quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

STF compartilha com TCU provas de inquérito sobre desvios em Angra 3

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o compartilhamento de provas com o Tribunal de Contas da União de um inquérito que apura pagamento de propina na construção da usina nuclear Angra 3, processo derivado da Operação Lava Jato. Entre os investigados estão o ministro Raimundo Carreiro, o advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do tribunal, Aroldo Cedraz, além do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e os senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Romero Jucá (PMDB-RR). Em depoimento de delação premiada, o dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, disse que pagava R$ 50 mil por mês a Tiago desde 2012 e que desembolsou R$ 1 milhão para o advogado ajudar na liberação do processo licitatório de Angra 3, analisado pelo TCU por indícios de irregularidades. Uma das linhas de investigação verifica se esse R$ 1 milhão teria sido repassado a Raimundo Carreiro. O ministro era o relator. Após as pretensões de Pessoa serem atendidas no tribunal, a Eletronuclear contratou um consórcio integrado pela UTC para fazer a montagem da usina atômica. Segundo o empreiteiro, "Tiago Cedraz disse que tinha contato com Raimundo Carreiro e por meio dele iria resolver o julgamento acerca das impropriedades ditas como existentes no contrato de Angra 3". Em depoimento prestado à Polícia Federal em outubro passado, Carreiro confirmou ter sido o relator do processo relativo às obras de Angra 3 e contou que ele foi retirado da pauta de votações do tribunal por seis vezes, já que "havia elementos de prejuízo à competitividade referente às obras eletromecânicas e civis". Carreiro disse que três advogados o procuraram sobre o processo, mas nenhum era Tiago Cedraz. Ele reconheceu ter estado duas vezes com o filho do presidente do TCU, ambas a convite de Aroldo, uma no casamento do próprio Tiago e outra no casamento da irmã do advogado. O ministro disse que Tiago "nunca foi a seu gabinete, nunca lhe pediu uma audiência, nunca ligou para o declarante (Carreiro) e nem este ligou para Tiago". Disse ainda que o advogado nunca esteve com o assessor responsável por elaborar o voto do ministro. Em relação aos senadores, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República investigam se teria sido acertado o pagamento de R$ 30 milhões em propina para o PMDB como contrapartida à construção da usina. De acordo com a delação premiada do dono da UTC, o ministro Lobão, no comando do ministério, pediu R$ 30 milhões em propina para financiar o PMDB nas eleições de 2014. O empresário contou aos investigadores que pagou R$ 1 milhão ao senador para que fizesse "ingerência" em favor do consórcio da UTC para construção da usina nuclear Angra.

Moro marca data para Lula depor na Lava Jato

Arrolado como testemunha de defesa do pecuarista José Carlos Bumlai, o ex-presidente Lula vai depor pela primeira vez ao juiz Sergio Moro em 14 de março. A data foi marcada pelo magistrado, responsável pela condução das ações referentes à operação em primeira instância. O depoimento do ex-presidente será por videoconferência, por isso não será necessário que ele viaje até a sede da Justiça federal, em Curitiba (PR). Assim como é norma em todos os depoimentos da Lava Jato, a oitiva de Lula também será pública. No entanto, a defesa do petista poderá pedir que seu rosto não seja filmado para preservar a imagem dele. Nesse caso, o vídeo conterá apenas a voz do ex-presidente – como já ocorreu com outros depoentes. O petista falará ao juiz Moro um dia após as manifestações que estão sendo convocadas pelo País por grupos pró-impeachment.
 

Preso desde outubro em Curitiba, Bumlai afirmou em depoimentos a Polícia Federal que Lula não teve envolvimento em negócios relativos à Petrobras. Ele confirmou que é amigo pessoal do ex-presidente, mas que nunca se beneficiou dessa relação no âmbito comercial. Bumlai também admitiu ter fraudado um empréstimo de R$ 12 milhões contraído em 2004 que teve o PT como destinatário final, mas isentou Lula da negociação. Os investigadores da Lava Jato acreditam que em troca do empréstimo a Schahin obteve um contrato de cerca de R$ 1,5 bilhão para operar o navio-sonda Vitória 10.000. A revelação foi feita por um dos donos do grupo, Salim Schahin, em acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato. Tanto o partido quanto e Bumlai negam vínculo entre o contrato e o empréstimo junto ao banco Schahin. Lula já falou à Polícia Federal na condição de informante, em um inquérito no Supremo Tribunal Federal que investiga se houve organização criminosa atuando na Petrobras. No depoimento, o ex-presidente afirmou que a investigação de integrantes de seu governo na Lava Jato faz parte de um "processo de criminalização do PT" e admitiu relação de "amizade" com o pecuarista José Carlos Bumlai, um dos presos da operação. O petista ainda defendeu o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, condenado por operar propinas para o partido, além de indicar que cabia ao ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), preso no mensalão e no petrolão, concentrar discussões de indicações políticas de seu governo.

Mercedes-Benz coloca 1.500 trabalhadores em licença remunerada


A Mercedes-Benz informou nesta quinta-feira (11) que irá colocar 1.500 trabalhadores da fábrica de São Bernardo do Campo, em São Paulo, em regime de licença remunerada a partir da próxima quarta-feira (17). De acordo com a montadora, a decisão é por tempo indeterminado. A empresa, porém, afirma que poderá rever a estratégia a partir de maio, dependendo das condições do mercado. A Mercedes já havia aderido ao PPE (Plano de Proteção ao Emprego), que reduz jornadas de trabalho e salários, em setembro. Ao todo, a montadora conta com cerca de 7.000 funcionários na planta de São Bernardo, onde produz ônibus e caminhões. Segundo a empresa, a decisão foi tomada após a constatação de que as dificuldades enfrentadas no mercado brasileiros irão persistir ao longo deste ano. As montadores de veículos enfrentam um mau momento no mercado brasileiro, com queda nas vendas e também na produção. O número de empregados nas fabricantes filiadas à Anfavea (associação nacional das montadoras) caiu 10,2% em janeiro de 2016 em relação ao mesmo mês de 2015. Já as vendas de carros leves e de veículos pesados tiveram queda de 38,8% entre os meses de janeiro de 2016 e de 2015. De acordo com dados da Anfavea, as fabricantes de autos cortaram cerca de 28 mil postos de trabalho nos últimos dois anos, fechando 2015 com 130 mil contratados. Nesse período, novas empresas começaram a produzir no Brasil, como a Chery, a BMW e a Audi, o que evitou uma queda ainda maior nas vagas.

Presidente da Turquia reage às pressões ocidentais e diz que não é um "idiota", no caso dos refugiados da Síria


O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou dirigir à Europa os milhões de imigrantes que já estão em seu país. Irritado com a pressão internacional para abrir a fronteira turca e permitir a entrada de refugiados sírios, o líder turco subiu o tom em um discurso para empresários nesta quinta-feira, na capital Ancara. "Não tenho a palavra 'idiota' escrita na testa. Seremos pacientes, mas faremos o que for necessário. Não pensem que os aviões e os ônibus estão ali sem utilidade", disse. Erdogan também confirmou as negociações reveladas pela imprensa com o presidente da Comissão Européia, Jean-Claude Juncker, e com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, em que ameaçou enviar os refugiados à Europa se não recebesse uma soma suficiente para mantê-los em solo turco. "Estou orgulhoso de ter dito isso. Defendemos os direitos da Turquia e dos refugiados (...) Dissemos (aos europeus): 'Sentimos muito, abriremos as portas e diremos adeus aos imigrantes'", explicou Erdogan. A conversa, que ocorreu em novembro passado durante o G20 de Antalya (sul da Turquia), foi citada pelo site grego Euro2day, que se referiu a "ameaças brutais" contra os europeus por parte do homem forte da Turquia. Segundo o Euro2day, Erdogan considera "módica" a soma de 3 bilhões de euros proposta pela União Europeia (UE), quando seu país gastou 8 bilhões de euros apenas em campos de refugiados. A União Européia aprovou em 3 de fevereiro as modalidades de financiamento de um fundo de 3 bilhões destinado aos 2,7 milhões de refugiados sírios que vivem na Turquia, que foi prometido em troca de que Ancara freie o fluxo migratório à Europa. Desde 1º de fevereiro o regime do ditador sírio Bashar Assad, apoiado pela Rússia, lançou uma violenta ofensiva contra os rebeldes islâmicos da província de Aleppo, no norte da Síria, que deixou 500 mortos e provocou o êxodo de 30.000 pessoas à fronteira turca, que permanece fechada. Com o apoio de diversas ONGs islâmicas, a Turquia preferiu ajudar os refugiados em território sírio, enviando ajuda humanitária e permitindo a entrada apenas de pessoas doentes. "Nós nos preparamos para o pior", reiterou nesta quinta-feira o presidente turco, que disse que até 600.000 civis podem chegar às portas da Turquia se a ofensiva contra Aleppo não cessar. Erdogan também acusou a Rússia, país aliado do regime de Assad e com o qual a Turquia mantém atualmente uma séria crise diplomática, de ser o primeiro responsável pela atual situação. Nesta quinta-feira, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, anunciou que uma missão naval aliada iria se dirigir ao Mar Egeu para "ajudar a lutar contra o tráfico humano" de imigrantes. A iniciativa foi solicitada por Grécia e Turquia e constitui uma mudança inédita nas missões da Otan, criada como uma organização militar de defesa. Até agora, a Otan havia se recusado a se envolver diretamente na pior crise migratória na Europa desde 1945. O engraçado é que ninguém cobra dos países árabes e de seus potentados, os quais têm guardados trilhões de dólares desviados da produção do petróleo, que tratem de achar uma solução para seus irmãos islâmicos, que se destroçam entre si. Antes de mais nada, os árabes têm que tratar de cuidar dos árabes. Por que o Ocidente, e a Europa em especial, teriam responsabilidades com islâmicos que não conseguem se entender entre si?

Justiça Federal do Rio de Janeiro devolve liberdade ao presidente da Andrade Gutierrez


A Justiça Federal do Rio de Janeiro decidiu nesta quinta-feira revogar a prisão do presidente afastado da construtora Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo. O juiz Marcelo Bretas, da 7º Vara Criminal do Estado, acolheu os argumentos dos advogados do empreiteiro, que fechou acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato. Bretas conduz os processos referentes a propinas na estatal Eletronuclear e ordenou na quarta-feira que se cumprisse o mandado de prisão contra Azevedo decretado por ele no Rio. O empresário havia sido solto na sexta-feira por ordem do juiz federal Sergio Moro, que conduz as ações decorrentes da Lava Jato em Curitiba, e voltou para a cadeia somente cinco dias depois. Como as ações da Lava Jato foram fatiadas pelo Supremo Tribunal Federal no ano passado, os processos referentes à usina de Angra 3 foram encaminhados à Justiça fluminense - o que motivou um novo pedido de prisão preventiva por parte do Ministério Público Federal do Estado. Bretas acatou o pedido, mas Azevedo já estava preso em Curitiba. Nesta quinta, a defesa de Azevedo esclareceu a Bretas e ao Ministério Público Federal as condições do acordo de delação premiada que permitiram a soltura do empresário na sexta-feira. O empreiteiro agora ficará em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. Nos chamados "anexos" da delação premiada, que resumem os tópicos principais da colaboração, Otávio Azevedo afirmou que a pressão por dinheiro, em pleno ano eleitoral de 2014, partiu do então tesoureiro da campanha petista, Edinho Silva, hoje ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, e de Giles Azevedo, ex-chefe de gabinete e atual assessor especial de Dilma Rousseff. A mensagem, segundo o executivo, era clara: se a Andrade Gutierrez não se engajasse mais efetivamente na campanha petista, seus negócios com o governo federal e com as empresas estatais estariam em risco em caso de vitória de Dilma. Em outras palavras, o executivo, preso em junho do ano passado pela Operação Lava-Jato, relatou o que entendeu como um achaque. A pressão do alto comando da campanha de Dilma Rousseff sobre a Andrade Gutierrez tinha uma explicação. Os petistas reclamavam que a empreiteira, embora fosse detentora de grandes contratos no governo e em estatais, vinha apoiando a candidatura do tucano Aécio Neves. A queixa se transformou em ameaça. A Andrade acabou abrindo os cofres. De agosto a outubro, a empreiteira doou oficialmente 20 milhões de reais ao comitê de Dilma. A primeira contribuição, de 10 milhões de reais, se deu nove dias após Edinho Silva visitar Otávio Azevedo na sede da empreiteira - àquela altura, a Andrade já havia repassado mais de 5 milhões à campanha de Aécio Neves e não tinha doado ainda um centavo sequer ao comitê petista. Nas investigações da Lava-Jato, não é a primeira vez que Edinho Silva é acusado de pressionar empreiteiras a dar dinheiro para a campanha. Alvo de um inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal, ele já havia aparecido nesse mesmo papel na delação premiada de Ricardo Pessoa, dono da UTC. Até aqui, a menção a Giles Azevedo é tida como um dos pontos mais sensíveis da delação, justamente por seu potencial de dano à presidente da República. De todos os auxiliares de Dilma Rousseff, ele é o mais próximo da presidente. É dos poucos autorizados, no governo e fora dele, a falar em nome da petista. Azevedo decidiu ainda narrar aos investigadores segredos envolvendo o ex-presidente Lula. Ele planeja dizer que a antiga Telemar, que foi rebatizada de Oi, comprou cerca de 30% da Gamecorp, por 5 milhões de reais, em 2005, a pedido de Lula. Naquela época, o presidente sabia que o banqueiro Daniel Dantas apresentara uma oferta para se tornar sócio da Gamecorp. Como queria Dantas longe de seu filho e de seu governo, o petista, segundo Azevedo, pediu aos donos da Telemar/Oi, entre eles a Andrade Gutierrez, que apresentassem uma oferta agressiva de compra dos papéis da empresa de seu primogênito. Assim foi feito. Três anos depois dessa transação, o governo Lula mudou a legislação para permitir que a Telemar/Oi se fundisse com a Brasil Telecom, sob o pretexto de criar um gigante brasileiro no setor de telecomunicações. Azevedo confidenciou a advogados e executivos que, após essa segunda transação, viabilizada graças à mudança da legislação feita sob medida por Lula, sócios da Gamecorp e integrantes do governo começaram a exigir mais ajuda financeira da Andrade Gutierrez. Pressionada, a empreiteira, por meio da Oi, passou a contratar periodicamente serviços da própria Gamecorp. Serviços que, conforme Azevedo, não eram necessários. Assim, estabeleceu-se um canal permanente de repasse de dinheiro para Fábio Luís e seus sócios - entre eles, Fernando Bittar e Jonas Suassuna, proprietários formais do sítio em Atibaia que é usado como refúgio por Lula e que, tal qual o tríplex no Guarujá, teve parte de sua reforma paga pela OAS. A assessoria de imprensa da Oi confirmou que a empresa contrata regularmente serviços da Gamecorp, mas se recusou a fornecer os valores dos contratos. Na campanha presidencial de 2014, integrantes da chapa de Dilma Rousseff chegaram a reclamar dos desembolsos da Andrade Gutierrez, acusando Azevedo de ser um tucano enrustido. Ele desabafou com um amigo: "O PT não pode reclamar depois de tudo o que fiz por eles". Azevedo disse que a pressão partia do ministro Edinho Silva, então tesoureiro da campanha à reeleição, e de Giles Azevedo, ex-­chefe de gabinete e atual assessor especial da presidente. Como se sabe, a parceria com a empreiteira transformou Fábio Luís, outrora um monitor de zoológico, num empresário de sucesso.

Aidar contrata advogado de José Dirceu no Mensalão do PT e de empreiteira na Lava Jato


O ex-presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, contratou um dos mais renomados advogados criminalistas do Brasil para a sua defesa no comitê de ética do São Paulo. José Luis de Oliveira Lima acompanhou na manhã desta quinta-feira (11) o depoimento do vice-presidente de Futebol do clube, Ataíde Gil Guerreiro. Conhecido por Juca, como é chamado em seu meio, o advogado fez a defesa do ex-chefe da Casa Civil do ex-presidente Lula, o bandido petista mensaleiro José Dirceu, durante o processo do Mensalão do PT. Ele é sobrinho de ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias e ex-namorado da colunista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo. Monica Bergamo é considerada uma espécie de Diário Oficial do PT na grande imprensa. Nas investigações da Lava Jato, Oliveira Lima defende o empreiteiro Erton Medeiros, da empreiteira propineira Galvão Engenharia.

Comunista "democrata" Bernie Sanders arrecada US$ 7,43 milhões em 24 horas após vencer prévia em New Hampshire

Logo depois da vitória do pré-candidato Bernie Sanders na primária democrata de New Hampshire, na terça-feira (9), sua campanha pediu doações de US$ 3,00 para ajudar "a levar a mensagem de Wall Street a Washington, do Maine à Califórnia": o governo pertence ao povo, não a um punhado de bilionários". Trocos começaram a pingar. Em Fresno, Califórnia. Em Orono, Maine. E além. Mais de 150 mil pessoas contribuíram no total com US$ 5,2 milhões em 18 horas.


A informação iria "provocar arrepios na elite financeira e política do país", previu o coordenador de campanha de Sandes, Jeff Weaver. Animado com o ritmo, ele lançou uma meta: US$ 6 milhões até completar 24 horas após as prévias. Bateu tão rápido que ele elevou a régua: US$ 7 milhões. Até a manhã desta quinta-feira (11), US$ 7,43 milhões foram arrecadados para o pré-candidato de discurso socialista, para quem a distribuição de renda nos Estados Unidos é a prioridade e o sistema de financiamento de campanhas eleitorais, corrupto (segundo ele, ao permitir grandes doações indiretas de instituições financeiras, o modelo propicia uma relação promíscua entre Washington e Wall Street). Bernie promete, se eleito, instituir ensino superior público e sistema de saúde gratuitos, além de taxar "a especulação de Wall Street". "Somos uma campanha melhor", bradou o estrategista de Sanders, que venceu a prévia de New Hampshire por mais de 20 pontos da ex-secretária de Estado, a também comunista Hillary Clinton.  Depois da prévia em Iowa, onde Hillary ganhou de 49,8% a 49,6%, Sanders disse que arrecadara o então recorde para um dia, US$ 3 milhões. A campanha dela não informou valores. Com isso, em 2016, o socialista fez US$ 30,46 milhões — em janeiro, ele anunciou arrecadação de US$ 20 milhões, ante US$ 15 milhões de Hillary: "Ela tem todo ou quase todo o 'establishment' do seu lado, não nego", Sanders disse em debate na semana passada. "Mas eu bem me orgulho de termos 1 milhão de pessoas que contribuíram para a nossa campanha com uma média de U$ 27,00 por cabeça". A campanha do socialista bradou no início do ano ter batido o recorde do presidente Barack Obama ao atingir a marca de 1 milhão de doadores em dezembro. Na sua primeira campanha, em 2008, Obama atingiu a marca em fevereiro. Na campanha seguinte, foi em outubro. Ao falar depois da derrota em New Hampshire, Hillary tentou fazer um contraponto: "Mais de 700 mil pessoas contribuíram para essa campanha, a grande maioria com menos de US$ 100,00", afirmou: "Eu sei que isso não se encaixa na narrativa de Sanders. Eu sei que há aqueles que querem negar a paixão e propósitos que todos vocês demonstram diariamente a essa campanha". Diante do gás que a campanha do oponente tomou, especialmente entre os jovens, a ex-secretária de Estado se tornou refém do discurso de Sanders, prontificando-se a responder a todo tipo de constatação que ele faz. Por exemplo, que ela não se sujeita aos interesses de corporações financeiras e que o seu posicionamento é progressista e consistente. No total do ano passado, Hillary arrecadou US$ 112 milhões e Sanders US$ 73 milhões.

Fernando Bittar, sócio do sítio de Lula, contrata advogado de empreiteiro


O advogado Alberto Zacharias Toron, que na Operação Lava Jato já defendeu o empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, assumiu a defesa do empresário Fernando Bittar, em cujo nome está a escritura do sítio em Atibaia (SP) usado pelo ex-presidente Lula e seus familiares. Bittar assina a escritura ao lado de Jonas Suassuna: ambos são sócios de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do e­­x-presidente. O sítio Santa Bárbara, de 173.000 metros quadrados, é alvo de investigação da Lava Jato. A suspeita é que o imóvel tenha sido reformado e mobiliado pelas empreiteiras OAS e Odebrecht como compensação por contratos com o governo. Fernando Bittar é filho de Jacó Bittar, fundador do PT, ex-prefeito de Campinas e amigo pessoal de Lula. Em discussões internas, o nome de Toron chegou a ser sugerido por dirigentes do PT para a defesa do próprio Lula. Parte da cúpula do partido avalia que a defesa do ex-presidente ainda carece de um "nome de peso" no meio jurídico. "Estou trabalhando na defesa do Fernando Bittar. Acho que isso não tem maior significado no ponto de vista do ex-presidente Lula", disse Toron: "Não me inteirei do caso ainda. Segunda-feira vou para Curitiba examinar os autos". O criminalista foi o autor do habeas corpus que tirou da cadeia e levou para prisão domiciliar empreiteiros e executivos de empresas - entre eles Ricardo Pessoa e José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, da OAS - acolhido em abril do ano passado pelo Supremo Tribunal Federal. Essa foi considerada a primeira grande vitória das defesas sobre as decisões do juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância. Na segunda-feira, Lula esteve na Baixada Santista, litoral paulista, para uma visita a Jacó Bittar. Foi acertar ponteiros, versões. Conforme vizinhos, o ex-presidente chegou ao edifício, localizado no bairro Ilha Porchat, por volta de 13 horas. A informação é que ele teria seguido para o sétimo andar e passado o dia no local, deixando São Vicente no final da noite. Durante a visita, um carro com seguranças permaneceu fazendo a escolta do petista no estacionamento. Aos serem questionados, os porteiros dos edifícios Sanvi Porchat e Guarú Porchat informaram que desconheciam a visita de Lula e também não sabiam dizer se Jacó Bittar residia no conjunto. Uma moradora, no entanto, confirmou que o ex-prefeito de Campinas reside no prédio. Segundo ela, Jacó Bittar sofre do Mal de Parkinson. 

Temer apresenta defesa ao TSE em processo que pede cassação de chapa


O vice-presidente da República, Michel Temer, encaminhou na noite da quarta-feira ao Tribunal Superior Eleitoral sua defesa no processo que pede a cassação de mandato da chapa composta por ele e pela presidente Dilma Rousseff. O documento é mantido sob segredo de Justiça, mas o foco da peça é desconstruir a argumentação usada pelo PSDB para propor a ação de impugnação de mandato da petista e do peemedebista. Desde o fim do ano passado, as investigações da Operação Lava Jato vêm revelando novos indícios que reforçam a acusação do PSDB, autor da principal ação no TSE, de que a campanha eleitoral de Dilma recebeu recursos oriundos do esquema de desvios e corrupção na Petrobras. As apurações também avançaram sobre o PMDB, partido do qual Temer é presidente. A defesa de Temer foi elaborada em harmonia com os argumentos elaborados pelos advogados da presidente Dilma Rousseff. A peça relativa a Dilma, no entanto, ainda não foi encaminhada ao TSE. Isso porque o peemedebista foi notificado para apresentar sua manifestação dois dias antes da presidente Dilma. Ao TSE, o PSDB alega que a disputa presidencial foi contaminada por abuso de poder político e econômico, fraude eleitoral e cita, por exemplo, a corrupção na Petrobras como suposto uso de dinheiro contaminado na campanha eleitoral. Os advogados de Dilma e Temer tentam derrubar os argumentos e afastar a discussão das doações eleitorais supostamente contaminadas pelo esquema da Lava Jato no processo, por não ser o foro competente para discutir matéria criminal. Após a apresentação das defesas, o processo começa a correr com juntada de documentos e produção de provas. As partes podem solicitar oitiva de testemunhas, por exemplo. A ação de impugnação de mandato é um dos quatro processos propostos pelo PSDB ao TSE que podem gerar a cassação de mandato da presidente Dilma Rousseff e de Temer. Dilma apresentará sua defesa nas próximas semanas e, segundo o jornal Folha de S. Paulo, seguirá a mesma linha de seu vice. O PSDB solicita a cassação da chapa presidencial alegando crimes eleitorais. A estratégia é argumentar que tais alegações já foram analisadas pela Justiça Eleitoral, assim como possíveis irregularidades na prestação de contas, que foi aprovada com ressalvas pelo TSE no final de 2014. O PSDB ainda quer incluir na ação eleitoral documentos da Operação Lava Jato, encaminhados pelo juiz Sérgio Moro, mas a defesa alega que se trata de uma questão de cunho penal e o que vem sendo investigado é uma ação de cunho eleitoral, ou seja, não há pertinência ao processo atual. Entre os documentos que o PSDB pretende apresentar, está um relatório da PF sobre os diálogos do dono da UTC, Ricardo Pessoa, e de um executivo da empreiteira. Em sua delação premiada, Pessoa afirmou que, em 2014, foi persuadido pelo então tesoureiro da campanha presidencial e, hoje, ministro das comunicações Edinho Silva, há aumentar as doações. 

Supremo nega liberdade a ex-deputado petista André Vargas, já condenado na Lava Jato


Relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o ministro Teori Zavascki negou habeas corpus ao ex-deputado petista André Vargas, condenado a 14 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em um esquema em que recebeu 1,1 milhão de reais em propina desviados de contratos de publicidade da Caixa Econômica e do Ministério da Saúde. And´re Vargas é aquele petista que atuava como vice-presidente da Câmara dos Deputados quando afrontou o então presidente do Supremo Tribunal Federal, ex-ministro Joaquim Barbosa, levantando seu esquerdo com punho cerrado em solidariedade aos bandidos petistas do Mensalão. Zavascki considerou que os argumentos apresentados pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável condenação de Vargas, demonstram que não houve ilegalidade na prisão. Vargas está na cadeia desde abril do ano passado. Em sua argumentação, Moro afirma que, ao julgar um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do ex-deputado, o STF deve levar em conta que a cassação do mandato do ex-petista não garante que ele não possa atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato. Moro lembrou o que ele próprio já havia considerado na sentença em que condenou o deputado e disse que "com a cassação do mandato parlamentar, é certo que André Vargas não ostenta mais o mesmo poder de outrora. Seria, porém, ingenuidade acreditar que não dispõe de qualquer poder político". "Infelizmente, no Brasil, não raramente agentes políticos surpreendidos na prática de crimes graves, alguns até presos e condenados, mantém surpreendente longevidade na vida pública, passando alguns a nela influir pelos bastidores, enquanto outros, de forma ainda mais assustadora, logram recuperar mandatos formais", comentou. De acordo com as investigações dos procuradores que atuam na Lava Jato, o publicitário Ricardo Hoffman, ex-dirigente da agência de propaganda Borghi/Lowe pagou propina a Vargas para que a empresa fosse contratada para atuar na Caixa Econômica Federal e no Ministério da Saúde. Em troca, a agência de publicidade atuou para recolher dinheiro para as empresas de fachada LSI Solução e Limiar Consultoria, controladas por Vargas e por seus irmãos. Ao todo, pagou cerca de 1,1 milhão de reais em propina de 2010 a 2014 às empresas do ex-petista. Depoimentos recolhidos nos inquéritos comprovam que a LSI e a Limiar não prestaram qualquer serviço e que os depósitos de propina foram feitos por solicitação da Borghi/Lowe.

MWM demitirá 180 trabalhadores de Canoas no dia 19

A MWM confirmou hoje que fechará sua fábrica de Canoas no dia 19, demitindo 180 dos 200 trabalhadores. A dona da MWM é a Navistar, que no ano passado paralisou sua produção de caminhões em Caxias do Sul. Mas.... não se abalem.... é apenas a marolinha do Lula. Conforme ele, o SUS também está uma maravilha. 

União volta a bloquear as contas do Rio Grande do Sul

A União voltou a bloquear as contas do Rio Grande do Sul pelo atraso da parcela da dívida referente ao mês de janeiro. O governo alega que não tem recursos suficientes para o pagamento dos R$ 275,7 milhões. Além de reter repasses de R$ 82,8 milhões do Fundo de Participação dos Estados, a Secretaria do Tesouro Nacional determinou na manhã desta quinta-feira o arresto de R$ 68,2 milhões de ICMS que haviam ingressado no dia anterior nos cofres do governo gaúcho. 

Governo gaúcho anuncia Emerson Wendt como novo chefe da Polícia Civil


Um dia depois da divulgação dos números sobre a criminalidade no Rio Grande do Sul, que mostra crescimento de 70% nos homicídios em 10 anos, o chefe de Polícia Civil no Estado, Guilherme Wondracek, foi demitido do cargo nesta quarta-feira. Em seu lugar foi confirmado o atual diretor do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), delegado Emerson Wendt. Preocupado com a publicidade negativa envolvendo os dados da Segurança Pública e confiante no trabalho do secretário Wantuir Jacini, o governador José Ivo Sartori, do PMDB, tomou a decisão para unicamente para produzir um factóide e dizer que está fazendo algo na área. Na verdade, trocou seis por meia dúzia. Wendt é conhecido publicamente por sua especialidade em crimes cibernéticos. Ele é bem conhecido do PT, por ter feito parte do gabinete de "inteligência" montado pelo peremptório petista "poeta de mão cheia" e tenente artilheiro Tarso Genro durante o seu governo, na verdade um autêntico núcleo de espionagem política. Wondracek, que foi demitido do cargo, era o chefe de Polícia Civil do governo petista que foi mantido no cargo. Isso demonstra o quanto o governo de José Ivo Sartori fez um acordo com o PT, para não mexer na área de segurança pública. Em troca de quê é que não se sabe, porque a área de segurança pública no Rio Grande do Sul é um descalabro total. O Estado virou uma espécie de Colômbia do tempo de Pablo Escobar. Uma outra troca também foi feita na Brigada Militar. O novo subcomandante-geral será o coronel Andreis Silvio Dal Lago, no lugar de Paulo Moacir Stocker dos Santos, que se aposentou. A Brigada Militar está completamente contaminada pela organização comunista clandestina DS (Democracia Socialista), de tendência trotskista, comandada no Rio Grande do Sul pelo ex-deputado estadual petista Raul Pont. 


Emerson Wendt chega à chefia da Polícia Civil após 18 anos de experiência como delegado. Mestre em Direito e especialista em crimes cibernéticos, Wendt foi nomeado diretor do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) no começo do governo Sartori. Entre seus trabalhos recentes, destaca-se a supervisão referente às ações que desarticularam a quadrilha então liderada pelo traficante Alexandre Goulart Madeira, o Xandi, morto em janeiro do ano passado. Este traficante, executado durante um churrasco em sua mansão em Tramandai, em um domingo do verão passado, é aquele que tinha um comissário de polícia, chefe da segurança pessoal do secretário de Segurança Pública do governo petista de Tarso Gerno, como seu chefe de segurança pessoal. E ninguém na Polícia Civil gaúcha sabia nada disso..... é claro, como é característico no PT e entre os petistas, a começar pelo maior de todos. No governo de Tarso Genro, Wendt foi diretor do Gabinete de Inteligência e Assuntos Estratégicos. Isso é um nome pomposo para designar o setor de espionagem política. Ele foi membro do Comitê Gestor de Tecnologia da Informação da Secretaria de Segurança Pública do Estado, que controla o Guardião, sistema de espionagem de comunicações que atua em grande escala. 

Justiça decreta prisão do monstro de Capão da Canoa


A Justiça decretou na tarde desta quarta-feira, a prisão preventiva de Marco Aurélio Bitencourt de Souza, de 41 anos, autor do sequestro e estupro de uma menina de 5 anos em Capão da Canoa, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Ele foi preso em casa, no mesmo município, no começo da noite de terça-feira. Os policiais chegaram até ele por meio de uma denúncia anônima. A família de Souza confirmou que ele tem histórico de pedofilia. Segundo a Delegacia de Capão da Canoa, o monstro estava com uma gravação da menina, feita durante o período de seis horas em que ela ficou como refém. Vídeos de outras crianças sendo molestadas também foram encontrados no celular dele. O monstro Souza tem, desde 2002, duas ocorrências por estupro de vulnerável e, dois anos depois,foi detido pelo mesmo crime — mas não teve o flagrante homologado pela Justiça. Em 2012, ele foi preso por tentativa de estupro de uma menina de 4 anos. Já há duas semanas, o preso foi expulso de um supermercado de Capão da Canoa por tentar invadir o banheiro feminino do local. A polícia também identificou o segundo homem envolvido no caso. Ele é o homem que largou a menina - na madrugada de terça-feira - próximo ao local de onde havia sido levada. Ele deve prestar depoimento nesta tarde na Delegacia de Capão da Canoa. De acordo com o avô materno da menina, ela está bem, mas ainda apresenta hematomas no corpo - principalmente abaixo do olho esquerdo. Ainda segundo o parente, a criança passou o dia muito acuada, apesar de auxiliar na investigação. Câmeras de segurança de uma empresa flagraram o monstro levando a criança na tarde de segunda-feira, no bairro Santa Luzia, em Capão da Canoa. Ele abordou a criança e a colocou na bicicleta. A bicicleta usada pelo sequestrador foi encontrada em um campo de futebol, no bairro Parque Antártica.

Preço da passagem de ônibus pode alcançar R$ 3,80 em Porto Alegre


A estimativa é extraoficial, já que tanto prefeitura quanto Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) ainda não finalizaram o cálculo da nova tarifa de ônibus de Porto Alegre, mas o preço da passagem deve saltar de R$ 3,25 para até R$ 3,80. Na última semana, com a definição do reajuste dos motoristas e cobradores (que tiveram 0,5% de aumento real, além da reposição inflacionária), começou a se desenhar a composição da tarifa que entrará em vigor com o início da operação do transporte conforme a licitação concluída no ano passado. A concorrência estabeleceu um preço médio da passagem (de cerca de R$ 3,45) a partir das propostas nos envelopes, a ser corrigido conforme a inflação acumulada entre julho de 2015 e o mês em que entrasse em funcionamento a nova operação. Além disso, a tarifa sofrerá o impacto do dissídio dos rodoviários. Nos bastidores, os empresários calculam que o preço deve ficar entre R$ 3,70 e R$ 3,80. Para garantir o início da operação, as empresas aguardam a entrega de coletivos adquiridos da Marcopolo, empresa de Caxias do Sul que ainda não concluiu a montagem dos ônibus. Os veículos, cerca de 280, custam em média R$ 400 mil cada e a maioria é equipada com ar-condicionado. Por causa da recessão econômica, o ritmo de produção dos coletivos está menos acelerado do que gostariam os empresários. A intenção dos consórcios que vão administrar o transporte na Capital era de inaugurar o sistema licitado até o fim de fevereiro ou, no mais tardar, na metade de março, principalmente porque o reajuste salarial dos funcionários de ônibus já começou a ser pago em fevereiro. Porém, a data pode ter de ser revista. Apesar de o aumento ser expressivo, acima de 15%, o temor da prefeitura e dos empresários de que haja uma repetição dos protestos de junho de 2013 diminuiu. O Bloco de Lutas, responsável por iniciar manifestações que resultaram inclusive na redução da tarifa em Porto Alegre e em outras capitais, se desarticulou nos últimos meses com a saída de militantes ligados a partidos políticos. Mesmo assim, a tendência é de que novos protestos sejam organizados de maneira independente.

Ex-ministro catarinense é acusado de fazer lobby para empresas investigadas na Lava-Jato


Ex-ministro do Trabalho, o catarinense Manoel Dias (PDT) foi acusado pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, de fazer lobby, enquanto comandava a pasta, para contornar questões trabalhistas em obras contratadas pela Petrobras no pólo naval de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Pessoa fez um acordo de delação premiada e cumpre prisão domiciliar desde abril do ano passado em função da Operação Lava-Jato. O empresário enviou um e-mail à Procuradoria Geral da República com as acusações. Segundo Pessoa, os problemas trabalhistas ocorreram em obras de cascos de navios e construção de plataformas de petróleo encomendadas pela estatal à Engevix e um consórcio composto por Queiroz Galvão, Camargo Corrêa, Iesa Oléo e Gás e UTC.


Na ocasião, em 2013, as obras estavam paralisadas por conta da ação do Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul (no qual trabalha a filha de Dilma), que montou uma força-tarefa e constatou diversas irregularidades, tais como desrespeito ao descanso semanal obrigatório, jornadas de trabalho excessivas, além de problemas ligados à segurança dos trabalhadores. Para resolver a situação, empreiteiros teriam procurado o então ministro para que ele intervisse e destravasse as obras, que seriam de interesse do próprio governo federal. Ainda segundo o delator, um dos responsáveis pelo desbloqueio das obras seria o ex-deputado estadual gaúcho Heron Oliveira, também do PDT, que então atuava como superintendente regional do trabalho em Porto Alegre. Heron Oliveira negou que tenha beneficiado as empresas. Segundo ele, a responsabilidade pela interdição dos trabalhos no pólo naval de Rio Grande era dos auditores ligados ao Ministério do Trabalho, sob os quais ele não tinha autoridade. Ainda de acordo com Heron Oliveira, o ex-ministro Manoel Dias pediu para que o superintendente acompanhasse o caso à época e o mantivesse informado, mas sem qualquer tipo de exigência. Ele lembrou ainda que a sua relação com Dias era partidária e que a indicação para o cargo ocorreu após disputa interna no partido. O ex-deputado gaúcho conta ainda que as obras só foram autorizadas a prosseguir vários meses depois, quando as irregularidades apontadas foram sanadas pelas empreiteiras. 

Pirelli confirma demissão de 70 trabalhadores na fábrica de Gravataí

Até o final desta semana, 70 pessoas que trabalham na fábrica da Pirelli na cidade de Gravataí, na Região Metropolitana, serão demitidas da empresa. O anúncio foi feito em nota nesta quarta-feira, tendo como justificativa o "cenário econômico nacional" e "o andamento negativo do setor automotivo". O comunicado também afirmou que as demissões visam "adequar o nível de produção de pneus à demanda atual do mercado". Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Borracha em Gravataí, Moacir Bitencourt, a empresa tem atualmente 2,5 mil funcionários. De acordo com estimativas do sindicato, em 2015 a empresa despediu aproximadamente 120 pessoas, e em 2014, foram cerca de 160 demissões. Segundo Bitencourt, a entidade suspeita de uma manobra para reduzir o custo da mão de obra, pois há a informação de que contratações também estão sendo feitas pela empresa. A empresa não forneceu informações sobre a atual estrutura ou setores que podem ser afetados pelas demissões. Em 2015, a Pirelli havia feito layoff (suspensão temporária do contrato de trabalho) para cerca de 1,5 mil trabalhadores em todo o Brasil, também alegando dificuldades frente ao cenário econômico do País. A General Motors (GM), também localizada em Gravataí, está usando a mesma tática. Mais de 800 trabalhadores do terceiro turno da empresa estão em layoff desde o início de dezembro do ano passado, medida prevista para vigorar até abril. E a partir desta quinta-feira, até o dia 28, a fábrica estará em férias coletivas, com previsão de retorno no dia 29 deste mês. Todo o complexo, incluindo sistemistas, tem cerca de 8 mil funcionários.

O comunista "democrata" Bernie Sanders busca conquistar voto negro nos Estados Unidos

Após a vitória esmagadora contra Hillary Clinton nas primárias no estado de New Hampshire, o pré-candidato democrata à Casa Branca, Bernie Sanders, começou nesta quarta-feira a cortejar o voto da população negra americana, que será crucial nas primárias dos próximos estados. Sanders se reuniu em Nova York com uma das personalidades históricas da comunidade negra americana, o pastor Al Sharpton. Eles tomaram café da manhã juntos no bairro do Harlem, no restaurante Sylvia's, o mesmo no qual o presidente Barack Obama se reuniu com Sharpton, personalidade do movimento pelos direitos civis, durante a campanha eleitoral de 2008. Sanders, que foi recebido com aplausos e gritos de "Bernie, Bernie", não deu nenhuma declaração ao sair do encontro quase meia hora depois. Enquanto isso, Sharpton informou que se reuniria em breve com Hillary Clinton para depois declarar qual dos dois candidatos democratas apoiará. "Minha preocupação é que em janeiro do ano que vem, pela primeira vez na história, uma família negra se mudará da Casa Branca. Não quero que (o interesse por) as preocupações dos negros se mudem com eles (...) O fato de o senador Sanders estar aqui esta manhã mostra ainda mais claramente que não seremos ignorados", declarou Sharpton ao deixar o encontro. O estado de Nevada (sudoeste) será o próximo a realizar as primárias democratas em 20 de fevereiro, que seguirão no dia 27 para a Carolina do Sul. Neste estado do sul do país, o voto dos negros é particularmente importante: em 2008, representaram mais da metade dos eleitores democratas. Sanders, senador pelo estado de Vermont (nordeste), que venceu na terça-feira as primárias democratas em New Hampshire, estado vizinho ao seu, e impôs uma dura derrota à ex-secretária de Estado, é muito menos conhecido que ela na Carolina do Sul. As consultas do fim de janeiro davam a Clinton, em média, 30 pontos percentuais de vantagem neste estado.

Para 68% dos venezuelanos, país está no caminho errado

Sessenta e oito por cento dos venezuelanos opinam que o país "está no caminho errado" e oito em cada dez consideram que a solução para a crise econômica requer uma "aliança" entre o governo e o setor privado, segundo uma pesquisa da Hinterlaces. Das 1.200 pessoas consultadas na última semana de janeiro, 86% afirmaram que o "alto custo de vida está piorando", em contraste com os 12% que percebem melhoras. A Venezuela, que registra a inflação mais alta do mundo, teve um aumento de preços de 108,7% entre janeiro e setembro do ano passado, segundo cifras oficiais. Na pesquisa, realizada entre 26 de janeiro e 1º de fevereiro, 76% dos entrevistados consideraram que a carestia de alimentos "está aumentando", enquanto 85% estimaram que os "artigos de cuidado pessoal" estão cada vez mais escassos. Embora o presidente psicopata bolivariano Nicolás Maduro, um comunista do Foro de São Paulo, atribua a crise a uma "guerra econômica" empreendida por empresários para desestabilizá-lo, 80% consideram que "o mais importante para resolver os problemas econômicos" é que o governo e o setor privado trabalhem em conjunto. Além disso, 63% se declararam "de acordo" com que o governo tome "medidas econômicas imediatas" e não espere pela aprovação do decreto de emergência econômica, que a maioria opositora vetou no Parlamento. Ao contrário, 35% dos consultados disseram estar em desacordo com que Maduro avance sem o apoio da Assembleia Nacional. Para 88% dos pesquisados, "o problema da insegurança está piorando" e só 10% opinam que a situação "está se resolvendo". As 1.200 entrevistas foram feitas por telefone em todo o país com maiores de 18 anos e com um nível de confiança de 95%. 

Ex-presidente da HP Carly Fiorina abandona corrida à Casa Branca

A pré-candidata republicana Carly Fiorina, ex-CEO da Hewlett-Packard que se apresentou como o desafio mais consistente à democrata Hillary Clinton, anunciou nesta quarta-feira que deixa a disputa pela indicação do partido à corrida pela Presidência dos Estados Unidos. "Embora suspenda minha candidatura hoje, eu continuarei a viajar por esse país e a lutar pelos americanos que se recusam a se conformar com o estado das coisas e com um status quo que não funciona mais para eles", declarou Fiorina em um post no Facebook. Carly Fiorina era a única mulher concorrendo entre os republicanos. O partido Republicano deve lutar para acabar com o "capitalismo corrupto" e responsabilizar a "inepta burocracia governamental", disse Fiorina. Com 61 anos, Fiona é a nona pré-candidata a jogar a toalha desde setembro. Ela obteve 4,1% dos votos nas primárias de New Hampshire na terça-feira e 1,9% na semana passada em Iowa. Três candidatos abandonaram a corrida presidencial na semana passada, após resultados decepcionantes em Iowa: Rand Paul, Rick Santorum e Mike Huckabee. Fiorina se destacou nos primeiros debates televisionados por seus conhecimentos de dados militares e uma defesa articulada dos comentários inconvenientes sobre sua aparência feitos por Donald Trump, mas ela nunca chegou a decolar nas pesquisas. Ela tinha se posicionado como o contrapeso à democrata Hillary Clinton, a quem tentou retratar como a personificação da elite política americana. "Não dê ouvidos a ninguém que diga que você tem que votar de certa maneira ou em um candidato determinado porque você é mulher. Isso não é feminismo", destacou, em nota. 

Governo deve cortar até R$ 30 bilhões em gastos e criar banda para superavit



O governo avalia que terá dificuldades para cumprir a meta de superavit primário de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano e deve anunciar nesta sexta-feira (12) um corte efetivo de gastos entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões. Existem ainda recursos que serão poupados porque alguns gastos não vão acontecer neste ano, como pagamento de precatórios. Além disso, o governo vai enviar até abril ao Congresso um projeto criando uma meta para os gastos públicos e uma margem de flutuação para o superavit primário. Se aprovado, o projeto permitirá que a meta fiscal seja descumprida sem gerar problemas jurídicos para o governo. A equipe econômica está sendo obrigada a reduzir sua previsão de receita em 2016 por causa da mudança nas projeções sobre o ritmo da economia brasileira, que deverá registrar uma retração maior do que a esperada. Economistas consultados pelo Banco Central na pesquisa semanal Focus falam em contração de 3,21% do PIB em 2016. Inicialmente, a equipe econômica trabalhava com um corte de despesas na faixa de R$ 50 bilhões. A projeção considerava que a volta da CPMF – com a qual o governo espera arrecadar R$ 10 bilhões neste ano– não seria aprovada no Congresso. No entanto, o governo não quer passar a mensagem de que jogou a toalha antes da hora sobre a volta do tributo. Com ou sem CPMF, o governo sabe que será praticamente impossível cumprir a meta de superavit aprovada no Congresso. Com a atividade econômica em marcha ré, ficará mais difícil fazer o ajuste fiscal de R$ 24 bilhões para o governo federal. De Estados e municípios, a meta esperada é de economia de R$ 6,5 bilhões. Por esse motivo, vai enviar a proposta que cria a banda de flutuação do superavit primário. Entre analistas de mercado, a expectativa é que o governo não conseguirá cumprir sua meta fiscal neste e nem no próximo ano. Ou seja, o Brasil ficará quatro anos seguidos sem economizar recursos para reduzir sua dívida, conforme previsão dos economistas ouvidos pelo Banco Central. Na semana passada, o Itaú-Unibanco publicou suas novas projeções para a economia brasileira. Os economistas do banco projetam deficit primário de 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano e de 2% em 2017. Para o banco, o setor público só conseguirá voltar a fazer superavits a partir de 2019. A contração do PIB também será maior, de acordo com o Itaú. A previsão de queda foi de 2,8% para 4% neste ano.

Como a Venezuela alcançou o maior risco de crédito do mundo



A Venezuela está ficando sem dinheiro. O preço do petróleo, que responde por quase todas as exportações do país, caiu 75% nos últimos três anos e os investidores prevêem que o país caminha para o maior calote soberano de um mercado emergente na história. Nenhum país do mundo está mais propenso a descumprir pagamentos, segundo os traders de seus swaps de crédito. O país já lidera os indicadores das economias mais miseráveis do mundo, com uma inflação de quase 100% no ano passado, a queda da moeda no mercado paralelo para menos de 1% do valor oficial e a escassez de produtos básicos, como detergente e antibióticos.  Trata-se de uma terrível reviravolta para aquela que chegou a ser uma das democracias mais estáveis da região, famosa por seus carros grandes, pela gasolina barata e pelas rainhas dos concursos de beleza. Embora os preços dos bonds sugiram que a maioria dos investidores confia em que o país cumprirá uma obrigação de US$ 1,5 bilhão que vence no dia 26 de fevereiro, a perspectiva é mais obscura para os US$ 4,1 bilhões em notas que a empresa petrolífera estatal deverá pagar em outubro e novembro. A seguir, as respostas para algumas das perguntas mais frequentes a respeito da Venezuela:
Qual é o montante total de dívida da Venezuela?
A Venezuela tem US$ 35,6 bilhões de bonds em dólares em circulação e deve US$ 67 bilhões quando os pagamentos de juros são incluídos. A empresa estatal de petróleo, a Petróleos de Venezuela SA, conhecida como PDVSA, tem US$ 33,5 bilhões em bonds e US$ 52,6 bilhões contando juros.
Se houver um calote, quando é mais provável que ocorra?
A Venezuela conta com o dinheiro para honrar os bonds que vencem em fevereiro, juntamente com US$ 326 milhões em pagamentos de juros neste mês. Em outubro e novembro deste ano, a PDVSA precisará pagar US$ 4,1 bilhões em bonds e US$ 1 bilhão em juros. O preço das notas, de cerca de 56 centavos de dólar, é um indicador do ceticismo de que o país será capaz de fazer isso. A negociação no mercado de swaps de crédito sugere uma chance de 76% de a Venezuela dar um calote nos próximos 12 meses. 
Qual poderia ser o valor da recuperação dos bonds?
As estimativas variam entre 20 centavos de dólar e até 71 centavos no caso dos bonds da PDVSA. Como a Venezuela é tão dependente do petróleo, o valor é bastante dependente do preço do petróleo. As estimativas compiladas pela Bloomberg para o preço do West Texas Intermediate no final do ano variam entre US$ 38 e US$ 70 por barril. Um segundo fator é a taxa de câmbio que a Venezuela utiliza. O país tem três taxas de câmbio oficiais, que variam de 6,3 bolívares por dólar a 199,9 por dólar, sem contar a taxa do mercado paralelo, de mais de 1.000 por dólar. Uma moeda mais fraca reduziria a razão da dívida em relação ao tamanho da economia, melhoraria a balança comercial do país e diminuiria a alavancagem da PDVSA. Tudo isso implicaria um valor de recuperação mais elevado. O Barclays diz que os valores de recuperação provavelmente serão mais elevados no caso dos bonds da PDVSA.
Quais ativos internacionais os investidores poderiam tentar expropriar?
A PDVSA possui refinarias, navios-tanque e recebíveis. É claro que o valor dos ativos petrolíferos depende, em parte, do preço do petróleo. Em agosto do ano passado, o Barclays estimou o total entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões, mas isso quando o barril de petróleo valia pelo menos US$ 50,00. Os ativos operacionais da Citgo Holding, subsidiária de refino da PDVSA nos Estados Unidos, já foram prometidos aos credores. O total de US$ 1,5 bilhão em bonds da unidade com vencimento em 2020 são garantidos por uma participação acionária de 100 por cento na Citgo Petroleum. 
Como as coisas chegaram a esse ponto?
Durante seus 14 anos no cargo, o ex-presidente Hugo Chávez nacionalizou empresas e ampliou a influência do governo sobre a economia. Na época de sua morte, em 2013, a indústria doméstica já tinha sido mutilada, deixando a Venezuela quase totalmente dependente das importações de bens de consumo. Essas importações eram pagas com receitas do petróleo. O modelo econômico, caracterizado pela generosidade e pela ineficiência do governo, no entanto, era mais ou menos sustentável com os preços do petróleo acima dos US$ 100,00 apesar da escassez ocasional de papel higiênico e do fato de o governo ter comprometido a maior parte de sua produção petrolífera com o pagamento dos empréstimos da China e com subsídios a aliados regionais, como Cuba. Com a queda dos preços do petróleo, o governo passou a depender mais da emissão de dinheiro para honrar suas despesas, o que ajudou a gerar a inflação mais elevada do mundo e a transformar o bolívar do mercado paralelo na moeda de pior desempenho do planeta. Em meados de 2014, com o petróleo rondando entre US$ 90,00 e US$ 100,00 a Venezuela estava em problemas. O presidente Nicolás Maduro, sucessor escolhido a dedo por Chávez, poderia ter ampliado a receita do país em bolívares ao desvalorizar a taxa de câmbio oficial de 6,3 por dólar, por meio da qual vendia a maior parte de sua moeda forte. Contudo, ele adiou a decisão - possivelmente devido ao medo do impacto inflacionário que um movimento assim poderia provocar - e preferiu adotar uma série de medidas relutantes e insuficientes. Agora, com o petróleo do país custando cerca de US$ 25,00 por barril, a receita da Venezuela com o petróleo cairá rumo aos US$ 22 bilhões neste ano, segundo o Bank of America. O montante mal dá para cobrir os US$ 10 bilhões em serviço da dívida dos bonds, US$ 4,3 bilhões em importações para o setor petrolífero e US$ 6,2 bilhões em pagamentos de empréstimos da China, escreveu o banco em uma nota, no dia 8 de fevereiro.  A menos que Maduro corte os subsídios do governo e desvalorize a moeda, a Venezuela não terá uma receita restante em dólares suficiente para pagar dívidas e importar alimentos.
Um possível calote seria o maior de um país na história?
Não, seria o segundo maior. A Grécia deu um calote de US$ 261 bilhões em março de 2012, segundo dados da Moody’s Investors Service. A Argentina deu um calote de US$ 95 bilhões em 2001.
A Venezuela deu algum calote antes?
Em dez oportunidades, sobre dívidas internacionais, a maior parte delas no século 19, segundo dados dos economistas Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, da Universidade de Harvard. A Venezuela deu calote pela primeira vez em 1826, 15 anos após declarar independência da Espanha. Mais recentemente, em 2005, o país não realizou pagamentos de bonds ligados aos preços do petróleo depois que o governo demitiu executivos da PDVSA que estavam em greve e o caos resultante disso tornou os preços necessários para calcular os pagamentos indisponíveis. Os bonds não pagos eram os chamados Brady, que resultavam de uma reestruturação de dívida após um calote ocorrido em 1990.
De que forma um calote venezuelano diferiria do calote da Argentina?
Com sorte, ele não seria tão longo. O calote da Argentina se arrasta há 14 anos porque os sucessivos governos têm desafiado os investidores que se recusam a aceitar prejuízos de 70 centavos por dólar e os contestam na Justiça dos Estados Unidos. A Venezuela, por outro lado, provavelmente estaria motivada a acertar as contas mais cedo para liberar suas remessas de petróleo, segundo a Nomura. Os bonds da Venezuela têm cláusulas de ação coletiva, o que significa que, para se chegar a um acordo de reestruturação com a maioria dos detentores de bonds, seria preciso que todos aceitassem o acordo. A regra não se aplica às notas da PDVSA. Os investidores estão divididos quanto a se esta condição torna o calote de um ou de outro bond mais provável ou mais fácil de solucionar. “Cada calote soberano é único”, escreveu Siobhan Morden, chefe de estratégia de renda fixa latino-americana da Nomura, em uma nota a clientes, em fevereiro.
Existe alguma esperança de que as coisas melhorem?
Existe um argumento a favor da tese de que nem tudo está perdido. Primeiro, o governo poderia implementar reformas, como cortes nos subsídios à gasolina ou a desvalorização da moeda, que lhe permitiriam esticar muito mais sua receita em dólares. O Bank of America diz esperar que a Venezuela realize todos os pagamentos de bonds deste ano, desde que também modifique o regime cambial, relaxe os controles de preços e reduza os subsídios. Segundo, a oposição política está ganhando terreno. A oposição conquistou dois terços da Assembleia Nacional nas eleições do final do ano passado, o que lhe dá amplos poderes para demitir ministros, bloquear decretos presidenciais e impedir nomeações de juízes. Terceiro, a China poderia surgir com um novo financiamento. O país asiático já emprestou cerca de US$ 17 bilhões à Venezuela e presume-se que poderia sair ao resgate novamente. Quarto, os preços do petróleo poderiam subir. O país consegue se manter com um preço médio de US$ 50,00 a US$ 65,00 por barril neste ano, segundo estimativas do Barclays, do Bank of America e da Nomura.

GM suspende produção de carros no Brasil até junho, operários foram colocados em férias coletivas

A General Motors teve de suspender a produção no Brasil. Até o fim de junho não vai sair nenhum carro de suas fábricas. Os funcionários entraram em férias coletivas, uma medida para tentar amenizar a trajetória de queda no emprego do setor. As montadoras empregam hoje pouco mais do que empregavam em 2010. As férias coletivas começaram na segunda-feira e vão até 28 de junho. Segundo o Sindicato da categoria, é uma tentativa de evitar demissões em massa não só na fábrica da GM, mas também nas 17 empresas fornecedoras de peças de Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre (RS).

Pela 1ª vez, Embraer divulga imagens do E2 fabricado em São José dos Campos

A Embraer divulgou nesta semana as primeiras imagens do E2, nova família de aeronaves da empresa. O lançamento oficial do 190E2 será no dia 25 de fevereiro, na sede em São José dos Campos. De acordo com a Embraer, as aeronaves possuem capacidade de 80 até 140 passageiros e mais de 600 pedidos já foram efetuados, entre firmes e intenções, por companhias de todo o mundo. Ainda de acordo com a empresa joseense, a maioria dos clientes está concentrada nos Estados Unidos. As aeronaves estão sendo produzidas em São José dos Campos. O E2, composto por três aeronaves que vão de 80 a 140 assentos, é uma evolução da atual família Embraer 170/190 que já domina o mercado de aviação regional global. A primeira geração das aeronaves, também conhecidas como E-Jets, entrou em serviço, em 2004. Desde então, a Embraer recebeu mais de 1.500 pedidos firmes para esta família de aeronaves. Mais de 1.200 E-Jets já foram entregues. As aeronaves possuem tecnologia avançada e são mais eficientes em termos de consumo de combustível, emissão de CO2 e ruído. A empresa joseense é líder no mercado de aviões comerciais de até 130 assentos e possui 60% de participação no mercado global de aviação regional.