sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Começa briga de foice no escuro com luva de boxe por vaga de conselheiro de Tribunal de Contas gaúcho

Morreu nesta sexta-feira o ex-deputado e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul, Adroaldo Mousquer Loureiro, do PDT. Ele estava internado no Hospital Moinhos de Vento em Porto Alegre e faleceu aos 68 anos em decorrência de um câncer. “É uma perda expressiva para o trabalhismo gaúcho, de um político comprometido com a causa partidária”, afirmou Pompeo de Mattos. Natural de Santo Ângelo, Adroaldo Loureiro era cirurgião-dentista e advogado, foi vereador e duas vezes prefeito da cidade, tendo cumprido quatro mandatos consecutivos como deputado estadual. Exerceu a liderança da bancada estadual e foi secretário Estadual do Trabalho e Ação Social no governo Alceu Collares. Também presidiu a Cohab. Sua atividade como parlamentar foi sempre apagada. A sua morte abre agora uma gigantesca luta de foice no escuro com luva de boxe pela vaga mordômica de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Os candidatos já estavam se movendo mesmo antes da morte de Adroaldo Loureiro.

Moro na Universidade de Chicago


Sérgio Moro vai falar sobre "Corrupção e desenvolvimento no Brasil" na 3ª edição do BrazUSC, uma conferência para universitários brasileiros nos EUA. O evento acontece nos dias 8 e 9 de abril na Universidade de Chicago. Além do juiz, estão confirmados também nomes como Drauzio Varella, Pérsio Arida e o fundador do Partido Novo, João Dionisio Amoedo.

Da pura, purinha

Quem mandaria entregar mais de 200 caixas com pertences próprios - incluindo 37 de bebidas - num sítio que não lhe pertence? A "alma mais pura do Brasil". Da pura, purinha.

Petistas visitam Delcídio

Delcídio Amaral se acalmou. A Folha de S. Paulo disse que isso ocorreu depois que ele foi visitado na prisão por três petistas: Paulo Rocha, acusado de ter recebido 620 mil reais de Marcos Valério; Humberto Costa, acusado de ter recebido 1 milhão de reais de Paulo Roberto Costa; e José Mentor, acusado de ter recebido 380 mil reais de Alberto Youssef.

Lula já perdeu a batalha jurídica

Lula está se cercando de advogados de peso. Um mais caro do que o outro. A Folha de S. Paulo disse que “a ideia é formar um grupo sênior, com profissionais tarimbados e que estão acostumados a fazer não apenas o enfrentamento jurídico, mas também midiático e político de casos de grande repercussão”. Lula reconhece, portanto, que a batalha jurídica já está perdida. A ele só resta o “enfrentamento midiático e político”.

Advogados tentam construir uma versão

Os dois laranjas de Lula no sítio em Atibaia armam suas defesas. Fernando Bittar contratou Alberto Toron. E Jonas Suassuna, segundo a Folha de S. Paulo, procurou o escritório de José Roberto Batocchio, advogado de Antonio Palocci. O investimento em criminalistas de peso produziu o primeiro resultado. Fernando Bittar, informou a reportagem, “deve apresentar documentos que mostram que ele recebeu como doação do pai, Jacó Bittar (que hoje sofre do mal de Parkinson), os R$ 500 mil que usou para comprar a terra em Atibaia”. Uma versão já está sendo montada pelos advogados.

O caminho do dinheiro é Jonas Suassuna

Se a força-tarefa da Lava Jato quiser descobrir o pagamento de despesas do sítio de Atibaia e compras para o apartamento ocupado por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, basta abrir a movimentação financeira das empresas de Jonas Suassuna e suas despesas pessoais. O Antagonista foi informado de que todas essas informações estão guardadas na BNC Contabilidade.

O Maradona de Atibaia

O sítio em Atibaia tem um caseiro conhecido pelo apelido de Maradona. Além de cuidar da manutenção diária da propriedade, ele também recebeu os operários que atuaram na reforma do sítio, o arquiteto, os técnicos da empresa que construiu o lago e forneceu os peixes, assim como os instaladores da cozinha da Kitchens. Maradona se chama Élcio Pereira Vieira. Ele sabe de tudo. Quem paga o seu salário?

A polícia que conclua

Como publicamos mais cedo, Fernando Bittar vai tentar convencer a PF de que recebeu uma doação de 500 mil reais de Jacó Bittar para comprar o sítio em Atibaia. Lula visitou Jacó Bittar durante o Carnaval. A polícia que conclua.

Para Instituto Lula, Lava Jato é movida por interesses eleitorais

Lula está reunido neste momento com os 36 integrantes do conselho do Instituto Lula. Gente como Rui Falcão, Paulo Frateschi, Arlindo Chinaglia e Maria Victoria Benevides. Ao chegar à reunião, Maria Victoria Benevides declarou ao Estadão, a propósito dos inquéritos policiais que investigam as propriedades ocultas de Lula: "É um evidente exemplo do que é uma justiça seletiva, personalista, uma justiça movida por interesses político-eleitorais. Ou seja, não é justiça".

Lula está acima dos valores republicanos?

A professora Maria Victoria Benevides, que ataca levianamente a Justiça brasileira por investigar Lula, é autora de uma conferência intitulada "Educação para a Democracia", em que defende a ideia de que se deve inculcar nos cidadãos, desde cedo, o zelo pelos valores republicanos. Leiam o que ela escreveu:
"Nesta ordem de considerações, deve-se entender por valores republicanos, basicamente:
a) o respeito às leis, acima da vontade dos homens, e entendidas como "educadoras", no sentido já visto na antigüidade clássica. "Todo verdadeiro republicano", ensinava Rousseau, " bebia no leite de sua mãe o amor da pátria, isto é, das leis e da liberdade";
b) o respeito ao bem público, acima do interesse privado e patriarcal. Em nosso país trata-se de romper a tradição doméstica, tendente ao despotismo, que moldou nossos costumes (vale a pena lembrar que despotes, em grego, é pai de família, e que a família antiga, como bem observou Benjamim Constant, representava a negação de direitos e liberdades individuais);
c) o sentido de responsabilidade no exercício do poder, inclusive o poder implícito na ação dos educadores, sejam eles professores, orientadores ou demais profissionais do ensino. Em política, a responsabilidade tem dois significados, melhor compreensíveis na língua inglesa: accountabillity e responsibility. O primeiro termo significa o dever de prestar contas, englobando todos os mandatários, isto é, os que exercem o poder em nome de outrem; o segundo terno significa a sujeição de todos, governantes ou governados, ao rigor das sanções legalmente previstas. Em ambos os casos, a responsabilidade é da essência do regime democrático."
Se a responsabilidade é da essência do regime democrático, ao atacar levianamente a Justiça brasileira por investigar Lula, Maria Victoria Benevides mostra que não é responsável nem democrata. Para ela, Lula está acima dos valores republicanos.

JEC blinda Dilma

José Eduardo Cardozo, questionado pela Folha de S. Paulo sobre a mensagem de Marcelo Odebrecht em que ele alerta para o "risco da cta na Suíça chegar na campanha dela", respondeu: "Trata-se de uma mensagem lateralmente feita, em que nomes não são citados. Se isso é utilizado ou não é um problema dos investigadores". Como assim? Nomes não são citados? Há o nome do Feira - ou João Santana. Há o nome de Vaca - ou Vaccari. Há o nome de Edinho - ou Edinho Silva. Há o nome de Haddad - ou Fernando Haddad. E há, finalmente, o nome de JEC - ou o próprio José Eduardo Cardozo.

Fundo de Pensão

A Folha de S. Paulo diz que "Dilma vai a São Paulo e deve se encontrar com Lula para discutir Previdência e sítio". Vão discutir a aposentadoria de Fernando Bittar, Jonas Suassuna e do caseiro Maradona.

"Ponto de stress"

Nas atuais condições de temperatura e pressão, qual seria o "ponto de stress" do preço do dólar, a partir do qual o governo seria obrigado a avançar sobre as reservas internacionais? Um profissional do mercado financeiro disse a O Antagonista que o "ponto de stress" seria o dólar a 7 reais.

O "Paquistegito" de Dilma

Zeida Latif, economista da XP Investimentos, chama a atenção para o fato de o risco Brasil (Credit Default Swap de 5 anos próximo de 500 pontos-base) "estar próximo do risco de países com desordem social e conflito, como Paquistão e Egito, e bem acima do risco de Rússia, que enfrenta risco geopolítico e as consequências da queda do preço de petróleo". Do ponto de vista econômico, Dilma Rousseff é mais perigosa do que Vladimir Putin e tão arriscada quanto o fundamentalismo islâmico. Somos o "Paquistegito".

Bittar assinou carteira de Maradona até 2013

O Antagonista descobriu que Élcio Pereira Vieira, o Maradona, teve sua carteira assinada por Fernando Bittar até 2013. Depois disso, não sabemos o que houve. Será que o caseiro do sítio de Atibaia não está mais registrado?

"Só eu, o Lula e o Emílio Odebrecht"

Em 30/09/2011, o repórter Luiz Maklouf Carvalho publicou, na revista Época, um perfil do então presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. Luiz Maklouf Carvalho gravou a conversa. O trecho sobre a construção do Itaquerão pela Odebrecht pode ser ouvido no áudio abaixo. Nele, Andrés Sanchez relata que o estádio custaria mais de 1 bilhão de reais, apesar do preço formal de 780 milhões de reais a ser divulgado. A "engenharia financeira" contou com a participação de Lula, Emilio Odebrecht e o próprio Andrés Sanchez: "A parte financeira ninguém mexeu. Só eu, o Lula e o Emílio Odebrecht". Por que a Odebrecht gastaria mais de 1 bilhão de reais e aceitaria receber 780 milhões de reais? O Antagonista desconfia que a diferença - e ela acabou sendo bem maior - foi paga pelo petrolão. Que se investigue.


Falta de repasses pressiona Luciana Temer

Luciana Temer, a filha de Michel na gestão Haddad, recebeu uma carta do fórum de assistência social de São Paulo com queixas sobre a falta de repasses para as organizações sociais, muitas delas responsáveis pelo pagamento de professores de creches. O pai já falou para a filha deixar o cargo de secretária municipal de Assistência Social, mas até dezembro ela dizia que não tinha motivos. E agora?

Já foi convocado?

Andrés Sanchez já foi convocado pelo Instituto Lula, para combinar uma versão sobre "a engenharia financeira" do Itaquerão, feita em conjunto com o chefe e Emílio Odebrecht?

A lisura do "alma purinha", decretada pelo "porquinho" petista José Eduardo Cardozo

José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça do Brasil, antecipa-se à Polícia Federal, ao Ministério Público, à própria Justiça e decreta a inocência de Lula, tentando fazer de conta que não, muito pelo contrário: "Como pessoa que conhece o presidente Lula há muito tempo, eu sempre o tive como um grande líder, eu sempre o tive como uma pessoa que se comporta com absoluta lisura. Isso como testemunha de vida, e não de ministro. Eu atribuí sim, não no âmbito da investigação, mas no âmbito da política, em que há muitos setores da oposição empenhados em criar situações que atinjam a imagem de uma pessoa que foi um presidente indiscutivelmente aplaudido durante todo o período da sua gestão pelas substantivas melhoras e mudanças que empreendeu no País. Portanto há sem sombra de dúvida uma luta política em torno disso, em que setores oposicionistas tentam obviamente maximizar situações que evidentemente não podem ensejar pré-julgamentos, condenações". Num país minimamente civilizado, José Eduardo Cardozo não seria ministro. Num país razoavelmente civilizado, José Eduardo Cardozo seria demitido depois de dar uma declaração dessas. O cara está no poder, inequivocamente, comandando pelo partido, a ORCRIM (organização criminosa), e não como ministro de todos os brasileiros. O "porquinho" petista deveria se mancar que seu partido teve menos de um terço dos votos do eleitorado brasileiro. Deveria ter um mínimo de respeito pelos brasileiros. 

O amor não é lindo? "Mamãe" Dilma proporcionou, o "Neném" vai casar com big festança; não é uma beleza a corte petista?!!!!

O menino de Dilma tem outros negócios?

Anderson Dorneles, o menino de Dilma, deixou o cargo de assessor especial da Presidência depois que O Antagonista revelou sua sociedade oculta no RedBar, na Arena Beira-Rio. Quem aparece oficialmente como dono do RedBar é Douglas Franzoni, amigo de infância e advogado de Dorneles. O Antagonista descobriu agora que Franzoni é sócio de um restaurante japonês chamado Nikkei, em zona nobre no Lago Sul de Brasília, registrado poucos meses após o RedBar. O advogado do menino da Dilma também é sócio da B100 Logística, uma empresa de transportes do Paraná aberta poucos meses antes do RedBar. Se Dorneles for sócio oculto nos outros negócios de Franzoni, Dilma não precisa se preocupar com o sustento do ex-assessor.

Varejo fecha quase 100 mil lojas

Com os consumidores apertando o cinto diante da maior recessão desde 1931, o varejo brasileiro registrou o fechamento de quase 100 mil lojas no ano passado. Houve retração de 13,4% nos comércios que empregam pelo menos um funcionário. Esse número é ainda pior entre as grandes lojas do varejo, onde os fechamentos corresponderam a 14,8% dos estabelecimentos, segundo levantamento da CNC.

Gol de placa

Em 2014, a Ambev fechou patrocínio com a gestora do Beira-Rio chamada Brio, uma sociedade entre Andrade Gutierrez e BTG. O contrato de patrocínio abrange os restaurantes e bares instalados na área do estádio, como o RedBar, de Anderson Dorneles e Douglas Franzoni. Anderson Dorneles é aquele ex-assessor pessoal de Dilma que ela chamada de "Neném". O garotão e seus amigos ganharam um presentão da Andrade Gutierrez. E ele está casando agora em alto estilo. Festança para ninguém colocar defeito.

Suíça confirma validade das provas contra Odebrecht

A Autoridade Central da Suíça reafirmou que não há limitações para o uso dos documentos bancários suíços enviados à Lava-Jato. A Odebrecht tentou anular os documentos encaminhados pelo Ministério Público suíço, que provam que a empreiteira foi beneficiária de dinheiro do Petrolão do PT no Exterior. Em ofício encaminhado ao Ministério da Justiça no dia 2 de fevereiro, o representante suíço Guillaume Rousseau afirmou que o erro de procedimento do Ministério Público suíço ao encaminhar documentos ao Brasil não altera a legalidade dos documentos. Rousseau disse que Justiça Suíça nunca invalidou as informações. Sérgio Moro já havia confirmado a utilidade das provas, mas é bom que fique claro.

Fazenda confirma Otavio de Medeiros como secretário do Tesouro

O Ministério da Fazenda confirmou nesta sexta-feira (12) o nome de Otavio Ladeira de Medeiros no cargo de secretário do Tesouro Nacional. Medeiros já exercia interinamente a função desde dezembro do ano passado, quando houve a sucessão de Joaquim Levy por Nelson Barbosa na chefia do ministério. O novo secretário do Tesouro é funcionário de carreira da instituição, onde trabalha desde 1994. É analista de finanças e controle, possui graduação e mestrado em Ciências Econômicas pela UnB (Universidade de Brasília). Tem MBA executivo em finanças pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais e extensão em "The Theory and Operation of a Modern National Economy", na George Washington University, nos Estados Unidos. Medeiros já foi coordenador-geral de Planejamento Estratégico da Dívida Pública e subsecretário de Planejamento e Estatísticas Fiscais. Como representante do Ministério da Fazenda, ele foi presidente do Conselho Fiscal do Banco do Brasil Investimentos S.A. (2001 a 2005 e 2009 a 2012) e do Conselho Fiscal do Banco do Brasil S.A. (2005 a 2009). 

Justiça dos Estados Unidos obriga fundos abutres a explicarem recusa à proposta argentina


A Justiça americana acatou sugestão do governo da Argentina e estabeleceu um prazo para que os chamados fundos abutres justifiquem por que não concordam com os termos do acordo proposto na semana passada. Em despacho na quinta-feira (11), o juiz Thomas Griesa determinou que os fundos Aurelius, Blue Angel, Olifant e NML apresentem até 18 de fevereiro razões para que a Justiça não suspenda liminar contra a Argentina. Na semana passada, após dias seguidos de reuniões em Nova York, dois fundos — Montreaux Partners e Dart Management — aceitaram proposta feita pelo governo de Mauricio Macri de pagamento de US$ 6,5 bilhões do total de US$ 9 bilhões da dívida argentina. Os outros quatro fundos recusaram. A negociação foi mediada por Daniel Pollack, destacado pela Justiça americana para tocar o diálogo extrajudicialmente. O acordo, para entrar em vigor, precisa ser aprovado pelo Congresso argentino e precedido da suspensão da liminar americana. A decisão judicial de novembro de 2012 obrigava a Argentina a pagar bônus da dívida de 2002, então no valor de US$ 1,3 bilhão. A decisão não foi acatada e, em 2014, em nova moratória, a Argentina foi excluída do mercado internacional de crédito. Os diálogos entre as partes foram retomados quando Mauricio Macri tomou posse da Presidência da Argentina, substituindo Cristina Kirchner.

Jornal esquerdista inglês The Independent encerra a sua versão impressa em março


O jornal britânico "The Independent" vai encerrar suas edições impressas em março e ficará apenas com a versão digital, informou nesta sexta-feira (12) o proprietário da publicação, Evgeny Lebedev. Segundo o diário britânico "The Guardian", o "Independent", fundado em 1986, tinha prejuízo praticamente desde que foi criado e, nos últimos anos, perdia leitores. A circulação do jornal era de cerca de 40 mil exemplares, e as vendas não compensavam o custo de publicação. Em 1990, as vendas do jornal chegavam a 423 mil, superando as do "Times", do magnata Rupert Murdoch. A última edição impressa do jornal deve ser publicada em 26 de março, enquanto no dia 20 do mesmo mês deve chegar às bancas a última edição do dominical "Independent on Sunday". Ao justificar a decisão, Lebedev indicou que o fim da edição impressa foi simplesmente "dar o passo que todos estavam com medo de dar". "A indústria de jornais está mudando, e essa mudança está sendo conduzida pelos leitores. Eles nos mostram que o futuro é digital", afirmou Lebedev em comunicado. "A decisão preserva a marca 'Independent'", acrescentou. O CEO do grupo ESI Media, Steve Auckland, afirmou que a proposta do jornal está "perfeitamente apropriada" ao cenário digital global. "Nós agora temos um caminho futuro claro e seguro para nossos negócios. É também mais uma oportunidade para nossos anunciantes capitalizarem com nossa audiência crescente, inteligente, próspera e digitalmente sagaz". Desta forma, o "Independent" se tornará o primeiro jornal britânico a ter apenas versão on-line, decisão já adotada pelo espanhol "Público" e pelo francês "La Tribune", que sai em papel apenas uma vez por semana. O "Guardian" lembra que o jornal sobreviveu, na década de 1990, a uma guerra de preços iniciada por Murdoch e que afetou seriamente suas finanças. Após se ver menor que rivais como o próprio "Guardian", o "Mirror" e o "Daily Telegraph", precisou inovar. Foi o primeiro a abandonar a versão padrão pelo formato tabloide, em 2003, e também o primeiro a trazer o editorial para a primeira página. Em 2010, lançou uma versão para o público jovem, o "i", que teve boa recepção — em parte pelo preço baixo (apenas 20 pences, ou cerca de R$ 1,15). O "i" foi vendido ao grupo Johnston Press. O "Independent" terá um grande desafio em sua empreitada 100% on-line. Com 2,8 milhões de usuários únicos por dia, de acordo com dados de dezembro, fica atrás do "Daily Mail", do "Guardian", do "Daily Telegraph" e do "Mirror". Mas a receita com a versão digital deve crescer 50% neste ano, segundo os proprietários.

Janot diz ao STF que apoios políticos foram obtidos por meio de pagamento de propina da Petrobras


Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que as investigações da Lava Jato demonstram que as coalizões políticas passaram a ser definidas a partir do pagamento de propina desviada da Petrobras e não mais por afinidade partidária. Janot ainda faz uma ampla defesa dos acordos de delação premiada, que permitiram ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal avançarem nas investigações do esquema de corrupção da estatal. "Os fatos e delitos já apurados demonstram que a sociedade brasileira tem diante de si uma grave afronta à ordem constitucional e republicana. Pelo que até aqui foi apurado, o uso de apoio político deixou de ser empenhado em razão de propostas ou programas de partido", afirmou o procurador-geral. "As coalizões deixaram de ocorrer em razão de afinidades políticas e passaram a ser decididas em razão do pagamento de somas desviadas da sociedade, utilizando-se, para tanto de pessoa jurídica Petrobras que, até o início da operação policial, gozava de sólida reputação no mercado financeiro mundial", completou Janot, reforçando que a Lava Jato busca "desvelar a prática de crimes sem precedentes na história do País".  O procurador-geral não aponta a qual coalizão política se refere, mas as investigações da Lava Jato envolvem principalmente os governos petistas do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff. No STF, 24 deputados e 14 senadores são investigados, incluindo os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com seis inquéritos, e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com dois inquéritos e um pedido de afastamento do cargo. O PP é o partido que tem o maior número de investigados: são 32 políticos. O PMDB, principal partido de apoio ao governo Dilma e que apoio a maior parte do governo Lula tem 12 investigados. Do PT, são 10. Há ainda investigações de integrantes do PSB e PTB, que são da base governista. Da oposição, há acusação de delatores envolvendo membros do Solidariedade e do PSDB, como o presidente da legenda, senador Aécio Neves (MG). Todos os políticos negam ligação com desvios na estatal e participação em esquema de corrupção. As considerações de Janot foram apresentadas num parecer defendendo a rejeição de um recurso da defesa do ex-ministro petista Antonio Palocci pedindo que fossem anuladas as colaborações premiadas do doleiro Alberto Youssef e do lobista Fernando Soares, o baiano, apontado como operador do PMDB nos desvios na Petrobras. O pedido de cancelamento das delações já foi negado pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo, mas os advogados de Palocci recorreram alegando que Youssef e Baiano mentiram ao citar Palocci em suas delações, porque as citações foram desmentidas por outras testemunhas. Em sua delação, Baiano afirmou que esteve em uma reunião com Palocci em Brasília na época da campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010, na qual esteve acompanhado do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e, segundo o lobista, houve um pedido de recursos. Já Youssef disse que fez uma entrega de R$ 2 milhões em São Paulo que poderia ter sido ao assessor de Palocci chamado Charles Capella. Posteriormente, Youssef não reconheceu pessoalmente Capella como sendo o recebedor do dinheiro e o próprio também negou encontrou com o doleiro. Já o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, nega que tenha ido à reunião com Baiano e Palocci em Brasília. Janot afirmou que o recurso de Palocci tenta afastar a validade das delações "uma vez que os seus conteúdos estão sendo averiguados e, com base também neles, a trama criminosa perpetrada passou a ter sentido lógico e coerente, sendo elementos cabais de culpabilidade de diversos agentes mencionados por esses investigados colaboradores". Na defesa das delações, o procurador-geral aponta que o instrumento não tem "o condão de embasar, por si só uma condenação", mas é uma ferramenta importante para o desfecho do crime investigado.

Francês Jérôme Valcke leva pontapé no traseiro do Comitê de Ética da Fifa, banido do futebol por 12 anos


O Comitê de Ética da Fifa informou nesta sexta-feira (12) que o ex-secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, foi suspenso por 12 anos de qualquer atividade relacionada ao futebol. A medida começa a valer imediatamente e ele terá que pagar uma multa de 100 mil francos suíços (cerca de R$ 408 mil). Ou seja, ele levou um pontapé no traseiro, praticamente está banido do futebol mundial. As investigações foram iniciadas após relatos de irregularidades envolvendo a venda de ingressos da Copa do Mundo. Durante o procedimento, outros atos irregulares vieram à tona. Eles estariam relacionados a políticas de despesas de viagens da entidade, direitos de TV e destruição de provas. Segundo o comunicado, o francês violou vários artigos do código de ética, entre eles os relacionados a lealdade, confidencialidade, conflitos de interesse e oferecer e aceitar presentes. De acordo com o relatório final apresentado em 5 de janeiro no comitê, uma empresa de marketing esportivo levou vantagem na venda de ingressos para a Copa do Mundo. No entendimento da investigação, Valcke nada fez para impedir e ainda incentivou a prática. Outra acusação diz respeito a uma tentativa de venda dos direitos de transmissão das Copas de 2018 e 2022 por preços abaixo do valor de mercado no Caribe. O ex-secretário-geral também é acusado de viajar com objetivos turísticos e em vôos privados às custas da Fifa e de tentar destruir pastas e arquivos relevantes para as investigações, mesmo tendo conhecimento do dever de colaborar com elas. O processo contra o francês foi aberto em 7 de janeiro e inicialmente pedia uma suspensão de nove anos. O ex-dirigente, que tinha sido suspenso provisoriamente no ano passado, acabou demitido seis dias depois da abertura.  Valcke havia sido afastado do seu cargo em setembro de 2015, quando o empresário Benny Alon afirmou na Suíça que o dirigente ficava com parte do dinheiro de ingressos da Copa de 2014 revendido com ágio. Alon, que não apresentou provas de que Valcke realmente lucrou com entradas do Mundial, é sócio da JB Sports & Marketing, que tinha um contrato para fornecimento de ingressos da Copa com a Fifa. Ele afirmou que fez um acordo com Valcke para vender os ingressos do Mundial com ágio de 200% no mercado negro. Em troca, segundo o empresário, a JB Sports e Valcke dividiriam os lucros meio a meio. De acordo com o jornal "The Guardian", a JB Sports tinha envolvimento com a Fifa desde a Copa do Mundo de 1990, na Itália, e assinou um contrato em 2010 para vender 8.750 ingressos para o Mundial do Brasil, em 2014. O acordo garantia ingressos para os 12 melhores jogos do torneio, assim como para os 12 piores. Ainda segundo o jornal, um ingresso para as oitavas de final, com valor de face de US$ 230,00 era vendido por US$ 1,3 mil. O ex-secretário-geral da Fifa já estava sob pressão por causa de uma carta que mostra que ele recebeu o pedido de repasse de US$ 10 milhões que as autoridades americanas alegam ser propina de esquema de corrupção no futebol. Segundo documento divulgado pelo canal sul-africano SABC, Valcke recebeu uma solicitação por escrito no dia 4 de março de 2008 do ex-presidente da Associação de Futebol Sul-Africana, Molef Oliphant, pedindo a transferência desse montante para Jack Warner, então presidente da Concacaf, a Confederação de Futebol das Américas do Norte e Central. Valcke, jornalista com passagens pelos departamentos de esportes de TVs francesas, assumiu cargo na Fifa pela primeira vez em 2003. Era o diretor de marketing e TV quando a Fifa trocou como patrocinadora a Mastercard pela Visa, empresas de cartão crédito, numa negociação que gerou processo nos Estados Unidos e sua demissão. Blatter demitiu Valcke em dezembro de 2006, depois de a Fifa ser multada em mais de US$ 60 milhões porque, segundo a Justiça americana, não respeitou cláusula do contrato com a Mastercard. Para surpresa de todos que acompanharam o caso, sete meses depois, em julho de 2007, Valcke foi nomeado secretário-geral da entidade, cargo que dá autonomia para cuidar dos preparativos da Copa do Mundo. Valcke participou da organização da Copa da África do Sul, em 2010, e da organização do Mundial do Brasil, no qual se envolveu em polêmicas ao criticar costumeiramente os atrasos nos preparativos. Na mais conhecida, em março de 2012, ele afirmou que o Brasil precisava de um "chute no traseiro" para acelerar as obras. O governo federal recebeu mal, cobrou a Fifa, e a resposta foi que a frase, em francês, foi mal-interpretada e significava "acelerar o passo".

Vice-presidente do TCU abandona processo de leniência de empreiteira devido à acusação de propina para ele

O ministro Raimundo Carreiro, vice-presidente do Tribunal de Contas da União, abandonou nesta quinta-feira (11) a relatoria do processo que analisa a tentativa de acordo de leniência entre a empreiteira UTC com o governo federal. O presidente da empresa, Ricardo Pessoa, afirmou em depoimento que pagou ao advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do TCU, Aroldo Cedraz, para influir em processos no órgão – um deles o da licitação para obras na Usina Nuclear de Angra III, cujo relatoria era de Carreiro. Por causa dessa afirmação, o Supremo Tribunal Federal abriu inquérito para investigar Cedraz e Carreiro, que negam terem recebido qualquer vantagem para atuar no processo. O ministro abandonou a relatoria dizendo-se impedido após o jornal "O Globo" procurá-lo questionando se ele poderia relatar o processo, já que estava sendo investigado em acusação feita pelo dono da empresa. A tentativa de acordo de leniência, que é uma espécie de delação premiada para pessoas jurídicas, foi pedida pela empreiteira à Controladoria-Geral da União no início de 2015, mas ainda não foi deliberada. Por determinação do TCU, a Controladoria tem que enviar ao tribunal todos os processos de leniência para análise. No total, há oito processos desse tipo em tramitação no órgão, todos sigilosos e envolvendo empreiteiras acusadas de corrupção na Lava Jato. No ano passado, os ministros decidiram que os processos seriam relatados por sorteio, e não por apenas um deles. O processo da UTC foi sorteado para Carreiro em maio. Nesses oito meses, o ministro deu apenas um despacho no processo, permitido que a CGU enviasse informações sobre as duas primeiras etapas do procedimento juntas e não separadamente, como era o previsto. Os acordos de leniência entre as empreiteiras envolvidas na Lava Jato e o governo estão travados devido a conflito de entendimentos entre o governo e os órgãos de controle. Até 2015, a lei só permitia que o governo firmasse acordos com a primeira empresa que fizesse a delação. Mas, por decreto, o governo mudou esse entendimento permitindo que qualquer empresa fizesse o acordo que, na prática, pode livrar a companhia do que é considerada a pior das penas nesses casos, o impedimento de contratar com o poder público por até cinco anos. Os órgãos de controle denunciaram a irregularidade e a CGU acabou não dando andamento nos processos das empresas até que, no fim do ano, o governo editou uma medida provisória permitindo o acordo com várias empresas. A Medida Provisória ainda precisa passar pelo Congresso onde enfrenta forte oposição.

Ministro "porquinho" petista Cardozo diz ter convicção de que não houve ilegalidade na campanha de Dilma

O ministro "porquinho" petista José Eduardo Cardozo (Justiça) disse ter "absoluta convicção" de que não houve caixa 2 na campanha da presidente Dilma Rousseff em 2014. A Operação Lava Jato investiga pagamentos atribuídos a subsidiárias da Odebrecht em contas no Exterior controladas pelo marqueteiro João Santana, responsável pelas campanhas de Dilma em 2010 e 2014. Embora tenha lembrado que não participou do núcleo duro do PT que atuou na última corrida presidencial, Cardozo afirmou que acompanhou o processo "como militante". "Tenho absoluta convicção de que na campanha da presidente Dilma não houve situação nenhuma de pagamentos ilegais. Já há tantos processos, e as contas foram aprovadas, tudo absolutamente regular. Não vejo constrangimento", afirmou. Ele disse ainda que o próprio tesoureiro petista, o hoje ministro Edinho Silva (Secretaria de Comunicação Social), sempre reafirmou a legalidades das contas partidárias. A Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para investigar se Edinho Silva foi um dos beneficiários do esquema de corrupção da Petrobras, como o acusou o dono da UTC, Ricardo Pessoa, que firmou acordo de delação premiada. O ministro da Justiça disse também que não vê elementos substanciais na mensagem em que o dono da empreiteira, Marcelo Odebrecht, aborda um suposto risco de a investigação alcançar a "campanha dela". No texto, descoberto após a Polícia Federal apreender o celular do empresário, Marcelo afirma, sem especificar a quem se referia: "Dizer do risco de cta na Suíça chegar na campanha dela". Para José Eduardo Cardozo, trata-se de uma "mensagem lateralmente feita, em que nomes não são citados". Por isso, de acordo com o ministro, não é possível dizer se será dada a dimensão de prova ao material. "Se isso é utilizado ou não é um problema dos investigadores", disse Cardozo. Ele adiantou ainda que deve pedir à Polícia Federal para averiguar se houve vazamento de informações da investigação, uma vez que o inquérito envolvendo o marqueteiro de Dilma está sob sigilo. "O vazamento, quando é ilegal, prejudica a investigação e, muitas vezes, atinge pessoas que podem não ter nada (de ilegal). E, nesses casos, garanto que os espaços de resposta não são os mesmos", criticou Cardozo. O ministro da Justiça usou argumentos semelhantes ao falar sobre a situação do ex-presidente Lula, com quem mantém uma relação distante. Lula, em mais de uma ocasião, já defendeu internamente a saída de Cardozo da Esplanada. "Pessoas investigadas não são condenadas e não podem ser execradas. Como pessoa que acompanha o partido, eu sempre o tive como grande líder e que se comporta como grande lisura", analisou, antes de voltar a dizer que os danos a quem é alvo de exposições injustiças são irreparáveis. José Eduardo Cardozo voltou a prometer que não faltará os recursos para a Polícia Federal fazer operações em 2016. Como já havia dito, se comprometeu a remanejar o caixa o do próprio ministério da Justiça, caso a Polícia Federal seja fortemente atingida pelo corte orçamentário. A associação que representa os delegados da PF redigiu uma carta para ser entregue ao ministro em que sustentam o risco de as atividades da corporação serem gravemente prejudicadas pela tesoura do Executivo.

Trevisan apoiou Bumlai para crédito do BNDES

Como a Veja publicou em janeiro, José Carlos Bumlai apelou ao "Conselhão" para conseguir mais verbas para suas usinas de açúcar e álcool. O conselheiro Antoninho Trevisan lhe deu o maior apoio. Está registrado numa das atas do Conselhão: "Sensibilizado pelas posições e propostas dos Conselheiros, o Superintendente de Infraestrutura do BNDES, João Carlos Cavalcanti, convidou os Conselheiros Antoninho Trevisan e José Carlos Bumlai para uma reunião, a fim de discutir com mais profundidade uma agenda de crédito para a bioenergia e os biocombustíveis". Foi bem profunda a conversa.

Descobriram o "barba" da Petrobras

Sérgio Moro vai ouvir no dia 2 de março o ex-diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, o "barba". Ele foi arrolado pelo MPF na ação contra José Carlos Bumlai e será ouvido por videoconferência na Justiça Federal no Rio de Janeiro. Barbassa é outro personagem recorrente de O Antagonista que o resto da imprensa ignora. Foi o mais longevo diretor financeiro da história da Petrobras, ligado a Lula e Guido Mantega. Moro deverá questionar Barbassa sobre o procedimento para a contratação da sonda Vitória 10000. Mas é só o começo.

A "Pátria Grande" da pilantragem

Lembram do Maurício Funes, presidente salvadorenho casado com a petista Vanda Pignato e eleito com ajuda do marqueteiro João Santana? Está sendo processado pela Corte Suprema de Justiça por enriquecimento ilícito. Funes já está com contas bancárias e parte dos bens bloqueados. Em sua defesa, diz que é alvo de "vingança" política. É claro.

Venda de pneus despenca quase 50%

As vendas de pneus para a indústria de veículos de carga despencaram 49,6% em 2015, sinalizando menos consumo e menor atividade econômica nos próximos meses. As projeções para 2016 sinalizam continuidade da recessão, com expectativa de queda de 7,7% nas vendas de pneus às montadoras, segundo a Anip.

PT tenta intiidar promotor que intimou Lula

Chegou ao CNMP a representação do deputado Paulo Teixeira contra o promotor Cassio Conserino, que investiga Lula e Marisa por ocultação de patrimônio. Conserino, porém, não se abalou com a intimidação petista e segue seu trabalho. A investigação sobre o triplex do Guarujá já tem 20 volumes e 4 mil páginas. Enquanto Teixeira cumpre seu papel de pau-mandado, o bravo promotor se distingue como servidor público. O Antagonista está com Conserino.

Cientistas detectam ondas gravitacionais no Universo previstas por Einstein

Com estardalhaço, físicos americanos anunciaram nesta quinta-feira (11) a primeira detecção irrefutável de ondas gravitacionais -um fenômeno que predito pela teoria da relatividade geral, publicada por Einstein cem anos atrás, mas que ainda não havia sido confirmado. Para entender o que aconteceu, basta imaginar que o espaço, em vez de ser um vazio padronizado, é como a superfície de um lago -ele pode flutuar, se esticar, se encolher. Se você atira uma pedra no meio do lago, uma série de ondas emanam a partir do ponto de impacto. A pedra em questão foi a colisão entre dois buracos negros, cada um com massa cerca de 30 vezes maior que a do Sol, a mais de 1 bilhão de anos-luz de distância.
 

O evento foi tão violento que, por uma fração de segundo, produziu mais energia do que todas as estrelas do Universo. Mas para nós, na beira do lago, muito longe do centro da ação, tudo se resumiu a uma pequena série de tremulações no espaço, detectáveis por dois sistemas de laser gêmeos. O sistema é conhecido pela sigla Ligo (Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro de Laser) e consiste em duas instalações idênticas nos Estados de Washington e da Louisiana. Ambas são compostas por circuitos em "L" de 4 km por onde os laseres são constantemente refletidos. Qualquer minúscula variação no comprimento físico de um dos braços do L provocada por uma onda gravitacional, geraria um desalinhamento entre os laseres dos dois braços e indicaria a passagem da onda. Com a detecção, os cientistas puderam determinar com exatidão o que produziu as ondas gravitacionais (a colisão de buracos negros), e o padrão de ondas se encaixou com incrível precisão ao previsto pela teoria da relatividade. A expectativa agora é de fazer novas detecções e começar a usar o Ligo e outros observatórios para estudar o Universo de uma nova perspectiva. Antes, estávamos limitados a estudar o cosmos com o que se pode ver. Agora, poderemos também ouvi-lo. Na apresentação, os cientistas converteram o sinal das ondas gravitacionais em vibrações sonoras, só para que pudéssemos escutá-las. Os físicos estão em êxtase. Na coletiva que anunciou os resultados, David Reitze, diretor-executivo da equipe de colaboração Ligo, abriu a apresentação em nome de mais de mil cientistas (incluindo grupos brasileiros da Unesp e do Inpe): "Nós detectamos ondas gravitacionais". É uma frase que o mundo acadêmico passou pelo menos 50 anos esperando, quando o físico americano Joseph Weber propôs a criação dos primeiros detectores de ondas gravitacionais. É uma frase que o mundo acadêmico também aprendeu a ouvir com uma pitada de sal, pois ela já foi dita e desdita em duas ocasiões recentes. A primeira, pelo próprio Weber, que confundiu artefatos do processamento de dados com ondas gravitacionais de verdade. A segunda, em 2014, quando o pessoal do telescópio Bicep2, instalado no polo Sul, disse ter detectado ondas gravitacionais ligadas à inflação cósmica. A terceira vez é a boa, contudo. A detecção do Ligo não só foi feita praticamente simultaneamente pelas instalações gêmeas como aparecia com clareza indubitável nos dados. O estudo passou por revisão e foi publicado pelo respeitado periódico "Physical Review Letters".

Advogado de marqueteiro que atuou para o PT diz desconhecer apuração

O advogado Fábio Tofic disse que o marqueteiro petista, o baiano João Santana, "vem sendo bombardeado" pela imprensa com notícias sobre seu suposto envolvimento nas apurações da Lava Jato, mas que o publicitário nunca foi informado de que há uma investigação sobre ele.  "Fiz uma petição há 20 dias para o juiz Sérgio Moro e, depois, entramos na Polícia Federal no dia 4 para questionar se meu cliente é alvo de investigação. Até hoje não tive resposta". A força-tarefa da Operação Lava Jato investiga pagamentos atribuídos a subsidiárias da Odebrecht em contas, no Exterior, controladas pelo marqueteiro João Santana, responsável por campanhas do PT e da presidente Dilma Rousseff. A apuração envolve as finanças dele em diversos países, entre eles a Suíça. O inquérito que apura as finanças do publicitário foi aberto em novembro do ano passado e tramita em sigilo, em Curitiba. Ele passou a ser investigado após a Polícia Federal encontrar na casa do lobista Zwi Skornicki, ligado ao estaleiro asiático Keppel Fels, uma carta de Mônica Moura, mulher e sócia de Santana. O advogado disse ainda que "é normal" que seu cliente receba dinheiro no Exterior como pagamento por campanhas políticas em diversos países. "Tudo sempre foi regular e transparente". Tofic disse ainda "não ter conhecimento" de que Santana possui conta na Suíça. Em nota, a Odebrecht informou que "desconhece o inquérito mencionado". "A empresa lamenta mais uma vez que dados de investigação sigilosa sejam seletivamente vazados à imprensa".

Governo tira travas para negociação de dívidas de Estados e municípios

O governo alterou nesta quinta-feira (11) regra sobre indexação dos contratos de refinanciamento de dívidas de Estados, municípios e do Distrito Federal, abrindo espaço para um acordo entre prefeituras, governos e a União. Uma das mudanças põe fim à exigência da desistência de ações judiciais relativas ao endividamento para ter direito à revisão das dívidas com a União. Esse era um pleito de governadores e prefeitos, que recorreram ao Supremo Tribunal Federal para garantir o direito de manter as ações judiciais. No fim de 2014, o governo federal aprovou novas condições dos contratos de refinanciamento de dívidas dos Estados e municípios com a União, permitindo condições mais amenas de pagamento, com a mudança do indexador. Ela define que o indexador das dívidas seja o IPCA, o índice oficial de inflação, mais 4% ao ano, ou, se esta for menor, a taxa básica de juros definida pelo Banco Central. Atualmente, os débitos são corrigidos pelo IGP-DI mais juros de 6% a 9%. No entanto, a alteração dos indexadores estava atrelada à desistência da ação judicial envolvendo dívida ou contrato com a União. O decreto publicado nesta quinta-feira descarta ainda autorização legislativa para a celebração dos termos aditivos dos contratos de renegociação das dívidas. A liberação dessas travas é um dos passos do governo federal em sua negociação para que prefeitos e governadores se empenhem mais no controle de gastos. Aliviando as finanças de Estados e municípios, o governo de Dilma espera a aprovação de limites mais apertados de despesas. Outra medida que será negociada é o alongamento do prazo de vencimento das dívidas. A Frente Nacional de Prefeitos (FNP) considerou uma vitória a alteração na regulamentação da lei. Em nota, a entidade disse que a mudança "deverá permitir aos devedores a redução em seus pagamentos futuros para a União". A FNP lembrou que a decisão do governo federal de revogar itens publicados no decreto anterior foi tomada depois da deliberação provisória da ministra Cármen Lúcia, do STF, em ação ajuizada pelo PT e o PPS, a partir de pedido da frente e da mobilização dos prefeitos em encontros com ministros na semana passada. O decreto publicado nesta quinta também revoga a exigência de cumprimento dos limites e condições relativos à realização de operações de crédito de cada ente da Federação. Para a FNP, isso significa que os aditamentos aos contratos da dívida que serão assinados não configuram novas operações de crédito.