sexta-feira, 1 de abril de 2016

Empresário lixeiro Ronan Maria Pinto envolvido no caso do assassinato de Celso Daniel usou dinheiro do Petrolão para comprar jornal em Santo André


Um dos pontos-chaves da 27ª fase da Operação Lava Jato, a Carbono 14, deflagrada nesta sexta-feira, foi a identificação de um pagamento de 6 milhões de reais endereçado ao empresário lixeiro paulista Ronan Maria Pinto. O dinheiro veio do empréstimo fraudulento de 12 milhões de reais que o pecuarista José Carlos Bumlai contraiu com o Banco Schahin, a pedido do PT, em 2004. Empresário com diversos negócios na região do ABC paulista, Ronan Maria Pinto é apontado pelo Ministério Público de São Paulo como um dos participantes do esquema de corrupção instalado em Santo André (SP) durante a administração corrupta de Celso Daniel (PT), que foi assassinado (queima de arquivo) em 2012 em circunstâncias ainda misteriosas. Em novembro do ano passado, o empresário lixeiro Ronan Maria Pinto foi condenado a dez anos de prisão pela 1ª Vara Criminal de Santo André por participação em um esquema de cobrança de propina de empresas de transporte contratadas pela gestão do prefeito petista. Na mesma decisão, também foi sentenciado o petista Sérgio Gomes da Silva, o Sombra. Segundo o procurador da força-tarefa da Lava Jato, Diogo Castor, há indícios de que Ronan tenha usado parte do dinheiro para comprar as ações do Diário do Grande ABC, do qual se tornou o principal controlador. O periódico também foi alvo de buscas e apreensão nesta sexta-feira. "O dinheiro foi repassado do Schain diretamente para o empresário que estava vendendo as ações", afirmou Castor. 

Em depoimento à Lava Jato, irmão de Celso Daniel confirma relato de corrupção em Santo André



No dia 26 de janeiro deste ano, a força-tarefa da Operação Lava Jato colheu o depoimento de Bruno José Daniel, irmão do prefeito de Santo André Celso Daniel, que foi sequestrado e assassinado em 2002. À procuradoria, Bruno Daniel voltou a dizer que o ex-secretário da Presidência, o petista Gilberto Carvalho, e a presidente da Caixa Econômica, Miriam Belchior, com quem Celso Daniel foi casado, teriam lhe contado da existência de um esquema de corrupção na prefeitura de Santo André. Segundo o relato, o dinheiro era destinado a campanhas eleitorais do PT, e o próprio Gilberto Carvalho havia lhe contado que, numa oportunidade, levou 1,2 milhão de reais em dinheiro vivo ao ex-ministro José Dirceu. "Posteriormente, o depoente interpretou aquele 'desabafo' como uma forma de desencorajar o depoente (...) de explorar melhor os fatos que envolveram a morte de Celso Daniel, porque isto poderia macular a biografia de Celso Daniel", diz transcrição do depoimento anexada aos autos do processo. Em seu despacho, o juiz Sergio Moro citou o depoimento de Bruno ao apontar a possível relação do esquema apurado na nova fase da Operação da Lava Jato, a Carbono 14, com o crime de 2002. "É possível que este esquema criminoso tenha alguma relação com o homicídio, em janeiro de 2002, do então Prefeito de Santo André, Celso Daniel", escreveu Moro. O principal objetivo da nova fase é descobrir por que metade dos 12 milhões de reais tomados de empréstimos do Banco Schahin pelo pecuarista José Carlos Bumlai, a pedido do PT, foram parar no bolso do sócio majoritário do Diário do Grande ABC, Ronan Mario Pinto, preso hoje na operação. Um depoimento do operador do mensalão Marcos Valério, de 2012, intrigou os investigadores. Na tentativa de firmar um acordo de colaboração premiada, que não vingou, Marcos Valério relatou que o PT lhe pediu dinheiro para silenciar o empresário Ronan, que, segundo ele, estava ameaçando fazer revelações comprometedoras sobre o poderoso chefão Lula, o bandido petista mensaleiro corrupto José Dirceu e o também petista Gilberto Carvalho na morte do prefeito. Bruno afirmou que tem esperanças de que a Lava Jato possa ajudar a elucidar a morte do seu irmão. "É necessário esclarecer por que razão a direção do PT teria remetido, através de esquemas ilícitos, cerca de 6 milhões de reais ao empresário Ronan Maria Pinto, dinheiro com o qual ele teria adquirido o jornal do Grande ABC mediante chantagem ao Lula, ao José Dirceu e ao Gilberto Carvalho", disse ele.

Operação Carbono 14 leva o caso do assassinato do prefeito petista Celso Daniel direto ao centro da Lava-Jato


A 27ª fase da Lava Jato, batizada de Carbono 14, traz o caso do assassinato do prefeito petista de Santo André, o corrupto Celso Daniel, direto para o centro da Lava-Jato. A etapa vai investigar a concessão de um empréstimo pelo Banco Schahin ao empresário José Carlos Bumlai em 2004 para supostamente calar o operador do mensalão, Marcos Valério, que ameaçava contar detalhes sobre o assassinato de Celso Daniel. Marcos Valério chegou a prestar um depoimento ao Ministério Público Federal em 2012, mas nunca chegou a fechar um acordo de delação premiada. Nesse depoimento, Marcos Valério afirmou que o empréstimo do Banco Schahin era para pagar a extorsão. No pedido de prisão de Bumlai, na 21ª fase da operação, o depoimento de Marcos Valério foi citado. Depois, em delação premiada, o empresário Salim Schahin detalhou o empréstimo e disse que Bumlai pediu 12 milhões de reais em nome do PT e que a negociação estava vinculada à escolha do grupo Schahin para operar um navio-sonda em contrato com a Petrobras, o que aconteceu em 2009. Agora, na nova fase, a Lava-Jato fez buscas na sede do Diário do Grande ABC, em Santo André, cujo sócio Ronan Maria Pinto é personagem das investigações da morte do prefeito petista em 2002. 

Petista Silvinho "Land Rover" Pereira recebeu mais de R$ 1 milhão de empreiteiros propineiros indiciados na Lava Jato


Responsável direto pelo loteamento de 32.000 cargos comissionados no início do governo do poderoso chefão Lula, o ex-secretário do PT, o corrupto confesso Silvinho "Land Rover" Pereira (fez transação penal no processo do Mensalão do PT e pagou cestas básicas e prestação de serviço à comunidade), preso nesta sexta-feira na 27ª fase da Operação Lava Jato, recebeu pelo menos 508.000 reais da UTC e da OAS, duas das empreiteiras envolvidos no escândalo do Petrolão do PT, por meio da empresa dele, a DNP Eventos Ltda. Ao todo, foram contabilizados repasses suspeitos de cerca de 1,6 milhão de reais do PT, de fornecedores da Petrobras ou de operadores investigados no esquema de corrupção da petroleira. Segundo os investigadores, "é provável que tais pagamentos se refiram à "mesada" que o PT destinou a Silvio "Land Rover" Pereira por intermédio de desvios em contratos que a UTC e a OAS mantinham com a Petrobras". Segundo a força-tarefa da Lava Jato, Silvinho "Land Rover" Pereira foi identificado como um dos destinatários da propina recolhida pelo PT no escândalo da Petrobras e apontado como alvo de uma mesada para que permanecesse em silêncio e não revelasse detalhes de outro esquema de corrupção gestado pelo partido, o Mensalão do PT. O Ministério Público também atribuiu ao ex-secretário petista o papel de ser o "contato direto com os empresários que mantinham contratos com a Petrobras para angariar propina para o Partido dos Trabalhadores". "As evidências colhidas até o presente momento comprovaram que Silvio José Pereira recebeu relevantes recursos do Partido dos Trabalhadores e por empresas envolvidas na Operação Lava Jato, ao que tudo indica, sem nenhuma prestação de serviços que justificasse os repasses que somam aproximadamente R$ 1,6 milhão, sendo certo que esses recursos, ao menos em parte, foram provenientes de desvios da Petrobras", diz o Ministério Público. Além dos pouco mais de 500.000 reais repassados pelas empreiteiras, a empresa Central de Eventos e Produções Ltda, também do petista, mantinha relacionamentos financeiros com outras empresas investigadas na Operação Lava Jato. Recebeu, por exemplo, pouco mais de 400.000 reais entre 2007 e 2009 de Julio Cesar dos Santos e da TGS Consultoria, ligadas ao ex-ministro e bandido petista corrupto mensaleiro José Dirceu, e da SP Terraplenagem, relacionada ao operador de propinas Adir Assad. A Central de Eventos teve Julio Cesar como sócio e também embolsou recursos provenientes de campanhas eleitorais do PT. A DNP Eventos também apresentou recebimentos das empresas Projetec e Treviso, dos delatores da Lava Jato, Augusto Mendonça e Julio Camargo, e embolsou aproximadamente 250.000 reais de serviços supostamente prestados nas campanhas de candidatos do PT na eleição municipal de 2012. Para os investigadores, porém, "é provável que tais pagamentos se refiram à "mesada" que o PT destinou ao corrupto confesso Silvinho "Land Rover" Pereira por intermédio de desvios em contratos que a UTC e a OAS mantinham com a Petrobras" em um "cenário de prática habitual de crimes e de total descaso com a Justiça". "As evidências colhidas até o presente momento comprovaram que Silvio José Pereira recebeu relevantes recursos do Partido dos Trabalhadores e por empresas envolvidas na Operação Lava Jato, ao que tudo indica, sem nenhuma prestação de serviços que justificasse os repasses que somam aproximadamente R$ 1,6 milhão, sendo certo que esses recursos, ao menos em parte, foram provenientes de desvios da Petrobras", conclui o Ministério Público. Em acordo de delação premiada, o lobista e operador de propinas do PT, Fernando Moura, disse que os petistas consideravam "aceitável" receber dinheiro por meios ilícitos para financiar a legenda. Aos procuradores do Ministério Público, Moura detalhou a atuação dele em parceria com o ex-secretário-geral do PT, Silvinho "Land Rover" Pereira, responsável pelo loteamento de cargos no início do primeiro mandato do poderoso chefão e ex-presidente Lula. Apenas no ano de 2005, depois de passar dois anos recolhendo recursos para serem repassados ao PT, os negócios obscuros do lobista Fernando Moura perderam força. Segundo o delator, ele foi aconselhado pelo próprio bandido petista mensaleiro José Dirceu, naquela época enfrentando processo de cassação na Câmara dos Deputados, a deixar o País para não levantar suspeitas. Moura relata que, com o Mensalão do PT, recebeu um "cala-boca" de empresas que tinham contato com o governo federal, enquanto Silvio Pereira, também investigado na época como mensaleiro, teria recebido a mesma mensagem da UTC e da OAS para não revelar o modus operandi instalado na Petrobras.

Polícia Federal prende ex-secretário-geral do PT e empresário ligado ao caso Celso Daniel



A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira a 27ª fase da Operação Lava Jato. Desta vez, o foco das investigações é um empréstimo fraudulento concedido pelo Banco Schahin, cujos recursos foram usados para a quitação de dívidas do PT. Mais do que apenas o rastreamento do dinheiro, a nova fase, batizada de Carbono 14, traz de volta o fantasma do assassinato do ex-prefeito petista de Santo André, Celso Daniel (PT). Foram presos na nova fase o ex-secretário-geral do PT, Silvio "Land Rover" Pereira, e o empresário Ronan Maria Pinto. O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o jornalista petista Breno Altman, foram conduzidos coercitivamente para depor. Silvinho "Land Rover" Pereira, um caiçara do litoral do paulista, crescido e feito politicamente nas Comunidades Eclesiais de Base (as CEBs, uma perna da Igreja Católica que funcionou como fundadora do PT), é um corrupto conhecido. Ele já admitiu sua participação do Mensalão do PT, mas como o crime atribuído a ele era de baixo poder ofensivo, fez a chamada "transação penal", pela qual pagou algumas cestas básicas e prestou algumas horas de serviço comunitário, livrando-se de sua responsabilidade. Ganhou o apelido de "Land Rover" porque se deixou corromper e ganhou um jeep brucutu dessa marca como pagamento pela corrupção, praticada por empresa baiana interessada em contratos na Petrobras. O ex-tesoureiro petista Delúbio Soares foi condenado no Mensalão do PT a seis anos e oito meses de prisão por corrupção ativa. Já recebeu indulto presidencial presidencial e está livre dessa pena. É aquele que dizia que o Mensalão ia acabar em "piada de salão". O publicitário e operador do Mensalão do PT, Marcos Valério, revelou em depoimento à Procuradoria-Geral da República que Ronan Maria Pinto, um empresário dos ramos do lixo e ônibus ligado ao antigo prefeito, estava chantageando o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, para não envolver seu nome e o do poderoso chefão e ex-presidente Lula na morte de Celso Daniel. Segundo os investigadores da Operação Lava Jato, pelo menos metade do empréstimo fictício contraído junto ao Banco Schahin acabou desaguando nos bolsos de Ronan Maria Pinto. As apurações do megaesquema de corrupção na Petrobras indicam que José Carlos Bumlai, empresário e amigo do poderoso chefão e ex-presidente Lula, integrou um esquema de corrupção que envolvia a contratação da Schahin pela Petrobras para operação do navio sonda Vitoria 10.000. A transação só ocorreu após o pagamento de propina a dirigentes da Petrobras e ao PT. A exemplo do escândalo do Mensalão do PT, o pagamento de dinheiro sujo foi camuflado a partir da simulação de um empréstimo no valor de 12,17 milhões de reais do Banco Schahin, com a contratação indevida da Schahin pela Petrobras para operar o navio sonda Vitoria 10.000 e na simulação do pagamento do suposto empréstimo com a entrega inexistente de embriões de gado. Em depoimento, Bumlai admitiu que tomou o empréstimo para repassar os valores ao PT e detalhou que o dinheiro foi pedido pelo ex-tesoureiro da sigla, Delúbio Soares. "A fiar-se no depoimento dos colaboradores e do confesso José Carlos Bumlai, os valores foram pagos a Ronan Maria Pinto por solicitação do Partido dos Trabalhadores", disse o juiz Sergio Moro no despacho da 27ª fase. Agora a Polícia Federal quer entender todos os capítulos dessa história e executou na manhã desta sexta-feira doze mandados para aprofundar a investigação sobre o esquema de lavagem de capitais de cerca de 6 milhões de reais do empréstimo, considerado crime de gestão fraudulenta do Banco Schahin. As medidas foram cumpridas em São Paulo, Carapicuíba, Osasco e Santo André. A procuradoria afirma que o dinheiro desse empréstimo ao PT acabou gerando prejuízo para a Petrobras, já que os valores só foram liberados depois que o Grupo Schahin pagou propina para vencer a concorrência e ser operadora do navio-sonda Vitória 10.000. Apenas este contrato chegou a 1,6 bilhão de dólares. Para a viabilização do esquema de pagamentos do empréstimo forjado ao PT, o dinheiro saiu de José Carlos Bumlai para o Frigorífico Bertin, que, por sua vez, repassou cerca de 6 milhões de reais a um empresário do Rio de Janeiro. Na sequência, ele fez transferências diretas para a Expresso Nova Santo André, empresa de ônibus controlada por Ronan Maria Pinto. Outras pessoas físicas e jurídicas indicadas pelo empresário para recebimento de valores, como o jornal Diário do Grande ABC, também foram usadas para camuflar a transação. Empresário com diversos negócios na região do ABC paulista, Ronan Maria Pinto é apontado pelo Ministério Público como um dos participantes do esquema de corrupção instalado em Santo André durante a administração do petista Celso Daniel, que desviava dinheiro público para o PT e paga os pagamentos de suas campanhas. O nome do empresário, velho conhecido do PT, voltou à tona com a delação premiada do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Ele disse que Bumlai obteve o empréstimo junto ao Banco Schahin e repassou 6 milhões de reais a Ronan. O nome da nova fase da Lava Jato, Carbono 14, é uma referência a procedimentos utilizados para a investigação de fatos antigos. As suspeitas envolvem crimes de extorsão, falsidade ideológica, fraude, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. É bem possível que a Operação Lava Jato dê de cara com assassinatos políticos, e então os dados serão repassados para a Polícia Civil paulista, até hoje incompetente para investigar e elucidar o assassinato do Celso Daniel. Como o PSDB é governo em São Paulo há 20 anos, é inevitável concluir pelo conluio do partido para que essa morte não seja elucidada. Assim, agora só fica faltando a Operação Lava Jato investigar o tráfico de cocaína do Brasil para a máfia italiana Ndranghetta, com dinheiro desviado da Petrobras. Já tem uma doleira brasileira que operava para a máfia italiana condenada. É a gaúcha Maria de Fátima Stocker. Ela está na cadeia em Roma. A doleira brasileira operava junto com os doleiros pegos no Petrolão do PT. Ou seja, dinheiro desviado da Petrobras, movimentado por esses doleiros, também seria para bancar o tráfico de cocaína. Por algum motivo inexplicável essa conexão ainda não veio a público e não é explorada pelas investigações da Lava Jato. Mas a Operação Monte Pollino, que condenou traficantes de cocaína de Santos, foi desmembrada da Operação Lava Jato. E tem conexão direta com ea Operação Buon Gustaio, da polícia italiana, aberta a partir de informações recebidas do DEA (Drug Enforcement Agency) e do FBI (Federal Bureau of Investigations), a partir de dados fornecidos pela NSA (National Security Agency). Entenderam por que a presidente Dilma Rousseff ficou tão indignada com a denúncia do espião americano Edward Snowden, que apontou gravações dos telefonemas da petista e dos dirigentes da Petrobras?).

GOVERNO SARTORI, UM GOVERNO COMPLETAMENTE INCOMPETENTE, INÚTIL, SEM INICIATIVA

Até a metade deste ano, o governo do Rio Grande do Sul, de José Ivo Sartori (PMDB), atrasará um mês de salário. É que, agora, para pagar o salário de março, Sartori já está pegando quase todo o dinheiro que será arrecadado durante o mês de abril. Quando chegar à metade do ano, um mês já terá acavalado sobre o outro. Aí será atraso mesmo, e dos gigantescos. Isso gera um gigantesco prejuízo para os funcionários públicos, que pagam multas em todos os seus compromissos, no aluguel, no condomínio, na conta de luz, da água, da TV a cabo, dos impostos. Enfim, é um inferno. Já tem empresário morrendo por causa dos calotes nos pagamentos de Sartori, como aconteceu em Canoas. Sartori já é uma reedição de Zélia Cardoso de Melo, aquela ministra da Fazenda, do governo Collor, que bloqueou toda a poupança dos brasileiros. Muitos se mataram porque ficaram sem dinheiro. O governador gaúcho José Ivo Sartori é um caso clássico de político ignorante (no sentido lato da palavra) e turrão, daqueles que encosta em um moirão de cerca e garante: "Daqui ninguém me tira". Ele foi avisado (é verdade que por poucas pessoas, eu fui uma delas) que acreditar no aumento dos impostos como saída para a gigantesca crise das finanças públicas era uma tremenda imbecilidade, que isso não ia dar resultado. Bingo, não deu outra, Mas, o PMDB do Rio Grande do Sul, que já está em seu quarto governo desde a redemocratização, insiste em atribuir sempre a condução econômico-financeira do Estado do Rio Grande do Sul aos fiscais do ICMS da Secretaria da Fazenda. Esses caras são uns atrasados, limitados, que só entendem do Manual do ICMS e de aumento de alíquotas. O PMDB nunca foi capaz de apresentar um projeto de desenvolvimento para o Estado do Rio Grande do Sul, e muito menos ainda um plano de saneamento das finanças públicas. É um partido inútil, preguiçoso, que se limita a atender as reivindicações corporativas. Mas, agora a crise chegou mesmo, o déficit das contas públicas aumenta de maneira desordenada a cada mês, e vai chegar logo o momento em que não haverá dinheiro para nada. É evidente que chegou o momento para uma reformulação geral do Estado, com a aplicação de um vigoroso processo de desestatização e diminuição do aparelho público. Sabem quando o PMDB apresentará isso à sociedade gaúcha? Nunca, ao menos não enquanto o partido for dominado por essa nomenklatura geriátrica, atrasada, retrógrada. E todos os gaúchos seguirão pagamento com sofrimento inútil por isso. Mas, agora, Sartori corre o risco de acabar sofrendo um processo de impeachment. Se isto ocorrer, levará consigo uma enorme curriola de inúteis, a começar por marqueteiros que nada diferem daqueles da Bahia.

Roberto Jefferson elogia seu ex-advogado Luiz Francisco Correa Barbosa, anuncia que volta à política e à presidência do PTB, e volta chutando o balde

No último dia 28 de março, o ex-deputado federal Roberto Jefferson, denunciante do processo do Mensalão do PT, mensaleiro condenado e agora já totalmente livre de pena graças ao instituto de indulto presidencial, postou em Blog do Jefferson a seguinte nota: "O nosso Barbosa - Advogado de Roberto Jefferson no mensalão, Luiz Francisco Barbosa cobrou do procurador, Roberto Gurgel, que a compra da base aliada interessava em última instância ao presidente Lula. E pedia seu indiciamento, como prevê a lei. Hoje, procuradores da Lava-Jato defendem o que Barbosa defendia. Sua defesa na tribuna do STF é uma das mais eloquentes expressões de inteligência, cultura jurídica e coragem do advogado filho de Sapucaia do Sul. Uma antevisão do que os procuradores repetem hoje. A Justiça tarda, mas não falha, apesar de Lula ser "safo". Ainda durante o processo do Mensalão do PT, já na sua fase final no Supremo Tribunal Federal, Roberto Jefferson havia desautorizado o advogado Luiz Francisco Correa Barbosa quando este insistia na responsabilidade do poderoso chefão petista Lula. Isso levou Barbosa a se afastar da defesa de Roberto Jefferson. Agora vem a desculpa de Roberto Jefferson, em uma nota no seu blog que precedeu longa entrevista ao jornal O Estado de S, Paulo, na qual anuncia sua volta à política, reassumindo a presidência do PTB nacional, hoje em mãos de sua filha, a deputada federal Cristiane Brasil. Entre outras coisas, Roberto Jefferson diz na entrevista a seguir: "O bandido pelo qual eu mais torço é Eduardo Cunha”
 

Como foram os primeiros dias depois do indulto?
Quarta-feira à noite o pessoal foi lá e tirou a tornezeleira. Quinta-feira de manhã cedinho peguei a moto e fui embora (para Levy Gasparian, cidade no interior do Estado). Fiquei tão tenso que a minha mão direita doía. Eu andava dentro do condomínio (onde mora, na Barra da Tijuca, zona oeste carioca), mas é diferente. Rodei 600 quilômetros só para matar a saudade do asfalto.
O senhor vê paralelo do processo de impeachment da presidente Dilma e do ex-presidente Fernando Collor de Melo, que acompanhou de perto?
A questão moral é a mesma. O que motivo o impeachment do presidente Collor foi uma acusação de corrupção. O que motiva o impeachment contra a presidente Dilma e o PT é o sentimento de corrupção. Contra o Collor havia uma mobilização da empresa paulista, que havia sofrido a queda do monopólio, a indústria automobilística, que teve que abrir para ter uma competição com carros mais modernos. Havia uma grande contrariedade da Fiesp, da Febraban. Havia o ódio petista das derrotas sofridas, o ressentimento da elite do PSDB de São Paulo, que havia perdido a eleição para o Collor. Era mais conduzido partidariamente e mais ligado ao movimento econômico. Hoje a diferença, apesar da corrupção, é que é uma coisa da classe média, A, B, C, que foi para a rua espontaneamente. O povo quer fora PT, fora Lula, fora Dilma, o fim da corrupção. O impeachment do Collor foi mais político, nasceu dentro do Congresso Nacional. O impeachment que movimenta a sociedade contra a Dilma é judicial. Não é um impeachment com motor político. O herói é o juiz Sérgio Moro, os promotores do Paraná.
Os defensores da presidente apontam golpe, no sentido de que a Constituição não está sendo respeitada. Como o senhor vê essa reação?
Eles querem fazer um paralelo com João Goulart (presidente deposto no golpe de 1964). Ali podemos dizer que foi um golpe, não uma revolução. Agora não há um movimento para derrubar o governo com uma ruptura constitucional. O impeachment é legal, é constitucional, tem o rito constitucional fiscalizado pelo Supremo Tribunal Federal. Não há golpe. Dilma não pode se comparar ao Jango. O impeachment da Dilma se compara ao do Collor.
Quando o senhor, que fazia parte da “tropa de choque” do Collor, percebeu que o impeachment seria aprovado na Câmara?
Eu sempre achei que o Collor não sairia do impeachment, ele era muito mal visto. Era uma espécie de Dilma de saco roxo, como ele costumava dizer. A Dilma é autoritária, arrogante, o Collor era assim no passado. Ninguém gosta dela. Quando a pessoa vê a oportunidade de dar um pontapé, vai dar.
Mas é preciso haver crime para haver impeachment. Há prova de crime?
Tem a pedalada fiscal, tem essa questão eleitoral, o esquema montado para financiamento da campanha. Aquele PC Farias era menino de procissão perto dessa turma do PT.
O senhor acredita que a presidente Dilma e o ex-presidente Lula sabiam da forma como chegavam os recursos para as campanhas eleitorais?
À época do mensalão, eu não acreditava, eu achava que parava na Casa Civil. Eu tive a impressão de que o mentor intelectual do mal era o Zé Dirceu. Mas hoje, com as provas colhidas, com a abertura que a imprensa fez do material colhido, tenho absoluta certeza de que o Lula era senhor de tudo que havia no País.
Existem provas disso?
Essas delações premiadas, o (ex-deputado) Pedro Corrêa dizendo isso, o senador Delcídio Amaral(ex-líder do governo no Senado) dizendo isso. Não tenho mais dúvida de que o Lula estava a par de tudo. Não aconteceu sem que o Lula soubesse. O Lula realmente sabia de toda essa corrupção e ele institucionalizou essa corrupção a partir dessa chefia do governo.
Essa tese vale para o mensalão e para o petrolão?
Posso falar agora que vale para o mensalão. Naquela época eu não poderia falar. Vi outro dia o Pedro Corrêa dizendo que o financiamento do mensalão vinha do petróleo, uma das fontes do mensalão era o petróleo. Era muito dinheiro para ser apenas o Marcos Valério através de uma conta de publicidade.
Quando o senhor deixou a prisão, em maio do ano passado, o senhor fez um gesto indicando que estava entalado com o petrolão, mas estava impedido de falar pelo STF. O que isso significa? O senhor conhecia a conexão entre o petrolão e o mensalão?
Não conhecia, não. Não imaginei que chegasse tão longe o processo de corrupção instituído pelo PT. Foi inusitado para mim.
O senhor tinha conhecimento do esquema de corrupção na Petrobrás?
Eu não soube dessas coisas da Petrobrás naquela época. O que eu sei é que a Petrobrás sempre foi a empresa elite dos partidos mais poderosos. As estatais no Brasil são o braço financeiro das corporações sindicais e dos partidos. Quem financia partido político são as estatais. Vamos ter que repensar isso. Se queremos país moderno, vamos ter que fazer privatização, porque não vai permitir a concentração da corrupção. Um assalto de US$ 1 bilhão como o (da refinaria) de Pasadena você não ia escutar em lugar nenhum. Só na concentração de poderes que a Petrobrás tem. O Brasil vai ter que enfrentar a privatização. A estatal é a semente da corrupção no Brasil. Os partidos políticos disputam os cargos nas estatais para seu financiamento. No fragor dessas denúncias está Dona Dilma, pegando de volta as estatais do PMDB para distribuir no varejo para os deputados. Isso é corrupção. O que vão assaltar nos seis meses enquanto durar o processo de impeachment dela é uma loucura. Vai todo mundo querer fazer caixa, porque ela cai em seis meses. “Cobra 100% de comissão aí!” Tem que ser rapidinho, vai ser igual dinamite em caixa de banco.
O PTB pleiteou alguma diretoria ou gerência importante na Petrobrás?
Nunca, nós éramos muito pequenos. O PTB teve a presidência da Eletronorte, a diretoria do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil) e aquela diretoria dos Correios.
E Furnas?
Uma diretoria nos foi oferecida pelo presidente Lula, para compensar a não transferência dos recursos nas eleições em que PT fechou acordo com PTB. O PTB fechou uma grande aliança com o PT nas capitais, a Marta (Suplicy) foi eleita com apoio do PTB em São Paulo. Eles ofereceram R$ 20 milhões para financiamento do PTB e deram R$ 4 milhões. Foram os R$ 4 milhões que o Marcos Valério levou. Como eles não cumpriram os R$ 16 milhões e no PTB ficamos com uma grave dívida e uma crise interna, o presidente Lula tentou montar para o PTB um caminho de financiamento para suprir esse gasto, a diretoria de Furnas (de Engenharia), onde estava o Dimas Toledo. Mas não se concretizou.
O que aconteceu? Havia um esquema anterior?
Havia. Eu soube disso quando indicamos doutor Francisco Spirandel para ocupar o lugar do Dimas. Recebi contato do Zé Dirceu para que eu fosse conversar com ele na Casa Civil. Ele disse “em vez de trocar o Dimas, por que a gente não faz um acordo, você mantém o Dimas e ele passa a ajudar o PTB?” Eu disse “da minha parte, sem problema”. Dimas foi à minha casa conversar, foi quando conheci o Dimas. Dimas disse “minha diretoria rende de apoio R$ 3 milhões por mês, mas eu tenho comprometidos R$ 1 milhão com o PT de Minas, R$ 1 milhão com o PT Nacional, dou R$ 600 mil a 12 deputados do PSDB, R$ 50 mil a cada um, eles apoiam de vez em quando o governo federal. E R$ 400 mil para a diretoria.
E qual era a origem desse dinheiro?
Os contratos que ele gerenciava lá na Engenharia. Comissão da Engenharia. Então combinamos: a gente mantém o apoio ao PT de Minas, aos 12 deputados que ajudam nas votações mais importantes do governo do Lula e passa a dar R$ 1 milhão para financiar o PTB Nacional. Eu falei “da minha parte, perfeito”. Estava fechado e marcamos encontro com o presidente Lula para comunicar que não precisava trocar o Dimas, que tinha esse acordo. Eu, Zé Dirceu, Walfrido dos Mares Guia, que era ministro do PTB, e o presidente Lula. Lula perguntou “quando esse cara de vocês, Spirandel, assume?” Eu disse que havia o acordo de convivência do PTB com o PT. (Lula disse) “Quero ouvir de você”. E eu contei o que acabei de dizer para você. Lula disse “não estou de acordo, porque esse Dimas é o cara do Aécio, só faz propaganda para o governo de Minas, do Aécio, se vocês não trocarem eu vou trocar”. Eu disse “então bota o Spirandel”. Quando acabou a reunião, Zé Dirceu me interpela “você quis o boi com chifre e tudo, se você bate o pé, ele mantém o Dimas’. Eu disse “Zé, por que você não interveio?” Desci com Walfrido para a garagem, ele segurou meu braço e disse “você foi para o céu”. Eu disse “acho que eu fui para o inferno, a reação do Zé Dirceu foi muito ruim”. Uma semana depois veio a matéria da Veja (que exibiu gravação de um funcionário dos Correios cobrando propina e dizendo que falava em nome de Jefferson), que se assemelha à verdade, mas não é a verdade. Zé Dirceu montou com a Veja aquela matéria.
E o movimento seguinte foi o senhor revelar o esquema do mensalão?
Tentaram segurar, disseram para eu deixar a presidência do PTB, iriam nomear um deputado ferrabrás, mas que faria um relatório final não me indiciando. Eu disse “não conta comigo não, entrei pela porta da frente e é de onde vou sair, mas prepara porque vai ter tiro daqui, vou pegar vocês, o que eu tenho vou botar para fora”. Deu no que deu. Ali foi a origem de tudo, a origem desse momento que o Brasil vive hoje. Eu te confesso que até aquele momento eu achava que o PT, que o Lula, tinham ética. Um partido igrejeiro, quase de batina, de barba preta e sotaina, nascido do útero da Igreja.
Quem eram os 12 deputados do PSDB que recebiam propina de Furnas?
Não sei, não perguntei. Devem ter ajustado um grupo de 12 deputados federais que, naquelas votações mais importantes, votava com o governo.
O senhor foi indiciado pela Polícia Civil do Rio por corrupção e lavagem de dinheiro relacionado a Furnas. Como vai responder?
Pedi ao Ministério Público para me ouvir. Uma delegada pediu meu indiciamento indireto sem me ouvir. Não me furto a nada. Ela disse que eu confessei. Nós não recebemos. Eu pensei que a lei punisse só fato consumado. Nunca vi a lei punir intenção. O PTB nunca recebeu nenhum recurso de Furnas, do Dimas Toledo, ele não chegou a operar para ajudar do PTB. Vou esclarecer. Faz parte da vida. Eu tive que me eviscerar para dar essa partida, para tirar a máscara da face do PT, botar o rei nu. E a evisceração provoca esse tipo de julgamento açodado. “Esse cara é Judas, vamos malhar”. Eu tenho que compreender.
Como petrolão e mensalão se conectavam?
Hoje eu leio o petrolão como fonte de financiamento do mensalão. Um dos graves problemas do PT foi o financiamento dos partidos políticos. Hoje pode fazer PMB, PSD, P não sei o quê…tem 40 partidos. Quando o PT encontra resistência em uma direção partidária, dissolve aquele partido, pega um grupo, faz outro partido. Quem se manteve firme e não se fragmentou foi o PMDB. Quando o PMDB viu que o PT estava tentando esfacelar o partido, criando esse PSD com o ex-prefeito de São Paulo (Gilberto Kassab) começou ali a reação. Eduardo Cunha vem reagindo a partir dali. Essa janela que abriram agora (que permitiu troca de partido) é mensalão de novo. Os caras que se aproximavam para conversar pediam luvas de R$ 1 milhão, R$ 600 mil e mensalão de R$ 30 mil, R$ 40 mil, R$ 50 mil por mês. É a mesma coisa do mensalão. Aconteceu tem dez dias. O PTB foi assediado.
Por quem?
Teve gente que me procurou (para ir para o PTB). “Preciso de R$ 1 milhão”. Eu disse “aqui no PTB não se paga mensalão para ninguém”. Eram deputados de outra legenda que vinham com essa conversa para passar para o PTB. Perdemos alguns deputados e sei que cantaram na orelha deles essa conversa. Quem patrocina? O PT, o governo. Não vou citar ninguém. Está na raiz do PT a corrupção. Pelo que vejo, (o dinheiro que abastecia o mensalão) vinha de vários lugares. As estatais estão sempre na corrupção e as para estatais, que são as empreiteiras. Não tenho pena da Odebrecht, tinha que fechar. Dá chance às pequenas que estão começando no Brasil. Não pode importar uma empresa de fora. Que conversa é essa de ‘o petróleo é nosso, a ponte é nossa’. Quem vier para cá vai ter que contratar a mão de obra aqui.
Por que o PTB não tinha espaço na Petrobrás?
Tinha um senador do PTB, não em acordo de partido, que mandava na BR, nessas cooptações que o PT fez no Senado, no varejo. Mas o PTB nunca esteve em direção de qualquer empresa desse porte. Não sou santo nem quero fingir que sou. Mas eu sempre tive limites, nunca passei da linha amarela. Quando sentava um empreiteiro na minha frente, levado, vamos dizer, pelo presidente da Eletronorte. Eu dizia “leve em consideração três coisas para ajudar o PTB: primeiro, o interesse da empresa estatal; segundo, o interesse da sua empresa; terceiro o que você puder dar”. Sempre a conversa foi confortável. “Naquela época tinha caixa 2. Hoje não existe mais. Ele perguntava “como o senhor quer receber?” Eu dizia “como você quiser dar ao PTB, por dentro, por fora”. As coisas eram tratadas dessa maneira.
Por que o senador e ex-presidente Fernando Collor deixou o PTB?
Porque não está conformado, porque a direção nacional do partido se posiciona pelo impeachment. Ele pediu um pouco de moderação, achava que a Cristiane (Brasil, filha de Jefferson, deputada federal e presidente nacional do PTB) estava sendo muito dura com a presidente Dilma, com o presidente Lula. Eu falei: “ela não vai mudar o discurso e eu não vou pedir a ela para mudar”. Essa foi a principal razão. Eu aproveitei e cobrei que ele organizasse o PTB em Alagoas. Só ele tem se elegido. Tem que fazer vereador, prefeito. Fomos cordiais um com o outro. Realmente a Cristiane tem que moderar um pouquinho.
Acredita que haverá condenações e prisões no petrolão como houve no mensalão?
Penso que o Lula não vai escapar. O mensalão parou na antessala dele, na Casa Civil. Mas o petrolão entrou dentro do Palácio (do Planalto). Ou esse (Marcelo) Odebrecht fala ou vai levar 30 anos na cadeia. Marcos Valério levou uma martelada de 40 anos. O processo do petrolão é diferente do mensalão. O mensalão surgiu do embate político, de uma denúncia que eu fiz. No petrolão não tem nem voz da oposição. A oposição está em silêncio porque muito dos seus estão comprometidos, tem muita gente da oposição enroscada nas empreiteiras.
Já houve um comentário de que o senador Delcídio Amaral seria um novo Roberto Jefferson, por causa da delação premiada que ele fez. O que o senhor acha?
Vejo com bons olhos, apesar de eu não ter feito delação premiada. Nem pleiteei isso. Arquei com as consequências das minhas atitudes. Eu fiz uma luta política. O juiz perguntou se eu queria fazer e eu disse que delação premiada é conversa de canalha. Hoje tenho até outra visão disso. Penso que Delcídio fez uma bela contribuição. O gesto dele de tentativa de obstrução à Justiça foi menos grave que o ministro(Aloizo) Mercadante. Mas houve dois pesos e duas medidas. Delcídio foi preso, e Mercadante sequer foi incomodado.
Por que o senhor mudou de opinião em relação às delações?
A Lava Jato não teria avançado (se não fossem as delações). Eu fui condenado até mais que o Genoino (José Genoino, ex-presidente do PT), que assinava as promissórias do PT e dizia que assinou sem ver. Isso é conversa de petista. “O sítio é do meu amigo, o apartamento é do meu amigo, o barquinho é do meu amigo.” Isso é conversa de petista. O que eu fiz eu assumi. Mas não me abati, nunca reclamei, respeitei a decisão, cumpri a decisão. Se tivesse que fazer, fazia tudo de novo. É o preço que eu tive que pagar pelas atitudes que cometi. Hoje eu não repetiria essas atitudes.
O que o senhor não repetiria?
Não faria parceria com o PT. O PT não dá, quer se aboletar no poder, quer transformar o País em uma ditadura comunista, socialista. Isso eu repilo, tenho pavor, acho um atraso.
O senhor vai voltar para a política?
Para a política eleitoral, talvez não. Lá em casa já tem deputada federal. Prefiro presidir o partido. Depois do indulto, está uma pressão para que eu reassuma. Minha filha quer me reconduzir à presidência do PTB. Preciso chegar agora, tanto para ajustar minha biografia, como para participar desse movimento que é um ponto final da corrupção institucionalizada.
Como o senhor vai orientar o PTB? O partido está dividido em relação ao impeachment?
Você vai ter uma surpresa. Divisão é meio a meio. São 19 deputados, eu penso que no máximo o PTB dará dois votos a Dilma.
E o relator do processo, deputado Jovair Arantes, que é do PTB?
O relator vai acompanhar o sentimento da maioria da comissão (do impeachment). Penso que o Jovair não fará um relatório ofensivo à presidente. Ele vai se basear tecnicamente. Não é o que ele está me dizendo, é minha maneira de ver. Jovair é hábil e equilibrado. Relator tem que ouvir todos, tirar a média ponderada. Se ele se expressar pelo impeachment, não será com uma linguagem panfletária, ofendendo a presidente, a memória, o currículo da presidente. As pessoas vão se surpreender com o relatório do Jovair.
Na Comissão do Impeachment, como está o peso de deputados a favor e contra?
Acho que dá dois terços a favor do impeachment. No plenário, penso que Dilma não chegará a 150 votos.
Se houver impeachment, qual será a posição do PTB em um possível governo de Michel Temer?
Michel não pode errar, tem que ter um ministério acima do bem e do mal, de gente capaz, qualificada. Não pode ter suspeita. Vai ter que ser um governo tipo Itamar Franco. Temer tem que fugir dos que vão com goela aberta. Minha sugestão para preenchimento de vagas em estatal é chamar uma comissão do Ministério Público. Senado não adianta, porque é o senador que indica.
O PTB vai fazer parte do governo?
O PTB não é de gente oferecida. Queremos uma pauta moderna, de privatização. Acho que Temer tem que ser estadista, tem que levar esse governo com cautela, apresentar emenda do fim da reeleição com mandato de cinco anos.
O deputado Eduardo Cunha tem legitimidade para presidir a Câmara no momento em que está em curso o processo de impeachment?
Tem legitimidade, sim. Ele responde a vários inquéritos, tem que ter cuidado. Minha preocupação é que a prisão humilha muito as pessoas. Para ele a situação vai complicar. Vai levantar de manhã cedo… chinelo de dedo, bermuda azul, camiseta branca. Está lá no coletivo dos presos, aquele cheiro de gente doente, com tuberculose, com Aids. Banheiro com cheiro terrível, banho frio. De manhã cedo, todo mundo em fila. “Senhor Roberto Jefferson!” “Presente, senhor.” Cabeça baixa, mão para trás. De noite, o “confere”, aquela averiguação que se faz. É duro. Dinheiro contadinho, R$ 100,00 por semana para comprar na cantina. E quem tem R$ 100,00 tem que comprar para todo mundo. Se furar a bola, tem que dar uma bola nova. Tem que aturar isso. Limpar privada, varrer o chão. O que me preocupa são as filhas e a esposa, mulheres bonitas, cheirosas, entram lá naquele meio, vão ser assediadas. Vão acordar (na prisão) com aquelas mulheres deitadas na cama, vão apanhar na cara, vão denunciar, vão apanhar de novo. O cara vai ter que aturar isso. O ambiente prisional é muito duro, muito triste, muito pesado. O cara não pode expor a esposa, a filha. Não ataca a Justiça, não ataca o Ministério Público, o Judiciário. Respeita. O cara tem 20 contas no Exterior, nunca declarou. Gastos milionários em cartão de crédito. Traz para si, tira a esposa e a filha. Ele não pode permitir a filha e a esposa passarem por isso. É a preocupação que eu tenho. As coisas são muito evidentes.
É possível Cunha responder aos inquéritos e continuar no comando da Câmara?
É, ele que tem que conduzir (o processo do impeachment). Ele está lá (na presidência da Câmara). Ele foi o adversário mais à altura do Lula. Lula nunca esperou encontrar um bandido da mesma qualidade moral, intelectual que ele. O bandido pelo qual eu mais torço é o Eduardo Cunha. Vai puxar a barba do Rasputin. Gelado, frio, equilibrado. O Lula, o PT e esse Foro de São Paulo (conferência de partidos de esquerda latino americanos) são bandidos da laia do Eduardo Cunha, topam tudo. Como Deus faz as coisas. Botou um cara ali que qualquer jogo ele joga, qualquer parada ele topa e sabe onde aperta o calo do outro bandido. Pega o outro bandido na esquina. Dudu é o bandido que eu mais gosto, o vilão que eu torço por ele, o vilão da minha novela. E estou doido para ele puxar a barba do Rasputin.
O senhor viu as mudanças que aconteceram no Conselho de Ética e atrasaram o processo contra o presidente da Câmara?
Tenho horror ao Conselho de Ética. Conselho de Ética e CPI são coletivos de donzelas furadas. Sabe o que é? Uma vez fui ao mercado de Salvador e o menino dizia “donzela furada, três por cinco reais”. É uma rosquinha de polvilho, que aqui a gente trata de mentirinha. Aquela comissão de ética e as CPIs são impregnadas de donzelas furadas, tudo mentirinha. Todo mundo rabudo querendo pisar no rabo do outro para se lavar. Tenho aversão.