sexta-feira, 25 de março de 2016

Para a Polícia Federal, Lula queria que marido de Dilma intercedesse junto a Rosa Weber

Investigadores da Lava-Jato acreditam que Carlos Araújo, ex-marido de Dilma Rousseff, é o personagem de conversa entre Lula e o ex-ministro Paulo Vannuchi interceptada pela Polícia Federal. No telefonema, de 27 de fevereiro, Lula reclama das investigações sobre a propriedade do tríplex do Guarujá e do sítio em Atibaia. A conversa ocorreu um dia depois de Rosa Weber ter sido sorteada relatora de um recurso do petista no Supremo Tribunal Federal. No grampo, Lula e Vannuchi falam sobre a tentativa de contatar uma pessoa que poderia interceder junto à ministra, mas que estaria hospitalizada, tratando um enfisema pulmonar e com “um canudo no nariz”. Lula solta um palavrão e pergunta se o contato não poderia “tirar o canudo 30 segundos”. Carlos Araújo teve atuação central no lobby pela nomeação da gaúcha Rosa Weber para o Supremo Tribunal Federal. O ex-marido de Dilma estava internado no Hospital São Francisco, em Porto Alegre, na data da conversa, tratando de um enfisema – e com um “canudo no nariz”.

Sócia da Pepper fecha delação premiada


Danielle Fonteles, dona da agência Pepper Interativa, fechou acordo de delação premiada na Operação Acrônimo, que investiga um esquema de desvio de recursos do Ministério do Desenvolvimento para abastecer a campanha do ex-ministro e hoje governador de Minas Gerais, o petista Fernando Pimentel.

Kakay deixa defesa do petista Fernando Pimentel na Operação Acrônimo


Reviravolta na defesa do governador Fernando Pimentel na operação Acrônimo: o criminalista Antonio Carlos Almeida Castro, o Kakay, não é mais o advogado de defesa do petista no caso. A Acrônimo investiga suspeita de recebimento de vantagens indevidas pelo governador quando comandava o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e em sua campanha de 2014. A suspeita é de que Pimentel recebeu valores de empresas que mantinham contratos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), instituição subordinada à pasta. Parte desse dinheiro teria sido lavada para abastecer a campanha. Além de Pimentel, sua mulher, Carolina Oliveira, é investigada na operação. No lugar de Kakay, a defesa de Pimentel deve ser tocada por um ex-procurador da República, Eugenio Pacelli de Oliveira. 

Dilma na cerimônia do adeus

Por Reinaldo Azevedo - A irresponsabilidade de Dilma Rousseff e de Lula nessa reta final do governo é assombrosa. Tanto a dupla como o establishment petista sabem que nada mais pode ser feito. Acabou mesmo! Eles se dedicam agora é a criar uma narrativa da partida que possa manter reunido ao menos um pedaço da militância. Quando a presidente, seu antecessor e a cúpula petista gritam "golpe!", já não falam mais para o conjunto dos brasileiros. É um discurso voltado para os fiéis, para a militância. Criar uma mitologia da derrota, para os tempos de deserto, é tão importante como criar uma da vitória para os tempos de bonança. O PT está deixando o poder, mas pretende voltar. Para que possa se reorganizar, terá de encolher; de buscar as suas origens; de resgatar a mística do confronto de classes; de excitar, como nos tempos primitivos, não o desejo de consumo das massas, mas o ressentimento dos oprimidos. Lula não quer deixar o poder como um ladrão, mas como um excluído. Será o patriarca banido da Terra Prometida depois de tê-la conquistado. Viverá de contar histórias e de excitar a imaginação dos mais moços. O PT, como o conhecemos, está morto, mas não a mística intelectualmente vigarista da redenção dos oprimidos que o embala. Esta é um dado permanente na história. Até um novo barbudo já veio à luz para divulgar "a palavra". O Lula renascido é Guilherme Boulos. Consoante com os tempos da nova esquerda, ele não vem do chão de fábrica, mas dessas milícias supostamente benignas a que chamam "movimentos sociais". Achando que um é pouco, o rapaz comanda dois movimentos: o MTST e a Frente Povo Sem Medo. Deveria logo abrir uma incubadora de produtos ideológicos do gênero. Se houver impeachment, o novo profeta promete "incendiar o país". Dito de outro modo: se o Congresso não vota como quer Boulos, ele não reconhece o resultado. Lula nasceu para a política quando a esquerda foi levada a aderir à "democracia como um valor universal", para citar um texto de 1979, de Carlos Nelson Coutinho. Boulos será o líder de um período partidário em que a tolerância perderá até seu valor instrumental. Sem violência, ele está convicto, não haverá redenção. Sai Coutinho do altar, entra um delinquente intelectual como Slavoj Zizek. Não se descarte, anotem aí, a criação de uma nova sigla que funda o que restar de PT, PSOL, PSTU e outras excrescências mais à esquerda. Como no começo. A certeza de que o impeachment virá e a necessidade de organizar a resistência com os apaniguados expulsos do paraíso levam Dilma e Lula a anunciar país e mundo afora que um golpe está em curso no Brasil. Fora do ministério, ele apenas exercita a retórica irresponsável de sempre, cada vez mais típica de um Lula que se mostra uma farsa de si mesmo. Ela, no entanto, se o que está na Constituição é para valer, está incorrendo em novo crime de responsabilidade ao acusar, na prática, o Supremo Tribunal Federal, que votou o rito do impeachment, de fazer parte de uma arquitetura golpista. Não se descarte, ainda, que alguns cadáveres possam integrar essa narrativa da partida. Eles sempre estão no imaginário delirante e essencialmente criminoso das esquerdas. Ora, o que são alguns mortos quando o que está em jogo é a salvação da humanidade –e algumas contas secretas na Suíça?