repatriado esses valores que já voltaram ao erário", afirmou Aras. Documentos enviados aos investigadores da Lava Jato pela Suíça ajudaram a revelar a estrutura que abastecia os quatro núcleos de corrupção na Petrobras: político, empresarial, administrativo (agentes públicos) e financeiro (operadores e lobistas). Em delação premiada, o ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, disse ter recebido propina de empreiteiras em contas na Suíça - o que se confirmou pelos dados enviados pelo país europeu. Ao rastrear milhares de movimentações bancárias sob suspeita de integrarem a rede de corrupção, o Ministério Público suíço identificou, por exemplo, contas atribuídas ao ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, e ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Nos Estados Unidos, a Lava Jato procura o rastro de pagamentos suspeitos feitos a empresas offshore (em paraísos fiscais) e a agentes públicos. Vinculada ao gabinete do procurador-geral da República, a Secretaria de Cooperação Jurídica Internacional é o setor do Ministério Público Federal que faz a ponte entre autoridades estrangeiras e procuradores e promotores de Justiça de todo o País. O procurador conta que a Lava Jato aumentou a demanda da secretaria, que conta com 40 funcionários, em 20%. "Se a Lava Jato fosse um Estado, seria o primeiro do País em número de pedidos (de cooperação internacional)", afirma Aras. A operação também começa a percorrer o caminho inverso da cooperação internacional, o da assistência passiva, quando autoridades estrangeiras pedem ao Brasil o cumprimento de alguma medida, como intimação ou obtenção de provas. Segundo Aras, países como Suíça, Estados Unidos, Itália e Peru já abriram apurações em seus países sobre possíveis conexões locais do esquema de corrupção na Petrobras. A ação da SCI na Lava Jato foi questionada pela defesa do ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, que atacou a legalidade de provas obtidas no Exterior para prendê-lo.  Em suma, Duque, detido em março deste ano, afirma que a Procuradoria teria driblado exigências legais para conseguir dados de suas contas bancárias na Suíça. Diz que documentos não teriam passado pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), órgão do Ministério da Justiça responsável, na maioria dos casos, pelos atos de cooperação jurídica internacional. Aras nega que o procedimento tenha sido ilegal. A veemência na negativa é compreensível – uma decisão que anulasse a troca de informações poderia comprometer todo o desenvolvimento da operação. Segundo ele, procuradores foram à Suíça no final de 2014, com conhecimento do DRCI, e voltaram com uma prévia das informações recebidas depois de maneira formal, algo que, segundo o Ministério Público Federal, é legal. "Estão procurando nulidade onde não houve. Houve um pedido formal, com ciência do DRCI, para que procuradores fossem à Suíça para analisar os autos. Documentos antecipados por urgência não foram usados no processo, e ainda que tivessem sido, bastaria substituí-los pelos originais. Só foram usados quando o juiz verificou a tramitação pelo canal formal", disse. Para o chefe da cooperação internacional do Ministério Público Federal, a defesa busca "apontar o particular para fugir da discussão que interessa: de quem é a conta, de quem é o dinheiro e para quê era o dinheiro".

Advogado de Cerveró acusado de obstruir Lava Jato é preso no Rio de Janeiro


O advogado Edson Ribeiro foi preso pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (27) no aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, ao desembarcar de um voo proveniente de Miami (EUA). Advogado do ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, Ribeiro é acusado de tentar obstruir a Justiça na Operação Lava Jato. O advogado era monitorado por policiais norte-americanos desde a quarta-feira (25), quando o Supremo Tribunal Federal emitiu ordens de prisão contra ele, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), um assessor e o banqueiro André Esteves. Nesta quinta-feira (26) foi feita a inclusão do nome dele no alerta vermelho da Interpol. Sua foto e nome já constavam no site da instituição na manhã de quinta-feira. O governo dos Estados Unidos chegou a cancelar o visto concedido a Ribeiro - medida padrão adotada pelo governo norte-americano em casos de brasileiros contra os quais há mandado de prisão expedido pela Justiça brasileira. Ele, no entanto, adquiriu uma passagem de Miami para o Rio de Janeiro. Um acordo entre a agência de imigração do governo dos Estados Unidos e a Polícia Federal brasileira permitiu que ele embarcasse rumo ao Brasil, onde foi preso nesta manhã ao chegar. Morador do Rio de Janeiro, o advogado estava nos Estados Unidos desde a semana passada, mas a cidade não foi divulgada pela Polícia Federal para não atrapalhar sua prisão. Como ele havia viajado antes da ordem de prisão, não era formalmente considerado foragido pela Polícia Federal. De acordo com áudio captado pelo filho do ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró e tornado público na quarta-feira (25), o advogado e o senador discutiram uma forma de retirar Cerveró da prisão por meio de influência política no Supremo Tribunal Federal e, depois, retirá-lo do país pelo Paraguai. Cerveró está preso em Curitiba (PR) por decisão do juiz federal Sergio Moro, responsável pela condução dos processos e inquéritos relativos à Operação Lava Jato. Na semana passada, integrantes do grupo de trabalho da Operação Lava Jato na Procuradoria Geral da República receberam um telefonema de outra advogada de Nestor Cerveró, Alessi Brandão. Na conversa, ela contou que havia a gravação da reunião com o senador tentando impedir a delação premiada do ex-diretor. A gravação fora feita pelo filho de Cerveró, Bernardo, por estar desconfiado que Edson Ribeiro estaria fazendo um "jogo-duplo" : atrapalhando o acordo de delação de seu pai para ganhar dinheiro de um acordo com Delcídio e excluir nomes da delação. Os procuradores se interessaram pelo material. No mesmo dia, a advogada Alessi Brandão pegou um avião e foi a Brasília encontrá-los, levando a gravação. Chegou por volta das 21 horas. Conversaram e ouviram a gravação, de uma hora e meia. Naquele dia, o expediente só se encerrou após a meia-noite na Procuradoria Geral da República. A conversa havia sido gravada por Bernardo no último dia 4 de novembro, em um quarto de hotel em Brasília. Contou com a presença do advogado Edson Ribeiro, do senador Delcídio e do seu chefe de gabinete, Diogo Ferreira, todos alvos de prisão. Antes da reunião, todos guardaram os celulares, para evitar gravações. Mas Bernardo havia levado um aparelho extra para conseguir gravar. No dia seguinte ao encontro na Procuradoria Geral da República (19), procuradores saíram de Brasília e foram até o Rio de Janeiro para obter um depoimento de Bernardo e até Curitiba para ouvir Cerveró. Ambos confirmaram a história. Depois, os procuradores passaram a preparar os pedidos de prisão.

Governo vai à Justiça cobrar R$ 20 bilhões da Samarco, Vale e BHP


O governo federal e os Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo vão entrar na próxima segunda-feira com uma ação na Justiça para cobrar 20 bilhões de reais das empresas responsáveis pelo rompimento da barragem em Mariana (MG). Além da Samarco, a ação também terá como alvo a Vale e a BHP Billinton. O anúncio da medida foi feito nesta sexta-feira, após a presidente Dilma Rousseff se reunir no Palácio do Planalto com os governadores de Minas, Fernando Pimentel, e do Espírito Santo, Paulo Hartung. Segundo o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, a ideia de o governo agir em conjunto com os Estados atingidos é dar força para a ação e conseguir tirar do papel as medidas para revitalizar a Bacia do Rio Doce e pagar as indenizações à população afetada. Adams explicou ainda que o dinheiro vai para um fundo, que será gerenciado pela Justiça. O pagamento não vai ser feito todo de uma vez, mas sim com base no faturamento ou no lucro das três empresas. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, voltou a afirmar que a recuperação ambiental das regiões atingidas deve levar, no mínimo, uma década. Ela fez questão de ressaltar que o episódio não é um desastrenatural, e que, portanto, as empresas responsáveis têm de pagar pelo que aconteceu. O rompimento de barragem da mineradora Samarco aconteceu no dia 5 de novembro. Até agora, nove mortes foram confirmadas e outras dez pessoas seguem desaparecidas. A lama que vazou destruiu Bento Rodrigues, atingiu o Rio Doce via afluentes, e chegou ao mar no Espírito Santo. No caminho, os rejeitos de minério de ferro arrasaram fauna, flora e deixaram moradores de cidades ribeirinhas sem água.

Andrade Gutierrez admite propina em obra da Copa e vai pagar R$ 1 bilhão de multa


No maior acordo costurado pelo Ministério Público Federal na Operação Lava Jato até aqui, a gigante Andrade Gutierrez admitiu aos investigadores ter desembolsado propina para vencer a disputa para a construção e revitalização de estádios para a Copa do Mundo e para participar de obras na usina de Belo Monte, no Rio Madeira. Na Copa, a construtora detinha 20% do consórcio do Maracanã, 50% do consórcio do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, e pleno controle das obras da Arena da Amazônia, em Manaus. O acordo de leniência está em fase de ajustes finais e prevê que a gigante da construção pague 1 bilhão de reais em multa para compensar as fraudes, a formação de cartel e o esquema de corrupção nos contratos dos estádios do Mundial de 2014. O valor da multa é o maior já conseguido pela força-tarefa do Ministério Público que atua nas investigações sobre o bilionário esquema de corrupção na Petrobras. Segundo as negociações feitas pelo corpo jurídico da Andrade, os executivos presos desde o dia 19 de junho em Curitiba, por ordem do juiz Sergio Moro, terão abrandamento significativo de pena caso se confirme o cenário mais provável e eles sejam condenados. Paralelamente ao acordo de leniência, dirigentes da AG negociam fechar delações premiadas em troca de benefícios judiciais. Uma das possibilidades é que sejam apontadas, por exemplo, políticos que podem ter recebido propina em obras prioritárias para o governo, como a usina de Belo Monte. Em julho, o juiz Sergio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, aceitou denúncia contra o presidente afastado da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo e contra os executivos Antônio Pedro Campello de Souza, Armando Furlan Júnior, Elton Negrão, Flávio Gomes Machado Filho, Paulo Dalmazzo, além de lobistas, operadores e ex-dirigentes da Petrobras. De acordo com esta denúncia apresentada pelo Ministério Público, o Grupo Andrade Gutierrez pagou propina a dirigentes da Petrobras em obras e contratos na Refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG), no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), na Refinaria Landulpho Alves, em São Francisco do Conde (BA), na Refinaria de Paulínia (SP), no Gasoduto Urucu-Manaus, no Centro de Pesquisas (Cenpes) e no Centro Integrado de Processamento de Dados (CIPD), no Rio de Janeiro, no Gasoduto Gasduc III (RJ) e no Terminal de Regaseificação da Bahia. A força-tarefa de procuradores que atuam nas investigações do esquema do petrolão conseguiu mapear 243 milhões de reais desviados pela Andrade Gutierrez entre 2007 e 2010 em 106 atos de corrupção ativa, 61 de corrupção passiva, 62 lavagens de dinheiro. O Ministério Público apresentou três esquemas criminosos da Andrade Gutierrez com apoio de Alberto Youssef, Fernando Baiano e Armando Furlan, além de falsas consultorias. Os operadores Mário e Lucélio Góes também atuaram em esquemas da empresa, por meio da empresa RioMarine. Os recursos eram enviados para contas no exterior como a Maranelle e Phad. Uma vez no exterior, nas contas dos operadores, o dinheiro era repassado para as contas de Pedro Barusco. Ele também recebia valores de 300.000 a 400.000 reais em mochilas por meio de Mario Góes.Executivos da Andrade também foram acusados de pagar propina em obras da usina nuclear de Angra 3. Este caso deixou as mãos do juiz Sergio Moro depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu precedente para que as investigações da Lava Jato fossem fatiadas.

Impeachment: antes ela do que nós

Zé Geraldo, Valmir Prascidelli e Leo de Brito são os petistas que fazem parte do Conselho de Ética da Câmara. Pressionados por Lula e Jaques Wagner a absolver Eduardo Cunha, o trio resiste e quer condenar o peemedebista. Não porque a ética fale mais alto, e sim porque o voto é aberto e eles não querem se queimar com os eleitores. A sessão do Senado que manteve a prisão de Delcídio Amaral os empurrou ainda mais na direção da condenação, segundo relatos feitos ao Antagonista. Se condenarem Eduardo Cunha, o peemedebista deverá aceitar o pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Hoje, portanto, o quadro está mais para "antes ela do que nós".

A Lava Jato é a verdadeira revolução

Na planilha de Pedro Barusco, a Andrade Gutierrez aparece com destaque. Dois contratos envolvendo pagamento de propina ao PT foram assinados em 2010, em tempo para a campanha presidencial. Mas a empreiteira admitiu também o pagamento de propina na Eletronuclear, na Eletrobras, nas obras da Copa do Mundo de 2014 e na Norte-Sul. O Brasil, a partir de hoje, vai mudar. A delação premiada da Andrade Gutierrez é uma revolução. Agora podemos dizer com tranquilidade: a Lava Jato ganhou.

As 53 visitas de Vaccari à Andrade Gutierrez

João Vaccari Neto esteve 53 vezes na sede da Andrade Guiterrez, entre novembro de 2007 e julho de 2014. Ele se encontrou 27 vezes com o presidente da empreiteira, Otávio Azevedo. Outros 17 encontros ocorreram com o presidente da global Andrade Gutierrez Energia, Flávio David Barra. Os dados constam do relatório de inteligência da Polícia Federal anexado aos autos da 16° fase da Lava Jato. Gostou? Tem mais.

As visitas de Edinho Silva à Andrade Gutierrez

Edinho Silva, tesoureiro de Dilma Rousseff, visitou o presidente da Andrade Gutierrez antes e depois da campanha de 2014. De acordo com a Polícia Federal, a primeira visita ocorreu em agosto do ano passado. A segunda ocorreu em novembro.

Lula "fez o lobby" da Andrade Gutierrez

Os e-mails da Andrade Gutierrez, apreendidos pela Policia Federal, revelaram que Lula "fez o lobby" da empreiteira na Venezuela. Às 12h13 de 20 de março de 2014, Sérgio Andrade, dono da Andrade Gutierrez, escreveu para Otávio Azevedo: "O nosso ponto focal de apoio tem que ser o ex-Presidente Lula. O Pres Maduro reconhece como um grande amigo pessoal e um grande amigo da Venezuela". Quatro minutos depois, um executivo da empresa acrescentou: “Estou marcando um encontro com o Pres Lula na próxima semana em SP para discutir com ele a situação da Venezuela e uma estratégia de apoio. Abs, Flavio".

Delcídio descontrolado

De acordo com a Globonews, "O líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral se "descontrolou completamente" ao ser informado que o ex-presidente Lula o havia criticado. A declaração de Lula foi mostrada a Delcídio durante o depoimento do senador para a Polícia Federal na superitendência da corporação em Brasília, onde o parlamentar está preso". Lula disse que Delcídio havia sido idiota e feito "uma coisa de imbecil". O Antagonista sabe por que Delcídio se descontrolou.

Dilma cancela parte de sua viagem

Dilma Rousseff viaja hoje para Paris, mas volta correndo para o Brasil na terça-feira. Segundo a Folha de S. Paulo, ela cancelou as outras duas etapas de sua viagem, para Vietnã e Japão. Além disso, ela vai baixar ainda nesta sexta-feira um decreto bloqueando 10 bilhões de reais em despesas, "para evitar questionamentos jurídicos do TCU". Tarde demais, Dilma. Você ainda não sabe, mas seu governo acabou.

FHC agora quer o povo na rua

Diante da situação desesperadora do país, Fernando Henrique Cardoso passou a defender, dentro do PSDB, que o partido e aliados organizassem manifestações de rua. É o que sempre dissemos aqui: é preciso povo na rua, com ajuda dos partidos de oposição, para afastar a quadrilha que tomou o poder.

O gângster desprezado

Delcídio Amaral vai atirar em Lula, com quem, repetimos, ele se reunia de uma a duas vezes por semana para tratar de Nestor Cerveró. De cambulhada, levará Dilmar Rousseff. É um clássico: o gângster, desprezado, se volta contra os chefões. Delcídio já é o sujeito mais condenado que apareceu na Lava Jato até agora. Ele não tem escapatória, não tem volta. Está cassado, está preso e vai continuar preso, vai perder patrimônio. Só tem a sua liberdade a ser negociada, se resolver falar. Ele está frito. 

Mulher de Delcídio pressiona por delação do marido

Delcídio Amaral está sendo pressionado pela família para entregar o que sabe e salvar a própria pele. A pressão vem da mãe, da mulher e das filhas. Maika, sua esposa, já mandou avisar que não admite passar o Natal com o marido enjaulado. Ela também ficou enfurecida depois que senadores ignoraram seu apelo para livrar Delcídio da cadeia.

Maika e Maria Auxiliadora

Pelo jeito, Maika, mulher de Delcídio Amaral, tem mais ascendência sobre o marido do que Maria Auxiliadora sobre o seu, Renato Duque. Maria Auxiliadora também queria que o ex-diretor da Petrobras entregasse Lula e o resto do bando. Não teve sucesso. Renato Duque vai mofar na prisão à toa, porque os seus chefes serão entregues por gente mais esperta do que ele.

Otávio Azevedo entregou dois senadores

Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, já entregou o nome de dois senadores à Procuradoria Geral da República em sua negociação para um acordo de delação premiada, informa o Estadão. As conversas com os procuradores começaram há dois meses e estão na reta final. O acordo prevê a colaboração também dos executivos Élton Negrão e Flávio Barra. Os três foram transferidos ontem do Complexo Médico Penal, em Pinhais, para a carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Além das delações, a AG firmará leniência para poder continuar contratando com o poder público.

Polícia Federal indicia delator do caixa 2 de petista e tucano

A Polícia Federal indiciou o contador Roberto Trombeta por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Trombeta é apontado por Ricardo Pessoa como o responsável por lavar dinheiro da UTC no caixa dois das campanhas do petista Aloizio Mercadante e do tucano Aloysio Nunes em 2010. Trombeta foi indiciado com seus sócios Rodrigo Morales e Mariana de Paula. Segundo o Estadão, eles foram acusados de "produzir documentos falsos para dissimular a origem, movimentação e localização de recursos decorrentes de crimes". O indiciamento é ato formal, pois Trombeta firmou um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato. Seus relatos levaram à abertura de outros cinco inquéritos.

Delação de Azevedo não está completa

O acordo de delação premiada que Otávio Azevedo negocia com a Procuradoria Geral da República trata do pagamento de propina em obras da Copa de 2014, de Angra 3, Belo Monte e Petrobras. Mas só estará completo quando Azevedo entregar também o esquema da telefonia.

"Situação mais caótica e desesperadora do que se imagina"

O Globo noticia que "Dilma Rousseff decidiu seguir a orientação do TCU e vai fazer um novo contingenciamento do Orçamento de 2015. O governo deverá editar um decreto de programação financeira com um corte de R$ 10,7 bilhões nos gastos. Com isso, pela primeira vez, o país terá um quadro que os técnicos chamam de "shut down", ou seja, a suspensão de todas as despesas discricionárias. Isso significa deixar de fazer, por exemplo, o pagamento de todos os serviços de água, luz, telefone, bolsas no Brasil e no exterior, fiscalização ambiental, do trabalho, da Receita e da Polícia Federal. A suspensão também atingirá gastos com passagens e diárias." O Antagonista, mais cedo, ouviu de um grande personagem político que "a situação é muito mais caótica e desesperadora do que se imagina. Impossível continuar assim".

O Mal ganha de lavada

Enquanto isso, no sobrenatural mundo da Igreja Católica, o papa poderá fazer 30 santos brasileiros de uma só tacada. De acordo com o Estadão, "o arcebispo de Natal, d. Jaime Vieira Rocha, pediu ao papa Francisco que canonize logo dois padres e 28 fiéis que foram massacrados em Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte, por tropas a serviço dos calvinistas em 1645, durante a ocupação holandesa". Ainda que tenhamos essa baciada de santos, ficaremos longe de contrabalançar o número de demônios que produzimos a cada ano. O Mal, no Brasil, está ganhado de lavada.

Quem pagou o advogado de Cerveró?

Além de gravar a fatídica reunião com Delcídio Amaral, Bernardo Cerveró entregou mais detalhes à Procuradoria Geral da República sobre o esquema que havia sido montado pelo senador com o advogado Edson Ribeiro. Num longo depoimento, Bernardo contou que Delcídio também prometeu "interceder junto à seguradora ou ao departamento jurídico da Petrobras para que Edson Ribeiro recebesse honorários pela seguradora". Ele cita reunião na Assurê. "O depoente tinha presente o marco de quatro milhões de reais, que eram os honorários convencionados com Edson Ribeiro, na premissa de que quem pagaria era a seguradora da Petrobras". A pergunta é: Ribeiro chegou a receber seus honorários pelo tempo que defendeu Cerveró? Quem pagou? A Petrobras ou uma seguradora da Petrobras? Vale lembrar que Cerveró chegou a revelar à CPI que sua defesa era paga pela estatal. Até onde ia a influência de Delcídio?


R$ 4 milhões em honorários

Filho de Cerveró recebeu 50 mil de Delcídio

Bernardo Cerveró, em depoimento à PGR, confessou ter recebido ao menos uma parcela de R$ 50 mil do auxílio financeiro mensal prometido por Delcídio Amaral. O dinheiro lhe foi entregue por Edson Ribeiro no escritório de outro criminalista: Nélio Machado. Machado não teria presenciado a entrega, segundo Bernardo Cerveró. Leiam o trecho do depoimento: "Que Edson Ribeiro sempre seguia prometendo um habeas corpus; que, àquela altura, o depoente procurou Gustavo, irmão de Fernando Baiano, porque o Nestor Cerveró e Edson Ribeiro diziam que quem tinha provas era Fernando Baiano, já que ele é que cuidava das contas bancárias; que procurou Gustavo para tentar compor colaboração premiada simultânea de Nestor Cerveró e de Fernando Baiano; que Nestor Cerveró e Fernando Baiano eram amigos; que Fernando Baiano também estava esperançoso em um habeas corpus; que naquela altura o depoente participou de algumas reuniões, inclusive com a presença do advogado Nélio Machado em seu escritório; que Nélio Machado também era reticente em fazer colaboração premiada; que em uma dessas reuniões em uma sala do escritório do advogado Nélio Machado, presentes apenas Edson Ribeiro e o depoente, Edson Ribeiro entregou cinquenta mil reais em espécie para o depoente, dizendo que foram enviados pelo Senador Delcídio Amaral; que o depoente ficou incomodado, pois o que ele queria não era auxílio financeiro, menos ainda espúrio, e sim a liberdade de seu pai". Se Delcídio enviou os R$ 50 mil, é possível que o esquema combinado com André Esteves já estivesse em pleno funcionamento.

Cerveró e Baiano fazem dupla perfeita de delatores

Em outro trecho de seu depoimento, Bernardo Cerveró relata que procurou Gustavo, irmão de Fernando Baiano, para tentar combinar uma delação premiada simultânea do pai e o lobista. Se Nestor Cerveró tinha domínio sobre as negociações políticas da propina, Baiano é quem detinha as provas, pois "ele é que cuidava das contas bancárias". "[...] que Edson Ribeiro sempre seguia prometendo um habeas corpus; que, àquela altura, o depoente procurou Gustavo, irmão de Fernando Baiano, porque o Nestor Cerveró e Edson Ribeiro diziam que quem tinha provas era Fernando Baiano, já que ele é que cuidava das contas bancárias; que procurou Gustavo para tentar compor colaboração premiada simultânea de Nestor Cerveró e de Fernando Baiano; que Nestor Cerveró e Fernando Baiano eram amigos;" O plano acabou não dando certo, pois Baiano, orientado por Sérgio Rieira, saiu na frente e fechou sua delação antes do ex-diretor da Petrobras. O que importa agora é que a delação de Cerveró foi fechada. Basta cruzar as informações.

BTG e PT (bis)

Fernando Rodrigues, do UOL, publica uma reportagem sobre os contratos da Estre, empresa ligada a André Esteves, com a Petrobras. Já havíamos citado o fato em 11 de outubro, no post "Baiano: Estre, BTG e PT". Se quiser, está aqui: A Estre é um dos elos de Fernando Baiano com o PT. A empresa, que embolsou R$ 800 milhões em contratos da Petrobras, fez seguidas doações ao Diretório Nacional do PT, em 2013, fora do calendário eleitoral. Entre abril e dezembro, foram cinco transferências num total de R$ 5,5 milhões. Por razões que a razão desconhece, no ano seguinte a Estre quase faliu. A empresa, que tem o BTG como sócio, tentou recorrer ao Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS), pedindo aporte de R$ 500 milhões.

Bandidos sem versão única

André Esteves disse à Polícia Federal que não conversou sobre Nestor Cerveró com Delcídio Amaral; Delcídio Amaral disse à Polícia Federl que conversou com André Esteves sobre Nestor Cerveró. É delicioso constatar que os bandidos não puderam combinar a mesma versão.

Deputado colhe assinaturas para CPI do BTG

O deputado João Henrique Caldas, o JHC, está colhendo assinaturas para a abertura da CPI do BTG. No requerimento, obtido pelo Antagonista, Caldas alega a necessidade de se investigar a relação do BTG e de André Esteves com autoridades públicas e seu favorecimento por ações governamentais. JHC lista uma série de operações estranhas que justificariam a investigação, como a compra do banco Pan-Americano, de Silvio Santos, com garantias que a Caixa Econômica Federal "concedeu em um intervalo curtíssimo de tempo". Ele cita também denúncia de O Antagonista sobre a decisão da Caixa de entregar ao BTG uma carteira de créditos inadimplidos de R$ 3,8 bilhões, por valor inferior ao preço de mercado. Além dessas, menciona também o apoio de Esteves ao plano de fuga de Cerveró, a descoberta de que o BTG pagou propina para fechar contrato com a BR Distribuidora e a compra de ativos da Petrobras na África por valor muito abaixo do real.

PT hemorrágico

Há meses, o senador baiano Walter Pinheiro ensaia sair do PT. Depois da prisão de Delcídio Amaral, parece que a coisa vai. As bancadas federais do PT estão para sofrer uma grande hemorragia.

Foi tudo um engano, diz advogado de Cerveró

Em seu depoimento à Polícia Federal no Rio de Janeiro, o advogado Edson Ribeiro alegou que houve uma interpretação equivocada da estratégia de defesa que traçou para Nestor Cerveró. Ribeiro depôs por mais de três horas. Segundo seu advogado Carlo Luchione, Ribeiro alegou inocência, negou que tenha boicotado a delação de Cerveró ou planejado sua fuga. Sendo assim, o STF pode desconsiderar a gravação em que Ribeiro e Delcídio discutem qual a melhor rota de fuga do Brasil e a aeronave adequada para chegar à Espanha sem escalas. Também deve tomar como "equívoco" a tentativa de tráfico de influência junto aos ministros. E aquela quantia de R$ 50 mil entregue a Bernardo Cerveró no escritório de Nélio Machado era apenas um empréstimo.

Dilma atuou pessoalmente em obra da Andrade Gutierrez

Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, prometeu ao Ministério Público Federal entregar detalhes do pagamento de propina em obras da Copa de 2014. Dilma atuou pessoalmente em uma dessas obras: a reforma do estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. A AG enfrentava dificuldades para financiar o projeto, tocado em parceria com o Banrisul e o Inter. O jornal Zero Hora registrou na ocasião um telefonema de Dilma para Azevedo, cobrando-lhe a execução da obra. "É o meu clube, é o meu Estado. Não há hipótese nenhuma de a empresa sair que nem cachorro e deixar todo mundo de pincel na mão", disse a petista. Para 'motivar' Azevedo, ela citou o Itaquerão, erguido pela Odebrecht. "Eu quero que o caso Odebrecht seja a inspiração de vocês. A brincadeira acaba aqui". Sim, Dilma, a brincadeira acabou.

André Esteves foi acionado para salvar estádio de Dilma

Diante do impasse para alavancar a obra do Beira-Rio, na qual Dilma Rousseff atuou pessoalmente, quem foi acionado para salvar a operação? O banqueiro amigo André Esteves, que virou sócio da Andrade Gutierrez na SPE BRio, destinada a colocar o estádio do Inter no padrão Fifa. A operação foi aprovada pelo CADE e o BTG passou a ter 49% das ações por meio de um FIP, estruturado "inicialmente" com recursos do próprio BTG. A AG ficou com os 51% restantes. Será que André Esteves, assim como Otávio Azevedo, recebeu um telefonema de Dilma?

Baiano protegeu Delcídio no "tema dos cartões"

No depoimento à Procuradoria Geral da República, Bernardo Cerveró narra que uma das preocupações de Edson Ribeiro era evitar que Fernando Baiano falasse em sua delação do "tema dos cartões de crédito", a fim de proteger Delcídio Amaral. O filho de Nestor Cerveró não soube explicar qual seria o negócio dos cartões. Eis o trecho: "Edson Ribeiro solicitou ao depoente que pedisse a Gustavo que, na colaboração premiada de Fernando Baiano, 'protegesse Delcídio e 'não se falasse no tema dos cartões de crédito'". O Antagonista desconfia que o tema dos cartões seja a misteriosa sociedade que Fernando Baiano firmou com a FTC Cards, que ganhou em 2011 o contrato para processamento de cartões promocionais da rede de postos BR Petrobras e Lojas BR Mania. Baiano até hoje não explicou à força-tarefa da Lava Jato o negócio - ele deixou a sociedade um mês antes de ser preso. Se "o tema dos cartões de crédito" for esse, como parece ser, Baiano cumpriu sua missão.

Gravidez de mulher de assessor de Delcídio preocupou Polícia Federal


A mulher de Diogo Ferreira, chefe de gabinete do senador Delcídio Amaral (PT-MS), soube que estava grávida na véspera da prisão do marido. Só os familiares mais próximos tinham sido informados da novidade, mas os agentes da Polícia Federal que cumpriram o mandado de prisão já sabiam. Para não assustá-la, os policiais pediram a um parente que ficasse com ela e disseram que Diogo estava sendo levado apenas para prestar depoimento. Só depois, já acompanhada, ela foi informada da prisão. O fato de a Polícia Federal ter essa informação levou advogados e amigos do assessor a desconfiar que ele estivesse com os celulares monitorados.

Pedido de mulher de Delcídio abalou senadores


Após a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), sua mulher, Maika, ligou para diversos parlamentares e, aos prantos, pediu que votassem pela libertação de seu marido. Os senadores que falaram com ela disseram que votaram pela manutenção da prisão com um grande nó na garganta.

‘Como o Waltinho votou?’, pergunta Delcídio


Numa das rápidas visitas que recebe de assessores e advogados na Polícia Federal em Brasília, onde está preso, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) demonstrou uma curiosidade: "Como o Waltinho votou?" Queria saber se Walter Pinheiro (BA), um dos colegas mais próximos a ele na bancada do PT, havia votado para manter ou revogar sua prisão. Ao ser informado do voto do amigo para que continuasse preso, calou e apenas assentiu com a cabeça. Familiares e assessores de Delcídio demonstram mágoa pelo fato de senadores que sempre pediram favores ao líder do governo – de ajuda para marcar audiência em ministérios a cargos para aliados – agora virarem as costas para ele. Ele está descobrindo

Esteves: ausência em casamento em meio a conversas


Ocorreu no último fim de semana um concorrido casamento em Punta del Este, no Uruguai: o de Gabriela Feffer, filha de David Feffer, do Grupo Suzano, e Paulo Moll, da família dona da rede de hospitais D’Or. Uma das ausências sentidas foi a de André Esteves, muito amigo da família Feffer, que havia recebido o convite desde maio e confirmado que iria. Coincidência ou não, um dia antes do casamento, na quinta-feira passada, Esteves se reuniu com Delcídio do Amaral. Os investigadores atribuem o encontro a mais uma rodada das tratativas para entabular a fuga de Nestor Cerveró. A defesa do banqueiro nega seu envolvimento no plano e diz que ambos se reuniram algumas vezes para tratar de temas relativos a votações no Congresso. Note-se que a alta burguesia brasileira agora faz as suas festas no Exterior, para não deixar marcas no Brasil. Para André Esteves não teria sido difícil deslocar-se até Punta del Este em seu flamante Falcon 50, no qual ele conduziu LulaX9 algumas vezes.

OAB: 3 x 2 contra o impeachment; OAB virou um aparelhão bolivariano

Olhe as foices na frente da sede da OAB; alguma dúvida?
Por 3 votos a 2, uma comissão criada pela OAB concluiu que as pedaladas fiscais não devem levar ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. A maioria entendeu que somente o parecer do TCU, sem votação do Congresso, e o fato de as pedaladas terem acontecido no mandato passado, salvam a presidente. A minoria, no entanto, fez questão de fazer um voto em separado. Diz que a mera existência das pedaladas, mesmo sem parecer do TCU, já levaria ao impeachment. E que, como Dilma foi reeleita, não há de se falar em mandato passado, mas numa continuidade do governo. Os 81 conselheiros federais da OAB se reúnem na quarta-feira para definir se pedirão ou não o impeachment de Dilma. A OAB atualmente é um mero aparelhão do petismo, do bolivarianismo mais rastaquera, prestando-se a dar cobertura à criminalidade oficial. 

Dois senadores petistas com um pé na Rede - um verdadeiro balaio de gatos

A votação aberta em favor da manutenção da prisão de Delcídio do Amaral (PT-MS) foi expressiva: 59 votos a favor, 13 contra e apenas uma abstenção. Entre esses 59, estão dois petistas: Walter Pinheiro, da Bahia, e Paulo Paim, do Rio Grande do Sul. Ambos: descontentes com o PT, estão em avançada negociação com a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva. A Rede está virando uma espécie de Meca dos descontentes de esquerda. A questão é que partido vai sair daí. Paim, por exemplo, é dono de alguns dos votos mais obtusos do Senado. Marina Silva, que pretende representar “o novo” na política faz a mais velha de todas as coisas, não é? Transforma seu partido num saco de gatos.

Andrade Gutierrez admite propina em obra da Copa e vai pagar R$ 1 bilhão

No maior acordo costurado pelo Ministério Público Federal na Operação Lava Jato até aqui, a gigante Andrade Gutierrez admitiu aos investigadores ter desembolsado propina para vencer a disputa para a construção e revitalização de estádios para a Copa do Mundo e para participar de obras na usina de Belo Monte, no Rio Madeira. Na Copa, a construtora detinha 20% do consórcio do Maracanã, 50% do consórcio do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, e pleno controle das obras da Arena da Amazônia, em Manaus. O acordo de leniência está em fase de ajustes finais e prevê que a gigante da construção pague 1 bilhão de reais em multa para compensar as fraudes, a formação de cartel e o esquema de corrupção nos contratos dos estádios do Mundial de 2014. O valor da multa é o maior já conseguido pela força-tarefa do Ministério Público que atua nas investigações sobre o bilionário esquema de corrupção na Petrobras. Segundo as negociações feitas pelo corpo jurídico da Andrade, os executivos presos desde o dia 19 de junho em Curitiba, por ordem do juiz Sergio Moro, terão abrandamento significativo de pena caso se confirme o cenário mais provável e eles sejam condenados. Paralelamente ao acordo de leniência, dirigentes da Andrade Gutierrez negociam fechar delações premiadas em troca de benefícios judiciais. Uma das possibilidades é que sejam apontados, por exemplo, políticos que podem ter recebido propina em obras prioritárias para o governo, como a usina de Belo Monte. Em julho, o juiz Sergio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, aceitou denúncia contra o presidente afastado da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, e contra os executivos Antônio Pedro Campello de Souza, Armando Furlan Júnior, Elton Negrão, Flávio Gomes Machado Filho, Paulo Dalmazzo, além de lobistas, operadores e ex-dirigentes da Petrobras. De acordo com esta denúncia apresentada pelo Ministério Público, o Grupo Andrade Gutierrez pagou propina a dirigentes da Petrobras em obras e contratos na Refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG), no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), na Refinaria Landulpho Alves, em São Francisco do Conde (BA), na Refinaria de Paulínia (SP), no Gasoduto Urucu-Manaus, no Centro de Pesquisas (Cenpes) e no Centro Integrado de Processamento de Dados (CIPD), no Rio de Janeiro, no Gasoduto Gasduc III (RJ) e no Terminal de Regaseificação da Bahia. A força-tarefa de procuradores que atuam nas investigações do esquema do petrolão conseguiu mapear 243 milhões de reais desviados pela Andrade Gutierrez entre 2007 e 2010 em 106 atos de corrupção ativa, 61 de corrupção passiva, 62 lavagens de dinheiro. O Ministério Público apresentou três esquemas criminosos da Andrade Gutierrez com apoio de Alberto Youssef, Fernando Baiano e Armando Furlan, além de falsas consultorias. Os operadores Mário e Lucélio Góes também atuaram em esquemas da empresa, por meio da empresa RioMarine. Os recursos eram enviados para contas no Exterior como a Maranelle e Phad. Uma vez no Exterior, nas contas dos operadores, o dinheiro era repassado para as contas de Pedro Barusco. Ele também recebia valores de 300.000 a 400.000 reais em mochilas por meio de Mario Góes. Executivos da Andrade também foram acusados de pagar propina em obras da usina nuclear de Angra 3. Este caso deixou as mãos do juiz Sergio Moro depois que o Supremo Tribunal Federal abriu precedente para que as investigações da Lava Jato fossem fatiadas.

Jarbas Vasconcelos acusa Eduardo Cunha de fazer devassa em contas para intimidar adversários

Às vésperas do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados votar o parecer que pede a continuidade das investigações contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um episódio promete acirrar o já intenso fogo cruzado entre aliados e adversários do parlamentar. Um dos primeiros deputados a se insurgirem contra Cunha e a defender o afastamento dele do comando da Casa, Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) afirma agora ser alvo de retaliação. Um dos fundadores do PMDB, Jarbas chegou a ser cotado entre os nomes que poderiam substituir Cunha caso ele deixe o mais alto posto da Câmara. O deputado narrou uma investida de um funcionário do gabinete da presidência da Câmara para encontrar materiais que pudessem comprovar fraudes envolvendo o seu nome. Cunha nega. O episódio, conta o deputado, se deu em meados de outubro, quando Jarbas Vasconcelos intensificou a artilharia contra Eduardo Cunha, chegando a chamá-lo de “cínico” e “psicopata” em entrevistas. De acordo com ele, um emissário do presidente da Câmara dirigiu-se ao órgão que controla os gastos de congressistas com cotas parlamentares pedindo uma varredura em sua prestação de contas. Um funcionário desse setor narrou o episódio a Jarbas. Os documentos conteriam notas fiscais sobre pagamentos de combustíveis, alimentação, passagens aéreas e consultorias, entre outros. Atualmente, deputados têm direito a uma verba mensal para custear despesas de mandato. Os valores variam conforme o Estado eleitoral e podem chegar a 41.600 reais. Não houve, contudo, nenhum questionamento ao deputado. O setor responsável pela coordenação dos gastos dos congressistas é autônomo e as prestações de contas e os comprovantes de pagamento não passam pela cúpula da Câmara. “O presidente está fazendo isso com tudo mundo, não é só comigo. Ele está olhando com lupa qualquer coisa que envolva seus adversários. Quem está desesperado, como ele, faz qualquer coisa. Ele acha que vai conseguir se sustentar fazendo isso”, afirmou Jarbas Vasconcelos. “Na cabeça do Cunha, o adversário é igual a ele. Ele deve ter pensando que eu poderia apresentar uma nota fria ou alguma coisa errada. Mas nem todos são iguais”, continuou. Questionado, o presidente da Câmara afirmou que as acusações são mentirosas e pediu que Jarbas aponte o nome do funcionário para que, caso se confirme a ação, seja demitido. Eduardo Cunha ponderou ainda que as notas fiscais referentes a gastos durante o mandato são divulgadas na íntegra na internet e que seria desnecessário acionar o Núcleo de Controle da Cota para ter acesso a esses documentos. De fato, os comprovantes dos gastos dos parlamentares são facilmente encontrados no site da Câmara dos Deputados. Aliados de Cunha acusam Jarbas de incendiar os ânimos contra o peemedebista e de tentar se “vacinar” contra a descoberta de problemas em suas contas. Deputados afirmam que Cunha se utiliza de estratégias para intimidar adversários. Segundo relatos de parlamentares, desde que passou a ser alvo de questionamentos e a responder a inquérito no Supremo Tribunal Federal por corrupção e lavagem de dinheiro, o peemedebista manda ‘recados’ pelos corredores da Câmara. Os parlamentares alegam que aliados de Cunha teriam abordado adversários ou pessoas ligadas a esses desafetos ventilando que foi encontrado algum tipo de irregularidade em suas contas ou que “se Cunha cair, muitos deputados caem junto”. Outros afirmam que Cunha teria passado a distribuir dossiês contra adversários. “A idéia é jogar todo mundo para a vala comum ou tentar agir pela intimidação e pelo constrangimento”, resumiu um deputado. Na última quarta-feira, um grupo de deputados ingressou na Procuradoria-Geral da República pedindo o afastamento de Cunha da presidência da Câmara. O argumento é o de que o peemedebista tem usado a estrutura da Casa para impedir o avanço do processo de cassação contra ele no Conselho de Ética e para atrapalhar as investigações no âmbito de Lava Jato.

Dilma contingencia R$ 10 bilhões do Orçamento de 2015

Por Reinaldo Azevedo - Segundo a Folha de S.Paulo, a presidente Dilma Rousseff deve baixar ainda hoje um decreto bloqueando cerca de 10 bilhões de reais do Orçamento. A medida emergencial tenta minimizar os danos do atraso da votação de mudança da meta fiscal no Congresso. A crise gerada pela prisão do senador Delcídio do Amaral frustrou os planos do Planalto de aprovar ainda nesta semana um projeto que vai permitir que Dilma tenha um déficit fiscal de até 119 bilhões de reais em 2015. Oficialmente, o governo ainda é obrigado a fazer uma economia de 55 bilhões e 300 milhões de reais neste ano. Caso não aprove a proposta no Congresso, as contas do governo voltarão a ser rejeitadas no TCU.

Gilmar Mendes: políticas públicas podem ser usadas como compra de voto moderna

Por Reinaldo Azevedo - Após palestra na Associação dos Advogados de São Paulo, o ministro Gilmar Mendes, do STF, disse hoje que fala “com todo mundo” em Brasília e que são comuns as conversas sobre pedidos de liberdade provisória. Gilmar foi citado pelo senador Delcídio do Amaral na gravação que levou o petista à cadeia. No áudio, o senador afirma que procuraria Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Teori Zavascki para conseguir um habeas corpus para o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró. No evento de advogados, o ministro afirmou que a adoção de determinadas políticas públicas com finalidade exclusivamente eleitoral é uma compra de votos moderna e lembrou frase da presidente Dilma Rousseff — “Nós fazemos o diabo para ganhar a eleição” — e do ex-presidente Lula — “Eles não sabem o que nós somos capazes de fazer para ganhar a eleição”.

Depois daquela foto – A estranha conta quântica de Romário, aquela que é e não é ao mesmo tempo


Por Reinaldo Azevedo - É pouco comum que uma pessoa tenha que ir a um banco com o objetivo de constatar que a instituição “admitiu” ( ou seja, aceitou, consentiu, concordou) “nunca” ter tido vínculo com ela. Mas Romário não é obrigado a ter o rigor de um filólogo na escolha das palavras que utiliza. Porém, é esperado de um homem público, senador da República, que ele saiba a diferença entre as expressões “nunca tive” e “tive conta no BSI, mas só não sei o ano”. A questão da conta não declarada de Romário na Suíça foi levantada por VEJA em uma reportagem publicada em julho passado. Ilustrava a reportagem um documento descrito pela revista como um “extrato” da conta do senador no BSI. O senador, respaldado pelo próprio BSI, desclassificou a prova documental como “extrato falso”. Como a revista vem reafirmando desde que se desculpou com Romário pela publicação do extrato dado como falso por ele e o banco, seus repórteres continuam apurando o caso. A gravação em que Delcídio Amaral, senador preso pela Lava Jato , e seus interlocutores em Brasília falam sobre a existência da conta foi um motivo de incentivo para que os repórteres aprofundem a investigação do caso. Também foi muito estimulante para eles a mudança de posição de Romário de “nunca tive” para “tive conta no BSI, mas só não sei o ano”. São mais fortes, agora, as evidências de que — a despeito da veracidade do extrato ou “screen shot” publicado pela revista em julho — não é mais um disparate, como se fez crer antes, a existência na Suíça de conta e fundos não declarados por Romário. Romário, subitamente, se lembrou agora que teve, mas não se recorda se encerrou a conta. Ele disse que “acha” que , sem movimentação, a conta “fecha automaticamente”. A lembrança de que foi correntista do BSI ocorre em seguida à referência, em uma das conversas gravadas que enredaram o senador Delcídio Amaral na Operação Lava Jato, de que uma ajuda na escamoteação da conta estaria por trás de um acordo político entre o ex-jogador e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, para as eleições à prefeitura em 2016. No mesmo dia em que deu a entrevista confirmando que teve conta no BSI, Romário enviou ofício ao procurador geral, Rodrigo Janot, pedindo que apure junto ao Ministério Público suíço os fatos relativos à “suposta conta”. Nem precisava. A Procuradoria Geral da República já anunciou que vai apurar não só a “suposta conta”, mas “todos os fatos” relativos à história. VEJA, por seu lado, também continua empenhada na apuração profunda do episódio.

O petista Delcídio Amaral interrompeu depoimento ao ser informado dos xingamentos de Lula contra ele

Os sites, blogs e noticiários desta tarde das principais emissoras de rádio e TV, já repercutem trechos do depoimento do senador Delcídio Amaral na Polícia Federal. O senador interrompeu o interrogatório quando foi confrontado com trechos da fala de Lula sobre ele, criticando-o com palavrões e chamando-o de "imbecil" e "burro". O G1 diz que naquele momento, Delcídio perdeu o controle, o que fez com que seus advogados pedissem a interrupção do depoimento. Antes disto, ele fez duas intervenções surpreendentes: 1) A armação para a fuga de Cerveró foi realizada por "razões humanitárias"; 2) O vice Michel Temer tem contas a acertar, porque tinha "relações permissivas" com o ex-diretor da Petrobrás, Jorge Zelada, também preso em Curitiba. O vice de Dilma tirou nota negando "intimidade" com Zelada, mas reconhecendo que sua indicação para a diretoria da estatal passou pelo PMDB.

Petista Delcidio Amaral já teria concordado em fazer delação premiada, mas Polícia Federal e Ministério Público Federal querem que ele "atire para cima"


A jornalista Rachel Sheherazade acaba de postar no seu Facebook a nota aí ao lado. Segundo ela, o senador Delcídio Amaral aguentou pouco mais de 24 horas e já decidiu aceitar um acordo de delação premiada. Ele teria ficado estupefato com a nota do PT, os xingamentos de Lula e a falta de apoio no Senado, percebendo que foi lançado às feras. Os policiais e procuradores federais avisaram que toparão o acordo, mas querem mais do que Cerveró. Eles querem Lula e Dilma.

Governo gaúcho anuncia depósito de R$ 1,2 bilhão para garantir salários em dia do funcionalismo

O governo do Rio Grande do Sul confirmou nesta sexta-feira que começou a fazer os depósitos dos salários integrais do funcionalismo público estadual. São R$ 1,2 bilhão. Como não dispõe de todo o valor para honrar contas também vencidas, a secretaria da Fazenda optou por atrasar o pagamento da prestação mensal de R$ 270 milhões da dívida com a União e resolveu atrasar repasses para hospitais e prefeituras. Isso significa que a União irá novamente bloquear as contas do governo do Rio Grande do Sul, de José Ivo Sartori (PMDB), nos primeiros dias de dezembro, até que estejam integralizados os valores devidos à União. O Rio Grande do Sul é um caso absolutamente escandalizante, em que a população tem um governo que trabalha exclusivamente em função do funcionalismo público, para pagar a conta de salários. É um governo exclusivo dos funcionários. O Rio Grande do Sul é um lixo, não é por acaso que acaba de perder o quarto lugar no PIB nacional para o Paraná. E agora segue em marcha batida para perder o quinto lugar também, para Santa Catarina. 

Romário está todo enrolado no caso da conta bancária da Suíça


O senador que havia desmentido a revista Veja, em julho, negando ter conta na Suíça, agora se contradiz e poderá acabar no Conselho de Ética por cometer o mesmo crime atribuído ao deputado Eduardo Cunha: "Quando jogava na Europa, tive conta no BSI, só não sei o ano". Ele afirmou tudo isto, citando o banco cujo dono é o BTG Pactual, de André Esteves, preso nesta semana. Há dois dias, o parlamentar publicou no Facebook uma mensagem em que diz ter "pareceres dos dois ministérios públicos (Suíça e Brasil) que não tenho conta na Suíça. Nenhum dos dois órgãos, porém, emitiu documento sobre o assunto. A história não é muito diferente da do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que pode ser cassado por mentir sobre contas na Suíça. 

Resultado da licitação de publicidade do Banrisul sai na segunda-feira; Videversus já dá agora o resultado

As oito agências que disputam as verbas de publicidade do Banrisul são as seguintes: Moove, Martins e Andrade, Centro, Yopsilon, Matriz, Escala, Globalcom e Dez. Delas, três serão escolhidas na segunda-feira. A verba publicitária do banco para o ano que vem é de R$ 46 milhões, uma das mais baixas dos últimos anos e incompatível com o tamanho do banco. Essa é uma licitação sobre a qual não pairam quaisquer dúvidas, apenas certezas. A principal delas Videversus antecipa, o nome da principal colocada: Moove. Esta agência pertence ao novel marqueteiro José Luis Monteiro Fuscaldo, que fez a campanha de José Ivo Sartori ao governo do Estado. A agência dele já tem a conta da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, Antes a agência se chamava Pública, um nome bem apropriado. A Escala pertence ao baiano Nizan Guanaes, que tem aparecido com destaque nas investigações da Operação Lava Jato, notadamente sobre os serviços de contrainformação que prestou para o sinhozinho baiano Marcelo Odebrecht. A Escala é também a agência que tem como diretor o publicitário gaúcho Alfredo Fedrizzi. Este era o cicerone habitual do executivo Alexandrino Alencar, lobista da Odebrecht, que fazia a ligação entre a empreiteira e Lula X9. Alexandrino Alencar é aquele sujeito que arranjava patrocínios eleitorais para quase toda a classe política gaúcha. Alfredo Fedrizzi alinhou a Escala completamente ao governo do petista Tarso Genro, e fez as suas duas campanhas ao governo do Estado. A Centro é a agência de Tadeu Viapiana, que começou sua carreira como chefe de gabinete do ex-deputado estadual Antenor Ferrari, atual presidente do PMDB em Porto Alegre. Certeza absoluta, mesmo, é a classificação da Moove. É o chamado segredo de Polichinelo.   

200 milhões de brasileiros podem ser punidos porque PT, MST e MTST querem lei antiterror de mentirinha

Por Reinaldo Azevedo - O Brasil está prestes a ser punido com sanções financeiras por não ter uma lei que defina terrorismo, com o consequente estabelecimento da pena. Caro leitor, entre no mecanismo de busca do blog e veja desde quando trato do assunto… Já falo sobre a pressão internacional. Antes, algumas informações. Há 194 representações na ONU. Apenas quatro não tipificam o crime de terrorismo. Sim, a nossa gloriosa Banânia é uma delas. As outras três são Líbia, Autoridade Palestina e República Tcheca. Não sei os motivos desta última. Os das outras duas é fácil: a Líbia é hoje governada por terroristas, e parte da Autoridade Palestina, a Faixa de Gaza, também. Para um terrorista, o que seria o terrorismo? E por que o Brasil integra esse fabuloso grupo dos quatro, na contramão de 190 países, e está prestes a ser punido por isso? Ora, porque o Guilherme Boulos, do MTST, não quer uma lei antiterror. Porque o João Pedro Stedile, do MST, não quer uma lei antiterror. Porque os petistas e as esquerdas, com algumas raríssimas exceções, não querem uma lei antiterror. Porque, em suma, essas minorias radicais ou extremistas acreditam que podem impor a sua vontade a 200 milhões de brasileiros. E por que essa gente não quer? Porque afirma que os ditos “movimentos sociais” seriam criminalizados. É? Então vamos ver o que estabelece o excelente substitutivo do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), aprovado por 38 votos a 18, a projeto originalmente enviado pelo governo à Câmara. 
O texto vai ao ponto:
“Comete ato de terrorismo contra pessoa aquele que, isoladamente ou em concurso de agentes, pratica violência premeditada e provoca terror generalizado por extremismo político, intolerância religiosa ou de preconceito racial, étnico, de gênero ou xenófobo.” A pena prevista vai de 16 a 24 anos de prisão. Mas pode ser de 24 a 30 “se o crime for praticado mediante emprego de explosivo, fogo, arma química, biológica, radioativa ou outra arma de destruição em massa.” O substitutivo aprovado define também o chamado “terrorismo contra coisa”, a saber: “Comete ato de terrorismo contra coisa aquele que, isoladamente ou em concurso de agentes, provoca terror generalizado, por extremismo político, intolerância religiosa ou de preconceito racial, étnico, de gênero ou xenófobo, mediante destruição ou inutilização de bem ou serviço social, por qualquer meio, inclusive eletrônico.” Nesse caso, a reclusão vai de 8 a 20 anos. E o que é um bem ou serviço essencial? Está lá: “Barragem, central de energia, linha de transmissão de energia, aeroporto, porto, rodoviária, ferroviária, estação de metrô, meio de transporte coletivo, ponte, plataforma fixa na plataforma continental, patrimônio material tombado, hospital, casa de saúde, instituições de ensino, estádio esportivo, sede diplomática ou do poder executivo, legislativo ou judiciário da União, estado, distrito federal ou municipal.” Atenção! Nada do que vai acima representa novidade em relação à legislação das democracias mundo afora. As práticas acima listadas são consideradas terroristas por… bem… 190 nações. 
Desatino
A Câmara cometeu o desatino de aprovar um texto que definia, também ele, boa parte dessas práticas como crimes de terrorismo, mas, atenção!, excluía do tipo penal “pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais, sindicais, religiosos, de classe ou de categoria profissional, direcionados por propósitos sociais ou reivindicatórios, visando a contestar, criticar, protestar ou apoiar, com o objetivo de defender direitos, garantias e liberdades constitucionais”. É de uma má-fé e de uma sem-vergonhice escandalosas. Ora, quer dizer que, em nome de uma causa social, um grupo poderia se apoderar de um avião que não estaria cometendo terrorismo? Quer dizer que, em nome de uma reivindicação “justa”, pode-se ameaçar a vida de pessoas com explosões, incêndio e veneno? O substitutivo aprovado no Senado retirou essa sandice e incluiu a expressão “extremismo político” (ausente no texto da Câmara) como uma das motivações do ato terrorista. As esquerdas não querem. Como o projeto foi alterado, tem de voltar aos deputados, que podem retomar o original. Ainda restaria a possibilidade de Dilma vetar o trecho. É claro que é um absurdo excluir os tais “movimentos sociais” do crime de terrorismo. Que se note: o substitutivo de Aloysio não chama de terrorista uma passeata, uma greve ou mesmo a ocupação de um prédio público. É preciso ler o substitutivo aprovado. Para que se possa falar em terrorismo contra pessoa ou coisa, é preciso que os criminosos provoquem “terror generalizado”, apelando à violência. Por acaso resta no ar a sugestão de que esses tais movimentos consideram legítimo se impor pelo terror? Digam-me: o MTST e o MST se sentiram flagrados nas definições do que é terrorismo contra pessoa e contra coisa? O que “o Gafi (Grupo Internacional de Ação Financeira contra Lavagem de Dinheiro e Financiamento do Terrorismo) estabeleceu fevereiro de 2016 como prazo máximo para o Brasil aprovar uma lei que tipifique o crime de terrorismo”. A reportagem informa que, caso não cumpra o prazo, “o Brasil entrará na lista de países ‘de alto risco’, segundo uma fonte do órgão. Isso implica um aumento no custo de transações financeiras para os bancos do país, segundo fonte do órgão”. José Robalinho, presidente da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), chama atenção, na reportagem da Folha, para um dado óbvio: os atentados ocorridos na França, segundo o texto absurdo aprovado na Câmara, não seriam considerados terroristas. Afinal, o que se viu por lá não foi “xenofobia” ou “discriminação”? Trata-se, por óbvio, de… “extremismo político”. A menos que os ditos movimentos sociais estejam pensando em recorrer à violência e ao terror generalizado, não têm razão para se opor ao texto. Bem, é claro que, houvesse um governo, suas bases já teriam sido mobilizadas na Câmara para acatar o substitutivo oriundo do Senado e impedir que o país seja punido. Mas governo não há. E o PT insiste em franquear aos movimentos sociais que comanda a possibilidade de, se necessário, recorrer ao terror, que pretendem chamar por outro nome. O conjunto da população é que vai pagar o pato.

"Coisa de imbecil" e "que idiota", diz Lula sobre Delcídio, preso na Lava Jato



O ex-presidente Lula chamou de "coisa de imbecil" o comportamento do líder do governo no Senado, Delcidio do Amaral (PT-MS),preso nesta quarta-feira (25) no âmbito da Lava Jato sob acusação de tentar atrapalhar as investigações. Lula manifestou sua irritação durante almoço na sede da CUT nesta quinta-feira (26). Nas conversas, Lula demonstrou perplexidade: "Que loucura! Que idiota", repetiu. O presidente do PT, Rui Falcão, presente no mesmo evento, afirmou que há diferença entre o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto e o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), ambos presos no âmbito da Operação Lava Jato. Questionado por que não manifestou ao senador, preso na quarta (25) acusado de atrapalhar as investigações do esquema de corrupção na Petrobras, a mesma solidariedade dedicada a Vaccari, Rui afirmou: "Existe uma diferença clara entre atividade partidária e não partidária". Após a prisão de Delcídio, o presidente do PT emitiu nota para dizer que o partido "não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade" a ele. Segundo Falcão, que se diz "perplexo" com os fatos que levaram o Supremo Tribunal Federal a ordenar a prisão do senador, as tratativas atribuídas a Delcídio "não têm qualquer relação com sua atividade partidária, seja como parlamentar ou como simples filiado". Na avaliação do PT, Vaccari agiu em nome do partido. Delcídio, não. Já o presidente do PT de São Paulo, Emidio de Souza, defendeu a expulsão do senador. Ele afirmou que alguns casos exigem reação imediata, como "o que houve em São Paulo com o envolvimento de um deputado com o crime organizado". Essa foi uma referência a Luiz Moura, que é suspeito de envolvimento com o PCC. Emidio disse ainda que "a bancada do PT deve se explicar" sobre as críticas à nota em que o partido nega solidariedade a Delcídio. "Apoio a nota [de Falcão]. Se não, a opinião pública nos confunde com atos delituosos", afirmou, reconhecendo que o "prejuízo ao governo é evidente". 

Justiça espanhola nega recurso da mãe de Neymar em processo



A mãe do atacante Neymar, Nadine Gonçalves, continua como ré das investigações que envolvem o seu filho, Neymar pai, Santos e Barcelona. O juiz José De La Mata não aceitou recurso para a exclusão da mãe do jogador no processo por entender que ela tinha conhecimento e lucrou com as negociações que teriam lesado o Grupo DIS, que cobra na Justiça os direitos que teria em relação à transferência. A justificativa é que o valor gasto pelos catalães seria bem inferior ao total realmente pago ao time brasileiro. A inclusão da mãe do jogador foi solicitada pelo Grupo DIS porque ela possui 50% da empresa NN Consultoria, que representa o brasileiro e cobrou 40 milhões de euros (R$ 138 milhões na ocasião) em indenização do Barcelona por ter acertado a transferência para o clube um ano antes do acordado em 2011. La Mata apresentou os seus argumentos para rechaçar o pedido dos advogados de defesa. "Existem indícios de que teve perfeito conhecimento do que foi feito. Seu sócio era o marido, a sociedade foi realizada durante a negociação dos contratos do filho, o único cliente da empresa que detinha 50% era o próprio filho, levou 5 milhões de euros imediatamente após o início da sociedade, que foi constituída exclusivamente por conta da operação", disse. Nadine ainda pode recorrer mais uma vez da decisão da Justiça espanhola antes de as audiências terem início. O DIS recebeu cerca de 6 milhões de euros (R$ 23,8 milhões) pela transferência de Neymar, equivalentes aos 17 milhões de euros (R$ 67,5 milhões) que o Barcelona teria pago ao Santos pelo atacante. Entretanto, de acordo com a empresa, o valor total chegou a 86,2 milhões de euros (R$ 342 milhões), o que daria aos empresários a pendência de aproximadamente 35 milhões de euros (R$ 139 milhões).


Del Nero deixa cargo na Fifa; filho de Sarney é indicado 





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Marcelo Sayão - 16.abr.2015/Efe


O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, entregou o seu cargo de representante da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) no Comitê Executivo da Fifa. A decisão foi tomada depois de uma reunião com membros da Conmebol na sede da CBF, no Rio, nesta quinta-feira (26). O cartola não deixa o Brasil desde maio, quando José Maria Marin, seu antecessor, foi preso na Suíça acusado de receber propina em negociações de competições no país e no exterior. A CBF não deu explicações oficiais sobre a renúncia. A Folha, porém, apurou que Del Nero informou que vai se dedicar apenas à CBF. Para o seu lugar no Comitê Executivo da Fifa, Del Nero indicou o vice-presidente da CBF Fernando Sarney, representante da região Norte do país. Filho do ex-presidente da República José Sarney, Fernando é forte aliado de Del Nero. A efetivação de Fernando no cargo só será confirmada no início de dezembro, numa reunião do Comitê Executivo da Fifa, em Zurique, na Suíça. Apesar da renúncia, Del Nero continua como membro executivo da Conmebol. Ele tem a vaga direta por ser presidente da CBF. 

Volkswagen anuncia recall de 170 mil carros Gol por problemas na lanterna


A Volkswagen do Brasil iniciou nesta quinta-feira (26) o recall de 170.443 veículos Gol por problemas nas lanternas traseiras. Foram convocados carros com os chassis não sequenciais EP130414 até EP516153 e ano-modelo 2014. E FP000006 até FP571481, para ano-modelo 2015. Segundo a empresa, esses veículos, fabricados de dezembro de 2013 a agosto de 2015, podem ter danos no circuito elétrico das lanternas traseiras. Isso poderia fazer com que a iluminação traseira do veículo falhasse, trazendo "risco de de acidentes fatais ou graves com danos materiais e físicos aos ocupantes e a terceiros". De acordo com a empresa, o serviço é gratuito, pode ser feito na rede de concessionárias Volkswagen, e deve demorar aproximadamente 20 minutos. Se necessário, a Volks instalará um componente adicional ou substituirá a lanterna traseira por completo. Em nota, a empresa afirma que está enviando cartas aos proprietários dos veículos envolvidos no problema. 

Fitch vê risco de rebaixamento do Brasil em 2016 por falta de ajuste



Os mercados emergentes deverão enfrentar outra onda de rebaixamento de notas de crédito para o próximo ano, com o Brasil sob risco de ter um corte para grau especulativo e a região da África e Oriente Médio recebendo potencialmente uma "perspectiva negativa", disse o principal analista de ratings soberanos da agência de classificação de risco Fitch, James McCormack. Os preços deprimidos das commodities combinados com o crescimento global medíocre e a aproximação da primeira alta dos juros nos Estados Unidos em quase uma década estão se mostrando uma ameaça para os ratings dos países em desenvolvimento, disse McCormack. A agência já cortou o rating de 12 economias emergentes exportadoras de commodities neste ano, e 14 países, incluindo grandes nomes como Brasil, Rússia, África do Sul e Nigéria, estão atualmente sob alertas de rebaixamento — ou com perspectiva negativa, na linguagem da agência de rating. O próximo ano parece que terá uma história similar. Em outubro a Fitch cortou a nota de crédito do Brasil para "BBB-", último degrau que garante o grau de investimento —espécie de selo de bom pagador. Agora todas as atenções estão voltadas para ver se ela segue a S&P e corta a nota do Brasil para grau especulativo. "Creio que é um padrão em que vamos continuar vendo no próximo ano", disse McCormack. Em setembro, a Standard & Poor's retirou o selo de bom pagador do Brasil ao cortar o rating do país para "BB+" ante "BBB-", e sinalizou que pode colocar o país ainda mais para dentro do território especulativo, ao manter a perspectiva "negativa" para a nota de crédito brasileira. Tal movimento pode retirar mais de US$ 20 bilhões de valor dos títulos brasileiros, prevê o JPMorgan. "O Brasil parece ser o mais vulnerável (a perder o grau de investimento)", disse McCormack, citando a falta de consolidação fiscal do país como a maior causa de preocupações. "Vamos olhar para isso novamente no começo de 2016. Quando as coisas estão se deteriorando, precisamos acompanhar com maior frequência. Faz apenas poucos meses (desde o último rebaixamento em outubro), mas até o momento nós não vimos de fato nenhuma melhora." As expectativas de que o dólar continuará a subir quando a taxa de juros dos EUA começar a ser elevada também são importantes para os ratings de mercados emergentes. "Historicamente não há relação entre o rating médio dos mercados emergentes e a taxa de juros do Fed, mas há uma relação bem próxima entre o dólar e o rating médio dos mercados emergentes", completou McCormack.

Silêncio de Dilma sobre Delcídio é acinte à inteligência, diz Aécio Neves



O senador Aécio Neves (PSDB-MG) classificou como um "acinte à inteligência dos brasileiros" o silêncio do Palácio do Planalto e da presidente Dilma Rousseff sobre a prisão do líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MT). O tucano falou sobre o assunto nesta quinta-feira (26) após reunião da executiva nacional de seu partido. "Num momento dessa gravidade, com denúncias dessa dimensão é incompreensível que a presidente não olhe nos olhos dos brasileiros para explicar sua responsabilidade nesses episódios", criticou. Aécio chegou a dizer que "talvez os brasileiros já não a vejam como presidente da República" dada a fragilidade do governo e, por isso, não cobrem tanto. Dilma, disse, teria ganhado ares de uma governante "folclórica". Aécio avaliou que a cúpula do PT adotou uma posição "covarde" ao ser "a primeira a virar as costas para o seu líder no Senado". O tucano ainda afirmou que sua sigla vai aguardar que o presidente do Senado envie as acusações contra Delcídio ao Conselho de Ética e que esse trâmite caminha para um consenso na Casa.

Ministro Fux diz que acusação contra o petista Delcídio causou "perplexidade"


O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta quinta-feira (26) que causou "perplexidade" a acusação de que o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), tentou atrapalhar as investigações do esquema de corrupção da Petrobras, o que levou o tribunal a decretar sua prisão. Segundo Fux, o caso demonstra uma "falha de personalidade" do petista. "Para mim foi uma perplexidade pela figura que o senador Delcídio sempre representou. Foi uma surpresa, deu até um sentimento de frustração, porque ele é uma figura emblemática, um homem com um bom perfil humano. Mas isso demonstrou uma falha da personalidade", disse. Delcídio, líder do governo no Senado, foi preso na quarta-feira (25) de forma preventiva pela Polícia Federal acusado de obstruir as investigações da Operação Lava Jato. Relator da Lava Jato, o ministro Teori Zavascki afirmou que o petista ofereceu mesada de R$ 50 mil para que o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, não fechasse acordo de delação premiada. O esquema envolveria a fuga de Cerveró do País. Fux afirmou que os senadores deram um bom exemplo "de como a instituição quer seguir" ao ter mantido a prisão do colega, conforme decisão do Supremo. Questionado se Delcídio teria condições de permanecer com seu mandato, o ministro disse que isso certamente será discutido pelo tribunal, uma vez que a Procuradoria-Geral da República deve tratar do tema ao oferecer denúncia contra o congressista. Ele citou ainda que o mesmo debate deve ser feito sobre um eventual pedido de afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), outro alvo da Lava Jato. Segundo investigadores, a Procuradoria Geral da República deve apresentar denúncia ao Supremo nos próximos dias contra o senador por tentar obstruir investigações de organização criminosa na Operação Lava Jato. Ele teria negociado a compra dos termos da delação premiada do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, para não ser citado. Em áudios gravados e entregues aos procuradores, Delcídio aponta tráfico de influência junto a ministros do STF para interceder pela liberdade de Cerveró, além de oferecer uma mesada de R$ 50 mil para a família do ex-diretor. A rapidez do prazo para a conclusão do inquérito e apresentação da denúncia ocorre porque se trata de caso de réu preso, situação considerada inédita para os procuradores. Sem a denúncia, apesar de preso, Delcídio ainda nem é réu em ação penal. Só a partir da aceitação da denúncia pelo Supremo é que ele passa à condição de réu. O Supremo abriu um inquérito depois da prisão do senador. No pedido de prisão, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, escreveu que o senador "está praticando crime de embaraço de investigação de organização criminosa", sujeita a pena de 3 a 8 anos e multa. "Trata-se, portanto, de crime gravíssimo", escreveu Janot. Esse inquérito deve se concentrar na atuação do senador para obstrução das investigações, mas os procuradores também vão voltar a investigar sua relação com a corrupção na Petrobras. Em março, Janot havia pedido o arquivamento de inquérito contra Delcídio, por considerar que as provas eram frágeis. O ex-diretor Paulo Roberto Costa havia afirmado em sua delação premiada que ouviu dizer que Delcídio recebeu propina da empresa Alstom quando foi diretor da Petrobras. Com a prisão, porém, reacenderam as suspeitas dos procuradores sobre o senador, que podem ser reforçadas com a delação premiada do ex-diretor Nestor Cerveró, em andamento. Os procuradores consideram que, se Delcídio se empenhou para atrapalhar as investigações, é um forte sinal de que está envolvido no esquema de corrupção, mas não necessariamente nos fatos relatados por Paulo Roberto Costa e arquivados.

Motorista do Uber é espancado por taxistas no supermercado Carrefour em Porto Alegre


Um motorista do Uber foi agredido por taxistas no fim da tarde desta quinta-feira dentro do estacionamento do supermercado Carrefour da Avenida Bento Gonçalves, no bairro Partenon, em Porto Alegre. Bráulio Pelegrini Escobar, de 40 anos, levou socos e pontapés por cerca de dez minutos até ser socorrido por testemunhas da agressão, algumas mulheres jovens. Os barbados gaúchos ficaram todos olhando, sem fazer nada. Essa é a última façanha dos portoalegrenses, a revelar como são façanhudos os gaúchos. O motorista do Uber precisou ser levado ao Hospital Cristo Redentor, onde fez exames e recebeu alta por volta das 23 horas, todo machucado. Dois taxistas foram presos em flagrante e encaminhados para a 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Porto Alegre. A dupla prestou depoimento e foi reconhecida pela vítima no Palácio da Polícia. Já na madrugada desta sexta-feira, os dois foram encaminhados ao Presídio Central. De acordo com a delegada plantonista, Cristiane Ramos, eles vão responder por tentativa de homicídio. O inquérito será conduzido pela Delegacia de Homicídios.

Taxistas presos no Palácio da Polícia 

Pouco antes da meia-noite, o motorista agredido, Bráulio Pelegrini Escobar, chegou ao Palácio da Polícia para prestar depoimento. Ele disse ter sido vítima de uma emboscada. O motorista contou que ficou quase uma hora circulando com os agressores pela cidade. "Ele (um dos agressores) se passou por passageiro, me fez circular por várias partes da cidade até me levar ao supermercado, onde houve a agressão. Tentaram me parar em blitz para meu carro ser apreendido. Tentaram me levar para o Campo da Tuca, mas desistiram porque eu comecei a não obedecer mais", relatou. "Foram em torno de dez pessoas contra mim. Fiquei preso dentro do carro, não conseguia me mover. Sofri agressão de todos os lados. Foi uma emboscada, com certeza", acrescentou Escobar. O motorista explicou que estava desempregado há três anos antes de receber a oportunidade de trabalhar com o Uber e fez um desabafo direcionado ao prefeito José Fortunati: "Queria que o senhor prefeito olhasse bem para o meu rosto quando ele tenta dizer que Porto Alegre não é uma terra de ninguém", disse. A assessoria de imprensa do Uber disse que a empresa "se solidariza com o motorista" e que o "uso de violência em qualquer forma, sobretudo contra cidadãos trabalhadores, é inaceitável. A Uber está oferecendo todo o apoio ao motorista atacado e todas as medidas legais cabíveis serão tomadas". O Uber comentou ainda que vai "colaborar com as autoridades locais durante a investigação". O Carrefour esclarece que "assim que percebeu o ocorrido, acionou imediatamente a Polícia Militar para conduzir a situação. O SAMU também foi acionado para socorrer a vítima". Porto Alegre é a cidade mais reacionária e retrógrada do Brasil. 

O petista Delcidio Amaral pode ser favorecido pelo desinteresse do Senado em punir

A prisão de Delcídio Amaral (PT-MS) pegou o Senado de calças nas mãos: o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) não indica Corregedor desde a saída de Vital do Rêgo, em 2014, para assumir no Tribunal de Contas da União. O Conselho de Ética está às moscas desde 2013 e seu presidente, João Alberto (PMDB-MA), foi um dos 13 senadores que votaram para soltar o colega flagrado na trama para obstruir a Justiça. A mesa diretora do Senado deveria ter representado contra Delcídio no Conselho de Ética enquanto sua prisão surpreendia o País. João Alberto disse que o Conselho de Ética do Senado somente pode agir “se for provocado”. Como presidente, ele não pretende fazer isso. A oposição fará a “provocação” ao Conselho de Ética, diz o senador Cassio Cunha Lima (PSDB-PB), se a Mesa Diretora se fingir de morta. O Senado hesita na punição ao senador preso por oferecer dinheiro e um plano de fuga a um condenado da Justiça, em troca do seu silêncio.

Banqueiro André Esteves é transferido para presídio de Bangu 8 no Rio de Janeiro


O ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki determinou nesta quinta-feira a transferência do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, para presídio Ary Franco, o Bangu 8, no Rio de Janeiro. À noite, Esteves foi levado para exames no Instituto Médico Legal. O banqueiro foi detido na quarta-feira na mesma operação que levou à prisão o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS). Zavascki determinou a transferência de Esteves acatando uma sugestão da Polícia Federal. O banqueiro estava detido desde quarta-feira na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro e o órgão informou não ter condições de mantê-lo na carceragem. Caberá agora à Polícia Federal proceder a transferência. O ministro rejeitou ainda pedido da defesa que buscava a revogação da prisão temporária de Esteves. A defesa argumentava que não estavam mais presentes os fundamentos que levaram à medida, a possibilidade de Esteves obstruir as investigações ou fugir. Em depoimento à Polícia Federal após a prisão, Esteves negou ter pago ou oferecido vantagem a Cerveró. Ele diz ter tomado conhecimento pela imprensa de que Cerveró poderia fazer a delação premiada, mas disse que não sabia que ele poderia citar o BTG ou ele próprio.