quinta-feira, 3 de março de 2016

Juiz Sérgio Moro acaba com marquetagem de João Santana e Monica Moura, agora eles estão em prisão preventiva, não saem da cana


O juiz federal Sergio Moro decretou nesta quinta-feira (3) a prisão preventiva do marqueteiro baiano João Santana e da sua mulher, Mônica Moura, que tinham sido detidos na semana passada na fase Acarajé da Operação Lava Jato. Santana, responsável por três campanhas presidenciais do PT, é suspeito de receber no Exterior pagamentos da Odebrecht e do lobista Zwi Skornicki, que representava o estaleiro asiático Keppel no Brasil. Com o decreto, o casal ficará detido por tempo indeterminado. Eles estão presos na Superintendência da Polícia Federal no Paraná desde o dia 23. O local já é conhecido como Pousada do Moro. O juiz federal Sérgio Moro citou como argumento em sua decisão provas obtidas em apreensões feitas na semana passada. Mencionou, por exemplo, planilhas que mostram pagamentos de R$ 22,5 milhões da empreiteira para o casal entre 2014 e 2015. O juiz disse que o uso de dinheiro de origem criminosa ou em caixa dois "é algo muito grave". "Agrava o quadro a probabilidade de que esses pagamentos tenham servido para remunerar os serviços prestados por João Santana e Monica Moura em campanhas do Partido dos Trabalhadores, com afetação do processo político democrático". Segundo o juiz, quando a fase Acarajé foi deflagrada, havia a expectativa de que o casal esclarecesse os depósitos recebidos no Exterior por meio da offshore Shellbill, aberta no Panamá. No entanto, para o magistrado, os depoimentos dos dois, prestados na semana passada, foram "inconsistentes". Ele também afirmou que o relacionamento do casal com a Odebrecht é "muito maior do que o admitido" e que eles podem ter recebido muito mais dinheiro do que o relatado. O juiz ainda considerou que há "risco à instrução" e às provas porque Santana apagou sua conta no serviço virtual Dropbox no dia da operação da Polícia Federaç. Moro disse que, embora as prisões da Lava Jato recebam críticas, "a corrupção é sistêmica e profunda" e as detenções "impõem-se para debelá-la". 

Goldman Sachs faz previsão péssima para o Brasil

O banco americano Goldman Sachs está fazendo previsão péssima para a economia brasileira. Diz a instituição que a profundidade e extensão da recessão vivida pelo Brasil está adquirindo características de uma “depressão econômica absoluta”. A queda do PIB per capita real se aproxima dos dois dígitos, ultrapassando amplamente a queda de 7,6% acumulada durante a “década perdida de 1980".

Dilma critica "vazamentos de delações", e nada diz sobre acusações de Delcídio Amaral


Depois de ter convocado uma reunião de emergência nesta quinta-feira para avaliar o estrago político das primeiras revelações do acordo de delação premiada do seu ex-líder do governo Delcídio do Amaral (PT-MS), ainda não homologado pela Justiça, a presidente Dilma Rousseff criticou o que classificou como "vazamentos apócrifos, seletivos e ilegais" de informações sobre colaborações judiciais na Operação Lava Jato. Dilma, no entanto, não negou taxativamente nenhuma das acusações de Delcídio, como a de que teria aparelhado o Poder Judiciário, com a nomeação do ministro Navarro Dantas para o Superior Tribunal de Justiça, para libertar empreiteiros enrolados no petrolão, ou a de que tinha completo conhecimento da inviabilidade e teria feito ingerência para a compra da refinaria de Pasadena. Acuada pelas suspeitas levantadas por Delcídio, Dilma se limitou a afirmar que os vazamentos de trechos da delação "ferem a lei, a justiça e a verdade". Nenhuma palavra sobre as tentativas de travar as investigações da Operação Lava Jato. Nenhuma linha sobre o padrinho político Lula, também alvejado por Delcídio. "À luz de nossa lei maior defendemos o cumprimento estrito do devido processo legal. Os vazamentos apócrifos, seletivos e ilegais devem ser repudiados e ter sua origem rigorosamente apurada, já que ferem a lei, a justiça e a verdade", disse Dilma. "Todas as ações de meu governo têm se pautado pelo compromisso com o fortalecimento das instituições de Estado, pelo respeito aos direitos individuais, o combate à corrupção e a defesa dos princípios que regem o Estado Democrático de Direito. Nós cumprimos rigorosamente o que estipula a nossa Constituição", completou ela. "Em meu governo, a lei é o instrumento, o respeito ao cidadão é a norma e a Constituição é, pois, o guia fundamental de nossa atuação."

Caixa ameaça vetar saída do banco BTG da Pan Seguros



A Caixa Econômica Federal ameaça barrar a venda da participação do BTG Pactual na Pan Seguros e na Pan Corretora para a francesa CNP Assurances, caso sua parte também não entre no negócio. Caixa e BTG são sócios nas duas empresas, e o BTG precisa se desfazer de sua participação para reforçar o caixa – a fatia da estatal é de 49%, e a do banco privado, de 51%. Desde a prisão de André Esteves, envolvido na Lava Jato, o BTG mergulhou em uma crise, tirou o executivo do comando, e passou a vender participações em empresas para fazer frente aos saques. Caixa e CNP são sócias desde 2001, quando o grupo francês, um dos líderes em seu país, adquiriu o controle da Caixa Seguradora. Comprando a fatia do BTG na Pan Seguros e na Pan Corretora, os franceses estariam isolando a Caixa. A estatal não conseguiria vender seguros com outro parceiro que não a própria CNP. Em janeiro, o BTG informou que negociava com a CNP e ela estava disposta a pagar R$ 800 milhões pela participação do banco. O problema é que o contrato do BTG com a Caixa dá à estatal o direito de ser vendido nas mesmas condições. Isso exigiria da CNP mais R$ 800 milhões, elevando o negócio para R$ 1,6 bilhão. Caso a CNP não aceite, a Caixa pode vetar a saída do BTG. A Caixa apresentou uma saída: aceita a venda da fatia do BTG se a CNP "melhorar" o contrato com a Caixa Seguradora. Nesta empresa, a CNP detém o controle e, pelo contrato, vende seus produtos usando os balcões da Caixa, que recebe cerca de 10% das vendas (de seguros ou títulos de capitalização, por exemplo). Este é o principal ponto que o banco estatal quer melhorar e não consegue. O contrato só vence em 2021. Caixa e a CNP discutem essa relação há anos. No fim de 2015, quando o governo quis abrir na Bolsa o capital do braço de seguros da Caixa, a presidente do banco, Miriam Belchior, foi a Paris tentar renegociar o contrato. A CNP concordava com a abertura de capital desde que o contrato fosse renovado nas mesmas condições. Embora diga que a relação com a CNP seja vantajosa, apontando números que mostram aumento de receitas e de lucro ao longo dos anos, a Caixa acredita que ajustes na estratégia comercial permitiriam que os resultados pelo menos se nivelassem aos de bancos que têm uma rede de atendimento tão grande quanto a da Caixa. Além disso, há diversas outras seguradoras interessadas em atuar com a Caixa. Por isso, desta vez, o banco está forçando as negociações via BTG.  

Petista, ex-gerente da Petrobras, confessa crime e diz que imposto sindical bancou campanha de Lula


O ex-gerente de Responsabilidade Social da Petrobras, Armando Tripodi, afirmou em depoimento concedido ao site institucional "Memória Petrobras" que petroleiros da Bahia usaram o imposto sindical na campanha de Lula à Presidência em 2002. "Montamos um comitê no sindicato. Aprovamos na assembléia uma contribuição. A categoria aprovou todo imposto sindical da categoria ser destinado à campanha de Lula", disse Tripodi, recordando a participação do Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia na eleição. A prática é vedada pela legislação eleitoral, que proíbe que sindicatos e entidades de classe façam doações eleitorais. A prestação de contas da campanha de Lula naquele ano não registra nenhum repasse do sindicato. Tripodi é suspeito de receber propina de um operador da Petrobras por meio da reforma de um apartamento, segundo a Polícia Federal, e prestou depoimento na fase Acarajé da Lava Jato.


No site, Tripodi, que é conhecido como "Bacalhau", afirma ainda que o imposto sindical foi um "recurso fantástico" usado em comunicação e aluguel de veículos para a campanha. "Montamos uma lojinha, fizemos todo um trabalho de mandar matéria para o interior, montar carro, alugamos carro", afirmou o ex-gerente da Petrobras. Ele lembra que na campanha presidencial anterior, em 1998, conseguiu doação para a compra de um carro de som, "quase um trio elétrico", que depois teria sido doado ao PT. Mestre em direito público e advogado especializado em direito eleitoral, Tiago Ayres diz que, além de proibir doações de sindicatos a campanhas, a legislação também veta que entidades sindicais arquem diretamente com custos de campanha. "Tal conduta seria completamente ilegal. Todas despesas de campanha devem ter sua origem identificada", diz. O depoimento de Tripodi ao "Memória Petrobras" foi apagado do site no último dia 23, um dia após a operação da Polícia Federal, e restabelecido após questionamentos da Folha. No perfil dele, há a transcrição de 13 páginas de um depoimento de 2003, em que ele conta sua trajetória na Petrobras, no sindicalismo e no PT, onde foi um dos fundadores da "Articulação dos 113", grupo precursor da tendência Construindo um Novo Brasil, de Lula e José Dirceu. Dá destaque à chegada de Lula ao poder em 2003, levando o grupo de sindicalistas ligados a ele aos principais postos da República. Tripodi diz que foi escolhido como membro não oficial da equipe de transição. Depois, foi alçado ao cargo de chefe de gabinete da presidência da Petrobras entre 2003 e 2012, nas gestões de José Eduardo Dutra e José Sérgio Gabrielli. Fala também de um encontro com Lula após as eleições de 2002: "Estava eu e o (Wilson) Santarosa nos corredores ali do início da transição, aí Lula passa. Aí: 'Santa, me belisca, me belisca, me chama de meu presidente, me belisca, me acorda'". Em nota, a Petrobras informou que Tripodi foi destituído da função de gerente no último dia 22 e que iniciou uma apuração interna sobre as suspeitas contra o funcionário. No mesmo dia, o contrato de trabalho foi rescindido a pedido de Tripodi. 

Venda de ativos da Petrobras ganha força para tentar reduzir dívida



Depois aceitar sair de áreas de negócio e oferecer mais ativos ao mercado, a Petrobras começou a progredir no seu plano de venda de patrimônio. O processo, no entanto, continua mais lento que o esperado. Estão em estágio avançado as negociações para venda de dois campos de petróleo e dos 81% da estatal na subsidiária que controla a malha de gasodutos Sul e Sudeste, além da fatia de 49% na Braskem. Além disso, a Petrobras comunicou aos investidores nesta quarta-feira (2) que negocia com a Pampa Energia a venda das operações na Argentina e que buscará interessados em campos terrestres de petróleo. As vendas fazem parte do plano da Petrobras de arrecadar US$ 14,1 bilhões neste ano para reduzir sua dívida, que chega a US$ 100 bilhões. Até agora, a empresa só conseguiu vender 49% da Gaspetro por US$ 1,9 bilhão. As negociações exclusivas com a Pampa Energia para a venda da subsidiária argentina têm um prazo de 30 dias, renováveis pelo mesmo período. O pacote incluiu refinarias, postos de combustíveis e campos de petróleo. A Pampa Energia ofereceu US$ 1,2 bilhão pela operação, mas a avaliação interna da Petrobras é que seus ativos no país vizinho valem US$ 1,5 bilhão. A YPF também chegou a fazer uma proposta, mas em valor menor. Para chegar a um acordo com a Pampa, a Petrobras contratou consultorias externas que vão estimar o valor do negócio. Outra dificuldade é livrar a estatal de uma cláusula que prevê que eventuais passivos descobertos após a venda sejam descontados do preço inicial. A Petrobras também avançou na venda de dois campos de petróleo, após a decepção com o primeiro pacote que ofereceu ao mercado – todos campos em fase de exploração, que demandam altos investimentos. Os dois campos que atraíram compradores já estão em produção: Golfinho, na bacia do Espírito Santo, e Baúna, em Santos. Pelo menos duas empresas, a PetroRio e a australiana Karoon, entregaram propostas por essas áreas. Baúna vale cerca de US$ 500 milhões, mas há dificuldades para a venda de Golfinho. Como se trata de uma área madura, é preciso avaliar se a quantidade de petróleo que ainda é possível tirar de lá compensa o custo de desmobilização das máquinas quando o óleo acabar. A Petrobras também informou ao mercado que aprovou a venda de campos terrestres. São projetos de menor produção, já em final da vida útil, a sua maioria na região Nordeste. A estratégia é vender pacotes desses campos, que podem atrair petroleiras de menor porte. Outro processo que pode render um bom dinheiro à Petrobras é a venda da malha de gasodutos, a antiga TAG. Para atrair a atenção dos compradores, a empresa foi dividida em duas: NTS (gasodutos do Sul e do Sudeste) e NTN (gasodutos do Norte e Nordeste). Fundos de investimento e empresas do ramo têm interesse no negócio, que recebe um pagamento mensal fixo pelo transporte de gás, funcionando quase como uma renda fixa. A estatal recebeu nesta semana propostas para a NTS – uma delas da Engie (antiga Suez). A estatal, no entanto, não definiu ainda se vai vender apenas a NTS ou se tentará incluir também a NTN. O principal problema é a dívida da antiga TAG. Conforme o último dado disponível, no fim de 2014, a empresa tinha R$ 23 bilhões em dívida, sendo R$ 18 bilhões em dólar. Com a desvalorização do real, esse valor já deve ter subido significativamente. Ainda não há definição de quanto a NTS assumiria dessa dívida. Dependendo do valor, a receita pode não compensar a dívida, tornando a operação inviável para o futuro comprador. 

Após reunião com Lula, Rui Falcão diz que Delcídio não merece credibilidade



Após uma reunião com o ex-presidente Lula, o presidente do PT, Rui Falcão, disse nesta quinta-feira (3) que, se confirmados, os termos da delação de Delcídio do Amaral "não merecem credibilidade". "Se é que ele fez essas declarações, não merecem credibilidade. Porque nunca o ex-presidente Lula fez tratativas como as mencionadas, tampouco a presidente Dilma", afirmou. Falcão fez questão de frisar que Delcídio foi suspenso do PT e que o senador será notificado pela comissão de ética do partido e, a partir daí, terá dez dias para apresentar sua defesa. Ele também poderá se defender na próxima reunião do diretório nacional do PT, daqui a dois meses. "Quero lembrar que Delcídio foi suspenso. Não é filiado ao PT", afirmou ele. Falcão disse ainda que outras declarações do senador se mostraram "infundadas". O presidente do PT afirmou também que as falas do parlamentar foram contestadas pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça. "Há informações controversas (sobre a existência da delação). Se é verdade que houve essa delação, nos termos em que ele fala, quero lembrar que quando solto ele deu aquelas declarações, que levaram a sua suspensão, de que tinha acerto com ministros do Supremo Tribunal Federal, que estava planejando a fuga do Cerveró. Depois de preso, tem a mesma credibilidade das declarações anteriores". Embora tenha se reunido com Lula, Falcão disse que a delação de Delcídio não foi objeto da conversa. Em delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) revelou que Lula mandou comprar o silêncio de Cerveró e de outras testemunhas. Detalhes do acordo foram veiculados pelo site da revista "Istoé", que publicou reportagem com trechos dos termos de delação. A informação de que Delcídio fechou acordo de delação premiada foi confirmada à Folha por pessoas próximas às investigações da Lava Jato. O senador também diz que Dilma Rousseff usou sua influência para evitar a punição de empreiteiros, ao nomear o ministro Marcelo Navarro para o STJ. O ministro Teori Zavascki, do STF, decidirá se homologa ou não a delação.

OAB pede ao STF acesso à delação e cogita novo pedido de impeachment



O presidente nacional da OAB nacional, Claudio Lamachia, pedirá nesta sexta-feira (4) ao Supremo Tribunal Federal acesso à íntegra da delação do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e afirmou que as novas revelações podem levar a ordem a apresentar novo pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em depoimento à força-tarefa da Operação Lava Jato, o senador afirmou que a presidente Dilma Rousseff usou sua influência para evitar punição de empreiteiros, ao nomear o ministro Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça. "Se confirmados estes fatos, fatos gravíssimos, nossa instituição não faltará ao Brasil e tomará as providências necessárias. Até mesmo a abertura de impeachment", afirmou Lamachia em coletiva nesta quinta-feira (3), na sede da OAB de São Paulo. Lamachia disse que, assim que tiver acesso à delação, convocará uma reunião extraordinária do conselho da OAB para definir como a instituição atuará. A OAB requereu ao juiz Sergio Moro, na semana passada, acesso aos autos da Operação Lava Jato para avaliar a possibilidade de um pedido de impeachment da presidente da República. Classificando como "deboche" o retorno de Delcídio ao Senado e os termos de sua delação como "fatos gravíssimos", Lamachia afirmou que "tudo que está acontecendo no Brasil nos leva à certeza que vivemos uma crise ética e moral sem precedentes na República". "Se os fatos forem verdadeiros, estamos diante de uma verdadeira agressão ao Estado Democrático de direito", disse. O presidente da OAB em São Paulo, Marcos da Costa, afirmou que a falta de homologação da delação de Delcídio pelo ministro do STF Teori Zavascki "não invalida a importância das denuncias": "Elas devem ser, sim, apuradas".

Em nota, ex-presidente Lula diz que jamais participou de ilegalidade



Após ter seu nome citado em delação premiada do senador petista Delcídio do Amaral (MS), o presidente Lula disse que nunca cometeu irregularidades. "O ex-presidente Lula jamais participou, direta ou indiretamente, de qualquer ilegalidade, seja nos fatos investigados pela operação Lava Jato, ou em qualquer outro, antes, durante ou depois de seu governo", diz o texto divulgado pelo Instituto Lula na tarde desta quinta-feira (3). Em delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato, o senador disse que o ex-presidente Lula mandou comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, e de outras testemunhas. Os detalhes do acordo foram veiculados pelo site da revista "Istoé", que publicou reportagem com trechos dos termos de delação. O acordo de delação premiada foi confirmado à Folha por pessoas próximas às investigações. De acordo com os documentos publicados pela revista, o senador também diz que Dilma Rousseff usou sua influência para evitar a punição de empreiteiros, ao nomear o ministro Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça. O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, decidirá se homologa ou não a delação. A principal preocupação do Planalto vai ser explicar as citações a Dilma, não a Lula. Auxiliares da presidente dizem que é o petista quem deve cuidar de sua defesa, não o governo. Em seu relato, Delcídio cita outros senadores e deputados, tanto da base aliada quando da oposição. Segundo a publicação, o senador petista revelou que Dilma tentou três vezes interferir na Lava Jato com a ajuda do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. "É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de tentar promover a soltura de réus presos no curso da referida operação", afirmou. O senador diz, segundo a revista, que a terceira investida de Dilma contra a Lava Jato foi a nomeação de Navarro para o STJ. "Tal nomeação seria relevante para o governo", pois o nomeado cuidaria dos "habeas corpus e recursos da Lava Jato no STJ", conta Delcídio. De acordo com a revista, Delcídio diz que Lula pediu "expressamente" para que ele ajudasse o pecuarista José Carlos Bumlai porque o empresário estaria implicado nas delações de Fernando Baiano e Nestor Cerveró. Para o senador, Bumlai tinha "total intimidade" e exercia o papel de "consigliere" da família Lula, expressão em italiano que remete aos conselheiros dos chefes da máfia italiana. "No caso, Delcídio intermediaria o pagamento de valores à família de Cerveró", afirma o acordo de delação. Na conversa com o ex-presidente, de acordo com outro trecho da delação, Delcídio diz que "aceitou intermediar a operação", mas lhe explicou que "com José Carlos Bumlai seria difícil falar, mas que conversaria com o filho, Maurício Bumlai, com quem mantinha boa relação". Depois de receber a quantia de Maurício Bumlai, a primeira remessa de R$ 50 mil foi entregue em mãos pelo próprio Delcídio ao advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, também preso pela Lava Jato e solto em 24 de fevereiro. Delcídio passou quase três meses preso por determinação do STF após ser gravado por um filho de Cerveró tramando a fuga do ex-diretor da Petrobras. Ele foi solto em 19 de fevereiro e a seguir pediu licença médica do Senado. Na negociação do acordo, conforme informou a Folha em fevereiro, Delcídio se mostrou disposto a implicar senadores do PSDB. O senador presidiu em 2005 a CPI dos Correios, que investigou o escândalo do mensalão. Em seu relato no acordo, Delcídio afirma, ainda segundo a revista, que uma das maiores preocupações de Lula é a CPI do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), já que as investigações podem atingir os filhos do ex-presidente, Fábio Luiz Lula da Silva e Luiz Claudio Lula da Silva. O senador conta que várias vezes foi convocado por Lula para evitar a convocação de Mauro Marcondes e Cristina Mautoni para depor. De acordo com o relatório da Lava Jato, como líder do Senado, Delcídio "mobilizou a base do governo para derrubar os requerimentos de convocação do casal". Em outro trecho sobre o ex-presidente, o senador afirma que o silêncio do publicitário Marcos Valério, pivô do escândalo do mensalão, foi comprado e diz que o assunto foi discutido com Paulo Okamotto, atual presidente do Instituto Lula. O pagamento, inicialmente estimado em R$ 220 milhões, mais adiante ficou sob "a responsabilidade" do ex-ministro Antônio Palocci. Uma das partes mais contundentes do acordo aborda a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, pela Petrobras. O depoimento, diz a "Istoé", afirma que Dilma, como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, tinha "pleno conhecimento" do processo de aquisição da unidade e "de tudo que esse encerrava". A compra da refinaria gerou prejuízo milionário à Petrobras e foi alvo da 20ª fase da Lava Jato, chamada de "Corrosão". A revista afirma que Dilma atuou de maneira decisiva para que Cerveró fosse mantido no cargo de diretor da área Internacional da Petrobras, em 2008. Ele acabou sendo realocado em uma diretoria da estatal BR Distribuidora.


O presidente do PT, Rui Falcão, disse a interlocutores que não pretende se manifestar e recomendou que os integrantes da cúpula do partido não se manifestem sobre o teor da proposta de delação premiada do senador Delcídio do Amaral. Reunida em São Paulo, a cúpula do PT definiu como estratégia, porém, desqualificar o teor das acusações, alegando que o senador está magoado com o partido. A decisão, até agora, é de não se manifestar formalmente e de responder apenas se for oficialmente questionado. A informação sobre a delação caiu como uma bomba na reunião da executiva nacional do PT. O encontro foi convocado para debater estratégia para as eleições municipais. Mas a notícia mudou a pauta da reunião. O Instituto Lula estuda divulgar nota no início da tarde desta quinta-feira. Durante a cerimônia de posse de novos ministros, nesta quinta-feira, Dilma criticou a delação de Delcídio. "Continuaremos defendendo que a presunção de inocência não pode ser substituída pelo pressuposto da culpa e nem dar lugar à execração pública sem acusação formal. E também à condenação sem processo por meio de vazamentos ilegais e e seletivos". "O combate à corrupção continua sendo uma prioridade em meu governo e nenhum governo realizou um enfrentamento tão duro e eficiente como o meu. E continuará sendo assim", disse Dilma. A presidente ainda convocou uma reunião de emergência com seus assessores mais próximos no Palácio do Planalto para discutir os efeitos no governo das declarações do senador e a estratégia da presidente diante do assunto. A ordem inicial no Palácio do Planalto é descredenciar Delcídio, repetir que ele falou mentiras "em outras ocasiões", e que, portanto, "não tem credibilidade" para dar informações.

Petista Jaques Wagner diz que "delação de Delcídio tem muita poeira e pouca materialidade"



O ministro da Casa Civil, o petista baiano Jaques Wagner, saiu em defesa nesta quinta-feira (3) da presidente Dilma Rousseff e afirmou que na delação do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) não há muita consistência e tem "muita poeira e pouca materialidade". Esse negócio de "poeira" ele está bastante acostumado..... sabe como é, ouve muito Ivete Sangalo!!!! Segundo ele, a presidente ficou "preocupada" e "indignada" com o vazamento do depoimento, no qual o senador afirma que a petista usou sua influência ao nomear o ministro Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça para evitar a punição de empreiteiros. Para o petista, é "intolerável" e um "crime gravíssimo" a divulgação de uma delação premiada antes dela ser homologada pela Suprema Corte, uma vez que ela está sob segredo judicial. "Eu não vi muita consistência lá não. Há muita poeira e pouca materialidade", criticou. "Alguém viu alguma prova ali? Não. Eu só vi suposições, onde ele próprio é o delator e a testemunha. Na minha opinião, há pouca materialidade", acrescentou. O ministro chamou ainda de "um absurdo completo" os meios de comunicação terem veiculado o conteúdo de uma delação premiada não homologada e afirmou que o dispositivo judicial perdeu seu valor e tem servido para se fazer um "linchamento público" no País. Ele comparou a antecipação do conteúdo ao episódio da Escola Base, que consistiu na divulgação de denúncias de abuso sexual de crianças da Escola de Educação Infantil Base, na capital paulista, que ficou conhecido como um dos mais marcantes erros cometidos pela imprensa. "Esse fato é intolerável em um estado democrático de direito. É feito um linchamento público seja de quem for para, depois, alguém dizer que não valeu, até porque ela deveria estar protegida por sigilo. Eu entendo que a delação perdeu o seu valor de fato, do ponto de vista do processo judicial, e virou a execração pública, para depois algum provar algo diferente",  disse ele.

 

Segundo ele, diante do vazamento, cabe ao Ministério Público Federal, à Procuradoria-Geral da República ou à Suprema Corte darem explicações sobre o ocorrido. Para o ministro, o episódio demonstra que o País está indo para o "vale tudo", no qual "qualquer um faz o que quer para atingir os seus objetivos". "Agora, depois que você execra, quem paga o prejuízo da Escola Base? Quem paga aqui o prejuízo da execração? Isso não constrói democracia. Esse ambiente em que estamos vivendo destrói a democracia. Nós estamos indo para o tudo ou nada", disse. Em delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato, o senador revelou ainda que o ex-presidente Lula mandou comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e de outras testemunhas. Os detalhes do acordo foram veiculados pelo site da revista "Istoé", que publicou reportagem com trechos dos termos de delação. A informação de que Delcídio fechou acordo de delação premiada foi confirmada à Folha por pessoas próximas às investigações da Lava Jato. A ordem inicial no Palácio do Planalto é descredenciar Delcídio, repetir que ele falou mentiras "em outras ocasiões", e que, portanto, "não tem credibilidade" para dar informações. Nos bastidores, porém, o clima é de apreensão.

Defesa de João Santana diz que Polícia Federal faz ilações sem provas


A defesa do marqueteiro João Santana e de Mônica Moura afirmou que são inconsistentes os argumentos usados pela Polícia Federal para pedir ao juiz Sergio Moro que a prisão temporária deles, que venceu nesta quinta-feira (3), seja convertida em preventiva (por tempo indeterminado). Entre os argumentos da Polícia Federal estão a hipótese de que Santana pode ter sabido com antecedência da operação. Policiais também afirmam que Santana, que estava na República Dominicana, excluiu sua conta no Dropbox, um serviço de armazenamento e compartilhamento de arquivos em nuvem enquanto a polícia deflagrava a fase Acarajé da Operação Lava Jato. "Se for verdade que os peticionários (Santana e a mulher) já sabiam da operação, por que diabos João deixaria para encerrar sua conta no Dropbox já no próprio dia da operação e não nos dias anteriores?", afirma a peça de defesa, assinada pelos advogados Fabio Tofic e Debora Perez. Eles criticaram o fato da prisão temporária ter sido prorrogada para ouvir esclarecimentos do casal sobre planilhas que indicam que a Odebrecht realizou pagamentos a ele no Brasil, mas a Polícia Federal não ter marcado um novo depoimento para indagá-lo em Curitiba. Nesta quinta-feira, ao representar para que os dois continuem presos, a Polícia Federal informou a existência de uma nova planilha que indica pagamentos de R$ 21,5 milhões à "Feira" – codinome atribuído a João Santana e Mônica – entre 2014 e maio de 2015. As anotações estavam em poder de Maria Lúcia Tavares, funcionária da Odebrecht presa pela fase Acarajé e libertada na quarta-feira (2). Os advogados afirmaram que os investigadores não apresentaram prova que os repasses, de fato, existiram e criticou o Ministério Público Federal por inferir que os supostos pagamentos teriam sido realizados enquanto a Lava Jato já estava em curso – o que tornaria Santana ciente da origem escusa do dinheiro. "Ainda mais falacioso é o argumento usado sobretudo pelo Ministério Público Federal, de que tampouco a notoriedade das investigações serviu para cessar o recebimento de valores que vinham da Odebrecht. A uma, porque não se tem provas de que tais pagamentos foram efetuados, e, a duas, porque neste período indicado pelo Ministério Público Federal não havia um único funcionário da Odebrecht preso, ou até mesmo formalmente acusado de corrupção na dita operação", diz trecho do documento protocolado pela defesa. 

Ministro do Supremo, Celso de Mello, avisa: ninguém do alto escalão da República é imune à investigação



Em meio à divulgação do conteúdo da delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) implicando a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta quinta-feira (3) que "nem mesmo os mais altos escalões da República estão imunes à investigação". Integrante mais antigo do Supremo, Celso de Mello, no entanto, afirmou que as instituições estão fortalecidas para enfrentar as consequências de uma delação. "Eu desconheço a celebração do acordo, mas hipoteticamente falando, se houve as instituições são sólidas o suficiente para suportar qualquer tipo de repercussão ou consequência, uma vez que sabemos que na República são todos iguais perante a lei e a Constituição", afirmou. "Ninguém, absolutamente ninguém, nem mesmo os mais altos escalões da República estão imunes à investigação penal e processo criminal, se, eventualmente, tiverem cometido algum crime, alguma infração penal", completou. Celso de Mello destacou que a lei estabelece que delação não pode servir como prova para justificar a condenação de nenhuma pessoa. O ministro Marco Aurélio Mello afirmou que a delação traz uma preocupação "quanto à paz social". "Não podemos de início incendiar o Brasil. É hora de atuar com serenidade e temperança. Vamos esperar para que as instituições funcionem e quem cometeu desvio de conduta que pague por isso. Teremos depoimentos, dados fáticos, e, portanto, a prova documental. A delação não serve à condenação de quem quer que seja. Será que temos senador bandido?", questionou. 


Em delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato, o senador Delcídio revelou que o ex-presidente Lula mandou comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e de outras testemunhas. Detalhes do acordo foram veiculados pelo site da revista "Istoé", que publicou reportagem com trechos dos termos de delação. De acordo com os documentos publicados pela revista, o senador também diz ainda que Dilma Rousseff usou sua influência para evitar a punição de empreiteiros, ao nomear o ministro Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça. O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, decidirá se homologa ou não a delação. A principal preocupação do Planalto vai ser explicar as citações a Dilma, não a Lula. Auxiliares da presidente dizem que é o petista quem deve cuidar de sua defesa, não o governo.

O PT arrrombou o Brasil e a economia popular

Uma das notícias do dia é que a economia do Brasil encolheu 3,8% no ano de 2015. Aparentemente é um número pequeno. Porém, quando alguém se dá ao trabalho de fazer o desdobramento desse número, então a coisa fica feira. A pessoa descobre que, em 2015, houve - 14,1% nos investimentos; a indústria recuou - 6,2%; o consumo das famílias despencou - 4%; o PIB per capita foi-se pelo cano a - 4,6%. E nem tente entrar em uma farmácia, descobrirá que a inflação dos remédios é muito superior a 50%. A luz.... é melhor nem comentar. Tudo obra do PT.

Até a OAB, aparelhão petista, já pensa em propor seu próprio pedido de impeachment de Dilma

Uma medida da gravidade da situação nacional é que a OAB, um dos maiores aparelhões petistas, parece ter decidido cair fora do apoio ao governo de Dilma Rousseff e se inclina a produzir e capitanear uma nova proposta de impeachment a ser apresentada à Câmara dos Deputados. Conforme o jornal O Estado de S. Paulo, "o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cláudio Lamachia, afirmou que a entidade pode apresentar à Câmara dos Deputados um novo pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff caso forem confirmados os termos da delação premiada feita pelo senador Delcídio Amaral". Disse o gaúcho Claudio Lamachia, advogado aposentado do Banco do Brasil e dono de uma banca de advocacia empresarial: "Se os fatos forem confirmados, estaremos diante de uma agressão ao estado democrático de direito. A OAB tomará as providências necessárias, até mesmo a abertura de um pedido impeachment". Engraçado, só agora os advogados brasileiros foram perceber que o regime petralha degringolou o Brasil. 

"Porquinho" petista José Eduardo Cardozo afirma que Delcídio pedia para interferir na Lava Jato


O ministro José Eduardo Cardozo (Advocacia-Geral da União) afirmou que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) "militava" em seu gabinete para pedir que o Ministério da Justiça interferisse na Operação Lava Jato. A declaração foi dada durante a transmissão de cargo de ministro da Justiça para o procurador Wellington Cesar Lima e Silva, novo comandante da pasta. Horas antes, viera a público o acordo de delação premiada firmado pelo senador petista Delcidio Amaral  com a Procuradoria-geral da República. O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, decidirá se homologa ou não a delação do petista. De acordo com a revista "Istoé", o senador petista acusou Lula, Dilma e o próprio José Eduardo Cardozo de tentarem influenciar nos rumos da Lava Jato. O "porquinho" petista José Eduardo Cardozo, que deixou a pasta para assumir a Advocacia Geral da União, afirmou que o parlamentar do Mato Grosso do Sul vivia em seu gabinete. "Ele vinha quase diariamente tratar de vários assuntos. Dizia para eu tomar providências sobre a Lava Jato: 'temos que ver o que está ocorrendo. Réus estão sendo pressionados a fazerem delação. Tem que falar com o Janot, com Teori'. E eu respondia: 'Delcídio, representa (oficialmente), meu filho'. Depois eu vi que ele estava é defendendo sua sobrevivência", acusou Cardozo. Argumentando que sequer pode dizer que são verdadeiras as notícias sobre a delação, o agora titular da AGU voltou a sustentar que o senador não tem credibilidade. Classificou os depoimentos como "um conjunto de mentiras" contra o governo e, principalmente, contra a presidente Dilma Rousseff. De acordo com os documentos publicados pela revista, o senador também diz que Dilma usou sua influência para evitar a punição de empreiteiros, ao nomear o ministro Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça. Em seu relato, Delcídio cita outros senadores e deputados, tanto da base aliada quando da oposição. Segundo a publicação, o ex-líder do governo no Senado revelou que Dilma tentou três vezes interferir na Lava Jato, com a ajuda de Cardozo. "É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da própria presidente Dilma Rousseff, no sentido de tentar promover a soltura de réus presos no curso da referida operação", afirmou. O senador diz, conforme a publicação semanal, que a terceira investida de Dilma contra a operação foi a escolha de Navarro para o STJ. "Tal nomeação seria relevante para o governo", pois o nomeado cuidaria dos "habeas corpus e recursos da Lava Jato no STJ", conta Delcídio. Entre os beneficiados estaria Marcelo Odebrecht, dono da empreiteira que leva seu sobrenome e que sempre teve livre trânsito nos governos petistas. Navarro, de fato, votou pela soltura do empresário, mas acabou derrotado por 4 a 1 pelos demais ministros. Cardozo argumenta que Delcídio montou suas declarações a partir dos fatos, já que o julgamento ocorrera antes de ele prestar os depoimentos. "Na análise do habeas corpus, três dos cinco ministros foram nomeados pelo governo e dois votaram contra o habeas corpus. Por que, se quiséssemos influenciar, iríamos negociar apenas com um magistrado, já que outros também foram nomeados por esse governo? Isso não pára em pé", afirmou. Cardozo lembra ainda que o próprio Marcelo Navarro e o presidente do STJ, Francisco Falcão, outro citado por Delcídio, poderiam ter concedido a liberdade a empreiteiros, em decisões monocráticas, mas não o fizeram. Ele disse ainda que não faz sentido a versão, contida na delação, de que a presidente Dilma pediu a Delcídio para conversar com Navarro a respeito do futuro dos empresários que, em tese, o governo gostaria de ver libertados. "Por que a presidente pediria a um senador, que não tem relação alguma com a carreira do Judiciário, para checar votos de ministros, se era eu quem fazia as entrevistas dos candidatos a ministros?", questionou. O ministro negou ainda que tenha viajado a Santa Catarina para se encontrar com o ministro do STJ, Newton Trissoto, para discutir a situação de réus presos pela Lava Jato, conforme o senador disse aos procuradores, segundo a "Istoé". Para Cardozo, o correligionário mentiu na delação –"se é que houve delação", diz o ministro– em retaliação ao PT e ao governo. "A imprensa noticiou vários recados de Delcídio, dizendo que estava incomodado com o fato de o governo não atuar para libertá-lo", justificou o chefe da AGU. Ele comentou ainda a acusação de que o ex-líder do governo, segundo a "Istoé", contou a Ministério Público que Dilma tinha amplo conhecimento do negócio envolvendo a compra da refinaria Pasadena, no Texas, pela Petrobras. A aquisição ocorreu em 2006, com superfaturamento de cerca de R$ 790 milhões. À época, Dilma presidia o Conselho de Administração da Petrobras. Já na presidência da República, ela argumentou ter votado a favor da compra porque foi induzida a erro, por um relatório incompleto. "Sobre Pasadena, ele (Delcídio) não acrescentou nada de novo", opinou o ministro. A publicação semanal aponta também que o senador petista acusou a CPI dos Bingos de ter sido encerrada para proteger a presidente Dilma. "A CPI vai de julho de 2005 a junho de 2006. A presidente havia assumido há cerca de uma semana a Casa Civil. Tem lógica intervir para beneficiar a presidente Dilma, que havia assumido a Casa Civil há uma semana?", indagou.

Ministro do STF mantém Marcelo Odebrecht preso


O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, negou nesta quinta-feira (3) pedido de liberdade feito pela defesa do empresário Marcelo Odebrecht, um dos presos da Operação Lava Jato. O pedido foi rejeitado porque o Supremo entende que não cabe habeas corpus contra decisão de ministro do tribunal. A defesa questionou decisão de Teori Zavascki, relator da Lava Jato, no caso. Os advogados argumentaram que o decreto de prisão preventiva padece de fundamentação idônea, apta a justificar a sua necessidade, bem como estariam ausentes os pressupostos estabelecidos pelo Código de Processo Penal. O empresário está preso desde junho no Paraná. Em ofício encaminhado ao Supremo, o juiz federal Sergio Moro usou o risco de fuga de executivos da Odebrecht como argumento para a permanência na prisão do empreiteiro. Em documento dirigido ao ministro Teori, Moro diz que dois executivos da Odebrecht, Fernando Migliaccio e Luiz Eduardo da Rocha Soares da Silva, se mudaram para os Estados Unidos durante a investigação com despesas bancadas pela empreiteira. Migliaccio era alvo da fase Acarajé, deflagrada no mês passado, mas já estava preso na Suíça.

Por unanimidade, STF coloca Cunha no banco dos réus


O peemedebista Eduardo Cunha (RJ), até o acordo de delação do senador Delcídio do Amaral (afastado do PT-MS) considerado o inimigo número 1 do governo Dilma Rousseff, tornou-se nesta quinta-feira o primeiro político com mandato réu em decorrência da Operação Lava Jato - e, de quebra, também o primeiro presidente da Câmara dos Deputados no exercício do mandato a responder a processo no Supremo Tribunal Federal. Homem-chave capaz de catalisar um novo pedido de impeachment de Dilma, desta vez vitaminado pelas revelações de Delcídio, Cunha passa a partir de hoje a se sentar no banco dos réus pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. As suspeitas são avassaladoras: ele teria recebido pelo menos 5 milhões de dólares em propina retiradas do contrato de um navio-sonda afretado pela Petrobras. A aceitação da denúncia contra ele se deu por unanimidade na corte. Esta é apenas a primeira denúncia que envolve Eduardo Cunha e as suspeitas de relações espúrias envolvendo contratos com a Petrobras. O deputado é alvo de outros dois inquéritos relacionados ao escândalo do petrolão que investigam se o parlamentar e a família usaram contas secretas na Suíça para esconder dinheiro de propina e se ele recebeu impressionantes 52 milhões de reais em propina de um consórcio formado por Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia no Porto Maravilha, projeto de revitalização da região portuária da cidade do Rio de Janeiro. Eduardo Cunha ainda é alvo de um pedido de afastamento do cargo formulado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sob a alegação de que ele usaria o cargo de deputado para atrapalhar as investigações da Lava Jato. Na primeira denúncia que apresentou contra Eduardo Cunha, o Ministério Público afirmou que o deputado interveio na "propinolândia" instalada na Petrobras depois de um problema no contrato do navio-sonda Vitoria 10000 e da consequente interrupção do propinoduto que irrigava suas contas. O procurador-geral descreveu que, entre junho de 2006 e outubro de 2012, Cunha pediu e aceitou propina de cerca de 15 milhões de dólares do lobista Julio Camargo por conta da contratação do navio-sonda Petrobras 10000 com o estaleiro Samsung Heavy Industries. Também estavam envolvidos na transação, entre outros, o operador Fernando Baiano e o ex-diretor de Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, que, como dirigente da petroleira, corroborou a transação fraudulenta. Entre fevereiro de 2007 e outubro de 2012, o MP elencou novas evidências de que o peemedebista, segundo na linha sucessória da presidente Dilma Rousseff, teria embolsado dinheiro sujo. Para os ministros do Supremo, no entanto, não foram reunidas evidências suficientes que possam incriminar o presidente da Câmara desde 2006, data da celebração do contrato do primeiro navio-sonda. Seguindo voto do relator, Teori Zavascki, os magistrados consideraram, por unanimidade, que existem, sim, indícios de que Eduardo Cunha tenha cometido os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas apenas a partir de 2009, quando conheceu o operador de propinas Fernando Baiano, que atuava como articulador na cobrança de dinheiro sujo envolvendo contratos com a Petrobras. Em outubro do ano passado, o procurador-geral fez uma complementação da denúncia e acrescentou trechos em que o próprio Baiano, delator da Lava Jato, confirma que Eduardo Cunha recebeu pelo menos 5 milhões de dólares em propina. No julgamento desta quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes voltou a afirmar que as engrenagens do escândalo do petrolão evidenciam um "modo de governança no Brasil". Ele lembrou que, por "coincidência histórica", o atual advogado de Eduardo Cunha, Antonio Fernando de Souza, foi o procurador-geral da República na época da denúncia do mensalão e citou o escritor moçambicano Mia Couto para comparar os escândalos do mensalão e do petrolão. "O pior do passado é o que ainda está por vir. Os fatos hoje revelados revelam que os fatos de ontem não eram tão graves". Em um duro voto contra os sucessivos esquemas de corrupção no país, o decano da corte, Celso de Mello, resumiu: "Os fatos delituosos objeto de investigação e de persecução penais, no âmbito da Operação Lava Jato, nada mais constituem senão episódios criminosos, fragmentos delinquenciais que anteriores, simultâneos ou contemporâneos ou posteriores ao do denominado mensalão, compõem um vasto e ousado painel revelador do assalto e da tentativa de captura do Estado e de suas instituições por uma dada organização criminosa, identificada em ambos os contextos por elementos comuns tanto no chamado petrolão como no denominado mensalão". Mello também se remeteu ao histórico julgamento do mensalão e afirmou que "essa república democrática não tolera o poder que corrompe nem admite o poder que se deixa corromper". "A corrupção impregnou-se profundamente no tecido de entidades partidárias, contaminando o aparelho do Estado, se transformando em método e se caracterizando como conduta administrativa endêmica em claro (...) sinal de degradação da dignidade política", completou o ministro. "Os fatos parecem sugerir que ainda subsiste no âmago do aparelho estatal aquela estranha e profana aliança entre determinados setores do poder público, em um lado, e do poder privado, de outro, reunidos em um imoral sodalício com o objetivo perverso e ilícito de cometer uma pluralidade de ilícitos. As investigações (...) da Operação Lava Jato (...) tem por objeto uma vasta organização criminosa de projeção tentacular e de dimensão nacional, estruturalmente ordenada em níveis hierárquicos próprios", disse Celso de Mello. Celso de Mello ressaltou ainda que a decisão de aceitar denúncia contra o presidente da Câmara dos Deputados não significa que o Supremo está a criminalizar a atividade política. Em um discurso alinhado com o proferido pela força-tarefa da Lava Jato, o decano afirmou que "a corrupção deforma o sentido republicano da prática política, afeta a integridade dos valores que dão significado ao valor de republicano, frustra o valor das instituições, compromete a execução de políticas públicas em áreas sensíveis, como saúde e educação, além de vulnerar o princípio democrático". Correligionária de Eduardo Cunha, a ex-deputada federal Solange Almeida, atual prefeita de Rio Bonito (RJ), também se tornou ré no julgamento no STF. Segundo o Ministério Público, na transação para que o propinoduto de Eduardo Cunha estivesse sempre abastecido, Solange passou a apresentar, na Câmara dos Deputados, requerimentos com pedidos de informação sobre os dois contratos da Samsung Heavy Industries, perante a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, como forma de pressionar o lobista Julio Camargo a retomar pagamentos de propina. Nos documentos datados de 2011, por exemplo, Solange Almeida, aliada de Cunha, solicitou ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao então ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA) dados de contratos, auditorias, aditivos e licitações que envolviam "o Grupo Mitsui com a Petrobras ou qualquer das suas subsidiárias no Brasil ou no Exterior". Os requerimentos comprovariam, na avaliação do Ministério Público, que aliados de Cunha fizeram pressão política sobre a Mitsui e o lobista Julio Camargo depois de supostos atrasos no repasse de dinheiro sujo. Os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes foram os únicos que votaram contra o recebimento da denúncia em relação à prefeita.

Oposição quer incluir declarações de Delcídio no processo de impeachment de Dilma


Parlamentares de partidos de oposição decidiram aditar trechos das informações preliminares prestadas pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS) em busca de um acordo de delação premiada com a Lava Jato no processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, instaurado em dezembro do ano passado. A intenção dos oposicionistas é turbinar as denúncias, até então restritas a manobras fiscais, com as declarações de que a petista também esteve envolvida no escândalo de corrupção da Petrobras. Trechos do que Delcídio pretende detalhar em um eventual acordo de delação foram divulgados nesta quinta-feira pela revista Isto É. O senador acusou a presidente Dilma de atuar três vezes para interferir nas investigações do petrolão por meio do Judiciário. "É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da própria presidente Dilma Rousseff, no sentido de promover a soltura de réus presos na operação", afirmou Delcídio, segundo a revista. Uma das investidas da presidente Dilma, segundo Delcídio, passava pela nomeação do desembargador Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para agir pela soltura de empreiteiros. O petista afirmou ainda que Dilma tinha "pleno conhecimento" de todo o processo de aquisição da refinaria de Pasadena, no Texas, responsável por um prejuízo de 792 milhões de dólares aos cofres da Petrobras. À época da compra, a petista comandava o Conselho de Administração da estatal. "O fato concreto é que o Brasil está frente ao momento mais grave dessas denúncias. Se confirmadas, a presidente Dilma Rousseff não tem mais condições de continuar governando o país", afirmou o senador Aécio Neves (PSDB-MG). "Seria uma omissão imperdoável das oposições não permitir que a comissão do impeachment e o plenário da Câmara não se debrucem também sobre essas informações. Caberá às investigações analisar comprovar a veracidade delas", continuou o tucano. De acordo com Aécio, a inclusão das novas denúncias será formalizada na próxima segunda-feira pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal, responsáveis pelo processo de impeachment contra Dilma. Para a oposição, como o processo já foi aberto, mas ainda não houve início de tramitação ou apresentação da defesa, a delação pode ser aditada sem prejuízo à ação e não precisaria ser avalizada pelo presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ainda mais enfraquecido após tornar-se réu pelo Supremo Tribunal Federal. Em outra frente, a oposição quer apresentar as informações da delação de Delcídio ao Tribunal Superior Eleitoral, onde Dilma também enfrenta um processo de cassação, para apurar os fatos narrados pelo petista.

MATÉRIA BOMBA DA REVISTA ISTOÉ: A DELAÇÃO DE DELCÍDIO

Pouco antes de deixar a prisão, no dia 19 de fevereiro, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) fez um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato. ISTOÉ teve acesso às revelações feitas pelo senador. Ocupam cerca de 400 páginas e formam o mais explosivo relato até agora revelado sobre o maior esquema de corrupção no Brasil – e outros escândalos que abalaram a República, como o mensalão.
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Com extraordinária riqueza de detalhes, o senador descreveu a ação decisiva da presidente Dilma Rousseff para manter na estatal os diretores comprometidos com o esquema do Petrolão e demonstrou que, do Palácio do Planalto, a presidente usou seu poder para evitar a punição de corruptos e corruptores, nomeando para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) um ministro que se comprometeu a votar pela soltura de empreiteiros já denunciados pela Lava Jato.
 
O senador Delcídio também afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha pleno conhecimento do propinoduto instalado na Petrobras e agiu direta e pessoalmente para barrar as investigações - inclusive sendo o mandante do pagamento de dinheiro para tentar comprar o silêncio de testemunhas. O relato de Delcídio é devastador e complica de vez Dilma e Lula, pois trata-se de uma narrativa de quem não só testemunhou e esteve presente nas reuniões em que decisões nada republicanas foram tomadas, como participou ativamente de ilegalidades ali combinadas –a mando de Dilma e Lula, segundo ele.
 
Nos próximos dias, o ministro Teori Zavascki decidirá se homologa ou não a delação. O acordo só não foi sacramentado até agora por conta de uma cláusula de confidencialidade de seis meses exigida por Delcídio. Apesar de avalizada por procuradores da Lava Jato, a condição imposta pelo petista não foi aceita por Zavascki, que devolveu o processo à Procuradoria-Geral da República e concedeu um prazo até a próxima semana para exclusão da exigência. Para o senador, os seis meses eram o tempo necessário para ele conseguir escapar de um processo de cassação no Conselho de Ética do Senado. Agora, seus planos parecem comprometidos.
 
As preocupações de Delcídio fazem sentido. Sobretudo porque suas revelações implicaram colegas de Senado, deputados, até da oposição, e têm potencial para apressar o processo de impeachment de Dilma no Congresso. O que ele revelou sobre a presidente é gravíssimo. Segundo Delcídio, Dilma tentou por três ocasiões interferir na Lava Jato, com a ajuda do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. “É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura de réus presos na operação”, afirmou Delcídio na delação.
 
A terceira investida da presidente contou com o envolvimento pessoal do senador petista. No primeiro anexo da delação, Delcídio disse que, diante do fracasso das duas manobras anteriores, uma das quais a famosa reunião em Portugal com o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, “a solução” passava pela nomeação do desembargador Marcelo Navarro para o STJ. “Tal nomeação seria relevante para o governo”, pois o nomeado cuidaria dos “habeas corpus e recursos da Lava Jato no STJ”. Na semana da definição da estratégia, Delcídio contou que esteve com Dilma no Palácio da Alvorada para uma conversa privada.
 
Os dois conversavam enquanto caminhavam pelos jardins do Alvorada, quando Dilma solicitou que Delcídio, na condição de líder do governo, “conversasse como o desembargador Marcelo Navarro, a fim de que ele confirmasse o compromisso de soltura de Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo”, da Andrade Gutierrez. Conforme acertado com a presidente, Delcídio se encontrou com Navarro “no próprio Palácio do Planalto, no andar térreo, em uma pequena sala de espera”, o que, segundo o senador, pode ser atestado pelas câmeras de segurança. Na reunião, de acordo com Delcídio, Navarro “ratificou seu compromisso, alegando inclusive que o dr. Falcão (presidente do STJ, Francisco Falcão) já o havia alertado sobre o assunto”.
 
O acerto foi cumprido à risca. Em recente julgamento dos habeas corpus impetrados no STJ, Navarro, na condição de relator, votou pela soltura dos dois executivos. O problema, para o governo, é que o relator foi voto vencido. No placar: 4x1 pela manutenção da prisão.
A ação de uma presidente da República no sentido de nomear de um ministro para um tribunal superior em troca do seu compromisso de votar pela soltura de presos envolvidos num esquema de corrupção é inacreditável pela ousadia e presunção da impunidade. E joga por terra todo seu discurso de “liberdade de atuação da Lava Jato”, repetido como um mantra na campanha eleitoral. Só essa atitude tem potencial para ensejar um novo processo de impeachment contra ela por crime de responsabilidade.
 
Segundo juristas ouvidos por ISTOÉ, a lei 1.079 que define os crimes de responsabilidade diz no artigo nono, itens 6 e 7, que atenta contra a probidade administrativa – e é passível de perda de mandato – usar de suborno ou qualquer outra forma de corrupção para levar um funcionário público a proceder ilegalmente ou agir de forma incompatível com a dignidade, a honra e o decoro. O que também poderá trazer problemas para Dilma é o trecho da delação de Delcídio a respeito da compra da refinaria de Pasadena, no Texas, considerada um dos negócios mais desastrosos da Petrobras e que foi firmado em 2006 com um superfaturamento de US$ 792 milhões, quando Dilma presidia o Conselho de Administração da estatal.
 
A versão da presidente era de que ela e os conselheiros do colegiado não tinham conhecimento de cláusulas desfavoráveis a Petrobras, mas Delcídio no anexo 17 da delação é taxativo: “Dilma tinha pleno conhecimento de todo o processo de aquisição da refinaria”. “A aquisição foi feita com conhecimento de todos. Sem exceção”, reforçou o senador. Não seria a primeira vez que Delcídio desmentiria Dilma na delação. No anexo 03, o senador garante que ela teve participação efetiva na nomeação de Nestor Cerveró para a diretoria da BR Distribuidora, contrariando o que ela havia afirmado anteriormente.
 
No relato aos procuradores, Delcídio disse que “tem conhecimento desta ingerência (de Dilma), tendo em vista que, no dia da aprovação pelo Conselho, estava na Bahia e recebeu ligações de Dilma”. Ex-diretor internacional da Petrobras, Cerveró foi preso em janeiro de 2015, acusado de receber propina em contratos da estatal com empreiteiras. Até então, a indicação de Cerveró era atribuída a Lula e José Eduardo Dutra, ex-presidente da BR Distribuidora, falecido no ano passado. Mas segundo Delcídio, a atuação de Dilma foi “decisiva”. A presidente ligou para ele duas vezes.
 
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Teor explosivo: Depoimento prestado no STF por Delcídio do Amaral (PT-MS) aguarda a homologação. 
Na parte inferior, o termo de acordo e os principais tópicos da delação
 
Na primeira, a presidente telefonou “perguntando se o Nestor já havia sido convidado para ocupar a diretoria financeira da BR Distribuidora”. “Depois, ligou novamente, confirmando a nomeação de Nestor para o referido cargo”, o que se concretizou no dia 3 de março de 2008. Cerveró foi o pivô da prisão de Delcídio. Em 25 de novembro do ano passado, pela primeira vez desde 1985, o Supremo mandava prender um senador no exercício do mandato. Um dos motivos apontados pelo ministro Teori Zavascki foi a oferta de uma mesada de R$ 50 mil para que Cerveró não celebrasse um acordo de delação premiada.
 
Na delação, Delcídio não só forneceu detalhes do pagamento como fez uma revelação bombástica: disse que o mandante dos pagamentos à família Cerveró foi o ex-presidente Lula. O senador petista trata do tema no anexo 02 da delação. Segundo Delcídio, Lula pediu “expressamente” para que ele ajudasse o amigo e pecuarista José Carlos Bumlai, porque ele estaria implicado nas delações de Fernando Baiano e Nestor Cerveró. Bumlai, segundo o senador, gozava de “total intimidade” e exercia o papel de “consigliere” da família Lula – expressão usada pela máfia italiana e consagrada no filme “O Poderoso Chefão” para designar o conselheiro que detinha uma posição de liderança e representava o chefe em reuniões importantes.
 
A transcrição da delação pelos procuradores diz no que consistia a ajuda exigida por Lula a Bumlai: “No caso, Delcídio intermediaria o pagamento de valores à família de Cerveró”. Na conversa com o ex-presidente, de acordo com outro trecho da delação, Delcídio diz que “aceitou intermediar a operação”, mas lhe explicou que “com José Carlos Bumlai seria difícil falar, mas que conversaria com o filho, Maurício Bumlai, com quem mantinha boa relação”. O acerto foi sacramentado. Depois de receber a quantia de Maurício Bumlai, a primeira remessa de R$ 50 mil foi entregue em mãos pelo próprio Delcídio ao advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, também preso pela Lava Jato.
 
Os repasses de dinheiro se repetiram em outras oportunidades, de acordo com Delcídio, por meio do assessor Diogo Ferreira. O total recebido foi de R$ 250 mil. Para os procuradores que tomaram o depoimento de Delcídio, a revelação é de extrema gravidade e pode justificar a prisão do ex-presidente Lula. Integrantes da Lava Jato elaboram o seguinte raciocínio: se o que embasou a detenção de Delcídio, preventivamente, foi a tentativa do senador de obstruir as investigações, atestada pela descoberta do pagamento a Cerveró, o mesmo se aplicaria a Lula, o mandante de toda a artimanha.
 
Não seria a primeira vez que, durante a delação aos integrantes da Lava Jato, Delcídio envolveria Lula na compra do silêncio de testemunhas. De acordo com o senador, Lula e o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, Antonio Palocci, em meados de 2006, articularam o pagamento a Marcos Valério para que ele se calasse sobre o mensalão. O dinheiro, um total de R$ 220 milhões destinados a sanar uma dívida, segundo Delcídio, foi prometido por Paulo Okamotto. Aos procuradores, o senador relatou uma conversa com Lula em que ele o alerta: “Acabei de sair do gabinete daquele que o senhor enviou a Belo Horizonte (Okamotto). Corra, Presidente, senão as coisas ficarão piores do que já estão”.
 
Na sequência, Palocci ligou para Delcídio dizendo que o Lula estava “injuriado” em razão do teor da conversa, mas que ele (Palocci), a partir daquele momento, “estaria assumindo a responsabilidade pelo pagamento da dívida”. Valério, de acordo com o senador petista, não recebeu a quantia integral pretendida. De todo o modo, diz o trecho da delação, “a história mostrou a contrapartida: Marcos Valério silenciou”. Ainda sobre o mensalão, Delcídio – ex-presidente da CPI dos Correios – disse ter testemunhado na madrugada do dia 5 de abril de 2006 as “tratativas ilícitas para retirada do relatório (final da CPI) dos nomes de Lula e do filho Fábio Luís Lula da Silva em um acordão com a oposição”. Assim, segundo o anexo 21 da delação, Lula se salvou do impeachment.
 
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Implicações: Juiz Sérgio Moro ganha novos elementos contra Lula
 
O senador ainda lembrou aos procuradores uma frase do ex-ministro José Dirceu: “Pode checar quem ia à Granja do Torto aos domingos. Te garanto que não era eu”. Sem dúvida, afirmou Delcídio, tratava-se de uma referência a Delúbio Soares e Marcos Valério. Hoje, de acordo com Delcídio, um dos temas que “mais aflige” o ex-presidente Lula é a CPI do Carf. O colegiado apura a compra de MPs durante o governo do petista para favorecer montadoras e o envolvimento do seu filho, Luis Claudio, no esquema. Segundo o senador petista, “por várias vezes Lula solicitou a ele que agisse para evitar a convocação do casal Mauro Marcondes e Cristina Mautoni para depor”.
 
O consultor Mauro Marcondes, amigo de Lula desde os tempos do ABC, e sua mulher foram presos na Operação Zelotes, da PF, acusado de intermediar a compra de MPs. Documentos integrantes da Operação mostram que a LFT, uma empresa de marketing esportivo pertencente a Luis Claudio Lula da Silva, recebeu R$ 1,5 milhão na mesma época em que lobistas foram remunerados por empresas interessadas na renovação da medida provisória. Afirmou Delcídio aos procuradores da Lava Jato: “Lula estava preocupado com as implicações à sua própria família, especialmente os filhos Fábio Luís e Luis Cláudio”, fato confirmado a ele por Maurício Bumlai.
 
Outra CPI, desta vez a dos Bingos (encerrada em 2006), segundo Delcídio, teria agido para proteger a presidente Dilma. A declaração vem no bojo de uma revelação que compromete a campanha da presidente em 2010. No anexo 29 da delação, o senador petista afirmou que “uma das maiores operações de caixa 2 para a campanha de Dilma em 2010 foi feita através do empresário Adir Assad”, condenado no fim de 2015 por ser um dos operadores do esquema do Petrolão.
 
“Orientados pelo tesoureiro de campanha de Dilma, José Di Filippi, os empresários faziam contratos de serviços com as empresas de Assad, que repassava recursos para as campanhas eleitorais”. De acordo com Delcídio, o encerramento prematuro e sem relatório final da CPI dos Bingos deveu-se exclusivamente a esse fato. “Quando o governo percebeu que as várias quebras de sigilo levariam à campanha Dilma 2010, determinaram o encerramento dos trabalhos”, afirmou. Parte dos depoimentos de Delcídio foi tomado dentro do próprio Supremo Tribunal Federal.
 
Segundo informou à ISTOÉ um dos procuradores responsáveis pelo acordo de delação, para que Delcídio conseguisse deixar a carceragem, em Brasília, sem ser notado, foi montada uma verdadeira operação de guerra envolvendo dezenas de policiais. Desde o início das tratativas a preocupação maior de Delcídio foi justamente com o vazamento prematuro do acordo. Por isso, as insistentes negativas de seus advogados. Até livrar sua pele no Senado, ele preferia o sigilo. Com o novo cenário, de altíssima octanagem, Brasília estremece. Pior para Delcídio. Melhor para os fatos.
 
 
Dilma interferiu na lava jato
 
No anexo 01 da delação, o senador Delcídio do Amaral revela que em três ocasiões a presidente Dilma Rousseff, no exercício do mandato, e o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tentaram interferir na Lava Jato. Nomeação do ministro Marcelo Navarro para o STJ fez parte de acordo para soltura de executivos presos.
 
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1 – A Primeira Investida do Planalto
 
A despeito dos discursos do governo com relação à sua isenção nos rumos da operação Lava jato, é indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de tentar promover a soltura de réus presos no curso da referida operação. Faz parte dessa articulação o advogado Sigmaringa Seixas, figura influente quando se trata, no governo, de indicações para os tribunais superiores. Nas conversas com José Eduardo Cardozo, Dilma se refere a Sigmaringa como ‘the old man’.
 
A primeira investida do Planalto para tentar alterar os rumos da Lava Jato salta aos olhos pela ousadia: o encontro realizado em 07/07/2015 (18 dias após a prisão de Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo) entre Dilma, José Eduardo e o presidente do STF, Ricardo Levandowski, numa escala em Porto (Portugal) para supostamente falar sobre o reajuste de verbas do Poder Judiciário. A razão apontada pela Presidência é absolutamente injustificável... ...A razão principal do encontro, em verdade, foi a mudança nos rumos da Lava Jato. Contudo, a reunião foi uma fracasso, em função do posicionamento retilíneo do ministro Lavandowski, ao afirmar que não se envolveria.
 
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2- A Segunda Investida do Planalto
 
Em virtude da falta de êxito na primeira investida, mudou-se a estratégia, que se voltou, então, para o STJ, José Eduardo esteve em Florianópolis em agenda institucional... ... A ideia era indicar para uma das vagas no STJ o presidente do TJ de Santa Catarina, Nelson Schaefer. Em contrapartida, o ministro convocado, Dr. Trisotto, votaria pela libertação dos acusados Marcelo Odebrecht e Otavio Azevedo. A investida foi em vão porque Trisotto se negou a assumir tal responsabilidade espúria. Mais um fracasso de José Eduardo em conseguir uma nomeação”.
 
3- Terceira Investida do Planalto
 
Após os dois fracassos anteriores, rapidamente desenhou-se uma nova solução que passava pela nomeação de Marcelo Navarro, desembargador do TRF da 5ª Região, muito ligado ao ministro e presidente do STJ, Dr. Francisco Falcão. Tal nomeação seria relevante para o governo, pois o nomeado entraria na vaga detentora de prevenção para o julgamento de todos os Habeas Corpus e recursos da Lava Jato no STJ. Na semana da definição da nova estratégia, Delcídio do Amaral esteve com a presidente Dilma no Palácio da Alvorada para uma conversa privada. Conversaram enquanto caminhavam pelos jardins do Palácio e Dilma solicitou que Delcídio conversasse com o desembargador Marcelo Navarro a fim de que ele confirmasse o compromisso de soltura de Marcelo e de Otavio...
 
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... Conforme o combinado, Delcídio do Amaral se encontrou com o desembargador Marcelo Navarrro no próprio Palácio do Planalto, no andar térreo, em uma pequena sala de espera, o que poderá ser atestado pelas câmeras do Palácio. Nessa reunião, muito rápida pela gravidade do tema, o Dr. Marcelo ratificou seu compromisso, alegando inclusive que o Dr. Falcão já o havia alertado sobre o assunto. Dito e feito. A sabatina do Dr. Marcelo pelo senado e correspondente aprovação ocorreram em tempo recorde. Em recente julgamento dos habeas Corpus impetrados no STJ, confirmando o compromisso assumido, o Dr. Marcelo Navarro, na condição de relator, votou favoravelmente pela soltura dos dois executivos (Marcelo e Otavio). Entretanto, obteve um revés de 4X1 contra seu posicionamento, vez que as prisões foram mantidas pelos outros ministros da 5ª turma do STJ.”
 
 
Dilma sabia de tudo do acerto de Pasadena
 
O senador conta que como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Dilma Rousseff, sabia que por trás da compra da Refinaria de Pasadena havia um esquema de superfaturamento para desviar recursos da estatal. Ela poderia ter barrado as negociações, mas os contratos foram aprovados pelo Conselho de Administração em tempo recorde e a Petrobras teve um prejuízo de US$ 792 milhões, como foi comprovado pela Lava Jato e pelo TCU.
 
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“Dilma Rousseff, como então presidente do Conselho de Administração da Petrobras, tinha pleno conhecimento de todo o processo de aquisição da Refinaria de Pasadena e de tudo o que esse encerrava. A alegação de Dilma de que ignorava o expediente habitualmente utilizado em contratos desse tipo, alegando desconhecimento de cláusula como put option, absolutamente convencional, é, no mínimo, questionável. Da mesma forma, discutir um revamp de refinaria que nunca ocorreu, é inadmissível. A tramitação do processo de aquisição de Pasadena durou um dia entre a reunião da Diretoria Executiva e o Conselho de Administração. Delcídio esclarece que a aquisição de Pasadena foi feita com o conhecimento de todos. Sem exceção”.
 
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Dilma queria Cerveró na Petrobrás
 
O senador revela como, em 2008, Dilma Rousseff atuou de forma decisiva para que Nestor Cerveró fosse mantido na direção da Petrobras. Na ocasião, Cerveró perdeu o cargo de diretor Internacional por pressão do PMDB, mas Dilma conseguiu coloca-lo na Diretoria Financeira da BR Distribuidora.
 
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“Diferentemente do que afirmou Dilma Rousseff em outras oportunidades, a indicação de Nestor Cerveró para a Diretoria Financeira da BR Distribuidora contou efetivamente com a sua participação. Delcídio do Amaral tem conhecimento dessa ingerência tendo em vista que, no dia da aprovação pelo Conselho, estava na Bahia e recebeu ligações de Dilma...
 
...Não é correta a informação de que a Diretoria Financeira da BR Distribuidora tenha sido produto de entendimento exclusivo de Lula e Dutra (José Eduardo). Dilma Rousseff teve atuação decisiva, comprovada através das ligações mencionadas, quando da sua chegada ao Rio de Janeiro para a reunião do Conselho de Administração da Petrobras. Dilma Rousseff ligou para Delcídio perguntando se o Nestor já havia sido convidado para ocupar a Diretoria Financeira da BR Distribuidora. Depois, ligou novamente confirmando a nomeação de Nestor para o referido cargo, o que restou concretizado na segunda-feira, 03/03/2008, quando da posse de Nestor na BR Distribuidora e de Jorge Zelada na área internacional da Petrobras”.
 
 
CPI dos bingos protegeu Dilma
 
No anexo 29 da delação premiada, o senador Delcídio do Amaral descreve aos membros da Lava Jato uma operação de caixa dois na campanha de Dilma em 2010 feita pelo doleiro Adir Assad. Segundo Delcidio, o esquema seria descoberto pela CPI dos Bingos, mas o governo usou a base de apoio no Congresso para barrar a investigação dos parlamentares.
 
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“Uma das maiores operações de caixa dois da campanha de Dilma em 2010 foi feita através de Adir Assad. Orientados pelo tesoureiro da campanha, José Filippi, os empresários faziam contratos de serviços com as empresas de Assad, que repassava os recursos para as campanhas eleitorais. Esse expediente foi largamente utilizado e o encerramento prematuro e sem relatório final da CPI dos Bingos deveu-se exclusivamente a esse fato. Quando o governo percebeu que as várias quebras de sigilo levariam à campanha de Dilma, determinou o encerramento imediato dos trabalhos”.
 
 
Lula mandou pagar Cerveró
 
Um dos relatos mais explosivos feitos pelo senador Delcídio do Amaral à operação Lava Jato está no anexo 2. O senador revela aos procuradores que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandou o esquema do pagamento de uma mesada a Cerveró para tentar evitar sua delação premiada. Foi por intermediar esses pagamentos que Delcídio acabou na cadeia. Lula não queria que o ex-diretor da Petrobras mencionasse o esquema do pecuarista José Carlos Bumlai na compra de sondas superfaturadas feitas pela estatal.
 
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“Lula pediu expressamente a Delcídio do Amaral para ajudar o Bumlai porque supostamente ele estaria implicado nas delações de Fernando Soares e Nestor Cerveró. No caso, Delcídio intermediaria o pagamento de valores à família de Cerveró com recursos fornecidos por Bumlai. Delcídio explicou a Lula que com José Carlos Bumlai seria difícil falar, mas que conversaria com o filho, Maurício Bumlai, com quem mantinha uma boa relação. Delcidio, vendo a oportunidade de ajudar a família de Nestor, aceitou intermediar a operação.
 
A primeira remessa de R$ 50.000,00 foi entregue pelo próprio Delcidio do Amaral em mãos do advogado Edson Ribeiro, após receber a quantia de Mauricio Bumlai, em um almoço na churrascaria Rodeio do Iguatemi, em 22/05/2015 (em anexo existe base documental para isso). As entregas de valores à família de Nestor Cerveró se repetiram em outras oportunidades. Nessas outras oportunidades quem fez a entrega foi o assessor Diogo Ferreira (em anexo existe base documental disso). O total recebido pela família de Nestor foi de R$ 250.000,00. O próprio Bernardo (filho de Nestor Cerveró) recebeu em espécie do Diogo.
 
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Lula comprou o silêncio de Marcos Valério
 
O ex-presidente cedeu às chantagens do publicitário Marcos Valério que exigiu R$ 220 milhões para se calar na CPI dos Correios sobre os meandros do Mensalão. Em seu depoimento, Delcídio afirma que ele e Paulo Okamotto (presidente do Instituto Lula) tentaram negociar o pagamento, mas que foi o ex-ministro Antônio Palocci quem assumiu essa tarefa.
 
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“Em 14/02/2006 foi conversado sobre o pagamento de uma dívida prometida por Paulo Okamotto em Belo Horizonte, a fim de que Marcos Valério silenciasse em relação às questões do mensalão. Nos dois dias seguintes, Delcidio do Amaral se reuniu sucessivamente: primeiro com Paulo Okamoto, a fim de que ele cumprisse com o prometido em Belo Horizonte (de acordo com Marcos Valério o valor seria de R$ 220 milhões); segundo com o ex-presidente Lula, sendo que na conversa Delcidio disse expressamente ao presidente: ‘acabei de sair do gabinete daquele que o senhor enviou à Belo Horizonte. Corra presidente, senão as coisas ficarão piores do que já estão’.
 
No dia seguinte, Delcidio recebeu uma ligação do então ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, na qual este disse: ‘parece que sua reunião com o Lula foi muito boa, né?’. A resposta de Delcidio foi a seguinte: ‘não sei se foi boa para ele’. Na sequência, o ministro da Fazenda, Palocci, ligou para Delcidio dizendo que Lula estava ‘injuriado’ com ele em razão do teor da conversa. Contudo, Palocci disse que estaria, a partir daquele momento, assumindo a responsabilidade pelo pagamento da dívida. Marcos Valério recebeu, mas não a quantia integral pretendida. De todo modo, a história mostrou a contrapartida: Marcos Valério silenciou.”
 
 
“Exclusão de Lula e Lulinha da CPI dos correios evitou o impeachment”
 
No anexo 21 da delação, Delcídio relata a forte atuação de Lula e aliados sobre os parlamentares da CPI dos Correios. O senador, que presidiu a CPI, afirma que a votação do relatório que poupou o ex-presidente foi duvidosa.
 
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“Lula se salvou de um impeachment com a exclusão de seu nome e de seu filho Fábio Lula da Silva (o Lulinha) na madrugada do dia 05/04/2006 do relatório final da CPI dos Correios, que foi aprovado em votação polêmica e duvidosa naquele mesmo dia”.
 
 
Lula pressiona CPI do CARF para proteger a família
 
Delcidio afirmou aos procuradores da Lava Jato que, como líder do governo, foi pressionado por Lula para que Mauro Marcondes e Cristina Mautoni não fossem depor na CPI que apura a venda de Medidas Provisórias. Ele revelou que o ex-presidente temia que o casal pudesse implicar seus filhos no escândalo.
 
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“Delcidio do Amaral tem conhecimento de que um dos temas que mais aflige o presidente Lula é a CPI do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). A preocupação do ex- presidente foi elevada especialmente quando da convocação de Mauro Marcondes e sua esposa Cristina Mautoni. Por várias vezes o próprio Lula solicitou a Delcidio que agisse para evitar a convocação do casal para depor perante a CPI. Lula alegava que estava muito preocupado com eles.
 
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Mas, em verdade, Lula estava preocupado com implicações à sua própria família, especialmente com os filhos Fábio Luiz Lula da Silva e Luiz Claudio Lula da Silva. Esse fato foi confirmado a Delcídio por Maurício Bumlai, que conhece muito bem a relação dos familiares de Lula com a casal. Em resposta a insistência de Lula, Delcídio, como líder do governo no Senado, mobilizou a base do governo para derrubar os requerimentos de convocação do casal na reunião ocorrida em 05/11/2015, onde logrou êxito”.
 
 
Bumlai é o consigliere da família Lula
 
No anexo 6 de sua delação premiada, Delcidio descreve as relações de Bumlai com o ex-presidente e sua família. Fala sobre os negócios escusos envolvendo o pecuarista e a Petrobras e cita as obras no sítio de Atibaia.
 
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“Ao contrário do que afirma o ex-presidente Lula, José Carlos Bumlai goza de total intimidade com ele, representando de certa maneira o papel de ‘consigliere’ da família Lula....
 
De todas as ações ilícitas de Bumlai, uma das mais relevantes é a aquisição/operação, pela Petrobras, da sonda Vitória 10.000, cujos desdobramentos políticos e financeiros são muito maiores do que os divulgados. O negócio foi feito com a finalidade de quitar uma dívida de Bumlai com o Banco Schahim, divida essa de R$ 12 milhões. O contrato girou em torno de US$ 16 milhões... A realidade é que o contrato não só quitou a dívida de Bumlai como pagou dívidas da campanha presidencial de Lula em 2006...
 
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Bumlai foi o principal responsável pela implementação do Instituto Lula, disponibilizando de todo o aparato logístico e financeiro. Foi também a pessoa que ficou responsável, em um primeiro momento, pelas obras do sítio de Atibaia, do ex-presidente Lula. Delcidio tem conhecimento de que Bumlai já tinha contratado arquiteto e engenheiro para a realização das obras, o que foi abortadopor Léo Pinheiro, outro grande amigo do presidente, que pessoalmente se dispôs a fazer o serviço através da OAS em um curto espaço de tempo”.
 
 
Pedágio na CPI da Petrobras
 
Delcído diz que os senadores Gim Argello (PTB-DF) e Vital do Rego (PMDB-PB) e os deputados Marco Maia (PT-RS) e Fernando Francischini (SD-PR) cobravam de empreiteiros para não serem convocados na CPI da Petrobras.
 
“Delcidio do Amaral sabe de ilicitudes envolvendo o desfecho da CPI que apurava os crimes no âmbito da Petrobras. A CPI obrigava Léo Pinheiro, Júlio Camargo e Ricardo Pessoa a jantarem todas as segundas-feiras em Brasília. O objetivo desses jantares era evitar que os empresários fossem convocados para depor na CPI. Os senadores Gim Argello, Vital do Rego e os deputados Marco Maia e Francischini cobravam pedágio para não convocar e evitar maiores investigações contra Léo Pinheiro, Júlio Camargo e Ricardo Pessoa.”