domingo, 13 de dezembro de 2015

Os bônus dos executivos do BTG


Dias antes da prisão de André Esteves tinha começado o processo de discussão dos bônus devidos aos sócios do banco. No início do ano, a turma de lá recebeu R$ 1,2 bilhão de bônus pelo desempenho excepcional em 2014. Agora, imagina-se que todos vão morrer na praia.

Agência de comunicação que serviu ao PT recebeu R$ 7,7 milhões de empreiteiras


São explosivos os dados da quebra do sigilo bancário da Pepper, a agência de comunicação do PT, que estão nas mãos dos investigadores da Operação Acrônimo. Com contas no Banco do Brasil e Santander, a Pepper recebeu R$ 7,7 milhões de empreiteiras investigadas na Lava-Jato. Só da Andrade Gutierrez, em dezessete transferências bancárias, chegaram R$ 6,28 milhões em 2010. Naquele ano, a Pepper cuidou das redes sociais da campanha de Dilma Rousseff. A OAS transferiu R$ 717 mil em três depósitos. A Egesa pagou R$ 563 mil em seis movimentações. A Queiroz Galvão passou R$ 159 mil em três transferências. A Pepper é a responsável pela beligerância do PT na internet. A Polícia Federal suspeita de que Carolina Oliveira, mulher de Fernando Pimentel, seja sócia oculta da Pepper. E de que a Pepper tenha servido para escoar propina para outros petistas. (Lauro Jardim)

Irã examina potenciais candidatos a novo líder supremo, diz ex-presidente


Um comitê iraniano está examinando potenciais candidatos a novo líder supremo do país, afirmou neste domingo (13) o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, quebrando um tabu ao falar publicamente sobre a sucessão na República Islâmica. Mesmo depois que o aiatolá Ali Khamenei, de 75 anos, se submeteu a cirurgia para remover um câncer de próstata no último ano, o debate público a respeito da sucessão nunca ganhou força nos círculos oficiais devido ao risco de isso ser visto como uma forma de enfraquecer a figura mais poderosa do Irã. Mas com uma eleição marcada para fevereiro para a Assembleia dos Peritos, corpo clerical que escolhe o líder supremo, a discussão finalmente veio à tona. O moderado presidente Hassan Rouhani e seus aliados querem se aproveitar da popularidade que ganharam ao assinarem um acordo nuclear com a potências mundiais que deve acabar com as sanções impostas ao país, para vencer a maioria dos assentos na assembleia e também na eleição parlamentar que acontecerá no mesmo dia. "A Assembleia dos Peritos irá atuar quando um novo líder precisar ser indicado. Eles estão se preparando para isso agora e estamos examinando as opções", disse Hashemi, um dos principais aliados de Rouhani, de acordo a agência de notícias Irna neste domingo. "Eles indicaram um grupo para listar as pessoas qualificadas que serão colocadas para votação (na assembleia) quando um incidente ocorrer", acrescentou, numa das raras vezes em que alguém ligado ao governo explica o processo de sucessão no país. A assembleia de 82 clérigos eleitos tem como responsabilidade eleger, supervisionar e até desqualificar o líder supremo. E esse grupo é eleito pelo povo a cada 10 anos, mais ou menos, e os comentários de Rafsanjani podem ser vistos como uma forma de engajar o apoio do público nas eleições, e assim lhes garantir mais poder para escolher o próximo líder. Ao longo da última década, os conservadores ganharam mais assentos tanto na assembleia como no parlamento, pois todos os candidatos são examinados pelo Conselho Tutelar, cujos membros mais influentes são escolhidos direta e indiretamente pelo líder supremo para interpretar a constituição. O líder supremo é o comandante supremo das forças armadas e aponta os chefes do sistema judiciário. Ministros importantes são selecionados com seu aval e ele tem a última palavra na política externa do Irã e em seu programa nuclear. Em comparação, o presidente tem pouco poder. Khamenei é apenas o segundo líder supremo do Irã, escolhido em 1989 quando o aiatolá Khomeini morreu. Rafsanjani também afirmou que a Assembleia dos Peritos estará aberta para escolher "um conselho de líderes se necessário", em vez de um único aiatolá. Rouhani e Rafsanjani são, os dois, membros da assembleia e devem concorrer na próxima eleição.

Deputado Mario Jardel reconhece que é cocainômano e não escapará da cassação


O deputado estadual Mario Jardel, do PSD, confirmou para a Corregedoria da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul que é mesmo um drogado, um consumidor contumaz de cocaína. O depoimento foi dado para o corregedor geral, deputado estadual Marlon Soares (PDT). Ou seja, não há hipótese de o deputado estadual não ser cassado. Mas, tenham certeza: o deputado estadual Mário Jardel não é o único drogado no Parlamento gaúcho.

Senador Aloysio Nunes Ferreira diz que há "predisposição" do PSDB em entrar no governo Temer

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) admitiu, neste domingo (13), a hipótese de o PSDB participar de um eventual governo de Michel Temer à frente da Presidência da República. Segundo ele, existe uma pré-disposição do tucanato de participar da gestão Temer até porque o PSDB apóia o impeachment. "Claro que haverá uma pré-disposição favorável. Se apoiamos o impeachment, temos a pré-disposição de apoiar o governo do PMDB", disse Aloysio, após discursar na Avenida Paulista. Segundo Aloysio Nunes, tudo dependerá das condições apresentadas por Temer. "Temos que ver quem vai compor com o governo. Qual é o método. Ele vai romper com o método político que foi consagrado pelo PT, vai ser esse presidencialismo de coalizão avacalhado, fisiológico? Ou ele vai romper com isso? Vai depender dessa resposta. Qual é o programa que ele vai propor? Dependendo das condições e do programa, podemos participar", justificou o senador, cujo rosto foi pintado de verde e amarelo pelos manifestantes. Em seu discurso, Aloysio Nunes negou que o processo de impeachment seja um "golpe" como acusam os petistas. "Não vai ter golpe. Vai ter impeachment", discursou. Aloysio Nunes minimizou o baixo quorum do protesto em comparação aos anteriores: "Essa manifestação de hoje não é fato único. Foi preparada para uma sequência de manifestações que marcaram todo o ano de 2015 e que mudou o panorama político do país. O que queremos é fazer uma confluência das manifestações de rua e o funcionamento das instituições para que as manifestações impulsionem o congresso", disse.

Treze mulheres são eleitas na Arábia Saudita


Na ultraconservadora Arábia Saudita, a candidatura e o voto das mulheres sempre foram terminantemente proibidos. Até esta última eleição, realizada ontem, em que 900 delas tentaram lugar na política. O resultado foi parcialmente divulgado e já traz um fato histórico: pelo menos treze mulheres foram eleitas, segundo a agência oficial saudita. Entre elas, Salma Bent Hizab Al Oteibi conquistou uma cadeira no Conselho Municipal de Madrakah, na região de Meca, a cidade mais sagrada do Islã, e Hanouf bint Mufreh bin Ayad al-Hazimi ganhou em al-Jawf, no norte do país. As candidatas venceram em oito províncias, segundo resultados apresentados pelas comissões eleitorais de cada região e publicados em meios de comunicação oficiais. A Arábia Saudita, que vive sob a tutela de uma versão rigorosa do Islã, é um dos países mais restritivos do mundo às mulheres. Elas não têm direito de dirigir e precisam da aprovação de um homem para trabalhar ou até mesmo viajar. Nesse sentido, as atuais eleições são um primeiro lampejo de avanço.

Dono da Riachuelo diz que Eduardo Cunha vai renunciar

Flavio Rocha, dono da Riachuelo, disse em seu twitter que Eduardo Cunha vai renunciar e Jarbas Vasconcelos será o candidato de consenso para presidir a Câmara. "Uma grande notícia para a democracia", diz. Ele está certo.


Mais certo ele estaria se dissesse que o grande dia da democracia será quando a petista Dilma renunciar ou for afastada do poder pelo processo do impeachment. Mas, parece que seria pedir demais à cabeça de um empresário nacional. Certamente, por anos, ele aplaudiu a política petista das bolsas capitalistas.

Quanto custou o RedBar do assessor de Dilma?

O RedBar, uma sociedade de Anderson Dorneles com os empresários Douglas Franzoni e Jaime Menezes - alguém conhece? - teve um concorrido coquetel de inauguração com a presença da cúpula do Internacional. No release, o bar do assessor de Dilma foi apresentado como um "sport bar" onde a "tecnologia" surge como diferencial. As transmissões esportivas são feitas por dois telões "videowall", painéis com monitores de borda ultrafina que formam uma grande tela, além de nove monitores profissionais espalhados pelo local. A culinária contemporânea é "o carro-chefe" do menu inspirado nos "melhores sports bar do mundo". Quanto custou toda essa tecnologia petista?


De carregador de bolsa a dono de "sport bar"

Chapecó reúne mil manifestantes pelo impeachment diante da Catedral

Esta manhã, entre 10h e 11h30min, pelo menos mil pessoas reuniram-se diante da catedral, Chapecó, cidade pujante do oeste de Santa Catarina. Como acontece em todo o País, as manifestações de hoje reúne menos gente do que as concentrações anteriores, mas os organizadores do movimento já contavam com isto e exatamente por esta razão classificaram os eventos de hoje como mero "aquecimento" para atos maiores. Chapecó é a cidade mais importante do oeste de Santa Catarina. A região do Oeste de Santa Catarina recebeu milhares de migrantes gaúchos nas décadas de 40, 50 e 60. Devem ter ido embora do Rio Grande do Sul todos aqueles que tinham vontade de crescer, de melhorar de vida, garantir um futuro para seus filhos e netos. Esta gente que se arrisca a mudar, sair do seu lugar, é dotada de um espírito empreendedor, tem vontade de realizar e precisa de governos que deixem trabalhar em paz. Por isso em Chapecó tinha mais gente no protesto do que em Porto Alegre. No Rio Grande do Sul ficaram somente os acomodados, essa gente que vive pendurada no aparelho de Estado, esperando a morte chegar, com a boca cheia de moscas na frente da televisão, como dizia o Tom Zé. 

Irmão de Eduardo Campos reúne 7 mil em Recife para pedir impeachment de Dilma

O irmão do ex-governador Eduardo Campos, o advogado Antonio Campos, defendeu hoje o impeachment de Dilma Roussef. Ele falou durante manifestação pública realizada no Recife e que reuniu 7 mil pessoas. O irmão do ex-governador, neto de Miguel Arraes, acha que o PSB precisa adotar atitudes mais firmes no processo de impedimento da presidente.

IMPEACHMENT – Constituição não dá ao Senado poder para se negar a abrir processo

Basta ler o que está na Carta: “Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento (...) perante o Senado Federal nos crimes de responsabilidade”

Por Reinaldo Azevedo - Posso estar enganado, e tomara que esteja, mas parece que há feiticeiros querendo fazer malandragem com a letra da Constituição. Como aqui já se chamou atenção, há, sim, uma incompatibilidade entre o que vai na Lei 1.079 e o disposto na Carta Magna: aquela diz que o presidente da República tem de ser afastado tão logo dois terços da Câmara autorizem o Senado a abrir o processo de impeachment. A Lei Maior do País diz que esse afastamento deve se dar “após a instauração do processo pelo Senado Federal”. E é nesse ponto que há pessoas falando esquisitices, inclusive Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente da Casa. E em que consiste a confusão? Ora, estão sugerindo por aí que a comissão especial do Senado teria poderes para simplesmente ignorar a denúncia, recusando-se até mesmo a instaurar o processo. Segundo essa leitura, a votação da Câmara poderia simplesmente ser ignorada. Rodrigo Janot, acreditem!, caminha por aí. Vamos, então, ver o que está na Constituição. Leiam o que diz a caput do Artigo 86: 
“Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.”
Será que a Constituição que Renan, Janot e outras figuras menores têm em casa diz coisa diferente do que vai acima? Observem que o caput do artigo não oferece a Dilma a possibilidade de não ser submetida a julgamento. Será! Fatalmente! Releiam o trecho. Se o constituinte tivesse querido dar aos senadores o poder de matar o processo, teria explicitado isso no texto, não é mesmo? Está lá, no entanto, que, admitida a acusação pela Câmara, o mandatário “será submetido a julgamento”. Sem condicionante nenhuma. “Será" quer dizer “será”, não “talvez”. Fachin, que não foi eleito para legislar, diz que vai propor um ritual para o impeachment — que só vai prosperar se contar com a concordância de pelos menos seis ministros. Vamos ver. Qualquer que seja esse rito, é evidente que, se a Câmara autorizar o processo, caberá ao Senado cumprir o que DETERMINA a Constituição. Não é uma questão de gosto.

Uma suposição sobre André Esteves e o BSI

O Estadão publica uma notícia que precisa ser investigada, e com urgência, pelo Ministério Público Federal. De acordo com o jornal, "a agência reguladora dos bancos na Suíça resistiu à proposta de André Esteves de comprar o banco BSI. Segundo o Estado apurou, o negócio apenas foi concluído quando uma série de condições legais envolvendo o banqueiro brasileiro foi esclarecida e, acima de tudo, quando uma 'intervenção oficial' de Brasília ocorreu. O temor dos reguladores do mercado financeiro suíço era de que, ao permitir a entrada de Esteves em sua praça financeira, haveria a possibilidade de abrir a porta para negócios envolvendo a Petrobras". Vamos lá: o BSI, banco onde Romário não tinha, mas tinha conta, foi comprado pelo sócio de falcatruas do PT na Petrobras. Agora, vem à tona que André Esteves precisou de "intervenção oficial" junto à Suíça para adquirir o BSI, porque as autoridades daquele país não queriam saber de mais confusão envolvendo a estatal brasileira. Quando se junta lé com cré, é razoável supor que André Esteves comprou um banco na Suíça para lavar mais branco dinheiro do petrolão e adjacências. Teria sido a ajuda do governo Dilma desinteressada? Procuradores, é com vocês.

Exclusivo: Abin espiona Michel Temer

O Antagonista soube de fontes insuspeitas que Michel Temer está sendo espionado pela Agência Brasileira de Inteligência, a mando de Ricardo Berzoini, ministro da Secretaria de Governo. Ricardo Berzoini é Dilma Rousseff. O objetivo, evidentemente, é monitorar os movimentos políticos do vice-presidente da República, que se articula para suceder a petista dentro das regras democráticas. É um escândalo que a presidente da República, por meio de um ministro, espione o seu vice. É um escândalo que a presidente da República use uma agência estatal, sustentada com dinheiro público, em benefício pessoal. É um escândalo que a presidente da República transforme o Estado de Direito em Estado policial. O Brasil não pode continuar assim.

Operação Lava Jato descobre fortuna de US$ 190 milhões em contas de doleiro nas Ilhas Cayman


A força-tarefa da Operação Lava Jato descobriu uma movimentação de US$ 190 milhões de dólares e 4,4 milhões de euros em contas do doleiro Nelson Martins Ribeiro, preso na Operação Corrosão, 20ª fase das apurações, deflagrada no dia 16 de novembro. Segundo a Polícia Federal, Nelson Ribeiro "dedica-se profissionalmente à corrupção e à lavagem de dinheiro". A Lava Jato citou pela primeira vez a multinacional holandesa Vitol, fornecedora de combustíveis para petroleiros. Inicialmente, a Lava Jato identificou que o doleiro da Corrosão – colocado em liberdade dez dias depois – usou três contas secretas em nome de off-shores mantidas nas Ilhas Cayman (Crown International Ltd., Enterprise Tech Industries Inc e Apple Capital Corp) para depositar US$ 5,66 milhões nas contas do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa – primeiro delator da Lava Jato. “Examinando mais acuradamente a documentação relativa às contas, constatou que a movimentação total das contas de Nelson seria muito superior ao montante depositado de Paulo Roberto Costa, atingindo, entre 2009 e 2012, USD 190.204.821,98 e 4.459.259,66 euros”, registra no processo o juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato em Curitiba. Com a cooperação jurídica internacional das Ilhas Cayman, a Procuradoria descobriu que parte dos recursos depositados nas contas de Nelson Ribeiro veio das contas das off-shores Klienfeld Services, Innovation Researd, Trident Trading e Constructora del Sur. Essas contas foram utilizadas, segundo a Lava Jato, para fazer depósitos nas contas secretas não só do ex-diretor de Abastecimento, mas como também para o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque – preso desde março, em Curitiba – e seu ex-braço direito Pedro Barusco, delator dos processos. O documento da Procuradoria da República cita também o doleiro Bernardo Freiburghaus, apontado pelos investigadores como operador de propinas da Odebrecht. “Nelson Martins Ribeiro, por intermédio de sua casa de câmbio N e A Viagens Turismo e Câmbio LTDA., é um operador financeiro que, juntamente com Bernardo Freiburghaus, desenvolveu diversos atos de lavagem transnacional de ativos em favor do Grupo Odebrecht por intermédio da realização de transações financeiras ilícitas no exterior a partir de contas sediadas nas Ilhas Cayman em nome das offshores Crown International LTD, Enterprise Tech Industries Inc. e Apple Capital Corp”, sustenta a Procuradoria da República. A Lava Jato descobriu também recursos de uma multinacional holandesa, fornecedora da Petrobrás, como origem dos pagamentos nas contas secretas do doleiro. “Também identificou transferências a depósitos nas contas de Nelson Ribeiro provenientes de contas em nome de Cockett Marine Oil Ltd Brazil, Jet Star Aviação Ltda e Sutech Engenharia, também em valores milionários”, registra Moro. O juiz afirma que autoridade policial identificou que uma dessas off-shores, a Cockett Marine, seria “subsidiária do Grupo Vitol da Holanda e que forneceriam combustíveis para a frota de petroleiros da Petrobrás”. “No contexto, decorre fundada suspeita de que o investigado pode estar envolvido em crimes que transcendem os próprios pagamentos identificados a Paulo Roberto Costa”, diz Moro. Apesar de ponderar que “não é o caso de exarar nesse momento qualquer conclusão”, o juiz da Lava Jato destacou a necessidade de intimação das empresas depositantes para prestar esclarecimentos. Em especial empresas “fornecedoras da Petrobrás até o momento não cogitadas”. 

Eduardo Cunha quer ajudar a derrubar a petista Dilma Rousseff antes de cair


Mesmo preocupado com a ameaça de ação da Justiça por atrapalhar o processo contra ele no Conselho de Ética, o deputado Eduardo Cunha tem deixado claro aos aliados que é sua determinação não aceitar qualquer aceno de conciliação com o governo. Ele não acredita na perda da presidência da Câmara e o mandato, mas sustenta que qualquer das hipóteses só aconteceria após o impeachment de Dilma. Aliado fiel de Eduardo Cunha, o deputado Paulinho da Força (SD-SP) considera certa a aprovação admissibilidade: “Todos já sabemos disso”. No conselho de ética, aliados tentam negociar punição alternativa à cassação de Eduardo Cunha, como suspensão ou censura. A cassação por mentir à CPI da Petrobras é o grau de punição mais duro previsto no regimento da Câmara. O mais ameno é a advertência. Em último caso, Eduardo Cunha poderá repetir Renan Calheiros e abrir mão da presidência da Câmara para preservar o mandato de deputado.

Vejam como é fácil redigir o pedido de cassação de mandato de um bandido, basta ter vontade politica


Em uma noite de trabalho em seu apartamento em hotel de Brasília, o juiz aposentado e advogado Luiz Francisco Correa Barbosa, secretário nacional Juridico do PTB, redigiu o pedido de cassação de mandato do então todo poderoso deputado federal José Dirceu, do PT, hoje um bandido petista condenado. No dia seguinte, em almoço em churrascaria em Brasília, o requerimento foi apresentado para membros da Executiva Nacional do partido, O presidente nacional do PTB na época, Flavio Martinez assinou na hora o requerimento, com o comentário de que não daria em nada. A história subsequente todos os brasileiros conhecem. O texto a seguir, a representação redigida pelo advogado Luiz Francisco Correa Barbosa, vai para a história, já passados dez anos:


EXCELENTÍSSIMO SENHOR DEPUTADO-PRESIDENTE DO EGRÉGIO CONSELHO DE ÉTICA E DECORO PARLAMENTAR DA CÂMARA DOS DEPUTADOS.



Ref.:                           Representação por quebra de decoro  parlamentar.













O PARTIDO TRABALHISTA BRASILEIRO – PTB, com representação nessa Casa, por seu Presidente em exercício ao fim assinado, comparece respeitosamente à ilustrada presença de Vossa Excelência, a fim de oferecer esta



R E P R E S E N T A Ç Ã O



contra atos do Senhor Deputado JOSÉ DIRCEU (PT-SP), que fraudaram o regular andamento dos trabalhos legislativos, visando à alteração do resultado das deliberações, configurativos de atos incompatíveis com o decoro parlamentar, consoante expõe a seguir:


1.                       Em depoimentos prestados ao Procurador-Geral da República, em poder da egrégia Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios e perante a própria CPMI, respectivamente, por MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA, a 14 Jul 2005 e d. RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA, a 26 Jul 2005, deram conta de que o Representado, JOSÉ DIRCEU, enquanto licenciado dessa Casa para exercer as funções do cargo de Ministro-Chefe da Casa Civil do Presidente da República, em conluio com o Secretário de Finanças do Partido dos Trabalhadores – PT, DELÚBIO SOARES, levantou fundos junto ao Banco Rural e Banco de Minas Gerais – BMG, tomados sob a intervenção e responsabilidade de MARCOS VALÉRIO, com a finalidade de pagar parlamentares para que, na Câmara dos Deputados, votassem projetos em favor do Governo.

                          À sua vez, tais fundos levantados como se empréstimos fossem, eram compensados pelo favorecimento aos Bancos mencionados  -  com cujos diretores, entre eles, FLÁVIO GUIMARÃES (BMG) e KÁTIA RABELO (Rural), esteve reunido JOSÉ DIRCEU  -  e empresas de que participa MARCOS VALÉRIO, em contratos governamentais, de sua administração indireta ou autárquica, garantidos pela influência do Representado, de modo a que, embora tais mútuos não tenham sido honrados pelos tomadores, tampouco houvesse cobrança daquelas instituições financeiras de seu crédito.
                         
                          Assim agindo, o Representado quebrou o decoro parlamentar, porquanto membro titular de mandato legislativo aí, valeu-se daquela atividade junto ao Poder Executivo, para interferir e fraudar o regular andamento dos trabalhos legislativos, alterando o resultado de deliberações em favor do Governo, infringindo a Constituição Federal, art. 55, inciso II e § 1°, o Regimento Interno da Câmara dos Deputados, art. 244 e o Código de Ética e Decoro Parlamentar, art. 4°, inciso IV, pelo que se formula a presente Representação, a fim de que apresente a defesa que tiver, até final perda do mandato que detém.
                         
                         
2.                       O Representante acosta, como prova, os seguintes elementos da notoriedade dos fatos imputados:
                         
                          -        jornal Folha de São Paulo, caderno A, edição de 27 Jul 2005, cuja manchete principal é “Dirceu sabia dos empréstimos, diz mulher de Valério”;

                          -        jornal O Estado de São Paulo, caderno A, edição de 27 Jul 2005, cuja manchete principal é “Dirceu sabia de empréstimos ao PT, diz Renilda; ele nega”;

                          -        jornal Correio Braziliense, 1° caderno, edição de 27 Jul 2005, cuja manchete principal é “Mulher de Valério liga Dirceu a empréstimos”;

                          -        jornal O Globo, 1° caderno, edição de 27 Jul 2005, cuja manchete principal é “Renilda envolve Dirceu e apressa sua convocação”.



3.                       Também como prova, requer:

                          a)      a requisição à CPMI dos Correios, de cópia do depoimento prestado por MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA ao Procurador-Geral da República, em 14 Jul 2005;

                          b)      a requisição à CPMI dos Correios, de cópia do depoimento a ela prestado por d. RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA, em 26 Jul 2005;

                          c)      a remessa de cópia desta à CPMI dos Correios, a fim de que, conhecendo o seu teor, outros documentos julgados relevantes e capazes de sua cabal demonstração, sejam remetidos a esse egrégio Conselho de Ética e Decoro Parlamentar;



                          d)      com esses documentos, o depoimento pessoal do Representado JOSÉ DIRCEU

                          e)      a ouvida do testemunho de MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA, RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA, dos Diretores KÁTIA RABELO e FLÁVIO GUIMARÃES, dos Bancos Rural e BMG, que estiveram tratando do assunto com o Representado, em Belo Horizonte e Brasília;

                          f)       a admissão e produção de todo o gênero a mais de prova, com vista à demonstração do alegado e final procedência desta Representação.       

                          Pede deferimento.

                          Brasília,  29  de julho de 2005.



                                      Flávio Martinez,
                          Presidente em exercício do PTB.