quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Saúde do Rio de Janeiro bloqueada pelas Olimpíadas

A CBN obteve um documento interno da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro que mostra o estilo de gestão do governador Luiz Fernando Pezão. De acordo com a reportagem, o governo estadual deixou de fornecer oito reanimadores ambulatoriais adultos para uma UPA de São Gonçalo, na região metropolitana, para "economizar para as Olimpíadas de 2016".

Luleco se reunia em hotéis

Luís Cláudio Lula da Silva tem o hábito de receber os dirigentes dos clubes de futebol americano em hotéis. O Antagonista foi informado de que Luleco usou nos últimos três anos o Hotel Panamby, no quilômetro 223 da rodovia Presidente Dutra. Em 2012, a reunião foi no hotel Quality In, próximo ao aeroporto de Congonhas. Ele pagou o almoço.

Regra de três

O governo do Mato Grosso pagou 700 milhões de reais à Mendes Junior pela construção da Arena Pantanal. A empreiteira embolsou a grana, mas deixou de entregar 3% da obra, referente a banheiros, instalações elétricas e acabamento. Qual o valor da propina?

Migração de judeus franceses para Israel bate recorde em 2015

Um número recorde de judeus franceses se mudou para Israel neste ano, de acordo com um funcionário da imigração, devido à violência antissemita e a insegurança econômica na França. A França possui a maior população judaica na Europa, que praticamente dobrou de tamanho após a Segunda Guerra e atinge cerca de 550 mil pessoas. A comunidade tem sido abalada por um aumento das ameaças de ataques de militantes islâmicos como a invasão a um mercado kosher em janeiro, que terminou com quatro judeus mortos. A Agência Judaica, órgão ligado ao governo de Israel que encoraja a imigração, disse que 7.900 judeus franceses foram alocados em Israel em 2015, um aumento de 10% em relação ao ano anterior. 'Cada um deles ou delas tem suas razões, incluindo a crise econômica, a segurança pessoal, ataques terroristas e, em alguns lugares, uma onda anti-judeus", disse Yigal Palmor, porta-voz da agência. Palmor informou que a imigração para Israel atingiu a maior alta em 15 anos em 2015, quando consideradas pessoas vindas de todos os países. Cerca de 30 mil pessoas migraram para o país judaico. Boa parte deles veio da Rússia, que enfrenta problemas econômicos, e da Ucrânia, que enfrentou uma guerra civil. 

Dilma edita Medida Provisória que autoriza uso de dinheiro para pagar pedaladas fiscais, governo retoma o endividamento a qualquer custo

A presidente Dilma Rousseff editou nesta quinta-feira (24) uma medida provisória que autoriza o governo a usar o superávit financeiro registrado em 2014 para quitar parte das despesas de 2015. O dinheiro provavelmente será usado para pagar a dívida com o FGTS e os bancos públicos referentes às chamadas pedaladas fiscais. 


As pedaladas foram atrasos dos repasses da União para quitar benefícios sociais e subsídios pagos por bancos públicos. Por causa delas, o Tribunal de Contas da União reprovou as contas de Dilma Rousseff em 2014. A reprovação ainda terá de ser apreciada pelo Congresso, Na terça-feira (22), o ministro Nelson Barbosa (Fazenda) afirmou, durante teleconferência com jornalistas estrangeiros, que o governo vai anunciar na próxima semana como será feito esse pagamento e qual o volume a ser quitado. A dívida total estimada é de R$ 57 bilhões. A medida provisória, publicada na edição desta quinta-feira (24) do Diário Oficial da União, não especifica qual o volume de dinheiro que poderá ser retirado do superávit financeiro do ano passado para quitar as despesas obrigatórias de 2015. Na entrevista com correspondentes estrangeiros, o novo ministro da Fazenda disse que o governo poderia usar esses recursos, que ficam depositados na conta única do Tesouro, ou contrair nova dívida (vendendo títulos públicos) para fazer o pagamento.

Avós da Praça de Maio encontram neta de uma de suas fundadoras


Clara Anahí, roubada quando tinha três meses de idade pela ditadura argentina (1973-86), foi encontrada após 39 anos de intensas buscas de sua avó, María "Chicha" Mariani, uma das fundadoras das Avós da Praça de Maio, informou nesta quinta-feira (23) a fundação que ela preside. Clara Anahí Mariani, desaparecida em 24 de novembro de 1976, tornou-se a neta de número 120 recuperada. "Após um rigoroso mecanismo de determinação do vínculo biológico, foi estabelecida a probabilidade de vínculo em 99,9%", informou a Fundação Anahí, criada por sua avó em 1989, depois de deixar a presidência das Avós da Praça de Maio. O caso é emblemático e ficou conhecido em todo o mundo através da difusão de cartas abertas escritas por Chicha Mariani à sua neta. Uma foto de Clara Anahí bebê foi reproduzida nas redes sociais, que repercutiram a busca da agora adulta de 39 anos. Os pais da jovem, Daniel Mariani e Diana Teruggi, desapareceram e foram assassinados durante a ditadura na Argentina que deixou milhares de desaparecidos. Vejam a matéria do jornal Clarin, de Buenos Aires:

Encontraron a Clara Anahí, la nieta de Chicha Mariani

Otro nieto recuperado
Había sido apropiada por la dictadura en 1976, en La Plata, cuando tenía apenas tres meses de vida.
Luego de 39 años de búsqueda, María "Chicha" Isabel Chorobik de Mariani -fundadora y ex presidenta de Abuelas de Plaza de Mayo- se rencuentra con su nieta Clara Anahí en lo que representa, según el comunicado de la Fundación Anahí, "uno de los mayores logros de la sociedad argentina en el camino de la restitución de los nietos desaparecidos bajo la dictadura militar".  
La identidad fue comprobada por estudios de muestras de ADN que establecieron la compatibilidad entre ambas en 99%.
Anahí había desaparecido cuando tenía apenas tres meses en el transcurso de un operativo de fuerzas de tareas, con intervención del Ejército, en la calle 30 entre 55 y 56 de La Plata, donde funcionaba una imprenta de Montoneros. En el operativo participó en aquel entonces el coronel Ramón Camps, jefe de la Policía bonaerense y el represor Miguel Etchecolatz.



En el último posteo de la cuenta de "Chicha" Mariani publicó una foto de Anahí. Allí le prometía seguir la búsqueda "cueste lo que cueste hasta que te encuentres con toda tu familia. Somos muchos y todos queremos conocerte, abrazarte y escucharte. Acercate mi vida, te quiero mucho".

Hoy, abuela y nieta podrán compartir esta navidad. 

A sapa gorda e o tema da corrupção

A Andrade Gutierrez entregou a campanha de Dilma Rousseff. Como dissemos ontem, os executivos da empreiteira relataram à Lava Jato que Edinho Silva e Giles Azevedo os pressionaram por dinheiro. Os depoimentos só não vieram à tona porque Teori Zavascki e Rodrigo Janot retardaram a homologação da delação premiada. A informação sobre os achaques sofridos pela Andrade Gutierrez explicam as mensagens que a Polícia Federal apreendeu nos telefones celulares dos executivos da empresa. No dia 25 de outubro de 2014, por exemplo, eles comentaram o último debate entre Dilma Rousseff e Aécio Neves. Um deles escreveu: "TÉ agora? O tema corrupção? A mulher está nervosa demais? Agora o homem moeu a gorda de perna aberta”. Outro respondeu: "Fora sapa com cara do satanás!!!" Segundo os dados do TSE, naquela mesma semana, nos dias 22 e 23 de outubro, a Andrade Gutierrez depositou 5 milhões de reais nas contas de Dilma Rousseff. Os comentários sobre a sapa gorda e o depósito do dinheiro devem ser o resultado das visitas de Edinho Silva e Giles Azevedo.

Com aval de Dilma, o "guerreiro do povo brasileiro", José Dirceu, pede indulto de Natal

O decreto de indulto de Natal editado por Dilma Rousseff vai beneficiar mensaleiros. A defesa de José Dirceu já se movimenta para pedir ao Supremo Tribunal Federal a concessão do benefício. O problema é que José Dirceu, o "guerreiro do povo brasileiro", além de condenado no Mensalão do PT, é réu na Lava Jato. Mas como o plantão de final de ano é de Ricardo Lewandowski, o bolivariano, tudo é possível.

Onde está o patrocínio do Torneio Touchdown?

Talvez, um dos trechos mais risíveis da entrevista de Luleco ao UOL sobre sua atividade como cartola de futebol americano seja o seguinte: "Minha empresa gere uma Liga onde os clubes são contratados por mim. Eu pago os clubes, dou um incentivo igual a todos, desde o melhor até o pior. E a gente investe no clube para que o clube tenha uma base para trabalhar". O Antagonista ouviu presidentes e ex-jogadores de times que disputam o Torneio Touchdown. O investimento de Luleco nos times é o repasse de apenas R$ 20 mil por ano e o pagamento dos árbitros e do aluguel de uma ambulância. Os clubes, por sua vez, devem bancar todo o resto, passagens, uniformes, tratamento médico, hospedagem e o salário - ainda que seja uma mixaria - dos jogadores. Os clubes são obrigados a fornecer até o campo de mando, já com balizamento e pinturas. O mais chocante dessa história, que O Antagonista começa a revelar aos poucos, é que Luleco sequer acompanha os jogos do Torneio Touchdown. "Ele apareceu em algumas finais e só", relata um dirigente de clube. Então o que exatamente Luleco fez com todo o dinheiro arrecadado com patrocinadores, como Budweiser (grupo Inbev), Energético TNT (Cervejaria Petrópolis), Caoa Hyndai, Tigre, Sustenta Energia (grupo JHSF), Qualicorp e Gol?

Diretores de clubes querem colaborar

Diretores de clubes de futebol americano que participam do Torneio Touchdown estão dispostos colaborar com a Polícia Federal, caso sejam intimados a explicar a ajuda de custo que recebiam de Luís Claudio Lula da Silva. Depois que veio à tona o envolvimento de Luleco na Operação Zelotes, alguns dirigentes se convenceram de que foram usados. "A gente recebia aquela bolsa de 20 mil reais, enquanto ele embolsava a cota de patrocínio", diz um dirigente que pede anonimato. Esse dirigente ressalta que o patrocínio conseguido pelo filho de Lula não era acompanhado de ações de "ativação" da marca. "Não pediam para a gente expor a marca no uniforme ou nos perfis dos clubes nas redes sociais, em lugar nenhum." Há cerca de dois anos, o diretor de um clube do Rio pediu que Luleco abrisse as contas da Touchdown, o que soou como uma ofensa ao filho de Lula.

Mas, afinal de contas, Chico Buarque é ou não é um merda?

Este texto vai responder à questão lembrando a obra de seu pai. Fernando Holiday, do Movimento Brasil Livre, também se pronuncia. Atenção! Quem primeiro chama o interlocutor de “merda” é o cantor; pior: fidalgo desde sempre, o filho de Sérgio Buarque exige credenciais de quem fala com ele. O pai diria que o comportamento de seu rebento é a cloaca moral do “homem cordial” de “Raízes do Brasil”

Por Reinaldo Azevedo - Essa gente não quer mesmo que eu tire férias, né? Eita ano que não termina! E que não vai terminar. Só em 2016, com o impeachment de Dilma Rousseff. Que virá! Vamos seguir. Será que Chico Buarque é um merda? Eu vou responder neste texto. Fernando Holiday, do Movimento Brasil Livre, se pronuncia num vídeo. Está a maior onda na Internet por causa de um pequeno bate-boca — muito menos grave do que gritaram os coelhinhos do Bambi — entre Chico Buarque, acompanhado de alguns amigos bêbados, e um grupo de rapazes que decidiu lhe fazer algumas cobranças políticas. Creio que todo mundo saiba já do que falo. Se não souber, segue aqui.


Volto
Será que Chico Buarque é um merda? Em primeiro lugar, todos sabem, e o arquivo está aí, não endosso que pessoas sejam abordadas em restaurantes, bares ou lojas em razão de sua posição política — a menos que seja uma manifestação de simpatia, como vive acontecendo comigo, o que me deixa muito feliz. Mais de uma vez, já escrevi aqui e disse na rádio Jovem Pan que quem pretende cassar o direito de o adversário se manifestar é o PT. Em segundo lugar, o tal “merda” que tanto barulho fez precisa ser devidamente qualificado. Chico trata seus interlocutores com evidente menoscabo e, num dado momento, a exemplo de alguns outros pinguços que estão com ele, manda ver: “Você é um merda!”. Ao que o outro responde: “Eu queria ouvir da sua boca: ‘Você é um merda’ E quem apóia o PT o que é que é?”. E Chico responde: “Um petista!”. E ouve: “É um merda!”. Embora eu insista que esse tipo de abordagem, ainda que na rua, não me agrada, não há agressividade na fala dos rapazes, mas indignação com as opiniões políticas de um sujeito que usa a fama conquistada na música para fazer política. Logo, se ele colhe reações políticas de seu discurso — não consta que seus interlocutores estivessem ali para contestar os seus trinados —, isso está absolutamente dentro do aceitável, desde que as coisas sejam ditas e expressas de modo civilizado. E civilizada, convenham, a conversa estava, até que Chico rompe o padrão para, segundo indica o vídeo, chamar o outro de “merda” (1min08s). Sim, ele o fez primeiro.
O filhinho de papai
Em terceiro lugar, destaque-se a arrogância do fidalgo, que começou a vida sendo incensado porque, afinal, era filho de Sérgio Buarque de Holanda, o autor, entre outros, do clássico “Raízes do Brasil”. É nesse livro que Buarque de Holanda, o pai, explica Buarque de Holanda, o filho. Segundo Sérgio, um dos traços mais característicos da formação do Brasil é o chamado “homem cordial”, aquele que não distingue o espaço público do espaço privado; que usa da condição alcançada ou herdada na esfera privada para impor a sua vontade no espaço público, de sorte que a lei do compadrio se sobrepõe às instituições. Vejam lá com que sem-cerimônia Chico exige credenciais de seus interlocutores. Diz um dos jovens, aludindo ao fato de que o cantor, de fato, passa a maior parte do tempo em Paris: “Meu pai também está em Paris. É gostoso Paris, né?”. E Chico, com a empáfia do patronato descrito por seu pai: “Rapaz, engraçado, eu não tou te reconhecendo!”. Aí diz o outro: “Você é famoso! Eu não sou!”. Indagado, o interlocutor revela seu sobrenome, e o Chico do Sérgio o repete, com esgar de desprezo. O filho de Sérgio Buarque exige credenciais de quem fala com ele. O pai diria que o comportamento de seu rebento é a cloaca moral do “homem cordial” de “Raízes do Brasil”. E quer saber a quais “nomes de família” ele dá a graça de suas bobagens. Sai perguntando a cada um. Um barbudo, visivelmente alterado pela consciência etílica, quer saber de “onde” é um dos que conversam com ele. Ao ouvir um “não interessa”, o pançudo grita: “Interessa! De onde cê é?”. Há outras coisas até divertidas no vídeo. Quando um dos rapazes lembra que Chico mora a maior parte do tempo em Paris, o que é fato, ele diz, em tom de acusação, que o outro é leitor da VEJA. Digamos que seja. Chico certamente gosta da imprensa de nariz marrom que incensa tudo o que ele produz e escreve, preste ou não. Nota: ele já fez músicas de alta qualidade, sim. Seus livros, no entanto, são um lixo subliterário, e ele só parou de ganhar Jabutis em penca depois que apontei a patuscada que fazia dele um vencedor que nem precisa disputar. Ele me atacou num artigo. Demonstrei por que seus livros são ruins. Ele enfiou o rabo entre as pernas. Fidalgo! Será que Chico é um merda? 
Irresponsável
Chico Buarque, incensado pela imprensa também por suas ignorâncias, é um homem notavelmente autoritário. Sai por aí, se preciso, a espalhar as mentiras mais asquerosas em nome da ideologia. E, como se nota, não gosta de ser cobrado. Escrevi aqui, no dia 16 de setembro, um http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/as-mentiras-asquerosas-de-stedile-e-chico-buarque/ sobre um vídeo que ele gravou com João Pedro Stedile, o chefão do MST, em que ambos sustentam haver um plano de privatização da Petrobras. Vejam:


Fatos:
– Inexiste plano para privatizar a Petrobras — infelizmente!;
– o projeto a que se referem apenas permite que, caso a Petrobras não possa ser sócia de campos de exploração do pré-sal, abra mão dessa primazia;
– o projeto é vital para o pré-sal porque, pela lei atual, se a Petrobras não puder arcar com os 30% que lhe cabe na sociedade, nada se faz.

Mas Stedile e Chico mentem a respeito com o desassombro de que só o esquerdismo e a má-fé são capazes. Será que Chico é um merda?

Trono da empulhação
Chico Buarque quer defender as causas mais estúpidas, violentas e antipopulares, mas acha um absurdo que possa ser cobrado por isso — o que é repetido bovinamente por boa parte da imprensa. Vejam as barbaridades praticadas nas escolas públicas de São Paulo. Por mais que se possa censurar a Secretaria de Educação por não ter sabido expor direito as vantagens da reestruturação, esta era e é necessária. É mentira, pra começo de conversa, que haverá “fechamento” de escolas. Não obstante, um grupo de 18 ignorantes disfarçados de artistas, liderados por Chico Buarque, produziu um vídeo hediondo, com uma letra idiota, sobre uma causa estúpida. E tudo em defesa das invasões. O autor da enormidade é um tal Dani Black, capaz de escrever barbaridades como:
“A vida deu os muitos anos de estrutura do humano
À procura do que Deus não respondeu
(…)
Ninguém tira o trono do estudar”.
Procurem no arquivo deste blog. Tenho um “IPI” infalível. O que é o IPI? Índice de Picaretagem Intelectual. Sei que estou diante de um picareta sempre que ele transforma verbo em substantivo, um processo que a gramática chama de “derivação imprópria”. Basta que alguém diga algo como “o estudar”, “o brincar”, “o fazer”, “o reivindicar”, e eu logo me desinteresso e olho para o vazio. É que não suporto “o empulhar”. Sem contar que Dani Black — quem é esse, caramba?! — acha que a busca de Deus nada produziu de positivo para a cultura, talvez nem a “Suma Teológica”… E o tal Dani e os outros 17 imbecis estão certos de que falam em nome da cultura e da educação. Como prosador, Chico é uma lástima, mas ele já soube produzir boas letras, até ser derrotado por uma “mulher sem orifício” — seja lá o que isso signifique e que não possa eventualmente ser remediado com Citrato de Sildenafila, Tadalafila, chá de catuaba ou reza braba. É claro que o autor da bela música “Soneto” é capaz de reconhecer uma letra ruim — embora seu soneto tenha se atrapalhado um pouco no ritmo, com a irregularidade das tônicas: os versos ora são sáficos, ora são heroicos, ora não são nada. Mas Chico é um letrista, não um poeta, como dizem.
Prepotentes
O dado mais encantador dos nossos artistas “progressistas” é sua alastrante ignorância. Acham que podem se posicionar sobre qualquer assunto que diga respeito à sociedade, expelir regras, posicionar-se, entrar na rinha política, mas se negam a ser cobrados. Quando isso acontece, agem como Chico Buarque: “Seu merda!”. Ou, pior ainda do que isso, apelam ao famoso “Sabem com quem está falando?”. Ou não foi isso o que Chico fez, mas de modo espelhado: “Quero saber com quem estou falando…”? Todos sabem que o movimento de invasão das escolas nada tinha a ver com estudantes. Trata-se de uma inciativa liderada pelo PT — particularmente por uma de suas milícias: o MTST, comandado por Guilherme Boulos — , com um claro propósito político, partidário e ideológico. Será que Chico Buarque é um merda? Abaixo, publico uma edição que o Movimento Brasil Livre fez do vídeo dos ignorantes engajados, com comentário de Fernando Holiday, um dos coordenadores. Volto depois.


Encerro
Holiday chama de “playboys” os que abordaram Chico. É o único pequeno trecho de sua abordagem de que discordo. Nem sei se são. E se forem? Quando “playboys” se opõem à roubalheira, seja a do PT, seja de qualquer outro, acho isso positivo. Prefiro esses aos playboys e, sobretudo, “playmen” que passaram a puxar o saco do PT para ter o privilégio do Bolsa Juros, do Bolsa Subsídio, do Bolsa Desoneração, do Bolsa BNDES, do Bolsa Rico… Chico Buarque, que jamais fez uma mísera crítica a ditaduras de esquerda, tornou-se uma das faces visíveis da justificação de um governo criminoso. Do alto de sua sapiência, diz que, se seus interlocutores acham o PT bandido, ele, Chico, acha “o PSDB bandido”. Tem o direito de achar. Mas também tem o dever de apontar onde está ou esteve o banditismo. Não duvido que haja ou tenha havido bandidos no PSDB e em qualquer legenda. A questão está em definir quando a bandidagem se torna um sistema de governo. É possível que ainda volte ao assunto. Dito isso tudo, acho que vocês já têm mais elementos para responder: será que Chico Buarque é um merda? Ele deixou claro, de modo arrogante, que nem sabia com quem estava falando. Mas nós sabemos muito bem com quem estamos falando. Ademais, o mais laureado, nem importa se justa ou injustamente, dos ditos “artistas brasileiros” deveria é se envergonhar de apelar a coisas como a Lei Rouanet para divulgar a sua obra. O subsídio — porque é disso que se trata — à obra de Chico, ora vejam, poderia virar remédio ou leitos nos hospitais do Rio — não na Zona Sul, onde ele solta seus trinados. Chico, em suma, é o homem que seu pai lastimou em “Raízes do Brasil”. Será que Chico Buarque é um merda?

Lewandowski, o militante anti-impeachment, confessa que Supremo “bolivarianou” mesmo!

Por Reinaldo Azevedo - Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo, resolveu se comportar como presidente do PT e teve, nesta quarta-feira, uma atitude claramente hostil com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que havia lhe pedido uma audiência. Ele concedeu. Mas abriu as portas para a imprensa, num gesto escancaradamente demagógico. Jornalistas lembraram um precedente de Itamar Franco quando presidente. Falso. Digo mais adiante por quê. Nota logo à partida: Lewandowski pode pensar sobre o deputado o que quiser. Eu, por exemplo, acho que Cunha tem de ser cassado. Mas o presidente do Supremo tem deveres decorosos com o homem que preside uma das Casas do Poder Legislativo. Enquanto Cunha não for cassado, tem de ser respeitado pelo comandante da corte suprema do País em razão de seu papel institucional. Não foi o que se viu. Quem abriu as portas do tribunal não foi o magistrado que preza a transparência, mas o militante anti-impeachment, papel que não lhe cabe. Ora, o doutor fala com advogados de criminosos presos, a portas fechadas — ou não fala? Por que não pode fazê-lo com o presidente de uma das Casas do Legislativo? A propósito: Lewandowski já pediu audiência ao comando do Congresso para tratar do aumento do Judiciário e outros benefícios. Já imaginaram se as portas se abrem, e flagramos lá o herói anti-Cunha a cuidar do pão deles de cada dia? A demagogia é um dos últimos estágios da vigarice intelectual. De toda sorte, o comportamento beligerante foi útil para que saibamos o que está em jogo. Mais: LEWANDOWSKI FEZ TAMBÉM UMA CONFISSÃO SOBRE O VOTO DE ROBERTO BARROSO, SEU AMIGO DE SIMPATIAS PARTIDÁRIAS. A imprensa deixa passar porque está de tal sorte cegada pelo “anticunhismo” que não consegue enxergar um estupro institucional. Vamos lá.
A audiência
Cunha foi ao Supremo pedir celeridade na divulgação do acórdão da votação que estabeleceu, atropelando a Constituição e as leis, o rito do impeachment. Cunha lembrou que o fato de a maioria dos ministros ter vetado o voto secreto e a comissão avulsa deixava dúvidas sobre a eleição e funcionamento de outras comissões na Câmara. Eis, então, e, neste sentido, foi bom a audiência ter sido aberta, que Lewandowski diz uma coisa sensacional. Defendendo o voto absurdo de Barroso, o presidente do Supremo disse não haver dúvida nenhuma — é mesmo? — sobre o que foi votado: segundo ele, a proibição de comissão avulsa, a indicação dos membros por vontade dos líderes e o voto obrigatoriamente aberto valem apenas para a comissão do… impeachment!!! Entendi! Isso quer dizer que o senhor Barroso, de forma clara e deliberada, com a concordância da maioria, resolveu ser mesmo um legislador “ad hoc”. Vale dizer: o Supremo não tomou uma decisão em tese, pautada por princípios e fundamentos. A corte resolveu mesmo criar uma legislação para o caso específico — e, por óbvio, então, da forma como se fez, para beneficiar Dilma. Lewandowski foi literal: “O voto do ministro Barroso deixa bem claro que a decisão se refere à comissão do impeachment, não se refere a outras comissões”. 
Vergonha!
Quanto à celeridade, o presidente do Supremo resolveu falar dos prazos regimentais. Os ministros têm até 19 de fevereiro para liberar seus votos, e o tribunal, até 60 dias para divulgar o acórdão, sem contar o período do recesso. Ok. Estou entre aqueles que acham que a demora conta contra Dilma Rousseff — aliás, ela também. Até porque, como na Ilíada, nuvens negras se formam no horizonte, e há uma grande possibilidade de que seus raios caiam sobre o cocuruto presidencial. 
O caso Itamar
Quando Itamar Franco era presidente, o então senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA), que estava na oposição, anunciou ter um calhamaço de denúncias contra o governo. Disse que o entregaria ao chefe do Executivo. Itamar recebeu o senador, mas abriu as portas para a imprensa. O paralelo com o que fez Lewandowski é descabido. Cunha não foi ao ministro para entregar supostas denúncias, numa linha de confronto. Apenas cumpriu um ritual que, de resto, a elegância até pede. Mas o presidente do Supremo, hoje um dos esbirros do governo Dilma, resolveu surfar na impopularidade de Cunha. Ao fazê-lo, não desprestigiou um deputado enrolado, mas afrontou o Poder Legislativo, pondo-se, como de hábito, de joelhos diante do governo petista. Ah, não tenho como esquecer os apelos emocionados que Lewandowski fazia em benefício dos réus do Mensalão, lembrando, a todo instante, a condição humana dos condenados. Como se nota, nem sempre ele tem aquele coração de manteiga.
Encerro
Achei excelente o conjunto da obra. Lewandowski deixou claro que o juiz isento desapareceu para dar lugar ao militante de uma causa. E confessou que o julgamento no STF foi mesmo uma, digamos, bolivarianada. Ministros decidiram apoiar uma regra inventada para servir a um único propósito: tentar manter Dilma no poder, contra o que dispõe a Lei 1.079. A isso se resume o gesto heroico de Lewadowski.