domingo, 31 de janeiro de 2016

Quartel de Bombeiros destroçado em Porto Alegre, na esquina da Avenida Borges de Medeiros


Veja rede elétrica no chão em Porto Alegre, na Avenida Borges de Medeiros, em diagonal ao Shopping Praia de Belas


Outra cena, parcial, da destruição do Parque Marinha do Brasil, em Porto Alegre, à beira do rio Guaíba

Veja parte do cenário da destruição do Parque Marinha do Brasil, em Porto Alegre, devido ao temporal de sexta-feira

Hospital Porto Alegre, na capital gaúcha, quase completamente destelhado pela tempestade de sexta-feira

Exército salva Porto Alegre, cortando árvores caídas, recolhendo troncos e galhos, com seus soldados, equipamentos e viaturas


Poste deitado de rede de alta tensão de energia elétrica em Porto Alegre

Ginásio Tesourinho com seu teto destruído, em Porto Alegre

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

China adverte George Soros de que ele não deve "declarar guerra ao yuan"



George Soros, investidor famoso por ter quebrado a libra esterlina, foi advertido por Pequim a não "declarar guerra ao yuan", enquanto as autoridades chinesas voltam a confrontar uma forte queda nas ações e uma aceleração na fuga de capitais. A advertência, publicada na primeira página do jornal oficial do Partido Comunista chinês, surge em um momento no qual Pequim está lutando para conter a saída de capitais e sustentar sua moeda. A resposta das autoridades econômicas chinesas — por meio de intervenção em apoio ao yuan — nos últimos 18 meses já reduziu em US$ 700 bilhões as reservas cambiais acumuladas pela China, que agora são de US$ 3,3 trilhões. "A guerra de Soros contra o yuan e o dólar de Hong Kong não tem chance de sucesso — sobre isso não pode haver dúvida", afirmou um artigo de opinião escrito por um pesquisador do Ministério do Comércio Internacional chinês e publicado pelo "Diário do Povo" sob a manchete "Declarar guerra à moeda chinesa? Ha Ha". O investidor bilionário declarou à Bloomberg TV na semana passada que tinha apostado contra o índice S&P 500, moedas asiáticas e economias vinculadas às commodities, e acumulado posições compradas de títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Soros não mencionou nem o yuan e nem o dólar de Hong Kong em sua entrevista da semana passada, mas disse que a China era "a raiz" da queda dos mercados mundiais que vem acontecendo este ano, apontando a deflação e o endividamento excessivo como questões cruciais. Ele afirmou que uma aterrissagem dura seria "praticamente inevitável", para a economia chinesa. As autoridades e a mídia oficial da China agiram agressivamente para escorar a confiança no yuan, nas últimas semanas, tentando minimizar a especulação de que a desaceleração na economia poderia forçar Pequim a uma desvalorização cambial desestabilizadora. 

As autoridades também estão tentando administrar os riscos causados pela queda do mercado de ações. As ações chinesas caíram às suas mais baixas cotações em 13 meses, depois dos 6,4% de queda no índice composto de Xangai, na terça-feira. A moeda chinesa caiu em 5,4% diante do dólar desde que as autoridades econômicas do país chocaram os mercados mundiais em agosto ao permitir maior flexibilidade para que o yuan se depreciasse. A pressão de baixa sobre o yuan vem se acumulando, com a saída de capitais da China em ritmo recorde. Dados divulgados na terça-feira demonstram que o superfaturamento de exportações chinesas — um método comum de tirar dinheiro da China continental — havia disparado de novo em dezembro. Foi atribuída a Soros a culpa por ataques especulativos contra moedas durante a crise asiática de 1997 e a crise da libra esterlina em 1992. Ele anunciou que estava se aposentando do investimento financeiro no ano passado, mas ainda serve como presidente do conselho da Soros Fund Management. Soros indicou também que a desaceleração econômica da China representa risco maior para outros países do que para a China mesma, em curto prazo, principalmente por conta do impacto deflacionário que a China exerce sobre os preços mundiais das commodities. "A China será capaz de aguentar o tranco", ele disse. "Tem recursos e maior latitude em termos de políticas econômicas, com seus US$ 3 trilhões em reservas". Em um editorial publicado em inglês no sábado, a Xinhua, agência oficial de notícias chinesa, criticou aqueles que "apostam no fracasso" da economia da China. O artigo advertia que "especulações irresponsáveis e compras a descoberto com intenções destrutivas terão de enfrentar custos mais altos de transações e a possibilidade de consequências judiciais severas". Os dirigentes da agência que fiscaliza o câmbio na China afirmaram repetidamente que "não há base" para uma grande desvalorização do yuan, e um assessor do presidente chinês Xi Jinping declarou em Davos na semana passada que a China não estava em busca de uma moeda mais fraca.

Graça Foster se reuniu com Dilma


Quase às escondidas, Graça Foster reuniu-se na terça-feira passada com Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. Almoçou no bandejão do anexo do Planalto, mas circulou pouquíssimo. Dilma evitou comentar o teor da conversa, e a versão oficial restringiu-se a dizer que as duas conversaram sobre o "futuro da Petrobras". Espanta saber que, a essa altura do campeonato, Dilma queira discutir o futuro da Petrobras com alguém que, não faz muito tempo, presidiu uma das mais desastrosas administrações da empresa.

Captação líquida da caderneta de poupança foi R$ 50,1 bilhões negativa em 2015

Em dezembro, os depósitos em caderneta de poupança voltaram a superar os saques e a captação líquida ficou positiva em R$ 4,8 bilhões. A captação líquida passou ao campo positivo influenciada pelo recebimento de segunda parcela do 13º salário dos trabalhadores assalariados. O patamar da taxa básica de juros da economia de 14,25% ao ano tem sido desafiador para as cadernetas de poupança, que concorrem em desvantagem com as aplicações financeiras com remuneração atreladas à Selic. Dessa forma, em 2015 a captação líquida ficou negativa em R$ 50,1 bilhões. Nos três primeiros trimestres de 2015, as sucessivas saídas de recursos das cadernetas de poupança provocaram redução dos saldos nominais. Mas o movimento de saídas se abrandou em outubro e novembro, antes mesmo da reação de dezembro. Com isso, os saldos voltaram a crescer, ultrapassando a casa dos R$ 509 bilhões no último dia útil de 2015.

Polícia Federal diz ter “alto grau de suspeita” sobre tríplex de Lula no Guarujá


Solaris Praia das Astúrias

Documento assinado pela delegada federal Erika Marena elenca o tríplex do ex-presidente Lula no condomínio Solaris, no Guarujá (SP), como um dos imóveis que indicam "alto grau de suspeita" quanto à real titularidade. No organograma dos policiais, a unidade residencial é registrada como de propriedade da OAS, investigada por integrar o clube do bilhão de empreiteiras e que já teve seus executivos, incluindo o ex-presidente Leo Pinheiro, condenados na Lava Jato pelo juiz Sergio Moro. Na quarta-feira a Polícia Federal deflagrou a 22ª fase da Lava Jato, batizada de Triplo X, que investiga a atuação casada entre a offshore Murray, criada pela empresa Mossack Fonseca no Panamá, e a empreiteira OAS. As suspeitas são de que imóveis no condomínio Solaris, construídos pela OAS, possam estar sendo utilizados para camuflar o pagamento de propina do escândalo do petrolão. Segundo o delegado Igor Romário de Paula e o procurador Carlos Fernando Lima, o apartamento de luxo do ex-presidente petista é alvo de investigação. As atividades da OAS e o estreito relacionamento da empreiteira com próceres do PT, em especial o ex-presidente, estão há tempos na mira da Promotoria de Justiça de São Paulo. 

Israel divulga carta inédita do nazista Eichmann com pedido de clemência


Adolf Eichmann em seu julgamento

O presidente israelense, Reuven Rivlin, revelou na quarta-feira o pedido de clemência escrito pelo criminoso nazista Adolf Eichmann em 29 de maio de 1962, dois dias antes de sua execução em Israel. A carta inédita de Eichmann, dirigida ao então presidente israelense, Yitzjak Ben-Zvi, foi exibida por Rivlin durante uma cerimônia em Jerusalém por ocasião do Dia Internacional de Lembrança das Vítimas do Holocausto. O nazista, capturado por agentes secretos israelenses na Argentina em 1960, foi julgado e condenado à morte em Israel em 1961. Na carta, o criminoso nazista afirma que o tribunal israelense responsável por seu julgamento exagerou seu papel na organização da logística da "solução final" de Adolf Hitler, plano para exterminar os judeus da Europa que matou seis milhões de pessoas. "Devemos distinguir os chefes responsáveis das pessoas como eu, que foram forçadas a servir como simples instrumentos entre suas mãos", escreveu Eichmann na carta. "Eu não era um chefe responsável, então não me sinto culpado", completa no texto. "Não posso reconhecer como justo o veredicto do tribunal e peço, senhor presidente, que exerça seu direito de conceder o perdão e ordene que a pena de morte não seja aplicada". Durante a cerimônia, na presença de sobreviventes do Holocausto, foram divulgados outros documentos inéditos do caso Eichmann, que a partir de agora podem ser consultados em arquivos digitais públicos. Entre os documentos estão o pedido de clemência apresentado pela esposa, Vera Eichmann, e os cinco irmãos do nazista. Também estão na coleção alguns documentos dos advogados de defesa de Eichmann, a opinião escrita pelo ministro da Justiça, Yosef Dov, e uma nota do promotor Gedeon Hausner. Adolf Eichmann, um dos principais organizadores do Holocausto, fugiu de um campo de prisioneiros depois da II Guerra Mundial e viajou em 1950 para a Argentina, onde vivia com uma identidade falsa. Em 5 de maio de 1960 foi sequestrado por agentes do Mossad (o serviço secreto israelense) em Buenos Aires e transportado clandestinamente a Israel. O sucesso da operação e o julgamento de Eichmann foram motivo de orgulho para o jovem Estado judeu. O julgamento foi um momento transcendente na história de Israel, afirmou Rivlin. "O julgamento de Eichmann rompeu a represa de silêncio. A capacidade do Estado judeu incipiente para capturar o assassino nazista deu um sentido básico de segurança aos sobreviventes do Holocausto", afirmou o presidente israelense. Desde então, Israel dedica um esforço especial para tentar capturar e julgar os responsáveis pelo Holocausto.

Dono da Engevix quer ser delator da Lava Jato


O empresário José Antunes Sobrinho, um dos donos da construtora Engevix, está negociando um acordo de delação premiada na Operação Lava Jato, mas tem encontrado resistência da força-tarefa do Ministério Público. A própria Engevix tenta fechar uma proposta de leniência com a Controladoria-geral da União para não ser impedida de firmar contratos com a administração pública. "Há possibilidade de uma delação de Sobrinho. O desejo de colaborar sempre é do acusado. É uma ideia dele. Se a colaboração acontecer, ela é importante para ele, para a empresa e para os demais sócios", disse na quarta-feira o advogado Antonio Figueiredo Basto, responsável pela defesa do executivo. Após o empresário prestar depoimento no processo a que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu responde na Lava Jato, Basto criticou penas que julgou excessivas a empresas investigadas no escândalo do petrolão e as dificuldades para fechar acordos de colaboração. "Quebrar as empreiteiras não vai trazer benefício nenhum ao País. Até agora a punição ficou restrita a operadores, empresas, que estão sendo punidas duramente. Acho que passou dos limites de punir", disse. Sem citar nomes, cobrou a punição de políticos que, segundo ele, autorizaram o funcionamento do esquema de corrupção e fraudes em contratos da Petrobras. "Está na hora de punir quem comandou isso aí, o aparato de poder totalmente mantido,e gerenciado pelo poder público e pelos partidos políticos. Um grupo que tomou conta do poder do país, que está mandando e malversou o poder. Todo mundo se uniu para explorar a Petrobras e ficar no poder. Não existe ninguém nessa história totalmente santo, mas existe uma cadeia de comando muito bem identificada e verticalizada. Quem fez foi quem estava dentro e tinha a caneta para fazer. Se a autoridade pública não quisesse fazer, não faria", afirmou. Preso em setembro, o executivo José Antunes Sobrinho é suspeito de ter atuado ativamente no escândalo do eletrolão. Segundo os investigadores, ele negociou com outro delator da Lava Jato, Victor Colavitti, a confecção de documentos falsos para serem apresentados ao Ministério Público e justificar repasses de propina para a empresa Aratec, apontada pelos investigadores como o principal duto para pagamentos ilícitos ao ex-presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, vice-almirante da Marinha. Colavitti é o controlador da companhia Link Projetos e admitiu, após acordo de colaboração com o Ministério Público, que os repasses de dinheiro à Aratec foram feitos a mando da Engevix. Em depoimento à Polícia Federal, José Antunes Sobrinho confirmou que os contratos entre a Engevix e a Link Projetos eram fraudulentos e visavam propiciar repasses a Othon Luiz, mas negou que fossem propina. Na versão dele, era dinheiro como "contribuição" para o desenvolvimento de um projeto de turbina.

Agência de risco Fitch diz não ver perspectiva para o Brasil a curto prazo



A analista para o Brasil da agência de classificação de risco Fitch afirmou em debate, na quarta-feira (27), que apenas "algum tipo de resolução política" poderia trazer alívio para a avaliação do país. Shelly Shetty afirmou que "os desafios econômicos enfrentados em 2015" perduram em 2016, "com nenhum final real ou insight a curto prazo". "Claramente uma resolução política poderia trazer gradual estabilização e um retorno ao crescimento", disse Shetty em evento da Câmara do Comércio Brasil-EUA, em Nova York. Nesse cenário, haveria "alguma confiança" quanto às tentativas do governo de estabilização da dívida, o que permitiria a construção de uma "ponte para medidas estruturais". A dívida pública federal cresceu 21,7% em 2015, atingindo R$ 2,79 trilhões. O Brasil perdeu o grau de investimento da Fitch em dezembro e tem perspectiva negativa, o que significa que pode sofrer novos rebaixamentos. Isso pode se concretizar, sustentou Shetty, em cenários em que forem constatadas a ausência de tentativas reais para consolidar as contas fiscais, a redução da meta fiscal, ou ainda perda de reservas internacionais e fluxos de capital "significativos". 



Petrobras aprova fim da diretoria de gás e corte de cargos gerenciais



O conselho de administração da Petrobras aprovou nesta quarta-feira (27) a proposta de reestruturação organizacional da companhia, que extingue a diretoria de gás e energia e elimina 30% dos cargos gerenciais. O objetivo da mudança, que vinha sendo discutida desde meados do ano passado, é cortar custos e adequar a estrutura à nova realidade da empresa, que vem passando por um processo de venda de ativos e corte de investimentos para enfrentar a crise financeira. A diretoria de gás e energia, hoje comandada por Hugo Repsold, é uma das principais afetadas pelo plano de enxugamento da estatal. A companhia negocia a venda de usinas térmicas, plantas de fertilizantes e ativos de transporte do combustível. Os negócios remanescentes do segmento ficarão sob a diretoria de abastecimento, que cuida da área de refino, hoje comandada por Jorge Celestino. Além das refinarias, esta área abrange as subsidiárias BR Distribuidora e Transpetro, empresa responsável pelo transporte de petróleo e derivados. Com a mudança, a Petrobras passa a ter seis diretorias, para as áreas de exploração e produção, abastecimento, financeira, governança, corporativa e de engenharia. Na primeira versão da nova estrutura, o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine propôs a transformação das diretoras em vice-presidências, mas a ideia não resistiu à oposição de integrantes do conselho de administração. A Petrobras não divulgou fato relevante ao mercado informando as mudanças, como costuma ocorrer após reuniões do conselho de administração. Foi aprovado ainda o corte de cargos gerenciais, proposta que recebia resistências dos trabalhadores. A proposta elimina os níveis de gerência mais baixos, o que deve representar uma economia de R$ 240 milhões por ano. A estrutura hierárquica da estatal tem quatro níveis de gerências abaixo dos diretores: gerente-executivo, gerente-geral, gerente e gerente setorial. Os dois últimos devem ser extintos. A Petrobras precisava demitir no mínimo uns 30 mil funcionários. A estatal é a maior produtora mundial de marajás. 

Brasil tem 270 casos confirmados de microcefalia e 3.448 em investigação



Balanço atualizado do Ministério da Saúde divulgado na quarta-feira (27) aponta 270 casos confirmados e 3.448 casos suspeitos de bebês com microcefalia no país. Os dados indicam um avanço de 3% neste grupo em relação à última semana, quando havia 230 casos confirmados e 3.381 suspeitos. Já o número de casos descartados dobrou neste período: de 282, passaram a 462 no boletim atual. Caso fossem somados todos os registros – confirmados, suspeitos e descartados –, o número de notificações feitas por equipes de saúde ao governo chegaria a 4.180. Ao todo, os casos foram identificados em 830 municípios, distribuídos em 23 Estados e no Distrito Federal. Os dados, que começaram a ser contabilizados no fim de outubro, são até o dia 23 de janeiro. Segundo o Ministério da Saúde, já é possível perceber uma tendência de queda no registro de novos casos suspeitos de bebês com a má-formação. Entre os casos confirmados após exames, seis já tiveram resultado positivo em exames para o vírus zika, o que reforça a possibilidade de que o avanço nos registros de microcefalia no País esteja ligado ao vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti e identificado no início do ano passado em Estados do Nordeste. Hoje, a região é a que concentra o maior número de casos de microcefalia, ou cerca de 86% do total. Entre os Estados, Pernambuco lidera a lista de casos suspeitos, com 1.125 registros ainda em investigação. Em seguida, estão a Paraíba, com 497 casos suspeitos, e Bahia, com 471. Também há registros em todos os demais Estados do Nordeste, onde há 2.984 casos suspeitos no total, e das regiões Sudeste (200) e Centro-Oeste (180). Já a região Norte investiga casos no Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, com 82 casos suspeitos. No Sul, dois casos são investigados no Paraná. Também houve um caso confirmado no Rio Grande do Sul. O novo balanço do Ministério da Saúde também aponta aumento no número de mortes suspeitas de bebês com microcefalia e outras má-formações, que passou de 49 para 53 registros. Destas, 12 já foram confirmadas e outras 51 permanecem em investigação. Durante o período, cinco mortes de bebês durante a gestação ou após o parto chegaram a ser apuradas, mas a relação com um possível quadro de microcefalia e outras infecções congênitas (transmitidas de mãe para filho) acabou descartada. A avaliação dos casos suspeitos de microcefalia ocorre por meio da medida da circunferência da cabeça do bebê após nascer. Bebês com perímetro da cabeça menor que 32 cm (no caso de partos não prematuros) são direcionados para exames que podem confirmar o quadro e avaliar a extensão dos danos no cérebro. O Ministério da Saúde recomenda que as crianças com microcefalia passem por exercícios de estimulação precoce logo após o diagnóstico até os três anos, como forma de diminuir os impactos de possíveis sequelas ao bebê.

Sete Brasil perde recurso para manter ação contra seu ex-presidente sob segredo de Justiça


A Sete Brasil foi derrotada em um na Sétima Câmara Cível do Rio de Janeiro. Trata-se de um recurso pedindo que o processo da empresa contra seu ex-presidente, João Carlos Ferraz, corresse em segredo de Justiça. A Sete alegava que os contratos da empresa têm cláusula de confidencialidade. No processo original, a Sete entrou na Justiça contra Ferraz para reaver R$ 22 milhões — a soma do que o ex-executivo recebeu entre bonificações da empresa e propinas que recebeu de estaleiros contratados para construir sondas para o pré-sal. 

Samarco informa novo deslizamento em barragem de Minas Gerais


A Defesa Civil em Mariana, Minas Gerais, foi acionada no início da tarde de quarta-feira, 27, depois de um deslocamento de terra na área da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, que ruiu em 5 de novembro matando 17 pessoas e deixando duas desaparecidas. Na tragédia, o distrito de Bento Rodrigues foi destruído pela lama. Segundo informações da Samarco, ocorreu, na tarde de quarta-feira "uma movimentação de parte da massa residual da barragem de Fundão por causa das chuvas das últimas semanas". Segundo a empresa, os empregados que atuam próximo à área afetada "foram orientados a deixar o local". A Samarco disse, ainda, em nota, que não houve a necessidade de acionamento de sirene e que as defesas civis de Mariana e Barra Longa foram informadas sobre a ocorrência. A empresa informou que o volume deslocado "permanece entre a barragem de Fundão e Santarém, dentro das áreas da Samarco" e disse ainda que as barragens de Germano e Santarém permanecem estáveis. Conforme informações do promotor Guilherme de Sá Meneguin, de Mariana, a Samarco ativou o alerta amarelo na região, que prevê a retirada de funcionários que possam estar no local. 

Petista ex-assessor de André Vargas é preso na Argentina


O ex-secretário de Comunicação do PT do Paraná, André Roberto Alliana, foi preso na última quinta-feira (21) na Argentina, acusado de roubar duas mulheres. Alliana usava uma arma falsa para cometer os crimes e foi reconhecido por uma das vítimas. Alliana foi assessor do ex-deputado André Vargas (ex-PT) e coordenou todas as campanhas do ex-deputado na região Oeste. Em 2014, como Vargas não disputou o pleito, Alliana coordenou a campanha de outro petista na região: o deputado Zeca Dirceu, filho do bandido petista mensaleiro José Dirceu. O petista está preso na cidade de Puerto Iguazu e pode ser o autor de outros 10 crimes.

Finlândia pretende expulsar 20.000 requerentes de asilo

A Finlândia pretende expulsar 20.000 imigrantes islâmicos que chegaram em 2015 e cujo pedido de asilo foi ou será rejeitado, indicou na quinta-feira o ministério do Interior após um anúncio similar pela Suécia. Helsinki insiste na rejeição de dois terços dos 32.000 requerentes de asilo registrados no ano passado pelos serviços de imigração, informou Païvi Nerg, chefe de gabinete do ministro.

Um mosquito não pode ser mais forte que um país inteiro, diz Dilma

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira (28) que a América Latina tem "extrema consciência" do perigo de doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti e pediu engajamento dos integrantes do conselhão no combate ao mosquito. Na tarde de quinta-feira, o Palácio do Planalto retomou a agenda com o grupo, formado por empresários, representantes de sindicatos e da sociedade civil. Ao todo, o CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) é formado por 92 membros. "Peço aos senhores e senhoras que mobilizem seus funcionários, seus companheiros de sindicato, os fiéis da igreja, os colegas de trabalho e de escola, as famílias e vizinhos. Afinal, um mosquito não pode ser e não é mais forte que um país inteiro", afirmou. Dilma destacou que ainda não há uma vacina para combater o problema e reconheceu que o vírus da zika está "cada vez mais generalizado". Ela lembrou que, no passado, Oswaldo Cruz conseguiu eliminar o transmissor da febre amarela. "Devemos fazê-lo de novo e já. O governo federal está garantindo todos os recursos, equipamentos e pessoal necessário para prevenção e eliminação dos focos de mosquito. Precisamos da participação da sociedade nessa batalha que deve ser continuada e será de longo prazo".

Ibama diz que plano da Samarco para recuperar rio é genérico e superficial


O Ibama, instituto de meio ambiente do governo federal, rejeitou o plano entregue pela mineradora Samarco na semana passada para a recuperação do rio Doce, atingido pela lama da barragem da empresa que se rompeu em novembro de 2015. A mineradora, que pertence à Vale e à anglo-australiana BHP Billiton, havia protocolado em 18 de janeiro na superintendência do órgão federal em Belo Horizonte um estudo em que levantava o impacto da destruição ao longo do curso do rio e propunha ações de recuperação. 


Com a tragédia no ano passado, cerca de 40 bilhões de litros de rejeitos de minério foram lançados no meio ambiente. A lama chegou ao litoral do Espírito Santo. Peixes morreram e cidades que consumiam água do rio Doce tiveram de interromper a captação e o abastecimento, o que obrigou a Samarco a distribuir água mineral para moradores. O Ibama encontrou uma série de falhas no documento. O levantamento dos danos e as ações propostas foram considerados genéricos e superficiais, com pouca fundamentação metodológica e científica. O estudo também não traçou metas com prazos definidos, o que dificulta o acompanhamento das ações, segundo o órgão de meio ambiente. O órgão diz ter notificado a empresa para que ela reapresente um novo plano até o dia 17 de fevereiro. Ao "Jornal Nacional" a mineradora afirmou que discutiu previamente o estudo com órgãos e entidades ambientais e que vai incorporar os pontos levantados pelo Ibama pois considera o processo "dinâmico" e de "revisão permanente".

Preocupada com segurança, filha de delator da Lava Jato cancela casamento


Marcado para sábado (30) na Igreja Nossa Senhora do Brasil, nos Jardins, em São Paulo, o casamento da filha do ex-executivo Julio Camargo, delator da Operação Lava Jato, foi cancelado. A família está avisando discretamente os convidados. A justificativa é a de querer preservar "a segurança e a integridade física" dos noivos e dos convidados. A paróquia já se preparava para receber um grande número de jornalistas e curiosos. Participantes de outros casamentos marcados para o mesmo dia temiam enfrentar transtornos por causa da aglomeração. 


O casal Daniel Maluhy e Roberta Camargo, filha do delator Julio Camargo 

Justiça homologa plano de recuperação judicial da OAS e grupo vende ativos







A 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo homologou na quarta-feira o plano de recuperação judicial do Grupo OAS, cuja empreiteira é uma das integrantes do clube do bilhão, cartel que fraudou contratos com a Petrobras e distribuiu propina a agentes públicos. A assembleia geral de credores já havia aprovado, em dezembro, o Plano do Grupo OAS, que garante a continuidade das operações da construtora e o pagamento de credores e fornecedores com a venda, entre outros, da OAS Óleo e Gás, da OAS Soluções Ambientais e da participação do grupo no consórcio Invepar, concessionária responsável pelo aeroporto de Guarulhos (SP). A canadense Brookfield ofereceu 1,35 bilhão de reais pelos 24,4% da OAS na concessionária que administra o terminal de Cumbica. Segundo cálculos da OAS, a dívida reestruturada com credores e fornecedores é de cerca de 8 bilhões de reais, montante que deverá ser pago em um período de seis a 25 anos. De acordo com a companhia, a venda dos ativos permitirá que o caixa das áreas de engenharia e construção receba aporte de até 475 milhões de reais. O Grupo OAS apresentou em março do ano passado pedido de recuperação judicial de nove empresas - OAS S.A., Construtora OAS, OAS Imóveis S.A., SPE Gestão e Exploração de Arenas Multiuso, OAS Empreendimentos S.A., OAS Infraestrutura S.A., OAS Investments Ltd., OAS Investments GmbH e OAS Finance Ltd. - e alegou que "a iniciativa foi o melhor caminho encontrado pelo Grupo OAS para vender seus ativos e avançar para a renegociação de suas dívidas com credores e fornecedores diante da intensa restrição de crédito verificada desde o fim do ano passado para o setor de infraestrutura". Nas investigações sobre a Operação Lava Jato, procuradores da força-tarefa do Ministério Público afirmam que a cúpula da OAS estava "plenamente ciente" de que participava do cartel de empreiteiras para fraudar contratos com a Petrobras e que os executivos da construtora continuaram praticando crimes até momentos antes da prisão do doleiro Alberto Youssef, apontado como o intermediário da empresa no propinoduto. Em acordo de delação premiada, o ex-gerente de Serviços da petroleira Pedro Barusco deu detalhes da atuação da OAS no petrolão e - mais - informou que o então presidente da companhia Léo Pinheiro negociava diretamente com o então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, os valores de propina a serem destinados ao partido. Em agosto, o juiz Sergio Moro condenou a cúpula da empreiteira por participação no escândalo do petrolão e impôs pena de dezesseis anos e quatro meses de prisão a Léo Pinheiro, pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Na sentença, o magistrado diz que a OAS fraudou "sistematicamente" contratos e licitações da Petrobras em obras da refinaria Abreu e Lima (PE), do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e na refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. A condenação do executivo não inviabiliza um futuro acordo de delação premiada. Pinheiro temia ser condenado a cumprir mais de dois anos em regime fechado, o que de fato ocorreu. De acordo com Moro, a OAS, em uma ofensiva para corromper agentes da Petrobras, pagou 29,2 milhões de reais em propina para a diretoria de Abastecimento da Petrobras, então comandada pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa. As operações de lavagem de dinheiro envolvendo a construtora, relatou o juiz, envolveram contratos e notas fiscais falsas e movimentaram 41,5 milhões de reais. Como parte da condenação, a justiça impôs o pagamento de 29,22 milhões de reais como "indenização" pelos crimes, o mesmo patamar dos frequentes depósitos de propina para a diretoria comandada, durante o petrolão, por Paulo Roberto Costa. As estimativas são de que os contratos da Petrobras com a empresa ficaram até 23% mais caros por conta das sucessivas fraudes e desvios para pagamento de propina.

Governo anuncia propostas para injetar R$ 83 bilhões na economia



Em seu pronunciamento na cerimônia de reinstalação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, defendeu a expansão do crédito adotando sete medidas. Pelos seus cálculos, elas têm potencial de elevar a oferta de crédito em 83 bilhões de reais. A primeira é a retomada da linha de pré-custeio do Banco do Brasil - modalidade de crédito rural para aquisição antecipada de insumos agrícolas - no valor de 10 bilhões de reais. Barbosa também sugeriu a aplicação de recursos do FGTS em Certificado de Recebíveis Imobiliários, liberando a capacidade de financiamento para novas operações, com objetivo de aumentar o crédito habitacional também no valor de 10 bilhões de reais. O maior empenho apresentado por Barbosa foi para agilizar a aplicação do FI-FGTS (Fundo de Investimento do FGTS) em infraestrutura, além da emissão de debêntures de infraestrutura, no total de 22 bilhões de reais. Em outra frente, o ministro sugeriu reabrir linha de capital de giro do BNDES, com garantia do FGI (Fundo Garantidor para Investimentos), e redução da taxa de juros, no total de 5 bilhões de reais. Também no banco de fomento, o ministro anunciou a abertura de linha de refinanciamento para prestações do PSI (Programa de Sustentação do Investimento) e do Finame (Financiamento de máquinas e equipamentos), no total de 15 bilhões de reais. Para o mercado exportador, o ministro da Fazenda falou em aumento de prazo máximo e redução da taxa de juros da linha de embarque, medida avaliada em 4 bilhões de reais. Por último, o ministro anunciou a autorização da utilização de 17 bilhões de reais do FGTS como garantia para o crédito consignado. Ele lembrou que a medida precisa de aprovação do Congresso Nacional.

Copom já admite abrir mão da meta da inflação deste ano

A última ata da reunião do Copom, divulgada nesta quinta-feira, mostra que o Banco Central não tem mais o objetivo de levar a inflação o mais próximo do centro da meta (4,5%) este ano. O comitê diz que adotará as medidas necessárias de forma a assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas do Conselho Monetário Nacional e convergir a inflação para a meta de 4,5%, ano que vem. Em novembro, o Copom afirmava que tinha por objetivo trazer inflação o mais próximo possível de 4,5% ainda em 2016. A meta de inflação tem como centro 4,5% e limite superior 6,5%, este ano e 6%, em 2017. Com isso, o Bano Ccentral espera para este ano que a inflação fique dentro do limite superior e não mais que fique o mais próximo possível do centro da meta.

Governo Central tem resultado primário deficitário em 1,94% do PIB

As contas da União estão negativas em R$ 60,727 bilhões. Só em dezembro, o Tesouro Nacional registrou resultado negativo de R$ 64,49 bilhões. Previdência Social chegou a déficit de R$ 3,04 bilhões e o Banco Central R$ 129,05 milhões. Com isso o Governo Central que reúne a Previdência, o Tesouro e o BC) apresentam resultado primário deficitário em R$ 114,9 bilhões, ou 1,94% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todas as riquezas do país. Trata-se do pior resultado anual, desde o início da série histórica, em 1997. Em 2014, o déficit registrado ficou em R$ 17,2 bilhões ou 0,3% do PIB. A diferença entre 2014 e 2015 supera R$ 97 bilhões.

Lula mentiu sobre apartamento no Guarujá, diz vítima da Bancoop


O ex-presidente Lula "mentiu" ao afirmar que comprou cotas de um apartamento no Guarujá, segundo Marcos Sergio Migliaccio, conselheiro da Associação das Vítimas da Bancoop. Segundo ele, não existia venda de cotas no condomínio Solaris, na praia de Astúrias, mas sim de apartamentos. O Instituto Lula repete desde o ano passado que o ex-presidente comprara cotas do empreendimento. "Não existe esse papo de cota. Isso é mentira. A Bancoop vendia apartamentos, com o andar e a unidade especificados", afirma Migliaccio, que é técnico em eletrônica. O promotor José Carlos Blat, autor de uma acusação contra a Bancoop que tramita na Justiça, reafirma que não viu nenhum caso de compra de cotas no empreendimento do Guarujá. Cotas é um sistema usado em consórcios, no qual o comprador adquire um certo bem em parcelas, e um sorteio define o bem que caberá a ele. Segundo Migliaccio, a Bancoop só usou esse sistema de cotas até 1998, 1999. O apartamento no Guarujá foi comprado em 2005 por Lula e aparece na declaração de imposto de renda do ex-presidente do ano seguinte, com o valor de R$ R$ 47.695,38 e a seguinte especificação: "Participação em Cooperativa Habitacional (apartamento em construção no Guarujá, São Paulo)". Á época, o valor já havia sido quitado, segundo a declaração. O apartamento que moradores e funcionários do condomínio Solaris apontam como sendo de Lula é um tríplex, com 297 metros quadrados e vista para o mar, cujo preço oscila entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,8 milhão, segundo imobiliárias do Guarujá. O Instituto Lula nega que o ex-presidente tenha sido dono do empreendimento. Há outra incongruência nas alegações da família Lula sobre o imóvel, ainda de acordo com o conselheiro da associação. Quando a Bancoop repassou o empreendimento para a OAS, em 2009, a empreiteira deu duas opçãos aos cooperados: eles podiam pedir o dinheiro de volta ou investir mais no apartamento, que precisava ser finalizado, agora pagando para a OAS. O Instituto Lula emitiu uma nota em dezembro do ano afirmando que dona Marisa, a mulher de Lula, "não optou por nenhuma destas alternativas, esperando a solução da totalidade dos casos dos cooperados do empreendimento". "Essa opção simplesmente não existia", afirma Migliaccio, levantando a hipótese de que essa alternativa foi "uma bondade" da OAS, que reformou o tríplex ao custo de R$ 770 mil, segundo a empresa que fez o serviço, a Talento Construtora. Em nota, o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, disse o seguinte: "Toda cooperativa funciona por meio de cotas, conforme uma lei que vale para todo o País. No caso das cooperativas habitacionais, como a Bancoop, os associados se reúnem para realizar projetos residenciais com custo mais baixo. Ao final da obra, cada cota passa a equivaler a uma unidade, que pode ou não estar predefinida". Ainda segundo Martins, "qualquer que seja o nome que se dê a este sistema, o fato é que o ex-presidente Lula e sua família nunca foram proprietários de um apartamento tríplex no Edifício Solaris, porque optaram por pedir a devolução do dinheiro investido no projeto". Criada em 1996 pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, a Bancoop já foi alvo de CPI e seus diretores são réus em uma ação movida pelo Ministério Público de São Paulo, sob acusação de estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. A denúncia oferecida por Blat foi aceita pela Justiça em 2010. João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT que já condenado pela Operação Lava Jato a 15 anos de prisão, é um dos réus da ação. Ele tornou-se presidente da Bancoop em 2006, após ter sido diretor financeiro em anos anteriores. Dos 56 empreendimentos feitos pela cooperativa, oito não foram concluídos, de acordo com a associação das vítimas, entre os quais o condomínio do Guarujá, que tem duas torres. O promotor diz que as vítimas da Bancoop somam mais de 3.000 famílias e que o prejuízo causado atinge R$ 100 milhões. O conselheiro da associação das vítimas afirma que não é coincidência que a crise da Bancoop tenha começado em 2006, quando Vaccari foi eleito presidente. Foi a partir daí que ficou claro que a cooperativa era mal gerida e operava desvios que alimentaram o PT, segundo o Ministério Público. Segundo a promotoria, não é possível calcular o valor dos desvios que teriam beneficiado o PT porque havia saques em dinheiro num caixa eletrônico que ficava dentro da cooperativa. "Tem pagamento da Bancoop para centro espírita, para pesque-e-pague e empresas de fachada. Não tenho a menor dúvida de que tudo isso é desvio", afirma Blat. 

Vale propõe não pagar remuneração a acionistas em 2016



A diretoria da Vale informou, por meio de nota divulgada na noite desta quinta-feira (28), que irá propor ao Conselho de Administração que não sejam distribuídos dividendos aos acionistas ao longo de 2016. Os dividendos são participações dos lucros distribuídos aos detentores de ações da empresa. O motivo decorre da volatilidade dos preços do minério de ferro, que caíram muito de patamar no último ano. A proposta terá de ser aprovada pelo Conselho de Administração. "À medida que o cenário esteja melhor definido e, em havendo geração de caixa suficiente e observada a legislação societária, o Conselho de Administração poderá decidir pela distribuição de remuneração aos acionistas", afirma a empresa em nota. A diretoria irá encaminhar ainda ao Conselho uma proposta de mudança na política de remuneração ao acionista, com base no novo cenário de preço do minério. "Se aprovada, a proposta será objeto de deliberação dos acionistas em Assembleia Geral da Companhia a ser realizada em abril de 2016".

Putin chama zika vírus de “porcaria da América Latina” e põe autoridades em alerta


O ditador russo Vladimir Putin disse nesta quinta-feira que está muito preocupado com a propagação do zika vírus. Nitidamente indignado, ele exclamou: "E agora nos vem uma porcaria da América Latina. Uma classe de vírus que afeta as mulheres grávidas, que podem tem consequências graves aos filhos. Certamente, os mosquitos não voam através do oceano, mas pessoas infectadas podem voltar de lá e trazê-lo. O vírus já apareceu na Europa", disse Putin. Ele convocou a ministra da Saúde, Veronika Skwortsova, para que fique atenta ao que chamou de epidemia e a encarregou de prontificar à população os medicamentos necessários, se surgirem casos de contaminação no país. O presidente falou também que irá deixar as autoridades dos aeroportos em alerta, assim como recomendar que as empresas aéreas que operam na Rússia informem aos passageiros sobre os riscos de viajarem para esta parte do mundo. O caso europeu a que ele se referiu foi confirmado na Dinamarca. Um homem contraiu a doença após viajar à América do Sul.

Imposto sobre pequenas remessas ao Exterior já está valendo e pode chegar a 33%

O governo petista de Dilma Rousseff promulgou nesta quinta-feira em definitivo o imposto de renda que incidirá sobre passagens aéreas, hotéis, ingressos e aluguel de carro nas viagens ao Exterior. O imposto é irreal, de 25% para terrestre e 15% para aéreo. Este imposto em cascata pode chegar em até 33%. Associações de agências de turismo esperam a eliminação de 185 mil vagas, diretas, e 430 mil, indiretas, no mercado de trabalho até o final do ano devido a este imposto.

Advogados renunciam à defesa de lobista ligado ao bandido petista mensaleiro José Dirceu


Os advogados do lobista e delator Fernando Mouro, da Operação Lava Jato, renunciaram à defesa dele nesta quinta-feira (28). Os criminalistas Pedro Iokoi, Adriano Scalzareto, e toda sua equipe protocolaram uma petição junto à Justiça Federal do Paraná. O caso aconteceu depois que Moura concedeu um depoimento ao juiz Sergio Moro, na sexta-feira (22), mudando informações que estavam nos termos de delação premiada que assinou com a força-tarefa da Lava Jato. Um dos fatos contados pelo lobista em nova versão foi a recomendação que recebera do ex-ministro José Dirceu para deixar no Brasil na época do Mensalão do PT, em 2005. Apesar de ter encaminhado no esboço de sua delação e depois dizer à Polícia Federal que José Dirceu lhe deu a "dica" para sair do país, ele afirmou a Moro, na semana passada, nunca ter dito essa informação. Moura também passou a isentar o empresário Licínio Machado, da Etesco, de ter se beneficiado com contratos milionários pela nomeação de Renato Duque para a diretoria de Serviços da Petrobras - ao contrário do que dissera em agosto do ano passado. Os advogados que renunciaram à defesa do lobista foram os mesmos que negociaram a sua delação premiada, homologada em setembro.

Polícia Federal descobre documentos que detalham esquema de evasão de dinheiro desviado da Petrobras

A fase Triplo X da Operação Lava Jato, deflagrada na quarta-feira, apreendeu uma lista com os nomes de centenas de empresas abertas em paraísos fiscais. As planilhas são consideradas pelos investigadores como uma rica fonte de informações a respeito de brasileiros que remeteram recursos para o Exterior de formam ilegal, nos últimos anos. A Polícia Federal ainda não divulgou o número exato de empresas. A lista estava armazenada em computadores da filial brasileira da panamenha Mossack Fonseca. O número exato de empresas offshore ainda não foi determinado pela Polícia Federal. Os investigadores esperam que as planilhas da Mossack possam detalhar um esquema de evasão de recursos e lavagem de dinheiro de suspeitos de corrupção na Lava Jato, mas também em outras áreas. “A Mossack é bem mais ampla que o caso Lava Jato. A empresa não só apresentou indícios de aparecer em outras investigações já deflagradas como provavelmente vai se descobrir muita coisa. Não podemos descartar que surjam provas para outras investigações”, afirmou o delegado Igor Romário de Paula. A Mossack Fonseca, empresa fundada no Panamá, em 1977, tem filiais em 40 países e é especialista na abertura de offshores. O resultado das interceptações telefônicas da Lava Jato indica que a empresa oferece serviços ilícitos como a venda de “laranjas” e de empresas offshore para ocultar a titularidade dos proprietários brasileiros. Há também indícios de que ela facilitaria a abertura de contas bancárias no Exterior. O juiz Sérgio Moro alega, em decisão proferida sobre a 22ª fase da Lava Jato, que existem provas “de que a Mossack Fonseca providenciou os serviços necessários para a abertura de offshores para pelo menos quatro agentes envolvidos no esquema criminoso da Petrobras e que as utilizaram para lavagem de dinheiro”. O coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal em Curitiba, Deltan Dallagnol, evitou comentar as apreensões na Mossack, porque a Procuradoria ainda não havia tido acesso ao material, mas alertou: “Aconselharia os donos dessas offshore a procurar espontaneamente o Ministério Público, tendo em mente o que aconteceu na Lava Jato. Quem procurou primeiro obteve acordos melhores”. Não é crime manter valores no Exterior, mas quem tem recursos acima de US$ 100 mil é obrigado a informar à Receita Federal e o Banco Central. Empresas offshore são abertas para ocultar dinheiro sem procedência, preservando a identidade de seus donos. Isso é possível porque as offshore geralmente são estruturas jurídicas de cotas ao portador. Em seguida, é aberta uma conta em outro país, em nome da offshore. O verdadeiro dono do dinheiro costuma aparecer apenas como procurador de uma conta bancária.

Eduardo Cunha vai questionar no STF poder do Senado sobre impeachment

Nos embargos de declaração que apresentará ao Supremo Tribunal Federal na próxima semana, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), vai questionar a decisão da Corte segundo a qual o Senado não fica obrigado a instaurar o impeachment da presidente Dilma Rousseff, ainda que os deputados autorizem a abertura do processo. Na prática, a determinação do Supremo retirou da Câmara a palavra final sobre o afastamento temporário de Dilma - a presidente só deixaria em definitivo a Presidência da República caso a maioria dos senadores assim decidisse. Conforme técnicos que participaram da redação do texto, os argumentos serão baseados em interpretações da Constituição Federal de que o Senado estaria obrigado a instaurar o processo após a Câmara autorizar a abertura do processo. O deputado tem argumentado que não faz sentido uma Casa Legislativa tomar uma decisão com quórum qualificado e a outra, em seguida, mudar essa determinação por maioria simples. Para os ministros, a Câmara autoriza o trâmite, mas cabe ao Senado decidir sobre a instauração. Em 1992, ao analisar o caso do impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL), o Senado chegou a votar se daria continuidade ao caso. A questão do papel do Senado teve votos favoráveis de oito dos 11 ministros do Supremo e é pouco provável que sofra alterações, apesar das argumentações de Eduardo Cunha. Como já anunciado pelo peemedebista em diversas ocasiões nas quais falou sobre a decisão do Supremo, os embargos também trarão questionamentos em torno das questões legislativas: candidatura avulsa e voto secreto. Em ambos os casos, serão usados instrumentos do Regimento Interno da Câmara para tentar convencer os ministros a flexibilizar as normas. A equipe jurídica, contudo, acredita no máximo em uma suavização da decisão dos ministros, por exemplo, com uma clara descrição de que ela vale apenas para a comissão do impeachment. Após a Câmara eleger um colegiado pró-impeachment a partir de uma chapa avulsa indicada por oposicionistas e dissidentes da base aliada, o STF determinou que não há previsão legal para indicações sem o crivo do líder partidário ou blocos. Além disso, Cunha havia estabelecido que os membros da comissão do impeachment poderiam ser eleitos por voto secreto. O Supremo decidiu pelo voto aberto, o que beneficia o governo, que acredita ter mais chances de controlar eventuais traições em sua base, com maior chance de barrar o processo de afastamento,

Prefeito Eduardo Paes diz que poluição da baía de Guanabara não é um "tema olímpico"; a baía é uma pocilga, uma latrina



A poluição na baía de Guanabara, uma verdadeira latrina, uma pocilga, um dos temas mais preocupantes entre atletas e dirigentes estrangeiros para os Jogos Olímpicos de 2016, não é um problema olímpico, disse nesta quinta-feira (28) o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Segundo Paes, os atletas vão competir em raias que estão dentro dos padrões exigidos pelos organizadores do evento. Para ele, a baía de Guanabara é um problema das cidades da região metropolitana do Rio de Janeiro, que lançam diariamente esgoto no local. "Para mim a baía de Guanabara não é um tema olímpico, mas sim da região metropolitana. É um desafio e não tivemos o problema resolvido ali", disse ele. "Mas já tivemos dois eventos-teste ali e os problemas não se verificaram". O assunto voltou a ganhar repercussão internacional nesta semana, depois que o ex-dirigente da Federação Internacional de Vela, Peter Sowrey, disse ter sido demitido do cargo por se posicionar contra a realização das provas de vela da Olimpíada na baía de Guanabara e por insistir em levar a competição olímpica para a cidade de Búzios, na região dos Lagos. "Frequentemente as pessoas ficam querendo bancar suas teses e acho que é isso que está acontecendo ali na baía", afirmou o prefeito. Imagens que mostram lixo, garrafas, sofás e carcaças de carros e eletrodomésticos flutuando na baía de Guanabara circulam mundo afora. Paes lembrou, no entanto, que as provas de vela serão realizadas em raias bem distantes dessa realidade degradante. "Acho que para a Olimpíada é um problema que se resolve", disse. O governo estadual do Rio de Janeiro, responsável pelo projeto da despoluição, já anunciou que não atingirá a meta de tratar 80% do esgoto lançado na baía. Estima-se que no máximo 60% poderá ser tratado até os Jogos, que ocorrem em agosto, sendo que o Estado passa por uma grave crise financeira e ainda não foram realizadas obras de saneamento das cidades que circundam a baía e lançam o esgoto no local. No ano passado, o governador Luiz Fernando Pezão havia dito que considerava o descumprimento da meta "algo lamentável". Paes também manifestou à época sua insatisfação com o fato ao afirmar que o Rio de Janeiro perdeu uma grande oportunidade de resolver um problema que há anos se faz presente. Nesta quinta-feira, Paes declarou que, faltando cerca de seis meses para o início dos Jogos Olmpicos, os olhos do mundo estarão cada vez mais atentos para a cidade do Rio de Janeiro. 

Governo anuncia mais R$ 2 bilhões para crédito rural em 2016



O CMN (Conselho Monetário Nacional) anunciou o aumento de R$ 2 bilhões nos recursos disponível para crédito rural em 2016. O valor virá do direcionamento obrigatório de parte dinheiro de entidades governamentais depositado em bancos públicos federais e estaduais (depósitos à vista). A expectativa é que R$ 1 bilhão sejam liberados no primeiro semestre deste ano, ainda para a safra atual. Segundo Banco Central, a medida não faz parte do pacote de crédito anunciado nesta quinta-feira (28) pelo governo, que conta com outra mudança que irá direcionar mais R$ 10 bilhões no crédito rural. O total do crédito que o governo vai injetar na economia, anunciado pelo ministro Nelson Barbosa (Fazenda) nesta quinta-feira, durante reunião do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), o Conselhão, será de R$ 83 bilhões. A grande novidade será a autorização do uso da multa e de parte do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como garantia de crédito consignado para trabalhadores do setor privado demitidos sem justa causa. A expectativa é de gerar R$ 17 bilhões de crédito com essa modalidade. Para crédito rural, serão destinados R$ 10 bilhões. Para crédito habitacional, com recursos do FGTS, serão mais R$ 10 bilhões. Para infraestrutura, por meio dos recursos do FI-FGTS, serão mais R$ 22 bilhões em linhas de crédito. Para capital de giro de pequenas empresas serão dedicados R$ 5 bilhões, por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Para investimento em máquinas e equipamentos, o governo trabalha numa linha de crédito do BNDES de R$ 15 bilhões. Para empresas exportadoras, serão liberados R$ 4 bilhões de crédito.

Petrobras cria gerência executiva para venda de ativos



A reforma da estrutura organizacional da Petrobras cria uma gerência executiva para tocar o processo de venda de ativos, considerado fundamental pela direção da empresa em sua estratégia para reduzir o elevado endividamento. A gerência executiva é o terceiro cargo na hierarquia da estatal, abaixo apenas do presidente e dos diretores. A de Aquisições e Desinvestimentos estará subordinada à diretoria Financeira, comandada por Ivan Monteiro, que hoje coordena o esforço para encontrar compradores para os ativos. A Petrobras estipulou a meta de arrecadar, até o final de 2016, US$ 15,1 bilhões com o programa de desinvestimentos, meta considerada ousada por analistas que acompanham a companhia. Até agora, a única grande operação foi a venda de fatia da subsidiária Gaspetro à japonesa Mitsui, fechada no ano passado por R$ 1,9 bilhão (ou US$ 700 milhões, ao câmbio da época), e que está embargada pela Justiça. O presidente da estatal. o petista Aldemir Bendine, conhecido como amigo da Val, disse que o programa de desinvestimento "está a todo vapor". Questionado se a Petrobras poderia vender o controle de ativos, o executivo afirmou que "não há nenhuma restrição". Ele não quis, porém, antecipar detalhes sobre negociações. O novo organograma foi aprovado em reunião do conselho de administração na quarta-feira (27) e apresentado esta quinta (28). Com a reestruturação, a estatal pretende economizar R$ 1,8 bilhão por ano. A empresa não divulgou os nomes dos ocupantes dos novos cargos. Pelo modelo aprovado, a escolha de nomes para as gerências executivas - terceiro cargo na hierarquia da empresa, atrás do presidente e dos diretores - passará pelo crivo do conselho de administração, após análise da carreira pelo Comitê de Remuneração e Sucessão. O objetivo é evitar escolhas pessoais e privilegiar empregados com bom desempenho. "Meritocracia é o termo que define, desde 2015, os nossos processos", afirmou Bendine, que disse não conviver com "indicações políticas" na estatal. A operação de venda da Gaspetro está suspensa por liminar concedida esta semana pela Justiça Federal da Bahia. Bendine disse que empresa ainda não foi notificada, mas tomará as "medidas cabíveis" para reverter a decisão. "Pelo que li na imprensa, a decisão está mais no âmbito do questionamento, de explicar melhor a situação", afirmou, dizendo que a venda foi feita "dentro de absoluta legalidade". Ele minimizou, porém, o impacto nas contas da empresa caso a operação tenha que ser cancelada, alegando que trata-se de um valor pequeno dentro do programa de desinvestimentos da companhia, que prevê a arrecadação de US$ 15,1 bilhões. A venda da Gaspetro já havia sido suspensa, em dezembro, por outra liminar concedida na Justiça da Bahia, mas a estatal conseguiu reverter a decisão.

Presidente do Banco Central disse na reunião do Conselhão que inflação só volta para dentro da meta em 2017



O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou nesta quinta-feira (28) que o Banco Central permanecerá vigilante quanto à evolução da economia e adotará as medidas necessárias para levar a inflação à meta de 4,5% em 2017. Em sua fala, o presidente do Banco Central disse que vislumbra para este ano um menor dinamismo para a economia global e a manutenção de níveis altos de volatilidade e de incerteza. "Esse quadro se insere em um contexto de relativo esgotamento da capacidade das políticas fiscal e monetária de alavancar o crescimento em um ambiente de alterações demográficas e de pressões geopolíticas", afirmou. O discurso foi feito diante de uma plateia de empresários, sindicalistas e demais integrantes do CDES (Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o chamado Conselhão, onde a presidente Dilma apresentou mais uma plano de estímulo à economia, com retomada do crédito e discussão de reformas estruturantes. Segundo Tombini, o processo de mudança dos preços administrados pelo governo, como de combustíveis, se mostrou mais "prolongado e intenso" que o previsto, o que influenciou o atual patamar de inflação, de dois dígitos. O dólar alto também confluiu para a alta da inflação, justificou. Por outro lado, o dólar alto favorece ganhos de competitividade, o que tem provocado alta nas exportações e queda nas importações. "Para isso, é de fundamental importância a atuação do Banco Central no controle da inflação, de modo que esses ganhos não sejam eliminados pelos aumentos dos preços domésticos".

Homem suspeito de destruir provas na Lava Jato é preso ao voltar do Panamá


A Polícia Federal prendeu nesta quinta (28) Ademir Auada quando ele desembarcava no aeroporto internacional de Guarulhos, retornando de uma viagem ao Panamá. Considerado foragido desde a deflagração da fase Triplo X da Operação Lava Jato, ele foi transferido para Curitiba, de acordo com a superintendência da Polícia Federal no Paraná. Auada figura como procurador da offshore Murray Holdings, que aparece como proprietária de um apartamento no edifício Solaris, o mesmo em que o ex-presidente Lula teria um triplex no Guarujá (SP). Num grampo telefônico revelado pelo site "O Antagonista" na quarta-feira, a filha de Auada informava a ele que estava "picando os papéis" –o que a a Polícia Federal interpretou como um forte indício de destruição de provas relacionados a um esquema de corrupção e ocultação de patrimônio. A publicitária Nelci Warken, também presa, afirma ser dona da Murray Holdings e que usou a empresa para adquirir um dos imóveis no Solaris. A Polícia Federal suspeita que a offshore servia de estrutura para ocultar patrimônio da família do tesoureiro afastado do PT, João Vaccari Neto, preso no ano passado na Lava Jato. O Solaris foi um empreendimento iniciado pela Bancoop (Cooperativa do Sindicato dos Bancários), entidade controlada por petistas e que deixou de entregar mais de 3.000 imóveis para mutuários. Com a crise na cooperativa, o negócio foi incorporado pela OAS, uma das empreiteiras investigadas sob suspeita de fraudar contratos e desviar recursos da Petrobras. 

Lava Jato atingiu o sistema nervoso central

O Antagonista ouviu ontem um integrante da equipe da Operação Triplo X. Ele disse o seguinte: "A Lava Jato atingiu o sistema nervoso central da lavagem de dinheiro no Brasil, com conexões internacionais. É maior que o petrolão".

JN confirma O Antagonista

A reportagem do JN sobre o golpe de Bancoop é brilhante e esclarecedora. Além de reproduzir vídeos dos depoimentos da porteira e do zelador do Solaris desmentindo a versão de Lula, também entrevistou o promotor José Carlos Blat, responsável pela primeira denúncia contra João Vaccari Neto no caso Bancoop. Ele confirmou o que O Antagonista disse ontem (leiam aqui), desmontando a versão de Lula de que comprou apenas uma cota do empreendimento no Guarujá. "Na Bancoop não existem cotas, não é um consórcio. Ela oferecia unidades habitacionais. Todos sem exceção compraram apartamentos ou casas e ao longo do tempo pagaram prestações".

Delator diz que mentiu porque foi ameaçado

O JN mostrou agora vídeo de novo depoimento de Fernando Moura em que ele alega que mentiu para Sérgio Moro porque se sentiu ameaçado por um homem que encontrou na rua. O homem, um desconhecido, esbarrou nele e perguntou como estavam seus netos no sul do País. Quem ameaçou Moura?

O delator se traiu

O delator Fernando Moura, ligado a José Dirceu, foi abandonado pelos advogados depois de se contradizer em depoimento ao juiz Sérgio Mouro. Ele agora corre o risco de perder o benefício. Na sexta-feira passada, ele negou ao juiz ter falado sobre arranjos políticos que permitiram à empreiteira Etesco virar um grande player da construção civil. "Falei isso?", disse Moura. "Falou", respondeu Moro. "Assinei isso?", perguntou o empresário, rindo. "Devem ter preenchido um pouquinho mais do que eu tinha falado. Mas se eu falei, eu concordo". Nesta semana, Moura reconsiderou as declarações, reiterando o que disse na delação. A confusão agora será apurada pelo MPF e o delator pode ser punido. A pressão para livrar Dirceu é enorme.

O absurdo de Mantega.... e sobrou para FHC

Repetindo o mantra usado por Lula para se defender de toda e qualquer acusação, Guido Mantega disse também que "é um absurdo" falar da participação do ex-presidente em compra e venda de MPs. "O ex-presidente Lula nunca fez qualquer pedido nesse sentido, não fez qualquer empenho nem junto a mim nem junto a qualquer servidor do Ministério da Fazenda durante minha gestão". Guido Mantega disse ainda que as MPs investigadas pela Operação Zelotes "versam exclusivamente sobre prorrogação temporal de um programa instituído pelo governo Fernando Henrique Cardoso". "Na época dele houve a concessão de incentivos fiscais para as indústrias que quisessem se estabelecer em regiões mais pobres, sem postos de trabalho, com baixo Índice de Desenvolvimento Humano. Essas MPs simplesmente estenderam o prazo". Só agora, que virou caso de polícia, os petistas lembram de citar FHC.

Uma rede planetária de corrupção e lavagem

Ontem, mencionamos aqui o papel do escritório Mossack Fonseca, que tem sede no Panamá, em diversos esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo ditadores e bilionários do petroléo. A força-tarefa da Lava Jato esquematizou isso num mapa global, que mostra conexões na Síria, na Líbia, em Israel, Ucrânia, Zimbábue, Guiné e até Argentina. Também expõe vínculos com escândalos anteriores no Brasil, como o das contas CC5, o Caso Alstom e a Operação Ararath. (O Antagonista)

O grito de liberdade de Temer

Michel Temer declarou publicamente ontem que o PMDB terá candidato próprio em 2018 e que vai garantir a governabilidade do País até lá. Com ou sem Dilma. "Eu asseguro: em 2018 nós vamos ter um candidato à presidência da República. Nós vamos lançá-lo em 2018 e vamos assegurar a governabilidade do país nesse período". Há muito tempo que parte do PMDB - a parte que apoia Temer - concluiu que a legenda deve assumir o poder.

Delta marginal

O Estadão: "O Ministério Público Estadual ofereceu denúncia contra sete pessoas acusadas de fraude na licitação da ampliação da Marginal do Tietê, ocorrida entre 2009 e 2011, nas gestões do senador José Serra no governo de São Paulo e do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, na Prefeitura. Para os promotores, a fraude chega a R$ 71 milhões. De acordo com a denúncia, a construtora Delta, do empresário Fernando Cavendish, repassou valores obtidos com a obra a sete empresas fantasmas ligadas a Adir Assad, empresário condenado na Operação Lava Jato por efetuar pagamentos em esquemas de propina com recursos da Petrobras". É o delta marginal.

Quando Dida vai cortar na carne?

Aldemir Bedine anunciou com pompa um enxugamento na máquina da Petrobras, com corte de cargos gerenciais. O Antagonista quer saber se Dida vai cortar na própria carne, reduzindo os privilégios do cargo de presidente, alguns moralmente questionáveis. O Antagonista também quer saber se Dida vai cortar o cartão farmácia que garante aos funcionários da estatal a compra de medicamentos subsidiados. O Antagonista também quer saber se o seu novo modelo de administração vai eliminar os contratos com empresas terceirizadas e se dará transparência aos gastos.

O pândego do Conselhão

O Bradesco teve lucro líquido contábil de 17,190 bilhões de reais em 2015, um aumento de 13,9% em relação ao ano anterior. "Esse é o balanço de atividades em um dos períodos mais complexos e desafiadores da história política e econômica do Brasil. Foi necessário um esforço redobrado para responder de forma rápida e eficiente às transformações da economia ao longo de 2015", disse Luiz Carlos Trabuco. Trabuco é o pândego do Conselhão.

O PT genérico pode vencer

O Antagonista alerta: a rejeição a Dilma Rousseff pode não varrer o PT do mapa nas eleições municipais. Candidatos de partidos aliados da organização aparecem nos primeiros lugares de pesquisas feitas nas capitais do Sul, Rio de Janeiro, Nordeste e Norte. Se a oposição não traçar uma estratégia comum, será a vitória do PT genérico.

Desemprego fecha 2015 em 6,8%, maior índice desde 2009


A taxa de desemprego medida pelo IBGE nas seis maiores regiões metropolitanas do País (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre) terminou o ano passado em 6,8%, no maior nível desde 2009, logo após a crise financeira internacional. Em 2014, ela havia sido de 4,8%, a mais baixa de toda a série histórica, iniciada em 2002. Esse aumento de dois pontos percentuais na taxa média de desemprego do ano é o maior de toda a série anual da pesquisa, iniciada em 2002, e interrompeu a trajetória de queda que ocorria desde 2010. A taxa de dezembro ficou em 6,9%, frente aos 7,5% registrados no mês anterior e os 4,3% de dezembro de 2014. Esta é a maior taxa para o mês desde 2007. Os dados captados pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) refletem os efeitos do baixo crescimento da economia no mercado de trabalho. A crise atingiu em cheio a renda do trabalhador brasileiro. Após dez anos de ganhos sucessivos, o rendimento médio caiu 3,7% em relação a 2014, para R$ 2.265,09. A última queda tinha sido em 2004. Todas as regiões tiveram perda, com destaque para Belo Horizonte (-4,6%), Rio (-4%) e São Paulo (-4%). A média anual da massa de rendimento mensal habitual para 2015 foi estimada em R$ 53,6 bilhões, apresentando a primeira retração anual da série (-5,3%). Já o aumento de dois pontos percentuais na taxa média de desemprego do ano, de 4,8% em 2014 para 6,8% em 2015, é o maior de toda a série anual da pesquisa, iniciada em 2002, e interrompeu a trajetória de queda que ocorria desde 2010. Ao mesmo tempo, o desemprego manteve a tendência de redução na passagem entre novembro e dezembro, por causa da menor procura por emprego durante as festas de fim de ano. Em 2015, a média anual da população desocupada foi estimada em 1,7 milhão, contingente 42,5% superior à média de 2014, que foi de 1,2 milhão de pessoas, o que representa o maior crescimento desse grupo na série histórica. Por outro lado, a população ocupada teve uma redução de 400 mil pessoas, ficando em 23,3 milhões, recuando 1,6% em relação a 2014, quando haviam 23,7 milhões de pessoas empregadas. Este é o segundo ano seguido de queda da população ocupada em toda a série.Caiu também o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado. Eram 12,1 milhões em 2014 e passaram para 11,7 milhões no ano passado, recuo de 2,7% ou menos 329 mil pessoas trabalhando protegidas pelas leis trabalhistas. Esta é a primeira queda anual de toda a série histórica. O nível de ocupação - proporção entre a população ocupada e a população em idade ativa - alcançou média de 51,9% em 2015, caindo 1,4 ponto percentual em relação a 2014 (53,3%). Essa foi a maior queda anual do indicador, que pode ser explicada pela redução da ocupação em 2015. O nível de ocupação das mulheres (44,3%) continua inferior ao dos homens (61%). Em relação ao nível de ocupação dos jovens de 18 a 24 anos, a proporção passou de 57,3% em 2014 para 53,8% em 2015 - queda de 3,5 ponto, levando o nível de ocupação desse grupo ao mesmo patamar de 2003. Quando se olha a renda, houve retração em todas as formas de inserção no mercado de trabalho: empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado tiveram perda de 3,3%, empregados sem carteira no setor privado (-5,1%), militares ou funcionários públicos estatutários (-1,8%), trabalhadores por conta própria (-4,1%) e empregadores (-6,2%). O movimento de queda também foi generalizado quando se observava a desagregação por grupamentos de atividade. A construção (-5,2%), o comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis (-5,6%), os serviçosprestados às empresas (-5,1%) e a indústria (-4,2%) tiveram as principais quedas em 2015. Contudo, frente a 2003, prevaleceram os ganhos reais em todos os grupamentos, sobretudo naqueles com os menores rendimentos: construção (51,1%) e serviços domésticos (67,9%). A pesquisa apontou disparidades entre os rendimentos de homens e mulheres e, também, entre brancos e pretos ou pardos. Em 2015, em média, as mulheres ganhavam em torno de 75,4% do rendimento recebido pelos homens, o que representou uma expansão de 1,2 p.p. frente a 2014(74,2%). A menor proporção foi registrada em 2007 (70,5%). O rendimento dos trabalhadores de cor preta ou parda, de 2003 para 2015, cresceu 52,6%, enquanto o rendimento dos trabalhadores de cor branca cresceu 25,0%. Contudo, mesmo com esse expressivo crescimento em 13 anos, os ocupados de cor preta ou parda ganhavam, em média, em 2015, 59,2% do rendimento recebido pelos trabalhadores de cor branca. Destaca-se que, em 2003 essa proporção não chegava à metade (48,4%). De 2014 para 2015 a atividade de serviços domésticos teve aumento de 1,5% no contingente de ocupados, revertendo a trajetória de redução iniciada em 2010. Os demais grupos tiveram redução, sendo as principais quedas na indústria, -5,5%, e na construção, de -3,6%. A distribuição da população ocupada pelos diversos grupamentos não apresentou grandes alterações, sendo que as principais atividades eram comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis (de 18,6% para 18,8%), serviços prestados às empresas (de 16,4% para 16,5%), educação, saúde, serviços sociais e administração pública (de 17,0% para 17,2%) e outros serviços (18,5% para 18,7%). Segundo a técnica do IBGE, o aumento de empregados domésticos pode estar ligado às demissões em outros setores: A mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, levantamento mais abrangente do IBGE, que contém informações de todas os estados brasileiros e do Distrito Federal, também mostra deterioração no mercado de trabalho. A taxa ficou em 9% no trimestre encerrado em outubro. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, foi a décima vez seguida que a taxa de desemprego cresceu. O resultado é o mais alto da série, iniciada em 2012. No mesmo período de 2014, o desemprego estava em 6,6%. Já o rendimento real ficou em R$ 1.895, 0,7% a menos do que no trimestre encerrado em julho. A taxa de desocupação em dezembro de 2015 foi estimada em 6,9% para o conjunto das seis regiões metropolitanas investigadas, registrando queda de 0,6 ponto percentual frente a novembro. Em relação a dezembro de 2014 (4,3%), a taxa subiu 2,6 ponto. O contingente de desocupados em dezembro de 2015 (1,7 milhão de pessoas) registrou declínio de 7,6% (142 mil pessoas a menos) frente a novembro. Na comparação com dezembro de 2014, ocorreu acréscimo de 61,4% (mais 659 mil pessoas em busca de trabalho). Na análise regional, o contingente de desocupados, em relação a novembro, apresentou queda estatisticamente significativa no Rio de Janeiro (15,4%) e Porto Alegre (12%) e não registrou variação nas demais regiões. No confronto com dezembro de 2014, a desocupação aumentou em todas as regiões, sendo o maior aumento verificado em Belo Horizonte (97,9%) e o menor em Salvador (46%). O contingente de ocupados (23,2 milhões de pessoas) em dezembro de 2015 apresentou estabilidade na análise mensal e queda de 2,7% (menos 641 mil pessoas) frente a dezembro de 2014. regionalmente, a análise mensal apontou estabilidade na ocupação em todas as regiões metropolitanas. Na comparação com dezembro de 2014, ocorreu queda em Salvador (-5,4%; 97 mil pessoas a menos), Porto Alegre (-4,7%; 95 mil pessoas a menos), Belo Horizonte (-4,5%; 112 mil pessoas a menos) e São Paulo (-3,1%; 319 mil pessoas a menos). No Rio de Janeiro e em Recife, esses contingentes não se alteraram significativamente. Para os grupamentos de atividade, de novembro para dezembro de 2015, foi observada estabilidade em quase todos os grupamentos, exceto na construção (-3,9%, 69 mil pessoas a menos) e na indústria (-3,6%, 123 mil pessoas a menos), que apresentaram queda. Frente a dezembro de 2014, houve queda da população ocupada na indústria (-8,4%, 296 mil pessoas a menos) e estabilidade nos demais grupamentos ocupacionais. O número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado, em dezembro de 2015, foi estimado em 11,6 milhões, não apresentando variação na comparação mensal. Frente a dezembro de 2014, houve redução de 603 mil pessoas com carteira assinada no setor privado (-5%). Regionalmente, na comparação mensal, ocorreu estabilidade no contingente de trabalhadores com carteira de trabalho assinada em todas as regiões. Frente a dezembro de 2014, Belo Horizonte (-7,4%), Porto Alegre (-7,4%), Rio de Janeiro (-5,5%), Recife (-5,5%) e São Paulo (-3,7%) apresentaram queda. Em Salvador não foi verificada variação significativa. 

Odebrecht fez obra em sítio ligado a Lula, diz fornecedora



A ex-dona de uma loja de materiais de construção e um prestador de serviço de Atibaia (SP) afirmaram que a empreiteira Odebrecht realizou a maior parte das obras de reforma em um sítio frequentado pelo ex-presidente Lula e seus familiares. A reforma teve início em outubro de 2010, quando Lula estava no fim de seu segundo mandato como presidente. A propriedade rural, de 173 mil metros quadrados (o equivalente a 24 campos de futebol), está dividida em duas partes. Uma delas está registrada em nome de Fernando Bittar, filho de Jacó Bittar, amigo que fundou o PT com Lula. A outra pertence formalmente ao empresário Jonas Suassuna, sócio, assim como Bittar, de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do e­­x-presidente. A Odebrecht gastou nas obras cerca de R$ 500 mil só em materiais, estima Patrícia Fabiana Melo Nunes, de 34 anos, à época proprietária do Depósito Dias, loja que forneceu produtos para a reforma no sítio. "A gente diluía esse valor total em notas para várias empresas, mas para mim todas elas eram Odebrecht", diz. Segundo Patrícia, os trabalhos no sítio foram coordenados pelo engenheiro da Odebrecht, Frederico Barbosa, que cuidou da construção do Itaquerão, estádio do Corinthians, outra obra da empreiteira. O engenheiro confirmou que trabalhou na reforma. Disse, porém, que estava de férias da Odebrecht no período, prestou serviços de graça e não sabia que o ex-presidente tinha ligação com o local. Patrícia afirmou que abriu na loja um cadastro em nome da Odebrecht, mas, a pedido do engenheiro, emitiu notas de compras feitas pela construtora em nome de outras companhias. Parte dos materiais, admitiu ela, foi comercializada sem registro fiscal. Como compravam muito no depósito, e no sítio não havia sinal de internet, Patrícia disse ter cedido uma mesa no estabelecimento para Igenes Irigaray Neto, arquiteto responsável pela reforma. Durante os cerca de dois meses da obra, além do arquiteto, Barbosa também ia praticamente todos os dias à loja, disse Patrícia. Em área arborizada, o sítio possuía antes da reforma um lago, uma estrada de acesso e uma casa antiga. Depois, ganhou nova edificação com quatro suítes e um espaço de lazer com churrasqueira. Segundo Patrícia, os pagamentos da construtora eram feitos semanalmente. "Eu lembro que o Quico (apelido do engenheiro) ligava para um outro senhor, que orientava sobre como era para fazer as notas. Eu não tinha o telefone, o endereço, nada desse outro senhor. Só sabia que na sexta-feira às três horas da tarde ele passava lá para pagar. Os pagamentos giravam em torno de R$ 75 mil a 90 mil por semana, em dinheiro vivo". "Era uma mala que tinha outros valores também para pagar para os pedreiros, serventes, etc. Ele ia tirando envelopes de papel pardo. Dava para ver que tinha uma organização na mala para ser rápido, pagar o pessoal em ir embora. Ele só fazia isso", diz. Segundo Patrícia, algumas empresas já clientes da loja faziam pedidos e determinavam o sítio como local de entrega dos materiais. Ela contou que havia grande pressa para terminar a reforma até 15 de janeiro de 2011, e em certo período a loja trabalhou quase exclusivamente para a obra. O motorista e marceneiro Antônio Carlos Oliveira Santos, 45, disse ter feito serviços de marcenaria no sítio e afirmou que os trabalhos eram chefiados por um engenheiro chamado Frederico. "Ele (Frederico) me disse que era da Odebrecht, que a Odebrecht estava comandando aquilo. Fui pago por ele em dinheiro vivo. Me chamou a atenção a abundância de dinheiro na obra". "Todo mundo comentava que o sítio seria para o Lula, mas o Frederico nunca me disse isso". Maior empreiteira do Brasil, a Odebrecht se aproximou de Lula quando este chegou ao poder. Durante a gestão do petista, a empreiteira participou de algumas das maiores obras do País, entre elas a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.  A Odebrecht é acusada pela Operação Lava Jato de envolvimento em desvios na Petrobras que somam R$ 6 bilhões. O ex-presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, está preso há sete meses. Lula é alvo de investigação tocada pelo Ministério Público do Distrito Federal para apurar suposto tráfico de influência praticado por ele junto a políticos de outros países, principalmente da África e da América Latina, para conseguir contratos para a Odebrecht. Lula nega ter cometido irregularidades. Patrícia Nunes disse ainda que, além da Odebrecht, "várias empresas" participaram da construção. 

Advogado de publicitária diz que ela não é laranja para imóvel no Guarujá

O advogado de Nelci Warken, presa na quarta-feira (27) pela Operação Lava Jato, disse que sua cliente é dona da Murray Holdings e de um dos imóveis do condomínio Solaris, no Guarujá, registrado em nome da empresa offshore, baseada no Estado de Nevada (EUA). Alexandre Crepaldi negou que a publicitária de 63 anos, dona de uma empresa que distribui panfletos em São Paulo, seja "laranja" da OAS ou de pessoas ligadas ao tesoureiro afastado do PT, João Vaccari Neto. A Murray figura como proprietária de um apartamento tríplex no Solaris, mesmo condomínio onde o ex-presidente Lula tem um tríplex, no Guarujá (SP). Nove apartamentos em nome da OAS e o imóvel no nome da offshore foram os focos da fase Triplo X, da Lava Jato. "Minha cliente não é laranja de ninguém. Ela vai esclarecer no depoimento que o dinheiro que ela usou para comprar os imóveis têm origem em 45 anos de trabalho no ramo da publicidade e a razão dela ter optado por comprá-lo através de uma empresa offshore, o que não é crime", disse o advogado. Ela vai depor nesta sexta-feira (29) à Polícia Federal. Nelci Warken é suspeita de utilizar a estrutura da Murray para ocultar patrimônio em favor de Marice Correa de Lima, a cunhada do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, preso desde o ano passado. "Ela conhece o Vaccari de vista, de uma reunião de pessoas que compraram cotas da Bancoop, mas não tem nenhuma relação com ele ou com a OAS", disse o defensor. Segundo ele, Warken já prestou serviços na área de publicidade para diversas construtoras, entre elas a OAS, e para a própria Bancoop.

Argentina prevê poupar R$ 10 bilhões com corte de subsídios de energia


O governo argentino prevê economizar até US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) por ano com a retirada dos subsídios de energia. A medida faz parte do projeto do presidente, Mauricio Macri, de reduzir auxílios financeiros implementados na economia do país pela sua antecessora, a peronista populista muito incompetente Cristina Kirchner. O corte também ajudará, afirma o governo, a diminuir o deficit fiscal, que chegou a 7,1% do PIB em 2015. A meta é atingir 0,3% em 2019, quando Macri encerrará o mandato. 


Os subsídios kirchneristas eram criticados por incluírem classes mais altas no benefício e demandarem grande parte dos recursos do país. Além disso, segundo críticos, eles tinham como consequência a baixa dos investimentos no setor elétrico – com isso, cidades como a capital, Buenos Aires, convivem com frequentes apagões. Dados da consultoria Abeceb mostram que os subsídios corresponderam a 4,8% do PIB no ano passado, o que equivale a 234,4 bilhões de pesos (cerca de R$ 70 bilhões). Só o setor energético ficou com 3,2% desse total. Com a retirada dos auxílios, o preço da energia poderá subir até 350% na capital a partir desta segunda (1º). O aumento foi determinado apenas no valor da geração de energia. Nos próximos dias, deverão ser anunciados os incrementos na distribuição. Por isso, ainda não é possível saber qual será o reajuste final na conta de luz. A alta vai variar conforme o consumo de cada um. As classes mais baixas, segundo o governo, não serão afetadas pela medida e continuarão contando com o subsídio. Com a exclusão dos mais pobres, a popularidade do presidente argentino – que está em 64%, segundo a consultoria Poliarquía – não deverá ser prejudicada. "Macri tinha dito em sua campanha que cortaria os auxílios. O avanço no preço da energia, porém, poderá trazer dificuldades para que Macri consiga cumprir uma de suas principais promessas de campanha: a redução da inflação. No ano passado, ela atingiu 26,9% só na capital. Para 2016, o ministro da Fazenda, Alfonso Prat-Gay, prevê de 20% a 25% em todo o país. "É mais provável que ronde os 30%", diz Camilo Tiscornia, diretor da consultoria C&T. Analistas dizem que o governo fixou a meta em 25% para tentar segurar as negociações salariais entre trabalhadores e empresas, cujas rodadas começarão em março. O incremento na luz também não deverá fazer com que a população reduza o consumo de forma considerável, segurando a inflação. Como a energia foi subsidiada por muito tempo, as casas foram equipadas para demandar mais energia elétrica. No lugar da calefação a gás, por exemplo, utilizam aquecedores elétricos.

Berlim endurece condições para reagrupamento familiar de imigrantes

A Alemanha vai endurecer as condições para reagrupamento familiar, suspendendo, especialmente durante dois anos, a possibilidade de que determinados imigrantes levem sua família para o país - anunciou o vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel, nesta quinta-feira. Os imigrantes que se beneficiarem da "proteção subsidiária" não terão direito, "durante dois anos", a reunir sua família na Alemanha, afirmou Gabriel, ministro da Economia e líder do Partido Socialdemocrata (SPD), ao final da reunião com a chanceler Angela Merkel, da União Democrata-Cristã (CDU), e com o bávaro Horst Seehofer, da União Social Cristã (CSU). A "proteção subsidiária" é uma figura jurídica abaixo do "status" de refugiado, que permite obter uma autorização de residência durante três anos e reunir a família. Destina-se aos imigrantes que tiveram seu pedido de asilo rejeitado, mas que não podem ser expulsos do país. Essa medida também afetará uma parte dos sírios que, durante muito tempo, beneficiaram-se de um direito de asilo quase automático. Desde 1º de janeiro, porém, Berlim retomou a análise individual dos pedidos para todos os imigrantes. A restrição do reagrupamento familiar era uma das principais divergências na coalizão governamental. E, chegou-se finalmente a um acordo, nesta quinta à noite. CDU e CSU queriam reduzi-lo drasticamente, medida rejeitada pelo SPD. Além da entrada de Argélia, Marrocos e Tunísia na lista de países de origem "segura", o que limitará de maneira drástica a possibilidade de que cidadãos desses países obtenham asilo, os partidos da coalizão do governo defenderam priorizar o reagrupamento familiar para os futuros refugiados procedentes de "Turquia, Líbano, ou Jordânia", explicou Gabriel. "Hoje é um bom dia, já que implantamos essas medidas", declarou Merkel, depois da reunião com os líderes dos Estados regionais alemães. O acordo foi rejeitado por uma importante associação de ajuda aos refugiados alemã, a Pro Asyl, e considerado uma "amarga" decisão. 

Novo deslizamento de lama é mais grave do que empresa admite, diz procurador


Edmundo Antônio Dias Netto Júnior, procurador da República em Minas Gerais, afirmou nesta quinta-feira que o novo deslizamento de lama da barragem da Samarco em Mariana é mais grave do que a empresa admite e defende que a mineradora não tem condições de garantir a segurança ambiental e da população. Depois de 83 dias, rejeitos de minério de ferro da barragem de Fundão, que se rompeu em 5 de novembro do ano passado, se deslocaram nesta quarta-feira, dentro de área da Samarco em Mariana. A descida da lama foi flagrada em vídeo por equipe do Ministério Público Federal que estava na área no momento em visita como parte das investigações sobre a tragédia de novembro. O procurador participou nesta quinta-feira, de reunião da Comissão das Barragens da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, criada para apurar as causas do rompimento da barragem em novembro do ano passado, que matou 17 pessoas e deixou duas desaparecidas. Depois da queda da represa, outras duas estruturas da mineradora também utilizadas para contenção de rejeitos de minério de ferro, as barragens de Germano e Santarém, além de diques, passam por reparos. Na quarta-feira, todos os operários foram obrigados a deixar os postos de trabalho por causa do novo deslizamento de lama. Conforme dados da comissão, cerca de 1 milhão de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro deslizaram na quarta-feira. Conforme o responsável pela área de licenciamento da Samarco, Marcio Perdigão, e o engenheiro da empresa, José Bernardo Vasconcelos, que participaram da reunião, todas as estruturas em obras não oferecem risco e continuam sendo monitoradas. A empresa afirma ainda que o material que deslizou era "remanescente" de Fundão e não ultrapassou a barragem de Santarém, represa que ruiu parcialmente na queda de Fundão em novembro de 2015. Para o procurador, o plano de emergência da Samarco precisa ser reavaliado. O plano atual foi enviado pela empresa à Justiça de Minas Gerais na quarta-feira. O documento foi solicitado dentro de ação movida contra a empresa pelo Ministério Público Estadual (MPE). O material deveria ter sido entregue há cerca de 15 dias. À época, no entanto, a empresa entregou plano considerado "insuficiente" pelos promotores. A mineradora, então, ficou de enviar o completo. A multa por dia de atraso é de R$ 1 milhão. Há na Justiça um pedido do Ministério Público Estadual para que suba para R$ 5 milhões. O aumento foi solicitado depois de outros descumprimentos de prazos pela mineradora. Segundo o promotor Daniel Ornelas, que também participou da reunião da Comissão de Barragens da Assembleia, o encerramento das investigações sobre o rompimento da barragem da Samarco deve acontecer até o final de fevereiro. O promotor afirmou que ainda não teve contato com o novo plano de emergência, conhecido como dam break. O material prevê basicamente os impactos que podem ocorrer no meio ambiente e em áreas urbanas que possam ser atingidas em casos de novos rompimentos das barragens da mineradora.

Capriles diz ter chegado a hora para referendo revogatório do ditador psicopata bolivariano Nicolas Maduro

O ex-candidato presidencial da oposição Henrique Capriles disse nesta quinta-feira ter chegado o momento de convocar um referendo revogatório contra o ditador psicopata bolivariano Nicolás Maduro, ou propor uma emenda constitucional que permita acelerar sua saída do poder. "Ou aqui há soluções ou os venezuelanos temos que pensar qual será o caminho para a mudança (...) O tempo constitucional para um referendo revogatório ou uma emenda constitucional chegou", declarou à imprensa o governador do estado de Miranda (norte). O atual mandato presidencial de Maduro termina em 2019, mas as leis venezuelanas vigentes contemplam a possibilidade de convocar um referendo revogatório quando o governante cumprir a metade do mandato, o que ocorrerá em 19 de abril. Para convocar um referendo revogatório são necessárias as assinaturas de 20% (3,9 milhões) do colégio eleitoral, coletadas em três dias e com impressões digitais; e para remover Maduro, o apoio de mais de 7,5 milhões que o elegeram em 2013. Por outro lado, uma reforma da Carta Magna é promovida por acordo de dois terços dos deputados e deve ser aprovada em um referendo convocado 30 dias depois de sua sanção. Capriles chamou a maioria opositora no Parlamento a "resgatar a institucionalidade" e exigiu ao Tribunal Supremo de Justiça que "responda ao país e não ao partido do governo". Além disso, o dirigente assegurou que a solução para a crise "não é um levante militar" pois "o único desenlace deve ser constitucional, pacífico e democrático". No entanto, advertiu que o governo "está usando uma explosão social" para "se oxigenar". Capriles, que encabeça a corrente moderada da opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), tinha manifestado até agora que a oposição devia se ocupar prioritariamente em promover medidas que resolvam a crise econômica, ao invés de abreviar o governo de Maduro. Com maioria no Parlamento pela primeira vez em 17 anos de governo chavista, a oposição conta com 109 deputados contra os 54 da situação chavista e pretende, com isto, buscar uma via legal para conseguir a saída antecipada de Maduro.