sábado, 16 de janeiro de 2016

O relatório Brahma

A Polícia Federal fez um relatório sobre Brahma. Mais especificamente, sobre as mensagens encontradas no celular de Léo Pinheiro, presidente da OAS, relacionadas a Brahma - ou Lula. Diz O Globo: "Um dos tópicos listados pela Polícia Federal no capítulo 'Brahma' diz respeito à 'Pauta C/ Brahma (fevereiro/2013)', com 12 empreendimentos listados pelo ex-presidente da OAS. Entre eles estão programas no Peru, na Bolívia, na África, no Oriente Médio e no Brasil. São citados numa mensagem encontrada pela PF o 'Programa Peru x Apoio Empresarial Peruano e Empresas Brasileiras', o 'Apoio Mundo-África', a 'Proposta Mundo-Bolívia', o item 'Terrenos Militares x Trocar estudo entregue', e propostas nas áreas de saneamento, rodovias, portos e aeroportos". O relatório detalha outros assuntos de interesse de Pinheiro junto a 'Brahma', como negócios em Costa Rica. 'Presidente Lula... está preocupado porque soube que o Ministério Público vai entrar com uma representação contra ele por causa da Costa Rica'".

A OAS busca uma "solução para Rose"

Um dos tópicos do relatório "Brahma", da Polícia Federal, é a Itaipava de Lula, Rosemary Noronha. Em outubro de 2014, Léo Pinheiro enviou ao dono da OAS, César Mata Pires, uma mensagem buscando uma “solução para João Vasconcelos e Rose”. A mensagem dizia: “O nosso amigo voltou a se queixar sobre atenção ao rapaz que tínhamos pedido ao CHL. Segundo ele, o assunto não andou nada. Agradeceu e pediu para esquecer o assunto. Disse-lhe que pessoalmente iria chamá-lo para conversar com ele. Que encontraríamos uma solução". João Vasconcelos é o ex-marido de Rose, investigado na Operação Porto Seguro. E "nosso amigo" é o nosso inimigo.

Lula ganhou 70 vezes mais do que o petista Jaques Wagner

Os jornais se divertem com a notícia de que o petista Jaques Wagner ganhou seis mil e oitocentos reais em vinhos da UTC. E os 500 mil reais em cozinhas que os imóveis de Lula ganharam da mesma OAS? O Antagonista publicou aqui: A cozinha do sítio de Atibaia custou cerca de R$ 200 mil, valor cheio, pago à vista, sem chororô. O orçamento foi aprovado por Fernando Bittar e quitado pelo representante da OAS, que levou o dinheiro numa maleta executiva. A nota fiscal foi emitida em nome do sócio de Lulinha. O acabamento da cozinha é de alto padrão, mas não tem luxos. Os armários são de MDF com laminado de madeira, bancada da pia em Corian e eletros da linha gourmet da Brastemp". E aqui: "Se, para o sítio de Atibaia, a OAS encomendou apenas a cozinha da Kitchens, no caso do triplex do Guarujá, a empreiteira bancou todos os armários, inclusive guarda-roupas, toda a área de serviço e a cozinha gourmet. O valor chegou a R$ 300 mil. Dessa vez, o pagamento foi feito por TED e a nota fiscal saiu em nome da própria OAS". A grande imprensa brasileira, dominada pelo petismo, entre patrões e empregados, em um grande concubinato ideológico, é completamente farisaica. 

Ficou para 2018

O Correio Braziliense noticia que, por causa da burocracia, uma vacina contra a dengue que vem sendo testada pelo Instituto Butantã atrasou e ficou para 2018. Como todo o resto do Brasil.

O Petrolão em um parágrafo

Rodrigo Janot apresentou denúncia formal da Lava Jato contra deputado Nelson Meurer. Nela, o procurador-geral da República pede a cassação do mandato do deputado do PP. O Antagonista chama a atenção para o resumo da denúncia feito pelo Estadão. É o Petrolão em um parágrafo: "O esquema na Petrobrás é fruto do loteamento político da estatal, entre partidos da base, promovido pelo Planalto para garantir a governabilidade e a permanência do poder a partir de 2004. Conforme a denúncia, PT, PMDB e PP eram os responsáveis pelas três áreas que concentravam os maiores investimentos na Petrobras. Por meio do controle de cada uma das áreas, cobravam de 1% a 3% de propina em grandes contratos, em conluio com empreiteiras. Entre elas, as maiores do País, como Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS e Camargo Corrêa. A constatação é resultado de quase dois anos de trabalhos da força-tarefa do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, em Curitiba – sede da Lava Jato."

Feitiço contra feiticeiros

Eduardo Cunha tenta se defender usando contra o PT o mesmo argumento que o PT usa contra Eduardo Cunha. Leiam o que o presidente da Câmara disse à Folha: "O governo diz que a presidente é legitimamente eleita e que, por isso, não pode ser cassada por ato do Congresso. E eu, que também fui legitimamente eleito, posso ser cassado? O meu pode e o deles não?" Cunha e Dilma sabem que podem – e merecem – ser cassados. E pegam carona na ruína um do outro buscando alguma sobrevida.

O manifesto da Odebrecht

O Antagonista sabe que a carta aberta dos advogados criminalistas contra a Lava Jato foi redigida por Maurício Ferro, que defende a Odebrecht. A empreiteira pagou para divulgá-la?

Argentina vai lançar notas de 200, 500 e 1.000 pesos



O banco central argentino passará a emitir notas de 200 e 500 pesos em meados deste ano. Em 2017, deverão começar a circular no país as de 1.000 pesos.Hoje, existem apenas notas de até 100 pesos, que equivalem a cerca de US$ 7,50 ou R$ 30,00. O governo da peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner, encerrado em 9 de dezembro de 2015, não considerava a hipótese de incorporar cédulas de valores mais altos porque seria admitir que a inflação do país estava acelerada, como de fato está, em mais de 30% ao ano. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (15), o banco central informou que as novas notas são necessárias para melhor o funcionamento dos caixas automáticos e reduzir os custos de transporte de moeda. As cédulas que já existem atualmente também terão uma nova série. Antes estampadas com imagens de personalidades argentinas, como Evita Peron, elas serão substituídas por motivos da fauna e da flora local, como baleias e onças. O banco central ainda passará a incentivar a utilização de meios de pagamento eletrônicos, que não são tão comuns no Brasil.

Braskem convida jornalistas gaúchos para convescote sobre política, a proprietária, a Odebrecht, não tem mesmo vergonha na cara

Publica o jornalista Políbio Braga: "É estranho a ação da Braskem, empresa controlada pela Odebrecht, dona do Pólo Petroquímico de Triunfo, que convidou um grupo selecionado de jornalistas gaúchos para a palestra que fará no dia 28 o cientista Carlos Melo. Ele foi contratado para falar sobre a situação brasileira e mundial. O editor foi convidado e não irá. Enfiada até a medula no escândalo do Lava Jato, com seu presidente na cadeia e vários diretores investigados e réus, a Braskem não tem autoridade e legitimidade para continuar convidando jornalistas para seus convescotes, pelo menos enquanto seus diretores não confessarem e a controladora não assinar seu acordo de leniência". Além do jornalista Políbio Braga, que recebeu o convite e não irá, o editor de Videversus, jornalista Vitor Vieira, não recebeu o convite e não iria de qualquer jeito se fosse convidado. Para se aceitar um convite desses é preciso o sujeito ter um certo dom para conviver com a desonra, com o escárnio, com a canalhice. Eu não tenho. Mas há quem tenha. Com toda certeza, esse tipo de evento é sugerido para a Odebrecht por seus assessores de comunicação, Quem assessora a Odebrechet, em sua estratégia de defesa dentro e contra a Operação Lava Jato, é o publicitário baiano Nizan Guanaes, dono no Rio Grande do Sul da agência escala, do publicitário Alfredo Fedrizzi. Este Fedrizzi, durante décadas, foi uma espécie de "valet de chambre" do executivo da Odebrecht, Alexandrino Alencar. Onde ele estava, lá se encontrava Fedrizzi, como um fiel escudeiro. Resumindo: esse é um convite rejeitável para quem tem hombridade. Prefiro me manter fora do "grupo selecionado de jornalistas" do critério da Odebrecht. 

Em ano eleitoral, governo da petista Dilma aumenta em mais de R$ 1 bilhão o orçamento do Bolsa Família

Em 2016, o governo federal pretende aumentar em R$ 1,1 bilhão os recursos destinados ao Bolsa Família, principal programa social – e populista – de Dilma Rousseff. Passará de R$ 27 bilhões, em 2015, para R$ 28,1 bilhões este ano.

As contas do governo gaúcho são um descalabro, avisa o economista Darcy Francisco Carvalho dos Santos

O economista Darcy Francisco Carvalho dos Santos publica neste sábado, em seu blog, um artigo devastador sobre o estado das contas públicas do Rio Grande do Sul no governo de José Ivo Sartori (PMDB). É importante ler e compreender o que ocorrerá pela frente, para ninguém ter a ilusão de que as coisas estão melhorando para os gaúchos. 

Receitas de 2015 versus previsão: um descalabro anunciado!

por Darcy Francisco Carvalho dos Santos

A Tabela no final traz as receitas da Administração Direta, previstas e arrecadadas em 2015, onde se observa uma grande frustação, o que, aliás, já era previsto desde outubro/2014, quando da análise da proposta orçamentária para o exercício de 2015. Os dados completos com que foi construída a citada tabela estão no link. https://www.sefaz.rs.gov.br/AFE/REC-CON_1.aspx . Deve ser considerado que ainda pode ocorrer alguma modificação nesses dados porque o balanço ainda não está fechado, mas devem ser mínimas. Ademais o balanço a ser considerado é o consolidado de toda a administração, cujo déficit tende a ser maior. Esse balanço tem prazo para divulgação até 31 de janeiro corrente. Quando da análise do orçamento para 2015, constatamos que havia um DÉFICIT ORÇAMENTÁRIO OCULTO de R$ 5,4 bilhões, representado em grande parte por receitas superestimadas e uma parcela menor por meio de despesas subestimadas. Com o passar do ano a situação das receitas piorou devido à crise econômica que redundou em grande queda de arrecadação. Então considerando a Administração Direta houve uma arrecadação menor que a prevista de R$ 6,5 bilhões, sendo R$ 4,5 bilhões de receitas correntes e R$ 2 bilhões de receitas de capital. A frustração em termos percentuais foi de 11,1% para as receitas correntes, de 82,1% para as receitas de capital e de 15,1% para o total. 
a) Receitas correntes
As receitas próprias ficaram 11,1% abaixo do previsto e decresceram 2,4% nominais sobre o ano anterior, o que corresponde a -10,5% em termos reais. As transferências correntes também ficaram 7,3% abaixo do previsto no orçamento e foram 1,2% menor nominalmente que o ano passado e 9,4% em termos reais.
O ICMS apresentou grande queda de R$ 2,43 bilhões, ficando 8,5% abaixo do previsto, com um crescimento nominal de 3% sobre o ano anterior e queda real de 5,5%. Essa queda se deveu mais por superestimação do orçamento, referida. É claro que também houve a colaboração da crise econômica. No entanto, um crescimento nominal de 3%, quando o PIB deve decrescer esse percentual, pode ser considerado muito bom. 
As demais receitas ficaram quase R$ 2 bilhões abaixo da previsão, devido a uma parcela enorme, de R$ 1,8 bilhão de receita fictícia constante do orçamento que acabou sendo fictícia mesmo, porque não ingressou.
b) Receitas de capital
As receitas de capital ficaram R$ 2 bilhões abaixo do previsto (-82%). Em torno de R$ 1 bilhão decorreu de receita fictícia que acabou sendo fictícia, como foi o caso das receitas correntes. Da previsão de R$ 1 bilhão ingressaram apenas R$ 21 mil. Mais precisamente, R$ 21.341,00, isso mesmo!
Nas operações de crédito, a arrecadação a menor que a previsão foi de R$ 743 milhões (82,1%), porque o limite de endividamento foi esgotado pelo governo anterior, devendo permanecer nessa situação por mais este ano, mesmo com a renegociação da dívida aprovada recentemente.
As transferências de capital ficaram quase 92% abaixo da previsão, ou dito de outra forma, ingressaram somente 8% do previsto. A queda real em relação a 2014 foi de 90%, refletindo a situação financeira nada boa do Tesouro Nacional.
c) Despesa
Para a análise global, incluindo a despesa, vou esperar a publicação do balanço consolidado. No orçamento havia uma subestimação de R$ 1 bilhão, mas o governo atual informa que cortou isso de despesa no decorrer do exercício. É bem provável que o déficit seja ainda maior. Aguardemos.
d) Consequências para o Estado
No tocante às receitas de capital, o não ingresso de receita significa simplesmente não realização dos investimentos. Mas isso tem consequências, que é a falta de atendimento à infraestrutura, como destaque para as estradas que estão em péssima condição.
Quanto à não realização das receitas correntes, houve em parte uma compensação com os recursos do caixa único, cujo ingresso até novembro foi de R$ 2,539 bilhões, sendo R$ 1.957 bilhão decorrente dos depósitos judiciais.O grande impasse é que no corrente exercício esses recursos extras estarão mais esgotados, ainda.

Governo confirma as três primeiras mortes causadas por chikungunya


O Ministério da Saúde confirmou nesta sexta-feira (15) as três primeiras mortes por febre chikungunya, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue. Duas mortes foram registradas na Bahia e uma no Sergipe. As vítimas eram três idosas, com idades de 75, 83 e 85 anos, e que apresentavam histórico de doenças crônicas. É a primeira vez que são confirmadas mortes no Brasil em decorrência de chikungunya, cujo vírus foi identificado no país em 2014. Dados de boletim atualizado do Ministério da Saúde também mostram que a febre considerada "prima" da dengue avançou em 2015, ano em que foram notificados 20.661 casos "autóctones" de chikungunya (ou seja, transmitidos no local), contra 3.657 no ano anterior. Do total de casos em 2015, 7.823 foram confirmados por exames e diagnósticos clínicos e 10.420 ainda estão em investigação. A chikungunya também se espalhou pelo país. Inicialmente concentrada em oito municípios, especialmente na Bahia e Amapá, a doença tem agora circulação confirmada em 84 municípios do país, distribuídos em 11 Estados. Entram na lista municípios de Amazonas, Roraima, Amapá, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Nos últimos meses, casos autóctones da doença também foram identificados nas cidades de Itajaí (SC) e na capital Rio de Janeiro. Embora tenha sintomas parecidos com a dengue, a chikungunya se diferencia por causar dor articular mais intensa, que afeta principalmente pés e mãos. Esse sintoma pode ser observado em 70% a 100% dos casos, de acordo com dados do Ministério da Saúde. As autoridades de saúde dos Estados Unidos emitiram um alerta nesta sexta (15) para que mulheres grávidas evitem viagens ao Brasil e a outros países da América Latina expostos ao vírus zika. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças do governo (CDC na sigla em inglês), a decisão foi tomada depois que cientistas da agência testaram amostras fornecidas pelas autoridades de saúde do Brasil que indicaram a ligação entre o vírus zika e casos de bebês com microcefalia - má-formação cerebral que pode trazer limitações graves ao desenvolvimento da criança. "Até que a situação seja melhor conhecida, e por uma questão de extrema cautela, o CDC recomenda precauções especiais a mulheres grávidas e mulheres tentando engravidar", diz o comunicado da agência. "Mulheres em qualquer estágio de gestação devem consideram o adiamento de viagens a áreas onde a transmissão do vírus zika está ocorrendo".

Lewandowski manda libertar publicitário preso na Lava Jato


O ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal, mandou libertar nesta sexta-feira o publicitário Ricardo Hoffmann, preso desde abril do ano passado por ordem do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato em Curitiba. Lewandowski aceitou os argumentos da defesa do publicitário no pedido de habeas corpus e determinou a adoação de medidas alternativas, como prisão domiciliar, entrega do passaporte e proibição de contato com demais acusados na ação penal. "Constato a existência de constrangimento ilegal na manutenção da segregação cautelar do paciente, uma vez que se mostram insuficientes os fundamentos invocados pelo juízo processante para demonstrar a incidência dos pressupostos autorizadores da decretação da preventiva", afirma o ministro. Ele estabeleceu ainda fiança de 957.000 reais. Hoffmann foi condenado em setembro de 2015 a doze anos e dez meses de prisão por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. De acordo com as investigações dos procuradores que atuam na Lava Jato, o publicitário, ex-dirigente da agência de propaganda Borghi/Lowe, pagou propina ao ex-deputado petista Vargas para que a empresa fosse contratada para atuar na Caixa e na Saúde. Em troca, a agência de publicidade teria atuado para recolher dinheiro para as empresas de fachada LSI Solução e Limiar Consultoria, controladas por Vargas e por seus irmãos. Ao todo, teria sido pago cerca de 1,1 milhão de reais em propina de 2010 a 2014 às empresas do ex-petista. Depoimentos recolhidos nos inquéritos comprovam que a LSI e a Limiar não prestaram qualquer serviço e que os depósitos de propina foram feitos por solicitação da Borghi/Lowe. Diz Chico: "A Lava Jato tem o mérito de evidenciar que setores dominantes montaram esquema nefasto de captura do poder político pelos grandes interesses econômicos, com retroalimentação eleitoral e patrimonial. (...) O justo clamor para que todos os direitos e garantias individuais sejam assegurados deve se estender a qualquer caso, incluindo os sempre vilipendiados suspeitos ou réus sem recursos, que lotam as cadeias e, esses sim, muitas vezes continuam a sofrer torturas físicas e morais. A crítica ao real vazamento seletivo de informações não pode se estender à imprensa, na sua função de apurar notícias e revelar fatos de importância para a vida nacional. A colaboração premiada, com previsão legal, tem cumprido importante papel na elucidação do esquema criminoso".

PSOL critica manifesto de criminalistas


Chico Alencar, líder do PSOL, resolveu responder o manifesto, assinado por dezenas de criminalistas e publicado hoje nos jornais, que condena os supostos abusos da Lava-Jato. Diz Chico: "A Lava Jato tem o mérito de evidenciar que setores dominantes montaram esquema nefasto de captura do poder político pelos grandes interesses econômicos, com retroalimentação eleitoral e patrimonial. (...) O justo clamor para que todos os direitos e garantias individuais sejam assegurados deve se estender a qualquer caso, incluindo os sempre vilipendiados suspeitos ou réus sem recursos, que lotam as cadeias e, esses sim, muitas vezes continuam a sofrer torturas físicas e morais. A crítica ao real vazamento seletivo de informações não pode se estender à imprensa, na sua função de apurar notícias e revelar fatos de importância para a vida nacional. A colaboração premiada, com previsão legal, tem cumprido importante papel na elucidação do esquema criminoso".

Petrobras, descapitalizada, planeja vender a Transpetro

Para se capitalizar, a Petrobras decidiu colocar em seu programa de desinvestimento para este ano a venda de participação na Transpetro, subsidiária de transportes da estatal. Ainda não está definido sobre como será a venda de participação na empresa, que poderá ser dividida: a parte do transporte de petróleo e derivados por navios e a operação dos gasodutos e oleodutos. Também não se sabe, ainda, o valor da transação. Movimento semelhante foi feito com a Gaspetro, em 2015, para a venda de 49% do seu capital, mas referente apenas à parte na qual a Petrobras tinha participação nas distribuidoras de gás estaduais. Alcançou R$ 1,9 bilhão.

Carta de advogados da Lava-Jato cai mal em tribunais superiores


Caiu mal entre ministros de tribunais superiores a carta aberta divulgada hoje por alguns advogados da Lava-Jato, com críticas à operação e à imprensa. Não gostaram especialmente do trecho que diz que eles se intimidam pelo noticiário para julgar.

Demissões na Queiroz Galvão


A Queiroz Galvão demitiu nos últimos dias cerca de 150 funcionários de sua holding. Gente de médio e alto escalão recebeu o bilhete azul.

Época detona o ex-marido de Dilma, o advogado Carlos Araujo, e já fala em "laranjas" nos negócios com empreiteiro preso dono da Engevix na Lava Jato


Por ANA CLARA COSTA E THIAGO BRONZATTO

Há três anos, o grupo Engevix, que tem empresas nas áreas de óleo e gás, petroquímica, siderurgia, mineração e infraestrutura, começou a enfrentar sérios problemas financeiros. Já sentia os efeitos da desaceleração da economia. Para sobreviver, o empresário José Antunes Sobrinho, um dos donos da Engevix, bateu em diversas portas da alta burocracia, sem sucesso. Até que partiu para uma ação desesperada. Constatou que, para destravar as barreiras dos empréstimos oficiais, restava somente falar com a própria presidente Dilma Rousseff. Foi desaconselhado – é notória a aversão de Dilma a contatos com empresários que saiam do esquadro republicano. Mas Antunes tinha um plano. O plano chamava-se Carlos Franklin Paixão de Araújo. 
Carlos Araújo, um advogado trabalhista gaúcho, é ex-marido da presidente Dilma Rousseff, com quem manteve uma relação de 30 anos, entre 1969 e 2000. Conheceram-se no Rio de Janeiro e iniciaram um romance usando seus codinomes da época em que integravam organizações clandestinas que se opunham ao regime militar – Max e Estela. Passaram a viver juntos somente quando ela se mudou para Porto Alegre, em 1972, para cursar economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), depois de sair da prisão e abandonar as fileiras do grupo armado VAR-Palmares. Mesmo após o divórcio, ele e Dilma mantiveram-se amigos. Tanto que Araújo é, hoje, um dos poucos conselheiros da presidente. É a ele que Dilma recorre em tempos de tormenta. Jamais deixa de visitá-lo quando vai a Porto Alegre. “Sou mais um ouvido atento que um consultor”, afirmou Araújo sobre a relação com Dilma, em entrevista à revista GQ, em setembro do ano passado. Nos últimos meses, uma equipe de repórteres de ÉPOCA dedicou-se a uma investigação especial com o objetivo de descobrir se o plano do executivo da Engevix deu certo. Descobriu-se que, ao menos, a estratégia foi posta em marcha. Houve uma reunião secreta entre executivos da Engevix e Carlos Araújo. ÉPOCA entrevistou, em cidades como Brasília, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, quase duas dezenas de fontes envolvidas nessa história – ou com conhecimento direto dela. Complementaram-se as entrevistas com documentos comerciais, fiscais e cartoriais. Além disso, um ex-vice-presidente da Engevix, que intermediou um encontro entre Antunes e o ex-marido de Dilma, aceitou gravar um depoimento exclusivo e revelador sobre o caso. Emergem dessa investigação evidências de que Carlos Araújo prometeu ajudar a Engevix junto ao governo Dilma. Descobre-se que, no mesmo período, a empreiteira pagara ao menos R$ 200 mil, por meio de um intermediário, a um casal amigo de Dilma e seu ex-marido. Ressalte-se que não há indício de que a presidente saiba o que transcorreu. Hoje, a Engevix é uma das principais empreiteiras acusadas de participar do cartel do petrolão. Seus executivos, como Antunes, estão encalacrados junto à Justiça. Antunes e Gerson Almada, outro sócio da Engevix, negociam acordos de delação premiada – e a empresa, quase quebrada a esta altura, negocia um acordo de leniência junto ao Ministério Público Federal (MPF). Antunes está preso em Curitiba e Almada cumpre prisão domiciliar. Os procuradores da força-tarefa da Lava Jato estão em fase avançada, sobretudo, das negociações do acordo de delação premiada de Antunes. Um dos pontos discutidos nas conversas entre procuradores e os advogados de Antunes e da Engevix, segundo ÉPOCA confirmou com fontes que participam das tratativas, contempla precisamente a relação da empreiteira com Carlos Araújo. A força-tarefa já rastreia, sigilosamente, provas que podem corroborar o que Antunes está disposto a dizer em juízo sobre um assunto tão grave. Ele já revelou aos procuradores a existência da abordagem a Carlos Araújo. Mas ainda não se sabe se disse tudo o que conhece acerca do caso. “Estou proibido de falar sobre o assunto”, disse Antunes a ÉPOCA.
(Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press, Regis Filho/Valor, Márcio Fernandes/Estadão Conteúdo)

 

Do 3º andar de um prédio antigo no centro de Porto Alegre, Araújo atende seus clientes às terças e quintas-feiras de manhã, muitos deles encaminhados por sindicatos. Na sala de espera, onde cada visitante costuma gastar no máximo cinco minutos até ser atendido, há uma foto da presidente Dilma fixada na parede – que se destaca pelo forte tom de vermelho que destoa do ambiente sem decoração. A sala de Araújo costuma ficar de portas abertas. Sua área de trabalho é bagunçada, cheia de papéis espalhados. No dia 10 de dezembro, ÉPOCA esteve no escritório de Carlos Araújo e perguntou ao ex-marido de Dilma se ele havia feito negócios com a Engevix. Carlos Araújo negou categoricamente: “Não tem nada disso. Isso é um desrespeito à minha pessoa”, disse, encerrando a conversa. Depois de receber ÉPOCA, em dezembro, o advogado mostrou-se preocupado e acionou sua defesa, além de comunicar o ocorrido à própria Engevix. Na tarde da sexta-feira, dia 15, ÉPOCA voltou a procurar Carlos Araújo, desta vez por telefone. Procurado em seu escritório e em sua casa, não respondeu aos questionamentos da reportagem. ÉPOCA deixou recados insistindo na necessidade de ouvi-lo acerca do caso. Não houve retorno. Procurada por ÉPOCA na semana passada, a presidente Dilma Rousseff se manifestou por nota. “(A presidente) desconhece qualquer reunião entre Carlos Araújo e representantes da Engevix, assim como qualquer pleito que tenha sido feito ao governo. Informa ainda que não tem relação com as pessoas citadas pela revista”, diz o documento. Um mês antes, em 8 de dezembro, a reportagem abordou no aeroporto de Brasília um dos sócios da Engevix, Gerson Almada, e perguntou sobre a relação com Carlos Araújo. Almada respondeu com frases enigmáticas: “Eu já estava preso”, afirmou, tentando escapar da abordagem. Diante da insistência, reconheceu. “Mas isso vai sair em breve.” Quando questionado por mais detalhes, hesitou. “Eu não posso. Você tem o telefone da Roberta, minha esposa, não é? Então, em breve você terá (a informação). Depois de hoje, você terá. Eu vou te dar esse privilégio. É um compromisso meu com você.” Na quinta-feira da mesma semana, Almada viajou para Curitiba com seu advogado, Antonio Pitombo, para tentar costurar seu acordo de delação premiada, que está até hoje no Ministério Público Federal. ÉPOCA procurou também sua esposa, Roberta. Mas Almada jamais respondeu aos pedidos de entrevista. Procurado em sua casa, num condomínio de luxo no bairro do Morumbi, em São Paulo, ele também não atendeu mais a reportagem. Depois de ter sido condenado a 19 anos de prisão, em dezembro, e de ser liberado da tornozeleira eletrônica, Almada foi a Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo, descansar em sua casa de praia e velejar. Enquanto aguarda a tramitação dos recursos que incidem sobre sua condenação, ele gosta de percorrer trajetos em lanchas e iates. “É bom para relaxar”, relatou a pessoas próximas. Apesar dos levantamentos e depoimentos obtidos por ÉPOCA, da cronologia dos pagamentos e do envolvimento de pessoas próximas à presidente Dilma e a seu ex-marido, seria precipitado, neste momento, afirmar que Araújo foi cooptado e remunerado pelo petrolão – ou mesmo que tenha migrado da promessa de ajuda a Antunes à ação. Os depoimentos de Zuch à reportagem são consistentes, fidedignos e oriundos de um protagonista da aproximação da Engevix com Araújo. A partir dos fatos e da delação premiada, se ela realmente ocorrer, o Ministério Público pretende esclarecer o assunto.